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IN IC IAR
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1 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Estudante, nesta unidade, abordarei noções do direito do trabalho, tratando dos
principais princípios aplicáveis à seara trabalhista. Falarei a respeito das relações
de trabalho como gênero e das relações de emprego, como espécie da anterior.
Apresentarei uma série de trabalhadores, com suas particularidades e, a partir
do estudo dos requisitos caracterizadores da relação de emprego, poderemos
identi�car a existência ou não de um vínculo empregatício. Para �nalizar, tratarei
dos contratos de trabalho subordinado relativos à relação de emprego, em suas
modalidades de prazo determinado, indeterminado e intermitente. Os temas
são de suma importância para os pro�ssionais que irão atuar com recursos
humanos. Importante dizer que não se objetiva esgotar o tema, mas apresentar
os principais pontos que darão ao leitor o conhecimento necessário e instigá-lo a
buscar mais. Bons estudos!
Ead.br https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteud...
2 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Para iniciarmos nosso estudo sobre os princípios do direito do trabalho, vamos
começar abordando o signi�cado da palavra “princípio”. Segundo o dicionário
online de português, princípio é considerado aquilo que: “... fundamenta ou
pode ser usado para embasar algo” (PRINCÍPIO, 2018).
Juridicamente, os princípios são valores norteadores de uma ordem jurídica, ou
seja, as normas jurídicas (constituição federal, leis, decretos, entre outras) estão
todas fundamentadas nos princípios gerais do direito.
Carla Teresa Martins Romar diz que,
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3 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Agora que entendemos o conceito de princípios, podemos a�rmar que os
princípios gerais do direito possuem três funções: a primeira delas é a função de
instruir o legislador no momento da elaboração das leis, mas também possui a
função de colaborar no momento da aplicação da norma, ou seja, quando o
Poder Judiciário está julgando um determinado caso e se depara com “lacunas”
que são omissões da lei. E por �m, tem uma terceira função, quando o juiz se
utiliza dos princípios do direito para interpretar uma norma jurídica.
A própria Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT, em seu art. 8º, dispõe sobre a
utilização dos princípios como fonte do direito, quando não houver legislação,
ou quando essa for omissa:
Assim, temos que os princípios são fonte para toda e qualquer área do direito,
seja o direito do trabalho, o direito tributário, o direito civil, entre outras.
Todavia, em cada uma destas áreas, além dos princípios gerais, iremos nos
deparar com princípios que são mais especí�cos a determinada disciplina.
Em relação aos princípios gerais, devemos observar que a Constituição Federal
de 1988 estabeleceu a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do
trabalho, assim como a livre iniciativa, como elementos fundamentais da
República, logo, qualquer norma, inclusive as ligadas ao direito do trabalho,
deverão ter por base o respeito a tais princípios (ROMAR, 2018).
O direito do trabalho, além dos princípios gerais, possui diversos princípios bem
peculiares, sendo que os mais importantes deles, serão estudados a seguir
(ROMAR, 2018, p. 53):
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4 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
• princípio protetivo ou da proteção;
• princípio da irrenunciabilidade;
• princípio da continuidade da relação de emprego;
• princípio da primazia da realidade.
Para o direito do trabalho, o princípio protetivo tem a �nalidade de conferir ao
empregado uma superioridade jurídica em decorrência de sua inferioridade
econômica (hipossu�ciência) em relação ao seu empregador. Tem o objetivo de
proteger o obreiro, pois sabe-se que o poderio econômico de uma empresa é
muito superior à condição econômica dos seus trabalhadores, por isso, o
empregador sempre teria melhores condições de negociação. A ideia deste
princípio é superar essa desigualdade.
Em razão dessa proteção que confere ao trabalhador, o princípio protetivo é
considerado o mais importante, sendo, na realidade, a própria essência de todo
o direito do trabalho (ROMAR, 2018).
Trata-se de uma noção de que as normas jurídicas trabalhistas, advindas da
Constituição da República Federativa do Brasil, da Consolidação das Leis do
Trabalho, de diversas outras Leis esparsas, como por exemplo, a Lei do
empregado doméstico, a Lei do Trabalhador Rural, entre outras, procuram
equilibrar a relação entre empregado e empregador, concedendo àquele um
tratamento mais protetivo e favorável.
Todavia, com a reforma trabalhista originada pela Lei nº 13.467, de 13 de julho
de 2017, vários direitos dos trabalhadores foram �exibilizados, permitindo-se às
empresas, juntamente com os sindicatos, amplas negociações. Foi também
�exibilizada a negociação realizada diretamente entre empregador e
empregado, quando este for considerado hipersu�ciente, ou seja, possua
diploma de nível superior e receba salário mensal igual ou superior a duas vezes
o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (Art. 444,
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5 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
parágrafo único, CLT) (BRASIL, 1943).
Por �m, é necessário dizer que o princípio protetivo desdobra-se em outros três
subprincípios, que são: princípio do in dubio pro operario ; princípio da aplicação
da norma mais favorável; e o princípio da manutenção da condição mais
bené�ca.
iinn dduubbiioo pprroo ooppeerraarriioo
Quando o Poder Judiciário estiver diante de um caso concreto, ou seja, julgando
um litígio trabalhista, e a norma disponível e aplicável ao caso permitir mais de
uma interpretação, o juiz deverá optar pela interpretação mais adequada para
defender o empregado.
Por exemplo: imagine que uma norma coletiva possua uma cláusula que
conceda aos trabalhadores um “vale alimentação” em um valor x por mês, por
meio de ticket. Porém, outra cláusula informa que se o trabalhador faltar
injusti�cadamente ao trabalho, perderá o vale alimentação. A dúvida será a
seguinte: a ausência injusti�cada em “um dia” levará à perda do vale alimentação
referente àquele dia apenas, ou, referente ao mês todo? Essa interpretação
deverá ser realizada pelo Poder Judiciário, que levará em consideração o
princípio do in dubio pro operario , ou seja, na dúvida, decida-se favoravelmente
ao obreiro.
Aqui estamos diante de ou mais normas. Note que, no princípio anterior,
há uma “única” norma que possui mais de uma interpretação. Porém, agora
estamos diante de duas ou mais normas aplicáveis ao mesmo trabalhador, e
precisamos saber qual deverá prevalecer.
Segundo o princípio em comento, deverá ser aplicada a norma que for mais
favorável ao obreiro. Logo, ao perceber a existência de duas normas, apenas
aquela que for mais favorável ao trabalhador será aplicável em sua totalidade.
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Isto quer dizer que se poderá fracionar as normas e adotar apenas as
partes mais favoráveis de cada uma delas.
Salienta-se que este princípio sofreu �exibilização com a reforma trabalhista.
Isto porque a reforma trabalhista trouxe expressa previsão de aplicação dos
acordos coletivos de trabalho, em detrimento às convenções coletivas de
trabalho, ainda que estas últimas sejam mais favoráveis.
Assim, pelo art. 620 da CLT, um acordo coletivo “sempre” prevalecerá sobre a
convenção coletiva (BRASIL, 1943), quando, para uma mesma categoria
pro�ssional, existir ambas as normas coletivas.
Re�ita
Mas não é só isso. A reforma trabalhista também incluiu na CLT o art. 611-A, que
trata da prevalência das normas coletivas (convenção ou acordo) em relação à
legislação, quando dispuserem sobre: jornada de trabalho (observados os
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limites constitucionais); banco de horas; intervalo intrajornada (respeitado o
limite mínimo de trinta minutos em caso de jornadas superiores à 6 horas);
enquadramento do grau de insalubridade; entre outros temas previstos nos
quinze incisos do referido artigo.
Também conhecido como princípio da “cláusula mais vantajosa”, sempre que o
empregador conceder determinada condição vantajosa para o empregado não
poderá suprimi-la, na medida em que, “situações pessoais mais vantajosas
incorporam-se ao patrimônio do empregado” (ROMAR, 2018, p. 57).
Tal condição ou vantagem poderá estar prevista no contrato de trabalho, ou
ainda, no regulamento interno da empresa, ou seja, decorrem da voluntariedade
do empregador, mas devem estar expressas.
Isto ocorre porque as cláusulas contratuais que são mais vantajosas se revestem
do direito adquirido e não podem ser retiradas (ROMAR, 2018).
Todavia, segundo o Tribunal Superior do Trabalho, por meio da Súmula 51, o
regulamento da empresa até poderá ser modi�cado, mas, somente atingirá os
novos empregados (BRASIL, 2016).
Por outro lado, quando não estiverem previstas expressamente, somente serão
incorporadas ao patrimônio do empregado as vantagens que forem ,
ou seja, acontecerem por um “determinado” tempo. A título de exemplo,
podemos citar um empregado que, por um longo período de tempo, trabalhou
apenas 40 horas semanais, muito embora seu contrato de trabalho previsse
uma jornada de 44 horas. Neste caso, não poderá o empregador exigir que o
empregado volte a fazer uma jornada de 44 horas, em razão de ferir uma
condição mais bené�ca concedida.
Entretanto, é importante saber que a regra da condição mais bené�ca também
admite exceções. Todas as vantagens que estiverem previstas em instrumentos
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8 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
coletivos (convenções coletivas de trabalho ou acordo coletivo de trabalho, por
exemplo) poderão ser suprimidas em instrumentos coletivos futuros, não
aderindo ao contrato de trabalho.
Além disso, extinguindo-se a norma coletiva pelo decurso do prazo, que poderá
ser de no máximo dois anos, a vantagem estará automaticamente excluída, na
medida em que o art. 614, § 3º da CLT não permite mais a ultratividade da
norma coletiva (BRASIL, 1943).
Outro exemplo ocorre com o exercício de um cargo de con�ança (gerência),
podendo o empregador determinar que o empregado retorne às suas atividades
simples, deixando a função de con�ança, conforme expressamente previsto no
art. 468, § 1º e 2º da CLT. Neste caso, a redução da condição é possível por
expressa previsão legal.
As verbas trabalhistas possuem caráter alimentar e, por isso são consideradas
como indisponíveis, não podendo ser renunciadas pelo empregado.
Sem dúvida que o referido princípio decorre da inferioridade do empregado em
relação ao empregador. Para que o empregado não se sujeite a qualquer
imposição do empregador, como por exemplo, abrir mão do seu direito ao FGTS,
ou ainda, ao seu direito às férias, ou ao intervalo, o legislador preferiu tornar
indisponíveis os direitos trabalhistas.
Assim, segundo o art. 9º da CLT, “serão nulos de pleno direito os atos praticados
com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos
contidos na presente Consolidação” (BRASIL, 1943).
Por exemplo, um empregado não poderá negociar com o empregador a
supressão total do intervalo para refeição e descanso e em contrapartida sair
mais cedo do trabalho ao �nal do dia. O intervalo é negociável, mas não é
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9 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
renunciável.
Sem dúvidas que o referido princípio admite exceções. A título de exemplo, a
Consolidação das Leis do Trabalho, em seu art. 500 dispõe que o empregado
que detenha estabilidade provisória por qualquer motivo, somente poderá pedir
demissão e consequentemente abrir mão da estabilidade, caso estiver assistido
pelo seu sindicato de classe.
Os contratos de trabalho poderão ser realizados com a previsão de prazo para o
seu término (contrato por prazo determinado) ou sem a previsão de prazo para
o seu �m (contrato por prazo indeterminado). A regra no direito do trabalho é a
realização do contrato por prazo indeterminado, ou seja, sem previsão de
término. Isto porque é sabido que a garantia de emprego para um trabalhador
move toda a economia de um país. Ademais, o objetivo de se realizar um
contrato sem previsão de �m é o de permitir ao empregado uma melhoria na
sua condição social.
Segundo Carla Teresa Martins Romar, “a continuidade da relação de emprego
como princípio do Direito do Trabalho fundamenta-se no fato de que nela está a
fonte de subsistência e de sustento do empregado e de sua família, tendo nítida
natureza alimentar” (2018, p. 59).
Desta forma, havendo um contrato de trabalho, presume-se que ele tenha sido
realizado por prazo indeterminado. Com isso, a rescisão contratual acaba por se
tornar mais onerosa ao empregador, na medida em que terá que comunicar ao
empregado com antecedência, sob pena de pagar-lhe a indenização pelo aviso
prévio, sendo que deverá ainda arcar com a multa rescisória do fundo de
garantia.
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Pela própria nomenclatura do princípio já podemos saber que a realidade dos
fatos em todo e qualquer contrato de trabalho irá prevalecer sobre as cláusulas
contratuais, ou ainda sobre os registros documentais da empresa.
Por exemplo, se na prática um empregador contratar um trabalhador e entre
eles é assinado um contrato de representação comercial, porém, em juízo restar
comprovado que o trabalhador era um verdadeiro empregado subordinado,
restará reconhecido o vínculo empregatício, de nada valendo os documentos.
Assim, quando o Poder Judiciário estiver apreciando um caso concreto, o juiz irá
investigar se a verdade real, ou seja, aquilo que realmente acontecia na prática,
está em confronto com a verdade formal, retratada apenas nos documentos,
que serão rechaçados quando provados que desvirtuam da realidade.
Vamos Praticar
“Cada sistema normativo é caracterizado por um conjunto próprio de regras e de
princípios. No direito do trabalho, até mesmo em função de sua construção histórica,
os princípios ocupam espaço central, informando uma lógica protecionista”.
MARTINEZ, Luciano. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. p.
118.
A respeito dos princípios do direito do trabalho, baseado no texto acima, e partindo da
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11 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
ideia de que os princípios protegem o trabalhador de suas próprias fraquezas, assinale
a alternativa correta:
O princípio do in dubio pro operario do direito do trabalho também pode ser
aplicado ao direito processual, quando o juiz poderá julgar favoravelmente ao
trabalhador, em razão da sua inferioridade em relação ao empregador, no
momento de analisar uma prova.
Pelo princípio da norma mais favorável, o julgador irá avaliar as normas
aplicáveis e, em cada uma delas, buscará apenas as previsões que são mais
favoráveis ao empregado.
A vedação à possibilidade de alterações ao contrato de trabalho, sejam elas
lesivas ou bené�cas ao trabalhador, está estampada no princípio da
inalterabilidade contratual.
O contrato de trabalho tem, inerente a si, a restrição da autonomia da
vontade, com o que se contrapõe ao Direito Civil, no qual prevalece a vontade
das partes. Tal instrumento visa assegurar os direitos fundamentais do
trabalhador, sendo expressão do princípio da imperatividade das normas
trabalhistas.
Pelo princípio da primazia da realidade, a verdade formal irá prevalecer sobre
a verdade real no direito do trabalho.
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12 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Toda e qualquer prestação de serviço é consideradauma relação de trabalho,
porém, somente aquelas que forem realizadas por pessoas físicas e com
subordinação é que serão consideradas como relações de emprego. Assim, as
relações de emprego são uma das espécies das relações de trabalho, que por
sua vez é considerada como gênero.
A �gura abaixo ilustra e ajuda a memorizar a máxima de que toda relação de
emprego é uma relação de trabalho, mas nem toda relação de trabalho é uma
relação de emprego.
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13 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Figura 2.1 - Relação de emprego x Relação de trabalho
Fonte: Renzetti (2018).
Para Carlos Henrique Bezerra Leite,
A importância do tema surge quando tomamos ciência de que apenas a relação
de emprego é objeto de estudo do direito do trabalho, e também protegida pela
Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, que não será aplicável a nenhuma
outra relação de trabalho.
Para sabermos se uma prestação de serviço con�gura-se em relação de
emprego, devemos �car atentos aos requisitos que irão caracterizá-la. Tais
requisitos são obtidos por meio da combinação entre os artigos 2º e 3º da CLT,
que tratam dos conceitos de empregador e empregado.
Empregador é a empresa que, assumindo os riscos da atividade, irá admitir,
assalariar e dirigir a prestação pessoal de um serviço (art. 2º), enquanto
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14 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_DITRAP_19/unidade_1/ebook/index.html#
https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_DITRAP_19/unidade_1/ebook/index.html#
empregado é a pessoa física que presta serviços de maneira não eventual, sob a
dependência do empregador e mediante o pagamento de uma remuneração
(art. 3º) (BRASIL, 1943).
Desta forma, concluímos que os requisitos são: subordinação, pessoalidade,
onerosidade, não eventualidade e alteridade. Passamos então à análise de cada
um deles.
Pode-se dizer que a subordinação é o requisito mais importante da relação
empregatícia, e quer dizer que a atividade do obreiro �ca sujeita ao poder de
direção, organização e disciplinar do empregador (LEITE, 2018).
Pelo requisito da pessoalidade, tem-se que a prestação dos serviços deve ser
realizada pela pessoa do empregado, não se admitindo, em regra, a substituição
por outra pessoa, salvo casos excepcionais, e desde que haja o consentimento
do empregador. Aliás, importante observar que a pessoalidade refere-se apenas
ao empregado e não ao empregador (LEITE, 2018).
A onerosidade é a contraprestação pelos serviços prestados. É o pagamento de
salário, que pode ser �xo, variável, em utilidades, estabelecido por hora, dia ou
mês. Este requisito diferencia a relação de emprego do trabalho voluntário,
prestado a título gratuito, e que não está protegido pelo direito do trabalho
(LEITE, 2018).
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15 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
A prestação de serviço deve ser realizada pelo empregado de forma habitual,
constante e regular, devendo ser levado em conta uma tarefa a ser executada
ou um espaço de tempo (LEITE, 2018).
Segundo Romar (2018, p. 117), “o que caracteriza a habitualidade não é a
prestação diária de trabalho, mas, sim, o sentido de permanência e de
prolongamento no tempo que a prestação dos serviços tem”.
A alteridade na relação de emprego decorre do fato de que os serviços não são
prestados por conta própria, mas sim por conta alheia, sendo que quem assume
os riscos da atividade econômica é o empregador. Porém, embora conste do art.
2º da CLT, nem todos os doutrinadores consideram a alteridade como um
requisito da relação de emprego (ROMAR, 2018).
Vamos Praticar
“A relação de emprego é uma espécie de relação de trabalho, que se baseia no nexo
entre empregador e empregado, caracterizado pela prestação pessoal de serviços, de
forma não eventual e subordinada, mediante o pagamento de salário. É a relação
jurídica que tem como fato social original o trabalho subordinado, prestado com
pessoalidade, mediante remuneração, e que tem como disciplina jurídica o conjunto
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16 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
humano não eventual e de normas que compõem o Direito do Trabalho”.
ROMAR, Carla Teresa Martins. 5. ed. São Paulo:
Saraiva, 2018. p. 116.
A respeito das relações de emprego, enquanto espécie das relações de trabalho,
baseado no texto acima, assinale a alternativa correta:
Não será considerada como relação de emprego a prestação de serviços que
ocorrer no domicílio do empregado, pois é necessário que os serviços nesse
tipo de relação ocorram na empresa.
Não será considerada como relação de emprego quando restar previsto que
a contraprestação pelos serviços prestados ocorra somente por meio de
utilidades, como o fornecimento de moradia, alimentação e vestimentas.
Admite-se na relação de emprego a contratação de microempreendedor
individual - MEI, desde que o empregador seja uma pessoa jurídica, ainda que
sem �nalidade lucrativa.
Para caracterizar uma relação de emprego, não basta que estejam presentes
alguns dos requisitos, sendo necessário que todos eles coexistam.
Não será considerada como relação de emprego a prestação de serviços para
entidade de bene�cência ou entidade sem �ns lucrativos.
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17 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Já sabemos que relação de trabalho não é sinônimo de relação de emprego, e
que a relação de emprego exige a presença cumulativa de certos requisitos para
restar caracterizada.
Lembrando disso, iremos analisar agora diversos tipos de trabalhadores,
veri�cando se podemos considerá-los como efetivos empregados pela presença
dos requisitos caracterizadores da relação de emprego, ou não.
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18 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Aprendiz
424 a 433 da
CLT, art. 7º,
XXXIII, da CF e
Decreto
5.598/05
Aprendiz é o
estudante maior de
14 anos e menor de
24 anos (essa
limitação de idade,
não se aplicará
quando o aprendiz
se tratar de pessoa
com de�ciência),
que esteja passando
por processo de
formação técnico-
pro�ssional
metódica,
compatível com seu
desenvolvimento
físico, moral e
psicológico, inscrito
em programa de
aprendizagem,
capaz de executar
as tarefas
necessárias à sua
formação. Em que
pese o caráter
educacional, há que
se anotar a CTPS.
SIM
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19 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Estagiário
Lei nº
11.788/08
A �nalidade é
educativa, visando à
preparação para o
trabalho. Exige
termo de
compromisso, entre
o educando, parte
concedente do
estágio e a
instituição de
ensino, entre outros
requisitos. Pode ser
obrigatório ou
opcional. No estágio
obrigatório, poderá
ser estabelecida
contraprestação.
Nos estágios não
obrigatórios,
necessariamente
haverá a
contraprestação e o
auxílio-transporte.
muito
embora
preencha
todos os
requisitos!
Empregado
doméstico
Lei
Complementar
150/2015.
Os serviços são
realizados no
âmbito da
residência do
empregador e não
poderá ter
�nalidade lucrativa.
O empregador será
SIM, exceto
quando não
ultrapassar
2 vezes na
semana,
quando
será
considerada
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20 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
sempre uma pessoa
física. Exemplos:
babá, copeira,
cozinheira,
lavadeira,
mordomo,
governanta,
jardineiro, vigia,
motorista, caseiro e
zeladores de
imóveis de veraneio
ou mesmo chácaras
e sítios (quando
neles não for
explorada atividade
lucrativa).
como
diarista
Empregado
Rural
Lei 5.889/73 e
Decreto
73.626/74 CLT
A prestação de
serviço se dá para
empregador rural,
em propriedade
rural ou prédio
rústico, de natureza
não eventual, sob
dependência e
mediante salário.
Tem algumas
particularidades emrelação aos
trabalhadores
urbanos.
SIM
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21 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Empregado
Público
CF, Art. 37, II;
CLT
A aprovação se dá
por meio de
concurso público,
porém, o regime de
contratação é
regido pela CLT, e
não tem
estabilidade como
os estatutários.
SIM
Empregado  em
domicílio
CLT, art. 6º
Presta serviços em
sua própria
residência ou
escritório, mas
recebe ordens ou
incumbências do
empregador. Não
tem autonomia na
prestação dos
serviços e não
assume o risco do
negócio.
SIM
Teletrabalhador CLT, art. 75-A a
75-E
As atividades
também são
realizadas à
distância, na
residência do
trabalhador, porém,
mediante uso da
tecnologia de
comunicação. A
SIM
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22 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
condição de
teletrabalhador
deverá constar
expressamente em
contrato individual
do trabalho, que
especi�cará todas
as atividades que
serão realizadas
pelo empregado,
sendo que, nesta
modalidade, o
teletrabalhador não
está sujeito ao
controle de jornada
de trabalho (CLT,
art. 62, III), logo, não
fará jus a jornada
extraordinária.
Mãe Social Lei 7.644/1987 Permite às
instituições sem
�nalidades
lucrativas, ou de
utilidade pública de
assistência ao
menor abandonado
(o qual se encontra
em situação
irregular, seja pela
morte, abandono ou
incapacidade dos
SIM
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23 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
pais) a contratação
de mães sociais,
para que seja
possível o
funcionamento de
casas-lares. Trata-se
de empregada, ou
seja, com vínculo
empregatício e com
proteção da
legislação
trabalhista.
Altos
empregados ou
empregados de
con�ança
CLT, artigos
62, II; 224, § 2º;
444, 468; 469
e 499   Súmula
269 do TST.
Empregado de
con�ança é aquele
que detém poderes
delegados pelo
empregador para
agir em seu nome,
em menor ou maior
grau. Quanto maior
é a con�ança
depositada, maiores
são os poderes do
empregado e
menores os
benefícios legais. A
reforma trabalhista
acrescentou o
parágrafo único ao
art. 444, que
autoriza que o
SIM
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24 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
empregado
portador de
diploma de curso
superior e que
recebe salário igual
ou superior a duas
vezes o limite dos
benefícios da
previdência possa
estipular livremente
as cláusulas
contratuais que
versarem sobre os
direitos contidos no
art. 611-A da CLT.
Trabalhador
temporário
Lei 6.019/74 e
13.429/2017
Trabalho
temporário é aquele
prestado por pessoa
física contratada por
uma empresa de
trabalho
temporário, que a
coloca à disposição
de uma empresa
tomadora de
serviço, para
atender a
necessidade de
substituição
transitória de
pessoal permanente
SIM, mas
com a
empresa de
trabalho
temporários
e não com o
tomador
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25 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
ou à demanda
complementar de
serviços.
Terceirizados
Lei 6.019/74,
artigos 4º-A,
4º-B, 4º-C 5º-
A, 5º-B, 5º-C,
5º-D,
inseridos
pela lei
13.429/2017
e
13.467/2017.
Na terceirização de
serviços, os
empregados das
empresas prestadoras
realizam serviços
determinados e
especí�cos, que, em
rigor, estão no âmbito
da atividade-meio ou
�m da empresa.
SIM, mas
com a
empresa
prestadora
de serviços
especi�cados
e não com o
tomador
Autônomo
Código Civil,
art. 593 a
609. CLT,
art. 442-B
Explora seu ofício ou
pro�ssão por sua
conta e risco. Não se
subordina a ordens do
tomador, embora
possa seguir um
cronograma.
NÃO
Eventual Código Civil,
art. 602
Presta serviços de
curta duração,
esporadicamente, de
forma descontínua e
fortuita. Várias teorias
tentam diferenciar o
trabalhador eventual
do empregado: a
prestigiada pela
NÃO
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26 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
jurisprudência
brasileira é a teoria
dos �ns da empresa,
ou seja, será eventual
o trabalhador cujo
serviço não estiver
inserido na atividade
normal da empresa,
porque não necessita
dele de forma
permanente.
Trabalhador
Avulso
Leis
12.023/2009
(não
portuário);
9.719/98 e
12.815/13
(portuários)
Trabalhador que
presta serviços
esporádicos, de curta
duração e a diversos
tomadores, sem se
�xar com qualquer um
deles. Difere do
eventual em razão da
existência de
intermediação de
entidade especí�ca,
pelo Sindicato (avulso
não portuário) ou pelo
Órgão Gestor de Mão
de Obra – OGMO
(avulso portuário,
porque ocorre
tipicamente nos
portos). Nesta
modalidade, inexiste
NÃO
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27 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
vínculo de emprego
entre o trabalhador e
o tomador dos
serviços, bem como,
inexiste vínculo de
emprego entre o
trabalhador e o órgão
intermediador.
Representante
comercial
Lei 4.886/65
Pode ser pessoa física
ou jurídica, exercendo
trabalho individual ou
em equipe; atua na
mediação de negócios;
assume os riscos do
negócio. Não há
subordinação.
Em regra,
NÃO
Cooperados
Lei
5.764/1970
Art. 442, CLT
Cooperativa é uma
sociedade de pessoas
que reciprocamente
se obrigam, com a
união de esforços, a
alcançar um objetivo
comum. Entre
cooperados, não há
qualquer
subordinação. Dessa
forma, não há direitos
trabalhistas.
NÃO
Voluntário Lei O prestador de NÃO
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28 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
9.608/1998
serviços não tem a
intenção em receber
qualquer
contraprestação pelo
trabalho prestado,
pois trata-se de um
serviço voluntário e
altruísta. Exemplo:
pessoa que presta
serviços num lar de
idosos, ou ainda, a
distribuição de
remédios e alimentos
para pessoas carentes.
Não descon�gurará a
natureza voluntária se
o trabalhador for
ressarcido de eventual
despesa. A prestação
de serviço se dá por
meio de termo de
adesão.
Quadro 3.1: Relação de alguns tipos de trabalhadores
Fonte: Adaptado de Cassar (2017) e Romar (2018).
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29 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Vamos Praticar
“A relação de emprego é caracterizada pela necessária cumulação de alguns
elementos. São, portanto, con�guradores dessa especial relação a conjunção dos
seguintes elementos: pessoalidade; onerosidade; não assunção (pelo prestador) dos
riscos da atividade do tomador dos serviços; duração contínua ou não eventual e
subordinação”.
MARTINEZ, Luciano. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. p.
172.
Considerando os requisitos caracterizadores da relação de emprego, assinale a
alternativa correta:
Um policial militar que, em seus horários de folga, prestar serviço para
empresa privada, de maneira contínua, recebendo ordens e contraprestação
pelos serviços, não poderá ter o reconhecimento do vínculo de emprego, por
ser um servidor público.
Paulo presta serviços para a empresa XYZ Ltda. no estabelecimento do
empregador de forma não eventual, recebendo ordens e salário mensal. Joana
trabalha na mesma empresa, porém, presta seus serviços de sua própria
residência, também de forma contínua e recebendo ordens e salário mensal.
Nesse caso, Paulo é empregado, mas Joana é autônoma, pois presta seus
serviços em domicílio.
Maria, manicure de um salão de beleza, repassa 50% dos valores cobrados
pelos serviços para Flávia, dona do salão. Porém, trabalha de forma autônoma,
pois controla a agenda conforme sua conveniência, utiliza seus próprios
equipamentos, recebendo somente pelos serviços realizados, não sendo
considerada empregada.
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30 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Pedro, psicólogo, está prestando serviços de acompanhamento emocional
aos pacientes enfermos que estão utilizando a Instituição de bene�cência “Rede
de Combate ao Câncer Infantil”, cujo programa é fornecido gratuitamente aos
usuários cadastrados. Neste caso, obrigatoriamente, o trabalhoé voluntário, na
medida em que a manutenção da instituição se dá por meio de doações.
José é garçom, está prestando serviços para um restaurante, com
subordinação, porém, não são todos os dias, havendo alternância de períodos
de inatividade e de prestação de serviços, trabalhando, em regra, às sextas,
sábados e domingos, sendo considerado um trabalhador eventual.
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31 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
O contrato de trabalho é o meio pelo qual se instrumentaliza a relação de
emprego. É importante observar que a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT
consagrou a expressão “contrato de trabalho” como sinônimo de relação de
emprego.
Assim, para a CLT, o contrato individual de trabalho é o acordo, tácito ou
expresso, celebrado entre o empregador (artigo 2º) e o empregado (artigo 3º),
correspondente à relação de emprego (art. 442) (BRASIL, 1943).
Diante disso, podemos veri�car que, em relação ao tipo de ajuste, pode ser
tácito ou expresso. No ajuste tácito, não existiu uma manifestação inequívoca,
na forma escrita ou verbal, mas existiram uma série de comportamentos
(conduta das partes) que revelam elementos indicativos de vínculo empregatício.
No ajuste expresso, as partes manifestaram explicitamente suas vontades,
estipulando os direitos e as obrigações, ainda que de forma escrita ou verbal.
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32 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
O contrato de trabalho também pode ser classi�cado em relação ao número de
sujeitos envolvidos, pois, além do contrato individual de trabalho, realizado por
uma pessoa física como empregado, tem-se a possibilidade da realização do
contrato de trabalho plúrimo, ou por equipe, quando celebrado por diversos
empregados ao mesmo tempo.
Em relação ao tempo de duração do contrato de trabalho, temos que os
contratos de trabalho poderão ser realizados por prazo determinado,
indeterminado ou para prestação de trabalho intermitente (CLT, art. 443)
(BRASIL, 1943).
O contrato de trabalho realizado por prazo indeterminado é a regra nas relações
empregatícias, decorrendo do princípio da continuidade das relações de
emprego, isto porque, “imagina-se que, quando o empregado aceita um
emprego, pretenda neste permanecer por tempo inde�nido. Esta é a noção de
engajamento do empregado na empresa” (CASSAR, 2017, p. 192).
Assim, no momento de sua elaboração, não se irá determinar qualquer termo
ou prazo para o seu término.
Somente os contratos por prazo determinado é que deverão ser provados
(conforme Súmula 212, do TST), logo, nos contratos de trabalho por prazo
indeterminado, admitir-se-á a forma verbal.
O contrato por prazo determinado, que deverá ser necessariamente escrito, é
aquele cujo término está previsto desde sua celebração.
Este término poderá ser – quando se �xar uma data especí�ca (contrato
de experiência, por exemplo) -, ou poderá ser , quando se pactuar o �m
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33 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
do contrato, sem �xar uma data especí�ca, seja porque depende da execução de
um serviço especi�cado, ou ainda porque depende da realização de certo
acontecimento (art. 443, § 1º) (BRASIL, 1943).
Desta forma, o contrato terá seu �m quando o serviço nele especi�cado for
concluído (por exemplo, com o �m da temporada de verão), ou seja, o evento
(termo) é certo de ocorrer, só não se sabe a data (incerto).
Por outro lado, no caso do término depender da realização de certo
acontecimento suscetível de previsão aproximada, o próprio evento é incerto,
tratando-se de verdadeira condição resolutiva. Imaginem a contratação de um
empregado, cuja duração do contrato está limitada ao empregado vencer uma
competição. Ele pode vencer ou não.
Outros exemplos de termo incerto são: o contrato de safra (Lei 5.889/73 e
Decreto 73.626/79); o contrato de obra certa (Lei 2.959/56); a substituição de
empregado afastado por invalidez, entre outros.
Importante observar que a contratação por prazo determinado será possível e
válida nas seguintes situações (art. 443, § 2º, CLT):
1. 
por exemplo, a contratação de um
empregado pelo período em que ocorrerá um aumento da demanda de
trabalho, ou para substituir empregado permanente que esteja
afastado, ou, ainda, quando o trabalho a ser realizado for certo e
delimitado no tempo, como no caso de obra especí�ca (ROMAR, 2018).
2. aqui a atividade é
passageira, não se justi�cando a contratação por prazo indeterminado.
Por exemplo, atividades empresariais em feiras ou eventos; atividades
sazonais (ovos de páscoa, enfeites de natal etc.) (ROMAR, 2018).
3. muito utilizado e tem o objetivo do
conhecimento recíproco das partes, como forma de se veri�car a
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34 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
conveniência e o interesse das partes na manutenção do vínculo
empregatício (ROMAR, 2018).
O contrato por prazo determinado terá duração máxima de dois anos (art. 445,
CLT), enquanto o contrato de experiência não poderá exceder 90 (noventa) dias.
Ambos admitem uma única prorrogação, porém, a soma de duração dos dois
períodos não poderá ultrapassar o prazo máximo de duração prevista para o
contrato (art. 451, CLT).
O contrato de aprendizagem, espécie de contrato por prazo determinado,
poderá exceder dois anos em caso de pessoa com de�ciência (art. 428, § 3º da
CLT).
O contrato do atleta pro�ssional, por sua vez, poderá ser estipulado pelo prazo
de até cinco anos (Lei nº 9.615/98, art. 29).
Será intermitente o contrato de trabalho cuja prestação de serviços, com
subordinação, não seja contínua, ocorrendo alternância de períodos de
prestação de serviços (determinados em horas, dias ou meses) e de inatividade
(CLT, art. 443, § 3º) (BRASIL, 1943). A descontinuidade ocorre para atender
determinados setores, como é o caso de bares e restaurantes.
Necessariamente, o contrato precisa ser celebrado por escrito e devidamente
anotado na Carteira de Trabalho do empregado, devendo conter o valor da hora
de trabalho, que não poderá ser inferior ao valor da hora do salário mínimo ou
àquele devido aos demais empregados do estabelecimento na mesma função
(CLT, art. 452-A) (BRASIL, 1943).
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35 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Nesta modalidade, o empregador poderá convocar o empregado com
antecedência de, pelo menos, três dias, por qualquer meio de comunicação
e�caz. Tais regras poderão, inclusive, ser pactuadas no contrato (CLT, art. 452-A,
§ 1º) (BRASIL, 1943).
O empregado, por sua vez, deverá responder ao chamado no prazo de um dia
útil, e, se silenciar, será presumido sua recusa. Também poderá recusar
expressamente ao chamado, o que não descaracteriza a sua subordinação para
com o empregador (CLT, art. 452-A, §§ 2º e 3º) (BRASIL, 1943).
Ao �nal de cada prestação de serviço, além da remuneração pactuada, o
empregado receberá férias, acrescidas do terço constitucional e décimo terceiro,
ambos proporcionais, além do repouso semanal remunerado e demais
adicionais legais, sendo que o recibo deverá discriminar os valores pagos
relativos a cada parcela (CLT, art. 452-A, § 6º) (BRASIL, 1943).
O período de inatividade não será considerado tempo à disposição do
empregador e não será remunerado. Assim, o empregado poderá prestar
serviços de qualquer natureza a outros tomadores de serviço (CLT, art. 452-A, §
5º) (BRASIL, 1943).
Esta modalidade de prestação de serviços tem recebido críticas pela doutrina
por transferir os riscos da atividade econômica ao trabalhador, além da previsão
de multa excessiva a este, caso descumpra os seus termos.
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36 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Saiba mais
As relações trabalhistas são regidas
especialmente pela Constituição Federal de
1988, pela Consolidação das Leis do Trabalho –
CLT de 1943,por diversas leis esparsas, e ainda
pela jurisprudência formada por inúmeras
decisões do Tribunal Superior do Trabalho.
Além disso, também são consideradas como
fontes do direito do trabalho, as normas
coletivas, o regulamento de empresas, e ainda
o próprio contrato de trabalho. Então, para
que você possa entender sobre as diferentes
fontes do direito do trabalho, indico a leitura
do texto As fontes do Direito do Trabalho e a
hierarquia das normas jurídicas trabalhistas , de
Patrícia Tuma Martins Bertolin.
Vamos Praticar
4) “Podemos de�nir o contrato de trabalho como sendo o acordo de vontades,
manifestado de forma expressa (verbalmente ou por escrito) ou de forma tácita, por
meio do qual uma pessoa física (empregado) se compromete a prestar pessoalmente e
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https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-52/as-fontes-do-direito-do-trabalho-e-a-hierarquia-das-normas-juridicas-trabalhistas/
https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-52/as-fontes-do-direito-do-trabalho-e-a-hierarquia-das-normas-juridicas-trabalhistas/
de forma subordinada serviços contínuos a uma outra pessoa física, a uma pessoa
jurídica ou a um ente sem personalidade jurídica (empregador), mediante
remuneração”.
ROMAR, Carla Teresa Martins. 5. ed. São Paulo:
Saraiva, 2018. p. 264.
Sobre o Contrato de Trabalho, no nosso ordenamento jurídico, assinale a alternativa
correta:
Em regra, os contratos de emprego vigoram por prazo determinado.
É admitida a contratação, por tempo determinado, para �ns de experiência,
em período de 90 dias, sem prorrogação.
Se um funcionário continuar trabalhando após o término do contrato de
experiência, este estará, desde que realizado um aditamento, convolado em
contrato por tempo indeterminado.
Os contratos por prazo determinado terão duração máxima, em regra, de 3
anos, não podendo ser renovados.
A CLT admite a contratação de prestação de serviço na forma intermitente.
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38 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Mardele Teixeira Rezende e Marilene da Silva
Érica
9788536517001
A obra externa as relações de trabalho,
bem como os princípios aplicáveis ao direito do trabalho.
Também expõe o papel dos órgãos de �scalização e as
atribuições de cada um destes órgãos. Igualmente, a obra
trata da gestão de pessoas, explorando os seguintes
assuntos: recrutamento e seleção de pessoas, cargos e
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39 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
salários, indicadores de Recursos Humanos e avaliação
de desempenho. Da mesma forma, apresenta os
conceitos dos tipos de trabalhadores existentes e os
elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Por
�m, aborda as diversas formas de contrato de trabalho e
sua duração, tratando dos elementos jurídicos que os
norteiam, entre outros.
1981 (edição brasileira)
 O �lme retrata o período anterior à
revolução francesa, em que o modelo capitalista de
produção era desumano e os trabalhadores sofriam com
as precárias condições de trabalho, extensas jornadas de
trabalho, baixos salários, discriminação social. Os
trabalhadores eram explorados constantemente,
inclusive, mulheres, crianças e idosos, na medida em que
não havia idade mínima para exercer atividades
trabalhistas e não havia aposentadoria ou afastamento
médico, entre outros problemas.
Para conhecer mais sobre o �lme, acesse o trailer
disponível.
TRA ILER
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40 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_DITRAP_19/unidade_1/ebook/index.html#
https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_DITRAP_19/unidade_1/ebook/index.html#
https://codely-fmu-content.s3.amazonaws.com/Moodle/EAD/Conteudo/NEG_DITRAP_19/unidade_1/ebook/index.html#
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41 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
Estudante, chegamos ao �nal desta etapa em que observamos que o direito do
trabalho é um conjunto de normas que regula as relações de emprego, e que
toda a formação das normas está baseada em princípios. Aprendemos ainda a
importante distinção entre relações de trabalho e as relações de emprego,
sendo esta última protegida pela CLT. Por �m, estudamos ainda o contrato de
trabalho e suas diversas espécies, inclusive, a nova modalidade de contratação
intermitente. Espero que este estudo tenha contribuído para uma compreensão
dos temas abordados. Importante dizer que o pro�ssional que atua na área
trabalhista deve ser conhecedor da lei, estar atendo às mudanças, à decisão dos
Tribunais e, sempre que possível, agir com cautela e bom senso.
BERTOLIN, P. T. M.. As fontes do Direito do Trabalho e a hierarquia das normas
jurídicas trabalhistas. , [S.l.], 30 abr. 2008. Disponível em: . Acesso em: jul.
2019.
BRASIL. Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das
Leis do Trabalho. , Rio de Janeiro,
DF, 09 ago. 1943. Disponível em: . Acesso em: 08 jul. 2019.
BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. : orientações jurisprudenciais
(Tribunal Pleno / Órgão Especial, SBDI-I, SBDI-I Transitória, SBDI-II e SDC),
Precedentes Normativos [recurso eletrônico]. Brasília: Coordenação de Serviços
Grá�cos, 2016. Disponível em: . Acesso em: 08 jul. 2019.
CASSAR, V. B.. 14. ed. rev. atual. e ampl. Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: Método, 2017.
LEITE, C. H. B. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
MARTINEZ, L. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
PRINCÍPIO. : dicionário online de português. Porto: 7Graus, out. 2018.
Disponível em: . Acesso em: 08 jul. 2019.
RENZETTI, R. teoria e questões práticas. 5. ed. rev. atual. e
ampl. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018. (Série: Provas &
Concursos)
ROMAR, C. T. M. 5. ed. São Paulo: Saraiva,
2018,
IMPRIMIR
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43 of 44 3/23/2025, 12:38 PM
https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-52/as-fontes-do-direito-do-trabalho-e-a-hierarquia-das-normas-juridicas-trabalhistas/
https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-52/as-fontes-do-direito-do-trabalho-e-a-hierarquia-das-normas-juridicas-trabalhistas/
https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-52/as-fontes-do-direito-do-trabalho-e-a-hierarquia-das-normas-juridicas-trabalhistas/
https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-52/as-fontes-do-direito-do-trabalho-e-a-hierarquia-das-normas-juridicas-trabalhistas/
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm
http://www.tst.jus.br/documents/10157/63003/Livro-Internet.pdf
http://www.tst.jus.br/documents/10157/63003/Livro-Internet.pdf
http://www.tst.jus.br/documents/10157/63003/Livro-Internet.pdf
http://www.tst.jus.br/documents/10157/63003/Livro-Internet.pdf
https://www.dicio.com.br/principio/
https://www.dicio.com.br/principio/
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