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FUNDAMENTOS SOCIOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO AULA 01 Abertura Sociologia Cultural e seus elementos Olá! A sociologia da cultura e a sociologia cultural relacionada dizem respeito à análise sistemática da cultura, geralmente entendida como o conjunto de códigos simbólicos usados por um membro de uma sociedade, tal como se manifesta na sociedade. “Sociologia da Cultura” tem por objetivo equacionar um conjunto de questões relativas à caracterização da cultura, às suas transformações recentes e ao lugar que ocupa nas sociedades contemporâneas. Pretende-se evitar uma visão da cultura como realidade isolada. Importa sondar a cultura nas suas conexões com domínios próximos, de níveis distintos, com os quais mantém estreita interação. REFERENCIAL TEÓRICO Nesta aula, veremos a comparação histórica na abordagem das dinâmicas culturais, o papel da cultura na educação, sua ligação à vida quotidiana, aos estilos de vida, às identidades e às formas do imaginário contemporâneo. Além disso, conheceremos a organização da produção e da circulação da cultura, bem como a configuração dos públicos, sobretudo, o seu alargamento e diferenciação. Ao final dos estudos desta aula, você deverá: • Analisar o quanto a cultura e a educação carregam um conjunto de sentidos definidos sócio-historicamente. • Reconhecer a escola como espaço sociocultural. • Relacionar cultura material e imaterial com educação. BOA LEITURA. Sociologia da cultura e sua aplicação na educação Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Relacionar cultura material e imaterial com a educação. Analisar o quanto a cultura e a educação carregam um conjunto de sentidos definidos sócio-historicamente. Reconhecer a escola como um espaço sociocultural. Introdução Na modernidade, as escolas deixaram de ter o papel de reproduzir co- nhecimentos estabelecidos. Hoje, elas assumem a função de ferramentas civilizatórias. Por outro lado, como produtos de uma administração nor- malmente centralizada, as escolas podem se tornar instrumentos de inte- resses políticos. Nesse caso, elas tendem a fomentar uma educação que limita as possibilidades de produção de conhecimento e anula expressões culturais diferentes daquelas produzidas pelas elites. Assim, as políticas de salvaguarda de patrimônios culturais surgem para que a sociedade reconheça grupos e comunidades, suas expressões e identidades. Neste capítulo, você vai conhecer as relações entre cultura material, imaterial e educação. Também vai ver que educação e cultura carregam sentidos definidos sócio-historicamente. Por isso, a escola e seus vínculos com os saberes sociais podem sofrer alterações ao longo do tempo. Por fim, você vai reconhecer a escola como um espaço sociocultural, formador e receptor de múltiplas influências. Cultura material, cultura imaterial e educação Os patrimônios culturais são expressões de saberes, práticas, técnicas, símbolos, crenças, sentimentos e relações de grupos sociais. Eles podem ser restritos a uma comunidade dentro de um território nacional, ou fazer parte da cultura de todo um país. São expressões também da identidade do grupo, ou seja, de como ele se constitui socialmente, de como se relaciona ou de como deseja se mostrar para outros grupos sociais. O que distingue um patrimônio cultural de um patrimônio comum é o fato de que o primeiro tem influência preponderante no processo civiliza- dor da comunidade que o elabora ou expressa. Por exemplo, se arqueólogos descobrirem as fundações de uma cidade inteiramente desconhecida, será possível identificar traços de sua cultura por meio de expressões materiais. Seria possível analisar, por exemplo, a formação da cidade, que pode ser fortificada, indicando uma sociedade militarizada ou um período de guerra. Também seria possível verificar se há quadras e praças nos acessos principais, que indicariam o trânsito intenso de pessoas. Nesse caso, a cidade provavel- mente teria importância comercial ou religiosa, já que sua formação indicaria a recepção de muitas pessoas. Entre as expressões culturais consideradas patrimônios, há as materiais e as imateriais. A seguir, você pode ver ambas as definições. Patrimônio material: formado por objetos tangíveis, físicos, como edificações, estruturas, esculturas, pinturas em estruturas fixas (em paredes, cavernas, rochas) ou transportáveis (telas, quadros, madeira, cerâmica), artefatos de guerra, artefatos de uso cotidiano, vestimentas, livros, escrituras em papel, tecido, madeira ou pedra, joias, acessórios e ferramentas. Patrimônio imaterial: formado por elementos intangíveis, não físicos, normalmente transmitidos oralmente de geração para geração, como cantigas, rezas, orações, celebrações, rituais religiosos, pinturas cor- porais, técnicas de composição de vestuário (como as amarrações de turbantes para as religiões afro-brasileiras ou a composição ordenada das vestes de uma gueixa), danças, jogos, brincadeiras, esportes. Inclui ainda formas especiais de comunicação, como dialetos e tipos de linguagem. Humanos expressam-se por meio de elementos tangíveis e intangíveis desde que deixaram de ser nômades e estabeleceram-se em lugares físicos. Pinturas em cavernas, por exemplo, costumam mostrar o cotidiano dos grupos, os animais que caçavam, as lutas travadas, além de elementos do mundo que conheciam, como plantas, animais, estrelas e fogo. Sociologia da cultura e sua aplicação na educação2 As expressões intangíveis ou imateriais também podem ser uma forma de regular as atividades internas à comunidade, ou de dar sentido à vida. Por isso, as expressões culturais são elementos que projetam e ao mesmo tempo moldam identidades. Assim, são importantes e precisam estar presentes nas práticas educacionais. Os patrimônios culturais presentes no contexto educativo favorecem o conhecimento de padrões e estruturas socioculturais importantes para a própria cultura ou para outras sociedades. Além disso, estimulam o conhecimento das formas de relacionamento entre sociedades, dos contextos e movimentos históricos que formaram as civilizações. Esses patrimônios também incentivam o respeito às formas culturais e sociais distintas, uma vez que mostram a importância e o espaço de todas as expressões no processo civilizatório. Além disso, fortalecem as noções de cidadania e de participação. Afinal, há um constante processo de identifica- ção desses bens para salvaguarda. Por sua vez, os estudantes podem auxiliar grupos que buscam a proteção de instituições para bens culturais, ou ainda elaborar movimentos para a promoção e o cuidado de suas culturas de origem (UNESCO, 2003). Os patrimônios culturais também podem ser definidos como: patrimônios culturais nacionais (materiais e imateriais) — de impor- tância especial para a constituição da identidade, dos saberes e das práticas nacionais, definidos por entidades nacionais; patrimônios culturais da humanidade (materiais e imateriais) — de impor- tância para o processo civilizatório da humanidade, eleitos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Durante a constituição dos Estados nacionais, entre o fim do século XIX e o início do século XX, houve uma corrida das nações modernas para a salvaguarda das expressões populares. A ideia era estabelecer elementos que pudessem fortalecer o conceito de identidade nacional. De lá para cá, dispositivos foram criados e alterados conforme a mudança dos contextos históricos e sociais. Tais dispositivos incluem leis, projetos e instituições para a identificação e a salvaguarda dos patrimônios. Cada país tem seu próprio conjunto de dispositivos sobre os patrimônios culturais, mas a definição do patrimônios culturais da humanidade é feita pela UNESCO. Suas ações se baseiam no texto Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, elaborado na Conferência Geral da 3Sociologia da cultura e sua aplicação naeducação UNESCO realizada em Paris de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972. No documento, a secretaria especial define o patrimônio cultural a partir do artigo 102 da Carta das Nações Unidas (UNESCO, 2018, documento on-line). Veja: Para fins da presente Convenção serão considerados como patrimônio cultural: Os monumentos — Obras arquitetônicas, de escultura ou de pintura monu- mentais, elementos de estruturas de caráter arqueológico, inscrições, grutas e grupos de elementos com valor universal excepcional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência; Os conjuntos — Grupos de construções isoladas ou reunidas que, em virtude da sua arquitetura, unidade ou integração na paisagem, têm valor universal excepcional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência; Os locais de interesse — Obras do homem, ou obras conjugadas do homem e da natureza, e as zonas, incluindo os locais de interesse arqueológico, com um valor universal excepcional do ponto de vista histórico, estético, etnológico ou antropológico. As práticas de salvaguarda são dispositivos que combinam a proteção e a divulgação do patrimônio. Se um patrimônio corre risco de destruição ou desaparecimento, a UNESCO destaca medidas urgentes para a sua salvaguarda. Tais medidas devem ser seguidas pelo Estado partícipe. O texto assinado em 1972 serve de base para as práticas contemporâneas. Contudo, já houve inúmeros desdobramentos de seus artigos fundamentais, como a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, assinada por mais de cem países (CASTRO; FONSECA 2008). Esse documento procura desenvolver políticas públicas, alinhando os panoramas de preservação e promoção da UNESCO com os panoramas nacionais. Além disso, procura promover o diálogo internacional e a aceitação da diversidade cultural, também baseada na criatividade humana, que produz inúmeros símbolos. Você sabia que 14 dos patrimônios culturais da humanidade apontados pela UNESCO ficam no Brasil? Acesse o link a seguir e descubra cada um deles. Você pode estar bem perto de algum! https://goo.gl/ukE3xW Sociologia da cultura e sua aplicação na educação4 Patrimônios culturais brasileiros: dispositivos de salvaguarda O patrimônio cultural brasileiro, material e imaterial, é identifi cado e protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), criado por Getúlio Vargas em 1937. A criação do Instituto foi muito infl uenciada pelo escritor Mário de Andrade, que defendia a ideia de que a cultura brasileira era complexa e múltipla, portanto deveria ser compreendida a partir de seu viés antropológico (CASTRO; FONSECA, 2008). A identificação dos patrimônios culturais como componentes dos processos civilizatórios nacionais e como elementos formadores de identidades é algo tão importante que está presente no texto da Constituição Federal de 1988, citado por Castro e Fonseca (2008, p. 14): Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza ma- terial e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I – as formas de expressão; II – os modos de criar, fazer e viver; III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. Parágrafo 1º. O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro por meio de registros, vigilâncias, tom- bamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. O texto diz ainda que o Estado protegerá as manifestações culturais bra- sileiras que são componentes do processo civilizatório, o que inclui as mani- festações e as culturas populares, indígenas e afro-brasileiras. Na perspectiva educacional, a socialização também pode ser uma forma de aprendizado, e o aprendizado, uma forma de socialização. Por isso, traje- tórias biográficas e contextos socioculturais devem ser levados em conta nos processos educacionais. A ideia é que não haja a homogenização do grupo de educandos, uma vez que são todos diferentes e suas potencialidades e individualidades precisam ser observadas uma a uma. Nesse sentido, a formação cultural do educando é parte importante de seu processo socializador. Parcela dos signos que o estudante carrega quando vai 5Sociologia da cultura e sua aplicação na educação para a escola passa a construir relações sociais nesse ambiente. Essa bagagem sociocultural também tem impacto importante na forma como o aluno absorve os conteúdos e dialoga com eles, fomentando suas maneiras de transitar e interpretar as esferas culturais, sociais e políticas. No texto disponível no link a seguir, você pode compreender melhor as conexões entre as expressões culturais materiais e imateriais em celebrações brasileiras. O texto trata da Festa do Divino, expressão cultural salvaguardada pelo IPHAN como patrimônio cultural nacional. https://goo.gl/nNCXFX Cultura, educação e formação sócio-histórica do sujeito Você pode encarar a cultura como um espelho da ação humana ao longo dos tempos. Ela se diferencia da natureza por carregar símbolos e signifi cados criados pelos humanos. A criação de símbolos e a defi nição de signifi cados são as maneiras como a humanidade atribui sentido à vida. A humanidade tende a buscar conexões para além das relações homem-homem e homem-natureza. Ela projeta divindades por meio das quais pode dar signifi cado à vida. Essas construções tendem a acontecer em grupos sociais e podem se expandir à medida que o grupo cresce, recebe novos membros ou conquista novos territórios. Por outro lado, elas podem se extinguir quando os componentes sociais desaparecem ou são sobrepostos por outras culturas. O trânsito cultural, no entanto, é uma constante na história da humani- dade. Ele acontecia muito antes de antropólogos, sociólogos e historiadores designarem ferramentas para estudá-lo. Alguns pensadores entendem que esse é o curso natural da humanidade. Dessa forma, no estabelecimento de relações sociais, comerciais, culturais ou políticas com outros grupos, alguns traços culturais originais tendem a desaparecer ou ser reformulados. Mas, para outros pensadores, não existe tal naturalidade, e as conexões entre os grupos sociais podem ser feitas preservando a cultura original da alteração e do desaparecimento. Sociologia da cultura e sua aplicação na educação6 Na contemporaneidade, essa dualidade pode ser compreendida como um posicionamento político ou como um projeto civilizador. Afinal, há dispositivos que podem proteger culturas do desaparecimento, e outros que fomentam a absorção de culturas externas para facilitar trânsitos ou relações, ou pela exis- tência de uma relação de dominação. Nessa perspectiva, a escola e a educação, como ferramentas dos processos civilizatórios, podem atuar das duas formas: na preservação e na promoção da interação ou na absorção de culturas. Por isso, a atuação da escola e da educação nas perspectivas culturais de- pende também do plano político do momento. Você deve considerar que existe ainda um tipo de produção e exercício da socialização específico da escola, o que pode ser chamado de cultura escolar. Seja qual for o direcionamento político para os elementos culturais nacionais e humanos, ele chega aos sujeitos em boa parte pela atuação da escola. Por isso, quaisquer práticas desenvolvidas nesse sentido precisam observar as especificidades dessa instituição. A escola como um espaço sociocultural As análises sobre a importância do contexto escolar na formação cultural de educandos passam pela construção da cultura escolar. Além disso, consideram como essa cultura está conectada com a cultura produzida pelosmeios sociais nos quais a escola se insere. Existem três perspectivas essenciais na compre- ensão da cultura escolar, como você pode ver a seguir (BARROSO, 2012). Funcionalista: defende que a escola é um meio que transmite a cultura do entorno social, definida pelo contexto social, político e econômico, mas não possui uma cultura própria, apenas práticas específicas para a transmissão da cultura preexistente. Nessa perspectiva, a escola funciona como um canal de comunicação, que imprime em seu contexto o que já existe no contexto exterior. Estruturalista: entende que a cultura escolar é produzida pelas formas e técnicas utilizadas pela escola para transmitir a cultura do meio social aos educandos. Nessa perspectiva, todas as formas de organização escolar — como o currículo, os professores e a organização adminis- trativa — imprimem um significado à cultura presente no meio social, modelando a cultura preexistente em uma forma particular de cultura escolar. Nesse caso, a cultura escolar não é a reprodução total da cultura do meio social, como na perspectiva funcionalista, mas não produz uma 7Sociologia da cultura e sua aplicação na educação cultura inteiramente nova. Os canais de comunicação e as formas de estruturação das práticas educativas é que modelam uma perspectiva diferenciada de cultura escolar. Interacionista: vê a escola como uma produtora de características culturais específicas que, em alguns pontos, pode ser diferente da cultura do meio social no qual se insere. Essa perspectiva indica que a organização escolar de cada unidade imprime uma forma de o sujeito relacionar-se e compreender os conteúdos, as práticas, os espaços e os papéis sociais. Por isso, a cultura escolar não seria global, presente em todas as escolas como produto de práticas homogêneas, mas cada escola produziria um contexto único e, portanto, uma cultura escolar única. Essa perspectiva indica que a interação entre os saberes e trajetórias de cada sujeito e o universo exterior produziria um impacto interno. Por isso, os contextos sociais, políticos, geográficos e as vivências e saberes de cada sujeito e daqueles com os quais mantêm laços na comunidade implicariam a produção de uma cultura escolar única. As três perspectivas indicam a inclinação política das instituições em re- lação à função da escola como agente do processo civilizatório. A perspectiva funcionalista valoriza a ideia de reprodução de valores, ideias e comporta- mentos. Uma instituição educacional religiosa, por exemplo, tende a imprimir seus valores na cultura educacional, certificando-se de que comportamentos externos ao princípio religioso estejam bloqueados na construção da cultura escolar. O foco é mantido na reprodução da cultura religiosa. Se, porém, a reprodução cultural parte de uma inclinação política, pode indicar que o Estado deseja apenas reproduzir comportamentos compreendidos como aceitáveis, utilizando a escola para uma socialização não contestatória. As organizações escolares estruturalistas oferecem mais autonomia na socialização e na formação sociopolítica do que a funcionalista. A escolha dos métodos e a forma de organização podem estar abertas à perspectivas inovadoras e integrativas. Mesmo que o currículo seja elaborado de forma centralizada, a aplicação das práticas educacionais formará um contexto cultural singular. As formas mais integradas e que permitem os maiores trânsitos so- cioculturais são as interacionistas. Elas possibilitam que a comunidade e seus contextos tenham presença importante nas práticas educacionais. No entanto, embora permita a troca de saberes e a formação cultural pautada Sociologia da cultura e sua aplicação na educação8 na diversidade, o modelo interacionista pode gerar desigualdade entre as unidades escolares. Isso pode ocorrer, por exemplo, em uma sociedade com desequilíbrios sociais intensos em que não haja uma centralização forte do currículo e dos materiais utilizados. A escola é sempre um espaço de formação cultural. Esse espaço pode re- produzir o contexto mais amplo e permitir remodelações a partir das técnicas. Por outro lado, pode formar culturas inteiramente novas a partir da integração com outras perspectivas culturais. De qualquer forma, será sempre parte importante do processo de socialização e de construção/afirmação identitária. Por isso, é parte essencial da formação e do equilíbrio sociopolítico de uma nação, podendo ser utilizada como ferramenta para o desenvolvimento social, cultural, político, econômico e científico. Ou, por outro lado, como forma de controle social. Sociedades democráticas privilegiam os modelos estruturalista e interacionista, havendo aí uma questão também econômica. A centralização na abordagem estruturalista permite um investimento menor e mais controlado do que o que ocorre na interacionista. Do ponto de vista da criação de uma comunidade vinculada às ancestrali- dades e diversidades e pautada na equidade, o modelo interacionista é o mais conveniente. Por outro lado, é preciso atentar às abordagens funcionalistas. As escolas religiosas são produto do direito inalienável de cada indivíduo de participar de comunidades religiosas em sociedades democráticas. Con- tudo, escolas que reproduzam inteiramente um modelo cultural pautado pela estrutura política podem cercear as possibilidades de expansão dos olhares e de enriquecimento cultural. Além disso, podem gerar aniquilamento da diversidade, o que caracteriza governos ditatoriais, totalitários ou autoritários. Educadores podem inserir práticas culturais de fortalecimento da identidade, re- conhecimento da diversidade e exploração das culturas do mundo. Veja algumas possibilidades no texto Atividades culturais no contexto escolar, de Sara Davasto, disponível no link a seguir. https://goo.gl/7sn1N5 9Sociologia da cultura e sua aplicação na educação BARROSO, J. Cultura, cultura escolar, cultura de escola: princípios gerais da ad- ministração escolar. 2012. Disponível em: . Acesso em: 25 out. 2018. CASTRO, M. L. V.; FONSECA, M. C. L. Patrimônio imaterial no Brasil. Brasília: UNESCO, 2008. UNESCO. A carta das Nações Unidas. 2018. Disponível em: . Acesso em: 25 out. 2018. UNESCO. Convenção para a protecção do património mundial, cultural e natural. 1972. Disponível em: . Acesso em: 25 out. 2018. UNESCO. Convenção para a salvaguarda do patrimônio cultural imaterial. 2003. Dispo- nível em: . Acesso em: 25 out. 2018. Leituras recomendadas COMARU, L. F. O incentivo à cultura material e imaterial como um formador de identidade pessoa. 2018. Disponível em: . Acesso em: 25 out. 2018. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Educação patrimonial: histórico, conceitos e processos. Brasília: IPHAN, 2014. Disponível em: . Acesso em: 25 out. 2018. VALIM, M. D. C. A.; BONINI, L. M. M. Patrimônio cultural material e imaterial: as rezadeiras da festa do divino em Mogi das Cruzes (SP). Trama Interdisciplinar, São Paulo, v. 7, n. 1, p. 31-43, jan./abr. 2016. Disponível em: . Acesso em: 25 out. 2018. Sociologia da cultura e sua aplicação na educação10 PORTFÓLIO PESQUISA - REFLEXÃO - REDAÇÃO Vamos estudar. Os saberes e as vivências que fomentam as culturas locais, regionais e até as nacionais não precisam ficar restritos à abordagem histórica, mas podem receber uma releitura e fazer parte do cotidiano, conectando-se com novas abordagens, tecnologias e direcionamentos. Pesquise mais exemplos de conexão entre práticas e saberes ancestrais formadores da memória social e afetiva e componentes da contemporaneidade.Faça uma reflexão sobre o acima exposto e em seguida redija uma redação sobre o assunto. OBS: Para redigir sua resposta, use uma linguagem acadêmica. Faça um texto com no mínimo 10 linhas e máximo 15 linhas. Lembre-se de não escrever em primeira pessoa do singular, não usar gírias, usar as normas da ABNT: texto com fonte tamanho 12, fonte arial ou times, espaçamento 1,5 entre linhas, texto justificado. PESQUISA AUTO ESTUDO Faça uma reflexão sobre esse assunto. A criação de laços emotivos com elementos culturais tem impacto importante na formação da identidade. Quando se estudam os patrimônios culturais e sua relação com práticas educativas, normalmente o foco se mantém sobre expressões culturais coletivas, ou seja, aquelas que dizem respeito a uma comunidade ou região inteira. Pesquise em sua comunidade. Quais são os traços culturais que a identificam? Como são mantidos através das gerações? Como contribuem para a formação da identidade cultural de seus integrantes? N 013 - 01 - 19484 - SOCIOLOGIA DA CULTURA.pdf Página em branco máscara pronta.pdf