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GESTÃO ORÇAMENTÁRIA AULA 2 Prof. Luiz Eduardo Lanzini A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 2 CONVERSA INICIAL Em um ambiente empresarial cada vez mais competitivo, a criatividade e a iniciativa, aliadas a ferramentas de gestão, são fundamentais para o sucesso empresarial. Logo, as organizações necessitam de planejamento em todas as suas operações e atividades. Decorrente da complexidade dos negócios, o planejamento faz com que os gestores pensem no futuro e preparem as organizações para tal. O planejamento é o início do processo administrativo, em que são definidos os objetivos, as políticas, os procedimentos e os métodos para o alcance dos objetivos. CONTEXTUALIZANDO O orçamento é o processo do planejamento que fixa os objetivos e as estratégias, sendo possível defini-lo como a apresentação dos resultados antecipados de um plano, projeto ou estratégia, com a finalidade de previsão e controle de eventos econômicos e financeiros. Agindo sobre todas as operações da empresa e estabelecendo como deve ser executado, o orçamento deve conter: premissas, plano marketing, plano de produção, suprimentos e estocagem, plano de recursos humanos, plano de investimentos, projeção das demonstrações contábeis. Pesquise O apoio às micro e pequenas empresas por meio do Sebrae pode vir de documentos que ajudam o empresário a planejar e controlar receitas, despesas e resultados do empreendimento, com planilhas e exemplos aplicáveis ao dia a dia. O portal pode ser acessado pelo link a seguir, porém há diversos materiais disponíveis para serem consultados e utilizados para entendimento destes conceitos na prática: . TEMA 1 – ANÁLISE DO AMBIENTE INTERNO As empresas recebem fortes influências do ambiente externo, que podem impactar diretamente seus negócios. Essas variáveis podem estar A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 3 relacionadas aos aspectos da economia, da política, referentes às leis, à sociedade, à cultura, à demografia, à tecnologia, às ações dos concorrentes e às alterações no comportamento dos consumidores. Estes cada vez mais pedem por produtos, serviços e condições de maior qualidade e preços justos. Porém, para entender as ações estratégicas das empresas, não basta apenas olhar para “fora”, é preciso olhar para “dentro” das empresas. Essa visão deve se dar por meio de análise das principais áreas funcionais: marketing, finanças, produção e pessoas e ainda a estrutura organizacional, que vai dizer respeito a compreender as exigências do mercado, as necessidades da organização, os processos para a busca de eficiência, as políticas internas, entre outros. O ambiente interno é o nível de ambiente da organização que se refere a variáveis que a própria empresa domina (ou não) e que normalmente tem implicação imediata e específica em sua administração: • Estrutura organizacional: comunicação, estrutura, objetivos, políticas, processos, regras etc.; • Marketing: segmentação do mercado, estratégia do produto, estratégia de preço, comunicação, entre outros; • Finanças: liquidez, lucratividade, oportunidades de investimento; • Pessoal: relações trabalhistas, recrutamento, seleção e retenção de funcionários, sistema de avaliação de desempenho, remuneração, entre outros; • Produção: pesquisa e desenvolvimento, tecnologia, matéria-prima, entre outros itens. O quadro na sequência apresenta alguns itens que são considerados como variáveis internas que devem ser monitoradas a fim de que se identifiquem pontos fortes e fracos da empresa. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 4 Quadro 1: Operações e atividades das empresas Produção e operações • Ciclo de produção • Arranjo produtivo • Processos produtivos • Indicadores de eficiência de produção Marketing e vendas • Política comercial • Força de vendas • Canais de vendas • Capacidade de investimento em marketing Recursos humanos • Política de cargos e salários • Política de recrutamento e seleção • Política de remuneração • Política de treinamento e desenvolvimento Finanças • Fluxo de caixa • Solvência • Liquidez • Retorno sobre o investimento A postura estratégica proporciona um quadro geral da empresa, confrontando pontos fortes e fracos para analisar sua capacidade de aproveitar as oportunidades e enfrentar as ameaças que o ambiente impõe. Também corresponde à maneira mais adequada para alcançar os propósitos da missão, respeitando a situação atual da empresa. A análise das condições internas não prioriza uma área específica. Com base em uma avaliação das competências internas, a empresa pode orientar sua estratégia, e este posicionamento pode contribuir para evolução dos planos operacionais da empresa. Por entender que a empresa é um complexo sistema que compartilha recursos organizadas nas áreas descritas anteriormente, talvez “escolher” uma área pode inibir a percepção de competências que a empresa possua. Questões comportamentais relacionados a gestores de uma ou outra área também podem influenciar esta análise, fato mencionado nas limitações da utilização do orçamento. TEMA 2 – PLANO COMERCIAL O plano ou orçamento empresarial de uma empresa compõe-se de vários orçamentos complementares relacionados às atividades operacionais ou também designados como “suborçamentos”. Para referenciá-los neste material, nós o designaremos simplesmente como orçamentos. O desenvolvimento do orçamento requer uma visão global e razoavelmente detalhada do futuro da empresa, o que, aliás, terá sido A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 5 anteriormente proporcionado pelos planos estratégicos. Em linhas gerais, o orçamento se inicia pelas atividades primárias da organização, mais especificamente pela projeção comercial ou de vendas da empresa e depois se expande aos demais. É evidente que podem se considerar as restrições de cada negócio, sugerindo uma flexibilização ao plano operacional que inicia a sequência, porém a boa prática da elaboração do orçamento sugere que se inicie pela projeção das vendas. A figura a seguir sugere uma sequência e inter-relação entre os orçamentos Figura 1: Sequência dos planos operacionais Atualmente, o orçamento de vendas ou comercial puxa os demais planos orçamentários. Se o orçamento empresarial fosse um trem, o orçamento de vendas seria a locomotiva, ou seja, todos os demais vagões dependem dele. O processo orçamentário é interativo. Depois de concluídos, os orçamentos operacionais das atividades primárias permitem um delineamento de alguns pontos específicos que precisam ser posteriormente alinhados com o plano estratégico e com as condições estruturais da empresa. Também se deve considerar que, embora a figura seja ilustrativa, ela não exibe a rede completa de interações entre os orçamentos. A finalidade do orçamento de vendas é determinar a quantidade e o valor total dos produtos que serão dispostos a vender a partir de projeções Estratégia de negócio Orçamento de vendas Orçamento das despesas relacionadas a vendas Orçamento de produção e processos Orçamento logístico Orçamento de recursos humanos Orçamento dos custos e despesas operacionais Atividades de apoio e controle A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 6 elaboradas pela área comercial e/ou o executivo especialista em marketing da empresa. Esse orçamento é complementado com o orçamento das despesas relacionado a estasvendas, bem como o cálculo dos impostos. As metas de vendas não se estabelecem ao acaso. Devem resultar de uma análise criteriosa a partir de técnicas de previsão que podem ser utilizadas. Entre as técnicas mais frequentes de previsão de vendas, pode-se considerar: a. Apuração da tendência de vendas: procura-se reconhecer alguma tendência de aumento, queda ou estabilidade das vendas. É importante considerar para este item o ciclo de vida de cada produto e as variações de sazonalidade e os efeitos de ciclos econômicos; b. Opinião da equipe de vendas: o executivo da área pode solicitar aos vendedores ou líderes por canal suas opiniões sobre as vendas futuras. Muitos autores consideram benéfico o envolvimento deste pessoal com a fixação das metas, porém as quotas devem ser avaliadas, pois normalmente influenciam remunerações variáveis dos colaboradores da área; c. Opiniões dos executivos: neste método a previsão de vendas se estabelece por um consenso entre os principais gestores da empresa. Neste método, habitua-se a levar em consideração outros métodos aqui descritos; d. Análise do setor (indústria, serviço ou comércio): é feita uma previsão da demanda total de produtos ou serviços de determinado mercado, estima-se a participação da empresa e procura-se estabelecer a faixa de vendas futuras. Normalmente este método é usado para empresas com faixas significativas de mercado, pois avaliar mercados menores pode ser bastante errático; e. Análise correlacional: é a análise que identifica fatores econômicos e ambientais que também condicionam as condições de vendas. Há casos em que se combinam diversos fatores. Para projeções, caso se tenham dados históricos, são possíveis tratamentos estatísticos por meio de regressão lineares ou outros métodos similares. Em diversas empresas, nunca se utiliza um método único, porém uma combinação deles. Ao utilizar a abordagem múltipla, pode-se considerar um A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 7 método para o primeiro levantamento dos dados e, posteriormente, ampliam-se as técnicas mais sofisticadas. O importante é que quaisquer previsões feitas, antes de se converterem em planos, devem estar alinhadas ou ajustadas ao planejamento estratégico da empresa. Também devemos considerar que, no processo de elaboração do orçamento de vendas, o gestor do departamento comercial deve estar atento às características da política de marketing da empresa, conforme veremos a seguir. 2.1 Estruturando o orçamento da área comercial A política de marketing de uma empresa possui quatro componentes principais: preço, produto, promoção e praça (ponto de vendas ou distribuição). Tais componentes são conhecidos como os 4 Ps do marketing. Esses componentes nos ajudarão a estruturar o orçamento da área comercial. Produto é qualquer coisa que possa ser oferecida a um mercado para atenção, aquisição, uso ou consumo e que possa satisfazer a um desejo e uma necessidade (KOTLER; AMSTRONG, 1998). Os produtos vão além dos bens tangíveis. De forma mais ampla, incluem objetos físicos, serviços, pessoas, locais, organizações, ideias ou principalmente a combinação destes elementos. A classificação dos produtos pode ser feita de formas diferentes, dependendo da percepção de quem o consome. Pelo critério de consumo, podemos classificar os produtos em produtos de consumo, produtos de conveniência, produtos de comparação, produtos de especialidade e produtos não procurados. Porém, alguns atributos individuais também podem ajudar a entender de que forma a empresa pode escolher seus produtos. Neste aspecto, qualidade, tecnologia e design contribuem para a oferta do produto. Importante: os consumidores consideram a marca uma parte importante do produto. As marcas valorizam o produto. Marca é um nome, termo, signo ou símbolo que identifica os produtos ou serviços. Considerando estas situações, cabe à empresa priorizar os produtos e estabelecer decisões quanto a incluir, modificar ou eliminar produtos ou sua linha. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 8 Deriva destas escolhas a quantidade de que a previsão de vendas necessita. Preço é um volume de dinheiro cobrado por um produto ou serviço. Em sentido mais amplo, preço é soma dos valores que os consumidores trocam pelo benefício de possuir ou usar um produto ou serviço. A definição do preço pode ser dada de “dentro para fora”, ou seja, calculando o custo para a empresa deste bem mais a margem desejável, estabelece-se o preço final de venda. A definição de preço ainda pode ser orientada de “fora para dentro”, em que o preço da concorrência baliza o da empresa. Cabe destacar que o preço é o único componente do marketing que gera receita para a empresa, ou demais somente despesas. Também é importante destacar que o preço é um dos elementos mais flexíveis deste composto. Neste ponto relembramos a estratégia proposta por Porter (2002), que considera as escolhas que a empresa precisa fazer. “Tudo para todos” não é a estratégia ideal. Promoção é um componente com uma atuação ampla. Seu alinhamento com o planejamento estratégico e seus resultados garantem a esse composto uma complexidade e uma avaliação de longo prazo. O gestor de marketing conduz diversas pesquisas relacionadas ao cliente, ao mercado em geral e às tendências para desenvolver uma estratégia de comunicação e de desenvolvimento de marca para a empresa ou produto. Para fins de orçamento, este item define os produtos prioritários, as campanhas a serem realizadas e os veículos a serem escolhidos para por a campanha na rua. O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio entre investimentos promocionais e retorno em vendas. Sabe-se que há uma relação diretamente proporcional, ou seja, quanto maiores os investimentos, maiores as vendas, até um ponto de ruptura. Praça: a definição da praça indica os caminhos que levarão os produtos ou serviços aos consumidores finais. Entre outras funções, trata dos canais de venda e envolve a decisão de utilizar intermediários ou não na oferta da empresa. Entre as funções dos canais de distribuição que ajudam a completar a transação entre cliente/empresa, destacam-se as condições de: a. Informação; b. Promoção; A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 9 c. Contato; d. Adaptação; e. Negociação; f. Distribuição física; g. Financiamento; h. Riscos Outra situação verificada neste componente é o número de níveis dos canais. Cada camada de intermediários representa um nível de canal. Quando não há intermediários entre o consumidor final e a empresa, este nível é chamado de canal direto. As escolhas dos locais ou pontos de venda, a forma como será distribuída e o nível de canal de venda influenciam os custos logísticos de distribuição, armazenagem, comissão de vendas, entre outras despesas referentes à comercialização. Estas despesas, juntamente com as despesas de promoção, compõem as despesas da área comercial. Assim o orçamento de vendas contempla as seguintes informações: • Quantidade a ser vendida; • Preço de venda; • Tributos referentes à venda; • Custo dos produtos; • Outras despesas referentes à percepção do produto (embalagens etc.); • Despesas com a equipe comercial (incluir equipe responsável pela logística); • Despesas com comissões; • Despesas com armazenagem, transporte e exposição do ponto de venda; • Despesas com promoção. TEMA 3 – PLANO DE PRODUÇÃO E PROCESSOS Em empresas com características industriais, ou seja, com processo de transformação, o orçamento ou plano de produção tem a finalidade de A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com10 determinar a quantidade de produtos que devem ser produzidos em função das vendas planejadas. Seria ótimo operar com estoque próximo a zero; seriam mínimas as despesas de manter um. Nem sempre isso é possível. Às vezes, pela aleatoriedade da demanda, necessita-se dispor de mercadorias. Em outras ocasiões, a capacidade de produção é inferior à quantidade do pico da demanda. Para não perder vendas, aumenta-se a produção meses antes, estocando produtos (Sobanski, 1994). Em outras oportunidades, a oferta de matérias-primas é sazonal. Para obter o produto ou para se conseguirem bons preços, compra-se em épocas diferentes do seu consumo na produção. Ao elaborar um plano de produção, procura-se evitar variar ao longo do tempo o emprego dos recursos industriais. O desafio é tentar manter estes recursos em níveis estáveis. Esta condição permite otimizar os ativos dedicados à produção, como equipamentos e outras unidades da produção. Isso também contribui para adequação da força de trabalho e otimiza o fluxo de materiais em toda a cadeia produtiva. Uma das situações mais complexas do planejamento da produção é o de compatibilizar as vendas sazonais, com quantidades relativamente estáveis de produção e baixos estoques. O orçamento de produção pode ser considerado a segunda etapa da elaboração dos orçamentos operacionais ou atividades primárias. Após as definições comerciais, cabe ao orçamento de produção definir o que será produzido e, como consequência, quais as despesas (ou custos) que incorrerão desta definição. De maneira geral, há três tipos de planejamento da produção que cadenciam as quantidades produzidas e, por consequência, estabelecem os recursos necessários para obtê-las, como demonstram estes gráficos: A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 11 Figura 2 – Produção constante Figura 3 – Produção ao nível das vendas 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 QUANTIDADE MESES PRODUÇÃO VENDAS ( Formação de estoques) 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 QUANTIDADE MESES PRODUÇÃO VENDAS A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 12 Figura 4 – Produção por ciclos Cada tipo de produção apresenta vantagens e desvantagens, como demonstra o quadro a seguir. O plano de produção deve entender e aplicar o mais adequado à empresa. As vantagens e as desvantagens podem ser observadas no quadro: Quadro 2 – Tipos de produção – vantagens e desvantagens TIPOS DE PLANOS DE PRODUÇÃO VANTAGENS DESVANTAGENS Produção Constante A estabilidade de produção deve resultar em baixa rotatividade da mão de obra, o que proporcionará um moral mais elevado do pessoal, bem como um aperfeiçoamento das habilidades individuais e uma redução dos gastos com recrutamento, seleção e treinamento. Risco de obsolescência física ou técnica dos produtos e gastos mais altos para estocagem (espaço físico, seguros, funcionários etc.) Produção ao nível de vendas Risco menor de obsolescência física ou técnica dos produtos e gastos mais baixos para estocagem (espaço físico, seguros, funcionários etc.). A alta rotatividade da mão de obra aumenta os gastos com recrutamento, seleção e treinamento. Haverá perda de vendas se a demanda aumentar de forma repentina, pois não haverá estoque de produtos para atendê‐la. Produção por ciclos Minimização dos gastos com substituição de equipamentos e do tempo perdido com o ajustamento das máquinas para a fabricação de outros produtos. Risco maior de obsolescência física ou técnica dos produtos e gastos mais altos para estocagem (espaço físico, seguros, funcionários etc.). 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 QUANTIDADE MESES PRODUÇÃO VENDAS ( Formação de estoques) A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 13 Naturalmente que, a partir do planejamento de produção, estabelece-se a necessidade de materiais (matéria-prima) vinculados às etapas de produção, derivando desta forma o orçamento específico para a matéria-prima e as compras. Normalmente para cada produto fabricado na empresa se elabora uma ficha técnica em que se estabelece o ciclo deste produto no processo produtivo da empresa. Nele é verificado qual o equipamento necessário e o tempo para a etapa descrita, bem como a necessidade de matéria-prima e outros consumos necessários para a produção. Diante disso, derivado do orçamento de produção, há dois outros orçamentos relacionados ao processo de produção: o plano de recursos humanos e os planos logísticos. Estes últimos envolvem o planejamento dos estoques e de movimentação dos materiais, sejam de matérias-primas, produtos acabados ou referentes à distribuição dos produtos aos canais de vendas. Para outros setores, como comércio e serviço, considerando que estes não transformam matéria-prima em produto final comercializado, a denominação mais adequada para este planejamento é planejamento de processo, e não plano de produção. Embora a atividade industrial seja mais complexa, os conceitos e as análises são semelhantes. Esta fase de planejamento também depende do plano comercial. As necessidades de recursos e as respectivas análises também seguem as premissas para elaboração de um orçamento empresarial que estamos desenvolvendo. Por exemplo: o nível de estoque gerado por determinado plano de produção pode ser interpretado para o processo de compra de uma empresa do setor de comércio, que provavelmente tem dificuldades semelhantes ao processo industrial para períodos de aquisições, sazonalidades de vendas, entre outros. Para que o plano de produção e processos concilie vários interesses e realidades de uma empresa, devem-se levar em conta as condições ideais que os outros departamentos da empresa gostariam que nele existissem. TEMA 4 – PLANO LOGÍSTICO O plano logístico engloba a necessidade de armazenagem e distribuição das matérias-primas e dos produtos dentro e fora da organização. A entrada de A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 14 materiais e sua movimentação interna e a entrega dos produtos comercializados estão contemplados neste plano. A administração de materiais implica em assumir riscos e custos proporcionalmente ao volume estocado ou complexidade da distribuição. Além dos riscos para a estocagem como furtos, deterioração, obsolescência e queda nos preços de comercialização, para este plano orçamentário, surgem os seguintes custos que precisam ser monitorados pelo orçamento: • Custos de capital: correspondem aos recursos investidos nos materiais e produtos estocados, nas instalações e nos equipamentos utilizados na movimentação física e armazenagem; • Custos das instalações: envolvem a locação de galpões, prédios e instalações além de custos referentes à manutenção, como serviços de segurança, limpeza, refrigeração e outras despesas como seguro patrimonial e dos estoques; • Custos da mão de obra direta: compreendem as necessidades de recursos internos para organizar, movimentar e controlar os materiais envolvidos na operação logística. Para o controle de estoques e respectivas movimentações, existem modelos diferentes que auxiliam na gestão, como o sistema de lote econômico, sistema ABC e Just in Time. A escolha por um ou outro modelo envolve uma série de requisitos fundamentais para sua utilização e pleno funcionamento. Isso significa que os setores da empresa e os fornecedores e clientes devem estar em patamares equivalentes de tecnologia e procedimentos. Tal circunstância envolve treinamento e desenvolvimento de pessoas, que está relacionado com outro tópico já descrito neste tema. Neste plano também estáestruturado o setor de compras. Ele está se tornando uma função cada vez mais estratégica, melhor posicionada dentro das organizações e mais influente nas tomadas de decisão. Este conjunto de processos atualmente é designada em algumas referências bibliográficas como supply chain management. A gestão da cadeia de suprimentos tem a responsabilidade primária de ligar e otimizar os processos mais importantes da organização. Como consequência, tem estreita relação com a produção, vendas, marketing, finanças e recursos humanos, além de clientes e fornecedores. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 15 TEMA 5 – PLANO DE RECURSOS HUMANOS Atualmente considera-se o plano de recursos humanos como um planejamento amplo que envolve o recrutamento, o treinamento e desenvolvimento do pessoal de todas as áreas. Os planos de salários, benefícios e outros programas como redução de acidentes, absenteísmo e turn-over também estão contemplados neste planejamento e são comuns ao setor industrial, comércio e serviço. Há uma abordagem diferente para o plano de recursos humanos no custeio de cada atividade. Para as indústrias, os custos com mão de obra direta (MOD) são considerados variáveis, dada a altíssima correlação entre o tempo da MOD e o volume da produção. Para os demais setores, normalmente o orçamento de pessoal é tratado como uma despesa fixa. Dica Os termos custos, despesas e gastos são utilizados constantemente na apuração do resultado da empresa. É reconhecida a dificuldade de distinguir um de outro. Segundo dicionários da língua portuguesa, expressões como custos e despesas não possuem uma distinção nítida. Segundo Leone (2000), custo é o consumo de um fator de produção, medido em termos monetários para a obtenção de um produto. Despesa é o gasto aplicado na realização de uma atividade. Existem vários tipos de custos. O analista estabelece e prepara tipos de custos diferentes que vão atender às diferentes finalidades da administração. Especificamente relacionado à produção, o orçamento implica em conhecer: • O plano de quantidade de unidades a produzir; • O tempo médio de mão de obra direta a despender na fabricação de cada unidade de produto; • O salário/hora médio e devidos encargos sociais aplicáveis previstos para o período a orçar. Os estudos de tempos e movimentos ou análises semelhantes serão, sem dúvida, a melhor fonte de informações para orçar as necessidades de horas e, por consequência, pessoas para se atender à quantidade a ser produzida. Também podem ser incluídos neste orçamento os custos com A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 16 supervisores de produção e outros colaboradores que estão envolvidos com o processo de fabricação. Para os outros setores, como comércio ou serviço, além das premissas gerais já comentadas no início deste tópico, o orçamento de recursos humanos é estabelecido de acordo com o quadro de pessoal da empresa e seus requisitos, como salários, benefícios e outros gastos referentes a despesas com pessoal. Importante Tanto para o orçamento de recursos humanos para a área industrial quanto para os demais setores, é importante levar em conta as propostas de remuneração vinculadas ao desempenho, em que as metas de produtividade ou outros indicadores de desempenho propiciam uma condicional variável ao orçamento. As importâncias dos planos apresentados nos tópicos deste tema ficaram evidentes pela abrangência e relação entre as atividades operacionais. Os orçamentos primários que iniciaram com a previsão das vendas são complementados com o planejamento da produção e seus recursos (pessoas, materiais e movimentação). De acordo com a proposta para construção do orçamento empresarial, estes planos demonstrados são percebidos como estratégicos para a organização, e algumas situações de cada plano são demonstrados no quadro a seguir: A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 17 Quadro 3 – Orçamentos operacionais ORÇAMENTO COMERCIAL 1 Quantidade a ser vendida (ano, mês a mês) Preço de venda Sazonalidade de vendas Tributos referentes à venda Custo do produto Outras despesas referentes à percepção do produto (como embalagem etc.) Despesas com a equipe comercial (inclui equipe responsável pela logística) Despesas com comissões Despesas com armazenagem, transporte e exposição do ponto de venda Despesas com a promoção ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO E PROCESSOS Quantidade a ser produzida Sazonalidade de produção Tipo de produção adequado à necessidade Etapas de produção necessária e seus tempos Quantidade de matéria-prima ou produto a ser adquirido (ficha técnica) Preço de custo estimado para aquisição de insumos (ficha técnica) Necessidade contratação de serviços de terceiros em determinada etapa de produção ORÇAMENTO DE RECURSOS HUMANOS Quantidade de mão de obra direta – MOD (relacionado à produção) Salários + encargos sociais Custo hora/mod. Quantidade dos demais colaboradores Custos ou despesas referentes aos demais colaboradores Desembolsos com benefícios Desembolsos com incentivos e outras remunerações variáveis Necessidade de treinamento e desenvolvimento ORÇAMENTO LOGÍSTICO Níveis de estoque (quantidade de MP e produto acabado); Instalações necessárias para armazenagem Equipamentos e pessoas necessárias para movimentação dos materiais Custos referentes à estocagem Custos para movimentação recebimento e movimentação interna Custos para entrega e distribuição Necessidade de contratação de serviços de terceiros para manutenção e movimentação dos produtos estocados Embora estas atividades, de suma importância para as empresas, são geralmente internalizadas, a análise orçamentária e a busca constante pela eficiência podem sugerir para determinadas operações o compartilhamento destes processos com outras empresas. Para as atividades de apoio, como segurança, limpeza e similares, esta relação já é consolidada há anos. Para as atividades primárias ou estratégicas da empresa, este relacionamento vem se desenvolvendo e propondo uma nova configuração estrutural das empresas. 1 Elaborado com base no tema 2. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 18 Atualmente é comum se observar a terceirização das entregas aos clientes, se esta for uma orientação do plano comercial que indica a distribuição dos produtos, por exemplo – assim como já se observa a relação compartilhada para os processos logísticos de entrada de produtos e movimentação interna dos materiais no processo industrial. Também não é difícil perceber que determinada etapa da produção também pode ser alocada em uma unidade externa à própria empresa. As condições contratuais e o nível de controle atual das empresas permitem tais configurações estruturais. As necessidades e exigências do mercado podem impor estas escolhas. A importância do orçamento empresarial neste relacionamento empresarial é fundamental, pois analisa e permite aos gestores a escolha por internalizar uma atividade primária ou recorrer a terceiros. A previsão por orçamento de cada área pode ser o instrumento que apoiara e estimulará melhor essa escolha. Texto para leitura recomendada GUINDANI, A. et al. Planejamento estratégico orçamentário. Curitiba: InterSaberes, 2012. Capítulo 2 Saiba mais Entenda a análise SWOT e a relação entre as variáveis externas e internas: . Vídeo Assista ao vídeo “Modelo Toyota de Produção – Just In Time & Kanban”, que demonstra um modelo de produção consagrado: .TROCANDO IDEIAS Verificamos que a construção do orçamento sugere que se inicie pelo plano comercial. Ou seja, com base nas expectativas de vendas e demais condições, a empresa organiza os demais planos operacionais. Você concorda com essa orientação? Quais argumentos consegue encontrar para esse posicionamento? A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 19 NA PRÁTICA Estruture os planos operacionais em uma planilha eletrônica para uma pequena indústria que fábrica e comercializa dois itens. Com base nas definições deste material, siga os seguintes passos: 1. Defina os valores de venda para cada item; 2. Estipule a projeção de vendas para um ano para cada item; 3. Ainda no plano comercial, oriente alguns valores relacionados a despesas comerciais. Detalhe: esses valores podem ser fixos ou proporcionais às vendas, como: comissões = 4% do faturamento. 4. Proponha ações ou intervenções a cada trimestre, por exemplo: treinamentos para a equipe comercial no 1° trimestre, e assim sucessivamente. 5. Continue com os demais planos mantendo as analogias com o plano comercial. Considere que você pode apresentar as condições atuais (diagnóstico) e a proposta de evolução nos períodos subsequentes. Vários pontos foram destacados e podem ser relevantes. Lembre-se de que as atividades operacionais devem estar alinhadas com o planejamento estratégico da empresa. Observe um exemplo para você montar sua planilha. Bom trabalho! PLANO OPERACIONAL - COMERCIAL ITEM JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ ANO A Preço Unitário 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 Vendas (qtde) 970.000 980.000 850.000 800.000 750.000 650.000 700.000 750.000 770.000 800.000 900.000 990.000 9.910.000 Subtotal 708.100,00 715.400,00 620.500,00 584.000,00 547.500,00 474.500,00 511.000,00 547.500,00 562.100,00 584.000,00 657.000,00 722.700,00 7.234.300,00 B Preço Unitário 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 0,73 Vendas (qtde) 700.000 720.000 650.000 600.000 550.000 550.000 500.000 550.000 570.000 600.000 650.000 710.000 7.350.000 Subtotal 511.000,00 525.600,00 474.500,00 438.000,00 401.500,00 401.500,00 365.000,00 401.500,00 416.100,00 438.000,00 474.500,00 518.300,00 5.365.500,00 Comissões de Vendas 24.820,00 24.382,00 24.820,00 21.900,00 20.440,00 18.980,00 17.520,00 17.520,00 18.980,00 19.564,00 20.440,00 22.630,00 251.996,00 Publicidade e Propaganda 100.000,00 100.000,00 50.000,00 50.000,00 50.000,00 50.000,00 50.000,00 50.000,00 50.000,00 50.000,00 100.000,00 100.000,00 800.000,00 Distribuição 121.910,00 124.100,00 109.500,00 102.200,00 94.900,00 87.600,00 87.600,00 94.900,00 97.820,00 102.200,00 113.150,00 124.100,00 1.259.980,00 DESPESAS COM VENDAS 246.730,00 248.482,00 184.320,00 174.100,00 165.340,00 156.580,00 155.120,00 162.420,00 166.800,00 171.764,00 233.590,00 246.730,00 2.311.976,00 AÇÕES 1o. Trim. 2o. Trim. 3o. Trim. 4o. Trim. Responsável Manter o Marketshare Patrocinar eventos esportivos Pesquisa de satisfacao dos clientes - 50.000,00 100.000,00 150.000,00 200.000,00 250.000,00 300.000,00 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Despesas com Vendas Comissões de Vendas Publicidade e Propaganda Distribuição DESPESAS COM VENDAS A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 20 FINALIZANDO Considerando as restrições internas e externas da empresa, inicia-se o processo de elaboração do orçamento empresarial. Normalmente estes processos são organizados em planos operacionais. O processo comercial ou de vendas deve ser a primeira etapa, na qual são considerados aspectos relativos aos conceitos fundamentais do marketing, como: preço, quantidade estimada de vendas, pontos e meios de comercialização, além de se verificarem as condições de estrutura para tais condições. O maior desafio desta etapa talvez seja a previsão de vendas, que terá consequência no planejamento dos demais planos operacionais. Após estas considerações, são avaliados os planos de produção para as empresas com características de industrialização e mesmo de logísticas para estas empresas e as demais. Neste planejamento serão consideradas as condições de estoque e o nível de estoque e produção necessários para atender à estimativa comercial. Também é avaliada a estrutura de pessoal na elaboração do orçamento empresarial. Condições técnicas e capacidade de recursos, necessidade de pessoal e formas de remuneração e desenvolvimento são algumas variáveis descritas no plano de recursos humanos. A estruturação por plano é uma forma de estabelecer metas específicas, e o desencadeamento entre os planos específicos é um dos objetivos do orçamento empresarial. A luno: P A T R IC IA O LIV E IR A D A S ILV A E m ail: patriciaods@ outlook.com 21 REFERÊNCIAS BRAGA, R. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São Paulo: Atlas, 1995. CARNEIRO, M.; MATIAS, A. B. Orçamento empresarial: teoria, práticas e novas técnicas. São Paulo: Atlas, 2011. FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2009. GUINDANI, A. et al. Planejamento estratégico orçamentário. Curitiba: InterSaberes, 2012. KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1998. MINTZBERG, H.; AHLSTRAND, B.; LAMPEL, J. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento. Porto Alegre: Bookman, 2010. MOREIRA, J. C. Orçamento empresarial: manual de elaboração. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011. PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro: Campus, 2002. ROSSETTI, J. P. et al. Finanças corporativas: teoria e prática empresarial do Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. SANVICENTE, A. Z.; SANTOS, C. da C. 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