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Apostila Empresarial 1 2025

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APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
1 
 
 
 
 
 
Email: marcostulioadvocacia@hotmail.com 
Youtube: Professor Marcos Túlio de Melo 
Instagram: marcostuliodmelo 
 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
2 
APRESENTAÇÃO 
 
Marcos Túlio de Melo. Advogado pelo estado de Mato Grosso, desde 2012. 
Mestre em História pela UFMT. Cursou Economia pela UFMT. Pós-Graduado 
em Direito Civil e Empresarial pelo Damásio. Conquistou certificação básica e 
avançada em investimentos pela AMBIMA, no ano de 2008. Já ministrou aulas 
nas seguintes disciplinas: Direito Penal I, Direito Penal III, Direito Penal IV, 
Direito Penal V, Direito Processual Penal I, Direito Processual Penal II, Direito 
Processual Penal III, Direitos Humanos, Direito Empresarial I, Direito 
Empresarial II, Direito Empresarial III, Direito Processual Civil IV, Direito Civil 
VI, Direito Administrativo I, Direito Administrativo III, Estágio I, Estágio II, 
Estágio III, Estágio IV. Com mais de 1.600 aulas ministradas, para mais de 
4.000 alunos, em mais de 80 turmas diferentes, desde 2017 no UNIVAG. 
Lançou em 2020, o livro: O pacote anticrime comentado. Autor do curso: 
Oratória Jurídica, que teve mais de 400 unidades comercializadas em todo o 
Brasil. Em sua vida pessoal cultiva a paixão e admiração por cães da raça 
Doberman, pelo boxe, carros e Whisky. 
 
TEORIA GERAL DA EMPRESA 
 
FONTES: 
- Lei (Código Civil – Direito de Empresa – 966 a 1195) 
- CF (170 A 178, CF) 
 
- CF (170 A 178, CF) 
. Livre iniciativa 
. Livre concorrência 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
3 
. sistema capitalista 
. O estado não intervirá nas relações empresariais, salvo quando houver 
excepcional interesse público ou econômico 
 
 
- TEORIA DOS ATOS DO COMÉRCIO (Direito Francês) 
. Foi adotada no Brasil, entre 1850 e 2002. 
. Era comerciante, aquele que exercia um comércio, que como tal, a lei previa 
num rol taxativo. 
 
Revogação do código comercial de 1850 
O CC revogou parcialmente ou totalmente o Código Comercial? 
Parcialmente, revogou a parte I, a parte III já havia sido revogada pelo decreto 
lei 7.666/45, que por sua vez também já foi revogado pela lei 11.101/05 (Lei de 
falências). Restando apenas a parte II, que trata do COMÉRCIO MARÍTIMO. 
 
- TEORIA DA EMPRESA (Direito Italiano) 
. Teoria adotada atualmente. 
 
CONCEITO DE EMPRESÁRIO 
Art. 966, CC. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente 
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou 
de serviços. 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
4 
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão 
intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de 
auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir 
elemento de empresa. 
 
 
EMPRESÁRIO 
Conceito de empresário: da caracterização e da inscrição 
 
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce 
profissionalmente (habitualidade, continuidade) atividade 
econômica (finalidade lucrativa) organizada para a 
produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
 
Dentro do conceito legal de empresário, destacam-se alguns 
subconceitos: 
a) “Profissionalismo” 
Está ligado aos conceitos de habitualidade (para ser profissional a 
atividade não pode ser esporádica), pessoalidade (empresário deve contratar 
empregados) e monopólio das informações (o profissional deve ter amplo 
conhecimento do produto que está comercializando). 
 Por exemplo, não é porque eu vendi meu carro para o meu vizinho que 
serei considerado um empresário do ramo de venda de automóveis. 
 
b) “Atividade” 
A empresa é a atividade e o empresário é o sujeito de direito que a 
explora. É ele, por exemplo, que compra ou importa mercadorias e não a sua 
empresa. Ela é tão somente atividade de produção ou circulação de bens ou 
serviços. 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
5 
 
c) “Econômica” 
Finalidade lucrativa. É a característica que falta às associações. 
 
d) “Organizada” 
Organização é a reunião dos 4 fatores de produção. Sendo eles: 
1) Mão de obra; 2) Matéria prima; 3) Capital; 4) Tecnologia. 
Dica: “mamacate” 
 
Na ausência de um deles, não se fala mais em organização. Este 
contexto se aplica tanto para o empresário individual como para a sociedade 
empresária. 
Exemplo1: pessoa que vende bolos, faz, embrulha etc. Não tem mão de obra 
contratada, sendo assim não pode ser considerada empresária. 
Exemplo2: dois irmãos donos de um bar, cada um fica um dia. Não há 
sociedade empresária, pois não há mão de obra contratada. 
Hoje, em face da automação (em virtude do avanço tecnológico), 
entende-se não ser imprescindível a mão de obra. 
O entendimento atual é o seguinte: a organização ocorre quando a 
atividade-fim não depender exclusivamente da pessoa física empreendedora 
ou do sócio da sociedade (pode depender de pessoas ou bens). 
 Segundo, Santa Cruz: Essa ideia fechada de que a organização dos 
fatores de produção é absolutamente imprescindível para a caracterização do 
empresário vem perdendo força no atual contexto da economia capitalista. 
Exemplo: microempresários (trabalho próprio), empresários virtuais. 
 Exemplos de sociedade empresária: 
Exemplo1: Banco – habitualidade, finalidade lucrativa, organização (mão de 
obra, matéria prima, etc.), produz serviços bancários. É sociedade empresária. 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
6 
Exemplo2: Loja de roupas no shopping, habitualidade, finalidade lucrativa, 
organização (vendedor, matéria prima = roupas), circulação de bens – 
sociedade empresária. 
Exemplo3: agência de turismo, habitualidade, finalidade lucrativa, organização, 
circulação – sociedade empresária. 
 
e) “Produção ou circulação de bens ou serviços” 
 
No Código Comercial somente se falava em produção e circulação de 
bens. Bens têm “corpo”, são materiais; já os serviços são imateriais, não têm 
“corpo”. 
 
- Produção de bens: É a fabricação das mercadorias industrialmente 
(montadoras de veículos, confecção de roupas etc.) 
- Produção de serviços: É a própria prestação de serviços (bancos, hospitais, 
escolas etc.). 
- Circulação de bens: O comércio é a atividade que circula bens, faz uma 
intermediação quando busca o bem no produtor para repassar ao consumidor. 
Exemplo: Loja de venda de roupas. 
- Circulação de serviços: Nada mais é do que intermediar a prestação de 
serviços, como as agências de turismo que não prestam serviços de transporte, 
mas montam um pacote de viagem para o turista. 
 
O conceito de empresário aplica-se tanto para o empresário individual 
quanto para a sociedade empresária, haja vista o conceito legal de sociedade 
empresária contido no art. 982 do CC, in verbis: “Art. 982. Salvo as exceções 
expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o 
exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, 
simples, as demais”. 
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PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
7 
 A pessoa física, sócia de sociedade empresária, não é, tecnicamente, 
empresária, pois quem exerce a atividade empresária, é a sociedade. 
Empresário é o titular da empresa? CORRETO. Empresa não é o sujeito 
de direito e sim a atividade econômica organizada para a produção ou 
circulação de bens ou serviços. 
Não será considerada “empresa”, para efeitos jurídicos, a atividade cujos 
benefícios sejam exclusivamente para uso próprio ou, ainda, com sentido 
mutualístico, tal como ocorre com as cooperativas. 
 
O que NÃO se considera empresário? 
Em primeiro lugar: quem não possui organização empresarial. 
 
Art. 966 CC: Parágrafo único. Nãodo futebol 
 
- SOCIEDADES EMPRESÁRIAS 
> Não personificadas 
. Sociedade em comum 
. Sociedade em conta de participação 
 
. SOCIEDADE EM COMUM 
SUBTÍTULO I 
Da Sociedade Não Personificada 
CAPÍTULO I 
Da Sociedade em Comum (NÃO POSSUI ATOS CONSTITUTIVOS, LEIA-SE, 
CONTRATO SOCIAL, OU, EMBORA POSSUINDO TAL CONTRATO 
SOCIAL, AINDA NÃO FOI LEVADO A REGISTRO. 
 
Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, 
exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
51 
subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade 
simples. 
 
Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito 
podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de 
qualquer modo. 
 
Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual os 
sócios são titulares em comum. 
 
Art. 989. Os bens sociais respondem pelos atos de gestão praticados por 
qualquer dos sócios, salvo pacto expresso limitativo de poderes, que somente 
terá eficácia contra o terceiro que o conheça ou deva conhecer. 
 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem (Responsabilidade 
subsidiária), previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade. 
 
 
SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (Art. 991 a 996, CC) 
Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do 
objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome 
individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os 
demais dos resultados correspondentes. 
- SÓCIO OSTENSIVO: Possui responsabilidade, perante terceiros. 
- SÓCIO PARTICIPANTE: Não possui responsabilidade, perante terceiros, 
possuindo responsabilidade, perante o outro sócio. 
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PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
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Parágrafo único. Obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo; e, 
exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato 
social. 
 
Art. 993, Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos 
negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do 
sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este 
pelas obrigações em que intervier. 
 
OBS: Não possuirá nome empresarial. 
OBS: Mesmo com o registro de seus atos constitutivos, essa sociedade 
adquirirá personalidade jurídica. 
 
Art. 996. Aplica-se à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e 
no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples, e a sua 
liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas, na forma da 
lei processual. 
 
SOCIEDADES EMPRESÁRIAS PERSONIFICADAS 
- Sociedade em nome coletivo (1039 a 1044, CC) 
Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome 
coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas 
obrigações sociais. 
 
 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
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Responsabilidade dos sócios, perante a sociedade: (Subsidiária) 
Responsabilidade dos sócios, perante terceiros (Solidária) 
 
Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem 
os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar entre 
si a responsabilidade de cada um. 
 
Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste Capítulo 
e, no que seja omisso, pelas do Capítulo antecedente. (SOCIEDADES 
SIMPLES) 
 
OBS: O nome empresarial será uma: “firma” 
 
Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios 
(NESSE TIPO SOCIETÁRIO, SOMENTE PODE EXISTIR ADMINISTRADOR 
QUE SEJA SÓCIO), sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos 
que tenham os necessários poderes. 
 
SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES (1045 a 1051, CC) 
Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas 
categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e 
ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados 
somente pelo valor de sua quota. 
Parágrafo único. O contrato deve discriminar os comanditados e os 
comanditários. 
- SÓCIO COMANDITADO/COITADO (pessoas físicas, responsáveis solidária e 
ilimitadamente) 
Responsabilidade dos sócios, perante a sociedade: (Subsidiária) 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
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Responsabilidade dos sócios, perante terceiros (Solidária) 
 
 
- SÓCIO COMANDITÁRIO/ESTAGIÁRIO (Respondem pelo valor de sua 
quota, ou seja, responsabilidade limitada) 
OBS: Será possível, pessoa física e pessoa jurídica figurarem como sócios 
comanditários. 
 
- OBS: Nome empresarial será: firma” (Devendo, na firma constar, tão 
somente, o nome do sócio comanditado) 
 
Art. 1.047. Sem prejuízo da faculdade de participar das deliberações da 
sociedade e de lhe fiscalizar as operações, não pode o comanditário praticar 
qualquer ato de gestão, nem ter o nome na firma social, sob pena de ficar 
sujeito às responsabilidades de sócio comanditado. 
Parágrafo único. Pode o comanditário ser constituído procurador da sociedade, 
para negócio determinado e com poderes especiais. 
 
OBS: Somente sócio, podem figurar como administrador deste tipo societário. 
Devende este sócio ser comanditado. 
 
 
SOCIEDADE LIMITADA (1052 a 1087, CC) 
- Sociedade contratual 
 
Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas 
normas da sociedade simples. 
Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da 
sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. 
 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
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RESPONSABILIDADE DO SÓCIO NA SOCIEDADE LIMITADA (1052, CC) 
Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita 
ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela 
integralização do capital social. 
Sócio remisso: É aquele que subscreveu (prometeu) o capital social, e não 
integralizou. 
REGRA: É que os sócios respondam limitadamente ao valor de sua quota. 
EXCEÇÕES: 
- Quando não houver a integralização total do capital social; 
- Dívidas trabalhistas; 
- Dívidas com o INSS; 
- Em casos de desconsideração da personalidade jurídica. 
 
DEVERES DOS SÓCIOS 
- Integralização do capital 
- Lealdade (affectio societatis) 
 
DIREITOS DOS SÓCIOS 
a) Participação nos lucros sociais 
b) Fiscalização da administração 
c) Direito de retirada 
 
Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer sócio pode 
retirar-se da sociedade; se de prazo indeterminado, mediante notificação aos 
demais sócios, com antecedência mínima de sessenta dias; se de prazo 
determinado, provando judicialmente justa causa. 
Parágrafo único. Nos trinta dias subsequentes à notificação, podem os demais 
sócios optar pela dissolução da sociedade. 
 
d) Participação nas deliberações sociais 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
56 
 
Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 1.010, 
serão tomadas em reunião ou em assembleia, conforme previsto no contrato 
social, devendo ser convocadas pelos administradores nos casos previstos em 
lei ou no contrato. 
§1º: A deliberação em assembleia será obrigatória se o número dos sócios for 
superior a dez. 
 
e) Direito de preferência (preempção)? 
- A hipótese que os sócios remanescentes têm, de adquirir as quotas do sócio 
retirante. 
 
ADMINISTRADOR NA SOCIEDADE LIMITADA (1060 a 1065) 
OBS: É quem poderá assinar, pela empresa. 
OBS: Não poderá ser uma PJ. 
 
- Administrador sócio 
- Administrador não sócio 
 
Art. 1.060.A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas 
designadas no contrato social ou em ato separado (por exemplo, ata de 
assembleia). 
Parágrafo único. A administração atribuída no contrato a todos os sócios não 
se estende de pleno direito aos que posteriormente adquiram essa qualidade. 
 
Art. 1.061. A designação de administradores não sócios dependerá de 
aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver 
integralizado, e de 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização. 
 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
57 
Art. 1.062. O administrador designado em ato separado investir-se-á no cargo 
mediante termo de posse no livro de atas da administração. 
§ 1o Se o termo não for assinado nos trinta dias seguintes à designação, esta 
se tornará sem efeito. 
§ 2o Nos dez dias seguintes ao da investidura, deve o administrador requerer 
seja averbada sua nomeação no registro competente, mencionando o seu 
nome, nacionalidade, estado civil, residência, com exibição de documento de 
identidade, o ato e a data da nomeação e o prazo de gestão. 
 
Art. 1.063. O exercício do cargo de administrador cessa pela destituição, em 
qualquer tempo, do titular, ou pelo término do prazo se, fixado no contrato ou 
em ato separado, não houver recondução. 
1o Tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato, sua destituição 
somente se opera pela aprovação de titulares de quotas correspondentes, no 
mínimo, a dois terços do capital social, salvo disposição contratual diversa. 
OBS: A possibilidade de afastamento do administrador não sócio, 
nomeado em ato separado, requer o quórum, de maioria absoluta das 
quotas. 
OBS: A possibilidade de afastamento do administrador sócio, nomeado 
em contrato social ou em ato separado, requer o quórum de maioria 
absoluta das quotas. 
 
Art. 1.065. Ao término de cada exercício social, proceder-se-á à elaboração do 
inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico. 
 
TEORIA ULTRA VIRES 
Ato ‘ultra vires’ é aquele praticado pelo administrador, além das forças a ele 
atribuídas pelo contrato social, ou seja, com estrapolação dos limites de seus 
poderes estatutários. Segundo esta teoria, não é imputável à sociedade o ato 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
58 
ultra vires, devendo somente o administrador responder por eles. Trata-se da 
regra presente no art. 1.015, parágrafo único do CC. 
Parágrafo único. O excesso por parte dos administradores somente pode ser 
oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: 
I – se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da 
sociedade; 
II – provando-se que era conhecida do terceiro; 
III – tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da 
sociedade. 
 
TEORIA DA APARÊNCIA (Como regra, é a teoria adotada no Brasil, 
principalmente no direito do consumidor) 
Teoria da Aparência. Ou seja, quando o Administrador age em nome 
da sociedade, APARENTEMENTE ele possui poderes para a prática do ato. 
Para essa Teoria, quem responde é a SOCIEDADE, pois elegeu mal seu 
Administrador. Caberá, posteriormente, à Sociedade ingressar com ação de 
regresso contra o Administrador. Essa Teoria tem a finalidade de proteger o 
terceiro de boa-fé que contratou com a sociedade. 
 
 
DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA 
 A dissolução pode ser total ou parcial. 
Dissolução Parcial: Ocorre quando um ou mais sócios saem da sociedade, 
porém a sociedade é mantida, preservada, continua em atividade (arts. 1.028 a 
1.032). Dissolução Total: Há a extinção da sociedade. Encerra as atividades 
(arts. 1.085 e 1.086 do CC). 
 Casos de dissolução parcial: 
a) Vontade dos sócios: Deliberação que decide pela saída não contenciosa de 
alguns (s) sócios (s). 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
59 
b) Falecimento do sócio: Morrendo o sócio, os herdeiros não ficam obrigados a 
ingressar na sociedade, podendo promover a liquidação das cotas do de cujus. 
 
Art. 1.028. No caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua 
quota, salvo: 
I - se o contrato dispuser diferentemente; 
II - se os sócios remanescentes optarem pela dissolução 
da sociedade; 
III - se, por acordo com os herdeiros, regular-se a 
substituição do sócio falecido. 
 
c) Direito de retirada; 
Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, 
qualquer sócio pode retirar-se da sociedade; se de prazo 
indeterminado, mediante notificação aos demais sócios, 
com antecedência mínima de sessenta dias; se de prazo 
determinado, provando judicialmente justa causa. 
Parágrafo único. Nos trinta dias subsequentes à 
notificação, podem os demais sócios optar pela 
dissolução da sociedade. 
 
d) Falência do sócio (não da sociedade, que é caso de dissolução total); 
 
Art. 1.030, Parágrafo único. Será de pleno direito excluído 
da sociedade o sócio declarado falido, ou aquele cuja 
quota tenha sido liquidada nos termos do parágrafo único 
do art. 1.026. 
 
e) Exclusão de sócio 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
60 
Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu 
parágrafo único, pode o sócio ser excluído judicialmente, 
mediante iniciativa da maioria dos demais sócios, por falta 
grave no cumprimento de suas obrigações, ou, ainda, por 
incapacidade superveniente. 
 
Principais casos de exclusão de sócio 
 
- Sócio remisso (art. 1.004, parágrafo único). Pode ser realizada 
extrajudicialmente. 
- Falta grave do sócio, mediante decisão judicial (art. 1.030); Exemplo de falta 
grave: concorrência desleal. 
- Incapacidade superveniente do sócio, mediante decisão judicial (art. 1.030) 
 
A exclusão ocorre mediante simples alteração do contrato, ou seja, é 
uma medida extrajudicial. (Assembleia ou reunião, especialmente, convocada 
para esse fim, sendo assegurado o direito de defesa do sócio (parágrafo único) 
– por maioria absoluta, mais da metade do capital social). 
 
Art. 1.085. Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a 
maioria dos sócios, representativa de mais da metade do 
capital social, entender que um ou mais sócios estão 
pondo em risco a continuidade da empresa, em virtude de 
atos de inegável gravidade, poderá excluí-los da 
sociedade, mediante alteração do contrato social, desde 
que prevista neste a exclusão por justa causa. 
Parágrafo único. A exclusão somente poderá ser 
determinada em reunião ou assembleia especialmente 
convocada para esse fim, ciente o acusado em tempo 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
61 
hábil para permitir seu comparecimento e o exercício do 
direito de defesa. 
 
Ou seja, o sócio majoritário só poderá ser excluído judicialmente. Em 
não sendo observados TODOS os requisitos, a exclusão será NULA. Artigos 
referentes, ainda à dissolução parcial: 
 
Art. 1.031. Nos casos em que a sociedade se resolver em 
relação a um sócio, o valor da sua quota, considerada 
pelo montante efetivamente realizado, liquidar-se-á, salvo 
disposição contratual em contrário, com base na situação 
patrimonial da sociedade, à data da resolução, verificada 
em balanço especialmente levantado. 
§ 1o O capital social sofrerá a correspondente redução, 
salvo se os demais sócios suprirem o valor da quota. 
§ 2o A quota liquidada será paga em dinheiro, no prazo 
de noventa dias, a partir da liquidação, salvo acordo, ou 
estipulação contratual em contrário. 
 
Art. 1.032. A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o 
exime, ou a seus herdeiros, da responsabilidade pelas 
obrigações sociais anteriores, até dois anos após 
averbada a resolução da sociedade; nem nos dois 
primeiros casos, pelas posteriores e em igual prazo, 
enquanto não se requerer a averbação. 
 
Casos de dissolução totala) Vontade dos sócios (art. 1.033, II e III); 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
62 
OBS: Se for sociedade por tempo DETERMINADO, somente a unanimidade 
dos sócios pode dissolvê-la; se for por tempo indeterminado, basta a vontade 
da maioria absoluta. A jurisprudência tem admitido que apenas um sócio (ainda 
que minoritário) continue na sociedade (princípio da conservação da empresa), 
desde que constitua novo sócio dentro do prazo legal. 
 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
II - o consenso unânime dos sócios; (prazo determinado) 
III - a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na 
sociedade de prazo indeterminado; 
 
b) Decurso do prazo determinado de duração da sociedade (art. 1.033, I). 
OBS: Se chegar ao fim do prazo e não for providenciada a dissolução (não 
entrar em liquidação), haverá a prorrogação da sociedade por prazo 
indeterminado. Nesse caso, entretanto, a sociedade passará a ser 
IRREGULAR, sendo-lhe aplicáveis as regras da sociedade em comum. 
 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
I - o vencimento do prazo de duração, salvo se, vencido este e sem oposição 
de sócio, não entrar a sociedade em liquidação, caso em que se prorrogará por 
tempo indeterminado; 
 
c) Falência da sociedade; Art. 1.044. A sociedade se dissolve de pleno direito 
por qualquer das causas enumeradas no art. 1.033 e, se empresária, também 
pela declaração da falência. 
 
d) Extinção de autorização para funcionamento (art. 1.033, V) 
 
Art. 1.037. Ocorrendo a hipótese prevista no inciso V do 
art. 1.033, o Ministério Público, tão logo lhe comunique a 
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63 
autoridade competente, promoverá a liquidação judicial da 
sociedade, se os administradores não o tiverem feito nos 
trinta dias seguintes à perda da autorização, ou se o sócio 
não houver exercido a faculdade assegurada no parágrafo 
único do artigo antecedente (transformação de sociedade 
empresária em empresário individual). 
 
É o único caso onde o MP interfere. 
 
e) Unipessoalidade por mais de 180 dias (art. 1.033. IV). 
f) Anulação do ato constitutivo. 
 
g) Exaurimento ou inexequibilidade do objeto social: 
 
Além dessas hipóteses, o próprio ato constitutivo pode prever outras 
causas de dissolução total da sociedade. 
 
SOCIEDADE LIMITADA UNIPESSOAL 
Sociedade Limitada Unipessoal, ou apenas SLU, é uma natureza jurídica na 
qual não é preciso ter sócios. O patrimônio do empreendedor fica separado do 
patrimônio da empresa, e também não há exigência de valor mínimo para 
compor o Capital Social. 
 
 
SOCIEDADE ANÔNIMA (6.404/76) 
 
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64 
 É a sociedade cujo capital está divido em ações. É também chamada de 
“Companhia”. Rege-se pela Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações – 
LSA), aplicando-se o CC apenas na omissão desta. 
Sociedade institucional, ou seja, o seu ato constitutivo não é um 
contrato, mas sim um estatuto social (mais formal que um contrato). Sociedade 
empresária (sempre!), nos termos do art. 982, parágrafo único do CC. 
Sociedade de capital, ou seja, os títulos sociais são livremente 
negociáveis, não sendo dado aos sócios (acionistas) vetar o ingresso de 
terceiros no quadro social (diferentemente da limitada que pode ser de capital 
OU assumir uma feição personalística). 
O capital social é fracionado em unidades denominadas AÇÕES. Por 
isso, os sócios são também chamados de acionistas, respondendo pelas 
dividas sociais até o limite do que falta para a integralização total das ações 
que sejam titulares (“a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada 
ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas”). 
A Sociedade anônima adota Denominação, obrigatoriamente. Deve 
constar do nome empresarial a expressão Sociedade Anônima (S/A) ou a 
expressão Companhia (Cia). Essa última só pode estar presente no início ou 
meio da denominação (para não confundir com as demais sociedades). 
Exceção: pode ter, em homenagem, nome de sócio. 
A companhia é aberta ou fechada conforme os valores mobiliários de 
sua emissão estejam ou não admitidos à negociação no mercado de valores 
mobiliários. 
 
§ 4o O registro de companhia aberta para negociação de 
ações no mercado somente poderá ser cancelado se a 
companhia emissora de ações, o acionista controlador ou 
a sociedade que a controle, direta ou indiretamente, 
formular oferta pública para adquirir a totalidade das 
ações em circulação no mercado, por preço justo, ao 
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65 
menos igual ao valor de avaliação da companhia, apurado 
com base nos critérios, adotados de forma isolada ou 
combinada, de patrimônio líquido contábil, de patrimônio 
líquido avaliado a preço de mercado, de fluxo de caixa 
descontado, de comparação por múltiplos, de cotação das 
ações no mercado de valores mobiliários, ou com base 
em outro critério aceito pela Comissão de Valores 
Mobiliários, assegurada a revisão do valor da oferta, em 
conformidade com o disposto no art. 4o-A. 
 
§ 5o Terminado o prazo da oferta pública fixado na 
regulamentação expedida pela Comissão de Valores 
Mobiliários, se remanescerem em circulação menos de 
5% (cinco por cento) do total das ações emitidas pela 
companhia, a assembleia-geral poderá deliberar o resgate 
dessas ações pelo valor da oferta de que trata o § 4o, 
desde que deposite em estabelecimento bancário 
autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, à 
disposição dos seus titulares, o valor de resgate, não se 
aplicando, nesse caso, o disposto no § 6o do art. 44. § 
6o O acionista controlador ou a sociedade controladora 
que adquirir ações da companhia aberta sob seu controle 
que elevem sua participação, direta ou indireta, em 
determinada espécie e classe de ações à porcentagem 
que, segundo normas gerais expedidas pela Comissão de 
Valores Mobiliários, impeça a liquidez de mercado das 
ações remanescentes, será obrigado a fazer oferta 
pública, por preço determinado nos termos do § 4o, para 
aquisição da totalidade das ações remanescentes no 
mercado. 
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66 
 
Companhia aberta: É aquela em que seus valores mobiliários (ações) 
são admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários (bolsa de 
valores). 
Companhia fechada: É aquela em que seus valores mobiliários NÃO são 
admitidos à negociação do mercado de valores mobiliários. Não se quer dizer 
que as ações não são negociáveis. Somente não o são em mercado de valores 
mobiliários. 
 O mercado de valores mobiliários se subdivide em: 
a) Bolsa de valores: São entidades privadas constituídas sob a forma de 
associações civis ou sociedades anônimas, tendo por membros corretoras de 
valores mobiliários. Conquanto sejam privadas, sua criação depende de 
autorização do Banco Central, bem como seu funcionamento é supervisionado 
pela CVM (Comissão de valores mobiliários). Esse controle se explica pelo fato 
de as Bolsas de Valores exercerem um serviço público de grande relevância na 
economia interna. 
b) Mercado de balcão: Compreende todas as operações realizadas fora da 
bolsa de valores. Ocorre quando o sujeito compra ações diretamente de uma 
corretora de valores ou de uma instituição financeira autorizada. O mercado de 
balcão pode realizar tanto mercado primário quanto mercado secundário. 
Vejamos: 
- Mercado primário: Quando a operação ocorre entre a CIA emissora e o 
investidor (ações compradas diretamente da S/A). Ver exemplo do carro do 
Ulhôa (primeiro dono). 
- Mercado secundário: Quando a operação ocorre entre investidores. 
 
O mercado primário só ocorre com o mercado de balcão; já o mercado 
secundário pode ser tantode balcão quanto na bolsa de valores. Ou seja, na 
Bolsa de Valores só existe o mercado secundário, onde um investidor emite um 
título para outro investidor. 
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67 
 Para a constituição da sociedade anônima, alguns requisitos 
preliminares, devem ser observados: 
 
Art. 80. A constituição da companhia depende do 
cumprimento dos seguintes requisitos preliminares: 
I - subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas 
as ações em que se divide o capital social fixado no 
estatuto; 
II - realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no 
mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em 
dinheiro; 
III - depósito, no Banco do Brasil S/A., ou em outro 
estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de 
Valores Mobiliários, da parte do capital realizado em 
dinheiro. Parágrafo único. O disposto no número II não se 
aplica às companhias para as quais a lei exige realização 
inicial de parte maior do capital social. 
 
Subscrição, pelo menos por duas pessoas, de todas as ações em que se 
divide o capital social fixado no Estatuto. A subscrição é o contrato pelo qual 
uma pessoa se torna titular de ação emitida por uma S/A. Exceções onde se 
admite a unipessoalidade: Empresa pública (Ente político como único acionista) 
ou Subsidiária integral. Subsidiária integral (art. 251 da LSA): É um tipo de 
sociedade anônima que admite um único acionista, que necessariamente será 
uma sociedade nacional. Ex: Transpetro. Subsidiária integral. Tem como único 
acionista a Petrobras. Itaú S/A, tem como único acionista Itaú Holding. 
 
Art. 251. A companhia pode ser constituída, mediante 
escritura pública, tendo como único acionista sociedade 
brasileira. § lº A sociedade que subscrever em bens o 
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68 
capital de subsidiária integral deverá aprovar o laudo de 
avaliação de que trata o artigo 8º, respondendo nos 
termos do § 6º do artigo 8º e do artigo 10 e seu parágrafo 
único. § 2º A companhia pode ser convertida em 
subsidiária integral mediante aquisição, por sociedade 
brasileira, de todas as suas ações, ou nos termos do 
artigo 252. 
 
Integralização, em dinheiro, de pelo menos 10% do preço das ações 
subscritas. Exceção: Em sendo instituição financeira, esse percentual passa 
para 50%, nos termos da Lei 4.595/64. Depósito dessa quantia no Banco do 
Brasil ou em outro estabelecimento bancário autorizado pela CVM. Quem 
realiza esse depósito é o fundador da CIA, em nome do subscritor e em favor 
da CIA. 
 Esse valor é levantado pela Cia depois de concluído o processo de 
constituição. Agora, se em 06 meses do depósito a CIA não se constituir, o 
valor depositado é restituído ao subscritor. 
No tocante à constituição propriamente dita (arts. 82 a 93 da LSA): 
 1ª Etapa: Registro na CVM, que analisará o Estatuto e a viabilidade econômica 
da S/A. 
2ª Etapa: Se autorizada pela CVM, passa-se à contratação de instituição 
financeira para intermediar a venda dessas ações no mercado de valores 
mobiliários (“underwriter” – a empresa faz os serviços de ‘underwrinting’: quais 
sejam, apresentação dos documentos necessários à CVM, assinando-os e a 
colocação das ações junto aos investidores, o objetivo da lei é ampliar as 
garantias dos investidores.). 
 O papel da instituição financeira underwriter é extremamente importante, 
visto que cabe a ela captar os recursos no mercado, atraindo investidores para 
o empreendimento a ser desenvolvido pela cia. Nas cias abertas, todo capital 
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69 
deve ser subscrito, sob pena de cancelamento do registro de emissão 
anteriormente concedido pela CVM. 
 
Art. 86. Encerrada a subscrição e havendo sido subscrito 
todo o capital social, os fundadores convocarão a 
assembleia-geral que deverá: 
I - promover a avaliação dos bens, se for o caso (artigo 
8º); 
II - deliberar sobre a constituição da companhia. 
Parágrafo único. Os anúncios de convocação 
mencionarão hora, dia e local da reunião e serão 
inseridos nos jornais em que houver sido feita a 
publicidade da oferta de subscrição. 
 
3ª Etapa: Assembleia de fundação. (Primeira convocação, no mínimo metade 
do capital social, na segunda, com qualquer número). 
Estabelece o §2º do art. 87 que cada ação, independentemente de sua 
espécie ou classe, dá direito a um voto, sendo que a maioria não tem poder 
para alterar o projeto de estatuto, ou seja, é necessário para isso deliberação 
unânime. 
 
Art. 87. A assembleia de constituição instalar-se-á, em 
primeira convocação, com a presença de subscritores que 
representem, no mínimo, metade do capital social, e, em 
segunda convocação, com qualquer número. § 1º Na 
assembleia, presidida por um dos fundadores e 
secretariada por subscritor, será lido o recibo de depósito 
de que trata o número III do artigo 80, bem como discutido 
e votado o projeto de estatuto. § 2º Cada ação, 
independentemente de sua espécie ou classe, dá direito a 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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70 
um voto; a maioria não tem poder para alterar o projeto de 
estatuto. 
 
Quanto à constituição da CIA fechada (subscrição particular ou 
simultânea), o procedimento é bem mais simplificado, sem a captação de 
recursos junto a investidores no mercado de capitais. Os acionistas escolhem 
entre: 1- Escritura pública de fundação ou; 2- Assembleia de fundação. 
 Somente a CIA aberta é que precisa de autorização da CVM para sua 
constituição. É por isso que quando a CIA aberta não consegue a autorização, 
ela se constitui na forma de CIA fechada. Perceba que fundação por escritura 
pública só pode acontecer nas fechadas! 
Regras gerais acerca do procedimento de subscrição 
 
Art. 89. A incorporação de imóveis para formação do 
capital social não exige escritura pública. 
 
Art. 90. O subscritor pode fazer-se representar na 
assembléia-geral ou na escritura pública por procurador 
com poderes especiais. 
 
Art. 91. Nos atos e publicações referentes a companhia 
em constituição, sua denominação deverá ser aditada da 
cláusula "em organização". 
 
Art. 92. Os fundadores e as instituições financeiras que 
participarem da constituição por subscrição pública 
responderão, no âmbito das respectivas atribuições, pelos 
prejuízos resultantes da inobservância de preceitos legais. 
Parágrafo único. Os fundadores responderão, 
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71 
solidariamente, pelo prejuízo decorrente de culpa ou dolo 
em atos ou operações anteriores à constituição. 
 
Art. 93. Os fundadores entregarão aos primeiros 
administradores eleitos todos os documentos, livros ou 
papéis relativos à constituição da companhia ou a esta 
pertencentes. 
 
Satisfeitos esses procedimentos preliminares, deverão ainda ser 
observados procedimentos complementares, comuns a qualquer espécie de 
CIA, quais sejam o Registro do Ato Constitutivo na Junta Comercial e a sua 
devida publicação. A LSA determina uma série de documentos para o 
arquivamento na Junta Comercial, no caso de constituição da Cia que ocorre 
por meio de assembleia de fundação. No caso de CIA constituída por meio de 
lavratura de escritura pública em cartório, o que só pode ocorrer nas Cias 
fechadas, a LSA determina que basta o arquivamento da certidão. 
 
Órgãos da S/A 
Assembleia Geral 
É o órgão mais importante, possuindo caráter exclusivamente 
deliberativo. É onde são tomadas as principais decisões da S/A. A assembleia 
geral pode ser: 
1) Ordinária: Competência privativa da AGO (art. 132 da LSA): 
- Deliberar sobre a destinação dos lucros; 
- Tomar as contas dos administradores (prestação de contas); 
- Eleger os administradores e membros do Conselho Fiscal.- Aprovar a correção da expressão monetária do capital social. 
 
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Art. 132. Anualmente, nos 4 (quatro) primeiros meses 
seguintes ao término do exercício social, deverá haver 1 
(uma) assembleia-geral para: 
I - tomar as contas dos administradores, examinar, discutir 
e votar as demonstrações financeiras; 
II - deliberar sobre a destinação do lucro líquido do 
exercício e a distribuição de dividendos; 
III - eleger os administradores e os membros do conselho 
fiscal, quando for o caso; IV - aprovar a correção da 
expressão monetária do capital social (artigo 167). 
 
Todo e qualquer tema que não seja esses 04 só poderá ser objeto de 
assembleia geral extraordinária. 
 
2) Extraordinária: Todo e qualquer tema que não seja os 04 acima. 
Ex.: Destituição de administrador (art. 122 da LSA). 
 
Conselho de Administração 
É um órgão facultativo, em regra. Trata-se de colegiado de caráter 
deliberativo, ao qual a lei atribui parte das competências da Assembleia-Geral. 
Em três situações o Conselho é obrigatório (arts. 138 e 238 da LSA): 
1- CIA aberta; 
2- Sociedade de capital autorizado (art. 168 da LSA): Trata-se da sociedade 
onde o Estatuto permite previamente a alteração do capital, sem que seja 
necessária a sua modificação (do Estatuto). 
3- Sociedade de economia mista. 
 
Por que é obrigatório? Qual a finalidade do Conselho de Administração? 
O art. 142 da LSA estabelece a competência do Conselho, dentre as principais 
atribuições: 
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73 
1- A Eleição e destituição dos membros da diretoria. (Não confundir: à AGO 
compete eleição e destituição dos administradores e Conselho fiscal) 
2- Estabelecimento das diretrizes e planejamento da S/A; 
3- Supervisão dos atos da Diretoria. 
 
Nas três exceções percebe-se um interesse público envolvido, por isso 
exige-se o Conselho de Administração, para supervisionar os atos da diretoria. 
 A composição do Conselho de Administração é de no mínimo de 03 
membros, devendo todos ser acionistas e pessoas naturais (nas limitadas o 
mínimo é 01) O mandato é fixado no estatuto, não podendo exceder a 03 anos, 
permitida a reeleição (nas limitadas o prazo é fixado no contrato). Não precisa 
ser residente no país. 
 Perceba que o administrador da sociedade limitada, não precisa ser 
sócio, o contrato que define. 
 A CIA aberta pode ser composta por dois acionistas? Não, pois a CIA 
Aberta tem que ter Conselho de Administração que deve ter uma composição 
mínima de três acionistas. 
Os órgãos de administração da S/A são o Conselho de Administração e 
a Diretoria; ou apenas Diretoria, quando o Conselho não for obrigatório. 
 
Art. 158. O administrador não é pessoalmente 
responsável pelas obrigações que contrair em nome da 
sociedade e em virtude de ato regular de gestão; 
responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, 
quando proceder: I - dentro de suas atribuições ou 
poderes, com culpa ou dolo; II - com violação da lei ou do 
estatuto. 
 
Diretoria 
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74 
O diretor é o representante legal da S.A. Ele que vai representá-la. 
Mínimo de 02 membros, acionistas ou não, devendo ser residentes no país. O 
mandato é fixado pelo Estatuto, não podendo ser superior a 03 anos, permitida 
a reeleição. 
 
Art. 143. A Diretoria será composta por 2 (dois) ou mais 
diretores, eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo 
conselho de administração, ou, se inexistente, pela 
assembleia-geral, devendo o estatuto estabelecer:... 
 
A diretoria é órgão de representação legal da CIA e de execução das 
deliberações da Assembleia e do Conselho de Administração. Compete a 
qualquer diretor a representação da CIA e a prática dos atos necessários ao 
seu funcionamento regular, salvo se existir deliberação ou previsão estatutária 
prevendo tais competências a um diretor específico. 
 
Art. 144. No silêncio do estatuto e inexistindo deliberação 
do conselho de administração (artigo 142, n. II e parágrafo 
único), competirão a qualquer diretor a representação da 
companhia e a prática dos atos necessários ao seu 
funcionamento regular. 
 
Conselho fiscal 
Sua composição é de no mínimo 03 membros e máximo de 05, com 
igual número de suplentes, acionistas ou não, porém residentes no país. 
 
Art. 161. A companhia terá um conselho fiscal e o estatuto 
disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente 
ou nos exercícios sociais em que for instalado a pedido de 
acionistas. 
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75 
§ 1º O conselho fiscal será composto de, no mínimo, 3 
(três) e, no máximo, 5 (cinco) membros, e suplentes em 
igual número, acionistas ou não, eleitos pela assembleia-
geral. 
 
- O Conselho Fiscal é órgão de existência obrigatória, porém seu 
funcionamento é facultativo, o qual deverá ocorrer mediante deliberação dos 
acionistas. EXCEÇÃO: Na Sociedade de economia mista o funcionamento 
também é obrigatório (art. 240 da LSA). 
 Cabe ao Conselho fiscalizar os órgãos da administração da sociedade 
(Conselho Administrativo e Diretoria), protegendo, assim, os interesses da 
companhia e de todos os acionistas. Sua competência é detalhada no art. 163 
da LSA. 
 O Conselho Fiscal é órgão de existência obrigatória, mas de 
funcionamento facultativo! 
 
Valores mobiliários 
Tratam-se dos títulos de investimento que a sociedade emite para 
arrecadar recursos. São eles: 
- Ação; 
- Debênture; 
- “Commercial paper”; 
- Bônus de subscrição; 
- Partes beneficiárias. 
 
Ação 
Ações são frações do capital social que conferem ao seu titular a 
qualidade de sócio de uma S/A. Quem tem ação é chamado de acionista, que é 
o sócio da S/A. 
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76 
a) Ações Ordinárias (ON): São aquelas que conferem direitos comuns se sócio 
ao acionista. Exemplo de direitos comuns: Participação nos lucros; 
Fiscalização; direito de retirada etc. É a espécie de ação que obrigatoriamente 
deve ser emitida pela CIA, vale dizer, não existe S/A sem ações ordinárias. 
Emissão obrigatória. Toda a ação ordinária confere direito de VOTO ao 
acionista (LSA, art. 110). 
b) Ações Preferenciais (PN): São aquelas que conferem ao titular uma ação de 
direitos diferenciados, que podem se constituir em vantagens econômicas 
(maioria das vezes) ou políticas. Vantagem econômica: Quem tem ação 
preferencial PODE ter prioridade de recebimento de dividendos, ou seja, o 
acionista preferencial recebe primeiro os lucros da sociedade. Nesse caso, 
somente se sobrar dinheiro é que os acionistas ordinários receberiam. Outra 
vantagem econômica: Quem tem ação preferencial pode receber, no mínimo, 
10% a mais de lucros que o acionista ordinário. 
A ação preferencial das duas uma: ou não tem direito a voto; ou tem o 
direito a voto limitado. É a contrapartida às vantagens recebidas. Tema 
recorrente em prova. 
 As ações “golden share”, que ficam obrigatoriamente na titularidade do 
Estado, apesar de terem limitação quanto ao direito de voto (pois são 
preferenciais e não ordinárias), podem conferir uma série de poderes especiais 
ao seu titular, conforme dispuser o Estatuto. Dentre esses poderes especiais se 
encontra o direito de VETO às deliberações sociais. 
Qual é o número máximo de ações preferenciais sem voto que uma Cia 
pode emitir? No máximo de 50% do total de ações (art. 15, §2º). 
 
c) Ações de fruição/gozo (art. 44, §5º da LSA): Não tem nada a ver com 
usufruto de ação. A palavra chave para essa forma de ação é “amortização”, 
que significa antecipação de pagamento. 
 Quando a S/A sofre uma dissolução total, ela passa pela chamada 
liquidação. A partir daí todos osbens da CIA são arrecadados. Posteriormente, 
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77 
os bens são vendidos, sendo a receita da venda utilizada no pagamento dos 
credores. Se após o pagamento de todos os credores sobrar algum dinheiro, 
dá-se a esse montante o nome de ACERVO. O que se faz com o acervo? Deve 
ser repartido entre os acionistas, de acordo com a proporção de cada um. 
OBS: Só se fala em acervo quando a sociedade fecha, é dissolvida. 
 
A ação de gozo e fruição nada mais é do que uma ação ordinária ou 
preferencial que já foi totalmente amortizada (já houve total antecipação do 
pagamento do acervo). É importante a classificação da ação como tal para que 
o adquirente da ação saiba desde já que não terá direito a nada no momento 
da liquidação da sociedade (art. 44, §5º da LSA). 
 
Debêntures 
Estão expressamente previstas no art. 52 da LSA, in verbis: “Art. 52. A 
companhia poderá emitir debêntures que conferirão aos seus titulares direito de 
crédito contra ela, nas condições constantes da escritura de emissão e, se 
houver, do certificado”. 
 Quando a S/A precisa de recursos, ela tem opções: - Ou procura uma 
instituição financeira para pegar um empréstimo bancário (com juros definidos 
pelo banco). - Ou emite debêntures. 
 As debêntures são títulos representativos de um contrato de mútuo, em 
que a companhia é a mutuária e o debenturista o mutuante. O empréstimo é 
feito e, algum tempo depois (médio e longo prazo) o titular da debênture recebe 
o valor investido, acrescido de juros e correção monetária. As debêntures 
conferirão aos seus titulares direito de crédito contra a CIA, nas condições 
constantes da escritura de emissão e, se houver, do certificado. Diferentemente 
dos contratos de empréstimos com bancos, nas debêntures a própria CIA que 
define as taxas de juros e correção, daí porque ser considerado um meio mais 
vantajoso de arrecadar recursos para a sociedade. 
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78 
Se no fim do prazo o valor não for reembolsado, o titular da debênture 
pode ajuizar uma ação de execução, porquanto a debênture é um título 
executivo extrajudicial (art. 784, I do CPC/2015). 
 A debênture PODERÁ ser conversível em ação da CIA, mas na maioria 
das vezes não é. Vai depender do que for estabelecido na escritura de 
emissão. 
 
Commercial paper 
Nada mais é que uma debênture com pagamento a curto prazo. A única 
diferença refere-se ao prazo de reembolso. Apesar de a lei não mencionar 
prazo, a Instrução Normativa n. 134 da CVM faz essa definição: 
a) Se for CIA aberta, o reembolso deve ser feito de 30 a 360 dias; 
b) Se for CIA fechada, o reembolso deve ser feito de 30 a 180 dias. 
 O commercial paper é chamado também de “nota promissória da S/A”. 
 
Bônus de subscrição 
É previsto no art. 75 da LSA, in verbis: 
 
Art. 75. A companhia poderá emitir, dentro do limite de 
aumento de capital autorizado no estatuto (artigo 168), 
títulos negociáveis denominados "Bônus de Subscrição". 
Parágrafo único. Os bônus de subscrição conferirão aos 
seus titulares, nas condições constantes do certificado, 
direito de subscrever ações do capital social, que será 
exercido mediante apresentação do título à companhia e 
pagamento do preço de emissão das ações. 
 
Tratam-se de títulos negociáveis que conferirão aos seus titulares direito 
de subscrever ações do capital social, que será exercido mediante 
apresentação do título à CIA e pagamento do preço de emissão das ações. Ou 
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79 
seja, o bônus de subscrição nada mais é do que um direito de preferência na 
aquisição (subscrição) de novas ações emitidas. 
Compete à Assembleia Geral deliberar sobre bônus de subscrição, se 
não for dada competência ao conselho de administração, pelo estatuto. 
 
Partes beneficiárias 
São títulos negociáveis, estranhos ao capital social, que conferirão aos 
seus titulares direito de crédito eventual contra a CIA, consistente na 
participação dos lucros anuais. O titular desse título tem direito ao lucro, porém 
não é acionista. O direito de crédito é eventual, pois só existe na eventualidade 
de a CIA produzir lucro. Esse título é uma forma utilizada para incentivar o 
diretor da Cia a se empenhar na melhora do desempenho social, sem que seja 
necessário colocá-lo como acionista. Ou seja, ao mesmo tempo que remunera 
o sujeito, ainda o incentiva a trabalhar da melhor forma possível pelo 
desenvolvimento social. 
 Às partes beneficiárias não pode ser destinado a mais do que 10% dos 
lucros da sociedade (art. 46, §2º da LSA). 
 
Art. 46. A companhia pode criar, a qualquer tempo, títulos 
negociáveis, sem valor nominal e estranhos ao capital 
social, denominados "partes beneficiárias". § 1º As partes 
beneficiárias conferirão aos seus titulares direito de 
crédito eventual contra a companhia, consistente na 
participação nos lucros anuais (artigo 190). § 2º A 
participação atribuída às partes beneficiárias, inclusive 
para formação de reserva para resgate, se houver, não 
ultrapassará 0,1 (um décimo) dos lucros. 
 
Compete à Assembleia Geral deliberar sobre partes beneficiárias. Quem 
tem bônus prefere inclusive ao acionista sem bônus, mesmo que o possuidor 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
PROFESSOR: MARCOS TÚLIO DE MELO 
 
 
80 
do bônus não seja acionista. Diferença de uma ação para uma parte 
beneficiária: as ações são frações do capital social, enquanto a parte 
beneficiária é estranha ao capital social. Assim, participa dos lucros, mas não é 
acionista (não tem direito de voto, não tem direito de retirada). É vedado às 
companhias ABERTAS emitir partes beneficiárias. Somente as FECHADAS. 
 Prazo máximo de participação é de 10 anos. 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 
MAMEDE, Gladston. Empresas e atuação empresarial. São Paulo: Atlas 
RAMOS, André Luis Santa Cruz. Direito Empresarial Esquematizado. 8ed. São 
Paulo: Método, 
TOMAZETTE, Marlon. Curso De Direito Empresarial. Teoria Geral Do Direito 
Empresarial E Direito Societário. Saraiva, São Paulo.se considera 
empresário quem exerce profissão intelectual, de 
natureza científica, literária ou artística, ainda com o 
concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o 
exercício da profissão constituir elemento de empresa. 
 
a) “Profissão intelectual” 
Científica: São os chamados profissionais autônomos: médico (não é 
empresário, sua atividade é intelectual e científica), contador (ciências 
contábeis), advogado. Exemplo: sociedade entre médicos (não é empresária 
também), sociedade entre advogados (não é empresária também). 
Literária: escritor/jornalista; 
Artística: desenhista, artista plástico, cantor, ator, dançarino. 
 
b) “Ainda que tenha o concurso de auxiliares ou colaboradores” 
Exemplo da clínica: mesmo que contrate enfermeira e secretária não se 
será sociedade empresária. Ou seja, será uma sociedade simples. 
 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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8 
c) “Salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa” 
 Caso a profissão intelectual se torne apenas um dos vários elementos 
que formam uma empresa, haverá uma sociedade empresária. Em outras 
palavras: a atividade intelectual leva o seu titular a ser considerado empresário 
se ela estiver integrada em um objeto mais complexo, próprio da atividade 
empresarial. 
Exemplo1: a clínica, para atender melhor os pacientes, terá uma cafeteria e 
lanchonete. A clínica tem uma UTI (serviço de hospedagem). Agora tem uma 
sala de cirurgia tão moderna que todos os médicos da região alugam para 
realizar procedimentos. Os médicos são meros elementos dentro de um grande 
complexo empresarial, deixou de ser uma atividade científica, literária ou 
artística pura para ser um elemento de empresa. Podemos afirmar por isso, 
que hospital é uma sociedade empresária. 
 
Exemplo2: Veterinário com clínica. Se eu começo a vender ração de cachorro, 
brinquedo para cachorro etc.? A clínica passa a ser uma sociedade, pois a 
minha atividade intelectual (veterinário) passa a ser só mais um dos elementos 
da empresa. 
 
Dois médicos resolvem abrir uma clínica de ortopedia chamada “Só 
ossos”, contrataram uma secretária, faxineira e empregada. É sociedade 
empresária? NÃO. “Ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores” 
Além do profissional intelectual, NÃO É EMPRESÁRIO: o profissional 
rural não registrado e os empresários de cooperativas, que veremos adiante. 
 
EMPRESA 
Conceito de empresa 
Não confundir a atividade com o praticante da atividade. 
 Empresa é a ATIVIDADE econômica organizada para a produção ou 
circulação de bens ou de serviços. 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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9 
Sociedade empresária – pessoa jurídica: não é porque sou sócio de uma 
empresa que serei empresário; empresário é quem pratica, organiza a 
atividade empresarial sozinho, na sociedade empresária, quem pratica a 
atividade é a pessoa jurídica. 
 
Microempresa e Empresa de Pequeno Porte 
Trazidas na redação do art. 3º da LC 123/06: 
 
Art. 3o Para os efeitos desta Lei Complementar, 
consideram-se microempresas ou empresas de pequeno 
porte a sociedade empresária, a sociedade simples, a 
empresa individual de responsabilidade limitada e o 
empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 
10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente 
registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no 
Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, 
desde que: 
I - No caso da MICROEMPRESA, aufira, em cada ano-
calendário, RECEITA BRUTA IGUAL OU INFERIOR A R$ 
360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e 
II - No caso da EMPRESA DE PEQUENO PORTE, aufira, 
em cada ano-calendário, RECEITA BRUTA SUPERIOR A 
R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) E IGUAL 
OU INFERIOR A R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e 
oitocentos mil reais). 
 
Podem ser ME ou EPP: empresário individual, sociedade empresária, 
sociedade simples. Essa qualificação diz respeito a fins tributários. 
 
A ATIVIDADE EMPRESARIAL 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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10 
Requisitos para ser empresário 
 Conforme o art. 972 do CC, dois são os requisitos: 1) pleno gozo da 
capacidade civil; 2) ausência de impedimento legal. “Art. 972. Podem exercer a 
atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e 
não forem legalmente impedidos”. 
 
Requisito I: pleno gozo da capacidade civil 
Não pode ser empresário o menor de 18 anos não emancipado, ébrios 
habituais, viciados em tóxicos, os que por causa transitória não puderem 
exprimir sua vontade, pródigos.. Observem a redação dos arts. 3º e 4º do 
Código Civil: 
 
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer 
pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 
(dezesseis) anos. 
 
Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à 
maneira de os exercer: 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, 
não puderem exprimir sua vontade; 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será 
regulada por legislação especial. 
 
Ressalte-se que o menor emancipado tem plena capacidade civil, logo é 
apto para o exercício de empresa. “Art. 974. Poderá o INCAPAZ, por meio de 
representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida 
por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança.” 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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11 
 Menor NÃO emancipado: Iniciar a atividade ele não pode. No entanto, 
ele pode continuar uma empresa (atividade), antes exercida por seus pais ou 
por autor de herança da qual é sucessor. É uma regra de preservação da 
empresa. 
Incapacidade civil superveniente: Aquele a quem sobreveio 
incapacidade também é permitida a continuidade do exercício empresarial. 
Essas regras excepcionais estão previstas no art. 974 do CC, que 
apresenta dois requisitos para a continuidade da empresa: 
- Assistência ou representação (a depender do grau de incapacidade); 
- Autorização judicial (realizada pelo chamado alvará). 
 
Art. 974. Poderá o incapaz, por MEIO DE 
REPRESENTANTE ou DEVIDAMENTE ASSISTIDO, 
continuar a empresa antes exercida por ele enquanto 
capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. 
§1º Nos casos deste artigo, PRECEDERÁ 
AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, após exame das 
circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da 
conveniência em continuá-la podendo a autorização ser 
revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou 
representantes legais do menor ou do interdito, sem 
prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. 
 
Se o menor continua a atividade empresarial, teoricamente, seus bens 
passariam a responder pelas dívidas empresariais. Entretanto, o art. 974, §2º 
traz uma proteção ao patrimônio do incapaz, in verbis: 
 
Art. 974, 
(...) 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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12 
§ 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens 
que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da 
interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, 
devendo tais fatos constar do alvará que conceder a 
autorização. 
 
Ou seja, os bens que o incapaz já possuía não respondem pelas dívidas 
empresariais, desde que tais bens fiquem consignados no alvará de 
autorização. Este artigo traz um patrimônio de afetação. 
 
Requisito II: ausência de impedimentos legais 
São impedidos de ser empresário: 
1) Membros do Ministério Público; 
2) Magistrados; 
3) Membros da Defensoria Pública; 
4) Empresários falidos; 
5) Leiloeiros; 
6) Cônsules, nos seus distritos; 
7) Médicos, para o exercício simultâneo de farmácia, e farmacêuticos no 
exercício simultâneo da medicina; 
8) Servidores públicos civis da ativa; 
9) Servidoresmilitares da ativa das Forças Armadas e das Polícias Militares; 
10) Os deputados e senadores não poderão ser proprietários, controladores ou 
diretores de empresa, que goze de favor decorrente de contrato com pessoa 
jurídica de direito público; 
 
Vejamos: 
1) Membros do Ministério Público para exercer o comércio individual ou 
participar de sociedade comercial (art.128, § 5º, II, “c”, da CF), salvo se 
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13 
acionista ou cotista, obstada a função de administrador (art. 44, III, da Lei 
8.625/1993 - LOMP); 
 
CF, Art. 128. O Ministério Público abrange: 
(...) § 5º - Leis complementares da União e dos Estados, 
cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-
Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o 
estatuto de cada Ministério Público, observadas, 
relativamente a seus membros: 
(...) II - As seguintes vedações: 
(...) c) participar de sociedade comercial, na forma da lei; 
 
A lei de organização do ministério público (LOMP), prevê: “Art. 44. Aos 
membros do Ministério Público se aplicam as seguintes vedações: III - exercer 
o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como cotista ou 
acionista”; 
 
2) Magistrados (art. 36, I, Lei Complementar n. 35/1977 – Lei Orgânica da 
Magistratura) nos mesmos moldes da limitação imposta aos membros do 
Ministério Público; “ LOM, Art. 36 - É vedado ao magistrado: I - exercer o 
comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, 
exceto como acionista ou quotista;” 
 
3) Membros da Defensoria Pública (art. 46, IV, da LC 80/94 - DPU;; art. 130, IV 
– DPE) mesmos moldes do MP e Magistratura. 
 
Art. 46. Além das proibições decorrentes do exercício de 
cargo público, aos membros da Defensoria Pública da 
União é vedado: 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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14 
IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade 
comercial, exceto como cotista ou acionista; 
 
Art. 130. Além das proibições decorrentes do exercício de 
cargo público, aos membros da Defensoria Pública dos 
Estados é vedado: 
IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade 
comercial, exceto como cotista ou acionista; 
 
4) Empresários falidos, enquanto não forem reabilitados (Lei de Falências, art. 
102); 
 
LF, Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer 
atividade empresarial a partir da decretação da falência e 
até a sentença que extingue suas obrigações, respeitado 
o disposto no § 1o do art. 181 desta Lei. 
Parágrafo único. Findo o período de inabilitação, o falido 
poderá requerer ao juiz da falência que proceda à 
respectiva anotação em seu registro. 
 
5) Leiloeiros (art. 36 do Decreto n° 21.891/32 – proíbe os leiloeiros de 
exercerem a empresa direta ou indiretamente, bem como constituir sociedade 
empresária, sob pena de destituição); 
 
Art. 36. É proibido ao leiloeiro: 
a) sob pena de destituição: 
1º, exercer o comércio direta ou indiretamente no seu ou 
alheio nome; 
2º, constituir sociedade de qualquer espécie ou 
denominação; 
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15 
3º, encarregar-se de cobranças ou pagamentos 
comerciais; 
 
6) Médicos, para o exercício simultâneo da farmácia, drogaria ou laboratórios 
farmacêuticos, e os farmacêuticos, para o exercício simultâneo da medicina 
(Decreto nº 19.606/31 c/c Decreto nº 20.877/31 e Lei nº 5.991/73); 
 
7) Servidores públicos civis da ativa (Lei nº 1.711/52) e servidores federais (Lei 
nº 8.112/90, art.117, X, inclusive Ministros de Estado e ocupantes de cargos 
públicos comissionados em geral). Aqui é importante observar que o 
funcionário público pode participar como sócio cotista, comanditário ou 
acionista, sendo obstada a função de administrador; 
 
8) Servidores militares da ativa das Forças Armadas e das Polícias Militares 
(Código Penal Militar, arts. 180 e 204 e Decreto-Lei nº 1.029/69; arts 29 e 35 da 
lei nº 6.880/80), neste caso, também poderão integrar sociedade empresário, 
na qualidade de cotista ou acionista, sendo obstada a função de administrador; 
 
9) Os deputados e senadores não poderão ser proprietários, controladores ou 
diretores de empresa, que goze de favor decorrente de contrato com pessoa 
jurídica de direito público, nem exercer nela função remunerada ou cargo de 
confiança, sob pena de perda do mandato – (arts. 54 e 55 da Constituição 
Federal). 
 
A lei não inclui alguns outros agentes políticos, como o Presidente da 
República, ministros de Estado, secretários de Estado e prefeitos municipais, 
no âmbito do Poder Executivo, mas menciona as mesmas restrições dos 
senadores e deputados federais aos deputados estaduais e vereadores (art.29, 
IX, da Constituição Federal). 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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16 
A esses membros do Executivo a lei não restringiu o exercício da 
atividade empresarial, e, assim, não cabe ao intérprete incluí-los na proibição, 
sob pena de estabelecer privação de direito não prevista em lei. 
Observa-se, contudo, que seus atos de administração deverão pautar-se 
pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
demais regras previstas no art. 37 da Constituição Federal. Ao contratar, 
portanto, aplicam-se-lhes as mesmas restrições do art. 54, II, da Constituição 
Federal. 
 
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão: 
II - Desde a posse: 
a) ser proprietários, controladores ou diretores de 
empresa que goze de favor decorrente de contrato com 
pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função 
remunerada; 
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad 
nutum", nas entidades referidas no inciso I, "a"; 
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das 
entidades a que se refere o inciso I, "a"; 
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público 
eletivo 
 
EMPRESÁRIO CASADO 
Pode o empresário individual casado vender um bem empresarial sem a 
outorga conjugal? 
 
Regra Geral do CC: 
 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648 
(suprimento da outorga via judicial), nenhum dos cônjuges 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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17 
pode, sem autorização do outro, exceto no regime da 
separação absoluta: 
I - Alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
 
Regra especial do empresário: 
 
Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de 
outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, 
alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa 
ou gravá-los de ônus real. 
 
Art. 979. Além de no Registro Civil, serão arquivados e 
averbados, no Registro Público de empresas Mercantis, 
os pactos e declarações antenupciais do empresário, o 
título de doação, herança, ou legado, de bens clausulados 
de incomunicabilidade ou inalienabilidade. 
 
Art. 980. A sentença que decretar ou homologar a 
separação judicial do empresário e o ato de reconciliação 
não podem ser opostos a terceiros, antes de arquivados e 
averbados no Registro Público de Empresas Mercantis. 
 
Assim, se estes atos não forem devidamente registrados na Junta 
Comercial, o empresário não poderá opô-los contra terceiros. 
 
OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO 
Registro 
Previsão legal e órgão encarregado 
 O art. 967 do CC prevê que o empresário deve se inscrever no Registro 
Público de Empresas Mercantis, antes mesmo do início da atividade. “Art. 967. 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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18 
É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade”. 
 Esse Registro Público de Empresas, estruturado de acordo com a Lei 
8.934/94 (LRE – Lei de Registros Público de Empresas Mercantis e AtividadesAfins), é dividido em dois órgãos: 
1) DREI (Departamento de Registro Empresarial e Integração) – órgão central 
do SINREM: Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis): É um 
órgão federal, de caráter normatizador e fiscalizador. 
 2) Junta Comercial: É um órgão estadual, de caráter executor. É na junta 
comercial que se procede ao registro do empresário. 
 
A junta comercial tem subordinação hierárquica híbrida: 
1) Subordinação técnica: Em questões de Direito Comercial se subordina ao 
DREI (órgão federal). 
2) Subordinação administrativa: Em questões de Direito Administrativo e 
Financeiro se subordina ao Governo do Estado. Ou seja, quem paga o salário 
de quem trabalha na Junta Comercial é o estado. 
 
Conforme entendimento do STF, contra ato denegatório de registro na 
Junta Comercial, cabe a impetração de MS junto à Justiça Federal, dada a 
vinculação técnica da Junta ao DREI, órgão federal. Em outras palavras, o ato 
de registro diz respeito ao aspecto técnico, e sendo a Junta subordinada 
tecnicamente a órgão federal, a impetração deve ser na JF. 
Informativo 536 STJ: “As juntas comerciais subordinam-se 
administrativamente ao Governo Estadual e tecnicamente, ao Departamento 
Nacional de Registro do Comércio”. 
 
Atos de registro 
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19 
1) Matrícula: Ato de inscrição dos profissionais de atividades “paracomerciais”. 
Se refere a alguns profissionais específicos. A grosso modo: regula algumas 
profissões. 
 
2) Arquivamento: Ato de inscrição do empresário individual bem como atos de 
inscrição, dissolução e alteração das sociedades empresárias, cooperativas, 
consórcios de empresas, grupos de sociedades, empresas mercantis 
estrangeiras, assim como declarações de microempresa e de empresa de 
pequeno porte. 
 
3) Autenticação: É ligada aos demais instrumentos de escrituração, são os 
livros comerciais e as fichas escriturais. Requisito extrínseco de validade da 
escrituração. 
 
Art. 1.154 CC: ato sujeito a registro não pode ser oposto a 
terceiros antes do cumprimento das formalidades 
exigidas, salvo se houver prova que o terceiro o conhecia 
 
EXCEÇÃO AO REGISTRO 
 
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, 
pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, 
requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva 
sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, 
ao empresário sujeito a registro. 
 
OBS: O produtor rural, somente será considerado empresário, a partir do seu 
registro. 
 
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20 
EMPRESÁRIO IRREGULAR (É aquele que não possui registro de suas 
atividades) 
- Não poderá pedir a falência de outra empresa 
- Não pode participar de licitação 
 
CANCELAMENTO DO REGISTRO 
- O empresário ou a sociedade empresária, que deixar de proceder em suas 
obrigações empresariais, perante a junta comercial, por um período de 10 
anos, terá o cancelamento do seu registro empresarial. A principal 
consequência disso, é a perda da exclusividade no uso do nome empresarial. 
O cancelamento não acarretará na dissolução da sociedade. 
 
EIRELI (EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA) 
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será 
constituída por uma única pessoa (FÍSICA OU JURÍDICA) titular da totalidade 
do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) 
vezes o maior salário-mínimo vigente no País. 
§ 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão 
"EIRELI" após a firma ou a denominação social da empresa individual de 
responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) 
§ 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade 
limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa 
modalidade. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) 
 
Art. 980-A (...) § 3 - A EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE 
LIMITADA também poderá resultar da concentração das quotas de outra 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12441.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12441.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12441.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12441.htm#art2
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21 
modalidade societária num único sócio, independentemente das razões que 
motivaram tal concentração. 
§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que 
couber, as regras previstas para as sociedades limitadas. 
 
§ 7º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da 
empresa individual de responsabilidade limitada, hipótese em que não se 
confundirá, em qualquer situação, com o patrimônio do titular que a constitui, 
ressalvados os casos de fraude. 
 
ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS EMPRESARIAIS 
- Livros obrigatórios (É aquele que será obrigatório, para o exercício da 
atividade empresarial). 
> Especiais (Exigido em casos excepcionais). Ex: Livro de duplicatas 
> Comuns (Exigido para todos os tipos empresariais). Ex: Livro Diário 
EXCEÇÃO À OBRIGATORIEDADE NA ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são 
obrigados a seguir um sistema de contabilidade, 
mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme 
de seus livros, em correspondência com a documentação 
respectiva, e a levantar anualmente o BALANÇO 
PATRIMONIAL e o de RESULTADO ECONÔMICO. 
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno 
empresário a que se refere o art. 970. 
 
Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, 
diferenciado e simplificado ao empresário rural e ao 
PEQUENO EMPRESÁRIO, quanto à inscrição e aos 
efeitos daí decorrentes. 
 
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22 
 
- Livros facultativos: São aqueles que não são obrigados, em relação a sua 
escrituração, para os empresários. 
Ex: Livro caixa e livro conta corrente 
 
SIGILO DOS LIVROS EMPRESARIAIS 
- Os livros empresariais observam o sigilo, de modo que o empresário, 
não estará obrigado a expor seus livros empresariais, salvo em 03 
situações: 
1) Exibição PARCIAL do livro: Extração de pequena parte do livro que interessa 
ao juízo e restituição imediata do livro ao empresário. É possível em qualquer 
ação judicial, podendo ser decretada de ofício. Nesse sentido: “Súmula 260 do 
STF - O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica limitado às 
transações entre os litigantes.” 
 
2) Exibição TOTAL do livro: Retenção do livro em cartório durante andamento 
da ação, não se assegurando o sigilo de seus dados e dificultando o acesso do 
empresário. Só é possível nas hipóteses do art. 1.191 do CC, mediante 
requerimento das partes. 
 
Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral 
dos livros e papéis de escrituração quando necessária 
para resolver questões relativas a sucessão, comunhão 
ou sociedade, administração ou gestão à conta de 
outrem, ou em caso de falência. 
 
3) Autoridades fazendárias: Art. 1.193 do CC, in verbis: 
 
Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao 
exame da escrituração, em parte ou por inteiro, não se 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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23 
aplicam às autoridades fazendárias, no exercício da 
FISCALIZAÇÃO do pagamento de impostos, nos termos 
estritos das respectivas leis especiais. 
 
ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 
PREVISÃO LEGAL 
Previsão legal: Art. 1.142 a 1.149 do CC. 
 
CC, Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo 
complexo de bens organizado, para exercício da 
empresa, por empresário, ou porsociedade empresária. 
 
Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de 
direitos e de negócios jurídicos, translativos ou 
constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. 
 
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o 
usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só 
produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à 
margem da inscrição do empresário, ou da sociedade 
empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, 
e de publicado na imprensa oficial. 
 
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes 
para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do 
estabelecimento depende do pagamento de todos os 
credores, ou do consentimento destes, de modo expresso 
ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. 
 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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24 
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde 
pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, 
desde que regularmente contabilizados, continuando o 
devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de 
um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da 
publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. 
 
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o 
alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência 
ao adquirente, nos cinco anos subsequentes à 
transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento 
ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste 
artigo persistirá durante o prazo do contrato. 
 
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência 
importa a subrogação do adquirente nos contratos 
estipulados para exploração do estabelecimento, se não 
tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o 
contrato em noventa dias a contar da publicação da 
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste 
caso, a responsabilidade do alienante. 
 
Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao 
estabelecimento transferido produzirá efeito em relação 
aos respectivos devedores, desde o momento da 
publicação da transferência, mas o devedor ficará 
exonerado se de boa-fé pagar ao cedente. 
 
CONCEITO 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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25 
Conforme o art. 1.142 do CC, estabelecimento comercial é o complexo 
de bens organizado, reunidos pelo empresário, para o exercício da atividade 
econômica. 
Bens: Podem ser corpóreos (móveis, maquinários, imóvel, 
equipamentos) ou incorpóreos (ponto comercial, marca, patente, título de 
estabelecimento). 
Os bens devem estar DIRETAMENTE relacionados com a atividade 
empresarial. Muitas vezes o bem pode integrar o patrimônio da sociedade 
empresária ou empresário, mas isso não implica em considerá-lo parte do 
estabelecimento comercial, se não houver um vínculo direto com a atividade. 
De acordo com André Luiz Santa Cruz, pode, portanto, ser considerado um 
“patrimônio de afetação”. 
Exemplo: Uma padaria tem dois imóveis. O imóvel ‘A’ funciona a padaria, o 
imóvel ‘B’ é alugado e o dinheiro é utilizado para comprar mercadorias para o 
seu funcionamento. Esse imóvel ‘B’ não faz parte do estabelecimento, e sim do 
patrimônio. Não podemos confundir! Às vezes o estabelecimento está 
acompanhado de outros bens, que não fazem parte dele. Vimos que os bens 
para fazer parte do estabelecimento, devem estar diretamente relacionados 
com a atividade empresarial. 
 O estabelecimento é essencial ao exercício da atividade empresarial. 
Esses bens formam uma universalidade. Trata-se de universalidade de fato ou 
de direito? 
- Universalidade de direito: São os bens reunidos por vontade da lei, como, por 
exemplo, herança e massa falida. 
- Universalidade de fato: São aqueles bens reunidos pela vontade das partes, 
como ocorre com o estabelecimento, que é uma reunião de bens formada pela 
vontade do empresário ou sociedade empresária. Prevalece. 
 Estabelecimento é SUJEITO de direito? Não. O sujeito de direito é o 
empresário ou a sociedade empresária. Estabelecimento é OBJETO de direito 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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26 
(art. 1.143 – “objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos”), vale dizer, 
pode ser vendido, arrendado, dado como usufruto etc. 
 
COMPRA E VENDA DO ESTABELECIMENTO 
“Trespasse” 
O contrato de compra e venda de estabelecimento comercial recebe 
uma denominação específica: TRESPASSE. 
 OBS: cessão de quotas não ocorre transferência de estabelecimento, mas sim 
modificação do quadro social. 
 
Produção de efeitos perante terceiros 
Conforme o art. 1.144, o contrato de trespasse só produz efeitos perante 
terceiros se for averbado no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta 
Comercial) e publicado na Imprensa Oficial. 
 
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o 
usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só 
produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à 
margem da inscrição do empresário, ou da sociedade 
empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, 
e de publicado na imprensa oficial. 
 
Além disso, de acordo com o art. 1.145, a venda do estabelecimento 
depende do prévio pagamento dos credores da empresa ou, pelo menos, da 
anuência destes, podendo esta ser expressa ou tácita (falta de manifestação 
nos 30 dias posteriores à notificação implica em anuência tácita). 
 
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes 
para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do 
estabelecimento depende do pagamento de todos os 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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27 
credores, ou do consentimento destes, de modo expresso 
ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. 
 
O estabelecimento empresarial, por integrar o patrimônio do empresário, 
é garantia dos seus credores. Assim, a alienação do estabelecimento 
empresarial tem cautelas específicas que a lei criou com vistas para a tutela 
dos interesses dos credores de seu titular, sujeitando a alienação à anuência 
dos seus credores. 
Somente em uma hipótese resta dispensada a obrigatoriedade da 
anuência ou do pagamento dos credores: no caso do alienante ter bens 
suficientes para cobrir o passivo da empresa. 
 Exemplo: Se a “Kipão” possui 02 unidades, uma no valor de 20.000 e 
outra por 50.000,00, se houver credores com crédito de 80.000,00, por 
exemplo, não pode vender a unidade sem que haja autorização dos credores. 
 A falta dessas cautelas torna o contrato de TRESPASSE ineficaz. 
Poderá ser pedida a ineficácia, voltando ao estado anterior, caso no qual o 
comprador terá que devolver o estabelecimento ao alienante devedor. 
 E mais, de acordo com a Lei de Falências, (art. 94, III, c), se o 
empresário sem patrimônio suficiente para solver o passivo aliena seu 
estabelecimento sem observar as cautelas necessárias (pagamento ou 
consentimento dos credores) poderá ter decretada sua falência. 
 
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que: 
III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer 
parte de plano de recuperação judicial: 
(...) 
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, 
sem o consentimento de todos os credores e sem ficar 
com bens suficientes para solver seu passivo. 
 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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28 
Penhora do estabelecimento 
STJ - Súmula 451: É legítima a penhora da sede do estabelecimento 
comercial. 
 Entretanto, se o empresário comprovar que o imóvel é essencial ao 
exercício da atividade empresarial ele não pode ser penhorado. Exemplo: 
distribuidora de bebidas não pode ter seu depósito penhorado. 
 Destarte, é de se concluir que a regra contida na Súmula 451 do STJ é 
relativa, cuja aplicabilidade dependerá da análise de cada caso, não podendo, 
assim, ser utilizada para julgamento de processosem massa, já que comporta 
exceções. 
Por fim, uma vez amparado na orientação jurisprudencial do Superior 
Tribunal de Justiça, nossa conclusão é de que ―é legitima a penhora da sede 
do estabelecimento comercial‖ desde que: 
(I) inexistam outros bens passíveis de penhora e 
(II) não seja servil à residência da família. 
 
Dívidas anteriores (art. 1.146) 
 
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde 
pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, 
desde que regularmente contabilizados, continuando o 
devedor primitivo SOLIDARIAMENTE obrigado pelo prazo 
de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da 
publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. 
 
O adquirente do estabelecimento responde pelas dívidas anteriores ao 
trespasse, DESDE QUE a dívida esteja regularmente contabilizada, podendo 
até abater do preço da transação. 
Essa regra se aplica para toda e qualquer dívida QUE NÃO SEJA: dívida 
tributária - art. 133 do CTN. Esta dívida tem regra própria. 
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29 
 
CTN, Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito 
privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de 
comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou 
profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a 
mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome 
individual, responde pelos TRIBUTOS, relativos ao fundo 
ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: 
I - INTEGRALMENTE, se o alienante cessar a exploração 
do comércio, indústria ou atividade; 
II - SUBSIDIARIAMENTE com o alienante, se este 
prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses 
a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo 
ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. 
 
Vale lembrar que o alienante também responde por essas dívidas, de 
forma solidária, mas apenas pelo prazo de UM ANO. 
 Em se tratando de DÍVIDA VENCIDA: conta-se o prazo a partir da 
PUBLICAÇÃO do trespasse na Imprensa. Em se tratando de DÍVIDA 
VINCENDA: conta-se da data do VENCIMENTO DA DÍVIDA. 
Vale lembrar que o adquirente não responde pelas dívidas do alienante 
quando a compra do estabelecimento se deu em leilão judicial promovido em 
processo de recuperação judicial ou falência (LF, art. 60, parágrafo único; art. 
141, II). Trata-se de um incentivo à compra do bem. 
 
LF Art. 60 Parágrafo único. O objeto da alienação estará 
livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do 
arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de 
natureza tributária, observado o disposto no § 1o do art. 
141 desta Lei. 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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30 
 
Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, 
inclusive da empresa ou de suas filiais, promovida sob 
qualquer das modalidades de que trata este artigo: II – o 
objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não 
haverá sucessão do arrematante nas obrigações do 
devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas 
da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes 
de trabalho. 
 
Trespasse X cessão de cotas 
No trespasse ocorre a transferência da titularidade do estabelecimento 
comercial. Cessão de cotas é o contrato que se faz para a transferência de 
cotas sociais. 
Na cessão de cotas, não ocorre a mudança da titularidade do 
estabelecimento, mas apenas a titularidade das cotas da sociedade (alteração 
do quadro social). No caso da cessão, o cedente também continua 
respondendo (solidariamente) pelas dívidas, só que por um prazo maior: Dois 
anos (parágrafo único do art. 1.003 do CC). 
 
Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a 
correspondente modificação do contrato social com o 
consentimento dos demais sócios, não terá eficácia 
quanto a estes e à sociedade. 
Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a 
modificação do contrato, responde o cedente 
solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e 
terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. 
 
Cláusula de não restabelecimento 
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31 
Essa cláusula, implícita em todos os contratos de trespasse, impõe ao 
alienante a vedação de restabelecer-se em ramo idêntico de atividade 
empresarial nos cinco anos subsequentes à alienação, salvo se de modo 
diverso consta em contrato, nos termos do art. 1.147 do CC, in verbis: 
 
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o 
alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência 
ao adquirente, nos cinco anos subsequentes à 
transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento 
ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste 
artigo persistirá durante o prazo do contrato. 
 
O art. 1.147 do CC prevê um prazo de 5 anos para a cláusula de não 
concorrência. Esse prazo poderá ser ampliado? 
SIM, é possível que seja ampliado, mas ele não pode ser fixado em prazo 
indeterminado e, no caso concreto, é possível que tal ampliação seja 
considerada abusiva se ampliar demais a restrição. Nesse sentido, confira o 
Enunciado 490 da Jornada de Direito Civil do CJF: 
 
Enunciado 490: A ampliação do prazo de 5 (cinco) anos 
de proibição de concorrência pelo alienante ao adquirente 
do estabelecimento, ainda que convencionada no 
exercício da autonomia da vontade, pode ser revista 
judicialmente, se abusiva. 
 
Informativo 554 STJ: A cláusula de não concorrência fixada por prazo 
indeterminado é abusiva. 
 
Sub-rogação nos contratos 
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32 
Quando ocorre a venda do estabelecimento (do complexo de bens), de 
acordo com o art. 1.148, haverá uma sub-rogação do adquirente nos contratos 
estipulados pelo alienante (de fornecimento de matéria prima, por exemplo, 
etc.). 
 
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência 
importa a subrogação do adquirente nos contratos 
estipulados para exploração do estabelecimento, se não 
tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o 
contrato em noventa dias a contar da publicação da 
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste 
caso, a responsabilidade do alienante. 
 
Exceção à sub-rogação: Contrato de locação. Pela regra do art. 1.148 
poderíamos dizer que o adquirente se sub-roga na condição de locatário do 
imóvel, vale dizer, ocorreria uma transferência do ponto. 
No entanto, a doutrina, a jurisprudência e o art. 13 da Lei de Locação 
(8.245/91) dizem diversamente: O locador deve autorizar a cessão do contrato 
(cessão de posição contratual - civil). Mais recentemente, na I Jornada de 
Direito Comercial, foi aprovado o Enunciado 8. 
 
Lei de locação - Art. 13. A cessão da locação, a 
sublocação e o empréstimo do imóvel, total ou 
parcialmente, dependem do consentimento prévio e 
escrito do locador. 
§ 1º Não se presume o consentimento pela simples 
demora do locador em manifestar formalmente a sua 
oposição. 
§ 2º Desde que notificado por escrito pelo locatário, de 
ocorrência de uma das hipóteses deste artigo, o locador 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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33 
terá o prazo de trinta dias para manifestar formalmente a 
sua oposição. 
 
Art. 1.148: Quando do trespasse do estabelecimento 
empresarial, o contrato de locação do respectivo ponto 
não se transmite automaticamente ao adquirente. Fica 
cancelado o Enunciado n. 64. 
 
Aviamento / Goodwill of trade/ Achalandage 
Aviamento é o potencial de lucratividade do estabelecimento. A 
articulação dos bens que compõem o estabelecimento na exploração de uma 
atividade econômica agregou-lhes um valor, este é chamado de aviamento. Em 
outras palavras, é um atributo do estabelecimento, ele diz que o aviamento 
está para o estabelecimento, assim como a saúde para o corpo, assim coma 
velocidade está para o carro. 
Não há como vender separadamente, ele é inerente ao estabelecimento. 
O atributo entra no cálculo do valor de venda do estabelecimento. 
Clientela não é elemento do estabelecimento, não se pode vender 
cliente, pois ele é uma mera situação de fato, obviamente que quanto maior a 
clientela, maior será o valor agregado ao estabelecimento, acaba gerando 
maior potencial de lucro, entretanto, ainda assim, não faz parte dele, não se 
confunde com aviamento. 
 
BENS DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL 
Incorpóreos 
Ponto Comercial 
É localização específica do estabelecimento empresarial, que, por 
vezes, pode significar um acréscimo substancial em seu valor (exemplo: 
quando uma pessoa em um imóvel alugado conquista um ponto, através do 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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34 
trabalho, do enriquecimento do lugar, conquista da clientela etc.). Em virtude 
disso, a lei dispensa proteção especial ao ponto comercial. 
No caso do ponto de propriedade do empresário, a proteção se dá pela 
tutela genérica da propriedade do direito civil. No caso de ponto alugado, a 
proteção se dá através da renovação compulsória do contrato, prevista no art. 
51 da Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91). 
 
Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, 
o locatário terá direito a renovação do contrato, por igual 
prazo, desde que, cumulativamente: 
I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e 
com prazo determinado; 
II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos 
prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco 
anos; 
III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo 
ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos. 
 
Ação Renovatória: O objetivo é renovação compulsória do contrato de 
locação empresarial. Para que o empresário tenha direito à renovação 
compulsória, é necessário o preenchimento de alguns requisitos cumulativos 
(art. 51): 
1) Contrato escrito e com prazo determinado (se o contrato tem prazo 
indeterminado, não cabe renovatória, exemplo: 20 anos de aluguel); 
2) O contrato ou a soma ininterrupta dos contratos tem que totalizar prazo 
contratual mínimo de 05 anos. 
3) É necessário que o locatário esteja explorando o mesmo ramo de atividade 
econômica nos três anos anteriores à data da propositura da ação, 
ininterruptamente. 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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35 
Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no 
interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à 
data da finalização do prazo do contrato em vigor. 
 
§ 5º Do direito a renovação decai aquele que não 
propuser a ação no interregno de um ano, no máximo, até 
seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização 
do prazo do contrato em vigor. 
 
E na sublocação, quem ajuíza a renovatória? A lei protege o ponto 
comercial, portanto, a ideia é de que será o sublocatário o legitimado a propor a 
renovatória, isto por que ele que está explorando o ponto comercial. 
 
Lei 8245/91 Art. 51, 
(...) 
§ 1º O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido 
pelos cessionários ou sucessores da locação; no caso de 
SUBLOCAÇÃO total do imóvel, o direito a renovação 
somente poderá ser exercido pelo sublocatário. 
 
A renovação COMPULSÓRIA só é possível quando não restringir o 
direito constitucional de propriedade garantido ao locador. A própria lei do 
inquilinato (art. 72) aponta um rol exemplificativo de casos onde o direito de 
renovação do contrato de locação não prevalece sobre o direito constitucional 
de propriedade. Vejamos: 
 
Lei 8245/91, Art. 72. A contestação do locador, além da 
defesa de direito que possa caber, ficará adstrita, quanto 
à matéria de fato, ao seguinte: 
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36 
I - Não preencher o autor os requisitos estabelecidos 
nesta lei; 
II - Não atender, a proposta do locatário, o valor locativo 
real do imóvel na época da renovação, excluída a 
valorização trazida por aquele ao ponto ou lugar; 
III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições 
melhores; IV - Não estar obrigado a renovar a locação 
(incisos I e II do art. 52). 
 
Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o 
contrato se: 
I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar 
no imóvel obras que importarem na sua radical 
transformação; ou para fazer modificações de tal natureza 
que aumente o valor do negócio ou da propriedade; 
II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para 
transferência de fundo de comércio existente há mais de 
um ano, sendo detentor da maioria do capital o locador, 
seu cônjuge, ascendente ou descendente. 
1º Na hipótese do inciso II, o imóvel não poderá ser 
destinado ao uso do mesmo ramo do locatário, salvo se a 
locação também envolvia o fundo de comércio, com as 
instalações e pertences. 
2º Nas locações de espaço em shopping centers, o 
locador não poderá recusar a renovação do contrato com 
fundamento no inciso II deste artigo. 
3º O locatário terá direito a indenização para 
ressarcimento dos prejuízos e dos lucros cessantes que 
tiver que arcar com mudança, perda do lugar e 
desvalorização do fundo de comércio, se a renovação não 
APOSTILA DE DIREITO EMPRESARIAL 1 
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37 
ocorrer em razão de proposta de terceiro, em melhores 
condições, ou se o locador, no prazo de três meses da 
entrega do imóvel, não der o destino alegado ou não 
iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que 
declarou pretender realizar. 
 
O locatário também terá direito a indenização no caso do §1º. Se a ação 
renovatória for julgada procedente: a locação é renovada. Se a ação 
renovatória for julgada improcedente: Sendo julgada improcedente a ação, a 
locação comercial não será renovada e o juiz determinará a desocupação do 
imóvel alugado no prazo de 30 dias, desde que haja pedido na contestação: 
A partir de quando é contado este prazo de 30 dias? O termo inicial 
deste prazo é a data da intimação pessoal do locatário, realizada por meio de 
mandado de despejo. Segundo o STJ, a Lei n. 12.112/2009, que alterou o 
prazo previsto no art. 74 da Lei de Locações, possui natureza processual, 
incidindo, portanto, sobre os processos em andamento no estado em que se 
encontram quando do início da vigência da lei, ainda que se refiram a contratos 
anteriores à alteração legislativa. 
 
NOME EMPRESARIAL (1155 A 1166, CC) 
 
- FIRMA (Razão) 
> Individual 
> Social 
- DENOMINAÇÃO 
 
FIRMA (Razão) 
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38 
> Individual 
1) Individual: Só o empresário individual. 
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por 
seu nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se 
quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do 
gênero de atividade. 
 
Obrigatório: Nome do empresário (completo ou abreviado). 
Facultativo: Acrescentar uma designação mais precisa de sua pessoa ou do 
gênero de atividade. 
Ex: A. Barros 
Ex: A. Barros Distribuidora de Bebidas 
 
 
FIRMA SOCIAL 
 
Art. 1.158. § 1 o A firma será composta com o nome de um ou mais sócios, 
desde que pessoas físicas, de modo indicativo da relação social. 
 
Composição da firma social (razão social) 
Obrigatório: Nome (s) do(s) sócio(s) somente. Só pode conter na firma social 
nome de sócio, ou seja, não pode haver designação mais precisa da pessoa 
Exemplo: Pedro Henrique e Rogério Faustino; P. Henrique e R. Faustino; R. 
Henrique e CIA. 
 
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39 
Facultativo: Colocação de designação da atividade executada. A essa 
designação a doutrina dá o nome de ramo de atividade ou designação do 
objetosocial. 
 
OBS: Em regra, a modalidade “firma”, se aplica a empresas, cuja 
responsabilidade é ilimitada, salvo exceções, à exemplo, a EIRELI e Sociedade 
Limitada. 
 
DENOMINAÇÃO 
Composição da denominação 
Regra geral: Designação do nome através de uma “Expressão linguística” 
(elemento fantasia). Exemplo: Globex; Fandangos, OMO, Samsung. 
 
Obrigatório: Inserção do ramo da atividade ou objeto social (art. 1.158, §2º). 
Exemplo: Globex distribuidora de alimentos. 
 
§ 2 o A denominação deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido 
nela figurar o nome de um ou mais sócios. 
 
PROTEÇÃO AO NOME EMPRESARIAL 
A Lei 8.934/94 (Lei de Registro Público de Empresas Mercantis), em seu 
art. 33, fala que a proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do 
registro (ARQUIVAMENTO) do empresário ou da sociedade empresária no 
respectivo Registro Público (Junta Comercial). “Art. 33. A proteção ao nome 
empresarial decorre automaticamente do arquivamento dos atos constitutivos 
de firma individual e de sociedades, ou de suas alterações.” 
OBS: O uso exclusivo do nome empresarial, se dá no âmbito do respectivo 
território estadual, em que foi feito o registro da empresa. Para que uma 
empresa, adquira exclusividade no uso do nome empresarial, o registro deve 
ser no estado correspondente, também. 
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40 
 
 
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos 
constitutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas 
averbações, no registro próprio, asseguram o uso 
exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. 
Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-
á a todo o território nacional, se registrado na forma da lei 
especial. 
 
- Princípio da veracidade: 
Impõe que a firma individual ou firma social seja composta a partir do 
nome do empresário ou dos sócios, respectivamente. Por conta desse 
princípio, se um dos sócios morre, seu nome deve ser retirado da firma. Quanto 
à denominação, esse princípio não se aplica integralmente, haja vista a 
possibilidade das sociedades anônimas levarem o nome de um ex-sócio na 
denominação como forma de homenagem. 
 
- Princípio da novidade 
Não poderão coexistir, na mesma unidade federativa (estado), dois 
nomes empresariais idênticos ou semelhantes, prevalecendo aquele já 
protegido pelo prévio arquivamento (registro). 
O nome empresarial, ao contrário do nome civil, não admite homonímia, 
nem semelhança que possa causar confusão. 
 
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. 
 
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41 
 
SOCIEDADE ANÔNIMA DO FUTEBOL (14.193/2021) 
 
RESPONSABILIDADE 
Art. 10. O clube ou pessoa jurídica original é responsável pelo pagamento das 
obrigações anteriores à constituição da Sociedade Anônima do Futebol, por 
meio de receitas próprias e das seguintes receitas que lhe serão transferidas 
pela Sociedade Anônima do Futebol, quando constituída exclusivamente: 
I - por destinação de 20% (vinte por cento) das receitas correntes mensais 
auferidas pela Sociedade Anônima do Futebol, conforme plano aprovado pelos 
credores, nos termos do inciso I do caput do art. 13 desta Lei (REGIME 
CENTRALIZADO DE EXECUÇÕES); 
II - por destinação de 50% (cinquenta por cento) dos dividendos, dos juros 
sobre o capital próprio ou de outra remuneração recebida desta, na condição 
de acionista. 
Art. 12. Enquanto a Sociedade Anônima do Futebol cumprir os pagamentos 
previstos nesta Seção, é vedada qualquer forma de constrição ao patrimônio 
ou às receitas, por penhora ou ordem de bloqueio de valores de qualquer 
natureza ou espécie sobre as suas receitas, com relação às obrigações 
anteriores à constituição da Sociedade Anônima do Futebol. 
 
DO MODO DE QUITAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES 
Art. 13. O clube ou pessoa jurídica original poderá efetuar o pagamento das 
obrigações diretamente aos seus credores, ou a seu exclusivo critério: 
I - pelo concurso de credores, por intermédio do Regime Centralizado de 
Execuções previsto nesta Lei; ou 
II - por meio de recuperação judicial ou extrajudicial, nos termos da Lei nº 
11.101, de 9 de fevereiro de 2005 . 
 
REGIME CENTRALIZADO DE EXECUÇÕES 
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Art. 14. O clube ou pessoa jurídica original que optar pela alternativa do inciso I 
do caput do art. 13 desta Lei submeter-se-á ao concurso de credores por meio 
do Regime Centralizado de Execuções, que consistirá em concentrar no juízo 
centralizador as execuções, as suas receitas e os valores arrecadados na 
forma do art. 10 desta Lei, bem como a distribuição desses valores aos 
credores em concurso e de forma ordenada. 
§ 1º Na hipótese de inexistência de órgão de centralização de execuções no 
âmbito do Judiciário, o juízo centralizador será aquele que tiver ordenado o 
pagamento da dívida em primeiro lugar. 
§ 2º O requerimento deverá ser apresentado pelo clube ou pessoa jurídica 
original e será concedido pelo Presidente do Tribunal Regional do Trabalho, 
quanto às dívidas trabalhistas, e pelo Presidente do Tribunal de Justiça, quanto 
às dívidas de natureza civil, observados os requisitos de apresentação do 
plano de credores, conforme disposto no art. 16 desta Lei. 
Art. 15. O Poder Judiciário disciplinará o Regime Centralizado de Execuções, 
por meio de ato próprio dos seus tribunais, e conferirá o prazo de 6 (seis) anos 
para pagamento dos credores. 
OBS: Se o clube ou pessoa jurídica original comprovar a adimplência de ao 
menos 60% (sessenta por cento) do seu passivo original ao final do prazo 
previsto no caput deste artigo, será permitida a prorrogação do Regime 
Centralizado de Execuções por mais 4 (quatro) anos, período em que o 
percentual a que se refere o inciso I do caput do art. 10 desta Lei poderá, a 
pedido do interessado, ser reduzido pelo juízo centralizador das execuções a 
15% (quinze por cento) das suas receitas correntes mensais. 
 
Art. 17. No Regime Centralizado de Execuções, consideram-se credores 
preferenciais, para ordenação do pagamento: 
I - idosos, nos termos da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do 
Idoso); 
II - pessoas com doenças graves; 
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III - pessoas cujos créditos de natureza salarial sejam inferiores a 60 (sessenta) 
salários-mínimos; 
IV - gestantes; 
V - pessoas vítimas de acidente de trabalho oriundo da relação de trabalho 
com o clube ou pessoa jurídica original; 
VI - credores com os quais haja acordo que preveja redução da dívida original 
em pelo menos 30% (trinta por cento). 
Parágrafo único. Na hipótese de concorrência entre os créditos, os processos 
mais antigos terão preferência. 
Art. 18. O pagamento das obrigações previstas no art. 10 desta Lei privilegiará 
os créditos trabalhistas, e cumprirá ao plano de pagamento dos credores, 
apresentado pelo clube ou pessoa jurídica original, definir a sua destinação. 
 
Art. 20. Ao credor, titular do crédito, é facultada a conversão, no todo ou em 
parte, da dívida do clube ou pessoa jurídica original em ações da Sociedade 
Anônima do Futebol ou em títulos por ela emitidos, desde que previsto em seu 
estatuto. 
 
Art. 23. Enquanto o clube ou pessoa jurídica original cumprir os pagamentos 
previstos nesta Seção, é vedada qualquer forma de constrição ao patrimônio 
ou às receitas, por penhora ou ordem de bloqueio de valores de qualquer 
natureza ou espécie sobre as suas receitas. 
 
DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL DO CLUBE OU PESSOA 
JURÍDICA ORIGINAL 
Art. 25. O clube, ao optar pela alternativa do inciso II do caput do art. 13 desta 
Lei, e por exercer atividade econômica, é admitido como parte legítima para 
requerer a recuperação judicial ou extrajudicial, submetendo-se à Lei nº 
11.101, de9 de fevereiro de 2005 . 
 
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PROPRIEDADE INDUSTRIAL 
 
Propriedade intelectual 
- Direitos autorais (Direito Civil) 
- Propriedade industrial (Direito Empresarial – 9.279/96) 
OBS: Bem imaterial, incorpóreo ou intangível. 
 
Bens imateriais, na lei 9.279/96 
- Invenção 
- Modelo de Utilidade 
- Desenho industrial 
- Marca 
 
Dica: “Ih, Me Dei Mal”. 
 
 
Outra pessoa que não for titular do bem, só poderá explorá-lo com autorização ou 
licença do titular (caso no qual deverá pagar ao titular do bem os famosos royalties), 
entretanto as patentes e os registros podem ser alienados por ato inter vivos ou 
mortis causa. 
 
PERÍODO DE USO EXCLUSIVO DO BEM: 
- Invenção: 20 anos, no máximo, e 10 anos, no mínimo. (IMPRORROGÁVEIS) 
 
https://www.contabilizei.com.br/abrir-empresa/
https://www.contabilizei.com.br/abrir-empresa/
https://www.contabilizei.com.br/abrir-empresa/
https://www.contabilizei.com.br/abrir-empresa/
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- Modelo de Utilidade: 15 anos, no máximo, e 07 anos, no mínimo. 
(IMPRORROGÁVEIS) 
 
- Desenho industrial: 10 anos + 05 anos + 5 anos + 5 anos. 
 
- Marca: 10 anos + 10 anos + 10 anos + 10 anos + 10 anos, até o infinito. 
 
OBS: Invenção e Modelo de utilidade, adquirem a exclusividade, por meio de 
PATENTE. 
OBS: Desenho industrial e marca, adquirem a exclusividade, por meio de 
REGISTRO. 
 
OBS: Invenção, modelo de utilidade e desenho industrial, terão a exclusividade 
no uso, a partir do depósito no INPI. 
OBS: Marca terá exclusividade no uso, a partir da concessão do registro. 
 
INVENÇÃO 
Art. 8º: É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade 
inventiva e aplicação industrial. 
 
Atividade inventiva 
Não basta que a criação seja original (conceito subjetivo). A invenção deve despertar 
nos técnicos da área o sentido de um real progresso, ou seja, não pode a criação 
decorrer de maneira óbvia do estado da técnica (art. 13). Quanto ao modelo de 
utilidade, não pode decorrer de maneira comum ou vulgar do estado da técnica, 
segundo parecer de experts no assunto (art. 14). 
 
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Art. 13. A invenção é dotada de atividade inventiva sempre que, para um técnico no 
assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da técnica. 
 
A invenção não é definida pela lei. Para Fábio Ulhôa Coelho, a invenção é o ato 
original de gênio, pelo qual se cria algo até então desconhecido. 
 
 
art. 10). A saber: (NÃO É CONSIDERADO INVENÇÃO) 
 
1) Programa de computador. 
2) Métodos cirúrgicos (importante, despenca em concurso!). 
3) Regras de jogo. 
4) Obras científicas, literárias ou artísticas. 
5) Métodos matemáticos. 
 
MODELO DE UTILIDADE 
Art. 9º É patenteável como modelo de utilidade o objeto de uso prático, ou parte 
deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição, 
envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua 
fabricação. 
OBS: STF já entendeu que a churrasqueira sem fumaça, é considerada um modelo 
de utilidade. 
É algo que traz uma utilidade maior para algo que já é considerado invenção (assim 
como a contravenção é um crime anão, pode-se dizer que o modelo de utilidade é 
uma invenção anã). 
 
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É uma invenção melhorada. Algumas provas cobram como “mini-invenção”, o 
CESPE já cobrou como “invenção anã” e “micro invenção”. Deve haver 
melhoramento de uma invenção. 
 
 
DESENHO INDUSTRIAL 
Art. 95. Considera-se desenho industrial a forma plástica ornamental de um objeto 
ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto, 
proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração externa e que 
possa servir de tipo de fabricação industrial. 
 
 
Doutrina: desenho industrial é elemento fútil, pois não traz nenhum tipo de 
utilidade, só está preocupado com a configuração externa. 
 
Camisinha com sabor é o que? Modelo de utilidade. Diferentemente de camisinha 
colorida, que muda a estética, sendo desenho industrial. 
 
André Ramos sujeita o desenho industrial aos seguintes requisitos: NOVIDADE - 
art. 96 §3º, ORIGINALIDADE (ao invés da ‘atividade inventiva’ da patente) – art. 
97, APLICAÇÃO INDUSTRIAL e LICITUDE (ou desimpedimento). - “NOA” 
 
Originalidade 
Art. 97. O desenho industrial é considerado original quando dele resulte uma 
configuração visual distintiva, em relação a outros objetos anteriores. Parágrafo 
único. O resultado VISUAL ORIGINAL poderá ser decorrente da combinação de 
elementos conhecidos 
 
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MARCA 
OBS: Marca é diferente de nome empresarial. Marca pode ser comercializada, 
enquanto que o nome empresarial, não. Marca tem proteção em todo território 
nacional, enquanto que o nome empresarial, possui proteção, na circunscrição do 
estado, em que está registrado. 
 
OBS: O uso exclusivo de uma marca, se dá no âmbito, do ramo de atuação da 
empresa, detentora da marca. 
 
 
 
 
 
 
LICENÇA VOLUNTÁRIA 
Art. 61. O titular de patente ou o depositante poderá celebrar contrato de licença 
para exploração. Parágrafo único. O licenciado poderá ser investido pelo titular de 
todos os poderes para agir em defesa da patente. 
 
 
PIPELINE: é quando o depósito internacional é válido como interno, por conta do 
acordo de TRIPS. Foi o que aconteceu com o Viagra. Para o Brasil, é válido esse 
primeiro depósito internacional. 
 
Em palavras muito simples, porque o tema é bem complexo, a patente “pipeline”, 
também chamada de “patente de importação” ou “patente de revalidação”, é aquela 
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em que em fica demonstrado que já houve expedição de patente no exterior, razão 
pela qual o INPI registra no Brasil essa patente exigindo menores formalidades. 
 
A marca é um sinal visualmente perceptível que serve como meio distintivo. Um 
sinal sonoro não pode ser registrado como marca, pois não é visual. 
 
Atenção: MARCA NOTÓRIA é somente protegida no seu ramo de atividade (ou 
seja, protegida em relação a produtos idênticos ou similares), diferentemente da 
MARCA DE ALTO RENOME, que após ser registrada no INPI e ter reconhecida 
essa qualificação especial (alto renome), passa a ser protegida em TODOS OS 
RAMOS da atividade econômica, conforme o art. 125 da LPI (proteção em todos os 
itens da classificação do INPI). 
 
 
 
 
DIREITO SOCIETÁRIO 
 
OBS: O caracteriza uma pessoa jurídica é o registro de seus atos constitutivos, 
no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas ou na Junta Comercial. Não é o 
CNPJ, que confere o status de PJ, esse existe para fins, meramente tributários. 
Os atos constitutivos podem ser: contrato social ou estatuto social. Naquele 
caso, uma sociedade que possui um contrato social, será chamada de 
sociedade contratual. Neste caso, uma sociedade que possui um estatuto 
social, será chamada de sociedade estatutária. 
 
 
- SOCIEDADES SIMPLES (Registradas no CRPJ ou em outro local, caso 
haja previsão em lei) Sociedades estatutárias. 
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- SOCIEDADES EMPRESÁRIAS 
> Não personificadas (não possuem personalidade jurídica) 
. Sociedade em comum 
. Sociedade em conta de participação 
> Personificadas (possuem personalidade jurídica) (São registradas na Junta 
Comercial) 
. Sociedade em nome coletivo 
. Sociedade em comandita simples 
. Sociedade limitada 
. Sociedade limitada unipessoal 
. Sociedade em comandita por ações 
. Sociedade anônima 
. Sociedade anônima

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