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Modelo 2-MONOGRAFIA aluna professor leandro

Dissertação de mestrado que investiga, com abordagem neurocientífica e métodos quantitativo e qualitativo, o impacto da pós‑pandemia de COVID‑19 nos níveis de depressão, ansiedade e estresse em estudantes da educação básica do Distrito Federal.

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2 
 
AURYLENE GOMES DE ANDRADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
IMPACTO DA PÓS-PANDEMIA DE COVID-19 NOS NÍVEIS DE DEPRESSÃO, 
ANSIEDADE E ESTRESSE EM ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA DO 
DISTRITO FEDERAL: UMA ABORDAGEM NEUROCIENTÍFICA 
 
 
 
Dissertação apresentada ao Programa de 
Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia 
da Universidade Católica de Brasília, como 
requisito parcial para a obtenção do título de 
Mestre em Psicologia. 
Orientador: Prof. Dr. Leandro Freitas 
Oliveira 
 
 
 
 
 
Brasília 
2024 
 
3 
 
Dissertação de autoria de Aurylene Gomes de Andrade, intitulada “IMPACTO DA 
PÓS-PANDEMIA DE COVID-19 NOS NÍVEIS DE DEPRESSÃO, ANSIEDADE E 
ESTRESSE EM ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA DO DISTRITO 
FEDERAL: UMA ABORDAGEM NEUROCIENTÍFICA”, apresentada como requisito 
para obtenção do grau de Mestre em Psicologia da Universidade Católica de Brasília, 
em .... de .... de 2024, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada: 
 
_______________________________________ 
Prof. Dr. Leandro Freitas Oliveira 
Orientador 
Universidade Católica de Brasília 
 
_______________________________________ 
Profa. Dra. Eduarda Rezende Freitas 
Universidade Católica de Brasília 
 
_______________________________________ 
Prof. Dr. 
 
 
 
 
Brasília 
2024 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aos meus familiares e amigos (as) 
pelo apoio incondicional na 
realização desse estudo, por toda 
ajuda, incentivo e colaboração 
durante todo o tempo da pesquisa. 
 
 
5 
 
AGRADECIMENTOS 
 Agradeço a Deus pelo dom da vida, especialmente após um período pandêmico e 
por ter me proporcionado forças e saúde para prosseguir nos estudos mesmo vivendo a 
dor do luto pela morte da minha referência de vida, meu porto seguro, minha motivação 
e quem mais me incentivou a sempre estudar e buscar a realização dos meus sonhos, 
meu pai Aurystenio de Andrade (in memoriam). 
 Aos meus familiares, em especial a minha mãe Maria Gorete Gomes de 
Andrade, por todo apoio e ajuda para que eu trilhasse essa formação acadêmica tão 
importante em minha vida. Meus pais foram professores e segui essa mesma profissão 
pela inspiração proporcionada por eles. Sempre os admirei e tenho muito orgulho por 
toda dedicação dispensada à educação pública. A eles a minha eterna gratidão por ter 
me ensinado tanto. 
 Aos meus amigos da Psicologia, aos meus colegas de trabalho, aos meus colegas 
do curso de Mestrado em Psicologia, em especial a Adriana Almeida Sousa Rodrigues 
por toda ajuda, contribuição, incentivo, palavras de carinho e motivação para seguir essa 
trajetória tão fundamental em minha vida e formação profissional e acadêmica. 
 Ao meu orientador, professor Leandro Freitas Oliveira, por todo o 
acompanhamento desse projeto, pela sua dedicação em me orientar, por suas brilhantes 
contribuições e sugestões para a conclusão desse estudo, pela sua magnífica forma de 
me escutar, me entender, me apoiar e me conduzir nessa jornada de estudos. Minha 
gratidão por me proporcionar momentos de muito aprendizado e por sua humildade em 
ensinar com maestria, com excelência. 
 Aos demais professores da banca de qualificação, professora Lêda Gonçalves de 
Freitas e professora Poliana Peres Ghazale pelas excelentes contribuições nesse projeto 
e pela imensurável ajuda com sugestões e materiais para complementar meus estudos 
para a conclusão dessa etapa tão importante em minha vida. 
 A todos os professores do curso de Mestrado em Psicologia, que me ensinaram 
tanto para que eu chegasse até aqui. 
 A todos os que fazem parte da minha vida pessoal, profissional e acadêmica, 
muito obrigada! 
6 
 
RESUMO 
Andrade, A. G. (2024). Impacto da Pós-Pandemia de COVID-19 nos Níveis de 
Depressão, Ansiedade e Estresse em Estudantes da Educação Básica do Distrito 
Federal: Uma Abordagem Neurocientífica. [Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu 
em Psicologia]. Universidade Católica de Brasília – UCB-DF. 
A pandemia da covid-19, doença causada pelo Sars-CoV-2, o novo coronavírus, surgido 
na China em dezembro de 2019 espalhou-se por todo o mundo e teve impactos 
gigantescos em diversas áreas das nossas vidas mudando a rotina da população 
principalmente em seus dois primeiros anos, a saber: 2020 e 2021e devido às medidas 
de isolamento físico social decorrente do período pandêmico, as escolas foram fechadas, 
a partir de março de 2020, no Brasil e, posteriormente, as aulas ocorreram de forma 
totalmente remota utilizando as telas como o recurso pedagógico fundamental e, no 
segundo semestre de 2021, houve o retorno das aulas presenciais. Diante desse cenário 
de mudanças na realidade educacional de estudantes não só no Brasil, mas a nível 
mundial, a presente pesquisa de natureza quantitativa com cunho descritivo e qualitativa 
objetivou examinar o impacto da pandemia da COVID-19 nos níveis de depressão, 
ansiedade e estresse em estudantes da educação básica como marcadores inferenciais 
para alterações fisiológicas e anatômicas cerebrais. Para isso, estrutura-se em torno da 
aplicação da Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21) e da Escala 
Generalized Anxiety Disorder (GAD-7) (Transtorno de Ansiedade Generalizada) na 
coleta de dados dos estudantes participantes para quantificar os estados emocionais 
destes no período pós-pandemia e este estudo também se alicerçou em teorias e 
pesquisas em neurociências com o objetivo de compreender os mecanismos neurais por 
trás da depressão, ansiedade e estresse, bem como, para entender como a pandemia da 
covid-19 pode ter afetado esses aspectos da saúde mental. A seleção dos estudos foi a 
partir da busca em base de dados bibliográficos como PubMed, Science Direct e Google 
School, com a utilização das palavras-chave e inclusão de estudos publicados nos 
últimos anos que correspondem ao período pandêmico e pós-pandemia, em português e 
inglês. 
Palavras-chave: COVID-19, depressão, educação básica, estudantes, ansiedade, 
estresse, neurociências, Brasil 
 
7 
 
ABSTRACT 
The pandemic of covid-19, disease caused by Sars-CoV-2, the new coronavirus, 
emerged in China in December 2019 has spread around the world and has had huge 
impacts in various areas o four lives changing the routine of the population mainly in its 
first two years, namely: 2020 and 2021 and due to the measures of physical social 
isolation resulting from the pandemical period, the schools were closed, from March 
2020, in Brazil and, subsequently, the classes took place completely remotely using the 
screens as the fundamental pedagogical resource and, in the second half of 2021, there 
was the return of face-to-face classes. Faced with this scenario of changes in the 
educational reality of students not only in Brazil, but at the global level, the present 
research of a quantitative nature with a descriptive and qualitative purpose aimed to 
examine the impact of the COVID-19 pandemic on the levels of depression, anxiety and 
stress in students of Basic Education as inferential markers for physiological and 
anatomical brain changes. For this, it is structured around the application of the 
Depression, Anxiety and Stress Scale (DASS-21) and the Generalized Anxiety Disorder 
Scale (GAD-7) in the collection of data from the students participants to quantify their 
emotional states in the post-pandemic period and also based on theories and research in 
neurosciences with the aim of understanding the neural mechanisms behind depression, 
anxiety, and stress, as well as to understand how the Covid-19 pandemic may have 
affected these aspects of mental health. The selection of the studies was based on the 
search in bibliographic databases such as PubMed, Science Direct and Google School, 
with the use of keywords and inclusion of studies published in recent years that 
correspond to the pandemic and post-pandemic period, in Portuguese and English. 
 
Keywords:– no caso da 
anorexia); 
§ Ansiedade, preocupação ou sintomas 
físicos causam sofrimento 
significativo ou prejuízo no 
funcionamento social. 
o formigamentos ou anestesias nos 
dedos e nos lábios; 
o ondas de calor ou calafrios; 
o desrealização (sensação de que o 
ambiente familiar está estranho) ou 
despersonalização (sensação de 
estranheza quanto a si mesmo); 
o tontura, instabilidade; 
o dor ou desconforto torácico; 
o náusea ou desconforto abdominal. 
Transtorno de pânico 
§ Ter ataques de pânico de forma 
repetitiva e inesperada; 
§ Pelo menos um dos ataques foi 
seguido por período mínimo de um 
mês com os seguintes critérios: 
o preocupação persistente com a 
possibilidade de ter novos ataques; 
o preocupações com implicações ou 
consequências dos ataques, como 
perder o controle, enlouquecer ou ter 
um infarto; 
o alterações do comportamento 
relacionadas aos ataques (evitar 
aglomerações, evitar sair de casa); 
o presença ou não de agorafobia 
associada. 
O transtorno não é devido a efeitos fisiológicos diretos de uma substância 
(medicamento, uso de substâncias) ou a uma condição médica ou doenças (como 
hipertireoidismo, lúpus, diabetes, entre outras). 
 
O campo TAG classifica-se pela prevalência de sintomas ansiosos demasiados, 
vividos pelas pessoas acometidas pelo transtorno, na maior parte dos dias e pelo tempo 
41 
 
de muitos meses. Essas pessoas vivem de forma angustiante, sempre estão tensas e 
preocupadas, além de estarem constantemente nervosas, segundo Dalgalarrondo, 
(2019). Além disso, a predominância dos sintomas de insônia, bem como, de 
dificuldade de conseguir relaxar, a aflição permanente, irritabilidade elevada e 
problemas para se concentrar, são comuns nesses quadros de transtorno. São normais 
também os sintomas classificados como físicos, como exemplos, a cefaleia, dor 
muscular, dor ou sensação de estar com o estômago queimando, a taquicardia, a 
vertigem, o formigamento e a sudorese fria. 
Salienta-se que, para compor o diagnóstico e detectar uma síndrome ansiosa em 
uma pessoa, é preciso que o profissional de saúde analise junto ao paciente se os 
sintomas ansiosos apresentados estejam prejudicando um sofrimento de cunho 
significativo em sua vida social, pessoal, profissional. Para corroborar essa questão, 
temos nos estudos epidemiológicos de Andrade et al.; (2012); Ribeiro et al.; (2013), 
amostras das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro em que há a presença iminente de 
TAG, no período dos últimos doze meses a pesquisa, em que os índices apontam a 
incidência entre 2,2 a 3,5% das pessoas e, ao menos uma vez na vida entre 5,8 a 6,0% 
da população. 
 
4.2.4 O estresse 
 
Em Straub (2014) temos que o húngaro Hans Selye (1907-1982), que foi um 
endocrinologista protuberante, começou a ficar famoso na denominada McGill 
University, em Montreal, devido à identificação de um novo hormônio. Ele trabalhou 
com uma espécie de fragmento de ovário e para isso, criou um plano que consistia na 
aplicação de injeções diárias do fragmento a um modelo de ratos de laboratório e, com 
isso, examinar alterações no comportamento e na saúde. Entretanto, esse plano que a 
princípio parecia simples, não prosseguiu de forma fácil de ser executado, pois Selye 
notou que os ratos, assim como os seres humanos, não gostam de receber injeções. Mas, 
após diversos meses da administração das injeções nos ratos, foi possível que o jovem 
endocrinologista fizesse um brilhante achado, a de que a maior parte dos ratos tinha 
desenvolvido úlceras hemorrágicas, atrofias do timo que consiste na produção dos 
42 
 
linfócitos para combater enfermidades, e crescimento das glândulas adrenais. Seu 
primeiro impacto foi de contentamento por confiar ter descoberto os efeitos fisiológicos 
do fragmento de ovário, mas, Selye teve cautela e entendeu que necessitava de um 
grupo de controle para que suas descobertas não fossem frustradas. Dessa forma, demais 
grupos de ratos também receberam injeções diárias que consistiam em fragmentos de 
rins, baço ou uma solução salina, ao invés de fragmentos de ovários. 
De acordo com Straub (2014), esses grupos de ratos foram tratados da mesma 
forma que os demais apresentando comportamento similar, sendo necessário serem 
apanhados, bem como, abatidos e perseguidos pelo laboratório para receberem as 
injeções, devido ao fato de que os ratos não gostavam de recebê-las. Após a 
administração das injeções, Selye constatou que os ratos de controle apresentaram os 
mesmos sintomas dos primeiros, como o crescimento das glândulas adrenais, os timos 
atrofiados e as úlceras hemorrágicas. Assim, as mesmas alterações ocorreram nos dois 
grupos de ratos de laboratório e não poderiam ter sido desencadeadas pelo fragmento de 
ovário. Conclui-se pelo experimento que as mudanças encontradas foram causadas pelo 
estresse a que os ratos estavam sendo acometidos desde o início da manipulação da 
pesquisa desenvolvida por Selye. 
Selye descobriu a resposta de estresse a partir do experimento realizado com 
ratos de laboratório, desencadeando assim uma nova esfera na medicina, denominada de 
fisiologia do estresse. Ele não foi o primeiro a utilizar a palavra estresse, porém, é a 
partir de seus achados o surgimento de duas ideias fundamentais nesse âmbito, a saber: 
“O corpo tem uma resposta notavelmente semelhante a muitos estressores diferentes” e 
“Os estressores, às vezes, podem deixar as pessoas doentes”. Partindo dessas premissas, 
tem-se que a segunda ideia seja fundamental na compreensão de que o estresse em sua 
forma crônica e persistente pode ter influência na vulnerabilidade dos seres humanos a 
propensão de doenças. A partir disso, inúmeras pesquisas foram desenvolvidas nesse 
campo abrindo um leque de junções entre o estresse e diversas doenças de cunho físico 
e psicológico, como por exemplo, doenças que correspondem ao câncer, cardiopatias, 
diabetes, artrite, cefaleias, asma, distúrbios digestivos, depressão e ansiedade 
(STRAUB, 2014). 
 De acordo com Straub (2014), pesquisadores como Selye (1934) ao situarem 
nexos entre o estresse e diversas doenças de cunho físico e psicológico, como as 
43 
 
elencadas acima, em contrapartida, vivências estressantes que soubemos lidar podem ser 
definidas como experiências positivas em nossas histórias e permitir, futuramente, mais 
soluções de enfrentamento. O estresse faz parte da vida e sem o estresse as nossas vidas 
seriam consideradas como entediantes. Entretanto, quando o estresse gera uma 
sobrecarga nos recursos de enfrentamento, pode acarretar prejuízos a nossa saúde. 
Assim, é normal sentir estresse em nosso cotidiano que pode vir da escola, do trabalho, 
da família, das interações com o outro etc, ocorrendo em nossas vidas em tempo real 
quando precisamos enfrentar as demandas inerentes ao nosso dia a dia. 
O autor assevera que mesmo com a universalidade do termo estresse, os 
psicólogos ainda não dispõem de uma definição que seja adequada para conceituá-lo. 
Assim, esse termo é utilizado, por vezes, na descrição de uma situação ou até de um 
estímulo ameaçador e, em outras ocorrências, na definição de uma resposta a uma 
determinada situação. Nesse parâmetro, os psicólogos da saúde definiram que os 
estressores são acontecimentos ou circunstâncias complexas que podem desencadear 
ajustes de enfrentamento nos indivíduos, e o estresse é um processo no qual os 
indivíduos percebem e respondem a episódios que sejam desafiadores ou prejudiciais 
para estes. Na perspectiva biológica, os processos de cunho biológico que surgem 
quando as pessoas sentem estresse podem divergir de acordo com a fisiologia individual 
e dos níveis de reatividade fisiológica de cada pessoa. Entretanto, os mesmos processos 
basilares são capazes de afetar todas as pessoas. As intervenções psicológicas 
comprometem a forma como avaliamos situações que são consideradas como 
desafiadoras, sejam estas estressantesou não estressantes tendo em vista a 
personalidade e vivências de cada um. 
O estresse é um fenômeno biológico complexo, caracterizado pela resposta do 
organismo a um desafio ou ameaça percebida. Esse processo inicia-se no cérebro, 
especificamente na área chamada hipotálamo, que ativa o sistema nervoso simpático, 
desencadeando a liberação de catecolaminas (como adrenalina e noradrenalina) pelas 
glândulas adrenais. Paralelamente, o hipotálamo estimula a liberação do hormônio 
corticotropina - CRH pela hipófise, que por sua vez, promove a secreção de cortisol 
pelas glândulas adrenais. O cortisol, um glucocorticoide, desempenha um papel central 
na resposta ao estresse, ajudando o organismo a mobilizar energia e modulando o 
sistema imunológico. A resposta ao estresse é vital para a sobrevivência, pois prepara o 
44 
 
corpo para a ação, seja lutando ou fugindo do perigo percebido (Sapolsky, 2004; 
McEwen, 2007). 
No entanto, quando o estresse é crônico, a exposição prolongada ao cortisol e 
outras substâncias relacionadas pode ter efeitos deletérios sobre o corpo e o cérebro. 
Isso pode levar a alterações na estrutura e função de áreas cerebrais como o hipocampo, 
a amígdala e o córtex pré-frontal, afetando a memória, a aprendizagem e a regulação 
emocional. Além disso, o estresse crônico está relacionado a diversas condições de 
saúde, incluindo doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, distúrbios 
neuropsiquiátricos como depressão e ansiedade, e comprometimento do sistema 
imunológico. A complexidade da resposta ao estresse reflete a interação entre sistemas 
neurais, endócrinos e imunológicos, evidenciando a importância de estratégias de 
manejo eficazes para mitigar seus efeitos negativos sobre a saúde (McEwen, 1998; 
Lupien et al., 2009). 
Nesse contexto, Straub (2014) ainda conceitua que influências socioculturais 
individuais das pessoas afetam a forma como ponderamos o estresse que surge de várias 
maneiras, como os fatos importantes da vida cotidiana, eventos catastróficos, problemas 
do dia a dia, situações de estresse oriundas do ambiente como trabalho, escola, família, 
amigos. Assim, pode-se considerar que a pandemia da covid-19 ocasionou um estresse 
significativo nas pessoas por se enquadrar em um exemplo estressor, trágico e que 
também desencadeia comportamento de enfrentamento. 
Outros autores corroboram com essa temática, como Benzoni et al., (2021) que 
ponderam que a pandemia da covid-19 acarretou inúmeros impactos na população 
mundial, no que tange as condições sanitárias, sociais, econômicas e psicológicas e seu 
concludente estresse pode conduzir os indivíduos a desenvolverem problemas de longo 
prazo. Dados oficiais do Ministério da Saúde registraram no Brasil, no período 
compreendido entre 17 de março a 15 de dezembro de 2020, o total de 6.970.034 casos 
comprovados da doença e o quantitativo de 182.799 óbitos (Brasil – Ministério da 
Saúde, 2020). Em atividades profissionais no campo da saúde mental, no âmbito clínico 
ou institucional, é crível a percepção enfática dos impactos psicossociais do período 
correspondente à pandemia da covid-19 tendo em vista que em meio a uma questão de 
urgência a nível mundial, com tempos de quarentena e isolamento social que foram 
infligidos à população, corrobora-se a precisão de desenvolvimento interdisciplinar de 
45 
 
pesquisas acerca dos potenciais efeitos da maior crise sanitária da atualidade. Nesse 
quesito, Holmes et al., (2020) assinalam a necessidade de descoberta, análise e 
aprimoramento das interposições que tratem dos enfoques psicológicos e sociais do 
período pandêmico, estabelecendo a conexão entre disciplinas. Ainda nesse contexto, 
Brooks et al., (2020) descrevem que a condição pandêmica reflete em um alto 
predomínio de traços de sofrimento, bem como, de distúrbio psicológico, como o 
emocional, a depressão, o estresse, o humor rebaixado, a irritabilidade, a insônia, a raiva 
e a exaustão emocional. 
Mas como o cérebro lida com situações extremas? Como o cérebro se adapta a 
estressores crônicos? De acordo com Franco (2021), o cérebro configura-se para 
questões de sobrevivência a situações consideradas extremas, a saber: o estresse 
pandêmico, por exemplo. A resposta cerebral altera em função de diversos fatores, 
sendo o estresse e a resiliência. Assim, o estresse comumente associa-se a uma condição 
patológica. Contudo, é concernente a uma reação humana perante conjunturas 
ameaçadoras ou de demasiada demanda. A biologia do estresse não é somente um 
preceito emergencial estando mais para uma técnica contínua, tendo em vista que o 
corpo e o cérebro se adaptam às vivências do dia a dia, sejam elas estressantes ou não. 
O Instituto Espanhol de Resiliência estabelece o termo resiliência como a capacidade de 
o ser humano enfrentar as questões de adversidades e a neurociência pondera que os 
seres humanos mais resilientes possuem um maior equilíbrio emocional perante 
condições de estresse. Isso permite a essas pessoas uma percepção de controle acerca 
dos acontecimentos, bem como, uma habilidade maior de enfrentamento. 
 
4.3 NEUROCIÊNCIAS 
 
De acordo com Bastoszeck (2009), neurociência é uma especialidade contemporânea 
unificando neurologia, psicologia e biologia. Recentemente, muitos enfoques no âmbito 
da fisiologia, da bioquímica, da farmacologia e da composição do sistema nervoso de 
invertebrados e o cérebro de vertebrados foram esclarecidos. Importantes pesquisas 
sobre a atribuição da percepção, das emoções, da aprendizagem e da memória 
despontaram avanços expressivos, principalmente seguindo abordagens relativas à 
46 
 
neurociência cognitiva. Macedo et al.; (2023) estabelecem que neurociência, ou a forma 
no plural, neurociências abarca um amplo leque de informações e disciplinas destinadas 
à compreensão do cérebro, a saber: a neuroanatomia, a neuroquímica, a 
neuroendocrinologia, a neurogenética, a neuroimagiologia, a neuroquímica, a 
neuroendocrinologia, a neurogenética, a neuroimagiologia, a neuroimunologia, a 
neuropatologia, a neurofarmacologia, a neurofísica, a neurofisiologia, a neuropsicologia 
e uma variedade de neurociências de cunho clínico, como por exemplo, a neurologia, a 
psiquiatria, a neurocirurgia, etc. 
 
4.3.1 Bases neurobiológicas do estresse, ansiedade e depressão 
 
De acordo com Lebel et al., (2008), Cunha (2009) e Hermann et al., (2021), 
alcançar uma abrangência das bases neurobiológicas do estresse na conjuntura da 
pandemia da covid-19 é de fundamental importância. Nesse contexto, um fator crucial a 
ser ponderado corresponde à relação que se dá entre o funcionamento do cérebro e o 
estresse, primordialmente no decorrer dos estágios denominados dinâmicos de 
desenvolvimento do cérebro no período da infância. Assim, o cérebro em 
desenvolvimento passa por transformações expressivas na atividade de diversas regiões 
cerebrais como parte do procedimento de maturação. Essa etapa difícil do 
desenvolvimento é caracterizada pela maturação cerebral dinâmica, abarcando a 
instauração de conexões neurais, processamento de informações e colaborando para o 
desenvolvimento da criança no âmbito intelectual, emocional e social. Logo, as pessoas 
que correspondem a essas etapas de desenvolvimento são passíveis às consequências do 
estresse. Nesse caminho, a interação correspondente entre a maturação cerebral infantil 
e o estresse no cenário pandêmico proporciona um campo de investigação completo e 
multifacetado e que faz jus a um aprofundamento abarcante, conforme assinala Gomes 
et al., (2023). 
Cosenza e Guerra (2011), Domingues (2007) e Oliveira e Lent (2018), 
esclarecem que o neurodesenvolvimento corresponde a um procedimento demorado e 
dinâmico que se expandem em fases associadas a faixas etárias, ainda que não aconteça 
totalmente ao mesmo tempo ou mantendo a mesma configuração em decorrência de 
fatores biológicos individuais e estímulo do ambiente.Os estímulos experienciados 
47 
 
pelas crianças, abrangendo vivências afetivas, cognitivas, sociais e físicas cumprem um 
efeito intenso no que concerne ao aprendizado, pensamento e comportamento. Por 
conseguinte, a exposição precoce a acontecimentos caracterizados como estressantes 
torna-se uma influencia expressiva no desenvolvimento cerebral. Assim, a pandemia da 
covid-19 proporcionou demasiados riscos para as crianças, tendo em vista que elas são 
singularmente vulneráveis aos seus efeitos na saúde mental, bem-estar físico, 
desenvolvimento social, bem como, seu percurso geral de saúde. 
Oliveira (2010) alerta que crianças e adolescentes que viveram Experiências de 
Estresse Precoce - EEP manifestaram atividade cognitiva agravada. Pesquisas de 
neuroimagem mostraram variações expressivas nos campos correspondentes aos 
hipocampos, corpo caloso, córtex pré-frontal e córtex cingulado anterior. Estas 
variações também surgiram como complicações nas partes intelectuais de linguagem, de 
atenção, funcionamento executivo e outros desempenhos cognitivos. Ademais, a 
experiência de EEP tem efeitos contínuos no que tange a variações de comportamento e 
psiquiátricas, que são capazes de comprometer o desenvolvimento mental e social 
dessas crianças e adolescentes. Isso acontece porque segundo os estudos de McEwen 
(2008), Charmandari et al., (2003) e Graeff (2007), o estresse crônico conduz à ativação 
prolongada do sistema nervoso autônomo e do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal - 
HPA, que irrompe em um conjunto de procedimentos neurobiológicos e neuroquímicos, 
tais como a liberação de adrenalina e cortisol. Essas ocorrências são passiveis de 
acarretar variações imutáveis na composição e no desenvolvimento cerebral, se 
mantidas por um grande período, podendo ampliar o risco de estender problemas de 
cognição. 
Do ponto de vista pedagógico, o estresse exerce um impacto significativo na 
aprendizagem e no desenvolvimento cognitivo das crianças, afetando tanto a capacidade 
de processar novas informações quanto a de reter conhecimento a longo prazo. Estudos 
demonstram que a exposição prolongada ao estresse, especialmente nos estágios iniciais 
da vida, pode levar a alterações estruturais e funcionais em regiões do cérebro cruciais 
para a aprendizagem, como o hipocampo, a amígdala e o córtex pré-frontal. Essas 
alterações podem comprometer a memória, a atenção e a capacidade de regulação 
emocional, elementos fundamentais para um desempenho acadêmico satisfatório. 
Pesquisas indicam que ambientes estressantes, caracterizados por instabilidade, pressão 
ou ameaças, podem reduzir a neuroplasticidade e a neurogênese no hipocampo, 
48 
 
prejudicando assim a capacidade das crianças de aprender e formar novas memórias 
(Shonkoff & Garner, 2012; Lupien et al., 2009). Portanto, a compreensão dos efeitos do 
estresse no desenvolvimento cerebral infantil é essencial para o desenvolvimento de 
estratégias pedagógicas e intervenções psicoeducacionais que promovam ambientes de 
aprendizagem seguros e estimulantes, minimizando os impactos negativos do estresse 
na capacidade cognitiva e no bem-estar das crianças. 
Nos estudos de Costa (2016), tem-se que o desenvolvimento do córtex pré-
frontal e de outras áreas do cérebro, são primordiais na vida da criança para que esta 
atinja seu bem-estar e equilíbrio mental em sua vida adulta. O cérebro da criança está 
adaptado, sobretudo, pelas vivências que transpassam as interações de cunho social. De 
outro modo, emoções, como por exemplo, o medo e o estresse podem apresentar um 
efeito negativo a médio e longo prazo ao se tornarem regulares na fase da infância. 
Dessa forma, para certificar que as crianças tenham um desenvolvimento saudável é 
fundamental o acesso a vivências de formação e enriquecimento em seus primeiros anos 
de vida. 
Matos (2017) e Silva (2020) estabelecem que no estresse crônico que é gerado 
devido a constante exposição a estímulos estressantes ou em falha na adequação, há 
variações nas denominadas réplicas químicas da estrutura física e em seu equilíbrio 
normal no que concerne ao funcionamento. Os níveis de hormônios, a saber: cortisol, 
adrenalina e noradrenalina ficam irregulares, isto é, desregulados, o que afetam a 
proteção natural do organismo. Essas alterações de ordem química resultam em um 
aumento dos níveis de açúcar no sangue que se assemelha a diabetes, ao 
comprometimento da insulina e ao prolongamento do envelhecimento. Ocorre ainda 
uma implicação direta no desempenho cognitivo, como por exemplo, a memória e a 
concentração e até mesmo imprecisões na área cerebral que responde pela tomada de 
decisões, como o hipocampo, a amígdala, o núcleo accumbens, áreas visuais e pré-
frontais. Os estudos de Silva (2020) sugerem que o estresse crônico manifesta impactos 
expressivos sobre as funções cognitivas e emocionais nas pessoas, o que demanda, por 
conseguinte, uma atenção que seja mais particularizada no que concerne a consultas 
médicas, psicológicas e neuropsicológicas. Os sintomas no indivíduo podem variar e 
inclui problemas relacionados à insônia, fadiga e alterações de humor. Dessa forma, 
Benzoni (2021) reforça acerca da necessidade da realização de pesquisas mais 
profundas sobre a temática do impacto que o estresse crônico desencadeia no 
49 
 
funcionamento cognitivo e emocional das pessoas e seus potenciais efeitos a longo 
prazo. 
Vismari (2008) pondera que as bases biológicas que correspondem a transtornos 
depressivos têm sido apresentadas através da hipótese monoaminérgica da depressão, 
por mais de três décadas. Essa hipótese sugere que a depressão seja resultado de uma 
disponibilidade menor no que tange a aminas biogênicas cerebrais, particularmente de 
serotonina, noradrenalina e/ou dopamina. Nesse mesmo contexto, Norris (2021) 
estabelece que a teoria monoaminérgica da depressão implica a diminuição dos níveis 
dos neurotransmissores na fenda sináptica, seja pela diminuição da liberação pré-
sináptica ou pela diminuição da sensibilidade pós-sináptica, como o processo patológico 
fundamental na depressão. De acordo com Oliveira et al., (2021), o transportador de 
dopamina - DAT, proteína existente na membrana celular dos neurônios, tem como 
papel primordial a regulação dos níveis de dopamina através da recaptação extracelular 
do neurotransmissor para o interior do neurônio pré-sináptico. E sobre o sistema 
mesolímbico, temos a atuação da dopamina que caracteriza a impressão de prazer nas 
pessoas. Nesse âmbito, Rosa (2016) afirma que a depressão está relacionada a uma 
deficiência de monoaminas (noradrenalina, serotonina e dopamina) na fenda sináptica e 
que o restabelecimento dessas está associado à melhora dos sintomas depressivos. 
De acordo com Rosa (2016), em uma pessoa saudável, neurotransmissores 
monoaminérgicos são liberados pelo neurônio pré-sináptico e podem se ligar a 
receptores específicos no neurônio pós-sináptico. Na teoria monoaminérgica da 
depressão há uma redução de monoaminas na fenda sináptica, no indivíduo deprimido. 
Fármacos antidepressivos restabelecem os níveis de monoaminas, como acontece, por 
exemplo, em casos de inibidores seletivos de recaptação de monoaminas, que 
promovem um aumento da concentração de neurotransmissores monoaminérgicos 
disponíveis nas sinapses, causando uma diminuição dos sintomas depressivos. Rosa 
(2016) esclarece que a teoria neurotrófica associa a diminuição do fator neurotrófico 
derivado do cérebro - BDNF, do inglês brain-derived neurothophic, ao estresse. Dessa 
forma, o aumento de cortisol provoca uma interferência na via de sinalização alterando 
o BDNF. Alterações desencadeiam a depressão, em que cérebros depressivos possuem 
baixos níveis de BDNF. O eixo hipotalâmico-hipófise-adrenal é ativado em situações 
em que o indivíduo está sob estresse crônico. O cortisol é o produto final do eixo 
hipotálamo e atual em resposta ao estresseno organismo. Este hormônio atua como um 
50 
 
regulador de feedback negativo no eixo hipotálamo e na hipófise. O cortisol também 
exerce uma função de feedback negativo no eixo hipotálamo através do hipocampo. A 
regulação do feedback negativo acontece por meio de um sistema duplo de receptores 
de mineralocorticoides e de glicocorticoides. Na depressão o eixo está desregulado e os 
mecanismos de feedback negativos são enfraquecidos. O cortisol favorece uma maior 
atividade da via glutamatérgica, que promove o estresse oxidativo, ou seja, a 
prevalência de radicais livres sobre os mecanismos oxidantes e estes radicais ao reagir 
com os neurônios, desencadeia apoptose. 
Segundo Costa (2018), a depressão é um distúrbio que pode ser desencadeado 
por muitos fatores. Rosa (2016) considera que a explicação mais aceita tem sido a de 
que no cérebro dos deprimidos haveria diminuição da produção de certos 
neurotransmissores. Baixos níveis de serotonina em áreas do cérebro seriam a causa da 
depressão. A hipótese monoaminérgica se tornou duvidosa e hoje as hipóteses 
vinculadas ao estresse são as mais aceitáveis devido ao cotidiano das pessoas que requer 
uma melhor administração junto a outros interesses, vínculos e compromissos, seja com 
a família, com responsabilidades econômicas e sociais, e quando há uma pressão nesses 
aspectos ocorre interferência na condição de saúde e doença. 
 
4.3.2 Efeitos da pandemia no cérebro, neuroimagem e COVID-19 
 
Uma pesquisa apresentada em Chicago – EUA revelou alterações cerebrais entre 
pacientes com covid longa. O estudo usou uma nova técnica de ressonância magnética 
que avalia microestrutura do cérebro. De acordo com a pesquisa, pessoas que 
apresentaram sintomas de covid longa têm padrões de alterações cerebrais que diferem 
da dos pacientes que se encontram totalmente recuperados e/ou dos que nunca tiveram 
diagnóstico confirmado da infecção. Segundo os autores da pesquisa que foi 
apresentada em reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte - RSNA, 
até aproximadamente 25% dos pacientes tem predisposição para o desenvolvimento de 
uma condição denominada “covid longa”, incluindo uma gama de sintomas, a saber: 
fadiga, dificuldade em concentrar-se, “névoa cerebral”, alterações no olfato e/ou 
paladar, dores nas articulações e/ou musculares, falta de ar, sintomas que envolvem o 
trato digestivo, entre outros sintomas. Os sintomas costumam ter a duração por 
51 
 
semanas, meses ou anos após o período da infecção, como demonstrado em outros 
estudos. 
De acordo com um estudo publicado em uma renomada revista científica 
denominada Cell (2023) há outra explanação para alguns casos de covid longa tendo 
como base para a proposta as descobertas de que os níveis de serotonina constavam 
estar mais baixos nas pessoas com a condição dos sintomas. A explicação para a 
redução dos níveis de serotonina se devem devido a resquícios do vírus que persistem 
na região do intestino, conforme explicação dos pesquisadores da Universidade da 
Pensilvânia. Essa diminuição da serotonina pode explicar principalmente sobre 
problemas de memória, bem como, alguns sintomas neurológicos e cognitivos da covid 
longa. Entretanto, a sustentação dessa condição ainda é considerada como mal 
compreendida, tendo em vista que a imagem de microestrutura por difusão - DMI, que 
consiste em uma nova técnica de ressonância magnética, pode ser vista como uma 
abordagem promissora em se tratando de avanços nessa área, conforme o estudo 
apresentado em Chicago. O DMI examina o movimento das moléculas de água nos 
tecidos e ao compreender a forma como as moléculas de água se movimentam em 
diversas direções e velocidades, pode fornecer informações precisas sobre a 
microestrutura cerebral. Um dos autores do estudo relatou que o procedimento pode 
detectar inclusive alterações muito pequenas na região cerebral, alterações essas não 
detectáveis por meio de exame convencional de ressonância magnética. 
Ainda sobre o estudo de Chicago (2023), os pesquisadores compararam exames 
de ressonância magnética da região do cérebro em três grupos, a saber: 89 pacientes 
com covid longa, 38 pacientes diagnosticados com covid e que não mencionaram 
sintomas subjetivos de longo prazo, e 46 pacientes completamente saudáveis, isto é, que 
não apresentaram histórico de infecção ao vírus da covid. Primeiramente foi comparada 
a macroestrutura cerebral nos três grupos com o objetivo de testar a atrofia, bem como, 
qualquer outra anormalidade presente. Após, os pesquisadores utilizaram o DMI com 
vistas à obtenção de uma visão mais aprofundada da área cerebral. Os três grupos de 
pacientes foram submetidos a analises de toda a área cerebral com o intuito de avaliar a 
distribuição espacial de eventuais alterações e associações com dados clínicos, 
incluindo sintomas da covid de longa duração, como por exemplo, a fadiga, 
comprometimento de cunho cognitivo ou da região do olfato. Os resultados dessas 
análises não demonstraram perda de volume do cérebro ou quaisquer outros tipos de 
52 
 
lesões que pudessem explicar os sintomas da covid longa. Entretanto, a infecção por 
covid induziu um padrão específico de alterações microestruturais em diversas regiões 
cerebrais, e esse padrão específico divergiu dos pacientes que tiveram covid de longa 
duração e aqueles que não manifestaram nenhum sintoma da doença. Segundo os 
pesquisadores, este estudo permitiu uma visão in vivo acerca do impacto da covid no 
cérebro dos indivíduos. 
 
4.3.3 Implicações das neurociências para intervenções terapêuticas 
 
Baldissera (2021) esclarece que o Diretor Executivo - Chief Executive Officer – 
CEO da Salesforce, Marc Benioff, o cofundador do Twitter, Jack Dorsey e o cofundador 
da Google, Sergey Brin possuem algo em comum além de terem transformado o 
universo da tecnologia e esse fato que os liga diz respeito à prática de mindfulness em 
suas vidas diárias. Essa prática exige deles uma rotina de dedicação, concentração e 
silêncio tendo em vista que o mindfulness se caracteriza pelo estado mental de atenção 
plena. Pessoas ao redor do mundo, além desses grandes empreendedores, tentam incluir 
a meditação e a prática de exercícios de respiração em suas rotinas tendo em mente os 
benefícios que o mindfulness proporciona em suas vidas, como o aumento da 
produtividade e a forma de lidar com situações de estresse. Os benefícios do 
mindfulness já são evidenciados pela esfera multidisciplinar que pesquisa o cérebro 
humano, a saber: a neurociência. 
Assim, conforme Baldissera (2021) mindfulness por ser um estado mental se 
caracteriza pela atenção plena nas tarefas que estão sendo desempenhadas no momento 
presente. Deste modo, todos os sentidos são ativados para vivenciar esse instante de 
maneira intencional e consciente. Logo, pensamentos e sentimentos não precisam, 
necessariamente, serem negligenciados nesse processo, pois necessitam ser 
experimentados conforme ocorrem, sem qualquer juízo de valor, isto é, a atenção plena 
não requer o esvaziamento total da mente. Mindfulness, de acordo com Germer et al., 
(2016), versa-se meramente de ter consciência de onde a mente está de um instante para 
o outro, com terno assentimento. Esse modo de atenção absoluta pode ter uma 
implicação intensamente transformadora perante nossas vidas cotidianas. Assim, 
podemos nos instruir acerca da contemplação de coisas comuns, como o paladar de uma 
53 
 
fruta, ou a suportar amplos obstáculos, como por exemplo, a morte de um familiar 
quando aprendemos a ter consciência (mindful). 
Mindfulness, segundo Germer et al., (2016) é ainda considerado como uma 
espécie de fonte renovável de vigor e prazer podendo ser prontamente sentido por 
qualquer indivíduo, entretanto, não é possível sua descrição da mesma forma, tendo em 
vista que a consciência atenta é, sobretudo, uma consciência experimental e não verbal, 
a saber: sensorial,somática, intuitiva e emocional, e seu progresso demanda certo 
treino. Dessa forma, como qualquer aptidão adquirida, a vivência de mindfulness fica 
mais sólida a partir da prática. Baldissera (2021) exemplifica que a prática para manter-
se no estado mental de atenção plena se assemelha a prática de atividade física em que é 
necessário treino constante e cultivar uma rotina para que os efeitos de tal prática sejam 
notados. 
Mindfulness, conforme Germer et al., (2016), caracteriza-se por ser uma 
oportunidade de estar inteiramente vivo, atento às nossas vidas. É uma maneira de nos 
pautarmos a toda vivência, seja ela de cunho positivo, negativo ou neutro para que a 
nossa dor, bem como, o nosso sofrimento seja suavizado aumentando assim a nossa 
sensação de bem-estar. Estar consciente (mindful) é estar desperto, distinguir o que 
ocorre no tempo atual com uma posição amistosa. A atenção total, de forma plena, 
(mindfulness) foca nossa atenção no que está sendo realizado no momento. Quando 
ficamos conscientes, nossa atenção não fica implicada no tempo passado ou no tempo 
futuro, pois, estamos presentes de forma integral, total e essa forma de atenção pode 
produzir energia, lucidez mental e contentamento. Além disso, é uma aptidão que pode 
ser desenvolvida por qualquer ser humano. 
Germer et al., (2016) pondera que mindfulness constitui-se como uma tradução 
para o inglês do vocábulo sati em pali. Há 2,5 mil anos o pali era descrito como a 
língua referente à psicologia budista, e o termo mindfulness é o preceito principal dessa 
tradição. A palavra sati indica estar vigilante, isto é, atento (awareness), atenção, 
lembrar. O que significa estar atento (awareness)? Brown e Ryan (2003) apud Germer 
et al., (2016) esclarecem percepção e atenção em conformidade com a consciência, a 
saber: 
Consciência envolve tanto estar atento como atenção. Estar 
atento (awareness) é o “radar” de segundo plano da consciência, 
54 
 
continuamente monitorando os ambientes interno e externo. 
Pode-se ter a percepção de estímulos sem que eles estejam no 
centro da atenção. Atenção é o processo de focar estando atento, 
consciente, fornecendo sensibilidade aumentada a uma 
variedade limitada de experiências (Westen, 1999). Na 
realidade, estar atento e atenção estão interligados, de modo que 
a atenção continuamente arranca “vultos” da “terra” do estado 
de alerta, mantendo-os em foco por períodos de tempo variáveis 
(p.822). 
A busca pela atenção plena é uma prática milenar que além de ter inspiração no 
budismo tem também no taoísmo. Jon Kabat-Zinn, biólogo americano, foi o responsável 
por trazer o mindfulness para o Ocidente, em 1979. O biólogo pesquisou o mindfulness 
e iniciou um programa de redução de estresse intitulado Mindfulness-Based Stress 
Reduction -MBSR, na faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts, 
Estados Unidos. O MBSR foi precursor ao apontar para a melhoria na qualidade de vida 
em decorrência da prática de atenção plena. O programa que visa a redução do estresse 
se compõe de 8 aulas com duração de 2h30 sendo dispostas no decorrer de 8 semanas. 
Técnicas como respiração, escaneamento corporal, caminhada e movimentos com 
atenção plena são ensinados nas aulas. Assim, o participante é incentivado a dedicar-se 
pelo tempo de 45 minutos do seu dia a prática de exercícios de mindfulness após a 
conclusão do programa MBSR, segundo Baldissera (2021). 
A autora explica que esse programa MBSR é o mais conhecido no que concerne 
à aplicação de mindfulness, porém, há outros tipos de protocolos sob a indicação de 
diversos profissionais da saúde mental como psicólogos e psiquiatras e atualmente o 
mindfulness auxilia na complementação de tratamentos referentes a transtornos mentais 
como a depressão e a ansiedade generalizada, tendo em vista os benefícios inerentes á 
prática, bem como, no manejo de problemas do cotidiano das pessoas. As eficácias do 
mindfulness no campo da saúde mental estimularam o interesse de cientistas há alguns 
anos e, de acordo com dados da Associação Americana de Pesquisa em Mindfulness -
AMRA, as publicações de cunho científico acerca dessa temática atingiram o 
quantitativo de 12 no ano de 2000 para 624 no ano de 2015 e para compreender esses 
efeitos da prática de mindfulness, os pesquisadores empregaram como recursos exames 
de neuroimagem, escalas psicológicas além de avaliações neurobiológicas. No âmbito 
dessas publicações cientificas, uma teve potencial destaque e trata-se e uma revisão 
sistemática em que cientistas da Universidade John Hopkins efetuaram uma meta-
análise que corresponde a uma analise de cunho estatístico dos resultados de dois ou 
55 
 
mais estudos independentes, de 17. 801 citações e 47 testes com 3.320 participantes no 
ano de 2015. O objetivo era compreender se, verdadeiramente, os programas que se 
fundamentam na prática da meditação contribuíam para amenizar o estresse, como 
também, a promoção de bem-estar. Como resultado, mostras moderadas de diminuição 
de depressão, ansiedade e dor foram descobertas nas pesquisas e, com isso, os 
pesquisadores advertiram para a necessidade de mais pesquisas sobre a prática de 
mindfulness. Todavia, a neurociência já consegue elucidar como o mindfulness pode 
afetar o cérebro do ser humano. 
A neurociência, conforme Baldissera (2021) esclarece sobre os benefícios do 
mindfulness tendo como base a observação de quais regiões do cérebro humano são 
acionadas com a técnica. O córtex pré-frontal é fracionado em três aglomerados de 
disposições cognitivas que são capazes de ser acionadas no decurso da prática de 
exercícios de atenção plena. Na tabela de Baldissera (2021), adaptada a seguir, podemos 
exemplificar esse panorama, 
Tabela 3 
Regiões cerebrais 
Rede default (ou rede de modo padrão) rede cerebral ativada quando estamos em 
estado de divagação mental, ou seja, 
quando estamos “viajando”. Ela entra em 
ação quando pensamos em outras pessoas, 
em nós mesmos ou em situações do 
passado. Também é ativada quando 
planejamos o futuro. 
Saliência rede ativada quando direcionamos o 
pensamento para uma ação. 
Rede central executiva rede cerebral ativada quando uma tarefa é 
executada. 
Baldissera, 2021 (adaptada) 
O cérebro humano, de acordo com Baldissera (2021) é capaz de se intercalar 
entre aglomerados de forma contínua. No decorrer da prática de mindfulness, há uma 
diminuição nas atividades que compõem a rede central, já que permanecemos focados 
no momento presente. Nesse contexto, as amígdalas cerebrais também exteriorizam uma 
56 
 
atividade considerada de menor potencial, o que restringe a força das emoções de 
neurotransmissores que visam a potencializar a impressão de bem-estar, como indicado 
na tabela de Baldissera (2021), adaptada, a seguir: 
Tabela 4 
Neurotransmissores 
Ácido gama-aminobutírico (GABA) conhecido pelo efeito calmante no cérebro 
Dopamina associado ao prazer 
Serotonina ligada à regulação do humor 
Endorfina que tem um efeito analgésico natural no 
corpo 
Baldissera (2021) adaptada 
 
Baldissera (2021) ainda esclarece que o mindfulness também é responsável pela 
diminuição dos níveis de cortisol que se caracteriza pelo hormônio com a função de 
conter o estresse do corpo humano. Essa redução traz melhorias na qualidade do sono e 
retarda a ação de envelhecimento celular, como também exerce grande efeito na 
resposta imunológica, nos procedimentos inflamatórios e na configuração do tecido 
cerebral. O crescimento na quantidade de neurônios de certas regiões do órgão também 
se fundamenta como outro indício dos impactos do mindfulness no cérebro humano. 
Esse resultado se dá por meio de pesquisadores da Universidade de Harvard que ao 
acompanhar 17 participantes do programa de MBSR, notaram que houve uma elevação 
da massa cinzenta na região do córtex cingulado posterior, na junção temporoparietal e 
no cerebelo. Estas áreas estão relacionadasà habilidade de aprendizado, memória, 
regulamentação dos níveis de emoção, encadeamento autorreferencial e acolhimento de 
novas probabilidades. Assim, isso ocorre devido à neuroplasticidade do cérebro, isto é, 
à disposição do sistema nervoso de se alterar, de se adaptar e afeiçoar no decorrer da 
vida de uma pessoa, em níveis de cunho estrutural e funcional. O mindfulness deve ser 
entendido como um colaborador nas intervenções que tratam de transtornos mentais, no 
auxílio de doenças crônicas, como a diabetes e a hipertensão e de dores agudas. Dessa 
forma, não deve ser compreendido como uma cura, como uma resposta para todas as 
doenças. 
57 
 
Segundo Cardoso (2011), as psicoterapias comportamentais, bem como, os 
tratamentos com fitoterápicos e a prática de exercícios físicos vem apresentando 
resultados eficientes na modificação do comportamento de indivíduos com diagnósticos 
de depressão. A pessoa com depressão tende a apresentar redução na frequência de 
comportamentos positivamente reforçados, as atividades prazerosas, e aumento, de 
forma concomitante de comportamentos de fuga e esquiva de situações aversivas. Filho 
et al., (2014) estabelecem que a prática de exercício afeta o desempenho cognitivo e de 
forma aguda, há uma especulação de que os efeitos dos exercícios sobre a resposta 
cognitiva sejam mediados por aumentos no fluxo sanguíneo do cérebro e, por 
consequência, no aporte de nutrientes, ou por um aumento na atividade de 
neurotransmissores. 
Santos e Nascimento (2023) pesquisaram acerca dos benefícios da prática de 
atividade física para pessoas com diagnóstico de depressão analisando as possibilidades 
que a Educação Física pode apresentar para que essa doença seja evitada reforçando que 
os exercícios beneficiam o desenvolvimento corporal, bem como, da saúde mental dos 
indivíduos. Estudos concernentes a essa temática recomendam que a atividade física 
colabora no tratamento e na prevenção da depressão e fatores como a liberação de 
hormônios e, principalmente, a socialização com outras pessoas são classificados como 
pontos adequados para o sucesso do tratamento e prevenção da depressão, doença essa 
que afeta e tira a vida de milhões de pessoas ao redor do globo. 
Há fatores que são capazes de minimizar os efeitos da depressão e um deles 
corresponde à prática regular de atividade física auxiliando na prevenção, bem como, 
em seu combate. Para que essa prática de atividade física tenha um excelente efeito 
terapêutico é fundamental que os exercícios sejam sempre acompanhados de um 
profissional credenciado para esta finalidade. Assim, Da Silva Oliveira (2014) ressalta 
que: 
A atividade física pode influenciar de duas maneiras na 
depressão, com valor preventivo (é utilizada como proteção 
contra o desenvolvimento de sintomas depressivos) e como 
“tratamento”, através dos mecanismos psicológicos e/ou 
biológicos. Entre os fatores psicológicos a atividade intervém na 
distração dos estímulos estressores, maior controle sobre seu 
corpo e sua vida e a interação social – proporcionada pelo 
convívio com outras pessoas. Já os fatores biológicos estão 
relacionados ao efeito da endorfina. A endorfina tem efeito 
58 
 
similar à morfina, que pode reduzir a sensação de dor e produzir 
um estado de euforia. A depressão também está relacionada a 
uma transmissão prejudicada em algumas sinapses aminérgicas 
centrais, por defeitos na produção, na transferência ou na perda 
de aminas. Há também a hipótese biológica que o exercício 
físico associado ao tratamento promove a melhora da alteração 
de uma ou de todas as monoaminas cerebrais (como exemplo a 
serotonina e noradrenalina), uma vez que essas substâncias são 
neurotransmissores (assim como a dopamina e a endorfina) e 
estão relacionadas respectivamente à satisfação, ao prazer, sono, 
humor, apetite, etc. (p.2). 
Outro exemplo de intervenção terapêutica refere-se à Terapia Cognitivo 
Comportamental - TCC que também pode ser relacionada a neurociências como uma 
intervenção terapêutica em estudantes que foram afetados psicologicamente pela 
pandemia da covid-19, além do mindfulness, como reportado acima e prática de 
exercícios físicos. Dados publicados por Cognitivo Blog enfatizam a relação entre a 
TCC e Neurociências revelando os principais enfoques relativos ao funcionamento do 
cérebro. Assim, a TCC é vista como fundamental no campo da psicologia ao ofertar 
ferramentas significativas na condução de inúmeros distúrbios psicológicos. As 
neurociências visam ao aprofundamento da compreensão cerebral, em como o cérebro 
pode impactar o comportamento humano e o bem-estar. Ao observar a conjuntura a 
esses dois campos, há a possibilidade de obter insights importantes acerca da 
complexidade da mente das pessoas. 
A TCC é uma abordagem terapêutica com foco na identificação, bem como, na 
modificação de padrões de pensamento e comportamento que são capazes de influenciar 
as emoções e consequentemente as ações. Assim, um estudante com ansiedade pode se 
beneficiar dessa abordagem terapêutica, com o auxílio do profissional psicólogo, para 
que este reconheça e altere pensamentos considerados negativos ao substituir essas 
percepções por outras que sejam mais realistas e menos nocivas, dessa forma, o 
estudante aprenderá a lidar melhor em situações que podem causar ansiedade. É uma 
prática direcionada, breve, com o predomínio de táticas que visam à mudança 
comportamental do sujeito. Oferece instrumentos reais e eficazes na assistência a 
pacientes que estejam enfrentando várias condições psicológicas que afetem o seu bem-
estar. Seus fundamentos se estabelecem no autoconhecimento e na concepção de como 
os pensamentos, as emoções e os comportamentos estão conectados. Um dos princípios 
basilares dessa terapia é a de que pensamentos distorcidos podem desencadear emoções 
59 
 
e comportamentos desadaptativos e, por meio de técnicas, há a reestruturação cognitiva 
com a substituição de pensamentos negativos por pensamentos mais realistas e positivos 
com o objetivo de beneficiar a saúde emocional e comportamental dos indivíduos 
(COGNITIVO, 2023). 
A relação entre a TCC e as Neurociências é intensa e complementar, sendo a 
TCC com a mudança nos padrões de pensamento e comportamento impactando 
diretamente no cérebro e tendo o auxílio das Neurociências nesse âmbito. Estudos de 
neuroimagem dão conta de que a TCC desencadeia alterações na atividade cerebral no 
que tange ao processamento de emoções e a cognição. Assim, ao mudar os pensamentos 
e comportamentos, com o auxílio da intervenção da TCC, acontecem alterações 
neurobiológicas reais. Para os profissionais psicólogos, esta relação impulsiona a 
relevância em abordagens terapêuticas com base em evidências em particularmente em 
como essas abordagens podem afetar a mente humana e o cérebro de forma positiva e 
duradoura. A neuroplasticidade que compreende a capacidade de o cérebro se 
reorganizar em resposta a experiências, corresponde a uma ideia essencial na interseção 
entre a TCC e a Neurociências tendo em vista que quando há a alteração nos padrões de 
pensamento e comportamento, similarmente há mudanças na estrutura e função 
cerebral, exemplo vívido de neuroplasticidade e se um indivíduo exercita as práticas de 
enfrentamento para questões de ansiedade da TCC e de forma consistente, as novas 
maneiras de raciocinar e reagir são capazes de fortalecer os movimentos neurais 
integrados à regulação emocional e ao pensamento de cunho racional. Compreender o 
funcionamento da neuroplasticidade se faz essencial por reforçar a compreensão de que 
intervenções comportamentais e cognitivas causam um efeito fisiológico concreto e 
promove mudanças efetivas na saúde mental das pessoas (COGNITIVO, 2023). 
 
4.3.4 Neurociências e educação 
 
De acordo com Lima (2020), a combinação da neurociência na educação 
objetiva avaliar as bases neurobiológicas do aprendizado, percebendo oprocessamento 
da aprendizagem nos estudantes. Compreende-se que nos últimos anos, tem havido um 
grande empenho de pesquisadores de diversas áreas na procura por entender a relação 
que há entre a neurociência e a aprendizagem. Dessa forma, o entendimento dessas 
60 
 
novas abordagens é relevante para que as práticas pedagógicas sejam repensadas com o 
intuito de desenvolver novas estratégias de ensino e aprendizagem relacionando os 
conhecimentos entre a neurociência e a educação. Os estudos em neurociências, 
segundo Guerra (2011), elucidam sobre a forma do processamento dos mecanismos 
cerebrais essenciais para a aprendizagem, em fundamento às práticas pedagógicas e as 
noções sobre como se dá o funcionamento cerebral. Assim, é fundamental a 
compreensão de que: 
As neurociências são ciências naturais, que descobrem os 
princípios da estrutura e do funcionamento neurais, 
proporcionando compreensão dos fenômenos observados. A 
Educação tem outra natureza e sua finalidade é criar condições 
(estratégias pedagógicas, ambiente favorável, infraestrutura 
material e recursos humanos) que atendam a um objetivo 
específico, por exemplo, o desenvolvimento de competências 
pelo aprendiz, num contexto particular. A educação não é 
investigada e explicada da mesma forma que a 
neurotransmissão. Ela não é regulada apenas por leis físicas, 
mas também por aspectos humanos que incluem sala de aula, 
dinâmica do processo ensino-aprendizagem, escola, família, 
comunidade, políticas públicas. Descobertas em neurociências 
não se aplicam direta e imediatamente na escola. A aplicação 
desse conhecimento no contexto educacional tem limitações. As 
neurociências podem informar a educação, mas não explicá-la 
ou fornecer prescrições, receitas que garantam resultados. 
Teorias psicológicas baseadas nos mecanismos cerebrais 
envolvidos na aprendizagem podem inspirar objetivos e 
estratégias educacionais. O trabalho do educador pode ser mais 
significativo e eficiente se ele conhece o funcionamento 
cerebral, o que lhe possibilita desenvolvimento de estratégias 
pedagógicas mais adequadas (GUERRA, 2011, p.3). 
Assim, Bastoszeck (2009) esclarece que a pesquisa no campo das neurociências 
fornecem elementos que guiam as estratégias educacionais incumbindo aos educadores 
o entendimento acerca de como se processa a disposição do cérebro, seus desempenhos, 
os períodos receptivos, as estruturas da memória, linguagem, atenção, emoções, bem 
como, as potencialidades inerentes ao sistema nervoso central. Entender neurociências 
pode facilitar o desenvolvimento do trabalho docente, porém, requer ferramentas e 
meios e atualmente há inúmeros questionamentos que ainda não foram esclarecidos pelo 
campo das neurociências, tendo em vista que as pesquisas entre educação e 
neurociências são precoces. 
61 
 
É essencial enfatizar acerca dos impactos da covid-19 nas escolas. Em Souto et 
al., (2021), tem-se que no Brasil, cerca de 50 milhões de estudantes foram afetados em 
sua aprendizagem, o que pode acarretar sérios gaps, isto é, lacunas nos campos social e 
acadêmico cujas consequências ainda estão por ser evidenciadas. O ambiente escolar é 
mais do que um lugar de aquisição de informações, é também um local para estimular o 
desenvolvimento de relacionamentos interpessoais e aptidões socioemocionais. Para os 
estudantes que são considerados mais vulneráveis, as escolas também proporcionam 
amparo no que se refere à alimentação saudável e segurança. A principal causa 
provocada pela pandemia foi à necessidade de isolamento social que afetou diretamente 
as condições sociais causadas pelo estresse. Com base nos estudos de Souto et al., 
(2021), as implicações para a saúde mental podem se tornar piores quando ocorre um 
período maior de isolamento, bem como, de afastamento do convívio social e nisso 
abarca-se o desenvolvimento de transtornos de ordem psíquica. Dessa forma, a 
pandemia da covid-19 expõe particularidades em grande proporção, que decorreram em 
um acréscimo na quantidade de crianças e adolescentes que vivenciam o transtorno de 
estresse durante e pós-pandemia, além de diminuir a quantidade de vida e predispor a 
complicações no desenvolvimento e na parte cognitiva. 
Dessa forma, é primordial a discussão de estratégias que permitam apoiar a 
saúde mental dos estudantes no contexto escolar nesse período pós-pandêmico. Há 
algumas posturas que uma instituição escolar pode fazer para oferecer uma melhora na 
saúde mental dos estudantes, a saber: trabalhar a temática da saúde mental no contexto 
escolar. O tema saúde mental é um desafio a ser vencido, pois, considera-se ainda ser 
um tabu por algumas pessoas na comunidade, mas, aos poucos essa mentalidade vem 
sendo desconstruída e essa temática vem sendo discutida na sociedade. A saúde mental 
pode ser trabalhada no contexto das salas de aula e por meio de atividades especiais. 
Convém a capacitação dos profissionais, como os docentes que atuam diretamente com 
os estudantes e a gestão escolar. Propiciar um ambiente escolar acolhedor e inclusivo, 
tendo uma equipe de profissionais especializados na área, como psicólogos, para 
fornecer um suporte quando necessário, ter uma comunicação efetiva com os pais e/ou 
responsáveis em prol de auxiliar a criança e o adolescente de forma mais precisa e 
incentivar os estudantes, bem como, os pais a buscarem ajuda externa, ou seja, de um 
profissional especializado, preparado para lidar com questões inerentes à saúde mental 
(LANGE, 2023). 
62 
 
5. METODOLOGIA 
 
5.1 Tipo de Pesquisa 
A pesquisa é de natureza quantitativa com cunho descritivo e qualitativa. Segundo 
Hair et al., (2005), pesquisas descritivas objetivam descrever características de 
determinado fenômeno ou a relação entre variáveis. Este estudo é estruturado em torno 
da aplicação da Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse - DASS-21 (Lovibond & 
Lovibond, 1995), uma ferramenta amplamente aceita e utilizada para medir a saúde 
mental e da Escala Generalized Anxiety Disorder-7 - GAD-7, considerada como um dos 
instrumentos mais utilizados para a identificação do TAG no mundo, de acordo com 
Ahn et al., (2019), Alghadir et al., (2020); Lee & Kim, (2019); Pagán-Torres et al., 
(2020). 
A investigação desse estudo também se alicerça em teorias e pesquisas em 
neurociências (Pessoa, 2013; Davidson & McEwen, 2012) para compreender melhor os 
mecanismos neurais por trás da depressão, ansiedade e estresse. As neurociências 
fornecem um quadro robusto para interpretar as respostas dos estudantes às Escalas 
DASS-21 e GAD-7 para entender como a pandemia da covid-19 pode ter afetado esses 
aspectos da saúde mental. 
5.2 Participantes 
Considerando a natureza desta pesquisa, os participantes desse estudo são estudantes 
da educação básica do DF e que correspondem à faixa etária de 11 a 17 anos. Foi 
realizada uma amostra estratificada com o intuito de garantir a representatividade de 
diferentes faixas etárias, séries e tipos de escola, se públicas ou privadas. 
O número de estudantes participantes corresponde a uma amostra de 72 estudantes 
que cursam o Ensino Fundamental II e/ou Ensino Médio. O quantitativo coletado 
engloba estudantes do sexo feminino e masculino, mas, não foi estabelecido o critério 
de identificá-los, abrange estudantes de diferentes faixas etárias, bem como, séries e os 
tipos de escolas em que estão matriculados na rede pública de ensino e na rede 
particular tendo em vista que nesta escola pública no DF, há estudantes tanto de escolas 
públicas quanto de escolas particulares, devido ao sistema de ingresso destes estudantes. 
63 
 
A participação dos estudantes no estudo foi voluntária e todos os estudantes e seus 
responsáveis foram devidamente informados sobre os propósitos da pesquisa, o 
anonimato e a confidencialidade das respostas por meio do Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido - TCLE e Termo de Assentimento Livre e Esclarecido - TALE,concordando em participar da pesquisa antes do recebimento do link do Google Forms. 
Os termos TCLE e TALE foram enviados pela pesquisadora e psicóloga responsável 
Aurylene Gomes de Andrade em formato PDF juntamente com o link com as Escalas 
DASS-21 e GAD-7 aos professores da instituição educacional que reenviaram aos 
estudantes e seus responsáveis e também disponibilizado o link nos stories do 
Instagram da escola, após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa – CEP da 
Universidade Católica de Brasília – UCB. 
A forma disponibilizada do link do Google Forms, bem como, dos TCLE e TALE a 
estudantes e seus responsáveis foi alterada do modelo anterior devido ao prazo 
estabelecido pelo Comitê de Ética em Pesquisa para liberação da aprovação para a 
coleta de dados na instituição educacional, o que inviabilizou a coleta de dados de 
forma presencial devido à conclusão dos trabalhos escolares pelos professores da escola 
que estavam em realização de ajustes dos critérios de avaliação dos estudantes, 
reduzindo consideravelmente o fluxo de alunos nesse período de fim de ano letivo. 
Dessa forma, o envio dos documentos inerentes ao estudo não foi disponibilizado a 
todos os estudantes da instituição, pois, nem todos os professores utilizam como 
instrumento de trabalho para comunicação o aplicativo de WhatsApp. Assim, a 
quantidade de estudantes participantes na realização da coleta de dados foi alterada de 
300 para 72. 
Os participantes foram convidados a participarem da pesquisa respondendo às 
Escalas DASS-21 e GAD-7, que avaliaram os níveis de depressão, ansiedade e estresse 
após o período da pandemia da covid-19. A análise dessas respostas proporcionou uma 
visão abrangente do impacto da pandemia da covid-19 no que tange à saúde mental dos 
estudantes. Os dados coletados dos estudantes participantes foram comparados e 
contrastados com os estudos disponíveis na literatura de neurociências, para 
fundamentar as discussões acerca dos mecanismos neurais que estão por trás dos 
impactos observados na saúde mental dos estudantes durante a pandemia. 
 
64 
 
5.2.1 Critérios de inclusão 
- Ser estudante da educação básica e que esteja cursando o Ensino Fundamental II e/ou 
Ensino Médio em escolas públicas ou particulares do Distrito Federal; 
- Os pais e/ou responsáveis terem realizado a leitura do TCLE e tendo consentido com 
que os (as) filhos (as) estudantes participem da pesquisa tendo em vista que a faixa 
etária predominante dos estudantes que cursam a educação básica é entre 11 a 17 anos; 
- O estudante participante ter realizado a leitura do TALE e consentido em participar da 
pesquisa, por ser menor de idade. 
 5.2.2 Critérios de exclusão 
- Estudantes de graduação, pós-graduação; 
- Estudantes matriculados em escolas de outros estados no Brasil; 
- Não completar todas as respostas dos itens das Escalas DASS-21 e GAD-7 para a 
coleta e análise dos dados. 
5.3 Contexto 
O Brasil, segundo Souza & Santos (2019), em sua diversidade geográfica, 
cultural e socioeconômica, apresenta uma variedade de contextos educacionais em suas 
escolas, sejam públicas ou particulares. Este estudo, portanto, buscou abranger a 
totalidade desses contextos, considerando que a experiência dos estudantes durante a 
pandemia da covid-19 possa ter sido influenciada por uma multiplicidade de fatores 
contextuais. 
De acordo com o Institucional Data Senado (2022), a pandemia da covid-19 
trouxe consigo uma mudança sem precedentes na educação brasileira. Escolas em todo 
o país foram fechadas, forçando uma transição abrupta para o ensino remoto. Nesse 
contexto, as telas se tornaram a principal plataforma de ensino e aprendizagem. Além 
das dificuldades pedagógicas e técnicas inerentes a essa transição, preocupações 
emergiram sobre o bem-estar e a saúde mental dos estudantes, uma vez que o 
isolamento social, a mudança da rotina e a ansiedade gerada pela pandemia podem 
afetar negativamente o estado mental dos alunos. 
65 
 
No DF esse cenário não foi diferente e os estudantes vivenciaram essa transição 
do ensino presencial para o remoto. A escolha da instituição educacional pública do DF 
em que a pesquisa foi desenvolvida se deve ao fato da possibilidade de reunir nesta 
Unidade Escolar – UE alunos que também estudam em outras unidades educacionais, a 
saber: instituições públicas e particulares e que cursam os níveis de Ensino Fundamental 
II e Ensino Médio, que correspondem à educação básica, no turno contrário ao turno de 
estudo nesta escola e de serem residentes em diversas localidades do DF e do entorno de 
Brasília, assim, averiguam-se questões acerca da diversidade geográfica, cultural e 
socioeconômica que estes estudantes estão inseridos. 
De acordo com o Conselho de Educação do DF, o Ensino Fundamental é 
oferecido em instituição pública ou particular, em jornada parcial, ampliada ou integral, 
sendo inspecionada por setor competente da Secretaria de Estado de Educação do 
Distrito Federal - SEEDF e dividida nas fases que correspondem aos anos iniciais, do 10 
ao 50 ano e aos anos finais, do 60 ao 90 ano, que compreendem ao escopo da educação 
básica juntamente com o Ensino Médio, etapa final e que tem a duração mínima de 3 
(três) anos e 3.000 (três mil) horas de efetivo trabalho escolar, dividida em formação 
geral básica e parte diversificada. O Ensino Médio dividido em 3 (três) séries, também é 
oferecido em instituição educacional pública ou particular, em jornada parcial, ampliada 
ou integral, em semestre ou ano letivo e inspecionada por setor competente da SEEDF. 
Dessa forma, educação básica, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - 
LDB – 9.394/96, estrutura-se por etapas e modalidades de ensino, englobando a 
Educação Infantil, o Ensino Fundamental obrigatório de 9 (nove) anos e o Ensino 
Médio. 
Há ainda, segundo o Conselho de Educação do DF, a modalidade Educação de 
Jovens e Adultos - EJA, destinados aos que não tiveram acesso à escolarização do 
Ensino Fundamental e do Ensino Médio na idade própria ou que nela não puderem 
permanecer, tendo como objetivo proporcionar a estes estudantes a oportunidade de 
cursar todas as etapas da educação básica. Assim, nesta escola pública do DF, há a 
possibilidade de ter entre os estudantes matriculados, os que cursam a educação básica 
em outras UEs públicas ou particulares do DF compreendendo aos anos finais, Ensino 
Médio e EJA e que estão na faixa etária entre 11 e 17 anos e/ou acima de 18 anos, no 
caso de estudantes de EJA. 
66 
 
Este estudo objetivou integrar a literatura existente que investigou, nesse 
contexto singular de pandemia, a extensão e a natureza dos impactos sobre a saúde 
mental dos estudantes, avaliados através da aplicação das Escalas DASS-21 e GAD-7. 
Este cenário de mudança repentina e incerteza, aliado às variáveis sociais, 
neurobiológicas, econômicas e culturais únicas do Brasil, fornece um contexto 
complexo e desafiador para a compreensão dos impactos da pandemia na saúde mental 
dos estudantes brasileiros. 
5.4 Instrumentos 
5.4.1 Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse - DASS-21 
A pesquisa combinou o uso da Escala DASS-21 para avaliar o nível de estresse, 
depressão e ansiedade entre os estudantes da educação básica, e uma busca da literatura 
neurocientífica para elucidar os potenciais efeitos fisiológicos e anatômicos inerentes ao 
período da pós-pandemia da covid-19 no cérebro desses estudantes. 
A Escala DASS-21 (Depression, Anxiety and Stress Scale) é um instrumento 
reconhecido e amplamente utilizado que foi desenvolvido por Lovibond & Lovibond 
(1995). Esta escala permitiu a quantificação dos níveis relativos ao estresse, depressão e 
ansiedade nos estudantes que participaram da pesquisa, bem como, a correspondente 
correlação com o período pós-pandêmico. 
Com relação à análise do impacto fisiológico e anatômico da pandemia no 
cérebro dos estudantes, utilizamosartigos científicos já publicados em neurociências. 
Isto foi feito com base em trabalhos de autores como Porges (2011) e McEwen e 
Gianaros (2010), que discutiram o impacto do estresse crônico e dos fatores ambientais 
no desenvolvimento cerebral e na função cognitiva. Esta busca também incluiu a 
literatura que discute as possíveis intervenções e estratégias para mitigar os impactos na 
saúde mental dos estudantes pós-pandemia da covid-19, com base nas neurociências. 
A escolha da escala DASS-21 como um indicador Proxy para correlações 
fisiológicas e anatômicas é rigorosamente fundamentada na literatura científica. Estudos 
anteriores têm estabelecido ligações robustas dentre os estados emocionais avaliados 
pela escala DASS-21 e alterações neurobiológicas específicas (Thoma et al.; 2012). Por 
exemplo, sintomas de depressão têm sido associados a reduções na densidade da 
substância cinzenta de ansiedade em regiões como o córtex pré-frontal (Davidson et al.; 
67 
 
2002). Da mesma forma, sintomas de ansiedade têm sido ligados à hiperatividade na 
amígdala e outras regiões do sistema límbico (Etkin & Wager, 2007). 
É crucial entender que a função de Proxy da escala DASS-21 neste estudo é 
limitada exclusivamente à inferência de correlações fisiológicas e anatômicas 
potenciais. Para os estados emocionais de depressão e ansiedade, a escala foi utilizada 
em sua capacidade primária e direta de avaliação. Portanto, os dados gerados foram 
interpretados dentro desses parâmetros metodológicos claramente definidos. 
Para verificar os níveis de estresse, depressão e ansiedade no pós-pandemia, a 
escala DASS-21 foi utilizada com o intuito de coletar dados diretos dos estudantes. Essa 
Escala, validada para o contexto brasileiro (Vignola & Tucci, 2014), forneceu medidas 
quantitativas confiáveis dos níveis de estresse, depressão e ansiedade. Os resultados da 
escala DASS-21 foram então comparados e interpretados à luz da literatura existente em 
neurociências, especialmente aquelas que discutem os impactos fisiológicos e 
anatômicos de tais estados emocionais no cérebro. Por exemplo, o estresse crônico é 
conhecido por ter efeitos negativos sobre a estrutura e função do cérebro, 
particularmente nas áreas associadas à memória e aprendizagem (McEwen & Morrison, 
2013). 
Para verificar as intervenções e estratégias para mitigar os impactos na saúde 
mental de estudantes pós-pandemia da covid-19, com base nas neurociências, após a 
avaliação dos níveis de estresse, depressão e ansiedade nos estudantes, foram propostas 
intervenções e estratégias para diminuir esses impactos. Para tanto, nos baseamos em 
estudos neurocientíficos pré-existentes que discutiram maneiras eficazes para lidar com 
esses problemas. Por exemplo, práticas como a regulação emocional, mindfulness, TCC, 
prática de atividade física, têm sido associados a uma melhor saúde mental e a 
alterações positivas na estrutura e função cerebral (Cardoso, 2011), (Davidson & 
McEwen, 2012), (Da Silva Oliveira, 2014), (Filho et al., 2014), (Baldissera, 2021), 
(Cognitivo, 2023), (Santos e Nascimento, 2023). Além disso, estratégias de 
aprendizagem baseadas em neurociências, como o ensino adaptativo, também são úteis 
para melhorar o bem-estar emocional dos estudantes (Schwabe & Wolf, 2013). 
 
 
68 
 
5.4.2 Generalized Anxiety Disorder-7 - GAD-7 
A Generalized Anxiety Disorder-7 - GAD-7, (Transtorno de Ansiedade 
Generalizada), foi formada com base em critérios de transtorno de ansiedade contidas 
na quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-4 
por Spitzer et al., (2006). Em Gonçalves (2019) e Moreno et al., (2016) temos a 
explicação de que essa escala constitui-se por ser uma ferramenta contendo um 
questionário de rastreio do Transtorno de Ansiedade Generalizada, de simples e rápida 
aplicação por profissionais de saúde e tem sido explicitada como uma medida válida 
para aferir os sintomas de ansiedade que foram vivenciados nas últimas duas semanas 
da aplicação da escala. 
Segundo Moreno et al., (2016), e Da Silva (2021), essa escala de medida, a 
GAD-7 corresponde a uma escala tipo likert, que é definida por ser um tipo de escala de 
resposta psicométrica utilizada usualmente em questionários, e é a escala mais 
empregada em pesquisas de opinião. Os estudantes participantes da pesquisa, ao 
responderem a um questionário com base nesta escala, explicitam seu nível de 
assentimento com uma afirmação. É composta por sete itens a serem respondidos com: 
“Nunca” (0), “Em vários dias” (1), “Em mais de metade dos dias” (2) ou “Em quase 
todos os dias” (3). A codificação quantitativa varia entre 0 a 3 e retrata a frequência dos 
sintomas de ansiedade que os estudantes participantes da pesquisa identificaram ao 
responder o questionário correspondente ao período da semana anterior à coleta desses 
dados. O escore total dos itens tem uma variação entre zero a 21 pontos e oferece uma 
perspectiva do nível geral de ansiedade, informando tanto acerca da média quanto da 
variabilidade entre os alunos. 
 
5.5 Procedimento 
 
A coleta de dados para este estudo foi conduzida de forma totalmente on-line, 
utilizando a plataforma Google Forms. Os instrumentos de coleta de dados foram dois 
questionários, baseado nas escalas DASS-21 e GAD-7, sendo a GAD-7 adaptada para a 
pesquisa. A GAD-7 tem por objetivo de ser um instrumento de medida breve de 
autorrelato para avaliação de casos prováveis de TAG, de acordo com Spitzer et al., 
69 
 
(2006). Estes questionários serviram para avaliar os níveis de depressão, ansiedade e 
estresse dos estudantes. As respostas aos questionários só foram realizadas após todos 
os pais e/ou responsáveis dos participantes menores de idade terem realizado a leitura e 
explicitado a concordância ao TCLE e os estudantes participantes também terem 
realizado a leitura e concordância ao TALE. 
O procedimento de coleta de dados foi realizado em três etapas: 
1. Preparação: Nesta etapa, os questionários foram elaborados e configurados no 
Google Forms. 
2. Distribuição: Após a preparação dos questionários, a próxima etapa foi a 
distribuição do link do Google Forms e arquivos em PDF do TCLE e TALE para os 
professores da UE, pais/responsáveis e estudantes. Esta distribuição foi feita de 
maneira a alcançar uma amostra significativa de estudantes mesmo em período de 
conclusão dos trabalhos escolares por professores e estudantes e finalização do 
semestre letivo em curso. 
3. Análise dos dados: Uma vez coletados, os dados foram exportados do Google 
Forms para um software de análise estatística para a análise dos dados. Nesta etapa, 
os níveis de depressão, ansiedade e estresse foram quantificados e analisados em 
relação ao período da pós-pandemia da covid-19. 
A coleta de dados on-line, como descrita acima, tem vantagens, incluindo a 
capacidade de alcançar uma ampla população de estudantes de maneira eficiente, a 
facilidade de análise dos dados coletados e a capacidade de minimizar erros na entrada 
de dados (Sue & Ritter, 2012). 
 
5.6 Execução de busca na literatura 
 
Foi realizada uma busca em bases de dados como PubMed, Science Direct e Google 
School, utilizando palavras-chave como “COVID-19”, “depressão”, “educação básica”, 
“estudantes”, “ansiedade”, “estresse”, “neurociências” e “Brasil”. Foram incluídos 
estudos publicados nos últimos anos correspondentes ao período pandêmico e pós-
pandemia, em português e inglês. 
70 
 
 
5.7 Aquisição dos dados 
Após a coleta dos dados por meio das escalas DASS-21 e GAD-7, buscamos na 
literatura neurocientífica, a partir dos resultados obtidos nas escalas, artigos para 
interpretar os achados dessa pesquisa. 
Na parte qualitativa da análise, por meio da literatura, identificamos os principais 
impactos relatados e como as circunstâncias específicas da pandemia influenciaram, a 
nível cerebral, esses estudantes. Além disso, aspotenciais estratégias e intervenções 
para mitigar os impactos na saúde mental dos estudantes pós-pandemia da covid-19. 
Na análise quantitativa, os dados coletados com o uso das escalas DASS-21e GAD-
7 foram analisados estatisticamente. Foi aplicada uma metodologia estatística adequada, 
que permitiu uma avaliação rigorosa e sistemática dos níveis de depressão, ansiedade e 
estresse entre os estudantes pós-pandemia da covid-19. O uso de técnicas estatísticas 
robustas e adequadas garantiu que as conclusões do estudo fossem baseadas em 
evidências sólidas, permitindo que a pesquisa contribuísse de maneira significativa para 
a compreensão dos efeitos da pandemia na saúde mental dos estudantes e para o 
desenvolvimento de estratégias eficazes de intervenções e apoio. 
Análise Estatística 
Para a análise estatística dos dados coletados através da escala DASS-21, foram 
empregues procedimentos que visam sintetizar as informações e identificar padrões 
significativos nos estados emocionais de depressão, ansiedade e estresse dos estudantes 
da educação básica no período pós-pandêmico. Também foi aplicada a escala GAD-7, 
adaptada com cinco itens com o objetivo de mensurar sintomas de ansiedade. A análise 
estatística foi realizada com o objetivo de reunir as informações coletadas e identificar 
padrões relevantes que refletem o estado de ansiedade dos estudantes. Um total de 
dados de 72 participantes (n-72) foi utilizado nessa pesquisa. 
Softwares para análise dos Dados 
A linguagem de programação escolhida foi Python®, devido à sua versatilidade e 
ampla adoção na comunidade científica para análises estatísticas e de dados. A versão 
utilizada foi a 3.8.10, que oferece suporte a uma vasta gama de bibliotecas úteis para a 
71 
 
manipulação e análise de dados. A biblioteca Pandas®, uma das principais ferramentas 
para análise e manipulação de dados em Python®, foi utilizada na versão 1.3.2. 
Pandas® proporcionam estruturas de dados de alto desempenho e ferramentas de 
análise, facilitando o trabalho com dados tabulares e séries temporais. Para a geração de 
gráficos, foi empregue a biblioteca Matplotlib® na versão 3.4.3. Matplotlib® é uma 
biblioteca de plotagem para a linguagem de programação Python que fornece uma API 
orientada a objetos para incorporar gráficos em aplicações. Complementando as 
funcionalidades de Matplotlib®, a biblioteca Seaborn® foi usada para criar gráficos 
estatísticos avançados. Na versão 0.11.2, Seaborn® oferece uma interface de alto nível 
para a construção de gráficos estatísticos atraentes e informativos. 
Conversão de Dados 
As respostas fornecidas pelos participantes na escala DASS-21, inicialmente em 
formato textual, foram convertidas em dados numéricos. Cada item da escala foi 
pontuado de 0 a 3, correspondendo à frequência ou intensidade com que os participantes 
experimentaram cada condição ao longo da semana anterior. Para a GAD-7, as respostas 
dos estudantes, inicialmente em formato textual, foram convertidas em dados numéricos 
de acordo com o seguinte critério: “Nunca” (0), “Em vários dias” (1), “Em mais de 
metade dos dias” (2) e “Em quase todos os dias” (3). Esta codificação quantitativa 
reflete a frequência dos sintomas de ansiedade relatados pelos estudantes durante a 
semana anterior à coleta de dados. 
Agrupamento dos Dados 
Na escala DASS-21, os itens foram agrupados em três subescalas correspondentes: 
Depressão, Ansiedade e Estresse. Os escores para cada subescala foram somados para 
obter um escore total para cada condição emocional, o que permitiu uma análise mais 
detalhada de cada estado. Na escala GAD-7, os dados foram tratados de forma 
agregada, com a soma das pontuações de cada item para compor um escore total de 
ansiedade. Esse método possibilita uma análise holística do nível de ansiedade, bem 
como, a comparação entre os diferentes sintomas avaliados pela escala. 
 
 
72 
 
Análise Descritiva 
Foram calculadas as estatísticas descritivas básicas para cada subescala, incluindo 
média, desvio padrão, mediana, mínimo, máximo e os quartis, que fornecem uma visão 
geral da distribuição dos escores. 
Visualização dos Dados 
Para ilustrar a distribuição dos escores, foram gerados para a escala DASS-21 
histogramas e boxplots. Os histogramas ajudaram a entender a forma da distribuição dos 
escores, enquanto os boxplots forneceram uma visão clara da dispersão dos dados e da 
presença de potenciais outliers. Para a escala GAD-7, utilizou-se a visualização de 
dados por meio de gráficos de barras, mapas de calor e boxplots. Os gráficos de barras 
foram utilizados para representar a frequência de cada categoria de resposta por item. O 
mapa de calor da matriz de correlação foi empregue para visualizar a associação entre 
os itens da escala. Os boxplots ofereceram uma representação gráfica da distribuição 
dos escores para cada item, destacando a mediana e possíveis outliers. 
Teste de Normalidade 
Dada a importância da normalidade na seleção de testes estatísticos adequados, o 
teste de Shapiro-Wilk foi realizado para cada subescala a fim de avaliar a normalidade 
dos dados. Resultados da integra apresentados na sessão “teste de normalidade e 
Shapiro-Wilk”. 
Análise de Correlação 
No presente estudo, utilizamos a correlação de Spearman para examinar as relações 
entre as subescalas devido a não normalidade dos dados. Isso permitiu identificar a 
força e a direção das associações entre depressão, ansiedade e estresse. 
Análise de Cluster 
Para explorar a existência de grupos de estudantes com perfis emocionais 
semelhantes, foi realizada uma análise de cluster hierárquica. O dendograma resultante 
foi utilizado para visualizar como os participantes foram agrupados com base na 
semelhança de suas respostas. 
73 
 
Cada passo foi cuidadosamente executado para assegurar a integridade dos 
resultados e a validade das conclusões estatísticas tiradas deste estudo. 
5.8 Aspectos Éticos 
Para a presente pesquisa, respeitando todos os preceitos éticos ao se tratar de um 
estudo que envolve seres humanos, foi contatado, por meio eletrônico, a saber: e-mail, o 
órgão da SEEDF, intitulado EAPE para fins de orientação e autorização sobre pesquisas 
na Rede Pública de Ensino do DF. Para tanto, foi enviado ao setor de documentação o 
Formulário de solicitação de autorização de pesquisa da EAPE, o projeto da pesquisa e 
uma carta da instituição, a saber: Universidade Católica de Brasília - UCB em que foi 
apresentada a pesquisadora responsável, bem como, os objetivos da pesquisa com a 
justificativa em desenvolver o estudo em escolas públicas do DF e com a devida 
assinatura do professor orientador da pesquisa. Dessa forma, foram observadas e 
respeitadas as orientações que legislam sobre as normas que dizem respeito ao acesso a 
informações e pesquisas com seres humanos, com base nas seguintes leis, Lei n0 12.527, 
de 18 de novembro de 2011 – Lei de Acesso à Informação - LAI; Lei n0 13.709, de 14 
de agosto de 2018 – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais - LGPD; Resolução n0 
466/2012 – CNS – Fundamentos éticos e científicos para pesquisas com seres humanos. 
Além disso, a equipe gestora da instituição de ensino em que a coleta de dados foi 
realizada foi contatada e orientada, presencialmente, sobre a pesquisa e após a ciência e 
autorização desta, foi enviado por meio eletrônico, o termo de anuência com maiores 
esclarecimentos acerca dos objetivos, instrumentos, o tempo de aplicação dos 
procedimentos que visam à coleta de dados dos estudantes, bem como, a forma de 
aplicação e as datas previstas para início e término das escalas de medição, após 
aprovação do CEP da UCB. 
5.8.1 Riscos e benefícios 
Este projeto possui os seguintes benefícios: busca de estratégias para 
proporcionar um melhor suporte ao estudante com redução dos riscos de adoecimento 
psíquico. Os resultados poderão orientar educadores, psicólogos, pais e formuladoresCOVID-19, depression, basic education, students, anxiety, stress, 
neurosciences, Brazil 
 
 
 
 
8 
 
LISTA DE ILUSTRAÇÕES 
 
Figura 1(A) – Histograma dos escores de Depressão – Distribuição dos escores de 
depressão entre os estudantes com a frequência dos escores no eixo vertical e a 
pontuação da Escala DASS-21 no eixo horizontal......................................................76 
Figura 1(B) – Boxplot dos escores de Depressão – Dispersão dos escores de depressão, 
indicando a mediana, quartis e possíveis outliers........................................................76 
Figura 2(A) – Histograma dos escores de Ansiedade – Distribuição frequência dos 
escores de ansiedade dos participantes, com os escores no eixo horizontal e a frequência 
no eixo vertical.............................................................................................................76 
Figura 2(B) – Boxplot dos escores de Ansiedade – Mediana, quartis e outliers dos 
escores de ansiedade dos estudantes.............................................................................76 
Figura 3(A) – Histograma dos escores de Estresse – Frequência dos escores de estresse 
dos estudantes, com os escores no eixo horizontal e a frequência no eixo vertical....77 
Figura 3(B) – Boxplot dos escores de Estresse – Dispersão dos escores de estresse, 
incluindo a mediana, os quartis e outliers.....................................................................77 
Figura 4 – Heatmap da Correlação de Spearman entre as Subescalas – Correlações entre 
as subescalas de Depressão, Ansiedade e Estresse, com os coeficientes de correlação 
coloridos de acordo com sua magnitude.......................................................................79 
Figura 5 – Dendograma da Análise de Cluster Hierárquica – Mostra como os estudantes 
são agrupados com base na similaridade dos seus escores nas subescalas de Depressão, 
Ansiedade e Estresse.....................................................................................................80 
Figura 6 – Gráfico de Barras para Frequência de Respostas – Frequência das respostas 
dos alunos para cada pergunta da escala GAD-7. Cada barra representa uma pergunta e 
é segmentada em quatro categorias de resposta: “Nunca”, “Em vários dias”, “Em mais 
de metade dos dias” e “Em quase todos os dias”. A altura de cada segmento reflete o 
número de alunos que selecionaram aquela opção, permitindo a visualização da 
prevalência de cada nível de resposta para os sintomas de ansiedade..........................83 
9 
 
Figura 7 – Mapa de Calor da Matriz de Correlação – Matriz de correlação entre as 
respostas das perguntas da Escala GAD-7. As cores variam de azul (correlação negativa 
ou fraca) a vermelho (correlação positiva forte), indicando a intensidade da relação 
entre as respostas de diferentes perguntas. Mapa utilizado para identificar padrões de 
sintomas que tendem a ocorrer simultaneamente..........................................................84 
Figura 8 – Gráfico de Distribuição do Escore Total – Distribuição dos escores totais de 
ansiedade entre os alunos. Combinação de um histograma com uma curva de densidade, 
mostrando a frequência e a distribuição dos escores. A linha vertical vermelha 
representa a média dos escores, fornecendo uma referência para o nível médio de 
ansiedade no grupo estudado........................................................................................85 
Figura 9 – Boxplots para Cada Pergunta – Distribuição das respostas para cada pergunta 
da Escala GAD-7. As caixas centrais indicam o intervalo interquartil, com a linha 
mediana destacada. Os ‘bigodes’ estendem-se para mostrar a variação nas respostas, e 
pontos isolados representam outliers, indicando respostas que se desviam 
significativamente na maioria......................................................................................86 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1 – Sintomas das síndromes depressivas......................................................35 
Tabela 2 – Critérios diagnósticos segundo o DSM-5 e a CID-11.;..........................39 
Tabela 3 – Regiões cerebrais....................................................................................55 
Tabela 4 – Neurotransmissores.................................................................................56 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Acquired Immunodeficiency 
Syndrome) 
AMRA – Associação Americana de Pesquisa em Mindfulness 
BDNF – Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (Brain Derived Neurothophic) 
CA – Cíngulo anterior 
CEO – Diretor Executivo (Chief Executive Officer) 
CEP – Comitê de Ética em Pesquisa 
CID-11 – Classificação Internacional de doenças e problemas relacionados à saúde 
CIDI – Composite International Diagnostic Interview 
CNS – Fundamentos éticos e científicos para pesquisas com seres humanos 
COVID-19 – Coronavírus – 2019 
CPF – Córtex pré-frontal 
CRP – Conselho Regional de Psicologia 
DALY – Disability Adjusted Life Years 
DASS-21 – Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (Depression, Anxiety and Stress 
Scale) 
DAT – Transportador de Dopamina 
DF – Distrito Federal 
DMI – Imagem de Microestrutura por Difusão 
DSM-4 - Manual Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (Diagnostic and 
Statistical Manual of Mental Disorder) 
12 
 
DSM-5 – Manual Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (Diagnostic and 
Statistical Manual of Mental Disorder) 
EAPE – Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação 
EEP – Experiências de Estresse Precoce 
EJA – Educação de Jovens e Adultos 
EUA – Estados Unidos 
GAD-7 – Generalized Anxiety Disorder-7 
HPA – Eixo Hipotálamo-Pituitária-Adrenal 
H1N1 – Influenza 
H5N1 – Influenza 
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
IPUB – UFRJ – Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro 
LAI – Lei n0 12. 527, de 18 de novembro de 2011 – Lei de Acesso à Informação 
LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 
MBSR – Mindfulness-Based Stress Reduction 
MEC – Ministério da Educação 
MERS – Síndrome Respiratória do Oriente Médio 
OMS – Organização Mundial da Saúde 
OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde 
PDF – Formato Portátil de Documento (Portable Document Format) 
PHQ-9 – Patient Health Questionnaire-9 
RSNA – Sociedade Radiológica da América do Norte 
SARESP – Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo 
13 
 
SARS – Síndrome Respiratória Aguda Grave 
SARS-CoV-2 – Coronavírus 2 da Síndrome Respiratória Aguda Grave 
SBN – Sociedade Brasileira de Neurocirurgia 
SEEDF – Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal 
TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada 
TALE – Termo de Assentimento Livre e Esclarecido 
TCC – Teoria Cognitivo Comportamental 
TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 
UCB – Universidade Católica de Brasília 
UE – Unidade Educacional 
YLDs – Years lived with disabilities 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................16 
2. HIPÓTESE...............................................................................................................20 
3. OBJETIVOS............................................................................................................21 
3.1 Objetivo Geral.....................................................................................................21 
3.2 Objetivo Específicos............................................................................................21 
4. REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................22 
4.1 COVID-19...........................................................................................................22de 
políticas na criação de estratégias e intervenções mais eficazes para apoiar a saúde 
mental dos estudantes durante e após crises similares, e estima-se que este estudo 
envolva riscos mínimos aos participantes, quais sejam experimentação de desconforto 
74 
 
ou angústia incitados pelos temas tratados nos questionários, riscos de quebra de 
confidencialidade e privacidade e de aumento do tempo de tela dos estudantes 
participantes, que serão minimizados da seguinte forma: orientação, apoio psicológico, 
escuta psicológica, caso necessário, com a pesquisadora e psicóloga Aurylene Gomes de 
Andrade, CRP-01/24943 e o que mais for preciso para a recuperação do bem-estar 
mental, bem como, o sigilo dos dados dos estudantes participantes que foram enviados 
somente para o e-mail da pesquisadora responsável para que os dados fossem analisados 
no estudo. 
Os resultados da pesquisa serão divulgados na Instituição Universidade Católica 
de Brasília – UCB podendo ser publicados posteriormente, e ainda assim a identidade 
dos participantes será preservada. Os dados e materiais utilizados na pesquisa ficarão 
sob a guarda da pesquisadora. Os participantes poderão solicitar acesso aos resultados 
da pesquisa sempre que julgar necessário, por meio do e-mail e/ou contato telefônico da 
pesquisadora e psicóloga responsável pela pesquisa e que foram disponibilizados nos 
termos TCLE e TALE enviados aos estudantes, pais e/ou responsáveis e ao solicitar a 
produção de conhecimento como resultado do presente estudo, este será enviado em 
formato PDF por meio do e-mail do solicitante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
75 
 
6. RESULTADOS 
 
Resultados DASS-21 
Para cada subescala da DASS-21, as seguintes estatísticas foram calculadas 
baseadas no n=72. 
Depressão: Os escores variaram de 0 a 21, com uma média de 8.36 e um desvio 
padrão de 6.22. A mediana dos escores foi 8, e os quartis mostraram que 25% dos 
estudantes participantes tiveram escores de 3 ou menos, enquanto 75% tiveram escores 
de 14 ou menos. 
Ansiedade: A média dos escores foi de 8.60, com um desvio padrão de 5.99. Os 
escores variaram de 0 a 21, com uma mediana de 8,5. O primeiro quartil foi 4, 
indicando que 25% dos estudantes participantes tiveram escores de 4 ou menos, e o 
terceiro quartil foi 13,25, mostrando que 75% dos estudantes participantes tiveram 
escores abaixo de 13,25. 
Estresse: A média dos escores foi de 9,74, e o desvio padrão foi de 6.78. A 
pontuação variou do mínimo de 0 ao máximo de 21. A mediana foi 9, com 25% dos 
estudantes participantes obtendo escores de 4 ou menos, e 75% dos estudantes 
participantes obtendo escores de 16 ou menos. 
Os histogramas e boxplots gerados para cada subescala da DASS-21 – Depressão, 
Ansiedade e Estresse – proporcionaram insights, percepções valiosas sobre a 
distribuição dos escores de saúde mental dos estudantes participantes da educação 
básica no período pós-pandêmico. 
Teste de Normalidade: Shapiro-Wilk – DASS-21 
Para avaliar a normalidade dos dados, foi aplicado o teste de Shapiro-Wilk. Os 
resultados foram os seguintes: 
Depressão: estatística de 0.937 e p-valor de 0.00137, indicando que os dados não 
seguem uma distribuição normal. 
Ansiedade: Estatística de 0.949 e p-valor de 0.00549, sugerindo uma distribuição 
não normal. 
76 
 
Estresse: Estatística de 0.931 e p-valor de 0.00070, confirmando a não normalidade 
dos dados. 
A falta de normalidade nos dados orientou a escolha de métodos estatísticos não 
paramétricos para as análises subsequentes, incluindo a correlação de Spearman e 
análises de cluster. 
Depressão 
O histograma dos escores de depressão revelou uma distribuição com uma leve 
assimetria à direita, indicando uma concentração de escores mais baixos, mas também, 
uma presença notável de escores mais elevados (figura 1A). O boxplot correspondente 
mostrou uma mediana próxima ao centro da Escala, com alguns outliers, indicando que, 
embora a maioria dos estudantes participantes tenha relatado níveis baixos a níveis 
moderados de depressão, um grupo menor experimentou níveis significativamente mais 
altos (figura 1B). 
Figura 1(A) Histograma dos escores de Depressão – A distribuição dos escores de depressão entre os 
estudantes participantes é mostrada, com a frequência dos escores no eixo vertical e a pontuação da Escala 
DASS-21 no eixo horizontal. (B) Boxplot dos escores de depressão – Este gráfico apresenta a dispersão dos 
escores de depressão, indicando a mediana, quartis e possíveis outliers. 
Ansiedade 
Similarmente, a distribuição dos escores de ansiedade, conforme ilustrado pelo 
histograma (figura 2A), também apresentou uma assimetria à direita. A mediana, como 
indicado pelo boxplot, estava ligeiramente acima do meio da escala, com uma faixa de 
interquartil mais ampla do que a observada para depressão (figura 2B). Isso sugere uma 
variação maior nos níveis de ansiedade entre os estudantes participantes, com alguns 
casos extremos, como evidenciado pelos outliers. 
77 
 
 
Figura 2(A) Histograma dos escores de Ansiedade – Ilustra a distribuição frequência dos escores de 
ansiedade dos participantes, com os escores no eixo horizontal e a frequência no eixo vertical. (B) Boxplot 
dos escores de Ansiedade – O boxplot destaca a mediana, os quartis e outliers dos escores de ansiedade dos 
estudantes participantes. 
Estresse 
Os escores de estresse mostraram um padrão de distribuição parecido, com um 
histograma também inclinado para a direita (figura 3A). O boxplot revelou uma 
dispersão de dados semelhantes à de ansiedade, com uma mediana mais alta e a 
presença de outliers (figura 3B). Isso indica que os níveis de estresse, embora variados, 
tendem a ser mais elevados entre os estudantes participantes do que os níveis de 
depressão. 
 
Figura 3(A) Histograma dos escores de Estresse – O histograma exibe a frequência dos escores de estresse 
dos estudantes participantes, com os escores no eixo horizontal e a frequência no eixo vertical. (B) Boxplot 
dos escores de Estresse – Esse gráfico mostra a dispersão dos escores de estresse, incluindo a mediana, os 
quartis e outliers. 
78 
 
Interpretação dos Gráficos 
A interpretação dos gráficos apresentados na nossa pesquisa sugere que, no 
geral, os estudantes apresentaram uma tendência a relatar níveis baixos a níveis 
moderados de depressão, ansiedade e estresse. No entanto, a presença de outliers e a 
variação observada nos boxplots indicam que um subconjunto de estudantes 
participantes experimentou níveis significativamente mais altos dessas condições. Isso 
aponta para a necessidade de uma atenção especial a essse estudantes, que podem estar 
enfrentando desafios mais sérios em relação a sua saúde mental. 
A comparação entre as três subescalas apresentadas sugere que, enquanto 
depressão e ansiedade apresentaram padrões de distribuição relativamente semelhantes, 
os escores de estresse mostraram uma tendência a serem mais elevados. Esta observação 
pode refletir o impacto cumulativo do estresse no ambiente pós-pandêmico sobre os 
estudantes, possivelmente exacerbado por fatores como mudanças nas rotinas escolares 
e incertezas contínuas que vieram após a pandemia da covid-19. 
Podemos afirmar por meio da análise da escala DASS-21, que esses resultados 
fornecem uma base para aprofundar a compreensão dos efeitos psicológicos da 
pandemia sobre estudantes da educação básica e ressaltam a importância de 
intervenções direcionadas e suporte psicológico, especialmente para aqueles 
identificados com níveis mais elevados de depressão, ansiedade e estresse. 
Análise de Correlação de Spearman 
Para deixar os dados mais sólidos, a relação entre as subescalas de Depressão, 
Ansiedade e Estresse, foi utilizada a correlação de Spearman. Este método é apropriado 
para dados que não seguem uma distribuição normal e é capaz de medir a força e a 
direção da associação entre variáveis.Interpretação do Heatmap de Correlação 
O heatmap da correlação de Spearman entre as subescalas mostrou coeficientes 
de correlação excepcionalmente altos, indicando fortes relações positivas entre todas as 
combinações das três subescalas. 
Depressão e Ansiedade: Correlação de 0.94 
79 
 
Depressão e Estresse: Correlação de 0.96 
Ansiedade e Estresse: Correlação de 0.95 
Esses coeficientes sugerem que os estudantes participantes que relataram altos 
níveis em uma das condições (depressão, ansiedade ou estresse) também tendem a 
apresentar níveis elevados nas outras. As cores no heatmap representam a força dessas 
correlações, com tons mais quentes (como vermelho e laranja) indicando correlações 
mais fortes (figura 4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4 – Heatmap da Correlação de Spearman entre as Subescalas – Representam as correlações 
entre as subescalas de Depressão, Ansiedade e Estresse, com os coeficientes de correlação coloridos de acordo 
com sua magnitude. 
 
Análise de Cluster: Dendograma 
A análise de cluster hierárquica foi realizada para identificar padrões nos dados 
e agrupar estudantes com perfis emocionais semelhantes. O resultado dessa análise foi 
visualizado através de um dendograma. 
80 
 
Interpretação do Dendograma 
O dendograma é uma ferramenta visual que representa a formação de clusters de 
estudantes com base na similaridade de seus escores em Depressão, Ansiedade e 
Estresse. No dendograma, cada linha vertical representa um participante, e a fusão 
dessas linhas indica a formação de clusters. A altura na qual as linhas se fundem reflete 
a distância ou dissimilaridade entre os grupos: quanto menor a altura, mais similares são 
os grupos ou indivíduos (figura 5). 
Observações do Dendograma 
No nosso estudo, o dendograma revelou a presença de distintos grupos de 
estudantes. 
Grupos com Níveis Baixos a Moderados: A primeira observação foi a 
existência de clusters que representam estudantes com escores baixos a moderados nas 
três subescalas. Estes estudantes podem ser considerados como tendo uma adaptação 
relativamente melhor ao período pós-pandêmico, com menores níveis de depressão, 
ansiedade e estresse (figura 5). 
Grupos com Níveis Elevados: Por outro lado, o dendograma também indicou a 
formação de clusters de estudantes com escores mais elevados. Estes grupos são de 
particular interesse, pois sugerem a presença de um subconjunto de estudantes que 
podem estar enfrentando desafios significativos de saúde mental (figura 5). 
81 
 
 
 
Figura 5 – Dendograma da Análise de Cluster Hierárquica – O dendograma mostra como os estudantes 
são agrupados com base na similaridade dos seus escores nas subescalas de Depressão, Ansiedade e Estresse. 
 
Implicações dos Resultados da Escala DASS-21 
A forte correlação entre as subescalas é indicativa de uma sobreposição 
significativa nos escores de depressão, ansiedade e estresse. Esse padrão sugere que as 
experiências de depressão, ansiedade e estresse estão intimamente interligadas entre os 
estudantes da educação básica no contexto pós-pandêmico. Essa interconexão pode 
refletir como as pressões e incertezas associadas à pandemia influenciaram de forma 
compreensiva a saúde mental dos estudantes. 
A alta correlação entre essas subescalas reforça a necessidade de abordagens de 
intervenção holísticas que possam abordar simultaneamente múltiplas facetas da saúde 
mental dos estudantes. Intervenções que se concentram exclusivamente em um aspecto, 
como a ansiedade, sem considerar a possível presença de estresse ou depressão, podem 
não ser totalmente eficazes para aqueles estudantes que estão experimentando múltiplas 
condições emocionais. 
Esses resultados destacam a complexidade dos desafios de saúde mental 
enfrentados pelos estudantes no período pós-pandêmico e apontam para a importância 
de uma abordagem integrada na assistência e no suporte psicológico a esta população. 
Resultados GAD-7 
Ansiedade 
A análise dos escores totais de ansiedade revelou que os valores variaram de 1 a 
6, com uma média de aproximadamente 3,73, indicando um nível moderado de 
sintomas de ansiedade entre os estudantes. O desvio padrão de aproximadamente 1.33 
sugere uma variação moderada nos níveis de ansiedade dentro do grupo. 
82 
 
Um dado alarmante foi acessado pela mediana dos escores de 4, indicando que 
metade dos estudantes, um número alto, relatou sintomas correspondentes a “Em mais 
da metade dos dias” ou mais frequentemente quando associado a sintomas de depressão. 
Os quartis refletiram que 25% dos estudantes participantes tiveram escores de 3 
ou menos (até “Em vários dias”), enquanto 75% dos estudantes participantes tiveram 
escores de 4.5 ou menos, sugerindo que a maioria dos estudantes relatou sintomas de 
ansiedade com uma frequência de “Em mais de metade dos dias” para menos. 
Os histogramas e boxplots gerados a partir dos escores totais da GAD-7 
proporcionaram uma visualização clara da distribuição dos escores de ansiedade entre 
os estudantes, destacando tanto a tendência central quanto a dispersão dos escores. 
Teste de Normalidade: Shapiro-Wilk – GAD-7 
A aplicação do teste de Shapiro-Wilk resultou em uma estatística de teste de 
aproximadamente 0.929 e um p-valor de aproximadamente 0.0006. O valor de p abaixo 
do limiar convencional de 0.05 indica que os escores totais de ansiedade não seguem 
uma distribuição normal. Isso implica que a utilização de métodos estatísticos não 
paramétricos é mais adequada para análises mais profundas dos dados. 
A interpretação desses resultados sugere que enquanto os níveis de ansiedade 
variam entre os estudantes, existe uma tendência geral em direção a sintomas de 
ansiedade de frequência moderada. Além disso, a não normalidade dos dados pode 
apontar para a presença de fatores subjetivos e individuais que afetam os escores de 
ansiedade, o que ressalta a importância de abordagens personalizadas ao lidar com o 
bem-estar emocional dos estudantes. 
Gráfico de Barras para frequência de respostas – GAD-7 
No presente estudo, o gráfico de barras representa a frequência de respostas para 
cada uma das perguntas da escala GAD-7. Cada pergunta é representada por uma barra 
dividida em quatro segmentos coloridos, cada um correspondendo a uma categoria de 
resposta: “Nunca”, “Em vários dias”, “Em mais de metade dos dias” e “Em quase todos 
os dias”. A altura de cada segmento dentro da barra indica quantos estudantes 
escolheram aquela resposta específica (figura 6). 
83 
 
O gráfico de barras fornece uma visão de quais sintomas de ansiedade são mais 
comuns entre os estudantes. Por exemplo, um segmento maior para respostas como “Em 
quase todos os dias” numa pergunta específica indica uma prevalência maior desse 
sintoma específico de ansiedade. Isso sugere áreas que podem necessitar de maior 
atenção e apoio dentro do contexto escolar (figura 6). 
 
Figura 6 – Gráfico de Barras para Frequência de Respostas – Frequência das respostas dos estudantes 
para cada pergunta da Escala GAD-7. Cada barra representa uma pergunta e é segmentada em quatro 
categorias de respostas: “Nunca”, “Em vários dias”, “Em mais de metade dos dias” e “Em quase todos os dias”. 
A altura de cada segmento reflete o número de estudantes que selecionaram aquela opção, permitindo a 
visualização da prevalência de cada nível de resposta para os sintomas de ansiedade. 
Mapa de Calor da Matriz de Correlação 
Na nossa pesquisa, o mapa de calor exibe a matriz de correlação entre as 
respostas das diferentes perguntas. Cores mais quentes (como vermelho) indicam uma 
correlação positiva forte, e cores mais frias (como azul) indicam uma correlação 
negativa ou ausência de correlação (figura 7). 
Este mapa foi utilizado de forma crucial para compreender como diferentes 
aspectos da ansiedade estão relacionados entre si. Na presente pesquisa foi possível ver 
que altas correlaçõespositivas sugerem que estudantes que apresentam um tipo de 
sintoma de ansiedade têm maior probabilidade de apresentar outro. Isso pode indicar 
84 
 
padrões comuns de experiência de ansiedade entre os estudantes, orientando potenciais 
abordagens para o apoio e a intervenção (figura 7). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7 – Mapa de Calor da Matriz de Correlação – Mapa de calor representando a matriz de correlação 
entre as respostas das perguntas da Escala GAD-7. As cores variam de azul (correlação negativa ou fraca) a 
vermelho (correlação positiva forte), indicando a intensidade da relação entre as respostas de diferentes 
perguntas. Este mapa é utilizado para identificar padrões de sintomas que tendem a ocorrer 
simultaneamente. 
Gráfico de distribuição do escore total 
Este gráfico mostra a distribuição dos escores totais de ansiedade, que são a 
soma das respostas para todas as perguntas. A linha vermelha indica a média dos 
escores totais, enquanto o histograma e a curva de densidade mostram como os escores 
estão distribuídos (figura 8). 
Observando o gráfico, podemos ver que a posição da média e a forma da 
distribuição oferecem uma visão geral do nível de ansiedade entre os estudantes. Por 
exemplo, uma média alta sugere um nível geral mais elevado de ansiedade. A dispersão 
85 
 
indica se a experiência de ansiedade é semelhante entre os alunos ou se varia 
significativamente. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 – Gráfico de Distribuição do Escore Total – Distribuição dos escores totais de ansiedade entre os 
estudantes. O gráfico combina um histograma com uma curva de densidade, mostrando a frequência e a 
distribuição dos escores. A linha vermelha representa a média dos escores, fornecendo uma referência para o 
nível médio de ansiedade no grupo estudado. 
 Boxplots para cada pergunta 
 Cada boxplot mostra a distribuição das respostas para uma pergunta 
específica. A linha central “dentro da caixa” é a mediana (o valor do meio). As bordas 
da caixa indicam o primeiro e o terceiro quartis (25% a 75% dos dados, 
respectivamente), e as linhas que se estendem da caixa (chamadas de ‘bigodes’) 
mostram a variação fora dos quartis. Pontos fora dos bigodes são considerados outliers 
(figura 9). 
 Os dados dos boxplots acessados nessa pesquisa permitiu uma análise 
detalhada da variação nas respostas. Por exemplo, uma caixa estreita indica que a 
maioria dos estudantes tem respostas similares, enquanto uma caixa mais larga mostra 
maior variação nas respostas. A posição da mediana fornece uma indicação do nível 
típico de ansiedade relatado naquela pergunta. 
86 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9 – Boxplots para Cada Pergunta – Boxplots detalhando a distribuição das respostas para cada 
pergunta da Escala GAD-7. As caixas centrais indicam o intervalo interquartil, com a linha mediana 
destacada. Os ‘bigodes’ estendem-se para mostrar a variação nas respostas, e pontos isolados representam 
outliers, indicando respostas que se desviam significativamente da maioria. 
 Em resumo, os achados do presente estudo, acessados por meio da aplicação 
da escala GAD-7, revelam múltiplas dimensões da experiência de ansiedade entre 
estudantes avaliados na pesquisa. O gráfico de barras destaca os sintomas mais 
prevalentes, enquanto o mapa de calor sugere padrões de sintomas co-ocorrentes. A 
análise do escore total oferece uma perspectiva do nível geral de ansiedade, mostrando 
tanto a média quanto a variabilidade entre os estudantes. Os boxplots aprofundam essa 
análise, detalhando a distribuição de respostas para cada sintoma específico. 
 Esses resultados indicam não apenas os aspectos mais comuns e intensos da 
ansiedade entre os estudantes, mas também, revelam como esses sintomas interagem e 
variam individualmente. Isso pode informar abordagens direcionadas para apoiar 
estudantes com diferentes padrões de ansiedade, destacando a necessidade de 
intervenções personalizadas e abrangentes para abordar a saúde mental na escola. 
 
 
 
87 
 
7. DISCUSSÃO 
 De acordo com informações da OMS em relatório mundial da saúde mental, 
aproximadamente 1 bilhão de pessoas conviviam no ano de 2019 com algum tipo de 
transtorno mental e a eminente crise nesse grupo é um problema global, alcançando 
pessoas de todas as idades, especialmente crianças e adolescentes em idade escolar. E, 
em consonância com as idades escolares, entre 10 e 13 anos, 13,5% já manifestavam 
problemas de saúde mental e entre 15 e 19 anos, 14,7% enfrentavam algum transtorno 
relacionado a questões de saúde. Esses dados são referentes ao período anterior à 
pandemia da covid-19 e com o impacto do isolamento físico devido às restrições 
emergenciais juntamente com o medo gerado de contaminação, esse número que já era 
alarmante foi aumentado e a mesma pesquisa realizada pela OMS destaca a estimativa 
de um crescimento no número de casos de transtornos de depressão e ansiedade como 
consequências da pandemia. 
 Vargas (2021) esclarece acerca de estudos longitudinais da saúde com ênfase 
no que pondera a coordenação da Fiocruz em que há o reconhecimento da maior 
vulnerabilidade feminina em estudos que foram desenvolvidos que permitiram analisar 
os efeitos do distanciamento social na redução da morbimortalidade específica da covid-
19, bem como, seus impactos no que tange ao agravamento de fatores de risco e manejo 
de doenças do tipo crônicas. 
 Segundo informações de Shigemura (2020) e Brasil (2021), e dados da OMS 
(2020), a pandemia da covid-19, devido a sua gravidade, é compreendida como uma 
questão de saúde pública, tendo em vista as inúmeras mortes e infecções e por questões 
de termos uma pandemia dentro de uma pandemia no que se referem aos diversos 
transtornos mentais que a população encontra-se afetada, um aumento considerável de 
pessoas em sofrimento psíquico e mental, além de outros setores inerentes às políticas 
públicas e sociais que tiveram potenciais efeitos nas áreas da economia, educação, 
assistência social, dentre outras. A OMS destaca que o conceito de saúde pode ser 
definido como um “estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a 
mera ausência de doenças ou enfermidade”. Dessa forma, é crucial a subsistência da 
saúde em sua totalidade, isto é, em todos os seus ambitos e nisso inclui a saúde mental. 
 Neumann (2021) destaca a problemática na área da educação enfatizando a 
suspensão das aulas presenciais no período compreendido entre março de 2020 a agosto 
88 
 
de 2021, devido às medidas de distanciamento físico e social para conter o avanço 
progressivo da doença. Essa medida afetou substancialmente os estudantes da educação 
básica, que compreendem o ensino infantil, fundamental e médio atingindo também os 
estudantes universitários. Deste modo, houve um crescimento em relação às demandas 
de atendimento psicológico e/ou psiquiátrico perante os potenciais danos à saúde mental 
principalmente das crianças e dos adolescentes que viveram além do isolamento, 
situações de perdas de entes queridos e os transtornos de depressão, ansiedade e estresse 
frente a tantas situações inesperadas, como também, as exigências que a nova forma de 
ensino-aprendizagem demandou no período pandêmico, o ensino remoto e/ou pela 
ausência de acesso à educação, mesmo que de forma remota. A pandemia expôs um 
cenário social em que muitos estudantes permaneceram impedidos de acessar esse novo 
mundo compreendido pelas possibilidades do ensino remoto devido ás limitações, falta 
de recursos tecnológicos muito comuns em inúmeras famílias no Brasil e também da 
ausência de um acompanhamento eficaz nas atividades escolares acarretando em mais 
danos à saúde, como também, em sua aquisição de aprendizagem. 
 No presente estudo, 72 estudantes (n=72) participantes que compõem a 
amostra desta pesquisa e que foram submetidos aos questionários das escalas DASS-21 
e GAD-7, foi possívelconstatar a partir da escala DASS-21, a presença de diferentes 
grupos de estudantes, em que há grupos com níveis considerados baixos a moderados 
nas três subescalas de Depressão, Ansiedade e Estresse. Assim, os resultados desses 
estudantes podem ser analisados como, ainda que há uma quantidade de estudantes que 
encontraram uma adequação relativamente melhor ao período pós-pandemia, menores 
índices nos níveis de depressão, ansiedade e estresse, outro grupo de estudantes 
apresentou níveis elevados, estes implicam sobre um subconjunto de estudantes que 
podem estar em confronto com desafios expressivos em sua saúde mental. 
 No nosso estudo, a distribuição dos escores de depressão entre os estudantes 
revela uma prevalência moderada de sintomas depressivos, com uma média de 8.36 e 
uma assimetria à direita (figura 1). Neurocientificamente, esta observação pode ser 
correlacionada com alterações no sistema de neurotransmissão, especificamente na 
função serotoninérgica e na atividade do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal - HPA, 
ambas críticas na patogênese da depressão. Estudos mostram que o estresse crônico, 
como o vivenciado durante a pandemia, pode levar à hiperatividade do eixo HPA, 
resultando em níveis elevados de cortisol, o que por sua vez, afeta negativamente a 
89 
 
neuroplasticidade e promove a disfunção de áreas cerebrais associadas à regulação do 
humor, como o hipocampo e o córtex pré-frontal (McEwen, 2007; Pariante & Lightman, 
2008). Estas alterações podem contribuir para os sintomas depressivos observados, 
sugerindo uma possível ligação entre o estresse pandêmico e alterações neuroendócrinas 
subjacentes à depressão. 
 A análise dos escores de ansiedade apresentou uma média de 8.60 e 
variabilidade considerável (figura 2), esses dados podem refletir as consequências 
neurobiológicas do estresse prolongado sobre os circuitos de ansiedade no cérebro, 
incluindo a amígdala e o córtex pré-frontal. A amígdala, responsável pelo 
processamento de ameaças e medo, pode tornar-se hiperativa em resposta ao estresse 
crônico, enquanto a capacidade do córtex pré-frontal de exercer controle executivo e 
regulatório pode ser comprometida, exacerbando a percepção de ansiedade (Shin & 
Liberzon, 2010; Arnsten, 2009). Além disso, a pandemia pode ter afetado o 
desenvolvimento e a maturação dessas regiões cerebrais em jovens, potencialmente 
aumentando sua vulnerabilidade à ansiedade. A variação nos escores de ansiedade 
também reflete a diversidade na resiliência individual e na capacidade de adaptação ao 
estresse, mediadas por diferenças na estrutura e função cerebral. 
 O aumento dos escores de estresse, com média de 9.74 (figura 3), sugere um 
impacto significativo do ambiente pandêmico sobre o bem-estar psicológico dos 
estudantes. Do ponto de vista neurocientífico, o estresse crônico pode, também, levar à 
desregulação do eixo HPA, já discutido anteriormente, e à subsequente liberação de 
cortisol, afetando negativamente a função cerebral. A exposição prolongada ao cortisol 
pode resultar em atrofia do hipocampo, uma região crucial para o aprendizado e a 
memória, além de afetar a conectividade funcional e a estrutura do córtex-pré-frontal, 
comprometendo a capacidade de regulação emocional, aprendizagem e tomada de 
decisão (Lupien et al., 2009; McEwen, 2007). Este padrão de alterações neurobiológicas 
pode não apenas predispor os indivíduos a níveis mais elevados de estresse percebido, 
mas também, impactar sua capacidade de enfrentamento, contribuindo para os elevados 
escores de estresse observados. 
 Um outro lado apresentado na nossa pesquisa, ainda referente a DASS-21, 
foi a análise de correlação de Spearman entre as subescalas de Depressão, Ansiedade e 
Estresse. O resultado revelou coeficientes de correlação notavelmente altos (Depressão 
90 
 
e Ansiedade: 0.94; Depressão e Estresse: 0.96; Ansiedade e Estresse: 0.95) (figura 4), 
indicando uma forte interconexão entre estas dimensões da saúde mental desse grupo de 
estudantes. Além, dos mecanismos relacionados ao eixo HPA e à amígdala, outros 
estudos neurocientíficos apontam para a participação de sistemas neurotransmissores 
específicos, como o serotonérgico, o noradrenérgico e o dopaminérgico, na modulação 
de humor e ansiedade (Harmer, 2008; Belujon & Grace, 2017). A disfunção nestes 
sistemas pode ser um fator subjacente à alta correlação observada entre depressão, 
ansiedade e estresse, refletindo como desequilíbrios neuroquímicos podem predispor a 
comorbidades neuropsiquiátricas. Além disso, pesquisas recentes sugerem que a 
neuroinflamação e as alterações na microbiota intestinal também podem desempenhar 
papéis significativos na patogênese da depressão e ansiedade, fornecendo uma ligação 
entre o sistema imunológico, o cérebro e o comportamento (Miller & Raison, 2016; 
Cryan et al., 2019). 
 A formação de clusters identificada pela análise de cluster hierárquica 
(figura 5) e visualizada no dendograma reflete a heterogeneidade nos perfis de sintomas 
de depressão, ansiedade e estresse entre os estudantes. Esta heterogeneidade pode ser 
explicada, em parte, pelas diferenças na conectividade funcional entre regiões do lobo 
temporal, que estão envolvidas na regulação emocional, e na resposta ao estresse além 
de fatores sociais que nos possibilita compreender que a biologia nos orienta, mas não 
determina (Seeley et al., 2007; Menon, 2011). Variações na conectividade entre áreas 
podem influenciar a capacidade de um indivíduo de processar e responder a estímulos 
emocionais, resultando em diferentes perfis de resiliência ou vulnerabilidade aos 
sintomas de depressão, ansiedade e estresse. Pesquisas sobre a neuroplasticidade 
também destacam como experiências de estresse crônico durante a pandemia podem 
afetar a estrutura e a função cerebral, alterando padrões de conectividade neural e 
potencialmente contribuindo para os perfis de sintomas observados (Lupien et al., 2009; 
Davidson & McEwen, 2012). 
 Foi constatada que a pandemia impôs uma série de estressores únicos sobre 
crianças e adolescentes incluindo o isolamento social, a interrupção das rotinas 
educacionais, a incerteza sobre o futuro e o medo de contágio. Tais estressores 
exacerbam a vulnerabilidade a problemas de saúde mental, desencadeando ou 
intensificando os sintomas de depressão, ansiedade e estresse (Brooks et al., 2020; 
Loades et al., 2020). Nessa pesquisa, a correlação significativa entre as subescalas da 
91 
 
DASS-21 reflete a interconexão entre estes sintomas, sugerindo que a experiência de 
um pode aumentar a susceptibilidade ou intensidade dos outros. 
 No presente estudo, a análise dos escores totais da escala Generalized 
Anxiety Disorder 7 - GAD-7 revelou um nível moderado de sintomas de ansiedade entre 
os estudantes, com uma média de 3.73 e uma mediana de 4. Estes dados sugerem que 
uma significativa proporção de estudantes experimentou sintomas de ansiedade 
frequentemente durante o período avaliado (figura 6). O desvio padrão de 1.33 indica 
uma variação considerável nos níveis de ansiedade, refletindo a diversidade de 
experiências de ansiedade dentro da população estudantil. A não normalidade dos 
dados, conforme indicado pelo teste de Shapiro-Wilk (p-valor 0.0006), reforça a 
complexidade dos padrões de ansiedade e a necessidade de análises não paramétricas 
para entender melhor estas variações. 
 Do ponto de vista neurocientífico, a ansiedade pode ser compreendida 
através da análise de sistemas cerebrais específicos, além do eixo hipotálamo-pituitária-
adrenal - HPA e da amígdala. Pesquisas recentes destacam o papel do córtex pré-frontal 
- CPF e sua interação com a amígdala na regulação da ansiedade. O CPF, responsável 
por funções executivas, incluindo tomada de decisão e regulação emocional, pode 
exercer influência inibitória sobre a amígdala, modulando a resposta ao medo e à 
ansiedade (Goldin et al., 2008;Bishop, 2007). Alterações na funcionalidade ou na 
conectividade entre o CPF e a amígdala podem contribuir para a intensificação dos 
sintomas de ansiedade. Além disso, estudos sobre a neuroinflamação fornecem 
evidências de que processos inflamatórios no cérebro podem estar associados a 
transtornos de ansiedade (Michopoulos et al., 2017). A inflamação sistêmica tem sido 
relacionada a alterações na neurotransmissão e na neuroplasticidade, potencialmente 
exacerbando sintomas de ansiedade. A microbiota intestinal também tem sido estudada 
por seu papel na modulação da função cerebral e do comportamento através do eixo 
intestino-cérebro, sugerindo que desequilíbrios na microbiota podem influenciar o 
desenvolvimento de sintomas de ansiedade (Foster et al., 2017). 
 A representação gráfica da frequência de respostas para cada item da GAD-7 
destaca quais sintomas de ansiedade são mais prevalentes entre os estudantes. Este 
detalhe pode ajudar a identificar áreas específicas de necessidade e direcionar 
intervenções de apoio. Por exemplo, um número maior de respostas indicando 
92 
 
ansiedade “Em quase todos os dias” em itens específicos pode apontar para sintomas 
predominantes que podem ser alvos de intervenções psicoeducacionais ou terapêuticas 
direcionadas. No presente estudo, a matriz de correlação (figura 7) apresentou uma 
correlação negativa entre “senti-me nervoso (a),ansioso (a) ou irritado (a)” e “tive 
dificuldades em relaxar”. A correlação negativa pode refletir uma particularidade da 
população estudada. É possível que, para alguns indivíduos, a ansiedade não se 
manifeste predominantemente através de tensão ou dificuldade em relaxar, mas sim por 
meio de outros sintomas psicológicos ou somáticos. Alternativamente, a aparente 
discrepância pode estar relacionada à natureza adaptativa de alguns estudantes em 
resposta ao estresse prolongado, uma forma de resiliência psicológica que merece 
investigação adicional. É imperativo considerar a complexidade dos mecanismos 
neurais subjacentes à ansiedade. Pesquisas em neurociência têm revelado que a 
ansiedade está associada a uma atividade alterada em várias regiões cerebrais incluindo 
o córtex pré-frontal, a amígdala, hipocampo e o hipotálamo (Etkin & Wager, 2007; Shin 
& Liberzon, 2010), e que o estresse crônico pode levar a mudanças fisiológicas nessas 
áreas (McEwen, 2007). A plasticidade neural, que permite a adaptação do cérebro a 
ambientes desafiadores, pode ser uma chave interpretativa para os padrões observados 
(Davidson & McEwen, 2012). A correlação negativa observada requer uma análise 
aprofundada e cautelosa, levando em consideração as limitações do instrumento de 
medida, a diversidade dos sintomas de ansiedade e a complexa interação entre fatores 
ambientais, psicológicos e biológicos durante e após a pandemia da COVID-19. Estudos 
longitudinais seriam particularmente valiosos para rastrear a trajetória dos sintomas de 
ansiedade ao longo do tempo e determinar a estabilidade dessas correlações em 
diferentes fases do desenvolvimento e recuperação pós-pandêmica. 
 O gráfico de distribuição indica uma média elevada de escores totais de 
ansiedade (figura 8), refletindo um nível geral significativo de ansiedade entre os 
estudantes. Neurocientificamente, este achado pode ser associado a alterações no 
sistema nervoso parte central. Pesquisas recentes sugerem que a pandemia da COVID-
19 pode ter impactado a conectividade e a função de regiões cerebrais envolvidas na 
regulação da ansiedade, como o córtex pré-frontal - CPF e o cíngulo anterior - CA, 
áreas essenciais para a regulação emocional e processamento do medo (Godoy et al., 
2018; Sylvester et al., 2020). A alteração da função dessas áreas pode contribuir para o 
aumento dos níveis de ansiedade observados. Fortalecendo ainda mais essa correlação, 
93 
 
estudos longitudinais e de neuroimagem têm demonstrado que a variabilidade nos 
sistemas de ansiedade pode estar associada a estruturas como amígdala, CPF e CA 
(Etkin & Wager, 2007; Shin & Liberzon, 2010). Essas regiões são cruciais para a 
percepção de ameaças, processamento emocional e regulação do estresse. Variações na 
conectividade entre estas áreas podem explicar porque alguns indivíduos apresentam 
maior susceptibilidade aos sintomas de ansiedade. 
 Por meio da análise dos boxplots podemos ver variações nas respostas a 
perguntas específicas, indicando uma diversidade em forma como os sintomas de 
ansiedade são experimentados pelos estudantes (figura 9). Esta variabilidade pode ser 
explicada por diferenças na neurobiologia individual. Como variações na expressão de 
receptores de neurotransmissores ou na resiliência neural a estressores (Bishop, 2007; 
Holmes & Wellman, 2009). Por exemplo, uma maior variabilidade nas respostas pode 
refletir diferenças individuais na susceptibilidade a sintomas específicos de ansiedade, 
potencialmente mediadas por diferenças na neuroplasticidade ou na regulação 
neuroquímica. A neurogenética oferece insights valiosos para compreender essa 
heterogeneidade. Estudos têm identificado variantes genéticas que afetam a função de 
neurotransmissores como a serotonina e o GABA, que estão implicados na regulação da 
ansiedade (Lesch et al., 1996; Masi et al., 2004). Essas variantes genéticas podem 
influenciar a expressão de sintomas específicos de ansiedade, contribuindo para a 
variabilidade observada nos boxplots. Além disso, pesquisas sobre neuroplasticidade e 
ansiedade sugerem que a exposição a estressores crônicos durante o desenvolvimento 
pode levar a mudanças duradouras na estrutura e função cerebral, afetando a 
susceptibilidade à ansiedade (McEwen, 2007). Essas alterações incluem a redução da 
neurogênese no hipocampo e mudanças na densidade dendrítica no córtex pré-frontal, o 
que pode afetar a capacidade de regulação emocional e aumentar a vulnerabilidade aos 
sintomas de ansiedade. 
 Um fator pouco falado, quando pensamos em saúde mental, é a microbiota 
intestinal. A pandemia trouxe à tona o papel potencial da microbiota intestinal no bem-
estar psicológico através do eixo intestino-cérebro, sugerindo que mudanças no estilo de 
vida durante o confinamento poderiam influenciar a saúde mental por meio de 
alterações na composição da microbiota (Cryan et al., 2019). Uma pesquisa realizada 
por Ruiz-Roso et al., (2020), analisou as mudanças nos hábitos alimentares durante o 
confinamento em diferentes países, incluindo Espanha, Itália, Brasil, Chile e Colômbia. 
94 
 
De acordo com os pesquisadores, houve um aumento no consumo de lanches, carnes 
processadas, e produtos de padaria, juntamente com uma diminuição na ingestão de 
frutas e vegetais, sugerindo uma deterioração da qualidade da dieta durante o período de 
confinamento, destacando a necessidade de políticas públicas para promover hábitos 
alimentares saudáveis. Pietrobelli et al., (2020), mostrou um consumo elevado de 
alimentos não saudáveis e uma regulação da atividade física entre crianças e 
adolescentes durante esse período, podendo se estender após o término da pandemia. 
Fiolet e colaboradores (2021), por meio de uma revisão sisstemática e meta-análise, 
mostrou que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados pode estar associado a 
um aumento no risco de desenvolvimento de sintomas de transtornos mentais comuns, 
como depressão e ansiedade. Este vínculo sugere que a qualidade da dieta é um fator 
determinante crucial no bem-estar psicológico e na prevenção de transtornos mentais. 
Portanto, essa perspectiva amplia o entendimento dos mecanismos pelos quais a 
pandemia pode afetar a ansiedade, além das respostas neuroendócrinas e 
neuroinflamatórias ao estresse. 
 A aplicação da escala Generalized Anxiety Disorder 7 - GAD-7 em nossa 
pesquisa enfrentou desafios inesperados, resultando na coleta de dados para apenas 
cinco das sete questões originais. Apesar deste contratempo, a análise das respostasdisponíveis oferece insights valiosos sobre os sintomas de ansiedade entre os estudantes 
no contexto examinado. É importante destacar, que embora incompleta, a utilização 
parcial da GAD-7 ainda fornece uma base sólida para avaliar a prevalência e 
intensidade dos sintomas de ansiedade, complementada por dados obtidos através da 
Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse - DASS-21. 
 A integridade da avaliação da ansiedade, mesmo com a GAD-7 parcial, é 
sustentada por várias considerações. Primeiro, as cinco questões da GAD-7 que foram 
administradas cobrem uma gama representativa de sintomas de ansiedade, permitindo 
uma avaliação confiável da condição. Esses itens abrangem aspectos chave como 
nervosismo, incapacidade de parar ou controlar a preocupação e irritabilidade, que são 
sintomas centrais na caracterização da ansiedade generalizada. A consistência nas 
respostas a essas questões sugere que elas podem servir como um indicador confiável da 
presença de ansiedade entre os participantes. 
95 
 
 Além disso, a corroboração dos resultados obtidos através da GAD-7 parcial 
com aqueles da DASS-21 fortalece a validade de nossas conclusões. A DASS-21, uma 
ferramenta amplamente reconhecida e validada para avaliar depressão, ansiedade e 
estresse, forneceu uma análise complementar que respalda os achados da GAD-7. A 
convergência dos resultados entre as duas escalas, especialmente na subescala da 
ansiedade da DASS-21, reforça a confiabilidade dos dados coletados e oferece uma 
visão abrangente da saúde mental dos estudantes. A alta correlação entre as subescalas 
de ansiedade e estresse da DASS-21 e os escores parciais da GAD-7 sugere que os 
sintomas de ansiedade são uma preocupação significativa e estão consistentemente 
presentes na experiência dos estudantes avaliados. 
 Embora reconheçamos a limitação de não ter aplicado a GAD-7 em sua 
totalidade, a abordagem adotada na análise dos dados disponíveis, foi rigorosa e 
metodologicamente sólida. A decisão de prosseguir com a análise das cinco questões 
disponíveis foi tomada com base na compreensão de que a essência da avaliação da 
ansiedade poderia ser mantida, permitindo uma interpretação válida dentro do contexto 
mais amplo da pesquisa. Esta abordagem pragmática não apenas salvaguarda a utilidade 
dos dados coletados, mas também, demonstra adaptabilidade diante de desafios 
inesperados na pesquisa. 
 Em suma, apesar dos desafios enfrentados na aplicação completa da GAD-7, 
os dados coletados através das questões disponíveis, em conjunto com os resultados da 
DASS-21, fornecem uma base robusta para a avaliação dos sintomas de ansiedade entre 
os estudantes. Essa análise integrada permite uma compreensão abrangente do impacto 
da ansiedade na população estudantil, destacando a importância de estratégias de 
intervenção focadas e eficazes para abordar a saúde mental no ambiente educacional. 
 Nosso trabalho reforça a questão de que não podemos desconsiderar, a partir 
dos resultados dessa pesquisa, os possíveis impactos da pandemia no cérebro. Do ponto 
de vista biológico, estudos neuropatológicos têm evidenciado que o SARS-CoV-2 é 
capaz de invadir o sistema nervoso central - SNC, potencialmente afetando a função 
cerebral e contribuindo para sintomas neuropsiquiátricos. O vírus pode acessar o 
cérebro através da barreira hematoencefálica, utilizando mecanismos como a via do 
nervo olfatório ou a mediação por células endoteliais. Uma vez no SNC, a presença do 
vírus pode desencadear respostas inflamatórias, com liberação de citocinas pró-
96 
 
inflamatórias, o que tem sido associado a alterações de humor e cognição (Steinman et 
al., 2020; Holmes et al., 2020). 
 Além disso, a resposta imune ao vírus, caracterizada pela tempestade de 
citocinas, tem sido relacionada a uma série de efeitos sistêmicos que podem afetar 
indiretamente o cérebro. Esta resposta hiperativa do sistema imune pode levar a 
alterações neuroquímicas e a uma maior permeabilidade da barreira hematoencefálica, 
facilitando assim o surgimento de sintomas neuropsiquiátricos, incluindo depressão e 
ansiedade (Taquet et al., 2021). 
 No âmbito psicossocial, o isolamento social, o medo da infecção, as perdas 
econômicas e o luto por entes queridos são fatores de estresse significativos 
introduzidos ou exacerbados pela pandemia. Esses fatores podem atuar como gatilhos 
ou agravantes de condições psiquiátricas, especialmente em crianças, que podem ser 
particularmente sensíveis às mudanças em sua rotina e ao estresse percebido pelos pais 
ou responsáveis (Loades et al., 2020). Especificamente em crianças, o fechamento de 
escolas e a interrupção de atividades sociais regulares representam uma perda 
significativa de suporte social e oportunidades de aprendizado, que são cruciais para o 
seu desenvolvimento emocional e social O cérebro é social, a falta de interação com 
colegas e professores pode aumentar sentimentos de isolamento, contribuindo para o 
aumento da ansiedade e sintomas depressivo (Lee, 2020). A aplicação das escalas 
DASS-21 e GAD-7 em pesquisas recentes reflete essa tendência, revelando um aumento 
preocupante nos níveis de depressão e ansiedade entre crianças durante a pandemia. 
Esses instrumentos, amplamente validados para avaliar sintomas de depressão, 
ansiedade e estresse, fornecem uma medida quantitativa que corrobora relatos 
anedóticos e observações clínicas sobre o impacto psicológico da COVID-19 nesse 
grupo etário (Bignard et al., 2020). Em suma, a complexa interação entre os efeitos 
biológicos diretos do SARS-CoV-2 no cérebro, as respostas imunológicas sistêmicas, e 
os profundos fatores psicossociais desencadeados pela pandemia, contribuem para o 
agravamento dos sintomas de depressão e ansiedade em crianças. Esses achados 
ressaltam a necessidade de abordagens multidisciplinares para mitigar os impactos da 
COVID-19 na saúde mental infantil, incluindo intervenções psicossociais, suporte 
educacional e, quando necessário, tratamento psiquiátrico. 
97 
 
 Na nossa pesquisa científica, ao integrar os resultados obtidos pelas escalas 
DASS-21 e GAD-7 com conhecimentos de neuroanatomia e neurofisiologia, este estudo 
propôs uma conexão entre os sintomas psicológicos de depressão, ansiedade e estresse e 
possíveis alterações neurobiológicas subjacentes. A literatura científica atual forneceu 
evidências que apoiam essa correlação, destacando, por exemplo, como a exposição 
prolongada ao estresse pode afetar a neuroplasticidade, alterando a estrutura e a função 
de diversas regiões cerebrais (McEwen, 2007; Lupien et al., 2009). Essas alterações 
podem contribuir para os sintomas observados e são consistentes com achados de 
estudos de neuroimagem que demonstram mudanças na conectividade e atividade 
dessas áreas em indivíduos com depressão e ansiedade (Anand et al., 2005; Shin & 
Liberzon, 2010). 
 Adicionalmente, a literatura científica destaca o papel dos 
neurotransmissores, como o serotoninérgico, noradrenérgico e dopaminérgico, na 
modulação do humor e da resposta ao estresse, sugerindo que desequilíbrios nesses 
mensageiros químicos podem estar associados aos sintomas relatados nas escalas 
(Harmer, 2008; Ressler & Nemeroff, 2000). O eixo hipotálamo-pituitária-adrenal - HPA 
também é frequentemente implicado na resposta ao estresse crônico e na patogênese de 
transtornos de humor, com a hiperativação desse eixo contribuindo para o aumento dos 
níveis de cortisol e afetando negativamente a função cerebral (Pariante & Lightman, 
2008). 
 Portanto, a utilização das escalas DASS-21 e GAD-7 neste estudo vão além 
da simples identificação de sintomas psicológicos, sugerindo uma abordagem mais 
abrangente que considera as bases neurobiológicas dos transtornos de saúde mental. 
Esse entendimento reforça a importância de intervenções que abordem os aspectos 
neurobiológicos dos transtornos psicológicos, potencializando a eficácia das terapiaspsicológicas com estratégias que visam restaurar o equilíbrio neuroquímico e promover 
a neuroplasticidade (Pittenger & Duman, 2008; Camprodon & Roffman, 2016). Assim, 
a integração dos dados psicométricos com o conhecimento neurocientífico presentes 
nesse estudo promove uma compreensão holística dos transtornos de saúde mental, 
enfatizando a necessidade de uma abordagem multidisciplinar no tratamento e cuidado 
com essas crianças. 
 
98 
 
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 Com a realização desta pesquisa foi possível verificar um aumento de 
estudos sobre saúde mental de estudantes da educação básica. Os estudos encontrados 
no início da pandemia da covid-19 eram referentes a estudantes universitários, 
principalmente, de cursos voltados às áreas da saúde, e também de profissionais 
atuantes na linha de frente da covid-19, mas, a partir de 2021, houve um crescimento 
nessas pesquisas tendo em vista a preocupação iminente, sobretudo, devido às 
consequências do ensino remoto. 
 Há uma diversidade de realidades educacionais, bem como, sociais e 
econômicas no Brasil e essa discrepância representa um enorme desafio para as 
instituições de ensino, para o cenário da educação, até mesmo em tempos não 
emergenciais. Esta pesquisa contou com a participação de estudantes da educação 
básica dos Ensinos Fundamental II e Médio de instituições públicas e particulares, com 
a coleta de dados realizada em uma escola pública em Brasília DF. Os estudantes 
participantes da pesquisa residem em variadas localidades, cidades do DF e entorno de 
Brasília. 
 Este estudo teve como objetivo geral a análise do impacto da pandemia da 
covid-19 nos níveis de depressão, ansiedade e estresse em estudantes da educação 
básica como marcadores inferenciais para alterações fisiológicas e anatômicas cerebrais. 
Este objetivo foi alcançado ao longo da pesquisa, tendo sido expressa com resultados da 
amostra entre os 72 estudantes da pesquisa com base nas escalas DASS-21 e GAD-7. 
 Já em relação aos objetivos específicos, temos que o primeiro visa à 
quantificação dos estudos emocionais de depressão, ansiedade e estresse em estudantes 
da educação básica após o período pandêmico através da escala DASS-21 e da escala 
GAD-7, e o segundo objetivo específico propõe uma sintetização das intervenções para 
mitigar os impactos na saúde mental de estudantes pós-pandemia da covid-19, tendo 
como base as neurociências. Ambos objetivos foram constatados por meio das escalas 
aplicadas que permitiu a quantificação desses estados e, inclusive, nos cinco itens 
relacionados à escala GAD-7 foi possível verificar as potenciais necessidades 
individualizadas nas amostras correspondentes aos estudantes participantes da educação 
básica. Além disso, verificou-se que há possibilidades de intervenção baseadas nas 
99 
 
neurociências, como a prática de mindfulness e aliada a abordagem terapêutica da TCC 
que podem apresentar resultados significativos na diminuição dos sintomas decorrentes 
da ansiedade, depressão e estresse. 
 Portanto, a conclusão desta pesquisa transcende a mera constatação do 
aumento de sintomas de estresse, depressão e ansiedade entre estudantes, um fenômeno 
já amplamente documentado na literatura científica atual. O caráter inovador deste 
estudo emerge da integração de dados psicométricos, obtidos através das escalas DASS-
21 e GAD-7, com insights provenientes das neurociências, criando um diálogo 
enriquecedor entre estas disciplinas. Esta abordagem interdisciplinar permitiu não 
apenas a identificação de padrões de sintomas psicológicos, mas também, a exploração 
de suas possíveis correlações com alterações neuroanatômicas e neurofisiológicas 
subjacentes. 
 A inovação reside, portanto, na tentativa de mapear os efeitos psicológicos 
manifestos em alterações neurobiológicas específicas, fornecendo uma compreensão 
mais holística dos mecanismos subjacentes aos transtornos de saúde mental. Ao 
correlacionar sintomas psicológicos com fundamentos neurocientíficos, abre-se a 
possibilidade de identificar biomarcadores para depressão, ansiedade e estresse, o que 
pode revolucionar as estratégias de diagnóstico e tratamento, tornando-as mais eficazes 
e individualizadas. 
 Além disso, este estudo destaca a necessidade crítica de abordagens 
terapêuticas que considerem tanto os aspectos psicológicos quanto biológicos dos 
transtornos de saúde mental, sugerindo que a integração da psicoterapia com parte de 
uma equipe multidisciplinar pode oferecer resultados terapêuticos superiores. Isso 
reforça a importância da pesquisa interdisciplinar em saúde mental, demonstrando que a 
compreensão dos transtornos psicológicos pode ser profundamente aprimorada por meio 
do diálogo entre a psicologia e a neurociência. 
 Em suma, este trabalho não apenas contribui para a literatura científica, 
evidenciando a prevalência de sintomas de estresse, depressão e ansiedade em um 
contexto educacional, mas também, avança na nossa compreensão sobre a complexa 
interação entre mente e cérebro. A inovação fundamental deste estudo reside na sua 
capacidade de informar o desenvolvimento de práticas clínicas e educacionais, as quais 
podem agora ser embasadas em uma compreensão mais rica das raízes neurobiológicas 
100 
 
dos transtornos de saúde mental, potencializando assim o bem-estar e a resiliência de 
estudantes em face aos desafios psicológicos contemporâneos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
 
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http://dx.doi.org/10.1016/S2215-0366(2030046-84.1.1 Coronavírus Sars-CoV-2..............................................................................22 
4.1.2 Pandemias e epidemias no Brasil e no mundo.............................................23 
4.1.3 Medidas de prevenção no combate à pandemia da COVID-19....................25 
4.1.4 Crises dentro da crise pandêmica.................................................................28 
4.2 SAÚDE MENTAL.............................................................................................30 
4.2.1 Saúde e doença.............................................................................................30 
4.2.2 A depressão..................................................................................................31 
4.2.3 A ansiedade..................................................................................................37 
4.2.4 O estresse......................................................................................................41 
4.3 NEUROCIÊNCIAS...........................................................................................45 
4.3.1 Bases neurobiológicas do estresse, ansiedade e depressão..........................46 
4.3.2 Efeitos da pandemia no cérebro, neuroimagem e COVID-19......................50 
4.3.3 Implicações das neurociências para intervenções terapêuticas....................52 
4.3.4 Neurociências e educação.............................................................................59 
5. METODOLOGIA....................................................................................................62 
5.1 Tipo de Pesquisa..................................................................................................62 
5.2 Participantes.........................................................................................................62 
5.2.1 Critérios de inclusão.....................................................................................64 
5.2.2 Critérios de exclusão....................................................................................64 
5.3 Contexto...............................................................................................................64 
5.4 Instrumentos........................................................................................................66 
5.4.1 Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21)..............................66 
5.4.2 Escala Generalized Anxiety Disorder (GAD-7)...........................................68 
5.5 Procedimento.......................................................................................................68 
15 
 
5.6 Execução de busca na literatura...........................................................................69 
5.7 Aquisição dos dados............................................................................................70 
5.8 Aspectos Éticos....................................................................................................73 
5.8.1 Riscos e benefícios.......................................................................................73 
6. RESULTADOS........................................................................................................74 
7. DISCUSSÃO............................................................................................................87 
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................98 
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................101 
APÊNDICE- 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO...................................115 
TERMO DE ASSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO......................................117 
ANEXO- 
ESCALA DE DEPRESSÃO, ANSIEDADE E ESTRESSE-DASS-21........................119 
ESCALA GENERALIZED ANXIETY DISORDER-GAD-7......................................120 
MEMORANDO-SEE/AUTORIZAÇÃO PARA PESQUISA......................................121 
TERMO DE ANUÊNCIA.............................................................................................123 
PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP..............................................................125 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A neurociência é considerada, de acordo com Neto & Incrocci (2021), uma das 
disciplinas que mais se desenvolvem em toda a ciência tendo em vista que novos 
desvendamentos surgem nesse âmbito quase que diariamente tamanha a relevância para 
a ciência moderna e, dessa forma, difunde luz sobre a base de cunho neural do 
comportamento do ser humano que se estende do nível molecular ao nível 
comportamental com o uso de ferramentas influentes e inventivas. Assim, achados e 
progressos neurocientíficos nos consentirão uma melhor compreensão acerca dos 
mecanismos abrangidos e como estes admitem capacidades cognitivas. 
Em referência a importância dos estudos da neurociência no que tange ao 
comportamento do ser humano, bem como, seus impactos no cérebro, uma pesquisa 
desenvolvida no Reino Unido e publicada no periódico científico The Lancet (2023) 
revelou acerca dos efeitos pós-covid-19 nos seres humanos que podem afetar a atividade 
cerebral destes com o condizente a dez anos de envelhecimento, que, mesmo após o 
período de dois anos, indivíduos que foram infectados com o vírus ainda podem ser 
impactados, de acordo com os resultados do presente estudo britânico. A pesquisa se 
concentrou na analise de três grupos distintos de indivíduos, a saber: os que nunca 
tiveram o vírus da covid-19, os que tiveram e foram considerados como totalmente 
curados e os que tiveram e continuaram a ter sintomas do vírus, um efeito prolongado, 
ou covid longa. As análises foram submetidas em períodos distintos, em 2021 e em 
2022 e os resultados analisados refletem que indivíduos afetados pelos sintomas da 
covid-19 por um período de três meses ou mais manifestaram um comportamento 
expressivamente pior nessas tarefas ao se comparar com os que seguiram por um 
período menor. Ainda não há conclusões acerca da melhora com o passar do tempo e 
tampouco sobre a continuidade desses efeitos. 
De acordo com a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia - SBN, esse tipo de 
pesquisa é primordial no entendimento sobre os efeitos da covid-19 a longo prazo e que 
por ser uma doença nova, desconhecemos seus impactos no futuro e avanços no 
conhecimento são importantes na busca da melhora na qualidade de vida das pessoas ao 
trazer possibilidades de prevenção e tratamento. E além dos quadros neurológicos, a 
SBN enfatiza que a covid-19 pode desencadear sintomas debilitantes persistentes, como 
17 
 
por exemplos, a fadiga, lapsos de memória, piora do raciocínio, episódios de insônia e 
alterações de humor no que tange a depressão e a ansiedade nos indivíduos. 
Em situações pandêmicas, como a da covid-19, o foco dos estudos, dos serviços de 
saúde, de gestores e da mídia em geral, costuma ser dirigido a aspectos de cunho 
biológico da doença e, dessa forma, os aspectos psicossociais recebem pouca ou 
nenhuma atenção ou são totalmente negligenciados (Ornell et al.; 2020; Ho CSH et al.; 
2020). Porém, há o entendimento de que a doença causada pela pandemia da covid-19 
compromete não só a saúde física das pessoas, como também a saúde mental e o bem-
estar (Fiorillo et al.; 2020; Santos 2020). Os surtos anteriores que acometeram a 
população ao redor do mundo confirmaram que os efeitos na saúde mental podem ser 
mais duradouros e ter um predomínio maior que a própria pandemia em si, cujas 
consequências relativas a questões econômicas e psicossociais podem ser consideradas 
alarmantes e incontáveis (Shigemura et al.; 2020; Reardon 2015). Ornell et al.; 2020 
ponderam que a “morbimortalidade secundária” as implicações na saúde mental 
inclinam-se a ultrapassar a associada diretamente à doença, durante as epidemias. 
De acordo com Nabuco et al.; (2020) apud Zhou et al.;(2020), Kumar (2020), no 
período pandêmico a que fomos acometidos desde 2020, não havia medicação com 
efeito de curar os sintomas da doença e, dessa forma, algumas medidas foram 
recomendadas pelos órgãos de saúde pública, tais como o distanciamento físico social, o 
uso de máscaras e o reforço dos hábitos de higiene. Essas recomendações foram 
primordiais para frear a disseminação do vírus da covid-19, mas, ao mesmo tempo em 
que nos protegíamos da doença física, o alcance aos meios de rede de proteção 
psicossocial foram reduzidos, como por exemplo, o acesso ao trabalho, à escola, o lazer, 
familiares e amigos. 
Assim, as medidas sanitárias adotadas para mitigar o risco de contágio da pandemia 
da covid-19 e garantir a proteção da população e também impedir o colapso dos 
serviços de saúde, entre outras determinações, são situações que causam mudanças 
bruscas no dia a dia de todos e particularmente, de acordo com a Organização Mundial 
de Saúde - OMS (2020), o fechamento das instituições educacionais com o objetivo de 
conter o avanço da doença afastou aproximadamente 1,5 bilhão de crianças e 
adolescentes de seus ambientes escolares. Isso resultou em escolas totalmente fechadas 
por um longo período e acarretou em adoção de práticas pedagógicas emergenciais com 
18 
 
o uso de recurso principalmente de telas para que as aulas fossem posteriormente 
retomadas em um formato totalmente diferenciado, o remoto (OLIVEIRA et al.; 2020). 
A pandemia da covid-19 acentuou déficit educacional e demandou ações do poder 
público, segundo dados do Senado Federal (2021) que, diante da situação pandêmica no 
ano de 2020, o Ministério da Educação - MEC autorizou a substituição das aulas 
presenciais pelo modelo remoto para as instituições de ensino superior e, 
posteriormente, para a educação básica em todo o Brasil. No ano seguinte, em 2021, 
após mais de um ano e meio de ensino remoto, no Distrito Federal - DF, a Secretaria de 
Estado de Educação do Distrito Federal - SEEDF emitiu um documento, a Circular n0 
04/2021, em que foram apresentadas as recomendações para a retomada das atividades 
presenciais. Esse retorno presencial foi realizado de forma escalonada a fim de preparar 
e orientar os estudantes da educação básica quanto às ações desse retorno presencial 
reiterando a necessidade de ainda respeitar as medidas de biossegurança com turmas 
reduzidas, distanciamento mínimo entre as carteiras e divisão das turmas, entre outras 
medidas de segurança a fim de evitar a contaminação da covid-19. 
Após o retorno presencial dos estudantes em todo o Brasil ainda em período 
pandêmico, uma avaliação realizada pela Secretaria de Educação de São Paulo e o 
Instituto Ayrton Senna (2022) sinalizaram implicações da pandemia da covid-19 na 
saúde mental e socioemocional de estudantes. O mapeamento realizado identificou que 
70% dos estudantes de São Paulo descreveram sintomas de depressão e ansiedade, 
entretanto, os possíveis correlatos neurais ainda não são claros. O estudo retratou que 
dois em cada três estudantes que cursam o 50 ao 90 ano do Ensino Fundamental e 30 ano 
do Ensino Médio, que corresponde a educação básica, da rede estadual revelaram esses 
sintomas. Nesse mapeamento foi possível obter dados de 642 mil estudantes 
participantes do estudo no campo do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do 
Estado de São Paulo - SARESP. Assim, do grupo de estudantes participantes que foi 
analisado, um em cada três alunos alegaram sentir dificuldades de concentração no que 
é recomendado pelos professores no contexto da sala de aula. Nesse patamar, 18,8% 
narraram profunda sensação de esgotamento, além de se sentirem sob pressão e 18,1% 
referiram perder completamente o sono por sentirem-se preocupados e 13,6% alegaram 
a perda de confiança em si mesmo, o que podem ser classificados como sintomas que 
retratam transtornos de ansiedade e de depressão. 
19 
 
Diante da exposição desse cenário, o presente estudo se concentra na emergente 
preocupação com a deterioração da saúde mental, especificamente os níveis de 
depressão, ansiedade e estresse, entre os estudantes da educação básica após o período 
da pandemia da covid-19. Portanto, a questão de pesquisa que irá nortear este estudo é: 
“Como os níveis de depressão, ansiedade e estresse em estudantes da educação básica 
do Distrito Federal pós-pandemia da COVID-19 estão correlacionados com alterações 
neuroanatômicas e fisiológicas sugeridas pela literatura neurocientífica?” Para nortear 
este estudo temos, inicialmente, os objetivos: geral e específicos com o intuito de 
analisar o impacto da pandemia da COVID-19 nos níveis de depressão, ansiedade e 
estresse nesses estudantes na pós-pandemia como marcadores inferenciais para 
alterações fisiológicas e anatômicas cerebrais e para investigar esta inquietação, há o 
delineamento do referencial teórico, que abrange: 1) COVID-19, coronavírus Sars-CoV-
2, pandemias e epidemias no Brasil e no mundo, medidas de prevenção no combate à 
pandemia da COVID-19, crises dentro da crise pandêmica; 2) Saúde Mental, saúde e 
doença, a depressão, a ansiedade e o estresse; 3) Neurociências, bases neurobiológicas 
do estresse, ansiedade e depressão, efeitos da pandemia no cérebro, neuroimagem e 
COVID-19, implicações das neurociências para intervenções terapêuticas, neurociências 
e educação. 
Em seguida, temos a apresentação da metodologia, ou seja, a preparação para 
responder à questão dessa pesquisa. Para isso, a pesquisa foi conduzida pela natureza 
quantitativa com cunho descritivo e qualitativa. Nos instrumentos, foram utilizados a 
Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse - DASS-21 e a Escala Generalized Anxiety 
Disorder - GAD-7 (Transtorno de Ansiedade Generalizada). Assim, verificamos, com 
os instrumentos destacados, a permanência, o predomínio de problemas de saúde mental 
em estudantes da educação básica do Distrito Federal. Por fim, com os resultados desta 
busca, ponderou-se o fornecimento de um melhor entendimento acerca das condições de 
saúde mental dos estudantes participantes deste estudo. 
 
 
 
 
20 
 
2. HIPÓTESE 
 
A exposição prolongada aos efeitos da pandemia da covid-19 está correlacionada 
com aumentos significativos nos níveis de estresse, depressão e ansiedade em 
estudantes da educação básica do Distrito Federal. Essas variações comportamentais, 
por sua vez, são indicadores Proxy para mudanças anatômicas e fisiológicas no cérebro, 
com base em literatura neurocientífica existente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
3. OBJETIVOS 
 
3.1 Objetivo Geral: 
 
• Analisar o impacto da pandemia da COVID-19 nos níveis de depressão, 
ansiedade e estresse em estudantes da educação básica como marcadores 
inferenciais para alterações fisiológicas e anatômicas cerebrais. 
 
3.2 Objetivos Específicos: 
 
• Quantificar os estados emocionais de depressão, ansiedade e estresse em 
estudantes da educação básica após o período pandêmico através da escala 
DASS-21 e da escala GAD-7; 
• Sintetizar as intervenções e estratégias para mitigar os impactos na saúde 
mental de estudantes pós-pandemia da COVID-19, com base nas neurociências. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
4. REFERENCIAL TEÓRICO 
 
4.1 COVID-19 
 
4.1.1 Coronavírus Sars-CoV-2 
 
A doença provocada pelo Coronavírus 2 da Síndrome Respiratória Aguda Grave 
- Sars-CoV-2, surgida ao final de 2019 em Wuhan na China foi declarada pela 
Organização Mundial de Saúde - OMS (2020) como a sexta emergência em questão de 
saúde pública de relevância internacional sendo demandada atenção e instituída como 
pandêmica. Tendo a OMS sido informada na data de 31 de dezembro de 2019 sobre a 
ocorrência de inúmeros casos de pneumonia na China, mais especificamente na cidade 
de Wuhan, localizada na província de Hubei, República Popular deste país, em janeiro, 
autoridades chinesas comprovaramque a causa seria um novo tipo de vírus, intitulada 
Coronavírus Disease, Doença do Coronavírus - COVID-19, (LUNARDI et al.; 2021). 
Nos estudos de Lima et al.; (2022) há o destaque para a nova variante de um vírus, 
segundo o autor, já conhecido, o coronavírus, Sars-CoV-2. 
Casos registrados de alta infectividade foram considerados pela OMS (2020) 
como uma nova cepa, tipo de coronavírus nunca antes identificado nos seres humanos, 
denominada covid-19. Neste caso, quando um número alto de pessoas da cidade de 
Wuhan, na China, passou a manifestar uma infecção respiratória grave e desconhecida 
em um pequeno lapso de tempo, acendeu-se o alarme para o princípio de um surto 
epidêmico tendo casos semelhantes de infecções respiratórias surgidas rapidamente em 
outras cidades e regiões da China e sendo alastradas para outras regiões fora do 
epicentro, destacando assim, o início de uma epidemia (SEGATA, 2020). 
A epidemia da covid-19 espalhou-se pelo mundo a partir de dezembro de 2019 
em casos confirmados no Brasil sendo transmitidos por pessoas que estavam em viagem 
em países inicialmente infectados pelo vírus nesse período do surto epidêmico 
(MCKIBBIN; FERNANDO, 2020). Em um curto espaço de tempo, houve um aumento 
no número de casos da doença em mais países, não somente na China, e continentes, 
afetando quase toda a população mundial, a OMS decretou o que é classificado o pior 
dos cenários, a pandemia (SEGATA, 2020). Em Lima et al.; (2022) tem-se que devido 
23 
 
ao aumento no número de registro de casos de infecção a nível global, a pandemia da 
covid-19 foi anunciada em 11 de março de 2020. 
Segata (2020) explica que surto, epidemia e pandemia são termos utilizados no 
universo técnico da epidemiologia no que tange a classificação das doenças infecciosas 
de cunho temporal, geográfico e quantitativo. Esses termos são pertinentes em 
processos de vigilância e controle tendo em vista as definições dos níveis de atenção, 
bem como, de protocolos de ação. Assim, o Ministério da Saúde adotou a prevenção 
como medida de contenção da doença covid-19, e o controle da disseminação do vírus 
haja vista a falta de tratamento eficaz nas pessoas infectadas (LIMA et al.; 2022). 
 
4.1.2 Pandemias e epidemias no Brasil e no mundo 
 
Andrade & Lopes (2021) ponderam que pandemias e epidemias são passíveis de 
terem como vetores uma infinidade de microrganismos, a saber, vírus e bactérias. Tanto 
pandemias quanto epidemias expõem as pessoas a graves números de letalidade além de 
serem consideradas de enorme propagação. Episódios de pandemias e epidemias e suas 
evoluções impactam diretamente nas deliberações e direções de países e mercados, 
dizimando inúmeras vidas e expondo a vulnerabilidade dos seres. 
Nesse contexto, a letalidade nos seres humanos está relacionada a causas de 
enfermidades respiratórias que são preponderantes neste cenário pandêmico. Estima-se 
que um índice significativo dessas doenças esteja diretamente relacionado a quadros 
infecciosos ocasionados por vírus. Um número expressivo de novos vírus respiratórios 
vem sendo revelado desde o começo do século XXI e afere-se que esses vírus gerem 
95% das doenças respiratórias em crianças e bebês e em torno de 30-40% na população 
idosa (ALBUQUERQUE; SILVA; ARAÚJO, 2020). 
Zampietro (2019) expõe acerca das primeiras pragas que assolaram o mundo, 
denominada Justiniano, nome em homenagem ao líder do Império Bizantino. O surto, 
na época, foi ocasionado por uma bactéria surgida no Oriente, chegando à civilização 
por meio do comércio. Séculos mais tarde, esse mesmo agente bacteriano seria o 
responsável pela peste bubônica ou “peste negra” que dizimou um quarto da população 
24 
 
da Europa Ocidental em apenas 4 anos, em meados de 1347 a 1352 (LE GOFF; 
TRUONG, 2006). 
É imprescindível a compreensão da razão dos surgimentos de surtos de doenças 
e, para isso, inúmeros fatores podem ser observados, a saber: o crescimento urbano 
desenfreado, as crises sanitárias, a desigualdade social e a pobreza. Dessa forma, efeitos 
das doenças infectocontagiosas são potencializados por problemas intrínsecos da 
própria sociedade, sendo fundamental analisar suas fontes, bem como, suas motivações 
(ANDRADE; LOPES, 2021). 
A Lei 11.445 de 5 de janeiro de 2007 – estabelece as Diretrizes Nacionais para o 
Saneamento Básico – criando o Comitê Interministerial de Saneamento Básico. A 
referida Lei é responsável por estabelecer as Diretrizes Nacionais para o Saneamento 
Básico e para a política federal de Saneamento Básico. Entretanto, inúmeras mortes são 
registradas todos os anos devido à precariedade do sistema para com a população. A 
crise sanitária presente no Brasil expõe a desigualdade social vivida por muitas pessoas 
residentes no país. Inúmeras enfermidades e principalmente mortes poderiam ter sido 
evitadas se o acesso ao saneamento básico fosse eficaz, se os tratamentos de água, de 
esgoto e de coleta de lixo fossem, de fato, assegurados às pessoas (ANDRADE; 
LOPES, 2021). 
A crise sanitária é apenas um exemplo do que a população já ficou exposta em 
relação a enfermidades ao longo dos anos. As pessoas foram acometidas a vastos 
momentos de doenças infectocontagiosas, a saber: a Revolta da Vacina, Gripe 
Espanhola, Poliomielite, Meningite, AIDS, Dengue, Chikungunya, Zika até chegar à 
pandemia da COVID-19 que se agravou no país a partir de 2020 e que, por ser uma 
emergência em saúde pública, requer urgência na adoção de medidas de prevenção, de 
controle e de redução de riscos, de danos em circunstâncias epidemiológicas 
(ANDRADE; LOPES, 2021). 
Com a globalização, observou-se nos últimos anos um crescimento na 
disseminação dos agentes patológicos em todo o globo, como exemplos, os surtos de 
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - AIDS, Zika, Síndrome Respiratória Aguda 
Grave - SARS, Síndrome Respiratória do Oriente Médio - MERS e Ebola que 
despertaram um alerta no mundo devido à complexidade em conter essas doenças que 
tiveram enormes impactos nos campos da economia, da política, e do psicossocial 
25 
 
(Xiang et al.; 2020). Pesquisas conduzidas no decorrer dessas epidemias e também 
após, principalmente as denominadas SARS em 2003 e Ebola em 2014 revelaram o 
medo disseminado da população trazendo o aumento de sintomas como ansiedade, 
depressão, além do transtorno por estresse pós-traumático (SHUJA et al,. 2020; 
PERSON et al.; 2004). 
Ainda, Albuquerque et al.; (2020) ponderam que na última década, a emergência 
relacionada as doenças como a gripe aviária - Influenza A H5N1 em 2003, a SARS em 
2002, a Influenza A H1N1 em 2009 e a Zika em 2015 foram responsáveis por causar 
inúmeras dúvidas acerca da função da vigilância epidemiológica. A isso, refere-se que 
pandemias têm ocorrido com frequência e a OMS tem reconhecido, desde 2018, sobre a 
necessidade de um preparo frente ao surgimento de novos patógenos, como por 
exemplo, os vírus e bactérias, o que inclui as enfermidades vistas como desconhecidas 
no rol de prioridades na pesquisa e no desenvolvimento no quadro emergencial. 
Nesse contexto, os episódios de novos casos de doenças, de novos surtos eram 
aguardados pelas autoridades competentes, mas não era esperada que a pandemia que 
viria poderia ser a maior de todas, superando a Gripe Espanhola (ALBUQUERQUE; 
SILVA; ARAÚJO, 2020). Com a instalação da pandemia a nível global, a quarentena 
foi decretada mundialmente, incluindo o Brasil que teve seu primeiro diagnóstico 
confirmado da covid-19 em 26 de fevereiro de 2020. O caso confirmado foi de um 
paciente que havia retornado de uma viagem à Itália, epicentro do surto da doença, 
durante o período (HENRIQUES; VASCONCELOS, 2020). 
 
4.1.3 Medidas de prevenção no combate à pandemia da COVID-19 
 
As autoridades de saúde pública brasileiras recomendaram o distanciamento 
físico social como medida para evitar a propagação da pandemia da covid-19, desde o 
seu início e,entre outras medidas, o isolamento social das pessoas identificadas como 
casos confirmados da doença, a higiene das mãos e o uso de máscara protetora facial 
(LIMA et al.; 2022). Entretanto, o principal mecanismo para reduzir o número de casos 
confirmados e mortes pela doença foi o fechamento de forma total e/ou parcial de 
estabelecimentos com potencial para reunir um número significativo de pessoas. Esses 
26 
 
locais foram devidamente identificados como as escolas, faculdades e universidades, 
comércios considerados como serviços não essenciais à população e até fronteiras e o 
cancelamento de eventos públicos, isto é, qualquer local passível de aglomerações 
(LIMA et al.; 2022). 
Em março de 2020, devido a enorme possibilidade em surgir transmissões 
comunitárias do vírus, instaurou-se a medida de quarentena no Brasil tendo em vista 
que o isolamento físico social era a maneira tida como a mais efetiva na prevenção a 
pandemia da covid-19. A medida foi mais efetiva no momento, mas, não inócua para a 
nossa saúde mental tendo em vista que a condição de cerceamento de liberdade de 
movimento das pessoas pode acarretar malefícios à saúde mental devido a essa nova 
situação com mudança brusca na rotina de todos e, dessa forma, não é uma medida 
inofensiva. E na data de 17 de março de 2020, em decorrência do isolamento físico 
social, o Ministério da Educação aprova a substituição das aulas presenciais por aulas 
remotas emergenciais devido a grave crise pandêmica vivida desde o início deste ano. 
As aulas remotas emergenciais, realizadas no contexto do coronavírus seriam mediadas 
por tecnologias tendo em vista às medidas de afastamento social instauradas em todo o 
país e no mundo (BRASIL, 2020). 
Consoante às medidas de afastamento social, em março de 2020, como proposta 
de enfrentamento do novo coronavírus, entre elas, o fechamento das escolas com a 
consequente suspensão das aulas presenciais, essa medida, de acordo com Vazquez et 
al.; (2022), trouxe impactos: “Por se tratar da principal atividade da maioria dos jovens, 
a falta da escola afetou significativamente as relações de sociabilidade e as rotinas 
diárias por um longo período e de forma inédita, especialmente no Brasil” (p.305). 
As medidas de distanciamento social propostas desde 2020 pelos agentes da 
saúde têm impactado as relações que as pessoas mantêm entre si e seus respectivos 
locais de interação na comunidade. Perante a fase de propagação pandêmica, 
praticamente todas as atividades presenciais foram modificadas para o formato virtual e 
isso se deu de forma inesperada. Alguns serviços considerados essenciais tiveram sua 
funcionalidade de forma razoável enquanto outros não tiveram uma forma adaptável 
que se ajustasse as necessidades de todos os usuários, a saber: a suspensão das 
atividades presenciais de ensino de todos os estudantes e que a depender das 
27 
 
particularidades de cada instituição, houve a adoção de atividades escolares à distância 
(CRUZ et al.; 2022). 
Não somente os estudantes, o governo e toda a população tiveram de se 
enquadrar a esse novo ritmo de vida devido a grave situação pandêmica e instauração da 
quarentena, com a organização do trabalho em casa, o home office, com o comércio e as 
escolas fechadas, passando a funcionar somente os serviços essenciais (LUNARDI, 
2021 apud GANDRA, 2020; QUEIROGA, 2020; VERCELLI, 2020). Por meio da crise 
pandêmica, novas crises também foram instauradas, a saber: econômicas, psicológicas, 
educacionais e em diversos sentidos da vida humana, devido a todas as mudanças 
ocorridas e de forma obrigatória, bruscas (ALVES, 2020). 
Segundo a OMS (2022), as informações obtidas no resumo científico acerca dos 
impactos da covid-19 na saúde mental do mundo são consideradas somente “a ponta do 
iceberg”, ressaltando que este se constitui como um alerta para que todos os países 
possam dedicar mais atenção à saúde mental e desenvolver um atendimento melhor, de 
apoio e contribuição à saúde mental da população. Esse aumento decorre do sintoma de 
estresse considerado sem precedentes e ocasionado pelo isolamento social a que a 
população foi exposta por um longo tempo em decorrência da pandemia da covid-19. 
Além disso, as restrições impostas como medidas de contenção da doença, como a 
capacidade dos indivíduos desenvolverem seus ofícios, a procura de apoio dos 
familiares e envolvimento em seus grupos. A solidão vivida pelas pessoas, o medo de 
contágio da doença, a dor e o sofrimento de entes queridos, o luto e preocupações em 
torno da questão financeira são exemplos de estressores que também foram 
mencionados na pesquisa. Esses múltiplos fatores de estresse conduzem aos sintomas de 
ansiedade e de depressão. 
A Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS (2022) desenvolveu uma 
pesquisa em que foram apresentados dados atribuídos a um resumo científico de que no 
primeiro ano da pandemia da covid-19 foi desencadeado um aumento de 25% na 
prevalência global dos sintomas de ansiedade e de depressão em todo o mundo. Com 
base nesses dados, a OMS (2022) faz um alerta para a intensificação dos serviços de 
saúde e de apoio à saúde mental da população por todos os países. O resumo científico 
também aponta quem foi mais afetado e preconiza as consequências da pandemia da 
covid-19 no quesito de disponibilidade de serviços de saúde mental e como isso foi 
28 
 
alterado durante a emergência de saúde pública. Segundo a OMS, preocupações com 
prováveis crescimentos dessas condições conduziram o equivalente a 90% dos países 
observados para a inclusão de serviços de saúde mental e apoio psicossocial em seus 
planos de resposta à pandemia da covid-19, porém, há o predomínio de enormes lacunas 
e apreensões sobre essa questão tão emergente e preocupante. 
Outro estudo realizado pela OMS (2020) retrata que a OPAS fez um alerta de 
que a pandemia da covid-19 pode contribuir para o aumento dos fatores de risco para o 
suicídio. O objetivo do alerta foi de que mesmo com o distanciamento físico social, as 
pessoas poderiam continuar conectadas com seus entes queridos e amigos com o intuito 
principalmente de identificar os sinais de alerta para os potenciais riscos que a pandemia 
da covid-19 trouxe para toda a população. De acordo com a pesquisa, o coronavírus está 
comprometendo a saúde mental de muitas pessoas e pesquisas recentes apontaram um 
crescimento nos sintomas de angústia, ansiedade e depressão. O chefe de Saúde Mental 
e Abuso de Substâncias da OPAS, destaca que os efeitos da doença do novo coronavírus 
possivelmente “afetou o bem-estar mental de todos”. Dessa forma, torna-se fundamental 
o cuidado com a saúde mental, estar atento aos sinais de alerta que podem corresponder 
ao risco de suicídio além da importância da manutenção dos vínculos sociais. 
 
4.1.4 Crises dentro da crise pandêmica 
 
Em vários estados no país e no DF, em consonância com a Portaria Conjunta N0 
12, de 28 de outubro de 2021, que dispõe sobre as medidas de prevenção, 
monitoramento e controle da COVID-19 nas unidades escolares da Rede Pública de 
Ensino do Distrito Federal, as aulas nas escolas públicas foram retomadas, mas, de 
forma remota no segundo semestre de 2020. Já as aulas presenciais, foram retomadas de 
forma gradual no DF, somente no segundo semestre de 2021. Dessa forma, os 
estudantes passaram um tempo extenso de isolamento social e, também, dos vínculos 
afetivos com os colegas da escola, professores e amigos. 
Nesse período de isolamento social ocorreu, segundo Vazquez et al.; (2022) a 
suspensão das rotinas fundamentais no que se refere principalmente ao estudo e ao lazer 
e isso em uma fase da vida em que as atividades de cunho social são visivelmente mais 
29 
 
profundas e, além disso, o crescimento dos danos à saúde mental em um período em que 
as fragilidades emocionais encontram-se exacerbadas. Em Rodrigues et al.; (2020) 
temos que a medida emergencial preventivaadequada a proteção da saúde, bem como, 
salvar vidas, como a quarentena e o isolamento físico social, podem acarretar vários 
sintomas denominados psicopatológicos, como por exemplo, alterações no humor 
apresentando humor deprimido, irritabilidade, insônia, ansiedade, temor, fúria, estresse 
pós-traumático, confusão mental, dentre outros sintomas inerentes ao estado que o 
cerceamento da liberdade pode desencadear na população. 
Com a medida preventiva obrigatória que consistiu no fechamento total das 
escolas, esse ambiente que propicia a interação social e, que muitas vezes, constitui-se 
como único meio a que os jovens têm acesso, deixou de existir na vida dos estudantes 
impactando no seu desenvolvimento social como indivíduo, em seu aspecto afetivo-
emocional no processo de amadurecimento, no modo de se integrar as suas próprias 
experiências, suas particularidades, no seu aspecto social, na forma como o indivíduo 
reage perante situações que envolvem o outro, em grupos (BOCK; FURTADO; 
TEIXEIRA, 2001), no seu bem-estar, bem como, no seu desenvolvimento cognitivo 
tendo em vista as mudanças ocorridas na forma do ensino e aprendizagem. 
Estudantes adolescentes são indivíduos em processo de transformação e faz-se 
necessária a compreensão de suas necessidades, as peculiaridades inerentes a essa fase 
de desenvolvimento. É preciso dar voz a esses estudantes, entender seus anseios, refletir 
sobre possíveis formas de cuidado haja vista os comportamentos na saúde mental. 
Para muitos estudantes, as escolas são vistas não apenas como um espaço para o 
aprendizado, mas como um local que possibilita a convivência com o outro, um lugar 
para encontrar os amigos, para que estes possam se socializar (VAZQUEZ et al.; 2022). 
Adolescentes e jovens formam aproximadamente 37% da população nacional e 
expõem um período do ciclo vital considerado saudável e em que danos derivam de 
causas culturais e sociais, que tendem a ampliar a questão da vulnerabilidade desse 
grupo no que tange aos direitos e oportunidades (COSTA et al.; 2021). Ávila et al.; 
(2021) apud Friedman, (1994) ponderam que é nesse período da adolescência que 
surgem transformações de cunho emocional que são relevantes para o sujeito, a saber: a 
formação da autoestima e da autocrítica, indagações sobre os valores dos pais e dos 
adultos, de forma geral. É nessa fase da adolescência que compreendem as descobertas 
30 
 
entre a infância e a idade adulta em que o adolescente não é adulto ainda e, portanto, 
não é recomendável assumir responsabilidades de uma vida adulta, mas, também não é 
mais criança. Constitui-se como um sujeito em formação, na constituição de sua 
identidade e disso decorrem mudanças psicológicas consideráveis além de mudanças 
neuroendócrinas, cerebrais e mudanças físicas. Segundo Winnicott (2005), “esta é uma 
fase que precisa ser efetivamente vivida, e é essencialmente uma fase de descoberta 
pessoal” (p.70). 
Ressalta-se a importância de perceber os estudantes adolescentes na sociedade e 
considerando que eles compreendem uma parte expressiva da população brasileira, o 
processo de formação de sua identidade, o adolescer é fundamental e gera implicações 
para a geração seguinte, a de adultos. É primordial tecer estratégias que inviabilizem o 
adoecimento psíquico desses estudantes para que possam se desenvolver efetivamente e 
serem futuros adultos conscientes, integrados em seu meio, na sociedade da qual 
pertencem. Analisar as implicações do período pandêmico na saúde mental dos 
estudantes com a meta de prevenção, bem como, da diminuição de seus efeitos tanto na 
vida acadêmica quanto na vida pessoal destes (COSTA et al.; 2021). 
 
4.2 SAÚDE MENTAL 
 
4.2.1 Saúde e doença 
 
Saúde compreende tanto o bem-estar físico como o psicológico e social, assim 
como conceitua Straub (2014) acerca da saúde que envolve uma condição de completo 
bem-estar na ordem física, mental e social. O autor esclarece sobre questões inerentes à 
saúde e doença exemplificando que não obstante todas as civilizações terem sido 
atingidas por doenças, cada uma delas entendia e abordava a doença de maneiras 
distintas. No período pré-histórico, por exemplo, pensava-se que os demônios fossem as 
causas do surgimento das doenças. Já na Idade Média (476-1450), as pessoas 
acreditavam que as causas das doenças constituíam formas de punição devido a 
fraquezas de cunho neural. Compreender a história nos auxilia a entender em como as 
questões relacionadas à saúde e doença são tratadas atualmente, ao considerar como as 
nossas percepções acerca dessas temáticas foram modificadas ao longo dos anos. 
31 
 
Os esforços para tratar doenças advêm da medicina pré-histórica, datada de 20 
mil anos. E aproximadamente 4 mil anos atrás, algumas populações tiveram a percepção 
da importância de bons hábitos de higiene para a preservação da saúde, entendendo que 
a higiene exercia uma função na saúde e na doença e, assim, fizeram tentativas de 
melhorias na higiene de ordem pública, como por exemplo, os egípcios que faziam 
rituais de limpeza para evitar que vermes geradores de doenças pudessem infestar o 
corpo. Já na Mesopotâmia, produzia-se sabão e delineavam-se disposições sanitárias e 
instalavam-se sistemas públicos para o tratamento de esgotos (STONE, COHEN & 
ADLER, 1979 apud STRAUB 2014). 
Foi na Grécia e em Roma que os avanços em saúde pública e saneamento foram 
mais significativos, mais precisamente nos séculos V e VI a.C. Em Roma, um enorme 
sistema de drenagem, denominada Cloaca Maxima, foi edificada com o intuito de 
drenar um pântano, que posteriormente designou-se como o Fórum Romano. Com o 
passar do tempo, a Cloaca tornou-se um sistema contemporâneo de esgotamento 
sanitário e banheiros públicos tornavam-se comuns em meados do século I d.C. em 
Roma. Outras modificações também foram desenvolvidas em Roma, como por 
exemplo, o primeiro aqueduto, responsável por trazer água pura no ano de 312 a.C. e a 
limpeza dos locais públicos era supervisionada por uma equipe de oficiais que também 
controlava o fornecimento de alimentos. Essa equipe era responsável por criar regras 
que visavam assegurar que carnes e outros alimentos considerados perecíveis 
estivessem frescos e estabeleciam também o armazenamento de enormes quantias de 
grãos para prevenção da fome (CARTWRIGHT, 1979 apud STRAUB, 2014). 
Em consonância com os estudos de Straub (2014), a saúde e a doença são 
acontecimentos fundamentalmente de cunho biológico. Dessa forma, o entendimento 
dos sistemas físicos do corpo se faz indispensável para compreendermos o quanto os 
bons hábitos auxiliam na prevenção de doenças e na promoção do bem-estar. Em 
contrapartida, os maus hábitos fazem o oposto. 
 
4.2.2 A depressão 
Dalgalarrondo (2019) relata que Jean Staronbinski (1920-2019), considerado um 
dos mais notáveis historiadores da psicopatologia, nos instrui acerca do personagem 
32 
 
Belerofonte que sofre de uma grave tristeza, a melancolia, no século VIII a.C., na Ilíada, 
poema épico da Grécia antiga, tendo em vista que “[...] objeto de ódio para os deuses, 
ele vagava só na planície de Aleia, o coração devorado de tristeza, evitando os vestígios 
dos homens” (Ilíada, versos 200-3). Ainda na Grécia antiga, mas séculos depois, 
Hipócrates (460 a.C. -370ª.C.), dizia: “Quando o medo e a tristeza persistem por muito 
tempo, constituem a melancolia” (Hipócrates, Aforismos, VI, 23, p. 147). Em 
Starobinski, (2016) apud Dalgalarrondo (2019), temos que na Idade Média, de igual 
modo, filhos de Saturno e os atingidos pelo pecado da acedia, eram também 
considerados como melancólicos. A história remonta que o período do renascimento é 
classificado como a “idade de ouro da melancolia” e, além disso, o sentimento 
melancólico também fez parte do período do romantismo nos séculos XVIII e XIX. 
Dessa forma, a depressão é reconhecida desde a Antiguidade, apenas alterando suas 
feiçõesconforme a época e a cultura, sem deixar de seguir de perto a vida dos seres 
humanos. 
Santos & Nascimento (2023) conceituam a depressão como um transtorno que 
ocasiona transformações no campo social, psicológico, fisiológico e biológico e que 
indivíduos que recebem o diagnóstico de depressão manifestam implicações no 
funcionamento psicossocial, na saúde física, mortalidade e na qualidade de vida. O 
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5 conceitua que o 
Transtorno Depressivo Maior, comumente denominado de depressão, possui 
características específicas que podem comprometer a capacidade da pessoa funcionar. A 
pessoa acometida com esse transtorno apresenta o humor triste, vago, irritável e vem 
rodeado de alterações de cunho somático e cognitivo. A seção do DSM-5 acerca dos 
transtornos de humor abrange a depressão e o transtorno bipolar e de acordo com Norris 
(2021), os índices de transtornos de humor são mais altos entre os indivíduos que 
residem na ou às margens da pobreza. 
Em Boas et al.; (2019) e Pitssilou et al., (2020) têm-se que a teoria 
monoaminérgica pressupõe que a depleção de neurotransmissores entre as sinapses é a 
responsável pelas alterações no humor. Nesse âmbito, Norris (2021) descreve que os 
distúrbios neurológicos do sistema límbico e dos núcleos da base do mesmo modo estão 
implicados no desenvolvimento de transtornos de humor. Associa-se disfunção de 
neurotransmissores à depressão em decorrência de um desequilíbrio de 5-HT - receptor 
33 
 
de serotonina e/ou adrenalina. Estudos atuais também atribuem à dopamina aos 
transtornos depressivos. 
Diversos estudos ao longo dos anos destacam a prevalência da depressão no 
Brasil e no mundo nas pessoas diagnosticadas com esse transtorno, a saber: uma 
pesquisa no Brasil na cidade de São Paulo, Andrade et al., (2002), destacam os achados 
correspondentes ao quantitativo de 1.464 pessoas a partir dos 18 anos de idade que 
nessa época, no ano de 2002, já apresentavam predominância de depressão na vida de 
17% do total. Ribeiro et al., (2013), em outro estudo ainda no Brasil, apresentou dados 
das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, nos anos de 2007 e 2008, com 3.744 pessoas 
participantes na faixa etária entre 15 e 75 anos, em que foram localizados a 
predominância de depressão na vida de 17,4% no Rio de Janeiro e de 19,9% em São 
Paulo. Para computar a amostra, foi utilizado o instrumento denominado Composite 
International Diagnostic Interview - CIDI. 
Nos estudos de Ferrari et al., (2013); Lam et al., (2016), são delineados que o 
predomínio pontual da depressão maior seja estimada em torno de 4,4 a 4,7% no 
mundo, e ainda, de 3,0 a 6,6% nos últimos doze meses, e de até 16,25 a prevalência na 
vida, sendo considerada baixa, aproximadamente 5% nos países como Taiwan, China e 
Japão e considerada alta, sendo mais de 15% nos Estados Unidos, na França e na 
Holanda. 
Outro estudo datado do ano de 2013 do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística - IBGE teve a participação de 49.025 pessoas adultas sendo entrevistadas em 
69.954 domicílios com o uso do instrumento intitulado Patient Health Questionnaire-9 
- PHQ-9 na identificação da depressão pela epidemióloga da Universidade Estadual de 
Campinas - Unicamp, (BARROS et al.; 2017). Nesse estudo foi identificado que no 
período estabelecido de duas últimas semanas à realização da amostra, 9,7% das pessoas 
entrevistadas tinham manifestado algum quadro considerado depressivo, sendo 3,9% de 
depressão maior e 21% dos entrevistados descreveram humor depressivo. Ainda, 34,9% 
das pessoas do estudo apresentaram um quadro de humor depressivo por um período 
maior que sete dias e 7,2% das pessoas foram diagnosticadas com depressão, em 
alguma fase da vida. Dessa forma, de acordo com os achados relativos ao Brasil, 
provavelmente os índices são superiores para depressão maior, observando o panorama 
internacional. 
34 
 
Em todo o mundo, a depressão atingiu o patamar no ano de 2010 de 
aproximadamente 298 milhões de pessoas e, destas, as mulheres representam o 
quantitativo de 187 milhões, segundo Kessler et al., (2007); Ferrari et al., (2013). A 
OMS caracteriza a depressão como uma das principais causas do que é identificado 
como “anos vividos com incapacidades” - YLDs, years lived with disability e “perda de 
anos em termos de morte prematura e perda de anos de vida produtiva” - DALY 
Disability Adjusted Life Years. No ano de 2010, a DALY correlacionada à depressão, foi 
associada a aproximadamente 16 milhões de suicídios, ainda de acordo com Ferrari et 
al., (2013). Assim, a depressão é responsável por um impacto relevante na saúde física e 
mental das pessoas acometidas por esta doença e na qualidade de vida destas. 
Pesquisas de cunho epidemiológico em Bolton et al., (2010) apud Dalgalarrondo 
(2019), retratam a preocupante realidade de tentativa de suicídio de 15 a 40% das 
pessoas com depressão maior. Achados de suicídios completos despontam o percentual 
de que 60% de todos eles são concretizados por pessoas depressivas, isto é, ser 
acometido pela doença desencadeia em até 20 vezes o risco de consumação do suicídio. 
Del Pino, (2003) apud Dalgalarrondo (2019), conceitua que as síndromes depressivas, 
em se tratando da visão psicopatológica, têm o humor triste como componentes mais 
marcantes e o desânimo no campo volitivo. Sentimentos de tristeza e desânimo são 
considerados mais penosos e resistentes quando se trata da doença depressão em 
comparação com situações naturais de tristeza que acontecem no decorrer da vida. 
Segundo dados da OMS (2023), até o ano 2020 a depressão estaria no rol da 
principal doença mais dominante em todo o mundo. Dados atuais revelam que mais de 
120 milhões de pessoas são acometidas com a doença depressão em todo o mundo e no 
Brasil esse quantitativo é de mais de 17 milhões. Estudos revelam que 
aproximadamente 850 mil pessoas perdem a vida ao ano em decorrência do 
desenvolvimento de quadros graves da depressão. A OMS ainda enfatiza que além da 
doença ser considerada como um dos distúrbios mais predominantes em todo o mundo, 
a forma de prevenção e tratamento é inconstante devido aos mais diversos casos, bem 
como, níveis de gravidades, e em alguns casos, o próprio indivíduo rejeita o diagnóstico 
e se esquiva do tratamento e, dessa forma, torna-se inviável a conservação de sua saúde 
desencadeando em um enorme desafio a ser resolvido (PARAMI, 2021). 
35 
 
Na tabela de Kupfer et al., (2012); Singh; Gotlib, (2014) apud Dalgalarrondo, 
(2019) a seguir, temos a exposição completa de uma síntese dos conjuntos de sinais e 
sintomas conforme o campo psicopatológico. 
Tabela 1 
Sintomas das síndromes depressivas nas diferentes esferas psicopatológicas 
Sintomas afetivos e de humor Alterações da volução e da 
psicomotricidade 
§ Tristeza, sentimento de melancolia, na 
maior parte do dia, todos ou quase 
todos os dias; 
§ Choro fácil e/ou frequente; 
§ Apatia (indiferença afetiva: “tanto faz 
como tanto fez”), na maior parte do 
dia, todos ou quase todos os dias; 
§ Sentimento de falta de sentimento (“É 
terrível: não consigo sentir mais 
nada!”); 
§ Sentimento de tédio, de aborrecimento 
crônico; 
§ Irritabilidade aumentada (a ruídos, 
pessoas, vozes, etc.), na maior parte do 
dia, todos ou quase todos os dias; 
São frequentes também: 
§ Angústia; 
§ Ansiedade; 
§ Desespero; 
§ Desesperança. 
§ Desânimo, diminuição da vontade 
(hipobulia: “não tenho pique para mais 
nada”); 
§ Anedonia (incapacidade de sentir 
prazer em várias esferas da vida, como 
alimentação, sexo, amizades); 
§ Tendência a permanecer quieto na 
cama, por todo o dia (com o quarto 
escuro, recusando visitas); 
§ Aumento na latência entre as 
perguntas e as respostas; 
§ Lentificação psicomotora (pode 
progredir até o estupor/catatonia; 
§ Estupor/catatonia; 
§ Diminuição da fala, fala em tom 
baixo, lenta,e aumento da latência 
entre perguntas e respostas; 
§ Mutismo (negativismo verbal 
completo); 
§ Negativismo (recusa à alimentação, à 
interação pessoal, etc.); 
 
 
 
36 
 
Alterações ideativas Alterações da esfera instintiva e 
neurovegetativa 
§ Ideação negativa, pessimismo em 
relação a tudo; 
§ Ideias de arrependimento e de culpa; 
§ Ruminações com mágoas atuais e 
antigas; 
§ Visão de mundo marcada pelo tédio: 
(“A vida é vazia, sem sentido, nada 
vale a pena”); 
§ Realismo depressivo: inferências 
sobre a vida mais realistas e 
pessimistas em relação a pessoas sem 
depressão, sendo que estas tenderiam a 
apresentar um viés positivo de 
avaliação da realidade; 
§ Ideias de morte, desejo de 
desaparecer, dormir para sempre; 
§ Ideação, planos ou atos suicidas. 
§ Fadiga, cansaço fácil e constante 
(sente o corpo pesado); 
§ Insônia ou hipersonia; 
§ Diminuição ou aumento do apetite; 
§ Constipação, palidez, pele fria com 
diminuição do turgor; 
§ Diminuição da libido (do desejo 
sexual); 
§ Diminuição da resposta sexual 
(disfunção erétil, orgasmo retardado 
ou anorgasmia). 
 
Alterações da autovalorização Alterações cognitivas 
§ Autoestima diminuída; 
§ Sentimento de insuficiência, de 
incapacidade; 
§ Sentimento de vergonha; 
§ Autodepreciação. 
§ Déficit de atenção e concentração; 
§ Déficit secundário de memória; 
§ Dificuldade de tomar decisões; 
§ Pseudodemência depressiva. 
 
 
 
 
 
37 
 
Perdas e depressão 
Sintomas psicóticos Alguns aspectos neurobiológicos da 
depressão 
§ Ideias delirantes de conteúdo negativo: 
o Delírio de ruína ou miséria; 
o Delírio de culpa; 
o Delírio hipocondríaco e/ou de 
negação de órgãos e partes do corpo; 
o Delírio de inexistência (de si e/ou do 
mundo). 
§ Alucinações, geralmente auditivas, com 
conteúdos depressivos; 
§ Ilusões auditivas ou visuais; 
§ Ideação paranóide e outros sintomas 
psicóticos humor-incongruentes (delírio 
de perseguição, quando presente, pode 
revelar que, de algum modo, a pessoa 
“mereceria” ser perseguida e punida). 
Alterações estruturais do cérebro 
§ Redução do volume do hipocampo 
(que se associa a formas mais 
graves de depressão); 
§ Redução de área cinzenta em: 
cíngulo anterior, striatum, ínsula, 
amígdala e córtex pré-frontal. 
Alterações funcionais do cérebro 
§ Alterações em circuitos pré-frontal-
límbicos, modulados por 
serotonina, e circuitos striatum-
frontais, modulados por dopamina; 
§ Aumento de atividade em sistemas 
neurais de base para o 
processamento de emoções 
(amígdala e córtex pré-frontal) e 
redução em sistemas neurais de 
apoio à regulação de emoções 
(córtex pré-frontal dorsolateral). 
Fontes: Kupfer et al.; (2012); Singh; Gotlib, (2014) apud Dalgalarrondo, (2019). 
 
4.2.3 A ansiedade 
 
De acordo com dados da OMS (2022), o Brasil é considerado o país com mais 
casos de ansiedade no mundo e conforme descrições de especialistas há casos em que 
alguns sinais e sintomas podem não ser somente um desconforto eventual e sim um 
transtorno de ansiedade e, nesses casos, classifica-se como uma doença que requer 
tratamento e acompanhamento médico especializado. Sentir-se com o coração acelerado 
perante uma avaliação, nervosismo, inquietação por ter de apresentar algo importante, 
38 
 
se sentir ansioso, são exemplos de respostas naturais e temporais do organismo humano 
frente a momentos de estresse que foge da rotina habitual que um indivíduo está 
acostumado. Mas, nem sempre esses sinais e sintomas são considerados temporários e a 
condições adequadas aos fatos que causam apreensão. 
Segundo estudos da OMS, no ano de 2019, 18,6 milhões de brasileiros 
conviviam com o transtorno de ansiedade, isto é, cerca de 10% da população. Com 
esses dados alarmantes, a coordenação do Centro de Estudos do Instituto de Psiquiatria 
da Universidade Federal do Rio de Janeiro - IPUB-UFRJ, explica quando os sintomas 
de ansiedade não despontam mais como um efeito normal e despertam o alerta de que 
algo não vai bem. Assim, destaca-se a diferença entre ansiedade comum para a 
ansiedade patológica. A ansiedade normal se caracteriza como aquela em que todos nós 
podemos apresentar em algum momento do nosso cotidiano. Porém, o transtorno de 
ansiedade é aquele que limita o dia a dia das pessoas, a saber: a pessoa acometida pela 
doença pode não conseguir desenvolver suas atividades cotidianas como estudar e 
trabalhar e, além disso, apresenta o sofrimento de cunho físico e psíquico de forma mais 
profunda e os sintomas apresentados não são fundamentalmente pautados a uma questão 
específica. 
Dessa forma, a pesquisa da OMS destaca que os sintomas do transtorno de 
ansiedade podem variar de pessoa para pessoa, entretanto, podem ser manifestados de 
maneira similar ao de sintomas de ansiedade considerados comuns do dia a dia. Na 
ansiedade patológica, a propensão é de que os sintomas tenham uma duração mais 
prolongada e se constituam de forma mais intensa e ademais, os sintomas podem surgir 
sem que ocorra uma motivação para isso. Com a ansiedade comum do dia a dia, os 
sintomas perduram somente algumas horas e tendem a sumir com a remoção do 
estímulo responsável por incitar a situação de desconforto. 
Conforme dados apresentados por Somers et al.; (2006); Kessler et al.; (2007) & 
Remes et al., (2016), no mundo, as síndromes ansiosas são responsáveis por retratar os 
transtornos mentais mais constantes manifestando uma predominância na vida da 
pessoas acometida pela doença de aproximadamente 17 a 30%. No Brasil, Andrade et 
al., (2012); Ribeiro et al., (2013) ponderam que achados epidemiológicos registrados 
nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro despontaram ao menos um transtorno de 
ansiedade e/ou de fobias no período dos últimos doze meses da pesquisa e essa amostra 
39 
 
foi de 18,8 a 20,8% das pessoas e ao menos uma incidência na vida em 27,7 a 30,8% da 
população. 
Em Hollander; Simeon, (2004) apud Dalgalarrondo (2019), evidencia-se que as 
síndromes ansiosas são agrupadas de duas formas, a saber: transtorno de ansiedade 
generalizada - TAG e os transtornos de pânico. A tabela a seguir sintetiza os principais 
elementos que compõem esses dois tipos de transtorno, de acordo com o Manual 
diagnóstico e estatístico de transtornos mentais - DSM-5 e a Classificação Internacional 
de Doenças e problemas relacionados à saúde - CID-11. 
Tabela 2 
Critérios diagnósticos para os transtornos de ansiedade segundo o DSM-5 e a 
CID-11 
Transtorno de ansiedade generalizada 
TAG 
Ataque de pânico e transtorno de 
pânico 
§ Ansiedade, apreensão e preocupações 
excessivas na maioria dos dias, por 
muitos meses (no DSM-5, pelo menos 
seis meses), em diferentes atividades e 
eventos da vida. Além disso, a pessoa 
considera difícil controlar a 
preocupação e a ansiedade; 
§ A ansiedade e a preocupação estão 
associadas a pelo menos mais três dos 
seguintes sintomas: 
o inquietação ou sensação de estar “com 
os nervos à flor da pele”; 
o cansaço fácil, fatigabilidade; 
o dificuldade de concentrar-se; 
o irritabilidade, “pavio curto”; 
o tensão muscular, dificuldade de 
relaxar; 
o alteração do sono (dificuldade de 
pegar no sono ou mantê-lo). 
Ataque de pânico 
§ Crises de ansiedade, de intenso 
desconforto ou de sensação de medo 
que alcançam um pico em minutos 
(geralmente não duram mais que meia 
ou uma hora), com pelo menos quatro 
dos seguintes critérios: 
o palpitações ou taquicardia; 
o sensação de falta de ar, desconforto 
respiratório; 
o sensação de asfixia ou de estar 
sufocando; 
o suor de mãos, pés, face, geralmente 
frio; 
o medo de perder o controle ou 
enlouquecer; 
o medo de morrer, de ter um ataque 
cardíaco; 
o tremores ou abalos; 
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§ O foco da ansiedade ou preocupação 
não é decorrente de outro transtorno 
mental (como medo de ter crises de 
pânico, ser contaminado – no caso de 
TOC -, ganhar peso

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