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Jorge Bernardi - Processo Legislativo Brasileiro - Pesquisável - Ano 2009

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contribuído o pequeno núme­
ro de projetos que tramitam nas câmaras municipais e também o
número limitado de vereadores. Saliente-se que, na grande maioria 
dos cinco mil, 6.652 municípios brasileiros, suas respectivas câ­
maras contam apenas com nove vereadores.
I Medidas provisórias
As medidas provisórias (art. 62. CF) são atos emanados do Poder 
Executivo com força de lei destinada a norrnatizar matérias em si­
tuações de relevância e que exijam urgência. Uma vez emitida a 
medida provisória, esta deverá imediatamente ser encaminhada ao 
Legislativo para que este. no prazo máximo de 120 dias, a transfor­
me em lei, sob pena de perder seus efeitos.
Lembra Roque Antonio Carrazza (2000, p. 240-242) que a me­
dida provisória é um ato administrativo I a l o s e n s u , com carac­
terísticas de lei, emanado do chefe do Executivo; mas, apesar disso, 
uma vez editado, esse mesmo ato fica sobre o abrigo do Legislativo 
até a sua deliberação final.
Para Silva (2005, p. 452), as “medidas provisórias são atos de 
governo provenientes do exercício das funções co-legislativas do 
Poder Executivo”. No entanto, o autor acrescenta que isso não é o 
suficiente, já que, se elas possuem força de lei, isso significa que são 
leis no sentido material, tornando-se leis também no sentido formal 
quando forem assim transformadas pelo Congresso Nacional.
A medida provisória, adotada no Brasil a partir da Constituição 
de 1988, inspira-se na Constituição da Itália, que adota o regime 
parlamentarista, na qual existe o d e c re I o - l egge i n c as i 
s t rao r d i n a r i d i nece $ s i t à e d ' urge n za , ou seja. 
decreto-lei em caso extraordinário dc necessidade e urgência.
Não há restrição constitucional para que os demais entes fede­
rativos (União, estados/Distrito Federal e municípios) possam pre­
ver cm seu processo legislativo a adoção dc medidas provisórias. 
Inclusive nas situações em que o STF se manifestou sobre o assunto.
este reconheceu o direito de estados e municípios emitirem medi­
das provisórias, desde que estejam previstas expressamente nas 
suas respectivas constituições e leis orgânicas.
A doutrina também reconhece que essa capacidade de os es- 
tados/Distrito Federal c municípios emitirem medidas provisórias 
deve constar no processo legislativo federal, estadual e munici­
pal, pelo princípio da simetria. 0 fato de não haver proibição na 
Constituição Federal atual, tal como havia em nossa Constituição 
anterior, no que diz respeito aos estados adotarem o decreto-lei, 
abre margem para interpretarmos que não existe nenhum impedi­
mento no que concerne a tal adoção.
Porém, são poucos os estados e municípios que assim o fazem. No 
entanto, as medidas provisórias são muito utilizadas pelo Governo 
Federal. Estados que preveem tais medidas provisórias cm suas 
constituições são: Santa Catarina, Tocantins e Acre. O município de 
Campinas, em São Paulo, também possui a possibilidade de medida 
provisória cm seu processo legislativo, segundo o art. 38, inciso IV, 
da Lei Orgânica de Campinas.
Pode-se ainda dizer que as medidas provisórias vieram substi­
tuir os decretos-leis adotados 1 1 0 ordenamento jurídico anterior, ou 
seja, no período militar. Os decretos-leis surgiram na Constituição 
de 1937, sendo extintos com a Constituição de 1946 e posterior­
mente ressuscitados pela Constituição dc 1967. Ao contrário das 
medidas provisórias, se não houvesse deliberação 1 1 0 prazo de 60 
dias, o decreto-lei tinha seu texto aprovado por decurso de prazo.
Ainda em relação ao decreto-lei, o Congresso Nacional não po­
deria emendá-lo. Se fosse rejeitado pelo Congresso, não haveria nu-
1 idade dos atos praticados durante a sua vigência. O presidente da 
República, segundo o disposto no art. 55, incisos I, II c III da EC 
n° 1/1969, poderia baixá-los em casos de urgência ou de interesse 
público relevante, desde que não houvesse aumento de despesa 
c sobre as matérias relativas à segurança nacional, às finanças
públicas, incluindo normas tributárias, criação de cargos e fixação 
dc vencimentos (art. 55, CF/1969 - Emenda Constitucional n° 1).
As medidas provisórias se caracterizam pelo prazo de vida de 
que dispõem para serem transformadas em lei, no caso federal, pelo 
Congresso Nacional, perdendo a sua validade caso isso não ocorra. 
Para que o presidente da República (Poder Executivo) possa baixar 
uma medida provisória, devem estar presentes dois pressupostos 
constitucionais indispensáveis: a relevância c a urgência, sem os 
quais o ato se torna inconstitucional.
A relevância significa que a situação é importante, de grande 
valor, c que a adoção da medida provisória trará vantagem à socie­
dade como um todo. 0 fato de ser urgente aponta para algo que é 
imperativo, necessário, imprescindível; ou seja, se a medida não for 
tomada naquele momento, tal resolução causará prejuízos a toda a 
sociedade.
0 instituto da medida provisória sofreu uma profunda revisão 
com a EC n° 32/2001, que acrescentou vários parágrafos ao art. 62 
da Constituição, uma vez que, pela norma anterior, as medidas pro­
visórias poderiam ser reeditadas indefinidamente e nem sempre o 
presidente da República levava em consideração os pressupostos 
da relevância e da urgência.
A partir dessa emenda, o Congresso Nacional passou a ques­
tionar os pressupostos dc relevância c urgência c o STF também 
avocou a competência do controle jurisdicional em caso de abuso 
presidencial na edição de medidas provisórias.
As medidas provisórias são proibidas para matérias relativas 
(art. 62, § 1°, CF), que tratam de nacionalidade, de cidadania, de 
direitos políticos, de partidos políticos e de direito eleitoral; de ma­
teriais relativos ao direito penal, ao direito processual penal c ao 
direito processual civil; sobre a organização do Poder Judiciário e 
do Ministério Público, assim como no que diz respeito à carreira e 
à garantia de seus membros; e ainda dos planos plurianuais, das
diretrizes orçamentárias, do orçamento e dos créditos adicionais e 
suplementares, ressalvado os casos dc guerra, comoção interna ou 
calamidade pública (art. 167, § 3o, CF), e o que vise à detenção ou 
seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo 
financeiro (art. 62, II, CF).
Também são proibidas medidas provisórias cuja disciplina é des­
tinada pela Constituição a uma dada lei complementar e, ainda, as 
já disciplinadas em projeto dc lei aprovado pelo Congresso Nacional 
e pendente de sanção ou veto do presidente da República.
F vedada também a criação de medidas provisórias que impli­
quem a instituição ou majoração dc impostos federais previstos no 
art. 153, incisos 1, II, IV, V, e no art. 154, inciso II. da CF, ou seja: 
do imposto de importação de produtos estrangeiros; do imposto de 
exportação, para o exterior, dc produtos nacionais ou nacionaliza­
dos; de produtos industrializados; de operações de crédito, câmbio e 
seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; e, ainda, na imi­
nência ou no caso dc guerra externa, dc impostos extraordinários.
Porém, é possível a adoção de medidas provisórias que tratam do 
Imposto de Renda e proventos de qualquer natureza, sobre proprie­
dade territorial e rural, bem como sobre grandes fortunas. Nessas 
situações, o imposto, conforme o art. 62, § 2°, da CF, “só produzirá 
efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida 
cm lei até o último dia daquele cm que foi editada”.
A crítica de Silva (2005, p. 453) sobre a possibilidade de medida 
provisória em matéria tributária está no fato de que a Constituição 
adotou o princípio da “anterioridade da lei tributária em face do 
exercício financeiro