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DIREITOS SOCIAS X DIREITOS TRABALHISTAS 
 
INTRODUÇÃO 
 
A presente pesquisa abordará primeiramente os preceitos fundamentais 
concernentes aos direitos trabalhistas. A Constituição Federal de 1988, em seu 
artigo 1º, incisos II, II e IV, inaugura os valores sociais do trabalho e a livre 
iniciativa. O mundo contemporâneo, ao seu turno, viveu grandes evoluções na 
organização do trabalho, começando pela ruptura do modelo taylorista e fordista, 
passando para o padrão denominado Toyotismo ao se afastar da produção em 
massa, para que os custos fossem reduzidos, optando-se pela produção 
vinculada à demanda (MANUS, 2014, e-book). 
Como explica o ministro aposentado do TST, Pedro Paulo Manus (2014): 
Na indústria experimentamos a fase marcada pelo modelo de produção 
fordista, passando para o modo de produção taylorista e chegando ao 
denominado modelo de produção Toyotismo. Cada processo 
produtivo, com suas peculiaridades, trouxe inovações, com 
modificações nas estruturas empresariais buscando adequação às 
novidades e, por consequência, provocou modificações nas relações 
de trabalho e emprego (MANUS, 2014, EBOOK). 
 
 
Os trabalhadores que não se inseriam ou não se adequava à nova 
realidade, eram dispensados e colocados para realização de atividades meio. 
Iniciando assim uma restruturação nas empresas que se concentraram na 
realização da atividade-fim, e, passaram para as chamadas empresas 
periféricas, os serviços meramente instrumentais como a limpeza, segurança, 
transporte e alimentação. Essas empresas são as denominadas interpostas e 
prestam serviços para outra que é chamada de tomadora, sendo esse fenômeno 
chamado de terceirização. (MARTINEZ, 2010). 
Com enfoque nas conquistas relacionadas aos direitos trabalhistas, 
demonstrará o presente trabalho como se deu a luta pela conquista dos direitos 
sociais por meio das dimensões abaixo elencadas, tendo em vista que os direitos 
trabalhistas se tratam de direitos de segunda dimensão, portanto o mais 
explorado no presente trabalho. 
 
 
 
 
DIREITOS FUNDAMENTAIS E SOCIAIS 
 
Para compreensão dos direitos trabalhistas, é necessário a Priore de 
uma breve exploração sobre o direito do trabalho. 
Direitos esses que compreendem as normas jurídicas que regulam as 
relações entre o empregado e o empregador, englobando o contrato de trabalho, 
o registro do empregado, a rescisão, a despedida, as verbas trabalhistas, os 
salários e seus reajustes, a duração da jornada de trabalho (MANUS, 2003, 
p.21). 
Normas que regulam também o direito coletivo do trabalho, que trata de 
acordos coletivos de trabalho, da organização social, do direito de greve etc. 
O direito do trabalho volta-se a promoção da valorização da justiça social, 
para um melhor direcionamento das medidas estabelecidas entre a sociedade 
econômica, política, distribuição de riquezas, relações entre o homem e o Estado 
e a liberdade da sociedade (NASCIMENTO, 2011, p.100). 
Os direitos trabalhistas são frutos de grandes conquistas e evoluções nas 
relações de trabalho ao longo da história, começando a pequenas produções no 
campo, e logo após uma intensa migração de pessoas para a cidade, com o 
advento das indústrias que começaram a surgir. 
Com toda essa massa humana se deslocando para a cidade, surgem as 
aglomerações de operários nas fabricas, não havia uma regulamentação que 
estabelecesse padrões a serem seguidos, apenas os empregadores que 
ditavam as regras, não havia diferença entre homens e mulheres ou crianças, 
nesse contexto a exploração de mulheres e crianças sem nenhuma 
preocupação, sendo esse cenário cada vez mais insalubre. Logo começaram a 
gerar grande descontentamento das classes operárias, surgindo assim as lutas 
pelas regulamentações do trabalho (NASCIMENTO, 2011, p. 38-39). 
O começo da vida laboral não foi fácil, com a total falta de legislação que 
regulamentasse a pratica trabalhista, fase essa que marcou a história. 
Luciano Martinez classifica a evolução dos direitos trabalhistas por fases, 
sendo que a primeira a fase de formação, trata do período do começo do século 
XVIII, que foram escritas algumas normas trabalhistas, e logo após veio a 
publicação do manifesto comunista em 1848, fase essa chamada de 
efervescência, que foi até a edição da encíclica Rerun Novarum em 1891, 
doutrina que entende que o Estado deve intervir nas relações de trabalho e a 
fase da consolidação que se trata do período da publicação do Rerun Novarum 
em 1891, até em 1919, que foi celebrado o contrato de Versalhes. (MARTINEZ, 
2010, p.38). 
Logo após essa fase, veio o que se denomina fase de aperfeiçoamento, 
que é o constitucionalismo social, dando ensejo que as constituições dos países 
colocassem em seu texto constitucional as garantias fundamentais dos direitos 
trabalhistas (DELGADO, 2015, p.99). 
O tratado de Versalhes contribuiu para o surgimento do projeto da OIT 
(Organização Internacional do Trabalho), que teve sua fundação em 1919, e com 
a globalização das relações econômicas, as convenções realizadas pela OIT 
foram crescendo e sendo de extrema importância no direito do trabalho 
(DELGADO, 2015, p.101). 
Para as relações trabalhistas serem protegidas surge então o direito do 
trabalho que a doutrina consagra como sendo princípios e regras que norteiam 
as relações de trabalho em todos os âmbitos e suas consequências jurídicas. 
No ramo dos direitos trabalhistas ocorre o entrelaçamento com outros 
ramos do direito, como o direito constitucional, previdenciário, direitos humanos 
e direitos sociais. No Brasil em 1934, seguindo a tendência de outros países 
como França e Itália incluindo o constitucionalismo nas relações laborativas, e 
na constituição de 1988 adquiriu mais força os conceitos normativos da 
dignidade da pessoa humana, juntamente com a valorização do trabalho. 
Na previdência social, com a intervenção dos Estados nas relações de 
trabalho, como também na previdência, intervenção essa que começou em 
meados do século XIX, na Europa, o que também influenciou o Brasil, e na 
constituição de 1988, o texto regulamenta essa questão com mais rigor, sendo 
essa contribuição obrigatória para as entidades empresariais. 
Pela declaração dos Direitos Humanos, aprovada em 10 de novembro em 
1948, pelas nações unidas, “todos os homens nascem livres em dignidade e 
direitos”. O direito do trabalho se relaciona com os direitos humanos, pois sem a 
interferência de tratados e convenções ao longo da história dos direitos 
trabalhistas, não seria possível a universalidade de garantias fundamentais a 
dignidade da pessoa humana. 
No campo do Direito Social Marx e Engels, teve grande importância com 
suas influências na luta pelas melhores condições de trabalhos, o que contribuiu 
para as conquistas como a redução de jornadas de trabalho e repouso 
remunerado. 
Os Direitos Fundamentais são aqueles resguardados pela nossa 
constituição como o direito à vida, liberdade, igualdade, são direitos 
fundamentais que devem ser reconhecidos a todos os seres humanos, com 
dignidade e efetivamente. 
Nesse contexto a doutrina classifica os Direitos Fundamentais em 
dimensões, sendo elas inspiradas nas ideologias da revolução francesa de 
liberdade, igualdade e fraternidade, analisado sob o enfoque das evoluções 
históricas dos direitos fundamentais que foram sendo incluídos nas constituições 
dos Estados. 
A classificação das dimensões dos Direitos Humanos se deu em 
conferência internacional dos direitos humanos pelo jurista francês, Karel Vasak, 
sendo classificadas em três dimensões e posteriormente foram acrescidas por 
alguns autores que entendem que os direitos humanos vão até a quarta e quinta 
dimensão (RAMOS, 2014, p.48). 
 
 Direitos de primeira dimensão 
 
Os Direitos de primeira dimensão são classificados como aqueles que 
surgiram nas revoluções francesa e americana, que lutaram por menos 
intervenção do Estado na vida privada da sociedade,buscando assim mais 
liberdade, iniciando a fase de constitucionalização dos direitos a vida, religiosa, 
politica, propriedade, liberdade de expressão, entre outros. 
Como explica André de Carvalho Ramos (2014): 
 
“A primeira geração engloba os chamados direitos de liberdade, que 
são direitos às prestações negativas, nas quais o Estado deve proteger 
a esfera de autonomia do indivíduo. São denominados também 
“direitos de defesa”, pois protegem o indivíduo contra intervenções 
indevidas do Estado, possuindo caráter de distribuição de 
competências (limitação) entre o Estado e o ser humano. ” (RAMOS, 
2014, p. 49). 
 
 
Direitos esses que surgiram pelas revoluções no começo do século XVIII, 
na luta contra a imposição da monarquia na vida privada dos direitos da 
sociedade, em seus direitos civis e políticos entendendo que a intervenção do 
estado é negativa. 
Mas no começo do século XIX, surge os pensamentos socialistas na 
defesa dos direitos trabalhistas frente a imposição das relações de trabalho, fase 
denominada de direitos de segunda dimensão. 
 
 Direitos de segunda dimensão 
 
Os Direitos de segunda dimensão são conhecidos como uma fase que 
buscou a defesa dos direitos sociais, econômicos e culturais, uma participação 
do Estado ativamente para garantia não só da fiscalização dos direitos, mais a 
sua intervenção se necessário. Além de exigir do Estado a criação de políticas 
públicas que garantisse os direitos sociais como saúde, previdência social, 
educação. 
Nesse contexto, o que se destacou foi a lutas por melhores condições de 
trabalho para os trabalhadores, tanto em suas relações de trabalho quanto aos 
Direitos mínimos de existência para suprir as necessidades básicas. Momento 
esse que foi posto a ideia de que o Estado deveria agir ativamente para atender 
a população para garantir a dignidade e uma sociedade socialmente igualitária 
(FREDIANI, 2015, p.18). 
Uma das primeiras constituições a inserir os direitos sociais foi o México 
em 1919 que regulamentou os direitos sociais dos trabalhadores. (RAMOS, 
2014). 
“Os direitos humanos de segunda” geração são frutos das chamadas 
lutas sociais na Europa e América, sendo seu marco a Constituição 
mexicana de 1917 (que regulou o direito ao trabalho e à previdência 
social), a Constituição alemã de Weimar de 1919 (que, em sua parte). 
II, estabeleceu (os deveres do Estado na proteção dos direitos sociais) 
e, no Direito Internacional, o Tratado de Versailles, que criou a 
Organização Internacional do Trabalho, reconhecendo direitos dos 
trabalhadores.” (RAMOS,2014, p,50). 
 
Nesse sentido a segunda dimensão dos direitos humanos está 
relacionada a cada indivíduo, a intervenção do Estado na supressão das 
necessidades da sociedade de forma direta e indireta para melhores condições 
de vida nas situações de desigualdade social. 
Buscou assim a efetiva atuação dos Estados na prestação de serviços 
junto aos indivíduos para proteção de seus direitos com programas que 
funcionem de forma a positivar e assegurar os direitos da pessoa humana. 
Mauricio Godinho Delgado em seu curso de direito do trabalho, classifica 
essa segunda dimensão como fase, sendo essa a mais importante para história 
do direito do trabalho, pois foi o momento em que marcou pela luta dos 
trabalhadores e criações como o manifesto comunista (1848), criação da OIT e 
da Constituição de Weimar (DELGADO, 2015, p.101). 
Com a edição do manifesto comunista a classe operaria passou a ter 
consciência de sua importância para a história, o que iniciou o processo liberal, 
os trabalhadores começaram a entender que estavam sendo explorados e não 
obteve reconhecimento algum, o que gerou uma série de reivindicações por 
melhores condições de trabalho (MARQUES, 2006, p. 53). 
O que trouxe mais estrutura para movimentos dos trabalhadores na 
reivindicação de seus direitos, também o direito a associação sindical e direito 
de greve, jornada de trabalho, entre outros. 
Portanto as mudanças que surgiram após esse marco foram de estrema 
relevância para as conquistas nos direitos trabalhistas como após algumas 
décadas começou o crescente surgimento das leis de trabalho nos países 
europeus, como a reunião para conferencia com a reunião de 14 países em 
Berlim para regulamentação do mercado de trabalho. 
Outro momento marcante foi o documento conhecido como Encíclica 
Rerum Novarum criado em 1891, que foi editada pelo Papa Leão XIII, nesse 
manifesto a igreja pede ao Estado que se comprometa na regulamentação das 
relações de trabalho. 
Em referência ao Rerum Novarum Mauricio Delgado Godinho explica que: 
O surgimento, em 1891, da Encíclica Rerum Novarum, editada pelo 
Papa Leão XIII. O documento traduz manifestação oficial da Igreja 
Católica, de notável influência na época.com respeito à questão social, 
exigindo do Estado e das classes dirigentes postura mais 
compreensiva sobre a necessidade de regulação das relações 
trabalhistas (DELGADO, 2015, p.102). 
 
 
Com essa proposta a igreja pedia que o Estado se manifestasse na falta 
de equilíbrio nas relações de trabalho, pedindo ao estado a garantia para os 
trabalhadores quanto a sua dignidade e que os operários deveriam ter descanso 
semanal e jornada de oito horas. O que gerou o constitucionalismo constitucional 
dando ênfase nos direitos fundamentais que posteriormente vieram a ser 
inseridos por vários países em suas constituições (HUME, 2009, pag. 09). 
 
Direitos de Terceira dimensão 
 
Os Direitos de terceira dimensão são classificados como aqueles direitos 
transindividuais de cunho da coletividade para desenvolvimento dos direitos a 
paz, proteção ao meio ambiente. Essa dimensão também é conhecida por 
defender os direitos de solidariedade e fraternidade, pois é a defesa dos direitos 
da coletividade sendo os direitos difusos ou coletivos. A busca pela melhor 
qualidade de vida, fazendo surgir a preocupação pelo meio ambiente sustentável 
não apenas pelo Estado, mas pelo setor privado e os indivíduos (Marques, 2006, 
pag.54). 
Nesse pensamento Yone Frediani, expõe que: 
 
“Os direitos de terceira geração são corolários do princípio da 
solidariedade ou fraternidade. Trata-se de direitos metaindividuais, de 
implicação universal, que têm origem nos novos anseios da sociedade 
no que se refere ao desenvolvimento sustentável e à conservação 
Proteção do meio ambiente para os presentes e futuras gerações 
humanas.” (FREDIANI, 2014, p.21). 
 
 
 
O Brasil teve em sua Constituição de 1934 a primeira referência 
influenciada pela constituição de Weimar, que traz em seu bojo os direitos 
sociais, a partir de então foram inseridos os direitos sociais nas demais 
constituições que surgiram desde então. Na constituição de 1988, intitulada 
constituição cidadã, com um capítulo especial para os direitos sociais no capítulo 
II, no artigo 6º, sendo esses os “direitos sociais a educação, a saúde, a 
alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a 
proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma 
desta Constituição”. 
O que mostra nesse contexto a garantia estabelecida pela nossa carta 
magna que são de estrema importância para melhor qualidade de vida e bem-
estar social no desenvolvimento de um Estado democrático de direito. (COSTA, 
2012). 
 
 FONTES HISTÓRICAS DOS DIREITOS TRABALHISTAS NO BRASIL 
 
O Direito do trabalho é caracterizado pelos princípios que regem os 
direitos relacionados aos trabalhadores e suas relações com os empregadores 
e normas que regulamentam a proteção das classes trabalhadoras, conforme os 
regramentos constitucionais. No artigo 7º da Constituição Federal encontra-se o 
rol dos direitos que são assegurados aos trabalhadores. 
A formação histórica dos diretos trabalhistas no Brasil ocorreu através de 
um sistema de escravidão que existia em nosso País a época da colonização, e 
logo após a lei áurea em 1888, que por meio dessedocumento iniciaram-se 
revoluções de relevância na história dos direitos trabalhistas no Brasil. 
(DELGADO, 2015, p.111). 
A longa jornada escravagista ocorrida de forma legal no Brasil que 
perdurou por quase 400 anos, atingiram efeitos devastadores para a classe 
trabalhista, em especial os que realizavam trabalhos braçais. As pessoas pobres 
eram menosprezadas pela classe rica, enquanto os que tinham cursos 
superiores eram considerados a elite da sociedade. 
Nesse contexto Fábio Konder Comaparato (2013) analisa essa fase em 
que os trabalhadores buscaram o reconhecimento de seus direitos sendo 
necessárias muitas lutas para tal reconhecimento, sendo que a primeira lei a 
reconhecer os direitos trabalhistas no Brasil aconteceu por meio da vinda de 
trabalhadores Europeus com a Lei de 13 de setembro de 1830, que regulou “os 
contratos de serviços de Brasileiros e Estrangeiros”, e a Lei nº 108, de 11 de 
outubro de 1837, que deu “providências sobre os contratos de locação de 
serviços de colonos” (COMPARATO, 2013 e-book). 
A luta por melhores condições de trabalho foram paulatinamente 
ocorrendo, posto que, em sua maioria os trabalhadores mesmo com leis que 
garantissem certos direitos, aconteciam em especial nas áreas de trabalho rural, 
uma grande exploração, sendo considerado trabalho análogo ao escravo, o que 
acontece até os dias atuais. 
Amauri Mascaro nascimento, explica as fases da luta pelos direitos de 
melhorias nas relações de trabalho no Brasil que começou com pequenas greves 
em todos os estados brasileiros, mais a de maior repercussão foi em 1917 em 
são Paulo no bairro da Mooca, operários que reivindicaram por melhores 
condições de trabalho e aumento salarial, juntando com funcionários de várias 
empresas totalizando o número de 20.000 pessoas no dia 12 de julho de 1917, 
sendo que 12 cidades aderiram à greve, nesse contexto os jornalistas interviram 
para ajudar na intermediação e em 15 de julho foi acordado o aumento de 20% 
mais a garantia de que nenhum empregado fosse despedido, por causa da 
greve, além de libertar os funcionários que foram presos. (NASCIMENTO, 2011, 
p. 89 e 90) 
Com a chegada de Getúlio Vargas ao poder em 1930, a questão do 
Estado liberal é quebrada, surge várias legislações em relação as questões 
trabalhistas, tanto nos direitos individuais quanto coletivo. Também ocorre a 
pluralidade de sindicatos, que logo após 1937, é substituído pelo regime de 
sindicato único. (NASCIMENTO, 2011, p. 85) 
Surgiram então políticas que tratassem das relações trabalhistas pelo 
legislativo, com a política de Getúlio Vargas que com influência do modelo 
italiano de corporativismo, criou em 1930 o ministério do trabalho, indústria e 
comercio pelo decreto nº 19433. Com a influência de ideias na defesa dos 
direitos sociais dos trabalhadores por todo o País, em 1931 o decreto nº 19770 
que autoriza o sindicalismo, que defendem os direitos dos associados aos 
respectivos sindicados. Os regulamentos que tratavam das relações de trabalho 
começaram a ficar esparsas sem uma forma especifica assim em 1943 pelo 
decreto lei nº 5.452 foi criada a consolidação das leis trabalhistas (CLT), e com 
as fases seguintes como a constituição de 1946, houve várias modificações 
através de decretos leis (NASCIMENTO, 2011, p. 87). 
No período em que ouve o golpe militar, a classe trabalhadora brasileira 
sofreu uma grande repressão, como se tivéssemos voltados à era do fim da 
escrava, onde tivermos que começar tudo de novo. 
Em 05 de outubro de 1988, com a promulgação da nova constituição, o 
nosso sistema jurídico trabalhista favoreceu com bastante relevância o Estado 
Democrático de Direito e positivando ainda mais as liberdades sociais e 
ampliação das garantias dos direitos sociais (NASCIMENTO, 2011, p.108,). 
Nas palavras de Laercio Lopes da Silva (2015): 
 
“A constitucionalização do direito no Brasil se deu somente com o 
advento da constituição federal de 1988, quando todo o direito sofreu 
uma grande transformação, sobretudo o direito do trabalho que tem em 
um dos lados do contrato uma pessoa humana.” (SILVA, 2015, pag.41) 
 
 
O movimento sindical começa a se posicionar, com o fim do governo 
militar frente aos momentos na defesa dos trabalhadores. Nesse contexto a 
Constituição Federal consagra em seu texto a liberdade sindical em seu artigo 
8º, com algumas ressalvas. 
Nesse sentido para observarmos o progresso das leis trabalhistas é 
relevante o entendimento das fontes que originam tais normas. Assim a doutrina 
estabelece as fontes do direito do trabalho. 
Sergio Pinto Martins classifica as fontes do direito do trabalho como: a 
constituição, os decretos, as leis, os costumes, os acordos, as sentenças 
normativas, as convenções, contrato de trabalho e regulamento de empresa 
(MARTINS, 2012, p.41). 
A primeira Constituição Brasileira a inserir os direitos trabalhistas foi a de 
1934, a partir de então todas as demais constituições tratou do tema, em especial 
a constituição de 1988 que em seu artigo 7º aos 11, que dá uma atenção maior 
colocando uma gama de direitos aos trabalhadores. 
O direito do trabalho é de competência da União, que conforme artigo 22, 
I, da Constituição Federal poderá legislar. 
A Constituição é a fonte de maior importância, posto que dela se deriva 
as demais normas, sendo que as regras estabelecidas devem ser observadas 
(MANUS, 2003). 
No direito trabalhista encontramos diversos dispositivos legais, mais a 
principal lei que trata das relações trabalhistas é a consolidação das leis 
trabalhistas (CLT), veio para organizar a legislação esparsa que já existia, 
também existem outras legislações que trata dos direitos dos trabalhos, como a 
lei de repouso semanal, trabalhador rural, lei da doméstica, temporário, greve, 
entre outras (MARTINS, 2013, p.41- 42). 
 Os atos do poder executivo também são fontes que podem ser utilizadas, 
sendo esse instituto usado para executar em certos períodos como os decretos, 
por exemplo, a CLT, que foram por meio do decreto nº 5.452 de 1943. Os 
decretos visam o cumprimento da legislação sendo que são atos exclusivos do 
chefe do executivo. 
Já as sentenças normativas são decisões dos tribunais regionais do 
trabalho ou do tribunal superior do trabalho (TST), conforme está elencada no 
artigo 114, caput, e no parágrafo 2º da constituição federal, às sentenças 
normativas acontece por meio de decisões que são apreciadas nesses tribunais 
por meio de sentença em dissidio coletivo, sendo possível a criação ou 
modificações das condições de trabalho. Com seu efeito erga omnes, para os 
que integram a categoria envolvida no dissidio coletivo. (MARTINS, 2013, p.42) 
As Convenções e acordos coletivos podem ser usados nas negociações 
onde as entidades sindicais representando as categorias patronais ou dos 
trabalhadores, criam acordos com uma ou mais empresas na aplicação das 
condições de trabalho. A Constituição Federal em seu artigo 7º, XXVI, reconhece 
as convenções e os acordos coletivos (MARTINS, 2013, p.43). 
As empresas também podem se utilizar dos regulamentos internos para 
dispor sobre as relações entre empregado e empregador, em que o empregador 
unilateralmente ou com a contribuição dos empregados prescreve, sendo que 
este regulamento não pode infringir as leis laborais, com intuito de frauda-las ou 
desvirtua-las. Esse dispositivo é de utilização em casos como por exemplo em 
que a lei não define determinadas condutas e as empresas deseja modular 
questões que não estão claras pela lei. 
Quando há o consentimento desse regulamento ele não pode ser retirado 
do trabalhador, como demonstra a súmula 51, I, do TST, “as cláusulas 
regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, 
só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do 
regulamento” (MARTINEZ, 2010). 
Nesse contexto os usos e costumes são entendidos pela doutrina como 
uma fonteque integra as fontes laborais desde os primórdios, pois é considerado 
como sendo as práticas reiteradas pela sociedade que inicialmente não tinha 
uma lei que os direcionasse. Os usos e costumes começaram sendo utilizado 
pela igreja e posteriormente surgiu o sistema common law, que entende não 
existir lei escrita as leis decorrem da tradição e do costume. 
O uso é entendido como aquilo que é reiterado é o elemento objetivo do 
costume. Sergio pinto Martins que classifica os costumes em extra legem (fora 
da lei), sendo essa hipótese em casos que há uma lacuna na lei; secundum 
legem, conforme o que a lei dispõe; contra legem, contrário a lei. 
As práticas relacionadas aos usos e costumes, podem se tornar lei como 
exemplo do 13º salario, os empregadores tinham o hábito de gratificarem seus 
funcionários nos feriados natalinos e a lei nº 4.090 de 1962, originou-se dessa 
prática (MARTINS, 2013, p.44). 
As fontes trabalhistas também podem se valer das normas internacionais 
como exemplo temos as convenções decorrentes dos tratados e convenções da 
organização internacional do trabalho (OIT). 
 Vários países compõem a OIT, o Brasil também está entre esses países 
que fazem parte da OIT, as convenções originarias são submetidas a apreciação 
e o Brasil pode ratifica-las ou não. Sendo essa competência com base no artigo 
49, I, da constituição Federal, exclusiva do congresso nacional que terá 
competência para ratificar ou não as convenções da organização do trabalho 
(MANUS, 2003). 
 Fábio Konder Comparato (2013) ao analisar o direito trabalhista Brasileiro 
explica que 
 
 A Constituição de 1988, em disposição inovadora, acrescentou aos 
direitos e garantias por ela especificados, os que forem objeto de 
tratados internacionais em que o Estado brasileiro seja parte (art. 5º, § 
2º), ou seja, em boa lógica, os tratados internacionais sobre direitos 
humanos que vinculam o Brasil, incluindo, portanto, as convenções 
internacionais sobre direitos trabalhistas, equiparam-se às normas 
constitucionais. (COMPARATO, 2013, p.07) 
 
 
CONCLUSÃO 
 
 
Como conclusão do presente trabalho que teve o objetivo de mostrar a 
trajetória dos direitos trabalhistas e mudanças nas relações de trabalho, o que 
gerou a necessidade de que a população buscasse uma valorização dos seus 
direitos através de muitas lutas sociais ao longo da história. 
Com grandes líderes na luta pelos direitos fundamentais ao longo da 
história, com isso conclui que a evolução da humanidade em todos sentidos se 
dá através de um povo que se une em prol de um bem comum e que tais 
evoluções não seria possível se as pessoas não estivessem dispostas a 
lutarem pelos seus direitos ao longo da história, fatos esses que são 
importantes para as futuras gerações compreenderem a evolução da 
sociedade.

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