Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

PSICOLOGIA 
CONSTRUTIVISTA 
UNIDADE IV
O Desenvolvimento 
Cognitivo Segundo 
Piaget: da Criança ao 
Adolescente
Carolina Cunha Seidel
O Desenvolvimento 
Cognitivo Segundo Piaget: 
da Criança ao Adolescente
3
Introdução
O estudo do desenvolvimento cognitivo é fundamental para compreendermos como as 
capacidades mentais de uma pessoa evoluem ao longo de sua vida, particularmente 
durante a infância e a adolescência. Nesta unidade, abordaremos dois estágios-chave 
nesse percurso: o estágio operatório concreto, que abrange as idades de 7 a 11 anos, 
e o estágio operatório formal, que compreende as idades de 12 a 15 anos. Além disso, 
analisaremos as características e os principais marcos de cada um desses estágios, 
fornecendo uma perspectiva ampla do desenvolvimento cognitivo da criança até a 
transição para a adolescência, conforme delineado pela teoria de Piaget.
Objetivos da Aprendizagem
Ao final do conteúdo, esperamos que você seja capaz de:
• Estabelecer e ampliar as características do estágio operatório concreto.
• Estabelecer e ampliar as características do estágio operatório formal.
4
Estágio Operatório Concreto (7 a 11 anos)
O estágio de operações concretas é uma das fases do desenvolvimento cognitivo 
propostas por Jean Piaget. Ele ocorre aproximadamente dos 7 aos 11 anos e 
representa um avanço significativo em relação ao estágio pré-operacional, que 
ocorre dos 2 aos 7 anos. 
Aproximadamente aos 7 anos, segundo Piaget, as crianças entram 
no estágio de operações concretas, quando podem utilizar operações 
mentais para resolver problemas concretos (reais). As crianças são então 
capazes de pensar com lógica porque podem levar múltiplos aspectos de 
uma situação em consideração (Papalia; Olds; Feldsman, 2006, p. 365).
Crianças de 7 a 11 anos 
Fonte: Plataforma Deduca (2023).
#pratodosverem: na imagem, há uma menina de cerca de 10 anos sentada, 
com um livro aberto na mesa à sua frente.
As características e as principais conquistas das crianças nesse estágio são:
• Pensamento lógico e organizado: no estágio das operações concretas, as 
crianças demonstram a capacidade de realizar operações lógicas, o que signi-
fica que elas são capazes de usar o raciocínio lógico para resolver problemas 
e realizar tarefas de forma mais sistemática e organizada. Isso marca uma 
grande diferença em relação ao estágio pré-operacional, em que o pensamen-
to é mais egocêntrico e intuitivo.
5
Esta “reflexão”, é então com um pensamento de segundo grau; o 
pensamento concreto é a representação de ações possíveis. Não nos 
devemos espantar, então, se o sistema das operações concretas deva 
terminar no decorrer dos últimos anos da infância, antes que se torne 
possível “a reflexão” em operações formais. Quanto a estas, não são outras 
senão as mesmas operações, mas aplicadas a hipóteses ou proposições 
(Piaget, 1999, p. 60).
• Operações matemáticas: as crianças nesse estágio são capazes de com-
preender e realizar operações matemáticas, como adição, subtração, multi-
plicação e divisão, com números concretos. Elas podem manipular quanti-
dades e resolver problemas matemáticos de maneira mais eficaz do que no 
estágio anterior.
• Classificação: uma das habilidades-chave desenvolvidas nesse estágio é a 
capacidade de classificar objetos e informações com base em características 
específicas. Por exemplo, uma criança no estágio das operações concretas 
pode classificar diferentes raças de cachorros com base em características 
comuns, como tamanho, cor ou tipo de pelo.
• Conservação: Piaget observou que as crianças nesse estágio compreendem 
o princípio da conservação, o que significa que elas entendem que certas pro-
priedades dos objetos (como quantidade, volume ou massa) permanecem 
inalteradas, mesmo que a aparência externa dos objetos mude. Por exemplo, 
uma criança reconhece que a quantidade de água em um copo continua a 
mesma, mesmo que a água seja derramada em um copo diferente.
Piaget constatou que a conservação da substância aparece por volta dos 
sete-oito anos, a do peso por volta dos nove-dez anos e a conservação 
do volume por volta dos onze-doze anos. Ora, apesar destas diferenças 
cronológicas, diz ele, a criança, para justificar suas considerações 
sucessivas, emprega exatamente os mesmos argumentos que se traduzem 
por expressões verbais rigorosamente idênticas: “nós só esticamos” (a 
bolinha em salsicha) “não tiramos nem pusemos nada”, “é mais comprido, 
mas é mais fino” etc. Isto é indícios que tais noções não dependem só 
da linguagem [...] dependem segundo Piaget da coordenação das ações. 
Suas observações mostram que em certo momento nesses casos, cada 
deformação levada ao extremo ocasiona a possibilitada de um retorno, 
cada tateio enriquece os pontos de vista da criança, que começa a agir e 
argumentar com uma determinada lógica (Chiarottino, 1972, p. 21).
• Reversibilidade: as crianças nesse estágio também demonstram a capacida-
de de raciocínio reversível, o que significa que elas podem pensar de forma 
flexível e inverter mentalmente uma ação. Por exemplo, se uma criança enten-
6
de a adição, ela também compreende a subtração como uma ação inversa, 
podendo aplicar essa lógica para resolver problemas matemáticos.
• Pensamento concreto: embora as crianças nesse estágio tenham avançado 
em suas habilidades cognitivas, ainda estão limitadas a pensar de forma con-
creta e lidar com informações tangíveis. Elas têm dificuldade em lidar com 
abstrações ou conceitos puramente teóricos, o que é uma característica das 
fases posteriores do desenvolvimento de Piaget.
Vamos pensar nessas características considerando uma situação real? Pedro, um 
menino de 9 anos, está ajudando sua mãe a fazer cookies em casa. Sua mãe lhe dá 
uma tarefa que envolve a medição dos ingredientes. Ela pede a Pedro que prepare 
uma receita de cookies, mas com metade da quantidade de ingredientes da receita 
original, já que eles não querem fazer muitos cookies dessa vez.
Culinária como exemplo de aprendizagem 
Fonte: Plataforma Deduca (2023).
#pratodosverem: na imagem, há um livro de receitas aberto, com uma colher de 
pau em cima. Ao lado, uma pequena quantidade de farinha, com uma gema de 
um ovo no meio e nozes em volta.
Pedro enfrenta o seguinte desafio:
• A receita original pede 2 xícaras de farinha de trigo, mas ele precisa usar ape-
nas metade dessa quantidade.
• A receita original também pede 1 xícara de açúcar, mas ele deve usar apenas 
metade disso.
• Pedro precisa ajustar as quantidades de todos os ingredientes, incluindo man-
teiga, ovos e chocolate, de acordo com essa redução pela metade.
7
As características do estágio de operações concretas demonstradas por Pedro são:
1. Pensamento lógico e organizado: Pedro aborda o problema de forma siste-
mática, começando com a farinha de trigo. Ele entende que, para reduzir pela 
metade, deve usar apenas 1 xícara de farinha. Ele aplica o mesmo princípio 
lógico as outras quantidades de ingredientes, garantindo que tudo seja ajusta-
do proporcionalmente.
2. Conservação: Pedro não comete o erro de pensar que, ao reduzir pela metade 
a quantidade de farinha de trigo, a massa dos cookies será menor. Ele com-
preende o princípio da conservação, reconhecendo que a quantidade de mas-
sa resultante será a mesma, apesar da redução nos ingredientes.
3. Operações matemáticas: Pedro realiza operações matemáticas para ajustar 
as quantidades dos ingredientes. Ele divide as quantidades originais por 2 
para encontrar as quantidades corretas para a receita reduzida, aplicando ha-
bilidades de matemática de forma eficaz.
4. Reversibilidade: se Pedro encontrar dificuldades ao ajustar uma das quan-
tidades, ele pode aplicar o raciocínio reversível para resolver o problema. 
Por exemplo, se ele reduziu a quantidade de manteiga pela metade e perce-
beu que não está certo, ele pode inverter o processo e determinar a quan-
tidade correta.
Nessa situação, Pedro demonstra claramente as características do estágio de 
operações concretas,como pensamento lógico, conservação, capacidade de realizar 
operações matemáticas e raciocínio reversível. Ele é capaz de resolver o problema de 
forma organizada e eficaz, aplicando conceitos cognitivos avançados associados a 
esse estágio de desenvolvimento.
Nesse estágio, as crianças demonstram um notável avanço 
em relação ao estágio pré-operacional, que ocorre dos 2 aos 
7 anos. Algumas das características desse estágio incluem 
o desenvolvimento do pensamento lógico e organizado, a 
compreensão do princípio da conservação, a capacidade de 
realizar operações matemáticas, a habilidade de classificar 
objetos com base em características comuns, o raciocínio 
reversível, entre outras.
Atenção
8
O exemplo de Pedro na situação de preparação de cookies ilustra como as crianças 
no estágio de operações concretas são capazes de aplicar essas habilidades 
em situações do dia a dia. Esse estágio representa uma transição importante no 
desenvolvimento cognitivo das crianças, preparando-as para a próxima fase, o estágio 
das operações formais, em que desenvolverão a capacidade de lidar com conceitos 
abstratos e hipotéticos. 
Estágio Operatório Formal (12 a 15 anos)
O próximo estágio no modelo de desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget é o das 
operações formais, que se inicia entre os 11 e os 12 anos e continua ao longo da 
adolescência e da idade adulta. Ele representa uma progressão significativa em 
relação ao estágio de operações concretas (Palangana, 2015).
Adolescência 
Fonte: Plataforma Deduca (2023).
#pratodosverem: na imagem, temos uma menina adolescente vestida estilo 
boho, com uma paisagem de natureza atrás.
Segundo Palangana (2015), a principal característica distintiva do estágio das 
operações formais é a capacidade de realizar pensamentos abstratos e hipotéticos. A 
seguir, temos algumas das características desse estágio.
9
Pensamento abstrato
No estágio das operações formais, os adolescentes e adultos desenvolvem a 
capacidade de pensar abstratamente, o que significa que eles podem lidar com 
conceitos e ideias que não têm uma representação física ou concreta no mundo 
real. Temas como justiça, amor, política, moralidade e filosofia, de forma mais 
complexa e abstrata, fazem parte dessa fase.
Raciocínio hipotético-dedutivo
Os indivíduos nesse estágio são capazes de realizar raciocínio hipotético-dedutivo, o 
que significa que podem criar hipóteses, prever resultados e testar essas hipóteses 
mentalmente sem a necessidade de experimentação física. Eles podem pensar em 
“e se” e considerar as implicações lógicas de diferentes cenários.
Pensamento crítico
O estágio das operações formais também está associado ao desenvolvimento 
do pensamento crítico. Os indivíduos são capazes de analisar informações de 
maneira mais sofisticada, avaliar argumentos e tomar decisões informadas 
com base em evidências e raciocínio lógico.
Compreensão de contradições
Nesse estágio, as pessoas podem lidar com contradições aparentes e entender 
que eventos contraditórios podem coexistir em contextos diferentes. Isso contribui 
para um maior nível de compreensão e aceitação da complexidade do mundo.
Maior capacidade de planejamento
Os adolescentes e adultos nesse estágio são mais capazes de fazer planos 
a longo prazo, estabelecer metas e considerar as etapas necessárias para 
alcançá-las.
Desenvolvimento moral avançado
A compreensão da moralidade também se torna mais complexa no estágio das 
operações formais. Os indivíduos podem considerar princípios éticos abstratos 
e fazer julgamentos morais baseados em princípios universais, em vez de 
simplesmente obedecer a regras estabelecidas.
10
A transmissão social pela linguagem por meio de contatos educacionais 
ou sociais é um fator necessário na medida em que a criança pode receber 
uma grande quantidade de informações. Entretanto, não é suficiente, pois 
ela só assimilará as informações que estiverem de acordo com o conjunto 
de estruturas relativas ao seu nível de pensamento. Um dos principais 
equívocos da escola tradicional, afirma Piaget (1982), é imaginar que a 
criança tenha apenas de incorporar as informações já digeridas, como 
se a transmissão não exigisse uma atividade interna de assimilação-
acomodação do indivíduo, no sentido de haver uma restruturação e daí 
uma correta compreensão do que foi transmitido (Ferracioli, 1999, p. 185).
Podemos perceber que essa fase do desenvolvimento compreende o período que 
conhecemos como adolescência. 
Quando pensamos em um adolescente, é comum associarmos 
características como indecisão e contradições. Na percepção 
social e na compreensão psicológica e biológica, a adolescência é 
considerada um período crítico na vida de um jovem. 
Atenção
No entanto, também é um momento em que o desenvolvimento ao longo das fases permitiu 
a capacidade de elaborar e construir sistemas de pensamento, incluindo a habilidade de 
lidar com conceitos e teorias abstratas com relativa facilidade (Piaget, 1999).
11
Adolescência e suas características
Pensamento 
abstrato
Criação de 
hipóteses
Adolescência DeduçõesPensamento 
formal
Conceitual
Fonte: adaptada de Piaget (1999).
#pratodosverem: ilustração com as características da adolescência: pensamen-
to abstrato, deduções, criação de hipóteses, conceitual e pensamento formal.
Durante a adolescência, observamos uma transição no modo de pensar, em que o 
pensamento progride do concreto para o formal. Isso envolve a capacidade de 
formular hipóteses e deduções para criar teorias, em oposição à simples aplicação 
a objetos tangíveis, como manipulação ou classificação. Em outras palavras, essa 
mudança representa a construção do pensamento formal, que se concentra mais na 
reflexão sobre objetos, prevendo e deduzindo possíveis situações mesmo na ausência 
física desses objetos (Piaget, 1999).
12
Adolescência e novas descobertas 
Fonte: Plataforma Deduca (2023).
#pratodosverem: na imagem, há um casal de jovens se entreolhando com 
expressões apaixonadas.
Perceba que o adolescente está moldando a maneira como o adulto pensará e conduzirá 
suas ações, abordando a resolução de problemas e mantendo equilíbrio diante das 
demandas de um mundo que requer muito mais dele do que quando era criança. Isso 
envolve a formação de conceitos, definição de posicionamento em relação à vida, 
cultura e relacionamentos interpessoais, bem como a geração de ideias e planos para 
o futuro.
Dessa forma, o “[...] equilíbrio é atingido quando a reflexão compreende que sua função 
não é contradizer, mas se adiantar e interpretar a experiência” (Piaget, 1999, p. 60). 
Nesse contexto, vai além do estágio operatório concreto em que a criança apresenta 
contradições, pois o jovem emprega recursos mais refinados e ajustados ao longo de 
seu ciclo de vida para prever e interpretar o mundo ao seu redor. 
É importante também considerar que, durante esse processo de 
desenvolvimento, o jovem acumulou conhecimento por meio da 
educação formal e de aprendizado informal, não escolar, para 
enfrentar as demandas do ambiente e alcançar o equilíbrio e se 
adaptar às exigências sociais.
Atenção
13
Confira o que Piaget postulou sobre o assunto.
Ora, assimilando assim os objetos, a ação e o pensamento são compelidos 
a se acomodarem a estes, isto é, a se reajustarem por ocasião de cada 
variação exterior. Pode-se chamar “adaptação” ao equilíbrio destas 
assimilações e acomodações (Piaget, 1999, p. 17).
Para saber mais sobre o tema, acesse o link e leia o artigo Fases de 
Saiba mais
https://www.editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2019/TRABALHO_EV127_MD1_SA9_ID4743_27092019225225.pdf
Conclusão
O estudo do desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes, à luz da teoria de 
Jean Piaget, nos proporciona uma perspectiva importante das mudanças que ocorrem 
na mente humana ao longo das fases da infância e da adolescência. Ao explorarmos 
os estágios operatório concreto (7 a 11 anos) e operatório formal (12 a 15 anos), 
observamos como as capacidades mentaisevoluem, permitindo que os indivíduos 
enfrentem desafios cognitivos cada vez mais complexos.
No estágio operatório concreto, as crianças desenvolvem habilidades de pensamento 
lógico e organizado, além de consolidarem a compreensão de conceitos como 
conservação e classificação. Em seguida, o estágio operatório formal marca 
a transição para o pensamento abstrato e hipotético, capacidade de lidar com 
conceitos complexos e tomar decisões mais sofisticadas. É importante ressaltar que 
o desenvolvimento cognitivo é uma experiência única para cada indivíduo, e as idades 
específicas mencionadas são apenas orientações gerais. 
Referências
CHIAROTTINO, Z. R. Piaget: modelo e estrutura. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.
FERRACIOLI, L. Aspectos da construção do conhecimento e da aprendizagem na obra de Jean 
Piaget. Caderno Catarinense de Ensino de Física, Vitória, v. 16, n. 2, p. 180-194, 1999.
PALANGANA, I. C. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vigotski. São Paulo: Summus, 
2015.
PAPALIA, D. E.; OLDS, S. W.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 
2006.
PIAGET, J. Seis estudos de psicologia. Tradução de Maria Alice Magalhães D’Amorim e Paulo Sérgio 
Lima Silva. 24. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999.
SCHIRMANN, J. K. et al. Fases de desenvolvimento humano segundo Jean Piaget. Trabalho 
apresentado no VI Congresso Nacional de Educação, 2019, Fortaleza. Disponível em: https://
www.editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2019/TRABALHO_EV127_MD1_SA9_
ID4743_27092019225225.pdf. Acesso em: 4 out. 2023. 
https://www.editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2019/TRABALHO_EV127_MD1_SA9_ID4743_27092019225225.pdf
https://www.editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2019/TRABALHO_EV127_MD1_SA9_ID4743_27092019225225.pdf
https://www.editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2019/TRABALHO_EV127_MD1_SA9_ID4743_27092019225225.pdf

Mais conteúdos dessa disciplina