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DESENVOLVIMENTO HUMANO NAS DIFERENTES 
FAIXAS GERACIONAIS I 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 
PRIMEIRA INFÂNCIA ................................................................................ 3 
O PARTO E O NASCIMENTO ............................................................... 5 
CAPACIDADES SENSORIAIS INICIAIS E DESENVOLVIMENTO 
MOTOR NO BEBÊ ............................................................................................ 7 
DESENVOLVIMENTO MOTOR E PERCEPÇÃO NO BEBÊ.................. 9 
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO .................................................... 11 
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL .............................................. 14 
SEGUNDA INFÂNCIA ............................................................................. 17 
DESENVOLVIMENTO FÍSICO E COGNITIVO .................................... 18 
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL .............................................. 22 
TERCEIRA INFÂNCIA ............................................................................. 26 
DESENVOLVIMENTO FÍSICO E COGNITIVO .................................... 28 
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL .............................................. 31 
ADOLESCÊNCIA ..................................................................................... 36 
DESENVOLVIMENTO FÍSICO E MOTOR ........................................... 38 
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL .............................................. 42 
REFERÊNCIAS ....................................................................................... 48 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
O desenvolvimento humano é um processo complexo e fascinante que 
envolve uma série de marcos físicos, cognitivos, sociais e emocionais que 
ocorrem desde o nascimento até a idade adulta. É importante notar que o 
desenvolvimento não ocorre de maneira linear ou uniforme. 
Cada pessoa é única e desenvolve-se em seu próprio ritmo, influenciada 
por uma variedade de fatores, incluindo genética, ambiente familiar, experiências 
de vida e oportunidades de aprendizado. Os cuidadores e educadores 
desempenham um papel fundamental em apoiar e promover o desenvolvimento 
saudável das crianças, fornecendo um ambiente seguro, estimulante e amoroso, 
além de oportunidades para explorar, aprender e interagir com o mundo ao seu 
redor. 
Nesta apostila, exploraremos o desenvolvimento infantil na prática, 
buscando abordar as principais áreas de desenvolvimento e destacando 
estratégias e atividades que podem ser implementadas no cotidiano para 
estimular o crescimento e o aprendizado das crianças. Ao oferecermos um olhar 
prático sobre o desenvolvimento infantil, nosso objetivo é fornecer orientações 
úteis para pais, educadores e profissionais que trabalham com crianças. 
 
PRIMEIRA INFÂNCIA 
 
Durante a primeira infância, que abrange os três primeiros anos de vida 
da criança, há uma série de desenvolvimentos importantes que ocorrem em 
diferentes áreas. Exploraremos três aspectos específicos dessa fase: o 
desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento motor e o desenvolvimento 
socioemocional. 
No que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, os primeiros anos de 
vida são marcados por um crescimento rápido e significativo nas habilidades 
cognitivas da criança. Ela começa a desenvolver a capacidade de pensar 
simbolicamente, utilizar a linguagem e compreender o mundo ao seu redor. 
Durante essa fase, a criança também passa por um período de rápido 
crescimento do vocabulário, aprendendo a comunicar suas necessidades e 
 
 
expressar seus pensamentos e sentimentos de maneira cada vez mais 
elaborada. No aspecto do desenvolvimento motor, a primeira infância é marcada 
por grandes conquistas físicas. 
 
Figura 1- Primeira infância 
 
 
Fonte: jornal.usp.br, 2024. 
 
Durante os primeiros meses, a criança aprende a rolar, sentar, engatinhar 
e, eventualmente, andar. À medida que o tempo passa, ela aprimora suas 
habilidades motoras finas, como pegar objetos pequenos com precisão e 
desenvolver a coordenação olho-mão. Essas conquistas motoras são essenciais 
para a exploração do ambiente e o desenvolvimento de habilidades sensoriais e 
perceptivas. 
O desenvolvimento socioemocional também desempenha um papel 
crucial na primeira infância. Durante essa fase, a criança começa a estabelecer 
relações sociais significativas com os outros, especialmente com os cuidadores 
primários. Ela desenvolve uma compreensão básica das emoções e começa a 
expressar seus próprios sentimentos de maneira mais evidente. 
Além disso, a primeira infância é um período crítico para a formação do 
apego seguro, que envolve a construção de um vínculo emocional estável e 
saudável com os cuidadores. Esse vínculo seguro serve como base para o 
desenvolvimento saudável das relações interpessoais ao longo da vida. 
Durante a primeira infância, é fundamental que os cuidadores forneçam 
um ambiente seguro, estimulante e afetuoso para a criança. Isso inclui oferecer 
estímulos adequados ao desenvolvimento, como brinquedos e atividades que 
promovam o aprendizado e a exploração. Além disso, é importante atender às 
necessidades emocionais da criança, oferecendo apoio, afeto e demonstrando 
 
 
sensibilidade às suas emoções. Esse ambiente propício contribui para um 
desenvolvimento saudável e fortalece a confiança e a autoestima da criança. 
Em resumo, a primeira infância é uma fase de crescimento e descobertas 
intensas, abrangendo o desenvolvimento cognitivo, motor e socioemocional. É 
um momento crucial para estabelecer as bases para um desenvolvimento 
saudável e bem-sucedido em todas as áreas da vida. O apoio e cuidado 
adequados dos cuidadores são essenciais para promover o progresso e o bem-
estar da criança nessa fase tão importante. 
 
O PARTO E O NASCIMENTO 
 
Tipos de parto desempenham um papel crucial no processo de 
nascimento de um bebê. O parto vaginal é o método pelo qual a mulher passa 
pelo trabalho de parto, um momento intenso que também traz consigo alguns 
riscos. No entanto, para reduzir esses riscos, tecnologias foram desenvolvidas 
para monitorar o feto antes do parto. 
O monitoramento eletrônico fetal é uma dessas tecnologias e pode ser 
usado para acompanhar as batidas cardíacas do bebê durante o trabalho de 
parto. Sensores ligados à cintura da gestante, presos por uma cinta elétrica, são 
comumente utilizados para monitorar a frequência cardíaca e informar a equipe 
médica sobre possíveis problemas. 
Outro tipo de parto é a cesariana, onde o bebê é removido cirurgicamente 
do útero da mãe. Embora seja uma intervenção médica necessária em certos 
casos, é importante destacar que a cesariana possui suas próprias 
complicações e considerações. 
Após o nascimento, segue-se o período neonatal, que abrange as quatro 
primeiras semanas de vida do bebê e representa um momento de transição do 
útero para o ambiente externo. Durante esse período, os bebês recém-nascidos 
exibem características físicas distintivas. 
Os recém-nascidos têm uma cabeça grande e um queixo recuado, o que 
facilita a amamentação. Além disso, apresentam uma área no topo da cabeça 
chamada de fontanela, onde os ossos do crânio não se encontram. Essas 
fontanelas são cobertas por uma membrana rígida que permite a flexibilidade do 
 
 
formato do crânio, facilitando assim a passagem pelo canal de parto. As placas 
do crânio se unem gradualmente ao longo dos primeiros 18 meses de vida. 
A pele dos recém-nascidos é frequentemente rosada e delicada, 
revelando os vasos capilares por baixo. Durante os primeiros dias, muitos 
recém-nascidos também apresentam lanugo, uma espécie de penugem pré-
natal, que tende a desaparecer gradualmente. Além disso, quase todos os 
recém-nascidos estão cobertos com uma substância chamada vernix caseosa, 
que desempenha um papelmas as crianças com esse transtorno 
tendem a vir de famílias com altos níveis de depressão, ansiedade, abuso de 
substâncias ou comportamentos antissociais. Já a depressão maior é mais 
predominante durante a adolescência. 
O tratamento para esses transtornos pode envolver terapia infantil, terapia 
familiar, terapia comportamental, ludoterapia (terapia por meio do jogo) e, em 
alguns casos, medicamentos. É importante lembrar que as crianças também 
possuem capacidade de resiliência. 
Crianças resilientes são aquelas que conseguem lidar com circunstâncias 
desafiadoras que poderiam perturbar outras, mantendo equilíbrio e competência 
mesmo em situações de perigo e ameaça, ou se recuperando de vários traumas. 
Crianças resilientes também tendem a ter QIs mais altos e a resolver problemas 
com facilidade. Sua capacidade cognitiva pode ajudá-las a enfrentar 
adversidades, a regular seu próprio comportamento e a aprender com a 
experiência. 
 
ADOLESCÊNCIA 
 
Durante a adolescência, que abrange aproximadamente dos 12 aos 18 
anos, ocorrem transformações significativas no desenvolvimento físico, 
cognitivo, social e emocional dos indivíduos. Essa fase é marcada pela transição 
da infância para a vida adulta e traz consigo uma série de desafios e 
oportunidades de crescimento. 
No aspecto físico, a adolescência é caracterizada por rápidas mudanças 
no corpo. Os jovens passam pelo estirão de crescimento, experimentam o 
desenvolvimento sexual secundário e adquirem características físicas 
características de adultos. Essas mudanças podem ter impacto na autoimagem 
e na construção da identidade pessoal. 
 
 
No que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, a adolescência é 
marcada pelo aprimoramento das habilidades de pensamento abstrato, 
raciocínio lógico e pensamento crítico. Os adolescentes começam a questionar, 
refletir e formar opiniões mais elaboradas sobre o mundo ao seu redor. Eles 
também estão mais aptos a considerar múltiplas perspectivas e a planejar ações 
futuras. 
No âmbito social, a adolescência é caracterizada pela busca de 
autonomia e independência dos pais e pela formação de identidade social. Os 
jovens passam a se envolver em grupos de pares e a experimentar diferentes 
papéis sociais. As amizades e os relacionamentos interpessoais ganham uma 
importância significativa, proporcionando oportunidades para a aprendizagem 
social e emocional. 
Em relação ao desenvolvimento emocional, a adolescência é um período 
de intensidade emocional e de busca pela própria identidade. Os jovens podem 
experimentar uma ampla gama de emoções, desde alegria e entusiasmo até 
tristeza e frustração. Eles estão descobrindo quem são e enfrentando desafios 
emocionais, como lidar com a pressão dos colegas, a autoestima, a identidade 
sexual e a tomada de decisões. 
 
Figura 4 – Características da adolescência 
 
 
Durante a adolescência, é importante que os jovens tenham um ambiente 
de apoio e compreensão. Os adultos desempenham um papel crucial ao 
oferecer orientação, escuta ativa e estabelecimento de limites saudáveis. É 
essencial incentivar a autonomia, o desenvolvimento de habilidades de 
 
 
pensamento crítico e o estabelecimento de relacionamentos saudáveis. 
Além disso, é fundamental fornecer informações adequadas sobre saúde, 
sexualidade, uso de substâncias e comportamentos de risco. Nessa fase, os 
adolescentes estão construindo suas identidades e explorando diferentes 
interesses e metas futuras. Portanto, é importante encorajá-los a buscar seus 
próprios caminhos e a desenvolver habilidades que promovam um senso de 
propósito e significado em suas vidas. 
Em resumo, a adolescência é um período de transição e crescimento, 
repleto de mudanças físicas, cognitivas, sociais e emocionais. É um momento de 
descoberta, autodescoberta e de busca por autonomia e identidade. Com apoio 
adequado e um ambiente favorável, os adolescentes têm a oportunidade de 
explorar seu potencial, enfrentar desafios e se desenvolver como indivíduos 
saudáveis e bem-sucedidos. 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO FÍSICO E MOTOR 
 
Este é o último módulo do nosso curso. Iniciam-se os estudos sobre a 
fase de maior transição do desenvolvimento humano, a adolescência. Essa 
transição envolve mudanças físicas, cognitivas, emocionais e sociais, e assume 
diferentes formas em contextos sociais, culturais e econômicos. Uma mudança 
física importantíssima é a puberdade, o processo que traz a maturidade sexual e 
a capacidade de reprodução. 
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a 
adolescência vai dos 12 aos 18 anos de idade. Durante esse período, ocorrem 
Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, 
André fala resumidamente sobre algumas das transformações psicológicas, 
neurológicas e sociais que mais impactam a vida dos adolescentes. 
O QUE É A ADOLESCÊNCIA?. Disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=h4-YXXKPXVg. Acesso em 26 de fev de 
2024. 
 
 
alterações físicas notáveis. A puberdade é um longo processo de maturação que 
começa antes mesmo do nascimento e envolve uma cadeia de respostas 
hormonais. Essas alterações hormonais são diferentes nas meninas e nos 
meninos. 
Nas meninas, as alterações hormonais levam ao início da menstruação, 
enquanto nos meninos ocorre a liberação da testosterona e da androstenediona. 
A puberdade pode ser dividida em dois estágios: a adrenarca e a gonadarca. A 
adrenarca ocorre entre os 6 e 8 anos, e nesse estágio há um aumento nos 
níveis do hormônio DHEA (dehidroepiandrosterona). 
Aos 10 anos, ocorre um aumento ainda maior nos níveis desse hormônio. 
O DHEA influencia o crescimento dos pelos púbicos, axilares e faciais, além de 
contribuir para o crescimento mais rápido do corpo, aumentar a oleosidade da 
pele e o desenvolvimento de odores corporais. 
Já a gonadarca, que é o segundo estágio da puberdade, é marcada pelo 
amadurecimento dos órgãos sexuais. Nesse período, os ovários das meninas 
aumentam a produção de estrógeno, que estimula o desenvolvimento dos 
órgãos genitais femininos, o crescimento dos seios e dos pelos pubianos e 
axilares. 
Nos meninos, os testículos aumentam a produção de androgênios, 
principalmente a testosterona, o que leva ao crescimento dos órgãos genitais 
masculinos, da massa muscular e dos pelos corporais. Além das mudanças nos 
órgãos sexuais, também ocorrem as características sexuais secundárias, que 
são sinais fisiológicos do amadurecimento sexual, mas que não envolvem 
diretamente os órgãos sexuais. 
Essas mudanças incluem o crescimento dos seios nas meninas, o 
alargamento dos ombros nos meninos, alteração na voz e na textura da pele. As 
mudanças que evidenciam a puberdade começam aproximadamente aos 8 anos 
nas meninas e aos 9 anos nos meninos. 
Todo o processo da puberdade leva de 3 a 4 anos para ambos os sexos. 
Outro aspecto importante é o estirão de crescimento adolescente, que é o 
aumento rápido em altura, peso, musculatura e nos ossos. Nas meninas, 
costuma começar entre os 9 anos e meio e 14 anos e meio, enquanto nos 
meninos ocorre entre os 10 anos e meio e 16 anos e meio. Além das mudanças 
físicas, as mudanças psicológicas também são relevantes durante a 
 
 
adolescência. 
O cérebro dos adolescentes está em pleno desenvolvimento, e eles 
apresentam uma tendência à impulsividade, a comportamentos de risco, como 
experimentar drogas e bebidas alcoólicas, e podem ter dificuldade em se 
concentrar em objetivos de longo prazo. 
O desenvolvimento do cérebro durante a adolescência ocorre de forma 
ampla e lenta, o que faz com que os adolescentes sejam mais suscetíveis a 
influências ambientais, tanto positivas quanto negativas. A estimulação cognitiva 
durante a adolescência faz uma diferença enorme no desenvolvimento do 
cérebro, influenciando o desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais 
e sociais. 
É importante entenderque cada adolescente é único e experimenta a 
adolescência de maneira individual. As mudanças físicas e psicológicas podem 
gerar desafios e oportunidades, e é fundamental que os adolescentes recebam o 
apoio adequado de suas famílias, amigos, escola e profissionais de saúde para 
enfrentar essa fase de transição e crescimento. 
É recomendado que os adolescentes entre 13 e 18 anos durmam 
regularmente entre 8 e 10 horas, no mínimo, por dia. A privação de sono pode 
diminuir a motivação e causar irritabilidade, além de afetar a concentração e o 
desempenho escolar. O sono insuficiente está associado a um maior risco de 
obesidade, diabetes, lesões, problemas de saúde mental, transtorno de atenção 
e comportamento, e baixo desempenho acadêmico. 
É fundamental que os adolescentes priorizem o sono adequado e 
estabeleçam rotinas saudáveis de sono, evitando o uso excessivo de 
dispositivos eletrônicos antes de dormir. A imagem e satisfação corporal também 
são questões relevantes durante a adolescência. Meninos e meninas reagem de 
maneira diferente em relação às mudanças que ocorrem no corpo devido à 
puberdade. 
Em geral, os meninos tendem a estar mais satisfeitos com seus corpos do 
que as meninas. Devido ao aumento normal da gordura corporal, as meninas 
podem ficar descontentes com a aparência e desenvolver preocupação 
excessiva com o controle do peso e imagem corporal, o que pode ser um sinal 
de transtornos alimentares, como anorexia nervosa ou bulimia nervosa. 
A depressão é outra questão importante que afeta os adolescentes. O 
 
 
número de casos de depressão aumenta durante essa fase da vida. Em 2017, 
13,3% dos jovens de 12 a 17 anos experimentaram pelo menos um episódio de 
depressão maior, e apenas 41,5% deles receberam tratamento adequado. É 
importante observar que a depressão em adolescentes nem sempre se 
manifesta como tristeza, podendo aparecer como irritabilidade, tédio ou 
incapacidade de sentir prazer. 
Existem fatores de risco associados à depressão, incluindo ansiedade, 
medo do contato social, eventos estressantes, doenças crônicas, conflitos 
familiares, abuso ou negligência, uso de álcool e drogas, atividade sexual e 
histórico familiar de depressão. O uso de álcool e drogas e a atividade sexual 
têm maior probabilidade de resultar em depressão em meninas do que em 
meninos. 
É essencial que os adolescentes que apresentam sintomas de depressão 
recebam apoio e tratamento adequado. Infelizmente, o suicídio também é uma 
preocupação séria durante a adolescência. É a segunda causa de morte entre 
os jovens de 15 a 19 anos. Ter acesso a uma arma de fogo está fortemente 
associado a um maior risco de suicídio bem-sucedido. As meninas adolescentes 
são mais propensas a tentar suicídio, porém, tendem a usar métodos menos 
letais, o que aumenta suas chances de sobreviver. 
Muitos jovens que tentam suicídio sofreram maus-tratos na infância e têm 
graves problemas de relacionamento. Eles tendem a ter baixa autoestima, 
sensação de desamparo, dificuldade em controlar impulsos, além de baixa 
tolerância à frustração e estresse. Diante desses desafios, é fundamental que os 
adolescentes recebam apoio emocional e tenham acesso a serviços de saúde 
mental. 
Os familiares, amigos, escola e profissionais de saúde desempenham um 
papel crucial na identificação e no tratamento de problemas relacionados ao 
sono, imagem corporal, depressão e risco de suicídio durante a adolescência. É 
importante promover um ambiente seguro e acolhedor, onde os adolescentes se 
sintam confortáveis em expressar seus sentimentos e buscar ajuda quando 
necessário. 
 
 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL 
 
Durante a adolescência, os jovens entram no que Piaget chamou de nível 
mais alto de desenvolvimento cognitivo, o estágio operatório formal. Nesse 
estágio, eles abandonam a dependência de estímulos concretos do mundo real 
e desenvolvem a capacidade de pensar em termos abstratos. Isso acontece por 
volta dos 11 anos e proporciona uma forma mais flexível de manipular 
informações. 
Os adolescentes começam a entender melhor as mensagens ocultas nas 
metáforas e alegorias. Eles são capazes de pensar em termos do que «poderia 
ser» e não apenas do «que é». São capazes de imaginar possibilidades, 
formular e testar hipóteses. Piaget atribui essas mudanças a uma combinação 
de maturação cerebral e expansão das oportunidades ambientais. 
No entanto, a imaturidade do pensamento adolescente, de acordo com o 
psicólogo David Elkind, se manifesta de muitas formas características. Os 
adolescentes podem estar convencidos de que sabem como governar o mundo 
melhor do que os adultos e frequentemente culpam os pais e outras figuras de 
autoridade. Embora possam pensar sobre muitas alternativas ao mesmo tempo, 
eles podem ter dificuldade em escolher entre elas, especialmente quando se 
trata de tomar decisões simples do dia a dia. 
Os adolescentes mais jovens também podem ter dificuldade em 
reconhecer a diferença entre expressar um ideal e fazer os sacrifícios 
necessários para realizá-lo. Outra característica dos adolescentes é a 
autoconsciência, onde eles pressupõem que todos estão pensando o mesmo 
que eles. Elkind chama isso de «público imaginário». Por exemplo, um 
adolescente pode pensar que todo mundo está olhando para uma espinha no 
rosto dele. Essa fantasia do público imaginário é especialmente forte nos 
primeiros anos da adolescência, mas pode se estender com menos intensidade 
até a vida adulta. 
Elkind também usa o termo «fábula pessoal» para descrever a crença dos 
adolescentes de que são especiais, de que suas experiências são únicas e de 
que não estão sujeitos às regras que governam o resto do mundo. No entanto, é 
importante ressaltar que muitos teóricos não apoiam completamente o modelo 
de Elkind ao falar sobre a imaturidade dos adolescentes. 
 
 
Outras pesquisas mostram que, em vez de serem indecisos, os 
adolescentes tendem a tomar decisões impulsivas ou arriscadas. Quanto ao 
desenvolvimento da linguagem, devido ao pensamento abstrato estar mais 
desenvolvido, os adolescentes podem definir e discutir abstrações como amor, 
justiça e liberdade. Eles passam a usar com mais frequência termos como 
«entretanto», «caso contrário», «de qualquer maneira», «portanto», «na 
verdade» e «provavelmente». Tornam-se mais conscientes de que as palavras 
podem ter vários significados e têm prazer em usar ironias, trocadilhos e 
metáforas. 
Os adolescentes também se tornam mais habilidosos na capacidade de 
adaptar sua conversa ao ponto de vista da outra pessoa, utilizando diferentes 
vocabulários ao falar com crianças, amigos ou adultos. No raciocínio moral, os 
adolescentes são mais capazes do que as crianças menores de aceitar o ponto 
de vista de outra pessoa, solucionar problemas sociais e lidar com 
relacionamentos interpessoais. Essas habilidades promovem o desenvolvimento 
moral. 
Lawrence Kohlberg escreveu seis estágios sobre o raciocínio moral, que 
mostram a progressão dos indivíduos na compreensão de princípios éticos e 
morais. Em relação aos comportamentos sociais, é comum que esses 
comportamentos aumentem da infância para a adolescência. Pais carinhosos, 
solidários e que usam o raciocínio social tendem a ter adolescentes que se 
comportam de maneira socialmente generosa. As meninas tendem a apresentar 
mais comportamentos solidários do que os meninos, e essa diferença se torna 
mais acentuada na adolescência. 
A escola desempenha um papel importante na vida do adolescente, pois 
amplia seu horizonte intelectual e social. Ela oferece oportunidades para obter 
informações, aprender novas habilidades, participar de atividades esportivas, 
artísticas e fazer amigos. No entanto, alguns adolescentes podem ver a escola 
não como uma oportunidade, mas como mais um obstáculo para a vida adulta. 
Fatores como o estilo parental, o nível socioeconômico e a qualidadedo 
ambiente doméstico influenciam o desempenho escolar na adolescência. 
Pesquisas indicam que os cérebros masculino e feminino apresentam 
diferenças no aprendizado. A estrutura cerebral das meninas parece integrar 
melhor as tarefas espaciais e holísticas, enquanto o cérebro dos meninos parece 
 
 
ser otimizado para o desenvolvimento visual e espacial. 
Os pais que estabelecem um equilíbrio entre ser exigentes e receptivos 
tendem a ter adolescentes com melhor desempenho escolar. Tanto os pais 
autoritários, que tendem a usar mais castigos e controle severo, quanto os pais 
permissivos, que parecem indiferentes às notas, têm filhos que apresentam um 
desempenho um pouco inferior. 
Segundo Erik Erikson, a busca da identidade é um dos principais desafios 
enfrentados pelos adolescentes. Durante esse período, os jovens precisam 
resolver três questões cruciais: a escolha de uma ocupação, a adoção de 
valores pelos quais desejam viver e o desenvolvimento de uma identidade 
sexual satisfatória. Os adolescentes que conseguem resolver essa crise de 
identidade de forma satisfatória desenvolvem a virtude da fidelidade, que se 
manifesta na lealdade constante, fé ou um sentimento de união com uma 
pessoa amada, amigo ou grupo. Por outro lado, aqueles que não desenvolvem 
uma ideia firme sobre sua identidade e não alcançam a fidelidade podem 
experimentar um senso instável de si mesmos, insegurança e dificuldade em 
planejar para o futuro. 
Erikson enfatiza que a confusão de identidade ou de papel é o maior 
perigo nessa fase. Essa confusão é responsável pela natureza aparentemente 
caótica de grande parte do comportamento dos adolescentes. Para construir 
uma identidade sexual, os adolescentes precisam reconhecer-se como seres 
sexuais, compreender sua orientação sexual e formar uniões afetivas ou 
sexuais. 
A educação sexual e a prevenção da gravidez desempenham um papel 
importante nesse processo. Os adolescentes geralmente obtêm informações 
sobre sexo por meio de amigos, pais, educação escolar e mídia. Estudos 
mostram que uma porcentagem significativa de adolescentes relata que seus 
pais não conversam com eles sobre educação sexual, o que pode levar a 
posturas menos positivas em relação às práticas sexuais seguras. 
Infelizmente, muitos adolescentes recebem grande parte de sua 
«educação sexual» através da mídia, que muitas vezes retrata a atividade 
sexual de forma distorcida, associando-a a diversão, excitação, competição, 
perigo ou violência, e raramente menciona os riscos das relações sexuais 
desprotegidas. 
 
 
Em relação aos relacionamentos com a família, os pares e a sociedade 
adulta, os adolescentes tendem a passar mais tempo com os amigos e menos 
tempo com a família. A adolescência é frequentemente associada à rebeldia, 
mas esse comportamento está mais relacionado a variáveis como parentalidade 
abusiva, negligente ou indiferente. 
Os poucos adolescentes que apresentam problemas sérios tendem a vir 
de famílias perturbadas e podem continuar a ter uma vida familiar instável e 
rejeitar as normas culturais na idade adulta. Por outro lado, adolescentes criados 
em um ambiente familiar positivo geralmente passam pela adolescência sem 
problemas graves e, quando adultos, têm relacionamentos estáveis e uma vida 
bem ajustada. 
A adolescência pode ser uma época desafiadora tanto para os jovens 
quanto para os pais. O conflito familiar, a depressão e os comportamentos de 
risco são mais comuns nessa fase do que em outras fases da vida. O conflito 
familiar pode ser um fator significativo de estresse emocional. As emoções 
negativas e as variações de humor tendem a ser mais intensas no início da 
adolescência, mas se estabilizam no final. Reconhecer que a adolescência pode 
ser tumultuada pode ajudar os pais, cuidadores e profissionais a 
compreenderem os comportamentos de experimentação e lidarem com eles. 
Durante a adolescência, ocorre um processo chamado de individuação, 
que começa na primeira infância e se estende ao longo de toda a adolescência. 
Esse processo envolve a busca pela autonomia, diferenciação e identidade 
pessoal. Conflitos familiares são comuns nesse processo, mas momentos de 
conflito também podem auxiliar na busca da identidade. 
Os relacionamentos com os pares desempenham um papel fundamental 
na vida dos adolescentes. Os amigos são fonte de afeto, apoio, compreensão e 
orientação moral. Através das interações com os pares, os adolescentes 
desenvolvem autonomia e independência em relação aos pais e experimentam 
relacionamentos íntimos que servem como preparação para a intimidade adulta. 
Durante a adolescência, as interações se tornam mais diversificadas, e os 
grupos de amigos e panelinhas se tornam mais comuns e importantes. A 
influência dos pares atinge seu ápice por volta dos 12 e 13 anos e diminui à 
medida que a adolescência avança. Alguns adolescentes populares podem 
envolver-se em comportamentos antissociais para demonstrar independência 
 
 
das regras parentais. 
A intensidade, a importância das amizades e o tempo gasto com os 
amigos podem ser maiores na adolescência do que em qualquer outra fase da 
vida. A amizade íntima dos adolescentes reflete seu desenvolvimento cognitivo e 
emocional. Os adolescentes são mais capazes de expressar seus pensamentos 
e sentimentos pessoais e considerar o ponto de vista dos outros. 
Os adolescentes que têm amizades íntimas tendem a ter uma visão 
positiva de si mesmos, bom desempenho escolar, habilidades sociais 
desenvolvidas e menor propensão a hostilidade, ansiedade ou depressão. 
Mídias sociais e interações eletrônicas têm um impacto significativo na vida dos 
adolescentes. 
Como mencionado anteriormente, a grande maioria dos adolescentes usa 
a internet e as redes sociais para se conectar e se comunicar com os amigos 
diariamente. No entanto, o uso excessivo e inadequado dessas tecnologias pode 
ter efeitos negativos na saúde física, qualidade de vida e relacionamentos 
familiares. Estudos indicam que o uso excessivo de mensagens instantâneas e 
videogames está associado a um maior risco de depressão entre os 
adolescentes. 
A exposição excessiva à televisão tem sido associada à obesidade, 
problemas socioemocionais e baixa autoestima. Além disso, algumas pessoas 
podem desenvolver um vício na internet, o que pode afetar negativamente seu 
funcionamento diário, relacionamentos e bem-estar geral. No que diz respeito 
aos relacionamentos amorosos, eles se tornam cada vez mais importantes à 
medida que os adolescentes entram na puberdade. 
Os adolescentes passam a pensar e interagir com pessoas do sexo 
oposto e experimentam um aumento na intensidade e intimidade dos 
relacionamentos ao longo da adolescência. Por volta dos 16 anos, os 
adolescentes tendem a pensar mais em seus parceiros amorosos do que nos 
pais, amigos ou irmãos. É interessante notar que os amigos do sexo oposto 
raramente se tornam parceiros românticos, e os parceiros em relacionamentos 
amorosos geralmente vêm de diferentes redes de amizade. 
No início da adolescência, os adolescentes podem considerar como um 
relacionamento afetará sua posição no grupo de amigos, mas no decorrer da 
adolescência, eles tendem a ter pelo menos um parceiro exclusivo que dura 
 
 
vários meses a cerca de um ano. A importância da posição entre os amigos 
geralmente se torna menos importante nessa fase. 
No final da adolescência e início da vida adulta, os relacionamentos 
amorosos começam a atender a uma ampla gama de necessidades emocionais 
em relacionamentos relativamente duradouros. Os relacionamentos com os pais 
também desempenham um papel importante na qualidade dos relacionamentos 
amorosos dos adolescentes. 
Aqueles que têm bons relacionamentos com os pais geralmente 
apresentam maior autoestima e relacionamentos de melhor qualidade. Por outro 
lado, o divórcio dos pais e o conflito conjugal estão associadosa 
relacionamentos de pior qualidade na adolescência, expressos através de baixo 
comprometimento e alto conflito. 
No que diz respeito ao comportamento antissocial e delinquência juvenil, 
sabe-se que fatores genéticos influenciam cerca de 40 a 50% da variação no 
comportamento antissocial dentro de uma população. No entanto, os genes 
sozinhos não são responsáveis pelo comportamento antissocial, pois influências 
ambientais, como família, amigos e escola, afetam a expressão genética. 
Déficits neurobiológicos também podem contribuir para o comportamento 
antissocial, como a incapacidade de reconhecer sinais de alerta para frear o 
comportamento impulsivo ou imprudente. Crianças com déficit de atenção e 
hiperatividade têm um maior risco de desenvolver transtorno de conduta. A 
idade em que o comportamento antissocial tem início é um fator importante. 
O início precoce, por volta dos 11 anos, tende a levar a delinquência 
juvenil crônica na adolescência, enquanto o início tardio, após a puberdade, 
tende a ser mais temporário e menos grave. Os adolescentes antissociais 
tendem a se associar com outros adolescentes antissociais, e suas interações 
mútuas podem aumentar o comportamento antissocial. As circunstâncias 
econômicas familiares também têm influência no desenvolvimento do 
comportamento antissocial. 
Crianças cujas famílias passam por períodos de pobreza têm maior 
probabilidade de apresentar comportamentos delinquentes quando suas famílias 
estão com menos recursos financeiros. Além disso, a exposição à violência na 
comunidade e o viver em locais perigosos são fatores que aumentam o risco de 
comportamentos antissociais no futuro. 
 
 
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VYGOTSKY, Lev S. A Formação Social da Mente: O Desenvolvimento dos 
Processos Psicológicos Superiores. São Paulo: Martins Fontes, 2007.protetor contra infecções. Essa substância seca e é 
absorvida nos primeiros dias após o nascimento. 
Antes do nascimento, a circulação sanguínea, a respiração, a nutrição, a 
eliminação de resíduos e a regulação da temperatura são realizadas através do 
corpo da mãe. No entanto, após o nascimento, todos os sistemas e funções do 
bebê devem operar de forma independente. Essa transição ocorre 
aproximadamente seis horas após o parto. 
O desenvolvimento físico do bebê segue dois princípios fundamentais. O 
primeiro é o princípio cefalocaudal, que indica que o crescimento ocorre de cima 
para baixo. Durante os estágios iniciais, a cabeça do recém-nascido é 
desproporcionalmente maior devido ao rápido crescimento do cérebro. 
Conforme a criança cresce, essa desproporção diminui e as partes inferiores do 
corpo se desenvolvem proporcionalmente. O segundo princípio é o próximo-
distal, que indica que o crescimento e o desenvolvimento ocorrem do centro do 
corpo em direção às extremidades. 
No útero, a cabeça e o tronco se desenvolvem antes dos braços e das 
pernas. À medida que a criança cresce, ela aprende a usar as partes superiores 
do corpo antes de dominar as inferiores. Por exemplo, o bebê aprende a 
controlar os braços antes de usar as pernas para caminhar e adquire o controle 
da cabeça antes de aprender a sentar-se sozinho. É importante ressaltar que o 
crescimento e o desenvolvimento do bebê são influenciados por fatores 
genéticos e ambientais. 
Os genes herdados desempenham um papel na determinação da altura, 
do peso e de outras características físicas da criança. No entanto, esses fatores 
genéticos interagem com influências ambientais, como a nutrição e as condições 
de vida, que também desempenham um papel significativo no desenvolvimento 
físico. 
 
 
Nos últimos anos, tem-se observado que crianças em países 
desenvolvidos tendem a ser mais altas e amadurecem mais cedo do que as 
crianças de um século atrás. Isso é atribuído, em grande parte, a melhorias na 
nutrição, nas condições sanitárias e na assistência médica. O desenvolvimento 
do cérebro é uma parte essencial do desenvolvimento físico e ocorre de forma 
gradual ao longo da infância. 
Ao nascer, o cérebro do bebê possui apenas uma fração do seu volume 
adulto, e seu crescimento continua até a idade adulta. Durante o 
desenvolvimento cerebral, ocorrem surtos de crescimento em diferentes 
momentos, nos quais partes específicas do cérebro crescem mais rapidamente, 
refletindo o refinamento e a especialização das funções cerebrais. 
 
CAPACIDADES SENSORIAIS INICIAIS E DESENVOLVIMENTO 
MOTOR NO BEBÊ 
 
Nos primeiros meses de vida, o desenvolvimento do bebê é marcado por 
uma rápida evolução das capacidades sensoriais, permitindo que ele comece a 
compreender o mundo ao seu redor por meio do tato, visão, audição, olfato e 
paladar. Cada um desses sentidos desempenha um papel fundamental no 
desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. 
O tato é o primeiro sentido a se desenvolver, e nos primeiros meses de 
vida, é o sistema sensorial mais maduro. O bebê pode sentir o toque suave da 
mão dos pais, o aconchego de um abraço e até mesmo a sensação de cócegas. 
Essas experiências táteis desempenham um papel crucial no conforto e na 
comunicação com o bebê. 
Ainda falando sobre sensações, é importante destacar que os recém-
nascidos realmente sentem dor. Eles podem reagir com choro e desconforto 
quando submetidos a procedimentos dolorosos, como vacinações. No entanto, o 
contato físico, como abraçar e segurar o bebê, pode aliviar essa sensação de 
dor e proporcionar conforto. 
O olfato e o paladar também começam a se desenvolver no útero. Os 
bebês são capazes de detectar os sabores dos alimentos que a mãe consome, 
tanto através do líquido amniótico quanto do leite materno. Essa exposição 
 
 
precoce aos diferentes sabores pode influenciar as preferências alimentares do 
bebê ao longo do tempo. Introduzir uma variedade de sabores na dieta da 
criança durante a primeira infância pode levar a uma maior aceitação de 
alimentos na segunda infância. 
A audição é outro sentido crucial para o bebê. Desde os primeiros dias de 
vida, os bebês são capazes de reconhecer palavras que ouviram anteriormente 
e, com o tempo, desenvolvem a capacidade de distinguir sons semelhantes, 
como «ba» e «pa». Por volta dos 4 meses de idade, o cérebro do bebê começa 
a responder à fala e eles podem identificar músicas familiares. A visão, por sua 
vez, é o sentido menos desenvolvido quando o bebê nasce. Os olhos do bebê 
são proporcionalmente menores em relação aos dos adultos, e suas estruturas 
visuais estão em processo de desenvolvimento. 
O campo de visão periférica é inicialmente estreito, mas se expande 
significativamente nas primeiras semanas e já está bem desenvolvido no terceiro 
mês. Desde o início, os bebês têm uma preferência por olhar para rostos 
humanos e, entre 4 e 8 meses, demonstram interesse em observar a boca, à 
medida que começam a aprender sobre a linguagem. 
Conforme o bebê cresce, o desenvolvimento motor se torna uma parte 
essencial do seu desenvolvimento. Os marcos motores são conquistas 
progressivas que preparam a criança para adquirir habilidades mais complexas. 
O bebê começa aprendendo habilidades motoras simples, como segurar 
objetos, e, gradualmente, avança para habilidades mais avançadas, como o 
movimento de pinça, utilizando o polegar e o indicador para agarrar objetos. 
É importante destacar que, aos 3 anos de idade, é recomendado realizar 
um teste de visão para detectar possíveis problemas oftalmológicos. Os 
consultórios médicos possuem materiais adequados para essa faixa etária, 
substituindo os números por desenhos para avaliar a acuidade visual da criança. 
À medida que o bebê cresce e explora o mundo ao seu redor, as 
capacidades sensoriais e o desenvolvimento motor desempenham um papel 
fundamental em sua jornada de aprendizado e crescimento. Estimular e 
proporcionar experiências enriquecedoras em todas essas áreas contribuirá para 
o desenvolvimento saudável e integral da criança. 
 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO MOTOR E PERCEPÇÃO NO BEBÊ 
 
O desenvolvimento motor e a percepção sensorial desempenham um 
papel crucial no crescimento e na interação do bebê com seu ambiente. Ao 
longo dos primeiros meses e anos de vida, o bebê atinge marcos importantes 
que refletem sua progressão no controle da cabeça, das mãos e na locomoção. 
Quando nascem, a maioria dos bebês consegue virar a cabeça de um 
lado para o outro enquanto está deitado de costas. Quando colocados de 
bruços, muitos bebês levantam a cabeça para conseguir virá-la. Por volta dos 
quatro meses de idade, quase todos os bebês são capazes de manter a cabeça 
ereta quando são segurados ou apoiados em posição sentada. 
 
Figura 2 – Desenvolvimento motor da criança 
 
 Fonte: jornal.usp.br, 2024. 
 
O controle da mão também se desenvolve ao longo dos primeiros meses. 
 
 
Por volta dos 3 meses e meio de idade, a maioria dos bebês consegue agarrar 
um objeto de tamanho moderado, como um chocalho. Entre os 7 e 11 meses, as 
mãos se tornam mais coordenadas, permitindo que o bebê pegue objetos 
pequenos com a técnica da pinça. 
Por volta dos 15 meses, o bebê já é capaz de montar uma torre com 
cubos, demonstrando maior destreza manual. No que diz respeito à locomoção, 
por volta dos 6 meses, o bebê adquire a habilidade de sentar-se sozinho, e aos 
8 meses, já é capaz de manter-se sentado sem apoio. 
Entre os 6 e 10 meses, o bebê começa a engatinhar, um marco 
importante que auxilia na avaliação de distâncias e na percepção de 
profundidade. Por volta dos 7 meses, o bebê consegue ficar de pé com algum 
apoio ou segurando na mão de alguém, e por volta dos 11 meses, já é capaz de 
ficar de pé sozinho, sem apoio. 
Pouco tempo depois de ficar de pé sozinho, a maioria das crianças dá seu 
primeiro passo sem precisarde ajuda, marcando o início do desenvolvimento da 
marcha. Além do desenvolvimento motor, a percepção sensorial também 
desempenha um papel fundamental na exploração do ambiente pelo bebê. Por 
volta dos 4 ou 5 meses, os bebês começam a demonstrar interesse em pegar 
objetos, embora ainda não o façam de maneira perfeita. 
Durante muito tempo, os pesquisadores acreditavam que os bebês não 
conseguiram aprimorar esse movimento porque ainda não tinham orientação 
visual. No entanto, estudos mais recentes mostraram que os bebês conseguem 
alcançar objetos mesmo no escuro, utilizando a memória e outros sentidos para 
auxiliá-los nessa tarefa. 
Por volta dos 5 a 7 meses, os bebês começam a aplicar o sentido do tato 
de forma mais eficaz para explorar os objetos ao seu redor. Essa habilidade 
crescente permite que eles tenham uma compreensão mais completa do 
ambiente e desenvolvam uma maior percepção espacial. 
O desenvolvimento motor e a percepção sensorial estão intrinsecamente 
ligados, permitindo que o bebê aprenda sobre si mesmo e sobre o mundo ao 
seu redor. Estimular e oferecer oportunidades de exploração nesses aspectos 
contribui para um desenvolvimento saudável e integral da criança, preparando-a 
para as próximas etapas emocionantes de seu crescimento. 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO COGNITIVO 
 
Como os bebês aprendem a resolver problemas? Quando a memória se 
desenvolve? Como explicar as diferenças individuais nas habilidades cognitivas? 
Podemos prever o quanto um bebê será inteligente no futuro? Essas são 
questões fundamentais no estudo do desenvolvimento infantil, e diferentes 
abordagens têm sido utilizadas para compreendê-las. 
A abordagem behaviorista tem como objetivo entender como o 
comportamento dos bebês muda em resposta à experiência. Os behavioristas 
investigam os mecanismos básicos da aprendizagem, como o condicionamento 
clássico e operante. Enquanto o condicionamento clássico se concentra na 
previsão de eventos, o condicionamento operante analisa as consequências do 
comportamento. 
Os bebês são capazes de aprender a associar estímulos e consequências 
desde cedo, e seus comportamentos tendem a persistir com base na exposição 
aos estímulos e nas consequências que recebem. A abordagem psicométrica se 
concentra em medir diferenças quantitativas nas habilidades cognitivas que 
compõem a inteligência. Essa abordagem utiliza testes de desenvolvimento e de 
inteligência para avaliar habilidades como adquirir, lembrar e utilizar 
conhecimento, compreender conceitos e resolver problemas. 
No entanto, é importante notar que a medição da inteligência em bebês é 
um desafio, pois os testes tradicionais de inteligência geralmente são aplicados 
em crianças em idade escolar. Testar bebês envolve observar suas capacidades 
e limitações, mas também levar em consideração que eles podem não realizar 
determinadas atividades devido a diversos fatores, como falta de interesse, falta 
de compreensão ou simplesmente por escolha própria. 
Portanto, a previsão do quão inteligente um bebê será no futuro é 
praticamente impossível. No entanto, existem escalas de desenvolvimento que 
permitem detectar possíveis déficits sensoriais, neurológicos e ambientais desde 
cedo. Por exemplo, as Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil são testes 
padronizados que avaliam o desenvolvimento mental e motor de bebês e 
crianças até 3 anos. 
Além disso, o Inventário HOME de Observação Doméstica é um 
instrumento utilizado para medir a influência do ambiente doméstico no 
 
 
desenvolvimento cognitivo da criança. Outras abordagens, como a piagetiana, a 
do processamento da informação e a da neurociência cognitiva, também têm 
contribuído para o entendimento do desenvolvimento cognitivo na infância. 
A abordagem piagetiana enfoca as mudanças qualitativas no 
funcionamento cognitivo, buscando compreender como a mente estrutura suas 
atividades e se adapta ao ambiente. A abordagem do processamento da 
informação investiga como as crianças processam as informações desde o 
momento em que as recebem até o uso delas. Já a abordagem da neurociência 
cognitiva busca identificar quais estruturas cerebrais estão envolvidas em 
aspectos específicos da cognição. 
Por fim, a abordagem sociocontextual enfatiza os efeitos dos aspectos 
ambientais, como o papel dos pais e cuidadores, nos processos de 
aprendizagem. 
No primeiro subestágio (0 a 1 mês), os bebês exibem comportamentos 
reflexos e começam a desenvolver a noção de que suas ações podem ter um 
efeito no ambiente. Eles demonstram ações repetitivas, como sugar e agarrar 
objetos próximos. 
No segundo subestágio (1 a 4 meses), os bebês começam a explorar o 
ambiente por meio dos sentidos. Eles direcionam sua atenção para estímulos 
visuais, auditivos e táteis, e demonstram interesse em objetos que se movem. 
No terceiro subestágio (4 a 8 meses), os bebês começam a desenvolver a 
noção de causalidade. Eles percebem que suas ações podem causar efeitos 
específicos no ambiente. Por exemplo, eles podem bater em um brinquedo para 
fazer barulho. 
No quarto subestágio (8 a 12 meses), os bebês adquirem a capacidade 
de coordenar ações para alcançar um objetivo específico. Eles podem realizar 
ações intencionais, como empurrar um objeto para alcançar outro objeto 
desejado. 
No quinto subestágio (12 a 18 meses), os bebês começam a desenvolver 
a capacidade de representar mentalmente objetos ausentes. Eles demonstram 
comportamentos simbólicos, como brincar de «faz de conta» usando objetos 
imaginários. 
No sexto subestágio (18 a 24 meses), os bebês desenvolvem a 
capacidade de usar símbolos e linguagem para representar objetos e eventos. 
 
 
Eles começam a formar palavras e frases simples, demonstrando um aumento 
significativo na capacidade de comunicação e expressão. 
A abordagem piagetiana enfatiza que o desenvolvimento cognitivo ocorre 
por meio de interações ativas entre os bebês e seu ambiente. À medida que os 
bebês passam pelos estágios sensório-motores, eles adquirem 
progressivamente habilidades cognitivas mais avançadas, como o pensamento 
simbólico e a resolução de problemas. É importante ressaltar que cada criança 
progride em seu próprio ritmo e pode apresentar variações individuais no 
desenvolvimento cognitivo. 
Fatores genéticos, ambientais e de estimulação desempenham um papel 
importante nas diferenças individuais nas habilidades cognitivas. Portanto, é 
difícil fazer previsões precisas sobre a inteligência futura de um bebê, uma vez 
que o desenvolvimento cognitivo é influenciado por uma ampla gama de fatores. 
Na abordagem do processamento da informação, os pesquisadores 
analisam as diferentes etapas envolvidas em uma tarefa para compreender 
quais habilidades são necessárias em cada uma delas e em que idade essas 
habilidades se desenvolvem. 
Durante o primeiro ano de vida, a velocidade de processamento aumenta 
rapidamente. A criança se torna capaz de distinguir informações novas e 
aprimorar sua capacidade de formar e obter imagens mentais. Os bebês que 
conseguem rapidamente deslocar a atenção de uma imagem para outra tendem 
a ter uma melhor memória de reconhecimento e uma preferência por novidade 
mais pronunciada. 
Os pesquisadores também investigam o desenvolvimento da atenção. 
Nos primeiros meses de vida, os bebês tendem a olhar por mais tempo para 
imagens novas. Entre 4 e 8 meses, o tempo de visão diminui à medida que os 
bebês aprendem a examinar objetos de forma mais eficiente e a deslocar a 
atenção mais rapidamente. Bebês que observam estímulos por menos tempo 
demonstram melhor memória posteriormente e têm um melhor controle 
executivo na segunda infância. Entre 10 e 11 meses, os bebês começam a 
acompanhar o olhar dos adultos, o que auxilia no desenvolvimento do 
vocabulário aos 18 meses, 2 anos e 2 anos e meio. 
Na abordagem da neurociência cognitiva, os pesquisadores examinam os 
aspectosfísicos do sistema nervoso central para identificar quais estruturas 
 
 
cerebrais estão envolvidas em diferentes aspectos da cognição. Assim, estudam 
as evidências físicas da memória, tanto implícita quanto explícita. A memória 
implícita envolve recordações inconscientes de hábitos e habilidades, como 
amarrar os cadarços, e parece se desenvolver cedo. Já a memória explícita é 
intencional e consciente, geralmente relacionada a nomes, fatos e eventos. No 
entanto, como os bebês ainda não sabem falar, essa memória explícita não 
pode ser declarada nessa fase. 
Na abordagem sociocontextual, os pesquisadores exploram como o 
contexto cultural influencia as primeiras interações sociais, que podem promover 
a competência cognitiva. Um conceito importante é o da participação guiada, 
que envolve as interações com adultos que ajudam a estruturar as atividades da 
criança. Essa participação guiada ocorre principalmente durante brincadeiras e 
nas atividades cotidianas. Nessa abordagem, é possível observar como os 
bebês adquirem a linguagem, como o desenvolvimento do cérebro está 
relacionado ao desenvolvimento da linguagem e como os cuidadores contribuem 
para esse processo. 
 
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL 
 
A combinação de emoções, temperamento, pensamento e 
comportamento é o que torna cada pessoa única e resulta em diferentes 
personalidades. Embora os bebês sigam padrões de desenvolvimento 
semelhantes, a personalidade é o que os torna indivíduos únicos. A partir da 
primeira infância, a personalidade se entrelaça com as relações sociais, 
formando o que é conhecido como desenvolvimento psicossocial. 
Ao estudar o desenvolvimento psicossocial, primeiro analisamos as 
emoções, em seguida o temperamento e, por último, as experiências sociais da 
criança na família e como os pais influenciam seu comportamento. Os primeiros 
sinais de emoção aparecem nos bebês. Durante o primeiro mês, eles choram 
quando estão infelizes e se acalmam ao ouvirem uma voz humana ou quando 
são acolhidos no colo. 
Conforme o tempo passa, os bebês começam a exibir mais expressões 
emocionais, o que são indicativos importantes de seu desenvolvimento. O choro 
 
 
é a principal forma de comunicação usada pelos bebês para expressar suas 
necessidades e é considerado um sinal genuíno de carência. Os pais aprendem 
a reconhecer se o bebê está chorando de fome, raiva, frustração ou dor. 
Os primeiros sorrisos ocorrem espontaneamente logo após o nascimento 
e são resultados da atividade do sistema nervoso subcortical. Esses sorrisos 
involuntários são frequentes durante os períodos de sono REM. O sorriso social 
se desenvolve por volta do segundo mês de vida, quando os bebês começam a 
olhar e sorrir para seus pais. A risada, uma vocalização associada ao sorriso, 
torna-se mais comum entre os 4 e 12 meses. 
A partir dos 12 meses, os bebês passam a se comunicar intencionalmente 
com os outros, incluindo objetos. Processos afetivos positivos são recíprocos. 
Mães com baixo nível de estresse tendem a ter bebês que sorriem e riem com 
mais frequência. O desenvolvimento emocional segue uma ordem, onde 
emoções mais complexas se desenvolvem a partir de emoções mais simples. 
De acordo com Lewis (1997), o bebê demonstra sinais de contentamento, 
interesse e aflição logo após o nascimento. Nos próximos 6 meses, esses 
estados emocionais iniciais se diferenciam em emoções verdadeiras, como 
alegria, surpresa, tristeza, repugnância e, posteriormente, raiva e medo. 
As emoções autoconscientes surgem quando a criança já tem uma 
compreensão cognitiva de que possui uma identidade reconhecível, separada e 
diferente do resto do mundo. Isso ocorre por volta dos 15 a 24 meses. Algumas 
emoções autoconscientes incluem constrangimento, empatia e inveja. 
Por volta dos 3 anos, a criança se torna capaz de avaliar seus próprios 
pensamentos, planos, desejos e comportamentos em relação ao que é 
socialmente apropriado. Bebês de 1, 3, 6 e 9 meses apresentam suas primeiras 
reações empáticas. Eles respondem ao choro de outros bebês com expressões 
faciais de aflição e até mesmo com seu próprio choro. 
O temperamento é uma característica individual que varia de bebê para 
bebê. Alguns são agitados, enquanto outros são felizes e contentes. Alguns são 
ativos e inquietos, enquanto outros são mais relaxados. Além disso, alguns 
bebês têm facilidade em se relacionar com novas pessoas, enquanto outros 
podem apresentar uma tendência a evitar o contato. Essas diferenças 
individuais iniciais são conhecidas como temperamento. 
O temperamento influencia a forma como a criança reage ao mundo 
 
 
exterior e como regula suas funções mentais, emocionais e comportamentais. 
Embora as habilidades dos bebês possam mudar significativamente, o 
temperamento tende a se manter estável dos 2 aos 13 meses de idade. Um 
estudo realizado em Nova York com 133 bebês, acompanhados até a idade 
adulta, conseguiu agrupar a maioria das crianças em apenas três categorias de 
temperamento: 
1. Crianças fáceis: Essas crianças têm um temperamento alegre, ritmos 
biológicos regulares e estão dispostas a aceitar novas experiências. Elas 
geralmente têm uma disposição positiva, respondem bem a novidades e 
mudanças, estabelecem rapidamente horários regulares de sono e alimentação, 
e tendem a sorrir para estranhos. 
2. Crianças difíceis: Essas crianças têm um temperamento irritadiço, 
ritmos biológicos irregulares e respostas emocionais intensas. Elas choram com 
frequência e intensidade, têm dificuldade em se adaptar a mudanças e a novas 
situações, apresentam padrões irregulares de sono e alimentação, demoram a 
aceitar novos alimentos e podem demonstrar desconfiança em relação a 
estranhos. 
3. Crianças de aquecimento lento: Essas crianças têm um temperamento 
moderado, mas podem hesitar em aceitar novas experiências. Elas apresentam 
reações tanto positivas quanto negativas, respondem mais lentamente a 
mudanças, têm padrões intermediários de sono e alimentação e sua primeira 
reação a algo novo tende a ser negativa. 
Essas categorias de temperamento fornecem uma maneira de entender 
as diferentes características e comportamentos dos bebês. É importante lembrar 
que o temperamento não é fixo e pode ser influenciado por fatores ambientais e 
experiências ao longo do tempo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEGUNDA INFÂNCIA 
 
A segunda infância é o período que abrange aproximadamente dos 3 aos 
6 anos de idade. Também conhecida como pré-escolar, essa fase é marcada 
por uma série de mudanças significativas na criança, tanto em termos físicos 
como emocionais, cognitivos e sociais. 
Durante esse período, as crianças se tornam mais independentes, 
adquirem habilidades motoras mais refinadas, aprimoram suas habilidades 
linguísticas e exploram ativamente o mundo ao seu redor. Uma das 
características centrais da segunda infância é o rápido desenvolvimento da 
linguagem e da comunicação. 
As crianças nessa faixa etária passam por um surto de vocabulário e 
começam a construir frases mais complexas. Isso lhes permite expressar suas 
necessidades, desejos e emoções com maior facilidade, além de promover 
interações mais sofisticadas com os outros. 
Além disso, a segunda infância é uma época em que as crianças 
começam a desenvolver habilidades sociais e emocionais mais avançadas. Elas 
aprendem a compartilhar, cooperar e interagir com seus pares de maneira mais 
complexa. Também começam a entender melhor as emoções, tanto as suas 
próprias como as dos outros, o que facilita a empatia e a compreensão 
emocional. 
 
 
 
No aspecto cognitivo, a segunda infância é marcada por um crescimento 
considerável nas habilidades de raciocínio e resolução de problemas. As 
crianças se tornam mais capazes de pensar de forma lógica, fazer associações 
Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, a 
professora fala resumidamente sobreo Desenvolvimento físico, cognitivo, 
motor e psicossocial na segunda infância. 
Desenvolvimento físico, cognitivo, motor e psicossocial na segunda 
infância. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=_kS3ECrV_cU. 
Acesso em 26 de fev de 2024. 
https://www.youtube.com/watch?v=_kS3ECrV_cU
 
 
e compreender conceitos abstratos. Esse avanço cognitivo é essencial para o 
seu desenvolvimento acadêmico posterior, à medida que se preparam para 
entrar na escola formal. 
É importante destacar que, durante a segunda infância, a influência dos 
pais e cuidadores continua sendo fundamental. Eles desempenham um papel 
crucial na promoção do desenvolvimento saudável da criança, fornecendo um 
ambiente seguro, amoroso e estimulante. 
O apoio emocional, a interação positiva e o estímulo às habilidades 
motoras, cognitivas e sociais são essenciais para um desenvolvimento 
equilibrado nessa fase. 
Em resumo, a segunda infância é um período de grandes transformações 
e progresso na vida de uma criança. É um momento em que suas habilidades e 
competências se expandem, permitindo-lhes explorar o mundo e interagir com 
os outros de maneira mais sofisticada. É fundamental oferecer suporte e 
estímulo adequados para garantir um desenvolvimento saudável e bem-
sucedido nessa fase tão importante da vida. 
 
DESENVOLVIMENTO FÍSICO E COGNITIVO 
 
Em termos de crescimento físico, as crianças na segunda infância tendem 
a emagrecer e crescer rapidamente. Elas também precisam dormir menos do 
que antes e têm maiores chances de desenvolver distúrbios do sono. No 
entanto, também melhoram sua capacidade de correr, saltar, pular e jogar bola. 
Além disso, tornam-se melhores em habilidades como amarrar cadarços e 
desenhar com lápis de cor, além de começarem a demonstrar preferência por 
usar a mão direita ou esquerda. 
Durante os anos de 3 a 6, as crianças experimentam crescimento e 
alterações corporais significativas. Elas perdem a forma roliça característica dos 
bebês e adquirem uma aparência mais esguia e atlética da infância. Os 
músculos abdominais se desenvolvem, fortalecendo a barriga que costumava 
ser grande nos primeiros anos. O tronco, os braços e as pernas ficam mais 
longos, enquanto a cabeça ainda é relativamente grande, formando uma 
proporção corporal mais equilibrada. 
 
 
No que diz respeito aos padrões e distúrbios do sono, aos 5 anos, a 
maioria das crianças dorme em média 11 horas por dia e não faz mais cochilos 
durante o dia. No entanto, distúrbios do sono, como terror noturno, caminhar e 
falar durante o sono, pesadelos e enurese noturna (urinar na cama), ainda 
podem ocorrer nessa fase. Esses distúrbios podem ser causados por diferentes 
fatores, como o desenvolvimento do sistema motor do cérebro, despertares 
durante o sono profundo, respiração desordenada, ansiedade de separação, 
anormalidades nasais e sobrepeso. O desenvolvimento cerebral também é um 
aspecto importante nessa idade. 
Dos 3 aos 6 anos, o crescimento mais rápido ocorre nas áreas frontais do 
cérebro, responsáveis pelo planejamento e estabelecimento de metas. Aos 6 
anos, o cérebro já alcançou aproximadamente 90% de seu volume máximo. Dos 
6 aos 11 anos, ocorre um crescimento acelerado em áreas relacionadas ao 
pensamento associativo, linguagem e relações espaciais. 
Em relação às habilidades motoras, as crianças em idade escolar têm 
avanços significativos nas habilidades motoras grossas, como correr e saltar, 
que envolvem os grandes músculos. Essas habilidades motoras desenvolvidas 
na segunda infância são fundamentais para o envolvimento em esportes, dança 
e outras atividades que frequentemente começam na terceira infância. 
A coordenação motora está associada aos níveis de atividade física 
durante a infância e a adolescência. A falta de coordenação motora está 
relacionada a um maior risco de obesidade ou sobrepeso em crianças. 
É importante destacar que crianças com menos de 6 anos raramente 
estão preparadas para participar de esportes organizados, pois suas 
capacidades físicas e motoras ainda estão em desenvolvimento. Portanto, é 
recomendado que as crianças participem de brincadeiras livres, ativas e não 
estruturadas, onde o desenvolvimento físico pode florescer. 
As habilidades motoras finas, como abotoar a camisa e desenhar 
imagens, envolvem a coordenação olhos-mãos e dos pequenos músculos, 
permitindo que as crianças pequenas assumam mais responsabilidades por 
seus cuidados pessoais. 
Na segunda infância, estudado o estágio pré-operatório de Piaget, que 
ocorre aproximadamente dos 2 aos 7 anos de idade. Nesse estágio, as crianças 
são caracterizadas pelo uso do pensamento simbólico, porém ainda não estão 
 
 
preparadas para se envolver em operações mentais lógicas. 
Durante esse período, observa-se uma série de avanços e pontos 
imaturos que são importantes para compreender o desenvolvimento nessa fase. 
Um dos avanços mais significativos é o desenvolvimento do pensamento 
simbólico, que acompanha o entendimento de espaço, causalidade, identidade, 
categorização e número. Por exemplo, em idade pré-escolar, as crianças 
demonstram a função simbólica através da imitação e das brincadeiras de faz de 
conta. 
Além disso, por volta dos 5 anos de idade, elas já conseguem 
compreender mapas e maquetes, sendo capazes de seguir direções para 
encontrar objetos perdidos. Outro aspecto importante é a diferenciação entre 
fantasia e realidade. 
Entre 18 meses e 3 anos, as crianças aprendem a distinguir eventos reais 
de coisas imaginárias. Por exemplo, aos 3 anos de idade, elas já conseguem 
identificar a diferença entre um cachorro real e um cachorro em um sonho. Além 
disso, nessa faixa etária, as crianças desenvolvem a capacidade de fingir e 
reconhecer quando alguém está fingindo. 
Aos 4 anos, a maioria delas já é capaz de completar histórias usando a 
causalidade do mundo real, sem elementos fantasiosos. No que diz respeito ao 
processamento da informação, durante a segunda infância, as crianças 
apresentam melhorias na atenção, rapidez e eficiência no processamento de 
informações, além de começarem a formar memórias de longo prazo. 
Entre 2 e 5 anos, há um desenvolvimento das funções executivas, o que 
permite que as crianças criem e utilizem regras complexas para resolver 
problemas. Aos 4 e 5 anos, elas se destacam mais no reconhecimento do que 
na lembrança, ou seja, têm maior facilidade em identificar algo encontrado antes 
do que em reproduzir um conteúdo da memória. 
Na abordagem psicométrica e vygotskiana da inteligência, é possível 
observar algumas diferenças. Nos testes de inteligência para crianças de 3 a 5 
anos, é comum incluir mais itens verbais devido ao melhor desempenho 
linguístico nessa faixa etária. 
A pontuação do Quociente de Inteligência (QI) é uma medida que 
compara a capacidade da criança de realizar determinadas tarefas dentro de um 
tempo estabelecido em relação a outras crianças da mesma idade. Já de acordo 
 
 
com a teoria de Vygotsky, a aprendizagem ocorre por meio da interação com os 
adultos, na qual as crianças internalizam os resultados dessas interações. 
A aprendizagem interativa é considerada mais efetiva e auxilia as 
crianças a avançarem pela zona de desenvolvimento proximal. Testes dinâmicos 
são utilizados para avaliar essa zona, proporcionando medidas mais 
abrangentes em comparação aos testes psicométricos. Enfatizam o potencial de 
aprendizagem, no qual os examinadores podem ajudar as crianças com 
perguntas, exemplos, demonstrações e feedback, transformando o próprio teste 
em uma situação de aprendizagem. 
O desenvolvimento da linguagem é um aspecto crucial nessa fase. Entre 
3 e 6 anos, as crianças apresentam avanços rápidos no vocabulário, na 
gramática e na sintaxe. Aos 3 anos, elas já podem utilizar entre 900 e 1.000 
palavras. Aos 6 anos, o vocabulário pode chegar a 2.600 palavras, enquanto a 
compreensão passivaou receptiva (palavras que a criança entende) pode 
chegar a 20.000 palavras. 
Com a inclusão escolar, o vocabulário passivo aumenta 
significativamente, alcançando cerca de 80.000 palavras. Quanto à gramática e 
sintaxe, aos 3 anos, as crianças começam a utilizar plurais, possessivos e 
verbos no pretérito, além de compreenderem as diferenças entre pronomes 
como «eu», «você» e «nós». Elas também são capazes de fazer e responder 
perguntas sobre o quê e onde. 
Apesar desses avanços, as falas das crianças ainda são curtas, simples e 
declarativas. Entre 4 e 5 anos, as frases têm em média quatro a cinco palavras e 
podem ser declarativas, negativas, interrogativas ou imperativas. Dos 5 aos 7 
anos, a fala das crianças se assemelha cada vez mais à fala do adulto, embora 
ainda possam ocorrer erros relacionados ao aprendizado das regras e suas 
exceções. 
É importante destacar que cerca de 11% das crianças de 3 a 6 anos 
apresentam algum transtorno de comunicação, sendo os problemas de fala ou 
linguagem os mais comuns. Esses transtornos podem estar associados a 
problemas de audição, anormalidades na cabeça e na face, nascimento 
prematuro, histórico familiar, fatores socioeconômicos e outros atrasos no 
desenvolvimento. O diagnóstico e intervenção precoces são essenciais para 
auxiliar no desenvolvimento da linguagem e minimizar os impactos desses 
 
 
transtornos na vida da criança. 
 
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL 
 
Entre os 5 e 7 anos, ocorre uma mudança na autodefinição da criança, na 
forma como ela se descreve. Nessa idade, a criança é capaz de fazer 
associações lógicas entre dois aspectos de si mesma. Antes dessa idade, a 
criança é unidimensional em sua autodefinição, por exemplo, ela pode dizer «eu 
sou forte» ou «eu gosto de pizza», mas não consegue imaginar ter duas 
emoções ao mesmo tempo, como «eu corro bem rápido e subo bem alto e 
também sou forte». 
A autoestima, que é o julgamento que a pessoa faz sobre seu valor 
pessoal, não é expressada pelas crianças na segunda infância. Elas acreditam 
que são completamente boas ou completamente ruins. Somente a partir da 
terceira infância é que a autoestima se torna mais realista. 
O papel dos pais desempenha um papel importante na construção da 
autoestima das crianças. Crianças que acreditam que terão sucesso em uma 
atividade, como montar um quebra-cabeça, e têm confiança em sua capacidade 
de enfrentar desafios tendem a ter pais que elogiam seus esforços, não apenas 
suas habilidades inatas. 
A regulação emocional, ou seja, a capacidade de controlar ou regular os 
próprios sentimentos, é um avanço importante na segunda infância. A 
autorregulação emocional ajuda as crianças a guiar seu comportamento e 
ajustar suas respostas. 
Por exemplo, crianças que anteriormente não conseguiam esperar, agora 
conseguem se comportar de forma diferente, sendo melhores em atividades que 
exigem desacelerar intencionalmente, inibir comportamentos em um jogo ou 
prestar mais atenção. 
Por volta dos 5 anos, as crianças já são capazes de entender o impacto 
de suas ações sobre as emoções das outras pessoas. Elas percebem como as 
emoções se manifestam nas outras pessoas e entendem que relembrar algo que 
aconteceu pode trazer de volta aquela emoção. 
Na idade pré-escolar, elas já conseguem falar sobre seus próprios 
 
 
sentimentos e geralmente também sobre os sentimentos dos outros. 
Compreendem que as emoções estão ligadas a experiências e desejos. Ainda 
por volta dos 4 ou 5 anos, a maioria das crianças é capaz de reconhecer 
expressões faciais de alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa e nojo. Elas 
também conseguem perceber as posturas corporais relacionadas às emoções, 
como ombros caídos ou uma postura agressiva quando alguém está bravo. 
Em torno dos 7 anos, as crianças começam a entender que os estados 
mentais podem provocar emoções, ou seja, entendem que é possível sentir uma 
coisa e parecer outra. Elas também compreendem que as crenças de uma 
pessoa, mesmo que não sejam verdadeiras, podem afetar seu estado 
emocional. 
Aos 9 anos, as crianças começam a entender aspectos mais complexos 
das emoções, como o fato de que as situações podem ser vistas de múltiplos 
pontos de vista e que as pessoas podem ter emoções conflitantes, como ficar 
com raiva de uma pessoa e ainda amá-la. 
No que diz respeito às emoções direcionadas a si mesmas, por volta dos 
3 anos, as crianças começam a experimentar emoções como culpa, vergonha e 
orgulho. Essas emoções surgem à medida que a criança adquire consciência de 
si mesma e compreende os padrões de comportamento estabelecidos pelos 
pais. 
O brincar na infância também desempenha um papel importante. Um 
estudo de Mildred B. Parten identificou seis tipos de brincadeiras e observou 
que, à medida que a criança fica mais velha, suas brincadeiras tendem a se 
tornar mais sociáveis, interativas e cooperativas. No entanto, crianças de todas 
as idades se envolvem em todas as categorias do brincar. 
Um tipo de brincadeira comum na infância são os amigos imaginários. 
Esse fenômeno é normal e ocorre com frequência em filhos mais velhos e filhos 
únicos, sendo mais comum em meninas. Crianças com amigos imaginários têm 
a capacidade de distinguir claramente a fantasia da realidade. Elas brincam de 
forma mais imaginativa e cooperativa do que as outras crianças, têm mais 
amigos e apresentam melhor desempenho em tarefas relacionadas ao 
entendimento emocional. 
Segundo avaliação de professores, crianças com amigos imaginários 
demonstram mais discurso particular e contam histórias mais elaboradas sobre 
 
 
experiências sociais e histórias de livros. Além disso, apresentam melhor 
desempenho em atividades que envolvem fantasia e imaginação. 
Na segunda infância, surgem três comportamentos especiais que podem 
ser desafiadores tanto para os pais quanto para os profissionais que trabalham 
com essas crianças e cuidadores: altruísmo, controle da agressividade e os 
medos comuns entre os 3 e 6 anos. O altruísmo é a motivação em ajudar os 
outros sem expectativa de recompensa. Isso pode ser observado quando a 
criança ajuda um colega ou divide algo sem que seja solicitado. Antes de 
completar 2 anos, a criança já é capaz de dividir objetos e brinquedos e oferecer 
consolo a um coleguinha que está chorando. 
As crianças que são emocionalmente bem orientadas tendem a 
apresentar mais comportamentos altruístas entre os 3 e 4 anos. Isso ocorre 
especialmente em crianças que recebem afeto, vivem em ambientes não 
violentos e não são punidas de maneira inadequada. Aquelas que são mais 
receptivas ao ponto de vista dos outros são mais eficazes ao ajudar, cooperar e 
consolar os outros. 
No que diz respeito à agressividade, entre os 2 anos e meio e os 5 anos, 
é comum as crianças brigarem por brinquedos e espaço. Curiosamente, as 
crianças que mais brigam tendem a ser as mais sociáveis e competentes. À 
medida que a criança desenvolve maior autocontrole e habilidade para se 
expressar verbalmente, a agressão física tende a dar lugar à agressão verbal. 
O temperamento da criança pode influenciar esse comportamento, sendo 
que crianças muito emotivas e com baixo autocontrole tendem a expressar a 
raiva por meio da agressividade. O comportamento dos pais também influencia 
diretamente a agressividade da criança. Um apego inseguro e a falta de carinho 
e afeto materno na primeira infância podem predizer a agressividade na 
segunda infância. 
Outras causas para o surgimento da agressividade incluem clima familiar 
estressante e não estimulante, disciplina severa, falta de afeto materno e apoio 
social, disfunção familiar, exposição Um tipo de brincadeira comum na infância 
são os amigos imaginários. Esse fenômeno é normal e ocorre com frequência 
em filhos mais velhos e filhos únicos, sendo mais comum em meninas. 
Crianças com amigos imaginários têm a capacidade de distinguir 
claramentea fantasia da realidade. Elas brincam de forma mais imaginativa e 
 
 
cooperativa do que as outras crianças, têm mais amigos e apresentam melhor 
desempenho em tarefas relacionadas ao entendimento emocional. 
Segundo avaliação de professores, crianças com amigos imaginários 
demonstram mais discurso particular e contam histórias mais elaboradas sobre 
experiências sociais e histórias de livros. Além disso, apresentam melhor 
desempenho em atividades que envolvem fantasia e imaginação. 
Na segunda infância, surgem três comportamentos especiais que podem 
ser desafiadores tanto para os pais quanto para os profissionais que trabalham 
com essas crianças e cuidadores: altruísmo, controle da agressividade e os 
medos comuns entre os 3 e 6 anos. 
O altruísmo é a motivação em ajudar os outros sem expectativa de 
recompensa. Isso pode ser observado quando a criança ajuda um colega ou 
divide algo sem que seja solicitado. Antes de completar 2 anos, a criança já é 
capaz de dividir objetos e brinquedos e oferecer consolo a um coleguinha que 
está chorando. 
As crianças que são emocionalmente bem orientadas tendem a 
apresentar mais comportamentos altruístas entre os 3 e 4 anos. Isso ocorre 
especialmente em crianças que recebem afeto, vivem em ambientes não 
violentos e não são punidas de maneira inadequada. Aquelas que são mais 
receptivas ao ponto de vista dos outros são mais eficazes ao ajudar, cooperar e 
consolar os outros. 
No que diz respeito à agressividade, entre os 2 anos e meio e os 5 anos, 
é comum as crianças brigarem por brinquedos e espaço. Curiosamente, as 
crianças que mais brigam tendem a ser as mais sociáveis e competentes. À 
medida que a criança desenvolve maior autocontrole e habilidade para se 
expressar verbalmente, a agressão física tende a dar lugar à agressão verbal. 
O temperamento da criança pode influenciar esse comportamento, sendo 
que crianças muito emotivas e com baixo autocontrole tendem a expressar a 
raiva por meio da agressividade. O comportamento dos pais também influencia 
diretamente a agressividade da criança. Um apego inseguro e a falta de carinho 
e afeto materno na primeira infância podem predizer a agressividade na 
segunda infância. 
Outras causas para o surgimento da agressividade incluem clima familiar 
estressante e não estimulante, disciplina severa, falta de afeto materno e apoio 
 
 
social, disfunção familiar, exposição. 
 
TERCEIRA INFÂNCIA 
 
Durante a terceira infância, que compreende aproximadamente dos 6 aos 
12 anos de idade, ocorrem importantes avanços no desenvolvimento da criança 
em diversas áreas. Vamos explorar três aspectos fundamentais dessa fase: o 
desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento social e o desenvolvimento 
emocional. 
No que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, a terceira infância é 
caracterizada por um aumento significativo nas habilidades de pensamento 
abstrato, raciocínio lógico e resolução de problemas. A criança começa a 
desenvolver uma maior capacidade de pensar de forma sistemática e a 
compreender conceitos mais complexos. Além disso, ela aprimora suas 
habilidades de leitura, escrita e matemática, adquirindo um maior domínio das 
habilidades acadêmicas. 
 
Figura 3 – Desenvolvimento terceira infância 
 
Fonte: Google, 2024. 
 
 
 
 
 
No aspecto do desenvolvimento social, a terceira infância é marcada pelo 
aumento da interação social com os pares. As amizades se tornam mais 
importantes, e as crianças começam a desenvolver habilidades sociais mais 
refinadas, como negociação, cooperação e resolução de conflitos. Nessa fase, 
elas também começam a entender e a adotar as regras sociais e a formar uma 
identidade social, buscando pertencer a grupos e desenvolvendo uma noção de 
si mesmas em relação aos outros. 
Quanto ao desenvolvimento emocional, a terceira infância é caracterizada 
pelo desenvolvimento de uma maior capacidade de compreender e lidar com as 
próprias emoções. As crianças tornam-se mais conscientes de seus sentimentos 
e dos outros, aprendendo a expressar emoções de maneira mais adequada e a 
desenvolver empatia. Durante essa fase, elas também começam a formar uma 
imagem mais clara de si mesmas e a desenvolver uma autoestima baseada em 
conquistas e habilidades. 
Na terceira infância, é importante oferecer às crianças um ambiente 
seguro, estimulante e enriquecedor. Isso inclui fornecer oportunidades para 
explorar interesses pessoais, incentivar a curiosidade e a criatividade, e 
promover atividades que estimulem o pensamento crítico e a resolução de 
problemas. Além disso, é fundamental apoiar o desenvolvimento 
socioemocional, oferecendo orientação e apoio emocional, ensinando 
habilidades sociais e incentivando a empatia e a compreensão dos sentimentos 
dos outros. 
Em resumo, a terceira infância é um período de rápido crescimento e 
desenvolvimento em diversas áreas. As crianças expandem suas habilidades 
cognitivas, sociais e emocionais, adquirindo conhecimento e desenvolvendo 
uma maior compreensão de si mesmas e do mundo ao seu redor. O apoio dos 
adultos, juntamente com um ambiente favorável, desempenha um papel crucial 
para promover um desenvolvimento saudável e positivo durante essa fase tão 
importante da infância. 
 
 
 
 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO FÍSICO E COGNITIVO 
 
Durante a terceira infância, que compreende a faixa etária dos 6 aos 12 
anos, ocorrem importantes desenvolvimentos físicos e cognitivos nas crianças. 
Em relação ao crescimento físico, é observado um ritmo mais lento em 
comparação às fases anteriores. 
No entanto, ainda são visíveis as mudanças do dia a dia, e existe uma 
grande diferença entre uma criança de 6 anos, que ainda é pequena, e uma de 
11 anos, que, em muitos casos, começa a parecer um adulto. Durante esse 
período, as crianças crescem em média de 5 a 7,5 centímetros por ano e 
ganham aproximadamente o dobro de peso. 
Em termos de alimentação, é recomendado que as crianças em idade 
escolar, entre 9 e 13 anos, consumam de 1.400 a 2.600 calorias por dia. Os 
nutricionistas recomendam uma dieta variada, com uma quantidade significativa 
de grãos, frutas, vegetais e níveis adequados de carboidratos. No entanto, é 
comum que, à medida que as crianças crescem, elas tenham uma alimentação 
menos saudável. 
Cerca de 20% das crianças não tomam café da manhã, um hábito 
associado a um maior risco de obesidade. No que diz respeito ao sono, as 
necessidades diminuem de aproximadamente 12 horas e meia entre os 3 e 5 
anos para 10 horas por dia entre os 6 e 13 anos. No entanto, muitas crianças 
não conseguem dormir o suficiente, o que pode resultar em problemas 
relacionados ao sono. Diversos fatores podem atrapalhar o sono das crianças, 
como exposição excessiva a telas, falta de atividade física, tabagismo passivo, 
problemas de moradia e a presença de televisão no quarto. 
Na terceira infância, ocorrem avanços significativos no desenvolvimento 
cerebral. Mudanças na estrutura e no funcionamento do cérebro levam a um 
processamento mais rápido e eficiente de informações, bem como à capacidade 
de ignorar estímulos distratores. A parte do cérebro responsável pelo controle do 
movimento, tônus muscular, atenção e estados emocionais atinge o pico de 
desenvolvimento aos 7 anos e meio nas meninas e aos 10 anos nos meninos. 
A compreensão espacial atinge seu auge aos 11 anos, enquanto a 
linguagem alcança seu ponto máximo aos 14 anos. No âmbito do 
desenvolvimento motor e da atividade física, as habilidades motoras continuam 
 
 
a se aprimorar durante a terceira infância. Estudos mostram que a atividade 
física é extremamente benéfica para as crianças. 
Após um período de exercícios, como correr, pular e brincar, as crianças 
apresentam maior capacidade de concentração em sala de aula, tornam-se 
menos inquietas e apáticas, demonstram maior foco e concentração nas tarefas. 
Em termos do desenvolvimentocognitivo, seguindo a abordagem 
piagetiana, na terceira infância as crianças atingem o estágio operatório 
concreto. Nesse estágio, as crianças utilizam operações mentais para resolver 
problemas concretos e são capazes de pensar logicamente, levando em conta 
os vários aspectos de uma situação. A conquista desse estágio traz consigo 
importantes avanços cognitivos no desenvolvimento infantil. É importante 
ressaltar que cada criança se desenvolve em seu próprio ritmo, e as 
características descritas são gerais. 
Os aspectos físicos e cognitivos da terceira infância são fundamentais 
para o crescimento e preparação das crianças para as próximas fases da vida. 
De acordo com a abordagem do processamento da informação, durante os anos 
escolares, as crianças apresentam progresso nas capacidades de atenção, 
processamento e retenção de informações, planejamento e monitoramento de 
seu comportamento, tornando-se menos impulsivas. 
Esse desenvolvimento também contribui para o aprimoramento das 
funções executivas, que envolvem o controle consciente de pensamentos, 
emoções e ações visando alcançar objetivos ou resolver problemas. Nessa fase, 
as crianças também têm um entendimento melhor sobre o funcionamento da 
memória. 
Além do desenvolvimento físico do cérebro, as influências ambientais 
desempenham um papel importante. Por exemplo, a qualidade da parentalidade, 
o ambiente familiar, a sensibilidade e o apego materno podem influenciar o 
desenvolvimento das habilidades de funcionamento executivo. Crianças criadas 
em famílias desorganizadas e caóticas tendem a apresentar um nível menos 
avançado de funcionamento executivo. 
É importante mencionar que crianças com um bom desenvolvimento da 
linguagem demonstram um nível mais alto de funcionamento executivo, 
enquanto aquelas com atrasos na linguagem podem enfrentar dificuldades 
nesse aspecto. Em relação à atenção seletiva, as crianças em idade escolar são 
 
 
capazes de se concentrar por períodos mais longos em comparação com 
crianças mais novas e têm uma maior capacidade de eliminar estímulos 
distratores. No que diz respeito à memória de trabalho, ocorre um aumento 
significativo em sua eficiência durante a terceira infância. 
Entre os 6 e 10 anos de idade, há uma melhora na velocidade de 
processamento e na capacidade de armazenamento das informações. Na 
abordagem psicométrica, um dos testes individuais mais utilizados é a Escala de 
Inteligência Wechsler para Crianças, que mede habilidades verbais e de 
desempenho em crianças de 6 a 16 anos. 
O desenvolvimento da linguagem e da alfabetização também continua na 
terceira infância. As crianças em idade escolar são mais capazes de 
compreender e interpretar comunicações verbais e escritas, além de se 
expressarem de forma mais eficaz. 
No que se refere ao conhecimento sobre comunicação, a maioria das 
crianças de 6 anos consegue reproduzir a trama de um pequeno livro ou 
programa de televisão. Por volta dos 7 ou 8 anos, as histórias das crianças se 
tornam mais longas e complexas. 
A aquisição da habilidade de escrita ocorre simultaneamente ao 
desenvolvimento da leitura. Escrever pode ser um desafio para crianças 
pequenas, pois elas precisam lidar com várias dificuldades, como ortografia, 
pontuação, gramática e uso adequado de letras maiúsculas e minúsculas. Essas 
habilidades de alfabetização exigem prática e desenvolvimento ao longo da 
terceira infância. 
 
 
 
Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, 
Ana Beatriz e colaboradores fala resumidamente sobre o Desenvolvimento na 
Terceira Infância na visão de Erik Erickson, Lev Vygotsky e Jean Piaget. 
Desenvolvimento na Terceira Infância | Erik Erickson, Lev Vygotsky e 
Jean Piaget. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=yEXynVlcMG0. 
Acesso em 26 de fev de 2024. 
 
 
DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL 
 
Durante a terceira infância, o crescimento cognitivo ajuda a criança a 
desenvolver conceitos mais complexos sobre si mesma e a adquirir 
compreensão e controle emocional. No início do desenvolvimento, as crianças 
pequenas têm dificuldade com conceitos abstratos e com a integração das 
várias dimensões do eu. Seu autoconceito concentra-se mais no físico e na 
posse, ou seja, no que elas têm. 
Por volta dos 7 ou 8 anos, os julgamentos que as crianças fazem sobre si 
mesmas tornam-se mais conscientes, realistas, equilibrados e abrangentes. De 
acordo com Erik Erikson, um importante determinante da autoestima é a 
percepção que a criança tem de sua capacidade produtiva. Caso não recebam 
elogios dos adultos ou dos colegas, ou se não tiverem motivação e autoestima, 
as crianças podem desenvolver um sentimento de pouco valor e inferioridade. 
Se as crianças se sentem inadequadas em comparação com outras 
crianças da mesma idade, é provável que se retraiam e busquem interação 
apenas com a família, limitando sua interação social. Nessa fase, as crianças 
tornam-se mais conscientes de seus próprios sentimentos e dos sentimentos 
dos outros. Elas aprendem o que as deixa com raiva, medo ou tristeza, e como 
as outras pessoas reagem a essas emoções. Elas também reconhecem que 
lembrar de eventos passados e pensar sobre o futuro pode afetar seu estado 
mental. 
Por volta dos 7 ou 8 anos, as crianças desenvolvem consciência de 
sentimentos de vergonha e orgulho, e entendem a diferença entre culpa e 
vergonha. Quando os pais são capazes de reconhecer as emoções dos outros, 
nomeá-las e permitir que as crianças expressem seus sentimentos, seus filhos 
tendem a entender e reconhecer melhor as emoções. 
Pais que reconhecem os sentimentos de dor de seus filhos e os ajudam a 
focar na solução do problema estimulam o desenvolvimento da empatia e 
habilidades sociais. Por outro lado, quando os pais respondem às emoções de 
seus filhos com desaprovação ou punição excessiva, emoções como raiva e 
medo podem se intensificar, prejudicando o ajustamento social da criança e 
tornando-a mais reservada ou ansiosa em relação a sentimentos negativos. 
No que diz respeito à autorregulação emocional, a capacidade de 
 
 
controlar as emoções, a atenção e o comportamento melhora com a idade. 
Crianças com um apego seguro tendem a reconhecer melhor as emoções e 
desenvolver estratégias de regulação emocional em comparação com crianças 
com um apego inseguro. 
O clima familiar exerce uma influência crucial no desenvolvimento da 
criança. Um fator importante é a presença ou ausência de conflitos em casa. 
Outras influências relevantes incluem o trabalho dos pais (se a mãe trabalha, por 
quanto tempo, se ambos os pais trabalham) e o nível socioeconômico da família. 
As crianças em idade escolar estão mais inclinadas a seguir os desejos dos pais 
quando acreditam que eles são justos e se preocupam com o seu bem-estar 
(autonomia). 
Crianças expostas a altos níveis de conflito familiar tendem a apresentar 
respostas como ansiedade, medo, depressão, agressividade, brigas e 
desobediência. Os níveis socioeconômicos também desempenham um papel no 
desenvolvimento da criança. A pobreza pode prejudicar o desenvolvimento, pois 
pais que vivem na pobreza têm maior propensão a apresentar ansiedade, 
depressão e irritabilidade, podendo ser menos afetuosos com os filhos. 
A instabilidade familiar, como divórcios ou novos casamentos, também 
pode acarretar problemas de comportamento. O envolvimento frequente e 
positivo dos pais com os filhos está diretamente relacionado ao bem-estar e ao 
desenvolvimento físico, cognitivo e social das crianças. O envolvimento das 
crianças com seus pares abre novas perspectivas à medida que elas se afastam 
da presença dos pais. 
O grupo de pares auxilia as crianças a aprender a ajustar suas 
necessidades e desejos com os dos outros, quando ceder e quando permanecer 
firmes. Ao compararem-se com outras crianças da mesma idade, elas podem 
avaliar suas capacidades e adquirirum senso mais claro de autoeficácia. As 
crianças são capazes de expressar facilmente com quem gostam de brincar, 
quem gostam mais ou quem é mais popular entre as outras crianças. Esse 
fenômeno é conhecido como nomeação positiva. 
Na terceira infância, crianças cujos colegas gostam delas têm maior 
probabilidade de serem bem ajustadas na adolescência. Por outro lado, crianças 
com dificuldades em se relacionar com seus pares têm maior propensão a 
desenvolver problemas psicológicos, abandonar a escola ou se envolver em 
 
 
comportamentos delinquentes. 
Crianças são mais competentes socialmente quando provenientes de 
famílias onde o relacionamento com os pais é carinhoso e afetuoso. Os pais 
fornecem conselhos diretos sobre como lidar com conflitos e proporcionam às 
crianças experiências com grupos adequados à sua idade. Pais que são 
excessivamente controladores ou negativos em suas interações com os filhos 
têm maior probabilidade de ter filhos agressivos, com baixa competência social e 
que são rejeitados pelos pares. 
Sobre amizades, é comum que as crianças busquem amigos que sejam 
semelhantes a elas em idade, sexo, atividades e interesses. Através das 
amizades, as crianças aprendem a se comunicar e cooperar umas com as 
outras. Elas também ajudam umas às outras a enfrentar situações estressantes, 
como a adaptação escolar ou o divórcio dos pais. As brigas, embora inevitáveis, 
ajudam as crianças a aprender a resolver conflitos. 
É nas amizades que elas praticam e aprimoram suas habilidades sociais. 
Robert Selman estudou as mudanças nas amizades ao longo do 
desenvolvimento, abrangendo desde os 3 anos até os 45 anos. Durante a idade 
escolar, as crianças fazem distinção entre «melhores amigos», «bons amigos» e 
«amigos casuais», com base na intimidade e no tempo que passam juntos. 
Nessa idade, as meninas parecem se importar menos em ter muitos amigos e 
preferem ter poucos amigos íntimos em quem possam confiar. Por outro lado, os 
meninos tendem a ter mais amigos, mas suas amizades tendem a ser menos 
íntimas e afetuosas. 
A partir dos 6 ou 7 anos, a maioria das crianças torna-se menos 
agressiva, menos egocêntrica, mais empática, cooperativa e capaz de se 
comunicar. A agressão hostil, com intenção de ferir outra pessoa, aumenta 
consideravelmente, assumindo uma forma mais verbal do que física. 
No entanto, uma pequena minoria de crianças não aprende a controlar a 
agressão física, o que tende a levar a problemas sociais e psicológicos. 
Pesquisas determinaram que ser do sexo masculino, ter um temperamento 
reativo, passar por separação dos pais e ser criado com uma parentalidade 
controladora contribuem para a agressividade física em crianças entre 6 e 12 
anos. Além disso, a exposição à violência nas mídias e telas também pode 
influenciar a agressividade. 
 
 
Crianças que veem personagens usando violência para alcançar seus 
objetivos podem concluir que a força é uma maneira eficaz de resolver conflitos. 
As crianças são mais vulneráveis do que os adultos à influência da violência na 
televisão. Aquelas que jogam videogames violentos são participantes ativos que 
recebem reforço positivo por ações violentas. Como resultado, essas crianças 
podem apresentar menos comportamentos sociais e empatia, além de exibirem 
mais comportamentos e pensamentos agressivos, bem como sentimentos de 
raiva e excitação fisiológica. 
A prevalência de transtornos mentais em crianças e adolescentes ao 
redor do mundo é de aproximadamente 13,4%, e há sugestões de que essa taxa 
esteja aumentando. É importante abordar os problemas emocionais mais 
comuns que afetam crianças e adolescentes, pois esse grupo frequentemente é 
mal compreendido. 
Cerca de 55% das crianças diagnosticadas com problemas emocionais, 
comportamentais e do desenvolvimento apresentam Transtorno de Desafiador 
de Oposição (TDO), caracterizado por comportamento agressivo, desafiador ou 
antissocial. Os outros 45% apresentam transtornos de ansiedade ou de humor, 
incluindo tristeza, sentimentos de depressão, rejeição, nervosismo, medo ou 
solidão. 
Alguns transtornos que podem ocorrer na infância incluem o Transtorno 
de Conduta, no qual as crianças apresentam acessos de raiva e comportamento 
desafiador, questionador, hostil ou irritante. É bastante comum em crianças de 4 
a 5 anos, e esses sintomas geralmente diminuem na terceira infância, à medida 
que as crianças adquirem um melhor controle sobre esses comportamentos. 
Quando esse padrão comportamental persiste até os 8 anos, a criança é 
diagnosticada com Transtorno Opositor Desafiador (TOD). Crianças com TOD 
frequentemente estão envolvidas em brigas, discussões, perda de controle, 
roubo de pertences alheios e demonstram desobediência e hostilidade em 
relação a figuras de autoridade. Essas crianças também podem desenvolver 
Transtorno de Conduta (TC), caracterizado por ações agressivas e antissociais, 
como faltar à escola, provocar incêndios, mentir, brigar, intimidar, roubar, 
vandalizar e exibir comportamentos relacionados ao uso de drogas e álcool. 
Determinar se uma criança com tendências antissociais se tornará 
gravemente antissocial ou cronicamente antissocial envolve observar os déficits 
 
 
neurobiológicos. Esses déficits podem afetar a capacidade da criança de sentir 
empatia pelos outros, levando à falta de emoção e indiferença. Também podem 
apresentar impulsividade, baixo QI e desempenho acadêmico abaixo da média. 
É importante estar atento a esses fatores. 
A fobia escolar e outros transtornos de ansiedade são comuns em 
crianças. Algumas crianças podem ter um medo real de frequentar a escola 
devido a um professor bravo, um colega intimidador ou uma carga excessiva de 
tarefas escolares. No entanto, a fobia escolar verdadeira é um medo anormal de 
ir à escola e pode estar relacionada ao Transtorno de Ansiedade de Separação, 
que envolve uma ansiedade excessiva por estar longe de casa ou de pessoas 
às quais a criança está ligada emocionalmente. 
Embora a ansiedade de separação seja normal na primeira infância, 
quando persiste em crianças mais velhas, pode ser motivo de preocupação. 
Cerca de 4% das crianças e adolescentes sofrem desse transtorno, que pode 
persistir até a época da faculdade. Geralmente, essas crianças vêm de famílias 
estruturadas e amorosas. 
A fobia escolar também pode ser um sintoma da fobia social ou 
ansiedade social, que afeta cerca de 5% das crianças. A fobia social pode ser 
desencadeada por experiências traumáticas, como ter um «branco» ao falar em 
público na sala de aula. A ansiedade social tende a aumentar com a idade, 
enquanto a ansiedade de separação tende a diminuir. 
Algumas crianças podem apresentar Transtorno de Ansiedade 
Generalizada, no qual se preocupam excessivamente com vários aspectos de 
suas vidas, como notas escolares, tempestades, terremotos ou se machucar 
durante o recreio. Essas crianças tendem a ser envergonhadas, inseguras e 
excessivamente preocupadas em atender às expectativas dos outros. Buscam 
aprovação e frequentemente precisam de consolo. 
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) também pode ocorrer na 
infância, onde as crianças podem ficar obcecadas por pensamentos, imagens ou 
impulsos intrusivos e repetitivos, ou podem apresentar comportamentos 
compulsivos, como lavar as mãos constantemente. 
A depressão infantil é um transtorno de humor que vai além da tristeza 
normal e temporária. Os sintomas incluem incapacidade de se divertir ou se 
concentrar, fadiga, atividade extrema ou apatia, choro, distúrbios do sono, 
 
 
alteração de peso, queixas físicas, sentimentos de inutilidade, sensação 
prolongada de falta de amigos ou pensamentos frequentes sobre morte e 
suicídio. 
A depressão infantil pode ser o início de um problema recorrente que 
pode persistir até a idade adulta. As causas exatas da depressão infantil ainda 
não são completamente compreendidas,

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