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Aula 00
Noções de Arquivologia p/ ANP - Técnico Administrativo
Professor: Felipe Petrachini
Noções de Arquivologia para a ANP 
Teoria e exercícios comentados 
Prof. Felipe Cepkauskas Petrachini –Aula 00 
 
 
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AULA 00– Conceitos Fundamentais de Arquivologia 
(Demonstração) 
 
 
SUMÁRIO PÁGINA 
 
Sumário 
Apresentação: ................................................................................................. 1 
Meus Pãezinhos .............................................................................................. 3 
Considerações sobre o Curso ......................................................................... 4 
Vídeo Aulas ..................................................................................................... 5 
Porque estudar Arquivologia? ......................................................................... 6 
1. Conceitos Fundamentais de Arquivologia ................................................... 7 
1.1. Princípios e Conceitos .......................................................................... 7 
1.2. Documentos .......................................................................................... 9 
1.3. Órgãos de Documentação .................................................................. 10 
1.4. Arquivos (Conceitos Iniciais) ............................................................... 14 
1.5. Princípios ............................................................................................ 17 
Questões Comentadas – Só CESGRANRIO ................................................ 24 
Questões Propostas – Só CESGRANRIO ..................................................... 29 
Questões Comentadas .................................................................................. 31 
Questões Propostas ...................................................................................... 41 
 
Apresentação: 
Olá a todos. Eu me chamo Felipe e serei o responsável pelo curso de 
Arquivologia para este concurso. 
Tenho 26 anos e atualmente exerço o cargo de Agente Fiscal de Rendas do 
Estado de São Paulo (vulgo “Fiscal do ICMS”). Sou formado em Direito pela 
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Universidade de São Paulo, mais conhecida como Largo São Francisco. E sim, isso 
significa que perdi horas de sono ao longo de meses a fio para fazer a FUVEST. 
Bons tempos aqueles... 
Ingressei no serviço público em 2009, no cargo de Assistente Técnico 
Administrativo do Ministério da Fazenda. Fiquei mais de dois anos no cargo, onde 
aprendi desde furar papel até os meandros mais específicos da ciência do Direito 
Tributário. De tanto choramingar, a partir de fevereiro comecei a supervisionar parte 
do setor onde trabalhava, ganhando um aumento singelo (sim, essas coisas existem 
no serviço público se você for ambicioso). 
Em abril de 2012 fui nomeado para o cargo de Técnico Judiciário Área 
Administrativa do Tribunal Regional do Trabalho. Lembro-me até hoje de que 
mesmo estando na posição 1237, e já passados mais de três anos da prova, ainda 
assim chegou minha vez. Mas lógico, se tivesse ido melhor, teria sido chamado 
mais cedo. 
Passei em 16º lugar no concurso de AFTM de São Paulo, ingressando na 
Prefeitura lá para agosto de 2012 e ali fiquei até (finalmente :P) ingressar na 
Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (vulgo ICMS SP), cargo agora, em 
março de 2014. 
Fora isso, fui nomeado no concurso de Oficial de Justiça do Tribunal de 
Justiça de São Paulo (não lembro a posição de cabeça, mas demorou pacas pra 
chamar e eu já estava na Prefeitura quando isso aconteceu) e Escrevente Técnico 
Judiciário na Circunscrição de Mauá, que também é longe pacas de onde eu moro. 
Também fui convidado (recentemente) a ocupar a vaga de Técnico do INSS na 
Agência de Atibaia (8º lugar) 
Prometendo não me alongar muito, fiquei em 4º lugar no concurso de 
Assistente de Licitação para a FURP (Fundação do Remédio Popular), concurso 
este do qual também não pude assumir e, fui chamado para ser Técnico da 
SPPREV, em um concurso bastante peculiar (se tiver a curiosidade, pegue a lista 
de aprovados e veja as notas do pessoal, coisa de louco ), e, por fim, fui nomeado 
em 2010 (ou 11 ) para exercer o cargo de Técnico do Ministério Público da União. 
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Mas pra fazer tudo isso, não é necessário nenhum lampejo de genialidade ou 
dom divino. Aliás, boa parte dos meus conhecidos me tomam por alguém bastante 
"desligado", de maneira que alguns ainda se espantam em saber que eu ainda não 
esqueci-me de como respirar. O que eu sou, em verdade é teimoso. 
E pra ser bem sincero, já levei fumo também em concurso. Fui tão mal na 
prova do BACEN de 2009 (ou 2010, não me lembro direito...) que fiz que fiquei com 
vergonha. Mas foi só vergonha, não desisti por causa disso, nem você deve se sua 
vez ainda não chegou. Aliás, o desastre da época foi o que me animou a estudar 
mais profundamente disciplinas como contabilidade geral, que me auxiliaram anos 
depois na obtenção do cargo de Agente Fiscal de Rendas, o qual exerço hoje. 
A vaga está lá disponível para quem quiser pegar, e já adianto: não é 
necessário nenhum lampejo de genialidade ou dom divino (embora ambos ajudem 
muito). Eu tive a oportunidade de conhecer pessoas muito talentosas, e a maior 
parte delas não quer virar funcionário público. Para o resto de nós, sobra a certeza 
de que a dedicação e o empenho são os únicos fatores que fazem a diferença entre 
passar ou não. 
Quer dizer, quase. Material também é bom ter. Não adianta nada estudar 
feito um condenado se você não estiver estudando a matéria certa. Você confiou 
neste material para aplicar o seu esforço. Eu vou te dar uma dor de cabeça que 
valha o gasto. 
Bom, chega de conversa, mãos a obra! 
Meus Pãezinhos 
Atendendo a uma orientação do site, reproduzo abaixo o seguinte informe: 
--------------- 
 Observação importante: este curso é protegido por direitos autorais 
(copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera, atualiza e consolida a legislação 
sobre direitos autorais e dá outras providências. 
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 Grupos de rateio e pirataria são clandestinos, violam a lei e prejudicam os 
professores que elaboram os cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe 
adquirindo os cursos honestamente através do site Estratégia Concursos ;-). 
 --------------- 
É um tanto ameaçador, mas é a mais pura verdade. Seu professor é formado 
em Direito e atesta a ilicitude da conduta. 
Mas, não é só isso: o curso toma tempo do seu querido professor, e ele usa o 
suado dinheirinho de vocês para comprar duas coisas: livros novos e pãezinhos. 
Livros novos, pois sei que, ao mesmo tempo em que eu me atualizo, as 
bancas também o fazem, e o nosso objetivo é estar a frente da banca, e não ser 
engolido por ela (quando o predador é mais rápido que a presa, já sabem o que 
acontece). 
Pãezinhos, pois tanto eu como aqueles que amo e prezo precisam comer. E 
pãezinhos é a coisa mais barata que consigo pensar em comprar . 
Mas sério, prestigiem o curso! 
Considerações sobre o Curso 
Não fosse pela prova do BNDES de 2013, a quantidade de questões 
recentes da CESGRANRIOser misturado aos de 
outras entidades produtoras.” 
Pois bem, se cada acervo documental não contivesse a totalidade de 
documentos conservados por uma instituição arquivística, onde estes documentos 
ficariam? 
Em outro acervo? Não! Pois não podem ser misturados a documentos de 
outro acervo documental. 
Sozinhos? Não também! Isto violaria o princípio da organicidade, já que o 
documento, isoladamente, perderia grande parte de seu significado. 
Só resta a todos estes documentos ficarem juntos, formando o mesmo 
acervo documental. 
Item Certo. 
15. CESPE – FUB – 2015 Recolhimento designa a formação progressiva, 
natural e orgânica do arquivo. 
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Comentário: Nós veremos o que significa Recolhimento na aula de Gestão 
Documental. Entretanto, você já conhece a definição dada pela assertiva. Ela está 
descrevendo o processo de formação de um arquivo, em observância ao princípio 
da organicidade. 
Item Errado. 
Questões Propostas 
1. CESPE–MPU – 2013 A significação orgânica entre os documentos é 
característica fundamental dos arquivos, de modo que um documento destacado de 
seu conjunto pode perder valor. 
2. CESPE– PF – 2014 Os documentos de arquivo são colecionados com 
finalidades culturais e sociais. 
3. CESPE– PF - 2014A função de prova do documento de arquivo evidencia-
se não só pelo fato de o documento poder ser levado a juízo para comprovar 
determinada informação, mas, também, pela capacidade desse material de 
testemunhar as atividades que lhe deram origem. 
4. CESPE – MTE – 2014 Os documentos de arquivo são produzidos, 
originariamente, nos arquivos correntes, em múltiplos exemplares. 
5. CESPE – MTE – 2014 O arquivo de um órgão, como o do MTE, é o 
agrupamento de todos os documentos que tenham sido produzidos e (ou) recebidos 
por essa pessoa jurídica, independentemente do suporte físico, gênero documental 
e da natureza desses documentos, no desenvolvimento da missão institucional 
desse órgão. 
6. CESPE – MTE – 2014 Para a separação dos documentos, como os do 
MTE, daqueles acumulados por outros órgãos, é indicada a teoria das três idades 
documentais. 
7. CESPE – TCDF – 2014 O tipo documental está relacionado à fusão da 
espécie documental com a função do documento. 
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8. CESPE – TCDF – 2014 Atesta-se a autenticidade do documento de 
arquivo pela vinculação de um conteúdo informacional com o suporte desse 
conteúdo. 
9. CESPE – TCDF – 2014 Aplica-se o princípio da pertinência para a 
definição dos prazos de guarda dos documentos do arquivo permanente. 
10. CESPE – TCDF – 2014 O princípio da proveniência permite identificar o 
fundo a que pertence determinado documento de arquivo. 
11. CESPE – MPU – 2013 Um fundo fechado pode receber documentos, 
ainda que as atividades da sua instituição de origem tenham se encerrado. 
12. CESPE – ANATEL – 2014 Os mapas e plantas encontrados nos arquivos 
da ANATEL pertencem ao gênero documental iconográfico, sendo classificados e 
avaliados de forma diferenciada e específica, conforme esse gênero documental. 
13. CESPE – FUB – 2015 A aplicação do princípio da ordem original garante 
a manutenção da organicidade dos documentos de arquivo. 
14. CESPE – FUB – 2015 O acervo documental engloba a totalidade dos 
documentos conservados pela instituição arquivística. 
15. CESPE – FUB – 2015 Recolhimento designa a formação progressiva, 
natural e orgânica do arquivo. 
 
 
 
Gabarito: 
1 C 7 C 13 C 
2 E 8 E 14 C 
3 C 9 E 15 E 
4 E 10 C 
5 C 11 C 
6 E 12 E 
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0seria pequena demais para recomendar sua utilização. 
Mas, dessa vez, não é o caso! Porém, também não existem tantas assim a ponto de 
só utilizarmos questões dessa banca.. 
Dito isto, certamente que treinaremos aquelas questões, mas dada a 
escassez, teremos mais uma penca de questões de outras bancas. Assim, você se 
familiariza com o estilo da sua banca, ao mesmo tempo em que se familiariza com 
todos os assuntos. 
Você notará que o curso é um pouco mais abrangente que o edital. E o 
motivo é simples: muitos dos conceitos necessários para você entender do que eu 
estou falando não estão entre os tópicos do edital. Assim, para que você tenha uma 
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compreensão completa do que vai estudar, será necessário se familiarizar com os 
conceitos básicos que não são cobrados diretamente no edital. 
Esta aula serve para você se familiarizar com a abordagem que utilizarei no 
curso. Se gostar do que viu, pode seguir em frente. 
 Entretanto, a Aula 00 e a Aula 01 são, em essência, a mesma aula, mas com 
pequenas diferenças: 
Pense na aula 00 como a versão teste do curso. Não estarão aqui todos os 
assuntos, nem todas as questões, de maneira que gostaria que nesse momento, 
você se concentrasse em saber se sou o professor ideal para ajudar você na 
aprovação. 
Alias, se já me conhece, e gosta das minhas aulas, sugiro que pule a leitura 
da Aula 00 e já comece na Aula 01, que está completa, pronta para atender os 
desígnios da banca, sem perda de tempo :P. 
Sugiro que consultem de tempos em tempos o fórum de questões e o quadro 
de avisos da disciplina. Nós nos comunicaremos por lá. Costumo fazer algumas 
postagens de questões bastante específicas no quadro de avisos, apontando 
rasteiras que vou descobrindo conforme continuo a testar a CESPE (enquanto 
houver questões novas, haverá rasteiras novas a ser desvendadas). 
E viu alguma questão que não consegue fazer? Poste meu filho, poste, pois 
eu estarei lá para te explicar como fazer! 
Vídeo Aulas 
Sim, seu professor também aderiu a este método de ensino. Junto a cada 
aula, existem alguns vídeos com temas tratados em aula, para reforçar ainda mais o 
conteúdo na sua cabeça, a ponto de você respirar Arquivologia, e falar sobre os 
temas como se estivesse discutindo uma memória de infância. 
Como acredito que o PDF e o vídeo são recursos complementares, a 
abordagem no vídeo é um pouco diferente da realizada em aula: 
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- Muitas figuras e pouco texto nos slides, para que acionar outro trecho da 
sua memória, nem tanto ligado ao conhecimento, mas sim ao acesso à informação. 
- Seu professor procura ir bem devagar enquanto explica os temas, razão 
pela qual sugiro que você tire um tempo só para ver o vídeo. Eles estão divididos 
em tópicos de 10 a 30 minutos, para sua conveniência. 
- Por fim, você pode ver o vídeo e ler o PDF na ordem em que quiser, mas 
recomendo que faça os dois! 
A propósito, ainda estou buscando ideias sobre como melhorar a aula em 
vídeo. Sugestões são muito bem vindas, não só no sistema de avaliação do site, 
mas também diretamente pelo e-mail: felipepetrachini@estrategiaconcursos.com.br 
É a sua opinião que torna o curso melhor. E não se engane: eu só estou aqui 
por causa de vocês! : D 
 
Porque estudar Arquivologia? 
Arquivologia é uma das únicas matérias que me orgulho em dizer que você, 
futuro funcionário público, com certeza usará no desempenho de suas funções, 
ainda que não seja sua área de formação. 
Nada como um exemplo: se você é de São Paulo, notará que a foto de seu 
RG possui diversos furos, formando a sigla IIRGD. 
Esta sigla corresponde ao Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton 
Daunt, responsável, entre outras coisas, pela identificação de todos os cidadãos que 
moram no município de São Paulo. 
E, a fim de auxiliar nesta tarefa, eles possuem TODAS as digitais dos 
habitantes do Estado de São Paulo. Mas não estamos nos EUA, nem a Policia Civil 
é o CSI: as minhas digitais e de meus conterrâneos estão decalcadas em uma 
papeleta de papel cartão e arquivadas em uma infinidade de gavetas dentro do 
instituto. 
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Sim, é uma infinidade de “dedos” e “mãos” sem nenhum tipo recurso da 
informática para auxiliar na pesquisa. Ainda assim, quando apresentamos as digitais 
de um investigado ao instituto, eles são capazes de procurar rapidamente nas 
gavetas e encontrar a papeleta que confere com os dedos do pianista, o que, na 
minha modesta opinião, é algo simplesmente mágico. 
Eles não procuraram em todas as gavetas. O instituto só é capaz de fazer 
isto porque as fichas estão adequadamente arquivadas e catalogadas, de maneira 
que ao invés de procurar feito um louco em um monte de gavetas, o funcionário vai 
direto naquela que sabe que contém as digitais pretendidas. 
Eu até sei como eles fazem isso, mas não é o propósito do seu curso. Isto é 
uma mostra de que você deve se animar ao ler este material, porque ele, além de 
importante para sua prova, será vital para sua vida funcional. E por incrível que 
pareça, não é uma matéria chata (pode acreditar). 
1. Conceitos Fundamentais de Arquivologia 
1.1. Princípios e Conceitos 
Aqui começa a longa jornada de descobrimento que você, caro aluno, irá 
trilhar nos meandros da Arquivologia (ou pelo menos, da parte que cai em prova). 
Para quebrar um pouco o gelo, vamos visitar a história. 
O termo “arquivo” não tem uma origem precisa. Entretanto, aquela 
frequentemente apontada na doutrina nos remete à antiga Grécia, com a 
denominação “arché”, que denominava o “palácio dos magistrados”. 
Com a evolução do conceito, chegamos à palavra “archeion”, que denomina 
o “local de guarda e depósito de documentos” (este conceito já está mais 
próximo de um dos atuais conceitos de arquivo usados em concursos). 
Outra parcela da doutrina remete-nos ao termo latino “archivum”, que 
também identifica o “lugar de guarda de documentos e outros títulos”. 
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Qualquer semelhança com certo capitão fictício é mera coincidência... 
Cuidado para não explodir o turno todo. 
Falaremos sobre os arquivos propriamente ditos um pouco mais à frente, 
devemos tratar antes do objeto de seus estudos: a arquivologia. 
Pois bem, saiba que não se trata de nenhum monstro dos concursos (é uma 
matéria bem legal e útil). 
É uma disciplina, no entanto, que exigirá de você cuidado e atenção, 
principalmente quando você for apresentado a conceitos próprios, o seu estudo não 
é difícil, embora bastante teórico. 
As primeiras noções sobre o assunto você verá já na aula de hoje. 
E pode acreditar: seu examinador quer saber o que é arquivologia. E sem 
este tópico, as demais aulas serão ininteligíveis (tanto quanto a própria palavra 
ininteligível). 
A arquivologia é uma ciência. Já a arquivística é o nome que se dá ao 
conjunto de princípios e técnicas empregados justamente no desempenho desta 
ciência. No Brasil, a definição da política nacional de arquivos está a cargo do 
CONARQ. 
“O Conselho Nacional de Arquivos - CONARQ é um órgão colegiado, vinculado ao 
Arquivo Nacionaldo Ministério da Justiça, que tem por finalidade definir a política 
nacional de arquivos públicos e privados, como órgão central de um Sistema 
Nacional de Arquivos, bem como exercer orientação normativa visando à gestão 
documental e à proteção especial aos documentos de arquivo.” ···. 
Para você obter acertos em uma prova de arquivologia é fundamental 
que você conheça o significado de muitos termos utilizados nessa disciplina. 
Muitas vezes, a resolução das questões se resumirá a isto. Durante as aulas 
estes termos serão explicados, revistos, analisados e colocados na sua cabeça com 
o mesmo desvelo com o qual se põe um recém-nascido no berço. 
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1.2. Documentos 
Nós comentamos que a arquivística é um conjunto de técnicas voltadas ao 
atendimento dos objetivos da ciência arquivologia. Só que toda ciência tem um 
objeto de estudo (é da essência de todo estudo direcionar seus esforços a algum 
objeto ). A arquivologia volta sua atenção ao estudo dos arquivos (que você já está 
ansioso para saber por que demoro tanto para chegar nele). Ok, mas existe ainda 
uma partícula neste contexto, que merece atenção redobrada. 
Arquivos, quando a palavra é usada no sentido de “instituição”, operam um 
elemento básico: o Documento. 
Documento é todo e qualquer registro de informação, 
independentemente de sua forma ou suporte físico. Ou seja, um documento 
pode ser uma foto, um papel, um mapa, um cartão, um filme, fitas, CDs, disquetes, 
enfim, tudo aquilo que sirva como registro de um fato, de um acontecimento, de um 
momento. 
Veja que, ao falarmos simplesmente documento, estamos abordando a 
acepção ampla da palavra, não estamos detalhando a sua forma ou o meio 
material em que ele é disponibilizado. Basta que haja registro de informação, 
qualquer que seja e pelo meio que melhor convier ao usuário, estaremos 
falando de documento. 
Logo mais a frente veremos, no entanto, como deve ser tratado um 
“documento de arquivo”. 
Falei que documento é um registro, se é um registro deve haver um meio 
físico (material) onde este registro é feito, não é mesmo? 
Em arquivologia este meio material onde a informação é registrada se 
denomina suporte. Como exemplos de suportes podemos apontar o papel; o papel 
fotográfico; a película fotográfica; fitas de vídeo; as mídias digitais, como um CD, um 
DVD, ou seja, tudo aquilo fisicamente palpável e que permite o registro de 
informações. 
Simplificando as coisas para você, caro aluno: 
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Suporte (meio material) + Registro (ideia, informação) = Documento. 
E, meu caro, você pode puxar da sua cabeça as aulas de história, e ainda 
apontar como exemplos os papiros, pergaminhos, tábuas de argila, e até em pedra 
se achar melhor. 
1.3. Órgãos de Documentação 
Os nossos queridos arquivos não são os únicos locais dedicados ao 
manuseio e guarda de documentos. 
Desta forma, para que separemos muito bem aquilo que é objeto de nosso 
estudo (os arquivos) dos demais órgãos de documentação, é essencial que 
definamos cada um deles. 
E você não terá maiores dificuldades. Cada órgão de documentação possui 
suas características peculiares, de maneira que dificilmente você tomará um pelo 
outro. 
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Acompanhe o quadro para as noções 
iniciais:
 
 
O que podemos reparar do estudo do quadro acima? A primeira coisa é que 
estas instituições se distinguem pela característica principal de cada acervo, e o 
propósito dado por cada instituição ao mesmo (finalidade a que se propõem).
 Entretanto, também podemos chamar a atenção à maneira como os 
acervos são formados. 
Embora o nosso estudo faça referência ao arquivo, é importante também que 
você saiba diferenciá-lo dos outros lugares apresentados (museus, bibliotecas, 
centros de documentação). E adivinha meu caro: cai em prova! 
O CESPE (2011 Correios) já fez a seguinte afirmação: “A distinção entre 
documentos de arquivo, de biblioteca ou de museu é feita conforme a origem e o 
emprego desses documentos.”. 
Pois bem, vamos às definições mais específicas: 
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Museu: Um museu é, primordialmente, uma instituição de interesse 
público. O seu principal propósito é colocar à disposição do público conjuntos 
de peças e objetos de valor cultural. Veja que o museu não se importa nem 
mesmo com o fato de o objeto por ele custodiado se enquadrar na definição de 
documento. Um sarcófago, muito embora tenha informações grafadas no mesmo, 
não é “consultado” pelo público com o propósito de obter informações. 
Mas professor: eu quero ir ao museu para obter informações sobre a história 
das civilizações! Não estaria evidente meu propósito de obter informações? 
Eu digo: você está trabalhando com um conceito bastante amplo de 
informação. Para fins da nossa disciplina, somente chamaremos de documento 
arquivístico aquele que foi criado ou recebido originalmente para atendimento 
das finalidades da instituição. 
Uma informação fixada em suporte que buscava resolver determinado 
assunto tratado pela instituição. 
Já que o antigo Egito surgiu, vamos brincar com ele. O papiro (ou antes dele, 
os pedaços de pedra talhados) no qual o coletor de impostos controlava a 
arrecadação é um documento de arquivo, já que foi criado pela entidade para 
resolver um assunto inerente às suas funções. 
O sarcófago foi originalmente criado para guardar o faraó. Não havia assunto 
administrativo que pudesse ser resolvido através daquele objeto, ou ao menos, não 
há assunto administrativo que pudesse ser resolvido através das informações 
fixadas naquele suporte. Ninguém consultava o sarcófago lá na época, atrás de 
informações. 
É com esse enfoque que você deve distinguir os documentos do arquivo das 
peças de museu. 
Centros de Documentação: Esses daqui agrupam documentos de todos 
os gêneros, qualquer que seja a fonte. À primeira vista, é como se os centros de 
documentação nem mesmo possuíssem um propósito na acumulação. Entretanto, 
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isto não é de todo verdade. O centro de documentação tem uma finalidade: 
informar. Normalmente estes centros possuem alguma especialização. 
Meio vago? Pense em uma base de dados de uma instituição de ensino, 
onde estão dispostas todas as informações das... hum... revistas de Direito da 
Universidade de São Paulo... Esta base de dados somente se presta a informar as 
revistas que estão ali disponíveis. 
Biblioteca: Esse é bem mais legal (passei mais tempo que o recomendado 
nesses ambientes), e frequentemente cobrado em prova. 
Comecemos pela doutrina: 
“Biblioteca é o conjunto de material, em sua maioria impresso, e não 
produzido pela instituição em que está inserida, de forma ordenada para 
estudo, pesquisa e consulta”. Bem compacto 
A biblioteca se caracteriza pela acumulação de documentos com 
finalidades de estudo, pesquisa, e principalmente,consulta. Outro fator 
importante que distingue a biblioteca de um arquivo é que os documentos 
custodiados pela biblioteca não são por elas produzidos no decorrer de suas 
atividades administrativas, mas sim obtidos através de doação, permuta ou 
aquisição. 
E, tão importante quanto: as bibliotecas frequentemente têm mais de um 
exemplar de cada livro. Nós veremos mais à frente que o princípio da unicidade 
enxerga cada documento como único. Entretanto, bibliotecas não são arquivos e 
não dão a mínima pra isso. 
A biblioteca acumula documentos com o propósito de formar uma coleção. 
A palavra propósito também é importante: a acumulação de documentos na 
biblioteca é intencional, e desta forma, não espontânea. A biblioteca deseja 
educar o seu público. 
Arquivo: A razão de estarmos aqui hoje. 
Comecemos do jeito que gosto de começar: com doutrina: 
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“Arquivo é a acumulação ordenada de documentos, em sua maioria 
textuais, criados por uma instituição ou pessoa, no curso de sua atividade, e 
preservados para a consecução de seus objetivos, visando à utilidade que 
poderão oferecer no futuro”. 
E aqui vai mais uma, também cobrada em prova: 
“A principal finalidade dos arquivos é servir a administração, 
constituindo-se, com o decorrer do tempo, em base do conhecimento da 
história”. 
Esmiucemos. 
O Arquivo tem como função a guarda e a preservação de documentos, 
para que as informações nele registradas também sejam preservadas e possam, 
primordialmente, servir adequadamente aos usuários destas informações. 
Além disso, os documentos e informações precisam estar organizados, para 
que possam ser acessados e a sua informação compreendida. 
A finalidade do arquivo é funcional. O arquivo acumula documentos como 
mera decorrência das atividades da instituição a que está ligado. É um 
processo natural e gradativo. 
Outro ponto: os documentos que se encontram no arquivo estão unidos por 
sua proveniência. Ao contrário dos livros em uma biblioteca, os documentos de um 
arquivo são mantidos juntos para que, desta forma, reflitam o funcionamento e as 
atividades da instituição a que estão ligados. 
Os documentos do arquivo dão testemunho das atividades da 
instituição. 
1.4. Arquivos (Conceitos Iniciais) 
O próprio termo arquivo teve diversos significados ao longo do tempo. E para 
nossa infelicidade, atualmente também designa um conjunto diferente de “coisas”. A 
mesma palavra “arquivo” compreende diversas ideias, e todas elas serão vistas 
agora e no transcorrer das aulas. 
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Veja os significados mais utilizados em provas: 
- Arquivo é o conjunto de documentos criados ou recebidos por uma 
instituição, no decorrer de suas atividades, preservados para garantir a 
consecução de seus objetivos; 
- Arquivo é a denominação dada ao móvel que se dedica à guarda de 
documentos; 
- Arquivo é o local físico (prédio, edifício) onde o acervo de documentos 
encontra-se conservado. 
- Arquivo é o nome dado à instituição cujo objetivo seja o de guardar e 
conservara os documentos. 
E não para por aí meu caro colega. Existem mais dois conceitos que eu, 
sinceramente, recomendo que você tenha em mente quando for buscar a sua vaga: 
“Arquivo é o conjunto de documentos oficialmente produzidos e 
recebidos por um governo, organização ou firma, no decorrer de suas 
atividades, arquivados e conservados por si e seus sucessores para efeitos 
futuros”. 
Essa primeira definição é encontrada na obra de Marilena Leite Paes, 
doutrinadora frequentemente consultada pelas bancas. Contudo, referido conceito 
foi formulado pela primeira vez por Solon Buck, ex-arquivista norte-americano. 
Mas nem mesmo nossas queridas bancas organizadoras, do alto de suas 
torres de marfim, poderão negligenciar a definição legal. Aí temos a Lei 8.159 de 08 
de janeiro de 1991, a qual dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e 
privados. 
Lá, em seu artigo 2º, temos também uma definição de arquivo: 
 Art. 2º - Consideram-se arquivos, para os fins desta Lei, os 
conjuntos de documentos produzidos e recebidos por órgãos 
públicos, instituições de caráter público e entidades privadas, 
em decorrência do exercício de atividades específicas, bem 
como por pessoa física, qualquer que seja o suporte da 
informação ou a natureza dos documentos. 
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O arquivo, ao contrário do futebol, não existe para atender a um clamor 
popular. A população em geral não se veria atormentada se o governo, de uma hora 
para a outra, resolvesse triturar e encaminhar para a reciclagem todos os 
documentos de todos os arquivos públicos do país (ambientalistas, inclusive, 
vibrariam com a medida). 
Mas quem pensa assim se esquece (ou nunca conheceu) a beleza e poesia 
da função dos arquivos. O arquivo serve à administração, e desta forma, mantém 
viva a história da instituição. O acúmulo de documentos, desde que preservada a 
proveniência e organicidade dos documentos, dará testemunho das atividades da 
instituição, pois de certo modo, espelhará a própria estrutura organizacional. 
Vou dar um exemplo a vocês. Desde que entrei no serviço público, mantenho 
várias pastas com cópias de meus holerites, portarias de nomeação, designações 
para chefia e outros dados funcionais. Conforme este meu arquivo vai recebendo 
novos documentos, ele vai espelhando o meu histórico funcional, e de certo modo, 
refletindo minha vida laboral desde 2009. Quem consultar as informações da minha 
pasta conhecerá o Felipe enquanto profissional e tudo que ele fez e significou para 
as instituições públicas deste país (ok, meio metido, mas grave a ideia). 
Ainda é possível decompor as funções desempenhadas pelo arquivo em 
outras, mais específicas. 
- Promover a guarda de documentos que circulam na instituição, 
utilizando, para tal finalidade, técnicas que permitam o arquivamento ordenado e 
eficiente (lembra-se do IIRGD?). 
- Garantir a preservação dos documentos, acondicionando-os 
adequadamente, levando em consideração que fatores ambientais são capazes de 
destruir o suporte onde a informação encontra-se registrada (a gente chega lá), tais 
como temperatura e umidade. 
- Atender aos pedidos de consulta e desarquivamento de documentos 
pelos diversos setores da instituição, atendendo à demanda de informações. 
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Estas funções são as mais importantes, mas desde que você pegue a ideia 
principal do curso (que é o que tento transmitir de maneira mais poética), você 
simplesmente não conseguirá errar questões de arquivologia, já que as alternativas 
erradas terão de se afastar dos fundamentos da disciplina. 
1.5. Princípios 
Princípios, de maneria bem concisa, são diretrizes que guiam a criação de 
regras dentro de determinada disciplina. 
Aliás, o estudo dos princípios é tão importante e vital que você acertará 
questões em prova simplesmente porque a alternativa desrespeita algum dos 
princípios que vou relacionar. 
Entenda: nenhuma regra de arquivologia ou arquívistica poderá entrar 
em conflito com estes princípios, justamente porque asregras são construídas 
tendo os princípios como guia. Isto, meu caro aluno, não quer dizer que os 
princípios não possuam exceções, só quer dizer que a exceção não pode virar 
regra. 
Mãos à obra! 
Proveniência 
Também denominado princípio do respeito aos fundos, este princípio tem 
a seguinte premissa: “Os arquivos originários de uma instituição ou pessoa 
devem manter sua individualidade, sem jamais se misturarem aos de origem 
diversa.”. 
A definição do Dicionário de Terminologia Arquivística não se afasta muito 
disto: 
“Princípio básico da arquivologia segundo o qual o arquivo produzido 
por uma entidade coletiva, pessoa ou família não deve ser misturado aos de 
outras entidades produtoras.” 
E faz todo o sentido, como veremos abaixo. 
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Eu sei que “jamais” é uma palavra meio forte para concurso, mas este 
princípio é a viga mestra da arquivística, então, é um dos poucos “jamais” e 
“nuncas” que você deve ponderar antes de excluir a alternativa. 
Lembre-se: o arquivo busca demonstrar, através do acúmulo de 
documentos, o modo de funcionamento da instituição. Não faz sentido, tendo 
este objetivo em vista, misturar documentos de vários órgãos e entidades, pois 
descaracterizaria aquilo que PAES chamou de “base do conhecimento da história”. 
E as bancas adoram este assunto: 
ESAF (ANA 2009): “A base teórica das intervenções arquivísticas, que 
garante a constituição e a plena existência da unidade fundamental em Arquivística 
é o princípio da proveniência”. 
Já a FCC (2011 TRE- AP) assim o definiu: “Quando os arquivos originários 
de uma instituição mantêm sua individualidade, não sendo misturados aos de 
origem diversa, diz-se que foi respeitado o princípio da proveniência.”. 
Você também encontrará este princípio como “princípio do respeito aos 
fundos”, ou similar francês. 
E agora, somente neste ponto, você está pronto para entender o que significa 
“fundo aberto” e “fundo fechado”. Só relembrando: 
Fundo: “Conjunto de documentos de documentos uma mesma proveniência. 
Termo que equivale a arquivo”. 
A definição se um fundo é aberto ou fechado depende justamente do fato de 
a entidade produtora encontrar-se ou não em atividade. Veja só: 
Fundo Aberto: Fundo ao qual podem ser acrescentados novos 
documentos em função do fato de a entidade produtora continuar em atividade. 
Fundo Fechado: Fundo que, não recebe acréscimos de documentos, 
documentos em função de a entidade produtora não se encontrar mais em 
atividade. 
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Repare na diferença entre eles e sua relação com o princípio da 
proveniência: uma entidade mantém o seu próprio arquivo. Contudo, uma vez que 
não se encontre mais em atividade, deixou de produzir ou receber documentos. E 
agora, já que não pode mais produzir ou receber documentos em função de suas 
atividades, e documentos de origem (proveniência) diversa não podem se misturar 
àquele fundo, a consequência é uma só: aquele fundo encontra-se definitivamente 
fechado. Lindo, não? 
Organicidade 
Está relacionado ao termo “orgânico”. Todos os seres vivos (e, portanto, 
seres orgânicos) possuem diversos órgãos, cada qual com uma função específica, 
que, apenas em conjunto, cumprem sua função (no caso, manter você vivo e 
estudando para virar funcionário público). 
Conforme nosso querido, e sempre tido em maior conta, Dicionário de 
Terminologia Arquivística: 
“Relação natural entre documentos de um arquivo em decorrência das 
atividades da entidade produtora”. 
Os documentos mantêm relações entre si, como partes de um 
organismo. Ou, melhor ainda, os documentos são produzidos e recebidos, 
naturalmente, como resultado das atividades desenvolvidas em uma 
organização, seja ela pública ou privada. 
A organicidade garante a organização dos documentos, de maneira que 
estes reproduzam, da maneira mais fiel possível, a própria estrutura da 
entidade que os produziu. Também é frequentemente associado com o princípio 
da proveniência, sendo enxergado como decorrência lógica deste. 
Trata-se de relação natural entre os documentos de um arquivo, em 
decorrência das atividades da entidade produtora. 
CESPE 2011 Correios: “A organicidade do arquivo se verifica na relação 
que os documentos mantêm entre si em decorrência das atividades do sujeito 
acumulador, seja ele pessoa física ou jurídica.”. 
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E aqui tinha pegadinha para quem só memoriza. Veremos mais tarde o 
princípio da cumulatividade. Você deve ter muito cuidado, pois as bancas podem 
citar algum termo próximo a um princípio (como foi o caso de acumulador nesta 
afirmação) sem, no entanto, estar se referindo necessariamente a ele 
(cumulatividade). Você precisa estar atento para o contexto da afirmação. 
CESPE (2011 EBC): “O caráter orgânico dos documentos de arquivo decorre 
do fato de que esses documentos são produzidos e recebidos, naturalmente, como 
resultado das atividades desenvolvidas em uma organização, seja ela pública ou 
privada.”. 
FCC (2011 TRT-23ª): “Ao definir arranjo como o processo de agrupamento 
dos documentos singulares em unidades significativas e também o de 
agrupamento de tais unidades entre si, numa relação igualmente significativa, 
Schellenberg evoca o princípio da organicidade.”. 
Pertinência 
Leva em consideração o assunto (o tema), independentemente da 
proveniência ou classificação original. É um princípio utilizado em determinadas 
classificações de um documento, quando o tema tem uma relevância. 
Veja o que diz o Dicionário: 
"Princípio segundo o qual os documentos deveriam ser reclassificados por 
assunto sem ter em conta a proveniência e a classificação original. Também 
chamado princípio temático". 
Macete: Lembre-se de que, quando você vai fazer uma redação, ela precisa 
ser pertinente (apropriada) ao tema requerido . 
Alguns pontos da doutrina veem este princípio como conflitante com o 
princípio da proveniência. E de fato, ele é. Como o critério de acumulação aqui é 
o “assunto”, e não “documentos produzidos ou recebidos pela instituição”, 
dificilmente se conseguirá atentar a ambos. 
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Alguns vão mais longe: afirmam sem medo algum que o princípio da 
pertinência não tem mais aplicação na Arquivística. O próprio Dicionário de 
Terminologia Arquivística Brasileira afirma em suas referências que tal princípio já 
não encontra mais uso, preservado apenas para conhecimento das gerações 
futuras a respeito da evolução da nossa disciplina. Eu não sou tão corajoso. A 
banca pode ou não compartilhar deste entendimento, então, vou nos proteger o 
ensinando. 
Entretanto, o princípio da proveniência é a viga mestra da arquivística. 
Tudo que existe e existirá é elaborado com esse princípio em mente. Qualquer 
conflito entre pertinência e proveniência, fique com este. 
(CESPE 2011 Correios): Quando há necessidade de se reclassificar os 
documentos por tema, sem se levar em consideração a sua proveniência ou a 
classificação original, estará sendo aplicado o princípio da pertinência. 
Cumulatividade 
Segue o pensamento do acúmulo naturaldos documentos. A ideia de que o 
arquivo é uma formação espontânea, natural, progressiva e sedimentar. (FCC 
2011) 
Nem poderia ser diferente: o arquivo é gerado a partir do acúmulo de 
documentos produzidos e recebidos por uma instituição. É através do próprio 
acúmulo que se obtém o arquivo. 
Muito importante: 
Lembre-se que os documentos de arquivo não são coleções!!!! 
Da ordem original (ou da ordem primitiva) 
Está relacionado ao arranjo original dos arquivos, é o “princípio segundo o 
qual o arquivo deveria conservar o arranjo pela entidade coletiva, pessoa ou 
família que o produziu.” (ESAF 2010). 
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Aliás, este princípio representa a própria garantia da organicidade dos 
documentos. Mantendo-se a ordem original, preservamos a intenção de que o 
arquivo reflita o curso das atividades da instituição a que serve. 
Da territorialidade 
Este princípio estipula que os arquivos deveriam ser conservados nos 
serviços de arquivo do território em que foram produzidos. 
Acaba por ter dois desdobramentos: 
Proveniência territorial: os documentos deveriam permanecer nos arquivos 
do território onde foram produzidos. Lembre-se proveniência nos remete a origem, 
quando territorial esta ligada ao local de origem, ou seja, onde foram produzidos. 
Pertinência territorial: os documentos deveriam ficar nos arquivos do 
território para o qual remete o assunto (o tema) neles tratados. Lembre-se, 
pertinência nos remete ao assunto, ao conteúdo do documento. 
Os tópicos seguintes ora são tratados como princípios, ora como meras 
características dos documentos, relacionadas aos princípios apresentados. Quer 
sejam tratados como uma coisa quer como outra é importante que você os conheça: 
Imparcialidade- está no fato de que eles são inerentemente verdadeiros, 
livres da suspeita de preconceito no que diz respeito aos interesses em nome dos 
quais são usados hoje. Os arquivos não têm interesses, paixões, vontades ou 
ambições, eles simplesmente registram. 
Organicidade- Os documentos refletem características da organização 
que o produziu. Esses documentos são produzidos e recebidos, naturalmente, 
como resultado das atividades desenvolvidas em uma organização, seja ela pública 
ou privada. 
Naturalidade– Decorre da maneira como os arquivos se originam, 
naturalmente, em decorrência da acumulação de documentos. 
Autenticidade – Os documentos são produzidos, recebidos, armazenados 
e conservados de acordo com procedimentos regulares que podem ser 
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comprovados. Um documento autêntico é aquele que possui o mesmo 
conteúdo do documento original. 
Perceba que não se deve associar autenticidade à veracidade como 
fazemos usualmente. Um documento autêntico não garante a veracidade de um 
fato, apenas atesta que o conteúdo do documento está de acordo com o original. 
Acessibilidade- Característica que está relacionada à possibilidade de 
localização, recuperação, apresentação e interpretação do documento. 
Unicidade – Os documentos de arquivo têm caráter único, 
independentemente da existência de outro documento semelhante ou tido 
como igual (como uma outra via). Os documentos são únicos na medida em que 
cada um deles sofreu um processo de produção diferente de todos os demais. 
Pense em um RG e sua cópia fiel. O RG em si é um documento produzido 
normalmente pela Secretaria de Segurança, ao passo que a cópia, com as mesmas 
informações, foi produzida através de um processo de fotocópia. 
Desta forma, cada documento do arquivo normalmente é produzido em 
uma única via, ou então, em número limitado de cópias. 
Inter-relacionamento- Decorre do caráter orgânico, ligando os documentos 
uns aos outros através de uma relação complementar. Quando um documento é 
separado de seu conjunto ele perde muito do seu significado. 
Eu quase fiquei sem cores agora. Estes são os princípios mais prováveis de 
serem cobrados em prova. Existe uma infinidade de outros princípios surgindo 
enquanto a doutrina se desenvolve, mas que eu nunca vi serem cobrados (nem 
quando fazia provas da matéria, nem agora que pesquiso sobre o assunto). 
Não faz sentido reproduzi-los aqui. A você, meu bom aluno, recomendo o 
bom senso. Arquivologia e Arquivística, embora sejam matérias de muito conteúdo, 
não podem ser tratadas como matérias de pura memorização. Se uma questão de 
prova abordar algum princípio que não esteja aqui, antes de simplesmente cortá-lo, 
pense um pouco se ele faz sentido dentro do que expliquei na aula. 
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E lógico que se só restar uma alternativa capenga, pode passar a caneta 
nela. 
Bom, aqui ficamos com a aula demonstrativa. Alguns capítulos não constam 
aqui, mas estão lá na Aula 01, prontinhos para serem estudados. Sugiro que você 
leia a aula 01 inteira, mesmo os temas repetidos, já que desenvolvo alguns deles 
com mais profundidade. 
Agora chegou a hora de treinar. Veja se gostou do curso testando se 
consegui prepará-lo para as provas que existem por aí. 
Grande abraço. 
Questões Comentadas – Só CESGRANRIO 
1. CESGRANRIO - BNDES – 2013 Na análise tipológica dos documentos de 
arquivos, não é suficiente, para o arquivista, conhecer a estrutura da espécie 
documental. É necessário relembrar os princípios fundamentais que regem a 
organização dos arquivos. 
Esses princípios que constituem o marco principal da arquivística são: 
a) primário, secundário, terciário e quaternário 
b) criação, identificação, produção e destinação 
c) unicidade, organicidade, integridade e proveniência 
d) corrente, técnico, permanente e administrativo 
e) ético, sistemático, orgânico e constitucional 
Comentário: Nós vimos em aula que princípios são diretrizes que guiam a 
criação de regras dentro de determinada disciplina. Eles fornecem parâmetros, e 
sobre estes parâmetros, criamos normas a serem observadas. 
E você conhece todos os princípios mencionadas na letra c): 
Proveniência 
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“Princípio básico da arquivologia segundo o qual o arquivo produzido 
por uma entidade coletiva, pessoa ou família não deve ser misturado aos de 
outras entidades produtoras.” 
Organicidade 
“Relação natural entre documentos de um arquivo em decorrência das 
atividades da entidade produtora”. 
Unicidade – Os documentos de arquivo têm caráter único, 
independentemente da existência de outro documento semelhante ou tido 
como igual (como outra via). 
Quanto à integridade, o Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística 
(doravante, DBTA) assim a define: 
Objetivo decorrente do princípio da proveniência que consiste em 
resguardar um fundo de misturas com outros, de parcelamentos e de eliminações 
indiscriminadas. Também chamado integridade do fundo. 
A integridade consiste em mero desdobramento do princípio da proveniência. 
Letra c) 
2. CESGRANRIO - BNDES – 2013 A grande especificidade dos documentos 
de arquivo, que os diferencia dos documentos das bibliotecas e dos museus, é a 
organicidade. Por isso, arquivisticamente, só se entende o documento unitário 
(unidade mínima) dentro de um conjunto deoutros documentos tipologicamente 
iguais e que somente em conjunto podem documentar uma 
a) classificação 
b) função 
c) fonte 
d) norma 
e) origem 
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Comentário: O enunciado nos relembra da importância de se considerar um 
documento de arquivo como um parte de um todo, o qual só tem sentido quando 
analisado em meio ao contexto em que se encontra. 
Mas afinal de contas, o que um documento de arquivo “documenta”? 
Vamos relembrar da definição: 
“Arquivo é o conjunto de documentos criados ou recebidos por uma 
instituição, no decorrer de suas atividades, preservados para garantir a 
consecução de seus objetivos;”. 
Os documentos estão relacionados à atividade da entidade. Se os 
analisarmos, seremos capazes de concluir uma coisa, com toda certeza: o que 
exatamente aquela entidade fazia, ou, mais especificamente, para que a entidade 
servia. 
Isto nada mais é do que descobrir a função do órgão. 
Letra b) 
3. CESGRANRIO - BNDES – 2013 Um Sistema Informatizado de Gestão 
Arquivística de Documentos tem de impedir que um documento sigiloso seja 
eliminado, sendo que os documentos sigilosos para serem submetidos ao processo 
de avaliação e receberem a devida destinação têm de se tornar 
a) ostensivos 
b) auditáveis 
c) capturados 
d) sensíveis 
e) permanentes 
Comentário: A princípio, esta questão era sobre SIGAD (um dos temas 
cobrados no estudo dos documentos digitais). Mas esta questão também trata sobre 
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uma das classificações de documentos mais comuns: quanto ao sigilo da 
informação. 
Agora pense um pouco: para avaliar um documento eu preciso, antes de 
qualquer coisa, tomar contato com a informação nele constante. Como é que 
podemos fazer isto quando a informação do documento é sigilosa? 
E é aí que chegamos na epifania: a primeira coisa que deve acontecer com 
um documento sigiloso para que ele possa ser avaliado é que ele passe a ser 
ostensivo. 
Letra a) 
4. CESGRANRIO Centro Federal de Educação Tecnológica Celso 
Suckow da Fonseca - 2014 O conjunto de documentos produzidos ou recebidos 
por famílias, pessoas físicas ou instituições não governamentais em decorrência de 
suas atividades específicas e que tenham uma relação orgânica que seja possível 
perceber por meio de seu processo de acumulação é considerado arquivo 
a) privado 
b) eclesiástico 
c) federal 
d) estadual 
e) municipal 
Comentário: O enunciado definiu, de forma genérica, o que é um arquivo. 
Porém, para sabermos exatamente que tipo de arquivo é este, devemos 
prestar atenção no começo da questão: 
“O conjunto de documentos produzidos ou recebidos por famílias, pessoas 
físicas ou instituições não governamentais [...]” 
Ao mencionar “instituições não governamentais”, a questão nos força a 
excluir as letras c), d) e e). 
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Por fim, o adjetivo “eclesiástico” refere-se a tudo aquilo que pertence à Igreja. 
Como a questão falou apenas de instituições privadas e pessoas físicas, sem 
referir-se a um grupo específico, também podemos descartar a letra “b”. 
Letra a) 
5. CESGRANRIO Centro Federal de Educação Tecnológica Celso 
Suckow da Fonseca – 2014 Ao desenvolver arranjo de documentos permanentes 
de uma empresa, um arquivista analisa o material a ser arranjado em termos de: 1- 
conteúdo, 2- proveniência, 3- tipo de material, 4- origens funcionais; 5- história da 
entidade. 
Destes, somente dois podem ser detectados por meio do exame da 
documentação, que são os de números 
a) 1 e 2 
b) 2 e 3 
c) 2 e 4 
d) 1 e 3 
e) 4 e 5 
Comentário: Seja criativo meu caro! 
Você possui o documento em mãos agora. Quais são as únicas coisas das 
quais você pode ter certeza só de poder olhar para ele? 
Primeiro: o material. Só de manuseá-lo ou observá-lo, você consegue dizer 
se o documento é feito de papel, microfilme, se está contido em uma mídia digital, 
etc. 
Isto nos dá o item 3 de bandeja. 
Que mais? Bom, o documento está em sua mão, certo? Ora, meu caro, você 
pode, então, lê-lo, e familiarizar-se com seu conteúdo. Saber o que está escrito nele 
não vai exigir mais do que alguns minutos do seu tempo. 
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Noções de Arquivologia para a ANP 
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As demais informações dependerão bastante do conteúdo do documento. Se 
a faltar informações, você não terá como deduzi-las. 
Letra d) 
Questões Propostas – Só CESGRANRIO 
1. CESGRANRIO - BNDES – 2013 Na análise tipológica dos documentos de 
arquivos, não é suficiente, para o arquivista, conhecer a estrutura da espécie 
documental. É necessário relembrar os princípios fundamentais que regem a 
organização dos arquivos. 
Esses princípios que constituem o marco principal da arquivística são: 
a) primário, secundário, terciário e quaternário 
b) criação, identificação, produção e destinação 
c) unicidade, organicidade, integridade e proveniência 
d) corrente, técnico, permanente e administrativo 
e) ético, sistemático, orgânico e constitucional 
2. CESGRANRIO - BNDES – 2013 A grande especificidade dos documentos 
de arquivo, que os diferencia dos documentos das bibliotecas e dos museus, é a 
organicidade. Por isso, arquivisticamente, só se entende o documento unitário 
(unidade mínima) dentro de um conjunto de outros documentos tipologicamente 
iguais e que somente em conjunto podem documentar uma 
a) classificação 
b) função 
c) fonte 
d) norma 
e) origem 
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Noções de Arquivologia para a ANP 
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3. CESGRANRIO - BNDES – 2013 Um Sistema Informatizado de Gestão 
Arquivística de Documentos tem de impedir que um documento sigiloso seja 
eliminado, sendo que os documentos sigilosos para serem submetidos ao processo 
de avaliação e receberem a devida destinação têm de se tornar 
a) ostensivos 
b) auditáveis 
c) capturados 
d) sensíveis 
e) permanentes 
4. CESGRANRIO Centro Federal de Educação Tecnológica Celso 
Suckow da Fonseca - 2014 O conjunto de documentos produzidos ou recebidos 
por famílias, pessoas físicas ou instituições não governamentais em decorrência de 
suas atividades específicas e que tenham uma relação orgânica que seja possível 
perceber por meio de seu processo de acumulação é considerado arquivo 
a) privado 
b) eclesiástico 
c) federal 
d) estadual 
e) municipal 
5. CESGRANRIO Centro Federal de Educação Tecnológica Celso 
Suckow da Fonseca – 2014 Ao desenvolver arranjo de documentos permanentes 
de uma empresa, um arquivista analisa o material a ser arranjado em termos de: 1- 
conteúdo, 2- proveniência, 3- tipo de material, 4- origens funcionais; 5- história da 
entidade. 
Destes, somente dois podem ser detectados por meio do exame da 
documentação, que são os de números 
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a) 1 e 2 
b) 2 e 3 
c) 2 e 4 
d) 1 e3 
e) 4 e 5 
 
 
Gabarito: 
1 C 
2 B 
3 A 
4 A 
5 D 
 
Questões Comentadas 
1 CESPE– MPU – 2013 A significação orgânica entre os documentos é 
característica fundamental dos arquivos, de modo que um documento destacado de 
seu conjunto pode perder valor. 
Comentários: Já vimos isso em aula. Relembrando: 
Está relacionado ao termo “orgânico”. Todos os seres vivos (e, portanto, 
seres orgânicos) possuem diversos órgãos, cada qual com uma função específica, 
que, apenas em conjunto, cumprem sua função (no caso, manter você vivo e 
estudando para virar funcionário público). 
Conforme nosso querido, e sempre tido em maior conta, Dicionário de 
Terminologia Arquivística: 
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“Relação natural entre documentos de um arquivo em decorrência das 
atividades da entidade produtora”. 
Os documentos mantêm relações entre si, como partes de um 
organismo. Ou, melhor ainda, os documentos são produzidos e recebidos, 
naturalmente, como resultado das atividades desenvolvidas em uma 
organização, seja ela pública ou privada. 
Arranque um pulmão de um ser humano, e o pulmão se tornará inútil, e o 
resto do corpo capenga. O mesmo vale para os documentos. 
Item Certo. 
2 CESPE– PF - 2014Os documentos de arquivo são colecionados com 
finalidades culturais e sociais. 
Comentário: Clássico. Cai em toda prova de Arquivologia, desde quando me 
consigo lembrar. 
Guarde: Os documentos de arquivo não são colecionados, são 
acumulados naturalmente por uma razão funcional. 
Esta frase simplifica boa parte do que ensinei na aula de hoje. 
Item Errado 
3 CESPE– PF - 2014A função de prova do documento de arquivo evidencia-
se não só pelo fato de o documento poder ser levado a juízo para comprovar 
determinada informação, mas, também, pela capacidade desse material de 
testemunhar as atividades que lhe deram origem. 
Comentário: Mais uma daquelas questões de prova que servem como 
estudo. Quando falamos em “valor de prova” do documento, não nos referimos 
apenas ao aspecto jurídico desta característica. Algo tem função de prova quando é 
capaz de dar testemunho de que os fatos ocorrerão de determinada maneira. 
Item Certo 
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4 CESPE – MTE – 2014Os documentos de arquivo são produzidos, 
originariamente, nos arquivos correntes, em múltiplos exemplares. 
Comentário: Muito pelo contrário. Na medida em que os documentos de 
arquivo são criados para que se alcancem os objetivos do órgão no qual estão 
inseridos, a tendência é que apenas um único documento seja criado, ou ao menos, 
um número limitado de cópias. 
Imagine um pedido de restituição qualquer. Você acredita que é mais 
provável que a Receita Federal vá abrir um único processo para cuidar daquele 
assunto, ou 15, 100 ou 5000? É provável que somente um documento vá ser gerado 
a partir dessa solicitação. 
Note que esta situação é diferente da normalmente verificada em uma 
biblioteca: a biblioteca não se importa, e às vezes até deseja possuir vários 
exemplares de uma mesma obra. 
Item Errado 
5 CESPE – MTE – 2014O arquivo de um órgão, como o do MTE, é o 
agrupamento de todos os documentos que tenham sido produzidos e (ou) recebidos 
por essa pessoa jurídica, independentemente do suporte físico, gênero documental 
e da natureza desses documentos, no desenvolvimento da missão institucional 
desse órgão. 
Comentário: A assertiva relembra o conceito inicial da nossa disciplina: o 
que é um arquivo. 
E o que é um arquivo? 
“Arquivo é o conjunto de documentos oficialmente produzidos e 
recebidos por um governo, organização ou firma, no decorrer de suas 
atividades, arquivados e conservados por si e seus sucessores para efeitos 
futuros”. 
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E não há qualquer limitação quanto ao suporte, gênero ou natureza dos 
documentos, demanda-se apenas uma coisa: que ele tenha sido criado no 
desenvolvimento da missão institucional da entidade. 
Item Certo 
6 CESPE – MTE – 2014Para a separação dos documentos, como os do 
MTE, daqueles acumulados por outros órgãos, é indicada a teoria das três idades 
documentais. 
Comentário: Teoria das três idades é uma coisa completamente diferente do 
que o enunciado sugere (você verá mais detalhes na próxima aula). 
A separação pretendida pela assertiva ocorrerá com a aplicação do princípio 
da proveniência: 
Proveniência 
Também denominado princípio do respeito aos fundos, este princípio tem 
a seguinte premissa: “Os arquivos originários de uma instituição ou pessoa 
devem manter sua individualidade, sem jamais se misturarem aos de origem 
diversa.”. 
A definição do Dicionário de Terminologia Arquivística não se afasta muito 
disto: 
“Princípio básico da arquivologia segundo o qual o arquivo produzido 
por uma entidade coletiva, pessoa ou família não deve ser misturado aos de 
outras entidades produtoras.” 
Item Errado 
7 CESPE – TCDF – 2014 O tipo documental está relacionado à fusão da 
espécie documental com a função do documento. 
Comentário: O CESPE vem adotando esse entendimento sobre a definição 
do tipo documental há pelo menos dois anos. Ele se afasta um pouco da definição 
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do Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística e passa a ver o tipo 
documental sob um enfoque mais prático. 
Pois bem, vamos relembrar do exemplo da aula: 
Quando eu contemplo uma certidão de tempo de serviço, eu sei que se trata 
de uma certidão e não de um contrato, pois as certidões, como todo documento, 
apresentam um conjunto próprio de características que as permitem 
distinguirem de outras espécies de documentos. A certidão normalmente atesta 
uma situação fática passada ou presente, ao passo que o contrato enuncia um 
conjunto de direitos e obrigações entre as partes que irão assiná-lo. 
Assim sendo, contrato é contrato e certidão é certidão. E cada qual é uma 
espécie documental. 
A partir do momento que unimos o conceito de espécie documental à 
natureza do assunto abordado, teremos o tipo documental. Quando uma 
certidão atesta não qualquer informação, mas a informação da minha contagem de 
tempo no serviço público que determinada repartição possui em seus 
assentamentos, esta classificação se torna um tipo documental. 
É justamente o que propõe o enunciado: a fusão de uma espécie documental 
(estrutura adotada para construção de determinado documento dentro de um dado 
gênero documental) com uma função a ser por ele exercida (a partícula “de” é um 
excelente indício de que estamos diante de um tipo documental, justamente por 
indicar, nesse contexto, a função do documento) dá origem aos tipos 
documentais. 
Guarde: 
espécie + partícula “de” + função a ser desempenhada pelo documento 
= tipo documental 
Item Certo 
8 CESPE – TCDF – 2014 Atesta-se a autenticidade do documento de arquivo 
pela vinculação de um conteúdo informacional com o suporte desse conteúdo. 
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Comentário: Questão excelente para pegar um aluno desprevenido. 
Pergunto: como você se certifica da autenticidade de uma nota de R$ 100,00? 
Você me dirá: bom, eu olho se tem marca d’água, fitilho, tinta em alto relevo, 
enfim, eu vejo se o suporte confere com a informação que está inserida naquele 
documento (de que ele foi emitido pela Casa da Moeda e de que, de fato, vale R$ 
100,00). 
Mas não é exatamente isto que você faz. 
Vamos rever o conceito de autenticidade: 
Autenticidade – Os documentos são produzidos, recebidos, armazenados 
e conservados de acordo com procedimentos regulares que podem ser 
comprovados. Um documento autêntico é aquele que possui o mesmo 
conteúdo do documento original. 
Perceba que não se deve associar autenticidade à veracidade como 
fazemos usualmente. Um documento autêntico não garante a veracidade de um 
fato, apenas atesta que o conteúdo do documento está de acordo com o original. 
Você não verifica o suporte do documento tão somente. Você, na verdade, 
procura indicativos de que aquele documento foi expedido pela Casa da Moeda, 
através de sinais que somente aquela instituição é capaz de produzir (ou ao menos 
deveria ser assim). 
Você quer se certificar da autenticidade do documento verificando toda a 
cadeia de custódia que trouxe o documento até você. Quer ter certeza de que, do 
momento em que o documento saiu da Casa da Moeda, passando por uma 
infinidade de mãos, que ele chegou às suas mãos sem qualquer mudança no seu 
conteúdo original (se alguém alterar uma nota de R$ 5,00 para que passe a ser uma 
nota de R$ 100,00, também é crime, e a autenticidade também foi violada). 
Autenticidade se verifica pela origem e transferência do documento, não pelo 
suporte! 
Item Errado 
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9 CESPE – TCDF – 2014 Aplica-se o princípio da pertinência para a definição 
dos prazos de guarda dos documentos do arquivo permanente. 
Comentário: Relembremos do Princípio: 
O princípio da pertinência leva em consideração o assunto (o tema), 
independentemente da proveniência ou classificação original. É um princípio 
utilizado em determinadas classificações de um documento, quando o tema tem 
uma relevância. 
Veja o que diz o Dicionário: 
"Princípio segundo o qual os documentos deveriam ser reclassificados por 
assunto sem ter em conta a proveniência e a classificação original. Também 
chamado princípio temático". 
Macete: Lembre-se de que, quando você vai fazer uma redação, ela precisa 
ser pertinente (apropriada) ao tema requerido . 
Alguns pontos da doutrina veem este princípio como conflitante com o 
princípio da proveniência. E de fato, ele é. Como o critério de acumulação aqui é 
o “assunto”, e não “documentos produzidos ou recebidos pela instituição”, 
dificilmente se conseguirá atentar a ambos. 
Por esta mesma razão o CESPE também começa a se posicionar pela não 
aplicação do princípio em suas assertivas. Vale a pena guardar! 
Item Errado 
10 CESPE – TCDF – 2014 O princípio da proveniência permite identificar o 
fundo a que pertence determinado documento de arquivo. 
Comentário: Se tudo foi feito corretamente e o princípio da proveniência foi 
respeitado, os documentos de diferentes fundos de arquivo não se misturaram, e 
assim, seremos capazes de, tão somente identificando o documento, dizer de 
pronto para qual fundo ele deve ser encaminhado. 
Item Certo 
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11 CESPE – MPU – 2013 Um fundo fechado pode receber documentos, 
ainda que as atividades da sua instituição de origem tenham se encerrado. 
Comentário: Vamos bem devagar aqui. Comecemos pela definição do 
dicionário brasileiro de terminologia arquivística: 
Fundo Fechado: Fundo que, não recebe acréscimos de documentos, 
documentos em função de a entidade produtora não se encontrar mais em 
atividade. 
Ora, essa assertiva tem tudo para estar errada! 
Quase! . 
Só existe uma hipótese não prevista nesta definição: o documento foi 
produzido durante a existência da entidade, mas a entidade, em momento posterior 
se extinguiu. 
Este documento precisa compor o fundo, em respeito ao princípio da 
proveniência (que é o princípio basilar da nossa disciplina), ainda que em 
desrespeito a uma regra menos importante (fundos fechados não recebem mais 
documentos). 
Pois, do contrário, eu uniria aquele documento a que fundo? Qualquer 
resposta desrespeitaria o princípio da proveniência. No bacharelado de Direito, nos 
ensinam que isso é uma "antinomia aparente": duas normas que conflitam entre si, 
sendo função do intérprete descobrir qual a vontade do legislador neste caso. 
E bom, o princípio da proveniência é “O” princípio mais importante da nossa 
disciplina. Nada passará por ele! 
Item Certo 
12 CESPE – ANATEL – 2014 Os mapas e plantas encontrados nos arquivos 
da ANATEL pertencem ao gênero documental iconográfico, sendo classificados e 
avaliados de forma diferenciada e específica, conforme esse gênero documental. 
Comentário: 
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Relembremos de nossa tabela: 
 
 
 
 
 
d 
 
Mapas e plantas pertencem ao gênero cartográfico. 
Item Errado. 
13. CESPE – FUB – 2015 A aplicação do princípio da ordem original garante 
a manutenção da organicidade dos documentos de arquivo. 
Comentário: Vamos relembrar dos princípios: 
Da ordem original (ou da ordem primitiva) 
Está relacionado ao arranjo original dos arquivos, é o “princípio segundo o 
qual o arquivo deveria conservar o arranjo pela entidade coletiva, pessoa ou 
família que o produziu.” 
Organicidade 
“Relação natural entre documentos de um arquivo em decorrência das 
atividades da entidade produtora”. 
Nós vimos em aula que a aplicação do primeiro (conservação do arranjo dos 
documentos tal como concebido pela entidade produtora) garante a manutenção do 
segundo (ao conservar o arranjo dos documentos tal como pretendido pela 
entidade, somos capazes de visualizar os documentos tal como a entidade os 
Gênero Documental Definição 
Iconográficos 
Esta palavra tem o mesmo radical grego da palavra 
"ícone" e ambos remetem à ideia de "imagem". 
Desta forma, estão compreendidos aqui os 
documentos cuja informação se manifeste através de 
uma imagem estática. Slides e Fotografias são 
excelentes exemplos. 
Cartográficos 
Aqui é melhor começar pelo exemplo: mapas e 
plantas arquitetônicas são documentos cartográficos. 
Através do uso de escala, representam grandes áreas 
através de imagens reduzidas. 
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enxergava, passando a entender a relação que cada documento possui com os 
demais). 
Item Certo 
14. CESPE – FUB – 2015 O acervo documental engloba a totalidade dos 
documentos conservados pela instituição arquivística. 
Comentário: E aí? “Totalidade” é muita coisa para você? 
Vamos dar uma olhadinha no princípio da proveniência: 
Proveniência 
“Os arquivos originários de uma instituição ou pessoa devem manter sua 
individualidade, sem jamais se misturarem aos de origem diversa.”. 
“Princípio básico da arquivologia segundo o qual o arquivo produzido 
por uma entidade coletiva, pessoa ou família não deve

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