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Resumo Direito Administrativo
Aula 1 de direito administrativo
1) Noções Introdutórias
1.1 O Estado e sua Organização
O Estado surge da necessidade de cooperação para atender aos interesses individuais.
Pessoa jurídica: Entidade com direitos e obrigações.
Classificação das Pessoas Jurídicas:
Tipo Exemplos
Direito Privado Associações, sociedades, fundações 
privadas, organizações religiosas, partidos 
políticos, empresas individuais de 
responsabilidade limitada
Direito Público Externo Estados estrangeiros, pessoas regidas pelo 
direito internacional público
Direito Público Interno União, Estados, DF, Territórios, Municípios, 
Autarquias, Fundações Públicas
Elementos do Estado:
Povo
Território
Governo Soberano
Formas de Estado:
Tipo Características
Unitário Poder centralizado
Federado Descentralização política (Exemplo: Brasil)
1. 
2. 
Estrutura do Brasil:
União (poder central)
Estados-membros (poderes regionais)
Municípios (poderes locais)
Distrito Federal:
Não é dividido em municípios (CF, art. 32, §1°).
Relação de coordenação entre os entes políticos, sem subordinação.
Forma federativa pode ser alterada?
Não. Vedado pela Constituição Federal (art. 60, §4°, I).
2) A Tripartição do Poder e a Função Administrativa
Funções do Estado:
Função Descrição
Executiva Implementação de políticas públicas
Legislativa Criação de leis
Judiciária Aplicação da lei aos casos concretos
Personalidade jurídica dos poderes?
Não possuem. A personalidade jurídica pertence ao ente político.
Separação dos Poderes:
Objetivos:
Proteção aos direitos individuais (sistema de freios e contrapesos).
Garantia de eficiência com divisão de funções especializadas.
Exemplo de funções atípicas:
Executivo editando medidas provisórias (função legislativa).
3) Administração Pública
Diferença entre Governo e Administração:
Governo Administração
Atividade política e discricionária Atividade técnica, vinculada à lei
Definição de diretrizes Execução das diretrizes
Condução independente Conduta hierarquizada
Formas de Governo X Sistemas de Governo:
Categoria Tipos
Formas de Governo Monarquia e República
Sistemas de Governo Presidencialismo e Parlamentarismo
4) Sentidos da Administração Pública
Sentido Subjetivo (Orgânico)
Administração Pública é o conjunto de órgãos, agentes e pessoas jurídicas que 
exercem funções administrativas.
Sentido Objetivo (Funcional)
Administração Pública é a atividade exercida pelo Estado.
Classificação da Administração Pública:
Tipo Características
Interna (Introversa) Atividade-meio (voltada para a estrutura do 
Estado)
Externa (Extroversa) Atividade-fim (voltada para o interesse 
público)
5) Direito Administrativo e os Ramos do Direito
Classificação do Direito:
1. 
2. 
3. 
Categoria Tipo
Público Externo Direito Internacional Público
Público Interno Direito Constitucional, Administrativo, 
Tributário, Penal, Financeiro, Eleitoral, 
Urbanístico etc.
Privado Externo Direito Internacional Privado
Privado Interno Direito Civil, Comercial, do Trabalho
6) Origem do Direito Administrativo
Surgiu no final do século XVIII e início do século XIX.
Ligado aos ideais da Revolução Francesa:
Igualdade
Liberdade
Fraternidade
Estado de Direito: Governo baseado em leis, garantindo direitos e limitando o poder 
estatal.
7) Objeto do Direito Administrativo
O Direito Administrativo regula as relações jurídicas dentro da Administração Pública:
Relação Descrição
Relações internas Entre órgãos e entidades administrativas
Relações entre administração e agentes 
públicos
Contratações, demissões, estatuto do 
servidor
Relações entre administração e 
administrados
Prestação de serviços públicos, licitações
Relações com prestadores de serviço 
delegados
Concessões, permissões e parcerias
8) Fontes do Direito Administrativo
Fonte Primária: Lei.
Fontes Secundárias: Doutrina, jurisprudência e costumes.
Fonte Descrição
Lei Normas escritas com força obrigatória
Doutrina Estudos dos juristas sobre a matéria
Jurisprudência Decisões reiteradas dos tribunais
Costumes Práticas aceitas e reconhecidas 
juridicamente
Aula 2 de direito administrativo
A aula 02 aborda a organização da Administração Pública.
Conceito de Órgão Público
A definição de órgão público varia conforme a teoria adotada: Subjetiva, Objetiva ou 
Eclética/Mista.
Teorias sobre Órgãos Públicos
A Teoria Subjetiva associa o órgão ao agente, extinguindo-o com a sua ausência.
A Teoria Objetiva considera o órgão um conjunto de atribuições, independente dos 
agentes.
Teoria Eclética e Definição de Hely Lopes Meirelles
A Teoria Eclética combina agentes e atribuições, necessitando de ambos para a 
existência do órgão.
Hely Lopes Meirelles define órgãos públicos como centros de competência para funções 
estatais, com atuação imputada à pessoa jurídica.
Pessoa Jurídica
A personalidade jurídica é detida pela Pessoa Jurídica (PJ), não pelo órgão.
Criação de Órgãos
Órgãos são criados tanto na Administração Direta quanto na Indireta.
Lei nº 9.784/99
A Lei nº 9.784/99 estabelece normas básicas para o processo administrativo na 
Administração Federal direta e indireta.
Define órgão como unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta 
e indireta.
Características dos Órgãos
Órgãos são compartimentos dentro de uma Pessoa Jurídica (PJ).
Não possuem personalidade jurídica, atributo exclusivo da PJ.
A criação dos órgãos é justificada pela necessidade de especialização das funções do 
Estado.
Classificação dos Órgãos Públicos: Posição Estatal
Independentes: Representam os Poderes do Estado e não são subordinados (ex: CN, 
Presidência da República).
Autônomos: Localizados na cúpula da administração, abaixo dos independentes (ex: 
Ministérios, Secretarias).
Superiores: Possuem poder de direção e controle, sujeitos à subordinação (ex: 
Procuradorias, Coordenadorias).
Subalternos: Baixo poder decisório, funções de mera execução (ex: seções de 
expediente, portaria).
Classificação dos Órgãos Públicos: Estrutura
Simples: Constituídos por um único centro de competência.
Compostos: Reúnem em sua estrutura outros órgãos menores (ex: Ministérios, 
Secretarias de Estado).
Classificação dos Órgãos Públicos: Atuação Funcional
Singulares: Atuam e decidem por meio de um único agente.
Colegiados: Atuam e decidem pela maioria da vontade de seus membros (ex: Tribunal de 
Contas).
Organização da Administração Pública: Centralização X Descentralização
Centralização: Estado executa tarefas diretamente, por meio de seus agentes e órgãos.
Descentralização: Estado transfere a execução de atividades a particulares ou outras 
pessoas jurídicas.
Concentração X Desconcentração
Concentração: Ausência completa de distribuição de tarefas entre repartições internas.
Desconcentração: Distribuição interna de competências dentro da mesma pessoa 
jurídica, baseada na hierarquia.
Questão sobre Distribuição de Competências
A técnica de organização e distribuição interna de competências entre vários órgãos 
despersonalizados dentro de uma mesma pessoa jurídica e que tem por base a 
hierarquia denomina-se desconcentração.
Questões
O Poder Executivo exerce função administrativa e atípica normativa.
Ministérios e Secretarias de Estado são considerados órgãos públicos compostos quanto 
à estrutura.
Questão: Classificação de Órgãos
Os órgãos situados no alto da estrutura organizacional da Administração Pública, logo 
abaixo dos órgãos independentes, podem ser classificados como autônomos.
Administração Direta X Administração Indireta
Administração Direta: Órgãos que integram a estrutura das pessoas federativas, 
exercendo atividade administrativa centralizada.
Administração Indireta: Pessoas jurídicas criadas pelos entes federados, vinculadas às 
respectivas Administrações Diretas, para exercer função administrativa descentralizada.
Características da Administração Indireta
Possuem personalidade jurídica própria e regime jurídico de direito público ou privado.
São manifestação da descentralização por serviço, funcionalou técnica.
Dependem de lei para serem criadas e possuem capacidade de autoadministração.
Estão vinculadas, não subordinadas, a órgãos da Adm Direta, sofrendo controle em sua 
atuação.
Art. 4º do Decreto-lei nº 200/67
O Art. 4º do Decreto-lei nº 200/67 enumera os entes que compõem a Administração 
Pública.
A administração federal compreende a administração direta e indireta.
A administração indireta compreende autarquias, empresas públicas, sociedades de 
economia mista e fundações públicas.
Entidades e Normas Legais
Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista são 
regidas pelo Decreto-Lei 200/1967.
Consórcios públicos são regidos pela Lei 11.107/2005.
Criação e Extinção de Entidades - Art. 37 CF
A criação de autarquias e a autorização para a instituição de empresas públicas, 
sociedades de economia mista e fundações dependem de lei específica.
Pessoa Jurídica de Direito Público X Privado
Direito Público: Autarquias, Fundações Públicas (certas condições), Consórcio Público.
Direito Privado: Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista, Fundações Públicas 
(certas condições), Consórcios públicos.
Entidades paraestatais (Terceiro Setor): OSCIP, SESI, SENAI, SESC, SEBRAE.
Existência das Entidades
Públicas: Adquirem personalidade jurídica com a lei autorizadora.
Privadas: Adquirem personalidade jurídica após a lei autorizadora e o registro dos atos 
constitutivos.
Extinção das Entidades
A extinção das entidades segue o Princípio do Paralelismo das Formas.
Referência Bibliográfica
Livro "Direito administrativo. (Coleção esquematizado®)" de Celso Spitzcovsky.
Sugestão de leitura do Capítulo 6 e elaboração de questões de múltipla escolha.
Aula 3 de direito administrativo
Discussão sobre normas jurídicas, princípios jurídicos e regras jurídicas.
Normas Jurídicas
Diferenciação entre princípios e regras jurídicas quanto ao caráter, colisão e força 
normativa.
Os princípios jurídicos são genéricos e abstratos, enquanto as regras jurídicas são 
específicas e menos abstratas.
Em caso de colisão, princípios são ponderados e regras são tratadas com critérios de 
hierarquia, cronologia e especialidade.
Regime Jurídico-Administrativo
O regime jurídico-administrativo individualiza a atuação da administração pública em 
comparação com a dos particulares.
Os princípios basilares desse regime são a supremacia e a indisponibilidade do interesse 
público.
Interesse Público Primário e Secundário
O interesse público primário está relacionado à satisfação das necessidades coletivas.
O interesse público secundário corresponde ao interesse individual do próprio Estado, 
como a manutenção das receitas públicas.
Supra Princípios de Direito Administrativo
Incluem os princípios constitucionais da administração pública e os princípios 
administrativos reconhecidos.
Princípio da Supremacia do Interesse Público
Prioriza o interesse público primário sobre o privado.
É um princípio implícito na Constituição Federal e orienta a atuação administrativa.
Não é absoluto e não se aplica às relações regidas pelo direito privado.
Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público
Impõe restrições à conduta administrativa, como a exigência de licitação e concurso.
Aplica-se à administração pública, mas não ao parlamento na função legislativa.
Submete a administração pública a outros princípios como legalidade, continuidade do 
serviço público e igualdade.
Princípios Constitucionais da Administração Pública (Art. 37 da CF)
Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (LIMPE).
Princípio da Legalidade
Protege os direitos individuais frente à atuação do Estado.
A atividade administrativa deve ser autorizada e limitada pela lei.
Dimensões: supremacia da lei e reserva legal.
Princípio da Impessoalidade
Apresenta três significados: finalidade pública, isonomia e imputação ao órgão dos atos 
praticados por seus servidores.
Fundamenta-se na isonomia e exige concurso público e igualdade nas licitações.
Garante que a Administração Pública não contenha a marca pessoal do administrador.
Princípio da Moralidade
Determina a observância de princípios éticos e bons costumes.
Envolve valores morais, regras da boa administração, justiça, equidade e honestidade.
Ações como nepotismo e conluios em licitações infringem este princípio.
Ações Judiciais para Controle da Moralidade Administrativa
Ação Popular e Ação de Improbidade Administrativa.
Princípio da Publicidade
Assegura transparência na gestão pública.
Concretiza o princípio republicano, permitindo a fiscalização popular das atividades 
administrativas.
A publicidade de atos, programas, obras e campanhas deve ter caráter educativo, 
informativo ou de orientação social, sem promoção pessoal.
Direito de Certidão
Assegura o direito de receber informações de órgãos públicos, ressalvadas as 
informações sigilosas.
Publicação em Órgão Oficial
É requisito de eficácia para atos administrativos que produzam efeitos externos ou 
onerem o patrimônio público.
Decisão do Supremo Tribunal Federal
A divulgação no Diário Oficial é suficiente para dar publicidade a um ato administrativo.
Princípio da Eficiência
Introduzido pela Emenda Constitucional nº 19/98.
Busca a excelência de recursos e a maior eficácia possível nas ações do Estado.
Exige o melhor desempenho do agente público e a organização racional da 
Administração Pública.
Estabilidade do Servidor Público
A estabilidade é adquirida após três anos de exercício efetivo e pode ser perdida 
mediante avaliação periódica de desempenho.
Emenda Constitucional nº 19/98
Incluiu o princípio da eficiência entre os princípios da Administração Pública.
Capacitação dos Administradores Públicos
A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para formação e 
aperfeiçoamento dos servidores públicos.
Princípios Administrativos Reconhecidos
Razoabilidade e proporcionalidade.
Razoabilidade exige atuação coerente e racional do administrador.
Proporcionalidade exige adequação, exigibilidade e proporcionalidade em sentido 
estrito.
Princípio da Motivação
Determina que a administração pública indique os fundamentos de fato e de direito de 
suas decisões.
Os motivos são as circunstâncias que autorizam ou determinam a prática do ato.
Dever da Administração de Justificar seus Atos
Decorre do princípio da motivação.
Princípio da Autotutela
Permite à Administração anular atos ilegais e revogar os inconvenientes ou inoportunos.
Ver Súmulas 346 e 473 do STF.
Princípio da Continuidade do Serviço Público
Considerações sobre greve e exceção do contrato não cumprido em contratos de 
concessão de serviços públicos.
Encampação: retomada do serviço público pelo poder concedente por motivo de 
interesse público.
Interrupção do Serviço Público
Questão sobre quando o serviço público pode ser cortado.
Aula 4 de direito administrativo
Aborda os poderes e deveres da Administração Pública, distinguindo poderes 
instrumentais dos poderes do Estado,.
Enfatiza que o poder/dever é a concretização do interesse público, sendo indisponível, 
irrenunciável e obrigatório.
Apresenta os poderes administrativos: vinculado, normativo, hierárquico, discricionário e 
de polícia.
Poderes Administrativos
Explica o poder vinculado como o dever de agir de determinada forma, sem análise de 
conveniência ou oportunidade.
Define o poder discricionário como a liberdade da Administração para decidir como e 
quando agir, considerando conveniência e oportunidade social.
Detalha os elementos do ato administrativo: competência, finalidade, forma, motivo e 
objeto.
Elementos do Ato Administrativo
A competência é o poder atribuído ao agente para o desempenho de suas funções, 
definido e delimitado por lei.
A finalidade é o objetivo de atingir o interesse público, dividindo-se em finalidade geral e 
específica.
A forma é como o ato administrativo se manifesta no mundo externo, podendo ser 
escrita ou por meio de sinais.
Motivo e Objeto
O motivo é a situação de direito ou de fato que determina a realização do atoadministrativo, podendo ser vinculado ou discricionário.
O objeto é o efeito jurídico produzido pelo ato administrativo, podendo ser vinculado ou 
discricionário.
O mérito administrativo envolve a valoração dos motivos e a escolha do objeto, 
analisando conveniência e oportunidade.
Controle dos Atos Administrativos
Menciona os atos nulos, anuláveis e sanáveis.
Aborda os poderes do Estado e outros aspectos relacionados ao controle.
Apresenta questões relacionadas ao poder discricionário,.
Poder Hierárquico e Disciplinar,
O poder hierárquico permite à autoridade administrativa distribuir funções, delegar e 
avocar competências, e revisar atos.
O poder disciplinar autoriza a Administração Pública a apurar infrações e aplicar 
penalidades a servidores e pessoas sujeitas à disciplina administrativa.
No procedimento administrativo, é garantido o contraditório e a ampla defesa.
Poder Regulamentar e de Polícia,
O poder regulamentar, fundamentado no art. 84, IV, da CF, permite aos chefes do Poder 
Executivo editar normas para detalhar as leis.
O poder de polícia permite ao Estado restringir direitos e garantias individuais em 
benefício da coletividade.
Características básicas do poder de polícia incluem discricionariedade, 
autoexecutoriedade e coercibilidade.
Questões e Abuso de Poder,
Apresenta questões sobre discricionariedade e poder regulamentar,.
Aborda questões sobre poder hierárquico, disciplinar e atos administrativos,,.
Define abuso de poder como excesso (extrapolação da competência) e desvio de 
finalidade (uso para finalidade diversa do interesse público).
Deveres Administrativos
Os deveres administrativos incluem o dever de agir, o dever de eficiência, o dever de 
prestar contas e o dever de probidade.
Há excesso de poder quando o agente público remove um servidor como punição, e não 
por necessidade do serviço.
É fundamental que os poderes concedidos ao administrador público sejam utilizados 
com normalidade, coibindo eventuais abusos.
Aula 5 de direito administrativo
Serviços Públicos
Na ausência de uma definição legal ou constitucional, a doutrina define o conceito de 
serviços públicos.
Os critérios incluem titularidade do Estado, satisfação de necessidades públicas e prestação 
sob o regime de direito público.
Classificação
Os serviços públicos são classificados como próprios (essenciais) e de utilidade pública (não 
essenciais), exemplificados por defesa nacional e serviços de telefonia.
Serviços Próprios e Impróprios
Serviços próprios são assumidos e prestados pelo Estado diretamente ou indiretamente, 
enquanto impróprios são regulados, mas não prestados diretamente pelo Estado.
Serviços Públicos Administrativos, Econômicos e Sociais
Exemplos incluem Imprensa oficial (administrativos), energia elétrica (econômicos) e 
educação (sociais).
Serviços Uti Singuli e Uti Universi
Uti singuli são serviços com mensuração individualizada (luz, água, telefone), enquanto uti 
universi são indivisíveis (iluminação pública, varrição de rua).
Formas de Prestação
Os serviços públicos podem ser prestados de forma centralizada, descentralizada ou por 
delegação (outorga, concessão, permissão e autorização).
Direitos dos Usuários
Entre os direitos dos usuários, está o de receber um serviço público adequado.
Serviço Público Adequado
Um serviço público adequado deve ser regular, contínuo, eficiente, seguro, atual, geral, 
cortês e com tarifas módicas.
Aula 6 de direito administrativo
Esta aula aborda o tema do patrimônio público, focando em bens públicos.
Bens Públicos
Os bens públicos abrangem domínio público (patrimonial e eminente) e bens próprios 
versus bens de terceiros.
A desapropriação é um tema relacionado.
Conceito de Bens Públicos
O Art. 98 do Código Civil define bens públicos como aqueles do domínio nacional 
pertencentes a pessoas jurídicas de direito público interno.
Todos os outros bens são considerados particulares, independentemente de a quem 
pertencerem.
Correntes sobre Bens Públicos
A 1ª corrente restringe bens públicos aos da União, Estados, DF, Municípios, Autarquias e 
Fundações Públicas de Direito Público.
A 2ª corrente expande o conceito para incluir bens de empresas públicas e sociedades de 
economia mista.
A 3ª corrente adiciona bens de empresas públicas/sociedades de economia mista prestando 
serviço público e bens particulares afetados à prestação de serviço público.
Enunciado 287 da IV Jornada de Direito Civil
O enunciado 287 expande a classificação de bens públicos além do Art. 98 do Código Civil.
Inclui bens de pessoas jurídicas de direito privado afetados à prestação de serviços 
públicos.
Classificação dos Bens Públicos
A classificação dos bens públicos pode ser feita quanto à titularidade, destinação, natureza 
patrimonial e natureza física.
Quanto à Titularidade
Existem Bens Federais (art. 20 CF), Estaduais (art. 26 CF), Distritais e Municipais.
A CF não prevê expressamente os bens distritais e municipais.
Bens da União
O Art. 20 da Constituição Federal lista os bens da União, incluindo os que já lhe pertencem e 
os que vierem a ser atribuídos.
Inclui terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras e preservação ambiental.
Bens da União (continuação)
Recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva são bens da 
União.
Também o são o mar territorial, terrenos de marinha, potenciais de energia hidráulica e 
recursos minerais.
Cavidades naturais subterrâneas, sítios arqueológicos/pré-históricos e terras 
tradicionalmente ocupadas por índios completam a lista.
Bens dos Estados
O Art. 26 da CF inclui entre os bens dos Estados as águas superficiais ou subterrâneas, 
ressalvadas as decorrentes de obras da União.
Áreas nas ilhas oceânicas e costeiras sob seu domínio, ilhas fluviais/lacustres não 
pertencentes à União e terras devolutas não compreendidas entre as da União também são 
bens estaduais.
Bens dos Municípios
Os bens dos municípios são aqueles adquiridos por desapropriação, compra, doação, etc.
Incluem-se também os que passaram a integrar seus patrimônios por força de lei.
Quanto à Destinação
Os bens públicos são classificados quanto à destinação em bens de uso comum do povo, 
bens de uso especial e bens dominicais.
Classificação quanto à Destinação (Art. 99)
Bens de uso comum do povo incluem rios, mares, estradas, ruas e praças.
Bens de uso especial são edifícios/terrenos destinados a serviço da administração federal, 
estadual, territorial ou municipal, inclusive autarquias.
Bens dominicais constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público.
Quanto à Natureza Patrimonial
Os bens públicos são classificados quanto à natureza patrimonial em bens indisponíveis por 
natureza, bens patrimoniais indisponíveis e bens patrimoniais disponíveis.
Natureza Patrimonial Detalhada
Bens indisponíveis por natureza não possuem natureza patrimonial e são insuscetíveis de 
avaliação econômica (rios, mares, praias).
Bens patrimoniais indisponíveis possuem natureza patrimonial, mas não podem ser 
alienados por estarem afetados a alguma destinação pública específica (bens de uso 
especial).
Bens patrimoniais disponíveis possuem natureza patrimonial e não estão afetados a uma 
finalidade pública.
Quanto à Natureza Física
Os bens públicos são classificados quanto à natureza física em bens de domínio hídrico e 
bens de domínio terrestre.
Bens de domínio hídrico incluem águas correntes (rios, mares, riachos) e águas dormentes 
(lagos, lagoas, açudes).
Bens do domínio terrestre compreendem solo e subsolo.
Afetação e Desafetação
Afetação é o ato de destinar um bem para determinado fim público (uso comum do povo e 
uso especial).
Desafetação é o processo pelo qual bens deixam de ter uso com finalidade pública, 
tornando-se bens dominicais.
A desafetação ou afetação podem ser expressas (lei/ato administrativo) ou tácitas (atuação 
direta ou fenômeno natural).
Características dos Bens Públicos
As principais características dos bens públicos são inalienabilidade (ou alienabilidade 
condicionada),impenhorabilidade, imprescritibilidade e não onerabilidade.
Inalienabilidade
Bens de uso comum do povo e de uso especial são inalienáveis, exceto se forem 
desafetados.
Bens dominicais podem ser alienados, exigindo-se, em regra, autorização legislativa, 
avaliação prévia e licitação.
Impenhorabilidade
O procedimento judicial de penhora não se aplica aos bens públicos.
O pagamento dos credores contra a Fazenda Pública deve ser feito por meio do regime de 
precatórios, conforme o artigo 100 da CF.
Precatórios (TJSP)
O TJSP recebe os depósitos das Fazendas Públicas devedoras e, após estruturar as listas de 
credores, promove os pagamentos observando a ordem constitucional.
A ordem cronológica é observada, mas idosos (maiores de 60 anos) e portadores de 
doenças graves têm prioridade.
Tipos de Precatórios
Crédito de pequeno valor – RPV (requisição de pequeno valor).
Créditos de natureza alimentícia a pessoas com idade superior a 60 anos ou portadoras de 
doenças graves.
Créditos de natureza alimentícia.
Créditos não alimentícios.
Imprescritibilidade e Não Onerabilidade
Imprescritibilidade significa a impossibilidade de um bem público ser adquirido por 
usucapião.
Não onerabilidade impede que bens públicos sejam objeto de penhor, hipoteca ou 
anticrese.
Alienação de Bens Públicos
Alienação de bens públicos é a transferência da propriedade a terceiros, sujeita a 
alienabilidade condicionada.
Tanto para bens móveis quanto para imóveis, exige-se interesse público, avaliação prévia e 
licitação. Para bens imóveis, exige-se também autorização legislativa.
Formas de Uso de Bens Públicos
As formas de uso de bens públicos são autorização, permissão e concessão.
Autorização de Uso
A autorização é um ato administrativo unilateral, discricionário e precário.
Permite o uso particular de um bem público, com exclusividade, por um curto período de 
tempo, gratuito ou oneroso.
Atende ao interesse particular, com o público sendo atendido remotamente (ex: uso de rua 
para festas populares).
Permissão de Uso
A permissão é um ato administrativo unilateral, discricionário e precário.
Permite o uso privativo de um bem público.
Atende aos interesses particular e público simultaneamente (ex: banca de flores em praça).
Diferenças entre Autorização e Permissão
Na autorização predomina o interesse do particular, enquanto na permissão os interesses 
público e privado estão presentes.
A precariedade é mais acentuada na autorização devido à finalidade de interesse individual.
Na autorização há uma faculdade de uso, enquanto na permissão o usuário é obrigado, sob 
pena de caducidade.
Concessão de Uso
A concessão é um contrato administrativo (bilateral).
A administração transfere ao particular a utilização privativa do bem público, por tempo 
determinado, conforme a finalidade estabelecida.
Requer licitação, discricionariedade e não há precariedade, podendo ser gratuita ou 
remunerada (ex: uso de box em aeroportos ou mercados públicos).
Aula 7 de direito administrativo
Intervenção do Estado na Propriedade Privada
A intervenção do estado na propriedade privada é um tema importante no direito 
administrativo
A constituição garante o direito de propriedade, mas este deve atender à sua função social.
A lei estabelece procedimentos para desapropriação por necessidade, utilidade pública ou 
interesse social, com indenização justa.
Espécies de Intervenção
As intervenções do Estado na propriedade privada podem ser restritivas (brandas) ou 
supressivas (gravosas).
Intervenções restritivas incluem limitações administrativas, ocupação temporária, 
requisição administrativa, servidão administrativa e tombamento.
Intervenções supressivas incluem desapropriação e requisição administrativa de bens 
móveis fungíveis e consumíveis.
Limitações Administrativas
São determinações de caráter geral que impõem obrigações para condicionar as 
propriedades ao atendimento da função social.
Podem atingir a propriedade imóvel, seu uso, bens e atividades particulares com 
implicações no bem-estar social.
Não acarretam direito à indenização, a menos que sejam inconstitucionais, ilegais ou 
nulifiquem o aproveitamento econômico da propriedade.
Ocupação Temporária
É uma forma de intervenção direta em bem imóvel, onde o Poder Público usa 
transitoriamente imóveis privados para apoiar a execução de obras, serviços ou atividades 
públicas.
O uso é gratuito, exceto quando houver dano, e é transitório e auto-executório.
Exemplos incluem terrenos vizinhos a obras públicas para depósito de equipamentos e uso 
de prédios para campanhas de vacinação.
Requisição Administrativa
É a utilização coativa de bens móveis, imóveis e serviços particulares em situações 
emergenciais.
A Constituição Federal, Art. 5º, XXV, prevê indenização ulterior se houver dano.
Pode ser civil (para evitar danos à coletividade) ou militar (para manutenção da soberania), 
sendo transitória, auto-executória e geralmente gratuita.
Tombamento
É a declaração pelo Poder Público do valor histórico, artístico, paisagístico, arqueológico, 
turístico, cultural ou científico de um bem, visando preservá-lo.
Pode ser de ofício (bens públicos), voluntário (bens particulares com anuência) ou 
compulsório (imposto coercitivamente).
A restrição pode ser individual ou geral, sobre bens determinados ou todos os bens de uma 
região.
Servidão Administrativa
É um direito real público que autoriza a Administração a usar a propriedade imóvel, 
limitando o direito de usar e fruir do bem, para permitir a execução de obras e serviços de 
interesse público.
São obrigações de caráter concreto, positivas, negativas e permissivas, de caráter 
permanente.
Podem ser instituídas por ato administrativo ou impostas por lei, como para transporte e 
distribuição de energia elétrica.
Desapropriação
É a transferência compulsória da propriedade particular para o Poder Público, seus 
delegados ou terceiros, para fins de interesse público.
Os tipos incluem comum (por necessidade ou utilidade pública), especial (por interesse 
social) e sanção (por mau uso do solo urbano ou para fins de reforma agrária).
A indenização pode ser prévia, justa e em dinheiro ou em títulos da dívida pública/agrária, 
dependendo do tipo de desapropriação.

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