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Sinais e Sintomas do Sistema Cardiocirculatório Introdução A avaliação inicial das crianças suspeita de cardiopatia deve conter: ● Cuidadosa história clínica; ● Detalhado exame físico. Tem o objetivo de: ● Orientar o diagnóstico cardiológico; ● Evitar investigação desnecessária. Indicação de qualidade: ● 100% das crianças com cardiopatias congênitas graves são operáveis → devem ser transferidos a centro especializado em até 48h após estabilização Epidemiologia ● Incidência – 8 a 10 / 1000 nascidos vivos; ● Cardiopatias congênitas ○ Malformação isolada mais comum ● Mortalidade – 3 a 5% dos neonatos; ● Importante: Reconhecer e tratar precocemente; ● Consequência: Melhor evolução e sobrevida; ● Cardiopatias congênitas x adquiridas: ○ Países desenvolvidos: maior prevalência das congênitas; ■ Adquirida: Doença de Kawasaki; ○ Países em desenvolvimento: ■ Adquirida: Febre reumática. Doenças reumáticas afetam diretamente o coração. Estudo Epidemiológico de Cardiopatias Congênitas na Infância e Adolescência. Análise em 4.538 Casos - Miyague e cols Cardiopatias congênitas na infância e adolescência Arq Bras Cardiol 2003; 80: 269-73. Do total avaliado: ● Cardiopatia congênita 2.017 (44,4%); ● Crianças com cardiopatia adquirida 201 (4,4%); ● Com arritmias 52 (1,2%); ● Normais 2.268 (50%). A cardiopatia congênita. Cardiopatias congênitas: ● Predominou nas faixas de lactente e neonato; ● 71,5% dos casos. O diagnóstico de cardiopatia pode ocorrer precocemente ou ocorrer em uma fase tardia Anamnese - fatores de risco para cardiopatia congênita. Idade materna maior que 34 anos → probabilidade de síndromes genéticas. Sinais e Sintomas do Sistema Cardiocirculatório História obstétrica com abortamentos e fetos natimortos. História pré-natal de infecção → TORCHS (toxoplasmose, outras infecções como hiv, rubéola, citomegalovírus, herpes e sífilis), Zika vírus. Patologias maternas na gestação → Diabetes, LES (Lúpus Eritematoso Sistêmico) e outras colagenoses. Exposição a fatores teratogênicos → álcool, irradiação, substâncias químicas. História familiar de cardiopatia congênita → Incidência 3 a 4 vezes maior se parente de 1° grau tem cardiopatia congênita. Anamnese Febre, exantema, conjuntivite, adenomegalia, lesões de mucosa oral, plaquetose → Doença de Kawasaki. Febre, artrite migratória e sopro → Cardite reumática. Febre com sinais de ICC → Miocardite. Febre, alteração de bulhas e sopro → Endocardites - febre, prostração... História positiva para colagenoses → LES ○ Doenças autoimunes - tem que analisar todo processo. Motivos de encaminhamento ao cardiologista ● Alteração na ausculta cardíaca ○ Sopros, estalidos, bulhas ○ Atrito pericárdico ou arritmias ● Síndromes genéticas ● Asma de difícil controle ● Cardiomegalia ao RX ○ Técnica inadequada, timo ● Presença de cianose ○ Saturação sistêmicada impulsão cardíaca apical ou ictus ● Deduzir o tamanho do coração ○ Normal ou aumentado ○ No RN: Coração horizontalizado o ictus no 3°/4° EIE, para fora da LHCE ○ Maiores: Entre o 4°/5° EIE para dentro da LHCE ● Detecção de frêmitos sistólico ou diastólico → sopro cardíaco IV/6+ Ausculta Requer um bom estetoscópio, ambiente silencioso, criança cooperativa + examinador confortável e sem pressa Manobras: ● Posição ○ Supina para ortostática, Sinais e Sintomas do Sistema Cardiocirculatório decúbito lateral esquerdo ● Variação dos sons com movimentos respiratórios ○ Ins e expiratórios, manobra de Valsalva Técnica: ● Aplicação suave da campânula sobre o precórdio ● Iniciar a ausculta com o diafragma do estetoscópio ● Depois com a campânula ● Aplicados no 2° EID (área aórtica) → no segundo EID, junto à borda esternal. ● Mover lentamente para as demais áreas da ausculta ○ Borda esternal esquerda superior (área pulmonar) → no 2° EIE, junto à borda esternal. ○ Média (área aórtica acessória) → 3° EIE. ○ Inferior (área tricúspide) → no segmento inferior do esterno, EIE, junto à base do apêndice xifóide. ○ Região apical (área mitral) → na ponta, entre o 5° e 6° EIE na linha hemiclavicular. ● Variação dos sons com movimentos respiratórios ○ Ins e expiratórios, manobra de Valsalva Entendendo a ausculta cardíaca: ● Sístole - B1 – fechamento das válvulas AV ○ Fase de contração isovolumétrica ○ Fase de ejeção ventricular rápida ○ Fase de ejeção ventricular lenta ● Diástole – B2 ○ Fase de relaxamento ventricular isovolumétrico ○ Fase de enchimento ventricular rápido ○ Fase de enchimento ventricular lento ○ Fase de contração atrial ● B3 – Vibração da parede ventricular (enchimento ventricular rápido, presente em situações de grande distensão ventricular, em consequência de sobrecarga circulatória) ○ Pode ser auscultada em crianças e adolescentes ○ Pode ser auscultada em pacientes com sobrecarga de volume ■ CIV, PCA, Insuficiência Mitral ○ Galope protodiastólico (não fisiológico) - presente na ICC ● B4 – Raramente escutada em crianças – Representa forte contração atrial Caracterização da B2: ● Intensidade ○ Fechamento da valva Sinais e Sintomas do Sistema Cardiocirculatório aórtica – 1° componente ○ Fechamento da valva pulmonar – 2° componente ○ Em relação ao componente pulmonar: Normo, Hipo ou Hiper ○ B2 única: Atresia pulmonar, estenose grave da pulmonar, T4F ○ B2 hiperfonética: Hipertensão pulmonar ○ B2 hipofonética: Estenose pulmonar ● Desdobramento ○ Fisiológico: ■ Varia com respiração: ↑ do retorno venoso para o coração D ■ Atraso no fechamento da valva pulmonar ○ Fixo: Bloqueio de ramo D, CIA e estenose valvar ■ Fase de contração atrial Sopros cardíacos: ● Fluxo de alta velocidade ao transpor: ○ Orifícios valvares normais ou estenóticos ■ Estenose → estreitamento da abertura da valva ○ Valvas insuficientes ■ Insuficiência → falha na coaptação dos folhetos ○ Defeitos septais ● Classificação dos sopros ○ Sistólicos e diastólicos de alta frequência ■ Escalas de 1 a 6 de acordo com a intensidade ■ Usa esteto e tem dificuldade - 1 cruz ■ Fraco, porém facilmente ouvido - 2 ■ Alto sem frêmito - 3 ■ Alto com frêmito - 4 ■ Alto com contato mínimo entre estetoscópio e tórax - 5 ■ Alto sem contato entre estetoscópio e tórax - 6 ○ Diastólicos de baixa frequência ■ Escalas de 1 a 4 de acordo com a intensidade ● Sistólicos (começam na B1 e terminam antes da B2) ○ Precoces ou de regurgitação (insuficiência) ■ Início com B1 ■ Não mudam de intensidade – em Sinais e Sintomas do Sistema Cardiocirculatório platô ■ Holossistólico, proto ou protomesossistóli- cos ■ Insuficiência mitral e insuficiência tricúspide ○ De ejeção (estenose) ■ Início após período de contração isovolumétrica ■ Após abertura das valvas semilunares - Não cobrem a B1 ■ Caráter em crescendo ■ Estenose aórtica e pulmonar ● Diastólicos (começam na B2 e terminam antes do reinício do ciclo) ○ Estenose mitral ○ Estenose tricúspide ○ Insuficiência aórtica ○ Insuficiência pulmonar ● Sistodiastólicos ○ Identifica o componente sistólico e o diastólico do sopro ○ Identifica a 2a bulha ● Contínuos (se mantêm sem interrupção) ○ Cobre sístole e diástole abafando as bulhas ○ Quando o fluxo sanguíneo flui da sístole à diástole sem interrupção fásica. ○ Sopro encontrado no canal arterial do RN