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2025 2025 Ensino Médio Arte ESCOLA DE FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL E DE EDUCADORES GOVERNO DIFERENTE ESTADO EFICIENTE 2 Governador do Estado de Minas Gerais Romeu Zema Neto Vice-governador do Estado de Minas Gerais Mateus Simões de Almeida Secretário de Estado de Educação Igor de Alvarenga Oliveira Icassatti Rojas Secretária Adjunta Fernanda de Siqueira Neves Subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica Kellen Silva Senra Superintendência de Políticas Pedagógicas Rosely Lúcia de Lima Diretoria de Ensino Médio Vanessa Nicoletti Gomes de Oliveira Coordenação da Educação de Jovens e Adultos Denise Jacqueline Silva Oliveira Superintendente da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional e de Educadores Graziela Santos Trindade Diretora da Coordenadoria de Ensino da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional e de Educadores Tiago Vieira Lima Alves Elaboração e Construção Professores Formadores da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional e de Educadores Revisão Equipe Pedagógica e Professores Formadores da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional e de Educadores Supervisão Juliano Alves Andrade Silene Gelmini Araújo Veloso 3 É com imensa satisfação que apresentamos a vocês os Cadernos de Sequências Didáticas da EJA. Trata-se de uma iniciativa da Coordenação da Educação de Jovens e Adultos em parceria da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores de Minas Gerais que tem como objetivo apoiar o fazer pedagógico docente alinhado ao público da modalidade. Este material é fruto das demandas apresentadas nas pesquisas da Coordenação EJA ende- reçadas aos Professores-Referência, membros do grupo de trabalho Educadores EJA. Neste documento, você irá encontrar sequências didáticas que contemplam parte teórica que orienta e fundamenta o trabalho, e sugestões de atividades a serem desenvolvidas com os estudantes. Ressaltamos que todas as sequências apresentadas foram elaboradas de acordo com as Habilidades Foco da EJA e que as temáticas escolhidas estão intimamente relacionadas ao universo jovem, adulto e idoso, público da modalidade. Esperamos que o material elaborado e aqui disponibilizado possa ser utilizado por vocês, professores, contribuindo para a proposição de aulas contextualizadas, que utilizem de me- todologias ativas que impulsionem o protagonismo do estudante da EJA ao mesmo tempo que valoriza os saberes que os estudantes trazem como bagagem de vida. Também orien- tamos que conteúdo das sequências possam ser adaptados e/ou enriquecidos a partir das experiências dos professores e da realidade de cada turma. Por fim, desejamos inspirar a construção de novas práticas que considerem o jovem, o adul- to e o idoso com suas identidades e seus desafios, personalizando cada vez mais o trabalho com a modalidade. Cordialmente, Coordenação da Educação de Jovens e Adultos Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores de Minas Gerais PREZADO(A) PROFESSOR(A), DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, 4 SUMÁRIO ARTE ........................................................................................................5 SEQUÊNCIA DIDÁTICA I: Arte e contexto - A poesia visual na Obra do estilista Ronaldo Fraga ............................................................................................. 5 SEQUÊNCIA DIDÁTICA II: Artes Visuais e música - condições deprodução, circulação e recepção de discursos ............................................................. 21 SEQUÊNCIA DIDÁTICA III: A simbologia mítica nas danças dos povos origi- nários - Condições de Produção, Circulação e Recepção de Discursos ............. 33 SEQUÊNCIA DIDÁTICA IV: Arte e Contexto - “Maria Maria” na Dança do Corpo ........................................................................................................ 52 SEQUÊNCIA DIDÁTICA V: “Com o coração saindo pela boca”, o Brasil se apresenta na Bienal de Veneza - Condições de Produção, Circulação e Recepção de Recursos ............................................................................................... 64 SEQUÊNCIA DIDÁTICA VI: Arte e meio ambiente: as questões climáticas em perspectiva ................................................................................................ 76 REFERÊNCIAS ........................................................................................... 88 5 REFERÊNCIA Conhecer e identificar os elementos básicos das Artes Visuais explorando o uso desses elementos nas linguagens artísticas. COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Competência específica 1: Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas culturais (artísticas, corporais e verbais) e mobilizar esses conhecimentos na recepção e produção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diver- sas mídias, para ampliar as formas de participação social, o entendimento e as possibi- lidades de explicação e interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo. HABILIDADES (EM13LGG101) Compreender e analisar processos de produção e circulação de dis- cursos, nas diferentes linguagens, para fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos. (EM13LGG103) Analisar o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses (visuais, verbais, sonoras e gestuais). (EF69AR04P6) Analisar e nomear os elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, direção, cor, tom, escala, dimensão, espaço, movimento etc.) na aprecia- ção de diferentes produções artísticas. (EF15AR05) Experimentar a criação em artes visuais de modo individual, coletivo cola- borativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade (EF15AR06) Dialogar sobre a sua criação e as dos colegas, para alcançar sentidos plurais. OBJETIVO OBJETOS DE CONHECIMENTO Processo de produção, análise e compartilhamento de produções textuais, artísticas e culturais. Processo de análise crítica de produções textuais, discursos e posicionamen- tos políticos de candidatos, políticas públicas, programas e propostas governamentais. DURAÇÃO SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS ÁREA DE CONHECIMENTO Linguagens COMPONENTE CURRICULAR Arte Ensino Médio SEQUÊNCIA DIDÁTICA I Arte e contexto - A poesia visual na Obra do estilista Ronaldo Fraga. PERÍODO 1° Período 6 aulas de 50 minutos ANO LETIVO 2025 6 APRESENTAÇÃO: Olá Professor(a)! As Artes Visuais são compostas por expressões artísticas que se fundamentam no sentido da visão como forma de fruição. No mundo cada vez mais inundado por imagens, as Artes Visuais ganham notoriedade se tornando uma área do conhecimento que deve ser conside- rada no desenvolvimento do ensino aprendizagem, promovendo a imaginação e a criativida- de, além de proporcionar uma leitura de mundo de forma sensível em busca da experiência estética. As manifestações das Artes Visuais podem ser percebidas por meio de criações artísticas clássicas e contemporâneas, que ultrapassam o tempo e se apropriam das mais diversas tecnologias inventadas pelo homem ao longo de sua existência. Há milhões de anos, o ser humano se comunica por meio dos sentidos, do movimento, da fala, da escrita, etc. identificando os signos, o que Charles S. Peirce (1839-1914) denominou Semiótica, um processo de aprimoramento comunicativo. Podemos perceber a Semiótica nas Artes Visuais como a pintura, o desenho, a arquitetura, a colagem, o grafite, a fotografia, o cinema e em uma infinidade de expressões imagéticas. A linguagem visual imprime uma forma imediata e eficaz de comunicação que transmite mensagem de modo sensível, cativando a atenção do interlocutor. Perceber as Artes Visuais como elemento fundamental de leitura e interpre- tação do mundo é o desafio que se propõe esse planejamento, no sentido de contemplar essa linguagem artística em um percurso de associações e descobertas do universo da Arte no cotidiano dos estudantes. Espera-se com este planejamento,o luto. O Kuarup é somente para pessoas importantes para nós, não é para qualquer pessoa”, esclarece o cacique. Kotok também salienta a dificuldade na preparação do Kuarup. “A pescaria [que ante- cede o início do ritual] tem que ter muito peixe. A gente faz uma pescaria grande para poder alimentar o povo que chega das outras aldeias. São nove povos que vieram para o Kuarup: Mehinako, Kuikuro, Waura, Aweti, Matipu, Kalapalo, Nahukua e Yawalapiti”, além do povo Kamayurá, anfitrião do primeiro evento na temporada. Fonte: (BRASIL. MINISTÉRIO, 2019). 41 2º Momento Promova um breve diálogo com a turma sobre as percepções adquiridas com o vídeo e os textos apresentados. Proponha a produção de um texto como atividade, fazendo uma com- paração entre os rituais indígenas com os rituais do homem ocidentalizado. Exemplo: Descreva como são os rituais fúnebres, de casamento, de passagem para a ado- lescência, fazendo uma comparação entre a cultura ocidentalizada e a cultura dos povos originários. 3º Momento Inicie este momento pedindo aos estudantes que façam a leitura da descrição comparativa entre os rituais, solicitado anteriormente. Ao final das leituras, a(o) docente pode reforçar a reflexão sobre os diversos elementos que compõem esses rituais, como as vestimentas, os utensílios, as pinturas corporais, a culinária, dentre outros. Mais uma vez cabe a compa- ração com os rituais da cultura “branca” ocidentalizada com a cultura indígena. Ex: Trajes, músicas, melodias e cânticos, maquiagem, ambiente, ornamentos e a culinária, em rituais de casamentos, bailes de debutantes, funerais, datas comemorativas diversas, etc. Desperte nos estudantes o entendimento que todos, indistintamente, possuem formas de ser e se portar no mundo, considerando as peculiaridades de cada cultura, reforçando o sentido de empatia e o respeito à diversidade cultural. Que eles adquiram com esse pro- cesso de aprendizagem o reconhecimento e a identificação com os rituais indígenas, como forma de legitimação de um povo, que deve e merece ser respeitado e preservado. Encerre esse momento exibindo o vídeo “Os Indígenas – Raízes do Brasil” indicado no link abaixo: VÍDEO SUGERIDO Os Indígenas - Raízes do Brasil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=c- QkA5PDow2s. https://www.youtube.com/watch?v=cQkA5PDow2s https://www.youtube.com/watch?v=cQkA5PDow2s 42 MÓDULO III: 1º Momento Desvendando o Toré ou Turé. Toré é um ritual comum a várias etnias do Nordeste brasileiro, como os Pankararu, Panka- raré, Ka-riri-Xocó, Xukuru-Kariri, Potiguara, Geripancó e Fulni-ô. Trata-se de uma manifes- tação cultural de grande importância para os indígenas, envolvendo tradição, música, reli- giosidade, luta e brincadeira. A cerimônia inclui ainda uma dança circular, em fila ou pares, acompanhada por cantos ao som de maracás, zabumbas, gaitas e apitos, podendo variar considerando cada etnia. Cada comunidade possui um Toré próprio e singular, apresentando variações de toadas, ritmos e expressões. Ao longo do ritual são invocados os “Encantados”, entidades espirituais dessas tradições indígenas cuja representação física é o Praiá, veste tradicional confeccionada com palha. É uma dança orquestrada por uma melodia chamada Toante, onde um cantador ou cantadora, ditam o ritmo e são acompanhados pelos de- mais participantes com gritos, existindo também uma performance do dançador. Composto por duas partes, a máscara ou casaco, chamado Tanam, e a saia, seu objetivo é preservar a identidade do dançador, que, ao vesti-la, seguindo os preceitos religiosos, se torna o próprio Encantado (BRASIL, 2022). Professor(a), nesse momento, caso seja possível, é interessante convidar indígenas e/ou descendentes da sua região para uma vivência com os estudantes. Pesquise se há algum estudante ou funcionário indígena na escola. A vivência pode ser pessoalmente ou por vide- oconferência. Promova uma entrevista com perguntas elaboradas pela turma, fundamenta- das nos conteúdos que foram abordados em sala de aula. 43 MÓDULO IV: Rituais indígenas e os atos políticos na Assembleia Constituinte em 1987. 1º Momento Em uma análise superficial, as questões indígenas no Brasil sempre foram vistas de forma discriminatória e estigmatizadas pelo ranço do jugo colonizador, como um estado de transi- ção do sujeito entre a “selvageria” e a “civilização”. Nesse sentido, a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) 1988, foi um marco para a população indígena no Brasil, que vislum- braram uma possibilidade de reconhecimento e garantias de direitos nunca antes previstos, como o direito à própria cultura, a língua e a demarcação de terras. Grupos de diversas etnias se reuniram em Brasília e reivindicam seus direitos dentro do plenário da Câmara dos Deputados. A participação popular na construção da Carta Magna foi uma constatação positiva, quando em um momento de transição de um período ditatorial para a democracia, o povo se sentiu no dever de se inteirar de suas necessidades primordiais e se manifestar para obter garan- tias legais. “O direito a ter direito”, em um movimento uníssono entre todas as minorias so- ciais, colocou os indígenas em evidência, que acompanharam de perto os trâmites políticos, considerando a urgência da pauta que pleiteava a inclusão e a defesa dos direitos. Apesar de muita luta e enfrentamento com setores do poder, pode-se considerar essa uma batalha vitoriosa, que deixa um legado importante no que tange esses povos tão injustiçados. 2º Momento Um discurso, uma performance Discurso de Ailton Krenak na Assembleia Constituinte, Brasília, Brasil Resumo Ailton Krenak é líder indígena, ambientalista e escritor. Nasceu em 1953 no estado de Minas Gerais, na região do Médio Rio Doce. Aos dezessete anos de idade, mudou-se com sua família para o estado do Paraná, onde se alfabetizou e se tornou produtor gráfico e jornalista. Na década de 1980, passou a dedicar-se exclusivamente ao movi- mento indígena. Em 1985, fundou a organização não governamental Núcleo de Cultura Indígena, que visa promover a cultura indígena. Foi durante a Assembleia Constituinte, em 1987, que Ailton protagonizou uma das cenas mais marcantes da mesma: em discurso na tribuna, vestido com um terno branco, pintou o rosto com tinta preta Fo nt e: (M ira nd a, 2 02 2) . 44 pintou o rosto com tinta preta para protestar contra o que considerava um retrocesso na luta pelos direitos indígenas. Em 1988, participou da fundação da União dos Povos Indígenas, organização que busca representar os interesses indígenas no cenário na- cional. Em 1989, participou da Aliança dos Povos da Floresta, movimento que busca o estabelecimento de reservas naturais na Amazônia onde fosse possível a subsistência econômica através da extração do látex da seringueira, bem como da coleta de outros produtos da floresta. Retornou a Minas Gerais, onde passou a se dedicar ao Núcleo de Cultura Indígena. Desde 1998, a organização realiza, na região da Serra do Cipó, em Minas Gerais, um festival idealizado por Ailton: o Festival de Dança e Cultura Indígena, promovendo a integração entre as diferentes populações indígenas. Krenak, Ailton. 2019. “Discurso De Ailton Krenak, Em 04 09 1987, Na Assembleia Constituinte, Brasília, Brasil”. GIS - Gesto, Imagem E Som - Revista De Antropologia 4 (1): 421-22. Disponível em: https://doi.org/10.11606/ issn.2525-3123.gis.2019.162846. Acesso em: 24 set. 2024. VÍDEO SUGERIDO Ailton Krenak - Discurso na Assembleia Constituinte. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=TYICw- l6HAKQ Professor(a), discuta o vídeo com a turma. Questione sobre o que eles sentiram ao se depa- rarem com a *performance de Ailton Krenak que aplicou tinta preta de jenipapo no rosto (representando o luto para a comunidade dos Krenak) ao reivindicar a inclusão dos direitos dos povos indígenas na Assembleia Constituinte em 1987. Esse foi um discurso histórico, que repercutiu mundialmente e ainda causa impacto ao nos depararmoscom essa cena. De forma emblemática, Ailton Krenak junto com outras lideranças indígenas, conseguiu incluir um capítulo importantíssimo na nossa constituição. *Performance: Forma de arte que combina elementos do teatro, das artes visuais e da música. Nesse sentido, a performance liga-se ao happening (os dois termos aparecem em diversas ocasiões como sinônimos), sendo que neste o espectador participa da cena proposta pelo artista, enquanto na performance, de modo geral, não há participação do público. A performance deve ser compreendida a partir dos desenvolvimentos da arte pop, do minimalismo e da arte conceitual, que tomam a cena artística nas décadas de 1960 e 1970. [...] PERFORMANCE. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024. Dis- ponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3646/performance. Acesso em: 30 de setembro de 2024. https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2019.162846 https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2019.162846 https://www.youtube.com/watch?v=TYICwl6HAKQ https://www.youtube.com/watch?v=TYICwl6HAKQ http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3646/performance 45 Para concluir esse momento, pergunte aos estudantes se acreditam que os direitos dos po- vos originários, garantidos pela constituição de 1988, seguem sendo respeitados. (Pode-se fazer uma pesquisa no laboratório de informática de notícias sobre a situação dos povos indígenas atualmente) Saiba mais! MG – Povo indígena Krenak segue lutando por reconhecimento e demarca- ção total de seu território tradicional O povo Krenak, atualmente, está situado em sua maioria na Terra Indígena Krenak, em Resplendor/MG. Entretanto, ao longo de sua história, os Krenak têm sofrido diversos ti- pos de violência e expropriações culturais e territoriais, o que acontece desde o período colonial, quando eram conhecidos ora como Borum, ora como Botocudos (essa última é a denominação que os portugueses utilizavam para se referir a eles). [...] MG – Povo indígena Krenak segue lutando por reconhecimento e demarcação total de seu território tradicional. Mapa de Conflitos. [S.l.] 2018. Disponível em: https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/mg-povo-indi- gena-krenak-segue-lutando-por-reconhecimento-e-demarcacao-total-de-seu-territorio-tradicional/. Acesso em: 24 set. 2024. Veja no link a seguir o projeto transdisciplinar “Protagonismo Indígena”, em uma vivên- cia com estudantes e convidados da comunidade dos Krenak, na Escola Estadual Comen- dador Nascimento Nunes Leal, realizado pela professora de Língua Portuguesa, Fernanda P. Venturin, na cidade de Resplendor – MG. VÍDEO SUGERIDO Protagonismo indígena. Disponível em: https://www.instagram.com/reel/CrixFgM- gYlW/?igshid=YmMyM-TA2M2Y%3D. De acordo com Camargo (2020), “Em Minas Gerais há dezenove etnias indígenas. As etnias são: Maxakali, Xakriabá, Krenak, Aranã, Mukuriñ, Pataxó, Pataxó hã-hã-hãe, Catu-Awá- -Arachás, Kaxixó, Puris, Xukuru-Kariri, Tuxá, Kiriri, Canoeiros, Kamakã, Karajá, Guarani e Pankararu.” 3º Momento Pintura corporal de povos indígenas Fo nt e: (B ra sil , 2 02 2) . https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/mg-povo-indigena-krenak-segue-lutando-por-reconhecimento-e-demarcacao-total-de-seu-territorio-tradicional/ https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/mg-povo-indigena-krenak-segue-lutando-por-reconhecimento-e-demarcacao-total-de-seu-territorio-tradicional/ 46 Professor(a), divida a sala em grupos de até 6 estudantes e leve a turma ao laboratório de informática para que façam uma pesquisa sobre as pinturas corporais que compõem os ritu- ais dos povos indígenas. Os grupos devem produzir as tintas utilizadas pelos indígenas, ano- tando a composição de cada pigmento. Oriente que tragam os ingredientes para a produção das tintas na escola, promovendo uma vivência em sala de aula. (Essa etapa pode ser au- xiliada pelo professor(a) de Química). Peça também, que tragam para o próximo momento, maquiagens convencionais e suas composições, a título de comparação com os pigmentos naturais produzidos pela turma. As receitas das tintas naturais podem ser compartilhadas entre os colegas. Os trabalhos serão apresentados no próximo encontro. Fica a critério de cada grupo escolher a forma de apresentação, lembrando que as tintas e pigmentos devem estar associadas aos rituais pesquisados. 4º Momento “Mãos na massa!” Caro(a) professor(a), inicie esse momento com apresentação dos trabalhos produzidos pe- los estudantes. Eles devem ser estimulados a experimentarem os pigmentos trazidos (tanto os naturais quanto os industrializados). Peça que observem as tonalidades, as texturas e a fixação desses pigmentos em diversas superfícies ou suportes e compartilhem as receitas das tintas naturais, como também, identifiquem os elementos químicos que compõem as maquiagens industrializadas em comparação com as tintas naturais. Saiba mais! Índio ou indígena? Segundo Santos, (2022) “O que o movimento indígena reivindica é que esse termo [índio], que é colonizador, que reproduz um discurso pejorativo que remete à ideia eu- rocêntrica de que somos atrasados, de que somos todos iguais, no sentido de que as diferenças linguísticas e culturais são desconsideradas, seja substituído por como nos autodenominamos”. “A palavra ‘indígena’ diz muito mais a nosso respeito do que a palavra ‘índio’. Indígena quer dizer originário, aquele que está ali antes dos outros”, explicou o autor em entre- vista à BBC News Brasil. Santos, (2022). SITES SUGERIDOS Protagonismo indígena. Disponível em: https://www.instagram.com/reel/CrixFgM- gYlW/?igshid=YmMyM-TA2M2Y%3D. https://www.instagram.com/reel/CrixFgMgYlW/?igshid=YmMyM-TA2M2Y%3D https://www.instagram.com/reel/CrixFgMgYlW/?igshid=YmMyM-TA2M2Y%3D 47 Procedimentos de avaliação: De acordo com Contocani, 2023; “Para construir uma avaliação formativa em Arte, que seja contínua e processual, além da documentação pedagógica dos processos experienciados pelos estudantes, podemos lançar mão de outras ferramentas, como a autoavaliação e o portfólio”. Considerar a participação individual e coletiva, a pontualidade, a disposição nas proposi- ções, os registros no caderno, a produção final e a capacidade de refletir sobre os temas abordados e a apreciação dos trabalhos de forma empática. Fixando o aprendizado: A simbologia mítica nas danças dos povos originários 1 – Responda as Atividades de acordo com os conteúdos apresentados pelo(a) profes- sor(a): 1 – Dança do toré ( ) É uma das danças indígenas brasileiras que evocam as entidades que controlam o tempo. É dançada na época de secas, e seu objetivo é trazer a chuva. Diferente da maioria das danças indígenas, tem como personagem principal uma mulher, pois segundo a cultura indígena, a entidade que controla a seca é feminina. 2 – Atiaru ( ) A dança apresenta como significado a união entre os indígenas. É realizada geralmente em uma clareira, e os dançarinos distribuem-se formando um grande círculo. A dança inicia-se com o tocar dos maracás (chocalhos tribais confeccionados a partir de uma cabaça oca, contendo grãos, sementes ou pedriscos em seu interior). EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO DE CONCEITOS SITES SUGERIDOS Falas da Terra - Documentário Completo. Disponível em: https://www.bing.com/videos/riverview/re- latedvideo?q=falas+da+terra&mid=A59F399810B5C6D7B- F09A59F399810B5C6D7BF09&FORM=VIRE. Ideias para adiar o fim do mundo. Disponível em: https://cpdel.ifcs.ufrj.br/wp-content/uplo- ads/2020/10/Ailton-Krenak-Ideias-para-adiar-o-fim-do-mun- do.pdf. https://www.bing.com/videos/riverview/relatedvideo?q=falas+da+terra&mid=A59F399810B5C6D7BF09A59F399810B5C6D7BF09&FORM=VIRE https://www.bing.com/videos/riverview/relatedvideo?q=falas+da+terra&mid=A59F399810B5C6D7BF09A59F399810B5C6D7BF09&FORM=VIRE https://www.bing.com/videos/riverview/relatedvideo?q=falas+da+terra&mid=A59F399810B5C6D7BF09A59F399810B5C6D7BF09&FORM=VIRE https://cpdel.ifcs.ufrj.br/wp-content/uploads/2020/10/Ailton-Krenak-Ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo.pdfhttps://cpdel.ifcs.ufrj.br/wp-content/uploads/2020/10/Ailton-Krenak-Ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo.pdf https://cpdel.ifcs.ufrj.br/wp-content/uploads/2020/10/Ailton-Krenak-Ideias-para-adiar-o-fim-do-mundo.pdf 48 2 – Faça uma ilustração nos espaços em branco do quadro acima, representando cada uma das danças descritas na atividade 1. Pode-se ilustrar com desenho ou colagem de gravuras que representem cada ritual descrito. Ex.: (Personagens, ambiente, objetos, culinária, etc.) 3 – Jacundá ( ) É uma das mais exóticas e curiosas danças indígenas brasileiras: é uma representação do jovem que se tornou um bravo caçador. O dançarino principal encarna o espírito do animal que ele matou sem a ajuda de nenhum outro caçador. Entretanto, não pode ser identificado pelos outros integrantes da tribo. 4 – Kuarup ( ) É uma das muitas danças indígenas brasileiras que possui um significado espiritual: é dançada para afastar os maus espíritos, para então atrair os bons. Apesar de ser uma dança espiritual, é permitida a participação de homens e mulheres. O evento inicia-se próximo ao pôr do sol, e os dançarinos caracterizam-se pelas vestimentas muito bem elaboradas: grandes cocares de plumas, colares, pulseiras e chocalhos amarrados nos tornozelos. 5 – Kahê-Tuagê ( ) Apesar de ser diretamente relacionada ao povo rural, o cateretê tem suas origens culturais nas danças indígenas brasileiras, mais precisamente as realizadas pelos tupis. A dança então acabou sendo adotada pelos brancos, que realizaram suas adaptações culturais. É mais conhecida pelos brancos como catira. 6 – Dança da onça ( ) Essa dança faz parte de um ritual tribal em homenagem aos mortos, celebrando assim suas memórias. Apesar do tema, é uma das mais alegres danças indígenas brasileiras, pois de acordo com a cultura das tribos, os finados não gostariam de seus companheiros vivos tristes por sua passagem. 7 – Cateretê ( ) É uma das danças indígenas brasileiras dedicadas à representação da pescaria. Os dançarinos distribuem-se de maneira que formem um círculo, sempre alternando entre homens e mulheres. No centro do círculo, um homem indígena e uma mulher Indígena, dançam como se fossem um peixe e, no meio da dança, tentam fugir para fora do círculo. Caso um dos que compõem o círculo não consiga impedir a fuga de um deles, deverá substituir o fujão. É uma dança muito divertida e onde todos dão gargalhadas, sendo muito utilizada para o lazer e entretenimento. 49 3 – O grafismo indígena é uma linguagem visual que transmite histórias, crenças e valores de maneira única. É uma forma de identificação interna dentro das sociedades indígenas, além de servir como identificação étnica em comparação com outras tribos. Características incluem simetria, formas simples relacionadas à natureza e, frequentemente, são criadas por mulheres. As técnicas tradicionais variam, mas o grafismo geralmente utiliza linhas e padrões geométricos. Os de- senhos podem aparecer em pinturas em cavernas, cerâmicas decoradas, têxteis e esculturas. Observe a imagem abaixo, escolha quatro modelos de grafismos e repita nos espaços em branco até completar a linha Grafismo indígena I. II. III. IV. Fo nt e: (M on te iro , 2 01 9) . 50 4 – Encontre as palavras escondidas no caça-palavras abaixo: Caça palavras 6 – Fale com suas palavras o que você entende como uma Performance artística: 7 – Por qual motivo o discurso do líder indígena Ailton Krenak foi considerado uma performance? 8 – Assista o vídeo disponível no link abaixo e descreva a impressão e o senti- mento que o discurso de Ailton Krenak causou em você? VÍDEO SUGERIDO Ailton Krenak - Discurso na Assembleia Constituinte. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=TYICw- l6HAKQ. Fo nt e: (A lb uq ue rq ue in .:, G en ia lIA , 2 02 4) . 51 (In)forme-se mais através das ferramentas Plataforma com conteúdo seguro, interati- vo, divertido e de qualidade para professo- res e estudantes. Disponível em: https://britannica.com.br/. Plataforma de leitura que apoia a promo- ção do hábito da leitura e das habilidades de compreensão leitora dos estudantes. Disponível em: https://www. elefanteletrado.com.br/. Plataforma que oferece livros digitais, vi- deoaulas, simulados, correção de reda- ção, relatórios individuais de desempenho e muito mais para auxiliar o estudante na preparação para o ENEM. Disponível em: https://www.enem. educacao.mg.gov.br/plataforma/login. Utilize-as em seu dia-a-dia na prática da sala de aula, são parceiras da SEE-MG. https://britannica.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login 52 Entender as manifestações artísticas como reflexo da sociedade e elemento de engaja- mento e apresentação de discursos inseridos em contextos contemporâneos. COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Competência 1: Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas (artísticas, corporais e verbais) e mobilizar esses conhecimentos na recepção e produ- ção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias, para ampliar as formas de participação social, o entendimento e as possibilidades de expli- cação e interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo. HABILIDADES (EM13LGG101) Compreender e analisar processos de produção e circulação de dis- cursos, nas diferentes linguagens, para fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos. (EM13LGG501) Selecionar e utilizar movimentos corporais de forma consciente e in- tencional para interagir socialmente em práticas corporais, de modo a estabelecer relações construtivas, empáticas, éticas e de respeito às diferenças. (EM13LGG303) Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas. OBJETIVO OBJETOS DE CONHECIMENTO Vivência e análise de processos e produções artísticas (espetáculos, apresentações, exposições, obras de arte, concertos, shows, festivais, feiras, exibições audiovisuais, etc.) e como chegam ao público. Apreciação de produções artísticas e posicionamento crítico sobre sua criação, circula- ção e recepção. Compreensão e análise de dimensões estéticas e éticas de gestos nas diferentes lin- guagens artísticas que têm como protagonista a ação corporal (dança, no teatro, per- formances, dentre outras). Experimentação de dimensões estéticas e poéticas dos gestos em processos de criação artísticocorporais (dança, no teatro, performances, dentre outras). DURAÇÃOREFERÊNCIA Ensino Médio SEQUÊNCIA DIDÁTICA IV Arte e Contexto - “Maria Maria” na Dança do Corpo. PERÍODO 2° Período 8 aulas de 50 minutos Equipamento multimídia, textos e imagens impressas, laboratório de informática com acesso a internet. MATERIAIS NECESSÁRIOS 53 Olá professor(a)! As linguagens da Arte estão sempre atreladas às circunstâncias históricas. Reconhecer a heterogeneidade desse universo é aprender a lidar com a variável do sensível, dentro de uma perspectiva em constante diálogo. Nesse sentido, as linguagens corporais na Arte acompanham as percepções estéticas de cada momento, sejam eles, poéticos, ideológicos, míticos, religiosos, sociais, etc. “Podemos perceber que a Dança Contemporânea não se concretiza como uma técnica, en- tendemos que a partir das reflexões geradas por vários autores, a Dança Contemporânea é mais uma forma de se pensar a dança a partir de diferentes poéticas do que uma técnica restrita. [...]alguns autores que apesar de contribuições pontuais e distintas em alguns pon- tos, colaboram com a ideia de que a Dança Contemporânea não é uma técnica, mas sim uma forma de se pensar a dança. (SOUZA, 2013, p. 8). Em interlocução com as habilidades propostas, busca-se compreender e analisar processos de produção e circulaçãode discursos na linguagem da dança contemporânea, para que os estudantes possam fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos, como também apropriar-se do patrimônio artístico e cultural de diferentes tempos e lugares, compreendendo a sua diversidade, bem como os processos de legitimação das manifestações artísticas na sociedade, desenvolvendo visão crítica e histórica. Para possibilitar o diálogo entre as habilidades, abordaremos como meio para esse enten- dimento o balé contemporâneo do Grupo Corpo “Maria Maria” e a emblemática música de Milton Nascimento e Fernando Brant, criada especialmente para este espetáculo. (Albu- querque, 2024). 54 MÓDULO I: 1º Momento Olá Professor(a)! Inicie esse momento, introduzindo o tema “MARIA MARIA” NA DANÇA DO CORPO. Diante da ideia de pensar o movimento e o gesto, o Grupo Corpo, companhia de dança contem- porânea mineira, fundada por Paulo Pederneiras em 1975, na cidade de Belo Horizonte, estreia com o espetáculo “Maria Maria”, um ano depois de sua criação, musicado pelo ícone da MPB, o artista Milton Nascimento em parceria com Fernando Brant. Esse espetáculo ficou uma década em cartaz e se apresentou em 14 países nesse período. O Grupo Corpo é uma companhia de dança que traduz a arte contemporânea e se consolida como uma referência no mundo, enaltecendo e projetando Minas Gerais como exportadora, não só de commodi- ties, mas de arte e cultura, sendo este o verdadeiro ouro de Minas. Execute a música “Maria Maria” disponível no link abaixo: Obs: Distribua a letra impressa, para que os estudantes acompanhem a música. Maria, Maria Maria, Maria, é um dom, uma certa magia Uma força que nos alerta Uma mulher que merece viver e amar Como outra qualquer do planeta Maria, Maria, é o som, é a cor, é o suor É a dose mais forte e lenta De uma gente que ri quando deve chorar E não vive, apenas aguenta Mas é preciso ter força, é preciso ter raça É preciso ter gana sempre Quem traz no corpo a marca, Maria, Maria Mistura a dor e a alegria Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça É preciso ter sonho sempre Quem traz na pele essa marca possui A estranha mania de ter fé na vida Mas é preciso ter força, é preciso ter raça É preciso ter gana sempre Quem traz no corpo a marca, Maria, Maria Mistura a dor e a alegria 55 Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça É preciso ter sonho sempre Quem traz na pele essa marca possui A estranha mania de ter fé na vida Compositores: Fernando Brant / Milton Silva Campos Nascimento Em seguida, questione a turma o que eles sentiram ao ouvir essa música e o que ela signi- fica para eles. “Maria Maria” retrata um Brasil que mistura a dor e a alegria. Essa música emblemática, foi feita sob encomenda para compor o primeiro espetáculo do Grupo Corpo, a maior compa- nhia de dança contemporânea brasileira, que leva Minas para o mundo. A canção ilustra a mulher batalhadora, que encontra forças para vencer todos os obstáculos que a vida possa lhe oferecer, com gana, raça e ternura, sem deixar os sonhos de lado. O espetáculo fez tanto sucesso que ficou uma década em cartaz. A princípio, a canção – que entrou para esse espetáculo do Grupo Corpo – não tinha letra: era apenas a voz de Milton Nascimento cantando uma bela melodia em cima da harmonia composta por ele. Só depois, inspirado pela história do espetáculo e também por uma mulher real que vivia na beira dos trilhos da cidade onde cresceu – Diamantina, no interior mineiro – que Fernando Brant compôs a letra. Brant diz ainda que a mulher que foi motivo de inspiração para essa música que é um verdadeiro hino ao universo feminino, mesmo em uma situação de abandono, insistia em vislumbrar um futuro melhor para os seus filhos se empenhando em mandá-los para a esco- la. A letra ilustra toda a essência da mulher brasileira, em uma poesia que emana coragem, resiliência e fé, caracterizando a força evidente da mulher negra, um retrato das mães que assumem a criação de seus filhos sem o apoio dos “pais”. Professor(a), para encerrar este momento, faça uma roda de conversa com a turma e peça para contarem histórias que se encaixam com a poesia de “Maria Maria”. Quantas “Marias” estão por aí? Ilustre esse momento exibindo as imagens selecionadas no quadro abaixo, fazendo junto com a turma, uma leitura das mesmas, identificando o texto visual nelas implícito: O Grande Golpe (2021) de Renata Felinto Thaís Basílio, Colo, 2022 Fo nt e: (N ac ca , 2 02 2) . Fo nt e: (N ac ca , 2 02 2) . 56 MÓDULO II: O Balé “Quando se vê o GRUPO CORPO dançando, é como se as questões do trânsito entre a na- tureza e a cultura estivessem sendo bem respondidas. São os diversos Brasis, o passado e o futuro, o erudito e o popular, a herança estrangeira e a cor local, o urbano e o suburbano, tudo ao mesmo tempo sendo resolvido como arte. Arte brasileira. Arte do mundo”. Helena Katz (Grupo Corpo, 2024). Histórico Fundado por Paulo Pederneiras em 1975, em Belo Horizonte, o Grupo Corpo estrearia no ano seguinte sua primeira criação, Maria Maria. Com música original assinada por Milton Nascimento, roteiro de Fernando Brant e coreografia do argentino Oscar Araiz, o balé ficou dez anos em cartaz e percorreu catorze países. Um êxito que se converteria na concretude de uma sede própria, inaugurada em 1978. Mas, se a empatia com o público, o entusiasmo da crítica e o sucesso de bilheteria foram imediatos, a conquista de uma identidade artística própria, a sustentação de um padrão de excelência e a construção de uma estrutura capaz de garantir a continuidade da companhia e o esta- belecimento de metas de longo prazo são fruto de árduo trabalho cotidiano. De 1976 a 1982, enquanto o sucesso de Maria Maria ainda repercutia em apresenta- ções pelo Brasil e diversos países da Europa e da América do Sul, o Grupo Corpo não se deu descanso. Colocou em cena nada menos que seis coreografias assinadas por Rodrigo Pederneiras, que assume o posto de coreógrafo-residente em 1981 e, jun- tamente com Paulo Pederneiras – diretor artístico da companhia é responsável pela iluminação e cenários dos espetáculos – acaba por moldar a personalidade e as feições definitivas do grupo. [...] HISTÓRICO. Grupo Corpo. Belo Horizonte, 2024. Disponível em: https://grupocorpo.com.br/companhia/ Acesso em: 24 set. 2024. VÍDEO SUGERIDO Grupo Corpo - Maria Maria Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=LjIJj9a- jKhQ. https://www.youtube.com/watch?v=LjIJj9ajKhQ https://www.youtube.com/watch?v=LjIJj9ajKhQ 57 MÓDULO III: 1º Momento Mãe Solo - uma realidade cruel “Muitas mulheres compartilham histórias semelhantes: criar, educar e participar da vida de um filho sozinha. O termo ‘mãe solo’ hoje é amplamente utilizado para designar mulheres que são inteiramente responsáveis pela criação de seus pequenos, deixando o conceito de ‘mãe solteira’ em desuso, já que estar ou não em um relacionamento com um(a) parcei- ro(a) não quer dizer necessariamente compartilhar a difícil missão de ter um filho.” (Sonsin, 2024). Professor(a), distribua o texto abaixo para a turma: Cresce quantidade de mães que criam os filhos totalmente sozinhas O número de mães solo, aquelas que cuidam sozinhas de seus filhos, aumentou 17% na última década, passando de 9,6 milhões em 2012 para mais de 11 milhões em 2022. Esta situação gera ainda mais dificuldades para o ingresso dessas mulheres no merca- do de trabalho. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o estudo, a maior parte dessas mães, pouco mais de 70%, vivem ape- nas com seus filhos, são formadas por mulheres negras, com um número de quase 7 milhões, e moram no Norte e Nordeste do país. Janaína Feijó, responsável pelo estudo, resume a dificuldade enfrentada por essas mães: “essa mãe praticamente não tem com quem contar, ela não tem uma rede de apoio e ela não conta também com o cônjuge, que faz com que a sobrecarga da ma- ternidaderecaia muito mais forte sobre a mãe nestas condições”. Janaína também ressalta que esses números refletem em um menor nível de instrução dessas mulheres e em dificuldades para se equiparar aos homens no mercado de tra- balho. A situação é ainda mais crítica para as negras, com mais da metade delas, 58%, tendo no máximo o ensino fundamental completo e apenas 8,9% com nível superior. Karlielly Alves é mãe solo. Para ela, a parte financeira é a mais difícil, em especial quan- do a mulher não amamenta e depende do uso de fórmula: “você pensa, ai meu Deus, como vai ser na semana, porque o leite de fórmula geralmente dura uma semana, então cada semana é um gasto diferente”. O estudo também aponta a relação entre idade e presença na força de trabalho. De todas as mães solo entre 15 e 60 anos, 29% estão fora da força, 7,2% estão desem- pregadas e 63% estão ocupadas. No caso de mulheres com filhos até 5 anos de idade essa situação piora: as chances delas estarem fora da força aumenta para 32% e de estarem desempregadas sobre para 10%. PESSOA, Carolina. Cresce quantidade de mães que criam os filhos totalmente sozinhas. Radio agência. Brasília, 2023. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/direitos-humanos/audio/2023-05/ cresce-quantidade-de-maes-que-criam-os-filhos-totalmente-sozinhas. Acesso em 30 set. 2024. https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/direitos-humanos/audio/2023-05/cresce-quantidade-de-maes-que-criam-os-filhos-totalmente-sozinhas https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/direitos-humanos/audio/2023-05/cresce-quantidade-de-maes-que-criam-os-filhos-totalmente-sozinhas 58 2º Momento Após a leitura do texto sobre as os índices de mães solo no Brasil, apresente para a turma a música “Mãe” do rapper Emicida, disponível no link abaixo e peça que façam no caderno, uma analogia entre o texto e essa música. Mãe Emicida Um sorriso no rosto Um aperto no peito imposto Imperfeito, tipo encosto, estreito, banzo, vi tanto por aí Pranto, de canto chorando, fazendo os outro rir Não esqueci da senhora limpando o chão desses boy cuzão Tanta humilhação não é vingança, hoje é redenção Uma vida de mal me quer, não vi fé Profundo ver o peso do mundo nas costa de uma mulher Alexandre no presídio, eu pensando em suicídio aos oito ano, moça De onde cê tirava força? Orgulhosão de andar com os ladrão, trouxa Recitando Malcolm X sem coragem de lavar uma louça Papo de quadrada, 12, madrugada e pose As ligação que não fiz tão chamando até hoje Dos rec no Djose ao hemisfério norte O sonho é um tempo onde as mina não tenha que ser tão forte Nossas mãos ainda encaixam certo Peço um anjo que me acompanhe Em tudo eu via a voz de minha mãe Em tudo eu via nós A sós nesse mundo incerto Peço um anjo que me acompanhe Em tudo eu via a voz de minha mãe Em tudo eu via nós Outra festa, meu bem, tipo Orkut Mais de mil amigo e não lembro de ninguém Grunge, Alice in Chains Onde ou você vive Lady Gaga ou morre Pepê e Neném Luta diária, fio da navalha Marcas? Várias 59 Senzalas, cesáreas, cicatrizes Estrias, varizes, crises Tipo Lulu, nem sempre é so easy Pra nós, punk é quem amamenta enquanto enfrenta a guerra Os tanque, as roupas suja, a vida sem amaciante Bomba a todo instante, num quadro ao léu Que é só enquadro e banco dos réu, sem flagrante Até meu jeito é o dela Amor cego, escutando com o coração a luz do peito dela Descreve o efeito dela: Breve, intenso, imenso A ponto de agradecer até os defeito dela Esses dia achei na minha caligrafia tua letra E as lágrima molha a caneta Desafia, vai dar mó treta Quando disser que vi Deus Ele era uma mulher preta Nossas mãos ainda encaixam certo Peço um anjo que me acompanhe Em tudo eu via a voz de minha mãe Em tudo eu via nós A sós nesse mundo incerto Peço um anjo que me acompanhe Em tudo eu via a voz de minha mãe Em tudo eu via nós Nossas mãos ainda encaixam certo (certo) Peço um anjo que me acompanhe (onde for) Em tudo eu via a voz de minha mãe (tudo) Em tudo eu via nós (em tudo eu via nós) A sós nesse mundo incerto (incerto) Peço um anjo que me acompanhe (onde for) Em tudo eu via a voz de minha mãe Em tudo eu via nós O terceiro filho nasceu É homem Não, ainda é menino Miguel bebeu por três dias de alegria Eu disse que ele viria, nasceu E eu nem sabia como seria 60 Alguém prevenia Filho é pro mundo Não, o meu é meu Sentia a necessidade de ter algo na vida Buscava o amor das coisas desejadas Então pensei que amaria muito mais Alguém que saiu de dentro de mim e mais nada Me sentia como a terra: Sagrada E que barulho, que lambança Saltou do meu ventre, contente, e parecia dizer: É sábado, gente A freira que o amparou tentava reter seus dois pezinhos sem conseguir E ela dizia: Mas que menino danado Como vai chamar ele, mãe? Leandro Fonte: (Letras, 2024). Encerre este momento com a apresentação das análises dos estudantes. Questione se eles imaginavam que seriam tantas as mães solo no Brasil, e o que isso impacta na construção de uma sociedade mais igualitária e justa, discutindo com a turma para que possam apontar possíveis soluções para minimizar esse problema. 61 MÓDULO IV: 1º Momento Vida Maria “Vida Maria” trata-se de um curta-metragem, feito com a tecnologia da computação gráfica, que conta a história de uma menina que carrega o sonho de aprender a escrever, vislum- brando uma vida mais próspera. É um vídeo sensível, que aborda as dificuldades enfren- tadas pela pobreza e falta de oportunidade, um reflexo da sociedade desassistida, fazendo com que as gerações fiquem presas em um círculo vicioso de “ignorância”. Apesar de se passar em um contexto rural nordestino, Vida Maria se encaixa perfeitamente em qualquer periferia e aponta o abandono dos estudos pela necessidade de sobrevivência. Exiba o vídeo “Vida Maria”, indicado no link abaixo: VÍDEO SUGERIDO Vida Maria (com Libras). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=T9d7g- 8TdwQs Atividades sobre o vídeo Vida Maria: responda no caderno: 1 – Você se identificou com a história do vídeo Vida Maria? Justifique: 2 – Em qual momento as circunstâncias da vida lhe impediram de continuar os estu- dos? 3 – Retomar os estudos pode ser parte de um projeto para alcançar os sonhos. Fale quais são os seus sonhos e o que representa o retorno à escola para alcançá-los: CONSOLIDANDO O APRENDIZADO De acordo com os conteúdos abordados anteriormente, responda as questões a seguir: 1 – Com base no texto, como a canção “Maria Maria” retrata a mulher brasilei- ra? Explique usando exemplos específicos da canção e do contexto em que foi criada. 2 – Por que uma mulher interpretada na letra de “Maria Maria” é considerada um símbolo de coragem e resiliência? Relacione essa característica ao papel da mulher na sociedade brasileira. EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO DE CONCEITOS https://www.youtube.com/watch?v=T9d7g8TdwQs https://www.youtube.com/watch?v=T9d7g8TdwQs 62 PROCEDIMENTOS DE AVALIAÇÃO: De acordo com Contocani, 2023; “Para construir uma avaliação formativa em Arte, que seja contínua e processual, além da documentação pedagógica dos processos experienciados pelos estudantes, podemos lançar mão de outras ferramentas, como a autoavaliação e o portfólio”. Considere o envolvimento, o compromisso e a disponibilidade em atender as proposições do(a) professor(a). O respeito e a apreciação do próprio trabalho quanto os trabalhos dos colegas. 3 – A letra de “Maria Maria” foi inspirada em uma mulher real da cidade de Dia- mantina. De que forma essa inspiração reflete uma realidade social do Brasil, especialmente no que se refere à criação dos filhos? 4 – O texto menciona que a música originalmente não possuía letra, apenas me- lodia. Como a adição da letra de Fernando Brant transformou a canção em um “hino ao universo feminino”? Comente o impacto dessa mudança no significado da obra. 5 – O Grupo Corpo conquistou sucesso rapidamente com o balé “Maria Maria”, mas a consolidação de suas obras artísticas foi umprocesso gradual. Como o trabalho conjunto de Paulo e Rodrigo Pederneiras contribuiu para a construção dessa identidade? 6 – O balé “Maria Maria” aborda questões sociais, como a resiliência e a força das mulheres. De que forma essa temática se relaciona com a realidade das mães solo mencionada no segundo texto? 7 – O texto que fala sobre o crescimento de mães que criam os filhos sozinhas, revela dados sobre a realidade das mães solo no Brasil. Como o aumento no número de mães que criam seus filhos sozinhos pode afetar o acesso dessas mulheres à educação e ao mercado de trabalho? 8 – Considerando o crescimento no número de mães solo e a falta de apoio que enfrentam, quais políticas públicas ou ações sociais você acredita que poderiam amenizar as dificuldades econômicas e profissionais dessas mulheres? Explique sua resposta. 63 (In)forme-se mais através das ferramentas Plataforma com conteúdo seguro, interati- vo, divertido e de qualidade para professo- res e estudantes. Disponível em: https://britannica.com.br/. Plataforma de leitura que apoia a promo- ção do hábito da leitura e das habilidades de compreensão leitora dos estudantes. Disponível em: https://www. elefanteletrado.com.br/. Plataforma que oferece livros digitais, vi- deoaulas, simulados, correção de reda- ção, relatórios individuais de desempenho e muito mais para auxiliar o estudante na preparação para o ENEM. Disponível em: https://www.enem. educacao.mg.gov.br/plataforma/login. Utilize-as em seu dia-a-dia na prática da sala de aula, são parceiras da SEE-MG. https://britannica.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login 64 Promover o diálogo ao refletir e avaliar a importância da arte e da cultura histórica e tradicional com as linguagens contemporâneas modernas. COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Competência 1: Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas (artísticas, corporais e verbais) e mobilizar esses conhecimentos na recepção e produ- ção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias, para ampliar as formas de participação social, o entendimento e as possibilidades de expli- cação e interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo. HABILIDADES (EM13LGG103) Analisar o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses (visuais, verbais, sonoras e gestuais). EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em dife- rentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos. (EM13LGG305) Mapear e criar, por meio de práticas de linguagens e línguas diversas, possibilidades de atuação social, política, artística e cultural para enfrentar desafios contemporâneos, discutindo seus princípios e objetivos de maneira crítica, criativa, solidária e ética. (EM13LGG701) Explorar tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), compreendendo seus princípios e funcionalidades,e utilizá-las de modo ético, criativo, responsável e adequado à prática de linguagem em diferentes contextos. OBJETIVO OBJETOS DE CONHECIMENTO Fruição, apreciação e análise de produções artísticas(espetáculos, apresentações, ex- posições, concertos,shows, festivais, feiras, exibições audiovisuais, etc.) Uso de materiais de gêneros textuais/discursivos e digitais diversos (artigos, reporta- gens, podcast, catálogos, programas de espetáculos, etc.) Sobre arte, suas linguagens artísticas e seus diferentes contextos e funções socioculturais, promovendo reflexão e entendimento sobre ação na sociedade. Apreciação de produções artísticas e posicionamento crítico sobre sua criação, circula- ção e recepção. Mobilização de conhecimentos de elementos constitutivos das linguagens artísticas (ar- tes visuais, audiovisual, dança, teatro, artes circenses, música,interartes, performances DURAÇÃOREFERÊNCIA Ensino Médio SEQUÊNCIA DIDÁTICA V A“Com o coração saindo pela boca”, o Brasil se apresenta na Bienal de Veneza - Con- dições de Produção, Circulação e Recepção de Recursos. PERÍODO 3° Período 6 aulas de 50 minutos 65 APRESENTAÇÃO: A arte deve ser sempre pauta de diálogo em busca de entender nosso lugar, tornando essa questão uma forma de oferecer às pessoas a condição de se posicionarem na própria vida. Nesse sentido, entender as linguagens da arte e as produções dos artistas é um exercício contínuo de leitura, intervenção e invenção do mundo, estimulando a criatividade e a ima- ginação. (Albuquerque, 2024) Prezado(a) professor(a), Para contemplar o tema e as habilidades propostas, utilizaremos nesta sequência didática a instalação “Com o coração saindo pela boca”, do artista alagoano Jonathas de Andrade na Bienal de Veneza em 2022 e os ditados populares que serviram de inspiração para essa criação, sendo estes patrimônio imaterial do Brasil que de forma metafórica traduz nossa cultura e aproxima os estudantes promovendo o senso de identidade e pertencimento. Obs: O(a) docente, tem a liberdade de adaptar esse planejamento de acordo com a rea- lidade a qual está inserido(a), considerando os espaços físicos, as tecnologias disponíveis, a maturidade da turma, dentre outros. Os objetos de conhecimento devem ser articulados de modo a corroborar com os propósitos pedagógicos de cada escola, com o objetivo de atingir o desenvolvimento intelectual, emocional e cultural dos estudantes. A quantidade de aulas necessárias para o desenvolvimento desse planejamento, também fica a critério do(a) professor(a), que tem autonomia e expertise para as adaptações necessárias, levando em conta as especificidades da turma e do contexto regional, como também a possibilidade de estender o planejamento para um possível projeto transdisciplinar, fator importante para uma educação dentro dos parâmetros das metodologias ativas. Equipamento multimídia, textos e imagens impressas, papel kraft, papel color set A4, cola tesoura, revistas para recorte; materiais diversos para montagem de mural. MATERIAIS NECESSÁRIOS pela tecnologia, dentre outras) na criação artística individual e/ou coletiva em conso- nância com os contextos e diversidade cultural. 66 MÓDULO I: 1º Momento: A obra Pavilhão Brasil, 59ª Bienal de Veneza Quebrar a cara – Dedo podre - Com o coração saindo pela boca Entrar por um ouvido e sair pelo outro Caro professor(a), inicie esse momento contextualizando o tema “Com o coração saindo pela boca” o Brasil se apresenta na Bienal de Veneza. Após o período pandêmico, em 2022, a 59ª Bienal de Veneza, considerada a mostra de arte mais antiga do mundo, abre para o público com exposição inédita. O pavilhão do Brasil apresenta a Instalação “Com o coração saindo pela boca”, do artista alagoano Jonathas de Andrade. A exposição que traduz de forma literal os ditados populares brasileiros, se torna uma das maiores atrações da Bienal naquele ano. Andrade se inspira nos ditados e cria obras que tem o corpo humano traduzido em metáforas interativas. ‘Nó na garganta’, ‘cara de pau’, ‘faca nos olhos’, ‘entrar por um ouvido e sair pelo outro’, são algumas obras criadas pelo artista. De acordo com Andrade, “Existem centenas de expressões populares com partes do corpo para descrever senti- mentos e situações. Elas envolvem literalidade e absurdo para dar conta da subjetividade, o que, para o momento do Brasil, é muito revelador. Usar essas expressões para falar da perplexidade do corpo brasileiro diante do presente em tantas instâncias – política, social, ecológica – me parece muito potente”. (Sachs, 2022) 2º Momento Apresente o vídeo indicado no link abaixo: VÍDEO SUGERIDO Bienal Arte 2022. Com o coração saindo pela boca. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=v_Msf- GKEba4 Fo nt e: (C om o c or aç ão ... , 2 02 2) .Fo nt e: (C om o c or aç ão ... , 2 02 2) . 67 MÓDULO II: 1º Momento A História da Bienal de Veneza. A Bienal Desde que foi inaugurada em 1895, a Bienal de Veneza se apresenta como um medidor da arte mundial. Nasceu com o objetivo de institucionalizar uma exposição bienal de arte Italia- na, quando o prefeito daquela cidade aprovou um projeto de criação do evento. A estrutura da Bienal foi sendo modificada com o passar do tempo, abrindo espaço para artistas convi- dados de outros países. Por volta de abril de 1894, foi anunciada a primeira exposição para o próximo ano, momento em que se empenharam em construir o ‘Palazzo dell’Esposizione (local de exposições) no Giardini di Castello’. De acordo com Nacca, 2022, [...] “em 30 de abril, foi inaugurada a I Esposizione Internazionale d’Arte della Città di Venezia (1ª Exposi- ção Internacional de Arte da Cidade de Veneza), na presença do Rei e da Rainha, Umberto I e Margherita di Savoia, e com grande aclamação do público (224.000 visitantes)”. Hoje em dia, a Bienal é organizada por pavilhões representando dezenas de países que fi- cam responsáveis por sua construção e manutenção. Cada país apresenta as exposições e artistas e arcam com todos os custos de logística e montagem. A Bélgica inaugurou o “Gia- dini di Castello”, pavilhão pioneiro de muitos que se seguiram, somando hoje 80 pavilhões que compõem esse grandioso evento, contando inclusive com países da Ásia Central como o Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão. O “Giardini” ou “Jardins” que foi criado por Napoleão Bonaparte no começo do séc. XIX, acomoda hoje 29 exposições de diversos países, que recebem uma maior visibilidade dentre os quais se encontra o pavilhão do Brasil. Nesse sentido, não há como negar que a Bienal de Veneza se torna um espaço diplomático de muita relevância, tanto assim que a exposição da Rússia foi suspensa em decorrência do seu envolvimento no conflito com a Ucrânia. Fo nt e: (N ac ca , 2 02 2) . 68 2º Momento Brasil em Veneza Sabe-se que a primeira participação do Brasil na Bienal de Veneza foi em 1950, na 25ª edição. Na época, Ciccillo Matarazzo já havia criado o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e o projeto para a realização de uma Bienal Internacional no Brasil já estava em andamento, por isso, na visão de Ciccillo, era a oportunidade perfeita de levar sua própria delegação de artistas brasileiros tanto para o posicionamento do país no panorama artístico internacional, quanto para fazer novos contatos com outras delegações. Cada país tem suas próprias políticas a respeito da escolha do artista que representa- rá a nação em Veneza. Então de início, o MAM passou a ser oficialmente responsável por essa seleção até 1963, quando a Fundação Bienal, recém fundada e separada do Museu, passou a coordenar essa atividade. Cinco anos mais tarde, em 1968, com o agravamento dos problemas de saúde de Ciccillo, a representação brasileira em Veneza passou a ser organizada pelo Ministério das Relações Exteriores até 1993, quando a Fundação Bienal de São Paulo retomou a tarefa, que tradicionalmente se mantém até hoje. No início a Bienal de São Paulo, inspirada na italiana, também tinha espaços dedicados a outros países e seus representantes, mas isso mudou na 16ª edição (1981): o críti- co e ex-diretor do MAC-USP, Walter Zanini, o primeiro curador-geral da mostra, aboliu essas categorias. Neste ano, o artista alagoano Jonathas de Andrade, escolhido pelo ex-curador da 34ª Bienal de São Paulo, Jacopo Crivelli Visconti, vai nos representar na 59ª Bienal de Ve- neza com uma instalação inédita, encomendada para a mostra, cujo tema dialoga com o escolhido pela curadora italiana. Expressões populares no Brasil e que se utilizam de partes do corpo humano em metáforas como “nó na garganta”, “cara de pau”, “olho do furacão”, “das tripas coração”, “de braços cruzados”, “empurrar com a barriga”, entre dezenas de outras, são a inspiração para a exposição Com o coração saindo pela boca. Jonathas de Andrade na instalação Com o coração saindo pela boca / Con il cuore che esce dalla bocca (2022), no Pavilhão Brasileiro. Cortesia: Ding Musa / Fundação Bienal de São Paulo Também vale ressaltar, que Cecília Alemani selecionou cinco artistas brasileiros para a exposição principal: o artista indígena Jaider Esbell, morto em novembro do ano pas- sado, Lenora de Barros, Luiz Roque, Rosana Paulino e Solange Pessoa. Esta foi a maior seleção de artistas brasileiros em muitos anos – na última edição, por exemplo, não havia nenhum. Fonte: NACCA, Giovana. O que é a Bienal de Veneza? Arte Que Acontece.[S.l.] 2022. Disponível em: https:// artequeacontece.com.br/o-que-e-a-bienal-de-veneza/. Acesso em: 30 set. 2024. https://artequeacontece.com.br/o-que-e-a-bienal-de-veneza/ https://artequeacontece.com.br/o-que-e-a-bienal-de-veneza/ 69 MÓDULO III: 1º Momento Os ditados populares e as expressões idiomáticas De origem conhecida ou não, os ditados populares fazem parte da nossa cultura, que são proferidos pela população pelas gerações, de forma democrática, independente de classe social, credo ou ideologia. Traduzem a cultura local, regional e nacional, chegando até a ul- trapassar fronteiras alcançando outros países. São metáforas que utilizam figura de lingua- gem para expressar determinadas emoções ou sentimentos. Difundem a sabedoria popular e a ancestralidade e promovem a diversidade desses dizeres como forma de legitimação, podendo ser traduzidos literalmente ou subjetivamente, dando margem para a criatividade e imaginação. Ditado popular As expressões idiomáticas são caracterizadas pela “figura de linguagem”. São frases curtas, contendo duas ou mais palavras que expressam ideias distintas. Habitam o cotidiano das pessoas, e denotam subjetividades sendo mais utilizadas de modo informal por possuírem um sentido conotativo. Expressões idiomáticas Fo nt e: (N ac ca , 2 02 2) . Fo nt e: (S ou za , 2 02 4) . 70 “Ironia: Vivendo desse jeito, não vai demorar a fechar o paletó. Crítica: Vá trabalhar e pare de buscar chifre em cabeça de cavalo. Confiança: Coloco a mão no fogo pela minha irmã. Otimismo: Aconteça o que acontecer, sempre dou a volta por cima. Pessimismo: Hoje levantei com o pé esquerdo. Indignação: Não te perdoo nem que a vaca tussa. Cautela: Quando o assunto é namoro, é melhor sempre pôr as barbas de molho. Sentimento de vingança: Finalmente, Cátia provou do próprio veneno.” SOUZA, Warley. “Expressões idiomáticas”; Brasil Escola. [S.l.] 2024. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/ portugues/expressoes-idiomaticas.htm. Acesso em 09 de outubro de 2024. 2º Momento Professor(a), converse com a turma sobre os ditados populares e as expressões idiomáticas que eles utilizam. Faça uma lista na lousa, anotando as sugestões dos estudantes e oriente que copiem a lista no caderno. Sugira que façam uma pesquisa entre as pessoas que con- vivem sobre esses ditados e expressões, anotando na frente de cada frase ou termo o seu significado. https://brasilescola.uol.com.br/portugues/expressoes-idiomaticas.htm https://brasilescola.uol.com.br/portugues/expressoes-idiomaticas.htm 71 MÓDULO IV: 1º Momento Quem não cola não sai da escola! A colagem artística Colagem A colagem é um procedimento técnico artístico de utilizar várias matérias que podem, ou não, variar a textura, umas sobre as outras ou lado a lado, formando um motivo ou uma nova imagem. A colagem como técnica tem surgimento datado da história antiga, entretanto teve seu valor artístico reconhecido a partir do século XX, com sua utilização no Cubismo, antes disso, era considerada ou brincadeira de criança, ou manifestação artística popular e desprovida de fundamentação crítica. A utilização de diversos materiais sobre um su- porte, como madeira, pedaços de jornal e objetos, faz da colagem uma técnica que põe em questão os limites entre pintura e escultura. A partir da Arte Moderna, a técnica passa a ser empregada em diversosmovimentos artísticos e escolas artísticas, promovendo sentidos muito variados. A utilização de ma- teriais muito diferentes de papéis cria uma nova gama de possibilidades de produtos artísticos em três dimensões, como se fossem esculturas em quadros. As novas possibilidades de criação artísticas proporcionadas pela colagem geram adep- tos em todo o mundo, mas com objetivos bastante distintos entre si. Na Europa, princi- palmente na França e na Itália, as ideias nascidas da colagem provocam a produção de obras de sentido cubista por artistas futuristas. Uma releitura da técnica, e uma nova aplicação da mesma. Temas frequentes nas colagens são violência, tecnologia e velocidade, por conta do contexto histórico em que se encontravam os artistas do início do século XX, com guerras e a produção tecnológica, a todo vapor, sendo testada nelas. A reflexão ar- tística sempre monta à época contemporânea ao movimento, não foi diferente com a colagem. Entretanto, não apenas as críticas ao momento vivido foram temas utilizados na cola- gem, mas também faces e imagens abstratas figuraram muitas obras. A expressividade conseguida com a colagem é única e distante de todas as outras texturas. Isso levou os artistas a produzirem uma grande quantidade de produtos muito diferentes entre si, garantindo uma pluralidade artística muito rica e profunda. [...] A colagem, apesar de simples, é uma técnica artística difundida em todo o mundo e com relevante papel em diversas escolas e movimentos artísticos da cultura ocidental. PORTO, Gabriella. Colagem. Info Escola. [S.l.] 2024. Disponível em: https://www.infoescola.com/artes/colagem/. Acesso em: 15 out. 2024. https://www.infoescola.com/artes/colagem/ 72 2º Momento Hora da prática! Caro(a) professor(a), peça que cada estudante selecione um ditado popular ou uma ex- pressão idiomática para ser traduzida em forma de imagem, inspirados(as) na obra “Com o coração saindo pela boca”, do artista alagoano Jonathas de Andrade. Após selecionarem a expressão que desejam como inspiração da colagem, sugira que tra- gam revistas e imagens impressas para serem recortadas, com o propósito de fazer a cola- gem na sala de aula. Após a conclusão das colagens, a turma deve montar um mural com as imagens produzidas e um pequeno texto explicando o processo de criação de acordo com o conteúdo abordado. 3º MOMENTO Colagem digital [...] Colagem significa combinar imagens diferentes em um gráfico visual. A palavra vem do francês “coller”, que literalmente significa “colar”. Na colagem digital, não colamos literalmente, mas o sentimento permanece o mesmo: juntar elementos para criar uma imagem coesa. O que é colagem digital? Assim como a de papel, a colagem digital é criada com o agrupamento de imagens virtuais para gerar uma nova arte. A arte da colagem digital está em toda parte; e você pode não ter percebido. Quando uma imagem é imposta em um fundo, isso é colagem digital. Quando um texto é colocado sobre uma imagem, isso é colagem digital. Quan- do várias camadas de imagens são agrupadas, isso é colagem digital. Como qualquer forma de arte, as colagens digitais variam em dificuldade, tamanho, cor e estilo. Antes de começar a criar sua própria, veja alguns exemplos de arte de colagem digital para ter uma ideia do que você quer projetar. BROTHERS, Laura. Guia de como fazer uma colagem digital. SKILL SHARE [S.l.] 2022. Disponível em: https:// www.skillshare.com/pt/blog/guia-de-como-fazer-uma-colagem-digital/. Acesso em: 22 out. 2024 Mãos na massa! Caro(a) professor(a), encaminhe a turma ao laboratório de informática para que experimen- tem a criação de colagem digital. Obs: Pode-se também utilizar os dispositivos móveis para essa atividade. Observe no quadro abaixo o passo a passo para a criação da colagem digital no Canva: https://www.skillshare.com/pt/blog/guia-de-como-fazer-uma-colagem-digital/ https://www.skillshare.com/pt/blog/guia-de-como-fazer-uma-colagem-digital/ 73 Como fazer uma colagem digital no Canva? O Canva é uma ferramenta intuitiva, de fácil acesso e com inúmeras possibilidades de criação. 1. Acesse o Canva: https://www.canva.com/. Abra o site ou o app e faça login. 2. Escolha um Template: Na página inicial, clique em “Criar um design” e selecione o tipo de projeto que você quer fazer (pode ser um tamanho personalizado ou uma das opções de colagem que eles oferecem). 3. Adicione Imagens: Clique em “Uploads” no menu lateral esquerdo e carregue as imagens que você quer usar na colagem. Depois de carregadas, arraste-as para o seu projeto. 4. Organize: Redimensione e posicione suas imagens da forma que desejar. Você pode usar as ferramentas de corte e redimensionamento. 5. Customize: Adicione texto, adesivos, formas ou outros elementos disponíveis no Canva para dar um toque especial à sua colagem. 6. Salve e Compartilhe: Quando terminar, clique em “Baixar” no canto superior di- reito e escolha o formato de download (PNG ou JPEG geralmente são boas opções). Obs: Pode-se criar uma página nas redes sociais para o compartilhamento dos traba- lhos. Colagem digital 4º Momento Consolidando a aprendizagem: Fo nt e: (A lb uq ue rq ue , I n. : C an va . 20 24 ). De acordo com os conteúdos abordados anteriormente, responda as questões seguintes: 1 – Como é a organização dos espaços dos países para as exposições na Bienal de Veneza? EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO DE CONCEITOS 74 2 – Qual a importância da presença do Brasil na Bienal de Veneza? 3 – A obra do artista alagoano Jonathas Andrade na 59º Bienal de Veneza, faz re- ferência aos ditados populares, uma das manifestações da cultura do Brasil. São dizeres transmitidos na maioria das vezes pela oralidade, atravessam gerações e imprimem um saber ancestral, que colaboram para o entendimento de mun- do e seus contextos, indicando acontecimentos e comportamentos. Cite alguns ditados populares que fazem parte da cultura da sua região e faça um pequeno texto indicando o significado dos ditados que você selecionou: 4 – A colagem como técnica tem surgimento datado da história antiga, entre- tanto teve seu valor artístico reconhecido a partir do século XX, antes disso, era considerada ou brincadeira de criança, ou manifestação artística popular e des- provida de fundamentação crítica. Quais são os materiais e suportes necessários para realizar uma colagem artística? 5 – Qual foi o movimento artístico que fez parte das vanguardas europeias ocor- ridas no início do século XX, que se desenvolveu mais intensamente na pintura, cuja as formas são representadas geometrizadas, causando uma sensação de pintura escultórica? 6 – A expressão artística tem sempre uma mensagem a ser passada, seja de forma implícita ou explícita. Qual era o contexto histórico vivido pelos artistas precursores da colagem no início do século XX e quais eram as mensagens que eles imprimiram em suas obras? 7 – Explique com suas palavras o conceito de colagem artística e as característi- cas da colagem manual e digital. ticas na sua região? Quais? 75 (In)forme-se mais através das ferramentas Plataforma com conteúdo seguro, interati- vo, divertido e de qualidade para professo- res e estudantes. Disponível em: https://britannica.com.br/. Plataforma de leitura que apoia a promo- ção do hábito da leitura e das habilidades de compreensão leitora dos estudantes. Disponível em: https://www. elefanteletrado.com.br/. Plataforma que oferece livros digitais, vi- deoaulas, simulados, correção de reda- ção, relatórios individuais de desempenho e muito mais para auxiliar o estudante na preparação para o ENEM. Disponível em: https://www.enem. educacao.mg.gov.br/plataforma/login. Utilize-as em seu dia-a-dia na prática da sala de aula, são parceiras da SEE-MG. https://britannica.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login 76 Compreender a arte como interlocutorade contextos e de engajamento para comuni- car, sensibilizar, refletir e intervir no mundo de forma positiva. COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Competência 1: Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas (artísticas, corporais e verbais) e mobilizar esses conhecimentos na recepção e produ- ção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias, para ampliar as formas de participação social, o entendimento e as possibilidades de expli- cação e interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo. HABILIDADES (EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideo- logias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias, ampliando suas possi- bilidades de explicação, interpretação e intervenção crítica da/na realidade. (EM13LGG603) Expressar-se e atuar em processos de criação autorais individuais e coletivos nas diferentes linguagens artísticas (artes visuais, audiovisual, dança, música e teatro) e nas intersecções entre elas, recorrendo a referências estéticas e culturais, conhecimentos de naturezas diversas (artísticos, históricos, sociais e políticos) e expe- riências individuais e coletivas. (EM13LGG604) Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política e econômica e identificar o processo de construção histórica dessas práticas. (EM13LGG703) Utilizar diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais em proces- sos de produção coletiva, colaborativa e projetos autorais em ambientes digitais. OBJETIVO OBJETOS DE CONHECIMENTO Reflexão, problematização e proposição da esfera artística como espaço de discussão de temas de sua época. Conhecimento e exploração de possibilidades e potencialidades das tecnologias para a criação de trabalhos coletivos e colaborativos em diversas linguagens (videoarte, vide- odança, videoperformance, fotoperformance, dentre outras). Experimentação e processos de criação com elementos das linguagens artísticas (artes visuais, audiovisual, dança, teatro, artes circenses, música,interartes, performances pela tecnologia, dentre outras) em suportes tecnológicos e digitais. DURAÇÃOREFERÊNCIA Ensino Médio SEQUÊNCIA DIDÁTICA VI Arte e meio ambiente: as questões climáticas em perspectiva. PERÍODO 3° Período 8 aulas de 50 minutos 77 Olá professor(a)! A ação humana de forma desrespeitosa com a natureza, vem desencadeando processos degenerativos do nosso planeta. Hoje cientistas se preocupam com a impossibilidade de retrocesso dessa degradação que vem ocorrendo de forma acelerada, comprovada pelo aquecimento global. Nessa sequência didática, abordaremos a forma como os artistas in- terpretam essas questões, sendo mensageiros de uma distopia cada vez mais próxima da realidade e como que por meio de suas expressões, tentam sensibilizar as pessoas da ur- gência climática. Para dialogar com as habilidades propostas, conheceremos obras de artistas engajados nas questões climáticas, como “The Weather Project”, do dinamarques Olafur Eliasson; “Monu- mento Mínimo” da brasileira Néle Azevedo; “A menina que se afoga em Bilbao”, de Ruben Orozco; e “O grito da natureza” do polonês radicado no Brasil, Franz Krajcberg. Obs: O(a) docente, tem a liberdade de adaptar esse planejamento de acordo com a rea- lidade a qual está inserido(a), considerando os espaços físicos, as tecnologias disponíveis, a maturidade da turma, dentre outros. Os objetos de conhecimento devem ser articulados de modo a corroborar com os propósitos pedagógicos de cada escola, com o objetivo de atingir o desenvolvimento intelectual, emocional e cultural dos estudantes. A quantidade de aulas necessárias para o desenvolvimento desse planejamento, também fica a critério do(a) professor(a), que tem autonomia e expertise para as adaptações necessárias, levando em conta as especificidades da turma e do contexto regional, como também a possibilidade de estender o planejamento para um possível projeto transdisciplinar, fator importante para uma educação dentro dos parâmetros das metodologias ativas. Esta sequência didática pode ser transformada em um projeto transdisciplinar entre as diversas áreas do conheci- mento. Equipamento multimídia, textos e imagens impressas. MATERIAIS NECESSÁRIOS 78 MÓDULO I: 1º Momento Prezado(a) Professor(a)! “A arte responde ao espírito do tempo, e o nosso tempo anda desafiador. Eventos extremos ameaçam vidas e patrimônios – naturais, históricos e culturais. Mas a produção artística também reflete sobre a emergência climática, que transcende fronteiras, e nos ajuda a ver novos mundos e possibilidades de mudança”. (Oliveira, 2023) Inicie este momento contextualizando o tema promovendo um diálogo com a turma sobre o clima. Pergunte o que eles têm percebido de mudança em comparação com anos anterio- res. Se está mais quente que o normal, se as chuvas estão mais violentas e concentradas em determinadas regiões, se os períodos de estiagem estão maiores, etc. Em seguida, leve a turma ao laboratório de informática e sugira que realizem uma breve pesquisa sobre as mudanças climáticas e seus efeitos no Brasil e no mundo . Peça que anotem as manchetes que mais chamaram atenção e promova um breve debate sobre os temas levantados. Sugi- ra que criem QR Codes dessas manchetes e espalhem pelo ambiente da escola, estimulando o letramento digital entre a comunidade escolar. Observe no quadro abaixo o passo a passo para criar QR Codes: Escolha uma Ferramenta: Existem várias ferramentas online como QR Code Gene- rator, QRStuff ou até mesmo o próprio Canva. Escolha o Tipo de Código: Pode ser um URL, texto, número de telefone, email, etc. Exemplo de URL: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2024/09/03/alerta- -laranja-e-baixa-umidade-tempo-seco-deixa-bh-com-clima-desertico-previsao-e-de-al- tas-temperaturas.ghtml Texto “Alerta laranja e baixa umidade: tempo seco deixa BH com ‘clima desértico’; previsão é de altas temperaturas” Imagem Clicar em cima da imagem com o botão direito do mouse, abrir a imagem em uma nova guia, copiar URL da imagem e colar no gerador de QR code. Personalize: Algumas ferramentas permitem que você personalize a cor e o design do QR code.(Veja sugestões abaixo) Gere o Código: Clique em “Gerar” ou algo similar. Baixe o QR Code: Salve a imagem do QR code no seu dispositivo. Segue a seguir os links para acessar as ferramentas gratuitas mais populares: 79 2º Momento O que são as mudanças climáticas? De acordo com as Nações Unidas Brasil, 2024, “As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima. Essas mudanças podem ser naturais, como por meio de variações no ciclo solar. Mas, desde 1800, as atividades humanas têm sido o principal impulsionador das mudanças climáticas, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás”. Distribua o texto abaixo: Os impactos das mudanças climáticas no Brasil segundo o 4º relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) Ö No nordeste do Brasil as áreas semi-áridas e áridas vão sofrer uma redução dos recursos hídricos por causa das mudanças climáticas. A vegetação semi-árida provavelmente será substituída por uma vegetação típica da região árida. Nas florestas tropicais, é provável a ocorrência de extinção de espécies. Ö A recarga estimada dos lençóis freáticos irá diminuir dramaticamente em mais de 70% no nordeste brasileiro (comparado aos índices de 1961-1990 e da década de 2050). Ö As chuvas irão aumentar no sudeste com impacto direto na agricultura e no au- mento da freqüência e da intensidade das inundações nas grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Ö No futuro, o nível do mar, a variabilidade climática e os desastres provocados pelas mudanças climáticas devem ter impactos nos mangues. Ö De 38 a 45% das plantas cerrado correm risco de extinção se a temperatura aumentar em 1.7°C em relação aos níveis da era pré-industrial. Ö Hoje,o planeta já está 0,7ºC mais quente que na época. SITES SUGERIDOS CANVA. Modelos de QR codes customizáveis e grátis. Disponível em: https://www.canva.com/pt_br/modelos/s/qr- codes/?form=MG0AV3. GERADOR de QR Code Gratuito. QR code generator. Disponível em: https://www.qr-code-generator. org/?lang=pt&form=MG0AV3. O GERADOR de QR codes mais prático. QR code.io. Disponível em: https://qr-code.io/pt-br?form=MG0AV3. https://www.canva.com/pt_br/modelos/s/qr-codes/?form=MG0AV3 https://www.canva.com/pt_br/modelos/s/qr-codes/?form=MG0AV3 https://www.qr-code-generator.org/?lang=pt&form=MG0AV3 https://www.qr-code-generator.org/?lang=pt&form=MG0AV3 https://qr-code.io/pt-br?form=MG0AV3 80 Amazônia Ö Eventos climáticos extremos altamente inusitados já relatados como a seca de 2005. Ö Potencial aumento da seca foi quantitativamente projetado durante a fase crítica de crescimento da vegetação, por causa da elevação da temperatura e da dimi- nuição das chuvas no verão. Ö Nas áreas não fragmentadas da floresta amazônica o efeito direto do CO2 na fotossíntese, bem como uma regeneração florestal mais rápida, podem ter cau- sado um aumento substancial na densidade de lianas – espécie de trepadeiras lenhosas – nas duas últimas décadas. Ö A conversão de florestas em lavouras afeta o clima porque altera o albedo regio- nal e o fluxo de calor latente, causando o aumento de temperatura adicional no verão em regiões importantes na Amazônia. Ö Grandes perdas de biodiversidade ocorrerão com um aquecimento de 2.0°C a 3.0°C acima dos níveis pré-industriais. Ö O aumento na temperatura e a diminuição de água no solo irão levar à savani- zação na região leste. [...] Fonte: WWF. Brasil e as mudanças climáticas. Os impactos das mudanças climáticas no Brasil segundo o 4º relatório do IPCC. [S.l.] 2024. Disponível em: https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_ impactos2/clima/politicas_de_clima/brasil_mudancas_climaticas/ Acesso em: 18 out. 2024. Saiba mais! SITE SUGERIDO Relatórios Especiais do IPCC. Disponível em: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe- -o-mcti/sirene/publicacoes/relatorios-do-ipcc. https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/sirene/publicacoes/relatorios-do-ipcc https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/sirene/publicacoes/relatorios-do-ipcc 81 MÓDULO II: Arte e clima- 4 “estações” e uma só urgência. 1º Momento A emergência climática é uma pauta que deve permear as discussões em diversos âmbi- tos sociais. Com a arte não é diferente, pois ultrapassa fronteiras e provoca sentimentos, indicando novos olhares para um problema que é de todos, na perspectiva de promover mudanças individuais e coletivas. Caro(a) Professor(a), apresente para a turma as obras selecionadas abaixo, com intuito de provocar um olhar crítico sobre esse tema tão relevante que impacta a vida de todos nós proporcionando aos estudante o entendimento de como os artistas se expressam, acenando para um problema que precisa ser encarado de frente por todas as esferas sociais. “The Weather Project”(O clima) Olafur Eliasson, 2003. O projeto sobre o clima, do artista islandês Olafur Eliasson, exposto em Londres, utilizou a iluminação de forma a criar um ambiente incrível. A ideia era projetar um modelo de espaço onde se pudesse andar, trazendo elementos como o ar, o vazio ou a atmosfera. Para isso, Olafur utilizou a névoa, com o objetivo de bloquear a luz do céu. A grande esfera, por sua vez, era metade de verdade, metade espelho. Dessa forma, criou-se uma noção de espaço muito maior do que a realidade. A utilização da luz amarela monocromática criou uma sen- sação transcendental. As reações e experiências dos espectadores foram diversas: algumas pessoas entendiam que era sobre o apocalipse, e sentiam uma certa angústia ou tristeza; outras, tinham vontade de meditar, refletir sobre suas vidas, com um sentimento de paz e autoconhecimento. Fo nt e: (E lia ss on , 20 24 ). 82 “Quando você olha para uma obra de arte é como se ela olhasse para você. É você quem está sendo ouvido. Meu trabalho depende completamente do espectador para transformar ideias em arte”. ELIASSON, Olafur. O clima. Brilia. Porto Alegre, 2024. Disponível em: https://www.brilia.com/single-post/olafur-elias- son-como-a-arte-se-ilumina Acesso em: 18 out. 2024. Olafur Eliasson (em islandês: Ólafur Elíasson; Copenhague, 5 de fevereiro de 1967)[1] é um artista islandês–dinamarquês conhecido por suas instalações artísticas esculpidas e em grande escala, empregando materiais elementares como luz, água e temperatura do ar para ampliar a experiência do espectador. OLAFUR ELIASSON. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2024. Disponível em: . Acesso em: 27 mar. 2024. Monumento mínimo Essa obra apresenta centenas de figuras humanas de gelo, sentadas com os tornozelos cruzados e a cabeça pendente para o lado. Corpos em degelo remetem a mortalidade da humanidade diante das emergências climáticas, uma leitura atribuída de forma intuitiva pelos espectadores da exposição. [...] “A questão do aquecimento global e as ameaças das mudanças climáticas no planeta como uma questão ética, estamos juntos: terra, água, fogo, ar, animais, plantas e huma- nos sem hierarquizar o que está vivo. Isso nos mostra uma interdependência entre toda espécie viva e nos coloca , os diferentes humanos, na mesma condição e diante de uma urgência planetária. Essa urgência requer uma mudança de paradigma no desenvolvimento de governos de todas as nações para pensar em outro modelo de desenvolvimento fora do nível atual de consumo. Essas ameaças também colocam finalmente o homem ocidental em seu lugar, ele não é o “rei” da natureza, mas um elemento constituinte dela. Nós somos natureza”. [...] Fonte: Monumento mínimo. Néle Azevedo. [S.l.] 2005. Disponível em: https://www.neleazevedo.com.br/monumento- minimo. Acesso em: 19 out. 2024. Fo nt e: (M on um en to ... , 20 24 ). https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Olafur_Eliasson&oldid=67692904 https://www.neleazevedo.com.br/monumento-minimo https://www.neleazevedo.com.br/monumento-minimo 83 Néle Azevedo é uma artista plástica brasileira. Nasceu em Santos Dumont - MG , vive e trabalha em São Paulo. Ficou conhecida com seu projeto de intervenções urbanas “Monumento Mínimo”, que subverte os cânones do monumento convencional: reduz a escala a centímetros, substitui pessoas ilustres por cidadãos comuns, troca materiais duradouros por gelo. O “Monumento Mínimo” também é tema e título da dissertação de mestrado que a artista defendeu na UNESP, em 2002. Néle já levou sua obra a países como França, Itália, Portugal, Cuba, Alema- nha, Inglaterra, Noruega e Japão. Fonte: NÉLE AZEVEDO. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2024. Disponível em: . Acesso em: 19 ago. 2024. A menina que se afoga em Bilbao, de Ruben Orozco Um alerta para emergência climática e o planeta como herança viável para as novas gera- ções, essa escultura hiper realista causa comoção aos espectadores e promove inspiração para ação. “A intenção com a campanha e a escultura é provocar o público acerca das escolhas insus- tentáveis adotadas pela sociedade e o futuro que queremos – pensando nas crianças e nos jovens, principalmente – para que se conscientize de que “suas ações podem nos afundar ou nos manter à tona”, comenta o artista em seu Instagram. (Nunes, 2021). Fonte: Nunes, 2021 Exiba o vídeo indicado no link a seguir: VÍDEO SUGERIDO A menina que se afoga em Bilbao”, de Ruben Orozco. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=te- D02Oey3XU. Fo nt e: (N un es , 20 21 ). https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=N%C3%A9le_Azevedo&oldid=68473173 https://www.youtube.com/watch?v=teD02Oey3XU https://www.youtube.com/watch?v=teD02Oey3XU 84 O grito daproporcionar aos estudantes a capacidade de pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas e nome- ar os elementos constitutivos das Artes Visuais na apreciação de diferentes produções ar- tísticas; relacionando as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social e cultural. Para contemplar as habilidades selecionadas, partiremos em conceituar os elementos bási- cos que constituem as Artes Visuais, e posteriormente identificar esses elementos traduzi- dos na obra do artista e design mineiro Ronaldo Fraga. Obs: O(a) docente, tem a liberdade de adaptar esse planejamento de acordo com a rea- lidade a qual está inserido(a), considerando os espaços físicos, as tecnologias disponíveis, a maturidade da turma, dentre outros. Os objetos de conhecimento devem ser articulados de modo a corroborar com os propósitos pedagógicos de cada escola, com o objetivo de atingir o desenvolvimento intelectual, emocional e cultural dos estudantes. A quantidade de aulas necessárias para o desenvolvimento desse planejamento, também fica a critério do(a) professor(a), que tem autonomia e expertise para as adaptações necessárias, levando em conta as especificidades da turma e do contexto regional, como também a possibilidade de estender o planejamento para um possível projeto transdisciplinar, fator importante para uma educação dentro dos parâmetros das metodologias ativas. Equipamento multimídia, laboratório de informática com acesso à internet, textos e imagens impressas, materiais de arte diversos para o trabalho prático. MATERIAIS NECESSÁRIOS 7 MÓDULO I: 1º Momento: O analfabetismo visual e o discurso semiótico nas imagens. Caro(a) Professor(a)! Tudo começa num ponto. (Wassily Kandinsky). A partir desta frase de Kandinsky, inicie um diálogo com a turma perguntando o que é um “ponto” para eles. Deixe que se expressem espontaneamente e anote as respostas na lousa. Pontos de vista, ponto de chegada ou de partida, ponto cartesiano, pontos do bordado, etc., compõem esse conceito que pode ser percebido no cotidiano de todos. Em seguida, apresente para a turma o poema indicado no quadro abaixo: PONTO DE PARTIDA Fica logo abaixo da rua de cima, no princípio do começo do caminho de ida. A estrada é aquela (acho), piso maleável, bom estado e clima, te passo o endereço em outra poesia, quem sabe? outra vida. basta olhar pela janela, que se mantém fechada, só abre por dentro. logo verá o ponto de chegada, e bem no centro Uma placa destacada: meio distraída, AQUI: PONTO DE PARTIDA. (Gustavo Drummond) DRUMOND, Gustavo. PONTO DE PARTIDA. Janela da Poesia. [S.l.] 2018. Gustavo. Disponível em: https:// janeladepoesia.wordpress.com/2018/08/21/ponto-de-partida-gustavo-drummond/ Acesso em: 05 set. 2024. [...]”O que é semiótica? A semiótica é a ciência que estuda os signos, portanto, seu campo de estudo é am- plo, pois abarca todas as linguagens (verbais e não verbais), já que cada linguagem é formada de signos que permitem a comunicação entre os indivíduos. Isso porque os signos estão associados a algum tipo de representação. Queremos dizer, com isso, que os signos são sinais indicadores de algo, dentro de um determinado contexto sociocul- tural.” [...] Fonte: (SOUZA, 2024). 8 Na Arte, o ponto é a menor e mais simples unidade de comunicação visual. Ao fazermos uma marca em uma superfície, seja com tinta ou um objeto pontiagudo, esse se torna um ponto de referência em um espaço. VÍDEO SUGERIDO O PONTO. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RwVfI- b_--5Q. 2º Momento Além do “ponto”, apresente à turma os diversos elementos que compõem as Artes Visuais. Estes elementos constituem a substância fundamental de tudo que é perceptível pela visão. Para Donis A. Dondis, 1991, “Sempre que alguma coisa é projetada e feita, esboçada e pintada, desenhada, rabiscada, construída, esculpida ou gesticulada, a substância visual da obra é composta a partir de uma lista básica de elementos”. O ponto, a linha, a cor, a forma, a textura, a dimensão, a escala e o movimento, são listados por Dondis como matéria-pri- ma de toda expressão visual. Podemos identificar esses elementos como compositores de imagens? Obs: O conteúdo do quadro abaixo pode ser impresso e distribuído para a turma ou escrito na lousa para copiarem no caderno. Os elementos visuais são os elementos básicos que compõem a linguagem visual da arte. Eles são usados por artistas para criar composições visual- mente interessantes e expressivas. Entre os principais elementos visuais utilizados na arte estão: Linha: é uma marca que se estende em uma direção e pode ser reta, curva, ondulada ou angular. Ela é frequentemente usada para definir formas e contornos. Forma: é uma área dentro de uma linha que pode ser definida por sua borda ou por outros elementos visuais. As formas podem ser orgânicas ou cerâmicas. Cor: é a propriedade que define a aparência de uma superfície em termos de luz re- fletida. As cores podem ser primárias, secundárias ou terciárias. Proporção: é a relação de tamanho entre as diferentes partes de uma obra de arte ou entre os objetos representados. Movimento: é a sensação de ação ou direção dentro de uma obra de arte. Ele pode ser sugerido através do uso de linhas, formas e texturas. https://www.youtube.com/watch?v=RwVfIb_--5Q https://www.youtube.com/watch?v=RwVfIb_--5Q 9 Textura: nas Artes Visuais desperta o sentido do tato, tornando a experiência visual mais atraente e sensorial. Uma imagem pode remeter a essas sensações por meio das pinceladas, pelas cores e tons, pela composição do espaço e pela escolha de técnicas e materiais, etc. Todos esses elementos visuais podem ser usados em conjunto pelos artistas para criar uma variedade de efeitos visuais e expressivos em suas obras de arte. BETTIOL,Veruska. Arte/Artes Visuais – Elementos Constitutivos das Artes Visuais. Prefeitura de Goiânia. Goiânia – GO, [2024]. Disponível em: https://sme.goiania.go.gov.br/conexaoescola/ensino_fundamental/arte-artes-visuais- elementos-visuais/. Acesso em: 22 ago. 2024. 1 3º Momento Hora da prática! Leitura Visual. Oriente a turma que identifiquem os elementos básicos das Artes Visuais nas imagens dis- postas no quadro abaixo, considerando o conteúdo apresentado anteriormente: Obs: (As imagens podem ser projetadas para realizar uma atividade coletiva, ou impressas para atividade individual) Cada estudante deve ter liberdade em se manifestar, analisando as imagens e comentando os detalhes percebidos. Algumas perguntas podem ser utilizadas no intuito de subsidiar esse momento: • Escolha uma dessas imagens e responda: qual mensagem ela passa para você? • Você já havia pensado que imagens são meios de comunicação? • É possível ler uma imagem? • Qual dessas imagens apresenta a textura com maior ênfase? • Qual dessas imagens evidencia a textura e a dimensão? • Qual dessas imagens evidencia a cor e a profundidade? • Quais dessas imagens evidenciam as linhas e a dimensão? • Você consegue perceber a sugestão de movimento indicado em algumas dessas imagens? https://sme.goiania.go.gov.br/conexaoescola/ensino_fundamental/arte-artes-visuais-elementos-visuais/ https://sme.goiania.go.gov.br/conexaoescola/ensino_fundamental/arte-artes-visuais-elementos-visuais/ 10 Linhas de interseção, 1923 - Wassily Kandinsky Café da manhã em pele, da artista suíça Meret Oppenheim, 1936 Desvio para o vermelho - Cildo Meireles Edifício Niemeyer – Belo Horizonte Fo nt e: (A ID AR , 2 02 3) . Fo nt e: (M EI RE LE S, 1 96 7) . Fo nt e: (B er na rd es , [ 20 24 ]) Fo nt e: (K AN DI NS KY , 2 02 3) . 11 Obra: Rodoviária de Brumadinho A fábula moderna da formiga e do elefante Bolinhas, Ponto, Yayoi kusama 4º Momento Exiba o vídeo indicado no link abaixo e peça aos estudantes que observem os elementos básicos das Artes Visuais presentes nas imagens: VÍDEO SUGERIDO Ponto de ônibus. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QaDAR-natureza Franz Krajcberg (1921 - 2017), pintor e escultor polonês, radicado no Brasil desde 1972, apresenta em sua obra o encantamento pela natureza e produz esculturas que são um pedido de socorro. “Krajcberg dedica sua arte à contestação e à denúncia contra a des- truição das florestas e a ameaça aos territórios indígenas”. (Krajcberg…, 2012). Exiba o vídeo indicado no link abaixo: VÍDEO SUGERIDO Krajcberg, o grito da Natureza. Disponível em: https://tvbrasil.ebc.com.br/expedicoes/epi- sodio/krajcberg-o-grito-da-natureza. 2º Momento As obras selecionadas acima são “Instalações”, uma linguagem da arte contemporânea. As instalações referem-se a intervenções em espaços internos ou externos, na maioria das vezes temporárias (arte efêmera). É uma expressão interativa que incorpora a arquitetura e a geografia das cidades, deslocando a arte do seu espaço áureo (intocável), com a intenção de proporcionar o acesso às massas que de modo democrático provoca uma consciência co- letiva. As Instalações selecionadas neste planejamento, são consideradas “arte ativista” ou “artivismo1” que têm ecoado a emergência climática pelos quatro cantos do mundo, como uma lupa, colocando em perspectiva o cenário catastrófico que se anuncia, fazendo com que a população se atente para ações urgentes que minimizem tais impactos. Saiba mais! Fo nt e: (K ra jc be rg … , 2 01 2) ). SITE SUGERIDO 6 instalações artísticas que alertam para a crise climática. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/931872/ arte-e-arquitetura-6-instalacoes-artisticas-que-alertam-para- a-crise-climatic. https://tvbrasil.ebc.com.br/expedicoes/episodio/krajcberg-o-grito-da-natureza https://tvbrasil.ebc.com.br/expedicoes/episodio/krajcberg-o-grito-da-natureza https://www.archdaily.com.br/br/931872/arte-e-arquitetura-6-instalacoes-artisticas-que-alertam-para-a-crise-climatic https://www.archdaily.com.br/br/931872/arte-e-arquitetura-6-instalacoes-artisticas-que-alertam-para-a-crise-climatic https://www.archdaily.com.br/br/931872/arte-e-arquitetura-6-instalacoes-artisticas-que-alertam-para-a-crise-climatic 85 MÓDULO III: Hora da prática! Trabalho coletivo Professor(a), considerando os conteúdos abordados e o entendimento de que a arte con- temporânea sempre está relacionada a um contexto, proponha para a turma criar uma instalação artística inspirada pelas obras apresentadas nesta sequência didática, sobre o impacto que as questões climáticas têm causado na sua região ou pelas manchetes do noticiário que abordam as emergências climáticas pelo mundo. Peça que reflitam e expres- sem nesse trabalho sobre os longos períodos de estiagem que propiciam as queimadas, prejudicando as cadeias naturais e afetando as produções agrícolas, a qualidade do ar, o impacto na saúde da população, sobre o excesso de chuva como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2024, a inconstância nas estações no ano que se tornam indefinidas, dentre outras. O que é Artivismo? O artivismo é a junção da arte com o ativismo: artistas utilizam suas criações para conscientizar, provocar reflexão e impulsionar mudanças em questões sociais, políticas ou ambientais. É uma forma de expressão que transcende os limites convencionais da arte e busca impactar diretamente a sociedade. O artivismo abrange diversas formas de manifestação, incluindo pintura, escultura, música, teatro, cinema, dança e perfor- mance. Artivismo: Quando a Arte Encontra a Causa. [S.l.] Disponível em: https://artery. global/artivismo-quando-a-arte-encontra-a-causa/ Acesso em: 20 out. 2024. Trabalho individual Encaminhe os estudantes ao laboratório de informática e oriente que criem panfletos digi- tais sob a perspectiva do “artivismo”, conscientizando sobre as emergências climáticas de acordo com os conteúdos abordados, utilizando o Canva. Siga o passo a passo a seguir: Ö Acesse o Canva: Abra o site ou app e faça login. Ö Escolha um Template: Na página inicial, clique em “Criar um design” e selecione “Panfleto” ou “Flyer”. Você pode escolher entre vários templates disponíveis. Ö Personalize o Layout: Comece personalizando o template. Alterne as imagens, textos, cores e fontes conforme seu gosto e as informações que você precisa incluir. SITE SUGERIDO Modelos de QR codes customizáveis e grátis. Disponível em: https://www.canva.com/pt_br/modelos/s/qr- codes/?form=MG0AV3. 86 Ö Adicione Elementos: Use o menu lateral para adicionar imagens, ícones, gráficos e outros elementos visuais. Você pode fazer upload de suas próprias imagens ou usar as disponíveis no Canva. Ö Organize e Revise: Verifique a disposição dos elementos e ajuste-os para garan- tir que o panfleto fique claro e atrativo. Revise o texto para correções gramaticais e de ortografia. Ö Salve e Baixe: Quando terminar, clique em “Baixar” no canto superior direito. Escolha o formato de download, como PDF ou PNG, que são boas opções para panfletos digitais. Crie junto com a turma uma página nas redes sociais para a publicação dos pan- fletos. 87 MÓDULO IV: Consolidando o aprendizado De acordo com os conteúdos abordados anteriormente, responda as questões a seguir: 1 – Como as atividades humanas contribuíram para as mudanças climáticas des- de o início da Revolução Industrial? 2 – Quais são os impactos esperados das mudanças climáticas nas áreas se- miáridas e o que você sugere como uma ação que combata esse processo de degradação? 3 – Como a arte pode ajudar a aumentar a conscientização sobre a emergência climática? 4 – Quais foram algumas das reações do público à obra de Olafur Eliasson sobre o clima? 5 – De que maneira as mudanças climáticas podem afetar a biodiversidade? 6 – O que significa “savanização” e como ela pode impactar as regiões de flo- resta? 7 – Quais são os principais elementos e conceitos presentes nas obras de “arte ativista” mencionadas nos textos? 8 – Como a conversão de florestas em lavouras pode contribuir para o aqueci- mento global? 9 – Fale com suas palavras o que você entendeu sobre o conceito de Instalação Artística: 10 – Você observa e identifica alguns impactos causados pelas mudanças climá- ticas na sua região? Quais? EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO DE CONCEITOS 88 A CULTURA Brasileira Através da Moda de Ronaldo Fraga | Domestika Brasil. [S.l.; s.n.] 18 de nov. de 2021. 1 vídeo (05:48 min) Publicado pelo canal Domestika Brasil. Dis- ponível em: https://www.youtube.com/watch?v=strVTt9REvo . Acesso em: 30 ago. 2024. A CULTURA Brasileira Através da moda de Ronaldo Fraga. Domestika Brasil. [S.l] 2024. Disponível em: https://www.domestika.org/pt/blog/9094-a-cultura-brasileira-atraves-da- -moda-de-ronaldo-fraga Acesso em: 30 ago. 2024. A FÁBULA moderna da formiga e do elefante. Bolas e Letras. Disponível em: https://bo- laseletras.blogs.sapo.pt/a-fabula-moderna-da-formiga-e-do-937580. Acesso em 22 ago. 2024. Ahearn e Torres, John, Rigoberto. Abre a porta; Rodoviária de Brumadinho. INHOTIM. Brumadinho MG, 2006. Disponível em: https://www.inhotim.org.br/item-do-acervo/abre-a- -porta-rodoviaria-de-brumadinho/ . Acesso em: 22 ago. 2024. A HISTÓRIA da ‘Maria, Maria’, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Novabrasil. São Paulo, 2022. Diponível em: https://novabrasilfm.com.br/notas-musicais/a-historia-da-ma- ria-maria-de-milton-nascimento-e-fernando-brant Acesso em: 30 set. 2024. AILTON Krenak - Discurso na Assembleia Constituinte. [ S.l., s.n.] 2018. 1 vídeo (8:28 min.) Publicado pelo canal Luís Nicácio. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?- v=TYICwl6HAKQ Acesso em: 24 set. 2024. ALBUQUERQUE, Rogéria Miranda. A simbologia mítica nas danças dos povos originários. Se liga na Educação. Belo Horizonte, 2024, págs. 53 a 84 Disponível em: https://drive. google.com/file/d/1OvV2kBaGhLoxMiSZluUolyXwa_R29pUF/view Acesso 22 set. 2024. ALBUQUERQUE, Rogéria Miranda. Imagem 2: Caça palavras gerada por IA – Geniol, 02 de abr. 2024. ALBUQUERQUE, Rogéria M. Imagens do acervo pessoal da autora deste planejamento. EBA – UFMG - Belo Horizonte,2019. ALBUQUERQUE, Rogéria. Colagem Digital in.: Canva. Belo Horizonte, 2024. Armandinho e os Direitos Humanos. Unicamp. Campinas, SP, [2024]. 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São Paulo, [S.n.] 2022. 1 vídeo (10.00 min.) publicado pelo canal Bienal de São Paulo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=v_MsfGKEba4 Acesso em 30 set. 2024. BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Relatórios Especiais do IPCC. Brasília, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/sirene/ publicacoes/relatorios-do-ipcc Acesso em 19 out. 2024. 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Ministério dos Povos Indígenas. Conheça o Toré, ritual de diferentes etnias do Nordeste do país. [Brasília]: 18 Jul. 2022 Disponível em: https://www.gov.br/funai/pt-br/ assuntos/noti- cias/2022-02/conheca-o-tore-ritual-de-diferentes-etnias-do-nordeste-do- -pais. Acesso em: 11 abr. 2024. BRASIL. Ministério dos Povos Indígenas. Cultura: Saiba mais sobre o maracá, instrumento musical indígena. [Brasília]: 22 Set. 2022 Disponível em: https://www.gov.br/funai/pt-br/ assuntos/noticias/2022-02/cultura-saiba-mais-sobre-o-maraca-instrumento-musical-indige- na. Acesso em: 11 abr. 2024. BRASIL. Ministério dos Povos Indígenas. Pinturas corporais indígenas carregam mar- cas de identidade cultural [Brasília]: 18 Jul. 2022 Disponível em: https://www.gov. br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2022-02/pinturas-corporais-indigenas-carregam-mar- cas-de-identidade-cultural/jogosindigenas_1dia_20111111_3569-edit.jpg/@@images/ f29222ea-5d93-4d19-9084-d06cca1adad6.jpeg. Acesso em: 19 abr. 2024. BRASIL. Ministério dos Povos Indígenas. Ritual do Kuarup no Parque do Xingu reúne povos indígenas em homenagem a seus ancestrais. [Brasília]: 01 ago. 2019 Disponível em: https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2019/rituais-do-kuarup-no-parque- -do-xingu-reune-povos-indigenas-em-homenagem-a-seus-ancestrais. Acesso em: 11 abr. 2024. BROTHERS, Laura. Guia de como fazer uma colagem digital. SKILL SHARE [S.l.] 2022. Disponível em: https://www.skillshare.com/pt/blog/guia-de-como-fazer-uma-colagem-digi- tal/ Acesso em: 22 out. 2024. CAMARGO, Pablo Matos; Povos indígenas em Minas Gerais. Cedefes. [S.l.] 2020. Dispo- nível em: https://www. cedefes.org.br/artigo-povos-indigenas-em-minas-gerais/. Acesso em: 17 abr. 2024. CANVA. Modelos de QR codes customizáveis e grátis. [S.l.] 2024. Disponível em: https:// www.canva.com/pt_br/modelos/s/qr-codes/?form=MG0AV3 Acesso em: 19 out. 2024. COM O CORAÇÃO saindo pela boca, 2022. Pavilhão Brasil, 59ª Bienal de Veneza. Cargocoletive.com. [S.l.] 2022. 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Arte e Contexto - “Maria Maria” na Dança do Corpo. “Com o coração saindo pela boca”, o Brasil se apresenta na Bienal de Veneza - Condições de Produção, Circulação e Recepção de Recursos. Arte e meio ambiente. As questões climáticas em perspectiva.Nb0WNU. Fo nt e: (J oh n Ah ea rn & R ig ob er to T or re s, 2 00 6) Fo nt e: (A .A . A F ÁB UL A. .., [2 02 4] ) Fo nt e: (K us am a, [2 02 4] ) 12 MÓDULO II: 1º Momento: O ponto, a linha, a cor, a textura e o olhar poético na criação de Ronaldo Fraga. Prezado(a) professor(a)! Agora que a turma já se apropriou dos elementos básicos das Artes Visuais, iremos conhe- cer a trajetória e a obra do artista mineiro, Ronaldo Fraga, que integra o cenário da diver- sidade cultural mineira e brasileira, proporcionando aos estudantes um olhar amplificado, identificando a substância das Artes Visuais nos processos criativos deste artista. O reco- nhecimento e a inserção de contextos é a forma mais eficaz na construção de conhecimen- to, elevando a cultura dos estudantes, que seguirão capazes de se posicionar no mundo de forma crítica e reflexiva ao aguçar seu olhar na leitura visual. Ronaldo Fraga Ronaldo Fraga (1967, Belo Horizonte, MG) é estilista, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com pós-graduação na Parson’s – The New School for Design, em Nova York, e na Saint Martins School, em Londres. [...] Reconhecido como um dos maiores nomes da moda brasileira, Ronaldo Fraga propõe em seus desfiles um diálogo da nossa cultura com o mundo contemporâneo. O universo da obra de Carlos Drummond de Andrade, o sertão de Guimarães Rosa, a cerâmica das bonecas do Jequitinhonha e o legado da cantora Nara Leão são apenas alguns dos temas que já foram retratados em suas coleções-manifestos. Com mais de 30 coleções no currículo, teve sua contribuição à moda e à cultura brasileiras reconhe- cida em prêmios relevantes, como o TRIP Transformadores, em 2011. Além de sua marca própria, Ronaldo Fraga desenvolve projetos de geração de emprego e renda baseados na reafirmação cultural junto a cooperativas e comunidades ligadas à indústria de confecção. RONALDO FRAGA. Cobogó. [S.l.] [2024]. Disponível em: https://www.cobogo.com.br/ronaldo-fraga. Acesso em: 22 ago 2024. Fo nt e: (R on al do F ra ga , 2 02 3) . https://www.cobogo.com.br/ronaldo-fraga 13 “Em 1997, a vida e obra do artista plástico Arthur Bispo do Rosário serviu de inspiração para a coleção Em Nome do Bispo. Em 2001, o engajamento político e a biografia da estilista Zuzu Angel, assassinada pela ditadura militar, foi o ponto de partida do desfile Quem Matou Zuzu Angel? Os escritores Guimarães Rosa, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, os artistas plásticos Athos Bulcão e Cândido Portinari, os can- tores Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa e Nara Leão estão entre os nomes de brasileiros lembrados em coleções do estilista”. [...] O desfile Costela de Adão, de 2003, foi ins- pirado no cotidiano do Vale do Jequitinhonha e nas artesãs que moldam as bonecas de barro, que são criações típicas e fonte de renda da região. Em 2008, apresentou a coleção “Rio São”, inspirado no Rio São Francisco, um local sobre o qual ouvira falar constantemente, graças a seu pai. Em 2010, voltou ao tema, dessa vez com uma ex- posição “Rio São Francisco Navegado por Ronaldo Fraga”. (Fraga 2021). Coleção Costela de Adão - 2003 Coleção Rio São - 2008 Ronaldo Fraga além de estilista, design, figurinista e cenógrafo, também é ilustrador e autor de livros. As histórias e personagens do Brasil profundo estão sempre presentes em suas coleções, enfatizando nossa identidade como um bem primordial. A literatura, a música, a dança, o teatro e até a geografia e os biomas brasileiros são traduzidos em suas criações como fonte de inspiração que reverencia nossa cultura de forma poética e sensível. No ano de 2021, Ronaldo Fraga lança a coleção “Entre Tramas e Beijos”, inspirada na his- tória da indústria têxtil no Brasil, a Fábrica de Tecidos Carlos Renaux em Brusque – SC, fundada em 1892, trazida por karl Renaux, imigrante alemão, com a intenção de fornecer tecidos para as roupas dos europeus que se instalaram naquela região. Uma história que se confunde com a história do nosso país. “Entre Tramas e Beijos” é um relato Ronaldo Fraga sobre “a resistência e a reexistência” que identifica entre os povos originários a presença da tecnologia do tecido que já se fazia presente em suas redes e tramas antes da invasão Fo nt e: (A C ul tu ra ... , 2 02 4) . Fo nt e: (A C ul tu ra ... , 2 02 4) . 14 dos colonizadores. “A coleção é feita 100% de bases de jacquard, em fios de algodão, seda, linho e viscose, o estilista resgata desenhos florais criados há 100 anos, e também “a fan- tasia tão necessária nesses tempos cinzas e áridos.” (Fraga, 2021) Para Ronaldo Fraga, a moda pulsa como herdeira da arte, imprime transformações sociais e alcança vida própria no movimento do corpo, traduzindo a emoção e o sentimento de cada época. “Você pode ter inspiração em qualquer lugar. Se não vir, olhe de novo. Passada a eufo- ria da globalização, caminha-se em direção ao que é autoral. Valoriza-se o que é feito de modo especial. O que justificaria uma mídia espontânea? É aquilo que é caro para a gente, que tem valor, mas não tem preço”. (Ronaldo Fraga in.: Duarte, 2015). 2º Momento Exiba os vídeos indicados nos links abaixo: 3º Momento Leve a turma ao laboratório de informática e peça para visitarem as coleções de Ronaldo Fraga. Os estudantes podem escolher as coleções de forma aleatória. Peça para anotarem no caderno suas impressões e curiosidades sobre as criações do artista. Veja lista de coleções no quadro abaixo: Coleções 1. Eu Amo Coração de Galinha (Inverno 1996) 2. Álbum de Família (Verão 1997) 3. Em Nome do Bispo (Inverno 1997) RONALDO FRAGA - SPFW N52. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=m- znbXnPlKVs. A Cultura brasileira através da moda de Ronaldo Fraga - Domestika Brasil. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=strVT- t9REvo. VÍDEO SUGERIDO https://www.youtube.com/watch?v=mznbXnPlKVs https://www.youtube.com/watch?v=mznbXnPlKVs https://www.youtube.com/watch?v=strVTt9REvo https://www.youtube.com/watch?v=strVTt9REvo 15 3º Momento Leve a turma ao laboratório de informática e peça para visitarem as coleções de Ronaldo Fraga. Os estudantes podem escolher as coleções de forma aleatória. Peça para anotarem no caderno suas impressões e curiosidades sobre as criações do artista. Veja lista de coleções no quadro abaixo: 4. O Império do Falso na Bacia das Almas (Verão 1998) 5. O Jantar (Inverno 1998) 6. O vendedor de Milagres (Verão 1999) 7. A Roupa (Inverno 1999) 8. Bibelôs (Verão 2000) 9. As Células de Louise (Inverno 2000) 10. A Carta (Verão 2001) 11. Rute Salomão (Inverno 2001) 12. Quem Matou Zuzu Angel (Verão 2002) 13. Corpo Cru (Inverno 2002) 14. Cordeiro de Deus (Verão 2003) 15. As Viagens de Gulliver (Inverno 2003) 16. Costela de Adão (Verão 2004) 17. Quantas Noites Não Durmo (Inverno 2004) 18. São Zé (Verão 2005) 29. Todo Mundo e Ninguém (Drummond Inverno 2005) 20. Descosturando Nilza (Verão 2006) 21. A Festa no Céu (Inverno 2006) 22. A Cobra Ri (Verão 2007) 23. A China de Ronaldo Fraga (Inverno 2007) 24. Nara Leão Ilustrada por Ronaldo Fraga (Verão 2008) 25. A Loja de Tecidos (Inverno 2008) 26. Rio São Francisco (Verão 2009) 27. Tudo é risco de Giz (inverno 2009) 28. Disneylândia (verão 2010) 29. Pina Bausch (Inverno 2010) 30. Turista Aprendiz (verão 2011) 16 31. Entre Athos (Inverno 2011) 32. Noel Rosa - O Cronista do Brasil (Verão 2012) 33. Roupas, Memórias e Croquis 34. Turista Aprendiz da Terra do Grao Pará (Verão 2013) 35. O Fim do Sem Fim (Inverno 2013) 36. Futebol (Verão 2014) 37. Carne Seca ou um Turista Aprendiz na Terra Áspera (Inverno 2014) 38. O Caderno Secreto de Cândido Portinari (Verão 2015) 39. Cidade Sonâmbula (Inverno 2015) 40. Fúria da Sereia (Verão 2016) 41. E Por Falar em Amor (Inverno 2016) 42. Re-existência (Verão 2017) 43. El dia que me quieras (Inverno 2017) 44. As praias desertas continuam esperando por nós dois (Verão 2018) 45. As Mudas (Inverno 2018) 46. A colina da primavera (Inverno 2019) 47. Guerra & Paz(Verão 2019) RONALDO FRAGA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2023. Disponível em: . Acesso em: 18 jun. 2023. 17 MÓDULO III As descobertas e aprendizados como forma de inspiração para o fazer criativo. 1º Momento Caro(a) professor(a), esse é o momento de colocar em prática o que foi aprendido. Vamos criar uma coleção de moda nos moldes dos processos criativos de Ronaldo Fraga, explo- rando os elementos básicos das Artes Visuais nas criações. Converse com a turma sobre as características culturais, econômicas, sociais, geográficas, religiosas, etc., da sua cidade ou região e extraia as ideias dessas referências locais. 2º Momento A partir das análises feitas anteriormente (características culturais, econômicas, sociais, geográficas, religiosas, etc., da sua cidade ou região), divida a turma em grupos de até 4 pessoas. Oriente que se reúnam e que escolham um tema para a criação de uma coleção de moda, explorando os elementos fundamentais das Artes Visuais, tendo como inspiração o processo de criação do estilista Ronaldo Fraga. O suporte para as criações pode ser bonecos ou bonecas de plástico ou a forma humana recortada em papelão. Os materiais necessários serão determinados e providenciados pelos grupos, de acordo com os temas escolhidos. Não esquecendo que as coleções devem receber um título criativo. (Explore as metáforas como na coleção “Costela de Adão” de Ronaldo Fraga) . Por que Ronaldo Fraga escolheu esse nome para representar a arte característica do Vale do Jequitinhonha? A produção poderá ocorrer na sala de aula, reservando uma ou duas aulas para este pro- pósito. Ao final do processo, a turma organizará uma exposição para toda a comunidade escolar. Faça o registro do processo por meio de fotografias e crie junto com a turma um texto que deve ser afixado no local da exposição. Os textos para exposição devem ser cur- tos, interessantes e inspirados nas experiências vividas nesse planejamento. (Essa produ- ção textual poderá ser feita com o auxílio dos(as) professores(as) de Língua Portuguesa, promovendo a transdisciplinaridade). Inventando moda – EBA – UFMG 2019 Fo nt e: (A lb uq ue rq ue ., 20 19 ). Fo nt e: (A lb uq ue rq ue ., 20 19 ). Fo nt e: (A lb uq ue rq ue ., 20 19 ). 18 3º Momento Montagem da exposição e convite para a visitação da comunidade escolar. Caro(a) professor(a), veja no quadro abaixo sugestão de atividades de fixação que podem ser reportadas aos estudantes: Consolidando o aprendizado Fo nt e: (A lb uq ue rq ue ., 20 19 ). Fo nt e: (A lb uq ue rq ue ., 20 19 ). Fo nt e: (A lb uq ue rq ue ., 20 19 ). 1 – Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira, utilizando o espaço em branco para fazer a ilustração do elemento sugerido: A. Proporção ( ) É a propriedade que define a aparência de uma superfície em termos de luz refletida. As cores podem ser primárias, secundárias ou terciárias. B. Movimento ( ) É uma marca que se estende em uma direção e pode ser reta, curva, ondulada ou angular. Ela é fre- quentemente usada para definir formas e contornos. C. Forma ( ) Nas Artes Visuais desperta o sentido do tato, tornando a experiência visual mais atraente e senso- rial. Uma imagem pode remeter a essas sensações por meio das pinceladas, pelas cores e tons, pela composi- ção do espaço e pela escolha de técnicas e materiais, etc. D. Ponto ( ) É a relação de tamanho entre as diferentes partes de uma obra de arte ou entre os objetos re- presentados. EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO DE CONCEITOS 19 Conclusão Para se obter um bom resultado do ensino aprendizagem de Arte, deve-se sempre trazer o assunto o mais próximo possível do cotidiano dos estudantes, promovendo a reflexão e um sentido de identidade com os processos e o resultado. É importante considerar o intercâm- bio entre os estudantes na apreciação tanto das próprias produções, quanto da produção dos colegas, estimulando o respeito e a empatia com o trabalho do outro. Procedimento de avaliação De acordo com Contocani, s/d; “Para construir uma avaliação formativa em Arte, que seja contínua e processual, além da documentação pedagógica dos processos experiencia- dospelos estudantes, podemos lançar mão de outras ferramentas, como a autoavaliação e o portfólio”. Nesse sentido, deve-se considerar o envolvimento individual, a disposição e organização do trabalho coletivo, a pontualidade e a fundamentação das produções. F. Cor ( ) É a sensação de ação ou direção dentro de uma obra de arte. Ele pode ser sugerido através do uso de linhas, formas e texturas. G. Textura ( ) É uma área dentro de uma linha que pode ser de- finida por sua borda ou por outros elementos visuais. Podem ser orgânicas ou cerâmicas. E. Linha ( ) É a menor e mais simples unidade de co- municação visual. Ao fazermos uma marca em uma superfície, seja com tinta ou um objeto pontiagudo, esse se torna a referência em um espaço. 2 – Quais são as fontes de inspiração do artista e estilista Ronaldo Fraga para criar suas coleções? 3 – Ronaldo Fraga tem na literatura uma forma de se inspirar. Você considera importante a leitura como fator preponderante para ampliar o seu repertório? Justifique. 4 – Em qual livro você se inspiraria para criar uma obra de arte? 5 – A moda é uma maneira de auto expressão, que diz de um contexto, indicando um tempo e um lugar, sendo um modo de se reconhecer e pertencer aos diversos grupos sociais. Para você o que representa a moda e qual seu estilo preferido? 6 – Cite as marcas que você usa ou gostaria de usar e qual o sentido elas fazem para você: 7 – Quais elementos básicos das Artes Visuais, como linha, forma, cor e textura, você identifica nas criações de Ronaldo Fraga, e como eles contribuem para trans- mitir a identidade cultural brasileira e as histórias que ele conta em suas coleções? 20 (In)forme-se mais através das ferramentas Plataforma com conteúdo seguro, interati- vo, divertido e de qualidade para professo- res e estudantes. Disponível em: https://britannica.com.br/. Plataforma de leitura que apoia a promo- ção do hábito da leitura e das habilidades de compreensão leitora dos estudantes. Disponível em: https://www. elefanteletrado.com.br/. Plataforma que oferece livros digitais, vi- deoaulas, simulados, correção de reda- ção, relatórios individuais de desempenho e muito mais para auxiliar o estudante na preparação para o ENEM. Disponível em: https://www.enem. educacao.mg.gov.br/plataforma/login. Utilize-as em seu dia-a-dia na prática da sala de aula, são parceiras da SEE-MG. https://britannica.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login 21 1) Identificar e compreender como as linguagens artísticas se articulam com os contex- tos aos quais se integram, sejam eles sociais, culturais, históricos, etc., considerando a importância dos signos e as diversas leituras que se estabelecem. 2) Analisar de forma crítica e reflexiva as relações de poder que se apresentam por meio das linguagens, despertando o entendimento e a apropriação do discurso implíci- to na expressão artística. COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Competência específica 2: Compreender os processos identitários, conflitos e rela- ções de poder que permeiam as práticas sociais de linguagem, respeitando as diversi- dades e a pluralidade de ideias e posições, e atuar socialmente com base em princípios e valores assentados na democracia, na igualdade e nos Direitos Humanos, exercitando o autoconhecimento, a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, e combatendo preconceitos de qualquer natureza. HABILIDADES (EM13LGG201) Utilizar as diversas linguagens (artísticas, corporais e verbais) em di- ferentes contextos, valorizando-as como fenômenosocial, cultural, histórico, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso. (EM13LGG202) Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compre- endendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re) produzem signifi- cação e ideologias. (EM13LGG204) Dialogar e produzir entendimento mútuo, nas diversas linguagens (ar- tísticas, corporais e verbais), com vistas ao interesse comum pautado em princípios e valores de equidade assentados na democracia e nos Direitos Humanos. (EM13LGG205MG) Conhecer e compreender os saberes, as tradições, os costumes, os modos e perspectivas de vida dos povos indígenas, campesinos, negros, quilombolas, ciganos, imigrantes e refugiados, sobretudo em Minas Gerais, para a integração de suas culturas e fortalecimento do sentimento de pertencimento. (EM13LGG206MG) Analisar diferentes textos (legais e jurídicos) para o desenvolvi- mento de postura crítica e analítica da condição social de diferentes grupos em uma sociedade plural e garantidora de direitos que refletem a valorização de grupos sociais amparados nas legislações vigentes. (EF69AR16P6) Analisar e identificar, por meio da apreciação musical, usos e funções da música em seus contextos de produção e circulação, relacionando as práticas musicais às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética. OBJETIVO DURAÇÃOREFERÊNCIA Ensino Médio SEQUÊNCIA DIDÁTICA II Artes Visuais e música - condições de produção, circulação e recepção de discursos. PERÍODO 1° Período 7 aulas de 50 minutos 22 (EF69AR34P6) Analisar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas. OBJETOS DE CONHECIMENTO Conhecimento e análise de contextos históricos, sociais e culturais de produções nas linguagens artísticas que demarcam visão de mundo e disputas de sentidos entre dife- rentes grupos culturais. Valorização de identidades, tradições e patrimônio culturais (manifestações artísticas e culturais, festejos, celebrações, comunidades tradicionais, arte indígena, africana, afro- -brasileira) por meio de apreciação, fruição e posicionamento crítico em arte no contexto social. Reflexão, problematização e proposição da esfera artística como espaço de discussão de temas de sua época. Apreciação de produções artísticas e posicionamento crítico em relação a temas, visões de mundo e ideologias veiculados em produções de arte. Equipamentos multimídia, laboratório de informática ou aparelhos móveis com acesso a internet e textos impressos. MATERIAIS NECESSÁRIOS Diversidade Cultural na Expressão Artística A diversidade é uma marca característica da nossa cultura devido a inúmeros fatores, dentre os quais a mistura dos povos originários, os colonizadores e os africanos escravizados, além de povos que fazem fronteira e os que imigraram para o Brasil ao longo da nossa história. Diante disso, torna-se evidente a promoção do entendimento entre os estudantes sobre temas sensíveis da sociedade. Entender a arte e suas linguagens como um reflexo social, seja no grafite, na dança, na música, no teatro, etc., expressões essas que dialogam com a realidade de cada contexto, como formas de identidade cultural, torna-se urgente no desenvolvimento de sujeitos cien- tes do seu papel para uma vida mais igualitária e justa. Esse objetivo pode ser alcançado, ao promover o acesso a uma educação significativa, que aproxime os conteúdos à realidade dos(as) estudantes. Abordaremos nesta sequência didática a “Diversidade Cultural e as Ex- pressões Artísticas”, explorando os discursos implícitos nas obras que celebram o multicul- turalismo e a miscigenação, criando conexões que rompem fronteiras e ampliam repertório criativo e imaginativo. Para alcançar as habilidades selecionadas, partiremos em conceituar o termo “Diversidade”, tendo como referência a música, do artista pernambucano Lenine. Apresentaremos textos conceituais e legais, como forma de fundamentar e significar o aprendizado e promover a cidadania para todos e todas indistintamente. Para finalizar, conheceremos o “Tambor Mi- neiro” e sua ancestralidade, representado pelo artista Maurício Tizumba, em busca de legi 23 timação da diversidade presente na arte mineira, considerando a importância da expressão artística como elemento de resistência utilizado pelas minorias que contribuem de forma extraordinária para a nossa cultura. MÓDULO I 1º Momento Prezado professor(a), inicie esse momento escrevendo na lousa a palavra “Diversidade” e questione a turma o que entendem sobre esse termo. Anote as respostas na lousa. Em seguida, escreva o conceito de diversidade e peça para anotarem no caderno. “De acordo com o dicionário, o conceito de diversidade é definido como “um substantivo feminino que caracteriza tudo aquilo que é diverso, que tem multiplicidade”, ou seja, é tudo aquilo que apresenta pluralidade e que não é homogêneo”. (Nascimento, 2024) Obs: Caso seja possível, o texto relacionado abaixo pode ser impresso e distribuído para os estudantes. [...] O que é diversidade? [...] No contexto social, a diversidade é justamente isso: a convivência de indivíduos di- ferentes em relação à etnia, orientação sexual, cultura, gênero etc., em um mesmo espaço. Porém, tornar um ambiente diverso é uma tarefa muito mais complicada quando apli- cada no contexto social, pois existem estruturas sociais que impedem ou dificultam de- terminados indivíduos a terem acessos a certos espaços, seja pela história de opressão a um grupo, que foram marginalizados para determinados espaços físicos e simbólicos, ou por preconceitos da sociedade. As razões são as mais diversas. É possível entender melhor essas relações ao se pensar em convenções sociais, que, resumidamente, são crenças e costumes que moldam os comportamentos das pessoas que fazem parte de uma comunidade. Essas normas são transmitidas de geração em geração e criam um senso de pertencimento àqueles que as seguem. Além disso, essas normas, em muitos casos, vão para além da tentativa de moldar comportamentos e também ditam como deve ser a aparência, a orientação sexual, o gênero e várias outras características que fogem do controle do indivíduo, gerando uma sensação de inadequação aos que não se adaptam. Ou seja, aqueles que não condizem com os padrões vigentes sofrem uma pressão social para se encaixar e, caso não consigam, muitas vezes são levados direta ou in- diretamente à marginalidade pelos que tentam manter o status quo. Esse grupo é conhecido como minoria. Vale ressaltar que minorias não são necessariamente grupos em menor quantidade numérica na sociedade, o termo diz respeito às relações de dominação de um grupo em relação ao outro. 24 Nesse sentido, o grupo “maioritário” é respeitado e visto como aquele que deve ser imitado pelos outros, enquanto o grupo “minoritário” é o que pode ser alvo de compor- tamentos discriminatórios e preconceituosos justamente por não se adequar à norma. De modo geral, o conceito está atrelado a uma busca por integrar grupos diferentes em um mesmo ambiente, tendo em mente a pluralidade brasileira, por exemplo, que raramente é representada nos espaços. NASCIMENTO, Thaís do. Diversidade: significado, exemplos e como funciona no trabalho. Gupy Blog. [S.l.] jun. 2024. Disponível em: https://www.gupy.io/blog/significado-de-diversidade#:~:text=De%20acordo%20com%20 o%20dicion%C3%A1rio,e%20que%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20homog%C3%AAneo. Acesso em 05 set. 2024. 2º Momento: As garantias constitucionais para a promoção da diversidade. O Brasil, como um país democrático, tem o dever de assegurar a igualdade como premissa para oferecer dignidade ao seu povo. Pode-se observar esse compromisso firmado na cons- tituição de 1988, garantindo por meio das leis a promoção a diversidade cultural e o direitode cada cidadã ou cidadão existir em sua plenitude, como forma de legitimar as identidades individuais e coletivas e o sentimento de pertencimento, de maneira ampla, geral e irrestri- ta, como veremos no artigo 5º, disponível no quadro abaixo: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantin- do-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de cultos e a suas liturgias; VIII – ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. (CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, p. 9-11) OLIVEIRA, João Marcos. A diversidade cultural como garantia constitucional. Jusbrasil. [S.l.] 2015. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-diversidade-cultural-como-garantia-constitucional/213667955. Armandinho e os direitos humanos Fo nt e: (A rm an di nh o, [2 02 4] ) https://www.gupy.io/blog/significado-de-diversidade#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20dicion%C3%A1rio,e%20que%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20homog%C3%AAneo https://www.gupy.io/blog/significado-de-diversidade#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20dicion%C3%A1rio,e%20que%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20homog%C3%AAneo https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-diversidade-cultural-como-garantia-constitucional/213667955 25 SITE SUGERIDO PArmandinho e os Direitos Humanos. Disponível em: https://direitoshumanos.unicamp.br/wp-con- tent/uploads/sites/36/2021/03/Armandinho-e-o-Direitos- -Humanos.pdf 3º Momento Apresente para a turma a letra e o vídeo clipe da música “Diversidade”, do artista Lenine, indicada no link abaixo: VÍDEO SUGERIDO Música Diversidade - Lenine Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=29Mj- -8RdvUE. Diversidade – Lenine Foi pra diferenciar Que Deus criou a diferença Que irá nos aproximar Intuir o que ele pensa Se cada ser é só um E cada um com sua crença Tudo é raro, nada é comum Diversidade é a sentença O que seria do adeus Sem o retorno? O que seria do nu Sem o adorno? O que seria do sim Sem o talvez e o não? O que seria de mim Sem a compreensão? A vida é repleta https://direitoshumanos.unicamp.br/wp-content/uploads/sites/36/2021/03/Armandinho-e-o-Direitos-Humanos.pdf https://direitoshumanos.unicamp.br/wp-content/uploads/sites/36/2021/03/Armandinho-e-o-Direitos-Humanos.pdf https://direitoshumanos.unicamp.br/wp-content/uploads/sites/36/2021/03/Armandinho-e-o-Direitos-Humanos.pdf https://www.youtube.com/watch?v=29Mj-8RdvUE https://www.youtube.com/watch?v=29Mj-8RdvUE 26 A vela no breu A chama da diferença A vida é repleta E o olhar do poeta Percebe na sua presença O toque de Deus A vela no breu A chama da diferença A humanidade caminha Atropelando os sinais A história vai repetindo Os erros que o homem traz O mundo segue girando Carente de amor e paz Se cada cabeça é um mundo Cada um é muito mais O que seria do caos Sem a paz? O que seria da dor Sem o que lhe apraz? O que seria do não Sem o talvez e o sim? O que seria de mim? O que seria de nós? A vida é repleta E o olhar do poeta Percebe na sua presença O toque de Deus A vela no breu A chama da diferença Compositores: Oswaldo Lenine Macedo Pimentel Fonte: (Diversidade, 2024) 27 Análise da letra Por meio da poesia, o artista celebra a diversidade, exaltando a importância em acolher as diferenças sociais, étnicas, culturais, etc., como fonte de riqueza na troca mútua de saberes para uma existência harmoniosa. A alusão à divindade e a intenção em criar um mundo diverso, estimula nossa necessidade de promover a empatia no trato com todos e todas de forma respeitosa, nos fazendo criar uma conexão com as intenções de Deus. O artista nos faz entender a singularidade de cada pessoa e que essa carac- terística individual é carregada de crenças, saberes, perspectivas, etc., tornando a existência de cada indivíduo única e indispensável diante dos propósitos de Deus. A música enfatiza as diferenças tão necessárias por meio de questões contrastantes e ao mesmo tempo complementares, proporcionando o verdadeiro sentido da vida. A sensibilidade se apresenta nas palavras do poeta, tendo Deus como uma referência de conduta, “uma vela no breu”. A canção ainda aborda o problema da humanidade em não aprender com os próprios erros, enfatizando a importância de promover o amor genuíno que é a ação ética na construção de alianças e na percepção do impacto ge- rado por cada indivíduo em interlocução com a evolução coletiva. Questione a turma sobre as referências culturais e os artistas da sua comunidade, ci- dade ou região. (Ex.: grupos de congado, capoeira, feiras livres, artistas da música, poetas, etc.) Pergunte se identificam nessas expressões culturais alguma forma de resistência ou engajamento na propagação de um saber ou um movimento de luta contra o apaga- mento cultural e o esforço de promoção da diversidade e legitimação do direito de existir. Essas questões são importantes para os estudantes entenderem as relações de poder e a importância da arte e da cultura como forma de empoderamento e identidade de um povo. 28 MÓDULO II 1º Momento O que são as minorias? Minorias sociais O conceito de minoria social refere-se, na sociologia, a um grupo social (muitas vezes em maior número expressivo) que vive à margem da sociedade e dos núcleos de poder. “O conceito de minoria social diz respeito, nas ciências sociais, a uma parcela da população que se encontra, de algum modo, marginalizada, ou seja, excluída do processo de sociali- zação. São grupos que, em geral, são compostos por um número grande de pessoas (na maioria das vezes, são a maioria absoluta em números), mas que são excluídos por ques- tões relativas à classe social, ao gênero, à orientação sexual, à origem étnica, ao porte de necessidades especiais, entre outras razões.” Grupos de minorias As sociedades capitalistas contemporâneas tendem a desenvolver certos padrões elitistas de categorizar o que é “normal”. Há um padrão de vida vendido como o melhor, além de ha- ver um padrão de comportamento socialmente considerado como a norma. Isso é chamado de normatização. As minorias são setores sociais que fogem das diversas normatizações impostas e, por mais contraditório que pareça, elas são a maioria em números absolutos. O capitalismo vende a ideia de que quem não atende à classificação normativa do sistema não tem valor, é um ser reduzido. O interessante é que os padrões normativos servem como modo de se manter a hegemonia das classes dominantes. O padrão normativo de exce- lência nesse sistema é mantido por pessoas brancas, com altos resquícios de um sistema misógino, de classe média para a alta, heterossexuais, consideradas produtivas, etc. A exclusão das minorias sociais são um problema no mundo contemporâneo, que requer mais integração e igualdade. Os grupos minoritários, nesta seara de padrões normativos, são vários. Há uma busca pela representatividade desses grupos no cenário de dominação. Veja abaixo uma listagem de alguns desses grupos: Ö “Minorías étnicas” Ö “Minorias nacionais” Ö “População de baixa renda” Ö “Minorias sociais e a luta por direitos” Fonte: Porfírio, 2024. Professor(a), para dar sequência ao assunto, divida a turma em 4 grupos e direcione um trabalho de pesquisa sobre as minorias,utilizando o laboratório de informática da escola ou por meio dos aparelhos celulares. Faça um sorteio dos temas (as minorias citadas acima) para serem apresentados em forma de seminário na sala de aula. Agende a data para a apresentação do seminário. 29 FESTEJO TAMBOR MINEIRO – A legitimação da diversidade pelas mãos do artista Maurício Tizumba. Quem é Maurício Tizumba? Maurício Tizumba é um artista plural: ator, músico, compositor e instrumentista. Em 2019 completará 62 anos de vida e 47 anos de carreira. Formado em teatro, como ator, pelo Teatro Universitário da UFMG, em 1991, tem feito um percurso de grande rele- vância para a arte afro-brasileira. Sua trajetória marca também a luta e a conquista de ampliar o acesso à cultura em Minas Gerais, democratizando a arte a todas as classes e grupos sociais. Seus trabalhos sempre buscaram as ruas, praças, e povo, com o objeti- vo de sensibilização para a arte, para a cultura negra, e cultura em geral. Além de artis- ta negro, Maurício Tizumba traz consigo o congado mineiro (Manifestação religiosa de matriz africana com mais quatro séculos de existência em Minas Gerais) e o candomblé como religião. Suas crenças pessoais reverberam e transparecem em seus trabalhos e, portanto, não há como deixar de lado toda a tradição e memórias pessoais, coletivas e identitárias do artista para ler, analisar e interpretar a sua obra. [...] Fonte: MOREIRA, Júlia Dias Lino. MAURÍCIO TIZUMBA: Caras e caretas de um Teatro Negro Performativo. Dissertação de Mestrado da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/30613/1/Dissertac%cc%a7a%cc%83o%20 Ju%cc%81lia%20Tizumba%20-%20vers%c3%a3o%20final.pdf. Acesso em: 06/set. 2024. “O Festejo do Tambor Mineiro”, nasceu em julho de 2002, tendo como mentor e compositor Maurício Tizumba. As ruas do bairro Prado, na cidade de Belo Horizonte capital de MG, é o palco para o evento que marca um longo percurso da manifestação artística e cultural que exalta as raízes do povo preto, reverenciando o Congado e os Reinados de Minas Gerais, reconhecidos como patrimônio cultural imaterial que celebram a ancestralidade como forma de identidade do nosso povo. O festejo completa 22 anos com evento realizado em 08 de setembro de 2024, na FUNART – MG. “Para Tizumba — compositor, cantor, multi- instrumentista, ator, diretor musical e capitão de congado — a realização do Festejo Tambor Mineiro é uma oportunidade de celebrar uma das principais manifestações da cultura afro- mineira mostrando sua influência sobre a música produzida no estado”. (Gov.Br, 2024). [...] Congado ou Congada é uma forma de celebração da devoção a Nossa Senhora do Rosário ou São Benedito, Santa Efigênia e outros santos da devoção católica. Como em outras experiências religiosas no Brasil, o Congado também guarda relações com as formas expressas na religiosidade africana. Muitos congadeiros preferem dizer Reinado de Nossa Senhora do Rosário. O Iphan está realizando o Inventário Nacional de Refe- rências Culturais dessa manifestação cultural. [...] Fonte: VELOSO, Victor. Governo de Minas Gerais torna congado patrimônio imaterial do estado. CNB Globo.com. Belo Horizonte, 2024. Disponível em: https://cbn.globo.com/belo-horizonte/noticia/2024/08/03/governo-de-mi- nas-gerais-torna-congado-patrimonio-imaterial-do-estado.html. Acesso em: 10 set. 2024. https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/30613/1/Dissertac%cc%a7a%cc%83o%20Ju%cc%81lia%20Tizumba%20-%20vers%c3%a3o%20final.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/30613/1/Dissertac%cc%a7a%cc%83o%20Ju%cc%81lia%20Tizumba%20-%20vers%c3%a3o%20final.pdf https://cbn.globo.com/belo-horizonte/noticia/2024/08/03/governo-de-minas-gerais-torna-congado-patrimonio-imaterial-do-estado.ghtml https://cbn.globo.com/belo-horizonte/noticia/2024/08/03/governo-de-minas-gerais-torna-congado-patrimonio-imaterial-do-estado.ghtml 30 Exiba os vídeos indicados nos links a seguir e convide a turma para acompanhar o ritmo do tambor com palmas. VÍDEOS SUGERIDOS O Som do Tambor Mineiro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Hrsryy- D90rQ. Grupo Tambor Mineiro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=0JMA- fLK6MYw. Maurício Tzumba (Casa Aberta). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GBsq_ dvW1Uk. https://www.youtube.com/watch?v=HrsryyD90rQ https://www.youtube.com/watch?v=HrsryyD90rQ https://www.youtube.com/watch?v=0JMAfLK6MYw https://www.youtube.com/watch?v=0JMAfLK6MYw https://www.youtube.com/watch?v=GBsq_dvW1Uk https://www.youtube.com/watch?v=GBsq_dvW1Uk 31 MÓDULO IV CONSOLIDANDO APRENDIZAGENS 1 laico adjetivo. 1. Que não sofre influência ou controle por parte da igreja ou de uma religião (ex.: ensino laico; estado laico; sociedade laica; tribunal laico). Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [S.l.], 2008-2024. Disponível em:https://dicionario.priberam.org/laicos. Acesso em: 16 set. 2024. 1 – O que é diversidade cultural e quais são os fatores que caracterizam a diver- sidade brasileira? 2 – Cite algumas estruturas sociais que impedem ou dificultam determinados in- divíduos a terem acesso a certos espaços: 3 – Os grupos de poder tendem a moldar comportamentos sociais, ditando nor- mas e comportamentos padronizados. Quem não se encaixa nesses padrões são marginalizadas e denominadas “minorias” pela classe opressora. Cite algumas dessas minorias sociais: 4 – Quais são as garantias previstas e asseguradas por lei no Artigo 5º da cons- tituição de 1988? 5 – A trajetória do artista Maurício Tizumba marca também a luta e a conquista de ampliar o acesso à cultura em Minas Gerais, democratizando a arte a todas as classes e grupos sociais. De que forma o artista proporciona a todos e todas o acesso às apresentações do Tambor Mineiro democratizando a arte? 6 – Reverenciado pela Festa do Tambor Mineiro, o Congado é considerado uma das mais importantes expressões culturais de Minas Gerais, com relações pauta- das nas religiões cristã católica e as de matriz africana, oficializado recentemente como Patrimônio Imaterial do Estado. Você é devoto de alguma religião ou cren- ça? Qual? Caso siga alguma religião o que ela representa para você? 7 – “Em 7 de janeiro de 1890, foi promulgado o Decreto 119-A, que tornava o Brasil (já desde o golpe de 1889) um país laico 1. No ano seguinte, foi promulgada a Constituição Federal de 1891, a primeira da República. Esse documento também garantia a liberdade religiosa e retirava do governo e do Estado a adoção de uma posição religiosa oficial”. (Porfírio, 2024). Diante disso, você considera importante ou mesmo imprescindível, respeitar as todas as religiões e crenças para uma vida em harmonia, buscando o bem comum? Justifique: EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO DE CONCEITOS https://dicionario.priberam.org/laicos 32 (In)forme-se mais através das ferramentas Plataforma com conteúdo seguro, interati- vo, divertido e de qualidade para professo- res e estudantes. Disponível em: https://britannica.com.br/. Plataforma de leitura que apoia a promo- ção do hábito da leitura e das habilidades de compreensão leitora dos estudantes. Disponível em: https://www. elefanteletrado.com.br/. Plataforma que oferece livros digitais, vi- deoaulas, simulados, correção de reda- ção, relatórios individuais de desempenho e muito mais para auxiliar o estudante na preparação para o ENEM. Disponível em: https://www.enem. educacao.mg.gov.br/plataforma/login. Utilize-as em seu dia-a-dia na prática da sala de aula, são parceiras da SEE-MG. https://britannica.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.elefanteletrado.com.br/ https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login https://www.enem.educacao.mg.gov.br/plataforma/login 33 REFERÊNCIA Reconhecer a dança como elemento de identidade e engajamento sócio cultural nas manifestações ritualísticas dos povos originários. COMPETÊNCIA ESPECÍFICA Competência Específica 02: Compreenderos processos identitários, conflitos e rela- ções de poder que permeiam as práticas sociais de linguagem, respeitando as diversi- dades e a pluralidade de ideias e posições, e atuar socialmente com base em princípios e valores assentados na democracia, na igualdade e nos Direitos Humanos, exercitando o autoconhecimento, a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, e combatendo preconceitos de qualquer natureza. HABILIDADES (EM13LGG302) Posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo pre- sentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação. (EM13LGG303) Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos e opiniões, para formular, negociar e sustentar posições, frente à análise de perspectivas distintas. (EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideo- logias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias, ampliando suas possi- bilidades de explicação, interpretação e intervenção crítica da/na realidade. (EM13LGG503) Vivenciar práticas corporais e significá-las em seu projeto de vida, como forma de autoconhecimento, autocuidado com o corpo e com a saúde, socializa- ção e entretenimento. OBJETIVO OBJETOS DE CONHECIMENTO Investigação e fruição de obras artísticas de diferentes linguagens (artes visuais, au- diovisual, dança, teatro, artes circenses, música, etc.), épocas, lugares e matrizes cul- turais; Conhecimento e análise de contextos históricos, sociais e culturais de produções nas linguagens artísticas que demarcam visão de mundo e disputas de sentidos entre dife- rentes grupos culturais. Apreciação de produções artísticas e posicionamento crítico em relação a temas, visões de mundo e ideologias veiculados em produções de arte. Participação, observação e posicionamento crítico em manifestações artísticas, ativida- DURAÇÃO Ensino Médio SEQUÊNCIA DIDÁTICA III A simbologia mítica nas danças dos povos originários - Condições de Produção, Cir- culação e Recepção de Discursos. PERÍODO 2° Período 8 aulas de 50 minutos 34 des culturais e produções artísticas diversas, atentando-se para a diversidade e plura- lidade. Problematização de estereótipos, preconceitos, etc., em produções artísticas de grupos minorizados socialmente (negros, indígenas, mulheres, LGBTQIA+, ETC) em diferentes linguagens de arte (artes visuais, dança, teatro, música, dentre outras). Equipamento multimídia, laboratório de informática com acesso à internet, textos e imagens impressas. MATERIAIS NECESSÁRIOS A simbologia mítica nas danças dos povos originários Prezado(a) Professor(a)! As circunstâncias históricas da Arte se tornam objeto de conhecimento da própria trajetó- ria de vida da humanidade. As linguagens artísticas são o arcabouço das ideologias míti- cas, sociais, ideológicas e políticas que implementam a vida em sociedade, com toda sua complexidade de sentimentos e emoções, determinados pela estética que a caracteriza. O contexto histórico nunca deve ser deixado de lado ao nos referirmos a Arte, para promover uma leitura de mundo crítica e reflexiva que leva o indivíduo a se reconhecer como agente determinante do meio em que está inserido. Diante disso, devemos nos ater às práticas artísticas que desenharam o ser social desde suas origens e que continuam sendo o suporte para esse construir e reconstruir humano, tendo como referência nossa ancestralidade para o surgimento do novo. A dança é uma das primeiras expressões artísticas que se tem registro. Com a evolução hu- mana, a dança adquire características míticas e ritualísticas. Na antiguidade a dança servia como auxílio nas lutas e nas conquistas, como também na tonificação do corpo. Na Idade Média, a dança foi demonizada se tornando uma forma de profanação do sagrado. A dança ressurge no período do Renascimento como forma legítima de diálogo com o mundo, pro- porcionando fruição e experiência estética, tanto a quem a pratica quanto ao espectador. A dança é uma atividade humana que envolve corpo, mente, coração e alma, proporcionando um estado de bem estar e alegria. De acordo com as habilidades propostas, pretende-se com esse planejamento, conhecer e compreender os saberes, as tradições, os costumes, os modos e perspectivas de vida dos povos indígenas, sobretudo em Minas Gerais, para a integração de suas culturas e fortale- cimento do sentimento de pertencimento. Para tanto, abordaremos aqui, a simbologia mítica nas danças dos povos originários, com intuito de construir um diálogo com a habilidade proposta, oferecendo aos estudantes a possibilidade de se reconhecerem e se identificarem com essas expressões artísticas e cul- turais ancestrais. (Albuquerque, 2024) Obs: O(a) docente, tem a liberdade de adaptar esse planejamento de acordo com a reali- dade a qual está inserido(a), considerando os espaços físicos, as tecnologias disponíveis, a maturidade da turma, dentre outros. Os objetos de conhecimento devem ser articulados de 35 modo a corroborar com os propósitos pedagógicos de cada escola, com o objetivo de atingir o desenvolvimento intelectual, emocional e cultural dos estudantes. A quantidade de au- las necessárias para o desenvolvimento desse planejamento, também fica a critério do(a) professor(a), que tem autonomia e expertise para as adaptações necessárias, levando em conta as especificidades da turma e do contexto regional, como também a possibilidade de estender o planejamento para um possível projeto transdisciplinar, fator importante para uma educação dentro dos parâmetros das metodologias ativas. 36 MÓDULO I: 1º Momento: O analfabetismo visual e o discurso semiótico nas imagens. Tudo tem uma história! “Antes do ser humano falar, ele dançou!” (Conceitos..., 2020) Inicie este momento contextualizando o tema de acordo com o texto introdutório, em se- guida converse com a turma sobre os diversos tipos de dança que eles possam conhecer e em quais contextos cada dança acontece. Depois da conversa inicial, apresente o vídeo sobre a história da dança, do canal “Pensando o Movimento”, disponível no quadro abaixo: Discuta o vídeo com a turma, destacando as curiosidades e fazendo uma análise da presença da dança na história da humanidade como forma de expressão, identidade e significação da própria existência. VÍDEO SUGERIDO Conceitos e História da Dança. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=bwOkq- QYpYYc. https://www.youtube.com/watch?v=bwOkqQYpYYc https://www.youtube.com/watch?v=bwOkqQYpYYc 37 MÓDULO II: 1º Momento: “A simbologia mítica nas danças dos povos originários”. A expressão corporal na dança é um elemento artístico que envolve uma infinidade de movimentos. Considerando a dança indígena, observa-se que ela possui peculiaridades ri- tualísticas envolvendo um conjunto de manifestações rítmicas e visuais para compor um determinado objetivo. A variedade desses rituais será ditada pelos eventos a serem “come- morados”, como: expulsar os males do corpo e da alma, agradecer a fartura da colheita e da caça, marcar a passagem dos jovens para a fase adulta, rituais fúnebres, dentre outros. Habitualmente, a dança indígena é manifestada de forma democrática, com a participação de todos e todas da comunidade. Exiba o vídeo indicado no link abaixo: VÍDEO SUGERIDO Entendendo a dança indígena. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=20Y- gX5k_FQk&t=1s. Professor(a), outras informações podem ser apresentadas. Confira os textos abaixo e, se possível, compartilhe-os com os estudantes. Danças indígenas brasileiras – Cultura e significado As danças indígenas brasileiras são de grande importância e inspiração para a cultura e folclore nacional. Afinal, muitas das danças folclóricas ou mesmo festas populares foram inspiradas pelas mesmas. Sempre presentes no cotidiano das tribos, apresentam movimentos e balanços caracteriza- dos principalmente pela inspiração na fauna e flora brasileiras, pois as danças indígenassão as principais conexões entre os índios com as entidades e espíritos da floresta. Características das danças indígenas brasileiras Esses tipos de dança podem ser realizados em diversos eventos: desde a celebração de uma pesca bem-sucedida até um ritual fúnebre. Podem ser realizadas em grupos ou mesmo por um único indivíduo, entretanto, algumas das danças indígenas sagradas são exclusivamente destinadas aos homens da tribo, ficando as mulheres de fora. Vários são os apetrechos utilizados: desde colares e amuletos até máscaras e pinturas específicas para determinada celebração. A seguir, apresentaremos 7 exemplos de danças indígenas brasileiras. 1 – Dança do toré A dança do toré apresenta como significado a união entre os índios. É realizada geralmente em uma clareira, e os dançarinos distribuem-se formando um grande círculo. A dança ini- https://www.youtube.com/watch?v=20YgX5k_FQk&t=1s https://www.youtube.com/watch?v=20YgX5k_FQk&t=1s 38 cia-se com o tocar dos maracás (chocalhos tribais confeccionados a partir de uma cabaça oca, contendo grãos, sementes ou pedriscos em seu interior). A partir de então, os dançarinos iniciam os movimentos, caracterizados por pequenos pas- sos para os lados, de modo que o círculo comece a “girar” em torno do próprio eixo. Tudo isso sempre tocando os maracás, com as cabeças baixas e sempre cantando. 2 – Atiaru A dança do atiaru é uma das muitas danças indígenas brasileiras que possui um significado espiritual: é dançada para afastar os maus espíritos, para então atrair os bons. Apesar de ser uma dança espiritual, é permitida a participação de homens e mulheres. O evento inicia-se próximo ao pôr do sol, e os dançarinos caracterizam-se pelas vestimentas muito bem elaboradas: grandes cocares de plumas, colares, pulseiras e chocalhos amarra- dos nos tornozelos. Os dançarinos são distribuídos em trios: no meio, um índio tocando um yapurutu (flauta tribal com cerca de 1 metro de comprimento), com um índio de cada lado, ambos com a mão apoiada no ombro do que vai no meio. Os movimentos são rápidos, com passadas para a direita e esquerda, acompanhando o ritmo do chocalho. 3 – Jacundá A dança do jacundá é uma das danças indígenas brasileiras dedicadas à representação da pescaria. Os dançarinos distribuem-se de maneira que formem um círculo, sempre alter- nando entre homens e mulheres. No centro do círculo, um índio e uma índia dançam como se fossem um peixe e, no meio da dança, tentam fugir para fora do círculo. Caso um dos índios que compõem o círculo não consiga impedir a fuga de um deles, deverá substituir o fujão. É uma dança muito divertida e onde todos dão gargalhadas, sendo muito utilizada para o lazer e entretenimento. 4 – Kuarup – Danças indígenas em homenagem aos mortos Essa dança faz parte de um ritual tribal em homenagem aos mortos, celebrando assim suas memórias. Apesar do tema, é uma das mais alegres danças indígenas brasileiras, pois de acordo com a cultura das tribos, os finados não gostariam de seus companheiros vivos tris- tes por sua passagem. A dança do kuarup está relacionada às tribos que habitam a região do Alto Xingo, em Mato Grosso do Sul. Kuarup é o nome de uma espécie de madeira encontrada na região, sendo este material uma representação dos espíritos de seus antepassados. Algumas toras de kuarup são ornamentadas com pinturas em referência aos finados e, em seguida, estacadas ao chão de maneira que formem uma linha. Inicia-se então a dança: homens e mulheres, com os corpos pintados, iniciam os passos, de acordo com o ritmo dos maracás e das cantigas. A velocidade dos passos vai aumentando conforme a intensidade dos maracás. 39 5 – Kahê-Tuagê Kahe-tuagê é uma das danças indígenas brasileiras que evocam as entidades que controlam o tempo. É dançada na época de secas, e seu objetivo é trazer a chuva. Diferente da maio- ria das danças indígenas, o kahê-tuagê tem como personagem principal uma mulher, pois segundo a cultura indígena, a entidade que controla a seca é feminina. A dança é composta da seguinte maneira: a índia posiciona-se no meio de uma fila compos- ta por outras índias que nunca tiveram filhos. Ao ritmo do maracá, as índias permanecem na mesma posição, mas balançando os braços e o corpo para frente e para trás, batendo palmas, e com os joelhos levemente flexionados. 6 – Dança da onça Uma das mais exóticas e curiosas danças indígenas brasileiras: a dança da onça é uma re- presentação do jovem índio que se tornou um bravo caçador. O dançarino principal encarna o espírito da onça que ele matou sem a ajuda de nenhum outro caçador. Entretanto, não pode ser identificado pelos outros índios da tribo. Para isso, veste-se com a pele do animal e utiliza uma máscara confeccionada com folhas de palmeiras. O índio em questão passa a dançar pelo terreiro com movimentos de batidas de pé e pequenos pulos, sendo seguido pelo pajé e pelo resto da tribo. 7 – Cateretê Apesar de ser diretamente relacionada ao povo rural, o cateretê tem suas origens cultu- rais nas danças indígenas brasileiras, mais precisamente as realizadas pelos tupis. Seus movimentos são caracterizados principalmente pelas batidas de pé no chão acompanhadas pelo ritmo do chocalho. Seu primeiro registro histórico data por volta do século XIX: conta-se que, na época da catequização indígena, padre Anchieta tenha levado os movimentos e passos presenciados por ele às festas promovidas pela igreja católica da época. A dança então acabou sendo adotada pelos brancos, que realizaram suas adaptações culturais. É mais conhecida pelos brancos como catira. DANÇAS TÍPICAS. Danças indígenas brasileiras – Cultura e significado. 14 maio 2019 Disponível em: https://www.dan- castipicas.com/brasileiras/dancas-indigenas-brasileiras/. Acesso em: 11 abr. 2023. Dança ritual indígena Fo nt e: (B ra sil , 2 01 9) . 40 Ritual do Kuarup no Parque do Xingu reúne povos indígenas em homenagem a seus ancestrais Ao celebrar a passagem do espírito dos que partiram para a aldeia dos mortos, o ritual do Kuarup marca o fim de um período de um ano de luto e celebra a memória daqueles que morreram. Pais, avós, tios e amigos são lembrados com rezas, choro e saudade no mais importante cerimonial de todos os povos xinguanos. As celebrações começaram em julho e se estendem até setembro. A cerimônia de despedida é feita durante uma noite inteira em um lugar onde as rezas e cânticos indígenas são entoados. Na tradição do Parque Indígena do Xingu, cada tronco enfeitado com adornos coloridos representa uma pessoa falecida a ser homena- geada. Esses troncos ocupam o lugar central no ambiente em que indígenas rezam e choram a morte de seus entes queridos. Para organizar todas as cerimônias que fazem parte do Kuarup, as aldeias levam até um ano de preparação. A celebração envolve praticamente todos os integrantes das comunidades, a começar pelas índias adolescentes que participam do rito que marca o início da vida adulta. E é justamente no Kuarup em que acontece o fim do período pelo qual elas precisam permanecer isoladas nas ocas de suas famílias, sem contato com a aldeia. Fonte: (BRASIL. MINISTÉRIO, 2019). Luto e luta Outro tradicional ritual realizado dentro das celebrações é a luta Huka Huka, disputada entre duplas de guerreiros de diferentes aldeias. Com os corpos pintados de urucum (cor vermelha) e jenipapo (cor preta), cada guerreiro tem o objetivo de derrubar seu oponente segurando-o pela perna. Depois que o ritual das lutas termina, os enfeites dos troncos são entregues aos familiares das pessoas falecidas. Depois, cada tronco é jogado na lagoa próxima à aldeia. Com isso, a alma representada no tronco estará livre para partir. Em 2019, o povo Kamayurá organizou a primeira celebração entre os dias 23 e 24 de julho. Estiveram presentes aproximadamente dois mil indígenas de nove comunidades. É nas palavras do cacique Kotok que os rituais ganham a dimensão do que represen- tam para os povos do Parque do Xingu: “ É importante para poder terminar