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Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito 13.02.2023 - Direito Civil IV - Direito de Família ● Disponibilidade na faculdade: segunda, quarta e sexta ● Muita urgência: @profdeborabrandao (Instagram) ● Face: Débora Brandão II ● Bibliografia: importante no curso. Lei 14.382 institui o sistema eletrônico de regimes públicos e altera a parte de casamento e todos os livros de direito de família, se não for incluída essa lei, estará desatualizado. Livro 2023 atualizado. A Débora gosta muito do Gonçalves ● Levar o Vade Mecum/Código pra aula sempre Avaliações ● Débora não gosta que peça a ela que passe trabalho pra ponto extra ● Não gosta que peça vista de prova só pra aumentar ponto ● Não vai ter trabalho ● Toda prova é cumulativa e sem consulta ao Código 17.02.2023 ● As normas de direito de família são de ordem pública em sua regra. Em regra, normas de ordem pública ● Norma de ordem pública: significa falar que são normas cogentes que não podem ser alteradas pela vontade das partes ● No direito de família, precisamos ficar adstrito ao termo da lei. ● Significa dizer também que em alguns momentos temos normas dispositivas. Onde é que está essa maior liberdade? Essa maior liberdade está em uma parte do direito de família que são os regimes de bens ● Os regimes de bens tem umamaior autonomia ● Família é um agrupamento de pessoas unidas por laços consanguíneos e afetivos com um objetivo. ● Objetivo da família: vivemos em família com objetivo de uns promoverem o desenvolvimento de todas as potencialidades do outro e um ajudar o outro. A nossa sociedade é alicerçada em família ● O objetivo é promover o desenvolvimento dos seus membros ● Eu vivo em família ligada ao afeto, parentesco e fazer o bem. 1 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● A função social da família é de instrumento (família-instrumento) e promocional (família-promocional) Espécie� d� famíli� ● Existem algumas espécies de família: ■ Nuclear: É aquela composta pelos genitores e a prole. Tendência do meio do século passado para cá há os avós que entendem conceito de família de forma diferente e atualmente temos o conceito técnico (pai, mãe e irmão). ■ Ampliada: é a família nuclear + parentes colaterais (os mais próximos como tio, primo, prima, tio, avô) + agregados (no sentido da lei os funcionário) ■ Anaparental: formada pelos avós e o neto; tio e sobrinho; ■ Multiespécie: animais de estimação ● Há um movimento para reconhecer os animais de estimação talvez em uma outra categoria jurídica, outra natureza jurídica. No Brasil, qualquer animal é semovente, bem. Contudo, há umamovimentação pra uma outra categoria jurídica para os animais. Os animais são conhecidos como animais sencientes, eles têm sentimentos, choram. ● Não se deixa herança para os animais, a pessoa falecida fez doação a um donatário com encargo para que cuidassem dos animais. ■ Família mosaico/recomposta/reconstituída: filhos do padrasto convivendo com os filhos da sua mãe ● Próxima aula: história da codificação civil brasileira: da autonomia da vontade: à autonomia privada 03.03.2023 - Históri� d� codificaçã� civi� brasileir�: d� autonomi� d� vontad� à autonomi� privad� ● Idade Antiga: ● Idade Média: início da idade média é com a queda de Constantinopla ● Idade Moderna: quando o Brasil foi descoberto, estávamos na Idade Moderna. A época da expansão marítimo comercial (Grandes Navegações), cujo objetivo era comércio de troca e depois passou para o comércio de compra e venda. 2 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Esse período foi conhecido como o período do liberalismo econômico. O liberalismo econômico tinha uma característica forte de que os liberais queriam liberdade econômica e individual, por meio de contrato. ● Liberalismo: Liberdade contratual pressupõe pelo menos 3 coisa: I) Liberdade de contratar com quem quiser; ii) sobre o que quiser; e iii) da forma que quiser ● Na idade moderna, temos a ascensão das rotas comerciais e da burguesia. ● Economia de subsistência com a troca do excedente era aquela adotada nos feudos, no qual trocava com outros feudos. Acontece que, quando vemos o declínio da idade merda com a queda de Constantinopla, é um período de transição. O que caracteriza essa transição? O povo do feudo cansado de produzir nas terras do senhor feudal e nunca ter uma terra sua em um período que terras era poder, desse modo, acaba minando o feudalismo e ocorre o Êxodo rural (saída dos feudos para as cidades, os Burgos). ● No burgo, já estão começando a ter os comércios, expansão marítimo-Comercial. Portanto, o povo está comercializando, que é uma atividade eminentemente comercial, contratual, portanto, é direito contratual. ● Surge uma nova classe econômico-social que é a burguesia derivada do senhor feudal, pois quando o senhor feudal vê o sistema ruindo, ele monta a estrutura ● Filme: assistir Coração Valente ● Idade Contemporânea: ● Quem era o rei de Portugal quando o Brasil foi descoberto era o Rei Dom Manuel I, que era conhecido como o venturoso. ● Advogar: ad vocare (falar por) ● Próxima aula: contextualizar pra falar como que surge o código civil brasileiro. 06.03.2023 ● José de Aguiar Dias: clássico da responsabilidade civil ● No liberalismo, havia a ideia do pacta sunt servanda no qual os negócios jurídicos são formados por contratos. Surge a ideia de autonomia da 3 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito vontade, que é o poder que os particulares têm de celebrar negócios jurídicos com força de lei. ● O instrumento mais clássico pra estabelecer negócio jurídico é o contrato. ● Nesse momento, por causa da liberdade contratual, queremos autonomia. A expansão marítima-Comerical tinha a percepção de que o Estado cuidaria da estrutura. ● Surgem revoluções, porque o burguês queria ganhar mais lucro e para isso, era necessário abaixar o preço do proletariado ● Com as revoluções, temos a Revolução Francesa em 1789, no qual o Imperador Napoleão Bonaparte toma o poder e em 1804 ele promulga o codigo civil napoleônico. Apesar de ser o segundo codigo da era moderna, o primeiro foi da prussia - contudo não se estabeleceu enquanto nação e por isso não teve esse poder estabelecedor. Quem faz o Codigo não é o Napoleão, e sim Jean Portatis. ● O código napoleônico foi o que mais influenciou na área moderna ● No contexto de 1804, era uma sociedade individual, voltada para o contrato, patriarcal. ● Super influenciado pela França, em 1899 o Clovis Bevilacqua faz o Código ● Na época do Dom Manual I, temos Portugal colônia e estamos no momento das ordenações do reino de Portugal e ela será nossa legislação enquanto não formos independentes. As ordenações são as Manuelina na época de DomManuel; Afonsinas e Filipinas ● 07.09.1822: Independência do Brasil. ● 1823: Imperador Dom Pedro promulgando que as leis civis e penais tinham que ser feitas com urgência. ● Quando é que vem a primeira lei de direito privado do Brasil? Em 1850, com o Codigo Comercial. Assim, começa o período de codificação no Brasil ● O Teixeira de Freitas escreve o esboço, ele pregava a unificação do direito privado. ● Unificação do direito privado: significava colocar debaixo do mesmo Codigo direito civil e direito comercial. ● O que fizeram com o esboço do Teixeira? Engavetaram. 4 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Dalmácio Velez Sarsfield: homem que pegou o esboço do Teixeira e levou para a Argentina ● Venho mais uma tentativa de codificação que foi a do Coelho Rodriguez. Até que, em 1899, Clovis Bevilacqua escreve em seis meses um anteprojeto de Código Civil. O Napoleão Bonaparte havia feito o codigo em 1804 ● Em 01 de janeiro de 1900, clovis Bevilácqua entrega no CN do RJ o anteprojeto do Codigo Civil que vira projeto e ficaram discutindo até 01/01/1916, contendo um ano de vacatio legis e entrando em vigor em 01/01/1917 ejá nasce “ultrapassado”, porque nesse contexto já estão falando em direitos das mulheres ● Aqueles que não queriam intervenção do Estado, pedem em 1917 porque não estão vendo o mínimo existencial e com isso, os Estados começam com o fenômeno da constitucionalizarão do direito e ela coloca pra dentro do seu bojo os direitos fundamentais, principalmente dignidade da pessoa humana, solidarismo e igualdade. Começam a pensar em um direito funcionalizado. ● Temos em 1917, a Constituição Mexicana e em 1919 a de Weimar (alemã) e nessa a propriedade obriga a observar a função social ● Com o contexto da Constituição Mexicana e de Weimar, surge o Welfare State (Estado do Bem-Estar Social) ● Enquanto havia constitucionalismo, estávamos promovendo o código civil. ● Caio Mário da Silva Pereira apresenta o anteprojeto e engavetam. Vem o Orlando Gomes e engavetaram também. ● O Presidente da República, em 1969, nomeia uma Comissão Elaboradora e Sistematizadora de Código Civil e quem vai ser o presidente é o Miguel Reale. ● Parte Geral: Moreira Alves ● Parte Especial: i. Obrigações -> Agostinho Alvim ii. Empresarial -> Sylvio Marcondes iii. Coisas -> Ebert Viana iv. Família -> Clovis do Couto e Silva (influência alemã) v. Sucessões -> Torquato Castro 5 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● O do Clovis Bevilacqua tinha uma influência individual e o CC/2002 foi feito por uma comissão. ● O CC/02 é anteprojeto de 1975, aprovado no CN em 01.01.2002, tem uma vacatio legis de um ano e vigora em 2003 ● O que tava acontecendo em 1917 e 1919 chega no Brasil em 1988 com a CF. ● O CC/02 chega no Brasil com uma comissão em 1967, sob a égide da emenda n. 1 da CF/1969 ● Fichamento do livro “História das Constituições Brasileiras” (Zé Afonso da Silva, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes) -> características das nossas constituições, se é analítica, formal, se foi outorgado, promulgado, os períodos, características delas, tem que saber a Constituição Polaca) ● O FHC nomeou o Professor Vilaça em 2000 pra fazer adaptações ao texto constitucional no CC ● Quando foi pra Comissão, determinou-se que dignidade da pessoa humana será valor-fonte, portanto, todas as normas, devem ser pautadas na dignidade da pessoa humana. Em complemento, Miguel Reale determinou três princípios a serem seguidos (tríade axiologica realiana - não é fato, valor e norma, esta é teoria tridimensional do direito) i. Eticidade: os deveres anexos ao contrato; boa-fé objetiva. Saímos de um Codigo patrimonialista e entramos em um que a pessoa humana é o centro. Todas as relações precisam ser éticas. ii. Operabilidade: não escreva norma bonita, a norma tem que ter efetividade, tem que ser aplicável, suficientemente aplicável, dotada de eficácia iii. Socialidade: os elaboradores precisavam escrever normas que vinham do bem em comum, mas sem achatar os direitos individuais. Lei com maior abrangência comum, mas sem achatar a pessoa humana ● Quando o Código é promulgado, o professor Renan Lotto, um dos maiores estudiosos do codigo atual, pega e identifica no código mais um princípio, que é o “princípio da atividade em oposição ao status” De onde saiu esse princípio? Havia o fenômeno de socialização do direito em 1917/1919 e o princípio é função social pura, porque não adianta falar que sou proprietário no CC/02, além de ser proprietário tenho que cumprir a função 6 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito sócial. Se eu não trouxer os requisitos da CF/88 sobre propriedade, a minha propriedade é desapropriada na medida mais extrema. Não adianta eu ostentar, preciso imprimir a função social. ● Por conta de tudo isso, quando vem a constituição, surge para os grandes civilistas um momento de repersonalização do direito civil (Professor Facchin que usa essa expressão). Para a prof. Débora é fenômeno de personalização, porque o direito civil brasileiro nunca foi voltado pra pessoa. No cc/16, falava homem. ● Fundamentos do Direito Privado (doutrinador argentino) ● De autonomia da vontade, fomos evoluindo, na qual falamos em autonomia privada, porque eu não posso fazer o que eu quiser do jeito que eu quiser e na forma que eu quiser. Hoje em dia, as partes tem poder, no qual estabelecem negócio jurídico com força entre si, DESDE QUE observados os princípios gerais do direito, as normas constitucionais e as normas infraconstitucionais. ● Art. 1°, inc. III: ● Art. 3°, inc. I ● Filme: Chiquinha Gonzaga 13.03.2023 ● Princípio: consolidação de valores dentro de uma sociedade. O professor renan dizia que princípio é forma matriz, porque inaugura o sistema e força motriz porque impulsiona o sistema também. Ele inaugura e por conta dele movimentam-se as normas. ● O nosso sistema jurídico de direito de família trabalha com princípios de direito civil ○ Princípio da dignidade da pessoa humana: está presente nas famílias por meio de respeito. Outro exemplo é o dever de finalidade, isto é, boa-fé objetiva ○ Princípio do solidarismo familiar: fruto do Art. 3°, inc. I da CF/88. As relações entre familiares precisam ser solidárias por conta da família 7 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito eudermonista. Cada um ajudando o outro a chegar mais perto de suas potencialidades, seja encorajando, ajudando Espécie de família ● Eudemonista: é a família, cujo objetivo é a felicidade dos seus membros. ● Igualdade material x igualdade formal ○ Princípio da igualdade entre cônjuges: deriva do Art. 5°. O legislador não estava procurando só igualdade formal, mas material, efetiva, nas relações. No Art. 7, o legislador coloca igualdade novamente. Art. 226, § 5° (o marido era a cabeça da família anteriormente, por isso a criação do artigo) ○ Princípio do pluralismo das entidades familiares: antes de 1988, tínhamos na CF a família formada pela instituição casamento. Quando chega a CF/88, temos no § 1° casamento civil, no § 2° casamento religioso, mas surge uma novidade no § 3°, que é uma categoria jurídica nova que é chamado de entidade familiar. Isso é novo, não existia até então. A entidade familiar (gênero), cujas espécies são a união estável e no parágrafo 4° a família ou entidade monoparental. Posso trabalhar família e entidade familiar como sinônimos ou categorias jurídicas diferentes? A posição da Débora, minoritária, é que são categorias jurídicas diferentes. Pra doutrina, temos a família também conhecida como entidade familiar Família monoparental: Art. 226, § 4°:qualquer dos genitores + prole. Família da produção independente (ex.: inseminação) Falamos em princípio do pluralismo, porque no passado era só casamento e hoje temos união estável e monoparental. ○ Princípio da proteção especial da família: Caput do Art. 226. O Estado protege a família porque escolheu alicerçar a sociedade brasileira na família. Como o Estado protege a família? Propaganda 8 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito de bebida alcoólica e de cigarro só pode ser a noite, em horário diverso do infantil. ● emenda constitucional n. 66, facilitaram o divórcio, ao nível de criaram o princípio do divórcio ○ Princípio da afetividade: implícito, pois não está escuro nem no Código, nem na Constituição, mas sua existência se dá por conta do sistema. Perseguimos a família eudemonista e pra isso, preciso estar pautada em afeto. As relações familiares são amparados pelo afeto. Na afetividade consigo fazer a descrição de como o afeto se manifesta. ○ Princípio da parentalidade responsável: Art. 226, § 7°. No parágrafo está escrito paternalidade. “Amar é faculdade, cuidar é dever” (voto da Min. Nancy Andrighi em acórdão). Se fala em parentalidade e não paternidade porque avançamos, porque é para os dois genitores, pois os dois devem cuidar ○ Princípio do planejamento familiar: Art. 226, § 7°. Tem a ver com a concepção e a contracepção. É dever do homem, da mulher e do casal conceber ou não. ●Ler em casa a Lei do Planejamento Familiar. ○ O planejamento familiar é pautado pela dignidade humana e parentalidade responsável. Se você não se cuidar, terá filho e será pautado no princípio da parentalidade responsável. ○ Princípio da vedação à violencia doméstica e familiar: Art. 226, § 8°. ○ Ler Art. 7° da Lei Maria da Penha (formas de violência) ○ Violência contra a mulher fere direito humano feminino (ação política afirmativa) ○ Princípio da proteção integral: Art. 227 da cf (próxima aula) 9 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito 17.03.2033 ○ Princípio da proteção integral (Art. 227): Surge no direito inglês com umamáxima que é o “the best interest of child” ● Política pública de que todas as crianças devem estar protegidas em todas as dimensões ● Isso vem com força no Art. 227, porque com a introdução dessa doutrina no ordenamento jurídico brasileiro, as crianças passam de objeto de direito para sujeitos de direito e por isso que criança tem voz. Ela pode ser ouvida sempre, mas a lei estabelece que a partir dos 12 anos vai ser ouvida e sua vontade considerada, isso não significa que será atendida e de maneira lúdica, assistida. A criança precisa ser protegida em todas as suas dimensões. ● Isso é proteção integral, holística ● A responsabilidade é tríplice, do Estado (por meio de políticas públicas como escola, grade curricular, creche, hospital, atendimento especializado em todas as necessidades das crianças), da família e da sociedade (também fomentando um espaço para que as crianças ocupem) ● Direito à vigência comunitária: você pode e deve andar pelo seu bairro. Você tem direito a frequentar os lugares, você pode ser respeitado enquanto pessoa a. Princípio da convivência familiar e comunitária (Art. 227 CF/88): Toda criança tem direito de conviver com seus familiares. Ex.: quando os pais se divorciam. As crianças têm direito de conviver com os mais velhos, pois assim aprende tradições, histórias das famílias, aprende limitações com eles ● No ponto de vista dos genitores, é direito e dever ○ Princípio da prioridade absoluta (Art. 227 CF/88): significa que as crianças, por serem sujeitos de direito, tem de receber do Estado, da sociedade e da família, a prioridade absoluta no que concerne às políticas públicas. 10 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● A nossa CF/88 fala que a criança e o adolescente tem priorado absoluta, então acaba sendo o princípio mais importante. Aparentemente, em direitos relacionados à crianças e adolescentes, temos direito absoluto em razão do Art. 227 ○ Princípio da igualdade entre filhos (Art. 227, § 6°): filho é filho, não importa a origem, vão sempre ter os mesmos direitos e obrigações. Não importa a origem da filiação, todo mundo tem os mesmos direitos, deveres e não importa se é filho adotivo, da mãe solteira, bastardo. 20.03.2023 ● Parentesco - Art. 1.593 CC ● Consanguíneo (natural) -> biológico ● Civil: adoção, RA (reprodução assistida), socioafetividade Contagem - árvore genealógica ● Os graus de parentesco são contados de geração em geração ● Vamos ver 3 graus Linha reta ● Quando uns descendem dos outros diretamente. ● Eu - meu pai - avô - bisavô - trisavô ● Eu - filho - neto - bisneto - ● A linha reta não tem fim ● Linha reta ascendente ● Linha reta descendente ● Sempre especificar o grau na prova Linha reta ascendente ● Omeu pai é primeiro grau na linha reta ascendente ● Meu avô é segundo grau na linha reta ascendente ● Meu bisavô é terceiro grau linha reta ascendente ● Meu trisavô é quarto grau linha reta ascendente 11 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito Linha reta descendente ● Filho: primeiro grau linha reta descendente ● Neto: segundo grau linha reta descendente ● Bisneto: terceiro grau linha reta descendente Linha reta colateral ● Conceito parentesco linha colateral: são aqueles que descendem de um mesmo ancestral comum sem descenderem uns dos outros diretamente. ● Pai: primeiro grau linha reta ascendente ● Avó: segundo grau linha reta ascendente ● Tio-avô: terceiro grau linha reta ascendente ● Meu Irmão: ancestral comum é o meu pai, logo, ele é segundo grau linha colateral. Eu vou ao ancestral comum e vou descendo. ● Sobrinho: terceiro grau colateral ● Irmão do meu pai: meu tio descende do meu avô. Ele é terceiro grau linha colateral ● Meu primo: quarto grau de linha colateral ● O parentesco na linha colateral vai até o quarto grau ● Filho do primo: quarto grau (não é nada, ele tecnicamente seria parente de quinto grau na linha colateral, mas não existe) ● O primo começa no quarto e termina no quarto. É uma frase ambígua, porque o primo vai ser de quarto grau. Parentesco por afinidade ● É o vínculo que liga um cônjuge aos parentes do outro em uma relação de espelho ● Eu - marido - sogra - sogro - cunhada ● Qual é o grau de parentesco do meu marido pra minha sogra? Primeira linha reta ascendente. Se é uma relação de espelho, eu entro no lugar do meu marido e teria essa linha de espelho. Logo, o meu grau perante os sogros é de primeiro grau, por isso não pode casar com sogro ● Sendo assim, sou parente por afinidade de segundo grau da minha cunhada 12 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Parentesco por afinidade vai até o segundo grau ● Os avós do meu cônjuge também são os meus parentes, porque o meu marido em relação aos avós dele são segundo grau de parentesco por afinidade ● Enteado é meu parentesco por afinidade de primeiro grau ● Neto é parente por afinidade de segundo grau Irmão bilateral e unilateral ● Bilateral: da mesma mãe e do mesmo pai. Podem ser chamados também de irmão germanos ● Unilateral: só da mãe ou só do pai. ■ Se forem só da mãe, são chamados de irmão uterinos amatre ■ Se eles forem só do pai, eles podem ser chamados de irmão consanguíneos ou apatre ● Minha tia Meire era casada com Paulo e desse casamento venho duas primas, a Livia e a Maira. Elas são irmãs bilaterais de manhã e de pai. A minha tia separou do Paulo e casou com o Gilberto. Nesse casamento, venho minha outra prima, a Júlia. A Júlia em relação à Livia e Maira é unilateral. O Gilberto antes de casar com a minha tia, ele tinha outra filha, chamada de Nádia. A Nádia com a Júlia são irmãs unilateral apatre e em relação à Nádia e Maira nada. ● Cônjuge não é parente ● Gilberto, marido da minha tia, teve a Júlia e ele tinha a Nádia antes, a Nádia com a Júlia são irmãs unilaterais porque são ligadas ao pai, então, são consaguineas ou apatre. A Júlia com a Maira são amatre. ● Não existe primeiro grau colateral. 24.03.2033 Existem três correntes da natureza jurídica do casamento Teoria institucionalista do casamento: 13 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Trata o casamento como instituição. Isso significa que é o casamento que tem uma série de normas, preceitos, isto é, conjunto de normas baseados na tradição sendo que todos que aderirem ao casamento são obrigados a cumprir todas essas normas. Quem quiser aderir ao casamento, é obrigado a cumprir essas normas. ● O casamento tem normas que são baseadas na tradição, são normas que muitas delas remontam o direito romano Teoria contratualista ● Trata o casamento como contrato ● No nosso ordenamento jurídico, o casamento não é necessariamente contrato, mas sim negócio jurídico ● A teoria fala que o casamento é uma manifestação de vontade de duas partes com o mesmo objetivo (negócio jurídico) que se unem pra formar um contrato ● Por essa teoria, o casamento é um contrato desde a sua vigência, desde o momento que se forma até o momento que vem a se extinguir ● Se você vem a divorciar, separar, ele termina como contrato Teoria mista ● Mista ou eclética ● Junção das duas (institucional + contratual) ● O casamento não é só contato e instituição, ele tem elementos contratuais e institucionais ● O casamento forma instituição,ele é regido por regras que as partes não podem pactuar de forma diversa, porque é uma instituição tem regras baseadas na tradição? Sim, mas ele também tem elementos contratuais ● No momento da celebração, o casamento tem natureza contratual, segundo a teoria, assim como no momento da extinção, ele teria um elemento contratual, rescisão de contrato. Nos extremos ele seria contrato, na extinção e formação, mas durante toda a vigência ele é uma instituição ● Você celebra e extingue como contrato, mas vive ele como instituição no dia a dia 14 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Você não pode trair, negar muita assistência pra outra parte, não pode fugir dos deveres do casamento, não pode fugir das regras solenes do casamento ● A teoria mista é a mais aceita no Brasil hoje em dia. Conceitos de casamento ● O casamento é uma instituição que remonta ao direito humano ● Os conceitos de casamento vão evoluir Casamento modestino ● O primeiro conceito de casamento é o modestino ● É a conjunção do homem e da mulher que se unem para toda a vida. É a comunhão do direito divino e do direito humano. ● 3 elementos principais que conseguimos encontrar no conceito modestino ■ Homem e mulher (diversidade de sexos). É necessário a diversidade de sexos para ter o casamento ■ “Para toda a vida” é indissolubilidade do casamento ■ O elemento religioso “direito divino” (direito humano agindo sobre o direito divino) ● Para o Modestino, este era o conceito de casamento. Casamento para Jean Portalis ● Conceito de casamento para Portalis ● Época da revolução francesa (1789) e código napoleônico de 1804 ● Vem de uma época pós iluminista. O que muda aqui? Não vamos falar de elemento religioso. O ser humano é muito mais o foco do que o divino ● O Portalis vai falar que o conceito de casamento é a sociedade do homem e da mulher que se unem para perpetuar a espécie, para ajudar-se mediante socorros mútuos a carregar o peso da vida e para compartilhar o seu comum destino. Abaixo os elementos: ■ Homem e da mulher (diversidade de sexos) ■ Contrato (ele vê casamento como contrato). No codigo napoleônico tinha o homem patriarcal, o homem contratante, estava dentro desse contexto. ■ A procriação é o elemento central pra ele 15 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ■ Ele trata a vida como peso. Ele fala que o cônjuge vai estar ali para ajudar o outro a suportar o dia a dia, logo, mútua assistência entre o casal ■ Comum destino: a vida toda, logo, indissolubilidade do casamento também Casamento Lafayette ● Conceito de casamento para Lafayette ● Ele era jurista da época imperial no Brasil ● Para Lafayette, casamento é um ato solene pelo qual duas pessoas de sexo diferentes se unem para sempre sob promessa recíproca de fidelidade e de amor ■ Ato solene: deve respeitar o que está em lei. Não pode ferir aquela solenidade da lei ■ Sexo diferentes: diversidade de sexos ■ Se unem para sempre: indissolubilidade do casamento ■ Promessa recíproca de fidelidade e de amor: comunhão de vida, isto é, as partes compartilharem toda a vida, e fidelidade recíproca ● A natureza é institucionalista, porque é solene e deve seguir a lei Casamento Clóvis Bevilacqua ● Conceito de casamento Clóvis Bevilacqua (fez CC/16) ● É um contrato bilateral e solene, logo, ele está reproduzindo a mesma ideia do Portalis de um casamento como contrato. ● Ele fala que o casamento é solene, isto é, tem regras estabelecidas em lei que deve ser observada. Portanto, ele tá mais próximo da teoria mista ● Casamento pelo qual o homem e a mulher se unem indissoluvelmente legalizando por ele suas relações sexuais ● Sexo fora do casamento é legal civilmente, mesmo que não seja crime? Se ele fala que o sexo legaliza o casamento, o sexo fora do casamento é ilegal ● Ele diz que estabelece a plena comunhão de vida e comprometendo-se a educar a criada prole que de ambos nasceram ● Portalis colocou a criação como elemento central do casamento e Clóvis também o faz. 16 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito Casamento para Pontes de Miranda ● É a união permanente entre o homem e a mulher (indissolubilidade e diversidade de sexos) de acordo com a lei (institucionalista) afim de se reproduzirem, de se ajudarem mutuamente e criarem seus filhos, então, a procriação e a criação da prole e a mútua assistência (elementos principais dentro da teoria do Pontes de Miranda) ● O casamento exige permanência, pra ele ● Ter filhos e criaram é elemento importante pra ele tb Casamento Washington de Barros Monteiro ● Washington e Pontes de Miranda são o que hoje em dia seria o Tartuce, Maria Verenice ● Washington fala que é um contrato solene (tem forma pré-estabilidade em lei / contrato e instituição) pelo qual duas pessoas diferentes e capazes (diversidade de sexos) se unem com intuito de conviver toda a existência (indissolubilidade do casamento) legalizando por ele a título de indissolubilidade, as suas relações sexuais ● A fidelidade seria o elemento principal e o casamento regularizaria as relações sexuais ● Direito de família, em regra, norma de ordem pública (cogente) e as dispositivas estão dentro do regime de bens ● Ele traz o efeito patrimonial dentro do casamento para os nubentes ● Se existe a prole, eles vão ter que criar a prole. É a procriação e a criação da prole dentro do casamento ● Esse conceitos vão até 1950 ● O que sempre teve nos elementos foi diversidade de sexo e indissolubilidade, porque indissolubilidade foi o que mudou com a Lei de Divórcio que é de 1967 ● No Brasil, o casamento entre homossexual só foi permitido em 2011. Começou a ser discutido a possibilidade depois da CF/1988 ● Próxima aula: características e finalidade do casamento. 17 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito 27.03.2023 - característica� � finalidad� d� casament� ● Casamento é um ato solene, tem uma solenidade a ser observada para que possa produzir seus efeitos jurídicos ● As normas sobre são de ordem pública ● Ele estabelece plena comunhão de vida com igualdade ● É uma união permanente, mas não é indissolúvel ● Portanto, é possível haver divórcio há qualquer tempo ● Proíbe-se casamento sob condição ou termo ● Condição: ● Termo não é prazo. ● Termo inicial: dies a quo ● Termo final: dies ad quem ● Prazo é o lapso temporal entre o termo inicial e o termo final ● 18.01.1946: termo inicial (dies a quo) ● 14.5.2006: Termo final (dies ad quem) ● Natureza jurídica do termo: ● Para que o negócio jurídica exista, preciso de elementos como objeto, sujeito e forma que sempre estarão presente no negócio jurídico. ● Elementos acidentais do negócio jurídico: não estão em todos os negócios jurídicos, eles não são fundamentais e por isso a doutrina da esse nome ■ Condição: ■ Termo: ■ Encargo (modo): ● Termo é o elemento acidental do negócio jurídico que o subordina a evento futuro e certo. É elemento acidental do negócio jurídico porque não está presente em todos os negócios jurídicos, porque nem sempre tem prazo certo as coisas. ● Sempre começar a resposta com natureza jurídica daquilo. ● Não pode ter casamento a termo e condição. ● Condição: trata-se de elemento acidental do negócio jurídico subordinado a um evento futuro e incerto (porque você não sabe se aquela condição vai ser implementada ou não). 18 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Por que é elemento acidental do negócio jurídico? Porque nem todo negócio jurídico é condicional. ● Casamento sob condição: eu caso com você se você me deixar 5 milhões. Art. 16 DUDH ● Todas as pessoas têm liberdade de se casar ou não ● Diversidade de sexo não é mais característica de casamento, mas na legislação ainda aparece, v.g., arts. 1.514. Isso não é elemento obrigatório desde 05/05/2010. Casamento e união estável homossexual ● Homo vem do grego e significa “mesmo”. A palavra “sexo”,vem do latim e significa “sexo”. ● O homossexual é aquele que orienta sua atividade sexual pra outra do mesmo sexo. ● Não posso falar homossexualismo porque não é doença. Com isso, essa razão do CID-10 ter alterado. ● Era muito comum relação sexual entre os romanos ● Homossexualidade feminina: lésbica. O nome advém de uma sacerdotista. Homoafetiva ● É errado falar união homoafetivo tecnicamente, mas a doutrina e o supremo fala ● Significa “mesmo afeto” ● O Brasil adota esse nome porque entendia que era muito pesado falar união homossexual ● Temos na CF no Art. 226 que reconhece a união estável, porém no Brasil não havia previsão para pessoas do mesmo sexo ● Acontecia que o casal homossexual entrava com pedido individualmente e era julgado improcedente, porque era impossibilidade jurídica do pedido. Mas ia pra outro juíz mais progressistas, que usava princípios e julgava o pedido procedente. Até que, surge o Art. 226 e os doutrinadores para reverter isso, pensaram na ideia que é exemplificativo, baseado no princípio 19 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito da dignidade e da pessoa humana e ao invés de ser cláusula geral de exclusão, torna-se de inclusão ● Quando criaram o código, colocaram homem a mulher, ou seja, uma cláusula de exclusão ● Interpretação “conforme” a constituição: pesquisar na doutrina ● O que faz com o final do Art. 226? Não dava pra converter em casamento, porque textual é entre homem e mulher. Os doutrinadores vão falar que é inconstitucional, só são inconstitucionais porque não deveriam estar na CF. ● Surge no Brasil a ADPF 4277 e a ADIN e essas duas ações foram reunidas e o relator acaba por reconhecer, em seu voto, a união estável entre pessoas do mesmo sexo, baseado na dignidade humana, igualdade, princípio da felicidade. O Supremo, no dia 05/05/2010, aprova por unanimidade a união estável entre pessoas do mesmo sexo ● Próxima aula: Folha de São Paulo, STJ, habilitação para casamento homossexual, provimento 31.03.2023 ● Finalidades do casamento ● Affectio maritalis: é o firme propósito que tem os cônjuges de manterem-se casados. ● Mútua assistência: ela se dá de três formas ■ Material: um tem o dever de sustentar o outro economicamente ■ Imaterial, portanto, moral: aquela assistência baseada no cuidado, no apoio, na escuta ativa, na gentileza do trato ■ Espiritual: é o apoio espiritual que cada cônjuge deve dar ao outro ● Satisfação sexual: Uma parte da doutrina entende que a satisfação sexual não é a finalidade do casamento ● Guarda, sustento e educação dos filhos: isso não é tecnicamente uma obrigação conjugal, é uma obrigação que nasce da relação parental. As crianças que nasceram serão de responsabilidade dos dois. ● Procriação: as pessoas se casam com exceptativa de ter filhos e outras não. 20 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito 03.04.2023 ● Procriação não é objetivamente a primeira das finalidades do casamento, é secundária, mas existe Eficáci� jurídic� d� casament� Efeitos sociais ● O casamento produz efeitos sociais, pessoais e patrimoniais. Ele produz efeitos nesses três sentidos. ○ Efeito social mais evidente que o casamento proporciona pra pessoa? Quando você se casa, forma uma família, isto é, a constituição da família de acordo com o Art. 226 da CF ○ Depois, temos a emancipação. Quando casamentos, naturalmente o efeito do casamento é emancipar a pessoa. O efeito do casamento é a emancipação. Você se casa e naturalmente se emancipa ○ Estabelece o vínculo da afinidade (um vínculo que liga um cônjuge aos parentes de outro cônjuge) ○ Planejamento familiar do Art. 226, parágrafo 7°: porque a lei fala que isso é direito do casal, então, se é direito do casal, esse viés do planejamento familiar surge com o casamento Efeitos pessoais ○ Estabelece a plena comunhão da vida ○ Estabelece a exclusividade da união, porque o Brasil ainda adota o modelo monogâmico. Art. 1.565 do cc ○ Posso acrescentar nome do meu marido ou meu? Art. 1.565, parágrafo 1°. Ele pode acrescentar meu sobrenome ao dele por conta do princípio da igualdade. Quando você acrescenta, está entrando pra família da pessoa e quando casa você não entra, você constitui família ○ Plena consecução do processo da igualdade: tudo que a gente vai decidir, vamos decidir junto, então, é um sistema de cogestão. Se um quer uma coisa e o outro quer outra, quem vai decidir no desempate é o juiz de direito 21 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito Efeito patrimonial ○ Regime de bens ○ Efeitos sucessórios ○ Sustentar o cônjuge e a prole também é um feito patrimonial ○ Efeito de usufruto e administração dos bens dos filhos durante o poder familiar. Ex.: filho do Luciano Hulk tem um helicóptero no nome dele, quem administra isso são os pais. Se resolvem abrir empresa de táxi aéreo, o lucro vai para os pais. Isso tem na legislação para compensar os pais pelo trabalho que dá na criação de um filho ○ Art. 1.831 do Cc: quando você tiver um bem só de natureza residencial, independentemente do regime de bens, quando um dos proprietários falece, o outro tem direito real de habitação sobre aquele bem ● Constância do casamento. Comunhão parcial de casamento. Um imóvel. Metade toda é da mãe por meio de meação e a outra dividida entre os filhos. Isso é direito real de propriedade, sendo condominio legal, pois estava previsto em lei. A mãe terá direito real de viver na casa enquanto ela viver. Deveres (inc. I, do Art. 1.566) ○ Art. 1.566: direitos e deveres recíprocos entre os cônjuges ○ Inc. I: fidelidade; fiducia; fides (significa fé/confiança) ○ O princípio da monogamia é o que vigora no direito da família, então, tenho que ser fiel ao meu cônjuge, a uma só pessoa ○ A fidelidade historicamente diz respeito à sexualidade. A pessoa, pra ser infiel, ela precisa adulterar. ○ Adultério: tecnicamente, é a conjunção carnal praticada e pra ter isso, precisa ter sexo, sexo consumado com penetração. Se não tiver isso, segundo os romanos, teremos um quase adultério. Chama-se injúria grave, mas não adultério nessa hipótese. (Art. 1.573) ○ Há uma parte da doutrina diz que quando houve quebra da confiança, seria caso de infidelidade. No entanto, o entendimento clássico é de que tem que ter penetração. 22 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ○ Não é porque o adultério deixou de ser crime, que ele não é ilícito civil, ele deixou de ter relevância criminal apenas ○ Pesquisa pra próxima aula: infidelidade virtual. Como a doutrina e os tribunais tem entendido a questão da infidelidade virtual. Deveres (inc. II, do Art. 1.566) ○ Vida em comum, no domicílio conjugal: dever de coabitação ○ Convivência more uxorio: convivência dos dois como casal debaixo do mesmo teto ○ Débito conjugal ○ Esse dever de morar junto é absoluto? Não, ele já está flexibilizado. Já entende a possibilidade das pessoas morarem em casas separadas, mas existe expectativa que morem juntos, quem explica isso é a MHD. Ela diz que casamento pressupõe vida em comum, como é que você vai ter plena comunhão de vida se não convive com a pessoa ○ Art. 1.569: a regra é que escolham um domicílio, mas qualquer um dos dois pode sair de casa pra atender encargo público. Ex.: Lula. Se a esposa falasse que ele abandonou o lar, ele não fez isso, porque ele estava atendendo encargo público, qual seja, presidência ○ Para haver abandono de lar, de acordo com o Art. 1.573, inciso IV, é preciso que haja abandono por um ano e com esse objetivo. ○ Débito conjugal: debitum conjugale. É o dever que um tem para o outro para satisfação sexual ○ Uma parte da doutrina entende que isso estiver dentro do prazo de anulação do casamento, anula o casamento ○ Se a mulher ou homem recusam a prática do ato sexual, precisa ser justa, pois se for injusta, poderá requerer divórcio ou anulação do divórcio ○ Justa: IST, bêbado, sexo anal, sem camisinha ○ Oúnico sexo que deve se submeter é o vaginal, todos os outros devem ser acordados antes, pois é o sexo vaginal que gera a procriação Inc. III - mútua assistência 23 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Descumprimento da mútua assistência gera injúria grave Inc. IV ● É uma obrigação parental e não dever conjugal Inciso V ● Respeito e consideração mútuos ● Esse inciso venho da Lei da União Estável, porque os companheiros homens se relacionavam com suas companheiras e achava que não precisava respeitá-las ● Deveres de respeito: cortesia, sinceridade, não expor o cônjuge a amigos ou lugares degradantes Espécies de casamento ● Os doutrinadores acabam elencando tudo que é casamento como espécie autônoma, mas a CF mostra nos §§ 1° e 2° que são duas espécies ■ Civil ■ Religioso ● Na OAB, colocar tudo, não só os dois. ● No Brasil, até 1890, só existia casamento religioso e o casamento religioso conferia efeitos civis. Por que funcionava assim? Porque tínhamos a unificação do Estado com a Igreja. Acontece que, dia 15 de novembro de 1889, a proclamação da república e com ela, temos a queda do poder Moderador e a divisão do Estado-Igreja. ● Quando ocorre a divisão do Estado-Igreja, o Estado proíbe casamentos religiosos no Brasil por meio do Decreto 181/1890. ● Casamentos, óbitos, nascimentos, ficavam registrados nos livros paroquiais. A igreja fazia às vezes o registro civil que temos hoje. Quando ocorre a divisão, surgem os registros no Brasil e a lei determina que primeiro haja o casamento civil e depois o religioso só pra cumprir os preceitos da religião Casamento religioso com efeitos civis ● Só tem uma autoridade celebrante, que é o ministro de confissão religiosa ● Art. 1.516 do CC: pode acontecer de dois jeitos 24 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ○ Habilitação prévia (§ 1°): primeiro os nubentes foram ao cartório, levaram todos os documentos pessoais, testemunhas, o cartório checou se eles tinham algum tipo de impedimento e o cartório viu que eles não tinham nenhum tipo de impedimento. Se não tinham, o cartório expediu certificado de habilitação dizendo que os noivos podiam se casar. Os noivos pegam o certificado e levam para o ministro de confissão religiosa e ele marca a data e na data marcada celebra o casamento. Celebrado o casamento, casal vai pra lua de mel e tanto o ministro de confissão religiosa, como qualquer um dos cônjuges pode pedir em 90 dias o registro do casamento. O prazo de 90 dias é decadencial, significa que não se interrompe, não se suspende e é fatal, não se prorroga também. Se o prazo caiu no sábado, você deve ter cumprido na sexta-feira. ● Casou, foi pra lua de mel, o padre pega o certificado de casamento religioso que as igrejas ou centros ou sinagogas dão, pego o certificado, levo para o cartório, o cartório vê que já teve habilitação e o cartório registra o casamento e expede a certidão de casamento com data retroativa à data da celebração. ○ Habilitação posterior (§ 2°): casa na igreja, depois que casa, o ministro de confissão religiosa entrega o certificado de casamento religioso e você leva pro cartório com todos documentos pessoais e testemunha e dá início ao processo de habilitação. Se não tem impedimento nenhum, vai ser expedido certificado de habilitação, cuja eficácia vai ser de 90 dias com data retroativa e registra. A diferença aqui é que no casamento religioso com habilitação posterior, o padre não pode levar pra registro, só quem leva são os dois cônjuges, isso pra confirmar o ato, pois não teve habilitação ainda no cartório e isso pra evitar fraude. O prazo pra observar o registro é 90 dias também. Casamento nuncupativo ● In extremis ● In articulo mortis ● Ocorre na iminência da morte 25 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● A pessoa tem que estar no leito de morte pra morrer ● Tem que estar consciente sobre o casamento e tem que ser celebrado perante seis testemunhas que não podem ser parentes nem na linha reta e nem na linha colateral até segundo grau ● Como vai ser expedida certidão? Eu vou perante o juíz com as 6 testemunhas em 10 dias da morte da pessoa, e ele vai colher o nosso depoimento. Após, o juiz de paz manda fazer habilitação pra ver se não tinha nenhum impedimento. Se não teve nenhum impedimento, declara casamento. Expede a certidão de casamento é casada eu fui ● Se ele não morre, diz o Art. 1.541, § 5°, que ele vai ter que ratificar/confirmar aquele casamento. Se ele não ratifica, não casou. ● É possível casamento nuncupativo por procuração. 10.04.2023 - Espécie� d� casament� � capacidad� matrimonia� Casament� e� r�ã� d� molésti� grav� ● Art. 1.539 ● Casamento no qual os nubentes não estão à beira da morte, mas não podem se locomover sem piorar o risco da sua condição de saúde ● O juiz de paz vai até o local onde está a pessoa, de dia ou de noite, e celebra o casamento levando o oficial no cartório (escrevente). ● Se esse oficial do cartório não puder ir, o juíz de paz no local onde está os nubentes, nomeia um escrevente “ad hoc” (para o ato) ● São necessárias duas testemunhas para a realização desse casamento ● O juíz de paz leva um termo avulso, porque não pode tirar o livro de casamento do cartório, nenhum livro de registo sai do cartório, leva o avulso, celebra o casamento e depois volta pro cartório e tem cinco dias pra registrar esse casamento no livro de registro de casamento no cartório de registro civil 26 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Se não registrar em cinco dias, isso é uma falta funcional do funcionário, pois o casamento aconteceu ● Juíz de paz: autoridade competente pra celebrar casamento Art. 1.539. No caso de moléstia grave de um dos nubentes, o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à noite, perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. § 1 o A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento suprir-se-á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc, nomeado pelo presidente do ato. § 2 o O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será registrado no respectivo registro dentro em cinco dias, perante duas testemunhas, ficando arquivado. Casamento por procuração ● A procuração tem que ser por instrumento público e deve conter poderes especiais “especialmente para casar com X, do estado de Y” ● Art. 1.542 Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante procuração, por instrumento público, com poderes especiais. § 1 o A revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do mandatário; mas, celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da revogação, responderá o mandante por perdas e danos. 27 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito § 2 o O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se representar no casamento nuncupativo. § 3 o A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias. § 4 o Só por instrumento público se poderá revogar o mandato. ● O marido poderia processar por perdas e danos caso eu revogue o mandato depois que o mandatário foi até o local para o casamento. O marido já teria alugado as coisas para cerimônia, o pajé, o cacique ● Esse meu casamento é anulável, mas teve o casamento, mas foi anulável. ● Revogo a procuração exatamente do mesmo jeito pelo qual eu a outorguei, que é uma procuração pública com poderes especiais. ● Perdas e danos compreende lucro cessantes e danos emergentes, ou seja, aquilo que se perdeu + aquilo que deixou de ganhar ● A procuração não pode ultrapassar noventa dias ● É prazo de eficácia, não validade ● Depois de noventa dias, não produzirá efeitos jurídicos, então válida ela é porque observou os requisitos da lei, mas ela não está apta a produzir efeitos jurídicos Provas do casamento ● O casamentose prova pela certidão de registro de casamento (Art. 1.543 CC/02) ● Se eu não tiver como provar pela certidão, provo por qualquer outro meio possível de provar. Ex.: comprou a casa com omarido Casamento com estrangeiro ● Se vc se casar perante o consulado brasileiro, o seu casamento é brasileiro 28 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Quando voce vem pro Brasil, você tem que registrar o casamento no seu domicílio. Se você não vem pra morar no Brasil, mas pra visitar, você tem que registrar no cartório da capital do seu estado ● Brasileiro que casa na prefeitura da Itália? Pessoa que casa em qualquer lugar no mundo, é casado no Brasil. ● Dois posicionamentos sobre prazo de 180 dias (decadencial - prazo que não se prorroga, interrompe). ● Para um casamento ter reciprocidade, as mesmas leis de lá, precisam ter aqui. Os que tem poligamia, não valem aqui. ● Art. 7° LINDB ● SEMPRE tem que trazer o casamento pra registrar no Brasil ● Na dúvida, sempre in favor matrimonii Art. 1.547. Na dúvida entre as provas favoráveis e contrárias, julgar-se-á pelo casamento, se os cônjuges, cujo casamento se impugna, viverem ou tiverem vivido na posse do estado de casados. ● Outra forma de provar casamento é usar a ação de posse do estado de casamento é só utilizo quando não houver nenhum jeito de provar que estamos casados. Faço isso quando não houver registro, quando ele some (cartório pega fogo etc) ● No caso de tragédias, pode-se usar da ação de posse do estado de casados e preciso de três elementos ■ Nomem (hoje em dia não é obrigatório o sobrenome do marido) ■ Fama et (todo mundo sabia que ela era casada com X) ■ Tractatus (ele tratava ela como esposa dele?) Art. 1.545. O casamento de pessoas que, na posse do estado de casadas, não possam manifestar vontade, ou tenham falecido, não se pode contestar em prejuízo da prole comum, salvo mediante certidão do 29 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito Registro Civil que prove que já era casada alguma delas, quando contraiu o casamento impugnado. Capacidade matrimonial ● Capacidade é medida da personalidade ● Temos a capacidade plena, que é a soma da capacidade de fato (exercício) + capacidade de gozo (direito) ● Quando temos capacidade de gozo ou de direito? Basta nascer com vida para ter capacidade de direito ou de gozo. ● Pra nascer com vida, basta respirar (docimasia hidrostática de galeno) ● Docimasia hidrostática de galeno: que é pegar pedaço do pulmão da criança e se subir é porque respirou. Se descer, não respirou ● Capacidade de direito, exercício ou de fato: exercício dos atos da vida civil. ● Somando tudo isso, tem a capacidade plena ● Legitimação: aptidão para exercício de ato específico ● Capacidade matrimonial: quem que pode casar, quais os requisitos para que uma pessoa possa se casar. Então, quando falo de capacidade matrimonial, estou falando especificamente da idade núbil ● Para uma pessoa casar, além de discernimento para os atos que ela vai praticar, ela precisa de idade mínima, que o direito chama de idade núbil, que no direito brasileiro é 16 anos ● Não pode casar na idade inferior a 16 em nenhuma hipótese. A lei deixava antes, agora não. ● Posso casar com 16, mas preciso da autorização dos pais. Se um pai der e o outro não, precisarei de suprimento, que é uma ação judicial de suprimento de consentimento (os pais não dão autorização ou um pai dá e o outro não) ● Efeito do casamento: emancipar, tanto que ninguém emancipa filho pra casar. Seria contraditório falar de casar pra emancipar. 30 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Se o juiz entender que a negativa é correta, o juiz falar que não pode mesmo casar ● Se o juiz entender que a negativa é injusta, ele permite. Se o juiz permitir o casamento, ele vai impor regime de separação obrigatória de bens (art. 1.641, inc. III) ● Sempre vai ser separação obrigatória se eu precisar de suprimento judicial ● Se meus pais autorizaram o casamento, posso escolher o regime de bens que eu quiser. ● Dou autorização pro meu filho casar com 17 anos, só que na rua vejo a noiva dele bêbada e revogo a autorização. Até a celebração do casamento, eu posso revogar a autorização Impedimentos matrimoniais ● Art. 1.521 ● O que são? São causas taxativamente previstas na lei em razão de moral familiar, eugenia, crime e monogamia que impedem a celebração de casamentos válidos ● São normas de ordem pública, afetam a todas as sociedades ● São tão graves que maculam o casamento de nulidade absoluta ● Se eu casar, não é pra casar, esse casamento é nulo de pleno direito Art. 1.521. Não podem casar: I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural (adotivos) ou civil; ● Questão de moral familiar, eugenia II - os afins em linha reta; ● Afins (afinidade) é um vínculo que liga um cônjuge aos parentes do outro cônjuge ● Não pode casar com sogro/sogra/enteado/cunhada 31 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Na linha reta não pode casar com os afins, nunca. ● Cunhado, eu posso, depois de acabado o casamento. III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; ● Ex.: a mia casou com o woody allen, mas antes ela tinha adotado uma asiática. Ele casou com a asiática depois do casamento com a Mia IV - os irmãos, unilaterais (irmãos germanos) ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; ● O Decreto Lei 3.200/1941 permite o casamento de tio com sobrinho desde que dois médicos subscrevam laudo atestando improbabilidade de nascimento de filhos com deficiência. Nesse caso, seria problema de eugenia. Ex.: Hulk. ● Por que esse decreto está valendo em cima do código civil? Princípio da especialidade. O código civil é lei geral perto do Decreto que é específico pra isso V - o adotado com o filho do adotante (irmãos); ● Problema de moral familiar VI - as pessoas casadas; ● Caso contrário, dá bigamia ● União estável pode dar bigamia. O STF entende isso. VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. ● O amante que mata o marido pra casar ● Não existe tentativa culposa, só pode se doloso. ● Omotivo aqui é por crime. 32 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● A maioria da doutrina sustenta que precisa ter trânsito em julgado. A Prof Débora entende que basta o indiciamento, mas na OAB colocar que precisa de comprovação do trânsito em julgado ● Art. 1.522: qualquer pessoa capaz pode opor os impedimentos ● Os impedimentos são graves e geram nulidade absoluta ● São tão graves e de ordem pública que o juiz pode fazer de ofício Próxima aula: causas suspensivas de casamento. 14.04.2023 - Causa� suspensiva� d� casament� ● Não devem casar: ● Art. 1.523 ● Não é uma nulidade absoluta, mas é mera irregularidade ● Qual é a consequência de não observarmos o Art. 1.523? A consequência é o Art. 1.641, inc. I, que é o regime de separação obrigatória ● Se não observei as causas suspensivas, a consequência É o regime de separação obrigatória ● Esmagadora maioria da doutrina diz que isso tem natureza jurídica de sanção civil. Mas pra prof não é verdade. Se não devem casar, não posso casar, não tô cometendo ato ilícito, então, não é sanção. Portanto, diz pontes de Miranda que não pode ser sanção, é um ônus jurídico, tecnicamente isso se trata de ônus jurídico e não sanção civil, mas todos os livros falam de sanção civil ● Na OAB, colocar sanção civil, mas sabendo que se trata de ônus ● As hipóteses são todas taxativas na lei. ● Suspensivas: é pra você não casar, porque se você se casar, terá que se casar no regime de separação obrigatória, por isso diz causa suspensiva 33 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Inc. I do Art. 1.523: O inciso existe para evitar a confusão de patrimônio entre o primeiroleito com o segundo leito ● Como faço pra me livrar da imposição do regime de separação obrigatória? Tem um jeito se o problema é confusão de patrimônio. Tenho que provar que sou pessoa desprovida de patrimônio e pra isso entro com uma ação judicial ou faço um procedimento extrajudicial que se chama inventário negativo ● Inc. II do Art. 1.523: nos 10 meses subsequentes a todas as situações. Por que o legislador fala em 10 meses subsequentes? Pra evitar confusão de sangue, que é o que chamamos de “turbatio sanguinis”. Pra evitar que eventual gravidez é do primeiro e não do segundo. Como me livro desse comando? Na hora da habilitação do casamento, levando exame de gravidez negativo provando que não estou grávida do ex-marido. Levo exame BETA HCG, ultrassonografia provando a ausência de saco gestacional e assim, você se livra dessa imposição e se livrando, você pode escolher o regime de bens que quiser e casar com a pessoa que quiser ● Inc. III do Art. 1.523: no Art. 1.581 do cc vamos verificar que naturalmente a lei permite que se divorcie ou se separe sem fazer a partilha prévia de bens, podendo deixar ela para o momento posterior. Não é aconselhável, sempre dá problema, mas dá pra fazer depois. Isto posto, por que o legislador faz esse conselho? Pra não confundir patrimônio. Como me livro dessa imposição? Declaração de que não existe bens a serem compartilhados. ● Inc. IV: não devem se casar o pupilo com tutor, curador, descendente, ascendente, primos enquanto durar a tutela ou curatela e enquanto não forem prestadas as contas. ● Pupilo e tutelado são as mesmas coisas 34 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Tutela é a representação do menor incapaz, que não está debaixo do poder familiar. Exemplo: os filhos da COVID, crianças que ficaram órfãs durante a pandemia e eles estão debaixo de tutela, se não foram adotados. ● Só quem tem poder familiar é pai e/ou mãe. ● Curatelado: a pessoa maior incapaz. ● Essas pessoas estão debaixo de uma situação de vulnerabilidade, por isso o legislador inseriu elas no inciso. ● Vulnerabilidade: existencial, porque precisam ser representados, mas elas estão também debaixo de uma situação de vulnerabilidade por conta dos seus tutores e curadores no sentido de que elas são influenciadas por eles ou podem ser. Elas podem ser facilmente influenciadas por eles, por aquelas que orbitam ao redor dos curadores e tutores, por isso são vulneráveis. ● Não basta terminar a curatela, porque os tutores e curadores precisam prestar contas do exercício, mostrando ao poder público que administraram bem o patrimônio deles. ● Quando me livro da regra do inc. IV? Quando a pessoa cessa a incapacidade e quando provo que aquele pupilo ou curatelado eram sustentado já pelos curadores e tutores e não haveria aproveitamento ao curador ou tutor, porque a sobrevivência daquele curatelado já era satisfeita pelo curador. ● As causas suspensivas não ferem a sociedade como um todo, elas só abalam a família, se elas só abalam a família, elas não afetam a sociedade, só a família e por isso, só quem tem legitimidade para fazer a oposição de causas suspensivas são os ascendentes, descendentes e colaterais até segundo grau, sejam eles consanguíneos, sejam eles afins. Mais ninguém pode alegar causa suspensiva. ● Na hipótese do inc. I, além dessa consequência da imposição do regime de separação obrigatória, há mais uma consequência que é a 35 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito imposição da hipoteca legal do Art. 1.489, inc. II. É uma hipoteca imposta pela lei. ● Aprendemos em direito das coisas que os direitos reais ficam todos averbados ou registrados na matrícula do imóvel, a hipoteca legal não fica. A gente é que tem que saber que é a lei que confere aquela hipoteca, aquela garantia, isso por causa do sistema. ● O pai não fez o inventário, não deu a partilha, portanto, dos bens ao filho. Como vou registrar que aqueles bens estão hipotecados em favor dos filhos se eu não fazer? ● Ex.: Débora casada com Ayrton sena. Tem seninha e deborinha. Sena morre e Débora não faz inventário e ela se apaixonada por Barack Obama e quer se casar com ele. Ela pode se casar com ele? Pode. Mas vai ter que se casar no regime de separação obrigatória. Só que os bens que a Débora traz do primeiro casamento com o sena vão ficar todos em separação obrigatória e em hipoteca legal em favor dos filhos. Como registro isso? Não registra isso, porque isso é um não fazer, eu não fiz o inventário. Os bens ficam em garantia aos meus filhos, são hipotecados em favor dos meus filhos. Quando partilhou, extingue-se a hipoteca. Provas do casamento ● Como eu provo casamento? Provo pelo registro, pela certidão de registro de casamento ● E se eu não conseguir provar pela certidão do registro de casamento? Por qualquer outro meio permitido. ● Imagine que você tenha conseguido comprar causa própria com o marido e você pega a certidão de matrícula com aquele imóvel e lá mostra que você tava casada, no regime x, pronto, provou. ● E se não tiver isso? O que for. ● E se o cartório pegou fogo, explodiu e não tenho nada que prove que eu era casada com aquela pessoa? Teremos que entrar com uma ação declaratória de posse de estado de casados. 36 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito ● Tem que estar casado pra entrar com ação ● Pra entrar com essa ação, preciso estar apta a provar três coisas/elementos: ■ Nomem: se não coloquei o sobrenome, não consigo comprovar e hoje em dia o nome não é mais obrigatório, não é mais elemento como condição. A doutrina e o tribunal já diminuiu esse requisito. ■ Fama et: todo sabe que eu era casada com o Sena, então, tinha fama de que era casada com ele, todo mundo me via com ele, como ele me tratava como esposa etc. eu provo, o juíz vai sentenciar essa ação declarando sena e eu casados desde X de mês de Y. Efeito ex tunc. ■ Tractatus: ● Como provo casamento de pessoas que se casaram no consulado exterior? Quando chegar no Brasil, a primeira vez que chega, tem 180 dias pra registrar o casamento no cartório de registro civil de seu domicílio e se não tiver domicílio, no primeiro cartório de registro civil do estado. ● O casamento no consulado brasileiro, é brasileiro e ela traz depois para o Brasil. ● Tradução juramentada, apostilar, fazer toda tramitação pra trazer ao Brasil. ● E se o estrangeiro casa no Brasil, ele casa sob as leis brasileiras e ele que leve pro pais dele. ● O prazo de 180 dias é decadencial e prazo de decadencial não se suspende, não se prorroga, é um prazo fatal, só que nós temos dois posicionamentos a respeito desse prazo: 1. Se a pessoa deixar esse prazo transcorrer in albis, perder o prazo e nunca mais trazer o casamento pro Brasil 37 Direito Civil IV - 1º Bimestre - Marina Barboza - @marinabdireito 2. Diz que esse não é prazo fatal, é só recomendação e pode ser trazido há qualquer tempo 38