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Joice Cardoso – Farmacologia Clínica 4º Semestre ANALGÉSICOS OPIOIDES OBS: Usar o agonista com seu antagonista é bom para o antagonista diminuir os efeitos periféricos do agonista. Se retirar o antagonista de vez, mantendo a dose alta de agonista, tem probabilidade de esse agonista desencadear efeitos adversos, principalmente periféricos. Tem que fazer o desmame dos dois! DOR: A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano tecidual potencial ou real, ou descrita em termos que sugerem tal dano. É uma percepção da sensação nocipcetiva no córtex somatosensorial. A nocicepção é a detecção de um estímulo nociceptivo, ou seja, estimulo capaz de ativar vias especificas de dor. Componente da via de dor Nocicepção: A partir do neuronio aferente primário nociceptivo(nociceptor) até o corno dorsal da medula espinal, onde esse neurônio aferente realiza sinapse com o neurônio de 2ª ordem. Esse neurônio segue até o tálamo, realiza sinapse e o neurônio seguinte vai até o córtex integração. Modulação/diminuição da percepção dolorosa: Mecanismo endógeno de controle da dor. O nosso corpo possui analgesia endógenos (endorfinas, encefalinas, serotonina, NAd, Ach,etc). Reduzem a transmissão nocicepção que vão chegar até o córtex. A informação nociceptiva é ascendente (vai chegar até o córtex). O controle da dor é uma resposta a esta sensação dolorosa, então é uma via descendente. O nosso SNC produz e libera algumas substancias que vão reduzir essa transmissão nociceptiva, e consequentemente reduzir a intensidade da resposta que vai chegar ao córtex. Os opioides são analgésicos, pq eles se utilizam dessa via de analgesia endógena. É por isso que em uma situação de estresse, a gente não sente muita dor, porque é liberada adrenalina, que é um analgésico endógeno A adrenalina está modulando a via ascendente de dor. Neurônio sensorial primário Medula Espinal Tálamo Córtex Sensorial(de fato a percepção da dor) Joice Cardoso – Farmacologia Clínica 4º Semestre CONTROLE DA DOR: Intervenções não farmacológicas(cirúrgicas, acupuntura, musicoterapia, eletroterapia) Intervenções farmacológicas( anestésicos locais, opióides, antidepressivos, anticonvulsivantes, corticóides, AINEs) Depende: - Do tipo de dor envolvida (inflamatória, neuropática, etc) - Da intensidade da dor - Da duração do estímulo doloroso Analgésicos: Não opioides: dor mais branda (aspirina), crônicas(pregabalina) Opióides: dor moderada a intensa(morfina) CIRCUITO NOCICEPTIVO Tipos de fibras aferentes: a)Abeta: Consiste em fibras de condução rápida, que respondem com baixo limiar a estímulos mecânicos e que são ativadas por toque leve, vibração ou movimento de pelos. b)Adelta:Inclui fibras que conduzem o impulso com velocidade intermediaria e respondem a estímulos de frio, calor e mecânicos de alta intensidade. c)Fibras C: conduzem o impulso lentamente, fazem sinapses na medula espinal e responde, tipicamente, de modo multimodal. São capazes de produzir potenciais de ação em resposta ao calor, temperatura morna, estímulos mecânicos intensos ou irritantes químicos (nociceptores polimodais) Joice Cardoso – Farmacologia Clínica 4º Semestre EXCITATÓRIO: O individuo pisou em uma pedra, teve estimulo doloroso, esse estimulo foi transduzido e essa informação segue no aferente primário até o corno dorsal da medula. O potencial de ação chega até a terminação central do neurônio aferente primário no corno dorsal da medula e abriu canais de cálcio dependente de voltagem. Com a abertura desses canais de cálcios, temos influxo de cálcio nessa região e consequentemente liberação de vesículas contendo os neurotransmissores (glutamato e neuropeptideos- CGRP e substancia P) que vão ativar o neuronio secundário. Esses NT vão se ligar nos neurônios secundários de 2ª ordem para despolarizar a membrana pos sináptica e dar continuidade ao estimulo elétrico. Eles fazem isso via receptores ionotropicos(canais iônicos) e via receptores metaboproticos (proteinas acoplados a proteína G). Essas ligações desses NT despolarizam a membrana pos sinaptica, essa membrana alcançam o limiar do canal de NA regulado por voltagem e ocorre o potencial de ação. E esse neurônio secundário leva o estimulo até o tálamo. MECANISMOS MOLECULARES DE MODULAÇÃO CENTRAL: Norepinefrina, GABA, endorfinas, encefalinas. Norepinefrina: Se liga a receptores Alfa2adrenergicos no neuronio primário e bloqueia canais de cálcio. Alfa2 no neuronio secundário ativa canais de potássio. Gaba: Se liga a receptores GabaB e faz a mesma coisa. Endorfinas/encefalinas: se ligam a receptores Miopioides tanto no neurônio primário quanto no secundário, bloqueando canais de cálcio no 1º e abrindo canais de potássio no neuronio 2º. Com essas ligações no neurônio primário, o cálcio não vai ser liberado no neurônio primário e consequentemente reduzo liberação de vesículas na fenda sináptica Reduz o estimulo propagador nociceptiva. Com essas ligações no neurônio secundário, abre os canais de potássio, em que o potássio vai sair da célula(aumenta a condutância do potássio), sendo mais difícil atingir o potencial de ação e defragação desse estimulo. O neurônio secundário vai ficar hiperpolarizado (potencial basal vai estar mais baixo) e com isso dificultar a geração do potencial de ação. Então, os fármacos opioides a nível central vão se ligar nesses receptores Miopiodes que a endorfina/encefalinas se ligam, modulando a transmissão! FISIOPATOLOGIA DA DOR Sensibilização periférica: Bradicinina, prótons, histamina, prostaglandina E2 e fator de crescimento do nervo(NGF). Alodinia, em que estímulos normalmente inócuos são percebidos como dolorosos. Hiperalgesia, em que estímulos de alta intensidade são percebidos mais dolorosos do que o habitual no local de adesão (zona de hiperalgesia primária) Joice Cardoso – Farmacologia Clínica 4º Semestre OPIÓIDES Morfina, codeína, papaverina, tebaína “Os efeitos analgésicos dois opioides são tão poderosos porque eles mimetizam um sistema endógeno de modulação da dor” – encefalinas Temos mais de um tipo de receptor Opióides: Joice Cardoso – Farmacologia Clínica 4º Semestre Tipos de Opióides: Opióides Endógenos: Participam da manutenção da homeostasia corporal São neuromoduladores da resposta a estímulos externos Modulação sensorial:analgesia Modulação hormonal:inibem hipotálamo-adeno hipófise-cortex supra renal: Diminui os níveis de corticóides Modulação GI, plexos entéricos Recompensa e motivação: vias dopaminérgicas PRINCIPAIS EFEITOS ADVERSOS Humor (euforia, tranqüilidade), ansiedade, emoção Cognição: aprendizagem e memória Regulação da temperatura corporal OBS: Os opioides exógenos mimetizam os opioides endógenos! Os opioides possui efeitos analgésicos centrais e periféricos! Mecanismo de ação central do fármaco exógeno: 1.Impede a liberação de Neurotransmissores no neurônio primário por conta da diminuição do influxo de canais de cálcio e conseqüentemente das vesículas com NT. Efeito pré sináptico Redução do influxo de Calcio Diminui liberação de NT NA, DA, 5HT, SP, GLUTAMATO. Joice Cardoso – Farmacologia Clínica 4º Semestre 2. No neurônio secundário reduz as respostas neuronais pós-sinápticas. Efeito pós sinático Aumento de efluxo de K+ Hiperpolarização da fibra. Mecanismo do efeito periférico dos Opióides: Inibição da adenilato ciclase (AC) Está no nociceptor, onde o estímulo doloroso ativa a via. Geralmente o sensibilizador (PGE2) se liga ao seu receptor. O seu receptor acoplado a proteína Gs ativa adenilase ciclase(AC). A AC converte ATP em AMPciclico. AMPciclico ativa PKA e PKC. Essas moléculasativadoras fosforalizam os canais se sódio, abrindo-os (aumentar quatidade de sódio dentro do nociceptor) e fosforalizam os canais de potássio, reduzindo da saída de potássio(aumentar quantidade de potássio dentro do nociceptor). O aumento desses dois íons dentro do nociceptor vai levar a despolarização, levando o sinal estimulador da nocicepção da dor se propagar! Com o uso de OP, o OP se liga ao receptor MOP que é acoplado a proteína Gi. Isso vai levar a inibição da adenilase ciclase (AC), não vai aumentar AMPciclico, não vai ter ativação de PKA E PKC. Consequentemente, não vai aumentar a quantidade de sódio e potássio dentro do nociceptor diminuir a propagação da dor. Diminui a sensibilização do nociceptor A transmissão da periferia até o córtex vai estar diminuído! Joice Cardoso – Farmacologia Clínica 4º Semestre Mecanismo de Hiperpolarização do neurônio aferente primário via glanilase ciclase (GC): Acontece no nociceptor, porém não sabemos como ainda, mas alguns receptores MOP, quando ativados pelos fármacos opioides, em vez de eles liberarem a proteína Gi, a subunidade alfa da proteina Gi e ela se ligar a AC. Esse receptor libera a subunidade beta e a gama, que vão se ligar a PI3K e AKT que vão ativar uma enzina chamada oxido nítrico sintetase, que sintetiza oxido nítrico.Uma grande quantidade de oxido nítrico dentro do nociceptor, leva ativação de glanilase cicalse (GC). A GC converte GTP em GMPciclico, que vai ativar PKG, que vai fosforizar canais de potássio canais de potássio abertos saída de potássio hiperpolarização no aferente primário redução da propagação dolorosa. OPIÓIDES – EFEITOS FARMACOLÓGICOS Analgesia: Dor associada a lesão, inflamação e câncer, mais efetivos na dor contínua que na aguda e intermitente. Euforia: Bem estar e contentamento importante componente da analgesia em pacientes com dor crônica: Menor medo, ansiedade, sofrimento TGI: Menor motilidade gástrica (esvaziamento). Menor HCL, Menores secreções biliares, pancreáticas e intestinais(redução da propulsão), maior reabsorção de água(constipação). Liberação de histamina por mastócitos: prurido, vasodilatação, hipotensão e broncoconstrição Hipotensão e bradicardia Depressão respiratória: redução da quimiossensibilidade do bulbo ao CO2 e redução da freqüência respiratória. Tolerância: Dependência física e psicológica. É a diminuição do efeito da droga com administrações repetidas. A resistência se dá pela internalização dos receptores opióides. Com o passar do tempo, eles vão sendo fosforilados, até o ponto de fosforilação de 3fosfatos na fração intracelular desse receptor, a beta aristina(proteína intracelular), se torna quimicamente afim desse receptor por conta desses fosforizações, e se liga, internalizando esse receptor. Com isso, a célula tira o receptor da MP. Então, com menos receptores disponíveis nas células neuronais, mais opioides tenho que fornecer para o efeito farmacológico passa acontecer. Joice Cardoso – Farmacologia Clínica 4º Semestre Dependência: Complexas mudanças no ajuste homeostásico do organismo. A retirada brusca do medicamento causa um distúrbio na homeostasia. A sinalização homeostática dele passa a ser aquela que o fármaco controla. Ele afeta a via dopaminérgica. Começa a liberar mais dopamina do que ele liberaria, se ele não tivesse usando opióide. Dopamina é um NT de prazer! Dependência física: relacionada à tolerância-síndrome de abstinência Acontece alterações físicas. Dependência psicológica: Desejo mórbido pela droga. Síndrome de abstinência: Interrupção abrupta após adm crônica do opióide. CLASSES DE OPIÓIDES SINTÉTICOS Morfina, codeína e derivados Mais usados no controle dor Metadona: Usado no tratamento de dependência química por opióide e tratamento da dor, pq ela proporciona o alivio prolongado da dor por uma meia vida longa de 24hras e efeito analgésico de até 8horas Aos poucos desligando do uso ao fármaco. Fentanil: Altamente lipossolúvel. 100x mais potente do que a morfina na analgesia e também nos efeitos adversos(principalmente depressão respiratória). Biodisponivel a partir de diversas vias de adm. Codeína: Menos efetiva do que a morfina no tratamento da dor. Baixa afinidade aos receptores Mopioides. 10% da codeína que é administrada, é metabolizada em morfina, perdendo sua metila dentro do nosso organismo. A codeína é 10x menos potente que a Morfina. INDICAÇÕES CLÍNICAS Dor aguda e crônica associada com lesão tecidual, inflamação, infecção e câncer. Menos efetivos em dores agudas e intermitentes. Pré-operatório: reduz dose de anestésico, ansiolítico Infarto do miocárdio: analgesia, vasodilatação, bradicardia Câncer: via oral falicita administração prolongada, componente afetivo. Cirurgia abdominal e torácica: via epidural, preserva função motora Dependência: Agonistas Mopioides fracos de longa duração Ex: Usados em dependência à Metadona. OBS: TRATAMENTO DA DOR LOMBAR COM OPIÓIDES: Tramadol: Ele é um fármaco dual, 2 ou mais mecanismos de ação. Ele tem afinidade tanto por receptores Mopióides, mas ele também é um inibidor da recaptação de serotonina e noraepinefrina/noradrenalina. Analgésico e potencial antidepressivo. Joice Cardoso – Farmacologia Clínica 4º Semestre INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS DOS OPIÓIDES EFEITOS ADVERSOS SNC: Sedação: Afeta funções corticais – dificuldade de concentração e sonolência Náusea e vômitos: Estimulação direta da zona deflagradora quimiorreceptora para êmese (bulbo, área postrema) Miose: Ativação de receptores Mopioides e Kapa a nivel periférico: ação excitatoria nervo parassimpático – É um importante sinal de intoxicação. Euforia: Elevação do humor, diminui a ansiedade – sentimento de tranqüilidade Disforia: Ansiedade desagradável e desânimo. PELE: Rubor e alergia – Liberação de histamina por degranulação de mastócitos (morfina) EFEITOS CARDÍACOS: Hipotensão ortostática e desmaio (vasodilatação periférica) – Histamina