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DESENVOLVIMENTO HUMANO NAS DIFERENTES FAIXAS GERACIONAIS I SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 PRIMEIRA INFÂNCIA ................................................................................ 3 O PARTO E O NASCIMENTO ............................................................... 5 CAPACIDADES SENSORIAIS INICIAIS E DESENVOLVIMENTO MOTOR NO BEBÊ ............................................................................................ 7 DESENVOLVIMENTO MOTOR E PERCEPÇÃO NO BEBÊ.................. 9 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO .................................................... 11 DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL .............................................. 14 SEGUNDA INFÂNCIA ............................................................................. 17 DESENVOLVIMENTO FÍSICO E COGNITIVO .................................... 18 DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL .............................................. 22 TERCEIRA INFÂNCIA ............................................................................. 26 DESENVOLVIMENTO FÍSICO E COGNITIVO .................................... 28 DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL .............................................. 31 ADOLESCÊNCIA ..................................................................................... 36 DESENVOLVIMENTO FÍSICO E MOTOR ........................................... 38 DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL .............................................. 42 REFERÊNCIAS ....................................................................................... 48 INTRODUÇÃO O desenvolvimento humano é um processo complexo e fascinante que envolve uma série de marcos físicos, cognitivos, sociais e emocionais que ocorrem desde o nascimento até a idade adulta. É importante notar que o desenvolvimento não ocorre de maneira linear ou uniforme. Cada pessoa é única e desenvolve-se em seu próprio ritmo, influenciada por uma variedade de fatores, incluindo genética, ambiente familiar, experiências de vida e oportunidades de aprendizado. Os cuidadores e educadores desempenham um papel fundamental em apoiar e promover o desenvolvimento saudável das crianças, fornecendo um ambiente seguro, estimulante e amoroso, além de oportunidades para explorar, aprender e interagir com o mundo ao seu redor. Nesta apostila, exploraremos o desenvolvimento infantil na prática, buscando abordar as principais áreas de desenvolvimento e destacando estratégias e atividades que podem ser implementadas no cotidiano para estimular o crescimento e o aprendizado das crianças. Ao oferecermos um olhar prático sobre o desenvolvimento infantil, nosso objetivo é fornecer orientações úteis para pais, educadores e profissionais que trabalham com crianças. PRIMEIRA INFÂNCIA Durante a primeira infância, que abrange os três primeiros anos de vida da criança, há uma série de desenvolvimentos importantes que ocorrem em diferentes áreas. Exploraremos três aspectos específicos dessa fase: o desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento motor e o desenvolvimento socioemocional. No que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, os primeiros anos de vida são marcados por um crescimento rápido e significativo nas habilidades cognitivas da criança. Ela começa a desenvolver a capacidade de pensar simbolicamente, utilizar a linguagem e compreender o mundo ao seu redor. Durante essa fase, a criança também passa por um período de rápido crescimento do vocabulário, aprendendo a comunicar suas necessidades e expressar seus pensamentos e sentimentos de maneira cada vez mais elaborada. No aspecto do desenvolvimento motor, a primeira infância é marcada por grandes conquistas físicas. Figura 1- Primeira infância Fonte: jornal.usp.br, 2024. Durante os primeiros meses, a criança aprende a rolar, sentar, engatinhar e, eventualmente, andar. À medida que o tempo passa, ela aprimora suas habilidades motoras finas, como pegar objetos pequenos com precisão e desenvolver a coordenação olho-mão. Essas conquistas motoras são essenciais para a exploração do ambiente e o desenvolvimento de habilidades sensoriais e perceptivas. O desenvolvimento socioemocional também desempenha um papel crucial na primeira infância. Durante essa fase, a criança começa a estabelecer relações sociais significativas com os outros, especialmente com os cuidadores primários. Ela desenvolve uma compreensão básica das emoções e começa a expressar seus próprios sentimentos de maneira mais evidente. Além disso, a primeira infância é um período crítico para a formação do apego seguro, que envolve a construção de um vínculo emocional estável e saudável com os cuidadores. Esse vínculo seguro serve como base para o desenvolvimento saudável das relações interpessoais ao longo da vida. Durante a primeira infância, é fundamental que os cuidadores forneçam um ambiente seguro, estimulante e afetuoso para a criança. Isso inclui oferecer estímulos adequados ao desenvolvimento, como brinquedos e atividades que promovam o aprendizado e a exploração. Além disso, é importante atender às necessidades emocionais da criança, oferecendo apoio, afeto e demonstrando sensibilidade às suas emoções. Esse ambiente propício contribui para um desenvolvimento saudável e fortalece a confiança e a autoestima da criança. Em resumo, a primeira infância é uma fase de crescimento e descobertas intensas, abrangendo o desenvolvimento cognitivo, motor e socioemocional. É um momento crucial para estabelecer as bases para um desenvolvimento saudável e bem-sucedido em todas as áreas da vida. O apoio e cuidado adequados dos cuidadores são essenciais para promover o progresso e o bem- estar da criança nessa fase tão importante. O PARTO E O NASCIMENTO Tipos de parto desempenham um papel crucial no processo de nascimento de um bebê. O parto vaginal é o método pelo qual a mulher passa pelo trabalho de parto, um momento intenso que também traz consigo alguns riscos. No entanto, para reduzir esses riscos, tecnologias foram desenvolvidas para monitorar o feto antes do parto. O monitoramento eletrônico fetal é uma dessas tecnologias e pode ser usado para acompanhar as batidas cardíacas do bebê durante o trabalho de parto. Sensores ligados à cintura da gestante, presos por uma cinta elétrica, são comumente utilizados para monitorar a frequência cardíaca e informar a equipe médica sobre possíveis problemas. Outro tipo de parto é a cesariana, onde o bebê é removido cirurgicamente do útero da mãe. Embora seja uma intervenção médica necessária em certos casos, é importante destacar que a cesariana possui suas próprias complicações e considerações. Após o nascimento, segue-se o período neonatal, que abrange as quatro primeiras semanas de vida do bebê e representa um momento de transição do útero para o ambiente externo. Durante esse período, os bebês recém-nascidos exibem características físicas distintivas. Os recém-nascidos têm uma cabeça grande e um queixo recuado, o que facilita a amamentação. Além disso, apresentam uma área no topo da cabeça chamada de fontanela, onde os ossos do crânio não se encontram. Essas fontanelas são cobertas por uma membrana rígida que permite a flexibilidade do formato do crânio, facilitando assim a passagem pelo canal de parto. As placas do crânio se unem gradualmente ao longo dos primeiros 18 meses de vida. A pele dos recém-nascidos é frequentemente rosada e delicada, revelando os vasos capilares por baixo. Durante os primeiros dias, muitos recém-nascidos também apresentam lanugo, uma espécie de penugem pré- natal, que tende a desaparecer gradualmente. Além disso, quase todos os recém-nascidos estão cobertos com uma substância chamada vernix caseosa, que desempenha um papelmas as crianças com esse transtorno tendem a vir de famílias com altos níveis de depressão, ansiedade, abuso de substâncias ou comportamentos antissociais. Já a depressão maior é mais predominante durante a adolescência. O tratamento para esses transtornos pode envolver terapia infantil, terapia familiar, terapia comportamental, ludoterapia (terapia por meio do jogo) e, em alguns casos, medicamentos. É importante lembrar que as crianças também possuem capacidade de resiliência. Crianças resilientes são aquelas que conseguem lidar com circunstâncias desafiadoras que poderiam perturbar outras, mantendo equilíbrio e competência mesmo em situações de perigo e ameaça, ou se recuperando de vários traumas. Crianças resilientes também tendem a ter QIs mais altos e a resolver problemas com facilidade. Sua capacidade cognitiva pode ajudá-las a enfrentar adversidades, a regular seu próprio comportamento e a aprender com a experiência. ADOLESCÊNCIA Durante a adolescência, que abrange aproximadamente dos 12 aos 18 anos, ocorrem transformações significativas no desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional dos indivíduos. Essa fase é marcada pela transição da infância para a vida adulta e traz consigo uma série de desafios e oportunidades de crescimento. No aspecto físico, a adolescência é caracterizada por rápidas mudanças no corpo. Os jovens passam pelo estirão de crescimento, experimentam o desenvolvimento sexual secundário e adquirem características físicas características de adultos. Essas mudanças podem ter impacto na autoimagem e na construção da identidade pessoal. No que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, a adolescência é marcada pelo aprimoramento das habilidades de pensamento abstrato, raciocínio lógico e pensamento crítico. Os adolescentes começam a questionar, refletir e formar opiniões mais elaboradas sobre o mundo ao seu redor. Eles também estão mais aptos a considerar múltiplas perspectivas e a planejar ações futuras. No âmbito social, a adolescência é caracterizada pela busca de autonomia e independência dos pais e pela formação de identidade social. Os jovens passam a se envolver em grupos de pares e a experimentar diferentes papéis sociais. As amizades e os relacionamentos interpessoais ganham uma importância significativa, proporcionando oportunidades para a aprendizagem social e emocional. Em relação ao desenvolvimento emocional, a adolescência é um período de intensidade emocional e de busca pela própria identidade. Os jovens podem experimentar uma ampla gama de emoções, desde alegria e entusiasmo até tristeza e frustração. Eles estão descobrindo quem são e enfrentando desafios emocionais, como lidar com a pressão dos colegas, a autoestima, a identidade sexual e a tomada de decisões. Figura 4 – Características da adolescência Durante a adolescência, é importante que os jovens tenham um ambiente de apoio e compreensão. Os adultos desempenham um papel crucial ao oferecer orientação, escuta ativa e estabelecimento de limites saudáveis. É essencial incentivar a autonomia, o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico e o estabelecimento de relacionamentos saudáveis. Além disso, é fundamental fornecer informações adequadas sobre saúde, sexualidade, uso de substâncias e comportamentos de risco. Nessa fase, os adolescentes estão construindo suas identidades e explorando diferentes interesses e metas futuras. Portanto, é importante encorajá-los a buscar seus próprios caminhos e a desenvolver habilidades que promovam um senso de propósito e significado em suas vidas. Em resumo, a adolescência é um período de transição e crescimento, repleto de mudanças físicas, cognitivas, sociais e emocionais. É um momento de descoberta, autodescoberta e de busca por autonomia e identidade. Com apoio adequado e um ambiente favorável, os adolescentes têm a oportunidade de explorar seu potencial, enfrentar desafios e se desenvolver como indivíduos saudáveis e bem-sucedidos. DESENVOLVIMENTO FÍSICO E MOTOR Este é o último módulo do nosso curso. Iniciam-se os estudos sobre a fase de maior transição do desenvolvimento humano, a adolescência. Essa transição envolve mudanças físicas, cognitivas, emocionais e sociais, e assume diferentes formas em contextos sociais, culturais e econômicos. Uma mudança física importantíssima é a puberdade, o processo que traz a maturidade sexual e a capacidade de reprodução. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a adolescência vai dos 12 aos 18 anos de idade. Durante esse período, ocorrem Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, André fala resumidamente sobre algumas das transformações psicológicas, neurológicas e sociais que mais impactam a vida dos adolescentes. O QUE É A ADOLESCÊNCIA?. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=h4-YXXKPXVg. Acesso em 26 de fev de 2024. alterações físicas notáveis. A puberdade é um longo processo de maturação que começa antes mesmo do nascimento e envolve uma cadeia de respostas hormonais. Essas alterações hormonais são diferentes nas meninas e nos meninos. Nas meninas, as alterações hormonais levam ao início da menstruação, enquanto nos meninos ocorre a liberação da testosterona e da androstenediona. A puberdade pode ser dividida em dois estágios: a adrenarca e a gonadarca. A adrenarca ocorre entre os 6 e 8 anos, e nesse estágio há um aumento nos níveis do hormônio DHEA (dehidroepiandrosterona). Aos 10 anos, ocorre um aumento ainda maior nos níveis desse hormônio. O DHEA influencia o crescimento dos pelos púbicos, axilares e faciais, além de contribuir para o crescimento mais rápido do corpo, aumentar a oleosidade da pele e o desenvolvimento de odores corporais. Já a gonadarca, que é o segundo estágio da puberdade, é marcada pelo amadurecimento dos órgãos sexuais. Nesse período, os ovários das meninas aumentam a produção de estrógeno, que estimula o desenvolvimento dos órgãos genitais femininos, o crescimento dos seios e dos pelos pubianos e axilares. Nos meninos, os testículos aumentam a produção de androgênios, principalmente a testosterona, o que leva ao crescimento dos órgãos genitais masculinos, da massa muscular e dos pelos corporais. Além das mudanças nos órgãos sexuais, também ocorrem as características sexuais secundárias, que são sinais fisiológicos do amadurecimento sexual, mas que não envolvem diretamente os órgãos sexuais. Essas mudanças incluem o crescimento dos seios nas meninas, o alargamento dos ombros nos meninos, alteração na voz e na textura da pele. As mudanças que evidenciam a puberdade começam aproximadamente aos 8 anos nas meninas e aos 9 anos nos meninos. Todo o processo da puberdade leva de 3 a 4 anos para ambos os sexos. Outro aspecto importante é o estirão de crescimento adolescente, que é o aumento rápido em altura, peso, musculatura e nos ossos. Nas meninas, costuma começar entre os 9 anos e meio e 14 anos e meio, enquanto nos meninos ocorre entre os 10 anos e meio e 16 anos e meio. Além das mudanças físicas, as mudanças psicológicas também são relevantes durante a adolescência. O cérebro dos adolescentes está em pleno desenvolvimento, e eles apresentam uma tendência à impulsividade, a comportamentos de risco, como experimentar drogas e bebidas alcoólicas, e podem ter dificuldade em se concentrar em objetivos de longo prazo. O desenvolvimento do cérebro durante a adolescência ocorre de forma ampla e lenta, o que faz com que os adolescentes sejam mais suscetíveis a influências ambientais, tanto positivas quanto negativas. A estimulação cognitiva durante a adolescência faz uma diferença enorme no desenvolvimento do cérebro, influenciando o desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais e sociais. É importante entenderque cada adolescente é único e experimenta a adolescência de maneira individual. As mudanças físicas e psicológicas podem gerar desafios e oportunidades, e é fundamental que os adolescentes recebam o apoio adequado de suas famílias, amigos, escola e profissionais de saúde para enfrentar essa fase de transição e crescimento. É recomendado que os adolescentes entre 13 e 18 anos durmam regularmente entre 8 e 10 horas, no mínimo, por dia. A privação de sono pode diminuir a motivação e causar irritabilidade, além de afetar a concentração e o desempenho escolar. O sono insuficiente está associado a um maior risco de obesidade, diabetes, lesões, problemas de saúde mental, transtorno de atenção e comportamento, e baixo desempenho acadêmico. É fundamental que os adolescentes priorizem o sono adequado e estabeleçam rotinas saudáveis de sono, evitando o uso excessivo de dispositivos eletrônicos antes de dormir. A imagem e satisfação corporal também são questões relevantes durante a adolescência. Meninos e meninas reagem de maneira diferente em relação às mudanças que ocorrem no corpo devido à puberdade. Em geral, os meninos tendem a estar mais satisfeitos com seus corpos do que as meninas. Devido ao aumento normal da gordura corporal, as meninas podem ficar descontentes com a aparência e desenvolver preocupação excessiva com o controle do peso e imagem corporal, o que pode ser um sinal de transtornos alimentares, como anorexia nervosa ou bulimia nervosa. A depressão é outra questão importante que afeta os adolescentes. O número de casos de depressão aumenta durante essa fase da vida. Em 2017, 13,3% dos jovens de 12 a 17 anos experimentaram pelo menos um episódio de depressão maior, e apenas 41,5% deles receberam tratamento adequado. É importante observar que a depressão em adolescentes nem sempre se manifesta como tristeza, podendo aparecer como irritabilidade, tédio ou incapacidade de sentir prazer. Existem fatores de risco associados à depressão, incluindo ansiedade, medo do contato social, eventos estressantes, doenças crônicas, conflitos familiares, abuso ou negligência, uso de álcool e drogas, atividade sexual e histórico familiar de depressão. O uso de álcool e drogas e a atividade sexual têm maior probabilidade de resultar em depressão em meninas do que em meninos. É essencial que os adolescentes que apresentam sintomas de depressão recebam apoio e tratamento adequado. Infelizmente, o suicídio também é uma preocupação séria durante a adolescência. É a segunda causa de morte entre os jovens de 15 a 19 anos. Ter acesso a uma arma de fogo está fortemente associado a um maior risco de suicídio bem-sucedido. As meninas adolescentes são mais propensas a tentar suicídio, porém, tendem a usar métodos menos letais, o que aumenta suas chances de sobreviver. Muitos jovens que tentam suicídio sofreram maus-tratos na infância e têm graves problemas de relacionamento. Eles tendem a ter baixa autoestima, sensação de desamparo, dificuldade em controlar impulsos, além de baixa tolerância à frustração e estresse. Diante desses desafios, é fundamental que os adolescentes recebam apoio emocional e tenham acesso a serviços de saúde mental. Os familiares, amigos, escola e profissionais de saúde desempenham um papel crucial na identificação e no tratamento de problemas relacionados ao sono, imagem corporal, depressão e risco de suicídio durante a adolescência. É importante promover um ambiente seguro e acolhedor, onde os adolescentes se sintam confortáveis em expressar seus sentimentos e buscar ajuda quando necessário. DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL Durante a adolescência, os jovens entram no que Piaget chamou de nível mais alto de desenvolvimento cognitivo, o estágio operatório formal. Nesse estágio, eles abandonam a dependência de estímulos concretos do mundo real e desenvolvem a capacidade de pensar em termos abstratos. Isso acontece por volta dos 11 anos e proporciona uma forma mais flexível de manipular informações. Os adolescentes começam a entender melhor as mensagens ocultas nas metáforas e alegorias. Eles são capazes de pensar em termos do que «poderia ser» e não apenas do «que é». São capazes de imaginar possibilidades, formular e testar hipóteses. Piaget atribui essas mudanças a uma combinação de maturação cerebral e expansão das oportunidades ambientais. No entanto, a imaturidade do pensamento adolescente, de acordo com o psicólogo David Elkind, se manifesta de muitas formas características. Os adolescentes podem estar convencidos de que sabem como governar o mundo melhor do que os adultos e frequentemente culpam os pais e outras figuras de autoridade. Embora possam pensar sobre muitas alternativas ao mesmo tempo, eles podem ter dificuldade em escolher entre elas, especialmente quando se trata de tomar decisões simples do dia a dia. Os adolescentes mais jovens também podem ter dificuldade em reconhecer a diferença entre expressar um ideal e fazer os sacrifícios necessários para realizá-lo. Outra característica dos adolescentes é a autoconsciência, onde eles pressupõem que todos estão pensando o mesmo que eles. Elkind chama isso de «público imaginário». Por exemplo, um adolescente pode pensar que todo mundo está olhando para uma espinha no rosto dele. Essa fantasia do público imaginário é especialmente forte nos primeiros anos da adolescência, mas pode se estender com menos intensidade até a vida adulta. Elkind também usa o termo «fábula pessoal» para descrever a crença dos adolescentes de que são especiais, de que suas experiências são únicas e de que não estão sujeitos às regras que governam o resto do mundo. No entanto, é importante ressaltar que muitos teóricos não apoiam completamente o modelo de Elkind ao falar sobre a imaturidade dos adolescentes. Outras pesquisas mostram que, em vez de serem indecisos, os adolescentes tendem a tomar decisões impulsivas ou arriscadas. Quanto ao desenvolvimento da linguagem, devido ao pensamento abstrato estar mais desenvolvido, os adolescentes podem definir e discutir abstrações como amor, justiça e liberdade. Eles passam a usar com mais frequência termos como «entretanto», «caso contrário», «de qualquer maneira», «portanto», «na verdade» e «provavelmente». Tornam-se mais conscientes de que as palavras podem ter vários significados e têm prazer em usar ironias, trocadilhos e metáforas. Os adolescentes também se tornam mais habilidosos na capacidade de adaptar sua conversa ao ponto de vista da outra pessoa, utilizando diferentes vocabulários ao falar com crianças, amigos ou adultos. No raciocínio moral, os adolescentes são mais capazes do que as crianças menores de aceitar o ponto de vista de outra pessoa, solucionar problemas sociais e lidar com relacionamentos interpessoais. Essas habilidades promovem o desenvolvimento moral. Lawrence Kohlberg escreveu seis estágios sobre o raciocínio moral, que mostram a progressão dos indivíduos na compreensão de princípios éticos e morais. Em relação aos comportamentos sociais, é comum que esses comportamentos aumentem da infância para a adolescência. Pais carinhosos, solidários e que usam o raciocínio social tendem a ter adolescentes que se comportam de maneira socialmente generosa. As meninas tendem a apresentar mais comportamentos solidários do que os meninos, e essa diferença se torna mais acentuada na adolescência. A escola desempenha um papel importante na vida do adolescente, pois amplia seu horizonte intelectual e social. Ela oferece oportunidades para obter informações, aprender novas habilidades, participar de atividades esportivas, artísticas e fazer amigos. No entanto, alguns adolescentes podem ver a escola não como uma oportunidade, mas como mais um obstáculo para a vida adulta. Fatores como o estilo parental, o nível socioeconômico e a qualidadedo ambiente doméstico influenciam o desempenho escolar na adolescência. Pesquisas indicam que os cérebros masculino e feminino apresentam diferenças no aprendizado. A estrutura cerebral das meninas parece integrar melhor as tarefas espaciais e holísticas, enquanto o cérebro dos meninos parece ser otimizado para o desenvolvimento visual e espacial. Os pais que estabelecem um equilíbrio entre ser exigentes e receptivos tendem a ter adolescentes com melhor desempenho escolar. Tanto os pais autoritários, que tendem a usar mais castigos e controle severo, quanto os pais permissivos, que parecem indiferentes às notas, têm filhos que apresentam um desempenho um pouco inferior. Segundo Erik Erikson, a busca da identidade é um dos principais desafios enfrentados pelos adolescentes. Durante esse período, os jovens precisam resolver três questões cruciais: a escolha de uma ocupação, a adoção de valores pelos quais desejam viver e o desenvolvimento de uma identidade sexual satisfatória. Os adolescentes que conseguem resolver essa crise de identidade de forma satisfatória desenvolvem a virtude da fidelidade, que se manifesta na lealdade constante, fé ou um sentimento de união com uma pessoa amada, amigo ou grupo. Por outro lado, aqueles que não desenvolvem uma ideia firme sobre sua identidade e não alcançam a fidelidade podem experimentar um senso instável de si mesmos, insegurança e dificuldade em planejar para o futuro. Erikson enfatiza que a confusão de identidade ou de papel é o maior perigo nessa fase. Essa confusão é responsável pela natureza aparentemente caótica de grande parte do comportamento dos adolescentes. Para construir uma identidade sexual, os adolescentes precisam reconhecer-se como seres sexuais, compreender sua orientação sexual e formar uniões afetivas ou sexuais. A educação sexual e a prevenção da gravidez desempenham um papel importante nesse processo. Os adolescentes geralmente obtêm informações sobre sexo por meio de amigos, pais, educação escolar e mídia. Estudos mostram que uma porcentagem significativa de adolescentes relata que seus pais não conversam com eles sobre educação sexual, o que pode levar a posturas menos positivas em relação às práticas sexuais seguras. Infelizmente, muitos adolescentes recebem grande parte de sua «educação sexual» através da mídia, que muitas vezes retrata a atividade sexual de forma distorcida, associando-a a diversão, excitação, competição, perigo ou violência, e raramente menciona os riscos das relações sexuais desprotegidas. Em relação aos relacionamentos com a família, os pares e a sociedade adulta, os adolescentes tendem a passar mais tempo com os amigos e menos tempo com a família. A adolescência é frequentemente associada à rebeldia, mas esse comportamento está mais relacionado a variáveis como parentalidade abusiva, negligente ou indiferente. Os poucos adolescentes que apresentam problemas sérios tendem a vir de famílias perturbadas e podem continuar a ter uma vida familiar instável e rejeitar as normas culturais na idade adulta. Por outro lado, adolescentes criados em um ambiente familiar positivo geralmente passam pela adolescência sem problemas graves e, quando adultos, têm relacionamentos estáveis e uma vida bem ajustada. A adolescência pode ser uma época desafiadora tanto para os jovens quanto para os pais. O conflito familiar, a depressão e os comportamentos de risco são mais comuns nessa fase do que em outras fases da vida. O conflito familiar pode ser um fator significativo de estresse emocional. As emoções negativas e as variações de humor tendem a ser mais intensas no início da adolescência, mas se estabilizam no final. Reconhecer que a adolescência pode ser tumultuada pode ajudar os pais, cuidadores e profissionais a compreenderem os comportamentos de experimentação e lidarem com eles. Durante a adolescência, ocorre um processo chamado de individuação, que começa na primeira infância e se estende ao longo de toda a adolescência. Esse processo envolve a busca pela autonomia, diferenciação e identidade pessoal. Conflitos familiares são comuns nesse processo, mas momentos de conflito também podem auxiliar na busca da identidade. Os relacionamentos com os pares desempenham um papel fundamental na vida dos adolescentes. Os amigos são fonte de afeto, apoio, compreensão e orientação moral. Através das interações com os pares, os adolescentes desenvolvem autonomia e independência em relação aos pais e experimentam relacionamentos íntimos que servem como preparação para a intimidade adulta. Durante a adolescência, as interações se tornam mais diversificadas, e os grupos de amigos e panelinhas se tornam mais comuns e importantes. A influência dos pares atinge seu ápice por volta dos 12 e 13 anos e diminui à medida que a adolescência avança. Alguns adolescentes populares podem envolver-se em comportamentos antissociais para demonstrar independência das regras parentais. A intensidade, a importância das amizades e o tempo gasto com os amigos podem ser maiores na adolescência do que em qualquer outra fase da vida. A amizade íntima dos adolescentes reflete seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Os adolescentes são mais capazes de expressar seus pensamentos e sentimentos pessoais e considerar o ponto de vista dos outros. Os adolescentes que têm amizades íntimas tendem a ter uma visão positiva de si mesmos, bom desempenho escolar, habilidades sociais desenvolvidas e menor propensão a hostilidade, ansiedade ou depressão. Mídias sociais e interações eletrônicas têm um impacto significativo na vida dos adolescentes. Como mencionado anteriormente, a grande maioria dos adolescentes usa a internet e as redes sociais para se conectar e se comunicar com os amigos diariamente. No entanto, o uso excessivo e inadequado dessas tecnologias pode ter efeitos negativos na saúde física, qualidade de vida e relacionamentos familiares. Estudos indicam que o uso excessivo de mensagens instantâneas e videogames está associado a um maior risco de depressão entre os adolescentes. A exposição excessiva à televisão tem sido associada à obesidade, problemas socioemocionais e baixa autoestima. Além disso, algumas pessoas podem desenvolver um vício na internet, o que pode afetar negativamente seu funcionamento diário, relacionamentos e bem-estar geral. No que diz respeito aos relacionamentos amorosos, eles se tornam cada vez mais importantes à medida que os adolescentes entram na puberdade. Os adolescentes passam a pensar e interagir com pessoas do sexo oposto e experimentam um aumento na intensidade e intimidade dos relacionamentos ao longo da adolescência. Por volta dos 16 anos, os adolescentes tendem a pensar mais em seus parceiros amorosos do que nos pais, amigos ou irmãos. É interessante notar que os amigos do sexo oposto raramente se tornam parceiros românticos, e os parceiros em relacionamentos amorosos geralmente vêm de diferentes redes de amizade. No início da adolescência, os adolescentes podem considerar como um relacionamento afetará sua posição no grupo de amigos, mas no decorrer da adolescência, eles tendem a ter pelo menos um parceiro exclusivo que dura vários meses a cerca de um ano. A importância da posição entre os amigos geralmente se torna menos importante nessa fase. No final da adolescência e início da vida adulta, os relacionamentos amorosos começam a atender a uma ampla gama de necessidades emocionais em relacionamentos relativamente duradouros. Os relacionamentos com os pais também desempenham um papel importante na qualidade dos relacionamentos amorosos dos adolescentes. Aqueles que têm bons relacionamentos com os pais geralmente apresentam maior autoestima e relacionamentos de melhor qualidade. Por outro lado, o divórcio dos pais e o conflito conjugal estão associadosa relacionamentos de pior qualidade na adolescência, expressos através de baixo comprometimento e alto conflito. No que diz respeito ao comportamento antissocial e delinquência juvenil, sabe-se que fatores genéticos influenciam cerca de 40 a 50% da variação no comportamento antissocial dentro de uma população. No entanto, os genes sozinhos não são responsáveis pelo comportamento antissocial, pois influências ambientais, como família, amigos e escola, afetam a expressão genética. Déficits neurobiológicos também podem contribuir para o comportamento antissocial, como a incapacidade de reconhecer sinais de alerta para frear o comportamento impulsivo ou imprudente. Crianças com déficit de atenção e hiperatividade têm um maior risco de desenvolver transtorno de conduta. A idade em que o comportamento antissocial tem início é um fator importante. O início precoce, por volta dos 11 anos, tende a levar a delinquência juvenil crônica na adolescência, enquanto o início tardio, após a puberdade, tende a ser mais temporário e menos grave. Os adolescentes antissociais tendem a se associar com outros adolescentes antissociais, e suas interações mútuas podem aumentar o comportamento antissocial. As circunstâncias econômicas familiares também têm influência no desenvolvimento do comportamento antissocial. Crianças cujas famílias passam por períodos de pobreza têm maior probabilidade de apresentar comportamentos delinquentes quando suas famílias estão com menos recursos financeiros. Além disso, a exposição à violência na comunidade e o viver em locais perigosos são fatores que aumentam o risco de comportamentos antissociais no futuro. REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRY ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-V. Porto Alegre: Artmed, 2014. AMERICAN PSYCHIATRY ASSOCIATION. 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Essa substância seca e é absorvida nos primeiros dias após o nascimento. Antes do nascimento, a circulação sanguínea, a respiração, a nutrição, a eliminação de resíduos e a regulação da temperatura são realizadas através do corpo da mãe. No entanto, após o nascimento, todos os sistemas e funções do bebê devem operar de forma independente. Essa transição ocorre aproximadamente seis horas após o parto. O desenvolvimento físico do bebê segue dois princípios fundamentais. O primeiro é o princípio cefalocaudal, que indica que o crescimento ocorre de cima para baixo. Durante os estágios iniciais, a cabeça do recém-nascido é desproporcionalmente maior devido ao rápido crescimento do cérebro. Conforme a criança cresce, essa desproporção diminui e as partes inferiores do corpo se desenvolvem proporcionalmente. O segundo princípio é o próximo- distal, que indica que o crescimento e o desenvolvimento ocorrem do centro do corpo em direção às extremidades. No útero, a cabeça e o tronco se desenvolvem antes dos braços e das pernas. À medida que a criança cresce, ela aprende a usar as partes superiores do corpo antes de dominar as inferiores. Por exemplo, o bebê aprende a controlar os braços antes de usar as pernas para caminhar e adquire o controle da cabeça antes de aprender a sentar-se sozinho. É importante ressaltar que o crescimento e o desenvolvimento do bebê são influenciados por fatores genéticos e ambientais. Os genes herdados desempenham um papel na determinação da altura, do peso e de outras características físicas da criança. No entanto, esses fatores genéticos interagem com influências ambientais, como a nutrição e as condições de vida, que também desempenham um papel significativo no desenvolvimento físico. Nos últimos anos, tem-se observado que crianças em países desenvolvidos tendem a ser mais altas e amadurecem mais cedo do que as crianças de um século atrás. Isso é atribuído, em grande parte, a melhorias na nutrição, nas condições sanitárias e na assistência médica. O desenvolvimento do cérebro é uma parte essencial do desenvolvimento físico e ocorre de forma gradual ao longo da infância. Ao nascer, o cérebro do bebê possui apenas uma fração do seu volume adulto, e seu crescimento continua até a idade adulta. Durante o desenvolvimento cerebral, ocorrem surtos de crescimento em diferentes momentos, nos quais partes específicas do cérebro crescem mais rapidamente, refletindo o refinamento e a especialização das funções cerebrais. CAPACIDADES SENSORIAIS INICIAIS E DESENVOLVIMENTO MOTOR NO BEBÊ Nos primeiros meses de vida, o desenvolvimento do bebê é marcado por uma rápida evolução das capacidades sensoriais, permitindo que ele comece a compreender o mundo ao seu redor por meio do tato, visão, audição, olfato e paladar. Cada um desses sentidos desempenha um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. O tato é o primeiro sentido a se desenvolver, e nos primeiros meses de vida, é o sistema sensorial mais maduro. O bebê pode sentir o toque suave da mão dos pais, o aconchego de um abraço e até mesmo a sensação de cócegas. Essas experiências táteis desempenham um papel crucial no conforto e na comunicação com o bebê. Ainda falando sobre sensações, é importante destacar que os recém- nascidos realmente sentem dor. Eles podem reagir com choro e desconforto quando submetidos a procedimentos dolorosos, como vacinações. No entanto, o contato físico, como abraçar e segurar o bebê, pode aliviar essa sensação de dor e proporcionar conforto. O olfato e o paladar também começam a se desenvolver no útero. Os bebês são capazes de detectar os sabores dos alimentos que a mãe consome, tanto através do líquido amniótico quanto do leite materno. Essa exposição precoce aos diferentes sabores pode influenciar as preferências alimentares do bebê ao longo do tempo. Introduzir uma variedade de sabores na dieta da criança durante a primeira infância pode levar a uma maior aceitação de alimentos na segunda infância. A audição é outro sentido crucial para o bebê. Desde os primeiros dias de vida, os bebês são capazes de reconhecer palavras que ouviram anteriormente e, com o tempo, desenvolvem a capacidade de distinguir sons semelhantes, como «ba» e «pa». Por volta dos 4 meses de idade, o cérebro do bebê começa a responder à fala e eles podem identificar músicas familiares. A visão, por sua vez, é o sentido menos desenvolvido quando o bebê nasce. Os olhos do bebê são proporcionalmente menores em relação aos dos adultos, e suas estruturas visuais estão em processo de desenvolvimento. O campo de visão periférica é inicialmente estreito, mas se expande significativamente nas primeiras semanas e já está bem desenvolvido no terceiro mês. Desde o início, os bebês têm uma preferência por olhar para rostos humanos e, entre 4 e 8 meses, demonstram interesse em observar a boca, à medida que começam a aprender sobre a linguagem. Conforme o bebê cresce, o desenvolvimento motor se torna uma parte essencial do seu desenvolvimento. Os marcos motores são conquistas progressivas que preparam a criança para adquirir habilidades mais complexas. O bebê começa aprendendo habilidades motoras simples, como segurar objetos, e, gradualmente, avança para habilidades mais avançadas, como o movimento de pinça, utilizando o polegar e o indicador para agarrar objetos. É importante destacar que, aos 3 anos de idade, é recomendado realizar um teste de visão para detectar possíveis problemas oftalmológicos. Os consultórios médicos possuem materiais adequados para essa faixa etária, substituindo os números por desenhos para avaliar a acuidade visual da criança. À medida que o bebê cresce e explora o mundo ao seu redor, as capacidades sensoriais e o desenvolvimento motor desempenham um papel fundamental em sua jornada de aprendizado e crescimento. Estimular e proporcionar experiências enriquecedoras em todas essas áreas contribuirá para o desenvolvimento saudável e integral da criança. DESENVOLVIMENTO MOTOR E PERCEPÇÃO NO BEBÊ O desenvolvimento motor e a percepção sensorial desempenham um papel crucial no crescimento e na interação do bebê com seu ambiente. Ao longo dos primeiros meses e anos de vida, o bebê atinge marcos importantes que refletem sua progressão no controle da cabeça, das mãos e na locomoção. Quando nascem, a maioria dos bebês consegue virar a cabeça de um lado para o outro enquanto está deitado de costas. Quando colocados de bruços, muitos bebês levantam a cabeça para conseguir virá-la. Por volta dos quatro meses de idade, quase todos os bebês são capazes de manter a cabeça ereta quando são segurados ou apoiados em posição sentada. Figura 2 – Desenvolvimento motor da criança Fonte: jornal.usp.br, 2024. O controle da mão também se desenvolve ao longo dos primeiros meses. Por volta dos 3 meses e meio de idade, a maioria dos bebês consegue agarrar um objeto de tamanho moderado, como um chocalho. Entre os 7 e 11 meses, as mãos se tornam mais coordenadas, permitindo que o bebê pegue objetos pequenos com a técnica da pinça. Por volta dos 15 meses, o bebê já é capaz de montar uma torre com cubos, demonstrando maior destreza manual. No que diz respeito à locomoção, por volta dos 6 meses, o bebê adquire a habilidade de sentar-se sozinho, e aos 8 meses, já é capaz de manter-se sentado sem apoio. Entre os 6 e 10 meses, o bebê começa a engatinhar, um marco importante que auxilia na avaliação de distâncias e na percepção de profundidade. Por volta dos 7 meses, o bebê consegue ficar de pé com algum apoio ou segurando na mão de alguém, e por volta dos 11 meses, já é capaz de ficar de pé sozinho, sem apoio. Pouco tempo depois de ficar de pé sozinho, a maioria das crianças dá seu primeiro passo sem precisarde ajuda, marcando o início do desenvolvimento da marcha. Além do desenvolvimento motor, a percepção sensorial também desempenha um papel fundamental na exploração do ambiente pelo bebê. Por volta dos 4 ou 5 meses, os bebês começam a demonstrar interesse em pegar objetos, embora ainda não o façam de maneira perfeita. Durante muito tempo, os pesquisadores acreditavam que os bebês não conseguiram aprimorar esse movimento porque ainda não tinham orientação visual. No entanto, estudos mais recentes mostraram que os bebês conseguem alcançar objetos mesmo no escuro, utilizando a memória e outros sentidos para auxiliá-los nessa tarefa. Por volta dos 5 a 7 meses, os bebês começam a aplicar o sentido do tato de forma mais eficaz para explorar os objetos ao seu redor. Essa habilidade crescente permite que eles tenham uma compreensão mais completa do ambiente e desenvolvam uma maior percepção espacial. O desenvolvimento motor e a percepção sensorial estão intrinsecamente ligados, permitindo que o bebê aprenda sobre si mesmo e sobre o mundo ao seu redor. Estimular e oferecer oportunidades de exploração nesses aspectos contribui para um desenvolvimento saudável e integral da criança, preparando-a para as próximas etapas emocionantes de seu crescimento. DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Como os bebês aprendem a resolver problemas? Quando a memória se desenvolve? Como explicar as diferenças individuais nas habilidades cognitivas? Podemos prever o quanto um bebê será inteligente no futuro? Essas são questões fundamentais no estudo do desenvolvimento infantil, e diferentes abordagens têm sido utilizadas para compreendê-las. A abordagem behaviorista tem como objetivo entender como o comportamento dos bebês muda em resposta à experiência. Os behavioristas investigam os mecanismos básicos da aprendizagem, como o condicionamento clássico e operante. Enquanto o condicionamento clássico se concentra na previsão de eventos, o condicionamento operante analisa as consequências do comportamento. Os bebês são capazes de aprender a associar estímulos e consequências desde cedo, e seus comportamentos tendem a persistir com base na exposição aos estímulos e nas consequências que recebem. A abordagem psicométrica se concentra em medir diferenças quantitativas nas habilidades cognitivas que compõem a inteligência. Essa abordagem utiliza testes de desenvolvimento e de inteligência para avaliar habilidades como adquirir, lembrar e utilizar conhecimento, compreender conceitos e resolver problemas. No entanto, é importante notar que a medição da inteligência em bebês é um desafio, pois os testes tradicionais de inteligência geralmente são aplicados em crianças em idade escolar. Testar bebês envolve observar suas capacidades e limitações, mas também levar em consideração que eles podem não realizar determinadas atividades devido a diversos fatores, como falta de interesse, falta de compreensão ou simplesmente por escolha própria. Portanto, a previsão do quão inteligente um bebê será no futuro é praticamente impossível. No entanto, existem escalas de desenvolvimento que permitem detectar possíveis déficits sensoriais, neurológicos e ambientais desde cedo. Por exemplo, as Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil são testes padronizados que avaliam o desenvolvimento mental e motor de bebês e crianças até 3 anos. Além disso, o Inventário HOME de Observação Doméstica é um instrumento utilizado para medir a influência do ambiente doméstico no desenvolvimento cognitivo da criança. Outras abordagens, como a piagetiana, a do processamento da informação e a da neurociência cognitiva, também têm contribuído para o entendimento do desenvolvimento cognitivo na infância. A abordagem piagetiana enfoca as mudanças qualitativas no funcionamento cognitivo, buscando compreender como a mente estrutura suas atividades e se adapta ao ambiente. A abordagem do processamento da informação investiga como as crianças processam as informações desde o momento em que as recebem até o uso delas. Já a abordagem da neurociência cognitiva busca identificar quais estruturas cerebrais estão envolvidas em aspectos específicos da cognição. Por fim, a abordagem sociocontextual enfatiza os efeitos dos aspectos ambientais, como o papel dos pais e cuidadores, nos processos de aprendizagem. No primeiro subestágio (0 a 1 mês), os bebês exibem comportamentos reflexos e começam a desenvolver a noção de que suas ações podem ter um efeito no ambiente. Eles demonstram ações repetitivas, como sugar e agarrar objetos próximos. No segundo subestágio (1 a 4 meses), os bebês começam a explorar o ambiente por meio dos sentidos. Eles direcionam sua atenção para estímulos visuais, auditivos e táteis, e demonstram interesse em objetos que se movem. No terceiro subestágio (4 a 8 meses), os bebês começam a desenvolver a noção de causalidade. Eles percebem que suas ações podem causar efeitos específicos no ambiente. Por exemplo, eles podem bater em um brinquedo para fazer barulho. No quarto subestágio (8 a 12 meses), os bebês adquirem a capacidade de coordenar ações para alcançar um objetivo específico. Eles podem realizar ações intencionais, como empurrar um objeto para alcançar outro objeto desejado. No quinto subestágio (12 a 18 meses), os bebês começam a desenvolver a capacidade de representar mentalmente objetos ausentes. Eles demonstram comportamentos simbólicos, como brincar de «faz de conta» usando objetos imaginários. No sexto subestágio (18 a 24 meses), os bebês desenvolvem a capacidade de usar símbolos e linguagem para representar objetos e eventos. Eles começam a formar palavras e frases simples, demonstrando um aumento significativo na capacidade de comunicação e expressão. A abordagem piagetiana enfatiza que o desenvolvimento cognitivo ocorre por meio de interações ativas entre os bebês e seu ambiente. À medida que os bebês passam pelos estágios sensório-motores, eles adquirem progressivamente habilidades cognitivas mais avançadas, como o pensamento simbólico e a resolução de problemas. É importante ressaltar que cada criança progride em seu próprio ritmo e pode apresentar variações individuais no desenvolvimento cognitivo. Fatores genéticos, ambientais e de estimulação desempenham um papel importante nas diferenças individuais nas habilidades cognitivas. Portanto, é difícil fazer previsões precisas sobre a inteligência futura de um bebê, uma vez que o desenvolvimento cognitivo é influenciado por uma ampla gama de fatores. Na abordagem do processamento da informação, os pesquisadores analisam as diferentes etapas envolvidas em uma tarefa para compreender quais habilidades são necessárias em cada uma delas e em que idade essas habilidades se desenvolvem. Durante o primeiro ano de vida, a velocidade de processamento aumenta rapidamente. A criança se torna capaz de distinguir informações novas e aprimorar sua capacidade de formar e obter imagens mentais. Os bebês que conseguem rapidamente deslocar a atenção de uma imagem para outra tendem a ter uma melhor memória de reconhecimento e uma preferência por novidade mais pronunciada. Os pesquisadores também investigam o desenvolvimento da atenção. Nos primeiros meses de vida, os bebês tendem a olhar por mais tempo para imagens novas. Entre 4 e 8 meses, o tempo de visão diminui à medida que os bebês aprendem a examinar objetos de forma mais eficiente e a deslocar a atenção mais rapidamente. Bebês que observam estímulos por menos tempo demonstram melhor memória posteriormente e têm um melhor controle executivo na segunda infância. Entre 10 e 11 meses, os bebês começam a acompanhar o olhar dos adultos, o que auxilia no desenvolvimento do vocabulário aos 18 meses, 2 anos e 2 anos e meio. Na abordagem da neurociência cognitiva, os pesquisadores examinam os aspectosfísicos do sistema nervoso central para identificar quais estruturas cerebrais estão envolvidas em diferentes aspectos da cognição. Assim, estudam as evidências físicas da memória, tanto implícita quanto explícita. A memória implícita envolve recordações inconscientes de hábitos e habilidades, como amarrar os cadarços, e parece se desenvolver cedo. Já a memória explícita é intencional e consciente, geralmente relacionada a nomes, fatos e eventos. No entanto, como os bebês ainda não sabem falar, essa memória explícita não pode ser declarada nessa fase. Na abordagem sociocontextual, os pesquisadores exploram como o contexto cultural influencia as primeiras interações sociais, que podem promover a competência cognitiva. Um conceito importante é o da participação guiada, que envolve as interações com adultos que ajudam a estruturar as atividades da criança. Essa participação guiada ocorre principalmente durante brincadeiras e nas atividades cotidianas. Nessa abordagem, é possível observar como os bebês adquirem a linguagem, como o desenvolvimento do cérebro está relacionado ao desenvolvimento da linguagem e como os cuidadores contribuem para esse processo. DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL A combinação de emoções, temperamento, pensamento e comportamento é o que torna cada pessoa única e resulta em diferentes personalidades. Embora os bebês sigam padrões de desenvolvimento semelhantes, a personalidade é o que os torna indivíduos únicos. A partir da primeira infância, a personalidade se entrelaça com as relações sociais, formando o que é conhecido como desenvolvimento psicossocial. Ao estudar o desenvolvimento psicossocial, primeiro analisamos as emoções, em seguida o temperamento e, por último, as experiências sociais da criança na família e como os pais influenciam seu comportamento. Os primeiros sinais de emoção aparecem nos bebês. Durante o primeiro mês, eles choram quando estão infelizes e se acalmam ao ouvirem uma voz humana ou quando são acolhidos no colo. Conforme o tempo passa, os bebês começam a exibir mais expressões emocionais, o que são indicativos importantes de seu desenvolvimento. O choro é a principal forma de comunicação usada pelos bebês para expressar suas necessidades e é considerado um sinal genuíno de carência. Os pais aprendem a reconhecer se o bebê está chorando de fome, raiva, frustração ou dor. Os primeiros sorrisos ocorrem espontaneamente logo após o nascimento e são resultados da atividade do sistema nervoso subcortical. Esses sorrisos involuntários são frequentes durante os períodos de sono REM. O sorriso social se desenvolve por volta do segundo mês de vida, quando os bebês começam a olhar e sorrir para seus pais. A risada, uma vocalização associada ao sorriso, torna-se mais comum entre os 4 e 12 meses. A partir dos 12 meses, os bebês passam a se comunicar intencionalmente com os outros, incluindo objetos. Processos afetivos positivos são recíprocos. Mães com baixo nível de estresse tendem a ter bebês que sorriem e riem com mais frequência. O desenvolvimento emocional segue uma ordem, onde emoções mais complexas se desenvolvem a partir de emoções mais simples. De acordo com Lewis (1997), o bebê demonstra sinais de contentamento, interesse e aflição logo após o nascimento. Nos próximos 6 meses, esses estados emocionais iniciais se diferenciam em emoções verdadeiras, como alegria, surpresa, tristeza, repugnância e, posteriormente, raiva e medo. As emoções autoconscientes surgem quando a criança já tem uma compreensão cognitiva de que possui uma identidade reconhecível, separada e diferente do resto do mundo. Isso ocorre por volta dos 15 a 24 meses. Algumas emoções autoconscientes incluem constrangimento, empatia e inveja. Por volta dos 3 anos, a criança se torna capaz de avaliar seus próprios pensamentos, planos, desejos e comportamentos em relação ao que é socialmente apropriado. Bebês de 1, 3, 6 e 9 meses apresentam suas primeiras reações empáticas. Eles respondem ao choro de outros bebês com expressões faciais de aflição e até mesmo com seu próprio choro. O temperamento é uma característica individual que varia de bebê para bebê. Alguns são agitados, enquanto outros são felizes e contentes. Alguns são ativos e inquietos, enquanto outros são mais relaxados. Além disso, alguns bebês têm facilidade em se relacionar com novas pessoas, enquanto outros podem apresentar uma tendência a evitar o contato. Essas diferenças individuais iniciais são conhecidas como temperamento. O temperamento influencia a forma como a criança reage ao mundo exterior e como regula suas funções mentais, emocionais e comportamentais. Embora as habilidades dos bebês possam mudar significativamente, o temperamento tende a se manter estável dos 2 aos 13 meses de idade. Um estudo realizado em Nova York com 133 bebês, acompanhados até a idade adulta, conseguiu agrupar a maioria das crianças em apenas três categorias de temperamento: 1. Crianças fáceis: Essas crianças têm um temperamento alegre, ritmos biológicos regulares e estão dispostas a aceitar novas experiências. Elas geralmente têm uma disposição positiva, respondem bem a novidades e mudanças, estabelecem rapidamente horários regulares de sono e alimentação, e tendem a sorrir para estranhos. 2. Crianças difíceis: Essas crianças têm um temperamento irritadiço, ritmos biológicos irregulares e respostas emocionais intensas. Elas choram com frequência e intensidade, têm dificuldade em se adaptar a mudanças e a novas situações, apresentam padrões irregulares de sono e alimentação, demoram a aceitar novos alimentos e podem demonstrar desconfiança em relação a estranhos. 3. Crianças de aquecimento lento: Essas crianças têm um temperamento moderado, mas podem hesitar em aceitar novas experiências. Elas apresentam reações tanto positivas quanto negativas, respondem mais lentamente a mudanças, têm padrões intermediários de sono e alimentação e sua primeira reação a algo novo tende a ser negativa. Essas categorias de temperamento fornecem uma maneira de entender as diferentes características e comportamentos dos bebês. É importante lembrar que o temperamento não é fixo e pode ser influenciado por fatores ambientais e experiências ao longo do tempo. SEGUNDA INFÂNCIA A segunda infância é o período que abrange aproximadamente dos 3 aos 6 anos de idade. Também conhecida como pré-escolar, essa fase é marcada por uma série de mudanças significativas na criança, tanto em termos físicos como emocionais, cognitivos e sociais. Durante esse período, as crianças se tornam mais independentes, adquirem habilidades motoras mais refinadas, aprimoram suas habilidades linguísticas e exploram ativamente o mundo ao seu redor. Uma das características centrais da segunda infância é o rápido desenvolvimento da linguagem e da comunicação. As crianças nessa faixa etária passam por um surto de vocabulário e começam a construir frases mais complexas. Isso lhes permite expressar suas necessidades, desejos e emoções com maior facilidade, além de promover interações mais sofisticadas com os outros. Além disso, a segunda infância é uma época em que as crianças começam a desenvolver habilidades sociais e emocionais mais avançadas. Elas aprendem a compartilhar, cooperar e interagir com seus pares de maneira mais complexa. Também começam a entender melhor as emoções, tanto as suas próprias como as dos outros, o que facilita a empatia e a compreensão emocional. No aspecto cognitivo, a segunda infância é marcada por um crescimento considerável nas habilidades de raciocínio e resolução de problemas. As crianças se tornam mais capazes de pensar de forma lógica, fazer associações Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, a professora fala resumidamente sobreo Desenvolvimento físico, cognitivo, motor e psicossocial na segunda infância. Desenvolvimento físico, cognitivo, motor e psicossocial na segunda infância. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=_kS3ECrV_cU. Acesso em 26 de fev de 2024. https://www.youtube.com/watch?v=_kS3ECrV_cU e compreender conceitos abstratos. Esse avanço cognitivo é essencial para o seu desenvolvimento acadêmico posterior, à medida que se preparam para entrar na escola formal. É importante destacar que, durante a segunda infância, a influência dos pais e cuidadores continua sendo fundamental. Eles desempenham um papel crucial na promoção do desenvolvimento saudável da criança, fornecendo um ambiente seguro, amoroso e estimulante. O apoio emocional, a interação positiva e o estímulo às habilidades motoras, cognitivas e sociais são essenciais para um desenvolvimento equilibrado nessa fase. Em resumo, a segunda infância é um período de grandes transformações e progresso na vida de uma criança. É um momento em que suas habilidades e competências se expandem, permitindo-lhes explorar o mundo e interagir com os outros de maneira mais sofisticada. É fundamental oferecer suporte e estímulo adequados para garantir um desenvolvimento saudável e bem- sucedido nessa fase tão importante da vida. DESENVOLVIMENTO FÍSICO E COGNITIVO Em termos de crescimento físico, as crianças na segunda infância tendem a emagrecer e crescer rapidamente. Elas também precisam dormir menos do que antes e têm maiores chances de desenvolver distúrbios do sono. No entanto, também melhoram sua capacidade de correr, saltar, pular e jogar bola. Além disso, tornam-se melhores em habilidades como amarrar cadarços e desenhar com lápis de cor, além de começarem a demonstrar preferência por usar a mão direita ou esquerda. Durante os anos de 3 a 6, as crianças experimentam crescimento e alterações corporais significativas. Elas perdem a forma roliça característica dos bebês e adquirem uma aparência mais esguia e atlética da infância. Os músculos abdominais se desenvolvem, fortalecendo a barriga que costumava ser grande nos primeiros anos. O tronco, os braços e as pernas ficam mais longos, enquanto a cabeça ainda é relativamente grande, formando uma proporção corporal mais equilibrada. No que diz respeito aos padrões e distúrbios do sono, aos 5 anos, a maioria das crianças dorme em média 11 horas por dia e não faz mais cochilos durante o dia. No entanto, distúrbios do sono, como terror noturno, caminhar e falar durante o sono, pesadelos e enurese noturna (urinar na cama), ainda podem ocorrer nessa fase. Esses distúrbios podem ser causados por diferentes fatores, como o desenvolvimento do sistema motor do cérebro, despertares durante o sono profundo, respiração desordenada, ansiedade de separação, anormalidades nasais e sobrepeso. O desenvolvimento cerebral também é um aspecto importante nessa idade. Dos 3 aos 6 anos, o crescimento mais rápido ocorre nas áreas frontais do cérebro, responsáveis pelo planejamento e estabelecimento de metas. Aos 6 anos, o cérebro já alcançou aproximadamente 90% de seu volume máximo. Dos 6 aos 11 anos, ocorre um crescimento acelerado em áreas relacionadas ao pensamento associativo, linguagem e relações espaciais. Em relação às habilidades motoras, as crianças em idade escolar têm avanços significativos nas habilidades motoras grossas, como correr e saltar, que envolvem os grandes músculos. Essas habilidades motoras desenvolvidas na segunda infância são fundamentais para o envolvimento em esportes, dança e outras atividades que frequentemente começam na terceira infância. A coordenação motora está associada aos níveis de atividade física durante a infância e a adolescência. A falta de coordenação motora está relacionada a um maior risco de obesidade ou sobrepeso em crianças. É importante destacar que crianças com menos de 6 anos raramente estão preparadas para participar de esportes organizados, pois suas capacidades físicas e motoras ainda estão em desenvolvimento. Portanto, é recomendado que as crianças participem de brincadeiras livres, ativas e não estruturadas, onde o desenvolvimento físico pode florescer. As habilidades motoras finas, como abotoar a camisa e desenhar imagens, envolvem a coordenação olhos-mãos e dos pequenos músculos, permitindo que as crianças pequenas assumam mais responsabilidades por seus cuidados pessoais. Na segunda infância, estudado o estágio pré-operatório de Piaget, que ocorre aproximadamente dos 2 aos 7 anos de idade. Nesse estágio, as crianças são caracterizadas pelo uso do pensamento simbólico, porém ainda não estão preparadas para se envolver em operações mentais lógicas. Durante esse período, observa-se uma série de avanços e pontos imaturos que são importantes para compreender o desenvolvimento nessa fase. Um dos avanços mais significativos é o desenvolvimento do pensamento simbólico, que acompanha o entendimento de espaço, causalidade, identidade, categorização e número. Por exemplo, em idade pré-escolar, as crianças demonstram a função simbólica através da imitação e das brincadeiras de faz de conta. Além disso, por volta dos 5 anos de idade, elas já conseguem compreender mapas e maquetes, sendo capazes de seguir direções para encontrar objetos perdidos. Outro aspecto importante é a diferenciação entre fantasia e realidade. Entre 18 meses e 3 anos, as crianças aprendem a distinguir eventos reais de coisas imaginárias. Por exemplo, aos 3 anos de idade, elas já conseguem identificar a diferença entre um cachorro real e um cachorro em um sonho. Além disso, nessa faixa etária, as crianças desenvolvem a capacidade de fingir e reconhecer quando alguém está fingindo. Aos 4 anos, a maioria delas já é capaz de completar histórias usando a causalidade do mundo real, sem elementos fantasiosos. No que diz respeito ao processamento da informação, durante a segunda infância, as crianças apresentam melhorias na atenção, rapidez e eficiência no processamento de informações, além de começarem a formar memórias de longo prazo. Entre 2 e 5 anos, há um desenvolvimento das funções executivas, o que permite que as crianças criem e utilizem regras complexas para resolver problemas. Aos 4 e 5 anos, elas se destacam mais no reconhecimento do que na lembrança, ou seja, têm maior facilidade em identificar algo encontrado antes do que em reproduzir um conteúdo da memória. Na abordagem psicométrica e vygotskiana da inteligência, é possível observar algumas diferenças. Nos testes de inteligência para crianças de 3 a 5 anos, é comum incluir mais itens verbais devido ao melhor desempenho linguístico nessa faixa etária. A pontuação do Quociente de Inteligência (QI) é uma medida que compara a capacidade da criança de realizar determinadas tarefas dentro de um tempo estabelecido em relação a outras crianças da mesma idade. Já de acordo com a teoria de Vygotsky, a aprendizagem ocorre por meio da interação com os adultos, na qual as crianças internalizam os resultados dessas interações. A aprendizagem interativa é considerada mais efetiva e auxilia as crianças a avançarem pela zona de desenvolvimento proximal. Testes dinâmicos são utilizados para avaliar essa zona, proporcionando medidas mais abrangentes em comparação aos testes psicométricos. Enfatizam o potencial de aprendizagem, no qual os examinadores podem ajudar as crianças com perguntas, exemplos, demonstrações e feedback, transformando o próprio teste em uma situação de aprendizagem. O desenvolvimento da linguagem é um aspecto crucial nessa fase. Entre 3 e 6 anos, as crianças apresentam avanços rápidos no vocabulário, na gramática e na sintaxe. Aos 3 anos, elas já podem utilizar entre 900 e 1.000 palavras. Aos 6 anos, o vocabulário pode chegar a 2.600 palavras, enquanto a compreensão passivaou receptiva (palavras que a criança entende) pode chegar a 20.000 palavras. Com a inclusão escolar, o vocabulário passivo aumenta significativamente, alcançando cerca de 80.000 palavras. Quanto à gramática e sintaxe, aos 3 anos, as crianças começam a utilizar plurais, possessivos e verbos no pretérito, além de compreenderem as diferenças entre pronomes como «eu», «você» e «nós». Elas também são capazes de fazer e responder perguntas sobre o quê e onde. Apesar desses avanços, as falas das crianças ainda são curtas, simples e declarativas. Entre 4 e 5 anos, as frases têm em média quatro a cinco palavras e podem ser declarativas, negativas, interrogativas ou imperativas. Dos 5 aos 7 anos, a fala das crianças se assemelha cada vez mais à fala do adulto, embora ainda possam ocorrer erros relacionados ao aprendizado das regras e suas exceções. É importante destacar que cerca de 11% das crianças de 3 a 6 anos apresentam algum transtorno de comunicação, sendo os problemas de fala ou linguagem os mais comuns. Esses transtornos podem estar associados a problemas de audição, anormalidades na cabeça e na face, nascimento prematuro, histórico familiar, fatores socioeconômicos e outros atrasos no desenvolvimento. O diagnóstico e intervenção precoces são essenciais para auxiliar no desenvolvimento da linguagem e minimizar os impactos desses transtornos na vida da criança. DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL Entre os 5 e 7 anos, ocorre uma mudança na autodefinição da criança, na forma como ela se descreve. Nessa idade, a criança é capaz de fazer associações lógicas entre dois aspectos de si mesma. Antes dessa idade, a criança é unidimensional em sua autodefinição, por exemplo, ela pode dizer «eu sou forte» ou «eu gosto de pizza», mas não consegue imaginar ter duas emoções ao mesmo tempo, como «eu corro bem rápido e subo bem alto e também sou forte». A autoestima, que é o julgamento que a pessoa faz sobre seu valor pessoal, não é expressada pelas crianças na segunda infância. Elas acreditam que são completamente boas ou completamente ruins. Somente a partir da terceira infância é que a autoestima se torna mais realista. O papel dos pais desempenha um papel importante na construção da autoestima das crianças. Crianças que acreditam que terão sucesso em uma atividade, como montar um quebra-cabeça, e têm confiança em sua capacidade de enfrentar desafios tendem a ter pais que elogiam seus esforços, não apenas suas habilidades inatas. A regulação emocional, ou seja, a capacidade de controlar ou regular os próprios sentimentos, é um avanço importante na segunda infância. A autorregulação emocional ajuda as crianças a guiar seu comportamento e ajustar suas respostas. Por exemplo, crianças que anteriormente não conseguiam esperar, agora conseguem se comportar de forma diferente, sendo melhores em atividades que exigem desacelerar intencionalmente, inibir comportamentos em um jogo ou prestar mais atenção. Por volta dos 5 anos, as crianças já são capazes de entender o impacto de suas ações sobre as emoções das outras pessoas. Elas percebem como as emoções se manifestam nas outras pessoas e entendem que relembrar algo que aconteceu pode trazer de volta aquela emoção. Na idade pré-escolar, elas já conseguem falar sobre seus próprios sentimentos e geralmente também sobre os sentimentos dos outros. Compreendem que as emoções estão ligadas a experiências e desejos. Ainda por volta dos 4 ou 5 anos, a maioria das crianças é capaz de reconhecer expressões faciais de alegria, tristeza, medo, raiva, surpresa e nojo. Elas também conseguem perceber as posturas corporais relacionadas às emoções, como ombros caídos ou uma postura agressiva quando alguém está bravo. Em torno dos 7 anos, as crianças começam a entender que os estados mentais podem provocar emoções, ou seja, entendem que é possível sentir uma coisa e parecer outra. Elas também compreendem que as crenças de uma pessoa, mesmo que não sejam verdadeiras, podem afetar seu estado emocional. Aos 9 anos, as crianças começam a entender aspectos mais complexos das emoções, como o fato de que as situações podem ser vistas de múltiplos pontos de vista e que as pessoas podem ter emoções conflitantes, como ficar com raiva de uma pessoa e ainda amá-la. No que diz respeito às emoções direcionadas a si mesmas, por volta dos 3 anos, as crianças começam a experimentar emoções como culpa, vergonha e orgulho. Essas emoções surgem à medida que a criança adquire consciência de si mesma e compreende os padrões de comportamento estabelecidos pelos pais. O brincar na infância também desempenha um papel importante. Um estudo de Mildred B. Parten identificou seis tipos de brincadeiras e observou que, à medida que a criança fica mais velha, suas brincadeiras tendem a se tornar mais sociáveis, interativas e cooperativas. No entanto, crianças de todas as idades se envolvem em todas as categorias do brincar. Um tipo de brincadeira comum na infância são os amigos imaginários. Esse fenômeno é normal e ocorre com frequência em filhos mais velhos e filhos únicos, sendo mais comum em meninas. Crianças com amigos imaginários têm a capacidade de distinguir claramente a fantasia da realidade. Elas brincam de forma mais imaginativa e cooperativa do que as outras crianças, têm mais amigos e apresentam melhor desempenho em tarefas relacionadas ao entendimento emocional. Segundo avaliação de professores, crianças com amigos imaginários demonstram mais discurso particular e contam histórias mais elaboradas sobre experiências sociais e histórias de livros. Além disso, apresentam melhor desempenho em atividades que envolvem fantasia e imaginação. Na segunda infância, surgem três comportamentos especiais que podem ser desafiadores tanto para os pais quanto para os profissionais que trabalham com essas crianças e cuidadores: altruísmo, controle da agressividade e os medos comuns entre os 3 e 6 anos. O altruísmo é a motivação em ajudar os outros sem expectativa de recompensa. Isso pode ser observado quando a criança ajuda um colega ou divide algo sem que seja solicitado. Antes de completar 2 anos, a criança já é capaz de dividir objetos e brinquedos e oferecer consolo a um coleguinha que está chorando. As crianças que são emocionalmente bem orientadas tendem a apresentar mais comportamentos altruístas entre os 3 e 4 anos. Isso ocorre especialmente em crianças que recebem afeto, vivem em ambientes não violentos e não são punidas de maneira inadequada. Aquelas que são mais receptivas ao ponto de vista dos outros são mais eficazes ao ajudar, cooperar e consolar os outros. No que diz respeito à agressividade, entre os 2 anos e meio e os 5 anos, é comum as crianças brigarem por brinquedos e espaço. Curiosamente, as crianças que mais brigam tendem a ser as mais sociáveis e competentes. À medida que a criança desenvolve maior autocontrole e habilidade para se expressar verbalmente, a agressão física tende a dar lugar à agressão verbal. O temperamento da criança pode influenciar esse comportamento, sendo que crianças muito emotivas e com baixo autocontrole tendem a expressar a raiva por meio da agressividade. O comportamento dos pais também influencia diretamente a agressividade da criança. Um apego inseguro e a falta de carinho e afeto materno na primeira infância podem predizer a agressividade na segunda infância. Outras causas para o surgimento da agressividade incluem clima familiar estressante e não estimulante, disciplina severa, falta de afeto materno e apoio social, disfunção familiar, exposição Um tipo de brincadeira comum na infância são os amigos imaginários. Esse fenômeno é normal e ocorre com frequência em filhos mais velhos e filhos únicos, sendo mais comum em meninas. Crianças com amigos imaginários têm a capacidade de distinguir claramentea fantasia da realidade. Elas brincam de forma mais imaginativa e cooperativa do que as outras crianças, têm mais amigos e apresentam melhor desempenho em tarefas relacionadas ao entendimento emocional. Segundo avaliação de professores, crianças com amigos imaginários demonstram mais discurso particular e contam histórias mais elaboradas sobre experiências sociais e histórias de livros. Além disso, apresentam melhor desempenho em atividades que envolvem fantasia e imaginação. Na segunda infância, surgem três comportamentos especiais que podem ser desafiadores tanto para os pais quanto para os profissionais que trabalham com essas crianças e cuidadores: altruísmo, controle da agressividade e os medos comuns entre os 3 e 6 anos. O altruísmo é a motivação em ajudar os outros sem expectativa de recompensa. Isso pode ser observado quando a criança ajuda um colega ou divide algo sem que seja solicitado. Antes de completar 2 anos, a criança já é capaz de dividir objetos e brinquedos e oferecer consolo a um coleguinha que está chorando. As crianças que são emocionalmente bem orientadas tendem a apresentar mais comportamentos altruístas entre os 3 e 4 anos. Isso ocorre especialmente em crianças que recebem afeto, vivem em ambientes não violentos e não são punidas de maneira inadequada. Aquelas que são mais receptivas ao ponto de vista dos outros são mais eficazes ao ajudar, cooperar e consolar os outros. No que diz respeito à agressividade, entre os 2 anos e meio e os 5 anos, é comum as crianças brigarem por brinquedos e espaço. Curiosamente, as crianças que mais brigam tendem a ser as mais sociáveis e competentes. À medida que a criança desenvolve maior autocontrole e habilidade para se expressar verbalmente, a agressão física tende a dar lugar à agressão verbal. O temperamento da criança pode influenciar esse comportamento, sendo que crianças muito emotivas e com baixo autocontrole tendem a expressar a raiva por meio da agressividade. O comportamento dos pais também influencia diretamente a agressividade da criança. Um apego inseguro e a falta de carinho e afeto materno na primeira infância podem predizer a agressividade na segunda infância. Outras causas para o surgimento da agressividade incluem clima familiar estressante e não estimulante, disciplina severa, falta de afeto materno e apoio social, disfunção familiar, exposição. TERCEIRA INFÂNCIA Durante a terceira infância, que compreende aproximadamente dos 6 aos 12 anos de idade, ocorrem importantes avanços no desenvolvimento da criança em diversas áreas. Vamos explorar três aspectos fundamentais dessa fase: o desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento social e o desenvolvimento emocional. No que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, a terceira infância é caracterizada por um aumento significativo nas habilidades de pensamento abstrato, raciocínio lógico e resolução de problemas. A criança começa a desenvolver uma maior capacidade de pensar de forma sistemática e a compreender conceitos mais complexos. Além disso, ela aprimora suas habilidades de leitura, escrita e matemática, adquirindo um maior domínio das habilidades acadêmicas. Figura 3 – Desenvolvimento terceira infância Fonte: Google, 2024. No aspecto do desenvolvimento social, a terceira infância é marcada pelo aumento da interação social com os pares. As amizades se tornam mais importantes, e as crianças começam a desenvolver habilidades sociais mais refinadas, como negociação, cooperação e resolução de conflitos. Nessa fase, elas também começam a entender e a adotar as regras sociais e a formar uma identidade social, buscando pertencer a grupos e desenvolvendo uma noção de si mesmas em relação aos outros. Quanto ao desenvolvimento emocional, a terceira infância é caracterizada pelo desenvolvimento de uma maior capacidade de compreender e lidar com as próprias emoções. As crianças tornam-se mais conscientes de seus sentimentos e dos outros, aprendendo a expressar emoções de maneira mais adequada e a desenvolver empatia. Durante essa fase, elas também começam a formar uma imagem mais clara de si mesmas e a desenvolver uma autoestima baseada em conquistas e habilidades. Na terceira infância, é importante oferecer às crianças um ambiente seguro, estimulante e enriquecedor. Isso inclui fornecer oportunidades para explorar interesses pessoais, incentivar a curiosidade e a criatividade, e promover atividades que estimulem o pensamento crítico e a resolução de problemas. Além disso, é fundamental apoiar o desenvolvimento socioemocional, oferecendo orientação e apoio emocional, ensinando habilidades sociais e incentivando a empatia e a compreensão dos sentimentos dos outros. Em resumo, a terceira infância é um período de rápido crescimento e desenvolvimento em diversas áreas. As crianças expandem suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais, adquirindo conhecimento e desenvolvendo uma maior compreensão de si mesmas e do mundo ao seu redor. O apoio dos adultos, juntamente com um ambiente favorável, desempenha um papel crucial para promover um desenvolvimento saudável e positivo durante essa fase tão importante da infância. DESENVOLVIMENTO FÍSICO E COGNITIVO Durante a terceira infância, que compreende a faixa etária dos 6 aos 12 anos, ocorrem importantes desenvolvimentos físicos e cognitivos nas crianças. Em relação ao crescimento físico, é observado um ritmo mais lento em comparação às fases anteriores. No entanto, ainda são visíveis as mudanças do dia a dia, e existe uma grande diferença entre uma criança de 6 anos, que ainda é pequena, e uma de 11 anos, que, em muitos casos, começa a parecer um adulto. Durante esse período, as crianças crescem em média de 5 a 7,5 centímetros por ano e ganham aproximadamente o dobro de peso. Em termos de alimentação, é recomendado que as crianças em idade escolar, entre 9 e 13 anos, consumam de 1.400 a 2.600 calorias por dia. Os nutricionistas recomendam uma dieta variada, com uma quantidade significativa de grãos, frutas, vegetais e níveis adequados de carboidratos. No entanto, é comum que, à medida que as crianças crescem, elas tenham uma alimentação menos saudável. Cerca de 20% das crianças não tomam café da manhã, um hábito associado a um maior risco de obesidade. No que diz respeito ao sono, as necessidades diminuem de aproximadamente 12 horas e meia entre os 3 e 5 anos para 10 horas por dia entre os 6 e 13 anos. No entanto, muitas crianças não conseguem dormir o suficiente, o que pode resultar em problemas relacionados ao sono. Diversos fatores podem atrapalhar o sono das crianças, como exposição excessiva a telas, falta de atividade física, tabagismo passivo, problemas de moradia e a presença de televisão no quarto. Na terceira infância, ocorrem avanços significativos no desenvolvimento cerebral. Mudanças na estrutura e no funcionamento do cérebro levam a um processamento mais rápido e eficiente de informações, bem como à capacidade de ignorar estímulos distratores. A parte do cérebro responsável pelo controle do movimento, tônus muscular, atenção e estados emocionais atinge o pico de desenvolvimento aos 7 anos e meio nas meninas e aos 10 anos nos meninos. A compreensão espacial atinge seu auge aos 11 anos, enquanto a linguagem alcança seu ponto máximo aos 14 anos. No âmbito do desenvolvimento motor e da atividade física, as habilidades motoras continuam a se aprimorar durante a terceira infância. Estudos mostram que a atividade física é extremamente benéfica para as crianças. Após um período de exercícios, como correr, pular e brincar, as crianças apresentam maior capacidade de concentração em sala de aula, tornam-se menos inquietas e apáticas, demonstram maior foco e concentração nas tarefas. Em termos do desenvolvimentocognitivo, seguindo a abordagem piagetiana, na terceira infância as crianças atingem o estágio operatório concreto. Nesse estágio, as crianças utilizam operações mentais para resolver problemas concretos e são capazes de pensar logicamente, levando em conta os vários aspectos de uma situação. A conquista desse estágio traz consigo importantes avanços cognitivos no desenvolvimento infantil. É importante ressaltar que cada criança se desenvolve em seu próprio ritmo, e as características descritas são gerais. Os aspectos físicos e cognitivos da terceira infância são fundamentais para o crescimento e preparação das crianças para as próximas fases da vida. De acordo com a abordagem do processamento da informação, durante os anos escolares, as crianças apresentam progresso nas capacidades de atenção, processamento e retenção de informações, planejamento e monitoramento de seu comportamento, tornando-se menos impulsivas. Esse desenvolvimento também contribui para o aprimoramento das funções executivas, que envolvem o controle consciente de pensamentos, emoções e ações visando alcançar objetivos ou resolver problemas. Nessa fase, as crianças também têm um entendimento melhor sobre o funcionamento da memória. Além do desenvolvimento físico do cérebro, as influências ambientais desempenham um papel importante. Por exemplo, a qualidade da parentalidade, o ambiente familiar, a sensibilidade e o apego materno podem influenciar o desenvolvimento das habilidades de funcionamento executivo. Crianças criadas em famílias desorganizadas e caóticas tendem a apresentar um nível menos avançado de funcionamento executivo. É importante mencionar que crianças com um bom desenvolvimento da linguagem demonstram um nível mais alto de funcionamento executivo, enquanto aquelas com atrasos na linguagem podem enfrentar dificuldades nesse aspecto. Em relação à atenção seletiva, as crianças em idade escolar são capazes de se concentrar por períodos mais longos em comparação com crianças mais novas e têm uma maior capacidade de eliminar estímulos distratores. No que diz respeito à memória de trabalho, ocorre um aumento significativo em sua eficiência durante a terceira infância. Entre os 6 e 10 anos de idade, há uma melhora na velocidade de processamento e na capacidade de armazenamento das informações. Na abordagem psicométrica, um dos testes individuais mais utilizados é a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças, que mede habilidades verbais e de desempenho em crianças de 6 a 16 anos. O desenvolvimento da linguagem e da alfabetização também continua na terceira infância. As crianças em idade escolar são mais capazes de compreender e interpretar comunicações verbais e escritas, além de se expressarem de forma mais eficaz. No que se refere ao conhecimento sobre comunicação, a maioria das crianças de 6 anos consegue reproduzir a trama de um pequeno livro ou programa de televisão. Por volta dos 7 ou 8 anos, as histórias das crianças se tornam mais longas e complexas. A aquisição da habilidade de escrita ocorre simultaneamente ao desenvolvimento da leitura. Escrever pode ser um desafio para crianças pequenas, pois elas precisam lidar com várias dificuldades, como ortografia, pontuação, gramática e uso adequado de letras maiúsculas e minúsculas. Essas habilidades de alfabetização exigem prática e desenvolvimento ao longo da terceira infância. Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, Ana Beatriz e colaboradores fala resumidamente sobre o Desenvolvimento na Terceira Infância na visão de Erik Erickson, Lev Vygotsky e Jean Piaget. Desenvolvimento na Terceira Infância | Erik Erickson, Lev Vygotsky e Jean Piaget. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=yEXynVlcMG0. Acesso em 26 de fev de 2024. DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL Durante a terceira infância, o crescimento cognitivo ajuda a criança a desenvolver conceitos mais complexos sobre si mesma e a adquirir compreensão e controle emocional. No início do desenvolvimento, as crianças pequenas têm dificuldade com conceitos abstratos e com a integração das várias dimensões do eu. Seu autoconceito concentra-se mais no físico e na posse, ou seja, no que elas têm. Por volta dos 7 ou 8 anos, os julgamentos que as crianças fazem sobre si mesmas tornam-se mais conscientes, realistas, equilibrados e abrangentes. De acordo com Erik Erikson, um importante determinante da autoestima é a percepção que a criança tem de sua capacidade produtiva. Caso não recebam elogios dos adultos ou dos colegas, ou se não tiverem motivação e autoestima, as crianças podem desenvolver um sentimento de pouco valor e inferioridade. Se as crianças se sentem inadequadas em comparação com outras crianças da mesma idade, é provável que se retraiam e busquem interação apenas com a família, limitando sua interação social. Nessa fase, as crianças tornam-se mais conscientes de seus próprios sentimentos e dos sentimentos dos outros. Elas aprendem o que as deixa com raiva, medo ou tristeza, e como as outras pessoas reagem a essas emoções. Elas também reconhecem que lembrar de eventos passados e pensar sobre o futuro pode afetar seu estado mental. Por volta dos 7 ou 8 anos, as crianças desenvolvem consciência de sentimentos de vergonha e orgulho, e entendem a diferença entre culpa e vergonha. Quando os pais são capazes de reconhecer as emoções dos outros, nomeá-las e permitir que as crianças expressem seus sentimentos, seus filhos tendem a entender e reconhecer melhor as emoções. Pais que reconhecem os sentimentos de dor de seus filhos e os ajudam a focar na solução do problema estimulam o desenvolvimento da empatia e habilidades sociais. Por outro lado, quando os pais respondem às emoções de seus filhos com desaprovação ou punição excessiva, emoções como raiva e medo podem se intensificar, prejudicando o ajustamento social da criança e tornando-a mais reservada ou ansiosa em relação a sentimentos negativos. No que diz respeito à autorregulação emocional, a capacidade de controlar as emoções, a atenção e o comportamento melhora com a idade. Crianças com um apego seguro tendem a reconhecer melhor as emoções e desenvolver estratégias de regulação emocional em comparação com crianças com um apego inseguro. O clima familiar exerce uma influência crucial no desenvolvimento da criança. Um fator importante é a presença ou ausência de conflitos em casa. Outras influências relevantes incluem o trabalho dos pais (se a mãe trabalha, por quanto tempo, se ambos os pais trabalham) e o nível socioeconômico da família. As crianças em idade escolar estão mais inclinadas a seguir os desejos dos pais quando acreditam que eles são justos e se preocupam com o seu bem-estar (autonomia). Crianças expostas a altos níveis de conflito familiar tendem a apresentar respostas como ansiedade, medo, depressão, agressividade, brigas e desobediência. Os níveis socioeconômicos também desempenham um papel no desenvolvimento da criança. A pobreza pode prejudicar o desenvolvimento, pois pais que vivem na pobreza têm maior propensão a apresentar ansiedade, depressão e irritabilidade, podendo ser menos afetuosos com os filhos. A instabilidade familiar, como divórcios ou novos casamentos, também pode acarretar problemas de comportamento. O envolvimento frequente e positivo dos pais com os filhos está diretamente relacionado ao bem-estar e ao desenvolvimento físico, cognitivo e social das crianças. O envolvimento das crianças com seus pares abre novas perspectivas à medida que elas se afastam da presença dos pais. O grupo de pares auxilia as crianças a aprender a ajustar suas necessidades e desejos com os dos outros, quando ceder e quando permanecer firmes. Ao compararem-se com outras crianças da mesma idade, elas podem avaliar suas capacidades e adquirirum senso mais claro de autoeficácia. As crianças são capazes de expressar facilmente com quem gostam de brincar, quem gostam mais ou quem é mais popular entre as outras crianças. Esse fenômeno é conhecido como nomeação positiva. Na terceira infância, crianças cujos colegas gostam delas têm maior probabilidade de serem bem ajustadas na adolescência. Por outro lado, crianças com dificuldades em se relacionar com seus pares têm maior propensão a desenvolver problemas psicológicos, abandonar a escola ou se envolver em comportamentos delinquentes. Crianças são mais competentes socialmente quando provenientes de famílias onde o relacionamento com os pais é carinhoso e afetuoso. Os pais fornecem conselhos diretos sobre como lidar com conflitos e proporcionam às crianças experiências com grupos adequados à sua idade. Pais que são excessivamente controladores ou negativos em suas interações com os filhos têm maior probabilidade de ter filhos agressivos, com baixa competência social e que são rejeitados pelos pares. Sobre amizades, é comum que as crianças busquem amigos que sejam semelhantes a elas em idade, sexo, atividades e interesses. Através das amizades, as crianças aprendem a se comunicar e cooperar umas com as outras. Elas também ajudam umas às outras a enfrentar situações estressantes, como a adaptação escolar ou o divórcio dos pais. As brigas, embora inevitáveis, ajudam as crianças a aprender a resolver conflitos. É nas amizades que elas praticam e aprimoram suas habilidades sociais. Robert Selman estudou as mudanças nas amizades ao longo do desenvolvimento, abrangendo desde os 3 anos até os 45 anos. Durante a idade escolar, as crianças fazem distinção entre «melhores amigos», «bons amigos» e «amigos casuais», com base na intimidade e no tempo que passam juntos. Nessa idade, as meninas parecem se importar menos em ter muitos amigos e preferem ter poucos amigos íntimos em quem possam confiar. Por outro lado, os meninos tendem a ter mais amigos, mas suas amizades tendem a ser menos íntimas e afetuosas. A partir dos 6 ou 7 anos, a maioria das crianças torna-se menos agressiva, menos egocêntrica, mais empática, cooperativa e capaz de se comunicar. A agressão hostil, com intenção de ferir outra pessoa, aumenta consideravelmente, assumindo uma forma mais verbal do que física. No entanto, uma pequena minoria de crianças não aprende a controlar a agressão física, o que tende a levar a problemas sociais e psicológicos. Pesquisas determinaram que ser do sexo masculino, ter um temperamento reativo, passar por separação dos pais e ser criado com uma parentalidade controladora contribuem para a agressividade física em crianças entre 6 e 12 anos. Além disso, a exposição à violência nas mídias e telas também pode influenciar a agressividade. Crianças que veem personagens usando violência para alcançar seus objetivos podem concluir que a força é uma maneira eficaz de resolver conflitos. As crianças são mais vulneráveis do que os adultos à influência da violência na televisão. Aquelas que jogam videogames violentos são participantes ativos que recebem reforço positivo por ações violentas. Como resultado, essas crianças podem apresentar menos comportamentos sociais e empatia, além de exibirem mais comportamentos e pensamentos agressivos, bem como sentimentos de raiva e excitação fisiológica. A prevalência de transtornos mentais em crianças e adolescentes ao redor do mundo é de aproximadamente 13,4%, e há sugestões de que essa taxa esteja aumentando. É importante abordar os problemas emocionais mais comuns que afetam crianças e adolescentes, pois esse grupo frequentemente é mal compreendido. Cerca de 55% das crianças diagnosticadas com problemas emocionais, comportamentais e do desenvolvimento apresentam Transtorno de Desafiador de Oposição (TDO), caracterizado por comportamento agressivo, desafiador ou antissocial. Os outros 45% apresentam transtornos de ansiedade ou de humor, incluindo tristeza, sentimentos de depressão, rejeição, nervosismo, medo ou solidão. Alguns transtornos que podem ocorrer na infância incluem o Transtorno de Conduta, no qual as crianças apresentam acessos de raiva e comportamento desafiador, questionador, hostil ou irritante. É bastante comum em crianças de 4 a 5 anos, e esses sintomas geralmente diminuem na terceira infância, à medida que as crianças adquirem um melhor controle sobre esses comportamentos. Quando esse padrão comportamental persiste até os 8 anos, a criança é diagnosticada com Transtorno Opositor Desafiador (TOD). Crianças com TOD frequentemente estão envolvidas em brigas, discussões, perda de controle, roubo de pertences alheios e demonstram desobediência e hostilidade em relação a figuras de autoridade. Essas crianças também podem desenvolver Transtorno de Conduta (TC), caracterizado por ações agressivas e antissociais, como faltar à escola, provocar incêndios, mentir, brigar, intimidar, roubar, vandalizar e exibir comportamentos relacionados ao uso de drogas e álcool. Determinar se uma criança com tendências antissociais se tornará gravemente antissocial ou cronicamente antissocial envolve observar os déficits neurobiológicos. Esses déficits podem afetar a capacidade da criança de sentir empatia pelos outros, levando à falta de emoção e indiferença. Também podem apresentar impulsividade, baixo QI e desempenho acadêmico abaixo da média. É importante estar atento a esses fatores. A fobia escolar e outros transtornos de ansiedade são comuns em crianças. Algumas crianças podem ter um medo real de frequentar a escola devido a um professor bravo, um colega intimidador ou uma carga excessiva de tarefas escolares. No entanto, a fobia escolar verdadeira é um medo anormal de ir à escola e pode estar relacionada ao Transtorno de Ansiedade de Separação, que envolve uma ansiedade excessiva por estar longe de casa ou de pessoas às quais a criança está ligada emocionalmente. Embora a ansiedade de separação seja normal na primeira infância, quando persiste em crianças mais velhas, pode ser motivo de preocupação. Cerca de 4% das crianças e adolescentes sofrem desse transtorno, que pode persistir até a época da faculdade. Geralmente, essas crianças vêm de famílias estruturadas e amorosas. A fobia escolar também pode ser um sintoma da fobia social ou ansiedade social, que afeta cerca de 5% das crianças. A fobia social pode ser desencadeada por experiências traumáticas, como ter um «branco» ao falar em público na sala de aula. A ansiedade social tende a aumentar com a idade, enquanto a ansiedade de separação tende a diminuir. Algumas crianças podem apresentar Transtorno de Ansiedade Generalizada, no qual se preocupam excessivamente com vários aspectos de suas vidas, como notas escolares, tempestades, terremotos ou se machucar durante o recreio. Essas crianças tendem a ser envergonhadas, inseguras e excessivamente preocupadas em atender às expectativas dos outros. Buscam aprovação e frequentemente precisam de consolo. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) também pode ocorrer na infância, onde as crianças podem ficar obcecadas por pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos e repetitivos, ou podem apresentar comportamentos compulsivos, como lavar as mãos constantemente. A depressão infantil é um transtorno de humor que vai além da tristeza normal e temporária. Os sintomas incluem incapacidade de se divertir ou se concentrar, fadiga, atividade extrema ou apatia, choro, distúrbios do sono, alteração de peso, queixas físicas, sentimentos de inutilidade, sensação prolongada de falta de amigos ou pensamentos frequentes sobre morte e suicídio. A depressão infantil pode ser o início de um problema recorrente que pode persistir até a idade adulta. As causas exatas da depressão infantil ainda não são completamente compreendidas,