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4 - Sistema Límbico 
O Sistema Límbico e a Teoria do Cérebro Trino 
 
O sistema límbico é responsável pelo controle das emoções e pela formação da memória, 
desempenhando um papel central em como processamos experiências e reações afetivas. 
 
Paul McLean, neurocientista pioneiro, desenvolveu a teoria do "Cérebro Trino", que divide o cérebro em 
três partes evolutivas: 
● Cérebro Reptiliano (tronco encefálico + diencéfalo): 
○ Responsável por funções vitais básicas, como respiração e ritmo cardíaco. 
○ Controla comportamentos instintivos (ex.: fome, reprodução) e processos 
neurovegetativos. 
○ Sem essa estrutura, não há vida, mas também não há comportamentos complexos. 
● Paleocórtex (predominante em mamíferos): 
○ Associado ao sistema olfatório e às emoções primitivas. 
○ Representado em verde em modelos anatômicos, integra-se ao sistema límbico. 
● Neocórtex (desenvolvido em primatas): 
○ Possui 6 camadas e é responsável por funções cognitivas superiores, como raciocínio e 
linguagem. 
○ Permite planejamento, autocontrole e interações sociais complexas. 
 
Integração do Sistema Límbico 
● O lobo límbico processa informações sensoriais e regula respostas emocionais, atuando como 
ponte entre o cérebro reptiliano e as estruturas mais modernas. 
● McLean associou o sistema límbico ao paleocórtex (emoções primitivas) e ao cérebro reptiliano 
(instintos), destacando sua evolução conjunta. 
 
Curiosidade Anatômica 
● Áreas visuais primárias: 
● Em mamíferos, localizam-se no lobo occipital. 
● Em aves e outros vertebrados, estão no colículo superior (estrutura do mesencéfalo). 
 
CÓRTEX é dividido em: 
 
ISOCÓRTEX ou Neocórtex (com 
6 camadas): classificado com o 
córtex de associação e córtex 
sensorial e motoras primárias; 
 
ALOCÓRTEX (menos de 6 
camadas) subdividido em: 
● Paleocórtex apresentando 
3 camadas e relacionado com 
regiões olfatórias; 
● Arquicórtex apresentando 
3 ou 4 camadas e localizado nas 
regiões límbicas temporais 
(formação da memória declarativa 
- hipocampo); 
 
 
1. Neocórtex (ou Isocórtex) 
● Localização: Desenvolvido 
principalmente na área pré-tectal 
(associada a funções visuais 
complexas). 
● Estrutura: Possui 6 
camadas celulares, representadas 
em amarelo claro em modelos 
anatômicos. 
● Função: Responsável por 
processos cognitivos avançados, 
como raciocínio, linguagem e 
planejamento. 
 
2. Alocórtex 
● Localização: Circunda o corpo caloso, na transição entre o diencéfalo e o tronco encefálico. 
● Estrutura: Possui 3 camadas celulares, mais simples que o neocórtex. 
○ Paleocórtex (verde): 
■ Relacionado ao sistema olfatório (ex.: córtex piriforme). 
○ Arquicórtex (azul escuro): 
■ Inclui o hipocampo (central para a formação de memórias). 
■ Estende-se para cima, envolvendo o indúsio cinzento (região de conexões 
límbicas). 
 
3. Mesocórtex: A Ponte entre Alocórtex e Neocórtex 
Estruturas de transição que integram funções primitivas e complexas: 
● Proisocórtex: 
○ Forma o lobo límbico, incluindo: 
■ Giro do cíngulo (emoções e cognição). 
■ Giro parahipocampal (memória espacial). 
■ Ínsula (percepção corporal e emoções). 
● Periarquicórtex: 
○ Conecta o arquicórtex ao neocórtex. 
○ Inclui estruturas da formação hipocampal: 
■ Pré-subículo e subículo: Gerenciam a saída de informações do 
hipocampo. 
■ Córtex entorrinal: "Porta de entrada" para o hipocampo, integrando 
memórias. 
■ Córtex perirrinal e retrosplenial: Ligados à memória contextual e 
orientação espacial. 
 
O bulbo olfatório está relacionado a regiões paleocorticais, 
sendo um tipo de alocórtex envolvido principalmente com o 
sistema olfatório. Após o bulbo, a via olfatória segue por 
estruturas que, em sua maioria, fazem parte do paleocórtex. 
 
Na região do uncus, é possível identificar três componentes 
funcionais distintos: uma área especializada no processamento 
olfatório, outra relacionada à amígdala, e uma terceira associada 
ao hipocampo. Por esse motivo, há a possibilidade de se considerar o bulbo olfatório como parte do 
córtex olfatório primário. 
 
O hipocampo, por sua vez, apresenta duas porções: uma ventral e outra dorsal. Em primatas, como os 
humanos, a parte ventral localiza-se na região do lobo temporal medial, enquanto a porção dorsal está 
situada logo abaixo do giro do cíngulo, sendo conhecida como indúsio cinzento. 
 
O paleocórtex, também 
chamado de rinencéfalo ou 
cérebro olfatório, encontra-se na 
face inferior do encéfalo e é 
especialmente desenvolvido em 
espécies mais primitivas. Nele, 
as células mitrais e em tufo 
convergem para formar o trato 
olfatório, que logo se bifurca 
em: 
 
Estria olfatória lateral: conduz 
impulsos para o córtex olfatório 
do mesmo lado, estabelecendo 
as principais conexões com as 
áreas corticais primárias do 
olfato. 
 
Estria olfatória medial: cruza para o hemisfério oposto pela comissura anterior, permitindo integração 
bilateral. 
 
As áreas corticais olfatórias primárias — numeradas de 1 a 5 nas ilustrações clássicas — 
correspondem, em grande parte, a regiões do paleocórtex, incluindo o córtex piriforme, que age como 
principal área de recepção dos sinais olfatórios. 
 
Anteriormente, no núcleo olfatório anterior, observamos a entrada de finos ramos vasculares vindos da 
substância perfurada anterior, região por onde penetram as artérias lenticulo-estriadas, responsáveis 
pela irrigação dos núcleos da base, entre eles o tubérculo olfatório. No uncus, a porção mais fundida do 
lobo temporal medial, convivem a amígdala — com seus segmentos cortical e subcortical — e o início 
do piriforme, reforçando o caráter multimodal dessa área. 
 
Por fim, o córtex entorrinal, embora apresente domínio olfatório, destaca-se sobretudo pela sua função 
na formação da memória declarativa, servindo de principal interface entre o sistema límbico e o 
neocórtex. 
 
 
 
. 
 
 
 
 
 
Em vista inferior do lobo frontal, o sulco 
olfatório delimita duas regiões 
fundamentais: 
● Medialmente, o giro reto, 
continuidade do córtex prosencefálico 
basal. 
● Lateralmente, os giros orbitários, 
que formam o córtex orbitofrontal, 
peça-chave no controle dos impulsos. 
 
No próprio sulco olfatório situa-se o 
bulbo olfatório, de onde parte o trato 
olfatório, logo dividindo-se em duas 
estrias: 
● Estria olfatória lateral – constituída por fibras eferentes do bulbo, que seguem para as áreas 
corticais primárias do olfato no mesmo hemisfério. 
● Estria olfatória medial – formada por fibras aferentes que cruzam para o hemisfério oposto 
através da comissura anterior, permitindo a integração bilateral dos sinais olfatórios. 
 
Não há núcleo talâmico exclusivo nessa via: o processamento é direto do bulbo para o córtex piriforme e 
regiões associadas. Logo atrás das estrias, encontra-se a substância 
perfurada anterior, onde desponta o tubérculo olfatório – um importante 
relé vascularizado por ramos da artéria cerebral média. 
 
Medial à substância perfurada, a banda diagonal de Broca, em conjunto 
com o núcleo basilar de Meynert, produz neurônios colinérgicos que 
modulam a atividade do hipocampo (e que se degeneram 
precocemente na doença de Alzheimer). A lâmina terminal, por sua vez, 
marca o limite anterior do hipotálamo. 
 
Alterações do sistema límbico, especialmente nessa região olfatória, 
podem manifestar-se clinicamente como cacosmia – percepção persistente de odores desagradáveis 
sem estímulo real. 
 
Na imagem de ressonância magnética podemos distinguir, na vista inferior, três estruturas-chave do 
sistema olfatório e límbico: 
● Nervo olfatório, que surge da lâmina cribriforme e conduz os sinais sensoriais do epitélio nasal 
até o bulbo olfatório. 
● Banda diagonal de Broca, posicionada logo atrás do bulbo, composta por neurônios 
colinérgicos que se projetam ao hipocampo e à amígdala, modulando a formação da memória. 
● Tubérculo olfatório, extensão ventral da substância perfurada anterior, atua como importante 
estação de relevo vascularizado por ramos da artéria cerebral média. 
 
Em uma sequênciacom corte coronal, visualizamos com clareza: 
● O núcleo caudado, medindo a cabeça desse núcleo subcortical. 
● O putame, localizado lateralmente, separado do caudado pelo ramo anterior da cápsula interna. 
● O núcleo accumbens, que funciona como ponto de fusão entre caudado e putame, essencial no 
processamento de recompensa e motivação. 
● O córtex piriforme, principal área olfatória cortical, exibindo uma porção frontal, voltada para o 
lobo temporal, e uma porção lateral, que se estende em direção à superfície insular. 
 
Mais posteriormente, na região do diencéfalo, localiza-se o hipotálamo, imediatamente adjacente a 
estruturas de substância cinzenta profundas como o putame, o globo pálido externo e o início do globo 
pálido interno. À sua frente, distingue-se o ramo anterior da cápsula interna, que separa o núcleo 
caudado do putame, enquanto o ventrículo lateral repousa logo acima. Superiormente, vemos o corpo 
caloso, grande comissura que une os dois hemisférios. 
 
Avançando para o lobo temporal medial, encontramo-nos no uncus, onde se aloja a amígdala. Essa 
estrutura recebe projeções diretas da via olfatória e exerce papel central no processamento das 
emoções — notadamente o medo — e nos comportamentos sexuais. Uma porção mais primitiva da 
amígdala, o grupo corticomedial, é pouco desenvolvido em humanos, pois em outras espécies responde 
diretamente a feromônios. 
 
Por fim, o bulbo olfatório repousa sobre a lâmina cribriforme do osso etmoide, a delicada placa que 
separa o cérebro da cavidade nasal superior. Essa posição, essencial para a detecção de odores, 
também representa uma possível rota de entrada de patógenos ao sistema nervoso central. 
 
O vírus HSV-1, especialmente em pacientes imunodeprimidos, pode ascender por transporte axonal e 
permanecer latente nos gânglios do nervo trigêmeo ou do nervo olfatório. Quando reativado, invade o 
parênquima cerebral e provoca a encefalite herpética. 
Em sequências de ressonância magnética ponderada em T2 FLAIR, observa-se supressão do sinal 
do líquor e áreas de hiperintensidade que correspondem a edema vasogênico nas regiões do lobo 
límbico. São tipicamente atingidos o córtex orbitofrontal, a porção medial do lobo temporal, o córtex 
da ínsula e o giro do cíngulo. 
Clinicamente, essa lesão preferencial do sistema límbico pode manifestar-se por síndrome de 
Kluver-Bucy (hiperoralidade, hipersexualidade e agnosia visual), amnésia anterógrada (incapacidade 
de formar novas memórias declarativas) e desinibição comportamental, em que o paciente perde 
inibições sociais e pode passar por episódios de agressividade. 
 
 
O sistema límbico reúne estruturas que regulam as emoções — gerando comportamentos motivados — 
e coordenam a formação da memória. Ele pode ser dividido em duas partes principais: 
 
● Cortical (Lobo Límbico): Localizado “na borda” do neocórtex, o lobo límbico circunda o corpo 
caloso e converge em direção ao diencéfalo (“cérebro reptiliano”). Também conhecido como 
Lobo Límbico de Broca, ele inclui: 
○ Giro parahipocampal (porção medial do lobo temporal), responsável pela interface entre 
memória e percepção contextual; 
○ Giro do cíngulo, que integra motivação, emoção e controle atencional. 
 
● Subcortical: Abaixo do córtex, integram-se diversas estruturas essenciais ao processamento 
límbico: 
○ Hipocampo: pivô da memória declarativa e espacial; 
○ Amígdala: centro de avaliação emocional, especialmente medo e comportamentos 
sociais; 
○ Área septal: moduladora do hipocampo via projeções colinérgicas; 
○ Hipotálamo: orquestrador das respostas neurais e endócrinas às emoções; 
○ Substância cinzenta periaquedutal: mediadora de comportamentos de defesa; 
○ Núcleo accumbens: relé de recompensa e motivação dopaminérgica. 
 
 
Na rede límbica, várias vias de fibras garantem a comunicação entre seus principais núcleos e com 
outras regiões encefálicas: 
● Fascículo do cíngulo: Corre dentro do giro do cíngulo, contornando o corpo caloso até 
desembocar no córtex entorrinal do giro parahipocampal. É a via principal que liga a motivação e 
atenção (cíngulo) aos centros de memória (entorhinal/hipocampo). 
● Fórnice: Arco axonal que conecta o hipocampo aos corpos mamilares, formando o eixo central 
do circuito de Papez, base da memória declarativa. 
● Via amigdalafugal ventral: Projeção direta da amígdala ao hipotálamo, responsável por transmitir 
ao hipotálamo a valência emocional (medo, agressão, comportamento sexual). 
● Feixe prosencefálico medial: Conecta bidirecionalmente o prosencéfalo basal (incluindo 
núcleos septais e basais colinérgicos) e a amígdala ao tronco encefálico. A via mesolímbica 
dopaminérgica, fundamental para o processamento de recompensa e reforço, percorre esse 
feixe. 
● Fascículo longitudinal dorsal: Liga o hipotálamo à substância cinzenta periaquedutal, 
mediando comportamentos estereotipados de defesa e sobrevivência. Inclui as vias 
hipotálamo-espinais, que conduzem comandos autonômicos do hipotálamo à medula espinal. 
● Fascículo longitudinal medial: Une núcleos dos nervos cranianos oculomotores ao tronco 
encefálico, coordenando os movimentos conjugados dos olhos em resposta a estímulos 
emocionais e vestibulares. 
 
O Lobo Límbico de Broca, parte cortical do sistema límbico, circunda o corpo caloso e é composto por: 
● Giro do cíngulo, que envolve o corpo caloso e é separado do restante do córtex pelo sulco do 
cíngulo. 
● Giro paraterminal, situado imediatamente abaixo do rostrum do corpo caloso. 
● Giro parahipocampal, que se estende no lobo temporal medial e fica delimitado do restante do 
lobo temporal pelo sulco colateral. 
 
Esses giros formam a espinha dorsal do lobo límbico, unindo funções de emoção, memória e motivação. 
Abaixo do sulco do cíngulo, na face orbital do córtex frontal, encontra-se o córtex límbico pré-frontal (ou 
córtex orbitofrontal), essencial para o controle dos impulsos e a regulação de comportamentos sociais e 
sexuais. 
 
O giro do cíngulo subdivide-se em quatro áreas funcionais interligadas pelo fascículo do cíngulo: 
● Córtex Cingulado Anterior (ACC) 
○ Localizado ao nível do “joelho” do corpo caloso, o ACC é considerado a porção límbica 
primária. Nele se cristalizam a consciência emocional — raiva, motivação, tomada de 
decisão — e sua lesão pode resultar em abulia (falta de vontade), apatia (ausência de 
sentimentos) e mutismo cinético (incapacidade de iniciar fala ou movimento voluntário). 
● Córtex Cingulado Médio (MCC) 
○ Posicionado ao longo do corpo caloso, o MCC funciona como um “pré-motor” límbico: 
integra a informação emocional e prepara padrões de resposta que, via conexões 
indiretas, alcançam a medula espinhal (sem se conectar diretamente aos motoneurônios 
alfa). 
● Córtex Cingulado Posterior (PCC) 
○ Atua como região associativa, reunindo dados emocionais, visuais e espaciais para 
fundamentar a orientação e a memória contextual. 
● Córtex Retrosplenial (RSC) 
○ Sobre o esplênio do corpo caloso, o RSC é essencial à memória episódica autobiográfica 
— o registro de eventos pessoais. Sua lesão provoca amnésia retrógrada e anterógrada, 
comprometendo tanto lembranças antigas quanto a formação de novas memórias 
declarativas. 
 
A tractografia revela que o fascículo 
do cíngulo percorre todo o giro do 
cíngulo, lançando projeções em 
arco rumo ao lobo temporal medial 
— onde se conecta ao hipocampo 
e ao córtex parahipocampal — e, 
em trajetórias ascendentes, 
alcança diretamente o córtex 
pré-frontal. 
 
Além disso, fibras originadas no núcleo médio-dorsal do tálamo viajam pelo ramo anterior da cápsula 
interna (as radiações talâmicas anteriores) para se integrarem ao cíngulo, reforçando o enlace entre as 
vias límbicas e os circuitos de cognição e planejamento. 
 
No córtex retrosplenial, situado acima do esplênio do corpo caloso, essa malha faz a ponte entre o 
hipocampo (memória declarativa) e as áreas associativas visuais, fundamentando a memória episódica. 
Lesões nessa região interrompem essa interfacee impossibilitam a formação de novas lembranças de 
eventos pessoais. 
 
Em estudos de PET (Tomografia por 
Emissão de Pósitrons), observa-se 
que o fluxo sanguíneo — e, 
portanto, o metabolismo — nas 
áreas recrutadas pelas emoções 
reflete diretamente a atividade 
neuronal: quanto maior o fluxo, 
maior o “calor” detectado. 
 
Em pacientes com depressão maior, 
verifica-se uma hipoatividade 
marcante no córtex cingulado 
anterior (ACC), região crucial para a 
motivação e a regulação afetiva. 
Com base nisso, a Estimulação 
Cerebral Profunda (DBS) tem sido aplicada de modo estereotáxico no ACC: um eletrodo posicionado 
precisamente nessa área pode restabelecer parte da atividade perdida e, clinicamente, resulta em uma 
significativa melhora dos sintomas, especialmente da abulia, ou seja, da profunda falta de vontade. 
 
O córtex pré-frontal límbico, 
que engloba especialmente 
as porções ventromedial e 
orbitofrontal, mantém 
conexões recíprocas muito 
estreitas com o córtex da 
ínsula, responsável pela 
interocepção e pelos 
aspectos afetivos da dor e 
do paladar. 
 
O fascículo do cíngulo 
percorre o giro do cíngulo e 
emite fibras que alcançam 
diretamente o córtex 
pré-frontal ventromedial, 
estabelecendo um canal privilegiado entre motivação, emoção e tomada de decisão. Vale notar que, 
embora o córtex cingulado anterior faça parte do giro do cíngulo, sua localização e suas funções o 
qualificam também como componente do córtex pré-frontal ventromedial, participando ativamente do 
controle de impulsos e da regulação afetiva. 
 
 
 
O córtex orbitofrontal estabelece 
conexões diretas com o lobo da 
ínsula, formando um circuito 
essencial para a integração dos 
sinais internos do corpo. A 
ínsula, por sua vez, recebe 
informações sobre interocepção 
(sensações viscerais), gustação 
(sabor) e aspectos afetivos da 
dor. Por meio dessas ligações, o 
orbitofrontal pode avaliar o 
estado interno do organismo e 
ajustar comportamentos — como 
a escolha alimentar ou a 
resposta a estímulos dolorosos 
— com base não apenas no seu 
valor sensorial, mas também em seu significado emocional. 
O núcleo do trato solitário, 
localizado no bulbo, atua 
como o grande centro de 
recepção das aferências 
interoceptivas, reunindo 
informações sobre estado 
visceral, pressão arterial, 
quimiorreceptores e muito 
mais. Essas informações 
chegam também ao córtex 
insular e a outras áreas 
límbicas, conferindo-lhes 
o caráter afetivo que 
associamos ao cheiro, à 
dor e ao paladar, embora 
os detalhes exatos dessas 
conexões ainda não sejam totalmente compreendidos. 
 
A ínsula encontra-se encaixada no sulco lateral e, na superfície externa do cérebro, permanece oculta 
sob três “tampas” ou opérculos: 
● Frontal (cobrindo-a anteriormente), 
● Parietal (cobrindo-a superiormente), 
● Temporal (cobrindo-a inferiormente). 
 
Esses opérculos formam o sulco circular da ínsula. Quando as tampas são afastadas, evidencia-se o 
sulco central da ínsula, que divide o lobo insular em porções anterior e posterior. A porção anterior 
distingue-se ainda em áreas ventral e dorsal, onde se encontram três giros curtos e dois giros longos. A 
porção mais dorsal da ínsula anterior, em conjunto com o opérculo frontal adjacente, corresponde à área 
gustatória primária, tomando parte fundamental no processamento do sabor e de seu componente 
afetivo. 
 
 
 
A região dorsal da ínsula anterior, 
em conjunção com o opérculo 
frontal, constitui a área gustatória 
primária. É nessa zona que as 
informações sobre sabor são 
inicialmente processadas, 
incorporando não apenas os 
aspectos sensoriais puros, mas 
também sua valência emocional e 
afetiva. 
 
 
 
 
 
 
A via gustatória envolve três nervos cranianos principais: 
● Nervo Facial (VII): carrega as sensações de sabor dos dois terços anteriores da língua por meio 
do nervo corda do tímpano. Seus corpos celulares estão no gânglio geniculado, e seus axônios 
fazem sinapse na porção rostral do núcleo do trato solitário. 
● Nervo Glossofaríngeo (IX): conduz informações gustativas do terço posterior da língua para o 
mesmo núcleo do trato solitário. 
● Nervo Vago (X): transmite sinais gustativos da região da epiglote e da faringe também ao núcleo 
do trato solitário. 
 
Do núcleo do trato solitário, as fibras seguem pelo trato tegmental central até o núcleo ventral 
posteromedial do tálamo (porção parvocelular). A partir daí, projeções talâmicas alcançam o córtex 
insular — onde o sabor é inicialmente processado — e, em segunda etapa, o córtex orbitofrontal, 
integrando o aspecto afetivo e o valor recompensador dos estímulos gustativos. 
 
 
 
 
O córtex pré-frontal ventromedial 
desempenha um papel crucial na 
regulação dos impulsos, na empatia 
e na motivação, além de mediar a 
inibição comportamental — aquele 
“pensar duas vezes” antes de agir. 
Quando essa região é lesionada, o 
indivíduo pode desenvolver uma 
forma de sociopatia adquirida, na 
qual passa a buscar seus próprios 
objetivos sem considerar as 
consequências para os outros. 
 
A lobotomia pré-frontal, 
historicamente empregada no 
tratamento de psicopatias graves, 
consistia em seccionar a radiação 
talâmica anterior que conecta o 
núcleo médio-dorsal do tálamo ao 
córtex pré-frontal. 
 
O núcleo médio-dorsal do tálamo 
projeta-se ao córtex pré-frontal por 
meio das radiações talâmicas 
anteriores, que percorrem o ramo 
anterior da cápsula interna. Ao 
interromper esse feixe de fibras, a 
lobotomia “desligava” o córtex pré-frontal das aferências talâmicas, resultando em profunda redução da 
motivação e da iniciativa, manifestação clássica da abulia. 
 
O giro do cíngulo estabelece fortes conexões 
com o córtex pré-frontal, formando um circuito 
essencial à motivação e ao planejamento de 
ações. De modo semelhante, o núcleo médio-dorsal do tálamo envia projeções diretas ao pré-frontal, 
reforçando esse sistema motivacional. Em casos graves de esquizofrenia, sobretudo aqueles marcados 
por delírios intratáveis, chegou-se a recorrer à lobotomia pré-frontal—a interrupção cirúrgica dessas 
fibras de passagem—com o objetivo de atenuar os sintomas psicóticos, embora às custas de uma 
severa perda de iniciativa e autonomia. 
 
Próximo ao pterion, faz‐se um pequeno orifício no 
crânio, por onde é introduzida uma espátula metálica 
cuidadosamente posicionada de modo a proteger o 
corpo caloso, a artéria cerebral anterior e a artéria 
cerebral média. Em seguida, realiza‐se a secção dos 
fascículos desejados e injeta‐se uma solução de 
iodo no leito cirúrgico, permitindo visualizar com 
nitidez o traçado da incisão e confirmar a completa interrupção das conexões. 
 
 
O sulco colateral delimita o giro parahipocampal, 
separando-o do restante do lobo temporal. Dentro 
desse giro, encontra-se o córtex entorrinal, que faz 
uma curva característica formando o uncus — 
uma proeminência anatômica na face medial do 
lobo temporal. 
 
Abaixo do uncus, identificam-se o sulco intrarrinal 
e o sulco rinal (sua porção mais anterior), 
seguidos mais inferiormente pelo sulco uncal. 
Toda essa região constitui o marco anatômico para 
o córtex entorrinal, principal porta de entrada do neocórtex para o hipocampo. 
 
O uncus abriga tanto a amígdala quanto o início do hipocampo e sua cabeça. Ele é formado pelo giro 
semilunar, sulco semilunar e giro ambiens (onde se localiza a amígdala), além do giro uncinado, onde 
está situada a cabeça do hipocampo. 
 
Logo posterior ao uncus, localizam-se o limbo de Giacomini e o giro intralímbico, que marcam o início do 
giro denteado — estrutura do hipocampo — seguido pelo ístmo do corpo caloso, e acima dele, o ístmo 
do giro do cíngulo. 
 
Importante ressaltar: o uncus está extremamente próximo ao pedúnculo cerebral. Em casos de aumento 
da pressão intracraniana, pode ocorrer uma hérnia uncal, com compressão do pedúnculo. Isso leva a: 
● Hemiparesia contralateral, por compressão dos tratos corticoespinais. 
● Paralisia do nervo oculomotor (III), resultando em ptose, midríase e desviodo olhar. 
Essa configuração anatômica crítica explica por que herniações uncas são emergências neurológicas 
graves. 
 
proximidade do uncus com o pedúnculo cerebral 
torna essa região altamente vulnerável em 
situações de aumento da pressão intracraniana. 
Esse aumento pode ocorrer por diversos motivos, 
como hemorragias, edema cerebral, tumores ou 
trauma craniano. 
 
Dois tipos principais de herniações podem 
ocorrer: 
🔺 Hérnia uncal (supratentorial) 
O uncus, parte medial do lobo temporal, hernia-se 
através da incisura do tentório e comprime: 
● O pedúnculo cerebral → causando hemiparesia contralateral (compressão dos tratos 
corticoespinais). 
● O nervo oculomotor (III) → gerando midríase (dilatação da pupila), ptose palpebral, estrabismo 
divergente e paralisia do olhar vertical. 
 
🔻 Hérnia das tonsilas cerebelares (infratentorial) 
A tonsila do cerebelo é empurrada para baixo, através do forame magno, comprimindo o bulbo (medula 
oblonga). Isso pode levar rapidamente à parada respiratória e à morte, por interferência nos centros 
vitais. 
 
 
Em cortes coronais realizados na altura do giro parahipocampal, logo após o giro ambiens do uncus, é 
possível observar o hipocampo com sua clássica forma de cavalo-marinho, que dá origem ao seu nome. 
 
Essa estrutura encontra-se em contato direto com o corno temporal do ventrículo lateral e repousa 
sobre o sulco colateral, de onde emerge o giro parahipocampal. Dentro desse giro, localiza-se o córtex 
entorrinal, uma região de transição entre o arquicórtex (mais primitivo, com 3 camadas) e o isocórtex 
(com 6 camadas). 
 
A união entre o giro parahipocampal e o hipocampo constitui a chamada formação hipocampal, 
fundamental para a formação da memória declarativa — aquela que conseguimos evocar 
conscientemente, como fatos, nomes e experiências vividas. Além disso, o hipocampo também é 
responsável por construir mapas espaciais do ambiente ao nosso redor. 
 
Quando o hipocampo sofre lesões, o indivíduo perde a capacidade de formar novas memórias, o que 
caracteriza a amnésia anterógrada. Vale destacar que as memórias antigas, já consolidadas, 
permanecem preservadas. 
 
Organização interna do hipocampo: 
● A informação chega primeiro ao pré-subículo, e depois ao subículo, que é a principal via de 
saída da formação hipocampal. 
● Em seguida, temos o hipocampo propriamente dito, formado por 3 camadas típicas do 
arquicórtex. Sua camada principal é a camada piramidal, composta por neurônios piramidais, 
que se subdivide nas regiões CA1, CA2 e CA3 — conhecidas como os cornos de Ámon. 
● As áreas CA1 e CA3 são especialmente importantes para a potenciação de longa duração (LTP), 
processo essencial para o aprendizado e a consolidação da memória, já que envolvem 
receptores do tipo NMDA. 
● A via de entrada para o hipocampo é feita através do giro denteado, que, inclusive, é um dos 
poucos locais do cérebro adulto onde ocorre neurogênese (formação de novos neurônios). 
● A saída se dá a partir do subículo, cujos axônios formam o alvéo, que contorna o hipocampo, 
gera as fímbria e, por fim, o fórnice, a principal via de saída do hipocampo. 
 
Em cortes coronais, a formação 
hipocampal se apresenta com o 
aspecto clássico de um "rocambole", 
permanecendo localizada 
posteriormente à amígdala, no lobo 
temporal medial. 
 
O uncus, uma proeminência do giro 
parahipocampal, situa-se lateral ao 
pedúnculo cerebral, e o hipocampo 
aparece, na imagem, logo adjacente 
a esse pedúnculo — o que explica 
por que herniações uncas podem 
afetar gravemente funções motoras 
e o nervo oculomotor. 
 
O córtex entorrinal, que está na 
porção anterior do giro parahipocampal, faz contato direto com o hipocampo por meio das chamadas 
vias perfurantes, que atravessam o subículo para alcançar as regiões CA1, CA3 e o giro denteado. 
 
O corno temporal do ventrículo lateral está intimamente relacionado com o hipocampo, que forma parte 
de sua parede medial. Em condições neurodegenerativas como a doença de Alzheimer, ocorre uma 
perda progressiva dos neurônios colinérgicos do prosencéfalo basal — especialmente da banda 
diagonal de Broca e do núcleo basilar de Meynert. 
 
Essa perda colinérgica provoca um aumento compensatório da atividade glutamatérgica no hipocampo. 
No entanto, o excesso de glutamato é tóxico para os neurônios, levando à degeneração progressiva do 
hipocampo e de outras estruturas do lobo temporal medial, o que compromete gravemente a formação 
da memória e a função 
cognitiva. 
 
Quando o Alzheimer está 
avançado todos os sulcos e 
giros ficam menores e mais 
profundos (fica mais 
evidente o corno temporal). 
Com a ressonância 
percebe-se aumento do 
CORNO TEMPORAL DO 
VENTRÍCULO LATERAL. 
 
 
 
As áreas pré-frontais límbicas, incluindo o giro orbitofrontal, o giro do cíngulo (especialmente sua porção 
retrosplenial), a ínsula e o lobo parietal posterior (crucial para o processamento espacial), convergem 
suas informações para o giro parahipocampal. 
 
É nessa região que se encontra o córtex entorrinal, que atua como a principal via de entrada (aferência) 
do hipocampo. O córtex entorrinal integra e filtra informações recebidas de todas as áreas corticais 
associativas — sensoriais, espaciais, emocionais e cognitivas — e as transmite ao hipocampo, onde 
serão processadas e consolidadas como memória declarativa. 
 
Essa via representa o ponto de encontro entre percepção, cognição e emoção, e é fundamental para a 
construção de memórias com significado e contexto. 
 
O circuito hipocampal interno apresenta duas vias principais de transmissão entre o córtex entorrinal e o 
resto da formação: 
● Via temporoamônica (direta) 
○ Do córtex entorrinal, as fibras perfurantes projetam-se diretamente ao subículo, ao giro 
denteado ou mesmo à região CA1 do hipocampo. Essa rota rápida permite a entrada 
direta de informações sem passar por etapas intermediárias. 
● Via trissináptica (indireta) 
○ Primeira sinapse: as fibras do córtex entorrinal alcançam o giro denteado, onde formam 
conexões com os neurônios granulares. 
○ Segunda sinapse: desses granulares, partem as fibras musgosas que atingem os 
neurônios piramidais da CA3. 
○ Terceira sinapse: da CA3, as colaterais de Schaffer conduzem os impulsos até a CA1, 
onde ocorre a aprendizagem associativa mediada pela potenciação de longa duração 
(LTP) nos receptores NMDA—mecanismo fundamental para a memória declarativa. 
● Saída: a partir da CA1 e do subículo, os axônios convergem para o alvéo, contornam o 
hipocampo como fímbria e finalmente formam o fórnice, que conduz as informações ao circuito 
de Papez e a outras estruturas límbicas. 
 
Assim, o hipocampo integra essas duas rotas—uma rápida e direta, outra lenta e modulada—para 
processar, associar e consolidar as memórias conscientes. 
 
 
 
As saídas do hipocampo convergem para o fórnice, que se inicia como fimbria ao longo da superfície 
dorsal da formação hipocampal. O fórnice então contorna o tálamo, dividindo-se em dois ramos 
principais: 
● Parte pré-comissural 
○ Segue para o prosencéfalo basal, alcançando os núcleos septais, a banda diagonal de 
Broca e o núcleo basilar de Meynert — todos ricos em neurônios colinérgicos que 
modulam a atividade do hipocampo. 
● Parte pós-comissural 
○ Desce até o hipotálamo e prossegue até os corpos mamilares. Dali, o fascículo 
mamilo-talâmico leva as projeções ao núcleo anterior do tálamo, cujo ramo anterior da 
cápsula interna (radiação talâmica anterior) as direciona de volta ao giro do cíngulo, 
fechando assim parte do circuito de Papez. 
Além de transportar as eferências do hipocampo, o fórnice também serve como via de retorno para as 
projeções colinérgicas da área septal, permitindo que esses neurônios reajustem a transmissão 
glutamatérgica dentro da formação hipocampal. 
 
Pergunta: Quais são as primeiras áreas a 
serem degeneradas na doença de Alzheimer? 
 
Resposta: As regiões colinérgicas do 
prosencéfalo basal — especificamente a área 
septal, a banda diagonal de Brocae o núcleo 
basilar de Meynert — são as primeiras a sofrer 
degeneração. 
 
Essas estruturas estão localizadas logo abaixo 
do corpo caloso e contêm neurônios que 
produzem acetilcolina, fundamentais para a 
formação da memória. A deposição de placas 
beta-amiloides inicia-se precisamente na área 
septal, comprometendo rapidamente esses 
circuitos colinérgicos. 
 
Embora os agonistas colinérgicos (como alguns fármacos à base de nicotina) ajudem a compensar 
temporariamente a queda de acetilcolina e aliviem sintomas de amnésia anterógrada, eles não detêm a 
progressão da neurodegeneração. 
A formação de memória 
no circuito de Papez 
baseia-se em um 
elegante fluxo 
reverberante: 
 
Primeiro, o córtex 
entorrinal envia suas 
projeções ao giro 
denteado através da via 
perfurante, marcando a 
porta de entrada das 
informações no 
hipocampo. 
 
Após o processamento 
interno — envolvendo o giro denteado, CA3, CA1 e subículo — as fibras eferentes se reúnem no 
fórnice, a via de saída. Logo após a adução pelo corpo caloso, o fórnice divide-se em dois ramos: 
 
● A porção pré-comissural, que se dirige aos núcleos septais, onde neurônios colinérgicos 
modulam a excitabilidade hipocampal; 
● A porção pós-comissural, que desce até os corpos mamilares, conectando-se em seguida ao 
núcleo anterior do tálamo via fascículo mamilo-talâmico. 
 
Do tálamo, as radiações anterior retornam ao giro do cíngulo, que, por sua vez, projeta-se novamente 
ao córtex entorrinal, fechando o circuito. Essa malha contínua de conexões — o circuito de Papez — 
mantém as sinapses ativadas em circuito aberto, promovendo a consolidação das memórias 
declarativas. 
Os núcleos 
mamilares mediais, 
também conhecidos 
como corpos 
mamilares, recebem 
projeções diretas do 
hipocampo através 
do fórnice. A partir 
daí, suas eferências 
seguem pelo 
fascículo 
mamilo-talâmico até 
os núcleos anteriores 
do tálamo, integrando o circuito de Papez. 
 
Quando ocorre degeneração dos corpos mamilares e do núcleo médio-dorsal do tálamo, a 
consequência clínica pode ser a síndrome de Wernicke–Korsakoff, caracterizada por confabulação, 
amnésia anterógrada e severa desorientação. 
 
Em casos de alcoolismo crônico, pode surgir a encefalopatia de Wernicke, resultante da deficiência de 
tiamina (vitamina B1) — frequentemente por desnutrição e má absorção. A falta de tiamina compromete 
o metabolismo cerebral e provoca edema vasogênico no teto do mesencéfalo, nos corpos mamilares e 
no núcleo médio-dorsal do tálamo, achados que aparecem como hiperintensidades em sequência 
T2-FLAIR na ressonância magnética. 
 
Se não tratada prontamente com suplementação de tiamina, a encefalopatia de Wernicke pode evoluir 
para a psicose de Korsakoff (psicose alcoólica), marcada pela degeneração dos corpos mamilares. 
Macroscopicamente, observa-se atrofia e sinais de micro-hemorragias nesses núcleos. 
 
O quadro clínico inclui: 
● Amnésia anterógrada confabulatória: o paciente é incapaz de formar novas memórias e, ao 
tentar preencher as lacunas, inventa eventos (alomnésia), sem consciência da falsidade de suas 
narrativas. 
● Desorientação e confabulação: característica essencial para distinguir a síndrome de Korsakoff 
de lesões isoladas do hipocampo, nas quais a confabulação não ocorre. 
 
A intervenção precoce com tiamina pode reverter a encefalopatia de Wernicke, mas, uma vez instalada 
a degeneração dos corpos mamilares e do tálamo, o dano frequentemente torna-se irreversível, 
configurando a síndrome de Wernicke–Korsakoff. 
 
A amígdala situa-se no lobo temporal 
medial, ancorada no giro ambiens, 
imediatamente à frente do hipocampo. 
Funcionalmente, ela se organiza em 
três componentes principais: 
 
● Parte corticomedial, uma porção 
relativamente vestigial em humanos, 
mas que em outras espécies está 
ligada ao processamento de pistas 
químicas (feromônios); 
● Núcleo central, responsável por coordenar as respostas autonômicas e comportamentais às 
emoções; 
● Complexo basolateral, fundamental na formação e consolidação do medo condicionado, ao 
estabelecer associações entre estímulos neutros e eventos emocionalmente significativos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O córtex entorrinal envia projeções diretamente ao complexo basolateral da amígdala, integrando 
informações do lobo temporal e do córtex pré-frontal para formar um verdadeiro sistema cortical 
frontotemporal, que sustenta a memória implícita e seu componente afetivo. 
 
A amígdala, por sua vez, pode ser dividida em três grupos funcionais: 
● Grupo cortical, pouco desenvolvido em humanos e associado às vias olfatórias; 
● Grupo centromedial, atuando como via de saída principal para o hipotálamo; 
● Complexo basolateral, que recebe aferências do hipocampo e do córtex entorrinal e é a base do 
processamento afetivo das memórias. 
 
 
As eferências amigdalianas seguem duas rotas distintas: 
● Via amigdalofugal ventral (rota principal) — parte do núcleo basolateral e se projeta diretamente 
para o hipotálamo medial e lateral, além de áreas corticais pré-frontais medial, orbitofrontal e 
cingulada. 
● Via amigdalofugal dorsal — menos destacada em humanos, conduz fibras do núcleo 
centromedial. 
 
Dessa forma, o núcleo basolateral da amígdala atua como um hub afetivo, conectando-se 
reciprocamente com córtices associativos e o hipocampo para dar significado emocional às memórias. 
 
 
Além das projeções ventrais, os núcleos centrais da amígdala enviam 
eferências pela via amigdalofugal dorsal, representada pela estria 
terminal. Esse feixe conecta a amígdala à área septal, desembocando 
no núcleo do leito da estria terminal, região envolvida na modulação 
dos comportamentos agressivos e sexuais. 
 
Essa via dorsal constitui a principal rota de saída da amígdala para os 
componentes afetivo-olfatórios, autonômicos e de motivação 
comportamental. Além disso, os núcleos centrais estabelecem circuitos 
recíprocos com o hipotálamo e núcleos do tronco encefálico, 
coordenando as respostas viscerais que acompanham as emoções. 
 
 
Na ilustração, nota-se que o bulbo olfatório, como área cortical primária do olfato, envia fibras pela via 
amigdalofugal dorsal ao longo da estria terminal. Este feixe conclui seu trajeto na área septal, 
sobretudo no núcleo do leito da estria terminal (BNST). A partir desse núcleo, projetam-se fibras para 
diversos núcleos do hipotálamo, integrando assim as vias olfatórias ao controle autonômico e 
emocional. 
 
A via mesolímbica dopaminérgica, que se origina na área tegmental ventral (ATV), projeta-se ao núcleo 
accumbens, modulando a motivação e o reforço. Embora a dopamina não codifique diretamente a 
sensação de “prazer”, ela é crucial para o condicionamento operante — o processo pelo qual 
comportamentos são reforçados. É por isso que o uso repetido de drogas, ao disparar essa via, 
consolida o padrão viciante como uma forma de aprendizagem associativa. 
 
Já as áreas septais, componentes do prosencéfalo basal, abrigam neurônios colinérgicos fundamentais 
para a regulação da formação da memória. O septo medial, o núcleo basilar de Meynert e a banda 
diagonal de Broca enviam projeções de acetilcolina ao hipocampo e à amígdala, assegurando a 
plasticidade necessária à consolidação das memórias declarativas. 
 
Na doença de Alzheimer, são justamente esses sítios colinérgicos do prosencéfalo basal que sofrem os 
primeiros ataques, interrompendo o fornecimento de acetilcolina ao hipocampo e às áreas límbicas, e 
desencadeando os déficits iniciais de memória característicos da enfermidade. 
 
 
Em destaque, em 
tons de amarelo, 
identificam-se os 
neurônios 
colinérgicos do 
prosencéfalo basal, 
cujas projeções 
atingem o hipocampo 
e são justamente as 
primeiras a degenerar 
na doença de 
Alzheimer. Na mesma 
ilustração, observa-se 
o núcleo do leito da 
estria terminal recebendo fibras da estria terminal, enquanto logo abaixo se alinham os núcleos septais, 
que se conectam ao núcleo basilar de Meynert e à banda diagonal de Broca. 
 
Essasestruturas abrigam os neurônios colinérgicos responsáveis por modular a formação da memória: 
ao liberarem acetilcolina no hipocampo, equilibram a atividade glutamatérgica. Quando essa regulação 
cessa—isto é, com a perda colinérgica—o excesso de glutamato torna-se tóxico, acelerando a 
destruição dos neurônios hipocampais. 
 
Resumo do Circuito Límbico Principal (Circuito de Papez e Projeções Colaterais) 
● Circuito de Papez (via pós-comissural do fórnice) 
○ O hipocampo envia suas fibras pelo fórnice (ramo pós-comissural) até os corpos 
mamilares. Dali, os axônios continuam pelo fascículo mamilo-talâmico até o núcleo 
anterior do tálamo. Desse núcleo, as radiações talâmicas anteriores projetam-se ao 
córtex do cíngulo, que por sua vez encaminha as informações ao córtex entorrinal (giro 
parahipocampal), fechando o circuito de volta ao hipocampo. 
● Via colateral septal (fórnice pré-comissural) 
○ Em paralelo, o hipocampo também envia fibras pelo ramo pré-comissural do fórnice à 
área septal, de onde podem seguir diretamente ao hipotálamo medial e ao tronco 
encefálico através do feixe prosencefálico medial. 
● Integração cingulado–pré-frontal–tálamo 
○ O córtex do cíngulo recebe não só as aferências do núcleo anterior do tálamo, mas 
também projeções vindas do córtex pré-frontal ventromedial, do córtex orbitofrontal e de 
áreas associativas laterais (giro temporal superior, médio e inferior, lobo parietal posterior 
e ínsula). Essas conexões são moduladas pelo núcleo médio-dorsal do tálamo, cujo 
fascículo anterior é, aliás, o alvo da lobotomia pré-frontal. 
● Projeções amigdalianas e tálamo 
○ O núcleo basolateral da amígdala estabelece conexões recíprocas tanto com o 
hipocampo quanto com o núcleo médio-dorsal do tálamo, reforçando o enlace entre 
emoção e cognição. Já o núcleo centromedial da amígdala projeta-se pela estria terminal 
até a área septal, ou então segue pela via amigdalofugal ventral diretamente ao 
hipotálamo medial e ao tronco encefálico, coordenando as respostas autonômicas e 
motivacionais. 
 
HIPOTÁLAMO 
 
O hipotálamo atua como o grande centro integrador das dimensões neuroendócrina, comportamental e 
autonômica das emoções — sua remoção é incompatível com a vida. Ele coordena as funções viscerais 
e neurovegetativas por meio de dois sistemas principais: o sistema neuroendócrino (regulação 
hormonal) e o sistema nervoso autônomo (controle simpático e parassimpático). Entre suas atribuições 
destacam-se: 
● Regulação comportamental e emocional 
● Manutenção dos ritmos biológicos e do ciclo sono-vigília 
● Termorregulação corporal 
● Controle do sistema nervoso autônomo 
● Secreção hormonal (via interação com a hipófise) 
Anatomicamente, o hipotálamo situa-se no diencéfalo. Em vista inferior do encéfalo, podemos delimitar 
seus contornos observando: 
● Frente: quiasma óptico 
● Laterais: trato óptico 
● Atrás: corpos mamilares 
 
Entre o quiasma óptico e os corpos mamilares estende-se o túber cinério, que abriga núcleos essenciais 
como o arqueado e o paraventricular, responsáveis pela integração neuroendócrina e pela emissão de 
fibras hipotalâmicas aos centros do tronco encefálico e da medula. 
 
 
 
Em um plano sagital que atravessa o diencéfalo, é possível 
reconhecer claramente as principais estruturas e seus limites 
anatômicos: 
 
O fórnice arqueia-se por cima do tálamo e passa imediatamente acima do hipotálamo, criando duas 
concavidades que, ao se encontrarem, delimitam o terceiro ventrículo. Entre essas duas estruturas, o 
sulco hipotálâmico separa o tálamo (acima) do hipotálamo (abaixo). 
 
O contorno anterior do 
hipotálamo é definido pela 
lâmina terminal, pela comissura 
anterior e pelo quiasma óptico, 
enquanto seu limite posterior é 
marcado pelos corpos 
mamilares. No espaço que se 
estende entre o quiasma óptico e 
os corpos mamilares, localiza-se 
o túber cinério, de onde emerge 
a eminência mediana — ponto 
de partida do sistema 
porta-hipofisário e origem do 
infundíbulo que conecta o 
hipotálamo à adenohipófise. 
 
Logo acima do tálamo, no epitálamo, encontra-se a glândula pineal, sinalizando o limite dorsal do 
diencéfalo e exercendo papel central na regulação dos ritmos circadianos. 
 
 
O hipotálamo pode ser concebido 
como uma série de zonas 
concêntricas em torno do terceiro 
ventrículo, cada uma com núcleos 
especializados: 
 
Zona periventricular 
● Envolve diretamente a 
parede do terceiro ventrículo e 
contém os núcleos 
paraventriculares e arqueados, 
pilares do sistema neuroendócrino 
que regulam a hipófise. 
 
 
Zona medial 
● Logo além do fórnice 
(que marca a separação em 
“barreira” entre medial e 
lateral), abriga núcleos como 
o ventromedial — chave no 
controle de comportamentos 
agressivos e sexuais, bem 
como na modulação do sono. 
 
Zona lateral 
● Contígua ao trato 
óptico, corre ao longo da face 
externa do hipotálamo e é 
responsável por funções de 
apetite e busca alimentar. 
 
Em sentido rostrocaudal, distingue-se ainda: 
● Zona pré-óptica (anterior ao quiasma óptico): 
○ Núcleo pré-óptico medial, envolvido em comportamentos sexuais masculinos; 
○ Núcleo pré-óptico ventrolateral, central no controle do sono. 
● Zona supraquiasmática (sobre o quiasma): 
○ Núcleo supraquiasmático, maestro dos ritmos circadianos; 
○ Núcleo anterior do hipotálamo e parte do paraventricular, integrando funções 
neuroendócrinas, comportamentais e autonômicas. 
● Zona tuberal (entre quiasma e corpos mamilares): 
○ Núcleos ventromedial, pré-mamilar, dorsomedial e supraóptico, além do infundíbulo que 
desce até a hipófise. 
● Zona mamilar (corpos mamilares): 
○ Estruturas envolvidas na formação da memória declarativa, encerrando o espectro 
funcional do hipotálamo. 
 
Assim organizado, o hipotálamo articula emoção, comportamento, ciclo hormonal e homeostase em 
uma única estrutura vital. 
 
 
 
 
 
 
O hipotálamo atua como o grande maestro do sistema nervoso autônomo, coordenando tanto reflexos 
viscerais imediatos quanto o controle autonômico mais refinado. No seu núcleo paraventricular, 
distinguem-se três subregiões: 
● Parte magnocelular, cujos neurônios projetam-se à neurohipófise e liberam ocitocina e 
vasopressina na circulação sistêmica. 
● Parte parvocelular, que conecta-se à adenohipófise por meio do sistema porta-hipofisário, 
regulando a liberação de hormônios tróficos. 
● Terceira porção, na porção posterior do mesmo núcleo, de onde emergem as fibras 
hipotálamo-espinais. Essas fibras descem pelo feixe prosencefálico medial e pelo trato tegmental 
ventral, fazendo sinapse nos núcleos dos nervos cranianos (para o controle parassimpático) e na 
coluna intermédio-lateral da medula espinal (para funções simpáticas e parassimpáticas). A 
partir daí, as fibras seguem seu trajeto ao longo do tronco encefálico e da medula, ajustando 
continuamente o tônus visceral e a homeostase orgânica. 
 
 
 
 
 
A coluna intermédio-lateral (ou corno lateral) da medula espinal, situada entre os segmentos torácicos e 
sacrais, constitui o eixo eferente visceral do sistema nervoso. Nela residem os neurônios 
pré-ganglionares que projetam-se aos gânglios autônomos, estabelecendo a via motora para a 
musculatura lisa e as glândulas. 
 
No nível sacral, essa coluna contém o núcleo de Onuf, especializado no controle da micção, 
coordenando os esfíncteres uretrais. 
 
As fibras hipotálamo-espinais, originadas no núcleo paraventricular posterior do hipotálamo, descem 
pelo funículo lateral, ao lado dos tratos corticoespinais laterais, permanecendo inteiramente dentro do 
SNC até fazer sinapse nos neurônios pré-ganglionares da coluna intermédio-lateral e nos núcleos 
viscerais dos nervos cranianos. Dessa forma, o hipotálamo exerce controle direto e preciso sobre as 
respostas autonômicas do organismo. 
 
 
 
O sistema nervoso autônomo periférico constitui o braço motor visceral encarregado de controlar a 
musculatura lisa e as glândulas. Ele se divide em duas vias complementares: 
● Simpática – nascida na região toracolombar(T1–L2), prepara o organismo para situações de 
“fuga e luta”, aumentando a frequência cardíaca, dilatando as pupilas e redistribuindo o fluxo 
sanguíneo aos músculos esqueléticos. 
● Parassimpática – originada nos segmentos craniossacrais (S2–S4 e núcleos cranianos), 
promove funções de “descanso e digestão”, estimulando a motilidade gastrointestinal, reduzindo 
a frequência cardíaca e favorecendo a conservação e reconstituição de energia. 
Embora muitas vezes descritos como antagonistas, esses dois sistemas atuam em harmonia. Por 
exemplo, no comportamento sexual, o parassimpático é essencial para a ereção, enquanto o simpático 
coordena a ejaculação. Dessa forma, a divisão simpática e a parassimpática operam lado a lado, 
ajustando continuamente as respostas viscerais às demandas do organismo. 
 
No sistema somático, o corpo celular do motoneurônio alfa localiza-se no corno anterior da medula 
espinal. Seus axônios saem pela raiz anterior, juntam-se ao nervo espinal e fazem uma sinapse direta 
com o músculo estriado esquelético na junção neuromuscular (ou placa motora), liberando acetilcolina 
sobre receptores nicotínicos. 
 
Já no sistema nervoso autônomo (SNA), que é o sistema motor visceral, não há contato direto com a 
musculatura lisa ou glândulas. Em vez disso, ele opera em duas etapas: 
 
● O corpo do neurônio pré-ganglionar está localizado no corno lateral da medula espinal (coluna 
intermédio-lateral) ou em núcleos específicos de nervos cranianos (da coluna eferente visceral 
geral). 
○ Esses neurônios liberam acetilcolina que atua em receptores nicotínicos nos gânglios 
autônomos. 
○ Eles são considerados homólogos aos motoneurônios alfa do sistema somático. 
● Dos gânglios autônomos, partem os neurônios pós-ganglionares, que fazem sinapse com 
músculos lisos, glândulas e tecido cardíaco: 
○ No SNA simpático, esses neurônios produzem noradrenalina, que atua em receptores 
adrenérgicos α e β. 
○ No SNA parassimpático, produzem acetilcolina, que age sobre receptores muscarínicos. 
 
 Exceção importante: 
A medula da glândula suprarrenal não possui neurônios pós-ganglionares. Ela é inervada diretamente 
por neurônios pré-ganglionares simpáticos, que liberam acetilcolina sobre células cromafins, as quais 
são neurônios modificados. Essas células então secretam adrenalina diretamente na corrente 
sanguínea — funcionando como uma "versão endócrina" do sistema simpático. 
 
 
 
 
 
O sistema nervoso simpático, também conhecido como sistema toracolombar, origina-se nos segmentos 
T1 a L2 da medula espinal. É nessa faixa, especificamente na coluna intermédio-lateral, que se 
localizam os neurônios pré-ganglionares simpáticos. 
 
Esses neurônios enviam seus axônios aos gânglios simpáticos, onde fazem sinapse com os neurônios 
pós-ganglionares. Estes, por sua vez, secretam noradrenalina, que atua sobre receptores adrenérgicos 
do tipo alfa e beta. 
 
Uma de suas principais funções é a inervação dos vasos sanguíneos, os quais mantêm um tônus basal 
constante graças à estimulação adrenérgica. Esse estímulo leva à contração da musculatura lisa 
vascular, modulando o fluxo sanguíneo conforme as necessidades do organismo — como em situações 
de estresse (fuga ou luta). 
 
 
 
Os neurônios pré-ganglionares simpáticos localizam-se 
na coluna lateral da medula espinal, entre os 
segmentos torácicos e lombares (T1–L2). Esses 
axônios saem pela raiz anterior do nervo espinal, 
juntam-se brevemente a ele e logo se desviam para o 
gânglio simpático paravertebral através de um feixe 
chamado ramo comunicante branco. 
 
Nesse gânglio autônomo, os neurônios 
pré-ganglionares fazem sinapse com os neurônios 
pós-ganglionares. 
Em seguida, os axônios pós-ganglionares retornam ao 
nervo espinal por meio do ramo comunicante cinzento, 
e então se distribuem para músculos lisos, glândulas e 
vasos sanguíneos. 
 
 
 
 
Tipos de gânglios simpáticos: 
● Gânglios paravertebrais 
○ Estão localizados lateralmente à coluna vertebral, organizados em cadeia bilateral. 
○ Associam-se aos nervos espinais por meio dos ramos comunicantes brancos e cinzentos. 
○ Inervam vasos sanguíneos, pele e vísceras torácicas e cervicais. 
● Gânglios pré-vertebrais 
○ Situam-se anteriormente à coluna vertebral, próximos às grandes artérias abdominais. 
○ Exemplos incluem: 
■ Gânglio celíaco (junto ao tronco celíaco) 
■ Aórtico-renal 
■ Mesentérico superior e inferior 
Esses gânglios pré-vertebrais são os destinos dos nervos esplâncnicos — feixes compostos por fibras 
simpáticas pré-ganglionares. Neles ocorre a sinapse com os neurônios pós-ganglionares, cujas fibras 
são noradrenérgicas e seguirão em plexos nervosos ao redor das artérias abdominais, alcançando 
vísceras como estômago, intestinos, fígado e rins. 
 
Os ramos comunicantes 
brancos, que levam fibras 
pré-ganglionares simpáticas, 
inicialmente se conectam aos 
gânglios paravertebrais. No 
entanto, quando a inervação é 
destinada às vísceras torácicas 
ou abdominais, essas fibras não 
fazem sinapse imediata. Em vez 
disso, continuam seu trajeto 
rumo aos gânglios 
pré-vertebrais, formando os 
chamados nervos esplâncnicos. 
 
Nervos esplâncnicos: 
● São compostos por fibras simpáticas pré-ganglionares. 
● Convergem para os gânglios pré-vertebrais, como os gânglios celíaco, mesentérico superior, 
aórtico-renal e mesentérico inferior, onde ocorre a sinapse com os neurônios pós-ganglionares. 
 
Após a sinapse, os neurônios pós-ganglionares (tanto simpáticos quanto parassimpáticos) não formam 
nervos independentes, mas se organizam em plexos viscerais. Esses plexos acompanham vasos 
sanguíneos, como a aorta e suas ramificações, e seguem até as vísceras-alvo (como estômago, 
intestinos, fígado, rins etc.), garantindo uma inervação precisa e funcionalmente integrada. 
 
 
 
Fibras hipotalâmicas espinais vão cursar lateralmente por todo tronco encefálico e medula espinal; 
 
Se perder a parte simpática(em acidente de artéria cerebelar posterior que pega o bulbo lateral) vai ter a 
síndrome de Horner. 
 
Caso tenha LESÃO BULBAR LATERAL causará desconexão das dessas fibras hipotalâmicas espinais a 
nível do bulbo pegando partes do SNA simpático e caracterizando SÍNDROME DE HORNER e tendo 
como sintomas MIOSE (perde tônus da pupila), ANIDROSE (fica sem suar na face), RUBOR FACIAL 
(perde tônus simpático dos vasos sanguíneos e tem rubor) e PTOSE; 
 
Não prejudica a parte PARASSIMPÁTICA pois já recebeu a inervação. 
Olho do paciente com essa síndrome de Horner vai ter uma ptose, miose, anisocoria. Pode pingar um 
colírio com cocaína e a pupila NÃO vai ficar dilatada porque a cocaína é inibidora da recaptação da 
noradrenalina e da dopamina. Assim sendo, elas precisa que as fibras estejam inctactas, caso contrário, 
NÃO tem neurotransmissor para ela inibir a recaptação. 
 
A apraclonidina é um agonista de receptores alfa 1, e quando tem essa desnervação simpática, o 
receptor vai ficar muito sensível a noradrenalina ou a qualquer agonista a essa droga e quando aplica a 
apraclonidina, o indivíduo vai ter uma midríase paradoxal(o olho afetado vai ter um midríase muito mais 
proeminente do que o olho não afetado). 
 
Logo, se usar um agonista do receptor (apraclonidina) vai ter MUITA DILATAÇÃO, mas se usar a 
cocaína que é uma inibidora da recaptação de neurotransmissor, NÃO vai ter dilatação. 
 
 
 
Tumor de Pancoast situa-se no ápice do pulmão, o qual pode acabar crescendo e pegando a cadeia 
simpática com os gânglios cervicais. 
Os gânglios paravertebrais, em específico o GÂNGLIO CERVICAL SUPERIOR, estão relacionados com 
a dilatação da pupila. O neurônio pré-ganglionar nos níveis torácicos de T1 a T2, vai subir e fazer 
SINAPSE no m. dilatador da pupila. 
 
Vai ter que passar pelo gânglio cervical inferior ou estrelado, o qual está unido com o gânglio torácico. 
Passando pelo gânglio cervical médio e chegando no GÂNGLIO CERVICAL SUPERIOR. Os neurônios 
pós-ganglionares para fazer a dilatação da pupila estão no gânglio cervical superior. 
Esse tumor de Pancoastirá lesar o plexo braquial, também vai lesar a cadeia simpática cervical 
incluindo o GÂNGLIO CERVICAL INFERIOR OU ESTRELADO, acabando com a dilatação da pupila e 
ocasionando a síndrome de Horner. 
A causa mais comum dessa síndrome é esse tumor de Pancoast. 
 
 
 
O SNA Parassimpático faz o controle da miose através do nervo oculomotor, ele vai ser chamado de 
SISTEMA CRANIOSSACRAL porque uma parte dos NEURÔNIOS PRÉ-GANGLIONARES DOS 
NERVOS PARASSIMPÁTICOS estará em NÚCLEOS DE NERVOS CRANIANOS e nos SEGMENTOS 
SACRAIS DA MEDULA ESPINAL (S2-S3). 
 
Parte cranial: Núcleo de Edinger-Westphal (faz o controle da miose), núcleos salivatório superior e 
inferior, e núcleo dorsal (posterior do vago) neurônios pré-ganglionares; 
Vai ter 4 gânglios no sistema craniano: gânglio ciliar, gânglios ptérios palatinos submandibulares e 
óptico, gânglios intramurais ou terminais (associados ao nervo vago). 
 
🔸 Gânglios Parassimpáticos: 
Intramurais ou Terminais 
Os gânglios intramurais (também 
chamados de terminais) são gânglios do 
sistema nervoso parassimpático que se 
localizam próximos ou dentro dos 
órgãos-alvo. As fibras pré-ganglionares 
parassimpáticas percorrem longas 
distâncias até esses gânglios, onde então 
fazem sinapse com os neurônios 
pós-ganglionares que atuam diretamente 
nos tecidos efetores. 
 
🔹 Gânglios Parassimpáticos – 
Segmento Craniano 
Esses gânglios estão associados aos 
nervos cranianos, e todos os nervos 
parassimpáticos cranianos conduzem 
fibras pré-ganglionares até os respectivos gânglios periféricos. 
 
Gânglio ciliar 
● Associado ao nervo oculomotor (III) 
● Controla o músculo esfíncter da pupila (miose) 
● Lesão do nervo oculomotor: perda do tônus parassimpático → pupila dilatada (midríase) 
 
Gânglio pterigopalatino e submandibular 
● Associados ao nervo facial (VII), por meio do nervo petroso maior 
● Controlam secreção lacrimal e glândulas salivares 
 
Gânglio óptico 
● Associado ao nervo glossofaríngeo (IX) 
● Inerva a glândula parótida 
 
Nervo vago (X) 
● Embora não tenha gânglio nomeado, ele conduz fibras pré-ganglionares até os gânglios 
intramurais das vísceras torácicas e abdominais superiores 
 
📌 Pergunta: Quais são os nervos cranianos associados ao parassimpático? 
✅ Resposta: Nervo oculomotor (III), facial (VII), glossofaríngeo (IX) e vago (X). 
 
🔹 Gânglios Parassimpáticos – Segmento Sacral (S2–S3) 
● As fibras parassimpáticas sacrais saem da medula por meio dos nervos esplâncnicos pélvicos, 
que também são pré-ganglionares. 
● Esses nervos formam o plexo hipogástrico inferior, responsável pela inervação de órgãos 
pélvicos (bexiga, reto, útero, etc.). 
● Já os nervos esplâncnicos sacrais, relacionados ao SNA simpático, participam do plexo 
hipogástrico superior. 
 
Importante: tanto os nervos vagos quanto os esplâncnicos pélvicos podem alcançar gânglios 
pré-vertebrais, mas não fazem sinapse neles. Eles apenas se associam topograficamente aos plexos 
viscerais (formados por fibras mistas). 
Plexos Viscerais – Mistura de Fibras 
Os plexos viscerais contêm: 
● Fibras pós-ganglionares simpáticas (que já fizeram sinapse nos gânglios pré-vertebrais) 
● Fibras pré-ganglionares parassimpáticas (que ainda farão sinapse nos gânglios intramurais) 
Essa organização garante que um mesmo órgão receba estímulo autonômico misto (simpático + 
parassimpático), coordenando funções antagônicas porém complementares (ex: contração e 
relaxamento da bexiga, aumento ou redução do ritmo cardíaco, etc.).

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