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CEFALÉIA A cefaleia está entre as razões mais comuns pelas quais os pacientes procuram atendimento médico, sendo responsável, em um nível global, por mais incapacidade do que qualquer outro problema neurológico. O diagnóstico e o tratamento baseiam-se em uma abordagem clínica • Vocês sabem quais dados da anamnese alertam para uma possível cefaleia secundária? CLASSIFICAÇÃO: • Cefaleias Primárias: os sintomas e as características da dor definem a doença, a cefaleia é a própria doença: - Migrânea (enxaqueca) 16% - Cefaleia do Tipo Tensional (CTT) 69% - Cefaleias trigeminoautonômicas • Cefaleias Secundarias: as que apresentam uma causa subjacente, causadas por distúrbios exógenos: - Trauma 4% - Doença vascular 1% - Doença intracraniana não vascular - Infecções 63% - Uso de substâncias, entre outros; Fisiopatologia da cefaleia: pode originar-se de um ou ambos mecanismos - Estimulação dos nociceptores periféricos em resposta a lesão tecidual causando dores em regiões especificas da cabeça. - A dor também pode ocorrer quando as vias de produção da dor do sistema nervoso periférico ou central (SNC) são lesionadas ou excessivamente ativadas Estruturas cranianas que geram dor: - Couro cabeludo - Art. meníngea media - Os seios durais - A foice do cérebro - Segmentos proximais das grandes art da pia-máter *Nociceptores: são neurônios sensoriais encontrados por todo o corpo humano capazes de enviar sinais que causam a percepção da dor por meio de axônios, que se estendem na direção do SN periférico em resposta a um estímulo potencial ou real de dano tecidual ➢ CEFALEIA PRIMÁRIA As cefaleias primárias são distúrbios nos quais a cefaleia e as manifestações associadas ocorrem na ausência de qualquer causa exógena. As mais comuns são enxaqueca, cefaleia tensional e as cefalalgias autônomas, notavelmente a cefaleia em salvas. Mobile User MIGRÂNEA Segunda causa de cefaleia primaria mais comum Ausência de causa subjacente Mais comum no sexo feminino, 70% das pacientes possuem história família positiva Pico de prevalência entre 30 a 50 anos Importância: dor incapacitante, intensa e de longa duração Fases da Crise: - Premonitória 1ª fase - Aura - Cefaleia e sintomas associados (sintomas que acompanham como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia) - Resolução condições ou sintomas que acontecem posterior a crise, sintomas relatos pelo pct (ex: fadiga e exaustão) CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS MIGRÂNEA SEM AURA – CRETÉRIOS (ICHD – 3) A. Pelo menos 5 crises preenchendo os critérios de B e D B. Duração de 4 a 72 horas C. A cefaleia preenche pelo menos 2 das seguintes características: - Localização unilateral - Caráter pulsátil - Intensidade moderada ou severa - Exacerbação por atividades físicas rotineiras D. Durante a cefaleia, existe pelo menos um dos sintomas ou sinais seguintes: - Náusea e/ou vômitos - Fotofobia e fonofobia E. Não atribuída a outra alteração AURA Precede ou acompanha a crise de dor, mas é reversível Sintomas reversível que podem durar de 5 a 60 min Apresentação mais comum: visuais (90%), sensitivos, fala e linguagem, motor, tronco cerebral e retiniano TRATAMENTO – CRISE DE DOR - Crise leve: analgésicos e AINEs (paracetamol, dipirona, naproxeno, ibuprofeno) e se náuseas ou vômitos antieméticos preferencialmente por via parenteral. - Crise moderada a intensa: triptanos (sumatripano, zolmitriptana, naratriptana) e neurolépticos (clorpromazina ou metoclopramida) - Estado migranoso: crise típica de migrânea com duração maior que 72 horas – neuroléptico (clorpromazina, EV, 0,1 mg/kg) período de dor além de 3 dias = estado migranoso Os corticoides (dexametasona EV) possui ação para evitar a recorrência aguda da dor Profilaxia: deve ser individualizada para cada paciente Mobile User Quando fazer? na presença de 4 ou mais crises no mês, ou em crises muito sintomáticas que interfiram na qualidade de vida, ou ainda em casos de contraindicação as drogas do tratamento agudo - Betabloqueadores: Propranolol, Atenolol (contraindicados em: asma, BAV, bradicardia) - Bloqueadores dos canais de cálcio de ação central: Flunarizina, Verapamil (com atenção a pacientes com DAOP) - Antidepressivos tricíclicos: Nortriptilina, Amitriptilina (bom para pcts depressivos) - Antiepilépticos: Valproato de sódio, Topiramato (único da classe que leva a perda de peso) (pensar nele para pacientes obesos) - Anti CGRP: Peptídeo relacionado ao gene da calcitonina. É caro (1.0004 cada seringa) CEFALEIA POR ABUSO DE ANALGÉSICOS: É comum no atendimento do dia a dia com pct com migrânea uso abusivo de medicação de analgésico, anti-inflamatório - > 10 dias/mês: triptanos, ergotamínicos e opioides - > 15 dias/mês: analgésicos simples / AINEs - Aumenta a frequência e a intensidade dos ataques de migrânea - Orientar o pct a não fazer o uso dessas substancias por mais de 2 vezes por semana - Evitar opioides (codeína e tramadol) no tratamento da crise migranosa, pode levar a dependência. TRATAMENTO – PROFILÁTICO Indica a profilaxia quando o pct tem 3 ou mais crises por mês justamente para evitar o uso de medicação abusiva analgésica. - Betabloqueadores: Propranolol, Metoprolol, - Antiepilépticos: valproato de sódio, topiramato - Antidepressivos tricíclicos: nortriptilina, amitriptilina - IRSN: venlafaxina - Bloqueadores de canais de cálcio: flunarizina Duração: Objetivo é ate zerar as crises no mês ou 1 crise 2 no máximo e que sejam de leve a moderada intensidade e que responda quando ingerir a medicação abortiva CEFALEIA DO TIPO TENSIONAL (CTT) Mais comum entre as cefaleias primárias Predomínio em mulheres Pico de prevalência mais tardio 30-39 anos Exame físico tem que ser normal. É o tipo mais comum, ocorre em até 80% da população em algum momento na vida, pode ter duração de 30 minutos até 7 dias, sua intensidade de dor é menor e não é incapacitante como a enxaqueca por exemplo; dentre as características da dor, é do tipo dor em aperto, sem piora a atividades físicas, localização bilateral e geralmente fronto-occipital, sem náuseas ou vômitos, sem foto ou fonofobia; pode ter apenas 1 desses. TRATAMENTO Mobile User Primeiro ponto é avaliar se o pct tem outras comorbidades que estejam associados e estejam mimetizando os quadros de cefaleia que confundem os diagnostico ou vem de maneira associada Avaliar e tratar comorbidades: TAG e depressão Não há tratamento curativo 1) Abortivo: - Analgésicos comuns (dipirona/paracetamol) e AINEs melhoraram CTT episódica 2) Profilático: fazer se for frequente > 15 crises/mês >3meses - Amitriptilina CTT crônica: pode indicar acupuntura, TCC, técnicas de relaxamento, estimulação elétrica do nervo supraorbitário CEFALEIAS EM SALVAS TRIGEMINOAUTONÔMICAS: Mais comum em homens, adultos jovens Crises de 15 a 180 min até 8 vezes ao dia que permanece durante 1 semana Sazonalidade dos surtos Dor lancinante, em facada, região periorbitária, ao menos um sinal ipsilateral: lacrimejamento, hiperemia, edema palpebral, coriza unilateral, miose, ptose, rubor facial, congestão nasal, rinorreia e síndrome de Horner. TRATAMENTO Conscientizar o pct sobre o quadro 1) Agudo: Oxigênio inalatório úmido a 100% 7-10 L/min em máscara não inalante ou Triptano – Sumatriptano SC injetável (para controle da dor), útil para utilização domiciliar. 2) Transição: Corticoides (Para pacientes que apresentam crises mais recorrentes naquele período do surto é importante fazer a transição com corticoide: prednisona 60ml por dia por 6 a 8 dias com posterior desmame da medicação, e o corticoide serve como ponte para o tratamento da crise e o tratamento profilático) 3) Profilaxia: Verapamil em dose alta (nível A de profilaxia), Valproato, e o lítio fica resguardado para casosde contraindicação às medicações anteriores. HEMICRANIA PAROXÍSTICA Um outro tipo de cefaleia trigêmeo autonômica, a hemicrania paroxística difere-se das demais dentro do grupo das trigeminais, pelas maiores frequências de crises e duração menor entre elas. Ou seja, apresenta as mesmas características de dor unilateral, de forte intensidade e que apresenta os sinais de automatismos já citados. Dor: cefaleia em salvas! Mais frequente no sexo feminino Mobile User Episódica Crônica: ataques diários sem remissão por pelo menos um mês Critérios: dor excruciante, pulsátil/queimação/pontadas, fronto-orbital, estritamente unilateral. Duração: 2 a 30 min curta duração, >5 crises/dia Ocorrências de sinais autonômicos (ao menos um) Diagnóstico diferencial com outras TACs Tratamento: indometacina (nível A) resposta absoluta CEFALEIAS DE CURTA DURAÇÃO (CCD): SUNCT: CCD, unilateral, neuralgiforme com hiperemia conjuntival e lacrimejamento SUNA: CCD, unilateral, neuralgiforme com sintomas autonômicos Mais comum em homens Duração: 5 a 250 segundos (média 60 seg.) 3 a 200 crises por dia (mínimo de 20 crises para diagnostico) Refratária a qualquer tratamento Resposta questionável (medicações neuromoduladoras): lamotrigina, gabapentina, topiramato Casos graves: descompressão microvascular da raiz do trigêmeo/bloqueio com opiáceos do gânglio cervical superior #IMPORTANTE NEURALGIA DO TRIGÊMEO (NT) ✓ - Critérios (ICHD-3): - A. ao menos 3 ep de dor facial unilateral preenchendo os critérios B e C - B. ocorrendo em uma ou mais divisões do trigêmeo (oftálmica, maxilar e mandibular) e sem irradiação - C. a dor tem ao menos 3 de 4 características: 1. Paroxística com duração de fração de segundos a 2 min 2. Intensidade alta 3. Tipo choque, fisgada, pontada ou facada 4. Desencadeada por estímulos não nocivos - D. não há alterações neurológicas - E. não é explicada por outro diagnóstico. Causas: NT idiopática: ausência de conflito neurovascular ou outras causas. NT clássica: conflito neurovascular mais frequentemente causado pela art. cerebelar superior ipsilateral NT secundária: esclerose múltipla, tumores do ângulo pontocerebelar, pós traumática, doenças do tecido conjuntivo. Propedêutica: - RM de crânio (Avaliar presença de tumores, doença desmielinizante como a esclerose múltipla) - Angio-RM (Estudo da arvore vascular cerebral p buscar conflito neurovascular) TC não tem sensibilidade para esses achados Tratamento: Bloqueadores de canal de sódio (carbamazepina e oxcarbazepina) introdução em doses baixas e ajustes gradativos até obter resposta satisfatória Em casos refratários, considerar abordagem cirúrgica #MEMORIZAR • SINAIS DE ALARME DAS CEFALEIAS Cefaleia de início recente Pior cefaleia já sentida ou mudança de padrão Sintomas focais que não aura típica Cefaleia desencadeada por tosse, espirro ou atividade sexual Cefaleia após 50 anos Cefaleia de instalação rápida ou durante exercícios Cefaleia em trovoada Manifestação sistêmica ou neurológica associadas História do uso de substancias ilícitas ou uso de anticoagulante (risco aumentado de hemorragia intracraniana) Cefaleia nova em pacientes imunossuprimidos ou com câncer ➢ CEFALEIA SECUNDÁRIA HIPERTENSÃO INTRACRANIANA BENIGNA Acomete mais mulheres (20-40 anos), tabagistas e obesas Clinica: Cefaleia, com alteração da acuidade visual (fazer exame de fundo de olho - Papiledema (ao exame) Neuroimagem normal + liquor hipertenso. Tratamento: a maioria melhora em 6 meses com a cessação do tabagismo e perda de peso - Acetozolamida, punção lombar de alivio, DVP (derivação ventrículo peritoneal?) HEMORRAGIA SUBARACNOIDE (HSA) HSA aneurismática corresponde a 85% dos sangramentos subaracnóideos – rotura aneurismática Alta taxa de mortalidade Sintomas-chave: cefaleia súbita e de forte intensidade, que atinge o pico máximo em pouco tempo (cefaleia em trovoada) frequentemente descrita como “pior cefaleia da vida” – 80% dos pacientes Outros sintomas associados: crises convulsivas, perda de consciência, náuseas, vômitos, meningismo. Exame inicial: TC crânio sem contraste (sensibilidade próxima a 100%) Se a TC de crânio normal e alta suspeição clínica: LCR TC de crânio + LCR: padrão ouro Angio-TC importante para confirmação do aneurisma e planejamento terapêutico Aneurisma são mais frequentes na topografia dá artéria comunicante anterior (40%) e bifurcação da art. cerebral média (20%) Tratamento: cirúrgico/endovascular TROMBOSE VENOSA CEREBRAL - Jovens entre 20 e 50 anos - Mais comum em mulheres - Fatores de risco: gravidez e puerpério uso de ACO/TRH doenças sistêmicas trombofilias hereditárias - Cefaleia é a manifestação mais comum - Associados: papiledema, sinais focais (devido a h. intraparenquimatosa como consequência da TVC), crises convulsivas e 40% apresentam HIC isolada - Instalação subaguda (2 a 30 dias) - Diagnostico: angio-TC venosa, RM e angio-RM: importante para identificar a presença de obstrução na circulação venosa cerebral e identificação de complicações intraparenquimatosas TRATAMENTO: Anticoagulação por 3 a 12 meses + investigação de causas possíveis Medicamento: inicialmente heparina e, após estabilização, varfarina Realizar anticoagulante mesmo se houver hemorragia intraparenquimatosas MENINGITE - Cefaleia aguda e intensa com rigidez de nuca e febre sugere meningite - Frequentemente há marcada acentuação da dor com os movimentos dos olhos. - PL é obrigatória. É fácil confundir meningite com enxaqueca, pois os sintomas cardinais de cefaleia latejante, fotofobia, náuseas e vômitos frequentemente estão presentes, talvez refletindo a biologia subjacente de alguns pacientes. GLAUCOMA - Cefaleia debilitante associada a náuseas e vômitos - Cefaleia frequentemente começa com dor ocular intensa. - Ao exame físico, o olho costuma mostrar-se eritematoso com pupila fixa e moderadamente dilatada.