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Prévia do material em texto

Responsável pelo Conteúdo: 
Prof. Ms. Rodrigo Medina Zagni 
 
Revisão Textual: 
Profa. Dra. Patrícia Silvestre Leite Di Iório 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nessa unidade, vamos tratar do tema “Questões de 
Antropologia Clássica”. Do desenvolvimento de uma área de 
estudos debruçada sobre as dimensões física e cultural da 
existência humana; seus primeiros preceitos teóricos 
matizados sob as perspectivas evolucionistas de Charles 
Darwin, até o rompimento com essas explicações de cunho 
rácico e etapista por meio do relativismo, da pesquisa 
participante e do estruturalismo, estudaremos as mais 
significativas transformações nos paradigmas desta nascente 
área de conhecimento científico. 
Atenção 
Para um bom aproveitamento do curso, leia o material teórico atentamente antes de realizar 
as atividades. É importante também respeitar os prazos estabelecidos no cronograma. 
 
 
 
 
 
 
 
Caro aluno, 
 
É comum, ainda hoje, nos mais variados âmbitos de nossa vida social, nos depararmos 
com situações em que um indivíduo se julgue portador de uma cultura superior a de outro. 
Pode ser o caso de europeus em relação a latino-americanos, de brasileiros em relação a 
outros povos da América Latina, de paulistas, cariocas ou sulistas, em relação a migrantes de 
outros estados. 
É comum ainda ouvir de quem domine um repertório cultural erudito, por exemplo, 
musical que apenas a música erudita (popularmente chamada de “música clássica”) é “música 
de verdade”, os demais estilos “não são música”, por entendê-los como inferiores. 
O mesmo pode se verificar nas artes: “cinema norte-americano é que é bom!”; 
enquanto nem se procura conhecer o cinema latino-americano, iraniano ou indiano, por 
exemplo. 
Até mesmo a História está suscetível a esta lógica, quando ouvimos, por exemplo, que 
“o passado dos povos europeus é que é glorioso! Já o nosso, está repleto de índios 
atrasados!” 
Todas essas situações, perceptíveis no nosso cotidiano, provêm do mesmo fenômeno: 
o da convicção de superioridade de uma cultura, ou de um sistema cultural, sobre outra 
cultura, ou sobre outros sistemas. Ocorre que já sabemos que não existe indivíduo sem 
cultura, tampouco culturas superiores ou inferiores, segundo nos ensina a Antropologia, área 
de conhecimento cujo objeto primordial de estudo é o Homem e suas obras, mais 
especificamente, sua subárea, a Antropologia Cultural. 
Sendo assim, sistemas culturais são distintos uns dos outros; porém não devemos 
hierarquizá-los. 
Como a Antropologia lidou com a questão da cultura? Como compreendeu, em termos 
teóricos, as diferenças culturais? Como propôs métodos de estudo sobre processos culturais? 
Que lições podemos tirar da Antropologia para compreender e lidar com as diferenças 
culturais? 
 
Contextualização 
 
 
É exatamente o que pretendemos investigar nesta unidade, por meio dos temas 
centrais da Antropologia Clássica e das teorias do relativismo, da pesquisa participante e do 
estruturalismo. 
Estamos tratando ainda dos primórdios da Antropologia e das Ciências Sociais; mas já 
enveredando por seus temas centrais, o que nos permitirá melhor compreender as dinâmicas 
culturais a que pertencemos e partilhamos, bem como aquelas que nos cercam. 
Em busca das respostas às perguntas aqui elaboradas, embrenhe-se pelo conteúdo 
teórico, apresentação narrada e demais materiais dessa unidade, a fim de entendermos mais 
sobre a dimensão cultural da condição humana. 
 
 
 
 
 
Retomando conceitos 
 
Como vimos na primeira unidade, a Antropologia possui um objeto extremamente 
complexo e denso, e que pode ser estudado desde os mais distintos pontos de vista: o 
Homem e suas obras; sendo assim, como ciência, pode-se dizer que seus limites sejam pouco 
definidos. 
Ocorre que dizer que a Antropologia é a "ciência do homem" não basta. Se assim fosse, 
confundiríamos facilmente a Antropologia com a Medicina, a Psicologia, a Biologia, a 
Sociologia, a Economia, e tantas outras áreas de conhecimento que focam o Homem a partir 
de um determinado âmbito de sua existência, individual ou coletiva. Portanto, dizer que se 
trata da ciência cujo objeto é o Homem não ajuda a definir este campo de estudos. 
Se recorrermos ao histórico de conformação dessa área, verificaremos que com a 
especialização progressiva das ciências humanas, datada do séc. XIX, a Antropologia se 
apropriava de questões que acabavam não sendo consideradas por essas disciplinas. 
Dentre esses aspectos relegados pelas demais áreas de conhecimento, destacam-se 
aqueles que levariam à cisão entre uma Antropologia Física e uma Antropologia Cultural 
(ambas definidas na unidade anterior); respectivamente: 
 
 o estudo das raças humanas e suas características biológicas; 
 o estudo do homem do ponto de vista social e cultural. 
 
 Sobre esta segunda dimensão da 
Antropologia, na qual se insere a dimensão 
social do existir humano, ou seja, sua 
organização em grupos e as dinâmicas de 
convívio social que desenvolvem, poder-se-ia 
dizer que, aqui, este objeto de interesse se 
confunde gravemente com o da Sociologia, 
ciência cujo objeto são as interações 
interindivíduos conformando grupos sociais e 
Material Teórico 
Shangana warriors gathered around chief 
IMAGEM: © Martin Harvey/Corbis 
LOCAL Shangana Cultural Village, South Africa 
COLEÇÃO Corbis Yellow 
 
 
 
como esses grupos interagem entre si. Ocorre que a Sociologia se ocupa do estudo de 
sociedades que possamos dizer modernas, isso porque nelas se verificam um alto grau de 
alfabetização, são densas demograficamente (podendo nelas se verificar o fenômeno do 
anonimato) e geograficamente extensas. Já a Antropologia estuda sociedades mais simples, 
ágrafas e conformadas por poucos membros, estabelecendo laços sociais muito mais estreitos. 
Contudo, essa regra se aplica exatamente àquilo que podemos caracterizar como Antropologia 
Clássica, ou seja, sua configuração conforme seu período formativo; isso porque, hoje, 
subáreas como a Antropologia Urbana, a Antropologia do Cotidiano e a Etnografia Urbana se 
ocupam exatamente de tipos de sociedade complexas, agravando a distinção (por conta de 
sua abordagem e métodos) com relação aos enfoques dados pela Sociologia. 
 
 
Os primórdios da Antropologia Clássica 
 
 Como vimos, durante o séc. XIX houve 
um relevante desenvolvimento científico, 
produto da elaboração dos métodos de 
investigação, dos séculos XVI ao XVIII. 
 Decorreu daí o desenvolvimento, nas 
ciências da natureza (como a química, 
primordialmente), de métodos para datação de 
materiais orgânicos, dentre eles, restos 
esqueletais, o que possibilitava determinar a 
antiguidade do próprio ser humano. O 
desenvolvimento desses métodos e técnicas 
para datação resultou em um enorme esforço 
para determinar a antiguidade dos inúmeros 
restos humanos que se encontravam guardados 
em museus, universidades e centros de 
pesquisa, produto de descobertas 
arqueológicas por vezes muito anteriores a esse 
século XIX. Este esforço resultou no 
Sepultamento maia 
IMAGEM: © c 
LOCAL Museo Nacional de antropologia, Ciudad de 
México 
COLEÇÃO Acervo particular de Rodrigo Medina 
Zagni 
 
 
 
desenvolvimento de uma nova ciência, dedicada exatamente a esses estudos e que passava a 
assumir como objetivo a determinação não só da antiguidade do Homem; mas dos processos 
de evolução biológica e social de nossos antepassados:a Antropologia. 
 A primeira cisão entre estudos de ordem física e de ordem cultural, dentro da 
Antropologia, se deu exatamente neste momento. Isso porque antropólogos já se definiam 
como aqueles que estudavam sociedades distintas das europeias, como grupamentos 
humanos autóctones ou sociedades primitivas, por exemplo; e um novo grupo de cientistas 
surgia, autodenominando-se também como antropólogos, mas voltados à investigação sobre 
aspectos rácicos, biológicos e evolutivos do Homem. 
 É importante salientar que se não houve acordo quanto ao emprego do termo 
antropólogo, tampouco houve em relação ao termo Antropologia. 
 Apesar de nossa conceituação ter bem clara, as distinções entre Antropologia Física e 
Antropologia Social e Cultural, filiados a uma interpretação vigente nos Estados Unidos e na 
Inglaterra; a escola francesa utiliza o termo Antropologia para se referir ao que conhecemos 
como Antropologia Física, enquanto não utiliza o termo Antropologia Social e Cultural, 
substituindo-o por etnologia; ao contrário do que fazem os autores anglo-saxões. 
 Essa notável imprecisão terminológica se explica pelo fato de a Antropologia ter 
progredido em círculos científicos e países muito distintos, resultando em um relativo grau de 
autonomia entre as correntes que desde distintos pontos de vista enveredaram por este 
complexo campo de estudos. 
 
 
Raça e cultura ao longo da História 
 
 Nas grandes religiões que atravessaram a História se verifica um princípio comum: o de 
que os homens são iguais; contudo, se explorarmos as dinâmicas sociais das mais distintas 
civilizações, encontramos a prática da discriminação racial, o que pressupõe convicções de 
superioridade e atribuição ao outro à condição de inferioridade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As civilizações clássicas – Grécia e Roma - 
praticaram o escravismo com base 
fundamentalmente neste princípio. Ainda que 
tenha se iniciado com a prática da escravidão por 
dívida, quando se tornou o eixo central da 
economia antiga o escravo já era, invariavelmente, 
aquele que de fora dos limites dos domínios dessas 
civilizações havia sido apresado; mais do que isso, 
por não pertencer à civilização greco-romana, não 
seria merecedor da categoria de humano. 
 No contexto da civilização romana, da qual 
herdamos uma série de caracteres, isso valia para 
todos que estavam de fora de suas fronteiras, 
caracterizados como bárbaros. Evidentemente, a 
barbárie se define pela contraposição ao conceito 
de civilização; sendo assim, o termo é claramente 
Engraving After The Slave Market by Gustave Boulanger 
IMAGEM: © Bettmann/CORBIS 
COLEÇÃO Bettmann 
 
Barbarians Invading Paris 
Título original: The Barques of the Northmen before Paris. 
IMAGEM: © Bettmann/CORBIS 
COLEÇÃO Bettmann 
 
 
 
pejorativo e expressa juízos de valor assentados na convicção de superioridade cultural, traço 
característico dos povos da antiguidade clássica. 
 Não estamos tratando, contudo, de condutas racistas; uma vez que a civilização 
romana se constituiu de um mosaico de povos distintos, aprofundando-se as dinâmicas de 
miscigenação já assistidas por séculos. Trata-se, em essência, de uma distinção cultural, que 
permitia, por exemplo, submeter e dominar o outro, entendido como bárbaro, em nome de 
uma cultura superior, signo de civilização. 
 Mesmo com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, a mesma lógica 
atravessou os quase mil anos de Idade Média na Europa, sob domínio da cristandade. Isso 
para dizer que as convicções religiosas medievais, sob o cristianismo, também assumiram um 
caráter opressor não só sobre outros credos religiosos (como o judaísmo e o islamismo, por 
exemplo); mas fundamentalmente compunha um repertório cultural que se auto referia como 
superior, frente a outras culturas que, não mais nominadas bárbaras, eram referidas como 
pagãs (não-cristãs), sendo assim, inferiores, o que legitimava sua submissão ou conversão pela 
força. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Condemned Books after a painting by Jehan Georges Vibert 
Título original: Illustration titled "Condemned Books" after the painting by Vibert. It depicts two clergymen 
tittering as they burn books condemned by the church in a luxurious fireplace. Undated illustration. 
IMAGEM: © Bettmann/CORBIS COLEÇÃO Bettmann 
 
 
Na era moderna, inaugurada com a queda do Império Romano do Oriente (quando 
Constantinopla cai sob domínio turco), em 1453, assistiu-se à mesma lógica, obviamente 
readequada para um novo contexto histórico. A partir do Renascimento, a expansão europeia 
para a Ásia e África, bem como a conquista e dominação do Novo Mundo, estava carregada 
desse sentimento de superioridade civilizacional, dessa vez associada ao Homem europeu, ou 
seja, ao Homem branco. É aí, nesse momento, que a questão da superioridade cultural, ou 
civilizacional, passa a ser associada à cor da pele. 
 Isso dado exatamente no contexto da expansão europeia por meio das navegações, se 
explica também pelo fato de o contato com povos até então desconhecidos possibilitou saber 
da existência de distintas etnias, hábitos culturais, religiões e constituições biotípicas. Não se 
trata apenas do contato com o outro: a Europa passava a dominar esses novos e antigos 
territórios; bem como seus habitantes passavam a ser submetidos ao Homem europeu. 
O contato, portanto, não despertou no europeu a vontade de incorporar o outro, aquele que 
aos seus olhos parecia estranho; senão tornou o estranhamento o princípio maior da violência 
da conquista, aliado às ambições econômicas e políticas inerentes aos processos 
colonizadores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
567 x 419 - 366k - jpg - www.jf-sjose.pt/upload/Image/Historia/Planta%...A imagem pode ter direitos autorais. 
Veja abaixo a imagem em: www.jf-sjose.pt/slpage.php?page=17 
 
 
 
Povos inteiros pereceram sob as convicções de superioridade europeia. Estima-se que 
70 milhões de índios na América tenham morrido, direta ou indiretamente, pelo contato com 
os colonizadores espanhóis e portugueses. Africanos foram apresados em seu próprio 
continente e trazidos como escravos para a América; relegando-se toda a sua constituição 
cultural. 
 A questão é que não se tratava de uma opção por não compreender a cultura de 
índios, negros e orientais, senão na convicção de que se trava de povos não portadores de 
cultura, ou portadores de culturas inferiores. 
 Ainda que o cristianismo, praticado nos principais países colonizadores do período, ter 
defendido em termos teológicos a igualdade entre os homens; o histórico de violências da 
Igreja em relação a povos não-cristãos, bem como as necessidades de manutenção dos 
alicerces de uma sociedade construída sobre bases escravistas, reafirmava a bestialização dos 
povos não-europeus, afirmando o princípio das raças. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os precursores da Antropologia moderna 
 
 Com o movimento chamado “Humanismo”, no contexto do Renascimento, esse 
caráter civilizador europeu passou a ser alvo de críticas na própria Europa. Autores como 
Thomas More, La Boètie, Montaigne e Erasmo de Rotterdam, entre outros, fizeram pesados 
Slaves Crammed into Slave Ship Hold 
The hold of this slave ship is shown as 3 foot 3 inches in height, forcing those inside to sit. 
IMAGEM:© Louie Psihoyos/CORBIS 
FOTÓGRAFO Louie Psihoyos 
COLEÇÃO Documentary 
 
 
 
ataques à moral europeia e suas convicções de superioridade em relação aos povos 
dominados pelo Homem branco. 
 
 Sua crítica expressanas duas 
gerações do humanismo do Renascimento, 
dos séculos XVI e XVII, serviu de 
fundamento para o desenvolvimento 
posterior do movimento iluminista, que 
caracterizou o chamado Século das Luzes: 
o séc. XVIII. 
 Pensadores europeus, 
primordialmente franceses, subverteram a 
interpretação valorativa dada aos 
"selvagens" como povos não-portadores de 
cultura, exaltando o exótico, que seguia 
incompreendido, uma vez que foi criado 
para eles o mito do "bom selvagem". 
 A questão é que, do séc. XVI ao 
XVIII, a crítica à cultura europeia se deu por 
meio de sua relativização com as culturas 
dominadas; ainda que as exaltando, 
marcou-se um relevante esforço primeiro 
para o reconhecimento de que se tratava 
de povos portadores de cultura; segundo 
para o fato de que não se tratava de 
culturas inferiores. 
 Ainda assim, tratava-se de uma visão “de fora” e que acabava, na prática, reafirmando 
a cultura europeia, uma vez que sua pretensão não era compreender o outro, senão reformar 
a civilização ocidental. 
 
 
 
 
Iimagem: www.tudorhistory.o
rg/people/more/gallery.html 
 
Imagem: amigodemontaigne.
blogspot.com/2008/01/o-
anive.. 
Portrait of Michel de 
Montaigne 
IMAGEM: 
© Stefano Bianchetti/CORBIS 
DATA DE CRIAÇÃO 
19th century 
FOTÓGRAFO Stefano 
Bianchetti 
COLEÇÃO Historical 
 
Imagem: clotildetavares.wordp
ress.com/2009/08/08/ 
 
 
 
O darwinismo 
 
 Vimos na unidade anterior que na segunda 
metade do século XIX, as teses de Charles Darwin 
sobre a evolução das espécies influenciaram 
enormemente as ciências biológicas. 
 Este século posterior às luzes, o século do 
cientificismo, foi marcado então pela visão 
evolucionista. Se pensarmos nas duas 
antropologias que estavam em prática nesse 
contexto (física e cultural), o evolucionismo 
lançava novas luzes a ambas. Isso porque restos 
arqueológicos fossem restos humanos ou artefatos 
desenvolvidos e utilizados por humanos, além de 
datados, poderiam ser classificados segundo seu 
percurso evolutivo. 
 Com relação à Antropologia Física, muitos dos restos esqueletais não correspondiam 
em alguns detalhes morfológicos às características do homem atual. Darwin era o primeiro a 
dar uma explicação consistente, a partir da tese da perpetuação dos mais aptos, a esse 
estranho fenômeno. Ou seja, as diversas configurações anatômicas diferentes do ser humano 
atual, verificadas em ossadas humanas, validavam a tese de que também o Homem evoluía. 
 Era possível, então, ordenar logicamente as etapas que constituíam a linearidade 
evolutiva humana; bem como criar tipologias para os artefatos arqueológicos escavados. 
 
Vintage Portrait of Charles Darwin 
Título original: Darwin explained life as a parade of 
mutations evolving through a process called natural 
selection. The foundations of Victorian England were 
shaken by Darwin's contradiction of the biblical version of 
creation. 
IMAGEM: © Louie Psihoyos/Science Faction/Corbis 
FOTÓGRAFO Louie Psihoyos 
COLEÇÃO Historical 
 
Imagem: primatasdaajuda.blogspot.com/2009/11/jaquim-d... 
 
 
 
 
A estruturação de uma Antropologia moderna 
 
 Temos, então, a figura do antropólogo atrelada às pesquisas sobre a antiguidade e o 
percurso evolutivo do Homem; sendo assim, o antropólogo em questão é, essencialmente, um 
pesquisador de gabinete, ou seja, trabalha com os dados e elementos coletados por outros 
pesquisadores em suas atividades de campo. 
 Até mesmo os antropólogos que se dedicavam aos estudos culturais, se caracterizavam 
também como intelectuais de gabinete, uma vez que lidavam com dados obtidos por cronistas 
viajantes, navegantes, missionários religiosos e exploradores mercenários. Sendo assim, o 
despreparo teórico daqueles que descreviam a cultura até então desconhecida, era marcada 
por posturas eurocêntricas e tendiam a sublinhar os caracteres culturais mais exóticos, ou seja, 
aqueles que maior estranhamento causavam sobre o europeu ainda portador de convicções 
de superioridade cultural. 
 O resultado disso foi uma primeira Antropologia caracterizada pela excessiva teorização 
e distante demais da realidade. 
 No que tange aos aspectos culturais, sob a influência do darwinismo que impregnava 
sua dimensão física, a Antropologia do século XIX entendia as sociedades primitivas como se 
estivessem em uma etapa infantil, em relação às sociedades adultas: os povos civilizados 
europeus. Essa convicção alocava as sociedades europeias como o fim máximo de um 
processo civilizador e cujo resultado seria inexorável: todas as sociedades evoluiriam segundo 
o modelo europeu de cultura. 
 Este tipo de convicção, profundamente ideológica e preconceituosa, só mudaria com o 
advento do trabalho antropológico de campo, instituído como prática no final do século XIX. 
 Este novo antropólogo não deveria restringir-se ao gabinete, isso porque não deveria 
trabalhar com materiais e dados coletados ou descritos por amadores, sob pena de 
comprometer gravemente a própria pesquisa. O antropólogo seria convertido no pesquisador 
que se deslocaria fisicamente até a sociedade a ser investigada, trata-se das pesquisas de 
campo, nas quais o próprio antropólogo observa e coleta os dados que deverá analisar. 
 É no final do séc. XIX que o antropólogo se torna o investigador cuja tarefa é se 
deslocar aos lugares mais distantes do mundo, aprendendo a conviver com pequenas 
comunidades, observando-as e coletando informações com o rigor metodológico que também 
vai se estabelecendo em torno dessas novas tarefas. 
 
 
 As mudanças, para a Antropologia, foram extremamente significativas. O contato mais 
íntimo com povos que até então eram compreendidos como simples e inferiores, revelou 
práticas sociais e dinâmicas de organização extremamente complexas e impôs uma 
possibilidade interpretativa: não se tratariam de povos inferiores; mas sim distintos. 
 Essa primeira e mais importante barreira ideológica só foi rompida, sobretudo, pela 
observação antropológica empírica. 
 Essas mudanças não se operaram imediatamente, tampouco em ambiente harmonioso. 
Nesse final de século, o contato dos antropólogos ocidentais com outros povos foi marcado 
por atitudes de superioridade; tanto é que na literatura antropológica do período são comuns 
termos como "povos primitivos" e "selvagens", para referi-los. 
 
 
Os fundamentos teóricos de Franz-Boas 
 
 O trabalho pioneiro do antropólogo teuto-americano Franz Boas e seus discípulos consiste no 
mais importante ponto de inflexão nos estudos antropológicos, no que tange ao declínio da 
Antropologia Rácica (tratada na unidade anterior e nesta), uma vez que sua proposta relativista 
desmontava a ideia de proximidade entre evolução biológica e cultural. 
 No livro "As Limitações do Método Comparativo em Antropologia", de 1896, Boas demonstrou 
como os primeiros antropólogos estavam preocupados com questões puramente históricas e, 
enveredando por análises comparativas e valorativas, identificavam semelhanças e afinidades dos 
povos como indicadores de uma origem comum. 
 Seu pioneirismo consiste na construção teórica que 
assentou métodos radicalmente distintos daqueles 
engendrados nos modos de conceber e estudar as culturas 
humanas, propondo relativizá-las, ao invés de escaloná-las 
hierarquicamente. 
 Não que estudos comparativos não pudessem ser feitos 
entre distintas culturas, ou mesmo que não se pudesse 
identificar uma origem comum para ambas. Na verdade, o 
que Boas propunha era um processo indutivo que identificasse 
as relações que possibilitariam a comparação, para o então 
estabelecimento das conexões históricas pertinentes.Franz Boas 
Anthropologist and professor Franz 
Boas was the author of numerous 
scholarly works on aspects of 
anthropology. 
IMAGEM: © Bettmann/CORBIS 
DATA DA FOTOGRAFIA 2 de 
janeiro de 1931 
LOCAL New York, New York, USA 
COLEÇÃO Bettmann 
 
 
 
 Para Boas, o mesmo fenômeno tem sentidos variados em cada cultura. Sendo assim, o 
fato de ocorrências semelhantes serem identificadas em distintas culturas não constitui prova 
de uma origem comum. 
 Consequentemente, não havendo uma única origem cultural, não se pode falar em 
cultura, senão em culturas. Ou seja, cada cultura tem sua própria história; não uma cultura 
humana universal e originária (como pressupunham os evolucionistas). 
 Sendo então autônomas, todas as culturas seriam também dinâmicas em suas 
transformações ao longo do tempo. 
 
 Nesse contexto, suas críticas pesavam mais gravemente sobre os determinismos 
biológicos e geográficos, bem como no transporte de categorias explicativas evolucionistas 
para o tratamento das relações culturais, o que havia levado ao fenômeno do evolucionismo 
cultural. 
 Contrário a essa explicação evolucionista para a diferenciação das culturas, Boas 
demonstrou que cada sistema cultural constitui uma unidade integrada, resultado de um 
desenvolvimento histórico específico. 
 Com isso, determinou a independência dos fenômenos culturais em relação aos 
condicionantes geográficos e biológicos, vigentes como explicação desde o período 
formativo da Antropologia. As dinâmicas culturais estariam desatreladas desses elementos; 
obedecendo apenas à lógica da interação entre os indivíduos, o meio e a sociedade. 
 A concepção evolucionista aplicada à cultura, responsável pelo assentamento de uma 
visão etapista linear, na forma de estágios evolutivos e obrigatórios pelos quais, 
obrigatoriamente, todas as sociedades passariam, assistia ao surgimento de sua mais severa e 
consistente crítica. 
 Esta nova postura teórica deslocou completamente os sentidos gerais da Antropologia, 
desde seus objetos, objetivos até o ofício do antropólogo, que passava a ser o estudo de 
sistemas culturais particulares, não da identificação de uma cultura universal. 
 Com relação ao método, o princípio fundamental é o da relativização, ou seja, culturas 
são relativas e não mantêm relação hierárquica alguma no âmbito dos valores que possam 
ser-lhes atribuídas. O papel do antropólogo seria, portanto, o de não emitir juízos de valor, 
mas o de relativizar suas posturas. 
 
 
 
 
Os fundamentos teóricos de Bronisław Malinowski 
 
 O antropólogo polaco Bronisław Kasper Malinowski, criador da chamada escola 
funcionalista, é considerado um dos fundadores da própria Antropologia Social. 
 Sua maior contribuição se deu sobre a questão dos métodos utilizados na coleta de material 
etnográfico e constam do capítulo de abertura dos “Argonautas do pacífico ocidental”, livro 
originalmente publicado em 1922. Até ali, os métodos existentes levavam a maior parte dos 
antropólogos a concluir pela incoerência da vida primitiva, comparada à ideia de civilização. 
 Para Malinowski, essa interpretação nada 
mais era do que um produto distorcido da falha de 
observação do antropólogo, que deslocava seus 
sentidos e significados para ações que não 
correspondiam ao seu sistema cultural. Assim sendo, 
a tarefa primordial consistiria em reconstruir o 
universo específico de significações da cultura 
estudada. 
 Mas como os antropólogos, via de regra, 
europeus e portadores de um sistema cultural 
completamente distinto, fariam para compreender 
esses significados? 
 As pesquisas de Malinowski nas Ilhas 
Trobiands, onde estudou uma população de 1200 
melanésios da costa nordeste da Nova Guiné, 
durante a década de 1910, levaram ao 
desenvolvimento de um método inovador na forma 
em coletar dados de campo, no qual o pesquisador 
passava a participar diretamente do cotidiano social 
do grupo observado. Tratava-se da observação 
etnográfica, na qual a coleta de dados seria realizada 
por aquele que passaria a vivenciar as práticas e 
partilhar dos significados a elas atribuídos, 
permitindo correlacioná-los e compreendê-los em 
profundidade. 
Bronislaw Malinowski 
Bronislaw Malinowski (1884-1942) the Polish-born 
British anthropologist who studied folklore and customs. 
IMAGEM: © Hulton-Deutsch Collection/CORBIS 
DATA DA FOTOGRAFIA ca. 1935 
COLEÇÃO Historical 
 
 
 
 Desta forma, não importaria ao antropólogo apenas a ação engendrada pelo povo 
estudado; mas essencialmente a representação da ação, para que se pudesse tratar dos 
significados que constituiriam os fenômenos culturais sob enfoque. 
 
 Obviamente, o desafio do antropólogo seria muito maior do que meramente descritivo 
e valorativo, tendo em vista que ações são, no mais das vezes, multirepresentacionais, ou seja, 
podem estar repletas de significados materiais, sociais e simbólicos, englobando os mais 
variados aspectos como: econômicos, jurídicos, mágico-religiosos etc. 
 Contudo, trata-se de um autor ainda preso à ideia de universalidade cultural, apesar de 
reconhecer as particularidades das culturas, uma vez que a todo tempo buscava as relações 
entre o particular e o universal, perdendo com isso a possibilidade de explicar questões como 
a da diversidade cultural. 
 Ocorre que seus pressupostos teórico-metodológicos tiveram lugar paradigmático na 
Antropologia, deslocando irreversivelmente tanto os referenciais teóricos quanto os objetivos 
gerais da disciplina, sendo hoje uma referência obrigatória sobre o modo padrão da pesquisa 
etnográfica. 
 O trabalho de campo, depois de Malinowski, passou a se constituir mediante a 
observação participante, em grupos sociais de dimensões reduzidas e distintos daquele ao qual 
pertenceria o investigador. Esses pressupostos passaram a constituir, desde então, os pilares 
da nascente Antropologia Social e Cultural, marcando a dimensão da importância do autor 
para as Ciências Humanas e Sociais, isso porque o trabalho de campo, segundo definido por 
Malinowski, passou a constituir o método privilegiado da Antropologia, influindo 
determinantemente na sua constituição como disciplina científica autônoma. 
 
 
Os fundamentos teóricos de Claude Levi-Strauss 
 
 O pensador francês Claude Levi-Strauss é o fundador da chamada Antropologia 
Estrutural, corrente que se conformou a partir de seus estudos sobre povos indígenas do 
Brasil, no período em que aqui permaneceu integrando a missão francesa que teve como 
objetivo estruturar as áreas de Ciências Humanas da recém-criada Universidade de São 
Paulo, no período que se estendeu de 1935 a 1939. Durante esses quatro anos, estudando 
 
 
aspectos sobre a língua, costumes e lendas de povos indígenas, coletou os dados que 
permitiriam criar uma nova teoria antropológica, elaborada e apresentada entre o final da 
década de 1940 e início de 1950. 
 O percurso que desenvolveu no curto período 
em que esteve no Brasil revela as profundas 
mudanças que vinha sofrendo a própria 
Antropologia. Desde que chegou, em 1935, passou a 
dar aulas de Sociologia na USP até 1938, já 
empreendendo suas primeiras incursões de campo 
em território indígena. Contudo, a necessidade de 
empreender pesquisas de campo mais demoradas 
levou-o a abandonar o magistério, o que o 
possibilitou passar mais tempo nas comunidades 
indígenas que estudava: os Kaingang, no Norte do 
Paraná (na região do rio Tibagi); os Kadiweu, na 
divisa com o Paraguai; e os Bororo, do Mato Grosso. 
Em 1938, retornou da França onde havia prestado 
exames para o magistério, e pôs-se a estudar os 
índios Nambiqwara, do Mato Grosso;bem como os 
Tupi-Kaguahib, na região do rio Machado, que se 
pensavam desaparecidos. 
 Os pressupostos da nova corrente teórica foram publicados em duas de suas principais 
obras: “As Estruturas Elementares do Parentesco”, de 1949; e “Tristes Trópicos”, de 1955; 
que o notabilizam mundialmente. 
 Lévi-Strauss fez uso da chamada teoria estruturalista francesa, a qual pressupunha que 
“estruturas universais” estariam por trás de todas as ações humanas, dando forma às culturas 
em suas mais variadas manifestações: linguagem, mitos, religiões etc. 
 Lévi-Strauss foi responsável por uma “revolução intelectual considerável”, e que 
consiste na aplicação do método estruturalista ao conjunto dos fatos humanos de natureza 
simbólica. Isso possibilitou ao antropólogo estudar o “pensamento selvagem”, e não o 
“pensamento do selvagem”. Não se trata de uma mudança insignificante, senão na subversão 
completa do enfoque das pesquisas antropológicas realizadas até ali. Ou seja, Strauss deixou 
French Philosopher Claude Levi-Strauss 
IMAGEM: 
© Annemiek Veldman/Kipa/Corbis 
DATA DA FOTOGRAFIA 1980s 
LOCAL Paris, France 
FOTÓGRAFO Annemiek Veldman 
COLEÇÃO Sygma 
 
 
 
de fazer a distinção do funcionamento mental entre os povos primitivos e os povos europeus, 
para afirmar que o “pensamento selvagem” poderia ser encontrado em cada um de nós. 
 Distinguiu-se gravemente dos demais antropólogos que buscavam revelar as diferenças 
entre povos e culturas, na maioria das vezes valorativas; enquanto Strauss buscava as 
estruturas universais, também chamadas de “estruturas profundas”. 
 Sem se preocupar com as diferenças, os estudos de Lévi-Strauss colaboraram na 
relativização entre povos e culturas, estreitando seus laços pela via da aceitação do diverso 
exatamente porque, para ele, as diferenças entre os povos não constituíam o objeto central de 
interesse antropológico. 
 Para Lévi-Strauss, a maior parte dos antropólogos estava preocupado com o que 
nominou de “aparência”. Obviamente, utilizou-se de um dos fundamentos do Estruturalismo 
para fazer esta afirmação, exatamente a oposição entre essência e aparência. Suas pesquisas 
estavam dirigidas aos sentidos profundos das ações humanas e de seus produtos, na busca 
pela essência, encontrando-se com a psicologia, a lógica e a filosofia das sociedades 
estudadas. A mera descrição das práticas rituais de uma determinada sociedade, a aparência, 
não lhe interessava. 
 Essa nova e revolucionária abordagem encontrou contornos teóricos acabados na obra 
“O Pensamento Selvagem”, de 1962. Sobre o impacto que representou, para além da 
Antropologia, implicava em como tratar o até então denominado “homem primitivo”. Seu 
método estruturalista permitia compreender que sociedades tribais revelavam sistemas lógicos 
notáveis, de qualidades mentais racionais tão sofisticadas quanto às de sociedades até então 
tidas como superiores. 
 Sua teoria desmontava as convicções comumente aceitas de que as sociedades 
primitivas seriam intelectualmente deficitárias e temperamentalmente irracionais, e que suas 
ações e obras, que constituíam seus pobres repertórios culturais, tinham por finalidade a 
satisfação de necessidades imediatas, como as de alimento, vestimenta e abrigo. 
 Sob esses novos pressupostos teóricos, a visão pejorativa sobre as tribos primitivas 
estava fadada a desaparecer. 
 
 
 
 
 
Ainda sobre o tema “Questões de Antropologia clássica”, indico os textos abaixo, 
disponíveis na internet, a título de leitura complementar: 
 
ALMEIDA, K.M. P; “Por uma semântica profunda: arte, cultura e história no pensamento de 
Franz Boas”; Mana. vol. 4, n.2, Rio de Janeiro, Oct. 1998 Disponível em 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93131998000200001 
PALTRINIERI, A. C.; “Imigração, raça e cultura: o ensinamento de Franz Boas”; Revista 
Outros Tempos - UFMA. vol. 6, no.7, São Luís, Jul. 2009 Disponível em 
http://www.outrostempos.uema.br/vol.6.7.pdf/Anna%20Casella%20Paltrinieri.pdf 
ALMEIDA, M. W. B. “Relativismo antropológico e objetividade etnográfica”; Campos: Revista 
de Antropologia Social – UFPR; no. 3, Curitiba, 2003. Disponível em 
http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/campos/article/viewFile/1585/1333 
GIUMBELLI, E. “Para além do ‘trabalho de campo’: 
reflexões supostamente malinowskianas”; Revista Brasileira de Ciências Sociais. vol. 17, 
no.48, São Paulo, Feb. 2002 Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-
69092002000100007&script=sci_arttext 
WERNECK, M. M. F. “Claude Levi-Strauss e a experiência sensível da Antropologia”; Cronos 
- UFRN. vol. 9, nº. 2, Natal, Dez. 2008 Disponível em 
http://www.cchla.ufrn.br/cronos/pdf/9.2/d03.pdf). 
 
 
Indico ainda os filmes: 
10.000 a.C.; dir.: Roland Emmerich, EUA, drama, colorido, 2008. 
A Guerra do Fogo; dir.: Jean-Jacques Annaud, EUA / França / Canadá, drama, colorido, 
1981. 
2001: Odisseia no Espaço; dir.: Stanley Kubrick, EUA, ficção científica, colorido, 1968. 
 
 
 
Material Complementar 
 
 
Na internet, indico os conteúdos: 
Site da Associação Brasileira de Antropologia 
http://www.abant.org.br/ 
Site da Revista de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da 
Universidade de São Paulo 
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=0034-7701&script=sci_serial 
Site da Revista Campos – Revista de Antropologia Social da Universidade Federal do 
Paraná 
http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/campos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
 
 
 
 
 
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Anotações

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