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Aula 1: Sistema linfohematopoiéti co Timo Órgão linfóide, transitório, produz linfócitos T nos primeiros meses de vida, é composto por vários folículos que tem a região medular e cortical. Na região cortical fica os linfócitos mais maduros, na região medular tem grupos de linfócitos envolto por células reticulares, que envolvem grupos de linfócitos com seus prolongamentos citoplasmáticos e estimulam a maturação de linfócitos jovens (timócitos) e se transformem em linfócitos T e migrem futuramente para os linfonodos. Tem uma variedade pequena de processos patológicos. Presente nos animais jovens, até alguns meses de idade, e é o grande responsável pela presença de linfócitos T no animal jovem. Mesmo em animais adultos, se fizer corte de mediastino, encontra algum resquício desse órgão, mas a tendência é que involua com o tempo. Há migração de parte dos timócitos em direção à região paracortical dos linfonodos. O restante das células (grande parte) sofre apoptose. É órgão multilobulado, com área cortical de linfócitos T maduros e área central é centro germinativo, composta pelos corpúsculos de Hassel (células reticulares em camadas) e elas envolvem os linfócitos em maturação (tem núcleo maior, citoplasmas) e essa interação faz linfócitos amadurecerem, até a região cortical que tem só linfócitos maduros. Células do corpúsculo produzem substâncias que promovem a maturação e têm projeções dendríticas que envolvem os linfócitos, criando um microambiente para maturação. Involução do timo: processo patológico, como inflamação pode sofrer atrofia em graus variáveis (tem a espontânea, mas pode ocorre de forma precoce) pode ocorrer em animais infectados por vírus da cinomose, da panleucopenia felina, Felv e fiv, herpervirus equino do tipo I. Compromete a colonização dos linfonodos desses animais, tornando os animais imunossuprimidos. Pode ser acelerada por agressões tóxicas (polifenis biclorados – substâncias usadas em baterias de automóveis, lâmpadas fluorescentes) e reduzida por restrição dietética (subnutridos possui involução mais lenta do timo). Neoplasias do timo: São o principal processo patológico do timo. São derivados dos componentes epiteliais do timo. Timomas: neoplasias epiteliais, derivada das células reticulares e pode são acompanhados de proliferação linfóide benigna (proliferação de linfócitos) em animais mais velhos. Geralmente são encapsulados, com o crescimento lento, benignos, porém por ser intratorácico podem atrapalhar a movimentação cardíaca e pulmonar, e comprimir traqueia e esôfago, causando dificuldade respiratória, dificuldade de deglutição e pode causar dificuldades cardíacas por compressão. Podem resultar na perda da autotolerância aos receptores de acetilcolina. Nestes casos, a remoção do timo anormal pode resultar na restauração da atividade da junção neuromuscular normal. Timoma linfoide: também é um timoma, mas apresenta uma mistura de linfócitos em diferentes graus de maturação. Encapsulado, de até 15 cm de diâmetro, provoca as mesmas coisas que o timoma (a diferença é a citologia, é que possui além de linfócitos maduros, possui linfócitos jovens). Principalmente encontrado em cães, raro em equinos. Em alguns casos essas neoplasias podem ser externas ao tórax, estar no subcutânea, mas geralmente é intratorácica. Linfoma tímico: visto em felinos (22% dos linfomas em felinos são do timo), bovinos jovens, não é associado ao vírus da leucemia bovina e cães. Aspecto macro é um pouco mais agressivo, pode acometer tecidos vizinhos, chega a fazer metástase para pulmão. Geralmente monótono. Baço Região hipogástrica esquerda. É um órgão hematopoiético. A função principal após nascimento é filtragem do sangue – é altamente vascularizado com sinusóides porosos e recebe antígenos que chegam por via hematógena, é importante para remover bactérias e outros agentes infecciosos que trafegam no organismo pelo sangue. Não recebe linfa. Produz linfócitos B, pode armazenar sangue (20%, expulsa em caso de hemorragia), e participa de hemocaterese (destruição de hemácias senescentes/parasitadas), em determinadas situações também produz hemácias. As hemácias são fagocitadas por macrófagos e destruídas e a hemoglobina é reaproveitada na medula óssea para produção de novas hemácias. Baço faz o clearance- limpeza de bactérias opsonizadas (as não-opsonizadas são fagocitadas no fígado, pelas células de Kupfer), o que faz com que esplenectomia facilite casos de septicemia. Linfáticos só eferentes, todo sangue passa pelo menos uma vez ao dia pelo baço. “Baço de armazenagem”. Circulação: é feita pela artéria esplênica, derivada da celíaca derivada da aorta. Essa artéria entra pelo hilo e se ramifica formando artérias secundárias são artérias peniciliadas, descem pelas trabéculas fibromusculares, e depois saem as arteríolas centrais e que atravessam um parênquima de linfócitos que é conhecido como polpa branca (onde estão os folículos, onde tem centros germinativos, uma área mais concentrada com linfócitos mais maduras) os folículos que envolvem as arteríolas são as bainhas linfocíticas periarteriolar. Essas artérias desembocam em seios que fazem parte da polpa vermelha do baço. Esse órgão é suscetível a fenômenos embólicos (tromboembolia, embolia bacteriana) e a processos destrutivos, lesões, provocadas por torções (entrelaça artéria e veia e fecha veia em primeiro lugar, causando infarto massivo do órgão, do tipo hemorrágico, pois artéria continua trazendo sangue e é órgão cheio de seios que acumulam sangue e tornam o órgão túrgidos e infartados). A artéria principal se ramifica progressivamente até as arteríolas centrais (atravessam corpúsculo esplênico, que é folículo linfóide). Esse folículo é bem caracterizado. As arteríolas dão origem a sinusóides que desembocam nos bolsões, que são os seios marginais – hemácias têm fluxo caótico dentro do órgão, ficam um bom tempo retidas nos seios, sendo expulsas rapidamente caso o órgão contraia. Alguns macrófagos fazem fagocitose e outros deixam as hemácias retornarem ao fluxo sanguíneo. A parte produtora de linfócitos é chamada de polpa branca e onde passam as hemácias é a polpa vermelha. Polpa vermelha- macrófagos- cordões e bainha periarteolares, espaços vasculares e estroma. Polpa branca Linfócitos B e T e zona marginal- macrofagos apresentadores de Antigenos. Anomalias do desenvolvimento Agenesia: ausência do baço. Rara em animais e homem. Baço duplo: existência de dois baço no mesmo animal. É mais comum em suínos, e acompanha outras anormalidades (de posicionamento e formação). Alterações degenerativas Atrofia senil: acontece em animais mais idosos ou caquéticos, nesses animais encontra-se uma cápsula retraída, irregular, espessa, microscopicamente: atrofia dos folículos linfoides (menos volumoso), e os seios vasculares da polpa vermelha com aspecto fibroso pela condensação do parênquima, diminuição do tecido linfoide, destaca essa estrutura. Macroscopicamente irregular, pequeno, cápsula espessa e enrugada. parece brilhoso na foto. Linfocitose em centros germinativos: lise de linfócitos imaturos (blastos, células jovens), ocorre hipocelularidade em relação a linfócitos, predomínio das células dendríticas nessas áreas centrais dos centros germinativos. Nódulos sideróticos: ocorre em cães idosos. São incrustações amarelo-alaranjadas, na borda do órgão, acúmulos de cristais compostos de ferro e cálcio subcapsulares. Relativamente comum, sem significado patológico significante. Amiloidose (ele nunca viu): » Esplenomegalia difusa firme por armazenamento substância amilóide, se acumula de uma forma mimetizando os folículos linfóides evidentes. O baço fica com coloração mais pálida e ao corte nota-se acúmulos esbranquiçados, circulares, que são aspectos de ‘baço em sagu’. O problema é que ocupa espaço físico, aspecto de cera. → AA → inflamação crônica → AL → produçãolíquor no SNC, ele se acumula progressivamente. A maior incidência é em braquicefálicos (congênitas) e animais ‘toy’ (cães pequenos). Pode ser provocada por processos obstrutivos adquiridos, como por inflamação, ou compressão por neoplasias, e coleastomas em equinos (são depósitos de colesterol nas meninges, que calcificam e podem comprimir os ventrículos, ocasionando acúmulo de liquor). Outro tipo é hidrocefalia ex-vácuo – É o preenchimento de local em que foi removida massa encefálica por líquor, é uma forma de reparo. Quando há perda de massa encefálica por exemplo após um evento que causou necrose, aquele tecido necrótico é removido e naquele local fica liquor, não é hidrocefalia verdadeira, é a forma de reparo normal do SN. Em animal jovem, expande o cérebro, e ocorre deformação craniana. O encéfalo aumenta de tamanho, tem restrição de espaço, o SN pode herniar. Caso: Filhote com dilatação acentuada dos ventrículos e atrofia parenquimatosa. 3° e 4° ventrículos dilatados Falha de fechamento de osso devido a hidrocefalia Neoplasia de SNC comprimindo o terceiro ventrículo e impedindo o fluxo de líquor. Ocorre compressão do sistema nervoso contra o crânio com achatamento dos giros e dos sulcos, gerando necrose ou atrofia Hidranencefalia/Porencefalia: Cavitação em área de SB, não desenvolvimento da substância branca ou parte dela, não tem prolongamento axonais na maioria dos neurônios. As causas são virais (vírus da diarreia viral bovina, vírus do Akabane e vírus da língua azul e doença de border em ovinos). Siringomielia: é uma cavitação tubular na medula espinhal, ao corte transversal se vê um canal separado do canal ependimário (geralmente dorsal). Mais comum em humanos, já foi descrita em cães Weimaraner. Hipoplasia cerebelar: causado por vírus da panleucopenia felina (parvovírus), vírus da diarreia viral bovina: hidrancefalia e vírus da peste suína clássica:+ outras lesões no SNC. Observa-se cerebelo de tamanho reduzido. O principal sinal é a incoordenação motora, dificuldade de equilíbrio e ajuste fino de movimentos. Estes vírus infectam e destroem as células mitóticas, principalmente as da camada granular externa do cerebelo, que ainda estão se dividindo no final da gestação e início do período neonatal. A necrose destas células faz com que não estejam mais disponíveis para a formação da camada granular e, assim, o cerebelo é hipoplásico. Em bezerros, acredita-se que a lesão cerebelar (hipoplasia/atrofia cerebelar), que ocorre após a infecção aos 150 dias de gestação (segundo trimestre), envolve dois processos. O primeiro é caracterizado pela necrose precoce de células não diferenciadas na camada granular externa. No segundo, há vasculite e isquemia, induzidas pelo vírus, da substância branca das folhas cerebelares Foto: No gato, a hipoplasia cerebelar (hipoplasia cerebelar, espécime superior; gato normal, espécime inferior) geralmente é causada pela infecção in utero pelo vírus da panleucopenia felina (parvovírus). O vírus infecta e causa a lise de células em divisão na camada granular externa (do lado de fora do cerebelo no feto). Uma vez que estas células não estão mais disponíveis para a migração e formação da camada granular, o cerebelo continua pequeno Macroscopicamente, o tamanho do cerebelo é menor; a redução de tamanho tem gravidade variável, dependendo da idade e do estágio de desenvolvimento do cérebro quando o feto ou neonato é infectado. Microscopicamente, há necrose e perda da camada granular externa e degeneração e perda das células de Purkinje, que são pós-mitóticas, mas imaturas. Os motivos para a degeneração das células de Purkinje podem incluir a infecção pelo vírus ou a ausência de desenvolvimento normal do córtex cerebelar. As células de Purkinje também podem ser mal posicionadas e localizadas na camada molecular devido à alteração induzida pelo vírus no desenvolvimento do córtex cerebelar. Em bezerros, o edema da substância branca das folhas cerebelares, com hemorragia focal no córtex, seguido pela cavitação focal da substância branca e atrofia, também pode ser observado. Estas últimas lesões se devem à isquemia decorrente da vasculite. A leptomeningite, caracterizada pelo acúmulo de linfócitos, plasmócitos e, ocasionalmente, fibroplasia, pode causar adesões entre as folhas cerebelares adjacentes e a obliteração focal do espaço subaracnoide. Distúrbios físicos do SNC São bem menos frequentes em animais do que humanos por causa das situações de vida e anatomia (porcentagem de massa encefálica nos animais em relação ao volume de crânio é menor e animais têm maior quantidade de seios ao redor do crânio, que ajudam a proteger contra impactos) fazem com que as lesões sejam menos frequentes. Traumas mecânicos em SNC são mais frequentes em cães, pois são menos ágeis que felinos, caem frequentemente. Outro fator anatômico é que as lesões são mais frequentes em coluna (medula espinhal) do que crânio, pois o espaço entre o crânio e o encéfalo é maior do que entre a medula e superfície do canal vertebral, é maior na região cervical e menor na lombar, o que explica maior quantidade de lesões na região lombar do que cervicais, qualquer deslocamento do canal vertebral afeta a medula espinhal de maneira mais grave do que se fosse no encéfalo. Outros fatores: crânio móvel x fixo/apoiado: quanto mais móvel, maior possibilidade de amortecer a pancada; velocidade do objeto e massa; objeto rombo ou agudo: rombos provocam traumas como fraturas e o que causa a lesão são os fragmentos ósseos, se for machado (ponta fina), o objeto é agudo e penetra no local; rigidez do crânio (idade, raça): animal idoso tem rigidez menor; quantidade de seios: alguns têm maior quantidade; volume de musculatura e tecido adiposo. Trauma cerebral. (+ músculo e tecido adiposo - + protegido). Concussão: tipo de lesão difusa, clinicamente acontece perda da consciência temporária (em casos mais graves pode ser definitiva). em que o indivíduo sofre agressão do tecido nervoso por forte desaceleração/aceleração do sistema (quando desacelera, cérebro é esmagado contra o crânio, ele é deformado) – forças que levam a concussão são as forças de: cisalhamento, esticamento e compressão. Na concussão não há um trauma contra o cérebro, mas ocorre uma aceleração ou desaceleração abrupta do crânio (quando bate o carro e está preso no cinto de segurança, a cabeça é jogada para frente e freio abrupto, o cérebro sofre uma deformação de esticamento e compressão, em impactos frontais, se for diagonal ainda há a força de cisalhamento, uma leve torção). Lesão de todas as células do sistema nervoso, lesão vascular, e é difusa. (ex 2: criança girando o filhote). Pode gerar perda de consciência, desmaio Contusão: quando há trauma provocado por objeto ou contra superfície fixa. Podem ser classificadas como contusão de golpe (ocorre no local do impacto) ou contragolpe (lesão no lado oposto ao golpe). Varia de acordo com a situação. Uma cabeça móvel ocorre lesão de golpe e contragolpe, se bate com taco de beisebol, há as duas lesões, mas a maior é a de golpe (onde o taco bateu), e ocorre a de contragolpe secundário. Pode ter lesão mais grave no contragolpe do que no golpe, em caso de cabeça em movimento bate contra superfície firme – pessoa que desmaia e cai, o cérebro tende a ficar parado por inércia, quando bate no chão, ocorre primeiro lesão de contragolpe, depois é jogado contra o chão, já amorteceu a velocidade da queda, então o golpe vai ser uma lesão secundária, a lesão é contragolpe-golpe. Quando a queda é de grandes alturas ou quando há esmagamento de crânio por grande força externa, a lesão é de golpe (ex: pessoa que caiu do World Trade Centre, na metade da queda, o cérebro já está na posição normal, já acelerou junto com o corpo, quando chega no chão, a lesão é de golpe). Trauma cerebral: Hemorragia: o traumatismo causa hemorragias.Pode ser epidural (incomum em animais), subdural (é a mais comum, é entre a dura máter e aracnóide – atropelamentos), leptomeníngea (frequência baixa) e em parênquima encefálico (2ª mais comum, perfuração por objetos e ossos). Trauma medular Pode ocorrer concussão e contusão (com ou sem fratura da coluna vertebral, pode somente deslocar a vértebra e a medula ser contundida, ou então deslocar o disco intervertebral e comprime a medula). Hemorragias: em mielite por Herpesvírus em equinos (lesões simétricas, e na região de SC na medular. Pode mimetizar traumatismo, esmagamento de medula por trauma, mas ocorre em toda a extensão da medula. Trauma medular Laceração/transecção: ocorre após fratura vertebral e desarticulação das vértebras. Fratura de coluna, fratura as vértebras e ocorre transcecção. Na desarticulação, rompe a medula e pode voltar ao local, não tem fratura de osso necessariamente, pode haver transecção da medula sem ruptura das meninges. 1) transecção traumática que causa degeneração Walleriana; (2) compressão e esmagamento; (3) neurectomias terapêuticas; (4) lesão por distensão nervosa; e (5) intoxicação. Compressão: pode ser por aumento de volume intramedular (por hemorragias ou neoplasias, principalmente neoplasias ósseas causando compressão no canal medular) e/ ou extramedular (doença mais frequente é o prolapso de disco intervertebral, mielopatia cervical estenótica – síndrome de Wobbler – má formação de ossos das vértebras cervicais que causa estenose, e fratura/deslocamento de vértebras). Compressão medular Doença do Disco Intervertebral: ocorre mais em cães condrodistróficos (Dachshund e Pequinês), há degeneração do disco, vai enrijecendo (deveria ser cartilaginoso e macio para absorver impacto) e durante impacto tende a deslocar, pois perde a capacidade de absorção de impactos, disco desloca de lugar e comprime a medula espinhal. Animais com mais de um ano de idade, é mais frequente na região tóraco lombar e cervical. Mielopatia estenótica cervical: conhecida como bambeira ou síndrome de Wobbler. É mais comum em equinos e várias espécies de cães. Ocorre estenose do canal vertebral cervical entre C5 a C7 e é visível macroscópicamente em corte longitudinal da coluna vertebral e causa lesão medular por esmagamento. Microscopicamente, ocorre degeneração Walleriana e cromatólise central, observa-se necrose liquefativa e células de glitter; evolui para cisto (astrócitos) O esmagamento pode ser dorso-ventral ou latero-lateral. Há predisposição racial. FOTO: Diferença dos espaços do canal cervical devido à deformidade nas vértebras cervicais. Canal vertebral tortuoso, provocando estreitamento dorso ventral e latero-lateral Distúrbios circulatórios As células do SNC são bastante frágeis à hipóxia. Velocidade de privação de oxigênio depende da lesão. Existem susceptibilidades diferentes dependendo da região e do tipo celular à isquemia: neurônios – oligodendrócitos – astrócitos – micróglia – vasos sanguíneos. Mesmo entre os neurônios, há diferença na susceptibilidade: neurônios corticais sobrevivem de 5 a 6 min, neurônios motores e tronco encefálico 15 min. Córtex cerebral e estriato > tálamo > tronco encefálico > medula espinhal Além da falta de oxigênio, temos: o Aumento de liberação de cálcio → Mitocôndria alterada → Retículo endoplasmático o Liberação do neurotransmissor excitatório glutamato → Ativação dos receptores glutamato = excitotoxicidade o Influxo de cálcio extracelular → Piora na função mitocondrial de outras células → Geração de espécies reativas de oxigênio Foto: Impregnação por hemoglobina – devido a hemólise intravascular, caso de babesiose, cérebro fica vermelho, principalmente SC porque é a mais vascularizada. Falta de oxigênio pode ser provocada pela isquemia ou doenças, como intoxicações, parasitoses. Babesiose deixa encéfalo e córtex com coloração escura (cereja) – é um parasita de hemácias que pode provocar ruptura, que leva à hemólise e o transporte de oxigênio diminui. Intoxicação por monóxido de carbono, anestesia profunda sem controle de PA, choque também levam à isquemia. Edema Vasogênico: é o mais comum, edema inflamatório, ocorre por aumento de permeabilidade vascular, geralmente após agressão vascular. Após agressão vascular ou processo inflamatório, células endoteliais se afastam umas das outras, levando a aumento da permeabilidade vascular, causando aumento do volume e causando compressão do SNC e rompe a barreira hematoencefálica (aumenta a permeabilidade e passagem de moléculas maiores). No SN, há ocupação do espaço perivascular (espaço de Virchow) no primeiro momento, há dilatação desse espaço e a proteção que os astrócitos faziam ao redor dos vasos vai sendo desfeita, há quebra da barreira hematoencefálica. As substâncias da corrente sanguínea podem invadir o SN. Microscopicamente, Espaço de Virchow bem dilatado, observa-se espaço bastante grande ao redor do limite dos vasos. Esse espaço é branco (saída de água no início), depois pode ficar róseo pela saída de leucócitos. Citotóxico: ocorre acúmulo de líquido intracelular, ocorre degeneração hidrópica, geralmente após isquemia prolongada. As células incham e o volume do tecido aumenta. Observa-se neurônios completamente com águas, com o núcleo deslocado. Dá o aspecto esponjoso pro SNC. Gera edema em astrócitos, neurônios, oligodendrócitos, atrapalhando o funcionamento do sistema nervoso. Aspecto espongioso com vários vacúolos devido ao acúmulo de líquido dentro das organelas Hidrostático (intersticial): ocorre no espaço intersticial, por aumento da pressão intersticial, devido a drenagem insuficiente do líquido produzido pelo liquor, associada em caso de hidrocefalia (fluxo de líquor fica comprometido). O fluxo de líquor e de líquido intersticial é feito pelo espaço de Virchow e passa pelos neurópilos e para o líquor nos ventrículos. Esse fluxo passa pelos espaços entre as células ependimárias e os astrócitos. Quando tem hidrocefalia, há acúmulo de líquido lá dentro e o líquido extravasa para o tecido, fazendo com que o volume tecidual aumente cada vez mais. Não tem origem inflamatória nem celular. Osmótico: ocorre por hidratação venosa excessiva, Ingestão excessiva de água (mental), aumento da pressão hidrostática intravascular sem inflamação (causando extravasamento de líquido e edema no tecido, mas ocorre edema generalizado), secreção alterada de ADH (pode ser por neoplasia) o que provoca aumento na pressão hidrostática. Ocorre devido ao congelamento/privação de água, de forma que quando o animal tem acesso à água novamente, ele ingere rápido e em grande quantidade, a qual passa rapidamente pro SN. Sequelas do edema cerebral: Como o crânio é fechado, há compressão do SN contra o crânio, causando achatamento dos giros cerebrais, sulcos ficam rasos, leva a herniação e conificação do cerebelo (ele é forçado em direção ao forame magno, para dentro do canal vertebral). Também há necrose e hemorragia do tecido comprimido, ocorre principalmente por compressão e ruptura de capilares – principalmente na região de quiasma óptico (região dorsal do telencéfalo) e região de herniação do cerebelo em direção do forâmen magno. Achatamento dos giros devido a edema cerebral. Infarto Encefalomalacia As causas mais comuns são: Parada cardíaca, hipotensão súbita (infartos generalizados), compressões e hérnias (ou por embolia devido a bactérias, tromboembolos). O cérebro não é um local onde infartos ocorrem facilmente, pois depende da velocidade da oclusão (circulação com regulação, série de anastomoses). Também por embolia. E também por Necrose comparável por Asfixia/redução de oxigênio no ar, Intoxicação por CO, Inibição da respiração celular (cianeto), Deficiência de tiamina (necessária no metabolismo da glicose) Macroscopicamente apresenta um certo edema na região do infarto, essas lesões se com encefalomalacia(amolecimento do cérebro)/ necrose liquefatica na substância cinzenta (poliencefalomalácia), manifestam como necrose liquefativa em áreas com hemorragia. Na SC tende a ser hemorrágicos (mais irrigado), SB (leucoencefalomalácia) tende a ser anêmicos, pois são menos vascularizado. Infarto delimitado com necrose liquefativa Arteriosclerose: endurecimento da parede vascular também pode ocorrer no SN, mais em humanos que animais. Relacionada a placas lipídicas pode ocorrer em sui, pássaros e cães com hipotireoidismo. Diversas artérias intracranianas, mas extracerebrais vão ser acometidas, fibrose não lipídica pode ocorrer em animais mais idosos, principalmente em cães e equinos (não muito frequente) explica diminuição do volume cerebral ao longo do tempo (diminui irrigação sanguínea). - Aterosclerose → Humanos, suínos (8-14 anos), pássaros e cães com hipotireoidismo → Artérias intracranianas extracerebrais → Locais mais comuns de deposição das placas: aa. cerebrais medial, rostral e caudal e a. comunicante Placas de ateroma em cérebro de cão com hipotireoidismo que realizou hipercolesterolemia - Não-lipídica (fibrose arterial) → Animais idosos, cães e equinos → Não tem relação com colesterol alto. AULA 5- Distúrbios metabólicos Intoxicação por NaCl: Muito descrito em suínos, aves e ruminantes. Conhecido como síndrome da privação de água. Pode ser por excesso de NaCl nas rações, pode ocorrer por privação de água (geralmente ocorre por congelamento da água ou não tem acesso a água). Ocorre hipernatremia – tanto fala desidratação que o animal não bebe água ou pela ingestão excessiva de NaCl, faz com que o sangue fica mais concentrado com mais sódio, e isso desidrata a maioria dos tecidos, acontece é uma “desidratação cerebral”, o sistema nervoso armazena sódio e outros compostos orgânicos que atraem água para o interstício, para que não desidrate. Concentra o interstício para manter a hidratação. Quando o animal ingere água repentinamente, migra rapidamente para o interstício cerebral, antes de conseguir regular o equilíbrio, isso gera edema (edema osmótico). Macroscopicamente: aumento do volume do órgão (achatamento dos giros cerebrais, sulcos entre sulcos ficam rasos – tendência do alisamento do cérebro, e ocorrer herniações -mais comum pelo forame magno, ocorre conificação do cerebelo-), edema que causa compressão e congestão (comprime a vasculatura e reduz retorno venoso), necrose laminar cerebrocortical compressiva (ocorre pela compressão, porque é comprimido contra o crânio, necrose da SC do córtex cerebral; coloração levemente amarelada do cortex). Microscópico: necrose (liquefativa) + eosinofílico + glitter cells. Para que não haja redução do fluxo de líquor, o organismo acumula sódio no interstício. Quando os animais bebem água, fazem hiperidratação repentina. Entrada de água é rápida, mas saída dos osmólitos do SNC é lenta, a água é atraída para o interstício e causa edema cerebral. ] Ele mostrou a imagem de um manguito. Intoxicação por Pb: Descritos em bovinos, ovinos, equinos e cães jovens. É cada vez mais incomum, pois a principal fonte eram as tintas a óleo, para pintura de madeira, essas tintas estão deixando de ser usadas, baterias de automóveis também são fonte de chumbo. O animal ingeria essa tinta que possuía chumbo e se intoxicava. Pode ser aguda, subaguda ou crônica dependendo da quantidade ingerida. Também podem ser hiperagudas (pode ocorrer morte súbita), pode ser sem lesões e/ou sinais clínicos. O chumbo tem efeitos tóxicos direto sobre neurônios, astrócitos e células endoteliais. Entra nas células pelos canais de cálcio, e induz liberação de cálcio mitocondrial, o cálcio escapa para citoplasma, isso induz o fenômeno de apoptose. Além disso quando retira cálcio das mitocrondial ocorre disfunção mitocondrial também, alteração da liberação de neurotransmissores porque são carregados por microtúbulos, essa interação do cálcio com citoesqueleto das células, faz esses microtúbulos deslizarem e carregarem os neurotransmissores. Causam lesões em vasos sanguíneos porque aumentando a quantidade de cálcio no citoplasma vamos ter contração celular das células endoteliais e aumento de permeabilidade ocorrendo edema vasogênico, tudo isso contribui para quebra da barreira hematoencefálica porque os astrócitos vão perder os podócitos que fazem as barreiras. Provoca necrose e edema dessas células, pois entra nelas pelos canais de cálcio e induz liberação do cálcio mitocondrial. Esse cálcio liberado no citoplasma pode causar apoptose e ativação enzimática (necrose celular). Pode provocar a degeneração seletiva das bainhas de mielina, que é chamada de desmielinização primária. A desmielinização primária é a perda de mielina ao redor do axônio intacto e provoca a alteração da velocidade de condução de um potencial de ação pelo axônio, causando disfunção clínica (Fig. 14-21). A lesão lenta ou repetitiva das células em mielinização e suas bainhas de mielina pode provocar atrofia neuronal irreversível. As células precursoras dos oligodendrócitos localizadas na zona subventricular do SNC podem amadurecer e se transformar em oligodendrócitos interfasciculares, além de proliferar em resposta à lesão não citocida e participar da remielinização após a desmielinização primária Sinais clínicos: depressão, bruxismo, andar em círculos, pressão da cabeça contra obstáculos. Lesões macroscópicas: estão ausentes (apenas se o edema for evidente) e microscópicas são inespecíficas, lesões de edema astrocitário, congestão, status espongiosus (edema de interstício), necrose laminar cortical. Lesões microscópicas podem estar ausentes em caso hiperagudo. Nas intoxicações por chumbo, ocorrem inclusões intranucleares eosinofílicas em epitélios, como renal. Pode ver pontilhado basofílico (restos de núcleo degradado) em hemácias. Intoxicação por organofosforados e carbamatos (aldicarb): Usados como inseticidas, herbicidas, inseticidas e fungicidas, chumbinho. Dois grupos: 1) ésteres de organofosforados: inibem colinesterases (degrada acetilcolina), ocorre acúmulo de acetilcolina nas sinapses, o excesso provoca esses sinais clínicos. No SNC, isso causa hiperatividade, convulsões e ansiedade; SNA parassimpático: sialorréia, lacrimejamento, micção, defecação, bradicardia e constrição pupilar. Músculos: morte por asfixia (ocorre paralisia rígida nos músculos respiratórios, causa constrição dos brônquios). 2) cresilfosfatos e fosfatos relacionados: mais difíceis de encontrar, são vistos em fluidos hidráulicos, lubrificantes, plastificantes. Causa neurotoxicidade tardia (10 a 14 dias), provocam axônio apatia distal (em neurônios sensoriais e motores) – eles se ligam ao Ca e interferem na fosforilação de proteínas do citoesqueleto, causando o acúmulo de proteínas do citoesqueleto, não são fosforiladas e degradadas. Macroscopicamente sem lesões. Microscopicamente: degeneração axonal e cromatólise central porque acaba distendendo e comprimindo os neurônios adjacentes. Toxinas bacterianas Enterotoxemia por Clostridium perfringens: causa ‘doença do rim polposo’ (fica com aspecto inchado, edemaciado). Em ovinos, provoca morte aguda em todas as idades. Clostridium perfringens do tipo D produz a toxina épsilon, que causa aumento da permeabilidade vascular e gera edema generalizado (em vários órgãos). No SN: achatamento dos giros, sulcos cerebrais rasos, congestão, dependendo do grau ruptura vascular e hemorragias difusas, e ocorre necrose liquefativa (principalmente na região de córtex), entre os locais, o mais famoso é o que ocorre no tecido renal, mas pode ocorrer no pulmão, pericárdio. (de baixo da cápsula, substância gelatinosa que é o edema). Colibacilose enterotoxêmica: Acomete muito os suínos após 1-2 semanas do desmame. É causada pela toxina Shiga IIe da E. coli enterotoxêmica. Causa lesão degenerativa da musculatura lisa das arteríolas (microangiopatia degenerativa arteriolar), essa degeneração vascular causa infartos devido a trombose vascular e com edema pelo aumento de permeabilidadevascular, associado em diversos órgãos (estômago, vesícula biliar, cólon, pulmões, efusão de cavidade torácica e peritoneal). No SNC, causa lesão bilateral simétrica (geralmente relação com doenças sistêmicas), causa edema na região mais central abaixo dos ventrículos cerebrais, atingindo corpo estriado e globo pálido, e também os núcleos subtalâmicos, e as áreas acometidas ficam cinza-amareladas e moles (malácia, devido a necrose liquefativa). Leucoencefalomalácia: ‘’intoxicação por milho mofado’’, ocorre pelo fungo Fusarium verticilloides, acomete animais alimentados com o milho mofado. Armazenamento inadequado favorece proliferação do fungo que produz a toxina fumonisina B1. A toxina fumonisina B1 causa dano vascular e causa danos à membrana celular, levando a necrose vascular (de células endoteliais) que ocorre necrose do tecido, inibem síntese de macromoléculas e DNA e intensificam o processo inflamatório estimulando macrófagos. Ocorre por volta de 2 semanas após o consumo do milho mofado. Ocorre leucoencefalomalácia (amolecimento da SB do encéfalo) essa demarcação é muito evidente, a SC pode apresentar lesões em função de edemas, porém a SB terá as lesões mais importantes. As lesões podem aparecer na forma de hemorragias na SB e em alguns locais necrose liquefativa (amarelo-acinzentado). O córtex fica edematoso, é observada leucoencefalomalácia. Pode se observar cavitação (necrose liquefativa é drenada do tecido e há cavitação). Deficiências nutricionais Polioencefalomalácia: Causada pela deficiência de tiamina e acomete ruminantes, cães e gatos. A tiamina é um aminoácido essencial importante para metabolismo de glicose no SNC. Neurônios com pouca glicose, tem que fazer glicólise anaeróbica (mesmo assim em déficit energético) têm dificuldade de transportar sódio e potássio, começa a acumular água dentro da célula, sofrem degeneração hidrópica, ocorrendo edema celular (edema citotóxico), esse edema faz aumento de volume, aumentando pressão intracraniana e necrose (devido à compressão). Causas em carnívoros: ingestão de peixes cru contendo tiaminase -enzima que degrada tiamina- (peixe cru, os mais famosos são atum, sardinha e salmão), dietas deficientes e destruição por calor (tiamina é sensível ao calor – armazenamento da ração em locais muito quentes podem desnaturar, inativar, a tiamina). Causas em ruminantes: micro-organismos produtores de tiaminases (acidez ruminal favorece a proliferação de bactérias bacilos tiamonolíticos, destroem tiamina prolifera em pH acido, ingestão de samambaia (tiaminase) e ingestão de produtos análogos de tiamina (substâncias que não tem o mesmo efeito da tiamina, mas mimetizam a molécula, competem com a tiamina). Lesões: ocorre edema cerebral – achatamento dos giros, sulcos rasos, herniações, necrose cortical, cerebelo, mesencéfalo e tálamo. Nos carnívoros, lesões são no troco encefálico; e nos ruminantes, lesões no córtex cerebral (autofluorescência – luz de Wood, 365 nm – e a principal hipótese é que ATP sintase mitocondrial de células lesadas causa fluorescência). Estatus spongiosos, rarefação de neuroplio Deficiência de Cu2+: Ataxia enzootica Ocorre em ovinos e caprinos jovens, mecanismo não muito esclarecido, → degeneração neuronal (vários sistemas enzimáticos). Também é chamado de ataxia enzoótica ou Swayback (dorso atáxico). Até os 6 meses após o nascimento é chamada de ataxia enzoótica Distúrbios bioquímicos → falência na produção de energia disfunção enzimática. Se manifesta por paresia, ataxia se deve por lesões de medula espinhal em SB. Há necrose específica de SB, em deficiências mais graves leva a hidranencefalia (tem a SC mas não há SB no cérebro, a parte que era SB fica preenchido por liquor), pode ocorrer cavitação. A necrose bilateral simétrica da substância branca, desde lobos frontais a occipitais. Acontece na febre embrionária, não haverá formação completa da substância branca. Congênita: Swayback (dorso atáxico) → Mãe não ingeriu as quantidades de cobre adequadas durante a prenhez → Membros flácidos, caem com facilidade e podem ser cegos → Lesões no cérebro, tronco e na medula - Ataxia enzoótica → até ~ 6 meses após o nascimento → Animal não ingeriu as quantidades necessárias de cobre → Atáxicos, quedas → Lesões no tronco encefálico e na medula - Macro: → Lesões cerebrocorticais bilaterais → Córtex cerebral amolecido ou colapsado → Áreas de rarefação com consistência gelatinosa ou cavidades císticas na substância branca - Micro: → Astrogliose variável • Degeneração da substância branca • Desmielinização → Necrose neuronal na substância cinzenta cortical Distúrbios na formação de mielina Mielina é depositada pelos oligodendrócitos ao redor dos axônios, serve para aumentar a velocidade da transmissão de impulso nervoso pelo axônio. Existem graus diferentes, mielina serve como capa isolante, elas fazem com que a condução nervosa seja saltatória, acelerando processo. Desmielinização pode ser parcial ou completa. Quanto maior ela for, mais lenta será a condução, ocorre perda de potencial elétrico e até interrupção de transmissão impulso. Três possibilidades: hipomielinogênese (hipomielinização): produção de quantidades insuficientes de mielina no axônio. É rara em veterinária; dismielinização: produção de mielina defeituosa, quimicamente defeituosa, rara. desmielinização: mais comum. É a perda da bainha de mielina (tinha mielina, e retira-se mielina). Pode ser classificada como primária (ocorre sem que haja lesão axonal, mas com lesão nos oligodendrócitos- é rara) ou secundária (ocorre lesão axonal e degeneração Walleriana) . Primária: é menos comum, mas pode ocorrer por intoxicações: hexaclorfeno (antisséptico), isoniazida (antibiótico/antifúngico) e cuprizone (quelante de cobre- modelo experimental). Secundária: mais comum, pode ser causada por distúrbios circulatórios e físicos do SNC, que causam compressão de axônios ou dos oligodendrócitos, e também como privação de oxigênio (causa lesão dos oligodendrócitos, quando são lesados desenrolam a bainha de mielina e expõe o axônio no ambiente), distúrbios imunomediados (como reações de hipersensibilidade do tipo IV, encefalite pós-vacinal – raiva, por exemplo, com tecido do SNC vacina era feita com cérebro de galinha, podia ter anticorpos antimielina). Cinomose também causa desmielinização (doença infecciosa): Morbilivírus (Paramyxoviridae) » Pantrópico: tecido linfoide, epitélios (GI, urinário, pele) e SNC (incluindo n. óptico e olho) » Imunossupressão cinomose: provocada por Morbilivirus, que é pantrópico (tecido linfóide, epitélios de revestimento – urinário, digestivo, pele – e SNC e medula óssea -causa imunossupressão). Esse vírus entra por via aerógena, infecta macrófagos do epitélio respiratório e tonsilas, cai na circulação e se dissemina para outros tecidos linfóides (8-9 dias, faz replicação), depois ganha circulação de novo e infecta epitélios e SNC (no SNC pode ter dois caminhos – lesão não-inflamatória e lesão inflamatória, o quadro principal é um quadro com ausência de infiltrado no tecido, neurópilo esponjoso, astrocitose, degeneração neuronal e diminuição dos oligodendrócitos, desfazendo bainha de mielina). Pode-se observar hiperqueratose, pneumonia intersticial, e inclusões de cinomose são intracitoplasmáticas eosinofílicas, e no SNC manguito perivascular de mononucleares (linfoplasmocitário). Corpúsculos de inclusão viral, cinomose, cérebro, cão. Notar os corpúsculos de inclusão eosinofílica intranuclear em astrócitos. Coloração por HE Microscopicamente, o alvéolo contêm numerosos neutrófilos (exsudato supurativo) e pneumócitos destruídos FIGURA 3-25 Inflamação Crônica, Cinomose, Cérebro, Guaxinim. Em sua forma mais simples, a inflamação crônica, como observada em algumas infecções virais, consiste de um exsudato de linfócitos com ocasionais macrófagos e plasmócitos. Em muitos tecidos, especialmente no sistema nervoso central, estas células podem apresentar um padrão de distribuição perivascular. Em determinadas espécies animais (silvestres, equinos)e doenças de certas etiologias (parasitárias, protozoóticas, virais), os exsudatos inflamatórios perivasculares crônicos podem também conter números variáveis de eosinófilos. Coloração por HE Faz uma lesão neuronal com necrose neuronal, semelhante a neurônios mortos por isquemia com corpúsculos de inclusão em astrócitos (intranucleares) Inflamação no SNC/ Encefalites Vias: hematógena; axoplasma de axônios periféricos: a mais famosa das doenças de SNC utiliza essa rota, que é a raiva; mucosa olfativa; disseminação direta da submucosa nasal para o liquor; traumatismo craniano e/ou vértebras. Alterações: leptomeningite, manguitos perivasculares: acúmulo de células inflamatórias ao redor dos vasos, esse tipo de células encontrado influencia o diagnóstico; microgliose: acúmulo da micróglia ao redor das áreas de lesão; degeneração neuronal. ganglioneurite (raiva), edema/trombose (H. somnus); necrose do SNC (pseudo-raiva) Reações são correspondentes ao agente infeccioso: supurativas: bacterianas (bactérias piogênicas); mononuclear: infiltrado constituídos por linfócitos e plasmócitos em infecções virais, protozoários e parasitas (estes também induzem reação eosinofílica); granulomatosas: fungos e bactérias, alguns casos por parasitas. Exsudato purulento aderido na base do encéfalo junto ao tronco e ao cerebelo em cérebro de macaco, indicando infecção por bactérias piogênicas (Streptococcus) Lesão: Abscessos cerebrais: São incomuns e geralmente são extensão direta de infecções de seios paranasais ou frontais ou a partir de otite do ouvido externo. Essa extensão de seios geralmente tem haver com descorna em ruminantes, sinusite se estende até o SNC e formando abscessos. Agente também pode chegar via hematógena e a infecção é mais frequente em substância cinzenta, pois ela é mais vascularizada, assim há fluxo maior de êmbolos de outros locais, atingindo o SNC. Efeito principal: efeito de massa (crescem de acordo com acumulação de exsudato e vão comprimindo as estruturas adjacentes) também pode haver infecção de ventrículos (se expandem a ponto de invadir os ventrículos cerebrais, e pode se disseminar pro resto do SN, pelo liquor, carregando a bactéria para outras localizações). Os exsudatos são purulentos e, em alguns, pode ter colorações variadas entre amarelo-esbranquiçados (Strepto, Staphylo e Corynibacterium, Arcanobacterium spp.), branco acinzentado (E coli, Klebsiella spp) ou esverdeado (Pseudomonas – migração de neutrófilos e eosinófilos). Listeriose: Listeria monocytogenes são bacilos gram positivos que penetram por via oral e faz migração por via intra-axonal (até o nervo trigemio principalmente), produz uma enzima (listeriolisina) que facilita sua sobrevivência dentro das células mononucleares e dentro das outras células e lipases e fosfolipases que causam lesão celular. Infecta células de epitélio, macrófagos, micróglia e neurônios. Acomete ruminantes, principalmente, e é uma zoonose. e pode apresentar três formas diferentes: nervosa, reprodutiva (aborto) e septicêmica (curso rápido e grave). Lesões macroscópicas são normalmente ausentes (difícil diagnóstico macroscópico), a distinção deve ser por microscopia ou por cultivo de vírus/bactéria, testes imunológicos e sorológicos. Microscopicamente, observa-se meningoencefalomielite com infiltrado mononuclear e polimorfonuclear (infiltrado misto) e microabscessos com degeneração neural.. Clinicamente é conhecida como doença do girar ou torcicolo.: inclinação da cabeça e andar em círculos Microabscessos + infiltrado misto de macrófagos e neutrófilos. A, medula oblonga Microabscessos. Note as áreas de descoloração azul pálida nesta imagem submacroscópica da medula oblonga (setas). As áreas azuis de menor definição são agregados de neutrófilos (microabscessos) e as lesões lineares azuis são manguitos perivasculares. A Listeria monocytogenes, o agente etiológico, usa o transporte axonal retrógrado através dos nervos cranianos para entrar no sistema nervoso central e se instalar na medula oblonga (tronco encefálico) e na medula espinhal cervical proximal. A lesão raramente é visível à observação macroscópica. Coloração por HE. B, Os microabscessos (setas) e a inflamação iniciais são decorrentes de mediadores inflamatórios que danificam os axônios (pontas de seta) e provocam degeneração Walleriana, aqui observada no estágio de aumento de volume eosinofílico dos axônios. Coloração por HE. C, A L. monocytogenes, que é Gram-positiva (cocobacilo azul), pode, às vezes, ser detectada em microabscessos no corte histológico corado por Gram. Coloração de Gram. Raiva: Causada pelo Rabdovirus, que é um vírus RNA. É o vírus mais neurotrópico que se conhece e caminha via axoplasma, doença letal, sem lesões macroscópicas, ocorre hiperemia de leptomeninges, mas é um sinal muito inespecífico. Microscopicamente, não é tão fácil, diagnóstico é feito por meio da observação dos corpúsculos de Negri, se observa um infiltrado mononuclear, microgliose, degeneração neuronal, e ganglioneurite trigeminal (inflamação do gânglio do nervo trigemio, coleta do nervo trigemio para diagnóstico de raiva). Os corpúsculos são corpúsculos com inclusão eosinofílicos intracitoplasmáticos aparecem em neurônios e glândula salivar (mas o que se coleta normalmente é SNC). A raiva canina é controlada e com monitoramento frequente e intenso (morcego, gatos transmitem o vírus). Também a casos de equinos e ruminantes (muito menos frequente). Nos bovinos, a raiva não tem característica comparável ao carnívoro, afeta sistema locomotor (incoordenação motora e paralisia de membros pélvicos), salivação, timpanismos nos ruminantes e paralisia de músculos respiratórios (leva a edema e aspiração de conteúdo gástrico). Penetração do vírus pela mordida, na musculatura e migração por axônios, chega no SNC e segue para as glândulas salivares. Corno de Amon (principais lesões). Após a ferida por mordedura, 1, o vírus da raiva se replica, inicialmente, no músculo (pode entrar diretamente nos nervos periféricos), 2, entra, 3, e ascende (transporte axonal retrógrado) por meio do nervo periférico, 4, até o gânglio da raiz dorsal, 5, entra na medula espinhal, 6 e ascende, 7, até o cérebro, via tratos ascendentes e descendentes de fibras nervosas, infecta as células do cérebro, chega às glândulas salivares, 8, e ao olho e é excretado pela saliva - Micro: → Infiltrado e manguito MN → Microgliose → Degeneração neuronal → Ganglioneurite trigeminal → Corpúsculos de Negri: ✓ Intracitoplasmáticos e eosinofílicos ✓ Encontrados dentro da glândula salivar e neurônios (mas nem sempre é encontrado) É necessário imuno-histoquímica para o diagnóstico. Bovino, 1 ano de idade. Sinais neurológicos por 6 dias, andar em círculos, vocalização, estrabismo bilateral e diminuição do tônus da língua. Bovino, 1 ano de idade. Sinais neurológicos por 6 dias, andar em círculos, vocalização, estrabismo bilateral e diminuição do tônus da língua. Pseudo-raiva/’Aujezsky’: Causada pelo Herpervirus suíno tipo 1, que é vírus DNA e transmitido via aerógena. É importante para suínos, mas também pode afetar outras espécies, esporadicamente, como bovinos, ovinos, cães e felinos. É uma doença que causa lesões em diversos sistemas: necrose hepática, esplênica e de adrenais. No SNC, pode não apresentar lesões, há congestão nas leptomeninges. O animal se coça excessivamente, causando lesões de pele. Microscopicamente, meningoencefalomielite não-supurativa (infiltrado mononucleares) com ganglioneurite trigeminal, necrose e degeneração neuronal e inclusões intranucleares eosinofílicas (raiva são intracitoplasmáticas) em várias células (neurônios, oligodentrocitos). Sinais: Animal com depressão, nervosismo, tremores, incoordenação, espasmos musculares. Necrose hepática difusa, lesões cutâneas. - Micro: → Meningoencefalite não-supurativa com ganglioneurite trigeminal → Necrose e degeneração neuronal → Inclusões intranucleares eosinofílicas em várias células - Depressão, nervosismo, tremores, incoordenação, espasmos muscularesCOLOCAR EM COELHO. Encefalomielite equina: Há 3 tipos de vírus – Leste, Oeste e Venezuelana (Incidência baixa no brasil). Provocado por um Togaviridae, gênero alphavirus, RNA. inoculado por mosquitos sugadores Culex spp. e Aedes spp. e a disseminação do vírus é hematógena até o SNC. Não há lesões macroscópicas especificas, observa-se edema, hiperemia, petéquias nas leptomeninges (vírus endotéliotropico, causa lesão no endotélio, causa petéquias, trombose. Gera essa vasculite, trombose e áreas necrose) encontra-se lesões na substância cinzenta (cerebro e medula espinhal), córtex, tálamo e hipotálamo (locais vascularizados). Infiltrado mononucleares, Manguitos MN, podendo ou não ter infiltrados de neutrófilos, depende da fase da doença (infiltrado pode ser mononuclear ou misto). Vasculite + trombose (hemorragias). Encefalite e Mielite Hemorrágica, Polioencefalomielite Equina Oriental, Tronco Encefálico e Medula Espinhal, Equino. A, Cérebro, corte transversal à altura do hipocampo, equino. A substância cinzenta do tronco encefálico apresenta descoloração vermelha escura a preta devido à congestão e à hemorragia. A lesão é decorrente da infecção viral, que tem afinidade por neurônios; este vírus também causa necrose vascular seguida por trombose, mas isto não é comum. B, Medula espinhal, equino. Note a descoloração vermelha a marrom da substância cinzenta nos cornos dorsais e ventrais (causada por congestão e hemorragia). A lesão é decorrente da infecção viral que tem afinidade por neurônios; porém, este vírus também pode causar necrose vascular seguida por trombose. Peste suína clássica: Também conhecida como cólera suína, provocada por Togaviridae. gênero Pestivirus, RNA. A via de infecção é oronasal e a disseminação hematógena. É um vírus endotélio trópico (provoca hemorragias, petéquias disseminadas em vários órgãos), afeta SB e SC provocando hemorragia, trombose, edema (lesão endotelial) manguitos perivasculares de linfócitos. É caracterizada por rupturas de capilares, hemorragias em vários órgãos. Elas levam a processo inflamatório. PIF (peritonite infecciosa felina): Causado por Coronavírus, gênero Coronaviridae, causa piogranulomas, não é exclusiva de SNC, entrada por via oral ou uterina, a replicação e no intestino e disseminação é hematógena. A doença se manifesta por duas formas: efusiva: serosite, ascite/hidrotórax; não-efusiva: não encontra ascite e hidrotórax. É a forma em que se vê leptomeningite piogranulomatosa (granulomas pequenos, amarelados), encefalomielite, corioependimite (inflamação do plexo coróide e epêndima). Vasculite Piogranulomatosa, Peritonite Infecciosa Felina, Gato. A, Cérebro ventral, vasculatura cerebral do círculo de Willis. A inflamação piogranulomatosa amarela-esbranquiçada distorce e obscurece os vasos sanguíneos. As lesões são atribuídas à inflamação induzida pelo vírus que tem, como alvos, as paredes vasculares (setas). O caráter da resposta inflamatória pode variar de um exsudato com acúmulo de fluido seroso e fibrina misturados a neutrófilos e histiócitos a uma reação mais piogranulomatosa, onde comumente há linfócitos e plasmócitos. A gravidade e a magnitude da lesão mostrada aqui são muito mais dramáticas do que o usual. B, Vista transversal de A. Um piogranuloma (setas) é observado principalmente no espaço subaracnoide e comprimiu o córtex cerebral adjacente. Encefalites espongiformes: As duas principais doenças são: Scrapie em ovinos e caprinos e encefalopatia espongiforme bovina. É uma doença causada por príons Prsc- proteínas scrapie, que são resistentes à degradação (como por exemplo o cozimento da carne). Há penetração dos príons através das placas de peyer no intestino e infecção de mononucleares e por via axonal, que levam essas proteínas até o SNC, onde elas infectam os neurônios pelo trânsito leucocitário. Período de incubação é muito longo (2 a 8 anos), difícil de identificar o surto e são fatais (sistema imune não detecta proteína e não faz anticorpo). Em bovinos, se manifesta por incoordenação, decúbito e morte, alterações de comportamento, postura e andar, ansiedade e medo. Em ovinos, perda de lã e prurido. Macroscopicamente, sem nenhum sinal no SNC, há emagrecimento e lesões de pele. Microscopicamente, observa-se lesões típicas, de degeneração vacuolar, simétricas e bilaterais. Essas lesões são vistas no tálamo e hipotálamo, tronco e cerebelo. Também no corpo estriado, medula espinhal. Degeneração neuronal com vacuolização (grandes vacúolos que deslocam o núcleo), astrocitose e espongiose (vacuolização celular). Vacuolização neuronal delimitada e evidente Toxoplasmose: Toxoplasma gondii, felino é o hospedeiro completo. Vários sistemas são afetados, faz necrose de SNC, com presença de infiltrado inflamatório variado, neutrófilos, mistos e de macrófagos. Ingestão de cistos (bradizoítos) ou de esporozoítos. Epitélio intestinal → linfa/sangue (tráfego leucocitário até o sistema nervoso). Chega SNC por via hematógena – infecta neurônios e astrócitos por trafego leucocitário através da linfa e do sangue, macrófagos fagocitam os bradizoítos e carregam para o SNC. Dentro do SNC causa necrose do SNC com focos muito esparsos de necrose envoltos por infiltrado mononuclear. Macroscopicamente, há hiperemia, hemorragias submeningeanas, infartos hemorrágicos (nas áreas de necrose) edema e herniações. Microscopicamente, lesões vasculares, edema e necrose do SN multifocal, microgliose, há infiltrado mononuclear, associados a lesões vasculares em outros órgãos também, como no tecido pulmonar, hepático e linfóide, e manguitos de mononucleares (macrófagos), todas as células. Às vezes próximo às áreas de necrose com cistos com bradizoítos. Dano ao SNC por ação dos macrófagos ativados Encefalites fúngicas: Criptococose Geralmente causadas por fungos oportunistas, raramente afetam animais imunocompetentes (observadas em idosos e imunossuprimidos). Só o Cryptococcus neoformans tem tropismo por SNC, transmitido por pombos e aves. Chegam por via hematógena, tráfego leucocitário, Resposta piogranulomatosa, Localmente extensa ou granulomatosa bem demarcados, Células típicas do granuloma + neutrófilos. - Meninges normais a cinza-opaco - Material mucoso viscoso (mucopolissacarídeos). - Micro: o Microrganismos encapsulados o Infiltrado MN (granuloma) o Neutrófilos e eosinófilos Granuloma gelatinoso que causa efeito de massa, deformando o tronco encefálico. Note as lesões “cavitárias” causadas por Cryptococcus neoformans (setas). Embora as lesões pareçam cavidades, são preenchidas por microrganismos, e a aparência cinza clara é causada pelas cápsulas mucinosas de numerosos microrganismos. Cryptococcus neoformans, esférico com 2 a 10 μm de diâmetro (seta), normalmente cercado por uma espessa cápsula de muco, podendo aumentar o diâmetro total até 30 μm, localização intracelular ou extracelular. Coloração por HE. Detalhe, A cápsula de muco não cora com HE, mas é visível com corante mucicarmina. O Cryptococcus neoformans geralmente induz uma inflamação granulomatosa na maioria dos animais domésticos, mas, em algumas espécies, principalmente em gatos, a inflamação é mínima ou ausente. Transmitido por pombos e aves (nas fezes), é uma zoonose. Eles chegam ao SNC por via hematógena, a infecção é aerogena, trazidos por tráfego leucocitário (dentro dos macrófagos). A resposta é piogranulomatosa (lesões bem delimitadas). Os cryptococcus são arredondados com capsula de açúcar que se cora por PAS+. lesões cinza-opaco, material mucoso viscoso (dentro dos granulomas, mucopolissacarídeos). Microscopicamente, infiltrado é mononuclear, podendo apresentar neutrófilos e eosinófilos. Há granulomas com cavitação no SNC com distribuição aleatória; O fungo causa leptomeningite e pode penetrar no parênquima do SNC. Neoplasias do SNC Das células neuronais: meduloblastoma: afeta cães, bovinos, felinos e suínos, predileção por animais jovens. São tumores bem delimitados e causam hidrocefalia (invadem 4º ventrículo e impedem o fluxo de líquor, que se acumula no 2º e 3º ventrículos).Tumor escuro, acinzentado. Como ocorre no jovem, a tendência é o crânio aumentar de tamanho, mimetizando hidrocefalia congênita. Fazem metástases frequentes pelo líquido cefalorraquidiano para outros locais do SNC. Metástases podem ocorrer por meio do líquor. Causa aumento de pressão intracraniana. das células da neuroglia: astrocitomas: classificados em difusos, anaplásicos e glioblastomas multiformes (mais agressivos). Afeta cães (braquicefálicos (Boxer, Boston Terrier), 5-11 anos), felinos e bovinos. Os mais comuns em animais são os dois primeiros, que não são invasivos nem metastáticos. Causa compressão das partes “normais”. Astrocitoma Lobo piriforme, hemisférios cerebrais, tálamo, hipotálamo, mesencéfalo, cerebelo, medula espinhal (SB&SC) Canina, felina, bovina Massa mal demarcada, firme e brancaacinzentada quando o tumor é bem diferenciado; as neoplasias anaplásicas são moderadamente bem-demarcadas, macias e friáveis (geralmente com áreas de necrose, hemorragia, edema e cavitação) Deformidade das estruturas adjacentes Astrocitoma, Cérebro, Corte Transversal à Altura do Tálamo, Cão. A área ventromedial profunda (tálamo/hipotálamo) do hemisfério direito (setas) contém uma massa expansível, mal demarcada e não encapsulada, que é uma lesão que ocupa espaço após deslocar a linha média à esquerda e comprimir o ventrículo lateral direito. O ventrículo lateral esquerdo apresenta dilatação branda, provavelmente devido à compressão do forâmen interventricular oligodendroma: acomete cães braquicefálicos de 5 a 11 anos. Há relatos em felinos e bovinos. A neoplasia rompe superfície ventricular e meninges. São tumores que expandem rapidamente, relativamente agressivos. Também fazem disseminação pelo líquor, mas são bem demarcados (mais que astrocitomas). ependimomas: são raros, ocorrem em cães (braquicefálicos principalmente), crescimento é expansivo e invasivo (não delimitado) e surgem nos ventrículos laterais, terceiro e quarto. Também fazem metástases via líquor. Ependimomas podem invadir seios nasais. do plexo coroide: papiloma e carcinoma: acomete cães, sem predileção por raça e entre 5 e 13 anos. Papilomas são bem demarcados e expansivos. Surgem no 4º ventrículo (onde fica o plexo croide), mas também se extendem ao 3º ventrículo e provoca hidrocefalia não-comunicante. dos tecidos mesodérmicos: meningioma: Meningioma, Cérebro, Gato. A, Há uma massa (setas) na superfície do córtex parietal direito que comprimiu e distorceu o parênquima adjacente. É uma lesão que ocupa espaço após deslocar a linha média (fissura longitudinal cerebral) para a esquerda. B, Corte transversal à altura do hipocampo do cérebro mostrado em A. O tumor comprimiu o hemisfério cerebral direito, fazendo com que a linha média fosse deslocada para a esquerda, com compressão do hemisfério cerebral esquerdo. O meningioma não invade o cérebro e pode estar “encapsulado” à necropsia ou cirurgia. (Cortesia de College of Veterinary Medicine, University of Illinois.) Microscopicamente, diversos padrões de células neoplásicas podem ser observados e mais de um padrão pode estar presente no neoplasma. Com base em suas características citomorfológicas, a maioria destes tumores pode ser dividida nos seguintes subtipos: (1) transicional; (2) meningotelial; (3) psammomatoso; (4) fibroso; (5) atípico; ou (6) maligno. O mais comum, benignos, animais mais velhos, são bem delimitados, solitários e de crescimento expansivo (Como o sistema nervoso é muito frágil , qualquer alteração de volume provoca consequências graves. Essa compressão causa lesões necróticas, infarto). Normalmente, os meningiomas surgem da área basal do cérebro, mas também podem surgir dos territórios do cerebelo e foice cerebral (mesmo benignos, são expansivos e comprimem outras estruturas). O acometimento das meninges da medula espinhal não é comum. Os meningiomas são originários da camada de células da aracnoide, que está na superfície externa da membrana aracnoide. Estas células revestem a superfície da camada aracnoide oposta à camada superficial da dura-máter e, assim, estes tumores se projetam no espaço subdural, comprimindo ou invadindo, geralmente, o parênquima subjacente ao SNC. Cirurgicamente são fáceis de serem removidos, mas eles são reicidivantes. Neoplasias metastáticas: osteomas, condromas e osteocondromas de ossos do crânio, são benignas, porém tem efeitos deletérios por conta de compressão; osteossarcomas; fibrossarcomas intracranianos (originários de meninge também); melanoma maligno; linfossarcomas; carcinomas de seio e cavidade nasal; hemangiossarcomas; tumores mamários. Edema X Hidrocefalia ### Hidrocefalia **Definição**: Hidrocefalia é um processo progressivo caracterizado pelo acúmulo de líquido cerebrospinal (LCR) nos ventrículos cerebrais ou no espaço subaracnóide. **Causas**: - **Congênitas**: Com maior incidência em raças braquicefálicas e cães pequenos (toy). - **Adquiridas**: Causadas por obstruções no fluxo de líquor devido a inflamações, neoplasias ou coleastomas (depósitos de colesterol que calcificam e comprimem os ventrículos). **Mecanismo**: - O espaço subaracnóide é limitado pelas meninges, enquanto os ventrículos são revestidos por células ependimárias. - Na hidrocefalia, a obstrução do fluxo de líquor no sistema nervoso central (SNC) leva ao acúmulo progressivo de líquido, aumentando a pressão interna. **Tipos**: 1. **Hidrocefalia Não Comunicante**: Ocorre apenas nos ventrículos. 2. **Hidrocefalia Comunicante**: Pode envolver tanto os ventrículos quanto o espaço subaracnóide. 3. **Hidrocefalia Ex-vácuo**: Não é uma verdadeira hidrocefalia. Ocorre quando o líquor preenche o espaço deixado pela perda de massa encefálica, como uma forma de reparo. **Efeitos em Animais Jovens**: O acúmulo de líquor pode causar expansão cerebral e deformação craniana. Se o cérebro aumentar de tamanho significativamente, o SNC pode herniar devido à restrição de espaço dentro do crânio. ### Edema Cerebral **Tipos de Edema**: 1. **Edema Vasogênico**: - **Definição**: Ocorre devido ao aumento da permeabilidade vascular, geralmente após uma lesão ou processo inflamatório. - **Mecanismo**: As células endoteliais se afastam, aumentando a permeabilidade vascular e rompendo a barreira hematoencefálica. Isso permite a passagem de substâncias da corrente sanguínea para o SNC. - **Microscopia**: Dilatação do espaço de Virchow-Robin, inicialmente preenchido por água e, posteriormente, por leucócitos. 2. **Edema Citotóxico**: - **Definição**: Caracterizado pelo acúmulo de líquido dentro das células, geralmente após isquemia prolongada. - **Mecanismo**: As células (neurônios, astrócitos, oligodendrócitos) incham devido à degeneração hidrópica, aumentando o volume do tecido e prejudicando o funcionamento do SNC. - **Microscopia**: Neurônios edemaciados com núcleo deslocado, dando ao tecido um aspecto esponjoso com vários vacúolos. 3. **Edema Hidrostático (Intersticial)**: - **Definição**: Ocorre no espaço intersticial devido ao aumento da pressão intersticial, geralmente associado à hidrocefalia. - **Mecanismo**: O fluxo de líquor e líquido intersticial através do espaço de Virchow, neurópilos, células ependimárias e astrócitos é comprometido, causando extravasamento de líquido para o tecido e aumento do volume tecidual. - **Características**: Não inflamatório nem celular. 4. **Edema Osmótico**: - **Definição**: Causado por hidratação venosa excessiva ou ingestão excessiva de água, levando ao aumento da pressão hidrostática intravascular. - **Mecanismo**: Pode ser desencadeado por secreção alterada de ADH (por neoplasia), congelamento ou privação de água seguida por ingestão rápida e em grande quantidade. ### Sequelas do Edema Cerebral - **Compressão do SNC**: Como o crânio é fechado, o aumento do volume tecidual causa compressão do SNC contra o crânio. - **Achatamento dos Giros Cerebrais**: Os sulcos ficam rasos. - **Herniação e Conificação do Cerebelo**: O cerebelo é forçado em direção ao forame magno. - **Necrose e Hemorragia**: Tecidocomprimido pode sofrer necrose e hemorragia, especialmente na região do quiasma óptico e na área de herniação do cerebelo. ### Diferença entre Edema e Hidrocefalia - **Edema Cerebral**: Acúmulo de líquido nos tecidos cerebrais, causando aumento do volume tecidual e compressão do SNC. Pode ser vasogênico, citotóxico, hidrostático ou osmótico. - **Hidrocefalia**: Acúmulo de LCR nos ventrículos ou espaço subaracnóide devido a obstrução do fluxo de líquor, levando ao aumento da pressão intracraniana e expansão dos ventrículos.de Ig → Hereditária Shar-pei e gato abissínio - Raramente causa esplenomegalia → apresenta regiões que lembram a bolinha de sagu no parênquima de cor bege e laranja - Amiloide acumula nos folículos (polpa branca - PB) - Pequenos: próximo de 2 mm Hemossiderose: anemias hemolíticas- está destruindo muito a hemácia e hemocromatose- excesso de hemossiderina no baço, dificuldade de processar ferro. Ferro em excesso está associado a desenvolvimento de câncer e infecções. O ferro livre é tóxico para as células porque catalisa a formação de ROS por meio da reação de Fenton. Porém, a ferritina, uma proteína globular de armazenamento de ferro, presente em todos os tecidos e, principalmente, no fígado, no baço e na medula óssea, se liga ao ferro livre e o armazena em uma forma não tóxica para ser usado pela célula. A ferritina é uma proteína principalmente intracelular, mas as concentrações séricas são correlacionadas com os depósitos de ferro. Os acúmulos de ferritina ligada ao ferro, em especial em macrófagos, são convertidos em grânulos castanho-dourados de hemossiderina Ou seja, O armazenamento excessivo ocorre por: → Diminuição da eritropoiese → Rápida destruição de hemácias (anemia hemolítica ou imunomediada ou parasitária) → Hemorragia ou trauma local (hematoma) - Também pode ocorrer a formação de placas sideróticas → Ocorre em cães idosos → Incrustações branco-acinzentadas ou amareladas, firmes e secas sobre a cápsula esplênica → Pelo HE: ✓ Amarelo: bilirrubina ✓Marrom-dourado: hemossiderina ✓ Azul: Ca corado por hematoxilina Alterações de posicionamento Nos carnívoros é salto na cavidade, preso ao epiplon e ligamento gastroesplênico, com alta mobilidade, no ruminante é firmemente aderido. Durante a torção gástrica o órgão acompanha, leva a torção esplênica, gera congestão e infarto hemorrágico do órgão inteiro (fecha a veia e a artéria esplênica fica aberta). Ruptura esplênica: importante principalmente em pequenos animais e ocorre por colisões, traumas. É importante devido ao sangramento, acumula bastante sangue, oferece uma hemorragia bastante volumosa, podendo causar choque hipovolêmico. Baços com esplenomegalia (tamanho aumentado) são sujeitos a ruptura com maior facilidade, pois a cápsula fica mais tensa. Quando o órgão se rompe, parte de suas células podem se espalhar pela cavidade abdominal e podem se implantar em um momento, e formar pequenos baços acessórios. Tem tecido conjuntivo na borda, grudado na parte de cima. - Ruptura por trauma, hematoma e neoplasias o Completa: cápsula → perda de sangue (+ grave, pois o sangue se rompe na cavidade) o Incompleta: apenas na polpa vermelha - Se não fatal: o Cicatrização → união o Baços acessórios A ruptura esplênica é frequentemente causada por trauma, como acidentes automotivos ou coices de outros animais. A cápsula do baço, que pode estar adelgaçada devido à esplenomegalia, torna o órgão mais suscetível à ruptura, especialmente em áreas com infartos prévios, hematomas, hemangiossarcomas e linfoma. Nas fases agudas da ruptura da cápsula esplênica, o baço se contrai e perde grande quantidade de sangue, resultando em uma superfície encolhida e seca. Em casos mais severos, o baço pode se romper em múltiplas partes menores, com pedaços do tecido esplênico espalhados pelo omento e peritônio, um fenômeno conhecido como esplenose. Os locais de ruptura frequentemente apresentam coágulos sanguíneos, fibrina e omento aderidos às suas superfícies. Se a ruptura não é fatal, o baço pode passar por cicatrização fibrosa, deixando uma cicatriz capsular. Às vezes, partes separadas do baço podem permanecer adjacentes umas às outras, unidas por tecido cicatricial ao ligamento gastroesplênico. A função dos pequenos baços acessórios formados dessa maneira é incerta, embora possam apresentar características como eritrofagocitose, hemossiderose, nódulos hiperplásicos, hematopoese extramedular e até mesmo neoplasias. É crucial diferenciar os baços acessórios formados por ruptura traumática da disseminação peritoneal de hemangiossarcoma e do desenvolvimento anômalo de coristomas esplênicos, que são nódulos de tecido esplênico normal encontrados em locais anatômicos atípicos, como fígado e pâncrea 1° baço em cicatrização Esplenomegalia: Aumento de volume/esplenomegalia: A esplenomegalia é o aumento do tamanho do baço, podendo ser difusa sangrenta, difusa firme ou nodular. Esse aumento de volume pode ser causado por diferentes condições, como congestão, hiperemia aguda, anemia hemolítica aguda, proliferação celular, armazenamento de substâncias, entre outros. Torção e Vôlvulo: Esplenomegalia difusa sangrenta por congestão. geralmente ocorre junto com o vólvulo gástrico e é comum em espécies que apresentam dilatação gástrica aguda com mais frequência (suínos, cães, humanos e menos frequente em equinos). Os grandes vasos esplênicos são paralelos, fecha a veia, ocasionando preenchimento dos seios e sinusóides e infarto vermelho, ocupando o órgão inteiro. Baço fica do lado esquerdo, quando há torção do estômago ele vai para região medial ou direita, além disso, cápsula fica bem esticada e a borda arredondada.somente o baço vira devido a uma frouxidão do ligamento gastroesplênico → mais comum em cães e suínos Ligação frouxa do ligamento gastroesplênico que permite que o baço rotacione - Torção provoca oclusão das veias (congestão esplênica) + oclusão da artéria (infarto) a veia oclui mais fácil, pois sua parede é mais fina que a da artéria e menos muscular. Assim, a força para torcer e ocluir uma artéria deve ser maior do que para ocluir as veias. Dependendo do nível da torção, a oclusão de veias e artérias ocorre em conjunto. - Aumento uniforme de volume - Coloração: vermelha escura a azul-escura (cianose) Em cães, o baço está aumentado uniformemente e acentuadamente e pode estar azul escuro pela cianose. Geralmente ele está dobrado por cima de si mesmo (superfície visceral para superfície visceral) no formato da letra “C”. O tratamento para esta condição mais frequentemente é a esplenectomia. Baço após torção em formato de C e congesto, num vermelho bem escuro, bordos arredondados, o Ligamento bem congesto também. OBS: esplenectomia: em alguns casos, pode ocorrer a ruptura do baço, gerando hemorragia interna e, por isso, precisamos retirar o baço. Alterações circulatórias Hiperemia: A septicemia aguda pode causar hiperemia e congestão agudas nas zonas marginais e polpa vermelha do baço. Os microrganismos são transportados pelo sangue para essas áreas, onde são rapidamente fagocitados por macrófagos. Elevados números de bactérias intravenosas podem ser removidos pelo baço em 20 a 30 minutos, mas se esse mecanismo de defesa estiver suprimido, o resultado geralmente é fatal. A resposta do baço varia conforme a duração da doença. Em casos agudamente fatais, como antraz e salmonelose fulminante, a distensão pelo sangue pode ser o único achado macroscópico. Se o animal sobrevive por mais tempo, como na erisipela suína e formas menos virulentas de salmonelose, há tempo suficiente para a acumulação de neutrófilos e macrófagos nos seios marginais, zonas marginais e espaços vasculares da polpa vermelha do baço. Em situações de intoxicações sistêmicas, por toxinas bacterianas em quadro de toxemia e septicemias. Onde a atividade do baço vai ser maior. Esplenomegalia difusa sangrenta por hiperemia aguda - Septicemias agudas - Via hematogênica → chega grande quantidade de microorganismos→ captura em excesso por macrófagos → hiperemia ativa/congestão aguda- antraz, salmonelose, pois o órgão entumece por estar chegando mais sangue para retirar o microrganismo da corrente sanguínea → necrose e inflamação - Maior acometimento das zonas marginais e dos cordões esplênicos (ricos em macrófagos) OBS: o sangue passa primeiro pela zona marginal e depois para os cordões esplênicos. - Infiltraçãopor neutrófilos - Se a ação dos neutrófilos não for suficiente, ocorre a formação de granulomas Hiperemia da região da zona marginal com extravasamento de sangue e infiltração neutrofílica D: presença do bacilo - Carbúnculo hemático (observação na necrópsia) → não necropsiar se tiver suspeita, pois a bactéria esporula e contamina o ambiente, sendo muito resistente - Salmonelose fulminante - Erisipela suína Congestão: Esplenomegalia Difusa sangrenta processo mais passivo, o sangue vai estar acumulando dentro dos sinusóides, vai ser observado em quadros de anemias hemolíticas diversas causas como parasitárias (babesiose), quadros autoimunes. Pode ocorrer por ação de barbitúricos (eutanásia – indução de anestesia), que causam vasodilatação esplênica, causando acumulo de sangue. Pode ser aguda (órgão congesto drena muito sangue ao corte – baço da torção gástrica e por barbitúricos) ou crônica (como em anemias, não drena tanto sangue, por ter maior quantidade de tecido fibroso, fluxo de hemácias fica mais limitado). Aspecto úmido na superfície. » Esplenomegalia difusa sangrenta por congestão passiva aguda no baço atrelada ao uso de barbitúricos - Ao relaxar o músculo liso da cápsula e das trabéculas, há permissão para que o órgão fique aumentado em tamanho e demora mais para o fluxo de sangue ser trocado, devido ao relaxamento da musculatura lisa da cápsula e trabéculas - Escorre sangue ao corte - Cápsula distendida fica mais frágil - Há distensão da polpa vermelha por eritrócitos - Ocorre em suínos após a eletrocussão - Mais comum em equinos e cães Congestão Esplênica por Eutanásia por Barbitúricos, Equino. Baço de equino com coloração mais escura e bordos arredondados. Cão após uso de barbitúrico: aumento da polpa vermelha, fazendo com que haja acúmulo de sangue e afastamento dos nódulos esplênicos, dando a impressão que há uma menor quantidade de nódulos. Um folículo esplênico da polpa branca está presente no canto inferior direito Hematomas: Esplenomegalia Nodular sangrenta: comuns, principalmente por traumas mecânicos (localizados). Geralmente são subcapsulares, diferenciação com neoplasias (principalmente hemangioma e hemangiossarcoma). Origem desconhecida do hematoma - Pode ser provocado por trauma, induzido por hiperplasia nodular ou neoplasia - Sangramento na polpa vermelha → cápsula protegendo → massa vermelho-escura, saliente, macia - Coagulação e degradação → macrófagos → eritrofagocitose (bilirrubina e hemossiderina) → cicatrização do hematoma Hematoma em baço protegido pela cápsula com consistência macia Corte histológico de hematoma → os macrófagos fagocitam as hemácias e ocorre a formação dos pigmentos (bilirrubina no caso da foto, pois está amarelado) Ruptura do hematoma → hemoperitônio → choque → morte . Os hematomas o sangue será coagulado, e nas neoplasias possuem vasos sanguíneos neoplásicos (arquiteturas mais arrumadas são os hemangiomas, o outro é desorganizado, nesse pode estar coagulado). A macroscópica é difícil diferenciar as duas neoplasias (se for lesões múltiplas – hemangiossarcomas). O hematoma induz uma resposta inflamatória crônica (macrófagos parte das bordas, e onde passam estimulam fibrose). Infartos: Esplenomegalia nodular sangrenta por infarto Possui um limite da extremidade geralmente provocado por trombose e embolia. Na região subcapsular. A embolia pode ocorrer a partir da reticulite traumática em bovinos, causando abscessos esplênicos, as colônias de bactérias saem de outros locais e se depositam em vasos esplênicos; pode obstruções vasculares devido a linfoma e neoplasias metastáticas (substâncias trombogênicas, como tromboplastina). pode ser por: → Teileriose bovina → Hipercoagulabilidade (Anemia Hemolítica Imunomediada - AHIM) → Peste suína clássica Hemorrágicos → congestão local → distensão da cápsula → branco-acinzentado → cicatriz Tromboêmbolos a partir de endocardite bacteriana (lesões em polo, e tem uma delimitação marcante). Inflamação – esplenite Esplenomegalia nodular firme por abscessos - Doenças infecciosas agudas - Esplenite multifocal supurativa - Raras - Relacionada à → Septicemia/bacteremia por: ✓ Streptococcus spp. ✓ Rhodococcus equi ✓ Arcanobacterium pyogenes ✓ Corynebacterium pseudotuberculosis Trueperella Vão se manifestar por acúmulo de neutrófilos que podem aparecer na zona do manto e ao redor dos seios esplênicos. Neutrófilos não são comuns dentro do parênquima, então o aumento de neutrófilos é considerado esplenite. Ocorre geralmente por septicemia. Os microrganismos chegam pela corrente sanguínea, o sistema fagocítico mononuclear, presente principalmente na polpa vermelha, fagocita esses microrganismos. Se os microrganismos não morrerem, eles se replicam e promovem abscessos, que variam quanto à cor (branco a amarelado), ao tamanho e à consistência. Com o tempo, os microrganismos tendem a se encapsular no abcesso. Se observa uma hiperemia esplênica, hiperplasia de polpa branca com aumento do número de linfócitos maduros, e linfocitose no centro germinativo (estado de estimulação de linfócitos agudo vai ter uma menor celularidade dos centros germinativos), podem ser encontrados abscessos, no caso de bactérias piogenicas (Actinomyces pyogenes, por exemplo). rodococose equi- causa problema reprodutivo, pneumonias granulomatosas, causa enterite. » Esplenomegalia nodular firme por granulomas - Doenças infecciosas crônicas- doenças granulomatosas difusas - Focais ou múltiplos - Relacionado com: → Brucella abortus → Mycobacterium bovis → Circovírus suíno tipo 2 → Blastomicose → Histoplasmose → Criptococose → Coccidioidomicose → Esporitricose Franciseella Nódulos ao longo de todo o baço (multifocal) OBS: o difuso é entremeado no parênquima ≠ multifocal no qual os nódulos se distribuem em diversas porções do órgão Cão: Histoplasmose – substituição da polpa vermelha por infiltração granulomatosa difusa Vemos aumento de volume e formação de granulomas ao longo do parênquima esplênico Hiperplasia esplênica Hiperplasia nodular: Esplenomegalia nodular firme por hiperplasia relativamente comum em cães, forma nódulos geralmente em um dos polos do órgão de até 2 cm geralmente, são acinzentados (predominância de tecido linfóide e não de polpa vermelha) - Células que sofrem hiperplasia são: linfócitos ou linfócitos + células eritróides, mieloides e megacariócitos - Único nódulo ou múltiplos nódulos. - Sem efeito deletério de forma geral → Exceto se interferir na drenagem → hematoma → ruptura e observa-se protusão ao corte (quando corta a cápsula, parece que retrai e o parênquima protui, pois alivia a pressão da cápsula quando corta). Eles devem ser diferenciados de plasmocitomas, que podem ter 3 apresentações – cutânea (benigna), esplênicos (nódulos únicos, sem causar problemas), mieloma múltiplo (neoplasia maligna, acomete órgão linfóides e outros tecidos). Lesão típica é um nódulo na extremidade do baço, delimitado e circunscrito, pode aparecer de cores variadas. Também podem ser confundidos com hematomas, quando a coloração não é acinzentada, tamanho diferente. Baço com nódulos hiperplásicos que podem se romper, pois sua cápsula está mais delgada por conta da hiperplasia Hiperplasia Esplênica Nodular Linfoide (Simples). A, Hiperplasia nodular, baço, cão. B, O nódulo bem demarcado (canto inferior direito da imagem) é composto por folículos linfoides hiperplásicos, e o tecido no centro está congesto. Coloração por HE. Hematopoiese extramedular (hiperplasia de polpa vermelha): produzindo células eritrocíticas (hemácias), mielóides (neutrófilos) e linhagem megacariocítica (plaquetas). Ocorre em anemias hemolíticas de eritrócitos, e hiperplasia mielóide em casos de piometra (a medula não dá conta da demanda, precisa produzir maior quantidade). Vários nódulos. Piometra pode causar colônia formadoras de neutrófilos. A hematopoiese extramedular(HEM) é o processo de produção de células sanguíneas fora da medula óssea. Isso pode acontecer em vários tecidos do corpo, comumente no baço. As células sanguíneas precursoras têm a capacidade de migrar para esses locais e amadurecer em células sanguíneas maduras, quando necessário, principalmente em resposta a estímulos como substâncias que promovem o crescimento celular e alterações no ambiente celular. No baço, as células precursoras de células sanguíneas são encontradas em espaços especiais perto dos vasos sanguíneos, formando um ambiente propício para seu desenvolvimento, especialmente na polpa vermelha. A HEM pode ocorrer em diferentes graus em diferentes espécies de animais, e suas causas podem ser relacionadas a falhas na medula óssea, estímulos excessivos para produção de células sanguíneas, inflamação, lesão e reparo de tecidos, ou produção anormal de certas substâncias. Em muitos casos, a HEM pode ser observada mesmo em animais sem problemas sanguíneos óbvios, especialmente relacionados a inflamação e lesão tecidual. Em cães e gatos, é mais comum em condições como hiperplasia nodular linfóide, hematomas, trombos, inflamação e neoplasias. Pode ocorrer em múltiplos tecidos em condições crônicas como doenças cardiovasculares, respiratórias, anemia crônica ou infecções persistentes, onde há uma demanda aumentada por células sanguíneas que a medula óssea não consegue suprir adequadamente. - Achado acidental – normal no baço de cães - Linhagens → eritroide (eritrócitos), mieloide (leucócitos) e magacariocítica (plaquetas): → Anemia crônica (falta de oxigênio) → Doenças respiratória crônica (falta de oxigênio) → Doença cardiovascular crônica (falta de oxigênio) → Doenças bacterianas supurativas – piometra (neutrófilos) → o acúmulo de pus dentro do útero provoca recrutamento de neutrófilos e o sangue é uma forma de levar os neutrófilos da medula óssea para o útero. Se a medula não está dando conta de atender essa necessidade, outros órgãos, como o baço, são recrutados a produzir neutrófilos. Hiperplasia linfóide (hiperplasia de polpa branca): ocorre em estados hiperimunes, com necessidade de produção de linfócitos, observa-se o aumento dos folículos linfóides, com números de células maiores nos centros germinativos. Parece sagu também. A hiperplasia nodular linfóide (ou simples) consiste de uma massa focal bem demarcada composta de agregados coalescentes de linfócitos. Os linfócitos podem formar estruturas foliculares com centros germinativos e/ou consistem de uma mistura de linfócitos, com características morfológicas de células da zona do manto e zona marginal. O tecido acometido geralmente está congesto e pode conter plasmócitos, mas o estroma não é observado ( A clonalidade pode ser avaliada através da análise dos linfócitos em busca de rearranjos dos receptores dos linfócitos T ou B, com o emprego da reação de cadeia de polimerase (PCR). Se toda a população linfocítica possuir um único rearranjo, a proliferação é clonal e mais provavelmente neoplásica. Inversamente, se cada linfócito possuir um rearranjo de receptores diferente, isso indica uma proliferação policlonal, que é mais consistente com a hiperplasia linfoide. Neoplasias esplênicas Hemangiomas/hemangiossarcomas: Esplenomegalia nodular sangrenta por neoplasias geralmente ocorrem em cães idosos de raças grandes. O principal problema é a ruptura, que provoca hemorragia, levando a choque hipovolêmico. Tumores muito vascularizados com parede pouco desenvolvida e rompem facilmente (com trauma ou espontâneo), causa hemorragia interna e hemoperitoneo. Hemangiossarcomas geralmente são lesões múltiplas, podem fazer implantes no epíplon e outros órgãos, → Múltiplo → Metástase (fígado/peritônio/pulmão) → Hemorragia associada → Cápsula fina e brilhante Hemangioma é um nódulo único, sem metástase, se diferenciar de hematoma, diferenciar por histologia, hemangioma proliferação vascular e hematoma sangue coagulado. Cão com hemangiossarcoma Presença de nódulos vermelhos Hemangiossarcoma Linfangioma/linfangiossarcoma: vasos linfáticos. Mais raro. Linfossarcoma (linfomas): Esplenomegalia nodular firme por neoplasias em bovinos, pode ocorrer na forma de enzoótica ou esporádica em animais juvenis (bov mais frequente na leucose enzoótica relacionados ao vírus de leucemia bovina), e em cães, gatos e equinos são mais frequentes. Principal critério de classificação é a monotonia da predominância de tipo celular– em órgão linfóide tem predominância de linfócitos maduras, e em menor quantidade de blastos e intermediárias. Com predominância de população de linfócitos imaturos, sugerem neoplasia linfóide. Também podem aparecer na forma difusa. Cão, linfoma nodular Nódulos elevados, branco-amarelados, multifocais a coalescentes Metastáticas: baço é alvo de metástases, principalmente sarcomas, que se disseminam pela circulação sanguínea, enquanto carcinomas vão pela circulação linfática (mais frequente ir para linfonodos). Melanomas também fazem metástases. Hemangiossarcoma é vascularizado, drena sangue, pela coloração esbranquiçada pensar em linfoma. Linfoma citologicamente tem um aspecto monótono com poucas células maduras. Carcinoma metastático em bovino firme ao corte e limitado pela cápsula. Aula 2- Linfonodos Estão presentes no cão, por exemplo, ao redor do 35-38º dia de gestação são colonizados por células linfocíticas entre 52-53 dias, no feto, são responsáveis por fazer mielopoiese (todos leucócitos exceto linfocitos, neutrófilos, eosinófilos, macrófagos, basófilos, eritrócitos e plaquetas) e, após nascimento, fazem linfopoiese (linfócitos). São órgãos que fazem drenagem, de linfa e drenam órgãos em contato com o ambiente (mucosas, trato digestivo, respiratório, sistema urinário, pele). Além dos linfonodos tradicionais, há outros tecidos linfóides, que possuem função parecida: MALT (tecido linfóide associado às mucosas), GALT (tecido associado ao intestino), e BALT (associado aos brônquios). Cérebro é desprovido de drenagem linfática, não há circulação linfática drenando a linfa, o líquido interstício é misturado ao líquor. A microcirculação é relacionada à função: linfáticos: aferentes entram pela região cortical e os linfáticos eferentes saem pelo hilo. No suíno, é invertido; vasos sanguíneos entram e saem pelo hilo. Histopatologia do linfonodo: neutrófilos na região medular significa que há drenagem de neutrófilos que vem pela linfa de um lugar infectado, quando tem neutrófilos na região cortical, uma infecção chegou pelo sangue e está acometendo o córtex (linfadenite). Tem cápsula de tecido conjuntivo, seio bastante delgado, trabéculas finas de tecido conjuntivo emitidas pela cápsula, folículos linfóides na região cortical (cada um tem centro germinativo mais claro, com linfócitos jovens e zona de linfócitos maduros – são poucos e não muito fáceis de delimitar, se for fácil, está em hiperplasia), região paracortical (predominam linfócitos tipo T) e região medular composta por cordões medulares cheios de células mononucleares (plasmócitos e linfócitos) e seios medulares (espaços entre os cordões, são constituídos por macrófagos e células reticulares). Seios subcapsulares são um dos principais compartimentos a serem observados na histologia, pois é o primeiro local onde a linfa chega – geralmente são pouco visíveis, se estiverem, linfonodo está drenando grande quantidade de linfa. Além da linfa, pode-se encontrar células inflamatórias provenientes da área drenada. Na região paracortical, tem que visualizar vênulas de endotélio alto – entrada e saída de linfócitos do linfonodo. Linfonodo tem 3 compartimentos: intravascular (circulação dos linfócitos), intra linfático (recebimento de antígenos) e intersticial (processamento de antígenos, células dendríticas apresentam antígenos aos linfócitos). Principais alterações Aumento de volume: cápsula finae lisa, seio periférico comprimido (aumenta a massa celular, diminui o espaço entre a cápsula e o córtex). Podem estar aumentados por: inflamação do linfonodo, drenagem de um local inflamado, obstrução do linfático, neoplasia (do linfonodo ou metastático). Diminuição do volume: difícil diagnóstico (normal é não palpar a maioria, precisa de histologia), cápsula mais espessa, ondulada e seios periféricos estarão abertos Inflamação crônica: cápsula mais grossa (estimula de fibrose), trabéculas e tec conjuntivo espessas (fibrose). Em inflamações proliferativas os linfonodos podem estar aumentados também, e consistência mais firme. Compartimentos: aumento da folicular (aumento do tamanho e número de folículos linfóides), paracortical (aumento de paracortex, estimulação para produção de linfócitos T, folículos e medular é redução por compressão), medular (aumento por apresentação de antígenos e presença de macrófagos) e sinusal (aumento pode ser por drenagem excessiva de linfa). 3 compartimentos: intravascular- circulação de Lys, intra linfático- recebimento de Ags e Reações à injúria Centro germinativo: aumento do centro germinativo, por aumento da produção de células linfóides, hiperplasia linfóide. Essa hiperplasia gera aumento tanto do tamanho dos folículos como do número, podendo ocupar a região medular também em casos mais intensos. Centros germinativos recebem antígenos que chegam por duas vias – os que foram fagocitados por macrófagos nos seios ou chegam via sangue (estimulam primeiro a região cortical). Causas principais: bactérias, vírus, e complexos auto imunes. Cordões medulares: aumentados de volume em atividades mais crônicas, relacionados a produção de anticorpos (imunoglobulinas) com predominância de plasmócitos. Diferenciar plasmocitose de neoplasia de plasmócito (plasmocitoma). Possui 3 tipos – plasmocitomas solitários (cutâneos ou esplênicos), os plasmocitomas que se comportam como linfomas (aumentam os linfonodos) e os plasmocitomas múltiplos (mais agressivos). na maioria das vezes, diferenciação por morfologia celular é difícil. Quando há só reação à injúria, arquitetura do cordão se mantém preservado, como cordão, respeita os limites; já na neoplasia, arquitetura não é preservada. Paracórtex: ocorre expansão, predomínio de linfócitos pequenos, e maior número de vênulas de endotélio alto. Pode-se observar aumento do número de blastos. Fase inicial – proliferação de células imaturas, em uma estimulação mais crônica, estimula células pequenas. Vírus e neoplasia geralmente induzem respostas do tipo T- linfócitos citotóxicos e helpper. Seios subcapsulares, trabeculares e medulares: os primeiros a reagir. A primeira reação é aumento no número de macrófagos nos seios (histiocitose, macrófagos do linfonodo são chamados de histiócitos) a histiocitose sinusal ocorre quando antígenos são drenados para outras regiões, em drenagem de áreas inflamadas e necróticas, e drenagem de neoplasias (não necessariamente com célula neoplásica presente no seio, pode estar drenando só a linfa da neoplasia, que já contém substâncias inflamatórias, restos celulares). Histiocitose Sinusal aparece toda vez que drena. Distúrbios degenerativos Atrofia: enil: “fáscia edematosa” ocorre em situações debilitantes/caquéticas e idosos. No envelhecimento a cápsula está mais gelatinosa e turva, e na caquexia uma cápsula um pouco mais espessa. Linfonodos pequenos, com região medular em coloração marrom-escura (lipofuscinose). Hemorragias: Cortical ou medular. Origem: muito provavelmente são drenadas de outros locais linfonodos regionais drenam locais que tiveram hemorragia (vão possuir hemácias e hemossiderinas) e linfonodos que tiveram hemorragia também podem ter hemossiderina e hemácias. Hemossiderose sinusal é uma hemorragia mais antiga. Se drenou as hemácias chegam pelos linfáticos, entram nos seios subcapsulares e escorrem pelos seios medulares (macrófagos e hemácias nesses compartimentos) se ocorre no linfonodo vai estar afetado os compartimentos paracortex, folículos linfóides ou cordões medulares. provocadas por ação de agentes infecciosos ou trauma mecânico (compressão, perfuração), ou seja, mostram hemossiderose em macrófagos nos cordões e paracortical. Antracose: ocorre principalmente no linfonodos brônquicos (e no BALT). Principalmente cães, animais idosos e centros urbanos. Enfisema: acomete os linfonodos mesentéricos e nos linfonodos brônquicos. Nos mesentéricos nos suínos está relacionado com bactérias por via linfática com produção de gás. Nos brônquicos de bovinos, enfisema intersticial, por passagem de ar e pequenas bolhas, pela circulação linfática e chegam no linfonodo Atrofia linfóide: bloqueio de linfáticos eferentes, quando são bloqueados, acumula linfa e dilata os seios medulares, comprimem e esmagam o resto do linfonodo (paracortex, cortical, cordões medulares), semelhante o efeito da hidronefrose. Faz a filtragem da linfa mas não sai do linfonodo. Pode ocorrer por êmbolo, neoplasia, abcessos, cicatrizes, e corte da circulação linfática. Caquexia, diminuição da estimulação antigênica, senilidade Infarto: infartos provocados geralmente por êmbolos (variados, neoplásicos). Principalmente linfomas obstruem, comprimem a circulação e causa infarto (área de necrose provocada por isquemia). Circulação entra pelo hilo, vai até a cortical e volta. Linfadenomegalia: Aumento do tamanho do linfonodo. 3 possibilidades: hiperplasia (reagindo a um outro processo, produzindo linfócitos), linfadenite (agente infeccioso no linfonodo que está causando inflamação), neoplasias (pode ser metastática ou primária do linfonodo). - Citologia dos linfonodos: o Punção por agulha fina + realização de esfregaço tipo squash + coloração o Normal: → 75-85% linfócitos pequenos → 10-15% linfócitos médios/grandes → 2% de macrófagos 1. Hiperplasia: Integridade arquitetural É uma reação que pode ser chamada de linfadenopatia ou linfadenose ou linfonodo infartado. Pode ser regional ou generalizada. Aparece em+10 dias de estimulação antigênica, para que se torne macroscópico é necessário esse tempo, para que os folículos proliferam em número e/ou tamanho, se persistir Pela macroscopia o aumento de linfonodo é difícil de saber o motivo (reação inflamatórias/infecciosas ou neoplásico), principalmente se mais de um linfonodo esta aumentado ou quando o processo que pode estar causando essa reação não está evidenciado. Um cão com dermatite no membro pélvico, se o linfonodo do membro pélvico está aumentado pensar na relação, como um tumor nessa região e com um aumento de linfonodo desse membro, relacionar com a neoplasia. Por ser difícil diferenciar de neoplasia, fazer a biópsia, por pulsão aspirativa, sem processo cirúrgico. Se a pulsão por inconclusiva fazer excisional. Pode ser incisional ou excisional (incisional retira um fragmento, excisional tira o órgão inteiro, normalmente excisional -incisional fica cicatriz de qualquer forma no linfonodo, prejudicando a drenagem). Mandar o linfonodo todo para não deformar estruturas. critérios: integridade arquitetural (tamanho dos folículos, região que estão, seios e cordões na mesma proporção, proporção de córtex, medular e paracortex), uniformidade das células (não é esperada num linfonodo normal, pois em linfoma, células neoplásicas tendem a ocupar todo o linfonodo, vê células em um estágio) e padrão de cromatina (desde uma cromatina suave homogeneamente distribuída na hiperplasia, uma cromatina irregular com pontilhado é inflamação, irregular/reticulada/grosseira são neoplasias malignos – linfomas). Na citologia (pulsão) só pode conferir a uniformidade e padrão por que o primeiro se perde. Uniformidade – tecido com váriasetapas de maturação, comum achar células com características diferentes, mas dentre cada estágio, todos tem que estar parecidos (todos maduros parecidos, todos blastos parecidos). 2. Linfadenite Aguda: aumento de volume do linfonodo, cápsula fina e lisa, macio e móvel, temperatura elevada. Ao corte vê-se hiperemia, drena linfa e sangue. Microscopicamente, vê vasos corticais ingurgitados/proeminentes (pela vasodilatação), → Hiperemia, drena linfa + sangue (líquido sero-sanguinolento), há infiltrado inflamatório (neutrófilos – encontrados no córtex e na paracortical, e não são encontrados dentro dos seios, porque nos seios eles foram drenados de outro local). Pode se encontrar necrose (Salmonelose, Toxoplasmose) e também é possível formação de abscessos (linfadenite abcesdante – bactérias piogenicas). Se estão nos seios, podem ter vindo de outro local. Linfadenite abscedante em suíno causada por Streptococcus. Crônica: pouca hiperemia, pouco edema. Linfonodo está aumentado de volume, mas com consistência mais firme e pouca mobilidade (pela fibrose). Cápsula está espessa e não drena linfa, é seco e firme ao corte, pois não drena líquido. Exemplos: bovinos com brucelose e mastite crônica, toxoplasmose e parvovirose em cães (toxo depende da fase, no início é uma necrótica aguda, e posteriormente ocorre crônica com linfocitose- morte por apoptose dos linfócitos do centro germinativo). Exemplos de doenças que causam linfadenite são: Linfadenite caseosa: Linfadenite supurativa Uma zoonose, Causada pela Corynebacterium pseudotuberculosis geralmente acomete ovinos e caprinos, mas pode acometer várias espécies, geralmente acomete linfonodos de cabeça e pescoço (se ferem na mucosa bucal, essas feridas são portas de entrada). Bactérias gram positivas, não esporuladas, aeróbicas possuem um lipídio de superfície que mata neutrófilo, gera grande quantidade de pus. A bactéria entra por lacerações na pele. Os ovinos de lã apresentam lacerações por causa da tosquia e os animais sofrem infecção de linfonodos superficiais. A transmissão ocorre pelo próprio pus (linfadenite fístula para o ambiente externo, geralmente submandibular). Equinos geralmente por abcessos peitorais, os suínos apresentam lesões na região de cabeça e pescoço e também no pré-escapular e poplíteo, e a maioria dos animais não fica doente clinicamente, apenas o aumento do linfonodo. Bovinos ocorrem na cabeça e pescoço por conta dos comedouros que podem se machucar. É bactéria gram +, aeróbia, não esporulada e intracelular facultativa (possui exotoxina que é a fosfolipase que ajuda a proteger a bactéria da fagocitose, pois mata o macrófago). A lesão típica é pus de branco a amarelo esverdeado, espesso (seco) e forma lamelares (parecido com cebola). Há vacina comercial, mas há imunidade parcial. Tem que isolar os doentes, de preferência eliminar animais doentes, desinfecção do recinto. Coleta por pulsão aspirativa pelo linfonodo, coloração de gram e bactérias intracelular. A grade que separa os animais de confinamento pode aumentar a taxa de lesões na pele e assim, aumenta a doença. Lembra necrose caseosa, mas é purulento. Maioria dos animais não adoece. - Espesso, lamelares = “cebola”: abscesso com fibrose intensa ao redor - Vacinação com toxina – imunidade parcial Ovino de 8 meses com inchaço na mandíbula direita e linfonodo submandibular esquerdo fibrosado, com exsudato verde. Foram observados vários pequenos nódulos castanhos (2-5 mm) nos pulmões e no fígado. Essas divisórias de comedouro podem provocar lesões na região do pescoço e peito de bovinos que acabam sendo comuns. Carbúnculo hemático (Anthrax): Bacillus anthracis são gram positivos, grandes e produzem esporos. Afeta principalmente herbívoros e homens, é zoonose grave. Aves e répteis são resistentes. A doença é mais drástica para pequenos ruminantes, caprinos > ovinos > bovinos, em ruminante é curta e septicêmica e se manifestam de forma mais branda em equino, suíno e cão, nessas espécies a doença é mais localizado no esôfago/intestino, que pode evoluir para invasão vascular. No homem, causa lesões cutâneas, pústulas persistentes, sendo que a via aerógena dos pulmões ocorre uma doença sistêmica e fatal. Os esporos são resistentes, vivem por 15 anos no solo e crescem em temperaturas acima de 15ºC. Contaminam água e alimentos e aerossóis, e causam linfangite (inflamação dos vasos linfáticos)/linfadenite sero-hemorrágica (parece com a aguda, com mais sangue nos linfonodos). O bacilo produz 3 toxinas: I (FE- Fator de edema - toxina que causa edema tecidual por aumentar a atividade da Adenil ciclase a produção AMPc nas células endoteliais de vasos linfáticos e sanguíneos, aumentando permeabilidade vascular), II (Antígeno protetor – estimula reação imunológica contra bactéria) e III (LF – fator letal, depressor do SNC). Eles não têm efeitos isoladamente. As toxinas causam injúrias à fagócitos e células de defesa, aumento de permeabilidade vascular, inibe ativação do sistema complemento e inibem cascata de coagulação (linfadenites com muita linfa e hemorragia). - Animais não devem ser necropsiados pela capacidade de contaminação dos esporos. Macroscopicamente se observa putrefação rápida da carcaça, se encontra esplenomegalia (baço grande, congesto, edemaciado), hemorragias em vários órgãos, edema de tecido conjuntivo, sangue escuro com poucos coágulos, enterite hemorrágica ulcerativa, deve-se fazer esfregaço sanguíneo e coloração de sangue periférico, não recomenda necropsia dos animais. Realizar esfregaço sanguíneo: cápsula distinta, rosa no azul de metileno. São retangulares. Histoplasmose: Causado por fungo Histoplasma capsulatum. É intracelular e vive dentro de mononucleares (monócitos e macrófagos). É considerado zoonose, é visto em homem, cão, felinos, suínos, equinos, silvestres., temperaturas baixas favorecem Transmissão via aerógena, inalação de poeira e solo. A principal manifestação é pneumonia, mas por ser intracelular, os macrófagos carregam para linfonodos próximos, e depois linfadenite generalizada. A disseminação não é frequente. Emaciação, diarreia persistente e febre são principais sinais clínicos e hepato, espleno e linfoadenomegalia. As lesões aparecem como nódulos circulares acinzentados pulmonares e firmes, no intestino são nódulos esbranquiçados na mucosa intestinal, em hepatomegalia pode apresentar distúrbios de enzimas hepáticas, com aumento de imunoglobulinas e diminuição de albumina. Devido a formação desses nódulos que são granulomas, vai ter obstrução de ductos biliares, > γ-globulina,e Ehrlichiose: hemorrágica Leishmaniose: Causada por Leishmania spp. Existem dois tipos principais, a braziliensis (lesões cutâneas) e a donovani (visceral, conhecida como calazar, caracterizada por esplenomegalia). Transmitido por mosquitos, como Phlebotomus e Lutzomia, Stomoxys e carrapato Rhipicephalus. Em cães lesões cutâneas e ulcerativas (L. braziliensis), lesões em vísceras principalmente em fígado e baço. (L. donovani) Na visceral, ocorre linfadenomegalia generalizada, emaciação, diarreia (ação dos parasitas na mucosa intestinal), secreção ocular, pelos arrepiados/grosseiros, anemia não-regenerativa (infecta células da medula óssea, reduzindo produção de hemácias) e hipergamaglobulinemia. Cinetoplasto- projeção perpendicular na microscopia. Para diagnóstico, é realizado esfregaço da citologia de linfonodos. Leishmania não possui halo branco, parece “orégano” no macrófago e apresenta um cinetoplasto perpendicular. Canino, 3 anos, letargia, perda de peso, queda de pelos, úlceras cutâneas, onicogrifose, linfadenopatia generalizada, hepatomegalia e esplenomegalia. Linfadenite aguda com linfonodo hiperêmico e edemaciado Neoplasias Tumores hematopoiéticos: melanócito neoplásico, carcinoma mamária, mastócitos neoplásicos- menos de 1 é a chance. Taxa de 30 casos para cada 100 mil animais. E, desses 30, 87% são linfomas. Frequentemente são aleucêmicos- células brancas aumentadas no sangue, pode ou não gerar massa sólida e a nomenclatura é bastante variável – linfoma nos textos mais novos e linfossarcoma nos mais antigos. Linfoma felino: manifestação do FeLV. Cerca de 2% dos gatos são infectados pelo vírus e 90% desenvolvem linfoma. O vírus é transmitido pela saliva, PE mucosa oral, colonização de epitélio tecido linfóide da orofaringe, depois cai na circulação e se dissemina para outros linfonodos. Animais jovens são mais predispostos, pois não têm sistema imunológico desenvolvido, animais mantidos em ambientes superpopulosos e animais imunossuprimidos. FeLV causa anemia não regenerativa (células não são repostas, a medula óssea não tem mais capacidade de produzir, há destruição das células precursoras de hemácias, ou seja, colonização da medula óssea por linfócitos neoplásicos que destroem tecido hematopoiético por compressão). Causa linfoma de alto grau (agressivo). Hepato e nefromegalia, tanto na situação de linfoma multicêntrico como no renal, linfoma ocular- a íris é tecido linfóide. Lesões difusas ou em massas subcapsulares acinzentadas Ordem de manifestação: multicêntrico, alimentar (gástrico e Intestinal), mediastínico, renal, nódulo único periférico, nasal, cutâneo, ocular/periorbital e generalizado. Linfossarcoma/ Linfoma bovino/ Leucose: Causa principal é infecção pelo BLV (vírus da leucose bovina). A transmissão é por transferência de linfócitos infectados (através de material cirúrgico não esterilizado, artrópodes). A leucose pode aparecer de forma enzoótica ou esporádica. A esporádica (não tem relação com BLV) se manifestado de 3 formas: linfoma tímica (animais de até 2 anos de idade, no tórax cranial ou ventral ao pescoço, realiza compressão do esôfago e da traqueia devido a localização), a juvenil (linfoadenomegalia generalizado, 3 a 6 meses de idade) e cutânea (rara e se manifesta por placas e crostas de linfoma disseminadas na pele acometendo animais jovens). A forma mais frequente é a enzoótica e se manifesta por linfadenomegalia generalizada. Pode se manifestar por forma entérica (espessamento da parede abomasal, pode acometer outros órgãos) e medula espinhal (neurológico) e coração (gordura epicárdica, infiltração do miocárdio). Pode acometer medula óssea, rim. Forma algumas placas na epiderme. Forma cutânea com formação de crostas coaguladas devido à ulceração Linfossarcoma canino/ Linfoma canino: mais frequente entre as espécies. Etiologia desconhecida (contato com pessoas que fumam, alimentação semelhante a do homem, etc.). Acomete cães de meia idade (7-10 anos), sinais inespecíficos, como anorexia, letargia e caquexia. Não se sabe etiologia, não tem predisposição sexual e maioria são linfomas de células B (alguns locais concordam com a literatura, mas outros dizem que a maioria é de linfócitos T). Formas: multicêntrica (principal, causa linfadenomegalia generalizada – não é regra - com ou sem acometimento de fígado, baço ou medula óssea), mediastínica, cutânea (na derme é mais comum que na epiderme - + agressivos), tímica e alimentar (vômito, diarreia, hematoquesia, anemia). Infiltração multinodular no fígado Linfoma de Zona T: O linfoma de zona T é o linfoma indolente mais comum em cães. Ele se apresenta como uma linfadenomegalia periférica solitária ou múltipla (frequentemente linfonodos mandibulares) em cães de aparência saudável. A arquitetura histopatológica característica é uma expansão nodular do paracórtex por células neoplásicas, que empurram os folículos corticais atrofiados em “desvanecimento” contra a cápsula e trabéculas espessas. Esta característica arquitetônica única é melhor ressaltada com corantes imuno-histoquímicos (geralmente CD3 para linfócitos T e CD79a, pax5 ou CD20 para linfócitos B). As células neoplásicas são de tamanho pequeno a intermediário com citoplasma eosinofílico pálido e núcleos ovais com entalhes rasos e agudos. As figuras mitóticas são raras. Os cães com este subtipo de linfoma tendem a ser diagnosticados com uma doença em estágio avançado, provavelmente porque eles se apresentam clinicamente saudáveis, sem a perda do apetite ou nível de atividade. Mesmo assim, os cães com o linfoma de zona T possuem um tempo de sobrevivência relativamente longo comparado a outros linfomas: relatos, sobre tempo de sobrevivência médio variando de 13 a 33 meses, e dados sugerem que os cães que não receberam quimioterapia na verdade têm tempo de sobrevivência médio mais longo. A, A arquitetura histopatológica característica é uma expansão nodular do paracórtex por células neoplásicas, que empurram os folículos corticais “desvanecendo” contra a cápsula (C) e trabéculas (bandas rosas interconectadas). Coloração por HE. B, As células neoplásicas são de tamanho pequeno a intermediário, e as figuras mitóticas são raras. Coloração por HE. C, As células neoplásicas são os linfócitos T. Imuno-histoquímicas anti-CD3, coloração adicional de hematoxilina. D, Os remanescentes dos folículos corticais “desvanecendo” são compostos de linfócitos B. Imuno-histoquímica anti-pax5, coloração adicional hematoxilina. Classificações: Henry Rappaport (1966): Linfocítico bem diferenciado (pequenas células), linfocítico pouco diferenciado (folicular com pequenas células clivadas) e histiocítico (grandes células); Kiel e Lukes.Collins (década de 70): tipos B e T e os não-classificáveis; NCI (1982): analisando morfologia e o curso clínico. 3 prognósticos: baixo, intermediário e alto grau. REAL (união entre europeus e americano– 1994): indolente ao agressivo, sem graus; WHO (World Health Organization 2008): leva em conta características fenotípicas, moleculares e citogenéticas; classificação histológica: a de Kiel e WHO; + tipos morfológicos mais comuns: linfoma difuso de grandes células B, linfoma de zona marginal, linfoma de células T periféricas, linfoma de zona T. Tratamento: protocolo “shock” – vários tipos de linfoma, não é muito eficiente para todos. Bovino com perda progressiva de peso, paresia de membros pélvicos e linfonodos inguinais aumentados. Linfoma difuso de grandes células B. Linfoma de zona marginal ✓ 11 casos (3,7%): 8 linfonodos, 2 baços, 1 linfonodo + baço ✓ Literatura: • 15-17% dos linfomas caninos • Raças de grande porte • Afetam o único linfonodo submandibular ou cervical • O mais frequente entre os primários de baço Neoplasias metastáticas: A resposta dos linfonodos é histiocitose sinusal, mais comuns são carcinomas, depois mastocitomas e melanomas. Outrasneoplasias podem fazer também. Nem todo linfonodo aumentado próximo de uma neoplasia é um linfonodo referente a uma metástase da neoplasia, pois a drenagem de células inflamatórias e de substâncias produzidas na inflamação, na necrose do tumor, etc. também podem provocar aumento do linfonodo. Buscar o linfonodo sentinela (deve ser examinado primeiro)- Injeção do corante azul vai migrando do local para o linfonodo. Carcinomas > sarcomas o Mastocitomas, o Melanomas Aula 4- Sistema Nervoso Central Histopatologia: SNC é um tecido que sofre autólise rápido, é importante que se tenha um cuidado especial. Fixar o mais rápido possível, com quantidade adequada de fixador, tomando cuidado com a manipulação (manipular menos possível, delicado, qualquer compressão faz com que se deforme), os cortes devem ser padronizados. Evitar uma grande quantidade de fragmentos em um fraco pequeno e com pouca quantidade de fixador. Colheita e preservação: exames virológicos e bacteriológicos além da histopatologia, definir quais partes vão para cada exame. A colheita para virologia e bacteriologia deve ser feita antes da fixação. Uma possibilidade é a colheita de líquor (introdução de agulha estéril antes da desarticulação da cabeça) e coleta esse líquido asséptico, que é válido para determinar agentes infecciosos. Remove-se a calota craniana, a meninge sai junto (ou se remove a meninge) quando tira o encéfalo, observa-se o assoalho do crânio que corresponde a célula turscica que é a cavidade onde fica a hipófise. Sobra a hipófise há alguns nervos, como os oculomotores, trigêmeos. Então faz incisão em forma de trapézio para tirar a hipófise e a rede de capilares que coletam os hormônios hipofisários e distribui para circulação sanguínea. A melhor maneira de cortar é com a faca encéfalo comum, pode-se usar uma navalha. Introduzir lâmina no 4º ventrículo, dos dois lados, para remover o cerebelo. Cortar rostralmente e horizontalmente pelos pedúnculos cerebelares. Cortar na altura do tálamo para separar tronco encefálico e telencéfalo. Teremos 3 porções, cerebelo, telencéfalo e tronco. Amostras para microbiologia: retirar fatia ao longo do verme do cerebelo, 0,5cm, refrigerar ou congelar; segmento transversal de 2,5 cm da medula cervical; segmento transversal de tálamo, com 1 cm de espessura; e um hemisfério cerebral de preferência caudal na altura do quiasma óptico (1/4 do telencéfalo). A fixação deve ser em formalina 10%, sempre colocando a quantidade adequada de material para evitar autólise, já que o poder de fixação do formol é de 0,5 cm em 24h e devemos ter 10x mais formol do que de volume do tecido. O restante vai para histopatologia, tirar a parte caudal para microbiologia (importante para diagnósticos como a raiva) 2/3 para histopatologia e o 1 terço vai para virológico e microbiologia. Exame macroscópico (pós-fixação) o Exame virológico/bacteriológico (pré-fixação) SNC Sinais são recebidos por neurônios modificados (sensores) e do SNC, partem respostas (reflexos ou respostas induzidas) para órgãos. Os neurônios têm corpo celular (onde fica o núcleo do o neurônio, tem dendritos, corpúsculos de Nissl – rico em RER, faz síntese proteica-, núcleo, cone de implantação), axônio (tamanhos variados, os que possuem a bainha de mielina são mais efetivos na transmissão, ela funciona como uma capa isolante). Os corpos celulares dos neurônios ficam na substância cinzenta, enquanto axônios e células da glia ficam na branca. No encéfalo, tem substância cinzenta externamente e branca internamente. Na medula espinhal é o contrário. Estrutura e função: Neurônios + neurópilo: é o emaranhado de prolongamentos citoplasmáticos, parece homogêneo, mas são filamentos. Rede de axônios e dendritos; células da glia: oligodendrócitos, astrócitos e micróglia; vasos sanguíneos; células ependimárias: células epiteliais que revestem os ventrículos; células do plexo coróide: Também epiteliais, recobrem o plexo coróide, que fica na base do 4º ventrículo, são as células produtoras de líquor (produzem e secretam, funciona como a linfa dos outros tecidos, SNC é desprovido de vasos linfáticos). Neurônios: corpo celular: variação de forma e tamanho. Núcleos redondo e nucléolos único e bem evidente e dentro do corpo celular existe a substância de Nissl (acúmulos de RER, sintetiza neurotransmissores) deve estar distribuída ao redor do núcleo, aspecto granular. Neurônios motores são mais longos; a Célula de Purkinje do cerebelo é uma das maiores células. Reação à injúria: cromatólise central e degeneração Walleriana, e a injúria isquemia (em casos de hipóxia); deficiências lisossômicas: genéticas, falhas na formação de enzimas, podem causar aumento de volume nos neurônios, acumulam substâncias como neurotransmissores; envelhecimento: acúmulo de lipofuscina, como são células permanentes, acumulam restos de membrana degradada ao longo da vida. vacuolização citoplasmática- scrapie. Doenças degenerativas neuronais: Acúmulo de neurofilamentos; infecções virais: algumas provocam inclusões citoplasmáticas e nucleares; Vacuolização citoplasmática: degeneração hidrópica por hipóxia, ou em infecções na encefalopatia espongiforme. Cromatólise central: Ocorre após esmagamento ou transecção axonal. Quanto mais próximo do corpo celular ocorrer a lesão mais intenso a cromatólise. Tempo longo para a recuperação (3-6 meses), dependendo da gravidade e do grau de transecção/hemorragia. Há edema celular, núcleo excêntrico, há dispersão da substância de Nissl, também ocorre deslocamento do núcleo, que é deslocado para a periferia da célula (era central torna-se excêntrico). Início do processo em 24-48h após o evento de lesão axonal, e atinge máximo de alteração em 18 dias após a lesão. Degeneração Walleriana axonal: se manifesta por edema irregular dos axônios (aqueles que sofreram transecção) entre 48-72h, ocorre fragmentação axonal e desintegração da bainha de mielina, quando ocorre edema o oligodendrócito recolhem seus prolongamentos citoplasmáticos e a mielina que vai sendo liberada forma estruturas que são denominadas elipsóides, acúmulo de mielina intersticial. Dependendo da lesão, os axônios podem se “regenerar”, se recuperar da lesão, se o processo inflamatório não for muito intenso, mas não vai ter a mesma função, mesma transmissão. (cromatólise central ocorre no corpo e degeneração walleriana no axônio, na medula vê degeneração walleriana). Lesão neuronal isquêmica: O aspecto do neurônio é diferente da cromatólise, há encolhimento do corpo celular, o citoplasma fica mais corado que o normal (eosinofílico), o citoplasma e o núcleo encolhe e fica triangular/ picnótico; como o citoplasma encolhe ocorre aumento dos espaços perineuronais (edema em astrócitos): perineurais + perivasculares, a distância entre neurônio e neurópilo é maior. Observa-se pequenos vacúolos (mitocôndrias sofrendo edema), os neurônios morrem rapidamente. Astrócitos: Núcleo redondo e pálido São de 2 tipos: fibrosos (SB ficam na substância branca) e protoplasmáticos (SC). São células com núcleos grandes e pálidos, nucléolo discreto, citoplasma não detectável no HE (só vê o núcleo no meio do neurópilo), só é detectável em colorações metálicas ou imunohistoquímica com um marcador chamado GFAP. Funções: possuem várias funções, são substitutos dos fibroblastos na parte de reparo tecidual; guia para migração neuronal na embriogênese; fazem o revestimento externo/cobertura do encéfalo e medula espinhal (‘glia limitans’, cobertura subpial, acima da glia limitante vem as meninges), são prolongamento dos astrócitos que formam uma barreira externa, no cérebro e medula espinhal; Processos/podócitos sobre vasos: fazem barreira hematoencefálica; Isolamento das sinapses entre corpos celulares e dendritos; regulação da quantidade de neurotransmissores e K+ nas regiões de sinapses e fazem detoxificação de amônia (degradamamônia em excesso, mas não de modo muito eficiente); participam da resposta imunológica, liberando citocinas (como TNF para atrair células inflamatórias); também participam da barreira sangue-liquor. Reação à injúria: agressão grave: apresentam edema celular, entram em processo degenerativo (aumenta de volume, fica globosa pois prolongamentos encolhem) e perdem podócitos (retira a proteção envolta das sinapses, perda de potencial de membrana durante impulso); agressão leve: aumentam de volume, com citoplasma bem evidente (astrocitose/ ’gemistócitos’), têm citoplasma e núcleo bastante eosinofílico. Oligodendrócitos: dois tipos: interfasciculares (SB): fazem mielinização de axônios – e satélites (SC): auxiliam a regulação do microambiente neuronal (regula o equilíbrio hidroeletrolítico do interstício). Um único oligodendrócito pode mielinizar vários neurônios ao mesmo tempo. A bainha de mielina (lipídio) fica ao redor do citoplasma do oligodendrócito, ele prolonga o citoplasma, enrola o citoplasma ao redor do axônio e forma essas porção chamadas de internodos, que são mielinizadas, entre essas porções tem os nodos de Reguié(?) onde ocorre transmissão saltatória do impulso nervoso para acelerar a transmissão. Pode ser visualizada com colorações especiais para gordura (Sudan III e oil red). se parecem com linfócitos, o citoplasma não é visível em colorações normais. Uma das reações importantes observadas é a satelitose (acúmulo de oligodendrócitos ao redor do corpo celular). Reações a injúria ocorre degeneração e morte. Ocorre desmieliniza do neurônio, há interferência no impulso nervoso, a desmielinização pode ser parcial ou total – quanto mais grave, mais lenta a transmissão do impulso nervoso). dismielinização: produção de mielina quimicamente defeituosa, alterada. É um distúrbio de mielinização. Micróglia: São macrófagos do Sistema nervoso. estão em 3 locais: perineurais: ao redor de neurônios; perivasculares: ao redor de vasos; interfasciculares. Microscopicamente têm núcleo pequeno, bastonetes, ovais ou forma de vírgula. Na impregnação por prata apresenta prolongamentos bem finos de citoplasma. Funções: fagocitose de restos (remodelação); auxiliam na homeostase (processa/cataboliza Neurotransmissores); metaboliza mediadores inflamatórios; imunológica (processa antígenos, apresenta para outras células do sistema imune, ativa macrofagos.) Reação à injúria: acúmulo ao redor da lesão, formam ‘nódulos gliais’: acúmulo de micróglia ao redor da lesão para fagocitose e degradação dos restos neuronais; ‘células gitter’: quando há desmielinização e fagocitose dos restos de mielina (lipídeos), observa-se macrófagos espumosos, bastante vacuolizados, citoplasma cheio de lipídio e/ou necrose; ‘manguito perivascular’ de linfócitos: quando se acumulam ao redor de vasos sanguíneos, é um dos principais indícios de inflamação no sistema nervoso central. manguito Em primeiro lugar, na inflamação, ocorre dilatação do espaço perivascular (espaço de Virchow-Robin, tem espaço maior entre o vaso e o neurópilo), há edema que ocupa espaço, em seguida há migração de neutrófilos para esse espaço – acúmulo de células no espaço perivascular, que é chamada de manguito perivascular (pois parece manga de blusa ao redor do vaso). Se esse processo for muito intenso causa edema cerebral inflamatório, causando compressão do SN. Para saber se tem inflamação no SN, procura o edema ao redor dos vasos, e os manguitos confirmam. Epêndima e Plexo Coróide: O epêndima tem função de mover o líquido cefalorraquidiano pelos ventrículos. O plexo coróide secreta o LCR. Barreiras: sangue-LCR: feita pelas células do plexo coróide e impedem contato do líquor com vasos que irrigam a base do plexo. Possuem junções estreitas. líquor-cérebro: feita por células ependimárias e astrócitos, dificulta troca de substâncias. É menos eficiente por não possuir junções (não pode ser muito rigorosa, para que faça a drenagem do líquido intersticial do SNC, e aconteceria edema, é drenado pelo líquor, a quantidade é regulado pelas células ependimárias e do plexo coroides, vão secretar mais, ou absorver e não secretar. Meninges: Dura-máter (paquimeninge): possui duas camadas– uma aderida ao periósteo (osso craniano) e outra ao redor da medula espinhal; leptomeninges: aracnóide (máter) e pia-máter (mais fina, firmemente aderida ao SNC) e espaço subaracnóide– possui vasos sanguíneos e líquor fluindo; hemorragias podem ocorrem no SNC e no no espaço subaracnóide, trauma craniano quando não atinge o parênquima, causa hemorragia subaracnóide (são menos traumáticas diretamente, não causa quebra da barreira hematoencefálica, mas são lesivas mecanicamente por gerar coagula), animais mais idosos tendem a calcificar a pia-máter. Melanose das meninges, principalmente em ovinos com face negra Malformações Meningoencefalocele e Crânio Bífido O crânio bífido é caracterizado por um defeito na linha média dorsal cranial por onde pode haver protrusão dos tecidos meníngeais e cerebrais. O material protruído, que forma um saco (-cele), é revestido por pele e pode ser recoberto por meninges (meningocele) ou meninges acompanhadas por parte do cérebro (meningoencefalocele). Embora o saco seja facilmente aparente à análise macroscópica, o diagnóstico da presença ou ausência de tecido cerebral geralmente requer exame histológico. Estas malformações, que são hereditárias em suínos e gatos, são causadas, também, pelo tratamento com griseofulvina em gatas prenhes durante a primeira semana de gestação. Estes defeitos são incomuns e esporádicos em outras espécies domésticas. Meningocele: Meninge completa de líquor e crânio sem fechamento completo e a meninge faz uma bolsa coberta só pela pele. Meningomielocele e Espinha Bífida A espinha bífida é o correspondente vertebral ao crânio bífido. Esta lesão, que frequentemente afeta a coluna caudal, é caracterizada por um defeito dorsal no fechamento de um ou mais arcos vertebrais que formam as porções dorsais do canal vertebral que reveste a medula espinhal. A lesão é causada pelo não fechamento adequado do tubo neural e dos arcos vertebrais em desenvolvimento, que pode causar hérnia das meninges (meningocele) ou das meninges e da medula espinhal (meningomielocele) pelo defeito, formando um saco coberto por pele. Em alguns casos, não há hérnia das meninges ou da medula espinhal pelo defeito; esta variação é chamada espinha bífida oculta. Quando ela ocorre, há ausência de pele sobre os arcos vertebrais afetados, a musculatura vertebral é visível e a dura-máter e a medula espinhal podem ser observadas no canal medular. - Várias espécies (equinos, bovinos, ovinos, canídeos, felinos) Geralmente ocorre nas regiões caudais com formação de bolsa, que pode conter a medula em seu interior. Lisencefalia A lisencefalia (agiria) e uma alteração similar, chamada paquigiria (giros grandes e amplos), são anomalias do desenvolvimento onde há falha na migração neuronal por mutações e/ou deleções: duplacortina, filamina- 1, LIS1, reelina que fazem com que parte ou todo o cérebro apresentam superfícies lisas, sem os giros e sulcos normais. O córtex é mais espesso do que o normal ao corte transversal e o padrão laminar normal dos neurônios é alterado. A lisencefalia foi relatada com maior frequência em cães da raça Lhasa Apso, mas há relatos escassos em gatos filhotes e cordeiros. Anencefalia: o que ocorre é hipoplasia proencefálica, na parte rostral ausente ou rudimentar, mas o tronco encefálico é preservado. Isso é incompatível com a vida. Hidrocefalia: processo progressivo, acúmulo de LCR nos ventrículos cerebrais (não comunicantes). Pode ser só nos ventrículos ou no espaço subaracnóide. O espaço subaracnóide é limitado pelas meninges, os ventrículos são revestidos por epêndima, é mais fácil compressão sob o SN do que sob a meninge. A causa é a obstrução do fluxo de