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Semana 3 - Saúde Mental e Atenção Psicossocial 
UNIDADE 2. A REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL (RAPS): O MELHOR CUIDADO É A LIBERDADE
2.1.MARCOS NORMATIVOS IMPORTANTES NA SAÚDE MENTAL
2.2.PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR, A ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR E FAMÍLIA COMO PROTAGONISTA NO CUIDADO
Prof. Iago Marafina
iagomarafinadeoliveira@gmail.com
Marcos normativos importantes na saúde mental
Mudanças históricas no tratamento da loucura:
A sociedade e as concepções sobre saúde mental evoluíram ao longo do tempo.
No século XVIII, a loucura passou a ser entendida como doença mental, dando origem ao alienismo e, posteriormente, à Psiquiatria.
Tratamento moral e manicômios:
No início, a Psiquiatria utilizava o "tratamento moral", que consistia em castigos e rigidez disciplinar para "normalizar" o comportamento dos pacientes.
Os manicômios eram instituições fechadas e isoladas, onde os pacientes eram internados longe da sociedade, o que muitas vezes piorava seu estado mental.
Marcos normativos importantes na saúde mental
Institucionalização:
A piora do estado mental dos pacientes devido ao confinamento e ao isolamento foi chamada de "institucionalização".
Os profissionais da época atribuíam essa piora à doença, e não ao ambiente asilar.
Reforma Psiquiátrica:
No século XX, surgiram mudanças no tratamento, com a introdução de atividades em grupo e maior convivência entre os pacientes, promovendo autonomia e melhorias na saúde mental.
Na década de 1970, Franco Basaglia, na Itália, liderou o movimento pelo tratamento em liberdade, fora dos manicômios, marcando o início da Psiquiatria Democrática.
Marcos normativos importantes na saúde mental
Princípios da Psiquiatria Democrática:
Eliminação de contenções físicas e uso de medicações mais humanizadas.
Reeducação dos profissionais para uma abordagem mais humana e menos opressiva.
Restabelecimento dos vínculos dos pacientes com o exterior e abertura das instituições.
Destruição de barreiras físicas e hierárquicas dentro dos hospitais.
Marcos normativos importantes na saúde mental
Tratamento em liberdade:
A Psiquiatria Democrática defende que o tratamento deve ocorrer fora dos manicômios, em liberdade, respeitando os direitos humanos dos pacientes.
A segregação em instituições fechadas é vista como prejudicial e não terapêutica.
Reforma Psiquiátrica como movimento humanizador:
A Reforma Psiquiátrica busca reinserir as pessoas com transtornos mentais na sociedade, acabando com o modelo de tratamento baseado no confinamento.
O movimento critica a ideia de que a loucura deve ser tratada com isolamento e exclusão, propondo um modelo mais inclusivo e respeitoso.
Marcos normativos importantes na saúde mental
Lei nº 10.216/2001 – Lei da Reforma Psiquiátrica:
A lei foi aprovada em 2001, mas o projeto já existia desde 1989.
Seus principais objetivos são:
Reduzir os leitos em hospitais psiquiátricos.
Investir em serviços comunitários e extra-hospitalares.
Impedir internações arbitrárias e garantir direitos aos pacientes.
Marcos normativos importantes na saúde mental
Direitos garantidos pela Lei:
Tratamento humanizado e respeitoso, sem discriminação.
Direito à reinserção na família, no trabalho e na comunidade.
Esclarecimento sobre a internação involuntária e o tratamento.
Informação clara sobre a doença e o tratamento.
Uso de métodos minimamente invasivos e em ambientes terapêuticos comunitários.
Consentimento informado para pesquisas científicas.
Foco na descentralização e territorialização:
A lei prioriza serviços comunitários e integrados ao território, seguindo os princípios do SUS.
O conceito de "território" refere-se à organização dos serviços de saúde de acordo com as necessidades da população local.
Marcos normativos importantes na saúde mental
Redução progressiva de leitos psiquiátricos:
A Portaria GM nº 52/2004 prevê a diminuição gradual dos leitos psiquiátricos.
Os recursos são redirecionados para serviços extra-hospitalares, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Portaria nº 148/2012 – Serviço Hospitalar de Referência:
Regulamenta leitos de internação para casos de crise ou risco iminente.
O foco é preservar a vida e garantir a continuidade do cuidado na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
As internações são de curta duração e integradas à RAPS, em articulação com outros serviços de saúde.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Internações de curta duração:
Diferente do modelo asilar, as internações atuais são breves e focadas na estabilização do paciente.
Após a internação, o paciente é encaminhado para serviços comunitários, como CAPS e unidades básicas de saúde.
Integração com a RAPS:
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) inclui diversos serviços, como CAPS, unidades básicas de saúde e hospitais.
A integração entre esses serviços é essencial para garantir um cuidado contínuo e eficaz.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Linha do tempo dos marcos normativos e legislações em saúde mental no Brasil
1852:
Inauguração do Hospício D. Pedro II, primeiro hospital psiquiátrico no Brasil.
1903:
Decreto-Lei n.º 1.132: Reorganizou a assistência médico-legal aos alienados, considerada a primeira legislação de "saúde mental" no Brasil.
1934:
Decreto n.º 24.559: Segunda lei de "saúde mental" brasileira, regulamentando serviços de saúde mental e modalidades de internação e interdição civil.
1941:
Criação do Serviço Nacional de Doenças Mentais (SNDM), vinculado ao Ministério da Educação e Saúde.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Linha do tempo dos marcos normativos e legislações em saúde mental no Brasil
1953:
Criação do Ministério da Saúde, com o SNDM vinculado a ele.
1970:
Portaria n.º 282: Criação da Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), responsável pela política de saúde mental.
1978:
Início do Movimento de Reforma Psiquiátrica Brasileiro pelo Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental (MTSM).
1986:
8ª Conferência Nacional de Saúde.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Linha do tempo dos marcos normativos e legislações em saúde mental no Brasil
1987:
I Conferência Nacional de Saúde Mental e adoção do lema “Por uma sociedade sem manicômios”.
1988:
Promulgação da Constituição Federativa do Brasil.
1989:
Apresentação do Projeto de Lei nº 3.657/89, que visava à extinção progressiva dos manicômios e regulamentação da internação psiquiátrica compulsória.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Linha do tempo dos marcos normativos e legislações em saúde mental no Brasil
1990:
Lei nº 8.080/90: Instituição do Sistema Único de Saúde (SUS).
Lei nº 8.142/90: Lei do “Controle Social” e do Financiamento.
Declaração de Caracas: Documento orientador para uma nova política de saúde mental na América Latina.
1991:
Portaria 189/91: Dispõe sobre o Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e Ambulatoriais (SIA).
Proteção de pessoas com transtornos mentais e melhoria da assistência à saúde Mental: Aprovada pela ONU.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Linha do tempo dos marcos normativos e legislações em saúde mental no Brasil
1992:
Portaria n.º 224/1992: Primeira normativa que previu transferência de recursos financeiros diretamente para Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
II Conferência Nacional de Saúde Mental.
1993:
Criação da Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica (atual Comissão Intersetorial de Saúde Mental - CISM).
2001:
Lei nº 10.216: Conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica, marco legal da política de saúde mental no Brasil.
III Conferência Nacional de Saúde Mental.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Linha do tempo dos marcos normativos e legislações em saúde mental no Brasil
2002:
Portaria n.º 336/2002: Regulamenta e atualiza os CAPS.
Portaria n.º 251/2002: Estabelece diretrizes e normas para a assistência hospitalar em psiquiatria.
2003:
Lei Federal n.º 10.708/2003: Instituio Programa de Volta para Casa.
2004:
Portaria n.º 52/2004: Programa Anual de Reestruturação da Assistência Psiquiátrica Hospitalar no SUS.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Linha do tempo dos marcos normativos e legislações em saúde mental no Brasil
2010:
IV Conferência Intersetorial de Saúde Mental.
2011:
Portaria n.º 3088/2011: Institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Portaria n.º 3090/2011: Regulamentação e financiamento da RAPS.
2015:
Ruptura do alinhamento da política de saúde mental com a Reforma Psiquiátrica.
2017:
Resolução 32: Reajuste do valor dos leitos em hospitais psiquiátricos.
Portaria 3588/17: Inclui ambulatório e hospital psiquiátrico na RAPS.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Linha do tempo dos marcos normativos e legislações em saúde mental no Brasil
2018:
Portaria n.º 2434/2018: Aumento de 60% nas diárias pagas aos hospitais psiquiátricos.
2019:
Lei n.º 13.840: Altera a Lei n.º 11.343/06 (Lei de drogas), priorizando a abstinência e o tratamento em comunidades terapêuticas.
Resolução nº 8/2019: Medidas preventivas de violação e garantia de direitos às pessoas com transtornos mentais.
2020:
Ameaça de revogação de portarias e normativas ligadas à desinstitucionalização.
Publicação do documento Diretrizes para um Modelo de Atenção Integral em Saúde Mental no Brasil.
(VEDANA et. al., 2024)
Marcos normativos importantes na saúde mental
Linha do tempo dos marcos normativos e legislações em saúde mental no Brasil
2022:
Decreto n.º 11.098/2022: Altera a estrutura regimental do Ministério da Saúde, incluindo saúde mental na Secretaria de Atenção Primária à Saúde.
2023:
Decreto n.º 11.358/23: Cria o Departamento de Saúde Mental e Enfrentamento do Uso Abusivo de Álcool e Outras Drogas.
Decreto n.º 11.391/23: Altera o nome para Departamento de Saúde Mental.
Decreto n.º 11.789/23: Renomeia para Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas.
5ª Conferência Nacional de Saúde Mental: Realizada de 11 a 14 de dezembro de 2023.
(VEDANA et. al., 2024)
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Projeto Terapêutico Singular (PTS):
O PTS é um plano de trabalho individualizado, construído em conjunto com o usuário, para atender suas necessidades físicas, mentais e sociais.
Visa melhorar a qualidade de vida do usuário, promovendo sua reinserção social e garantindo seus direitos.
Abordagem integral do usuário:
O PTS não se limita ao tratamento médico ou psicológico, mas aborda todas as dimensões da vida do usuário, como questões sociais, financeiras e de moradia.
O usuário é visto como protagonista de seu tratamento e cidadão com direitos.
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Ações que compõem o PTS:
Atividades no CAPS: Oficinas de convivência, esporte, música, geração de renda, etc.
Atendimento psicoterápico: Individual ou em grupo.
Visitas domiciliares: Para avaliar o contexto social e familiar do usuário.
Atendimento familiar: Reuniões ou consultas específicas com familiares.
Acesso a benefícios: Auxílio-doença, benefício de prestação continuada, programas habitacionais, etc.
Inserção comunitária: Vinculação do usuário a atividades no bairro ou na comunidade.
Integração com a rede de saúde: Ações em conjunto com a atenção primária e outros serviços.
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Avaliação periódica do PTS:
O PTS deve ser revisado regularmente para avaliar sua eficácia e adequação às necessidades do usuário.
Ajustes são feitos conforme os resultados observados.
Atuação interdisciplinar:
O tratamento em saúde mental requer uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais de diversas áreas (médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, etc.).
Não há hierarquia entre as especialidades; todas contribuem de forma igual para o cuidado integral do usuário.
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Integração com a rede de serviços:
O CAPS não atua isoladamente, mas em articulação com outros serviços, como assistência social, educação, cultura e Justiça.
A rede de serviços deve trabalhar de forma integrada para garantir um cuidado completo e efetivo.
Visão integral do ser humano:
O tratamento deve considerar as múltiplas dimensões do usuário (biológica, psicológica, social e histórica).
As diferentes esferas da vida do usuário estão interligadas e não podem ser tratadas de forma fragmentada.
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Papel da família no acompanhamento:
No modelo atual de saúde mental, a família é uma parceira essencial no tratamento do usuário.
A família não deve ser culpada pelo transtorno mental, mas também não pode ser responsabilizada por todo o cuidado.
Impacto do transtorno mental na família:
A presença de uma pessoa com transtorno mental pode reestruturar a dinâmica familiar, gerando desafios como maior vigilância ou perda de produtividade.
É importante compreender como a família vê e lida com o transtorno mental de um de seus membros.
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Objetivo do trabalho com as famílias:
Auxiliar na relação e na gestão do paciente no cotidiano.
Promover cooperação, reduzir conflitos familiares e incentivar a participação de todos no tratamento.
Atendimento às famílias:
As famílias precisam de um espaço de escuta e acolhimento para expressar suas angústias e receber orientações.
O acompanhamento familiar deve ser feito por um profissional diferente daquele que cuida do paciente, para evitar conflitos de vínculo e sobrecarga.
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Tratamento em liberdade e reinserção social:
O tratamento preferencial ocorre em liberdade, com o paciente retornando para casa diariamente.
A família deve ser orientada sobre seu papel de apoio e como cuidar do paciente, além de receber suporte emocional.
Desinstitucionalização:
A desinstitucionalização é a desconstrução do modelo tradicional de tratamento baseado em internações prolongadas.
Envolve uma mudança cultural para evitar a patologização e a exclusão de pessoas com transtornos mentais.
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Redução de danos:
Na saúde mental, o foco é reduzir os prejuízos causados pelo transtorno, não necessariamente buscar a cura.
O conceito de redução de danos é aplicado principalmente no tratamento de dependentes químicos, mas também se estende a outros transtornos mentais.
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Trabalho em rede:
O cuidado em saúde mental depende de uma rede integrada de serviços, incluindo saúde, assistência social, educação e ONGs.
Nenhum serviço ou profissional é mais importante que outro; todos são essenciais para o suporte ao paciente.
Reinserção social e mudança cultural:
A reinserção social da pessoa com transtorno mental requer uma mudança cultural que permita sua livre circulação e acesso a espaços comunitários.
A responsabilidade pelo cuidado deve ser compartilhada por toda a sociedade, não apenas por serviços específicos.
Projeto Terapêutico Singular (PTS), atuação interdisciplinar e família como protagonista no cuidado
Trabalho em rede:
O cuidado em saúde mental depende de uma rede integrada de serviços, incluindo saúde, assistência social, educação e ONGs.
Nenhum serviço ou profissional é mais importante que outro; todos são essenciais para o suporte ao paciente.
Reinserção social e mudança cultural:
A reinserção social da pessoa com transtorno mental requer uma mudança cultural que permita sua livre circulação e acesso a espaços comunitários.A responsabilidade pelo cuidado deve ser compartilhada por toda a sociedade, não apenas por serviços específicos.
Referências
VEDANA, KG et. al. Reflexões sobre as políticas de saúde mental no Brasil a partir de marcos históricos e legislativos, Research, Society and Development, v. 13, n. 1, e7913144653, 2024.

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