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ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL Consulta Pré-concepcional: • Ácido Fólico: 400 mcg/dia, mínimo 30 dias antes da concepção até o final do primeiro trimestre. Se maior risco para ocorrência de defeitos do tubo neural → 4 a 5 mg/dia. Diagnóstico de gravidez: • Sinais de Presunção: náuseas e vômitos, atraso menstrual até 14 dias, linha nigra, tubérculos de Montgomery, rede de Haller, sinal de Hunter • Sinais de Probabilidade: sinal de Hegar, sinal de Piskacek, sinal de Nobile-Budin, sinal de Osiander, sinal de Jacquemier, sinal de Kluge, aumento do volume uterino • Sinais de Certeza: ausculta BCF, percepção de movimentação fetal, sinal de Puzos Exames laboratoriais de primeira consulta de pré-natal (de acordo com Ministério da Saúde): • Hemograma • Tipagem sanguínea e fator Rh • Coombs indireto • Glicemia em jejum • HIV e sífilis • Toxoplasmose IgM e IgG Hepatites B e C • Urocultura + urina tipo I Citologia oncológica • Parasitológico de fezes • Exame da secreção vaginal 1. CONSULTA PRÉ-CONCEPCIONAL 1.1 Orientações: • Promoção do estado nutricional; • Avaliação das condições de trabalho; • Orientações sobre os riscos envolvidos em relação ao tabagismo e ao uso rotineiro de bebidas alcoólicas e outras drogas; • O intervalo intergestacional recomendado é de 2 anos. 1.2 Vacinação: • É orientado que as vacinações sejam feitas preferencialmente 3 meses antes da gestação (especialmente a contra a rubéola). • Incluem-se na lista as vacinas contra rubéola, tétano, difteria, varicela e caxumba. • A rubéola é o exemplo mais importante de prevenção de graves anomalias fetais, com a imunização materna anterior à gravidez. 1.3 Identificação de riscos: Diabetes mellitus • Controle glicêmico; • Substituição dos hipoglicemiantes orais por insulina preferencialmente; • O risco de malformações fetais está diretamente relacionado aos níveis de hemoglobina glicada (HbA1C). Níveis abaixo de 6%, no momento da concepção e durante a organogênese, reduzem o risco de malformações fetais. Hipertensão arterial crônica; • Adequação das drogas anti-hipertensivas; • Avaliação das lesões de órgão-alvo. Epilepsia: • Orientação para monoterapia e uso de droga com menor potencial teratogênico → Um estudo multicêntrico apresentou taxas diferentes de malformação de acordo com o tipo de anticonvulsivante usado, assim como a dose empregada. A droga com maior taxa de malformações foi o valproato, com cerca de 10%, seguido por fenobarbital, próximo de 7%; fenitoína e carbamazepina perto de 6%. As drogas que pareceram serem mais seguras, foram lamotrigina e levetiracetam. Infecção por HIV; • Recuperação dos linfócitos TCD4; • Redução da carga viral. 1.4 Ácido Fólico • Evita defeitos de fechamentos do tubo neural (DTN); • 400 mcg/dia: mínimo 30 dias antes da concepção até o final do primeiro trimestre. • Para aquelas com maior risco para ocorrência de defeitos do tubo neural, a dose de suplementação aumenta para 4 a 5 mg/dia. Medicina livre, venda proibida, twitter @livremedicina, bluesky @medicinalivre2 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA2 Instituições Risco habitual Grupo de risco US Preventive Services Task Force 400 a 800 mcg - Organização Mundial de Saúde 400 mcg 4 a 5 mg Ministério da Saúde Brasileiro 400 mcg 4 a 5 mg Centers for Disease Control and Prevention (CDC) 400 mcg 4 mg The American Collage of Obstetricians and Gynecologists 400 mcg 4 mg Fonte: Bibbins-Domingo K, Grossman DC, Curry SJ, Davidson KW, Epling JW Jr, García FA, et al.; US Preventive Services Task Force. Folic acid supplementation for the prevention of neural tube defects: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2017;317(2):183–9. World Health Organization (WHO). Guideline: daily iron and folic acid supplementation during pregnancy. Genève: WHO; 2012. Brasil. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação e Ferro: Manual de condutas gerais. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2013. Grupos de risco para deficiência de folato: • Antecedentes de DTN (pessoal ou familiar); • Uso de drogas anticonvulsivantes; • Diabetes mellitus; • Obesidade; • Polimorfismos genéticos; • Doenças inflamatórias intestinais; • Cirurgia bariátrica. 2. DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ • O diagnóstico de gravidez deve ser o mais precoce possível. 2.1 Sinais Clínicos de gravidez: Sinais de PRESUNÇÃO: • Náuseas e vômitos; • Polaciúria; • Atraso menstrual até 14 dias; • Aumento da sensibilidade álgica mamária; • Cloasma gravídico ou máscara gravídica; • Linha nigra: pigmentação da linha alba; • Sinal de Halban: aumento da lanugem nos limites do couro cabeludo; • Tubérculos de Montgomery: glândulas sebáceas hipertrofiadas nas aréolas; • Rede de Haller: aumento da vascularização venosa na mama; • Sinal de Hunter: hiperpigmentação da aréola primária e aparecimento da aréola secundária com limites imprecisos. Tubérculos de Montgomery. Fonte: Tubérculos de Montgomery no aleitamento, sabe o que são? Disponível em: . Sinais de PROBABILIDADE: • Atraso menstrual maior que 14 dias; • Amolecimento do colo uterino percebido pelo toque; • Sinal de Hegar: amolecimento do istmo uterino; • Sinal de Piskacek: assimetria uterina à palpação; • Sinal de Nobile-Budin: percepção pelo toque do preenchimento do fundo de saco pelo útero gravídico (útero se torna globoso); Sinal de Nobile-Budin. Acervo de imagens Medcof • Sinal de Osiander: percepção do pulso da artéria vaginal ao toque vaginal; • Sinal de Jacquemier: coloração violácea do meato urinário e da vulva, entre 8 e 12 semanas; • Sinal de Kluge: coloração violácea da vagina, entre 8 e 12 semanas; • Alterações do muco cervical: torna-se viscoso, mais espesso não se cristaliza; • Aumento do volume uterino: o útero permanece um órgão pélvico até aproximadamente 12 semanas de gestação. A partir desta idade, é possível apalpá-lo acima da sínfise do púbis; Medicina livre, venda proibida, twitter @livremedicina, bluesky @medicinalivre2 3ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL Sinais de CERTEZA: • Ausculta dos batimentos cardiofetais com o estetoscópio de Pinard (a partir de 20 semanas) ou o sonar (a partir de 10 a 12 semanas); • Percepção de partes e movimentos fetais pelo examinador; • Sinal de Puzos (rechaço fetal intrauterino): durante o exame bimanual, um discreto impulso no útero, por meio do fundo de saco anterior, deslocará o feto no líquido amniótico para longe do dedo do examinador. Gonadotrofina coriônica humana: • O hCG começa a ser produzido antes da implantação do embrião; • Teste de gravidez no soro: mais sensível; • Teste de gravidez na urina: orientado após o atraso menstrual de 7 dias ou mais; • Falso negativo: ovulação ocorreu mais tarde do que esperado e o teste é realizado muito próximo da concepção; • Falso positivo: raro - geralmente por gravidez bioquímica (abortamento subclínico ou logo após a implantação); interferênia do hCG administrado como parte do tratamento da infertilidade; secreação de hCG por um tumor; secreção pituitária de hCG, tipicamente em mulheres perimenopaúsicas. Ultrassonografia: Período de visualização de estruturas: • 1o sinal de gestação → Saco gestacional: entre 4,5 e 5 semanas de gestação (3 a 4 semanas após a ovulação), quando atinge tamanho de 2 a 4mm no seu diâmetro médio. • A vesícula vitelínica aparece entre 5 e 6 semanas, permanecendo até aproximadamente 10 semanas; • Embrião com atividade cardíaca → 5,5 a 6 semanas. 3. CONSULTA PRÉ-NATAL Número de Consultas de Pré Natal: • OMS → número mínimo de consultas na gestação são 6: • Até 28a semana: consultas mensais • De 28 até 36 semanas: quinzenais • De 36 a 41 semanas: consultas semanais. • Deve ter início até 12a semana de gestação; • “Pré-natal da parceria”: incluir o parceiro nas consultas de pré-natal. Plano de parto: • Acompanhante no parto: • Lei Federal nº 11.108 que, em seu artigo19, diz: “os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde - SUS, da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, o parto e pós- parto imediato”. • Abordar o conhecimento da maternidade. 4. CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL • Soma-se o total de dias entre a data da última menstruação e a data da consulta e divide-se por 7; O valor restante, corresponde à quantidade de dias: • DUM 01/01/2024 e consulta no dia 30/03/2024 • Total de 30 + 29 + 30 = 89 dias • 89 / 7 = 12 semanas + 5 dias • Regra de Mc Donald: cálculo da idade gestacional pela altura uterina - melhor utilizada quando entre 28 e 34 semanas de idade gestacional: (Altura do fundo uterino x 8) dividido por 7 = idade gestacional • Entre 20 e 32 semanas de idade gestacional → a altura do fundo uterino se correlaciona com a idade gestacional +/- 3. 5. CLASSIFICAÇÃO DA IDADE GESTACIONAL Medicina livre, venda proibida, twitter @livremedicina, bluesky @medicinalivre2 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA4 Regra de Naegele: a partir da data da última menstruação • Dia da última menstruação + 7; • Mês da última menstruação – 3. OBS.: Caso a DUM seja entre janeiro e março, pode- se somar 9 meses. Exemplos: • DUM 13/09/2022 → DPP 20/06/2023; • DUM 02/02/2023 → DPP 09/11/2023; • DUM 27/01/2023 → DPP 03/11/2023. 6. CÁLCULO DA DATA PROVÁVEL DO PARTO 7. PRIMEIRA CONSULTA DE PRÉ-NATAL 7.1 Anamnese • Identificação de fatores de risco gestacional; • História obstétrica: antecedente de óbito fetal, morte neonatal e aborto espontâneo recorrente, crescimento fetal restrito ou macrossomia fetal e intercorrências clínicas ou cirúrgicas em gestação anterior; • Na gestação atual, é importante avaliar os antecedentes clínicos, tais como diabetes tipo 1, nefropatia, cardiopatia ou outras doenças. 7.2 Exame físico clínico-obstétrico da gestante: • Exame clínico: peso, altura, pressão arterial, avaliação de mucosas, tireoide, mamas, pulmões, coração, abdome e extremidades. • Exame ginecológico/obstétrico: avaliar a genitália externa, a vagina, o colo uterino e, no toque bidigital, o útero e os anexos. • Após a 12ª semana, deve-se medir a altura do fundo uterino no abdome. A ausculta fetal será possível após a 10ª-12ª semana, com o sonar- doppler; • Altura uterina: a partir da sínfise púbica até o fundo uterino. Aferição da altura uterina. Acervo de imagens Medcof. • Manobras de Leopold: método palpatório do abdome materno em 4 passos: Manobras de Leopold. Acervo de imagens Medcof. 1o tempo • Delimite o fundo do útero com a borda cubital de ambas as mãos e reconheça a parte fetal que o ocupa; 2o tempo • Deslize as mãos do fundo uterino até o polo inferior do útero, procurando sentir o dorso e as pequenas partes do feto; 3o tempo • Explore a mobilidade do polo, que se apresenta no estreito superior pélvico; 4o tempo • Determine a situação fetal, colocando as mãos sobre as fossas ilíacas, deslizando-as em direção à escava pélvica e abarcando o polo fetal que se apresenta. As situações que podem ser encontradas são: longitudinal (apresentação cefálica e pélvica), transversa (apresentação córmica) e oblíquas. Medicina livre, venda proibida, twitter @livremedicina, bluesky @medicinalivre2 5ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL HTLV • Fevereiro 2024: incorporação no SUS do teste diagnóstico para detecção do vírus HTLV 1-2 em gestantes no pré-natal. • Testes de triagem (ELISA): detecção da presença de anticorpos específicos contra o vírus; • Testes de confirmação (PCR e Western-Blot): definição do tipo do vírus que causou a infecção. 8.2 Situações especiais: Pesquisa do Estreptococo do grupo B (EGB): • De acordo com o caderno de atenção básica do pré-natal de baixo risco – Ministério da Saúde (Atenção ao pré-natal de baixo risco / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2012.) — a pesquisa do Estreptococo do grupo B: não deve ser realizada, pois a evidência de sua efetividade clínica permanece incerta (grau de recomendação A); • De acordo com o Manual de gestação de alto risco do Ministério da Saúde (Manual de gestação de alto risco [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2022): Recomenda-se rastreio universal de EGB entre 36 0/7 e 37 6/7 semanas de gestação; Eletroforese de Hemoglobina: • De acordo com o caderno de atenção básica do pré-natal de baixo risco — Ministério da Saúde (Atenção ao pré-natal de baixo risco / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2012): a eletroforese de hemoglobina deve ser solicitada se a gestante tiver antecedentes familiares de anemia falciforme ou se apresentar história de anemia crônica; • Portaria GM/MS nº 1.459/GM/MS, de 24 de junho de 2011, (Rede Cegonha): inclui o exame de eletroforese de hemoglobina para detecção da anemia falciforme no pré-natal. 8. EXAMES COMPLEMENTARES 8.1 Exames Laboratoriais Exames 1o trimestre 2o trimestre 3o trimestre Ministério da Saúde Hemograma Tipagem sanguínea e fator Rh Coombs indireto Glicemia em jejum HIV e sífilis Toxoplasmose IgM e IgG Hepatites B e C Urocultura + urina tipo I Citologia oncológica Parasitológico de fezes Exame da secreção vaginal Teste de tolerância para glicose com 75g (entre a 24ª e a 28ª semanas) Coombs indireto (se for Rh negativo) Toxoplasmose (se suscetível): no máximo a cada 2 meses Hemograma Glicemia em jejum Coombs indireto (se for Rh negativo) HIV e sífilis Hepatite B Toxoplasmose (se suscetível) Urocultura + urina tipo I Bacterioscopia de secreção vaginal (a partir de 37 semanas de gestação) Febrasgo Tipagem sanguínea e fator Rh Coombs indireto Hemograma e ferritina sérica Glicemia de jejum e hemoglobina glicada Urocultura + urina tipo I HIV e sífilis Toxoplasmose IgM e IgG Hepatites B e C Rubéola e CMV TSH e T4 livre Citologia oncológica Teste de tolerância para glicose com 75g (entre a 24ª e a 28ª semana) Coombs indireto (se for Rh negativo) Toxoplasmose (se suscetível): no máximo a cada 2 meses Hemograma Coombs indireto (se for Rh negativo) HIV e sífilis Toxoplasmose (se suscetível) Urocultura + urina tipo I Rastreamento universal de EGB por meio de cultura vaginal e retal entre 35 e 37 semanas de idade gestacional 9. ULTRASSONOGRAFIA 9.1 Ultrassom obstétrico inicial: • Período: 6-9 semanas; • É útil para: • Diagnóstico da gravidez/evolutiva • Datação • Diferenciar gestação tópica de ectópica • Única ou múltipla • Corionicidade 9.2 Ultrassom morfológico do 1° trimestre; • Período: 11 – 14 semanas; • É útil para: • Medida de translucência nucal • Rastreio de risco de cromossomopatias: • Fluxo do ducto venoso – demonstra padrão trifásico; • Identificação do ossículo nasal Medicina livre, venda proibida, twitter @livremedicina, bluesky @medicinalivre2 GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA6 9.3 Ultrassom morfológico do 2° trimestre; • Período: 18 – 24 semanas (preferencialmente na 22a semana); • Avalia toda a morfologia do feto; • É capaz de aferir a medida do comprimento do colo uterino (por via transvaginal); • Normal ≥ 2,5 cm. • Avaliação da localização placentária (identificando mulheres com risco para placenta prévia ou placenta de inserção baixa). 9.4 Ultrassom obstétrico do 3° trimestre; • Período: 34 – 36 semanas; • Demonstra a apresentação fetal; • Avaliação da vitalidade fetal (através da Dopplervelocimetria e ILA); • Peso fetal estimado – utiliza as medidas do diâmetro biparietal, circunferência cefálica, circunferência abdominal e medida do comprimento do fêmur. 9.5 Ecocardiograma fetal: • Período: 22 – 28 semanas; • Indicações: • Idade materna avançada; • Diabetesmellitus pré-gestacional; • Antecedente de outro filho com cardiopatia congênita; • Cardiopatia congênita materna; • Doenças reumatológicas com anti-Ro/anti-La positivos; • Ultrassom morfológico alterado; • Cariótipo alterado; • Gestação de FIV; • Medicações: carbamazepina, lítio, iECA, varfarina. 9.6 Observação: • Lei 14.598 (14/07/2023): Incluiu no protocolo de assistência de rotina às gestantes brasileiras a realização: • Pelo menos, 2 exames de ultrassom transvaginal durante o 1º quadrimestre de gestação; • Ecocardiograma fetal na rotina pré-natal. 10. IMUNIZAÇÕES • Vacinas recomendadas às gestantes conforme o calendário vacinal do Ministério da Saúde: 10.1 Vacina contra Hepatite B: • Não contém o DNA viral; • 3 doses (0 - 1 mês - 6 meses); • Indicado para: todas as gestantes que apresentem sorologia negativa para a Hepatite B. 10.2 Vacina contra a Gripe A (H1N1): • Vacina trivalente: contém antígenos purificados de duas cepas do tipo A e uma cepa do tipo B, sem adição de adjuvantes; • Indicado para: todas as gestantes, em dose única e em qualquer trimestre de gestação, durante a campanha (no Brasil, geralmente entre os meses de abril e maio). 10.3 Vacina contra o tétano, a coqueluche e a difteria: • Indicada para todas as gestantes; • O esquema vacinal depende do histórico vacinal da gestante: • Se três ou mais doses prévias com componente tetânico (DTP, DT ou dT) → fazer uma dose de dTpa como reforço, com 20 semanas de gestação; • Se duas doses com componente tetânico → completar esquema com uma dose de dTpa com 20 semanas de gestação; • Se apenas uma dose com componente tetânico → Completar o esquema com duas doses, uma de dT e outra de dTpa. O intervalo entre as doses será de 60 dias, com intervalo mínimo de 30 dias. • Se o esquema vacinal é desconhecido → aplica- se a primeira dose (dT) antes de 20 semanas, a segunda dose (dTpa), com 20 semanas e, na terceira dose, faz-se novamente a dupla adulto, completando o esquema, com intervalo de 60 dias entre as doses. • Faz-se uma dose de reforço caso a última dose tenha sido administrada há mais de cinco anos. 10.4 Vacina contra COVID-19: • São permitidas Butantan/Sinovac Biotech, Pfizer Biontech e Bivalente. 10.5 Vacinas não recomendadas na gravidez: • Papilomavírus humano: não recomendada. Se o esquema vacinal tiver sido iniciado, deve-se protelar sua continuação para o pós-parto. • Sarampo, caxumba e rubéola: contraindicada. • Rubéola: a vacina está contraindicada na gestação, mas pode ser administrada durante a amamentação. • Tuberculose (BCG): contraindicada. • Varicela-zóster: contraindicada. • Dengue: contraindicada. Obs.: Se tomar as vacinas que não são permitidas, aguardar pelo menos 30 dias para engravidar. Medicina livre, venda proibida, twitter @livremedicina, bluesky @medicinalivre2 7ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL 10.6 Vacinas prescritas em situações especiais: • Febre amarela: não é rotineiramente indicada às gestantes. A partir de 2017, o Ministério da Saúde emitiu recomendação para a vacinação de febre amarela para as gestantes que vivem em áreas endêmicas. • Meningococos: não é de uso rotineiro na gestação, já que não existem dados sobre segurança de seu uso durante a gravidez. Pode ser considerado para bloqueio de surtos, tanto a polissacarídea quanto a conjugada. • Pneumococo: não é indicada rotineiramente para gestantes, apenas para pacientes com alto risco para infecção grave (neste caso, independentemente da gestação). 10.7 Proteção contra varicela: • A vacina contra varicela-zóster é de vírus atenuado, sendo contraindicada na gravidez; • A imunização passiva, por meio da imunoglobulina hiperimune, deve ser realizada na gravidez em pacientes expostas, já que a varicela durante a gravidez têm maior risco de complicações e morte materna; • A administração da imunoglobulina pode não impedir a infecção fetal ou neonatal, portanto a proteção é para a mãe. 11. NUTRIÇÃO E OUTROS ASPECTOS 11.1 Diagnóstico nutricional; • Previsão de ganho de peso até o fim da gestação; Estado nutricional inicial (IMC) Recomendação de ganho de peso (kg) semanal médio no 2º e 3º tri- mestres* Recomendação de ganho de peso (kg) total na gestação Baixo peso (por dia) ou cefalexina (250-500 mg por dia). 12. ALGUMAS INTERCORRÊNCIAS CLÍNICAS 12.2 Hiperêmese gravídica: • Diagnóstico é clínico: náuseas e vômitos persistentes, levando à desidratação, distúrbio hidroeletrolítico, distúrbio ácido básico, deficiência nutricional, perda de peso igual ou superior a 5% do peso corpóreo pré-gravídico e/ou cetonúria. • Idade gestacional entre 10 e 16 semanas. • Tratamento: • Hospitalização é mandatória, com instituição de jejum durante 24 a 48 horas; • Reposição hídrica vigorosa endovenosa (preferência pela solução glicofisiológica). • Tratamento farmacológico: antiemético endovenoso. Em alguns casos, associar uso de corticosteroide. • Corrigir distúrbios hidroeletrolíticos. • Em casos de difícil controle de sintomas, pode- se optar por início de nutrição parenteral. Medicina livre, venda proibida, twitter @livremedicina, bluesky @medicinalivre2