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DIREITOS SOCIAS X DIREITOS TRABALHISTAS INTRODUÇÃO A presente pesquisa abordará primeiramente os preceitos fundamentais concernentes aos direitos trabalhistas. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 1º, incisos II, II e IV, inaugura os valores sociais do trabalho e a livre iniciativa. O mundo contemporâneo, ao seu turno, viveu grandes evoluções na organização do trabalho, começando pela ruptura do modelo taylorista e fordista, passando para o padrão denominado Toyotismo ao se afastar da produção em massa, para que os custos fossem reduzidos, optando-se pela produção vinculada à demanda (MANUS, 2014, e-book). Como explica o ministro aposentado do TST, Pedro Paulo Manus (2014): Na indústria experimentamos a fase marcada pelo modelo de produção fordista, passando para o modo de produção taylorista e chegando ao denominado modelo de produção Toyotismo. Cada processo produtivo, com suas peculiaridades, trouxe inovações, com modificações nas estruturas empresariais buscando adequação às novidades e, por consequência, provocou modificações nas relações de trabalho e emprego (MANUS, 2014, EBOOK). Os trabalhadores que não se inseriam ou não se adequava à nova realidade, eram dispensados e colocados para realização de atividades meio. Iniciando assim uma restruturação nas empresas que se concentraram na realização da atividade-fim, e, passaram para as chamadas empresas periféricas, os serviços meramente instrumentais como a limpeza, segurança, transporte e alimentação. Essas empresas são as denominadas interpostas e prestam serviços para outra que é chamada de tomadora, sendo esse fenômeno chamado de terceirização. (MARTINEZ, 2010). Com enfoque nas conquistas relacionadas aos direitos trabalhistas, demonstrará o presente trabalho como se deu a luta pela conquista dos direitos sociais por meio das dimensões abaixo elencadas, tendo em vista que os direitos trabalhistas se tratam de direitos de segunda dimensão, portanto o mais explorado no presente trabalho. DIREITOS FUNDAMENTAIS E SOCIAIS Para compreensão dos direitos trabalhistas, é necessário a Priore de uma breve exploração sobre o direito do trabalho. Direitos esses que compreendem as normas jurídicas que regulam as relações entre o empregado e o empregador, englobando o contrato de trabalho, o registro do empregado, a rescisão, a despedida, as verbas trabalhistas, os salários e seus reajustes, a duração da jornada de trabalho (MANUS, 2003, p.21). Normas que regulam também o direito coletivo do trabalho, que trata de acordos coletivos de trabalho, da organização social, do direito de greve etc. O direito do trabalho volta-se a promoção da valorização da justiça social, para um melhor direcionamento das medidas estabelecidas entre a sociedade econômica, política, distribuição de riquezas, relações entre o homem e o Estado e a liberdade da sociedade (NASCIMENTO, 2011, p.100). Os direitos trabalhistas são frutos de grandes conquistas e evoluções nas relações de trabalho ao longo da história, começando a pequenas produções no campo, e logo após uma intensa migração de pessoas para a cidade, com o advento das indústrias que começaram a surgir. Com toda essa massa humana se deslocando para a cidade, surgem as aglomerações de operários nas fabricas, não havia uma regulamentação que estabelecesse padrões a serem seguidos, apenas os empregadores que ditavam as regras, não havia diferença entre homens e mulheres ou crianças, nesse contexto a exploração de mulheres e crianças sem nenhuma preocupação, sendo esse cenário cada vez mais insalubre. Logo começaram a gerar grande descontentamento das classes operárias, surgindo assim as lutas pelas regulamentações do trabalho (NASCIMENTO, 2011, p. 38-39). O começo da vida laboral não foi fácil, com a total falta de legislação que regulamentasse a pratica trabalhista, fase essa que marcou a história. Luciano Martinez classifica a evolução dos direitos trabalhistas por fases, sendo que a primeira a fase de formação, trata do período do começo do século XVIII, que foram escritas algumas normas trabalhistas, e logo após veio a publicação do manifesto comunista em 1848, fase essa chamada de efervescência, que foi até a edição da encíclica Rerun Novarum em 1891, doutrina que entende que o Estado deve intervir nas relações de trabalho e a fase da consolidação que se trata do período da publicação do Rerun Novarum em 1891, até em 1919, que foi celebrado o contrato de Versalhes. (MARTINEZ, 2010, p.38). Logo após essa fase, veio o que se denomina fase de aperfeiçoamento, que é o constitucionalismo social, dando ensejo que as constituições dos países colocassem em seu texto constitucional as garantias fundamentais dos direitos trabalhistas (DELGADO, 2015, p.99). O tratado de Versalhes contribuiu para o surgimento do projeto da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que teve sua fundação em 1919, e com a globalização das relações econômicas, as convenções realizadas pela OIT foram crescendo e sendo de extrema importância no direito do trabalho (DELGADO, 2015, p.101). Para as relações trabalhistas serem protegidas surge então o direito do trabalho que a doutrina consagra como sendo princípios e regras que norteiam as relações de trabalho em todos os âmbitos e suas consequências jurídicas. No ramo dos direitos trabalhistas ocorre o entrelaçamento com outros ramos do direito, como o direito constitucional, previdenciário, direitos humanos e direitos sociais. No Brasil em 1934, seguindo a tendência de outros países como França e Itália incluindo o constitucionalismo nas relações laborativas, e na constituição de 1988 adquiriu mais força os conceitos normativos da dignidade da pessoa humana, juntamente com a valorização do trabalho. Na previdência social, com a intervenção dos Estados nas relações de trabalho, como também na previdência, intervenção essa que começou em meados do século XIX, na Europa, o que também influenciou o Brasil, e na constituição de 1988, o texto regulamenta essa questão com mais rigor, sendo essa contribuição obrigatória para as entidades empresariais. Pela declaração dos Direitos Humanos, aprovada em 10 de novembro em 1948, pelas nações unidas, “todos os homens nascem livres em dignidade e direitos”. O direito do trabalho se relaciona com os direitos humanos, pois sem a interferência de tratados e convenções ao longo da história dos direitos trabalhistas, não seria possível a universalidade de garantias fundamentais a dignidade da pessoa humana. No campo do Direito Social Marx e Engels, teve grande importância com suas influências na luta pelas melhores condições de trabalhos, o que contribuiu para as conquistas como a redução de jornadas de trabalho e repouso remunerado. Os Direitos Fundamentais são aqueles resguardados pela nossa constituição como o direito à vida, liberdade, igualdade, são direitos fundamentais que devem ser reconhecidos a todos os seres humanos, com dignidade e efetivamente. Nesse contexto a doutrina classifica os Direitos Fundamentais em dimensões, sendo elas inspiradas nas ideologias da revolução francesa de liberdade, igualdade e fraternidade, analisado sob o enfoque das evoluções históricas dos direitos fundamentais que foram sendo incluídos nas constituições dos Estados. A classificação das dimensões dos Direitos Humanos se deu em conferência internacional dos direitos humanos pelo jurista francês, Karel Vasak, sendo classificadas em três dimensões e posteriormente foram acrescidas por alguns autores que entendem que os direitos humanos vão até a quarta e quinta dimensão (RAMOS, 2014, p.48). Direitos de primeira dimensão Os Direitos de primeira dimensão são classificados como aqueles que surgiram nas revoluções francesa e americana, que lutaram por menos intervenção do Estado na vida privada da sociedade,buscando assim mais liberdade, iniciando a fase de constitucionalização dos direitos a vida, religiosa, politica, propriedade, liberdade de expressão, entre outros. Como explica André de Carvalho Ramos (2014): “A primeira geração engloba os chamados direitos de liberdade, que são direitos às prestações negativas, nas quais o Estado deve proteger a esfera de autonomia do indivíduo. São denominados também “direitos de defesa”, pois protegem o indivíduo contra intervenções indevidas do Estado, possuindo caráter de distribuição de competências (limitação) entre o Estado e o ser humano. ” (RAMOS, 2014, p. 49). Direitos esses que surgiram pelas revoluções no começo do século XVIII, na luta contra a imposição da monarquia na vida privada dos direitos da sociedade, em seus direitos civis e políticos entendendo que a intervenção do estado é negativa. Mas no começo do século XIX, surge os pensamentos socialistas na defesa dos direitos trabalhistas frente a imposição das relações de trabalho, fase denominada de direitos de segunda dimensão. Direitos de segunda dimensão Os Direitos de segunda dimensão são conhecidos como uma fase que buscou a defesa dos direitos sociais, econômicos e culturais, uma participação do Estado ativamente para garantia não só da fiscalização dos direitos, mais a sua intervenção se necessário. Além de exigir do Estado a criação de políticas públicas que garantisse os direitos sociais como saúde, previdência social, educação. Nesse contexto, o que se destacou foi a lutas por melhores condições de trabalho para os trabalhadores, tanto em suas relações de trabalho quanto aos Direitos mínimos de existência para suprir as necessidades básicas. Momento esse que foi posto a ideia de que o Estado deveria agir ativamente para atender a população para garantir a dignidade e uma sociedade socialmente igualitária (FREDIANI, 2015, p.18). Uma das primeiras constituições a inserir os direitos sociais foi o México em 1919 que regulamentou os direitos sociais dos trabalhadores. (RAMOS, 2014). “Os direitos humanos de segunda” geração são frutos das chamadas lutas sociais na Europa e América, sendo seu marco a Constituição mexicana de 1917 (que regulou o direito ao trabalho e à previdência social), a Constituição alemã de Weimar de 1919 (que, em sua parte). II, estabeleceu (os deveres do Estado na proteção dos direitos sociais) e, no Direito Internacional, o Tratado de Versailles, que criou a Organização Internacional do Trabalho, reconhecendo direitos dos trabalhadores.” (RAMOS,2014, p,50). Nesse sentido a segunda dimensão dos direitos humanos está relacionada a cada indivíduo, a intervenção do Estado na supressão das necessidades da sociedade de forma direta e indireta para melhores condições de vida nas situações de desigualdade social. Buscou assim a efetiva atuação dos Estados na prestação de serviços junto aos indivíduos para proteção de seus direitos com programas que funcionem de forma a positivar e assegurar os direitos da pessoa humana. Mauricio Godinho Delgado em seu curso de direito do trabalho, classifica essa segunda dimensão como fase, sendo essa a mais importante para história do direito do trabalho, pois foi o momento em que marcou pela luta dos trabalhadores e criações como o manifesto comunista (1848), criação da OIT e da Constituição de Weimar (DELGADO, 2015, p.101). Com a edição do manifesto comunista a classe operaria passou a ter consciência de sua importância para a história, o que iniciou o processo liberal, os trabalhadores começaram a entender que estavam sendo explorados e não obteve reconhecimento algum, o que gerou uma série de reivindicações por melhores condições de trabalho (MARQUES, 2006, p. 53). O que trouxe mais estrutura para movimentos dos trabalhadores na reivindicação de seus direitos, também o direito a associação sindical e direito de greve, jornada de trabalho, entre outros. Portanto as mudanças que surgiram após esse marco foram de estrema relevância para as conquistas nos direitos trabalhistas como após algumas décadas começou o crescente surgimento das leis de trabalho nos países europeus, como a reunião para conferencia com a reunião de 14 países em Berlim para regulamentação do mercado de trabalho. Outro momento marcante foi o documento conhecido como Encíclica Rerum Novarum criado em 1891, que foi editada pelo Papa Leão XIII, nesse manifesto a igreja pede ao Estado que se comprometa na regulamentação das relações de trabalho. Em referência ao Rerum Novarum Mauricio Delgado Godinho explica que: O surgimento, em 1891, da Encíclica Rerum Novarum, editada pelo Papa Leão XIII. O documento traduz manifestação oficial da Igreja Católica, de notável influência na época.com respeito à questão social, exigindo do Estado e das classes dirigentes postura mais compreensiva sobre a necessidade de regulação das relações trabalhistas (DELGADO, 2015, p.102). Com essa proposta a igreja pedia que o Estado se manifestasse na falta de equilíbrio nas relações de trabalho, pedindo ao estado a garantia para os trabalhadores quanto a sua dignidade e que os operários deveriam ter descanso semanal e jornada de oito horas. O que gerou o constitucionalismo constitucional dando ênfase nos direitos fundamentais que posteriormente vieram a ser inseridos por vários países em suas constituições (HUME, 2009, pag. 09). Direitos de Terceira dimensão Os Direitos de terceira dimensão são classificados como aqueles direitos transindividuais de cunho da coletividade para desenvolvimento dos direitos a paz, proteção ao meio ambiente. Essa dimensão também é conhecida por defender os direitos de solidariedade e fraternidade, pois é a defesa dos direitos da coletividade sendo os direitos difusos ou coletivos. A busca pela melhor qualidade de vida, fazendo surgir a preocupação pelo meio ambiente sustentável não apenas pelo Estado, mas pelo setor privado e os indivíduos (Marques, 2006, pag.54). Nesse pensamento Yone Frediani, expõe que: “Os direitos de terceira geração são corolários do princípio da solidariedade ou fraternidade. Trata-se de direitos metaindividuais, de implicação universal, que têm origem nos novos anseios da sociedade no que se refere ao desenvolvimento sustentável e à conservação Proteção do meio ambiente para os presentes e futuras gerações humanas.” (FREDIANI, 2014, p.21). O Brasil teve em sua Constituição de 1934 a primeira referência influenciada pela constituição de Weimar, que traz em seu bojo os direitos sociais, a partir de então foram inseridos os direitos sociais nas demais constituições que surgiram desde então. Na constituição de 1988, intitulada constituição cidadã, com um capítulo especial para os direitos sociais no capítulo II, no artigo 6º, sendo esses os “direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. O que mostra nesse contexto a garantia estabelecida pela nossa carta magna que são de estrema importância para melhor qualidade de vida e bem- estar social no desenvolvimento de um Estado democrático de direito. (COSTA, 2012). FONTES HISTÓRICAS DOS DIREITOS TRABALHISTAS NO BRASIL O Direito do trabalho é caracterizado pelos princípios que regem os direitos relacionados aos trabalhadores e suas relações com os empregadores e normas que regulamentam a proteção das classes trabalhadoras, conforme os regramentos constitucionais. No artigo 7º da Constituição Federal encontra-se o rol dos direitos que são assegurados aos trabalhadores. A formação histórica dos diretos trabalhistas no Brasil ocorreu através de um sistema de escravidão que existia em nosso País a época da colonização, e logo após a lei áurea em 1888, que por meio dessedocumento iniciaram-se revoluções de relevância na história dos direitos trabalhistas no Brasil. (DELGADO, 2015, p.111). A longa jornada escravagista ocorrida de forma legal no Brasil que perdurou por quase 400 anos, atingiram efeitos devastadores para a classe trabalhista, em especial os que realizavam trabalhos braçais. As pessoas pobres eram menosprezadas pela classe rica, enquanto os que tinham cursos superiores eram considerados a elite da sociedade. Nesse contexto Fábio Konder Comaparato (2013) analisa essa fase em que os trabalhadores buscaram o reconhecimento de seus direitos sendo necessárias muitas lutas para tal reconhecimento, sendo que a primeira lei a reconhecer os direitos trabalhistas no Brasil aconteceu por meio da vinda de trabalhadores Europeus com a Lei de 13 de setembro de 1830, que regulou “os contratos de serviços de Brasileiros e Estrangeiros”, e a Lei nº 108, de 11 de outubro de 1837, que deu “providências sobre os contratos de locação de serviços de colonos” (COMPARATO, 2013 e-book). A luta por melhores condições de trabalho foram paulatinamente ocorrendo, posto que, em sua maioria os trabalhadores mesmo com leis que garantissem certos direitos, aconteciam em especial nas áreas de trabalho rural, uma grande exploração, sendo considerado trabalho análogo ao escravo, o que acontece até os dias atuais. Amauri Mascaro nascimento, explica as fases da luta pelos direitos de melhorias nas relações de trabalho no Brasil que começou com pequenas greves em todos os estados brasileiros, mais a de maior repercussão foi em 1917 em são Paulo no bairro da Mooca, operários que reivindicaram por melhores condições de trabalho e aumento salarial, juntando com funcionários de várias empresas totalizando o número de 20.000 pessoas no dia 12 de julho de 1917, sendo que 12 cidades aderiram à greve, nesse contexto os jornalistas interviram para ajudar na intermediação e em 15 de julho foi acordado o aumento de 20% mais a garantia de que nenhum empregado fosse despedido, por causa da greve, além de libertar os funcionários que foram presos. (NASCIMENTO, 2011, p. 89 e 90) Com a chegada de Getúlio Vargas ao poder em 1930, a questão do Estado liberal é quebrada, surge várias legislações em relação as questões trabalhistas, tanto nos direitos individuais quanto coletivo. Também ocorre a pluralidade de sindicatos, que logo após 1937, é substituído pelo regime de sindicato único. (NASCIMENTO, 2011, p. 85) Surgiram então políticas que tratassem das relações trabalhistas pelo legislativo, com a política de Getúlio Vargas que com influência do modelo italiano de corporativismo, criou em 1930 o ministério do trabalho, indústria e comercio pelo decreto nº 19433. Com a influência de ideias na defesa dos direitos sociais dos trabalhadores por todo o País, em 1931 o decreto nº 19770 que autoriza o sindicalismo, que defendem os direitos dos associados aos respectivos sindicados. Os regulamentos que tratavam das relações de trabalho começaram a ficar esparsas sem uma forma especifica assim em 1943 pelo decreto lei nº 5.452 foi criada a consolidação das leis trabalhistas (CLT), e com as fases seguintes como a constituição de 1946, houve várias modificações através de decretos leis (NASCIMENTO, 2011, p. 87). No período em que ouve o golpe militar, a classe trabalhadora brasileira sofreu uma grande repressão, como se tivéssemos voltados à era do fim da escrava, onde tivermos que começar tudo de novo. Em 05 de outubro de 1988, com a promulgação da nova constituição, o nosso sistema jurídico trabalhista favoreceu com bastante relevância o Estado Democrático de Direito e positivando ainda mais as liberdades sociais e ampliação das garantias dos direitos sociais (NASCIMENTO, 2011, p.108,). Nas palavras de Laercio Lopes da Silva (2015): “A constitucionalização do direito no Brasil se deu somente com o advento da constituição federal de 1988, quando todo o direito sofreu uma grande transformação, sobretudo o direito do trabalho que tem em um dos lados do contrato uma pessoa humana.” (SILVA, 2015, pag.41) O movimento sindical começa a se posicionar, com o fim do governo militar frente aos momentos na defesa dos trabalhadores. Nesse contexto a Constituição Federal consagra em seu texto a liberdade sindical em seu artigo 8º, com algumas ressalvas. Nesse sentido para observarmos o progresso das leis trabalhistas é relevante o entendimento das fontes que originam tais normas. Assim a doutrina estabelece as fontes do direito do trabalho. Sergio Pinto Martins classifica as fontes do direito do trabalho como: a constituição, os decretos, as leis, os costumes, os acordos, as sentenças normativas, as convenções, contrato de trabalho e regulamento de empresa (MARTINS, 2012, p.41). A primeira Constituição Brasileira a inserir os direitos trabalhistas foi a de 1934, a partir de então todas as demais constituições tratou do tema, em especial a constituição de 1988 que em seu artigo 7º aos 11, que dá uma atenção maior colocando uma gama de direitos aos trabalhadores. O direito do trabalho é de competência da União, que conforme artigo 22, I, da Constituição Federal poderá legislar. A Constituição é a fonte de maior importância, posto que dela se deriva as demais normas, sendo que as regras estabelecidas devem ser observadas (MANUS, 2003). No direito trabalhista encontramos diversos dispositivos legais, mais a principal lei que trata das relações trabalhistas é a consolidação das leis trabalhistas (CLT), veio para organizar a legislação esparsa que já existia, também existem outras legislações que trata dos direitos dos trabalhos, como a lei de repouso semanal, trabalhador rural, lei da doméstica, temporário, greve, entre outras (MARTINS, 2013, p.41- 42). Os atos do poder executivo também são fontes que podem ser utilizadas, sendo esse instituto usado para executar em certos períodos como os decretos, por exemplo, a CLT, que foram por meio do decreto nº 5.452 de 1943. Os decretos visam o cumprimento da legislação sendo que são atos exclusivos do chefe do executivo. Já as sentenças normativas são decisões dos tribunais regionais do trabalho ou do tribunal superior do trabalho (TST), conforme está elencada no artigo 114, caput, e no parágrafo 2º da constituição federal, às sentenças normativas acontece por meio de decisões que são apreciadas nesses tribunais por meio de sentença em dissidio coletivo, sendo possível a criação ou modificações das condições de trabalho. Com seu efeito erga omnes, para os que integram a categoria envolvida no dissidio coletivo. (MARTINS, 2013, p.42) As Convenções e acordos coletivos podem ser usados nas negociações onde as entidades sindicais representando as categorias patronais ou dos trabalhadores, criam acordos com uma ou mais empresas na aplicação das condições de trabalho. A Constituição Federal em seu artigo 7º, XXVI, reconhece as convenções e os acordos coletivos (MARTINS, 2013, p.43). As empresas também podem se utilizar dos regulamentos internos para dispor sobre as relações entre empregado e empregador, em que o empregador unilateralmente ou com a contribuição dos empregados prescreve, sendo que este regulamento não pode infringir as leis laborais, com intuito de frauda-las ou desvirtua-las. Esse dispositivo é de utilização em casos como por exemplo em que a lei não define determinadas condutas e as empresas deseja modular questões que não estão claras pela lei. Quando há o consentimento desse regulamento ele não pode ser retirado do trabalhador, como demonstra a súmula 51, I, do TST, “as cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento” (MARTINEZ, 2010). Nesse contexto os usos e costumes são entendidos pela doutrina como uma fonteque integra as fontes laborais desde os primórdios, pois é considerado como sendo as práticas reiteradas pela sociedade que inicialmente não tinha uma lei que os direcionasse. Os usos e costumes começaram sendo utilizado pela igreja e posteriormente surgiu o sistema common law, que entende não existir lei escrita as leis decorrem da tradição e do costume. O uso é entendido como aquilo que é reiterado é o elemento objetivo do costume. Sergio pinto Martins que classifica os costumes em extra legem (fora da lei), sendo essa hipótese em casos que há uma lacuna na lei; secundum legem, conforme o que a lei dispõe; contra legem, contrário a lei. As práticas relacionadas aos usos e costumes, podem se tornar lei como exemplo do 13º salario, os empregadores tinham o hábito de gratificarem seus funcionários nos feriados natalinos e a lei nº 4.090 de 1962, originou-se dessa prática (MARTINS, 2013, p.44). As fontes trabalhistas também podem se valer das normas internacionais como exemplo temos as convenções decorrentes dos tratados e convenções da organização internacional do trabalho (OIT). Vários países compõem a OIT, o Brasil também está entre esses países que fazem parte da OIT, as convenções originarias são submetidas a apreciação e o Brasil pode ratifica-las ou não. Sendo essa competência com base no artigo 49, I, da constituição Federal, exclusiva do congresso nacional que terá competência para ratificar ou não as convenções da organização do trabalho (MANUS, 2003). Fábio Konder Comparato (2013) ao analisar o direito trabalhista Brasileiro explica que A Constituição de 1988, em disposição inovadora, acrescentou aos direitos e garantias por ela especificados, os que forem objeto de tratados internacionais em que o Estado brasileiro seja parte (art. 5º, § 2º), ou seja, em boa lógica, os tratados internacionais sobre direitos humanos que vinculam o Brasil, incluindo, portanto, as convenções internacionais sobre direitos trabalhistas, equiparam-se às normas constitucionais. (COMPARATO, 2013, p.07) CONCLUSÃO Como conclusão do presente trabalho que teve o objetivo de mostrar a trajetória dos direitos trabalhistas e mudanças nas relações de trabalho, o que gerou a necessidade de que a população buscasse uma valorização dos seus direitos através de muitas lutas sociais ao longo da história. Com grandes líderes na luta pelos direitos fundamentais ao longo da história, com isso conclui que a evolução da humanidade em todos sentidos se dá através de um povo que se une em prol de um bem comum e que tais evoluções não seria possível se as pessoas não estivessem dispostas a lutarem pelos seus direitos ao longo da história, fatos esses que são importantes para as futuras gerações compreenderem a evolução da sociedade.