Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
13.02.2023 - Direito Civil IV - Direito de Família
● Disponibilidade na faculdade: segunda, quarta e sexta
● Muita urgência: @profdeborabrandao (Instagram)
● Face: Débora Brandão II
● Bibliografia: importante no curso. Lei 14.382 institui o sistema eletrônico de
regimes públicos e altera a parte de casamento e todos os livros de direito
de família, se não for incluída essa lei, estará desatualizado. Livro 2023
atualizado. A Débora gosta muito do Gonçalves
● Levar o Vade Mecum/Código pra aula sempre
Avaliações
● Débora não gosta que peça a ela que passe trabalho pra ponto extra
● Não gosta que peça vista de prova só pra aumentar ponto
● Não vai ter trabalho
● Toda prova é cumulativa e sem consulta ao Código
17.02.2023
● As normas de direito de família são de ordem pública em sua regra. Em
regra, normas de ordem pública
● Norma de ordem pública: significa falar que são normas cogentes que não
podem ser alteradas pela vontade das partes
● No direito de família, precisamos ficar adstrito ao termo da lei.
● Significa dizer também que em alguns momentos temos normas
dispositivas. Onde é que está essa maior liberdade? Essa maior liberdade
está em uma parte do direito de família que são os regimes de bens
● Os regimes de bens tem umamaior autonomia
● Família é um agrupamento de pessoas unidas por laços consanguíneos e
afetivos com um objetivo.
● Objetivo da família: vivemos em família com objetivo de uns promoverem
o desenvolvimento de todas as potencialidades do outro e um ajudar o
outro. A nossa sociedade é alicerçada em família
● O objetivo é promover o desenvolvimento dos seus membros
● Eu vivo em família ligada ao afeto, parentesco e fazer o bem.
1
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● A função social da família é de instrumento (família-instrumento) e
promocional (família-promocional)
Espécie� d� famíli�
● Existem algumas espécies de família:
■ Nuclear: É aquela composta pelos genitores e a prole.
Tendência do meio do século passado para cá há os avós que
entendem conceito de família de forma diferente e
atualmente temos o conceito técnico (pai, mãe e irmão).
■ Ampliada: é a família nuclear + parentes colaterais (os mais
próximos como tio, primo, prima, tio, avô) + agregados (no
sentido da lei os funcionário)
■ Anaparental: formada pelos avós e o neto; tio e sobrinho;
■ Multiespécie: animais de estimação
● Há um movimento para reconhecer os animais de estimação talvez em
uma outra categoria jurídica, outra natureza jurídica. No Brasil, qualquer
animal é semovente, bem. Contudo, há umamovimentação pra uma outra
categoria jurídica para os animais. Os animais são conhecidos como
animais sencientes, eles têm sentimentos, choram.
● Não se deixa herança para os animais, a pessoa falecida fez doação a um
donatário com encargo para que cuidassem dos animais.
■ Família mosaico/recomposta/reconstituída: filhos do
padrasto convivendo com os filhos da sua mãe
● Próxima aula: história da codificação civil brasileira: da autonomia da
vontade: à autonomia privada
03.03.2023 - Históri� d� codificaçã� civi� brasileir�: d� autonomi� d� vontad� à
autonomi� privad�
● Idade Antiga:
● Idade Média: início da idade média é com a queda de Constantinopla
● Idade Moderna: quando o Brasil foi descoberto, estávamos na Idade
Moderna. A época da expansão marítimo comercial (Grandes Navegações),
cujo objetivo era comércio de troca e depois passou para o comércio de
compra e venda.
2
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Esse período foi conhecido como o período do liberalismo econômico. O
liberalismo econômico tinha uma característica forte de que os liberais
queriam liberdade econômica e individual, por meio de contrato.
● Liberalismo: Liberdade contratual pressupõe pelo menos 3 coisa: I)
Liberdade de contratar com quem quiser; ii) sobre o que quiser; e iii) da
forma que quiser
● Na idade moderna, temos a ascensão das rotas comerciais e da burguesia.
● Economia de subsistência com a troca do excedente era aquela adotada
nos feudos, no qual trocava com outros feudos. Acontece que, quando
vemos o declínio da idade merda com a queda de Constantinopla, é um
período de transição. O que caracteriza essa transição? O povo do feudo
cansado de produzir nas terras do senhor feudal e nunca ter uma terra sua
em um período que terras era poder, desse modo, acaba minando o
feudalismo e ocorre o Êxodo rural (saída dos feudos para as cidades, os
Burgos).
● No burgo, já estão começando a ter os comércios, expansão
marítimo-Comercial. Portanto, o povo está comercializando, que é uma
atividade eminentemente comercial, contratual, portanto, é direito
contratual.
● Surge uma nova classe econômico-social que é a burguesia derivada do
senhor feudal, pois quando o senhor feudal vê o sistema ruindo, ele monta
a estrutura
● Filme: assistir Coração Valente
● Idade Contemporânea:
● Quem era o rei de Portugal quando o Brasil foi descoberto era o Rei Dom
Manuel I, que era conhecido como o venturoso.
● Advogar: ad vocare (falar por)
● Próxima aula: contextualizar pra falar como que surge o código civil
brasileiro.
06.03.2023
● José de Aguiar Dias: clássico da responsabilidade civil
● No liberalismo, havia a ideia do pacta sunt servanda no qual os negócios
jurídicos são formados por contratos. Surge a ideia de autonomia da
3
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
vontade, que é o poder que os particulares têm de celebrar negócios
jurídicos com força de lei.
● O instrumento mais clássico pra estabelecer negócio jurídico é o
contrato.
● Nesse momento, por causa da liberdade contratual, queremos autonomia.
A expansão marítima-Comerical tinha a percepção de que o Estado
cuidaria da estrutura.
● Surgem revoluções, porque o burguês queria ganhar mais lucro e para isso,
era necessário abaixar o preço do proletariado
● Com as revoluções, temos a Revolução Francesa em 1789, no qual o
Imperador Napoleão Bonaparte toma o poder e em 1804 ele promulga o
codigo civil napoleônico. Apesar de ser o segundo codigo da era moderna,
o primeiro foi da prussia - contudo não se estabeleceu enquanto nação e
por isso não teve esse poder estabelecedor. Quem faz o Codigo não é o
Napoleão, e sim Jean Portatis.
● O código napoleônico foi o que mais influenciou na área moderna
● No contexto de 1804, era uma sociedade individual, voltada para o contrato,
patriarcal.
● Super influenciado pela França, em 1899 o Clovis Bevilacqua faz o Código
● Na época do Dom Manual I, temos Portugal colônia e estamos no
momento das ordenações do reino de Portugal e ela será nossa legislação
enquanto não formos independentes. As ordenações são as Manuelina na
época de DomManuel; Afonsinas e Filipinas
● 07.09.1822: Independência do Brasil.
● 1823: Imperador Dom Pedro promulgando que as leis civis e penais tinham
que ser feitas com urgência.
● Quando é que vem a primeira lei de direito privado do Brasil? Em 1850, com
o Codigo Comercial. Assim, começa o período de codificação no Brasil
● O Teixeira de Freitas escreve o esboço, ele pregava a unificação do direito
privado.
● Unificação do direito privado: significava colocar debaixo do mesmo
Codigo direito civil e direito comercial.
● O que fizeram com o esboço do Teixeira? Engavetaram.
4
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Dalmácio Velez Sarsfield: homem que pegou o esboço do Teixeira e levou
para a Argentina
● Venho mais uma tentativa de codificação que foi a do Coelho Rodriguez.
Até que, em 1899, Clovis Bevilacqua escreve em seis meses um anteprojeto
de Código Civil. O Napoleão Bonaparte havia feito o codigo em 1804
● Em 01 de janeiro de 1900, clovis Bevilácqua entrega no CN do RJ o
anteprojeto do Codigo Civil que vira projeto e ficaram discutindo até
01/01/1916, contendo um ano de vacatio legis e entrando em vigor em
01/01/1917 ejá nasce “ultrapassado”, porque nesse contexto já estão falando
em direitos das mulheres
● Aqueles que não queriam intervenção do Estado, pedem em 1917 porque
não estão vendo o mínimo existencial e com isso, os Estados começam
com o fenômeno da constitucionalizarão do direito e ela coloca pra dentro
do seu bojo os direitos fundamentais, principalmente dignidade da pessoa
humana, solidarismo e igualdade. Começam a pensar em um direito
funcionalizado.
● Temos em 1917, a Constituição Mexicana e em 1919 a de Weimar (alemã) e
nessa a propriedade obriga a observar a função social
● Com o contexto da Constituição Mexicana e de Weimar, surge o Welfare
State (Estado do Bem-Estar Social)
● Enquanto havia constitucionalismo, estávamos promovendo o código civil.
● Caio Mário da Silva Pereira apresenta o anteprojeto e engavetam. Vem o
Orlando Gomes e engavetaram também.
● O Presidente da República, em 1969, nomeia uma Comissão Elaboradora e
Sistematizadora de Código Civil e quem vai ser o presidente é o Miguel
Reale.
● Parte Geral: Moreira Alves
● Parte Especial:
i. Obrigações -> Agostinho Alvim
ii. Empresarial -> Sylvio Marcondes
iii. Coisas -> Ebert Viana
iv. Família -> Clovis do Couto e Silva (influência alemã)
v. Sucessões -> Torquato Castro
5
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● O do Clovis Bevilacqua tinha uma influência individual e o CC/2002 foi feito
por uma comissão.
● O CC/02 é anteprojeto de 1975, aprovado no CN em 01.01.2002, tem uma
vacatio legis de um ano e vigora em 2003
● O que tava acontecendo em 1917 e 1919 chega no Brasil em 1988 com a CF.
● O CC/02 chega no Brasil com uma comissão em 1967, sob a égide da
emenda n. 1 da CF/1969
● Fichamento do livro “História das Constituições Brasileiras” (Zé Afonso da
Silva, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes) -> características das nossas
constituições, se é analítica, formal, se foi outorgado, promulgado, os
períodos, características delas, tem que saber a Constituição Polaca)
● O FHC nomeou o Professor Vilaça em 2000 pra fazer adaptações ao texto
constitucional no CC
● Quando foi pra Comissão, determinou-se que dignidade da pessoa
humana será valor-fonte, portanto, todas as normas, devem ser pautadas
na dignidade da pessoa humana. Em complemento, Miguel Reale
determinou três princípios a serem seguidos (tríade axiologica realiana -
não é fato, valor e norma, esta é teoria tridimensional do direito)
i. Eticidade: os deveres anexos ao contrato; boa-fé objetiva.
Saímos de um Codigo patrimonialista e entramos em um que
a pessoa humana é o centro. Todas as relações precisam ser
éticas.
ii. Operabilidade: não escreva norma bonita, a norma tem que
ter efetividade, tem que ser aplicável, suficientemente
aplicável, dotada de eficácia
iii. Socialidade: os elaboradores precisavam escrever normas que
vinham do bem em comum, mas sem achatar os direitos
individuais. Lei com maior abrangência comum, mas sem
achatar a pessoa humana
● Quando o Código é promulgado, o professor Renan Lotto, um dos maiores
estudiosos do codigo atual, pega e identifica no código mais um princípio,
que é o “princípio da atividade em oposição ao status” De onde saiu esse
princípio? Havia o fenômeno de socialização do direito em 1917/1919 e o
princípio é função social pura, porque não adianta falar que sou
proprietário no CC/02, além de ser proprietário tenho que cumprir a função
6
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
sócial. Se eu não trouxer os requisitos da CF/88 sobre propriedade, a minha
propriedade é desapropriada na medida mais extrema. Não adianta eu
ostentar, preciso imprimir a função social.
● Por conta de tudo isso, quando vem a constituição, surge para os grandes
civilistas um momento de repersonalização do direito civil (Professor
Facchin que usa essa expressão). Para a prof. Débora é fenômeno de
personalização, porque o direito civil brasileiro nunca foi voltado pra pessoa.
No cc/16, falava homem.
● Fundamentos do Direito Privado (doutrinador argentino)
● De autonomia da vontade, fomos evoluindo, na qual falamos em
autonomia privada, porque eu não posso fazer o que eu quiser do jeito que
eu quiser e na forma que eu quiser. Hoje em dia, as partes tem poder, no
qual estabelecem negócio jurídico com força entre si, DESDE QUE
observados os princípios gerais do direito, as normas constitucionais e
as normas infraconstitucionais.
● Art. 1°, inc. III:
● Art. 3°, inc. I
● Filme: Chiquinha Gonzaga
13.03.2023
● Princípio: consolidação de valores dentro de uma sociedade. O professor
renan dizia que princípio é forma matriz, porque inaugura o sistema e força
motriz porque impulsiona o sistema também. Ele inaugura e por conta
dele movimentam-se as normas.
● O nosso sistema jurídico de direito de família trabalha com princípios de
direito civil
○ Princípio da dignidade da pessoa humana: está presente nas
famílias por meio de respeito. Outro exemplo é o dever de finalidade,
isto é, boa-fé objetiva
○ Princípio do solidarismo familiar: fruto do Art. 3°, inc. I da CF/88. As
relações entre familiares precisam ser solidárias por conta da família
7
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
eudermonista. Cada um ajudando o outro a chegar mais perto de
suas potencialidades, seja encorajando, ajudando
Espécie de família
● Eudemonista: é a família, cujo objetivo é a felicidade dos seus membros.
● Igualdade material x igualdade formal
○ Princípio da igualdade entre cônjuges: deriva do Art. 5°. O
legislador não estava procurando só igualdade formal, mas material,
efetiva, nas relações. No Art. 7, o legislador coloca igualdade
novamente. Art. 226, § 5° (o marido era a cabeça da família
anteriormente, por isso a criação do artigo)
○ Princípio do pluralismo das entidades familiares: antes de 1988,
tínhamos na CF a família formada pela instituição casamento.
Quando chega a CF/88, temos no § 1° casamento civil, no § 2°
casamento religioso, mas surge uma novidade no § 3°, que é uma
categoria jurídica nova que é chamado de entidade familiar. Isso é
novo, não existia até então. A entidade familiar (gênero), cujas
espécies são a união estável e no parágrafo 4° a família ou entidade
monoparental. Posso trabalhar família e entidade familiar como
sinônimos ou categorias jurídicas diferentes? A posição da Débora,
minoritária, é que são categorias jurídicas diferentes. Pra doutrina,
temos a família também conhecida como entidade familiar
Família monoparental: Art. 226, § 4°:qualquer dos genitores + prole. Família da
produção independente (ex.: inseminação)
Falamos em princípio do pluralismo, porque no passado era só casamento e hoje
temos união estável e monoparental.
○ Princípio da proteção especial da família: Caput do Art. 226. O
Estado protege a família porque escolheu alicerçar a sociedade
brasileira na família. Como o Estado protege a família? Propaganda
8
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
de bebida alcoólica e de cigarro só pode ser a noite, em horário
diverso do infantil.
● emenda constitucional n. 66, facilitaram o divórcio, ao nível de criaram o
princípio do divórcio
○ Princípio da afetividade: implícito, pois não está escuro nem no
Código, nem na Constituição, mas sua existência se dá por conta do
sistema. Perseguimos a família eudemonista e pra isso, preciso estar
pautada em afeto. As relações familiares são amparados pelo afeto.
Na afetividade consigo fazer a descrição de como o afeto se
manifesta.
○ Princípio da parentalidade responsável: Art. 226, § 7°. No parágrafo
está escrito paternalidade. “Amar é faculdade, cuidar é dever” (voto
da Min. Nancy Andrighi em acórdão). Se fala em parentalidade e não
paternidade porque avançamos, porque é para os dois genitores,
pois os dois devem cuidar
○ Princípio do planejamento familiar: Art. 226, § 7°. Tem a ver com a
concepção e a contracepção. É dever do homem, da mulher e do
casal conceber ou não.
●Ler em casa a Lei do Planejamento Familiar.
○ O planejamento familiar é pautado pela dignidade humana e
parentalidade responsável. Se você não se cuidar, terá filho e será
pautado no princípio da parentalidade responsável.
○ Princípio da vedação à violencia doméstica e familiar: Art. 226, § 8°.
○ Ler Art. 7° da Lei Maria da Penha (formas de violência)
○ Violência contra a mulher fere direito humano feminino (ação
política afirmativa)
○ Princípio da proteção integral: Art. 227 da cf (próxima aula)
9
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
17.03.2033
○ Princípio da proteção integral (Art. 227): Surge no direito inglês
com umamáxima que é o “the best interest of child”
● Política pública de que todas as crianças devem estar protegidas em todas
as dimensões
● Isso vem com força no Art. 227, porque com a introdução dessa doutrina no
ordenamento jurídico brasileiro, as crianças passam de objeto de direito
para sujeitos de direito e por isso que criança tem voz. Ela pode ser ouvida
sempre, mas a lei estabelece que a partir dos 12 anos vai ser ouvida e sua
vontade considerada, isso não significa que será atendida e de maneira
lúdica, assistida. A criança precisa ser protegida em todas as suas
dimensões.
● Isso é proteção integral, holística
● A responsabilidade é tríplice, do Estado (por meio de políticas públicas
como escola, grade curricular, creche, hospital, atendimento especializado
em todas as necessidades das crianças), da família e da sociedade
(também fomentando um espaço para que as crianças ocupem)
● Direito à vigência comunitária: você pode e deve andar pelo seu bairro.
Você tem direito a frequentar os lugares, você pode ser respeitado
enquanto pessoa
a. Princípio da convivência familiar e comunitária (Art. 227 CF/88):
Toda criança tem direito de conviver com seus familiares. Ex.:
quando os pais se divorciam. As crianças têm direito de conviver
com os mais velhos, pois assim aprende tradições, histórias das
famílias, aprende limitações com eles
● No ponto de vista dos genitores, é direito e dever
○ Princípio da prioridade absoluta (Art. 227 CF/88): significa que as
crianças, por serem sujeitos de direito, tem de receber do Estado, da
sociedade e da família, a prioridade absoluta no que concerne às
políticas públicas.
10
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● A nossa CF/88 fala que a criança e o adolescente tem priorado absoluta,
então acaba sendo o princípio mais importante. Aparentemente, em
direitos relacionados à crianças e adolescentes, temos direito absoluto em
razão do Art. 227
○ Princípio da igualdade entre filhos (Art. 227, § 6°): filho é filho, não
importa a origem, vão sempre ter os mesmos direitos e obrigações.
Não importa a origem da filiação, todo mundo tem os mesmos
direitos, deveres e não importa se é filho adotivo, da mãe solteira,
bastardo.
20.03.2023
● Parentesco - Art. 1.593 CC
● Consanguíneo (natural) -> biológico
● Civil: adoção, RA (reprodução assistida), socioafetividade
Contagem - árvore genealógica
● Os graus de parentesco são contados de geração em geração
● Vamos ver 3 graus
Linha reta
● Quando uns descendem dos outros diretamente.
● Eu - meu pai - avô - bisavô - trisavô
● Eu - filho - neto - bisneto -
● A linha reta não tem fim
● Linha reta ascendente
● Linha reta descendente
● Sempre especificar o grau na prova
Linha reta ascendente
● Omeu pai é primeiro grau na linha reta ascendente
● Meu avô é segundo grau na linha reta ascendente
● Meu bisavô é terceiro grau linha reta ascendente
● Meu trisavô é quarto grau linha reta ascendente
11
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
Linha reta descendente
● Filho: primeiro grau linha reta descendente
● Neto: segundo grau linha reta descendente
● Bisneto: terceiro grau linha reta descendente
Linha reta colateral
● Conceito parentesco linha colateral: são aqueles que descendem de um
mesmo ancestral comum sem descenderem uns dos outros diretamente.
● Pai: primeiro grau linha reta ascendente
● Avó: segundo grau linha reta ascendente
● Tio-avô: terceiro grau linha reta ascendente
● Meu Irmão: ancestral comum é o meu pai, logo, ele é segundo grau linha
colateral. Eu vou ao ancestral comum e vou descendo.
● Sobrinho: terceiro grau colateral
● Irmão do meu pai: meu tio descende do meu avô. Ele é terceiro grau linha
colateral
● Meu primo: quarto grau de linha colateral
● O parentesco na linha colateral vai até o quarto grau
● Filho do primo: quarto grau (não é nada, ele tecnicamente seria parente de
quinto grau na linha colateral, mas não existe)
● O primo começa no quarto e termina no quarto. É uma frase ambígua,
porque o primo vai ser de quarto grau.
Parentesco por afinidade
● É o vínculo que liga um cônjuge aos parentes do outro em uma relação de
espelho
● Eu - marido - sogra - sogro - cunhada
● Qual é o grau de parentesco do meu marido pra minha sogra? Primeira
linha reta ascendente. Se é uma relação de espelho, eu entro no lugar do
meu marido e teria essa linha de espelho. Logo, o meu grau perante os
sogros é de primeiro grau, por isso não pode casar com sogro
● Sendo assim, sou parente por afinidade de segundo grau da minha
cunhada
12
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Parentesco por afinidade vai até o segundo grau
● Os avós do meu cônjuge também são os meus parentes, porque o meu
marido em relação aos avós dele são segundo grau de parentesco por
afinidade
● Enteado é meu parentesco por afinidade de primeiro grau
● Neto é parente por afinidade de segundo grau
Irmão bilateral e unilateral
● Bilateral: da mesma mãe e do mesmo pai. Podem ser chamados também
de irmão germanos
● Unilateral: só da mãe ou só do pai.
■ Se forem só da mãe, são chamados de irmão uterinos amatre
■ Se eles forem só do pai, eles podem ser chamados de irmão
consanguíneos ou apatre
● Minha tia Meire era casada com Paulo e desse casamento venho duas
primas, a Livia e a Maira. Elas são irmãs bilaterais de manhã e de pai. A
minha tia separou do Paulo e casou com o Gilberto. Nesse casamento,
venho minha outra prima, a Júlia. A Júlia em relação à Livia e Maira é
unilateral. O Gilberto antes de casar com a minha tia, ele tinha outra filha,
chamada de Nádia. A Nádia com a Júlia são irmãs unilateral apatre e em
relação à Nádia e Maira nada.
● Cônjuge não é parente
● Gilberto, marido da minha tia, teve a Júlia e ele tinha a Nádia antes, a Nádia
com a Júlia são irmãs unilaterais porque são ligadas ao pai, então, são
consaguineas ou apatre. A Júlia com a Maira são amatre.
● Não existe primeiro grau colateral.
24.03.2033
Existem três correntes da natureza jurídica do casamento
Teoria institucionalista do casamento:
13
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Trata o casamento como instituição. Isso significa que é o casamento que
tem uma série de normas, preceitos, isto é, conjunto de normas baseados
na tradição sendo que todos que aderirem ao casamento são obrigados a
cumprir todas essas normas. Quem quiser aderir ao casamento, é obrigado
a cumprir essas normas.
● O casamento tem normas que são baseadas na tradição, são normas que
muitas delas remontam o direito romano
Teoria contratualista
● Trata o casamento como contrato
● No nosso ordenamento jurídico, o casamento não é necessariamente
contrato, mas sim negócio jurídico
● A teoria fala que o casamento é uma manifestação de vontade de duas
partes com o mesmo objetivo (negócio jurídico) que se unem pra formar
um contrato
● Por essa teoria, o casamento é um contrato desde a sua vigência, desde o
momento que se forma até o momento que vem a se extinguir
● Se você vem a divorciar, separar, ele termina como contrato
Teoria mista
● Mista ou eclética
● Junção das duas (institucional + contratual)
● O casamento não é só contato e instituição, ele tem elementos contratuais
e institucionais
● O casamento forma instituição,ele é regido por regras que as partes não
podem pactuar de forma diversa, porque é uma instituição tem regras
baseadas na tradição? Sim, mas ele também tem elementos contratuais
● No momento da celebração, o casamento tem natureza contratual,
segundo a teoria, assim como no momento da extinção, ele teria um
elemento contratual, rescisão de contrato. Nos extremos ele seria contrato,
na extinção e formação, mas durante toda a vigência ele é uma instituição
● Você celebra e extingue como contrato, mas vive ele como instituição no
dia a dia
14
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Você não pode trair, negar muita assistência pra outra parte, não pode fugir
dos deveres do casamento, não pode fugir das regras solenes do
casamento
● A teoria mista é a mais aceita no Brasil hoje em dia.
Conceitos de casamento
● O casamento é uma instituição que remonta ao direito humano
● Os conceitos de casamento vão evoluir
Casamento modestino
● O primeiro conceito de casamento é o modestino
● É a conjunção do homem e da mulher que se unem para toda a vida. É a
comunhão do direito divino e do direito humano.
● 3 elementos principais que conseguimos encontrar no conceito modestino
■ Homem e mulher (diversidade de sexos). É necessário a
diversidade de sexos para ter o casamento
■ “Para toda a vida” é indissolubilidade do casamento
■ O elemento religioso “direito divino” (direito humano agindo
sobre o direito divino)
● Para o Modestino, este era o conceito de casamento.
Casamento para Jean Portalis
● Conceito de casamento para Portalis
● Época da revolução francesa (1789) e código napoleônico de 1804
● Vem de uma época pós iluminista. O que muda aqui? Não vamos falar de
elemento religioso. O ser humano é muito mais o foco do que o divino
● O Portalis vai falar que o conceito de casamento é a sociedade do homem
e da mulher que se unem para perpetuar a espécie, para ajudar-se
mediante socorros mútuos a carregar o peso da vida e para compartilhar o
seu comum destino. Abaixo os elementos:
■ Homem e da mulher (diversidade de sexos)
■ Contrato (ele vê casamento como contrato). No codigo
napoleônico tinha o homem patriarcal, o homem contratante,
estava dentro desse contexto.
■ A procriação é o elemento central pra ele
15
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
■ Ele trata a vida como peso. Ele fala que o cônjuge vai estar ali
para ajudar o outro a suportar o dia a dia, logo, mútua
assistência entre o casal
■ Comum destino: a vida toda, logo, indissolubilidade do
casamento também
Casamento Lafayette
● Conceito de casamento para Lafayette
● Ele era jurista da época imperial no Brasil
● Para Lafayette, casamento é um ato solene pelo qual duas pessoas de sexo
diferentes se unem para sempre sob promessa recíproca de fidelidade e de
amor
■ Ato solene: deve respeitar o que está em lei. Não pode ferir
aquela solenidade da lei
■ Sexo diferentes: diversidade de sexos
■ Se unem para sempre: indissolubilidade do casamento
■ Promessa recíproca de fidelidade e de amor: comunhão de
vida, isto é, as partes compartilharem toda a vida, e fidelidade
recíproca
● A natureza é institucionalista, porque é solene e deve seguir a lei
Casamento Clóvis Bevilacqua
● Conceito de casamento Clóvis Bevilacqua (fez CC/16)
● É um contrato bilateral e solene, logo, ele está reproduzindo a mesma ideia
do Portalis de um casamento como contrato.
● Ele fala que o casamento é solene, isto é, tem regras estabelecidas em lei
que deve ser observada. Portanto, ele tá mais próximo da teoria mista
● Casamento pelo qual o homem e a mulher se unem indissoluvelmente
legalizando por ele suas relações sexuais
● Sexo fora do casamento é legal civilmente, mesmo que não seja crime? Se
ele fala que o sexo legaliza o casamento, o sexo fora do casamento é ilegal
● Ele diz que estabelece a plena comunhão de vida e comprometendo-se a
educar a criada prole que de ambos nasceram
● Portalis colocou a criação como elemento central do casamento e Clóvis
também o faz.
16
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
Casamento para Pontes de Miranda
● É a união permanente entre o homem e a mulher (indissolubilidade e
diversidade de sexos) de acordo com a lei (institucionalista) afim de se
reproduzirem, de se ajudarem mutuamente e criarem seus filhos, então, a
procriação e a criação da prole e a mútua assistência (elementos principais
dentro da teoria do Pontes de Miranda)
● O casamento exige permanência, pra ele
● Ter filhos e criaram é elemento importante pra ele tb
Casamento Washington de Barros Monteiro
● Washington e Pontes de Miranda são o que hoje em dia seria o Tartuce,
Maria Verenice
● Washington fala que é um contrato solene (tem forma pré-estabilidade em
lei / contrato e instituição) pelo qual duas pessoas diferentes e capazes
(diversidade de sexos) se unem com intuito de conviver toda a existência
(indissolubilidade do casamento) legalizando por ele a título de
indissolubilidade, as suas relações sexuais
● A fidelidade seria o elemento principal e o casamento regularizaria as
relações sexuais
● Direito de família, em regra, norma de ordem pública (cogente) e as
dispositivas estão dentro do regime de bens
● Ele traz o efeito patrimonial dentro do casamento para os nubentes
● Se existe a prole, eles vão ter que criar a prole. É a procriação e a criação da
prole dentro do casamento
● Esse conceitos vão até 1950
● O que sempre teve nos elementos foi diversidade de sexo e
indissolubilidade, porque indissolubilidade foi o que mudou com a Lei de
Divórcio que é de 1967
● No Brasil, o casamento entre homossexual só foi permitido em 2011.
Começou a ser discutido a possibilidade depois da CF/1988
● Próxima aula: características e finalidade do casamento.
17
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
27.03.2023 - característica� � finalidad� d� casament�
● Casamento é um ato solene, tem uma solenidade a ser observada para que
possa produzir seus efeitos jurídicos
● As normas sobre são de ordem pública
● Ele estabelece plena comunhão de vida com igualdade
● É uma união permanente, mas não é indissolúvel
● Portanto, é possível haver divórcio há qualquer tempo
● Proíbe-se casamento sob condição ou termo
● Condição:
● Termo não é prazo.
● Termo inicial: dies a quo
● Termo final: dies ad quem
● Prazo é o lapso temporal entre o termo inicial e o termo final
● 18.01.1946: termo inicial (dies a quo)
● 14.5.2006: Termo final (dies ad quem)
● Natureza jurídica do termo:
● Para que o negócio jurídica exista, preciso de elementos como objeto,
sujeito e forma que sempre estarão presente no negócio jurídico.
● Elementos acidentais do negócio jurídico: não estão em todos os negócios
jurídicos, eles não são fundamentais e por isso a doutrina da esse nome
■ Condição:
■ Termo:
■ Encargo (modo):
● Termo é o elemento acidental do negócio jurídico que o subordina a
evento futuro e certo. É elemento acidental do negócio jurídico porque
não está presente em todos os negócios jurídicos, porque nem sempre tem
prazo certo as coisas.
● Sempre começar a resposta com natureza jurídica daquilo.
● Não pode ter casamento a termo e condição.
● Condição: trata-se de elemento acidental do negócio jurídico subordinado
a um evento futuro e incerto (porque você não sabe se aquela condição vai
ser implementada ou não).
18
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Por que é elemento acidental do negócio jurídico? Porque nem todo
negócio jurídico é condicional.
● Casamento sob condição: eu caso com você se você me deixar 5 milhões.
Art. 16 DUDH
● Todas as pessoas têm liberdade de se casar ou não
● Diversidade de sexo não é mais característica de casamento, mas na
legislação ainda aparece, v.g., arts. 1.514. Isso não é elemento obrigatório
desde 05/05/2010.
Casamento e união estável homossexual
● Homo vem do grego e significa “mesmo”. A palavra “sexo”,vem do latim e
significa “sexo”.
● O homossexual é aquele que orienta sua atividade sexual pra outra do
mesmo sexo.
● Não posso falar homossexualismo porque não é doença. Com isso, essa
razão do CID-10 ter alterado.
● Era muito comum relação sexual entre os romanos
● Homossexualidade feminina: lésbica. O nome advém de uma sacerdotista.
Homoafetiva
● É errado falar união homoafetivo tecnicamente, mas a doutrina e o
supremo fala
● Significa “mesmo afeto”
● O Brasil adota esse nome porque entendia que era muito pesado falar
união homossexual
● Temos na CF no Art. 226 que reconhece a união estável, porém no Brasil
não havia previsão para pessoas do mesmo sexo
● Acontecia que o casal homossexual entrava com pedido individualmente e
era julgado improcedente, porque era impossibilidade jurídica do pedido.
Mas ia pra outro juíz mais progressistas, que usava princípios e julgava o
pedido procedente. Até que, surge o Art. 226 e os doutrinadores para
reverter isso, pensaram na ideia que é exemplificativo, baseado no princípio
19
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
da dignidade e da pessoa humana e ao invés de ser cláusula geral de
exclusão, torna-se de inclusão
● Quando criaram o código, colocaram homem a mulher, ou seja, uma
cláusula de exclusão
● Interpretação “conforme” a constituição: pesquisar na doutrina
● O que faz com o final do Art. 226? Não dava pra converter em casamento,
porque textual é entre homem e mulher. Os doutrinadores vão falar que é
inconstitucional, só são inconstitucionais porque não deveriam estar na CF.
● Surge no Brasil a ADPF 4277 e a ADIN e essas duas ações foram reunidas e
o relator acaba por reconhecer, em seu voto, a união estável entre pessoas
do mesmo sexo, baseado na dignidade humana, igualdade, princípio da
felicidade. O Supremo, no dia 05/05/2010, aprova por unanimidade a união
estável entre pessoas do mesmo sexo
● Próxima aula: Folha de São Paulo, STJ, habilitação para casamento
homossexual, provimento
31.03.2023
● Finalidades do casamento
● Affectio maritalis: é o firme propósito que tem os cônjuges de
manterem-se casados.
● Mútua assistência: ela se dá de três formas
■ Material: um tem o dever de sustentar o outro
economicamente
■ Imaterial, portanto, moral: aquela assistência baseada no
cuidado, no apoio, na escuta ativa, na gentileza do trato
■ Espiritual: é o apoio espiritual que cada cônjuge deve dar ao
outro
● Satisfação sexual: Uma parte da doutrina entende que a satisfação sexual
não é a finalidade do casamento
● Guarda, sustento e educação dos filhos: isso não é tecnicamente uma
obrigação conjugal, é uma obrigação que nasce da relação parental. As
crianças que nasceram serão de responsabilidade dos dois.
● Procriação: as pessoas se casam com exceptativa de ter filhos e outras não.
20
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
03.04.2023
● Procriação não é objetivamente a primeira das finalidades do casamento, é
secundária, mas existe
Eficáci� jurídic� d� casament�
Efeitos sociais
● O casamento produz efeitos sociais, pessoais e patrimoniais. Ele produz
efeitos nesses três sentidos.
○ Efeito social mais evidente que o casamento proporciona pra
pessoa? Quando você se casa, forma uma família, isto é, a
constituição da família de acordo com o Art. 226 da CF
○ Depois, temos a emancipação. Quando casamentos, naturalmente o
efeito do casamento é emancipar a pessoa. O efeito do casamento é
a emancipação. Você se casa e naturalmente se emancipa
○ Estabelece o vínculo da afinidade (um vínculo que liga um cônjuge
aos parentes de outro cônjuge)
○ Planejamento familiar do Art. 226, parágrafo 7°: porque a lei fala que
isso é direito do casal, então, se é direito do casal, esse viés do
planejamento familiar surge com o casamento
Efeitos pessoais
○ Estabelece a plena comunhão da vida
○ Estabelece a exclusividade da união, porque o Brasil ainda adota o
modelo monogâmico. Art. 1.565 do cc
○ Posso acrescentar nome do meu marido ou meu? Art. 1.565,
parágrafo 1°. Ele pode acrescentar meu sobrenome ao dele por conta
do princípio da igualdade. Quando você acrescenta, está entrando
pra família da pessoa e quando casa você não entra, você constitui
família
○ Plena consecução do processo da igualdade: tudo que a gente vai
decidir, vamos decidir junto, então, é um sistema de cogestão. Se um
quer uma coisa e o outro quer outra, quem vai decidir no desempate
é o juiz de direito
21
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
Efeito patrimonial
○ Regime de bens
○ Efeitos sucessórios
○ Sustentar o cônjuge e a prole também é um feito patrimonial
○ Efeito de usufruto e administração dos bens dos filhos durante o
poder familiar. Ex.: filho do Luciano Hulk tem um helicóptero no
nome dele, quem administra isso são os pais. Se resolvem abrir
empresa de táxi aéreo, o lucro vai para os pais. Isso tem na legislação
para compensar os pais pelo trabalho que dá na criação de um filho
○ Art. 1.831 do Cc: quando você tiver um bem só de natureza
residencial, independentemente do regime de bens, quando um dos
proprietários falece, o outro tem direito real de habitação sobre
aquele bem
● Constância do casamento. Comunhão parcial de casamento. Um imóvel.
Metade toda é da mãe por meio de meação e a outra dividida entre os
filhos. Isso é direito real de propriedade, sendo condominio legal, pois
estava previsto em lei. A mãe terá direito real de viver na casa enquanto ela
viver.
Deveres (inc. I, do Art. 1.566)
○ Art. 1.566: direitos e deveres recíprocos entre os cônjuges
○ Inc. I: fidelidade; fiducia; fides (significa fé/confiança)
○ O princípio da monogamia é o que vigora no direito da família,
então, tenho que ser fiel ao meu cônjuge, a uma só pessoa
○ A fidelidade historicamente diz respeito à sexualidade. A pessoa, pra
ser infiel, ela precisa adulterar.
○ Adultério: tecnicamente, é a conjunção carnal praticada e pra ter
isso, precisa ter sexo, sexo consumado com penetração. Se não tiver
isso, segundo os romanos, teremos um quase adultério. Chama-se
injúria grave, mas não adultério nessa hipótese. (Art. 1.573)
○ Há uma parte da doutrina diz que quando houve quebra da
confiança, seria caso de infidelidade. No entanto, o entendimento
clássico é de que tem que ter penetração.
22
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
○ Não é porque o adultério deixou de ser crime, que ele não é ilícito
civil, ele deixou de ter relevância criminal apenas
○ Pesquisa pra próxima aula: infidelidade virtual. Como a doutrina e
os tribunais tem entendido a questão da infidelidade virtual.
Deveres (inc. II, do Art. 1.566)
○ Vida em comum, no domicílio conjugal: dever de coabitação
○ Convivência more uxorio: convivência dos dois como casal debaixo
do mesmo teto
○ Débito conjugal
○ Esse dever de morar junto é absoluto? Não, ele já está flexibilizado. Já
entende a possibilidade das pessoas morarem em casas separadas,
mas existe expectativa que morem juntos, quem explica isso é a
MHD. Ela diz que casamento pressupõe vida em comum, como é
que você vai ter plena comunhão de vida se não convive com a
pessoa
○ Art. 1.569: a regra é que escolham um domicílio, mas qualquer um
dos dois pode sair de casa pra atender encargo público. Ex.: Lula. Se a
esposa falasse que ele abandonou o lar, ele não fez isso, porque ele
estava atendendo encargo público, qual seja, presidência
○ Para haver abandono de lar, de acordo com o Art. 1.573, inciso IV, é
preciso que haja abandono por um ano e com esse objetivo.
○ Débito conjugal: debitum conjugale. É o dever que um tem para o
outro para satisfação sexual
○ Uma parte da doutrina entende que isso estiver dentro do prazo de
anulação do casamento, anula o casamento
○ Se a mulher ou homem recusam a prática do ato sexual, precisa ser
justa, pois se for injusta, poderá requerer divórcio ou anulação do
divórcio
○ Justa: IST, bêbado, sexo anal, sem camisinha
○ Oúnico sexo que deve se submeter é o vaginal, todos os outros
devem ser acordados antes, pois é o sexo vaginal que gera a
procriação
Inc. III - mútua assistência
23
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Descumprimento da mútua assistência gera injúria grave
Inc. IV
● É uma obrigação parental e não dever conjugal
Inciso V
● Respeito e consideração mútuos
● Esse inciso venho da Lei da União Estável, porque os companheiros
homens se relacionavam com suas companheiras e achava que não
precisava respeitá-las
● Deveres de respeito: cortesia, sinceridade, não expor o cônjuge a amigos ou
lugares degradantes
Espécies de casamento
● Os doutrinadores acabam elencando tudo que é casamento como espécie
autônoma, mas a CF mostra nos §§ 1° e 2° que são duas espécies
■ Civil
■ Religioso
● Na OAB, colocar tudo, não só os dois.
● No Brasil, até 1890, só existia casamento religioso e o casamento religioso
conferia efeitos civis. Por que funcionava assim? Porque tínhamos a
unificação do Estado com a Igreja. Acontece que, dia 15 de novembro de
1889, a proclamação da república e com ela, temos a queda do poder
Moderador e a divisão do Estado-Igreja.
● Quando ocorre a divisão do Estado-Igreja, o Estado proíbe casamentos
religiosos no Brasil por meio do Decreto 181/1890.
● Casamentos, óbitos, nascimentos, ficavam registrados nos livros paroquiais.
A igreja fazia às vezes o registro civil que temos hoje. Quando ocorre a
divisão, surgem os registros no Brasil e a lei determina que primeiro haja o
casamento civil e depois o religioso só pra cumprir os preceitos da religião
Casamento religioso com efeitos civis
● Só tem uma autoridade celebrante, que é o ministro de confissão religiosa
● Art. 1.516 do CC: pode acontecer de dois jeitos
24
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
○ Habilitação prévia (§ 1°): primeiro os nubentes foram ao cartório,
levaram todos os documentos pessoais, testemunhas, o cartório
checou se eles tinham algum tipo de impedimento e o cartório viu
que eles não tinham nenhum tipo de impedimento. Se não tinham,
o cartório expediu certificado de habilitação dizendo que os noivos
podiam se casar. Os noivos pegam o certificado e levam para o
ministro de confissão religiosa e ele marca a data e na data marcada
celebra o casamento. Celebrado o casamento, casal vai pra lua de
mel e tanto o ministro de confissão religiosa, como qualquer um dos
cônjuges pode pedir em 90 dias o registro do casamento. O prazo de
90 dias é decadencial, significa que não se interrompe, não se
suspende e é fatal, não se prorroga também. Se o prazo caiu no
sábado, você deve ter cumprido na sexta-feira.
● Casou, foi pra lua de mel, o padre pega o certificado de casamento religioso
que as igrejas ou centros ou sinagogas dão, pego o certificado, levo para o
cartório, o cartório vê que já teve habilitação e o cartório registra o
casamento e expede a certidão de casamento com data retroativa à data
da celebração.
○ Habilitação posterior (§ 2°): casa na igreja, depois que casa, o ministro
de confissão religiosa entrega o certificado de casamento religioso e
você leva pro cartório com todos documentos pessoais e
testemunha e dá início ao processo de habilitação. Se não tem
impedimento nenhum, vai ser expedido certificado de habilitação,
cuja eficácia vai ser de 90 dias com data retroativa e registra. A
diferença aqui é que no casamento religioso com habilitação
posterior, o padre não pode levar pra registro, só quem leva são os
dois cônjuges, isso pra confirmar o ato, pois não teve habilitação
ainda no cartório e isso pra evitar fraude. O prazo pra observar o
registro é 90 dias também.
Casamento nuncupativo
● In extremis
● In articulo mortis
● Ocorre na iminência da morte
25
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● A pessoa tem que estar no leito de morte pra morrer
● Tem que estar consciente sobre o casamento e tem que ser
celebrado perante seis testemunhas que não podem ser parentes
nem na linha reta e nem na linha colateral até segundo grau
● Como vai ser expedida certidão? Eu vou perante o juíz com as 6
testemunhas em 10 dias da morte da pessoa, e ele vai colher o nosso
depoimento. Após, o juiz de paz manda fazer habilitação pra ver se
não tinha nenhum impedimento. Se não teve nenhum
impedimento, declara casamento. Expede a certidão de casamento
é casada eu fui
● Se ele não morre, diz o Art. 1.541, § 5°, que ele vai ter que
ratificar/confirmar aquele casamento. Se ele não ratifica, não casou.
● É possível casamento nuncupativo por procuração.
10.04.2023 - Espécie� d� casament� � capacidad� matrimonia�
Casament� e� r�ã� d� molésti� grav�
● Art. 1.539
● Casamento no qual os nubentes não estão à beira da morte, mas não
podem se locomover sem piorar o risco da sua condição de saúde
● O juiz de paz vai até o local onde está a pessoa, de dia ou de noite, e
celebra o casamento levando o oficial no cartório (escrevente).
● Se esse oficial do cartório não puder ir, o juíz de paz no local onde
está os nubentes, nomeia um escrevente “ad hoc” (para o ato)
● São necessárias duas testemunhas para a realização desse
casamento
● O juíz de paz leva um termo avulso, porque não pode tirar o livro de
casamento do cartório, nenhum livro de registo sai do cartório, leva o
avulso, celebra o casamento e depois volta pro cartório e tem cinco
dias pra registrar esse casamento no livro de registro de casamento
no cartório de registro civil
26
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Se não registrar em cinco dias, isso é uma falta funcional do
funcionário, pois o casamento aconteceu
● Juíz de paz: autoridade competente pra celebrar casamento
Art. 1.539. No caso de moléstia grave de um dos nubentes, o
presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido,
sendo urgente, ainda que à noite, perante duas testemunhas
que saibam ler e escrever.
§ 1 o A falta ou impedimento da autoridade competente para
presidir o casamento suprir-se-á por qualquer dos seus
substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad
hoc, nomeado pelo presidente do ato.
§ 2 o O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será
registrado no respectivo registro dentro em cinco dias,
perante duas testemunhas, ficando arquivado.
Casamento por procuração
● A procuração tem que ser por instrumento público e deve conter
poderes especiais “especialmente para casar com X, do estado de Y”
● Art. 1.542
Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante
procuração, por instrumento público, com poderes especiais.
§ 1 o A revogação do mandato não necessita chegar ao
conhecimento do mandatário; mas, celebrado o casamento
sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência
da revogação, responderá o mandante por perdas e danos.
27
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
§ 2 o O nubente que não estiver em iminente risco de vida
poderá fazer-se representar no casamento nuncupativo.
§ 3 o A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias.
§ 4 o Só por instrumento público se poderá revogar o
mandato.
● O marido poderia processar por perdas e danos caso eu revogue o
mandato depois que o mandatário foi até o local para o casamento.
O marido já teria alugado as coisas para cerimônia, o pajé, o cacique
● Esse meu casamento é anulável, mas teve o casamento, mas foi
anulável.
● Revogo a procuração exatamente do mesmo jeito pelo qual eu a
outorguei, que é uma procuração pública com poderes especiais.
● Perdas e danos compreende lucro cessantes e danos emergentes,
ou seja, aquilo que se perdeu + aquilo que deixou de ganhar
● A procuração não pode ultrapassar noventa dias
● É prazo de eficácia, não validade
● Depois de noventa dias, não produzirá efeitos jurídicos, então válida
ela é porque observou os requisitos da lei, mas ela não está apta a
produzir efeitos jurídicos
Provas do casamento
● O casamentose prova pela certidão de registro de casamento (Art.
1.543 CC/02)
● Se eu não tiver como provar pela certidão, provo por qualquer outro
meio possível de provar. Ex.: comprou a casa com omarido
Casamento com estrangeiro
● Se vc se casar perante o consulado brasileiro, o seu casamento é
brasileiro
28
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Quando voce vem pro Brasil, você tem que registrar o casamento no
seu domicílio. Se você não vem pra morar no Brasil, mas pra visitar,
você tem que registrar no cartório da capital do seu estado
● Brasileiro que casa na prefeitura da Itália? Pessoa que casa em
qualquer lugar no mundo, é casado no Brasil.
● Dois posicionamentos sobre prazo de 180 dias (decadencial - prazo
que não se prorroga, interrompe).
● Para um casamento ter reciprocidade, as mesmas leis de lá,
precisam ter aqui. Os que tem poligamia, não valem aqui.
● Art. 7° LINDB
● SEMPRE tem que trazer o casamento pra registrar no Brasil
● Na dúvida, sempre in favor matrimonii
Art. 1.547. Na dúvida entre as provas favoráveis e contrárias, julgar-se-á pelo
casamento, se os cônjuges, cujo casamento se impugna, viverem ou
tiverem vivido na posse do estado de casados.
● Outra forma de provar casamento é usar a ação de posse do estado
de casamento é só utilizo quando não houver nenhum jeito de
provar que estamos casados. Faço isso quando não houver registro,
quando ele some (cartório pega fogo etc)
● No caso de tragédias, pode-se usar da ação de posse do estado de
casados e preciso de três elementos
■ Nomem (hoje em dia não é obrigatório o sobrenome do
marido)
■ Fama et (todo mundo sabia que ela era casada com X)
■ Tractatus (ele tratava ela como esposa dele?)
Art. 1.545. O casamento de pessoas que, na posse do estado de casadas,
não possam manifestar vontade, ou tenham falecido, não se pode
contestar em prejuízo da prole comum, salvo mediante certidão do
29
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
Registro Civil que prove que já era casada alguma delas, quando contraiu o
casamento impugnado.
Capacidade matrimonial
● Capacidade é medida da personalidade
● Temos a capacidade plena, que é a soma da capacidade de fato
(exercício) + capacidade de gozo (direito)
● Quando temos capacidade de gozo ou de direito? Basta nascer com
vida para ter capacidade de direito ou de gozo.
● Pra nascer com vida, basta respirar (docimasia hidrostática de
galeno)
● Docimasia hidrostática de galeno: que é pegar pedaço do pulmão da
criança e se subir é porque respirou. Se descer, não respirou
● Capacidade de direito, exercício ou de fato: exercício dos atos da vida
civil.
● Somando tudo isso, tem a capacidade plena
● Legitimação: aptidão para exercício de ato específico
● Capacidade matrimonial: quem que pode casar, quais os requisitos
para que uma pessoa possa se casar. Então, quando falo de
capacidade matrimonial, estou falando especificamente da idade
núbil
● Para uma pessoa casar, além de discernimento para os atos que ela
vai praticar, ela precisa de idade mínima, que o direito chama de
idade núbil, que no direito brasileiro é 16 anos
● Não pode casar na idade inferior a 16 em nenhuma hipótese. A lei
deixava antes, agora não.
● Posso casar com 16, mas preciso da autorização dos pais. Se um pai
der e o outro não, precisarei de suprimento, que é uma ação judicial
de suprimento de consentimento (os pais não dão autorização ou
um pai dá e o outro não)
● Efeito do casamento: emancipar, tanto que ninguém emancipa filho
pra casar. Seria contraditório falar de casar pra emancipar.
30
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Se o juiz entender que a negativa é correta, o juiz falar que não pode
mesmo casar
● Se o juiz entender que a negativa é injusta, ele permite. Se o juiz
permitir o casamento, ele vai impor regime de separação obrigatória
de bens (art. 1.641, inc. III)
● Sempre vai ser separação obrigatória se eu precisar de suprimento
judicial
● Se meus pais autorizaram o casamento, posso escolher o regime de
bens que eu quiser.
● Dou autorização pro meu filho casar com 17 anos, só que na rua vejo
a noiva dele bêbada e revogo a autorização. Até a celebração do
casamento, eu posso revogar a autorização
Impedimentos matrimoniais
● Art. 1.521
● O que são? São causas taxativamente previstas na lei em razão de
moral familiar, eugenia, crime e monogamia que impedem a
celebração de casamentos válidos
● São normas de ordem pública, afetam a todas as sociedades
● São tão graves que maculam o casamento de nulidade absoluta
● Se eu casar, não é pra casar, esse casamento é nulo de pleno direito
Art. 1.521. Não podem casar:
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco
natural (adotivos) ou civil;
● Questão de moral familiar, eugenia
II - os afins em linha reta;
● Afins (afinidade) é um vínculo que liga um cônjuge aos parentes do
outro cônjuge
● Não pode casar com sogro/sogra/enteado/cunhada
31
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Na linha reta não pode casar com os afins, nunca.
● Cunhado, eu posso, depois de acabado o casamento.
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado
com quem o foi do adotante;
● Ex.: a mia casou com o woody allen, mas antes ela tinha adotado
uma asiática. Ele casou com a asiática depois do casamento com a
Mia
IV - os irmãos, unilaterais (irmãos germanos) ou bilaterais, e
demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;
● O Decreto Lei 3.200/1941 permite o casamento de tio com sobrinho
desde que dois médicos subscrevam laudo atestando
improbabilidade de nascimento de filhos com deficiência. Nesse
caso, seria problema de eugenia. Ex.: Hulk.
● Por que esse decreto está valendo em cima do código civil? Princípio
da especialidade. O código civil é lei geral perto do Decreto que é
específico pra isso
V - o adotado com o filho do adotante (irmãos);
● Problema de moral familiar
VI - as pessoas casadas;
● Caso contrário, dá bigamia
● União estável pode dar bigamia. O STF entende isso.
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio
ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.
● O amante que mata o marido pra casar
● Não existe tentativa culposa, só pode se doloso.
● Omotivo aqui é por crime.
32
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● A maioria da doutrina sustenta que precisa ter trânsito em julgado. A
Prof Débora entende que basta o indiciamento, mas na OAB colocar
que precisa de comprovação do trânsito em julgado
● Art. 1.522: qualquer pessoa capaz pode opor os impedimentos
● Os impedimentos são graves e geram nulidade absoluta
● São tão graves e de ordem pública que o juiz pode fazer de ofício
Próxima aula: causas suspensivas de casamento.
14.04.2023 - Causa� suspensiva� d� casament�
● Não devem casar:
● Art. 1.523
● Não é uma nulidade absoluta, mas é mera irregularidade
● Qual é a consequência de não observarmos o Art. 1.523? A
consequência é o Art. 1.641, inc. I, que é o regime de separação
obrigatória
● Se não observei as causas suspensivas, a consequência É o regime
de separação obrigatória
● Esmagadora maioria da doutrina diz que isso tem natureza jurídica
de sanção civil. Mas pra prof não é verdade. Se não devem casar, não
posso casar, não tô cometendo ato ilícito, então, não é sanção.
Portanto, diz pontes de Miranda que não pode ser sanção, é um ônus
jurídico, tecnicamente isso se trata de ônus jurídico e não sanção
civil, mas todos os livros falam de sanção civil
● Na OAB, colocar sanção civil, mas sabendo que se trata de ônus
● As hipóteses são todas taxativas na lei.
● Suspensivas: é pra você não casar, porque se você se casar, terá que
se casar no regime de separação obrigatória, por isso diz causa
suspensiva
33
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Inc. I do Art. 1.523: O inciso existe para evitar a confusão de
patrimônio entre o primeiroleito com o segundo leito
● Como faço pra me livrar da imposição do regime de separação
obrigatória? Tem um jeito se o problema é confusão de patrimônio.
Tenho que provar que sou pessoa desprovida de patrimônio e pra
isso entro com uma ação judicial ou faço um procedimento
extrajudicial que se chama inventário negativo
● Inc. II do Art. 1.523: nos 10 meses subsequentes a todas as situações.
Por que o legislador fala em 10 meses subsequentes? Pra evitar
confusão de sangue, que é o que chamamos de “turbatio sanguinis”.
Pra evitar que eventual gravidez é do primeiro e não do segundo.
Como me livro desse comando? Na hora da habilitação do
casamento, levando exame de gravidez negativo provando que não
estou grávida do ex-marido. Levo exame BETA HCG, ultrassonografia
provando a ausência de saco gestacional e assim, você se livra dessa
imposição e se livrando, você pode escolher o regime de bens que
quiser e casar com a pessoa que quiser
● Inc. III do Art. 1.523: no Art. 1.581 do cc vamos verificar que
naturalmente a lei permite que se divorcie ou se separe sem fazer a
partilha prévia de bens, podendo deixar ela para o momento
posterior. Não é aconselhável, sempre dá problema, mas dá pra fazer
depois. Isto posto, por que o legislador faz esse conselho? Pra não
confundir patrimônio. Como me livro dessa imposição? Declaração
de que não existe bens a serem compartilhados.
● Inc. IV: não devem se casar o pupilo com tutor, curador, descendente,
ascendente, primos enquanto durar a tutela ou curatela e enquanto
não forem prestadas as contas.
● Pupilo e tutelado são as mesmas coisas
34
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Tutela é a representação do menor incapaz, que não está debaixo do
poder familiar. Exemplo: os filhos da COVID, crianças que ficaram
órfãs durante a pandemia e eles estão debaixo de tutela, se não
foram adotados.
● Só quem tem poder familiar é pai e/ou mãe.
● Curatelado: a pessoa maior incapaz.
● Essas pessoas estão debaixo de uma situação de vulnerabilidade, por
isso o legislador inseriu elas no inciso.
● Vulnerabilidade: existencial, porque precisam ser representados, mas
elas estão também debaixo de uma situação de vulnerabilidade por
conta dos seus tutores e curadores no sentido de que elas são
influenciadas por eles ou podem ser. Elas podem ser facilmente
influenciadas por eles, por aquelas que orbitam ao redor dos
curadores e tutores, por isso são vulneráveis.
● Não basta terminar a curatela, porque os tutores e curadores
precisam prestar contas do exercício, mostrando ao poder público
que administraram bem o patrimônio deles.
● Quando me livro da regra do inc. IV? Quando a pessoa cessa a
incapacidade e quando provo que aquele pupilo ou curatelado eram
sustentado já pelos curadores e tutores e não haveria
aproveitamento ao curador ou tutor, porque a sobrevivência daquele
curatelado já era satisfeita pelo curador.
● As causas suspensivas não ferem a sociedade como um todo, elas só
abalam a família, se elas só abalam a família, elas não afetam a
sociedade, só a família e por isso, só quem tem legitimidade para
fazer a oposição de causas suspensivas são os ascendentes,
descendentes e colaterais até segundo grau, sejam eles
consanguíneos, sejam eles afins. Mais ninguém pode alegar causa
suspensiva.
● Na hipótese do inc. I, além dessa consequência da imposição do
regime de separação obrigatória, há mais uma consequência que é a
35
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
imposição da hipoteca legal do Art. 1.489, inc. II. É uma hipoteca
imposta pela lei.
● Aprendemos em direito das coisas que os direitos reais ficam todos
averbados ou registrados na matrícula do imóvel, a hipoteca legal
não fica. A gente é que tem que saber que é a lei que confere aquela
hipoteca, aquela garantia, isso por causa do sistema.
● O pai não fez o inventário, não deu a partilha, portanto, dos bens ao
filho. Como vou registrar que aqueles bens estão hipotecados em
favor dos filhos se eu não fazer?
● Ex.: Débora casada com Ayrton sena. Tem seninha e deborinha. Sena
morre e Débora não faz inventário e ela se apaixonada por Barack
Obama e quer se casar com ele. Ela pode se casar com ele? Pode.
Mas vai ter que se casar no regime de separação obrigatória. Só que
os bens que a Débora traz do primeiro casamento com o sena vão
ficar todos em separação obrigatória e em hipoteca legal em favor
dos filhos. Como registro isso? Não registra isso, porque isso é um
não fazer, eu não fiz o inventário. Os bens ficam em garantia aos
meus filhos, são hipotecados em favor dos meus filhos. Quando
partilhou, extingue-se a hipoteca.
Provas do casamento
● Como eu provo casamento? Provo pelo registro, pela certidão de
registro de casamento
● E se eu não conseguir provar pela certidão do registro de
casamento? Por qualquer outro meio permitido.
● Imagine que você tenha conseguido comprar causa própria com o
marido e você pega a certidão de matrícula com aquele imóvel e lá
mostra que você tava casada, no regime x, pronto, provou.
● E se não tiver isso? O que for.
● E se o cartório pegou fogo, explodiu e não tenho nada que prove que
eu era casada com aquela pessoa? Teremos que entrar com uma
ação declaratória de posse de estado de casados.
36
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
● Tem que estar casado pra entrar com ação
● Pra entrar com essa ação, preciso estar apta a provar três
coisas/elementos:
■ Nomem: se não coloquei o sobrenome, não consigo
comprovar e hoje em dia o nome não é mais obrigatório,
não é mais elemento como condição. A doutrina e o
tribunal já diminuiu esse requisito.
■ Fama et: todo sabe que eu era casada com o Sena,
então, tinha fama de que era casada com ele, todo
mundo me via com ele, como ele me tratava como
esposa etc. eu provo, o juíz vai sentenciar essa ação
declarando sena e eu casados desde X de mês de Y.
Efeito ex tunc.
■ Tractatus:
● Como provo casamento de pessoas que se casaram no consulado
exterior? Quando chegar no Brasil, a primeira vez que chega, tem 180
dias pra registrar o casamento no cartório de registro civil de seu
domicílio e se não tiver domicílio, no primeiro cartório de registro
civil do estado.
● O casamento no consulado brasileiro, é brasileiro e ela traz depois
para o Brasil.
● Tradução juramentada, apostilar, fazer toda tramitação pra trazer ao
Brasil.
● E se o estrangeiro casa no Brasil, ele casa sob as leis brasileiras e ele
que leve pro pais dele.
● O prazo de 180 dias é decadencial e prazo de decadencial não se
suspende, não se prorroga, é um prazo fatal, só que nós temos dois
posicionamentos a respeito desse prazo:
1. Se a pessoa deixar esse prazo transcorrer in albis,
perder o prazo e nunca mais trazer o casamento
pro Brasil
37
Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito
2. Diz que esse não é prazo fatal, é só recomendação
e pode ser trazido há qualquer tempo
38

Mais conteúdos dessa disciplina