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FALÊNCIA ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO INSTITUTO: Atualmente a legislação comercial destina um tratamento especial àqueles que se dedicam às atividades econômicas e que se encontram em situações de dificuldade econômica, financeira ou patrimonial. Entretanto, nem sempre foi assim. Aqueles que exerciam o comércio e que eram atingidos por um estado de insolvência eram considerados criminosos e, portanto, se sujeitavam aos rigores da lei. No período mais primitivo do direito romano (direito Quiritário, ou feito com as próprias mãos) se admitia a adjudicação do devedor insolvente que, por sessenta dias, permanecia em estado de servidão para com o credor. Não solvido o débito, podia vende- lo como escravo no estrangeiro, e até mesmo matá-lo. Com a edição da LEX PAETELIA PAPIRIA (428 ou 441 a.c.) introduziu-se, no direito romano, a execução patrimonial, abolindo o desumano critério da responsabilidade pessoal pelas dívidas. Assim, a partir da Lex Paetelia Papiria, a execução passou a incidir sobre os bens do devedor e não mais sobre sua pessoa. Na IDADE MÉDIA a tutela estatal assume especial relevo, condicionando a atuação dos credores à disciplina judiciária. O concurso de credores é rigidamente disciplinado, com a obrigatoriedade de os credores habilitarem-se no juízo, por onde se processa a arrecadação dos bens do devedor. É nessa época que o concurso de credores se transforma na falência, vista, então, como um delito, considerando-se os falidos como fraudadores, enganadores, espertalhões que agem com intuito deliberado de enriquecer às custas do prejuízo de seus credores. O CÓDIGO COMERCIAL FRANCÊS de 1807, abranda os rigores da falência, restringindo-a ao devedor comerciante, fazendo nítida distinção entre os devedores honestos e os desonestos, facultando aos primeiros os favores da moratória, com o aperfeiçoamento da concordata, mas impondo ao falido várias restrições. O BRASIL, a partir do descobrimento, e enquanto COLÔNIA PORTUGUESA, sujeitava-se às ordenações vigentes em Portugal, e por outro lado, como não existia em nosso país atividade comercial não se aplicavam institutos relativos à insolvência. Com a vinda da Corte Portuguesa, em 1808, e com o início das atividades comerciais foi adotado o Alvará de 13 de Novembro de 1756, promulgado pelo Marquês de Pombal, e que continha “um originalíssimo e autêntico processo de falência, nítida e acentuadamente mercantil, em juízo comercial, exclusivamente para comerciantes, mercadores ou homens de negócio.” No BRASIL INDEPENDENTE editou-se o Código Comercial de 1850 que, em sua Parte Terceira, “Das Quebras”, contempla o instituto da falência. Em 1908, foi sancionada a Lei 2.024, de 17 de dezembro, que revogou a Parte Terceira do Código Comercial e passou a normatizar a falência dos comerciantes. A Lei 2.024/1908 vigorou até a entrada em vigor do Decreto-Lei n. 7.661, de 21 de junho de 1945. A atual Lei de Falências – a Lei n. 11.101, de 09 de fevereiro de 2005. A nova lei – 11.101/2005, contempla os seguintes princípios: 1. Preservação da Empresa; 2. Separação dos conceitos de empresa e de empresário; 3. Recuperação das sociedades e empresários recuperáveis; 4. Retirada do mercado de sociedades ou empresários não recuperáveis; 5. Proteção aos trabalhadores; 6. Redução do custo do crédito; 7. Celeridade e eficiência dos processos judiciais; 8. Segurança jurídica; 9. Participação ativa dos credores; 10. Maximização do valor dos ativos do falido; 11. Desburocratização da recuperação de microempresas e empresas de pequeno porte; 12. Rigor na punição de crimes relacionados à falência e à recuperação judicial. NOÇÕES GERAIS SOBRE O INSTITUTO DA FALÊNCIA: A expressão FALÊNCIA deriva do verbo latino fallere, que usado em sentido pejorativo pode significar, fraudar, falsear, faltar. CONCEITO DE FALÊNCIA: FALÊNCIA pode ser conceituada sobre o aspecto econômico e sobre o aspecto jurídico. Sob o aspecto econômico a falência é um estado patrimonial, patenteado como um fato patológico da economia creditícia. Ou seja, falência é um estado caracterizado pela insolvência, ou pela impossibilidade de cumprimento de obrigações Sob o aspecto jurídico a falência se constitui num “Processo de execução coletiva contra o devedor insolvente”. Processo, por se caracterizar como um procedimento judicial. Nenhum empresário ou sociedade empresária é considerado falido antes de um decreto judicial. De execução coletiva por que todos os credores do ‘falido’ serão convocados a participar do mesmo processo. E contra devedor insolvente por que a falência somente será decretada se caracterizada a insolvência jurídica. “No direito brasileiro a falência foi sempre situada na esfera do direito mercantil. Contudo, a diversidade de regras de que se vale imprime-lhe natureza sui generis, não se podendo estabelecer a prevalência das normas processuais sobre as normas objetivas, tampouco destas sobre as administrativas. Conquanto um processo de execução, e sob esse prisma eminentemente processual, a falência revela a existência de inúmeros preceitos de direito objetivo.” A INSTAURAÇÃO DA FALÊNCIA: Já se sabe que, desde o Direito Romano, “a garantia dos credores é o patrimônio do devedor.” Não se admite mais que a execução ou que o cumprimento de obrigações incida sobre a pessoa do devedor, devendo recair, portanto, sobre seu patrimônio. Atualmente, se um devedor deixa de cumprir obrigação materializada em título executivo, o credor tem a seu dispor a ação de execução que se exerce através de um processo de execução. Nesse processo, comprovada a certeza e a liquidez do título e inadimplida a obrigação, determinará o Juiz que se penhorem tantos bens do devedor tantos quantos bastem para a satisfação da dívida. Os bens penhorados serão, então, alienados para satisfação do crédito exequendo. A execução se processa, normalmente, por iniciativa de credores individuais, ou seja, sendo vários os credores cada um deles proporá uma ação de execução e aqueles que se adiantarem, ou que tiverem seus títulos vencidos antes de outros, serão beneficiados no recebimento de seus créditos. Por outro lado, credores que detém garantias, ou cujos créditos têm natureza alimentar (privilegiado) terão o mesmo tratamento que qualquer credor, provocando-se, por vezes, injustiças e ineficácia da execução. Se o devedor é empresário ou sociedade empresária, e se encontra em estado de insolvência, para que não ocorram injustiças e para que os credores recebam tratamento igualitário é que recorre ao instituto da falência. O instituto da Falência, da forma como consta de nosso ordenamento jurídico, tem dois objetivos principais. O primeiro deles a Proteção aos Credores. De fato, a lei busca proporcionar ao Juiz, e ao Administrador Judicial, meios e formas de preservação dos interesses dos credores, principalmente de medidas que visam a preservação dos ativos do devedor, que serão alienados para solvência de seus débitos. Por outro lado, busca a Disciplinação dos Créditos, organizando-se os credores segundo a natureza e classificação do crédito que titularizam. Busca-se, portanto, com a Falência atribuir-se um tratamento igualitário aos credores, segundo as suas necessidades, garantias e outros atributos e, ao mesmo tempo, disciplinar-se os créditos, segundo a respectiva natureza. “A falência é, assim, o processo judicia de execução concursal do patrimônio do devedor empresário, que, normalmente, é uma pessoa jurídica revestida da forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada ou anônima.” DIFERENÇA ENTRE A FALÊNCIA E A INSOLVÊNCIA CIVIL: · Ao empresário concede-se a recuperação judicial ou extrajudicial desde que haja anuência da maioria dos credores. · Ao não empresário: suspensão da execução concursal de seu patrimônio está condicionada à anuência de todos os credores · Extinção das Obrigações: extinguem-se as obrigações do falido se ocorrer o rateio de mais de 25% devido aos credores quirografários após a realização de todo o ativo; · Na insolvência civil- as obrigações somente se extinguem com o pagamentopreferências e precedências estabelecidas nos arts. 83 e 84, observando as seguintes regras para pagamento 1ª) o produto da alienação judicial de empresa, filial ou unidade produtiva isolada permanecerá em conta de depósito à disposição do juízo falimentar pelo prazo de um ano, contado da data da alienação, somente podendo ser utilizado para o pagamento de créditos extraconcursais ou de créditos que preferem ao tributário (CTN, art. 133, § 3º); 2ª) os valores relativos à reserva de créditos ficarão depositados até o julgamento definitivo das habilitações, podendo ser utilizados posteriormente em rateio suplementar caso não se dê a inclusão pela totalidade do valor pretendido pelo credor que os reservou (art. 149, § 1º); 3ª) os credores extraconcursais – aqueles cujas despesas são indispensáveis à administração da falência e à continuação provisória das atividades – em cujo rol (LF, art. 84) se incluem os trabalhistas, por salário vencidos nos três meses anteriores à decretação da falência, até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador (LF, art. 151), serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa, não se aguardando a definição do quadro geral de credores; 4ª) o administrador judicial recebe com os credores extraconcursais (LF, art. 84, I), até o limite de 60% do que lhe for fixado, o que significa dizer que este é o momento para que o juiz fixe sua remuneração, atentando para que se faça previsão, em depósito judicial, do valor relativo ao pagamento após julgamento de suas contas e apresentação do relatório final; 5ª) o juiz deve fixar prazo para que os credores providenciem o levantamento dos valores relativos a seus créditos. Decorrido o prazo, os credores cujos depósitos permanecerem à disposição serão intimados no prazo de sessenta dias, que, findos, sem o atendimento por parte dos credores, ensejarão a realização de novo rateio suplementar entre os credores remanescentes; 6ª) havendo saldo, este será entregue ao falido empresário individual ou, na hipótese de sociedade, aos sócios, na proporção de sua participação, conforme dispuser o contrato. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DO FALIDO PRESTAÇÃO DE CONTAS DO ADMINISTRADOR JUDICIAL: no prazo de 30 dias da realização do ativo e da distribuição do produto entre os credores, o administrador judicial deverá apresentar, em autos apartados, a prestação de contas de sua gestão, juntando os documentos relativos às receitas e às despesas que realizou. PUBLICAÇÃO DE AVISO: para que os interessados possam consultar e impugnar as contas apresentadas. VISTAS AO MP: para no prazo de 05 dias oferecer parecer. HAVENDO IMPUGNAÇÕES: o administrador será intimado para manifestar-se, seguindo-se sentença, em 05 dias, que julgará boas as contas ou as rejeitará. RECURSO: da sentença que julga as contas cabe recurso de apelação no prazo de 15 dias. SENTENÇA DE ENCERRAMENTO: no prazo de dez dias após o julgamento das contas o administrador apresentará relatório final contendo o valor do ativo e o produto de sua realização, o valor do passivo e os pagamentos realizados, indicando as responsabilidades remanescentes. Com base no relatório final o juiz encerrará, por sentença, a falência, determinando sua publicação em edital. RECURSO: da sentença que encerra a falência cabe recurso de apelação. EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DO FALIDO: a Lei 14.112/2020, que alterou a Lei 11.101/2002, promoveu significativas alterações nas disposições que tratavam da extinção das obrigações do falido. Nos termos das alterações promovidas, portanto a extinção das obrigações do falido se dará: Art. 158. Extingue as obrigações do falido: I – o pagamento de todos os créditos; II - o pagamento, após realizado todo o ativo, de mais de 25% (vinte e cinco por cento) dos créditos quirografários, facultado ao falido o depósito da quantia necessária para atingir a referida porcentagem se para isso não tiver sido suficiente a integral liquidação do ativo; III - (revogado); IV - (revogado); V - o decurso do prazo de 3 (três) anos, contado da decretação da falência, ressalvada a utilização dos bens arrecadados anteriormente, que serão destinados à liquidação para a satisfação dos credores habilitados ou com pedido de reserva realizado; VI - o encerramento da falência nos termos dos arts. 114-A ou 156 desta Lei.” (NR) DEPÓSITO COMPLEMENTAR PELO FALIDO: faculta-se ao falido o depósito de quantia necessária para atingir o percentual de 25% (vinte e cinco por cento)dos créditos quirografários, se para isto não tiver sido suficiente a integral liquidação do ativo. PROCEDIMENTO DE EXTINÇÃO: podem requerer a extinção das obrigações tanto o falido empresário individual, quanto o representante da sociedade falida ou seus sócios solidários.integral do devido. PRESSUPOSTOS DA EXECUÇÃO CONCURSAL: Não basta que o devedor seja insolvente para que tenha sua falência decretada. É necessário que seja comprovada a ocorrência de pressupostos materiais para instauração do procedimento falimentar. Ou, em outras palavras, é necessário que se comprove a insolvência jurídica do devedor – empresário ou sociedade empresária. Assim, antes da decretação da falência, verifica-se a ocorrência destes pressupostos que são: a) Devedor empresário ou sociedade empresária; b) insolvência (impontualidade injustificada, execução frustrada ou prática de ato de falência) c) sentença declaratória da falência. DEVEDOR SUJEITO À FALÊNCIA – SUJEITO PASSIVO DA FALÊNCIA: O artigo 1º da Lei 11.101/2005 é elucidativo ao estabelecer quais são os devedores sujeitos à Falência: Art. 1º Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedor. Nos termos do art. 1º da Lei 11.101/2005 somente estão sujeitos ao procedimento falimentar, ou seja, somente se sujeitam à falência, o devedor EMPRESÁRIO ou SOCIEDADE EMPRESÁRIA. Assim, não se cogita de pedido ou decretação de falência de quem não seja empresário, da mesma forma que não se cogita de falência de pessoas jurídicas que não se classifiquem como sociedades empresárias. Excluem-se, portanto, da falência as associações, as fundações, as organizações religiosas, os partidos políticos, e mesmo as sociedades que não sejam empresárias (sociedades simples) dentre elas as cooperativas. Por outro lado, existem algumas sociedades que, mesmo sendo empresárias, não se sujeitam à falência, por expressa disposição da Lei de Falências e por disposições de outras leis. Neste sentido dispõe o artigo 2º da Lei 11.101/2005: Art. 2º Esta Lei não se aplica a: I – empresa pública e sociedade de economia mista; II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores. EXCLUÍDOS DO DIREITO FALIMENTAR: ABSOLUTAMENTE EXCLUÍDOS: · empresas públicas; · sociedades de economia mista; · câmaras de compensação e liquidação financeira. RELATIVAMENTE EXCLUÍDOS · companhias de seguro (Lei 10.190) falência não pode ser requerida pelo credor, mas pode ser requerida pelo liquidante; · Operadoras de Planos Privados de Assistência à Saúde: sujeitam-se à falência quando no curso da liquidação extrajudicial decretada pela ANS, verifica-se que o ativo da massa liquidanda não é suficiente para pagar pelo menos metade dos créditos quirografários, as despesas administrativas e operacionais inerentes ao processamento regular da liquidação extrajudicial ou se houver fundados indícios de crime falimentar. · Instituições Financeiras: no exercício regular da atividade financeira, sujeitam-se à decretação da falência como qualquer outro empresário. Entretanto se for decretada a intervenção ou liquidação extrajudicial, esta não pode mais falir a pedido do credor. Somente se decreta a falência a pedido do interventor ou do liquidante, devidamente autorizado pelo Banco Central. INSOLVÊNCIA / IMPONTUALIDADE: A falência é uma situação jurídica que decorre da insolvência do empresário, revelada essa ou pela impontualidade no pagamento de obrigação líquida, ou por atos inequívocos que denunciem desequilíbrio econômico, patenteando situação financeira ruinosa. Neste sentido o art. 94 da Lei 11.101/2005: Art. 94 – Será decretada a falência do devedor que: I – Sem relevante razão de direito não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a quarenta salários mínimos na data do pedido de falência. INSOLVÊNCIA: é a condição de quem não pode saldar suas dívidas. Diz-se do devedor que possui um passivo sensivelmente maior que o ativo. Significa que a pessoa deve em proporção maior do que pode pagar, isto é, tem compromissos superiores aos seus rendimentos ou ao seu patrimônio. INSOLVÊNCIA JURÍDICA: Para se decretar a falência da sociedade empresária, é irrelevante a “insolvência econômica”, caracterizada pela insuficiência do ativo para solvência do passivo. Exige a Lei a “insolvência jurídica”, que se caracteriza, no direito falimentar brasileiro, pela impontualidade injustificada (LF, art. 94, I), pela execução frustrada (art. 94, II) ou pela prática de ato de falência . Assim a INSOLVÊNCIA JURÍDICA SE CARACTERIZA PELA: A) IMPONTUALIDADE: considerada a manifestação típica, direta, o sinal ostensivo, qualificado, da impossibilidade de pagar e, consequentemente, do estado de falência. “... o não cumprimento de uma obrigação. Obrigação cumprida irregularmente. Falta de pagamento de uma dívida na data do seu vencimento ou no prazo ajustado. Falta de cumprimento de promessa ou compromisso.” COMO SE CARACTERIZA A IMPONTUALIDADE? A IMPONTUALIDADE DEVE SER CARACTERIZADA PELO PROTESTO DO TÍTULO. JURIDICAMENTE, A FALÊNCIA SE CARACTERIZA POR ATOS OU FATOS QUE DENOTAM, UM DESEQUILÍBRIO NO PATRIMÔNIO DO DEVEDOR. (art. 94, III). A IMPONTUALIDADE INJUSTIFICADA característica da falência deve referir-se a obrigação líquida, entendendo-se assim a representada por título executivo, judicial ou extrajudicial protestado. OBRIGAÇÃO LÍQUIDA: representada por título executivo, judicial ou extrajudicial protestado. HIPÓTESES QUE A LEI OFERECE DE IMPONTUALIDADE JUSTIFICADA: · falsidade do título; · prescrição; · nulidade da obrigação; · pagamento da dívida; · ou qualquer outro motivo que extinga ou suspenda o cumprimento da obrigação ou não legitime a cobrança do título. REQUISITOS DO TÍTULO PARA AUTORIZAR O PEDIDO DE FALÊNCIA: a) representar obrigação líquida; b) constituir-se em título executivo; c) estar protestado; d) representar obrigação de, pelo menos, 40 salários mínimos. PROTESTO: ACEPÇÕES DA PALAVRA PROTESTO a) protesto judicial: objetiva prover a conservação e ressalva de direitos; b) protesto extrajudicial: constitui-se no meio legal que objetiva comprovar a falta ou recusa de aceite ou falta de pagamento de uma obrigação constante de título de crédito. O PROTESTO É IMPRESCINDÍVEL PARA A CARACTERIZAÇÃO DA IMPONTUALIDADE. FUNÇÕES DO PROTESTO: Prova da apresentação do título ao devedor; conservatória de direitos e CARACTERIZADORA DA IMPONTAULIDADE. PROTESTO ESPECIAL: se distingue do protesto comum, pois, ao contrário deste (que deve ser tirado no lugar indicado para aceite ou pagamento) deve ser providenciado perante o cartório da sede do devedor, foro competente para a decretação da falência. PROTESTO DE TÍTULOS POR CREDORES DISTINTOS: Na eventualidade do crédito de determinado credor ser inferior ao limite mencionado, poderá este unir-se a outro credor completando assim, o valor mínimo de quarenta salários mínimos, formando litisconsórcio ativo, e conjuntamente requerer a falência do devedor comum. B) EXECUÇÃO FRUSTRADA OCORRE quando, executada, a sociedade empresária não paga, não deposita nem nomeia bens à penhora no prazo legal. Dispõe o art. 94, da Lei de Falências: Art. 94. Será decretada a falência do devedor que: I - ..... II – executado, por qualquer quantia, não paga, não deposita e não nomeia bens, no prazo legal; Atualmente não se trata de hipótese muito comum de pedido de falência, em virtude da desnecessidade de penhora ou nomeação de bens para garantia do juízo da execução. “Se está sendo promovida contra a sociedade empresária uma execução individual, isso significa que ela não pagou, no vencimento, obrigação líquida, certa e exigível. Por outro lado, se não nomeou bens à penhora, é sinal de que talvez não disponha de meios sequer para garantir a execução. Esses fatos denunciam a insolvabilidade da executada e possibilitam a decretação da falência.” O pedido de falência da executada com fundamento no art. 94, II, da LF, não se faz nos autos da execuçãoindividual. Esta, na verdade, deve ser suspensa ou mesmo extinta, (alguns juízes condicionam o processamento da falência à prova de encerramento definitivo da execução). O exequente deve, então, solicitar uma certidão atestando a falta de pagamento, depósito ou nomeação de bens à penhora, para, em seguida, formular, perante o juiz competente, o pedido de falência instruído com aquele documento. “Para essa hipótese de insolvência jurídica, o protesto do título em que se baseia a execução é desnecessário. Lembre que o título de crédito não protestado pode ser cobrado por execução judicial dos devedores principais em qualquer hipótese e também dos co-devedores, no caso de cláusula “sem despesas”. Mesmo não estando o título de crédito protestado e frustrando-se a execução, o credor poderá ajuizar o pedido de falência com base no art. 94, II, da LF.” A execução frustrada que caracteriza a insolvência jurídica é aquela em que o devedor executado não paga, não deposita e não nomeia bens à penhora. (tríplice omissão). Ademais, note-se que para a caracterização da tríplice omissão como fundamento da falência do executado não é necessário que o título objeto da execução tenha valor mínimo. Esse requisito a lei estabeleceu apenas para a hipótese de falência por impontualidade injustificada. Desse modo, se o credor, executou duplicata de valor inferior a 40 salários mínimos, essa circunstância não impede que, vindo a configurar a execução frustrada, seja pedida e decretada a falência do devedor. A EXECUÇÃO FRUSTRADA QUE CARACTERIZA A INSOLVÊNCIA JURÍDICA É AQUELA EM QUE O DEVEDOR NÃO PAGA, NÃO DEPOSITA E NÃO NOMEIA BENS À PENHORA (TRÍPLICE OMISSÃO). C) PRÁTICA DE ATOS DE FALÊNCIA: A lei 11.101, no inciso III do art. 94, enumera determinadas práticas que considera caracterizadoras da insolvência e, desta forma, comprovada qualquer destas práticas pela sociedade empresária sujeita-se a ter sua falência requerida. São os seguintes os atos de falência: LIQUIDAÇÃO PRECIPITADA: ocorre a liquidação precipitada dos ativos quanto a sociedade liquida seu negócio de forma abrupta, ou seja, quanto liquida bens de seus ativos que não se confundem com aqueles vendidos no cumprimento de seu objeto. Ou seja, quando vende bens indispensáveis à exploração da atividade (mobiliário, máquinas, tecnologia, veículos, etc.), sem reposição, deixando de observar regras atinentes à dissolução. “Também está praticando ato de falência a sociedade empresária que emprega meios ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos, como a contratação de novos empréstimos para quitar os anteriores, sem perspectiva imediata de recuperação econômica da empresa, ou aceita pagar juros excessivos, comparativamente aos praticados no mercado.” NEGÓCIO SIMULADO: “Verifica-se a simulação quando as partes manifestam uma vontade contrária àquela verdadeira, com intuito de aparentar um negócio jurídico que não corresponde com aquele que efetivamente almejam.” Se a sociedade empresária tenta realizar negócio com intuito de apresentar um negócio que não corresponde com aquele que efetivamente almeja, por exemplo, transferindo bens de seu ativo circulante a sócios ou a seus parentes, estará caracterizada a prática de negócio simulado, ensejadora do pedido de falência. ALIENAÇÃO IRREGULAR DO ESTABELECIMENTO: a sociedade empresária que vende o seu estabelecimento empresarial sem o consentimento dos credores, salvo se conservar, no patrimônio, bens suficientes para responder pelo passivo, está exposta à decretação da quebra, por ter incorrido em conduta característica de ato de falência. Entre os requisitos do direito brasileiro para a regularidade do trespasse, que é o negócio jurídico de alienação do estabelecimento empresarial , encontra-se a anuência dos credores. Como esse bem representa, a rigor, a mais importante garantia dos credores, considera a lei indispensável a concordância deles para a plena eficácia do ato. Buscando ampliar a extensão da garantia, define a realização do negócio sem atendimento da condição como ato de falência. TRANSFERÊNCIA SIMULADA DO PRINCIPAL ESTABELECIMENTO: A sociedade empresária é, em princípio, livre para transferir seu principal estabelecimento para onde e quando quiser. Se o motivo da mudança é ditado pela racionalidade empresarial (por exemplo, proximidade de fornecedores ou consumidores, melhor infra- estrutura logística, etc.), é lícita e não configura, por conseguinte, qualquer ato de falência. Há, contudo, transferências cujo objetivo é fraudar a lei, frustrar a fiscalização ou prejudicar credores, dificultando-lhes o exercício de direitos. Nesses casos, considera-se simulada a transferência, já que seu objetivo não é empresarialmente justificável, caracterizando-se, então, o ato de falência. INSTITUIÇÃO DE GARANTIA REAL: Para a caracterização dessa hipótese de ato de falência a instituição de garantia real (hipoteca, penhor, caução de títulos, etc) pela sociedade empresária em favor de um de seus credores deve operar-se posteriormente à constituição do crédito. Não se verifica o ato de falência se a constituição da obrigação e a concessão da garantia real são concomitantes. A incoincidência entre os atos é que revela o intuito de fraudar a par condicio creditorum, na medida em que importa atribuir a quem já é credor uma condição mais favorável, na eventualidade da quebra (na ordem de pagamentos, o titular de garantia real tem preferência sobre os credores não garantidos). Normalmente, ninguém concede garantia real para o credor que já havia concordado em conceder crédito sem ela. Também o reforço de garantia, quando não houver justificativa para sua realização, configura ato de falência. Só costuma agir dessa forma a sociedade empresária que antevê a possibilidade de falência, por encontrar-se em estado de insolvabilidade. ABANDONO DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL: O abandono do estabelecimento empresarial por parte do representante legal da sociedade devedora importa a caracterização de ato de falência. Não há fundamento para a quebra, contudo, se a sociedade empresária constituiu procurador com poderes e recursos suficientes para responder pelas obrigações sociais. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ASSUMIDA NO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL: Se a sociedade empresária é beneficiária de recuperação judicial, ela não pode deixar de cumprir sem justificativa qualquer das obrigações assumidas no plano de reorganização. Verificado o inadimplemento, a qualquer tempo, caracteriza-se o ato de falência. EFEITOS DA SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA A Sentença declaratória de falência produz uma série de efeitos que extrapolam a relação jurídica estabelecida entre o autor do pedido e o devedor que teve sua falência decretada. Assim, pode ser dito que a sentença de falência produz efeitos em relação ao próprio falido, determinando sua extinção e impondo-lhe obrigações, em relação a seus credores, bens, contratos e a todas as relações que versem sobre s eus direitos e interesses. EFEITOS DA FALÊNCIA QUANTO AOS DIREITOS DOS CREDORES VENCIMENTO ANTECIPADO DAS DÍVIDAS DO FALIDO: (art. 77) - A falência produz o vencimento, por antecipação, de todas as dívidas do falido. Assim, mesmo as dívidas não cobráveis, porque ainda não vencidas, tornam-se exigíveis, ensejando ao credor a habilitação de seu crédito. EXCEÇÕES À REGRA GERAL: Não se submetem à regra do art. 77: a) as obrigações subordinadas a uma condição suspensiva; b) as obrigações solidárias firmadas juntamente com terceiros que se hajam coobrigado com o falido; c) as obrigações contraídas pelo falido garantidas por fiança de terceiro; d) as obrigações decorrentes de contratos bilaterais, que o administrador julgue conveniente manter, no interesse da massa falida. SUSPENSÃO DA FLUÊNCIA DE JUROS: (art. 124) - A falência suspende a fluência de juros compensatórios ou moratórios. Os primeiros constituem-se nos frutos do capital. Os segundos representam indenização decorrente do inadimplemento de obrigação, da mora. CLÁUSULA PENAL NOS CONTRATOS UNILATERAIS: Na ocorrênciade falência não são atendidas as cláusulas penais estipuladas nos contratos unilaterais, se as obrigações neles estipuladas se vencerem em virtude da falência. MULTA FISCAL: “Inclui-se no crédito habilitado em falência a multa fiscal simplesmente moratória” (Súmula 191 do STF). “Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa” (Súmula 192 do STF). Art. 83 – A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, incluídas as multas tributárias. SUSPENSÃO DAS EXECUÇÕES MOVIDAS CONTRA O FALIDO: (art. 6º) - Com a declaração da falência ficam suspensas as ações e execuções dos credores sobre direito e interesses relativos à massa falida, inclusive as dos credores particulares do sócio solidários de sociedade falida. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO: Nos termos do art. 6º da Lei Falimentar, fica suspenso o prazo de prescrição, que só se reinicia com a sentença que declara encerrada a falência. Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial implica: (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) I. - suspensão do curso da prescrição das obrigações do devedor sujeitas ao regime desta Lei; II. - suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor, inclusive daquelas dos credores particulares do sócio solidário, relativas a créditos ou obrigações sujeitos à recuperação judicial ou à falência; n III. - proibição de qualquer forma de retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor, oriunda de demandas judiciais ou extrajudiciais cujos créditos ou obrigações sujeitem-se à recuperação judicial ou à falência. Importante ressaltar que a suspensão da prescrição durante a falência só ocorre quanto aos direitos e ações dos credores contra a massa falida, não atingindo, obviamente, as obrigações de terceiros para com o falido. DOS EFEITOS DA FALÊNCIA QUANTO À PESSOA DO FALIDO RESTRIÇÃO À CAPACIDADE PROCESSUAL DO FALIDO: Declarada a falência, sofre o falido sérias restrições à sua capacidade processual, não podendo, a partir da Sentença, figurar como autor ou réu em ações patrimoniais de interesse da massa. A representação processual da massa falida, a partir da Sentença de falência, passa a ser exercida pelo Administrador Judicial. RESTRIÇÕES À LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO: O art. 104 determina que o falido, ou seu representante deve comparecer a todos os atos da falência, devendo, portanto, permanecer sempre à disposição do juízo falimentar. Outra restrição que decorre da declaração da falência é a que impõe ao falido a obrigação de não se ausentar do lugar da falência sem a devida autorização judicial. OBRIGAÇÕES QUE LHE SÃO IMPOSTAS: O mesmo art. 104 estabelece diversas obrigações que deverão ser cumpridas pelo Falido, ou por quem era ao tempo da falência administrador da sociedade empresária que teve sua falência decretada. Art. 104. A decretação da falência impõe aos representantes legais do falido os seguintes deveres: (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) I - assinar nos autos, desde que intimado da decisão, termo de comparecimento, com a indicação do nome, da nacionalidade, do estado civil e do endereço completo do domicílio, e declarar, para constar do referido termo, diretamente ao administrador judicial, em dia, local e hora por ele designados, por prazo não superior a 15 (quinze) dias após a decretação da falência, o seguinte: (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) a) as causas determinantes da sua falência, quando requerida pelos credores; b) tratando-se de sociedade, os nomes e endereços de todos os sócios, acionistas controladores, diretores ou administradores, apresentando o contrato ou estatuto social e a prova do respectivo registro, bem como suas alterações; c) o nome do contador encarregado da escrituração dos livros obrigatórios; d) os mandatos que porventura tenha outorgado, indicando seu objeto, nome e endereço do mandatário; e) seus bens imóveis e os móveis que não se encontram no estabelecimento; f) se faz parte de outras sociedades, exibindo respectivo contrato; g) suas contas bancárias, aplicações, títulos em cobrança e processos em andamento em que for autor ou réu; II - entregar ao administrador judicial os seus livros obrigatórios e os demais instrumentos de escrituração pertinentes, que os encerrará por termo; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) III – não se ausentar do lugar onde se processa a falência sem motivo justo e comunicação expressa ao juiz, e sem deixar procurador bastante, sob as penas cominadas na lei; IV – comparecer a todos os atos da falência, podendo ser representado por procurador, quando não for indispensável sua presença; V - entregar ao administrador judicial, para arrecadação, todos os bens, papéis, documentos e senhas de acesso a sistemas contábeis, financeiros e bancários, bem como indicar aqueles que porventura estejam em poder de terceiros; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) VI – prestar as informações reclamadas pelo juiz, administrador judicial, credor ou Ministério Público sobre circunstâncias e fatos que interessem à falência; VII – auxiliar o administrador judicial com zelo e presteza; VIII – examinar as habilitações de crédito apresentadas; IX – assistir ao levantamento, à verificação do balanço e ao exame dos livros; X – manifestar-se sempre que for determinado pelo juiz; XI - apresentar ao administrador judicial a relação de seus credores, em arquivo eletrônico, no dia em que prestar as declarações referidas no inciso I do caput deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) XII – examinar e dar parecer sobre as contas do administrador judicial. Parágrafo único. Faltando ao cumprimento de quaisquer dos deveres que esta Lei lhe impõe, após intimado pelo juiz a fazê-lo, responderá o falido por crime de desobediência. PROIBIÇÃO PARA O EXERCÍCIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL: Estabelece o art. 102 que o falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações. A inabilitação para o exercício da atividade empresarial decorre da perda da administração dos bens pelo falido, imposta pelo art. 103. Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações, respeitado o disposto no § 1º do art. 181 desta Lei. Parágrafo único. Findo o período de inabilitação, o falido poderá requerer ao juiz da falência que proceda à respectiva anotação em seu registro.. CONTIUNAÇÃO DO NEGÓCIO: (art. 99) – faculta ao juiz decidir pela continuação do negócio com o administrador judicial. A continuação das atividades tem caráter provisório e, a rigor, dar-se-á quando plenamente viável, ensejando, outrossim, a alienação da própria empresa, ou de unidades produtivas, a teor do que dispõe o art. 140, I e II, da LF. SUJEIÇÃO À PRISÃO: O art. 99, inc. VII, possibilita ao Juiz decretar a prisão preventiva do falido ou de seus administradores, quando requerida com fundamento na prática de crime definido na lei falimentar. DOS EFEITOS DA FALÊNCIA QUANTO AOS BENS DO FALIDO PERDA DA ADMINISTRAÇÃO E DISPOSIÇÃO DOS SEUS BENS: um dos primeiros efeitos da falência é privar o falido da administração de seus bens e negócios, substituindo-o pela figura do administrador judicial. O falido não perde, de imediato, a propriedade de seus bens, entretanto, não poderá, a partir da sentença, administração e, muito menos, praticar em relação a eles qualquer ato de disposição ou de oneração. Art. 103 – Desde a decretação da falência ou do sequestro, o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor. Entretanto, alguns bens, em razão de sua origem ou natureza jurídica não serão abrangidos pelos efeitos da sentença de falência. BENS QUENÃO SE COMPREEDEM NA FALÊNCIA: a) os bens inalienáveis por força de lei: os bens públicos e o bem de família (art. 1.711 C. Civil); b) os bens inalienáveis por ato voluntário: os bens gravados por testadores (art. 1.911 C. Civil); c) os bens absolutamente impenhoráveis: aqueles especificados no art. 649 do Código de Processo Civil. NULIDADE DOS ATOS PRATICADOS PELO FALIDO QUANTO AOS BENS: Como o falido perde o direito de administrar e de dispor de seus bens , desde o momento da falência ou do sequestro preliminar, quaisquer atos praticados, de disposição ou de oneração, com referência a tais bens são nulos de pleno direito, nulidade a ser declarada ex officio, independentemente de prova de prejuízo. DOS EFEITOS DA FALÊNCIA QUANTO AOS CONTRATOS DO FALIDO Como já frisado, a Sentença declaratória de falência surte efeitos nas mais diversas relações do falido, estendendo-se, inclusive aos contratos por ele celebrados antes da declaração de sua falência. Por isso que a lei trata de maneira especial os efeitos da falência sobre diversos tipos de contrato em que o falido possa figurar como parte. A título de rememorização, lembramos que CONTRATO é o ato jurídico que traduz o acordo de vontade de duas ou mais pessoas, para o fim de criar, resguardar, modificar ou extinguir uma relação jurídica. Dentre as diversas classificações que se dão aos contratos, podem ser eles classificados, com relação às relações obrigacionais em unilaterais e bilaterais. CONTRATO UNILATERAL: aquele em que só uma das partes se obriga em face da outra; mercê deles, um dos contratantes é exclusivamente credor, enquanto o outroé exclusivamente devedor. CONTRATO BILATERAL: aquele que cria obrigações para ambas as partes e essas obrigações são recíprocas; cada uma das partes fica adstrita a uma prestação. EFEITOS DA FALÊNCIA SOBRE OS CONTRATOS UNILATERAIS A regra geral aplicável aos contratos unilaterais está contida no art. 118 da LF, que dispõe: Art. 118. O administrador judicial, mediante autorização do Comitê, poderá dar cumprimento a contrato unilateral se esse fato reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos, realizandoo pagamento da prestação pela qual está obrigada. Desta forma, o Administrador judicial somente dará cumprimento ao contrato unilateral, se verificar que tal fato reduz ou evita o aumento do passivo ou for necessário à manutenção e preservação dos ativos. Em qualquer hipótese será necessária autorização do Comitê de Credores. Cabe enfatizar que, nos CONTRATOS EM QUE O FALIDO É DEVEDOR, ocorrerá o vencimento do contrato, com a decretação da falência, facultando-se aos credores a habilitação de seus respectivos créditos. (art. 77, LF). Por outro lado, naqueles CONTRATOS EM QUE O FALIDO É CREDOR, não ocorrerá o vencimento em virtude da sentença de falência, permanecendo inalterados, possibilitando ao administrador judicial exigir a execução da obrigação quando de seu vencimento ordinário. Com a falência se vencem antecipadamente as obrigações do falido (art. 77). EFEITOS DA FALÊNCIA SOBRE OS CONTRATOS BILATERAIS A regra geral, aplicável aos contratos bilaterais, está contida no art. 117 da LF, que dispõe: Art. 117 – Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê. Pela norma do art. 117, portanto, a decretação da falência não acarretará a resolução dos contratos bilaterais do falido, podendo o administrador judicial dar cumprimento a eles, desde que de tal cumprimento contribua para evitar o aumento do passivo ou for necessário á preservação dos ativos da massa falida, mediante autorização do Comitê de Credores. INTERPELAÇÃO DO CONTRATANTE: no prazo de 90 dias para que o administrador, no prazo de 10 dias, declare se cumpre ou não o contrato. Findo o prazo se o administrador nada responder, ou responder negativamente, é assegurado ao contratante o direito à respectiva indenização, a ser apurada em ação ordinária, e que se constituirá em crédito quirografário – art. 117 – LF. REGRAS ESPECIAIS PARA DETERMINADOS CONTRATOS BILATERAIS Certas espécies de contratos, na ocorrência de falência de um dos contraentes, sujeitam-se a regras especiais: a) COISAS VENDIDAS E EM TRÂNSITO A coisa vendida e em trânsito pode ser retida pelo vendedor, na ocorrência de falência do comprador – a menos que o falido, antes do requerimento da falência, a tenha revendido sem fraude, à vista das faturas e conhecimento de transporte, ou remetidas pelo vendedor; b) VENDA DE COISAS COMPOSTAS Na atividade empresarial há grande variedade de coisas, constituídas de peças e aparelhos distintos, tais como máquinas industriais, equipamentos, etc., os quais, vendidos integralmente, são, porém, entregues ao comprador parceladamente. Sobrevindo a falência do vendedor, ao administrador é dado decidir pela não- execução do contrato, hipótese em que o comprador pode colocar as peças já recebidas à disposição da massa, pleiteando dessa última perdas e danos; c) COISA MÓVEL VENDIDA A PRESTAÇÃO Sobrevindo a quebra do devedor, se este ainda não efetuou a entrega da coisa móvel vendida a prestação, se o administrador concluir pela não-execução, o valor pago pelo comprador deverá ser habilitado na falência. (art. 86, I, e 119, III). d) VENDA COM RESERVA DE DOMÍNIO Sobrevindo a falência do comprador, não decidindo o administrador pela execução do contrato, deve este último requerer ao juiz a citação do vendedor, colocando a coisa à sua disposição, providenciando antes a sua avaliação. Ao reaver o bem o vendedor, descontadas as despesas judiciais e extrajudiciais havidas, devolverá à massa o excedente de seu crédito. e) COISA VENDIDA A TERMO Ocorre a venda a termo quando, embora realizada a transação, vendedor e comprador convencionam um prazo para entrega da coisa e o pagamento. Celebrado o contrato a termo, se uma das partes vier a falir, a massa, vencido o termo, pagará ou receberá a diferença de preço que existir entre a cotação do dia do contrato e a época da liquidação. f) PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS Na ocorrência de falência do promitente-vendedor, tal contrato não se resolve, ficando o síndico obrigado a dar-lhe cumprimento. Na falência do promitente comprador seus direitos serão arrecadados em conformidade com a legislação específica. g) CONTRATO DE LOCAÇÃO A falência do locador não resolve o contrato de locação. Na falência do locatário o administrador judicial pode, a qualquer tempo, denunciar o contrato. h) CONTRATO DE CONTA CORRENTE Dá-se o contrato de conta corrente quando duas pessoas trocam valores ou mercadorias que são registradas em conta corrente, a título de crédito – remessas recíprocas de valores – que a final indicará o credor, pela diferença entre o débito e o crédito. Na ocorrência de falência de um dos contratantes, opera-se a extinção do contrato, apurando-se o saldo, podendo a massa figurar como credora ou devedora. i) ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA Alienação fiduciária conceitua-se como sendo “o negócio jurídico pelo qual o devedor, para garantir o pagamento da dívida, transmite ao credor a propriedade de um bem, retendo-lhe a posse direta, sob a condição resolutiva de saldá-la”. A falência antecipa o vencimento da obrigação, assegurando ao fiduciário (credor) o direito de requerer a restituição do bem (Dec.-Lei 911/69), facultado ao administrador manter o negócio, pagando o preço (art. 117 da Lei de Falências). Ocorrendo a falência antes do pagamento de todo o preço contratado, abre-se a possibilidade de o administrador prosseguir na sua execução, se entender conveniente à massa. Se não o fizer, o credor tem direito de pedir a restituição do bem alienado, porque na verdade o domínio lhe pertence. Como a condição resolutiva determina que, uma vez paga a dívida contraída, no modo ajustado, perde o credor aquele domínio quelhe fora transferido em garantia, é necessário, se não cumprido, que o credor faça valer seus direitos sobre a coisa por meio de ação de restituição, promovendo-a no Juízo Falimentar. Mas somente poderá fazê-lo após interpelar o administrador, em obediência ao que dispõe a regra geral. AÇÃO PROCESSUAL: busca e apreensão. j) CONTRATO DE LEASING OU ARRENDAMENTO MERCANTIL O arrendamento mercantil se define como sendo “o negócio jurídico realizado entre pessoas jurídicas, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica, na qualidade de arrendatária, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora, segundo especificações da arrendatária e para uso desta.” No arrendamento mercantil, a coisa está em poder do devedor apenas como alugada, mas contratualmente, pertence ao arrendador. Na hipótese de sobrevir a falência do arrendatário, pode o administrador prosseguir com a execução do contrato e realizar, ao final, as opções em nome da massa falida. Se entender de não cumprir o contrato, o arrendador tem o direito de reivindicar o bem mediante ação de restituição. AÇÃO PROCESSUAL: reintegração de posse. k) CONTRATO DE TRABALHO O contrato de trabalho é bilateral, submetendo-se, por isso mesmo, à regra do art. 122, não se extinguindo de pleno direito com a quebra, podendo ser executado pelo administrador, tanto mais que lhe é dado requerer a continuação do negócio, ainda que em caráter temporário – art. 99, XI, da Lei de Falências. l) COMPENSAÇÃO DAS DÍVIDAS DO FALIDO Compensam-se as dívidas do falido vencidas até a declaração da quebra, provenha o vencimento da própria sentença declaratória da falência ou da expiração do prazo estipulado (art. 112 da Lei Falimentar). PRESSUPOSTOS DA COMPENSAÇÃO a) reciprocidade das dívidas; b) liquidez; c) vencimento; d) fungibilidade. CONTRATO DE SOCIEDADE Os haveres do empresário individual ou sociedade empresária devem ser apurados e arrecadados pela massa falida. Em se tratando de sociedade anônima as ações serão alienadas. Em se tratando de outros tipos societários haverá liquidação dos haveres do sócio falido, que se dará da seguinte forma: a) na forma que dispuser o contrato social; b) judicialmente se nada dispuser o contrato; através de ação proposta pelo administrador. A apuração dar-se-á com base na situação patrimonial da sociedade à data da falência do sócio, verificada em balanço de determinação; c) mediante dissolução prevista em contrato ou decorrente de determinação legal. Seja por previsão contratual, seja por ter a sociedade apenas dois sócios, os valores somente poderão ser atribuídos à massa após o pagamento dos credores sociais, após a liquidação da sociedade. ÓRGÃOS AUXILIARES DO JUÍZO FALIMENTAR A direção e presidência do Processo de Execução Concursal incumbe ao Juiz que decretou a falência do devedor. Assim, todos os atos e termos processuais, serão praticados perante e pelo Juízo Falimentar que, como já visto, é indivisível e universal para conhecer de todas as ações que versem sobre direitos, bens e interesses da massa falida. Não obstante, existem órgãos que auxiliam o Juízo Falimentar durante o desenvolvimento do procedimento de execução concursal, uns com funções operacionais e outros com funções deliberativas e de fiscalização. São estes órgãos a Assembleia Geral dos Credores, o Comité dos Credores e o Administrador Judicial, todos com atribuições definidas na Lei 11.101/2005. ASSEMBLEIA GERAL DE CREDORES A Assembleia Geral de Credores é uma novidade introduzida no ordenamento jurídico pela Le1 11.101/2005 e, nos termos do art. 141, será constituída pelas seguintes classes de credores: I – titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho; II – titulares de créditos com garantia real; III – titulares de créditos quirografários, com privilégio especial, com privilégio geral ou subordinados. IV - titulares de créditos enquadrados como microempresa ou empresa de pequeno porte. As atribuições da Assembleia Geral estão definidas no art. 35, II, e em outras disposições da LF. Art. 35. A assembléia-geral de credores terá por atribuições deliberar sobre: II – na falência: a) (VETADO) b) a constituição do Comitê de Credores, a escolha de seus membros e sua substituição; c) a adoção de outras modalidades de realização do ativo, na forma do art. 145 desta Lei; d) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores. A Assembleia é órgão facultativo que será convocado, por determinação do Juiz, na forma do art. 36 da Lei 11.101. Quando convocada, na foram do art. 36, será presidida pelo Administrador Judicial, salvo em casos de impedimento deste. COMITÊ DE CREDORES O Comitê de Credores será constituído por deliberação da Assembleia Geral, não sendo órgão de constituição obrigatória. Se não for constituído suas atribuições serão exercidas pelo administrador e, na incompatibilidade pelo juiz da falência. Funciona como e tem atribuições de órgão consultivo do Juízo e fiscalizador e deliberativo em relação ao administrador judicial. IMPEDIMENTOS: não podem integrar o Comitê de Credores as pessoas relacionadas no art. 30 da Lei: Art. 30. Não poderá integrar o Comitê ou exercer as funções de administrador judicial quem, nos últimos 5 (cinco) anos, no exercício do cargo de administrador judicial ou de membro do Comitê em falência ou recuperação judicial anterior, foi destituído, deixou de prestar contas dentro dos prazos legais ou teve a prestação de contas desaprovada. § 1º Ficará também impedido de integrar o Comitê ou exercer a função de administrador judicial quem tiver relação de parentesco ou afinidade até o 3º (terceiro) grau com o devedor, seus administradores, controladores ou representantes legais ou deles for amigo, inimigo ou dependente. As atribuições do Comitê de Credores estão definidas no art. 27 e em dispositivos esparsos da Lei, sendo as principais as seguintes: Dispositivo Legal Atribuição 27, I, a fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial; 27, I, b zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei; 27, I, c comunicar ao juiz, caso detecte violação dos direitos ouprejuízo aos interesses dos credores; 27, I, d apurar e emitir parecer sobre quaisquer reclamações dos interessados; 27, I, e requerer ao juiz a convocação da assembléia-geral de credores; 27, I, f manifestar-se nas hipóteses previstas nesta Lei; 114 autorizar o administrador judicial a alugar ou celebrar outro contrato referente aos bens da massa com o objetivo de produzir renda para ela; 117 Autorizar o administrador judicial a cumprir os contratos bilaterais nos casos em que o cumprimento reduzir ou evitar o amento do passivo da massa ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos; 118 Autorizar o administrador a dar cumprimento a contrato unilateral se esse fato reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos, realizando o pagamento da prestação pela qual está obrigada; Art. 26, § 3º Eleger seu presidente; 144 Requerer a realização do ativo por outra modalidade de alienação judicial diversa das previstas no art. 142; 19 Requerer, em procedimento ordinário previsto no CPC, a exclusão, outra classificação ou a retificação de qualquer crédito, nos casos de descoberta de falsidade, dolo, simulação, fraude, erro essencial, ou ainda, documentos ignorados na época do julgamento do crédito ou da inclusão no quadro geral de credores; REMUNERAÇÃO: os membros do Comitê de Credores não são remunerados, mas fazem jus ao reembolso de despesas que comprovem ter realizado para a realização de ato previsto na lei falimentar. SUBSTITUIÇÃO E DESTITUIÇÃO: nos mesmos casos aplicáveis ao administrador judicial. RESPONSABILIDADE: o membro do Comitê de Credores é pessoalmente responsável pelos atos que praticar em prejuízo da massa, do devedor e dos credores, em razão de culpa ou dolo. DECISÃO SOBRE A CONTINUAÇÃO PROVISÓRIA DAS ATIVIDADESEMPRESARIAIS: o fundamento para a continuação das atividades empresariais, encontra-se no art. 75: preservação e otimização da utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos. ADMINISTRADOR JUDICIAL O Administrador judicial será nomeado pelo Juiz na Sentença que decretar a falência. A escolha recairá sobre advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou sobre pessoa jurídica. IMPEDIMENTOS: estão impedidos os desidiosos, que mantêm relação de parentesco, dependência ou amizade com o devedor, controladores ou representantes legais da falida, sendo vedada a nomeação de: (1) pessoa que foi destituída nos últimos cinco anos, deixou de prestar contas nos prazos legais ou teve prestação de contas reprovada; (2) parentes ou afim até o terceiro grau com o devedor, administradores, controladores ou representantes legais da falida; (3) amigo, inimigo ou dependente das pessoas anteriormente citadas. COMPROMISSO: o termo de compromisso deve ser assinado pelo administrador judicial no prazo de 48 horas após intimado de sua nomeação FUNÇÕES DO ADMINISTRADOR: As funções do Administrador Judicial estão previstas, principalmente, no art. 22, mas, também, em diversos outros dispositivos da Lei 11.101/2005. A seguir, apresentamos quadro sintético das atribuições do administrador judicial. DISPOSITIVO LEGAL ATRIBUIÇÃO NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E NA FALÊNCIA Art. 22, I, a; a) enviar correspondência aos credores constantes na relação de que trata o inciso III do caput do art. 51, o inciso III do caput do art. 99 ou o inciso II do caput do art. 105 desta Lei, comunicando a data do pedido de recuperação judicial ou da decretação da falência, a natureza, o valor e a classificação dada ao crédito; Art. 22, I, b b) fornecer, com presteza, todas as informações pedidas pelos credores interessados; Art. 22, I, c c) dar extratos dos livros do devedor, que merecerão fé de ofício, a fim de servirem de fundamento nas habilitações e impugnações de créditos; Art. 22, I, d d) exigir dos credores, do devedor ou seus administradores quaisquer informações; Art. 22, I, e e) elaborar a relação de credores de que trata o § 2º do art. 7º desta Lei; Art. 22, I, f f) consolidar o quadro-geral de credores nos termos do art. 18 desta Lei; Art. 22, I, g g) requerer ao juiz convocação da assembléia-geral de credores nos casos previstos nesta Lei ou quando entender necessária sua ouvida para a tomada de decisões; Art. 22, I, h h) contratar, mediante autorização judicial, profissionais ou empresas especializadas para, quando necessário, auxiliá-lo no exercício de suas funções; Art. 22, I, i i) manifestar-se nos casos previstos nesta Lei; Art. 22, I, j j) estimular, sempre que possível, a conciliação, a mediação e outros métodos alternativos de solução de conflitos relacionados à recuperação judicial e à falência, respeitados os direitos de terceiros, na forma do § 3º do art. 3º da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil); Art. 22, I, l manter endereço eletrônico na internet, com informações atualizadas sobre os processos de falência e de recuperação judicial, com a opção de consulta às peças principais do processo, salvo decisão judicial em sentido contrário; Art. 22, I, k manter endereço eletrônico específico para o recebimento de pedidos de habilitação ou a apresentação de divergências, ambos em âmbito administrativo, com modelos que poderão ser utilizados pelos credores, salvo decisão judicial em sentido contrário; Art. 22, I, m m) providenciar, no prazo máximo de 15 (quinze) dias, as respostas aos ofícios e às solicitações enviadas por outros juízos e órgãos públicos, sem necessidade de prévia deliberação do juízo; NA FALÊNCIA Art. 22, III, a a) avisar, pelo órgão oficial, o lugar e hora em que, diariamente, os credores terão à sua disposição os livros e documentos do falido; Art. 22, III, b b) examinar a escrituração do devedor; Art. 22, III, c c) relacionar os processos e assumir a representação judicial e extrajudicial, incluídos os processos arbitrais, da massa falida; Art. 22, III, d d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o que não for assunto de interesse da massa; Art. 22, III, e e) apresentar, no prazo de 40 (quarenta) dias, contado da assinatura do termo de compromisso, prorrogável por igual período, relatório sobre as causas e circunstâncias que conduziram à situação de falência, no qual apontará a responsabilidade civil e penal dos envolvidos, observado o disposto no art. 186 desta Lei; Art. 22, III, f f) arrecadar os bens e documentos do devedor e elaborar o auto de arrecadação, nos termos dos arts. 108 e 110 desta Lei; Art. 22, III, g g) avaliar os bens arrecadados; Art. 22, III, h h) contratar avaliadores, de preferência oficiais, mediante autorização judicial, para a avaliação dos bens caso entenda não ter condições técnicas para a tarefa; Art. 22, III, i i) praticar os atos necessários à realização do ativo e ao pagamento dos credores; Art. 22, III, j j) proceder à venda de todos os bens da massa falida no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da juntada do auto de arrecadação, sob pena de destituição, salvo por impossibilidade fundamentada, reconhecida por decisão judicial; Art. 22, III, l l) praticar todos os atos conservatórios de direitos e ações, diligenciar a cobrança de dívidas e dar a respectiva quitação; Art. 22, III, m m) remir, em benefício da massa e mediante autorização judicial, bens apenhados, penhorados ou legalmente retidos; Art. 22, III, n n) representar a massa falida em juízo, contratando, se necessário, advogado, cujos honorários serão previamente ajustados e aprovados pelo Comitê de Credores; Art. 22, III, o o) requerer todas as medidas e diligências que forem necessárias para o cumprimento desta Lei, a proteção da massa ou a eficiência da administração; Art. 22, III, p p) apresentar ao juiz para juntada aos autos, até o 10º (décimo) dia do mês seguinte ao vencido, conta demonstrativa da administração, que especifique com clareza a receita e a despesa; Art. 22, III, q q) entregar ao seu substituto todos os bens e documentos da massa em seu poder, sob pena de responsabilidade; Art. 22, III, r r) prestar contas ao final do processo, quando for substituído, destituído ou renunciar ao cargo. Art. 22, III, s arrecadar os valores dos depósitos realizados em processos administrativos ou judiciais nos quais o falido figure como parte, oriundos de penhoras, de bloqueios, de apreensões, de leilões, de alienação judicial e de outras hipóteses de constrição judicial, ressalvado o disposto nas Leis nos 9.703, de 17 de novembro de 1998, e 12.099, de 27 de novembro de 2009, e na Lei Complementar nº 151, de 5 de agosto de 2015. Art. 99, XI administrar a empresa falida, na continuação provisória; Art. 114 Alugar ou celebrar outro contrato referente aos bens da massa, com o objetivo de produzir renda para a massa falida; Art. 114 - A Se não forem encontrados bens para serem arrecadados, ou se os arrecadados forem insuficientes para as despesas do processo, o administrador judicial informará imediatamente esse fato ao juiz, que, ouvido o representante do Ministério Público, fixará, por meio de edital, o prazo de 10 (dez) dias para os interessados se manifestarem. Art. 22, III e 148 Apresentar conta demonstrativa da administração; Art. 155 Apresentar relatório final da administração; Art. 22, III, f, e 108 Arrecadar os bens e documentos do devedor e elaborar o auto de arrecadação; Art. 110 Assinar o Auto de arrecadação; Art. 33 Assinar o termo de compromisso; Art. 22, III, g, e 110 Avaliar os bens arrecadados; Art. 18 e 22, I, f consolidar o quadro geral de credores; Art. 117 e 118 Cumprir ou denunciar os contratos; Art. 117, § 1º declarar se cumpre ou não os contratos bilaterais; Art. 7º, § 2º e 22 I, elaborar a relação dos credores; Art. 28 Exercer as funções do Comitê deCredores, se este não for constituído e aquelas que não forem incompatíveis; Art. 110, § 4º Exibir as certidões de registro dos imóveis; Art. 108, § 1º - Guardar os bens arrecadados; Art. 87 Manifestar-se nos pedidos de restituição; Art. 37 Presidir a Assembléia Geral; Art. 23 Prestar contas e apresentar relatórios omitidos no tempo certo; Art. 132 Propor, sem exclusividade, ação revocatória; Art. 125 Realizar atos pendentes em inventário do espólio do falido, em relação a direitos e obrigações da massa falida; Art. 150 Realizar despesas, inclusive pagamentos antecipados; Art. 37, § 6º, I Receber a relação de associados sindicalizados que serão representados na Assembléia Geral; Art. 110, § 1º Requerer a concessão de prazo para apresentar o laudo de avaliação quando necessário; Art. 119, IV Restituir coisa móvel comprada com reserva de domínio, se resolver não continuar a execução do contrato; Art. 120 Revogar ou confirmar representação judicial conferida em mandato outorgado pelo falido. REMUNERAÇÃO: será fixada pelo juiz observando critérios objetivos fixados pelo legislador: capacidade de pagamento do devedor, grau de complexidade do trabalho, valores praticados no mercado para o desempenho de atividades semelhantes; não poderá ultrapassar a 5% do valor de venda dos bens da falência. 60% serão pagos durante o curso da falência; 40% serão pagos após a conclusão da realização do ativo e do julgamento das contas da administração. SUBSTITUIÇÃO: dá-se nos casos de vontade do administrador (renúncia, não-aceitação do encargo) ou de circunstâncias alheias, sem o caráter de desídia ou dolo, tais como interdição, falência ou requerimento de insolvência civil. DESTITUIÇÃO: tem caráter punitivo e dar-se-á, nos casos de desídia, improbidade, a requerimento de qualquer credor ou do Ministério Público. RESPONSABILIDADE: o administrador é pessoalmente responsável pelos atos que praticar em prejuízo da massa, do devedor e dos credores, em razão de dolo ou culpa. ARRECADAÇÃO E REALIZAÇÃO DO ATIVO DA MASSA FALIDA (Texto de Amador Paes de Almeida – Curso de Falência e Recuperação Judicial. Atualizado Após a Lei 14.112/2020) SEGUNDA FASE DO PROCESSO FALIMENTAR: destaca-se por atos que visam preservar a atividade empresarial ou conservar a produção dos bens e ativos da empresa para pagamento dos credores, se a manutenção do negócio não for possível. Desdobra-se nos seguintes atos processuais PUBLICACÃO DO EDITAL CONTENDO A ÍNTEGRA DA SENTENÇA QUE DECRETA A FALÊNCIA: pode conter, também, a relação de credores se se tratar de autofalência ou de falência incidental a processo de recuperação judicial. Não havendo prévia relação de credores, o administrador elaborará o quadro geral de credores e o apresentará no prazo de 45 dias contados do término do prazo para as habilitações de crédito. ARRECADAÇÃO DOS BENS E DOCUMENTOS DO DEVEDOR E ELABORAÇAO DO AUTO DE ARRECADAÇÃO: CONCEITO: A arrecadação é o complexo de atos que têm por objetivo promover o desapossamento dos bens, retirando do devedor o poder de deles dispor e submetendo-os à guarda do administrador judicial, ou, sob sua responsabilidade, a pessoa de sua escolha, ou, ainda, em depósito em mãos do falido ou de seus representantes, para, após avaliação, serem vendidos e realizados os pagamentos dos credores que compõem a massa concursal. LACRAÇÃO DO ESTABELECIMENTO E APREENSÃO DE BENS: ocorre para prevenir o desvio de bens, especialmente se houver risco para a etapa de arrecadação ou for necessário à preservação da massa ou dos interesses da massa falida. É determinada pelo juiz, com a afixação às portas do estabelecimento de lacre e da cópia da sentença declaratória da falência. ARRECADAÇÃO PESSOAL E POR CARTA PRECATÓRIA: a arrecadação se faz pessoalmente pelo administrador podendo ser acompanhada pelo falido, elaborando-se inventários distintos para a massa falida e para os bens dos sócios solidariamente responsáveis. Havendo bens fora da comarca, o juiz expedirá precatória para a comarca onde se encontrem os bens, devendo o administrador judicial acompanhar e cumprir seus termos no Juízo deprecado. ACOMPANHAMENTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO: não é previsto na Lei Falimentar, mas é recomendável, pressupondo que alguns crimes falimentares pressupõem diligências em torno da arrecadação de bens. INVENTÁRIO DE LIVROS E BENS: a apreensão se faz por arrolamento de bens, materializada em auto de arrecadação próprio. Deverá conter: o inventário dos livros, papéis e documentos encontrados no local da arrecadação. Se os livros tiverem sido depositados em cartório será o ato certificado pelo escrivão. ARRECADAÇÃO DE BENS IMÓVEIS: será feita pelo administrador, que poderá complementá-la em até quinze dias com a exibição das certidões de registro, extraídas posteriormente à decretação da falência, contendo dados completos dos imóveis. BENS NÃO ARRECADÁVEIS: aqueles relacionados no art. 833 do CPC, na Lei 8.009/90 e na Lei 10.931/2004. VENDA ANTECIPADA: podem ser vendidos antecipadamente os bens de conservação arriscada REALIZAÇÃO DO ATIVO E PAGAMENTO DE CREDORES Decorrido o prazo requerido pelo administrador judicial para a avaliação dos bens ou juntado o auto de arrecadação contendo os inventários dos bens e sua avaliação, inicia-se, sem qualquer outra formalidade, a realização do ativo. Para tanto não se exige a definição do quadro-geral de credores ou solução nas investigações criminais, como fazia a lei anterior. ALIENAÇÃO DA EMPRESA, DE PARTE DELA, DOS ESTABELECIMENTOS EMPRESARIAIS OU DE BENS INDIVIDUALMENTE: O legislador estabeleceu a seguinte ordem de preferência para alienação da massa: Art. 140 – Venda do estabelecimentos empresariais; Art. 140, II – Venda fracionada de filiais ou unidades produtivas; Art. 140, III – Venda de blocos de bens destacados do estabelecimento; Art. 140, IV – Venda de bens individualmente considerados. A TRANSFERÊNCIA DA EMPRESA, DE SEUS ESTABELECIMENTOS, DE BLOCOS DE BENS OU DE BENS INDIVIDUALMENTE CONSIDERADOS SEFAZ SEM ÔNUS, ISTO É, DE FORMA LIBERADA, NÃO IMPLICANDO SUCESSÃO DO ARREMATANTE NAS OBRIGAÇÕES DO FALIDO, SEJAM ELAS DE ORDEM TRIBUTÁRIA, TRABALHISTA OU ACIDENTÁRIA. (Art. 141, II) NO TOCANTE AOS TRABALHADORES: sua admissão se realiza mediante novos contratos, não respondendo o arrematante por obrigações decorrentes do contrato anterior (LF, art. 141, parágrafo 2º, II). CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE DE CREDORES OU DE EMPREGADOS DO DEVEDOR O ART. 145, prevê que “... os credores poderão adjudicar os bens alienados na falência ou adquirí-los por meio da constituição de sociedade de fundo ou de outro veículo de investimento com a participação, se necessária, dos atuais sócios do devedor ou de terceiros, ou mediante conversão de dívida em capital. NO TOCANTE ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS: aplicam-se, outrossim, as disposições do art. 133, do Código Tributário Nacional. NÃO HÁ SUCESSÃO PELAS DÍVIDAS ANTERIORES, MAS OS CREDORES TITULARES DE CRÉDITOS DERIVADOS DA LEGISLAÇÃO DO TRABALHO PODERÃO USAR ESSES VALORES NA AQUISIÇÃO OU ARRENDAMENTO DA EMPRESA. APROVAÇÃO DAS FORMAS DE REALIZAÇÃO DO ATIVO: para aprovação desta e de outras formas de realização do ativo na falência, a Lei exige a formação de quorum especial, ou seja, o voto favorável de credores que representem 2/3 dos créditos presentes à assembléia. MODALIDADES DE ALIENAÇÕES PÚBLICAS a) LEILÃO ELETRÔNICO, PRESENCIAL OU HÍBRIDO b) PROCESSO COMPETITIVO ORGANIZADO, PROMOVIDO POR AGENTE ESPECIALIZADO E DE REPUTAÇÃO ILIBADA, CUJO PROCEDIMENTO DEVERÁ SER DETALHADO EM RELATÓRIO ANEXO AO PLANO DE REALIZAÇÃO DO ATIVO OU PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. OUTRAS MODALIDADES DE ALIENAÇÃO: o art. 144 prevê que o juiz, mediante requerimento fundamentado do administrador judicial ou do Comitê de Credores, possa autorizar outras modalidades de alienação. PUBLICIDADE DA ALIENAÇÃO: decidido o modo como se procederá à venda, o juiz determinará a publicação de anúncio em jornal de grande circulação, com quinze dias de antecedência,se a alienaçãoenvolver tão-somente bens móveis; e trinta dias de antecedência se a alienação envolver bens móveis ou a própria empresa. VALOR DA ARREMATAÇÃO: a arrematação se fará: I – em primeira chamada, no mínimo pelo valor da avaliação dos bens; II – em segunda chamada, por no mínimo 50% (cinquenta por cento) do valor da avaliação; e, III – em terceira chamada, por qualquer preço. IMPUGNAÇÕES: os credores, o devedor, falido e seus sócios, e o MP poderão apresentar impugnações no prazo de 48 horas. PROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO: torna ineficaz o ato de arrematação. IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO: o juiz determinará a entrega dos bens ao arrematante, respeitadas as condições estabelecidas no edital. RECURSO DA DECISÃO QUE NÃO ACOLHE A IMPUGNAÇÃO: não há previsão na lei de recurso contra esta Decisão, porque os atos de alienação inserem- se entre os de administração, de conteúdo discricionário. PAGAMENTO AOS CREDORES A satisfação dos créditos habilitados somente poderá ser feita após a consolidação do Quadro Geral de Credores. Desta forma, deverá ser aguardado o julgamento de todas as impugnações às habilitações para, somente após consolidado o Quadro Geral de Credores, dar-se início aos respectivos pagamentos. CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS E REGRAS PARA PAGAMENTO AOS CREDORES CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS: Os credores do falido não são tratados igualmente. A natureza do crédito importa para a definição de uma ordem de pagamento, que deve ser rigorosamente observada na liquidação. Esta ordem é, hoje, resultado de convergências legais, fonte constante de conflitos e incertezas. Na dita ordem de pagamento, encontram- se não apenas os credores do falido, como também os créditos extraconcursais. Classificam-se, portanto, os créditos segundo a ordem de pagamento na falência, nas seguintes categorias: CRÉDITOS EXTRACONCURSAIS, que são aqueles resultantes de negócios ou obrigações constituídos após a decretação da falência, ou seja, dívidas ou obrigações contraídas pela Massa Falida. São chamados EXTRACONCURSAIS porque não concorrerão com aqueles constituídos antes da falência. “Os créditos extraconcursais, que compreendem os definidos no art. 84 da LF, por exemplo, a remuneração do administrador judicial, as despesas com a arrecadação e administração dos bens do falido, as custas judiciais, bem como os correspondentes às restituições em dinheiro alicerçadas no art. 86 da LF.” Desta forma, e nos termos do art. 84 da Lei 11.101, são considerados créditos extraconcursais: Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, aqueles relativos: I - às quantias referidas nos arts. 150 e 151 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) II - ao valor efetivamente entregue ao devedor em recuperação judicial pelo financiador, em conformidade com o disposto na Seção IV-A do Capítulo III desta Lei; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) III - aos créditos em dinheiro objeto de restituição, conforme previsto no art. 86 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) IV - às remunerações devidas ao administrador judicial e aos seus auxiliares, aos reembolsos devidos a membros do Comitê de Credores, e aos créditos derivados da legislação trabalhista ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) V -E - às obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência; (Incluído pela Lei nº 14.112, de 2020) II - às quantias fornecidas à massa falida pelos credores; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) III - às despesas com arrecadação, administração, realização do ativo, distribuição do seu produto e custas do processo de falência; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) IV - às custas judiciais relativas às ações e às execuções em que a massa falida tenha sido vencida; (Redação dada pela Lei nº 14.112, de 2020) (Vigência) V - aos tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida no art. 83 desta Lei. CRÉDITOS CONCURSAIS, entendidos estes como os que foram constituídos antes da decretação da falência, ou que tiveram seu vencimento determinado como efeito da Sentença declaratória de falência. Os créditos concursais são aqueles constituídos antes pelo Devedor antes da decretação da falência. São chamados concursais porque concorrerão com os demais, tendo em vista que a falênciaconstitui-se num processo de execução concursal. São os seguintes os créditos concursais, segundo ordem estabelecida pelo art. 83: I - os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e cinquenta) salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho; II - os créditos gravados com direito real de garantia até o limite do valor do bem gravado; III - os créditos tributários, independentemente da sua natureza e do tempo de constituição, exceto os créditos extraconcursais e as multas tributárias; VI - os créditos quirografários, a saber: ................................................................................................................................ b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento; e c) os saldos dos créditos derivados da legislação trabalhista que excederem o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo; VII - as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, incluídas as multas tributárias; VIII - os créditos subordinados, a saber: a) os previstos em lei ou em contrato; e b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício cuja contratação não tenha observado as condições estritamente comutativas e as práticas de mercado; e IX - os juros vencidos após a decretação da falência, conforme previsto no art. 124 desta Lei. REGRAS PARA PAGAMENTO O pagamento aos credores se realizará na forma prevista nos artigos 149 a 154, da Lie 11.101/2005. Art. 149. Realizadas as restituições, pagos os créditos extraconcursais, na forma do art. 84 desta Lei, e consolidado o quadro-geral de credores, as importâncias recebidas com a realização do ativo serão destinadas ao pagamento dos credores, atendendo à classificação prevista no art. 83 desta Lei, respeitados os demais dispositivos desta Lei e as decisões judiciais que determinam reserva de importâncias. § 1º Havendo reserva de importâncias, os valores a ela relativos ficarão depositados até o julgamento definitivo do crédito e, no caso de não ser este finalmente reconhecido, no todo ou em parte, os recursos depositados serão objeto de rateio suplementar entre os credores remanescentes. § 2º Os credores que não procederem, no prazo fixado pelo juiz, ao levantamento dos valores que lhes couberam em rateio serão intimados a fazê-lo no prazo de 60 (sessenta) dias, após o qual os recursos serão objeto de rateio suplementar entre os credores remanescentes. Art. 150. As despesas cujo pagamento antecipado seja indispensável à administração da falência, inclusive na hipótese de continuação provisória das atividades previstas no inciso XI do caput do art. 99 desta Lei, serão pagas pelo administrador judicial com os recursos disponíveis em caixa. Art. 151. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três) meses anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador, serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa. Art. 152. Os credores restituirão em dobro as quantias recebidas, acrescidas dos juros legais, se ficar evidenciado dolo ou má-fé na constituição do crédito ou da garantia. Art. 153. Pagos todos os credores, o saldo, se houver, será entregue ao falido. Desta forma, após a consolidação do Quadro Geral de Credores caberá ao Administrador Judicial promover a satisfação dos créditos, observadas as