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CONTABILIDADE Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil. Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora da ULBRA. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº .610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal. Conselho Editorial EAD Dóris Cristina Gedrat (coordenadora) Mara Lúcia Machado Astomiro Romais André Loureiro Chaves Andréa Eick Cátia Duizith Setor de Processamento Técnico da Biblioteca Martinho Lutero - ULBRA/Canoas Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Editoração: Rodrigo Saldanha de Abreu Supervisão de Impressão Gráfica: Edison Wolf Gráfica da ULBRA Dados técnicos do livro Fontes: Palatino Linotype, Franklin Gothic Demi Cond Papel: offset 90g (miolo) e supremo 240g (capa) Medidas: 15x22cm ISBN 978-85-7528-460-5 I58f Imperatore, Simone Loureiro Brum Fundamentos da contabilidade. / Simone Loureiro Brum Imperatore. – Canoas, 2012. 136 p. 1. Contabilidade – fundamentos. I. Título. CDU 657 APRESENTAÇÃO O conteúdo desta obra foi desenvolvido especialmente para você, acadêmico da ULBRA, com uma linguagem fácil e acessível. A sequência das seções foi estruturada de forma a tornar o estudo interessante: No capítulo 1, você estudará a base conceitual da Contabilidade, estudo • importantíssimo para darmos nossos primeiros passos; No capítulo 2, apresentam-se os fundamentos científicos da ciência contábil, • ou seja, os princípios e convenções contábeis; No capítulo 3, por sua vez, temos o estudo introdutório aos relatórios • contábeis; Na sequência, nos capítulos 4 e 5, aprofundamos o estudo acerca do Balanço • Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício – DRE; No capítulo 6, temos a introdução ao ciclo contábil, com ênfase no Plano de • Contas e livros contábeis; Os capítulos 7, 8 e 9 aprofundam as etapas do ciclo contábil, de forma a • proporcionar-lhe uma visão sistêmica de como se concretiza o fluxo de informações na Contabilidade de forma a se concretizar em instrumento para a tomada de decisões. Para facilitar a compreensão dos conteúdos, em cada capítulo você encontrará exercícios, atividades de pesquisa e indicação de leituras complementares. Boa leitura! SOBRE O AUTOR Simone Loureiro Brum Imperatore É graduada em Ciências Contábeis, especialista em Controladoria pela Universidade Regional Integrada (URI/RS) com a temática “Sistemas de informação com foco no CRM” e mestra em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc/RS) com aprofundamento do tema “Lei de Responsabilidade Fiscal: estudo da execução orçamentária nos municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre no período de 2000 a 2005”. Tem vasta experiência em qualificação e gestão pública e privada e – além de ser docente na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) nos cursos de Ciências Contábeis e Administração de Empresas – é diretora de Consultoria em Projetos e Gestão Públicos e Privados (PGPP), instituição onde responde pelos programas de Planejamento Estratégico, Políticas e Estratégias Gerenciais e Desenvolvimento Regional. SUmáRIO 1 A Contabilidade ........................................................................................................9 1.1 Conceito de Contabilidade .................................................................................10 1.2 Objeto, objetivos e finalidade da Contabilidade ...................................................10 1.3 Técnicas utilizadas pela Contabilidade para atingir seus objetivos ........................11 1.4 Patrimônio ........................................................................................................12 1.5 Patrimônio Líquido .............................................................................................14 1.6 Aspectos qualitativo e quantitativo do patrimônio ................................................18 1.7 Investimentos patrimoniais e as origens de recursos ............................................18 Exercícios ..............................................................................................................21 2 FUNDAmENTOS CIENTÍFICOS DA Contabilidade ........................................................27 2.1 Princípios Fundamentais de Contabilidade ..........................................................27 2.2 Convenções Contábeis .......................................................................................31 2.3 Regimes Contábeis ............................................................................................33 Exercícios ..............................................................................................................36 3 OS RELATÓRIOS CONTáBEIS ....................................................................................39 3.1 O processo decisório ..........................................................................................39 3.2 Conceito de relatório contábil .............................................................................41 3.3 Demonstrações financeiras obrigatórias .............................................................41 3.4 Demonstrações contábeis não obrigatórias .........................................................46 Exercícios .............................................................................................................. 47 4 BALANÇO PATRImONIAL ..........................................................................................53 4.1 O que é Balanço Patrimonial? .............................................................................53 4.2 Os grupos de contas do Balanço Patrimonial .......................................................54 4.3 Principais deduções do Ativo e do Patrimônio Líquido...........................................60 4.4 Investimentos patrimoniais e as origens de recursos ............................................63 Exercícios ..............................................................................................................66 8 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 5 DEmONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE) .............................................73 5.1 Receitas e despesas ..........................................................................................73 5.2 Despesa e custo ................................................................................................75 5.3 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) ..................................................75 5.4 Reservas ...........................................................................................................81 5.5 DRE Inovada ......................................................................................................82 Exercícios ..............................................................................................................84 6 CICLO CONTáBIL: ASPECTOS INTRODUTÓRIOS ..........................................................89 6.1 Plano de Contas .................................................................................................90 6.2 Sistemas contábeis ...........................................................................................94 6.3 Livros de escrituração ........................................................................................94 6.4 método de escrituração .....................................................................................96 6.5 Balancete de Verificação....................................................................................97Exercícios ............................................................................................................100 7 ESCRITURAÇÃO CONTáBIL .....................................................................................101 7.1 Conceito de Escrituração ..................................................................................101 7.2 Lançamento ....................................................................................................102 7.3 Erros de escrituração .......................................................................................109 Exercícios ............................................................................................................113 8 APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO .............................................................119 8.1 Conceito .........................................................................................................120 8.2 Exemplo prático ...............................................................................................120 Exercícios ............................................................................................................125 9 INVENTáRIO ..........................................................................................................129 9.1 Classificação do inventário ...............................................................................129 9.2 Fases do inventário ..........................................................................................130 9.3 Critérios de avaliação dos ativos .......................................................................132 9.4 Critérios de avaliação de passivos .....................................................................134 Exercícios ............................................................................................................135 REFERÊNCIAS ...........................................................................................................136 1 A CONTABILIDADE Simone Loureiro Brum Imperatore A Contabilidade é tão antiga quanto a civilização e está ligada à necessidade social de proteção à posse, ao controle e à interpretação das variações patrimoniais. Desde os primórdios da história da humanidade observa-se o homem inventariando (de forma bem rudimentar) seu rebanho. Com a evolução da agricultura, do comércio e, na sequência, da industrialização, foram pensadas e estudadas as várias formas de registrar os fatos contábeis que ocorriam na gestão patrimonial, formatando-se relatórios que evidenciassem o resultado dessa gestão. Sua evolução deu-se de forma gradativa, e, hoje, a Contabilidade é tida como a linguagem dos negócios, uma bússola que orienta os gestores (públicos e privados) na tomada de decisão. Seu estudo parte do entendimento e da apreensão de sua base conceitual. O objetivo deste capítulo é darmos nossos primeiros passos (de mãos dadas, não se preocupe) para que você vá descobrindo a ciência contábil e vendo o quanto ela faz parte da sua vida. E, partindo-se da máxima de que “ninguém ama o que não conhece”, vamos conhecê-la melhor. Tenho certeza de que você vai se surpreender... Neste primeiro capítulo, estudaremos: conceito de Contabilidade;• usuários;• objeto, objetivos e finalidade da Contabilidade;• técnicas contábeis;• Patrimônio Líquido;• aspectos qualitativo e quantitativo do patrimônio;• investimentos patrimoniais e fontes de recursos.• 10 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 1.1 Conceito de Contabilidade A Contabilidade é uma ciência social, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com relatórios, demonstrações e análises de natureza econômico-financeira da empresa em determinado momento e sua evolução em determinado período. Há na literatura alguns conceitos de Contabilidade. Para Marion, a “ciência contábil é o instrumento que fornece o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa”. Já segundo Ribeiro, a “Contabilidade é uma ciência que permite, através de suas técnicas, manter um controle permanente do patrimônio da empresa”. De acordo com Franco, Contabilidade é “a ciência (ou a técnica, segundo alguns) que estuda, controla e interpreta os fatos ocorridos no patrimônio das entidades, mediante o registro, a demonstração expositiva e a revelação destes fatos, com o fim de oferecer informações sobre a composição do patrimônio, suas variações e o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial”. A partir dos conceitos apresentados, fica compreendido o motivo do estudo da Contabilidade: você (enquanto gestor, gerente, investidor, funcionário, fornecedor, cidadão ou analista) necessita de informações que demonstrem a situação da empresa (e de seu patrimônio). Através da Contabilidade torna-se possível coletar, processar e estruturar essas informações. Também é necessária a deposição de preconceitos, como o senso comum de que a Contabilidade somente atende às exigências do governo (fisco); muito além disso, ela é feita para auxiliá-lo na tomada de decisão através de um fluxo contínuo de informações sobre os mais variados aspectos da gestão econômico-financeira da empresa. Ora, se a Contabilidade é um sistema de informação, quem são os usuários desse sistema? Conforme destaca Marion, “são as pessoas que se utilizam da Contabilidade, que se interessam pela situação da empresa e buscam na Contabilidade as suas respostas”. É óbvio que não só os administradores se utilizam da Contabilidade, vamos citar outros usuários: investidores, fornecedores, bancos, governo, sindicatos, empregados, concorrentes, analistas, órgãos públicos e consultores. 1.2 Objeto, objetivos e finalidade da Contabilidade O objeto delimita o campo de abrangência de uma ciência. Na Contabilidade, o objeto de estudo é o patrimônio de uma entidade. No que se refere aos objetivos da Contabilidade, ressaltamos: 11 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aapresentar corretamente o patrimônio;• apreender e analisar as causas das suas mutações (mudanças);• prover os diferentes usuários com informações sobre aspectos de natureza • econômica, financeira e física do patrimônio (registros, diagnósticos, demonstrações, análises, prognósticos, relatos, pareceres, planilhas, entre outros). Sua finalidade, segundo Ribeiro, é permitir o estudo e o controle dos fatos decorrentes da gestão do patrimônio das entidades econômico administrativas. Entende-se como entidades econômico-administrativas as organizações que reúnem pessoas, patrimônio, titular, capital, ação administrativa e fim determinado, e que são classificadas como: entidades com fins econômicos (empresas comerciais, agrícolas, industriais);• entidades com fins socioeconômicos (associações de classe, clubes sociais, ONGs, • cooperativas, etc.); entidades com fins sociais (União, estados, municípios).• 1.3 Técnicas utilizadas pela Contabilidade para atingir seus objetivos Os meios utilizados pela Contabilidade para atingir seus objetivos compreendem o conjunto de técnicas denominadas de técnicas contábeis, quais sejam: Escrituração – registro em livros próprios (Diário Razão, Caixa, Contas Correntes) de todos os fatos administrativos que ocorrem no dia a dia das empresas. Demonstrações Contábeis – confecção de quadros técnicos que apresentam dados extraídos dos registros contábeis das empresas. As mais importantes são o Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) que estudaremos mais adiante; Auditoria e Perícia – verificação da exatidão dos dados contidos nas demonstrações contábeis, através de um exame minucioso dos registros e dos documentos que deram origem a esses registros; Análise e Interpretaçãodas Demonstrações Contábeis – exame e interpretação dos dados contidos nas demonstrações contábeis, transformando estes dados em informações (indicadores) úteis para os diversos usuários da Contabilidade. 12 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 1.4 Patrimônio Se o objeto de estudo da Contabilidade é o Patrimônio, precisamos conceituá-lo para darmos prosseguimento ao nosso estudo. O termo patrimônio significa o conjunto de bens de uma pessoa (pessoa física) ou de uma empresa (pessoa jurídica). Compõe-se também de direitos (valores a receber) e de obrigações (valores a pagar). Assim, patrimônio significa, de um lado, o conjunto de bens e direitos pertencente a uma pessoa ou empresa; e, de outro, inclui as obrigações a serem pagas, o que é representado a seguir. PATRIMÔNIO (de uma pessoa ou empresa) Bens Direitos (valores a receber) Obrigações (valores a pagar) 1.4.1 Bens Segundo Ribeiro, bens são as coisas capazes de satisfazer as necessidades humanas, suscetíveis de avaliação econômica. Sob o ponto de vista contábil, podemos definir como bem tudo aquilo que a empresa possui para venda, troca ou consumo. Por exemplo: bens de uso: balcões, prateleiras, computadores, impressora fiscal;• bens de troca: mercadorias, dinheiro, etc.;• bens de consumo: material de expediente (embalagens, bobinas, cartuchos, A4, • etc.), material de limpeza, etc. Os bens podem, ainda, ser classificados em tangíveis e intangíveis: a. Bens tangíveis (também chamados de bens materiais): possuem corpo, matéria física, são palpáveis. Exs.: veículos, imóveis, estoques de mercadorias, dinheiro, móveis e utensílios (móveis do escritório), ferramentas, etc. b. Bens intangíveis (imateriais): não têm matéria, não são palpáveis. Por exemplo: marcas, patentes de invenção, benfeitorias em imóveis de terceiros, “ponto”, gastos de organização, etc. Em relação aos bens tangíveis, podem ser classificados em móveis e imóveis como segue: Bens imóveis: são aqueles vinculados ao solo, que não podem ser retirados • sem destruição ou danos. Por exemplo: edifícios, construções, etc. 13 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aBens móveis: são aqueles que podem ser removidos. Por exemplo: máquinas, • equipamentos, veículos, equipamentos, estoques de mercadorias, etc. 1.4.2 Direitos Segundo Ribeiro, constituem direitos para a empresa todos os valores que ela tem a receber, a recuperar, a restituir. Esses direitos são registrados nos livros contábeis da empresa, seguido da expressão a receber. Em relação às empresas, o direito mais comum decorre de vendas a prazo, o pagamento não é feito no ato, mas no futuro, o qual se denomina clientes, duplicatas a receber, títulos a receber, contas a receber, etc. Outros direitos: aluguéis a receber, promissórias a receber, banco conta movimento (depósitos), impostos a restituir ou a recuperar, etc. Bens e direitos são representados como componentes positivos do patrimônio, dinâmicos, que produzem ganho para a empresa, daí estarem representados no grupo patrimonial ATIVO. 1.4.3 Obrigações São dívidas com outras pessoas e ou empresas. Em Contabilidade, tais dívidas são denominadas exigíveis (pagamento na data do vencimento). São obrigações exigíveis: salários a pagar, impostos a pagar, encargos sociais a recolher, aluguéis a pagar, contas a pagar, fornecedores, empréstimos bancários, etc. Obrigações são representadas como componentes patrimoniais negativos, representando capitais de terceiros investidos na empresa, daí estarem representados no grupo patrimonial PASSIVO. Esses recursos, por sua vez, provêm de duas fontes: a. débitos de funcionamento: obrigações que surgem em decorrência da gestão normal da empresa. Por exemplo: fornecedores, obrigações fiscais, trabalhistas, etc.; b. débitos de financiamento: recursos obtidos pela empresa mediante terceiros em forma de empréstimos. Observe que os direitos e obrigações são fáceis de se reconhecer: Direitos – são seguidos da expressão a receber, a recuperar, a restituir; Obrigações – são seguidos da expressão a pagar, a recolher. Mas, preste atenção: Clientes (direito) e Fornecedores (obrigação) são exceções a essa regra. Da mesma forma que os compromissos que a empresa tem com entidades governamentais (impostos e encargos sociais, por exemplo) poderão ser contabilizados com a expressão a pagar ou a recolher. 14 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 1.4.4 Representação gráfica do Patrimônio Na representação gráfica patrimonial, colocamos no lado esquerdo os bens e direitos e no lado direito as obrigações. Trata-se de uma convenção contábil, conforme é demonstrado a seguir: BENS + DIREITOS OBRIGAÇÕES Bens Dinheiro Mercadorias em estoque Veículos Imóveis Máquinas Ferramentas Móveis e utensílios Marcas e patentes Direitos Depósitos em bancos - Banco Conta Movimento Clientes (duplicatas a receber) Títulos a receber Aluguéis a receber Ações Aplicações Financeiras Obrigações Empréstimos a pagar Salários a pagar Fornecedores (duplicatas a pagar) Financiamentos Impostos a pagar Encargos sociais a recolher Aluguéis a pagar Títulos a pagar Promissórias a pagar Contas a pagar Outra convenção é chamar o lado positivo de Ativo (bens + direitos) e o lado negativo de Passivo (obrigações): Cia dos Doces (Valores em R$) ATIVO BENS + DIREITOS PASSIVO OBRIGAÇÕES EXIGÍVEIS Bens 1.950 Obrigações 4.450 Direitos 2.800 Total 4.750 Total 4.450 1.5 Patrimônio Líquido Definimos como Patrimônio Líquido (PL) a diferença entre os bens e direitos e as obrigações de uma entidade, em determinado momento. Assim, é possível 15 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aapurar a riqueza líquida da empresa, também denominada Patrimônio Líquido ou situação líquida. Por exemplo, tomando-se os dados do quadro anterior, temos: PL = (total dos bens + direitos) – obrigações PL = 4.750 – 4.450 = 300 O quadro a seguir indica que, se a Cia dos Doces recebesse todos os seus direitos e vendesse todos os seus bens, daria para pagar suas dívidas e sobraria R$ 300,00, o que corresponde ao seu Patrimônio Líquido. Cia dos Doces (Valores em R$) ATIVO PASSIVO Bens 1.950 Obrigações 4.450 Direitos 2.800 Patrimônio Líquido 300 Total 4.750 Total 4.750 Como podemos observar na representação gráfica patrimonial da Cia dos Doces, o Patrimônio Líquido está representado junto com as obrigações (Passivo). O correto, então, seria chamar a coluna da direita como Passivo e Patrimônio Líquido, tendo em vista que ele completa a equação patrimonial. No Brasil, entretanto, convencionou- se chamá-la apenas de Passivo. 1.5.1 Situações líquidas patrimoniais Os elementos patrimoniais equacionados poderão apresentar três situações líquidas patrimoniais diferentes: situação líquida patrimonial ativa, positiva ou superavitária;• situação líquida patrimonial passiva, negativa ou deficitária;• situação líquida patrimonial nula, compensada ou inexistente.• Para compreender cada situação, observe os exemplos apresentados nos quadros a seguir: 16 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Situação líquida patrimonial ATIVA, POSITIVA ou SUPERAVITÁRIA (valores em R$): ATIVO PASSIVO Bens 100 Obrigações 80 Direitos 30 Situação líquida 50 Total 130 Total 130 Este balanço evidencia uma situação em que o total do Ativo (bens + direitos = 130) é maior que o total do Passivo (obrigações = 80), configurando-se uma situação líquida ativa, positiva ou superavitária (= 50). Suponha que se deseje liquidar a empresa nesse momento, realizando-se todos os direitos, vendendo-se todos os bens e quitando-se as obrigações, ainda sobraria para os sócios da empresa o valor de R$ 50,00.Situação líquida patrimonial PASSIVA, NEGATIVA ou DEFICITÁRIA (valores em R$): ATIVO PASSIVO Bens 100 Obrigações 180 Direitos 20 (-) Situação líquida (60) Total 120 Total 120 Neste balanço, verificamos que o total das obrigações (R$ 180,00) é maior do que a soma dos bens e dos direitos (R$ 120,00), configurando-se uma situação passiva, negativa ou deficitária (-R$ 60,00). Se a empresa for liquidada nesse momento, o valor referente à realização dos direitos e da venda dos bens será insuficiente para a quitação das obrigações, e faltaria R$ 60,00 para cobrirmos o total do Passivo (obrigações). Essa situação é conhecida como PASSIVO A DESCOBERTO, porque o total do Ativo não é suficiente para cobrir o total do Passivo. 17 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aSituação líquida patrimonial NULA, COMPENSADA ou INEXISTENTE (valores em R$): ATIVO PASSIVO Bens 100 Obrigações 120 Direitos 20 Situação líquida 0 Total 120 Total 120 No balanço apresentado, verificamos que a soma de bens e direitos é igual ao total das obrigações (R$ 120,00), tratando-se de uma situação nula ou inexistente. Se liquidarmos a empresa nesse momento, o montante apurado com a venda dos bens e o recebimento dos direitos será usado para cobrir apenas as obrigações, não restando nada para os sócios. Nas três situações líquidas apresentadas, ATIVA, PASSIVA e NULA, Ativo e Passivo sempre são maiores do que zero. Em raras ocasiões, eles podem ser iguais a zero. Nesse caso teremos duas possibilidades, conforme exemplificado nos quadros que seguem. O Passivo é igual a zero (valores em R$): ATIVO PASSIVO Bens 100 Obrigações 0 Direitos 20 Situação líquida 120 Total 120 Total 120 A constituição da empresa é um dos momentos em que a situação ilustrada pelo balanço acima poderá ocorrer, caracterizando uma situação líquida patrimonial ativa, positiva ou superavitária. O Ativo é igual a zero (valores em R$): ATIVO PASSIVO Bens 0 Obrigações 40 Direitos 0 Situação líquida (40) Total 0 Total 0 18 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a O encerramento das atividades da empresa é um dos momentos em que a situação exemplificada poderá ocorrer, configurando-se uma situação patrimonial passiva, negativa ou deficitária. 1.6 Aspectos qualitativo e quantitativo do patrimônio Todos os relatórios elaborados a partir da Contabilidade e de sua escrituração devem ressaltar dois aspectos: a. Qualitativo: consiste em qualificar, nominar os elementos componentes do respectivo relatório, permitindo que se conheça a natureza de cada um (o quê). b. Quantitativo: consiste em atribuir aos respectivos elementos seus valores em moeda (R$). As informações quantitativas que a Contabilidade produz, quando aplicadas a uma empresa, devem possibilitar ao usuário avaliar a situação e as tendências desta com o menor grau de dificuldade possível. Devem, portanto, permitir ao usuário: observar e avaliar o comportamento;• comparar seus resultados com o de outros períodos e/ou empresas;• avaliar seus resultados à luz dos objetivos estabelecidos;• obter subsídios para o planejamento das operações da empresa.• 1.7 Investimentos patrimoniais e as origens de recursos Todos os recursos que entram numa empresa passam pelo Passivo e pelo Patrimônio Líquido (PL). Os recursos (financeiros ou materiais) são originados dos proprietários (ingresso de recursos e reinvestimento de lucros), fornecedores (vendas a prazo), governo (impostos e encargos a pagar), bancos e financeiras (empréstimos, financiamentos, adiantamentos de recebíveis, etc.), representando origens de recursos. Através do PASSIVO e do PATRIMÔNIO LÍQUIDO, portanto, identificam-se as ORIGENS DE RECURSOS investidos na empresa. O ATIVO, por sua vez, evidencia todas as APLICAÇÕES DE RECURSOS: aplicação no caixa, em estoque, em máquinas, em imóveis, etc. A empresa só pode aplicar (Ativo) aquilo que tem origem (Passivo e Patrimônio Líquido); dessa forma, fica 19 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci abastante simples entender por que o Ativo será sempre igual ao Passivo (recursos de terceiros) mais o Patrimônio Líquido (recursos próprios representados pelo capital social, reservas, lucros, outros). Figura 1.1 – Origens e aplicações de recursos Fonte: adaptado de Marion, 2006, p.56. Sem dúvida, as principais origens de recursos para a empresa são o capitala investido pelos sócios e o lucro obtido no negócio (PL), lembrando que o lucro obtido pela empresa não pertence a ela, mas a seus proprietários (sócios ou acionistas), pois são eles que assumem o risco do negócio. O lucro é, portanto, a remuneração do capital investido na empresa pelos proprietários, o qual é adicionado à conta do proprietário, ou seja, no Patrimônio Líquido. Empréstimos, financiamentos, factoring, crédito direto ao consumidor, ações, debêntures, incentivos fiscais, etc. constituem outras fontes de recursos importantes para a empresa (capitais de terceiros). Ponto final Conhecer a base conceitual da Contabilidade – conceito, usuários, objeto, objetivos, finalidade, Patrimônio Líquido, aspectos qualitativo e quantitativo do patrimônio, investimentos patrimoniais e fontes de recursos – é muito importante para que o estudante possa compreender conceitos mais complexos que são exigidos no seu dia a dia. A seguir, um breve resumo dos tópicos abordados: a O termo capital significa “recursos”. Capital próprio significa “recursos dos proprietários” (sócios ou acionistas) aplicados na empresa. Capital de terceiros, por outro lado, significa “recursos de outras pessoas” aplicados na empresa (fornecedores, bancos, etc.). 20 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Contabilidade: ciência social que estuda o patrimônio das entidades, fornecendo informações para a tomada de decisão. Patrimônio: objeto de estudo da Contabilidade, consiste no conjunto de bens, direitos e obrigações pertencentes a uma pessoa física e/ou jurídica. Bens: do ponto de vista contábil, significa os itens de que dispõe a empresa ou entidade para a obtenção de seus fins. Em outras palavras, bem é tudo aquilo que a empresa possui para venda, troca ou consumo. Pode ser tangível e intangível, móvel ou imóvel. Direitos: representam o valor da dívida de terceiros para com a empresa; o poder de exigir alguma coisa (ou ter em “haver”): valores a receber, contas a receber, títulos a receber, etc. Junto com os bens, formam a parte positiva do patrimônio e estão representadas no Ativo. Obrigações: dívidas exigíveis, isto é, compromissos que serão reclamados, exigidos (pagamento na data do vencimento): duplicatas a pagar (ou fornecedores), títulos a pagar, impostos a pagar, financiamentos a pagar, etc. Estão representadas no Passivo. Ativo: grupo patrimonial que representa os investimentos ou aplicações do patrimônio ou do capital das empresas; conjunto de bens e direitos de propriedade da empresa; são os itens positivos do patrimônio, trazem benefícios, proporcionam ganho para a empresa (representam a aplicação dos recursos). Passivo: grupo patrimonial que representa as fontes dos valores aplicados no Ativo; obrigações exigíveis da empresa, ou seja, dívidas que serão cobradas em seus respectivos vencimentos. Representa a parte negativa do patrimônio (representa, junto com o Patrimônio Líquido, a origem dos recursos da empresa). Patrimônio Líquido: valor resultante da diferença entre os valores do Ativo e as dívidas da empresa; riqueza líquida da empresa, composta pela diferença entre os bens e direitos (Ativo) e suas obrigações exigíveis (Passivo), em determinado momento. Também chamado de situação líquida patrimonial. Situação líquida patrimonial ATIVA, POSITIVA ou SUPERAVITÁRIA: situação em que a somados bens e direitos é maior do que a soma das obrigações. Situação líquida patrimonial PASSIVA, NEGATIVA ou DEFICITÁRIA: situação em que a soma dos bens e direitos é maior do que a soma das obrigações. Situação líquida patrimonial NULA, INEXISTENTE ou COMPENSADA: situação em que a soma dos bens e direitos é igual à soma das obrigações. Aspecto qualitativo do patrimônio: natureza dos itens que compõem o patrimônio (o quê). Aspecto quantitativo do patrimônio: avaliação monetária dos itens patrimoniais (quanto). 21 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aReferências Livros-base utilizados neste capítulo: Contabilidade Básica – José Carlos Marion – Ed. Atlas. Contabilidade Fácil – Osni Moura Ribeiro – Ed. Saraiva. Curso de Contabilidade para não contadores – Sérgio de Iudícibus e José Carlos Marion – Ed. Atlas. Nestas obras encontraremos um estudo introdutório, base da ciência contábil, bem como exercícios que nos ajudam a compreendê-la melhor. Como leitura complementar, sugerimos a leitura do artigo “A História da Contabilidade” disponível em <http://www.portaldeContabilidade.com.br/ tematicas/ historia.htm>. Exercícios 1) Com suas palavras, conceitue Contabilidade. 2) Classifique os elementos em Bem, Direito ou Obrigação, Ativo ou Passivo: ELEMENTO BEM, DIREITO OU OBRIGAÇÃO ATIVO OU PASSIVO Computador Bem Ativo Duplicatas a Receber Impostos a Recolher Caixa (ou dinheiro) Clientes Salários a Pagar Empréstimos a Pagar Fornecedores Mercadorias em Estoque Veículo Aluguéis a Pagar 22 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 3) Escolha a alternativa correta: O objeto da Contabilidade é: a) o Balanço Patrimonial. b) a escrituração. c) o patrimônio. d) os fatos administrativos. 4) São usuários da Contabilidade: a) Administradores e sindicatos. b) Fornecedores e bancos. c) Governo e investidores. d) Todas as alternativas anteriores. 5) Constituem objetivos da Contabilidade: a) Apresentar corretamente o patrimônio. b) Evidenciar e analisar as mutações patrimoniais. c) Prover os diferentes usuários com informações sobre aspectos de natureza econômica, financeira e física do patrimônio (registros, diagnósticos, demonstrações, análises, prognósticos, relatos, pareceres, planilhas, outros). d) Todas as alternativas estão corretas. 6) A finalidade da Contabilidade é: a) o patrimônio. b) permitir o estudo e o controle do patrimônio. c) registrar os fatos administrativos visando à elaboração do Balanço Patrimonial. d) verificar a autenticidade das operações. 23 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a7) São técnicas contábeis: a) Auditoria, princípios contábeis, atos administrativos e escrituração. b) Balanço Patrimonial, DRE, Patrimônio Líquido e Análise de Balanços. c) Escrituração, demonstrações contábeis, auditoria e perícia, análise das demonstrações contábeis. d) Escrituração, demonstrações contábeis, atos administrativos e Balanço Patrimonial. 8) Identifique a alternativa que contém o conceito mais correto de patrimônio: a) Conjunto de bens e direitos. b) Conjunto de direitos e obrigações. c) Conjunto de bens e obrigações. d) Conjunto de bens, direitos e obrigações, avaliado em moeda e pertencente a uma pessoa ou empresa. 9) Enquanto o aspecto qualitativo do patrimônio refere-se à espécie de cada elemento que o compõe, o aspecto quantitativo refere-se: a) à quantidade física dos bens e dos direitos. b) aos valores em moeda dos componentes do patrimônio. c) à quantidade de estoques existentes. d) ao total dos valores existentes em caixa. 10) A diferença entre Ativo (bens e direitos) e Passivo (obrigações) denomina-se: a) situação líquida patrimonial. b) Balanço Patrimonial. c) situação líquida patrimonial positiva. d) situação líquida patrimonial negativa. 24 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 11) A situação líquida em que o Ativo é menor que o Passivo chama-se: a) situação líquida nula. b) situação líquida passiva. c) situação líquida positiva. d) situação líquida superavitária. 12) A equação Ativo maior que Passivo evidencia: a) situação líquida passiva. b) situação líquida nula. c) situação líquida negativa. d) situação líquida superavitária. 13) A equação Ativo igual a Passivo chama-se: a) situação líquida passiva. b) situação líquida nula. c) situação líquida negativa. d) situação líquida superavitária. 14) Todos os recursos que entram numa empresa passam pelo Passivo e pelo Patrimônio Líquido (PL). São recursos de terceiros (Passivo): a) Fornecedores. b) Impostos a recolher. c) Empréstimos a pagar. d) a, b e c estão corretas. 15) Constituem recursos próprios aplicados na empresa: a) Capital, reservas e lucros acumulados. b) Fornecedores, empréstimos e capital social. 25 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci ac) Fornecedores, impostos a recolher e empréstimos a pagar. d) Capital social. Gabarito: 1) Leia com atenção os conceitos apresentados no texto e formule o seu conceito de Contabilidade. 2) Classifique os elementos em Bem, Direito ou Obrigação, Ativo ou Passivo: ELEMENTO BEM, DIREITO OU OBRIGAÇÃO ATIVO OU PASSIVO Computador Bem Ativo Duplicatas a Receber Direito Ativo Impostos a Recolher Obrigação Passivo Caixa (ou dinheiro) Bem Ativo Clientes Direito (o mesmo que Duplicatas a Receber) Ativo Salários a Pagar Obrigação Passivo Empréstimos a Pagar Obrigação Passivo Fornecedores Obrigação (o mesmo que Duplicatas a Pagar) Passivo Mercadorias em Estoque Bem Ativo Veículo Bem Ativo Aluguéis a Pagar Obrigação Passivo 3) c; 4) e; 5) e; 6) b; 7) c; 8) e; 9) b; 10) a; 11) b; 12) d; 13) b; 14) e; 15) a. 2 FUNDAmENTOS CIENTÍFICOS DA CONTABILIDADE Simone Loureiro Brum Imperatore Existem regras de aplicação geral que orientam a prática do profissional contábil no exercício de sua atividade. Tais regras, conceitos ou princípios, segundo Marion (2003), visam a um tratamento contábil padronizado e servem como guias para a auditoria examinar a qualidade dos relatórios contábeis. No presente capítulo, estudaremos: os Princípios Fundamentais de Contabilidade;• as Convenções Contábeis;• os Regimes Contábeis.• 2.1 Princípios Fundamentais de Contabilidade A Contabilidade tem um conjunto de regras que pode ser chamado de Estrutura Básica da Contabilidade. Ao pensarmos em estrutura, podemos relacionar a um prédio com alicerces, paredes e telhado. A parte mais importante do prédio é o alicerce, as colunas, os pilares que sustentam os demais componentes da construção. Os princípios são, portanto, a forma, o meio e a estrutura de que a Contabilidade se utiliza para chegar a seus objetivos ou, às vezes, para compreender a prática contábil. Em outras palavras, são como placas de direção, são guias que “sinalizam” a direção do trabalho do contador. A Resolução do CFC nº 750/93 dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade e é composta dos seguintes princípios: a. Princípio da Entidade; b. Princípio da Continuidade; 28 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a c. Princípio da Oportunidade; d. Princípio do Registro pelo Valor Original; e. Princípio da Atualização Monetária; f. Princípio da Competência; g. Princípio da Prudência. O estudo destes princípios é de extrema importância para a execução de trabalhos que envolvam a Contabilidade, pois todas as empresas que sofreram algum tipo de autuação certamente deixaram de obedecer a um ou mais dos Princípios Fundamentais de Contabilidade. 2.1.1 Princípio da Entidade O Princípio da Entidade faz referênciaao patrimônio que será administrado, estudado, avaliado, constituindo-se em elemento autônomo em relação aos detentores do capital aplicado nesse mesmo patrimônio, e, como se diz com frequência, o patrimônio dos sócios não se confunde com o da empresa (entidade). Reconhece o patrimônio como objeto da Contabilidade, afirma a autonomia patrimonial, a necessidade de diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes. É por este motivo que a Receita Federal solicita aos contribuintes duas declarações de renda: uma da pessoa física e outra da pessoa jurídica. Desse primeiro conceito deduz-se que a Contabilidade é mantida para a entidade como pessoa distinta de seus sócios. A moderna teoria contábil amplia o conceito do Princípio da Entidade num sentido econômico, organizacional e de controle. Evidencia que não há necessidade de apego tão somente à conotação jurídica (pessoa física/pessoa jurídica) para identificar-se uma entidade contábil, admitindo a ideia da formação de entidades nos sentidos macro (consolidado) e micro (divisões da empresa). Assim, pode-se afirmar que, para a Contabilidade, qualquer indivíduo, empresa, grupo de empresas, setor ou divisão, desde que efetue atividade econômica, e que seja tão importante, a critério dos stakeholders (segmentos de pessoas interessadas como acionistas, credores, empregados, governo, etc.), que justifique um relatório separado e individualizado de receitas e despesas, de investimentos e de retornos, de metas e realizações, pode tornar-se uma ENTIDADE CONTÁBIL. O conceito de entidade contábil, portanto, pode incluir o conceito jurídico (CNPJ/CPF), uma divisão da empresa ou uma superempresa, tal como a consolidação de várias firmas correlacionadas. A escolha da entidade contábil apropriada, em cada caso, depende dos objetivos dos demonstrativos e dos interesses dos usuários da informação. 29 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a2.1.2 Princípio da Continuidade Os procedimentos contábeis devem considerar a continuidade dos negócios da entidade, uma vez que esses negócios se renovam por meio de seu ciclo de operações e investimentos. Esse segundo pilar é baseado no pressuposto de que a empresa é algo em andamento, em continuidade, que funcionará por prazo indeterminado, até forte evidência em contrário (prejuízos sucessivos por exemplo). Saliente-se que os princípios da ENTIDADE e da CONTINUIDADE constituem os alicerces sobre os quais se baseia o edifício dos conceitos contábeis. De forma combinada, poderíamos afirmar: A Contabilidade é mantida para as entidades como pessoas distintas dos sócios que as integram e que, se supõe, continuarão operando por um período indefinido de tempo. Os demais princípios constituem as paredes e a cobertura da construção contábil. Vamos a eles: 2.1.3 Princípio da Oportunidade A integridade dos registros é de fundamental importância para a análise dos elementos patrimoniais, pois todos os fatos contábeis devem ser registrados, incluindo os das filiais, sucursais e demais dependências de uma mesma entidade. Este princípio tem muito a ver com o da tempestividade, pois implica registrar os fatos contábeis quando eles acontecem. 2.1.4 Princípio do Registro pelo Valor Original Este princípio reza que os elementos patrimoniais devem ser registrados pelo valor originado nas transações com os agentes externos à entidade e em moeda corrente do país, não se levando em conta os valores futuros de entradas ou de saídas. Qualquer variação patrimonial deverá ser reconhecida no momento de sua ocorrência e não no momento da entrada dos elementos patrimoniais. Quando as transações forem realizadas em moedas estrangeiras, estas deverão ser convertidas para a moeda corrente em nosso país, para a efetivação de seu registro contábil. O custo inicial, além dos provisionamentos normais que devem atender à perda de valor econômico (depreciação, amortização, exaustão), precisa ser “conservado”, durante o tempo necessário, mantendo o poder aquisitivo inalterado. A tendência corrente dos princípios contábeis é CONSERVADORA, no sentido de não correr riscos na avaliação, a cada momento, sobre a potencialidade do ativo em gerar serviços futuros, o que poderia levar a erros de julgamento. A Contabilidade 30 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a contenta-se em resguardar o valor original do Ativo (com amortizações respectivas), pelo menos como indicador de um valor econômico aproximado, na data da transação. 2.1.5 Princípio da Atualização monetária Deverão ser reconhecidas as variações do poder aquisitivo da moeda nacional nos registros contábeis das entidades e por consequência nas demonstrações contábeis. A legislação fiscal veio coibir esta atualização a partir de 1/1/1996 por meio do artigo 4 da Lei nº 9.249 de 26/12/1995. “Fica vedada a utilização de qualquer sistema de correção monetária de demonstrações financeiras, inclusive para fins societários.” A falta de aplicação do Princípio da Atualização Monetária traz uma perda na qualidade e utilidade das demonstrações contábeis, ainda que estando a inflação estável. Certamente, os índices de rentabilidade em relação ao Patrimônio Líquido estarão irremediavelmente prejudicados. A resolução do CFC nº 900/01 estabelece a aplicação deste princípio quando a inflação acumulada no triênio atingir 100%, índice este calculado com base no IGPM – Índice Geral de Preços do Mercado. Esta resolução também determina que o IGPM será usado compulsoriamente e deverá ser amplamente divulgado nas demonstrações contábeis. 2.1.6 Princípio da Competência Por este princípio entende-se que as receitas e as despesas devem ser consideradas para a apuração do resultado do período a que se referirem e no momento de sua ocorrência. Não importa o momento em que a receita foi recebida ou o momento em que a despesa foi paga. Para a determinação do resultado do período, a realização da receita deve ser reconhecida quando bens ou serviços são transferidos a terceiros. As despesas, da mesma forma, devem ser registradas dentro do período e quando são consumidas (neste capítulo vamos estudar os regimes contábeis – caixa e competência – e você entenderá melhor este princípio, não se preocupe). 2.1.7 Princípio da Prudência O Princípio da Prudência deve ser observado quando surgirem dúvidas sobre a correção dos valores a serem registrados. Devemos reconhecer o menor valor para 31 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci ao Ativo e o maior valor para o Passivo, em outras palavras, havendo mais de um critério de avaliação válido, prima-se sempre pelo menor resultado. 2.1.8 Princípio da Essência sobre a Forma Este princípio não está na Resolução do CFC nº 750/93, porém é adotado pelo IBRACONb e pela CVMc. Tal princípio pode ser assim enunciado: Sempre que possível, a Contabilidade, ao contemplar o registro de uma transação, deverá observar sua forma legal e essência econômica. Entretanto, se a forma, de alguma maneira, dissimular ou não representar claramente a essência econômica da transação, esta última deverá ser a base de registro para a Contabilidade. (MARION, 2003, p.141) Uma empresa vende um ativo, uma máquina, por exemplo, e assume o compromisso de recomprá-la por um valor e uma data já determinados. Esta formalidade deve ensejar a contabilização de uma operação de financiamento (essência) e não de compra e venda (forma jurídica). Um contrato pode, juridicamente, estar atribuindo a forma de arrendamento mercantil (leasing), mas a análise da operação evidencia tratar-se, na prática, de um operação de compra e venda financiada. Assim, consciente do conflito essência/ forma, a Contabilidade registra como financiamento. 2.2 Convenções Contábeis As convenções são mais objetivas e têma função de indicar a conduta adequada que deve ser observada no exercício profissional da Contabilidade. São: Convenção da Objetividade, da Materialidade, da Consistência e do Conservadorismo. A Resolução CFC nº 750/93 não faz referência às Convenções Contábeis. Entretanto, é pertinente que conheçamos tais convenções, universalmente aceitas, dada a importância que elas representam para os registros contábeis como um todo. 2.2.1 Convenção da Objetividade Refere-se ao sentido de neutralidade que se deve atribuir à Contabilidade nos registros dos fatos que envolvem a gestão do patrimônio das entidades. Os registros contábeis, sempre que possível, devem ser baseados em documentos que comprovem as respectivas transações. Segundo Marion (2003, p.141), para que não b Instituto Brasileiro de Contabilidade c Comissão de Valores Mobiliários 32 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a haja distorções nas informações contábeis, o contador deverá escolher, entre vários procedimentos, o mais objetivo para descrever um fato contábil. Assim, por exemplo, toda vez que um profissional contábil tiver mais de uma opção de valores para atribuir a um dado bem, como um documento original de compra e um laudo pericial de avaliação do bem, deverá optar pelo mais objetivo – no caso, o documento de compra. Já na ausência do documento original de compra, utilizar-se-ão laudos de avaliação, que fornecerão um valor objetivo para o contador desenvolver, de forma imparcial, a Contabilidade. É importante a impessoalidade (neutralidade) do contador (em relação aos usuários dos informes contábeis), que, quanto mais objetivo for, mais imparciais serão estes informes. 2.2.2 Convenção da materialidade Por meio da materialidade, define-se o que é material (relevante) e o que o contador deve informar em seus relatórios. Tal convenção estabelece que não se deve perder tempo com registros irrelevantes do ponto de vista contábil; registros cujos controles podem se tornar mais onerosos que os próprios valores a serem registrados. A aplicação dessa convenção é relativa à natureza da empresa e seus registros, por isso exige bom senso. Há situações em que, embora os valores sejam irrelevantes, a respectiva importância em relação a um todo exige o registro. Como exemplo, podemos citar os materiais de expediente utilizados no escritório, como lápis, papéis, etc. Esses materiais, embora consumidos diariamente, podem ser contabilizados apenas ao final do período por diferenças de estoques, considerando os seus pequenos valores unitários. Em resumo, há determinadas informações contábeis cujo custo para evidenciá-las (tempo do pessoal da Contabilidade, material, computador, etc.) é maior que o benefício que trará aos usuários dessas informações. Portanto, para valores irrisórios em relação ao todo, a “materialidade” desobriga a um tratamento mais rígido que os itens de cifras relevantes. 2.2.3 Convenção da Consistência De acordo com essa convenção contábil, os critérios adotados no registro dos atos e fatos administrativos não devem mudar frequentemente. No caso de necessidade de mudanças em tais critérios, devem ser informadas em notas explicativas. A quebra da consistência na escrituração provoca influências nos demonstrativos contábeis, o que prejudica a análise clara e eficiente em comparação com os demonstrativos de exercícios anteriores. 33 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a2.2.4 Conservadorismo ou Prudência Estabelece que o profissional da Contabilidade deve manter uma conduta mais conservadora (precaução) em relação aos resultados que serão apresentados, evitando que projeções distorcidas sejam feitas pelos usuários. Assim, se houver duas opções igualmente válidas deve-se optar sempre por aquela que acusa um menor valor para os ativos e para as receitas e o maior valor para os passivos e para as despesas. Em outras palavras, o conceito do conservadorismo tem como premissa não dar uma imagem otimista em uma situação alternativa que, com o passar do tempo, poderá reverter-se. 2.3 Regimes Contábeis A Contabilidade, dependendo da necessidade do usuário da informação, pode utilizar diferentes regimes para contabilização das receitas, custos e despesas. Os chamados Regimes Contábeis referem-se à forma de reconhecimento das receitas, custos e despesas das entidades. São três os regimes contábeis: Caixa, Competência e Misto. Vejamos cada um deles: a. Regime de Caixa: baseia-se em reconhecer (registrar) as receitas, custos e despesas no ato do efetivo recebimento (receitas) ou pagamento (despesas e custos). Seu reflexo está diretamente relacionado ao caixa. É aplicável às entidades sem fins lucrativos e facultado às micro e pequenas empresas optantes pelo SIMPLES; b. Regime de Competência: reconhece as receitas e despesas por ocasião do fato gerador. Assim, receitas e despesas são reconhecidas no momento em que foram geradas ou incorridas, independentemente se foram recebidas ou pagas. É o regime adotado e aceito pela legislação do Imposto de Renda. Ponto final Conhecer a estrutura conceitual (científica) da Contabilidade é muito importante para você compreender melhor a ciência contábil e seus relatórios/informações. Para não esquecer, apresentamos um quadro-resumo do que estudamos neste capítulo: 34 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE Contabilidade ENTIDADE Indivíduo, empresa, grupo de empresas ou entidades que efetue atividade econômica, e que seja tão importante, a critério dos stakeholders (segmentos de pessoas interessadas como acionistas, credores, empregados, governo, etc.), que justifique um relatório separado e individualizado de receitas e despesas, de investimentos e de retornos, de metas e realizações CONTINUIDADE Contabilmente, as empresas são consideradas empreendimentos em operação, em continuidade, em andamento. OPORTUNIDADE Refere-se à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações. REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL Os registros contábeis são efetuados com base no valor de aquisição do bem ou pelo preço de fabricação (incluindo todos os gastos necessários para colocar o bem em condições de gerar benefícios para a empresa). ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA Reconhecimento das variações do poder aquisitivo da moeda nacional nos registros contábeis das entidades e, por consequência, nas demonstrações contábeis (prática coibida desde 01/01/1996). COMPETÊNCIA Reconhecimento da receita e da despesa de acordo com seu fato gerador, independentemente de recebimento (receita) e/ou pagamento (custo/despesa). PRUDÊNCIA Havendo mais de um critério de avaliação válido, prima- se sempre pelo menor resultado, quer seja, maior valor para passivos e despesas e menor valor para receitas e ativos. CONVENÇÕES OBJETIVIDADE Escolha de procedimentos objetivos (baseados em documentação) para descrição de um fato contábil. MATERIALIDADE Avaliação do custo/benefício para evidenciação da informação contábil. CONSISTÊNCIA Adotado um critério de contabilização, o mesmo não deve ser mudado para que não prejudique a comparabilidade dos resultados, a não ser que seja absolutamente necessário (neste caso, deve ser informada a mudança de critério via nota explicativa) PRUDÊNCIA Sempre que se defrontar com alternativas igualmente válidas para atribuição de valores ao ativo e ao passivo, deve-se optar pelo valor mais baixo para o ativo e o mais alto para o passivo (menor resultado possível). 35 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a REGIMES CONTÁBEIS CAIXA Registram-se as receitas quando de seu recebimento e as despesas quando de seu pagamento (acompanha- se o fluxo do caixa). Aplicável às entidadessem fins lucrativos e facultado às micro e pequenas empresas optantes pelo SIMPLES. COMPETÊNCIA Registram-se as receitas e despesas quando de sua ocorrência, observando o mês (ou período) a que se referem, independentemente do seu efetivo recebimento e/ou pagamento. Aplicável às empresas com fins lucrativos. Referências Livros-base utilizados neste capítulo: Contabilidade Empresarial – José Carlos Marion – Ed. Atlas. Curso de Contabilidade para não Contadores – Sérgio de Iudícibus e José Carlos Marion. Contabilidade Fácil – Osni Moura Ribeiro – Ed. Saraiva. Você vai encontrar nestes livros os fundamentos da Contabilidade: princípios, convenções, tipos de regimes contábeis. Tais informações permitem um melhor entendimento da ciência contábil e, consequentemente, o aprofundamento de seu estudo. Sugerimos a leitura do artigo “Contribuição para o estudo da origem e evolução dos princípios contábeis geralmente aceitos no Brasil”, de autoria de José Aparecido Moura Aranha, Professor da Faculdade Estácio de Sá de Campo Grande e do Centro Universitário de Campo Grande – UNAES, Mestre em Ciências Contábeis e Atuária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP, disponível em www. fes.br/revistas/agora/ojs/include/getdoc.php?id=116&article=41&mode=pdf. Referido artigo tem por objetivo evidenciar como se deram a origem e a evolução dos Princípios Contábeis Geralmente Aceitos no Brasil. Através de revisão de literatura, os autores descrevem como se deu essa evolução até os atuais documentos conceituais de Contabilidade. Bons estudos! 36 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Exercícios 1) Um dos sócios da empresa paga suas contas residenciais através da retirada do caixa da empresa. Este procedimento fere o princípio contábil da(o): a) entidade. b) continuidade. c) oportunidade. d) atualização monetária. 2) Quais dentre os princípios contábeis citados pela Resolução nº 750/93 reconhecem o patrimônio como objeto da Contabilidade: a) Oportunidade. b) Competência. c) Entidade. d) Atualização Monetária. 3) Casas Prestígio Ltda. encerra seu exercício social nos finais de ano, ou seja, em 31 de dezembro e os salários são sempre pagos no 5º dia útil do mês seguinte, sendo contabilizada a despesa de salários no mês de dezembro, independentemente de seu pagamento efetivo ocorrer em janeiro. Quando a empresa utiliza este regime de reconhecimento da despesa, podemos afirmar que a empresa está seguindo o regime: a) de caixa. b) de competência. c) de oportunidade. d) nenhuma das alternativas anteriores. 4) Adotar maior valor para o passivo e menor valor para o ativo são conceitos do princípio: a) objetividade. b) oportunidade. 37 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci ac) prudência. d) competência. 5) O princípio que não é tratado na resolução CFC nº 750/93, embora tenha sido considerado implicitamente no contexto de tal resolução, é: a) prudência. b) oportunidade. c) essência sobre a forma. d) entidade. 6) Marque a alternativa correta: a) Os Princípios Fundamentais de Contabilidade são conceitos básicos que constituem o núcleo essencial que deve guiar a profissão na consecução dos objetivos da Contabilidade. b) Os Princípios Fundamentais de Contabilidade, por guiarem a profissão na consecução dos objetivos da Contabilidade, se confundem com os próprios objetivos da Contabilidade. c) Com relação aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, podemos afirmar que eles se confundem com o objeto da Contabilidade. d) Nenhuma das alternativas está correta. 7) Ao adotar o regime de caixa, a empresa deverá considerar, para apuração do resultado do exercício: a) todas as despesas incorridas e as receitas realizadas no respectivo período. b) somente as despesas incorridas e as receitas recebidas no referido período. c) somente as receitas recebidas e as despesas pagas no respectivo período. d) as receitas quando de seu recebimento e as despesas quando de sua ocorrência. 38 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 8) Ao adotar o regime de competência, a empresa deverá considerar: a) todas as despesas incorridas e as receitas realizadas (isto é, as que tiverem seus fatos geradores ocorridos no respectivo período). b) somente as despesas pagas e as receitas recebidas no respectivo período. c) todas as despesas pagas e as receitas realizadas. d) somente as despesas incorridas e as receitas recebidas. 9) O único que não é convenção contábil: a) Consistência. b) Materialidade. c) Objetividade. d) Continuidade. 10) Há situações em que os registros de certos fatos contábeis são irrelevantes, e não devem ser objeto de escrituração individual, por apresentarem valores irrisórios. Essa interpretação provém do (a): a) Princípio da Prudência. b) Princípio da Materialidade. c) Convenção da Importância. d) Convenção da Materialidade. Gabarito: 1) a; 2) c; 3) b; 4) c; 5) c; 6) a; 7) c; 8) a; 9) d; 10) b 3 OS RELATÓRIOS CONTáBEIS Simone Loureiro Brum Imperatore Para continuarmos nosso estudo, neste capítulo veremos um pouco mais sobre as técnicas contábeis, com ênfase nas demonstrações financeiras (ou demonstrações contábeis). É um estudo precioso, preliminar ao estudo detalhado de cada uma das demonstrações; podemos dizer: um “tur” geral. Essas demonstrações fornecerão a você as informações necessárias para a tomada de decisão (percebeu a importância?), e, como queremos sempre tomar a melhor decisão, vamos nos deter com carinho a esse estudo. Combinado? Neste capítulo veremos os seguintes tópicos: Processo decisório;• Tomadores de decisão externos à empresa;• Conceito de relatório contábil;• Principais demonstrações financeiras;• Complementação às demonstrações financeiras;• Requisitos para publicação das demonstrações financeiras;• Demonstrações contábeis não obrigatórias.• 3.1 O processo decisório A nossa vida é uma sequência de decisões e escolhas. A cada instante, para vivermos, temos que tomar decisões em graus variados de importância. Algumas são essenciais (papel social, religião, opção profissional), outras são operacionais (o que vestir hoje, onde almoçar, por qual caminho ir à aula). Nessa dinâmica, em muitos casos, temos respostas prontas para as situações, mas, via de regra, a 40 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a vida sempre se apresenta com situações novas, para as quais temos que elaborar alternativas de ação e escolher entre elas. Dentro de uma empresa, isso não é diferente. Frequentemente, os gestores estão tomando decisões, todas elas importantes para a continuidade e o sucesso do negócio. Como definir o preço de venda de um produto, contratar (ou não) um funcionário, financiar uma máquina ou pagá-la à vista, que quantidade de estoque manter de determinada mercadoria, como reduzir custos e produzir mais, entre outras, são decisões que fazem parte da rotina dos administradores. Para que possam tomar tais decisões, eles necessitam de dados, informações e subsídios que embasem tais escolhas e, é claro, minimizem os riscos. A Contabilidade é o instrumento que auxilia a administração em suas decisões. Na prática, ela coleta todos os dados econômicos e financeiros, registrando-os e sintetizando-os em forma de relatórios. Além dos administradores e gerentes (principais usuários da Contabilidade), outros segmentos, externos à empresa também se utilizam dos relatórios contábeis (lembram dos usuários das informações contábeis?) em seu processo decisório, quais sejam: investidores, fornecedores, bancos, governo, sindicatos, analistas de mercado, entre outros. Vejamos o que cada usuário busca nos relatórios contábeis:1. Investidores: é através dos relatórios contábeis que se identifica a situação econômico-financeira da empresa, sendo que dessa forma o investidor tem em mãos os elementos necessários para decidir sobre as melhores alternativas de investimentos. Ressalte-se que tais relatórios evidenciam a capacidade da empresa em gerar lucros (principal interesse de quem quer investir), além de outras informações. 2. Fornecedores de bens e serviços: usam os relatórios para avaliar a liquidez da empresa, ou seja, sua capacidade de pagamento. 3. Bancos: utilizam os relatórios/demonstrações contábeis para aprovar empréstimos e definir o limite de crédito de uma empresa. 4. Governo: não só usa os relatórios com a finalidade de controle da arrecadação de impostos, como também para dados estatísticos, no sentido de melhor redimensionar a economia (IBGE, por exemplo). 5. Sindicatos: utilizam os relatórios para determinar a produtividade do setor, fator fundamental para reajuste de salários. 6. Outros interessados: colaboradores, órgãos de classe, concorrentes, analistas de mercado, consultores, etc. Avaliam as demonstrações contábeis com o intuito 41 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci ade apurar o desenvolvimento econômico-financeiro das entidades, bem como sua performance socioambiental. 3.2 Conceito de relatório contábil Marion conceitua relatório contábil como a exposição resumida e ordenada de dados colhidos pela Contabilidade. Seu objetivo é relatar às pessoas que se utilizam da Contabilidade (os usuários) os principais fatos registrados em determinado período. Tais relatórios devem ser elaborados de acordo com as necessidades dos usuários. Por exemplo: o relatório sobre o resultado anual de uma floricultura apresentará muito menos detalhes do que o de um banco, que normalmente tem muitos acionistas e grande volume de negócios, entre outros. Dentre os inúmeros relatórios (ou informes) contábeis, destacam-se aqueles que são obrigatórios de acordo com a legislação brasileira. Estes são conhecidos como demonstrações financeiras, ou ainda, demonstrações contábeis. 3.3 Demonstrações financeiras obrigatórias A Lei nº 6.404/76 (retificada pela Lei nº 11.638/2007) estabelece que, ao final de cada exercício social, a empresa elabore, com base nos registros contábeis, demonstrações financeiras que exprimam com clareza a situação do patrimônio da empresa e as variações ocorridas. O tratamento dessas demonstrações varia de acordo com o tipo de constituição da sociedade empresarial. Há dois tipos principais: as sociedades anônimas (S.A.) e as sociedades limitadas (Ltda.). Vamos entender um pouco mais sobre elas antes de prosseguirmos. A sociedade anônima (ou companhia) caracteriza-se por ter seu capital dividido em partes iguais chamadas ações (os proprietários, geralmente em grande número, são denominados de acionistas) e tem a responsabilidade de seus sócios ou acionistas limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. Segundo a Lei nº 6.404/76, as S.A. devem publicar as demonstrações financeiras no Diário Oficial e em outro jornal de grande circulação editado na localidade onde se situa a empresa. A sociedade limitada caracteriza-se por seu capital dividido em quotas (os proprietários, geralmente em pequeno número, são denominados sócios ou quotistas). Não é preciso publicar as demonstrações financeiras em jornal, mas se deverá apresentá-las ao Imposto de Renda (IR), através do preenchimento da declaração do IR ou para atender ao novo Código Civil. 42 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a As demonstrações financeiras obrigatórias segundo a Lei nº 6.404/76 eram as seguintes: a. Balanço Patrimonial (BP); b. Demonstração do Resultado do Exercício (DRE); c. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) – para as empresas que negociam ações na Bolsa de Valores e a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) – para as Sociedades Anônimas de capital fechado; d. Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR). A Lei nº 11.638, sancionada em 31/12/2007, no intuito de adotar normas internacionais a partir de 2008, trouxe as seguintes alterações: a. Além das demonstrações financeiras anteriormente previstas (BP, DRE e DLPA), a lei passa a requerer a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) – em substituição à DOAR – e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) – somente para as companhias abertas; b. Saliente-se que a Sociedade anônima fechada (que não negocia ações na bolsa de valores) com Patrimônio Líquido inferior a R$ 2 milhões não será obrigada à elaboração e à publicação da DFC. Assim, a partir de 2008, as demonstrações contábeis obrigatórias passaram a ser as seguintes: Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, Demonstração dos Fluxos de Caixa e Demonstração do Valor Adicionado. A seguir, vejamos um pouco mais sobre cada uma das demonstrações financeiras ou contábeis: DEMONSTRAÇÃO CONTÁBIL FORMATO Balanço Patrimonial Representa a fotografia da empresa em determinado período (seus bens, direitos, obrigações e Patrimônio Líquido). Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) Como o próprio nome já diz, evidencia a formação do resultado da empresa (lucro ou prejuízo), a sua distribuição (no caso de lucro). Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) Evidencia a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido (não somente do lucro líquido do exercício). 43 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Demonstração dos Fluxos de Caixa Indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa, bem com a aplicação de todo o dinheiro que saiu do caixa em determinado período e, ainda, o resultado do fluxo financeiro. Assim como a DRE, a DFC é uma demonstração dinâmica. Ela vem esclarecer situações controvertidas na empresa, como, por exemplo, na comparação com o DRE, o porquê da empresa ter um lucro considerável e estar com o caixa baixo, não conseguindo liquidar todos os seus compromissos. A DFC propicia ao gerente financeiro a elaboração de um melhor planejamento financeiro, sabendo-se o momento certo de buscar recursos para cobrir a insuficiência de fundos, bem como quando aplicar no mercado financeiro o excesso de dinheiro, proporcionando maior rentabilidade à empresa. Também serve a outros usuários, apresentando a forma como gerou caixa e como utilizou os recursos e os valores equivalentes ao caixa. A instituição, quando utiliza essa demonstração com as demais, supre de forma completa os usuários e, principalmente, os habilita à avaliação das mudanças de ativos líquidos de uma empresa e sua estrutura financeira, que podem ser explicadas nas questões de liquidez e solvência. Além disso, tem a melhora significativa no conhecimento dos prazos inerentes aos fluxos de caixa, proporcionando adaptação às circunstâncias e às oportunidades. É obrigatória para todas as companhias abertas e as fechadas com Patrimônio Líquido superior a R$ 2 milhões. Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Obrigatória somente para as Sociedades Anônimas de Capital Aberto, desenvolve conceitos puramente econômicos, evidenciando quanto de valor a empresa agrega durante seu processo produtivo, ampliando os horizontes de seus usuários. As entidades devem utilizar-se da DVA para identificar, analisar e comunicar o montante de recursos adicionais gerados para a economia (local, regional, nacional, setorial, etc.) bem como para relacionar quais as fontes e quais as aplicações dessa riqueza, ou seja, para quem ela foi distribuída. Segundo alguns autores, a DVA vem sendo considerada um dos melhores critérios para indicar a medida da eficácia dagestão empresarial. Tudo isso dentro da concepção de que a missão moderna na empresa representa um papel econômico e social. 44 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Em resumo, os relatórios contábeis obrigatórios, segundo os diferentes modos como as empresas podem ser constituídas, são: a. Sociedade Anônima (Lei nº 6.404/76, retificada pela Lei nº 11.638/2007) – Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração dos Fluxos de Caixa (obrigatória para todas as companhias de capital aberto e para as de capital fechado com Patrimônio Líquido superior a R$ 2 milhões) e, além destas, especificamente as companhias de capital aberto requerem a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e a Demonstração do Valor Adicionado. b. Ltdas. e outras (Lei nº 10.406/2002 – Novo Código Civil) – Balanço Patrimonial e o Balanço do Resultado Econômico – equivale à Demonstração do Resultado do Exercício e a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (esta última evidencia a movimentação da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados). Importante ressaltar que o exercício social ou período contábil terá duração de um ano, não havendo necessidade de coincidir com o ano civil (de 1º de janeiro a 31 de dezembro), embora na maioria das vezes isso aconteça. Para fins de IR considera-se que o ano civil é igual ao exercício social. As sociedades anônimas de capital aberto (as que negociam suas ações na bolsa de valores) e as instituições financeiras (bancos, financeiras, etc.) devem publicar suas demonstrações financeiras semestralmente para melhor informar ao público interessado. Apesar de a legislação definir a periodicidade anual para a publicação das demonstrações (salvo as exceções supracitadas), para atender às necessidades gerenciais, a Contabilidade deve apresentar aos usuários relatórios contábeis com períodos mais curtos (semanal, quinzenal, mensal, etc.). 3.3.1 Complementação às demonstrações financeiras Quando da publicação das demonstrações financeiras, as S.A. também devem informar aos usuários desses relatórios dados adicionais. Isso ocorre por meio de um relatório da diretoria (logo após a identificação da empresa), que dará ênfase a essas informações, normalmente de caráter não financeiro, destacando-se: a. dados estatísticos diversos; b. indicadores de produtividade; c. desenvolvimento tecnológico; d. contexto socioeconômico da empresa; e. políticas diversas: recursos humanos, exportação, gestão ambiental, etc.; 45 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci af. expectativas em relação ao futuro; g. dados do orçamento de capital; h. projetos de expansão; i. desempenho em relação aos concorrentes, etc. Além do relatório da diretoria, há, ainda, as notas explicativas ou notas de rodapé, que são complementos às demonstrações, destacadas após as referidas demonstrações. A publicação de notas explicativas às demonstrações financeiras está prevista no § 4º do artigo 176 da Lei nº 6.404/1976, visando fornecer as informações necessárias para esclarecimento da situação patrimonial. As principais notas explicativas referem-se a: a. principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais; b. investimentos em outras sociedades; c. aumento de valores de elementos do Ativo referentes a reavaliações; d. garantias prestadas a terceiros e outras obrigações eventuais ou contingentes; e. taxas de juros, datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; f. ajustes de exercícios anteriores; g. eventos subsequentes à data de encerramento do balanço que tenham ou possam vir a ter efeito relevante sobre a situação financeira ou os resultados futuros da companhia. O parecer da auditoria complementa as demonstrações financeiras, sendo quesito obrigatório para as demonstrações das S.A, instituições financeiras e de outros casos específicos. Trata-se de parecer de auditor externo informando se as referidas demonstrações representam adequadamente a situação patrimonial e financeira da empresa, se foram levantadas de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e se há uniformidade em relação ao exercício anterior. 3.3.2 Requisitos para publicação das demonstrações financeiras São dados fundamentais na publicação das demonstrações: a. denominação da empresa; b. título de cada demonstração financeira (BP, DRE, DLPA, DMPL, DFC e DVA); c. data do exercício social; 46 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a d. indicação dos valores correspondentes ao exercício anterior (duas colunas: ano atual e ano anterior); e. assinatura dos diretores e do profissional contábil após as notas explicativas. 3.4 Demonstrações contábeis não obrigatórias Além das demonstrações financeiras obrigatórias, há relatórios contábeis não obrigatórios, mas igualmente importantes para a administração da empresa. O Balanço Social é um demonstrativo não obrigatório, reunindo um conjunto de informações sobre os projetos, benefícios e ações sociais dirigidos aos empregados, investidores, analistas de mercado, acionistas e à comunidade. É também um instrumento estratégico para avaliar e multiplicar o exercício da responsabilidade social corporativa. Além do Balanço Social, outros relatórios podem ser formatados para que você tenha as informações de que necessita para a gestão da empresa: orçamentos (vendas, matéria-prima, investimentos, mão de obra, estoques, etc.), relatório de vendas realizadas, contas a receber e a pagar, controle de estoques, por exemplo. Juntamente com o contador você pode formatar o tipo de relatório de que necessita e estabelecer sua periodicidade. Ponto final No capítulo 3, estudamos as demonstrações contábeis e entendemos o quanto elas são importantes para a tomada de decisão. Por meio das demonstrações contábeis, são evidenciadas informações aos acionistas (investidores), administradores, governo, fornecedores e sociedade em geral sobre a situação patrimonial e financeira da empresa. Há demonstrações obrigatórias (constituídas pelo Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA)) e demonstrações não obrigatórias, estas últimas podendo ser formatadas de acordo com a necessidade de informação do gestor. Este estudo é precioso para que você faça a leitura das informações contidas nos relatórios contábeis com facilidade, transformando os dados apresentados em informações estratégicas. Nos capítulos 4 e 5, estudaremos, em detalhes, o BP e a DRE, consideradas as duas demonstrações contábeis mais importantes. Antes de prosseguirmos, realize as atividades propostas, elas vão te ajudar muito na compreensão da teoria apresentada. Bons estudos! 47 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aReferências Livros-base que utilizamos na elaboração deste capítulo: Contabilidade Básica – José Carlos Marion – Ed. Atlas. Contabilidade: ensino e decisão – Osni Hoss et al. – Ed. Atlas. Contabilidade Fácil – Osni Moura Ribeiro – Ed. Saraiva. Referidos livros aprofundam o estudo acerca dos relatórios contábeis, evidenciando sua importância para os diferentes usuários e, assim, justificando a relevância deste estudo. Para complementar seus estudos, sugerimos a leitura do texto “Balanço Social” do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, disponível em: <http://www.balancosocial.org.br>. Exercícios 1) Recorte as demonstrações de resultados de uma S.A. publicadas em jornais e siga as orientações a seguir: I. Observe como estão dispostos os grupos de contas no Balanço Patrimonial (BP) – Ativo (do lado direito) e Passivo, do lado esquerdo. Veja ainda os subgruposdo Ativo: Ativo Circulante, Realizável a Longo Prazo, Permanente (investimentos, imobilizado, intangível e diferido) e do Passivo; Passivo Circulante, Exigível a Longo Prazo, Patrimônio Líquido). Saliente estes subgrupos. II. No Passivo, identifique as obrigações exigíveis (recursos de terceiros, a pagar/recolher curto e longo prazos) e o Patrimônio Líquido (recursos próprios). III. Olhe com atenção para a DRE e observe seu caráter dedutivo: receita bruta, impostos incidentes sobre vendas, receita líquida (receita bruta – impostos); custo da mercadoria vendida (ou serviço prestado), despesas operacionais (vendas, administrativas e financeiras), as receitas/despesas não operacionais, o lucro bruto (antes dos impostos), as provisões de impostos sobre o lucro, o lucro líquido e a distribuição dos lucros. Caso o resultado seja negativo (prejuízo), você observará o valor entre parênteses. IV. Observe a DLPA e/ou a DMPL. No caso da DLPA, evidencia a destinação do lucro apurado na empresa. Normalmente, uma parte do lucro é distribuída aos donos da empresa (acionistas ou sócios) em dinheiro, remunerando o capital investido. Esta remuneração é conhecida como Dividendos. Outra parcela visa o reinvestimento na empresa com o objetivo de fortalecer o capital próprio, a qual é conhecida como lucro retido (não distribuído) e, 48 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a mais cedo ou mais tarde, irá ser incorporada ao capital social no Patrimônio Líquido. No caso da DMPL, a técnica é a mesma, no entanto, por ela ser mais abrangente do que a DLPA, mostra as mutações de todas as contas do Patrimônio Líquido (não somente do lucro ou prejuízo), da seguinte forma: a) indica-se uma coluna para cada conta do Patrimônio Líquido (preferencialmente indicando o grupo de reservas a que pertence). Se houver a conta dedutiva capital a realizar, subtrai-se da conta capital social e será utilizada a conta capital realizado; b) nas linhas (horizontais), indicam-se as movimentações das contas no mesmo estilo como ocorre com a DLPA. V. Agora é a vez da DFC, destaque as origens e aplicações dos recursos da empresa tais como: das atividades operacionais, de financiamento e de investimento. Observe a evolução do capital circulante líquido (CCL), ou capital de giro da empresa. Guarde este recorte, ele será útil para nossos próximos capítulos. 2) Uma das relações contém todas as demonstrações financeiras obrigatórias pela Lei das Sociedades Anônimas (11.638/2007): a) Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração das Origens e Aplicação dos Recursos e Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados b) Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados e Orçamento. c) Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração dos Fluxos de Caixa, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (ou Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido), Demonstração do Valor Adicionado d) Balanço Patrimonial, Fluxo de Caixa, Orçamento e Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados. 3) O Balanço Patrimonial (BP) apresenta: a) A receita da empresa e as despesas de forma dedutiva, bem como os custos e despesas agrupados por categorias. 49 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci ab) O resultado da empresa (lucro ou prejuízo) em determinado período. c) As compras de mercadorias para venda, bem como os custos e despesas. d) O patrimônio da empresa e suas variações em determinado período. 4) A Sociedade Anônima (S.A.) se caracteriza: a) Por seu capital dividido em quotas (os proprietários, geralmente em pequeno número, são denominados sócios ou quotistas). b) Pelo número ilimitado de associados; variabilidade do capital social, representado por quotas-partes; limitação do número de quotas-partes do capital social para cada associado (facultado o critério da proporcionalidade); impossibilidade de cessão de quotas-partes do capital social a terceiros, estranhos à sociedade; singularidade de voto; quorum para realização da assembleia geral. c) Por ter seu capital dividido em partes iguais chamadas ações (os proprietários, geralmente, em grande número são denominados de acionistas) e ter a responsabilidade de seus sócios ou acionistas limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. d) Constitui a reunião de diversas pessoas para a obtenção de um fim ideal, podendo este ser alterado, adaptado e melhorado pelos associados; ausência de finalidade lucrativa; o patrimônio é constituído pelos associados e filados; reconhecimento de sua personalidade por parte da autoridade competente, eleita por maioria de votos em eleição interna dos associados. 5) Leia com atenção: I. A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) – indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa, bem com a aplicação de todo dinheiro que saiu do caixa em determinado período e, ainda, o resultado do fluxo financeiro. II. O Balanço Patrimonial (BP) evidencia a formação do resultado do exercício da empresa (lucro ou prejuízo). III. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) evidencia a movimentação de todas as contas do Patrimônio Líquido (não somente do lucro líquido do exercício). 50 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a IV. A Demonstração do Valor Adicionado é obrigatória para as Cias Abertas e as Fechadas com Patrimônio Líquido superior a 2 milhões. a) Todas estão corretas. b) Apenas I e II estão corretas. c) Nenhuma das afirmativas está correta. d) Apenas I e III estão corretas. 6) A Demonstração do Resultado do Exercício é um relatório contábil que reflete: a) A variação da situação financeira entre dois momentos diferentes. b) O Patrimônio Líquido em um determinado momento e sua distribuição. c) As despesas pagas e as receitas recebidas entre dois momentos diferentes e consecutivos e sua distribuição. d) O resultado do exercício, apresentando a receita da empresa e as despesas de forma dedutiva, bem como os custos e despesas agrupados por categorias. 7) Leia as afirmativas: I. Gestores, bancos, investidores, fornecedores, governo, colaboradores, são usuários dos relatórios contábeis. II. Relatório Contábil é a exposição resumida e ordenada de dados colhidos pela Contabilidade. III. Complementa as demonstrações contábeis: o Balanço Social. IV. São requisitos obrigatórios das demonstrações contábeis: denominação da empresa, título da demonstração; data do exercício social; indicadores aos valores correspondentes ao exercício anterior; assinatura dos diretores e do contador. a) Todas estão corretas. b) I e II estão corretas. c) I, II e IV estão corretas. d) Nenhuma está correta. 51 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a8) Em relação aos relatórios contábeis das S.As., é correto afirmar: I. O Balanço e a DRE são relatórios obrigatórios, sendo elaborados em cada período de 12 meses. II. Existem relatórios contábeis não obrigatórios como a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e a Demonstração dos Fluxos de Caixa. III. As notas explicativas, relatório de diretoria e parecer de auditoria complementam os relatórios contábeis. IV. Com a vigência da Lei nº 11.638/07, a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) foi substituída pela Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). sendo obrigatória para todas as S.A. de capital aberto e para as de capital fechado com Patrimônio Líquido superior a 2 milhões. a) Todas estão corretas. b) I, II e IV estão corretas. c) I, III e IV estão corretas. d) Nenhuma está correta. 9) Com o advento da Lei nº 11.638/07, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) passou a ser obrigatóriapara as S.As. de capital aberto. Sobre a DVA é correto afirmar: a) Evidencia quanto de valor a empresa adiciona durante o seu processo produtivo, sendo considerada um dos melhores critérios para indicar a medida da eficácia da gestão empresarial. b) Indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa, bem com a aplicação de todo o dinheiro que saiu do caixa em determinado período e, ainda, o resultado do fluxo financeiro. c) Evidencia a formação do resultado da empresa. d) Evidencia a movimentação das contas do Patrimônio Líquido. 10) Qual a importância das demonstrações contábeis para o processo decisório da empresa? 52 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Gabarito: 1) Estudo exploratório com demonstrações publicadas nos jornais ou disponibilizado no ambiente virtual de aprendizagem. 2) c; 3) d; 4) c; 5) d; 6) d; 7) c; 8) c; 9) a 10) Opinião pessoal. 4 BALANÇO PATRImONIAL Simone Loureiro Brum Imperatore Neste capítulo, vamos aprofundar a nossa compreensão da Contabilidade, dedicando-nos ao estudo do Balanço Patrimonial (BP), assim, aos poucos iremos “descobrindo” as faces e nuances da demonstração contábil mais importante. Nosso objetivo é, ao final do estudo, montarmos nosso primeiro balanço. Você aceita o desafio? Antes disso, abordaremos os seguintes conteúdos: Balanço Patrimonial – conceito;• grupos de contas;• quadro sintético do Balanço Patrimonial;• principais deduções do Ativo e Patrimônio Líquido;• estrutura básica do Balanço Patrimonial segundo a Lei nº 6.404/76, alterada • pelas Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09. 4.1 O que é Balanço Patrimonial? É uma demonstração contábil que apresenta, resumidamente, o patrimônio da empresa em um dado momento, ou seja, a situação financeira e patrimonial de uma entidade numa determinada data. O Balanço apresenta os Ativos (bens e direitos), os Passivos (exigibilidades e obrigações) e o Patrimônio Líquido, que é resultante da diferença entre o total de ativos e passivos. O Balanço Patrimonial é uma das peças extraídas dos livros contábeis que faz parte do conjunto das demonstrações financeiras, e é elaborado segundo os princípios contábeis geralmente aceitos. Segundo Matarazzo (2003, p.43), o Balanço Patrimonial é a demonstração que apresenta todos os bens e direitos da empresa (Ativo), assim como as obrigações 54 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a (Passivo Exigível) em determinada data. A diferença entre Ativo e Passivo é chamada Patrimônio Líquido e representa o capital investido pelos proprietários da empresa, quer através de recursos trazidos de fora da empresa, quer gerados por esta em suas operações e retidos internamente. Assim, temos a chamada EQUAÇÃO PATRIMONIAL BÁSICA, conforme apresentado a seguir. ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO OU ATIVO - PASSIVO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO Assaf Neto (2002, p.58) menciona que o balanço apresenta a posição patrimonial e financeira de uma empresa em dado momento. A informação que esse demonstrativo fornece é totalmente estática e, muito provavelmente, sua estrutura se apresentará relativamente diferente algum tempo após seu encerramento. É a principal demonstração contábil usada por bancos, governo, fornecedores, sindicatos, sócios, acionistas. Reflete a posição financeira em determinado momento, normalmente no fim do ano (exercício social) ou de um período prefixado. É como se tirássemos uma foto da empresa e víssemos de uma só vez todos os bens, valores a receber (direitos) e valores a pagar (obrigações) em determinada data. Iudícibus e Marion (2006, p.19) explicam a expressão Balanço Patrimonial: O termo balanço decorre do equilíbrio ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO, ou da igualdade APLICAÇÕES = ORIGENS DOS RECURSOS. Parte da ideia de uma balança de dois pratos, onde sempre encontramos a igualdade. Só que, em vez de denominarmos de balança (como a Balança Comercial) denominamos no masculino: Balanço. A expressão patrimonial origina-se do Patrimônio Global da empresa, ou seja, o conjunto de bens, direitos e obrigações. Daí origina-se a expressão Patrimônio Líquido, a riqueza líquida da empresa num processo de continuidade, a Situação Líquida. Compondo as duas expressões, teremos a expressão Balanço Patrimonial, o equilíbrio do Patrimônio, a igualdade patrimonial. 4.2 Os grupos de contas do Balanço Patrimonial O Balanço Patrimonial é uma demonstração simples e fácil de ser entendida, pois visa mostrar a situação econômico-financeira da empresa para leigos, sendo constituído de duas colunas, conforme convenção da Lei nº 6.404/76, que regulamenta as Sociedades por Ações: 55 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aa) a coluna do lado direito chama-se PASSIVO (obrigações e Patrimônio Líquido); b) a coluna do lado esquerdo chama-se ATIVO (bens e direitos). Para facilitar a leitura, análise e interpretação do Balanço, Ativo e Passivo dividem- se em grupos de contas que apresentam as contas de mesmas características (prazo e grau de liquidez). Duas regras básicas orientam a distribuição de contas no Balanço Patrimonial: a) Prazo (vencimento): em Contabilidade CURTO PRAZO significa, normalmente, o período de até um ano, e LONGO PRAZO, o período superior a um ano. Assim, na data de elaboração do Balanço, 31/12/2008, por exemplo, todas as contas a receber até 31/12/2009 (um ano da elaboração do balanço) serão agrupadas num mesmo título do Ativo (Ativo Circulante), assim como todas as contas a pagar até o final do ano seguinte serão agrupadas num mesmo título no Passivo (Passivo Circulante). O mesmo ocorre com as contas de LONGO PRAZO que são classificadas em Ativo Não Circulante, no subgrupo Realizável a Longo Prazo (direitos realizáveis num período superior a um ano) e no Passivo Não Circulante, subgrupo Exigível a Longo Prazo (obrigações vencíveis num período superior a um ano). b) Grau de LIQUIDEZ: liquidez vem do verbo liquidar, pagar os compromissos, assim, os itens mais rapidamente conversíveis em dinheiro são classificados em primeiro plano. Assim, temos caixa, bancos, duplicatas a receber, mercadorias em estoque, etc. A seguir, vamos conhecer os grupos de contas do Balanço Patrimonial. 4.2.1 Ativo No ativo, as contas devem ser dispostas em ordem decrescente de liquidez, ou seja, de acordo com a facilidade de conversão em dinheiro, assim, os itens patrimoniais de maior liquidez (caixa, bancos, contas a receber, mercadorias) são classificados em primeiro plano. Os de menor liquidez (valores a receber no longo prazo, máquinas e equipamentos, veículos, terrenos, etc.) aparecem num segundo plano – é só pensar que até vender e receber é mais demorado. Os elementos registrados estão estruturados nos seguintes subgrupos (de acordo com o parágrafo 1º do artigo 178 da Lei nº 6.404/76, alterado pelas Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09): a) Ativo Circulante; b) Ativo Não Circulante: compreende Ativo Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível. 56 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a IMPORTANTE: Para ser Ativo, é preciso preencher quatro requisitos: a) ser classificado em bens e ou direitos; b) ser de propriedade da empresa; c) ser avaliável monetariamente (R$); d) representar benefícios presentes ou futuros. 4.2.1.1 Ativo Circulante O Ativo Circulante engloba contas que constantemente estão em giro, em movimento (daí a expressão circulante). Constitui o capital de giro da empresa, onde estão dispostas as contas Caixa, Bancos e outros itens que serão transformados em dinheiro, consumidos ou vendidos a curto prazo, ou seja, dentro de um ano (contas a receber, bens de consumo, investimentos temporários, mercadorias para revenda, etc.). De acordo com a Lei nº 6.404/76,o Ativo Circulante subdivide-se em: a) Disponível: refere-se às contas onde são registrados os valores que representam o dinheiro em caixa, os saldos disponíveis em contas de movimento bancário, os saldos de contas relativas aos ativos imediatamente liquidáveis. b) Direitos Realizáveis no Exercício Seguinte: saldos relativos a aplicações em valores mobiliários, operações no mercado aberto; contas a receber, com vencimentos para o exercício seguinte, tais como: contas ou duplicatas a receber por vendas mercantis (inclusive cheques pré-datados); adiantamentos a empregados, e outros; c) Estoques – incluem três contas: estoque de mercadorias, matérias-primas, embalagens e materiais • secundários empregados em processo de produção, materiais de consumo e produtos em trânsito, subprodutos e resíduos; estoque de imóveis prontos para a venda ou em construção com prazo de • entrega até 12 meses (no caso de construtora); estoque de materiais em poder de terceiros para beneficiamento.• d) Despesas Apropriáveis no Exercício Seguinte (ou Despesas Antecipadas): registram-se neste subgrupo os valores das despesas antecipadas, devendo ser apropriado como: 57 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aPrêmios de Seguros a Apropriar (ou a Vencer):• Despesas Financeiras a Apropriar (ou a Vencer);• Aluguéis a Apropriar (ou a Vencer).• O termo “a Apropriar” refere-se ao Princípio da Competência, no qual se deve reconhecer e classificar as contas de resultado (receitas e despesas) no período a que se referem, independentemente do seu efetivo recebimento (receitas) ou pagamento (despesas). Assim, se pago o aluguel da empresa antecipado, com vigência para 18 meses, preciso registrar o valor pago antecipadamente como despesa apropriável e, mês a mês, fazer o “reconhecimento” da despesa no mês correto (aluguel de janeiro de 2008 contabilizado no mês de janeiro de 2008). 4.2.1.2 Ativo Não Circulante a) Realizável a Longo Prazo Neste subgrupo são registrados os direitos realizáveis após o encerramento • do Exercício Seguinte (mais de 360 dias após o encerramento do Balanço Patrimonial): Duplicatas a Receber, Adiantamentos ou Empréstimos a Fornecedores ou a Sociedade Coligada ou Controlada, Adiantamentos ou Empréstimos a Diretores. Também são registradas as despesas apropriáveis após o encerramento do • Exercício Seguinte referentes a encargos financeiros exigíveis após o exercício seguinte ao do encerramento do Balanço. b) Investimentos – em que podem ser registrados: as participações permanentes em outras sociedades;• os empreendimentos relativos ao plantio de florestas destinados à proteção • do solo ou à preservação do meio ambiente, sem que se destinem à manutenção da atividade da empresa; as importâncias aplicadas na aquisição de imóveis, desde que não sejam • para revenda ou destinadas à manutenção das atividades da empresa (ex.: imóveis para aluguel); as aplicações em ouro, quando não constarem do objeto social da pessoa • jurídica. c) Imobilizado Registram-se neste subgrupo os bens e os direitos que tenham por objeto bens destinados para a manutenção das atividades da empresa ou exercidos com essa 58 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a finalidade. Exemplos: máquinas, equipamentos, construções, veículos, móveis e utensílios, etc. d) Intangível Registram-se neste grupo os direitos correspondentes à propriedade industrial e comercial da empresa, as patentes de invenção, as marcas, fórmulas e processos de fabricação, valor do ponto comercial e outros de idêntica natureza; 4.2.2 Passivo Em ordem decrescente de exigibilidade (vencimento), as contas do passivo são estruturadas nos seguintes grupos: 4.2.2.1 Passivo Circulante São registradas as obrigações da empresa que serão pagas no prazo de um ano (curto prazo). As principais contas do passivo circulante são: Fornecedores: origina-se das operações de compra a prazo, no mercado nacional • ou exterior, de matérias-primas destinadas ao processo produtivo, mercadorias com a finalidade de revenda ou outros materiais ou insumos; Tributos a Pagar/Recolher: compreende as obrigações relativas a impostos, • taxas e contribuições; Salários e Encargos Sociais: compõe-se das obrigações da empresa para com seus • empregados e aos agentes arrecadadores de contribuições sociais, bem como as obrigações conhecidas como previsíveis e calculáveis na data do balanço; Empréstimos e Financiamentos de Instituições Financeiras: compreende os • recursos obtidos pela empresa junto a instituições financeiras do País com a finalidade de financiar imobilizações ou o próprio giro do negócio; Além das contas descritas acima, podemos encontrar muitas outras contas • no passivo circulante, tais como: adiantamentos, contas a pagar, dividendos, gratificações e participações, empréstimos em moeda estrangeira, etc. 4.2.2.2 Passivo Não Circulante Compreende o Passivo Exigível a Longo Prazo no qual registram-se as contas que representam as obrigações vencíveis após o prazo de um ano (encerramento do exercício seguinte). Classificam-se neste grupo as seguintes contas: Financiamentos;• 59 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aParcelamentos de Débitos Fiscais e Sociais; • Créditos de Empresas Coligadas e Controladas, etc.• Em sentido restrito, poderíamos considerar como PASSIVO apenas o Passivo Exigível (Circulante e Não Circulante). Em sentido amplo, porém, esse termo é utilizado como o total das exigibilidades (dívidas com terceiros) e dos recursos próprios (Patrimônio Líquido), a saber. 4.2.2.3 Patrimônio Líquido Conforme já estudamos, o Patrimônio Líquido é a diferença entre o Ativo e o Passivo. Representa os investimentos dos proprietários (Capital Social), mais os lucros reinvestidos (reservas). Para sua melhor compreensão, apresentamos a seguir um resumo dos grupos e subgrupos do Balanço Patrimonial: 60 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Quadro sintético do Balanço Patrimonial BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO CIRCULANTE São contas que estão constantemente em giro – movimento –, sendo que a conversão em dinheiro ocorrerá, no máximo, no próprio exercício social. CIRCULANTE São obrigações exigíveis que serão liquidadas nos próximos 365 dias após o levantamento do Balanço Patrimonial. NÃO CIRCULANTE a) Realizável a Longo Prazo: São bens e direitos que se transformarão em dinheiro um ano após o levantamento do BP. b) Investimentos: São as inversões financeiras de caráter permanente que geram rendimentos e que não são necessárias à manutenção da atividade fundamental da empresa. c) Imobilizado: São itens de natureza permanente que serão utilizados para a manutenção da atividade básica da empresa. d) Intangível: Bens e direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da empresa ou exercidos com essa finalidade. NÃO CIRCULANTE Exigível a Longo Prazo São as obrigações (dívidas de longo prazo) que serão liquidadas com prazo superior a um ano após o levantamento do Balanço Patrimonial. PATRIMÔNIO LÍQUIDO São os recursos dos proprietários aplicados na empresa. Tais recursos significam o Capital mais o seu rendimento (lucros) e reservas. 4.3 Principais deduções do Ativo e do Patrimônio Líquido A seguir, são apresentadas as principais deduções (contas redutoras ou de ajuste) relacionadas ao ativo circulante, ao ativo não circulante e ao patrimônio líquido. 4.3.1 Deduções do Ativo Circulante No item Duplicatas a Receber (ou contas a receber) encontram-se duas deduções: 61 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aa) A parcela estimada pela empresa que não será recebida (inadimplência), com o título Provisãopara Devedores Duvidosos (o cálculo é feito de acordo com a média considerada incobrável em exercícios anteriores); b) Parcela das duplicatas a receber negociadas com as instituições financeiras (antecipação de recebíveis), com o título de Duplicatas Descontadas. 4.3.2 Dedução do Ativo Não Circulante No Imobilizado, como dedução do valor bruto, encontram-se as contas Depreciação, Amortização e Exaustão A perda de valor dos bens do Ativo Não Circulante em virtude da ação do tempo, uso, da evolução técnica (obsolescência), ou exaustão, será registrada periodicamente nas contas de: a) Depreciação – corresponde à perda do valor dos bens que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou por obsolescência técnica. A taxa anual de depreciação é determinada em função da vida útil do bem, isto é, do prazo durante o qual se possa esperar a utilização econômica dele na produção. A Secretaria da Receita Federal estabelece e publica as taxas de depreciação conforme o prazo de vida útil admissível para cada item do Ativo Imobilizado. b) Amortização – quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos de propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada. São amortizáveis: fundo de comércio, custo das benfeitorias em imóveis de terceiros, despesas pré-organizacionais, pesquisas científicas ou tecnológicas, etc. A taxa anual de amortização é fixada considerando-se: o número de anos restantes da existência do direito amortizável; número de períodos-base nos quais deverão ser usufruídos os benefícios decorrentes das despesas registradas no Ativo Diferido; legislação do Imposto de Renda (prazos mínimos e máximos). c) Exaustão – corresponde à perda do valor decorrente da exploração de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. As mineradoras poderão considerar como custo ou despesa, em cada exercício, o valor correspondente à percentagem extraída de minério no período sobre o custo de aquisição ou prospecção dos recursos minerais explorados. O valor da quota de exaustão florestal em cada exercício é apurado através da identificação do percentual entre o volume de recursos florestais explorados em relação ao volume da floresta no início do período-base. 62 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 4.3.3 Dedução do Patrimônio Líquido O Patrimônio Líquido pode ser reduzido quando há prejuízo no exercício evidenciado pela conta Prejuízos Acumulados. Na sequência, apresentamos a estrutura do Balanço Patrimonial segundo a Lei nº 6.404/76, alterada pelas Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/09. Estrutura básica do Balanço Patrimonial ATIVO PASSIVO CIRCULANTE CIRCULANTE DISPONIBILIDADES Caixa Bancos Conta-Corrente Aplicações de Liquidez Imediata CRÉDITOS Clientes (-) Provisão para Devedores Duvidosos (-) Duplicatas Descontadas Títulos a Receber Bancos Conta Vinculada Adiantamentos a Terceiros Adiantamentos a Funcionários Impostos a Recuperar ESTOQUES Mercadorias para Revenda Matérias-primas Materiais de Embalagem Materiais de Limpeza DESPESAS ANTECIPADAS Prêmios de Seguros a Apropriar Encargos Financeiros a Apropriar Aluguéis a Apropriar Empréstimos Fornecedores Obrigações Fiscais e Sociais Adiantamento de Clientes Utilidades e Serviços a Pagar Gratificações a Empregados, Diretores, Administradores Salários, Férias e 13º Salário a Pagar Títulos a Pagar Debêntures a Pagar 63 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a ATIVO PASSIVO NÃO CIRCULANTE NÃO CIRCULANTE REALIZÁVEL A LONGO PRAZO Clientes Bancos Conta Vinculada Títulos a Receber Créditos de Acionistas Créditos de Diretores Créditos de Coligadas e Controladas Adiantamentos a Terceiros Impostos a Recuperar Investimento Participação em Sociedades (controladas e coligadas) Participações em Outras Empresas Obras de Arte Imóveis Não de Uso – de Renda Direito de Exploração de Recursos Naturais (minerais e vegetais) (-) Exaustão Acumulada Imobilizado Terrenos Instalações Máquinas, Aparelhos e Equipamentos Móveis e Utensílios Veículos Ferramentas (-) Depreciação Acumulada Obras em Andamento Intangível Marcas, Direitos e Patentes Industriais (-) Amortização Acumulada EXIGÍVEL A LONGO PRAZO Empréstimos e Financiamentos Títulos a Pagar PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social (-) Capital Social a Integralizar (-) Ações em Tesouraria (-) Prejuízos Acumulados Reservas 4.4 Investimentos patrimoniais e as origens de recursos Todos os recursos que entram numa empresa passam pelo Passivo e Patrimônio Líquido (PL). Os recursos (financeiros ou materiais) são originados dos proprietários, fornecedores, governo, bancos, financeiras, etc., que representam origens de recursos. Através do PASSIVO e do PATRIMÔNIO LÍQUIDO, portanto, identificam-se as origens de recursos. O ATIVO, por sua vez, evidencia todas as APLICAÇÕES DE RECURSOS: aplicação no caixa, em estoque, em máquinas, em imóveis, etc. A empresa só pode aplicar (ATIVO) aquilo que tem origem (PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO), dessa 64 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a forma, fica bastante simples entender por que o ATIVO será sempre igual ao PASSIVO (recursos de terceiros) e PATRIMÔNIO LÍQUIDO (recursos próprios representados pelo Capital Social, reservas e lucros acumulados). Fonte: adaptado de Marion, 2006. Sem dúvida, as principais origens de recursos para a empresa são o capital investido pelos sócios e o lucro obtido no negócio (PL), lembrando que o lucro obtido pela empresa não pertence a ela, mas a seus proprietários (sócios ou acionistas), pois são eles que assumem o risco do negócio. O lucro é, portanto, a remuneração do capital investido na empresa pelos proprietários, assim, é adicionado à conta do proprietário, ou seja, no Patrimônio Líquido. Empréstimos, financiamentos, factoring, crédito direto ao consumidor, ações, debêntures, incentivos fiscais, etc. constituem outras fontes de recursos importantes para a empresa. 65 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a IMPORTANTE: No lado do PASSIVO, como você já sabe, são representados dois grupos de elementos patrimoniais: Obrigações: corresponde à parcela do patrimônio que a empresa deve a terceiros, por isso denominada de Capitais de Terceiros. No desenvolvimento normal de suas atividades, sua empresa efetua diariamente uma série de operações que poderão acarretar obrigações, as quais serão representadas por duplicatas a pagar, empréstimos a pagar, fornecedores, impostos e encargos a recolher, etc. Essas obrigações deverão ser pagas a fornecedores, bancos governos, etc. Patrimônio Líquido: é a parcela do patrimônio que pertence aos proprietários da empresa. São os chamados Capitais Próprios que podem se originar de duas fontes: recursos dos proprietários: é o caso do capital inicial e dos aumentos posteriores • (quando estes se originarem de recursos dos proprietários, oriundos de fora da empresa); evolução normal da empresa: é o caso dos lucros e das reservas. Os lucros, como • você já sabe, decorrem da gestão do patrimônio, enquanto que as reservas são parcelas desses lucros que ficam retidas para investimentos futuros ou finalidades específicas. Ponto final Neste capítulo estudamos o Balanço Patrimonial: conceito, grupos de contas e modelo segundo a Lei nº 6.404/76, alterada pelas Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09. Saliente-se que a Contabilidade, enquanto instrumento que auxilia a administração da empresa a tomar decisões, coleta todos os dados econômicos, mensura-os monetariamente, registra-os e sintetiza-os no formato de relatórios financeiros. Os relatórios contábeis obrigatórios sãoos exigidos por lei, sendo o Balanço Patrimonial um desses relatórios obrigatórios (considerado o mais importante, dada a sua facilidade de leitura e interpretação pelos diferentes usuários). Bons estudos! Texto complementar Origens dos recursos No desempenho de suas atividades, as pessoas jurídicas podem contar com recursos provenientes de duas origens ou fontes: recursos (ou capitais) próprios e recursos (ou capitais) de terceiros. A constituição de uma sociedade se dá por meio de recursos fornecidos pelos sócios para a formação do patrimônio da pessoa jurídica. Trata-se do capital inicial, que representa recursos próprios. Igualmente, são recursos próprios os originários de aumentos de capital mediante o ingresso de novos recursos. Os resultados 66 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a positivos apurados nas atividades empresariais, reinvestidos na empresa, também representam recursos próprios. No decorrer de suas operações, a empresa utiliza recursos de terceiros, oriundos de empréstimos e financiamentos. Empréstimos concedidos por sócios à sociedade representam recursos de terceiros, pois não são destinados à formação de capital. Os recursos próprios são representados pelo Patrimônio Líquido. Os recursos de terceiros são representados pelo Passivo Exigível. A soma dos capitais próprios e os de terceiros formam o capital total à disposição da entidade, ou seja, o Passivo Total. Aplicações de recursos O Ativo representa as aplicações ou usos dos recursos obtidos. A análise do Ativo evidencia de que maneira os recursos obtidos estão sendo utilizados. Exercícios 1) O que evidencia o Balanço Patrimonial? No seu entender, qual a importância desta demonstração contábil no processo de gestão? 2) Ao olhar o Balanço Patrimonial, você visualiza os recursos de que a entidade dispõe. O que mostra cada um dos lados do Balanço Patrimonial? 3) Quais os grupos de contas que compõem o Ativo? Explique-os. 4) Quais os grupos de contas que compõem o Passivo? Explique-os. 5) Cite três exemplos de contas retificadoras de Ativo que normalmente aparecem nos balanços. Assinale a resposta certa: 6) O Passivo representa: a) a origem de capitais/recursos. b) a aplicação de capitais/recursos. c) somente obrigações com terceiros. d) somente obrigações para com os proprietários. 67 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a7) Capitais de terceiros são: a) somente obrigações de curto prazo. b) as obrigações e o Patrimônio Líquido. c) somente obrigações decorrentes de compras a prazo. d) as obrigações de curto e de longo prazo. 8) Todas as obrigações vencíveis durante o exercício seguinte ao do Balanço são classificadas: a) no Passivo Circulante. b) no Passivo Não Circulante. c) no Patrimônio Líquido. d) Nenhuma das anteriores. 9) Todas as obrigações cujos vencimentos ocorram após o término do exercício social seguinte ao do Balanço serão classificadas: a) no Passivo Circulante. b) no Passivo Não Circulante. c) no Patrimônio Líquido. d) no Ativo Circulante. 10) Capitais próprios são: a) Passivo Circulante mais Patrimônio Líquido. b) Patrimônio Líquido. c) Passivo Circulante. d) Nenhuma das anteriores. 11) As disponibilidades, os direitos realizáveis durante o exercício social seguinte ao do balanço, os estoques e as despesas antecipadas, serão classificados: a) no Ativo Circulante. b) no Ativo Não Circulante – Realizável a Longo Prazo. 68 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a c) no Ativo Não Circulante – Imobilizado. d) no Passivo Circulante. 12) As contas que representam bens destinados à manutenção das atividades da companhia, como Móveis e Utensílios, Veículos, Instalações, etc., são classificadas: a) no Ativo Não Circulante – Investimentos. b) no Ativo Não Circulante – Imobilizado. c) no Ativo Não Circulante – Intangíveis. d) no Ativo Circulante. 13)A Indústria de Produtos Alimentícios Bolachas Maria S.A. adquiriu um imóvel com o intuito de locá-lo a terceiros. Neste caso, o referido imóvel será classificado: a) no Ativo Circulante. b) no Ativo Não Circulante – Investimentos. c) no Ativo Não Circulante – Imobilizado. d) no Ativo Não Circulante – Intangíveis. 69 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a14) Considerado o Balanço Patrimonial abaixo, responda as questões de I a VI. CIA. SOLUÇÃO EMPREENDIMENTOS BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Caixa 10.000 Fornecedores a Pagar 200.000 Duplicatas a Receber 40.000 Empréstimos a Pagar 40.000 Estoques 50.000 Salários a Pagar 60.000 Máquinas 100.000 Capital Social 200.000 Terrenos 200.000 Títulos a Receber 100.000 TOTAL 500.000 TOTAL 500.000 I. Tanto as origens quanto as aplicações são: a) 300.000 b) 500.000 c) 1.000.000 d) 200.000 II. O capital de terceiros é de: a) 500.000 b) 200.000 c) 300.000 d) 100.000 III. O capital próprio é de: a) 200.000 b) 100.000 c) 500.000 d) 300.000 70 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a IV. O total de direitos é: a) 200.000 b) 300.000 c) 50.000 d) 140.000 V. O total de bens é: a) 360.000 b) 200.000 c) 300.000 d) 500.000 VI. Podemos dizer que o disponível é: a) 50.000 b) 10.000 c) Capital Social d) Estoques a vendas 15) Estruture os Balanços Patrimoniais de duas companhias cujos dados são apresentados a seguir. DICA: não se esqueça de classificar as contas de acordo com os grupos (Ativo e Passivo) e respectivos subgrupos (Circulante e Não Circulante e seus respectivos subgrupos), além do Patrimônio Líquido. I. Cia. Futura. Balanço Patrimonial levantado em 31/12/2008 (valores em mil). Caixa: 1.800; Fornecedores: 4.000; Capital Social: 10.000; Máquinas e Equipamentos: 3.000; Estoques: 6.500; Financiamentos a Pagar (+ 360 dias): 7.320; Investimentos: 200; Reservas: 3.400; Duplicatas a Receber: 3.400; Salários a Pagar: 6.500; Participações em outras Empresas: 7.320; Contas a Pagar: 200; Prédios: 4.000; Impostos a Pagar: 1.800; Títulos a Pagar (mais de 360 dias): 3.000; Títulos a Receber (+ 360 dias): 10.000. II. Cia. Eficiência. Balanço Patrimonial levantado em 31/12/2008 (valores em mil). Equipamentos: 14.500; Capital Social: 50.000; Títulos a Pagar (+ 360 dias): 5.000; Bancos Conta-Corrente: 12.000; Títulos a Receber: 6.000; Fornecedores: 10.000; Salários a Pagar: 2.000; Clientes: 30.000; Empréstimos a Pagar: 4.900; Estoques: 23.000; Dividendos a Pagar: 2.763; Despesas Antecipadas de Aluguel: 1.000; Imposto a Recolher: 4.155; Reservas 7.682. 71 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aIII. Cia. Sucesso: Caixa: 2.000; Capital Social: 95.000; Fornecedores: 18.000; Contas a Receber: 28.000; Edifícios: 30.000; Material de Consumo: 2.000; Contas a Pagar: 11.000; Clientes: 20.000; Terreno: 18.000; Máquinas e Equipamentos: 44.000; Móveis e Utensílios: 3.000; Mercadorias: 32.000; Salários a Pagar: 30.000; Veículos: 15.000; Empréstimos: 40.000. IV. Empresa ABC: Clientes: R$ 700.000; Duplicatas Descontadas: R$ 200.000; Provisão para Devedores Duvidosos: R$ 21.000; Prêmios de Seguros a Vencer: R$ 1.200; Caixa: 26.000; Bancos Conta Movimento: R$ 245.000; Estoque de Mercadorias: R$ 281.000; Estoque de Material de Embalagem: R$ 2.000; Participações em Outras Empresas: R$ 50.000; Imóveis: R$ 310.000; Veículos: 90.000; Móveis e Utensílios: R$ 120.000; Depreciação Acumulada: R$ 96.600; Fornecedores: R$ 315.000; Impostos a Recolher: 96.100; Contribuições de Previdência a Recolher: R$ 20.500; Empréstimos aos Sócios: 30.000; IR a Pagar: R$ 210.070; Capital Social: R$ 420.000; Financiamentos Bancários: (longo prazo) R$ 310.000; Reserva para Investimento: R$ 13.353; ReservaLegal: R$ 31.691; Salários a Pagar: 20.886, Empréstimos: 100.000. Gabarito: 1) Evidencia a situação patrimonial e financeira da entidade em determinada data. 2) O Ativo mostra as aplicações de recursos (bens e direitos). O Passivo, por sua vez, apresenta as obrigações exigíveis (valores a pagar/obrigações de curto e de longo prazo). Ainda no lado do Passivo, temos o Patrimônio Líquido, composto pelos recursos próprios da entidade (valores investidos pelos sócios/acionistas e retenções de lucros). 3) Os grupos que compõem o Ativo são CIRCULANTE e NÃO CIRCULANTE. Ambos apresentam subdivisões. Leia e sintetize a seção 4.2.1 – Ativo 4) Os grupos que compõem o Passivo são CIRCULANTE e NÃO CIRCULANTE. Ambos apresentam subdivisões. Complementando as origens de recursos, temos o PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Leia e sintetize a seção 4.2.2 – Passivo 5) São contas dedutivas ou retificadoras de Ativo: Provisão para Devedores Duvidosos, Duplicatas Descontadas, Exaustão, Amortização e Depreciação. Leia mais em 4.3: Principais Deduções de Ativo e de Patrimônio Líquido. 6) a; 7) d; 8) a, 9) b; 10) b; 11) a; 12) b; 13) b. 72 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 14) I. 500.000 (b) Referente ao total do Ativo (Aplicações) e do Passivo (Origens de Recursos). II. 300.000 (c) Montante das Obrigações (Valores a Pagar). III. 200.000 (a) Referente ao Patrimônio Líquido (neste caso representado pela conta Capital Social). IV. 140.000 (d) Valores a Receber. V. 360.000 (a) Itens de propriedade da empresa para uso, troca ou consumo VI. 10.000 (b) Valor disponível (Caixa) 15) De acordo com a estrutura básica do Balanço Patrimonial apresentada neste capítulo, monte os balanços das empresas. Dica: total do ativo = total do passivo. Questione seu tutor em caso de dúvidas e/ou poste no fórum de dúvidas da disciplina. 5 DEmONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE) Simone Loureiro Brum Imperatore A cada exercício social (normalmente um ano) a empresa apura o resultado de seus negócios (lucro ou prejuízo). Para saber se obteve lucro ou prejuízo, a Contabilidade confronta as receitas com as despesas. Se o total da receita for maior que a despesa, a empresa obteve lucro, se a receita for menor que a despesa, ela teve prejuízo. A apuração do resultado do exercício é evidenciada pela Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. Esta se apresenta como um resumo das receitas e despesas do período, facilitando-se a avaliação da gestão patrimonial. Antes de estudarmos a DRE propriamente dita, estudaremos os seguintes tópicos: Receitas;• Despesas;• Despesas e custos.• Na sequência, estudaremos: Demonstração do Resultado do Exercício;• Distribuição do lucro;• DRE inovada.• 5.1 Receitas e despesas As receitas são valores que a empresa gera como fonte de recursos financeiros, para atender a seus gastos e manter as suas atividades. Constituem ingressos (entradas) de recursos, correspondendo, em geral, a vendas de mercadorias ou prestação de 74 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a serviços. A receita sempre aumenta o Ativo. Exs.: Vendas à vista; Aluguéis ativos; Vendas a prazo; Juros ativos; Receitas de serviços; Descontos obtidos. Se as receitas são entradas de recursos, as despesas constituem saídas, desembolsos de recursos (R$). Segundo Marion, despesa é todo o sacrifício, todo o esforço da empresa para obter receita. Em outras palavras, é o consumo de bens ou serviços utilizados pela empresa para a manutenção de suas atividades. As despesas deverão ser registradas por ocasião do consumo dos bens ou dos serviços utilizados pela empresa para a manutenção, independentemente de seu efetivo pagamento. As despesas constituem saídas de recursos e se refletem no Balanço Patrimonial através da redução do saldo de caixa (ou banco conta-corrente) quando são pagas no ato (à vista), ou mediante o aumento de uma obrigação, quando são contraídas no presente para serem pagas no futuro (a prazo). São exemplos de despesas: água e esgoto, material de expediente, aluguéis passivos, juros passivos, café e lanches, luz, descontos concedidos, salários, despesas bancárias, encargos sociais, fretes, prêmios de seguros, impostos, telefone. Não esqueça: Receita aumenta o Patrimônio Líquido Despesa diminui o Patrimônio Líquido, referentes a valores investidos para produzir receitas Receitas e despesas são contas de resultado. Aparecem durante o exercício social (normalmente de 1º de janeiro a 31 de dezembro), encerrando-se ao final desse período. Não fazem parte do Balanço Patrimonial, mas permitem apurar o resultado do exercício (estão na DRE). Existem contas de resultado que podem aparecer tanto no grupo das despesas quanto das receitas (é o caso de aluguéis, juros e descontos). Desse modo, como saber quando representam despesas e quando representam receitas? A diferença está nos adjetivos empregados. 75 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a5.2 Despesa e custo Precisamos diferenciar despesa e custo. Quando a matéria-prima é adquirida (comprada), constitui um gasto, ou seja, um desembolso (saída de dinheiro, pagamento) para a aquisição de um bem, sendo “estocada” no Ativo. No instante em que essa matéria-prima entra em produção, a reconhecemos como custo. Assim, todos os gastos no processo de industrialização que contribuem com a transformação da matéria-prima (fabricação) em produto são dados como custos: mão de obra, energia elétrica, desgaste de máquinas utilizadas para a produção (depreciação), embalagens, aluguel da fábrica, etc. Já os gastos referentes ao escritório e à administração são classificados em despesas. Pela Lei das Sociedades Anônimas, identificamos três tipos de despesas: de vendas, administrativas e financeiras. PARA NÃO ESQUECER: Custos Gastos da fábrica: custo dos produtos, serviços prestados, mercadorias vendidas Despesas Gastos do escritório e administração: vendas, administrativas e financeiras. Numa empresa comercial, o gasto da aquisição de mercadoria a ser revendida será tratado como custo; já numa empresa de prestação de serviços, a mão de obra aplicada no serviço prestado mais o material utilizado nesse serviço serão considerados custos. Para ambas as empresas, todos os gastos na administração, assim como na indústria, serão tratados como despesas. 5.3 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 26 - Apresentação das Demonstrações Contábeis, a DRE é um resumo ordenado das receitas e das despesas da empresa em determinado período (12 meses). É apresentada de forma dedutiva (vertical), ou seja, das receitas subtraem-se as despesas e, em seguida, indica-se o resultado (lucro 76 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a ou prejuízo). É apresentada de forma a destacar o resultado líquido do período (exercício social), incluindo o que se denomina receitas e despesas realizadas. A DRE pode ser simples para micro e pequenas empresas que não requeiram dados pormenorizados para a tomada de decisão, e deve evidenciar o total de despesa deduzido da receita, apurando-se, assim, o lucro, sem destacar os principais grupos de despesas. A DRE completa, exigida por lei, fornece maiores minúcias para a tomada de decisão: grupos de despesas, vários tipos de lucro, destaque dos impostos, etc. Assim: DRE (simples) RECEITA (-) DESPESA Lucro ou prejuízo ↓ DRE (completa) RECEITA (-) DEDUÇÕES (-) CUSTOS (-) DESPESAS (-) _________ (-) _________ Lucro ou prejuízo IMPORTANTE: A DRE é elaborada a partir da conta lucros e perdas. Ela é uma demonstração financeira imprescindível para a elaboração do Balanço Patrimonial (deve, inclusive, preceder o seu levantamento). Normalmente,o resultado do exercício das empresas é apurado no final do ano civil. Sua finalidade é melhor evidenciar o ganho, tendo em vista as necessidades de informações do usuário externo, bem como fornecer os dados essenciais à análise da formação do resultado do exercício. Como já vimos, para se apurar o resultado do exercício de uma empresa, basta confrontar o total de despesas com o total das receitas ocorridas em um determinado período. A DRE é elaborada a partir do resultado líquido do exercício, a partir de um conceito básico: 77 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aAssim: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO: RECEITAS ( - ) DESPESAS = LUCRO/PREJUÍZO Se tivermos Receitas > Despesas então teremos lucro / superávit Se tivermos Receitas < Despesas então teremos prejuízo / déficit Como se vê, o objetivo da Demonstração do Resultado do Exercício é fornecer aos usuários os dados básicos e essenciais da formação do resultado (lucro ou prejuízo). O artigo 187 da Lei das Sociedades por Ações disciplina a apresentação desta Demonstração. Visando atender este objetivo, a DRE é iniciada com o valor total da receita apurada em suas operações de vendas (ou prestação de serviços), da qual são deduzidos os tributos incidentes sobre vendas, as devoluções e abatimentos e os descontos incondicionais, apurando-se a receita líquida. Da receita líquida deduz- se o custo total correspondente a estas vendas/prestação de serviços, obtendo-se a margem bruta, ou seja, o lucro bruto. São então apresentadas as despesas operacionais segregadas por subtotais, conforme a sua função: despesas com vendas; despesas gerais e administrativas; e despesas financeiras deduzidas das receitas financeiras. A partir do lucro bruto, e deduzindo-se as despesas operacionais, apresenta-se o resultado operacional, dado importante para a análise das operações da empresa. Na sequência, a DRE apresenta as outras receitas e despesas, apurando-se o resultado antes dos tributos (IR e CSLL). Deduz-se a CSLL e o IR e, finalmente, as participações de terceiros calculáveis sobre o lucro (debêntures, empregados, administradores, partes beneficiárias, contribuições para fundos de benefícios a empregados, entre outros), chegando-se ao lucro (ou prejuízo) do exercício, que é o valor final da DRE. A legislação exige, ainda, a apresentação do montante do lucro por ação. 78 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a O quadro a seguir apresenta a estrutura básica da DRE. ESTRUTURA BÁSICA DA DRE Empresa exemplo DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS Período de 01.01 a 31.12.x1 RECEITA BRUTA ( - ) Tributos incidentes sobre vendas ( - ) Devoluções e abatimentos ( - ) Descontos incondicionais = RECEITA LÍQUIDA ( - ) Custo das mercadorias vendidas (se comércio) ou ( - ) Custo dos produtos vendidos (se indústria) ou ( - ) Custo dos serviços prestados (se empresas de serviços) = RESULTADO BRUTO ( - ) Despesas operacionais - Vendas - Administrativas - Financeiras líquidas (despesas - receitas financeiras) ( - ) ou ( + ) Outras despesas e receitas operacionais = RESULTADO OPERACIONAL ( + ) ou ( - ) Outras receitas/despesas = RESULTADO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ( - ) Provisão para a contribuição social = RESULTADO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA ( - ) Provisão para o Imposto de Renda = RESULTADO DEPOIS DO IMPOSTO DE RENDA ( - ) Provisão para participação de debenturistas ( - ) Provisão para participação dos empregados ( - ) Provisão para participação dos administradores ( - ) Provisão para participação de partes beneficiárias = RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO (lucro ou prejuízo) Fonte: Lei 6404/76 e CPC 26 Destaque-se que a preocupação na elaboração de um relatório contábil é a riqueza de detalhes, sem complicação, no sentido de propiciar um maior número de informações para a tomada de decisões. Entendamos melhor: 79 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a a. Receita Bruta – Inclui o total geral das vendas, sem nenhuma dedução. b. Receita Líquida – Resulta da receita bruta deduzida dos tributos incidentes sobre vendas – e, se for o caso, de eventuais vendas canceladas (devoluções) e abatimentos (descontos). Esses tributos são os impostos e as taxas decorrentes da venda/ prestação de serviços e que variam proporcionalmente às vendas/faturamento efetuadasd. Cumpre destacar que eles pertencem ao governo, e a empresa é apenas uma intermediária que arrecada tributos junto ao consumidor e recolhe do governo o resultado dessa arrecadação. Por isso, eles não devem ser considerados como receita da empresa, mas como recursos que transitam pelo caixa, razão pela qual são deduzidos da receita bruta da empresa. c. Resultado ou Lucro Brutoe – É o valor que resulta da dedução dos custos no período sobre a Receita Líquida. Os custos incluem somente os gastos da fábrica (gastos de produção), incluindo matéria-prima, mão de obra, depreciação de bens da fábrica, aluguel da fábrica, energia elétrica da fábrica, etc. No caso de uma empresa comercial, conforme já vimos, consideramos o custo das mercadorias vendidas; em uma empresa de prestação de serviços, o valor da mão de obra, acrescido do valor dos materiais utilizados na prestação do serviço. RECEITA LÍQUIDA ( - ) CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS ou ( - ) Custo dos produtos vendidos ou ( - ) Custo dos serviços prestados = RESULTADO BRUTO Lucro Bruto é a diferença entre a venda de mercadorias e o custo da mercadoria vendida, sem considerar as despesas administrativas, de vendas e financeiras. Para uma empresa prestadora de serviços o raciocínio é o mesmo: lucro bruto é a diferença entre a receita e o custo do serviço prestado sem considerar as despesas administrativas, de vendas e financeira. A expressão custo das vendas é bastante genérica, devendo, por essa razão, ser especificada por setor na economia: empresas industriais: Custo do Produto Vendido (CPV)• empresas comerciais: Custo da Mercadoria Vendida (CMV)• empresas prestadoras de serviços: Custo dos Serviços Prestados (CSP)• d Os Tributos Incidentes sobre as Vendas mais comuns são: o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Programa de Integração Social (PIS) – que são de competência federal –; o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – de competência estadual –; bem como o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) – de competência municipal. e O lucro bruto, após cobrir o custo de fabricação do produto (ou custo da mercadoria adquirida para revenda ou o custo do serviço prestado), é destinado à remuneração das despesas operacionais – comerciais (vendas), administrativas e financeiras – bem como ao pagamento de impostos e à remuneração dos proprietários das empresa (lucro líquido). 80 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a d. Resultado ou Lucro Operacional – Ao resultado bruto são somadas Outras Receitas Operacionais e, desse montante, são diminuídas as Despesas Operacionais, encontrando-se o Resultado Operacional. Quando ele é positivo, denomina-se Lucro Operacional. RESULTADO BRUTO ( + ) OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS ( - ) DESPESAS OPERACIONAIS = RESULTADO OPERACIONAL Despesas Operacionais são aquelas necessárias para vender mercadorias, produtos • ou serviços, bem como administrar a empresa e financiar as operações. Portanto, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Os principais grupos de despesas operacionais são: Despesas de vendas (ou comerciais): salários do pessoal de vendas, marketing e • pesquisa de mercado, distribuição, comissão sobrevendas, propaganda e publicidade, despesas com garantia, promoções de bonificações, fretes, etc. Despesas administrativas: salários do pessoal administrativo, encargos sociais, • assistência médica, aluguéis, energia elétrica, condomínio, seguros, despesas de viagens, material de escritório, depreciação, impostos, remuneração da diretoria, etc. Despesas financeiras: juros passivos, descontos concedidos, despesas bancárias, etc. • Das despesas financeiras, deduzimos as receitas financeiras, a saber: juros ativos, descontos obtidos. e. Resultado antes da Contribuição Social – A Contribuição Social incide sobre o Lucro da Empresa. Quando se apura o Exercício Social, declaram-se e recolhem- se aos cofres públicos 9% sobre o lucro real apurado. Portanto, o Resultado antes da Contribuição Social refere-se ao resultado (lucro) antes de calculado o referido tributo. f. Resultado antes do Imposto de Rendaf – O Imposto de Renda incide sobre o lucro da empresa. Quando se apura o exercício social, declaram-se e recolhem-se aos cofres públicos 15% sobre o lucro apurado ou presumido. Portanto, calcula-se o valor do IR a pagar e deduz-se do Lucro antes do Imposto de Renda. f Antes do IR é calculada a Contribuição Social, que é uma taxa sobre o lucro (9%) para atender ao auxílio-desemprego e outras finalidades sociais. 81 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a g. Resultado depois do Imposto de Renda – refere-se ao resultado antes do IR deduzido do valor do Imposto de Renda calculado. h. Resultado ou lucro líquido do exercício – Consiste na sobra pertencente aos proprietários ou à entidade. Após a dedução do IR devido, faz-se as deduções das participações previstas nos estatutos: de empregados, de administradores, etc. A sobra líquida é a parcela à disposição dos sócios ou acionistas. 5.4 Reservas Conceito de reservas... Os proprietários decidem qual o montante da parcela do lucro líquido que ficará retida na empresa (reservas) e a parte que será distribuída aos donos do capital (dividendos). A distribuição do lucro será evidenciada na Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados. A indicação do montante do lucro ou prejuízo líquido por ação é obrigatória por força do disposto no art. 187, inciso VII, da Lei nº 6.404/76. Como regra geral, a administração tem ampla liberdade quanto à destinação dos resultados apurados, desde que aprovada pelos sócios ou acionistas. O lucro do exercício pode ser utilizado para aumentar o capital social da empresa (reserva de capital), constituir as reservas de lucros, compensar prejuízos acumulados ou ser distribuído (dividendos). Nas sociedades anônimas, entretanto, parte do lucro terá como destinação obrigatória a constituição da reserva legal e a distribuição de dividendos. Segundo Marion, as reservas de lucros são acréscimos ao Patrimônio Líquido que, quase sempre, são utilizados para aumento de capital social. São reservas constituídas pela apropriação de lucros da companhia (conforme a Lei nº 6.404/76), podendo assumir as seguintes características: a. Reserva legal: do lucro líquido do exercício 5% serão aplicados, antes de qualquer outra destinação, na constituição da reserva legal (que não poderá exceder o valor de 20% do capital social). Essa reserva tem por finalidade assegurar a integridade do capital social e somente será utilizada para compensar eventuais prejuízos ou aumentar o capital social. b. Reservas estatutárias: são aquelas previstas no estatuto, sendo que a empresa pode prevê-las ou criá-las, desde que: identifique, de modo preciso e correto, a sua finalidade; • fixe os critérios de determinação da parcela anual do lucro líquido que será • destinada à sua constituição; e estabeleça o limite máximo da reserva. • 82 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Existem várias modalidades de reservas estatutárias, e entre elas podemos citar as constituídas para aumento de capital social, reembolso de ações a acionistas dissidentes, resgate ou amortização de ações. c. Reserva para contingências: refere-se à destinação de parte do lucro líquido apurado no exercício para a formação de uma reserva cuja finalidade é compensar, futuramente, a diminuição do lucro decorrente de perdas prováveis e mensuráveis monetariamente. d. Reserva para plano de investimentos: constituída pela retenção de parcela do lucro líquido do exercício, para suportar os investimentos discriminados no orçamento de capital da companhia. e. Reserva de lucros a realizar: com a Lei nº 10.303/01, fica assegurado o cálculo da reserva de lucros a realizar apenas para pagamento de dividendo obrigatório. 5.5 DRE Inovada É comum observarmos atualmente relatórios contábeis com a expressão Ebitda. Ebtida em inglês é identificado como Earning Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization. Em português é chamado popularmente de Lajida – Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização. De certa forma, Ebitda é o lucro operacional ajustado. Observe a comparação de uma DRE tradicional e uma DRE inovada com Ebitda de uma empresa comercial.g DRE TRADICIONAL DRE INOVADA Receita 1.600.000 (-) CMV (800.000) Lucro bruto 800.000 (-) Despesas operacionais Vendas (200.000) Administrativasg (350.000) Financeiras (50.000) Lucro operacional 200.000 (-) IR e Contr. Social (48.000) Lucro líquido 152.000 Receita 1.600.000 (-)CMV (800.000) Lucro bruto 800.000 (-) Desp vendas (200.000) (-) Desp administrativas (290.000) EBITDA 310.000 (-) Depreciação (60.000) (-) Desp financeiras (50.000) Lucro operacional 200.000 (-) IR e Contr. Social (48.000) Lucro líquido 152.000 g Incluída depreciação. 83 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aSegundo Marion, o Ebitda abrange todos os componentes operacionais (despesa e receita financeira não são operacionais) e os componentes com potencial de afetar o caixa (depreciação não afeta o caixa), evidenciando a capacidade da empresa em gerar recursos considerando seu negócio. Ponto final A DRE pode ser considerada a mais importante demonstração da dinâmica patrimonial, pois é capaz de mostrar a receita bruta da entidade (vendas ou serviços prestados), o custo dessas receitas e demais despesas operacionais, evidenciando o lucro bruto e o lucro operacional. Demonstrar, ainda, outras receitas e despesas não operacionais, para evidenciar o lucro obtido em determinado período de tempo, normalmente um exercício social, em função da exploração das atividades da empresa. Sua finalidade básica, portanto, é descrever a formação do resultado gerado no exercício, mediante especificação das receitas, custos e despesas por natureza dos elementos componentes, até o resultado líquido final – lucro ou prejuízo. RECEITAS: As receitas são valores que a empresa gera como fonte de recursos financeiros, para atender a seus gastos e manter as suas atividades. Constituem ingressos (entradas) de recursos correspondendo, em geral, a vendas de mercadorias ou prestação de serviços. DESPESAS: são os gastos referentes ao escritório e à administração. Pela Lei das Sociedades Anônimas, identificamos três tipos de despesas: de vendas, administrativas e financeiras. CUSTOS: todos os gastos no processo de industrialização que contribuem com a transformação da matéria-prima (fabricação) em produto são dados como custos: mão de obra, energia elétrica, desgaste de máquinas utilizadas para a produção (depreciação), embalagens, aluguel da fábrica, etc. Referências Livros-base: Contabilidade: ensino e decisão – Osni Hoss et al. – Ed. Atlas. Contabilidade Empresarial – José Carlos Marion – Ed. Atlas. Curso de Contabilidade para não contadores – Sérgio de Iudícibus e José Carlos Marion – Ed. Atlas. As obras referenciadas possibilitam um “tur”geral na ciência contábil, trazendo casos práticos, questionamentos e ilustrações que auxiliam o entendimento do conteúdo estudado. 84 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Exercícios 1) Responda às questões a seguir. a) Qual a finalidade da DRE? b) O que você entende por despesas? Dê 3 exemplos. c) Diferencie despesas e custos. d) O que você entende por receitas? Dê 3 exemplos. e) Como podemos saber quando as contas aluguéis, juros e descontos representam receitas ou despesas? f) O que são reservas? Dê exemplos. 2) Complete as lacunas: a) As contas patrimoniais são aquelas que representam o _______________ da empresa num dado momento, através do Balanço Patrimonial, e se dividem em ______________, ____________, _______________ e ________________. b) As contas de resultado são aquelas que permitem apurar o ___________ do exercício e se dividem em _____________ e _____________. 3) Assinale a resposta certa: A Demonstração do Resultado do Exercício é um relatório contábil que reflete: a) a variação da situação financeira entre dois momentos diferentes. b) o Patrimônio Líquido em um determinado momento e sua distribuição. c) as despesas pagas e as receitas recebidas entre dois momentos diferentes e consecutivos e sua distribuição. d) o resultado do exercício, apresentando a receita da empresa e as despesas de forma dedutiva, bem como os custos e despesas agrupadas por categorias. 85 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a4) O encerramento de todas as contas de receitas e despesas tem por finalidade a determinação: a) do aumento do Ativo. b) do aumento do Passivo. c) do resultado do Exercício. d) do aumento de capital. 5) Atividade prática: Elabore a DRE da empresa Imperatore & Brum Ltda, dezembro/2007, cujos dados estão transcritos a seguir (valores em reais). Observe a estrutura da DRE que estudamos no capítulo 5. Vendas: 2.500.000; ICMS sobre vendas: 450.000.• PIS sobre faturamento: 16.000; Cofins sobre faturamento: 75.000.• Devoluções: 24.000; Custo das mercadorias vendidas: 1.350.000.• Fretes: 30.000; Comissões: 12.000; Propaganda e publicidade: 20.000.• Juros passivos: 5.000; Juros ativos: 1.100.• Aluguéis passivos: 12.000; Salários: 36.000; Encargos sociais: 14.400.• Material de expediente: 4.100; depreciação: 6.000.• Provisão para a Contribuição Social (9%): 40.194.• Provisão para o Imposto de Renda (15%): 66.990.• Provisão para participação dos empregados: 20.000.• Provisão para participação dos administradores: 20.000.• Gabarito: 1) a) A finalidade da DRE é melhor evidenciar o ganho, tendo em vista as necessidades de informações do usuário externo, bem como fornecer os dados essenciais à análise da formação do resultado do exercício. b) Despesas são sacrifícios da empresa para obter receitas, constituem saídas de recursos (R$) da empresa. Exemplo: salários, juros passivos, aluguéis passivos, fretes, propaganda e publicidade, etc. 86 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a c) Despesas são gastos relacionados à administração, vendas e finanças. Custos estão relacionados à produção (industrialização). No caso de uma empresa comercial, considera-se o custo da mercadoria vendida; no caso de uma empresa prestadora de serviços, considera-se custo o valor da mão de obra acrescido do material utilizado. d) Receitas são valores que a empresa gera como fonte de recursos financeiros, para atender a seus gastos e manter as suas atividades. Constituem entradas de recursos, correspondendo, em geral, a vendas de mercadorias ou prestação de serviços. Exs.: vendas à vista, vendas a prazo, juros ativos, descontos obtidos, etc. e) Devemos verificar as expressões que os seguem. Se for ativo ou obtido, refere-se a ganhos, então, são receitas. Se for passivo ou concedido, refere-se a perdas, então, são despesas. f) Reservas são valores retidos na empresa (normalmente parte do lucro) com finalidade específica. Exs.: Reserva para aumento de Capital; Reserva de Reavaliação; Reserva para Plano de Investimento, etc. 2) a) As Contas Patrimoniais são aquelas que representam o PATRIMÔNIO da empresa num dado momento, através do BALANÇO PATRIMONIAL, e se dividem em BENS, DIREITOS, OBRIGAÇÕES e PATRIMÔNIO LÍQUIDO. b) As Contas de Resultado são aquelas que permitem apurar o RESULTADO do Exercício e se dividem em RECEITAS e DESPESAS. 3) d 4) c 5) DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO IMPERATORE & BRUM LTDA. 31/12/2007 RECEITA BRUTA 2.500.000 ( - ) Tributos Incidentes sobre Vendas (541.000) ( - ) Devoluções e Abatimentos (24.000) = RECEITA LÍQUIDA 1.935.000 ( - ) Custo das Mercadorias Vendidas (se comércio) (1.350.000) = RESULTADO BRUTO 585.000 87 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a ( - ) Despesas Operacionais - Vendas (62.000) - Administrativas (72.500) - Financeiras Líquidas (despesas - receitas financeiras) (3.900) = RESULTADO OPERACIONAL 446.600 ( - ) Provisão para a Contribuição Social (40.194) = RESULTADO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA 406.406 ( - ) Provisão para o Imposto de Renda (66.990)) = RESULTADO DEPOIS DO IMPOSTO DE RENDA 339.416 ( - ) Provisão para Participação dos Empregados (20.000) ( - ) Provisão para Participação dos Administradores (20.000) = RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 299.416 6 CICLO CONTáBIL: ASPECTOS INTRODUTÓRIOS Simone Loureiro Brum Imperatore O ciclo contábil engloba desde a escrituração até a elaboração das demonstrações contábeis e sua análise. Em outras palavras, consiste no caminho que a Contabilidade percorre até chegar ao seu produto final: os relatórios (ou demonstrações) contábeis. A figura abaixo evidencia as etapas que o compõem: 1. Formatação do Plano de Contas; definição de softwares e equipamentos; livros contábeis (obrigatórios e auxiliares); 2. Escrituração; 3. Ajustes (cálculo das provisões, depreciação, outros); 4. Relatórios ou demonstrações contábeis. 90 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Nosso objetivo neste capítulo é apresentar conceitos complementares à escrituração, de forma que você tenha uma visão geral do ciclo contábil. Comecemos com o Plano de Contas. 6.1 Plano de Contas Segundo Ribeiro (2006, p.63), conta é o nome técnico que identifica um componente patrimonial (bem, direito, obrigação ou Patrimônio Líquido) ou um componente de resultado (despesa, custo ou receita). Todos os acontecimentos que ocorrem diariamente na vida da empresa (compras, vendas, pagamentos, recebimentos, outros) são registrados pela Contabilidade em contas próprias através dos lançamentos em livros próprios (Diário, Razão, Caixa, Contas a Pagar, Contas e Receber, etc.). Assim, toda a movimentação de dinheiro efetuada na empresa é registrada numa conta chamada Caixa; as mercadorias compradas e vendidas pela empresa são registradas na conta denominada Estoque de Mercadorias; movimentações bancárias (conta-corrente) são registradas na conta Banco Conta Movimento e assim por diante. As contas exercem importante papel no processo contábil. É através delas que a Contabilidade registra e controla os fatos decorrentes da gestão patrimonial, evidenciando seus resultados. Tais contas estão organizadas no Plano de Contas. Conforme Iudícibus e Marion (2006, p.223), “Plano de Contas é um agrupamento ordenado de todas as contas que são utilizadas pela Contabilidade dentro de determinada empresa”. O Plano de Contas é um instrumento de grande importância no desenvolvimento do ciclo contábil, pois uniformiza os registros contábeis. Cada empresa deverá elaborar o seu Plano de Contas tendo em vista suas particularidades e observando: a. Os Princípios Fundamentais de Contabilidade;b. As normas estabelecidas pela Lei nº 6.404/76 (retificada pelas leis nº 11.638/07); c. A legislação específica do ramo de atividade exercido pela empresa. Um Plano de Contas deve registrar as contas que serão movimentadas pela Contabilidade em decorrência das operações da empresa ou, ainda, contas que, embora não movimentadas no presente, poderão ser utilizadas no futuro. Assim, quando um contador planeja o agrupamento de contas para uma indústria de eletrodomésticos, por exemplo, no que tange a impostos, incluirá as contas ICMS a Recolher, IPI a Recolher e, se houver expectativa da empresa, prestar serviços de assistência técnica num futuro próximo, ainda, o ISS a Recolher. 91 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aNa prática, o Plano de Contas sistematiza e padroniza os registros contábeis, uniformizando a nomenclatura a ser utilizada nos registros – um único título para cada conta evita que pessoas ligadas ao setor contábil registrem um mesmo fato e operação de formas diferentes. Ele é codificado de forma racional, o que facilita a contabilização por meio de processos eletrônicos ou mecânicos. É um guia que norteia os trabalhos contábeis de registro de fatos e atos inerentes à entidade, além de servir de parâmetro para a elaboração das demonstrações contábeis, constituído de um elenco de contas, manual das contas (comentários e indicações do funcionamento de cada conta – para que serve, o que deve conter e outras informações sobre critérios gerais de contabilização) e Modelos Padronizados de Demonstrações Contábeis. Entretanto, de acordo com os interesses de cada empresa, o Plano de Contas poderá conter outras informações complementares. 6.1.1 modelo simplificado de um Plano de Contas a. Contas patrimoniais BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO CIRCULANTE Caixa Bancos Conta Movimento Duplicatas a Receber (ou Clientes) (-) Provisão para Devedores Duvidosos (-) Duplicatas Descontadas Aplicações Financeiras (bancos) Estoque de Mercadorias Estoque de Material de Expediente Estoque de Material de Embalagem Estoque de Material de Limpeza Despesas do Exercício Seguinte CIRCULANTE Fornecedores (duplicatas a pagar) Impostos a Recolher Salários a Pagar Encargos Sociais a Recolher Empréstimos a Pagar Contas a Pagar Títulos a Pagar 92 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO NÃO CIRCULANTE Realizável a Longo Prazo Empréstimos a Empresas Coligadas e Controladas Empréstimos a Diretores Duplicatas a Receber (+ 360 dias) Investimentos Aplicações em Cias. Coligadas e Controladas Imóveis para Renda (aluguel) Terrenos Imobilizado Imóveis em Uso Veículos Móveis e Utensílios Máquinas e Equipamentos Computadores e Periféricos Instalações (-) Depreciação Acumulada Intangível Marcas e Patentes Industriais Franquias (-) Amortização Acumulada NÃO CIRCULANTE Financiamentos PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social (-) Ações em Tesouraria (-) Prejuízos Acumulados (- +) Ajustes de Avaliação Patrimonial Reservas Reservas de Capital Reservas de Lucros 93 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci ab. Contas de Resultado DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Vendas Brutas (-) Deduções IPI ICMS ISS Devoluções Abatimentos (-) Custos dos Produtos Vendidos Matéria-prima Mão de obra Direta Aluguel da Fábrica Energia Elétrica Depreciação de Equipamentos (-) Despesas com Vendas Comissão de Vendedores Propaganda Salários do Pessoal de Vendas Devedores Duvidosos (-) Despesas Administrativas Aluguel de Escritório Honorários da Diretoria Material de Escritório Salário do Pessoal Administrativo Encargos Sociais (...) (-) Despesas Financeiras Juros Comissão bancária Variação Cambial Receita Financeira (+) Provisão para Imposto de Renda e CSLL Participações Saliente-se que o Plano de Contas compõe-se de três partes: a. Elenco de Contas (relação de contas); b. Manual de Contas (quadro explicativo do uso de cada uma das contas: função, funcionamento e natureza do saldo); c. Modelo das demonstrações contábeis e lançamentos especiais. 94 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 6.2 Sistemas contábeis Segundo Marion (2006, p.194), Entende-se por sistema de Contabilidade o conjunto de atividades contábeis que engloba a compreensão da atividade empresarial (necessária para elaborar um plano de contas adequado), a análise e interpretação de cada fato contábil isoladamente, a contabilização e a elaboração das Demonstrações Financeiras, sua análise, interpretação e recomendações para aperfeiçoar o desempenho da empresa. Os sistemas contábeis podem ser: a. Manual: instrumentos simples: canetas, livros ou fichas a serem escrituradas, máquina de calcular; b. Sistema Maquinizado: máquina de datilografar, máquina de calcular, formulário denominado Ficha Tríplice (três vias); c. Sistema Mecanizado: máquina específica para se fazer Contabilidade (Ruf, Nacional, Olivetti, outras), slips, livros a serem escriturados, outros; d. Sistema Eletrônico: computador, software. Com o avanço da informática, o trabalho do contador passou a ser feito com maior rapidez, segurança e credibilidade. O sistema eletrônico dos registros contábeis possibilitou o acesso quase que imediato às informações de que necessitam os usuários da Contabilidade, tornando desnecessárias tarefas repetitivas realizadas nos sistemas manual, maquinizado e mecanizado, os quais, praticamente, caíram em desuso. Segundo Ribeiro (2006, p.158): Hoje, as informações extraídas dos documentos comprobatórios da ocorrência de Fatos Administrativos são processadas por meio de programas de Contabilidade instalados no computador da empresa. Esses programas – também conhecidos por softwares – fornecem informações em forma de relatórios, demonstrações, notas explicativas, as quais podem vir acompanhadas por uma infinidade de gráficos, mapas, quadros ou outros documentos (sintéticos ou analíticos). O acesso rápido a tais informações tende tanto às necessidades dos administradores e proprietários da empresa como às dos demais usuários. 6.3 Livros de escrituração São muitos os livros de escrituração utilizados pelas entidades. A quantidade e a espécie variam em função do porte, da forma jurídica e do ramo de atividade exercido por elas. Exs.: Livro Diário, Razão, Contas Correntes, Livro Caixa, Livro Registro de Duplicatas, Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Inventário, Registro de Apuração do 95 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aICMS, Registro de Apuração de ISS, Atas do Conselho de Administração, Pareceres do Conselho Fiscal, Atas das Assembleias Gerais, etc. Vamos estudar os dois principais livros, utilizados para o registro de todos os eventos do dia a dia das entidades, os livros: Diário e Razão. 6.3.1 Livro Diário O Livro Diário é um livro obrigatório (exigido por lei) em todas as empresas. Registra os fatos contábeis em ordem cronológica (dia, mês e ano). A legislação determina que ele deverá ser encadernado com folhas numeradas, conter termos de abertura e encerramento e ser submetido à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio (Junta Comercial). Os requisitos básicos de um Livro Diário são: a. Data da operação (transação); b. Título da conta de débito e da conta de crédito; c. Valor do débito e do crédito; d. Histórico (dados fundamentais sobre a operação registrada). Observe o exemplo de Livro Diárioh: Data Títulos das Contas e Histórico Código da Contai Débito Crédito 2007 Dez. 02 Banco Conta-CorrenteCaixa Depósito no Banco do Brasil conforme recibo 7544. XXXXXX XXXXXX 500,00 500,00 6.3.2 Livro Razãoi O Razão também é um livro obrigatório (que foi durante muito tempo facultativo). Consiste no agrupamento de valores em contas individualizadas. Por exemplo: abre-se uma conta Banco Conta-Corrente e nela se registram todas as operações que lhe afetem (abre-se subcontas para cada banco em que a empresa tiver conta), debitando-se ou creditando-se esta conta e, a qualquer momento, verificando seu h Não se preocupe em entender o registro, teremos tempo para isso. A ilustração do modelo de Livro Diário é só para facilitar a sua compreensão. i De acordo com o Plano de Contas da empresa. 96 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a saldo. A mesma coisa para cada um dos elementos patrimoniais: caixa, mercadorias, duplicatas a receber, etc. Observe o exemplo de Livro Razão: Conta: Caixa Código: (Plano de Contas) Data Histórico Débito Crédito Saldo D/C Valores 02/01/2008 Saldo anterior D 4.300,00 02/01/2008 Pagamento Duplicatas 1.100,00 D 3.200,00 03/01/2008 Compra Computador 1.800,00 D 1.400,00 03/01/2008 Recebimento de Duplicatas 2.500,00 D 3.900,00 Começamos a entender o funcionamento das contas, no caso da conta Caixa, a cada saída de dinheiro (desembolso) a conta é creditada (coluna do crédito) e seu saldo diminui; a cada ingresso (entrada) de dinheiro, a conta é debitada e seu saldo aumenta. Mas não se preocupe, em breve estudaremos o funcionamento das contas patrimoniais (bens, direitos, obrigações e Patrimônio Líquido) e das contas de resultado. Inicialmente, vamos nos deter um pouco mais na conceituação de Contas e Plano de Contas. 6.4 método de escrituração O método utilizado para o registro dos fatos contábeis chama-se Método das Partidas Dobradas. Ele foi desenvolvido pelo Frei Luca Pacioli, na Itália, no século XV, e até hoje é universalmente aceito. Sua adoção permite o controle de todos os componentes patrimoniais bem como das variações do Patrimônio Líquido, que poderão resultar em lucro ou prejuízo. O método consiste no fato de que para qualquer operação (registro), débito(s) e crédito(s) têm igual valor. Em outras palavras, não há débitos sem créditos correspondentes, ou seja, aplicações e origens. Por meio desse método, as operações são registradas inicialmente no Livro Diário e, posteriormente, no Livro Razão. No capítulo seguinte, estudaremos na prática a mecânica do débito e crédito na Contabilidade. 97 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a6.5 Balancete de Verificação O Balancete de Verificação é uma relação de contas extraídas do Livro Razão, com seus saldos devedores ou credores. A Norma Brasileira de Contabilidade, NBC T.2.7, dispõe: 1. O Balancete de Verificação do Razão é a relação de conta, com seus respectivos saldos, extraídos do razão em determinada data.” 2. O grau de detalhamento do Balancete deverá ser consentâneo com sua finalidade. 3. Os elementos mínimos que devem constar no Balancete são: a) Identificação da entidade; b) Data a que se refere; c) Abrangência; d) Identificação das contas e seus respectivos grupos; e) Saldos das contas, indicando se devedores ou credores; f) Soma dos saldos devedores e credores. 4. O Balancete que se destinar a fins externos à entidade deverá conter nome e assinatura do contador responsável, sua categoria profissional e o número de registro no Conselho Regional de Contabilidade – CRC. 5. O Balancete deve ser elaborado, no mínimo, mensalmente. BALANCETE DE VERIFICAÇÃO Cia. Exemplo 31/01/2008 CONTAS SALDOS DEVEDOR CREDOR ATIVO Caixa 1.500 Estoque de Mercadorias 8.000 Clientes (ou duplicatas a receber) 2.000 Móveis e Utensílios 3.000 98 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a CONTAS SALDOS DEVEDOR CREDOR Subtotal 1 14.500 PASSIVO e PL Fornecedores (ou duplicatas a pagar) 4.500 Impostos a Pagar 2.000 Capital Social 8.000 Subtotal 2 14.500 14.500 RECEITAS Vendas à Vista 16.000 Subtotal 3 14.500 30.500 DESPESAS (e custos)j CMV (Custo da Mercadoria Vendida) 9.000 Comissões 1.200 Aluguel 3.400 Propaganda e Publicidade 1.100 Salários 1.300 TOTAL 30.500 30.500 Observe que o Balancete de Verificação se assemelha ao Balanço Patrimonial (digamos que é um “balanço simplificado”), sem o rigor da classificação em grupos patrimoniais, contendo TODAS as contas movimentadas no período que possuem saldo no final de um período qualquer (contas patrimoniais e contas de resultado). A apresentação do balancete deve destacar as contas patrimoniais e as contas de resultado (receitas e despesas) e seus respectivos subtotais, de forma a contribuir para o processo decisório da empresa.j Dependendo da necessidade da empresa, o balancete pode ter duas, quatro, seis e até oito colunas. Quanto maior o número de colunas, maior a quantidade de dados fornecida ao usuário do balancete. Veja o exemplo de seis colunas (salientamos j Pode-se detalhar: despesas com vendas, administrativas e financeiras, fica a critério do usuário o “desenho” mais adequado do Balancete de Verificação. 99 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aque esta não é uma “demonstração oficial” podendo ser formatada de acordo com a necessidade do gestor): BALANCETE DE VERIFICAÇÃO Cia Exemplo 31/01/2008 CONTAS SALDOS DO MÊS ANTERIOR MOVIMENTOS DO MÊS SALDOS DO FINAL DO MÊS DEVEDOR CREDOR DEVEDOR CREDOR DEVEDOR CREDOR Caixa 1.800 16.000 14.300 3.500 As micro e pequenas empresas elaboram o Balanço Patrimonial apenas uma vez por ano, daí a importância do Balancete de Verificação como fonte de informação para decisões. Através de Balancetes (mensais, quinzenais...) a administração terá um resumo de todas as operações e conhecerá o resultado financeiro e econômico da empresa sem a necessidade de estruturar um balanço completo. Ponto final A seguir a síntese dos principais tópicos estudados no presente capítulo: CICLO CONTÁBIL: engloba desde a escrituração até a elaboração das demonstrações contábeis e sua análise. Em outras palavras, consiste no caminho que a Contabilidade percorre até chegar ao seu produto final: os relatórios (ou demonstrações) contábeis. PLANO DE CONTAS: agrupamento ordenado de todas as contas que são utilizadas pela Contabilidade dentro de determinada empresa. LIVRO DIÁRIO: é um livro obrigatório (exigido por lei) em todas as empresas. Registra os fatos contábeis em ordem cronológica (dia, mês e ano). LIVRO RAZÃO: também é um livro obrigatório (que foi durante muito tempo facultativo) que individualiza a movimentação das contas (como um extrato bancário, só que de cada uma das contas utilizadas nos registros contábeis). BALANCETE DE VERIFICAÇÃO: é um relatório não obrigatório que consiste na relação de contas extraídas do Livro Razão, com seus saldos devedores ou credores. 100 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Referências Contabilidade Básica Fácil – Osni Moura Ribeiro – Ed. Saraiva. Contabilidade Básica – José Carlos Marion – Ed. Atlas. Curso de Contabilidade para não contadores – Sérgio de Iudícibus e José Carlos Marion – Ed. Atlas. As três obras apresentam as entrelinhas do ciclo contábil até a formatação das demonstrações financeiras que subsidiam a tomada de decisão dos diferentes usuários. Evidenciam como a Contabilidade se equipara a uma “indústria”, processando informações numa metodologia própria (escrituração) e sintetizando- as no formato de relatórios. Exercícios Contatar empresas do seu município e solicitar-lhes o Plano de Contas e o último balancete (*). 1. Observe a estruturação das contas do referido Plano de Contas e comparecom a proposta simplificada de Plano de Contas constante no presente capítulo. Verifique as principais diferenças entre empresas de ramos diferentes (indústria, comércio, serviços, agropecuária, etc.). Em relação ao balancete, observe com atenção sua estrutura, as contas utilizadas (de acordo com o Plano de Contas) e o nível de detalhamento apresentado. 2. Analise os dados e verifique como está o resultado da empresa através da confrontação das receitas e despesas (e custos). Se possível, compare o valor das despesas operacionais (vendas, financeiras e administrativas) em relação ao montante das vendas no período. 3. Aproveite o contato com a empresa e converse com seu dirigente acerca da importância da Contabilidade na gestão: a) Como está estruturada a Contabilidade? b) Quais os principais relatórios utilizados? c) Como a empresa calcula seu preço de venda? (*) Caso a empresa não queira identificar-se, omita seus dados no cabeçalho do Plano de Contas e do Balancete 7 ESCRITURAÇÃO CONTáBIL Simone Loureiro Brum Imperatore Lembras das técnicas da Contabilidade? São elas: Escrituração, Demonstrações Contábeis, Auditoria e Perícia, Análise e Interpretação das Demonstrações Contábeis. Neste capítulo, estudaremos a Escrituração, técnica contábil que consiste no REGISTRO de todos os fatos administrativos que acontecem no dia a dia das empresas em livros próprios (Razão, Diário, Caixa, Contas Correntes, etc.). Nosso estudo centra-se nos dois principais livros: Diário e Razão. Bons estudos! Neste capítulo abordaremos os seguintes assuntos: Conceito de Escrituração;• Atos e Fatos Administrativos;• Livros utilizados na Escrituração;• Contas;• Plano de Contas;• Método de Escrituração;• Lançamentos;• Erros de Escrituração.• 7.1 Conceito de Escrituração Conforme já dissemos, Escrituração é uma técnica que consiste em registrar nos livros próprios todos os fatos administrativos que ocorrem na empresa. Mas e o que são fatos administrativos? 102 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 7.1.1 Atos e Fatos Administrativos Atos Administrativos são aqueles que ocorrem na empresa e que não provocam alterações em seu Patrimônio, por exemplo: assinatura de um contrato de compra e venda, assinatura de um contrato de seguros, admissão de um empregado, fiança em favor de terceiros, etc. Por não provocarem modificações no patrimônio, os atos administrativos não precisam ser registrados. Entretanto, alguns atos administrativos poderão provocar alterações futuras no patrimônio da empresa. Por esse motivo, devem ser registrados através das chamadas Contas de Compensação (exs.: seguros contratados, bens recebidos em comodato, avais concedidos, etc.). Os Fatos Administrativos são aqueles que provocam modificações no patrimônio, sendo, portanto, objeto de contabilização através das contas patrimoniais e ou das contas de resultado, podendo ou não alterar o Patrimônio Líquido. Podem ser classificados em três grupos: a. Fatos permutativos, qualitativos e compensativos: representam trocas entre os elementos Ativos, Passivos, ou entre ambos simultaneamente, sem provocar variações no Patrimônio Líquido. Exs.: compra de mercadoria para revenda à vista; pagamento de duplicata; depósito em conta-corrente; compra a prazo de um computador; b. Fatos modificativos ou quantitativos: provocam variações no Patrimônio Líquido (aumentam ou diminuem, portanto envolvem contas de resultado – receitas e despesas). Exs.: recebimento de aluguéis (aluguéis ativos); pagamento de seguro; pagamento de condomínio; c. Fatos mistos: envolvem, ao mesmo tempo, fatos permutativos e modificativos (contas patrimoniais e de resultado). Exs.: pagamento de duplicatas com juros; recebimento de duplicatas com desconto; pagamento de empréstimo com juros. 7.2 Lançamento Lançamento é o meio pelo qual se processa a escrituração contábil. É a forma de se processar o registro dos fatos no Livro Diário. Tem como elementos essenciais (os mesmos do Livro Diário): a. Local e data de ocorrência do fato; b. Conta(s) a ser debitada; c. Conta(s) a ser creditada; 103 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci ad. Histórico; e. Valor. 7.2.1 Débito e Crédito Débito na linguagem comum significa dívida, situação negativa, estar em débito com alguém, estar devendo para alguém, etc. Crédito significa ter crédito com alguém, situação positiva, poder comprar a prazo. a. Na terminologia contábil, o significado NÃO é esse. Vejamos: b. Na representação gráfica do Balanço Patrimonial (em forma de T), no lado esquerdo é apresentado o DÉBITO e, no lado direito, o CRÉDITO; Em relação às contas de resultados, despesas (e custos) são apresentadas do lado esquerdo (portanto, do DÉBITO) e receitas, do lado direito (portanto, do CRÉDITO). A representação gráfica do balancete fica assim: DÉBITO CRÉDITO Bens e Direitos (ATIVO) Despesas (e custos) Obrigações (PASSIVO) Patrimônio Líquido Receitas Para entender melhor, você precisa saber que todo fato administrativo ocorre em forma de troca, sendo envolvidos pelo menos dois elementos que possuem valores idênticos (débito e crédito). Assim, um dos recursos representa a origem dos recursos (crédito) e o outro a aplicação do recurso (débito), ou seja, onde a empresa investiu esse valor. Dessa forma, temos: Aplicação dos recursos = Débito;• Origem dos recursos = Crédito.• 104 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Regras gerais: a. Todo aumento de Ativo e despesas: DEBITA-SE; b. Todo aumento de Passivo, Patrimônio Líquido e receitas: CREDITA-SE; c. Toda diminuição de Ativo: CREDITA-SE; d. Toda diminuição de Passivo e Patrimônio Líquido: DEBITA-SE; e. Despesas são creditadas apenas para correção de erros de lançamentok e ou quando da apuração do resultado do exercício; f. Receitas são debitadas apenas para correção de erros de lançamento e ou quando da apuração do resultado do exercício. Como elaborar um lançamento Vejamos o seguinte exemplo: Compra de um automóvel, FIAT, modelo UNO 1.0, ano 2007, conforme Nota Fiscal nº 2.345, de AUTOMÓVEIS LTDA, no valor de R$ 18.000,00, pago com cheque nº 353.012, do Banco do Brasil S/A. Para registrarmos tal fato no Livro Diário, precisamos identificar os cinco elementos essenciais que irão compor o lançamento. Para tanto, siga os passos: 1º passo: identificar o local e a data da ocorrência do fato. O local é a cidade em que a empresa está estabelecida, e a data é a constante no documento comprobatório da ocorrência do fato (no caso, a Nota Fiscal). Para fins didáticos, considere sempre a sua cidade e a data em que estiver estudando. 2º passo: identificar os elementos envolvidos. Os elementos envolvidos no lançamento são: automóvel e banco (pagamento com cheque). 3º passo: identificar as contas que serão utilizadas para registrar os elementos envolvidos no fato. Para tanto, teremos que definir as CONTAS a serem usadas e, para isso, você deverá procurá-las no Modelo Simplificado de um Plano de Contas (capítulo 6). Observe que, se o elemento for um bem ou direito, será encontrado no ATIVO, se for uma obrigação ou Patrimônio Líquido, no PASSIVO, e, se for despesa ou receita, nas contas de resultado. A empresa está comprando um automóvel (no Plano de Contas do capítulo 6 você encontrará a conta VEÍCULO) e pagando com cheque do Banco do Brasil (Banco Conta Movimento). Esses são as duas contas envolvidas: Veículo (aplicação) e Banco Conta Movimento – Banco do Brasil (origem). k A correção de erros de lançamento chama-se ESTORNO e estudaremos no próximo tópico. 105 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a4º passo: identificar a conta que será debitada e a conta que será creditada. Depoisde identificadas as contas a serem utilizadas no lançamento, precisamos saber qual delas será debitada e qual será creditada. Para isso, precisamos seguir as REGRAS GERAIS estudadas anteriormente. Assim: a. Veículo, conta de ATIVO, aumentou o saldo (compra), DEBITA-SE; b. Banco Conta Movimento – Banco do Brasil, conta de ATIVO, diminuiu o saldo (quando se emite um cheque, diminui o saldo), CREDITA-SE. 5º passo: preparar o histórico do lançamento. O histórico consiste na narração do fato ocorrido, devendo conter ao menos o número e a espécie de documento que comprova a operação, o nome da pessoa ou empresa com quem se transaciona e a identificação da “coisa” transacionada. Admite-se a utilização de abreviaturas no histórico contábil. Algumas mais comuns são: Cfe. = Conforme Ch. = Cheque Dep. = Depósito Dp. = Duplicata Fat. = Fatura NF = Nota Fiscal N/ = Nosso, nossa, nesse Pg. = Pago Ref. = Referente Transf. = Transferência Vl. = Valor Assim, o lançamento deve ser escriturado no Livro Diário: 106 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 10 Veículo Banco Conta Movimento Banco do Brasil S/A Valor referente compra de um veículo FIAT, modelo UNO 1.0, conforme Nota Fiscal 2345, de AUTOMÓVEIS LTDA, pago com cheque número. 353.012 1.3.2.04 1.1.1.02.001 18.000,00 18.000,00 Mais um exemplo? Vamos lá: Compra de um computador DELL, de Byte On Ltda., no valor de R$ 1.600,00, conforme Nota Fiscal nº 3.458. Referido computador foi financiado pelo Banco do Brasil em 10 meses. Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 10 Máquinas, Equipamentos e Ferramentas Financiamentos a Pagar Banco do Brasil S/A Valor referente compra de um computador, marca DELL, número de série ISR122344, de Byte e On Ltda, conforme Nota Fiscal 3.458, financiado pelo Banco do Brasil S/A – PROGER URBANO em 10 parcelas mensais e sucessivas. 1.3.2.03 2.1.1.1 1.600,00 1.600,00 7.4.2 Fórmulas de lançamentos Há fatos que envolvem mais de duas contas, daí a existência de quatro fórmulas de lançamentos. Preste atenção: 107 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a1ª fórmula: esse você já conhece, envolve uma conta no débito e uma conta no crédito. Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 10 Imóveis Banco Conta Movimento Banco do Brasil Compra de uma sala comercial, de Imobiliária Bons Negócios Ltda, conforme escritura pública número 887.655, lavrada no 1º Tabelionato. Pagamento cheque 353.013 1.3.2.01 1.1.1.02 32.000,00 32.000,00 2ª fórmula: aparecem, no mesmo lançamento, uma só conta no débito e mais de uma no crédito: Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 10 Veículo Caixa Financiamentos a Pagar Banco do Brasil S/A Valor referente compra de um veículo FIAT, modelo UNO 1.0, conforme Nota Fiscal 2.346, de AUTOMÓVEIS LTDA, entrada de R$ 1.800,00 e o restante financiado pelo Banco do Brasil S/A em 12 parcelas mensais e sucessivas 1.3.2.04 1.1.1.01 2.1.1.1 18.000,00 1.800,00 16.200,00 108 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 3ª fórmula: aparecem no lançamento mais de uma conta no débito e uma só no crédito: Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 10 Caixa Banco Conta Movimento Banco do Brasil S/A Depósito em dinheiro conforme recibo 123 Fornecedores Pagamento duplicata 3.456 de Vicente Dutra LTDA 1.1.1.01 1.1.1.02 2.1.3 1.100,00 2.000,00 3.100,00 4ª fórmula: aparecem no lançamento mais de uma conta no débito e mais de uma conta no crédito: Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 10 Móveis e Utensílios Compra de uma mesa para computador de Byte On Ltda, Nota Fiscal 34.567 Material de Expediente Compra de Papel e Cia. Ltda Caixa Pagamento em dinheiro Nota Fiscal 34.567 de Byte On Ltda Fornecedores Papel e Cia. duplicata 345.796, com vencimento para 02/02 1.3.2.02 1.1.5.02 1.1.1.01 2.1.3 180,00 250,00 180,00 250,00 109 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a7.3 Erros de escrituração A escrituração deve ser completa, realizada em moeda e idioma correntes nacionais, com individualização e clareza, em ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras e emendas. Erros cometidos são corrigidos por meio de lançamento de ESTORNO que retificam sem apresentar rasuras no Diário. Os erros mais comuns são erros de valores lançados a maior ou a menor, troca de uma conta por outra, inversão de contas, omissão de lançamentos e lançamentos duplicados. Os modos de correção são: estorno do lançamentol, lançamento complementar, lançamento retificativo. Veja os exemplos a seguir. 7.3.1 Valores lançados a menor Considere que uma empresa pagou a Duplicata de Irmãos Andrés Ltda. nº 8.765, no valor de R$ 700,00. Ao registrar o referido pagamento o contador, inadvertidamente, registrou o valor de R$ 600,00. As correções podem ser feitas da seguinte forma: a. estornar o lançamento e registrar corretamente; b. efetuar um lançamento complementar. Lançamento errado: Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 7 Fornecedores Caixa Pagamento Duplicata 8.765 de Irmãos Andrés Ltda. 600,00 600,00 l Estornar significa lançar ao contrário, anulando o lançamento errado. 110 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Correção 1: estornar o lançamento e registrar corretamente. Fazendo o Livro Razão dessas duas contas – do lançamento errado e do estorno –, você perceberá que ANULOU o lançamento errado. Cabendo, após isso, realizar o registro corretamente. Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 8 Fornecedores Caixa Pagamento Duplicata 8.765 de Irmãos Andrés Ltda. Estorno do lançamento efetuado a menor em 07/01/2008, referente ao pagamento de duplicata nº 8.765, de Irmãos Andrés Ltda. 600,00 600,00 2008 Jan. 8 Fornecedores Caixa Registro correto pagamento duplicata 8.765 de Irmãos Andrés Ltda. paga em 07/01/2008 600,00 600,00 Correção 2: lançamento complementar. Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 8 Fornecedores Caixa Complemento do lançamento efetuado a menor em 07/01/2008 referente ao pagamento duplicata 8.765 de Irmãos Andrés Ltda. 100,00 100,00 7.3.2 Valores lançados a maior Considere que uma empresa pagou impostos no valor de R$ 758,00 e, ao registrar, o contador lançou R$ 785,00. Podemos corrigir esse erro com um lançamento de estorno ou um lançamento retificativo (apenas pela diferença). Já sabemos fazer estorno total, então veremos somente o exemplo do lançamento retificativo. 111 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aLançamento errado: Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 7 PIS a Pagar Caixa Pagamento PIS 785,00 785,00 Correção: lançamento retificativo. Veja, o valor registrado a maior é de R$ 27,00 (785,00 - 758,00), então basta fazer um estorno parcial, pela diferença, para não precisar fazer dois novos lançamentos (estorno total e registro correto). Faça o livro razão das contas e verifique se o saldo fica correto. Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 8 Caixa PIS a Pagar Estorno de parte do lançamento efetuado a maior em 07/01/2008, referente a pagamento de PIS27,00 27,00 7.3.3 Troca de uma conta por outra A empresa compra um veículo e na hora do registro o contador registra Móveis e Utensílios. A correção pode ser feita através de estorno e registro correto ou estorno parcial (apenas da conta lançada incorretamente). Vamos fazer um estorno parcial: Lançamento incorreto: Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 7 Móveis e Utensílios Caixa Compra de um veículo FIAT UNO, ano 2005, nota fiscal 6.543 de Seminovos Ltda. 15.000,00 15.000,00 112 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Estorno parcial: Data Títulos das Contas e Histórico Código da Conta Débito Crédito 2008 Jan. 8 Veículos Móveis e Utensílios Transferência entre contas tendo em vista lançamento indevido em 07/01/2008, referente à compra de um automóvel, Nota Fiscal 6.543 de Seminovos Ltda. 15.000,00 15.000,00 7.3.4 Inversão de contas, duplicidade e omissão de lançamentos Outros erros comuns são inversão de contas (debita-se a conta que deveria ser creditada e vice-versa) e duplicidade de lançamentos (lança-se duas vezes o mesmo fato contábil). Em ambas as situações, procede-se o estorno total do lançamento incorreto, seguido do lançamento correto no caso da inversão de contas. No que se refere à omissão de lançamentos (não registro de um fato contábil na data correta), procede-se o registro na data em que se verificou a omissão, mencionando no histórico o motivo e a data correta do evento. Quando a omissão implicar falta de recolhimento de impostos, a empresa deverá providenciar os respectivos recolhimentos, espontaneamente, acrescidos dos encargos correspondentes. Ponto final Muitos detalhes? Não se assuste, encare a escrituração como um “jogo”, lembrando- se sempre da regra principal: ORIGEM = crédito (receitas, obrigações e Patrimônio Líquido) APLICAÇÃO = débito (bens, direitos e despesas) Tenha sempre em mãos o Plano de Contas e siga os passos da escrituração: 1º passo: identificar o local e a data da ocorrência do fato. 2º passo: identificar os elementos envolvidos. 3º passo: identificar as contas que serão utilizadas para registrar os elementos envolvidos no fato. 4º passo: identificar a conta que será debitada e a conta que será creditada. Depois de identificadas as contas a serem utilizadas no lançamento, precisamos saber 113 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aqual delas será debitada e qual será creditada. Para isso, precisamos seguir as REGRAS GERAIS estudadas anteriormente. 5º passo: preparar o histórico do lançamento. Referências Contabilidade Básica – José Carlos Marion – Ed. Atlas. Curso de Contabilidade para não contadores – Sérgio de Iudícibus e José Carlos Marion – Ed. Atlas. Contabilidade Fácil – de Osni Moura Ribeiro – Ed. Saraiva. Nas obras citadas você encontra em detalhes a mecânica da escrituração e suas regras, bem como uma série de exercícios que o auxiliarão a fixar o conteúdo estudado. Para aprofundar seu estudo, sugerimos a leitura do Texto Estornos e Retificação de Lançamentos, disponível em <http://www.portaldeContabilidade.com.br/guia/ estornoseretificlanc.htm>. Exercícios Registre os seguintes fatos contábeis (não se preocupe com o código das contas): 1) Compra de três armários de aço, à vista, conforme Nota Fiscal 213, de Byte On Ltda., no valor de R$ 730,00. 2) Saque no Banco do Brasil, para reforço de caixa, no valor de R$ 500,00. 3) Pagamento de Duplicata nº 8.769 de Cia da Luz, no valor de R$ 330,00, com juros de R$ 6,00 pelo atraso. 4) Recebimento de Duplicata nº 653 de Diniz Alfredo, no valor de R$ 650,00, com juros de R$ 23,00 pelo atraso. 5) Pagamento de financiamento no Banco do Brasil S/A, no valor de R$ 1.300,00. 6) Pagamentos diversos (em dinheiro) conforme recibos: a) Salários: R$ 1.400,00 b) INSS: R$ 420,00 c) Aluguel de Imóveis: R$ 1.000,00 114 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 7) Depósito no Banco do Brasil S/A conforme recibo nº 23.456, R$ 3.000,00. 8) Compra de móveis para uso, a prazo, de Comercial de Móveis Ltda., Nota Fiscal nº 230, no valor de R$ 3.000,00. Entrada de R$ 1.000,00 com cheque nº 353.014, do Banco do Brasil S/A. 9) Compra à vista de mercadorias, de Atacadista Bom Princípio no valor de R$ 1.000,00, Nota Fiscal nº 125.678, cheque nº 123.126; 10) Compra de mercadorias a prazo, no valor de R$ 2.500,00, Nota Fiscal Fatura nº 19.876, de Atacadista Varejão Ltda. 11) Venda de Mercadorias à vista (clientes diversos conforme cupons fiscais) no valor de R$ 1.800,00. Preço de custo das mercadorias vendidas R$ 880,00. 12) Venda de Mercadorias a prazo a Lins Ltda. no valor de R$ 2.100,00. Houve aceite, no ato, de três duplicatas no valor de R$ 700,00 cada, nºs 765, 766 e 767, com vencimento para 30, 60 e 90 dias, respectivamente. Preço de custo das mercadorias vendidas R$ 900,00. 13) Recebimento em dinheiro de duplicata nº 654, de Martins Viana, no valor de R$ 540,00, com desconto de R$ 23,00 pelo pagamento antecipado. 14. Pagamento de duplicata 897, de Tarrago Nunes Ltda., no valor de 1.000,00, com desconto de R$ 18,00 pelo pagamento antecipado. A referida duplicata foi paga com cheque do Banco do Brasil S/A, nº 353.020. 15. Compra de Mercadorias à vista de Mercedes e Cia Ltda., no valor de R$ 1.800,00, com desconto de R$ 60,00. Pagamento com cheque nº 353.021, do Banco do Brasil S/A. 16. Recebimento de aluguel de sala comercial de Calçados Bom Passo Ltda., no valor de R$ 700,00. 115 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aGabarito:mn Data / número lançamento Títulos das Contas e Histórico Débito Crédito 2008 Mês: Dia: 01 Móveis e Utensílios Caixa Compra de três armários de aço, à vista, conforme Nota Fiscal 213, de Byte On Ltda. 730,00 730,00 2008 Mês: Dia: 02 Caixa Banco Conta Movimento Banco do Brasil S/A Saque para reforço de caixa 500,00 500,00 2008 03 Caixa Fornecedores Cia da Luz Ltda., duplicata 8769 Juros Passivosm Pelo atraso duplicata 8.769 330,00 6,00 336,00 2008 04 Caixa Clientes Recebimento Duplicata 653 de Diniz Alfredo Juros Ativosn Ref Duplicata 653 673,00 650,00 23,00 2008 05 Financiamento a Pagar Banco Conta Movimento Banco do Brasil S/A Pagamento parcela financiamento 1.300,00 1.300,00 2008 06 Caixa Salários Pagamento Folha de Pagamento mês _____ INSS Pagamento INSS sobre Folha de Pagamento Aluguéis Passivos Pagamento Aluguel sala comercial 1.400,00 420,00 1.000,00 2.820,00 m Lembre-se, Juros PAGOS são Juros PASSIVOS (despesas). n Juros RECEBIDOS são receitas, portanto Juros ATIVOS. 116 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a op Data / número lançamento Títulos das Contas e Histórico Débito Crédito 2008 07 Banco Conta Movimento Banco do Brasil S/A Caixa Depósito conforme recibo 23.456 3.000,00 3.000,00 2008 08 Móveis e Utensílios Banco Conta Movimento Banco do Brasil S/A Ref Cheque 353.014 Fornecedores Compra de móveis para uso de Comercial de Móveis Ltda, Nota Fiscal 230. 3.000,00 1.000,00 2.000,00 2008 09 Banco Conta Movimento Estoque de Mercadorias para Revenda Compra de mercadorias de Atacadista Bom Princípio, conforme Nota fiscal 125.678, pago cheque 123.126 ICMS a Recuperaro ICMS destacado na Nota Fiscal de 12% 880,00 120,00 1.000,00 2008 10 Fornecedores Atacadista Varejão Estoque de Mercadorias para Revenda Compra de mercadorias, Nota Fiscal Fatura 19.876 ICMS a Recuperar ICMS destacado na Nota Fiscal 2.200,00 300,00 2.500,00 2008 11 Caixa Venda à VistaP Diversos conforme cupons fiscais 1.800,00 1.800,00 o Aqui consideramos o valor do ICMS da compra(no caso 12%) que a empresa compensa quando da venda de mercadorias. Na verdade, o ICMS não é considerado no custo da mercadoria, motivo pelo qual deve ser registrado em separado. p Neste primeiro lançamento, registramos a receita gerada pelas vendas e seu ingresso no caixa da em- presa (venda à vista). Na sequência, daremos baixa no estoque de mercadorias (que está contabilizado pelo preço que a mercadoria foi adquirida). Os impostos incidentes sobre as vendas (ICMS, PIS e COFINS) são calculados ao final do mês sobre o total das vendas, não faremos esta contabilização. 117 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aq r Data / número lançamento Títulos das Contas e Histórico Débito Crédito 2008 11-2 Custo das Mercadorias Vendidas Estoque de Mercadorias para Revenda Referente vendas à vista, clientes diversos. 880,00 880,00 2008 12 Clientes Venda a Prazo Venda a Lins Ltda, duplicatas 765, 766 e 767. 2.100,00 2.100,00 2008 12-2 Custo das Mercadorias Vendidas Estoque de Mercadorias para Revenda Baixa de estoque venda a prazo 900,00 900,00 2008 13 Duplicata a Receber Martins Viana Caixa Recebimento duplicata 654 Descontos Concedidos Pelo recebimento antecipado 517,00q 23,00 540,00 2008 14 Fornecedores Tarrago Nunes Ltda Banco Conta Movimento Banco do Brasil S/A Pagamento duplicata cheque 353.020 Descontos Obtidosr Pelo pagamento duplicata 897 1.000,00 982,00 18,00 q Preste atenção: o valor que “entra” no caixa é o valor da duplicata menos o desconto concedido (dado). A duplicata deve ser baixada pelo valor nominal (de registro). r Aqui a empresa GANHOU um desconto (lembre-se: ao fazer um lançamento, coloque-se sempre no lugar da empresa). Assim, o valor efetivamente pago (que saiu do Banco) é menor do que o valor nominal da duplicata paga, a diferença é contabiliza na receita descontos obtidos (ganhos) 118 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a s Data / número lançamento Títulos das Contas e Histórico Débito Crédito 2008 15 Estoque de Mercadorias para Revendas ICMS a Recuperar ICMS destacado na Nota Fiscal 1.245 de Mercedes e Cia Ltda Banco Conta Movimento Banco do Brasil S/A Referente cheque 353.021 Descontos obtidos Referente compra à vista 1.584,00 216,00 1.740,00 60,00 2008 16 Caixa Aluguéis Ativos Recebimento aluguel de Calçados Bom Passo, recibo 4.567 700,00 700,00 s Neste lançamento precisamos contabilizar o valor do estoque, do ICMS, o valor que efetivamente foi pago e o desconto ganho. 8 APURAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Simone Loureiro Brum Imperatore Nos capítulos anteriores, você aprendeu a registrar os fatos administrativos. Neste capítulo, você aprenderá a apurar o Resultado do Exercício de forma simplificada. Saliente-se que a apuração do resultado das empresas/entidades envolve uma série de procedimentos: a. elaboração do balancete de verificação; b. inventários; c. conciliação de saldos de contas; d. apuração do resultado bruto e líquido; e. cálculos e contabilizações de provisões, participações, reservas e dividendos; f. elaboração das demonstrações financeiras. Assim, diante da complexidade de procedimentos envolvidos, adotamos o procedimento simplificadot para que você, acadêmico do curso de Administração, compreenda a essência da apuração do resultado. Assim, neste capítulo nos dedicaremos aos procedimentos práticos de apuração do resultado do exercício, mãos à obra! t Cabe salientar que nesta apuração simplificada desconsideramos os cálculos e contabilizações de lucro bruto, Provisão para pagamento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido e Imposto de Renda, da Distribuição de Lucros, além de outros procedimentos que são comuns na apuração do resultado do exercício. Justifica-se esta metodologia, pois o objetivo do presente capítulo é instrumentalizá-lo a dominar o mecanismo da apuração do resultado. 120 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 8.1 Conceito Ao final de cada exercício social (período normalmente compreendido entre 01 janeiro e 31 de dezembro), as contas de resultado (receitas, despesas, custos) têm seus saldos encerrados (zerados). Mas o que significa apurar o resultado do exercício? Apurar o resultado do exercício, segundo Ribeiro (2009, p.171), “consiste em verificar, por meio das Contas de Resultado (receitas e despesas), se a movimentação do Patrimônio da empresa apresentou lucro ou prejuízo durante o exercício social”. O referido autor apresenta um roteiro para apuração do resultado, a saber: 1º. Elaborar um Balancete de Verificação, composto por contas cujos saldos serão extraídos do Livro Razão; 2º. Transferir os saldos das contas de despesas/custos para a conta transitória RESULTADO DO EXERCÍCIO (credita-se as contas de despesas/custos e debita-se a conta Resultado do Exercício); 3º. Transferir os saldos das contas de receitas para a conta transitória RESULTADO DO EXERCÍCIO (debita-se as contas de receitas e credita-se a conta Resultado do Exercício); 4º. Apurar, no Livro Razão, o saldo da Conta Resultado do Exercício. Lembre-se de que esta conta recebe a crédito o valor de todas as receitas e a débito o montante das despesas/custos, assim, se seu saldo final for credor significa dizer que o total das receitas supera o total de despesas/custos e, portanto, o resultado do exercício foi superavitário, portanto a empresa obteve lucro. Caso o saldo seja devedor, a empresa obteve déficit/prejuízo no exercício, tendo em vista que as despesas/custos superam o valor da receita do período; 5º. Transferir o saldo da Conta de RESULTADO DO EXERCÍCIO para Reservas, se for lucro, e para Prejuízos Acumulados, se for prejuízo (contas do Patrimônio Líquido conforme estudado anteriormente); 6º. Apurar o Balanço Patrimonial. 8.2 Exemplo prático Observe o Balancete da Cia Progresso em 31/12/20XX (1º passo para apuração do Resultado do Exercício): 121 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aCia Progresso Data: 31/12/XX CONTAS Saldo devedor Saldo credor Ativo Caixa 11.500 Banco Conta Movimento 8.000 Estoque de Mercadorias 18.000 Clientes 13.000 Móveis e Utensílios 25.000 Subtotal 1 75.500 Passivo e PL Fornecedores 18.800 Empréstimos 12.300 Impostos a Recolher 7.000 Aluguel a Pagar 1.200 Capital Social 20.000 Reservas 2.000 Subtotal 2 61.300 Receitas Vendas à Vista 36.000 Vendas a Prazo 33.000 Subtotal 3 69.000 Despesas e Custos CMV 31.400 Comissões 2.800 Aluguel 4.000 Impostos Incidentes sobre Vendas 5.000 122 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a CONTAS Saldo devedor Saldo credor Salários e Encargos 11.600 Subtotal 4 54.800 Subtotal 5 130.300 130.300 Na sequência (2º e 3º passos), vamos transferir os saldos das contas de despesas para a conta Resultado do Exercício, como segue: DATA TÍTULOS DAS CONTAS E CONTAS/HISTÓRICO CÓDIGO DA CONTA DÉBITO CRÉDITO 31/12 31/12 20XX 20XX Resultado do Exercício CMV Comissões Aluguel Impostos Incidentes s/vendas Salários e Encargos Valor que transferimos pela apuração do Resultado do Exercício Resultado do Exercício Vendas à Vista Venda a Prazo Valor que transferimos pela apuração do resultado do exercício 54.800 36.000 33.000 31.400 2.800 4.000 5.000 11.600 69.000 Importante: O que significa transferir o saldo de uma conta para outra, quer seja de despesas para Resultado do Exercício? Significa zerar o saldo da conta de despesa (conta de origem) e lançar o respectivo saldo na conta de destino, no caso Apuração do Resultado do Exercício. Assim, se o valor da conta estiver no débito (como nas despesas), será lançadoa débito na conta Resultado do Exercício (conta de destino); se o saldo da conta estiver no crédito (como nas receitas), será lançado a crédito na conta Resultado do Exercício (conta de destino). 4º passo: apurar no Livro Razão o saldo da Conta Resultado do Exercício. 123 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aAgora transferimos os total das receitas e despesas para a conta Resultado do Exercício: Conta: Resultado do Exercício Código: Data Histórico Débito Crédito Saldo D/C Valores 31/dez/20XX Saldo transf. receitas 69.000 C 69.000 31/dez/20XX Saldo transf. despesas 54.800 C 14.200 Veja bem, agora que todas as contas de resultado (receitas e despesas/custos) estão zeradas e seus respectivos saldos foram transferidos para a conta Resultado do Exercício, necessária se faz a apuração do saldo desta conta (credor ou devedor) para sabermos se a empresa apresentou lucro ou prejuízo em suas atividades no referido período. Como o saldo apurado é de R$ 14.200,00 credor, este saldo corresponde a lucro (pois o total das receitas (R$ 69.000,00) é superior ao total das despesas/custos (R$ 54.800,00). 5º passo: transferir o saldo da conta Resultado do Exercício para a conta Reservas (se for lucro) ou Prejuízos Acumulados (se prejuízo). Saliente-se que, na prática, o resultado do exercício, quando positivo (lucro), tem várias destinações: uma parcela vai para o governo (Contribuição Social para o Lucro Líquido e Imposto de Renda); uma parte para remuneração de dirigentes e colaboradores (participação nos lucros); uma parte poderá ser destinada à constituição de reservas (lucros retidos com finalidade específica: reserva legal, reserva de contingências, reservas estatutárias, reservas de lucros a realizar, etc.); e uma parte será destinada aos titulares ou acionistas na forma de dividendos. Caso no Balanço Patrimonial constem prejuízos acumulados em exercícios anteriores, estes deverão ser compensados com parte ou total dos lucros apurados. No presente estudo, apenas para caracterizar o aumento do Patrimônio Líquido em decorrência do lucro apurado, vamos transferir todo o saldo credor da conta Resultado do Exercício para a conta Reservas. 124 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a DATA TÍTULOS DAS CONTAS E CONTAS/HISTÓRICO CÓDIGO DA CONTA DÉBITO CRÉDITO 31/12 20XX Resultado do Exercício Reservas Transferência que se processa referente ao lucro líquido apurado no período. 14.200 14.200 6º passo: apurar o Balanço Patrimonial. Cia. Progresso Data: 31/12/XX CONTAS Saldo devedor Saldo credor Ativo Caixa 11.500 Banco Conta Movimento 8.000 Estoque de Mercadorias 18.000 Clientes 13.000 Móveis e Utensílios 25.000 TOTAL 75.500 Passivo e PL Fornecedores 18.800 Empréstimos 12.300 Impostos a Recolher 7.000 Aluguel a Pagar 1.200 Capital Social 20.000 Reservas 16.200 TOTAL 75.500 Observe que na conta reservas tínhamos um saldo anterior de R$ 2.000,00, que, acrescido aos R$ 14.200,00 apurados do resultado do exercício, resultou em R$ 16.200,00. Ponto final Você já aprendeu que ao final de cada exercício social, o que normalmente coincide com o final de cada ano, o setor de Contabilidade da empresa realiza 125 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci auma série de procedimentos visando à apuração do resultado do exercício. Tais procedimentos têm por finalidade verificar se a empresa obteve lucro ou prejuízo em suas operações. Para se apurar o Resultado do Exercício, o primeiro procedimento é o levantamento do Balancete de Verificação, composto por todas as contas utilizadas durante o ano, com seus respectivos saldos extraídos do Livro Razão. De posse do Balancete de Verificação, a apuração do resultado envolve levantamentos físicos (inventário de mercadorias, de materiais e de documentos), apuração do resultado bruto (conta mercadorias), apuração do resultado líquido (cálculos e contabilizações de depreciações, amortizações, provisões para créditos de liquidação duvidosa; ajustes em contas de despesas e receitas em atendimento ao Princípio da Competência); cálculos e contabilizações das deduções, participações e destinações do resultado do exercício, concluindo com a elaboração das demonstrações financeiras. Referências FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade Básica. 7ed. Rio de Janeiro: Editora Ferreira, 2009. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica Fácil. 26ed., ampl. e atual. São Paulo: Saraiva, 2009. Exercícios 1) No levantamento de balanço para apuração do resultado do exercício, as contas de: a) despesas serão debitadas em contrapartida de uma conta transitória. b) receitas serão creditadas em contrapartida de uma conta transitória. c) despesas serão creditadas e receitas debitadas em contrapartida de uma conta transitória. d) receitas serão creditadas em contrapartida da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. 2) Na apuração do resultado do exercício: a) as contas patrimoniais são alteradas; b) as contas de resultado são encerradas; c) as contas de despesas são debitadas e de receitas creditadas; 126 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a d) a conta Resultado do Exercício é debitada e creditada em contrapartida, com as contas de despesa e receita. 3) O balancete levantado no final do período apresenta a seguinte posição: Caixa 100 Fornecedores 300 Fornecedores 200 Clientes 200 Móveis e Utensílios 700 Banco Conta Movimento 50 Receitas de Serviços 1.400 Despesas Antecipadas 50 Salários e Ordenados 200 Capital 500 Reservas 100 Impostos 200 Material de Expediente 200 Despesa de Energia 100 Despesas Diversas 300 Receitas Financeiras 100 Descontos Concedidos 100 Instalações 400 Juros ativos 80 Juros passivos 120 No encerramento de contas de receitas e despesas, constantes deste balancete, apura-se que houve, no período, um lucro líquido de: a) 320 b) 360 c) 420 d) 440 127 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a4) A empresa Flores e Frutas Ltda apresenta os seguintes saldos extraídos do Livro Razão em 31/12/XX: Contas Saldos Clientes 90 Bancos Conta Movimento 75 CMV 135 Fornecedores 240 Salários 45 Máquinas e Equipamentos 180 Empréstimos 145 Receitas de Vendas 320 Prejuízos Acumulados 30 Juros Ativos 60 Impostos a Recolher 120 Veículos 150 Capital Social 225 Promissórias a Receber 150 Estoque de Mercadorias 230 Alugueis Passivos 25 Considerando exclusivamente os saldos apresentados, sem nenhuma implicação de ordem tributária ou qualquer distribuição de resultados, pode- se afirmar que: a) o resultado do exercício foi lucro líquido de R$ 145; b) o Balanço Patrimonial tem passivo exigível no valor de R$ 530; c) o Capital próprio tem valor de R$ 690; d) o balancete de verificação fecha no valor de R$ 1.110. 128 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 5) Atividade prática: Relação das Contas Extraídas do Livro Razão em 31 de dezembro de 20XX: Caixa 100.000 Clientes 20.000 Estoque de Material de Expediente 10.000 Imóveis 200.000 Fornecedores 50.000 Móveis e Utensílios 50.000 Promissórias a Pagar 20.000 Capital Social 270.000 Água e Esgoto 1.000 Alugueis Passivos 10.000 Descontos Concedidos 500 Fretes e Carretos 500 Material de Expediente 2.000 Receitas de Serviços 54.000 Pede-se: a) Elabore o Balancete de Verificação; b) Elabore os razonetes (para facilitar a apuração do resultado, separe as contas patrimoniais e as de resultado); c) Apure o resultado do exercício (transfira as contas de receitas e despesas para a conta de Resultado do Exercício); d) Apure o saldo daconta Resultado do Exercício e transfira o saldo para Reservas (se lucro) ou Prejuízos Acumulados (se prejuízo); e) Elabore o Balanço Patrimonial. Gabarito: 1) c; 2) d; 3) b; 4) d 9 INVENTáRIO Simone Loureiro Brum Imperatore Ainda sob o enfoque do ciclo contábil, cabe-nos estudar o inventário, função administrativa e contábil que consiste no levantamento dos elementos patrimoniais, sua classificação e seus valores. O inventário é a determinação e a contagem, amostral ou total, dos elementos que integram o patrimônio de uma entidade (física ou jurídica).u 9.1 Classificação do inventário Considerando-se a importância que o inventário representa na vida econômica, financeira e patrimonial de uma entidade, é necessário observar-se e seguir alguns critérios quanto à sua classificação: a. Segundo os fins: Inventário de Exercício ou de Gestão (levantado no período normal da • empresa, cuja avaliação dos bens obedece ao seu custo ou ao preço de reposição (raramente), ou ao preço médio ponderado; Inventário de Instalação ou de Constituição (formação do capital social • inicial); Inventário de Fusão ou Aquisição (reunião dos patrimônios das empresas; • o critério de avaliação obedece ao interesse das partes); u A noção de que as expressões balanço e inventário têm o mesmo significado é equivocada. Inventário refere-se à contagem de todos os elementos patrimoniais, enquanto balanço é a representação gráfica do patrimônio. Pode-se fazer inventário sem se fazer balanço, entretanto, não se pode fazer balanço sem se fazer o inventário. 130 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a Inventário de Consignação e Transferência (passagem de gestão de um • diretor para outro e ou quando da entrega de algum componente patrimonial à guarda de alguém); Inventário de liquidação (extinção da entidade, por falência ou vontade • própria dos sócios). b. Segundo a extensão: Completo, total ou geral (todos os elementos);• Parcial ou especial (abrange apenas parte do patrimônio da entidade – • determinado grupo de elementos patrimoniais e ou uma amostra de todos os grupos). c. Quanto à forma: Analíticos ou descritivos (descrevem todas as características do elemento • patrimonial); Sintéticos ou genéricos (reunidos em grupo conforme a natureza do item).• d. Quanto à periodicidade Ordinário (realizados em datas pré-fixadas);• Extraordinário (em casos especiais, auditoria, por exemplo).• e. Quanto ao aspecto legal Obrigatório ou legal (levantamento do estoque de mercadorias por ocasião • do Balanço Patrimonial); Estatutário (periodicidade, forma; extensão, fins definidos pelo estatuto) • Contratual;• Facultativo.• f. Quanto às Fontes de Obtenção dos Dados Contábil (baseados em documentos e registros de origem contábil);• De fato (contagem física);• Misto (ambos os critérios).• 9.2 Fases do inventário O Inventário constitui-se de fase pré-inventarial, execução do inventário e registro de inventário. 131 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a9.2.1 Fase pré-inventarial Consiste no estabelecimento de regras que nortearão a execução do inventário: a. Fixação das datas de início e término do inventário; b. Designação das pessoas que irão trabalhar no inventário; c. Instruções detalhadas sobre a tarefa e sua importância (critérios de mensuração a serem observados, forma de registro dos dados coletados, procedimentos para análise das diferenças encontradas, providências objetivando as correções, roteiro do inventário, etc.); d. Formulários especiais a serem utilizados (listas dos materiais a inventariar, formulários de coleta de dados); e. Relatório do trabalho. 9.2.2 Execução do inventário Após a preparação da unidade a ser inventariada (e dos agentes envolvidos no inventário) dá-se início ao levantamento físico dos itens patrimoniais. Atenção especial a algumas informações úteis: a. Materiais obsoletos devem ser destacados com antecedência e inventariados separadamente; b. Materiais de contagem impraticável devem ser mensurados por estimativa (areia e brita, por exemplo, devem ser quantificadas por m3); c. Materiais com embalagem-padrão, de manuseio inconveniente e geralmente delicado, toma-se o número de embalagens e multiplica-se pelo número de unidades (pregos, por exemplo). 9.2.3 Registro de inventário O Decreto nº 21.032, de 27/2/1971, instituiu o modelo especial de livro para registro de inventário de estoques. Em seu artigo 8º, estabelece que o Livro de Registro de Inventário, modelo 7, destina-se a arrolar, pelos seus valores e com especificação que permita sua perfeita identificação, as mercadorias, as matérias-primas, os produtos intermediários, os produtos manufaturados e os em fabricação existentes na época do balanço. Hoje, através da informatização, usa-se folhas avulsas que são posteriormente encadernadas. 132 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a 9.3 Critérios de avaliação dos ativos Avaliação, segundo Ferreira (1986, p.205), é o “ato ou efeito de avaliar; apreciação; análise; valor determinado pelos avaliadores”, dando uma noção mais restrita a itens monetários, enquanto mensuração, Ferreira (1986, p.119) coloca que é o “ato de medir ou mensurar; medição; determinar a medida de...” enfatizando algo mais amplo englobando os itens monetários e não monetários. Sendo assim, Mock & Grove, apud Guerreiro (1989, p.80), destacam que sistema de mensuração é o “conjunto de procedimentos que atribui números a objetos e eventos com o objetivo de prover informações válidas, confiáveis, apropriadas e econômicas para as tomadas de decisões.” A Lei nº 11.638/07 trouxe importantes e significativas alterações no que diz respeito aos critérios de classificação e avaliação dos ativos, aplicáveis tanto ao ativo circulante quanto ao não circulante. No que diz respeito aos critérios de avaliação, a nova lei introduziu o conceito de fair value, ou em português, valor justo, que corresponde ao montante pelo qual determinado item poderia ser transacionado em um mercado ativo entre participantes dispostos e conhecedores do assunto, em uma transação sem favorecimento. Embora valor justo e valor de mercado sejam conceitos diferentes, é possível assumir, em determinadas circunstâncias, que ambos possuem valor igual ou próximo. A Lei nº 11.941/09 determinou que instrumentos financeiros, inclusive derivativos, direitos e títulos de crédito classificados no circulante ou realizável a longo prazo a serem avaliados a valor justo são aqueles destinados à negociação imediata ou disponíveis para venda futura. Tal critério implica ajustar o valor desses ativos (para maior ou para menor) cada vez que houver necessidade de publicar as demonstrações financeiras. Tais ajustes terão como contrapartida o resultado do período para aqueles destinados à negociação imediata e uma conta de Patrimônio Líquido denominada AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL para aqueles disponíveis para venda futura. Para efeito de avaliação, o valor justo será: a. para as matérias-primas e bens do almoxarifado, o preço de reposição, mediante compra no mercado; b. para os bens ou direitos destinados à venda, o preço líquido de realização mediante venda no mercado, deduzidos os impostos e demais despesas necessárias para a venda e a margem de lucro; c. para os investimentos, o valor pelo qual possam ser transferidos a terceiros; 133 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci ad. para os instrumentos financeiros, a definição de valor justo, apresentada anteriormente. IMPORTANTE: caso não haja mercado ativo, a avaliação se fará por comparação a um instrumento financeiro similar. Os investimentos que se pretende resgatar apenas na data de seu vencimento continuarãoa ser registrados por seu valor original, ajustado por correções, juros, variações de câmbio ou outras formas contratadas. Se o valor de mercado na data de publicação inferior ao custo, deve-se provisionar a perda contra resultado. Os ativos não classificáveis como destinados à negociação imediata ou disponíveis para venda futura serão avaliados ao valor de custo ou emissão, ajustados pelo provável valor de venda (se este for inferior). No caso do imobilizado, o ajuste se fará se o valor de aquisição, deduzido da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão for superior ao valor de realização. 9.3.1 Outros critérios de avaliação de estoques O custo das mercadorias estocadas é determinado com base no valor de aquisição constante das Notas Fiscais de compra, acrescido das despesas acessórias (frete, por exemplo) e dos impostos, taxas e contribuições que não forem recuperados pela empresa no momento da venda das mercadorias (notem bem, no caso do ICMS NÃO É CUSTO). A empresa poderá adquirir os mesmos tipos de mercadoria em datas diferentes, de fornecedores diversos, pagando por elas preços variados. Assim, adota-se como critério para determinação do custo dessas mercadorias: Custo Específico, PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair); UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair) e Custo Médio Ponderado, a saber: a. CUSTO ESPECÍFICO: consiste em atribuir a cada unidade do estoque o preço efetivamente pago por ela. É um critério que só pode ser utilizado por mercadorias de fácil identificação física, como imóveis para revenda, veículos usados etc.; b. PEPS; adotando este critério para avaliação dos estoques, a empresa atribuirá às mercadorias estocadas os custos (preços de aquisição) mais recentes; c. UEPS: neste caso, a empresa considera os custos (preços de aquisição) mais antigos. Não é utilizado pela dificuldade de aplicação e pela não aceitação da legislação do Imposto de Renda; 134 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci a d. CUSTO MÉDIO PONDERADO: segundo este critério, as mercadorias são avaliadas pela média dos custos de aquisição, atualizados a cada compra efetuada. O critério mais utilizado é o custo médio, porque espelha maior realidade nos Custos, no Lucro e no Estoque Final. Cabe ressaltar que na elaboração do Balanço Patrimonial a avaliação de estoques obedecerá aos critérios estabelecidos no artigo 183 da Lei nº 6.404/76, ou seja, custo de aquisição deduzido da provisão para ajustá- lo ao valor de mercado, quando este for inferior. 9.4 Critérios de avaliação de passivos Para efeito de avaliação de passivos, observa-se: a. as obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive IR a pagar com base no resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado até a data do balanço; b. as obrigações em moeda estrangeira serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data de elaboração das demonstrações financeiras; c. as obrigações, encargos e riscos classificados no Passivo Não Circulante serão ajustados ao seu valor presente (valor atual, descontando-se a taxa de juros implícita). Ponto final No final de cada exercício, as empresas devem inventariar seus estoques de materiais (matérias-primas, materiais de embalagem, etc.), produtos acabados e em elaboração, serviços em andamento e mercadorias para revenda. Tal inventário deve ser escriturado no “Livro de Registro de Inventário”, sendo que devem ser observadas as prescrições fiscais exigidas (ICMS, IPI e Imposto de Renda). Além do inventário dos estoques, as empresas devem (re)avaliar os seus bens, considerando-se a legislação vigente (Lei nº 11.638/07 e Lei nº 11.941/09) abordada no presente capítulo. Referências LEI nº 11.638/07. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm>. LEI nº 11.941/09. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/ Leis/2009/lei11941.htm>. CPC 12. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_12.pdf>. 135 UL BR A – E du ca çã o a D ist ân ci aExercícios 1) Pesquise sobre: a) critérios de reconhecimento de ativos; b) atributos básicos da avaliação de ativos; c) mensuração de ativos a valores de entrada; d) mensuração de ativos a valores de saída; e) avaliação de ativos intangíveis. 2) A partir da pesquisa realizada, elabore um texto sucinto e poste-o no fórum de Conteúdo 2 da Disciplina. REFERÊNCIAS ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico e financeiro. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2006. BOLETIM MAPA FISCAL. Modelo de plano de contas. n. 2, 2002. Disponível em: <http://www. nydus.com.br/artigos/ct_modeloplano.htm>. Acesso em: 1 abr. 2008. BRASIL. Lei 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6.404. Diário Oficial – Seção Extra, Poder Legislativo, Brasília, DF, 28 dez. 2007. Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm>. Acesso em: 31 mar. 2008. ______. Lei 10406 de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 31 mar. 2008. ______. Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999. Regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 29 mar. 1999. Disponível em: <http:// www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=151683>. Acesso em: 1º abr. 2008. ______. Lei 6.404 de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades por ações. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: <https://www. planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6404consol.htm>. Acesso em: 7 mar. 2008. CONSELHO FEDERAL DE Contabilidade. Resolução CFC Nº 774 de 16 de dezembro de 1994. Aprova o Apêndice à Resolução sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade. Diário Oficial da União, 18 jan. 1995. Disponível em: <http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/ RES_774.doc>. Acesso em: 31 mar. 2008. FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23 ed. São Paulo: Atlas, 1996. IUDÍCIBUS, Sérgio de (Coord.). Contabilidade introdutória. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2006. ______; MARION, José Carlos. Curso de Contabilidade para não contadores. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2006. MARION, José Carlos. Contabilidade básica. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2006. MATARAZZO, Dante C. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2003. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil. 24 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. ______. Contabilidade geral fácil. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2002. SÁ, Antônio Lopes; SÁ, Ana Maria Lopes. Dicionário de Contabilidade. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2005. STEYER, Jorge et al. Fundamentos da Contabilidade. Canoas: Editora Ulbra, 2005. (Caderno Universitário).