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Estudo Psicologia da educação Texto 1 TEMA 1 – PERÍODO ANTERIOR AO SÉCULO XVIII Marca-se o início do pensamento pedagógico entre os séculos XVI e XVII, com formação de concepções que trilharam os caminhos escolares. Francis Bacon (1561-1626): foi o criador do método indutivo, que partia da observação dos fatos. René Descartes (1596-1650): que com seus estudos difundiu o racionalismo e o inatismo. A concepção inatista aponta que tudo que ocorre após o nascimento não é essencial/importante para o desenvolvimento do indivíduo. Para essa concepção, cada um já nasce com suas qualidades e capacidades básicas, o que inclui personalidade, valores, hábitos e crenças, forma de pensar e até reações emocionais e sociais, que ao longo da vida sofreriam quase nenhuma diferenciação. Critica: A concepção inatista aplicada ao desenvolvimento humano não traz uma feliz interpretação, visto que não leva em conta o impacto do ambiente em seu desenvolvimento, fator exemplificado com a história das “meninas lobos”. Jan Amos Komensky (1592-1670): pensando a educação como uma arte, e que se deve ensinar tudo para todos, escreve a Didática Magma, com ideias e reflexões sobre a organização de escolas que atendessem alunos de 0 a 24 anos de idade. Sua obra reflete sobre o ritmo da natureza; o desenvolvimento acontece de dentro para fora. Contrapondo-se ao inatismo de Descartes, John Locke (1632-1704) afirmava que, quando a criança nasce, sua mente está em branco; portanto, é o meio que irá compor seu crescimento e desenvolvimento. TEMA 2 – A PARTIR DO SÉCULO XVIII Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): foi autor de obras de muito valor para a educação, nas quais abordava o método natural de aprendizagem. O filósofo apontava que a criança aprende pela experiência; sendo uma experiência boa, será um adulto bom; caso tivesse uma experiência ruim, seu futuro estaria corrompido, pois para ele a sociedade pode conturbar o desenvolvimento do indivíduo. Esse grande filósofo apresenta uma visão social em que a origem da desigualdade humana não provém de Deus, nem da natureza, mas sim da vaidade humana, em instituições políticas, sociais e econômicas. Defende ainda que a educação ajuíza o homem, que deve formar o homem livre, e que a aprendizagem deve partir das experiências. Rousseau apresenta dois tipos de educação: 1 - Educação positiva: tendência de educar a mente além da idade cronológica. É dar a criança o conhecimento dos deveres e valores do homem. Vê o homem como um ser fragmentado. 2 - A segunda é a educação negativa: dá ênfase na natureza, recusando a opinião moral. A aprendizagem acontece com a experiência das coisas, e não com as palavras ou ideias. Trata-se de intervir o menos possível na educação da criança, levando o aluno a aprender por si mesmo. Respeita-se as etapas do desenvolvimento, com um preceptor para cada aluno. Pedagogia da Essência e a Pedagogia da Existência. 1 - A Pedagogia da Essência teve como pressuposto uma pedagogia jesuítica, na busca de alcançar a divindade. 2 - Já a Pedagogia da Existência, foco deste trabalho, demanda uma formação preocupada com o processo da aprendizagem, as experiências, a formação para a vida e a formação de cidadãos. TEMA 3 – A PARTIR DO SÉCULO XIX Movimento Escola Nova: veio para quebrar o modelo rígido da educação, com punições severas e forçando aprendizados que muitas vezes não fazem sentido para o aluno. Revolução do olhar para o aluno e professor: o professor aparece como mediador e leva o aluno a pensar e trazer conteúdos com significados para esse aluno. Realização de avaliação para verificar o que falta nesse aprendizado. Valorização do indivíduo. Para Dewey: o homem é um ser agente, cuja capacidade de produzir e empregar símbolos, significativamente, permite-lhe interagir ativamente consigo mesmo, com os outros e com o meio físico social. Para isso, é necessário respeitar o tempo e as capacidades cognitivas e morais do ser humano na sua infância. Também considera a mente como uma entidade que não se separa do corpo, um organismo agente que está na base da socialização, da produção cultural e, por fim, da capacidade eminente humana de ensinar e aprender. Para o processo de ensinar e aprender, inclui-se a problematização: o professor é mediador do processo, e o aluno é ativo em seu processo de aprender. Recorre-se ao pensamento reflexivo e à autonomia. Numa visão pragmática, Dewey vê a investigação como um processo cujos procedimentos e normas têm de ser avaliados e revistos à luz da experiência subsequente. Essa revisão é, no entanto, um processo social e comunitário, feito com base nos valores das pessoas. Toda a experiência deve ser comprovada na prática. Esse movimento chamado de Escola Nova ou Escolanovista: metodologias baseadas em problematizações, experiências e práticas, as quais os alunos fossem levados a experimentar. Para o professor, a busca por modelos prontos já significava desperdício de tempo; a necessidade era desenvolver o espírito criativo e flexível, na busca de elementos externos que fortalecessem suas aulas. TEMA 4 – ABORDAGENS PARADIGMÁTICAS CONSERVADORAS 4.1 Visão tradicional: Na visão tradicional, o pensamento é cartesiano, com disciplina rígida, vertical, onde a escola é transmissora do saber. O aluno é tido como receptor e reprodutor do conhecimento; é passivo e não questiona. Nessa abordagem, o aluno não é levado à reflexão, mas à repetição e acúmulo de conteúdo. É visto como um expectador, sem a inclusão de relações afetivas ou de dificuldades na aprendizagem. Nesse caso só importa a quantidade de conteúdos que serão transmitidos. Se o aluno não aprendeu isso não será problema do professor. A escola se preocupa apenas com o resultado da avaliação, sem se preocupar com as particularidades de cada aluno. A metodologia segue modelos prontos, que não são discutidos, somente informados aos alunos; a aula é expositiva, privilegia-se o verbal; as atividades são de repetição, resumos, livros textos, cópia e questionários. Na avaliação, mede-se a quantidade e a exatidão de informações que se consegue reproduzir. As notas revelam o patrimônio cultural do indivíduo. 4.2 Visão escolanovista ou humanística Essa visão tem por base os estudos de Rogers, Dewey, Montessori e Piaget, fundamentados na biologia e psicologia, em um movimento chamado de Escola Nova. O aluno é o foco da prática educativa. Valoriza-se a sua condição pessoal e psicológica. É colocado como um sujeito ativo, que participa de todo processo, incluindo planejamento, execução e resultado do conhecimento. Valoriza-se o trabalho em grupo, mas reconhece as potencialidades individuais. Considera-se as experiências individuais. O professor tem liberdade de desenvolver seu próprio repertório de estratégias de ensino, desde que leve o aluno a aprender significativa e reflexivamente. É tido como facilitador da aprendizagem. A metodologia estimula a curiosidade, a reflexão, o interesse, o autoconhecimento e a crítica. O professor deve apresentar recursos bem variados, para que possibilite a investigação do aluno, promovendo a interação com questões do cotidiano de interesse do aluno. 4.3 Visão tecnicista ou comportamentalista O aluno é um espectador e será sempre condicionado a dispor de respostas prontas e corretas, sem criticidade. Há de se ter um controle científico da educação. O aluno é recompensado quando consegue atingir com êxito a aprendizagem. O professor é considerado planejador e analista dos resultados de objetivos propostos. O professor tem uma postura cartesiana; permanece em uma postura racionalista e determinista. A metodologia, as aulas precisam ser eficientes, eficazes e produtivas. Tudo o que se faz no processo de ensino-aprendizagem recai na técnica, sem importar-se com o seu sentido. O erro é sancionado com rigor. A repetição está extremamente presente nesta abordagem. A escola tem uma estrutura facilitadora do atendimento eficaz, além de dispor de elementos da tecnologia que fortaleçam a produtividade de ensino e aprendizagem. TEMA 5 – ABORDAGENS PARADIGMÁTICAS INOVADORAS5.1 Visão sistêmica/holística/ecológica No aluno, valorizam-se as inteligências múltiplas, um ser complexo que vive num mundo de relações, e que por isso vive coletivamente, mas respeitando a sua individualidade e criticidade, interessado nos processos que levam à execução de uma ação. O professor precisa de autonomia. Participante ativo do assunto, deve estar atendo às demandas e necessidades dos alunos. Compartilha de suas construções pessoais e tem escuta para compreender as demandas que os alunos trazem. Necessita mais que nunca instigar seus alunos a buscar a recuperação de valores perdidos (honestidade, solidariedade, igualdade, harmonia). Na metodologia, busca-se a natureza do aprendizado. Viabiliza as relações pessoais e interpessoal. Características: produtiva, reflexiva e transformadora, com autonomia e qualidade. A avaliação deve trazer informações que facilitem o processo de aprender. Portanto, aprende-se com o erro. Avalia-se o processo, não somente pela prova. A avaliação deve ser individual e coletiva, proporcionando sempre a reflexão e o interesse por parte dos alunos, tendo em vista o processo por que cada aluno passa até conseguir aprender. A escola tem visão ecológica. Deve proporcionar espaço e tempo que atendam às necessidades individuais e do grupo. É espaço físico que potencializa o aprendizado com iluminação, cores, arejamento, conforto físico, necessidade de privacidade e interação, atividades calmas e fartas, com abertura à influência da comunidade. Pretende-se a formação por meio de valores, sentimentos, solidariedade, tolerância, harmonia. 5.2 Visão progressista: O aluno é capaz de transformar o conhecimento tendo como referência ações sociais. Participante da ação educativa. Ativo, sério e criativo. É corresponsável pela sua própria aprendizagem. Mantém uma relação dialógica com o professor, além de se ter parceira e de confiança. Constrói o conhecimento a partir de sua interação com o mundo. O professor é mediador. Atuação cognoscente para os educandos tornarem-se críticos. Criativo, crítico e não mecânico. 5.3 Visão da abordagem ensino com pesquisa: O aluno deve se tornar investigador, questionador, apurando o raciocínio lógico e as múltiplas inteligências; deve ser criativo, potencializar a capacidade produtiva, pesquisar e viver com cidadania e ética; também deve aprimorar-se na autonomia para ler e refletir criticamente ao aprender e produzir seu conhecimento, com seus próprios escritos. O professor tem uma postura de mediador, articulador crítico e criativo do processo pedagógico. Compreende o aluno como parceiro; instiga o aluno a pesquisar. É um contínuo investigador, insaciável, reflexo da própria vivência, do aprender a aprender. O professor é um pesquisador contagiante da pesquisa, e seu resultado é a produção de conhecimento. Está sempre aberto a discussões e oposições. A avaliação é contínua, processual e participativa. O acompanhamento dos projetos e pesquisas dos alunos é permanente; guia-se pelos critérios, que são construídos com os alunos antes do início do processo. O aluno é acompanhado no seu processo de construção e produção. Pode ser que haja provas, desde que apresentem espaços de reflexão e elaboração crítica. A escola visa proporcionar um ambiente em que professores e alunos sejam capaz de gestar projetos; que seja inovador, transformador, criativo e participativo. Texto 2 TEMA 1 – ABORDAGEM COMPORTAMENTALISTA 1.1 Skinner e a teoria behaviorista: Do inglês behavior, que significa comportamento, essa é a teoria da psicologia que estuda o comportamento. O objetivo dessa teoria é prever o controle do comportamento. Para Watson, o comportamento é definido por unidades analíticas, as quais reagem aos estímulos anteriores. Chamados de estímulos antecedentes, estes seriam a causa dos comportamentos observáveis, por várias pessoas. Psicologia objetiva: psicologia baseada no comportamento. O reflexo condicionado, que é um modelo de condicionamento de comportamento (Pavlov). Juntamente com Watson e Pavlov, o maior destaque na teoria comportamental foi o filósofo e psicólogo norte-americano Burrhus Frederic Skinner. Para Skinner, o princípio de reforço acontecia devido ao resultado das ações. Por exemplo: se uma ação causasse uma consequência boa, ela poderia ser repetida, mas se a ação causasse uma consequência ruim, a chance de ser repetida seria remota. TESTE: Dessa forma, para que um comportamento fosse fortalecido, Skinner usava o condicionamento operante, sendo feita a sua comprovação pela quantidade de respostas eficazes. Para esse estudo, ele criou uma câmara de condicionamento (Skinner box), com um registrador cumulativo. Ele desenvolveu a análise do comportamento, a qual chamou de behaviorismo radical, fundando uma escola de pesquisa experimental em psicologia. Skinner também afirmava que a ciência era um conjunto de atitudes e apontava que se deveria dar atenção aos detalhes que pudessem influenciar os resultados, como: destaque aos fatos, aos dados, ao empírico, pois o pesquisador não pode permitir sua interferência, seu desejo nos resultados; a própria honestidade intelectual, baseada na ética e na veracidade dos fatos e dos fatores que se desprendem na pesquisa; a espera pelo alinhamento de dados sem antecipação de conclusões, que podem interferir nos resultados. Define três níveis como processo de seleção em sua pesquisa: 1. filogenético: que se relaciona à espécie, repertório da mesma espécie; 2. ontogenético: que é relativo aos indivíduos, repertório de um organismo; 3. cultural: que reflete as ações em sociedade, repertório do que vive agregado à cultura local. Para a sua pesquisa ou a sua investigação, ele alertava sobre os seguintes pontos: controle e simplificação: experimentação; descrições quantitativas das relações funcionais: alinhamento à frequência e à probabilidade; honestidade e cautela nas conclusões; previsão e estabelecimento de critérios para validação; ética de investigação e prática científica: respeito ao ser humano. Suas ideias objetivavam a ciência do comportamento, e tinham a premissa da colaboração na resolução dos grandes problemas culturais, em um sentido prático e controlado das ações. Críticas: As críticas vieram, principalmente, nas décadas de 1960 e 1970, em confronto com as ideias de Carl Rogers. Skinner privilegiava as ideias de controle e previsibilidade pessoal e a educação partindo do meio para dentro do indivíduo, ao contrário Rogers admitira a liberdade e a realização pessoal e uma educação parte do indivíduo para o meio. TEMA 2 – TECNICISMO O tecnicismo é a abordagem metodológica que nasceu da prática terapêutica behaviorista para a educação. As propostas de controle científico, de condicionamento terapêutico, são reconhecidas no campo educacional, o que gera a diferenciação do formato metodológico. Segundo a teoria tecnicista, a educação estabelece comportamentos que servirão ao indivíduo, potencializando sua vida em diversos aspectos. Na instituição educacional a educação é uma profissão, e as pessoas envolvidas estão ali pelo reforçamento econômico. Voltada para o mercado de trabalho. Há, também, o reforço ético, pela profissão de dignidade que é ensinar. Outros reforçadores utilizados nessa linha metodológica são: premiação por boas notas; promoções; diplomas; medalhas; A escola também pode ter o apoio da família e ampliar os reforçadores. As palmatórias vieram dessa abordagem. No tecnicismo, as escolas têm o interesse e os mesmos servem como reforçadores. Nas escolas industriais, o objetivo do aprendizado é que os alunos integrem conteúdos que serão utilizados no trabalho industrial. O esforço realizado pelos alunos tem como reforçador promoções ou mesmo a possibilidade de um emprego. A gestão da escola tecnicista se enquadra no método de gerenciamento produtivo, na busca da qualidade total. A exigência de produtividade, racionalização e objetivos fragmentados. É a gestão que define tudo, inclusive o material didático, e os professores sem participação na construção curricularaplicam as atividades, os exercícios e exigem os resultados dos alunos. Os recursos são manuais, livros, apostilas, módulos de ensino e recursos audiovisuais, os quais devem auxiliar no alcance uniforme de resultados por parte dos alunos. TEMA 3 – ANTECEDENTES Foi pela influência dos estudos de Watson que Skinner ampliou seus estudos na psicologia. Watson teve grande influência na psicologia norte-americana, dotes relacionados ao behaviorismo. Ele defendia a psicologia como uma ciência natural e que, portanto, deveria ser tomada como uma disciplina aplicada. Caracterizou o behaviorismo de metodológico, sendo também chamado de behaviorismo clássico. O neobehaviorismo mediacional surgiu a partir de novas propostas de psicólogos aos comportamentos que não se enquadravam ao estímulo-resposta. No behaviorismo filosófico chamado também de analítico e lógico, os pesquisadores que se destacaram foram Ryle e Wittgenstein, que afirmavam que o comportamento estaria em toda família e analisaram os estados mentais intencionais e representativos. Skinner, na literatura, é indicado como pai do behaviorismo radical e na análise do comportamento. Sua influência nesse movimento lhe conduz a tal título TEMA 4 – CONCEITOS: TIPOS DE COMPORTAMENTOS Comportamento respondente: No comportamento respondente, um estímulo gera uma resposta; Comportamento Operante: á no operante ele descreverá a relação da resposta e sua consequência. Nessa linha, seguimos com o exemplo: por que você escova os dentes? 1ª hipótese: porque a mãe ou qualquer pessoa importante em sua vida escovava os dentes (comportamento imitativo); 2ª hipótese: falavam que você deveria escová-los, caso contrário, sofreria uma punição (punitivo); 3ª hipótese: se escovasse teria mais saúde, não sofreria no dentista (recompensador); 4ª hipótese: de alguma forma, você aprendeu (foi condicionado). Explicação: Nesse exemplo, verificamos que, quando adultos, não conseguimos ficar muito tempo sem escovar os dentes, devido às condições de higiene a que nos dispomos. Se a questão da escovação estivesse em outro espaço, por exemplo: um camponês que nunca conheceu a escova de dentes, não escovará os dentes, e não sentirá falta de fazê-lo. Portanto, a lei da igualação explicará o comportamento de escolha. Skinner ainda destaca o comportamento verbal e a relevância do ambiente social para se estudar o fazer humano. Como as questões relativas a cultura, moral, funções/condutas da própria comunidade científica. Comportamento respondente: O comportamento respondente ocorre quando um determinado estímulo produz uma resposta específica em um organismo sadio. Esse comportamento não trata do estímulo nem da resposta, mas da relação entre ambos. Tem-se em vista que a resposta é reativa ao evento ambiental que o antecedeu. Entende-se que o estímulo dado elicia a resposta, ou, ainda, que é um eliciador, fazendo entender que a resposta é eliciada pelo estímulo, ou seja, a resposta é referência pelo estímulo do meio. As características das relações respondentes são: limiar: baixa intensidade do estímulo para eliciação da resposta; magnitude: amplitude da resposta, seu tamanho/força; duração: tempo que a resposta permanece; latência: tempo entre o estímulo e a reposta. 4.1 Exemplos de comportamentos respondentes: Apresenta-se o alimento para o organismo e este, saliva. Aumenta-se a temperatura do ambiente e o indivíduo começa a suar. Tais estudos também definiram que os comportamentos respondentes podem aparecer em situações novas, dependendo da história de cada um. Esse processo é chamado de condicionamento respondente, clássico ou pavloriano. Os comportamentos respondentes podem ser desencadeados por um estímulo, não aprendido; os comportamentos operantes ocorrem espontaneamente, sem estímulo. Quando reforçamos um comportamento, ele tende a ser repetido e ampliado. O reforço é um acontecimento que, quando executado, pode manter ou aumentar a frequência de comportamentos. Os tipos de reforço são: não condicionado primário: são os que não precisam na aprendizagem o papel de reforço. Exemplo: comida; condicionado secundário: o reforço foi aprendido. Exemplo: elogio; punição: consequência a algo desagradável; o não condicionada primária: dor ou mal-estar físico; condicionada secundária: repreensão verbal. TEMA 5 – PRÁTICAS PEDAGÓGICAS ESCOLARES As práticas pedagógicas estão alinhadas a objetivos e resultados. Compreende-se que o aluno precisa de modelos para aprender e que, assim, a aprendizagem ocorrerá de maneira mais duradoura. Métodos de controle: as punições devem ser utilizadas esporadicamente; deve-se explicar o motivo da punição; deve-se permitir que o aluno apresente uma resposta alternativa, caso esteja correta, e usar o reforço positivo; usa-se como reforço a demonstração de comportamentos diferentes daqueles que não desejamos; a punição física deve ser evitada; quando o professor estiver em desequilíbrio emocional, deve-se evitar punir; usa-se punição quando há manifestação inicial do comportamento inadequado. Obs.: O ambiente escolar deve apresentar reforços positivos, ser reforçador da coragem, reduzindo os medos e as ansiedades. Os modelos de comportamentos são fundamentais. O aluno aprende a partir dos modelos, segundo essa abordagem. Para ensinar, deve-se repetir muitas vezes os estímulos ambientais; o aluno copia, treina e reproduz, para alcançar a eficácia na aprendizagem. Tais estímulos são reforçadores dos conteúdos necessários para o seu desenvolvimento e a aprendizagem. De forma geral, o indivíduo deve centrar-se nas mudanças de comportamento, seus reforços e consequências, seguindo o método: observar o modelo; diferenciar os modelos que requerem mais atenção; após os 5-7 anos de idade, quando já possui a noção de gênero, direciona-se a atenção do aluno a modelos do mesmo sexo. Todos precisam atentar-se ao processo de ensino e aprendizagem, pois os professores são modelos sociais. Texto 3 Nesta aula aprofundaremos nossos estudos sobre Jean Piaget, ícone do estudo sobre o desenvolvimento da inteligência e das relações biopsíquicas do indivíduo e sobre os instrumentos para a aprendizagem e os estágios de desenvolvimento. TEMA 1 – ABORDAGEM COGNITIVISTA 1.1 Educação da liberdade A superação de que a mente é uma tabula rasa e de que o conhecimento precisa ser gravado com a repetição de conteúdo trouxe uma evolução para a educação. A valorização dos interesses e das capacidades que cada indivíduo possui em determinado momento de sua vida é fundamental no processo de aprender, e a escola precisa levar em conta esse processo. Método: Para isso, as condições dos métodos de ensinar devem levar em conta a pesquisa espontânea da criança ou do adolescente. Todos os conteúdos investigados devem ser reinventados pelo aluno, ou seja, é preciso reconstruir o conteúdo com suas próprias investigações. O professor tem um papel fundamental, pois será o responsável por criar situações, armar dispositivos capazes de suscitar problemas úteis ao aluno, organizar outros exemplos que levem à reflexão, ao controle de soluções apressadas. A inteligência é revista em função da qualidade e não da quantidade, e a criatividade e o interesse por aprender geram elementos fundamentais para o desenvolvimento cognitivo do aluno. TEMA 2 – PIAGET: VIDA E OBRA Na década de 30, com base na observação de condutas dos próprios filhos e suas pesquisas, escreve vários trabalhos sobre as fases do desenvolvimento infantil. TEMA 3 – NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO E AS RELAÇÕES COM O AMBIENTE FÍSICO E SOCIAL Processo de assimilação e acomodação: Para Piaget, a criança passa por estágios de desenvolvimento sensorial e seu desenvolvimento cognitivo ocorre por meio da informação, percepção e experiência que cada indivíduo tem na relação com conceitos e novas aprendizagens. Funciona da seguinte forma: o indivíduo recebe uma informação, a qual encaixa com as suas estruturas cognitivas. Em seguida, irá compreender, ou melhor, assimilar a informação. Se uma informação não encaixar comsuas estruturas cognitivas, a informação é rejeitada, mas caso haja prontidão de compreensão por parte do indivíduo, então há modificação interna e acomodação da informação. Assimilação: A assimilação consiste na capacidade de interpretar novas experiências, pelas estruturas mentais, já existentes no indivíduo, sem que se alterem. Acomodação: A acomodação é a capacidade de alterar as estruturas mentais para que integrem novas experiências/conceitos. Estruturas mentais: chamou de esquemas, os quais seriam as possibilidades de processar a informação e modificar-se à medida que o indivíduo vai crescendo e se desenvolvendo. Em seus estudos, definiu que os esquemas seriam de dois tipos: 1- os esquemas sensoriomotores (ações); 2- e os esquemas cognitivos (conceitos). Os esquemas ocorrem todas as vezes que contactamos com uma nova informação ou experiência, o que, possivelmente, repercutirá em uma nova aprendizagem. Equilibração: Ao longo da vida, cada indivíduo vai realizando seu processo de assimilação e acomodação. O equilíbrio entre as duas é chamado de equilibração, que, por sua vez, favorece os esquemas mentais de cada indivíduo, sendo fundamental para que seu processo de desenvolvimento cognitivo ocorra. A equilibração cria a harmonia e adaptação, tornando cada vez mais estável e complexa a inteligência. Os estágios de desenvolvimento definido por Piaget: 1. os indivíduos passam pelos estágios de maneira sequencial, ou seja, é fundamental superar um estágio para avançar ao próximo. Já as idades são definidas por aproximação e possam variar de um indivíduo para outro; 2. em cada estágio, há uma estrutura das funções, as quais caracterizam reações individuais; 3. há uma sequência de estruturas em cada estágio, ou seja, é necessário superar a anterior para avançar de maneira integrativa. 3.1 Estágios de desenvolvimento mental Em cada estágio são definidos comportamentos, como vamos ver a seguir: Sensoriomotor: esse estágio vai desde o nascimento até aproximadamente os 2 anos. É uma fase em que a criança vai superando os reflexos à imagem mental dos espaços e situações. Tem crescente controle das coordenações, passando do rastejar, engatinhar e andar. Percebe os objetos e os busca, havendo a invenção de novos meios, imagem mental e a formação de símbolos; Pré-operatório: esse estágio vai dos 2 anos a aproximadamente 7 anos. A criança brinca com o faz de conta, acha que tudo é dela (egocêntrica). Seu pensamento é mágico, desenvolve a linguagem e o desenho. Pensamento intuitivo, rígido e tem dificuldade com a flexibilidade do pensamento; Operações concretas: esse estágio vai dos 7 anos a aproximadamente 11 ou 12 anos. Possui a capacidade da reversibilidade mental, a passagem da intuição à lógica concreta. Compreende a ação sobre o real. É capaz de fazer operações mentais de classificar, contar, medir, seriar. Compreende a conservação de matéria sólida, líquida, peso e volume. É capaz de compreender a relação de tempo e velocidade; Operações formais: esse estágio compreende a idade a partir dos 11-12 anos. O pensamento abstrato é presente. Raciocínio hipotético dedutivo, define conceitos e valores. É capaz de realizar um pensamento lógico, independente da ação. TEMA 4 – MÉTODO CLÍNICO DE JEAN PIAGET A característica é realizar um misto de ações pela experimentação e observação. Quando o interrogador gera hipóteses e, com base na fala da criança, coloca condições e situações para saber como a criança irá reagir. Na observação direta, percebe-se o contexto mental e comportamental da criança, oscilando em deixar a criança conduzir e em outro momento fazer a condução da situação. Sobre a noção de pensamento, Piaget definiu três estágios: 1º estágio: idade média 6 anos, espontaneidade. As crianças acreditam que o pensamento vem da boca, o pensamento é confundido com as coisas, e as palavras são parte delas. Não há subjetividade no ato de pensar; 2º estágio: o pensamento se situa na cabeça, mas tem característica material. O pensamento ainda não se diferencia das coisas, nem as palavras das coisas nomeadas. A criança entra em conflito com o que pensa, já questiona, mistura suas ideias, algumas são reais, outras figurativas; 3º estágio: idade média de 11-12 anos, compreende a noção do pensamento e da matéria física. É capaz de localizar o pensamento e de perceber que é invisível; consegue distinguir entre a palavra e o nome das coisas; embora localize os sonhos na cabeça, compreende que se a abríssemos, eles não estariam lá, de forma visível. O método clínico crítico consiste inicialmente na exploração da espontaneidade da criança, em seguida a investigação com perguntas envolvendo temas como: 1. Pensamos com a boca; 2. O pensamento é idêntico à voz; 3. Nada se passa na cabeça ou no corpo quando se pensa; 4. O pensamento é localizado na cabeça; etc... Para o diagnóstico do comportamento operatório, propõem-se as seguintes provas: 1. Conservação de conjuntos discretos Material: 12 fichas vermelhas e 10 fichas azuis. Procedimento: 1. Disponibilizar sobre a mesa 6 fichas de uma mesma cor, alinhando-as. Pedir à criança que faça outra fileira igual com as fichas da outra cor, dizendo: – Coloque a mesma quantidade de suas fichas como eu fiz com as minhas, nem mais, nem menos, ou – Faça com suas fichas uma fileira igual à minha, com o mesmo tanto de fichas. Modificar as hipóteses e a ordenação das fichas e verificar se a criança compreende termo a termo e as quantidades. 2. Prova da conservação do líquido Material: dois copos idênticos, um copo mais estreito e mais alto, um copo mais largo e mais baixo. Procedimento: Colocar água nestes dois copos (A e A’). Quando eles estiverem com a mesma quantidade de água, você me avisa? Colocar a água até um pouco mais da metade dos copos e perguntar: – A e A’ estão iguais? Há a mesma quantidade de água nos dois copos? Você tem certeza? Por quê? Se você tomar a água deste copo (A) e eu tomar a água deste (A’), qual de nós dois (duas) toma mais água? Por quê? Transferir a água para outros copos, questionando se as quantidades são iguais ou diferentes, formulando hipóteses para concluir se a criança percebe a quantidade. TEMA 5 – PRÁTICAS PEDAGÓGICAS ESCOLARES Para que o fazer pedagógico gerasse sentido, foi fundamental que os materiais, o currículo, os materiais, os espaços, tudo fosse adaptado às necessidades individuais de cada estudante, sejam físicas, cognitivas, sociais e emocionais. Exemplo disso seriam espaços para crianças pequenas com cadeiras e mesas pequenas, ornando com espaços para movimentação livre e seguro. Principais indícios que movimentaram o repensar pedagógico com vistas à teoria piagetiana: 1. Atenção ao processo de pensar da criança e não apenas no que esta produz. 2. Encorajamento da criança na busca por respostas. 3. Valorizar a diversidade de ideias, respeitando suas capacidades registradas nos estágios que se encontram. 4. . Respeito à individualidade. Cada criança tem um ritmo de progressão e isso deve ser respeitado. Texto 4 Estudo sobre Vygotsky. TEMA 1 – ABORDAGEM SOCIOINTERACIONISTA 1.1 Vygotsky: vida e obra Pesquisador do campo da psicologia, foi crítico de teorias como as da gestalt, da psicanálise, do behaviorismo e da epistemologia genética em suas ideias iniciais, embora tenha acordado com esta última teoria em diversos trabalhos. Seus estudos a partir de marcos históricos, que envolveram Karl Marx e Friedrich Engels, o fizeram propor uma reorganização para a psicologia, de unificação das ciências humanas, chamando-a de psicologia cultural-histórica. TEMA 2 – MEDIAÇÃO Para Vygotsky (1991), a mediação tinha um papel relevante em toda a sua pesquisa. Ele definiu os elementos mediadores, que são os instrumentos e os signos. Os instrumentos ajudam as funcionalidades, facilitando a vida dos seres humanos, por exemplo: uma jarra facilita o acúmulo de água; a faca permite que se produza um corte com mais precisão. Já o signo é o que representa; pode ser um objeto, uma forma ou mesmo um fenômeno. A linguagem é composta por signos,por exemplo: a palavra mesa nos remete a um móvel; é possível imaginar uma imagem sem necessariamente visualizar uma mesa, ou uma foto. A capacidade de construir representações mentais dá ao homem a sua percepção evolutiva. Essa é uma capacidade necessária para a aprendizagem de conhecimentos, os quais podem ocorrer mediante a experiência do outro. As funções psicológicas superiores se constituem a partir das relações histórica e social do ser humano, e englobam a relação com o mundo na mediação com instrumentos e símbolos que são desenvolvidos culturalmente. Dessa forma, o desenvolvimento psicológico não pode dispor de estruturas fixas e imutáveis, mas deve-se considerar o cérebro como um sistema aberto, de grande plasticidade, cujos estrutura e funcionamento são moldados a partir de sua história. A estrutura dos elementos mentais é transformada individualmente, ocorrendo inicialmente funções mais elementares e, sequencialmente, funções superiores. Por exemplo: a criança pequena tem processos elementares mais significativos para o desenvolvimento psicológico; já para os adultos, a relevância está ligada a áreas de processamento mais complexo. A ideia da mediação transcorre como processo sócio-histórica do desenvolvimento humano. O indivíduo pode não ter acesso diretamente ao objeto, mas um acesso a partir de imaginação realizada pelo sistema simbólico com o suprimento de informações sobre o objeto; trata-se de um acesso mediado. TEMA 3 – PENSAMENTO E LINGUAGEM A linguagem é um sistema simbólico e relevante na mediação entre o indivíduo e o objeto de conhecimento. Funções da linguagem: de intercâmbio social e de pensamento generalizante. A linguagem simplifica e generaliza a experiência, possibilitando a classificação em uma categoria, uma ordem em ocorre o favorecimento de abstração e generalização. Exemplos disso são as diferentes raças de animais: vira lata, pastor alemão e collie. As palavras são os signos mediadores na relação do indivíduo com o mundo. Já os conceitos são formados de maneira histórico-cultural, a qual não está enraizada nas formas naturais de pensamento e de fala, ou seja, o pensamento verbal depende de construções culturais, as quais são interiorizadas pelos indivíduos ao longo de seu desenvolvimento. Dividiu o pensamento infantil em estágios: 1. No primeiro estágio, a criança não formula conceitos, mas forma conjuntos agrupando objetos com base em nexos vagos, subjetivos, de fatores perceptuais, como uma ligação pela espacialidade, o que está mais próximo dela. A criança se orienta, por exemplo, pela semelhança visual, utilizando uma fonte associativa. 2. No segundo estágio, chamado por Vygotsky de pensamento por complexos, as ligações para a classificação são interligadas pela experiência e são diversas, concretas e factuais. As ligações que criam um complexo não são formadas pela lógica abstrata, podendo ocorrer de diferentes modos. Aqui, qualquer conexão pode levar a um complexo. Já o conceito precisa levar em conta um atributo. 3. No terceiro estágio ocorre a formação de conceitos. Nessa fase, a criança busca um único atributo para agrupar. É capaz de se utilizar da abstração para garantir características isoladas. Para Vygotsky, esses estágios não ocorrem de forma linear; tudo dependerá do meio a que estão vinculados. Na formação dos conceitos, são destacados em seus estudos: • pseudoconceitos: a criança formula agrupamentos por um tipo único de conexão; Por exemplo, junção de blocos vermelhos. • conceitos: para conduzir as operações mentais, utiliza-se do signo ou palavra; Por exemplo, juntar os blocos vermelhos e formar a letra F. • conceitos cotidianos: são adquiridos de forma espontânea sem o meio escolar, em seu dia a dia; • conceitos científicos: são adquiridos formalmente no ensino aprendizagem. Os conceitos construídos de maneira espontânea se destacam como forma ascendente; já os conceitos científicos são descendentes. O que destacamos é que há, necessariamente, uma junção de conceitos espontâneos/cotidianos e científicos, em que a formação de conceitos se estabelece de maneira ordenada, mas não estagnada, para que ocorra o desenvolvimento e o aprimoramento da inteligência. TEMA 4 – PRÁTICAS PEDAGÓGICAS ESCOLARES POR MEIO DE PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DA PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL Nessa linha se destaca o fazer pedagógico com sentido, não conteudista. A primeira característica da formação de conceitos é que um conceito se forma quando surge um problema que não pode ser resolvido, a não ser pela formação de novos conceitos. Outra característica da formação de conceitos é a produção criativa, não podendo ser mecânica. A prática pedagógica, então, se define como uma abordagem sociointeracionista. Figura 1 – Visão metapsicológica do desenvolvimento (Vygotsky, 1978) Explicação: As interações ocorridas na escola, para Vygotsky, são relevantes, pois as relações sociais fazem parte do ensino-aprendizagem, ou seja, o indivíduo experiente (professor) e o indivíduo inexperiente (aluno) interagem em um processo social, relacional, intencional e mediatizado. Esse processo está intimamente ligado ao desenvolvimento do indivíduo para a formação de conceitos. Sobre isso, Vygotsky destaca a importância da dimensão social da aprendizagem e do desenvolvimento individual, definindo o nível de desenvolvimento proximal ou potencial e o nível de desenvolvimento real ou efetivo. O nível de desenvolvimento real ou efetivo (NDR) envolve conquistas, competências e capacidades, funções já aprendidas pelo indivíduo e que não mais precisam da intervenção de outra pessoa. São as aprendizagens já integradas, as quais ele executa com independência, como andar, correr, subir em obstáculos sem ajuda de educador. O nível de desenvolvimento proximal também se refere àquilo que a criança é capaz de fazer, mas com medição, suporte ou ajuda de alguém mais experiente. Zona de desenvolvimento proximal ou potencial: a distância entre os níveis de desenvolvimento, seja proximal ou real. Nesse aspecto, trata-se de processos internos que estão em desenvolvimento, mas que logo serão integrados pelo indivíduo. Figura 2 – Zona de desenvolvimento proximal (Vygotsky, 1993) TEMA 5 – A CONCEPÇÃO INTERACIONISTA NA ESCOLA A visão interacionista na escola destaca a integração do sujeito social e sua individualidade, valorizadas em teores iguais. Para Vygotsky, a escola necessariamente precisa oferecer estratégias, espaços e recursos que se adéque a todos os indivíduos. Nessa concepção, considera-se que o indivíduo constrói progressivamente a sua aprendizagem a partir de experiências ou mediatizações. Essa construção é valorizada como processo de aprendizagem. Na escola, o professor se coloca como mediador, instruindo seus alunos, para que em seguida eles possam pensar com autonomia. motivação e os desafios fazem parte da rotina escolar. A ampliação da visão de mundo vem pela formação de conceitos e novos pontos de vista. Valoriza-se as linguagens, verbal, visual, sonora, tátil e de movimento, para o desenvolvimento cognitivo. O erro é tido como um processo de aprender, e esse processo que inclui o erro é tão valorizado quanto o resultado. As funções escolares são baseadas nas relações grupais; os alunos se dispõem em grupos e constroem condutas e regras para alinhar os espaços na escola em que regem os espaços sociais. Texto 5 Estudo sobre Wallon. TEMA 1 – WALLON: VIDA E OBRA Wallon envolveu-se durante sua vida em pesquisas sobre psicologia, neurologia, psiquiatria, biologia e filosofia. Segundo ele, o meio interfere significativamente nos processos de aprendizagem. Sua obra aponta que o processo de aprendizagem é dialético, ou seja, está em movimento, não se podendo enrijecer os processos, pois deve-se revitalizar possibilidade e novas direções TEMA 2 – EMOÇÕES: ENTRE O ORGÂNICO E O PSÍQUICO Na obra de Wallon, destaca-se o fator orgânico para o desenvolvimento do pensamento. Para Wallon, a influência do meio deve ser levada em consideração para o desenvolvimento do pensamento. Destaca-se que o desenvolvimentoé um processo que emerge da condição do indivíduo no social, como determinante; a maneira como ocorre depende de fatores orgânicos. Ele não acontece de maneira linear e contínua, mas com avanços e retrocessos, dispondo de momentos conflituosos e não harmônicos. Diferentemente de Piaget, trouxe o tema da psicogênese da pessoa, levando em conta os aspectos intelectuais, afetivos, físicos e sociais, sendo fundamentado no materialismo dialético. Aprendizagem: Para Wallon, cada comportamento que se aprende é integrado ao posterior, tornando a aprendizagem uma sucessão de elementos que vão se somando e se ajustando uns aos outros. Wallon delimita que a cognição está ligada a quatro categorias funcionais: a afetividade, o movimento, a inteligência e a pessoa. • Movimento: o movimento é o primeiro elemento que se desenvolve, servindo de base para que os outros também se desenvolvam. Pode ser dividido em movimentos instrumentais e movimentos expressivos. Ambos estão associados aos indivíduos. Os movimentos instrumentais são ações como andar, correr, vestir, mastigar etc. Já os movimentos expressivos têm ligação com a função comunicativa, como sorrir, falar, gesticular. O movimento antecede à linguagem, e seu desenvolvimento é primordial ao momento de aquisição da linguagem. • Afetividade: é a primeira motivação do movimento, a interação com o meio ambiente. A interação se dá pela afetividade, que é o elemento mediador das relações sociais, de forma a diferenciar a criança do ambiente. A afetividade é a base da inteligência. A partir do momento em que a criança tem acesso a emoções, ela vai aprendendo a lidar com a sua inteligência e consigo mesma, em relação com o outro. • Inteligência: a inteligência, para Wallon, está relacionada a atividades cognitivas, como raciocínio simbólico e linguagem. Esse é o início do pensamento abstrato. • Pessoa: a pessoa é responsável pela formação da identidade; é a construção do “eu”. Esse campo funcional é o que controla/coordena todos os outros, sendo o responsável pelo desenvolvimento da consciência. Obs.: É relevante destacar que as relações entre esses campos funcionais não são harmônicas. A organização e o desenvolvimento de cada campo variam de acordo com o alinhamento individual de cada indivíduo, nos aspectos afetivo, cognitivo, social e orgânico. TEMA 3 – ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR A motricidade, em outras palavras, é a base de interação fundamental do indivíduo, quando ocorre a expressão da vida psíquica. Ela contém uma dimensão psíquica, que engloba um processo evolutivo, em uma totalidade motora, afetiva e cognitiva. Segundo Wallon, há três formas essenciais: • Deslocamentos passivos ou erógenos: são os movimentos do bebê, que ainda não garantem sobrevivência; ele depende de um outro, havendo simbiose fisiológica. O bebê comunica suas necessidades com irritabilidade e desconforto, mas não é capaz de ter ações adequadas que as satisfaçam. A simbiose fisiológica é compensada pela relação afetiva que o adulto estabelece com a criança; é uma relação que supre suas necessidades e ancora as bases psicoafetivas da criança. • Deslocamentos ativos ou autógenos: superada a fase de dependência do adulto, a criança apresenta movimentos mais autônomos, ligados de forma endógena e neurologicamente integrados. É a integração de posturas, movimentos, reconhecimento de espaços, com o outro e com o objeto. • Deslocamentos práxicos: são também chamados de deslocamentos dos segmentos corporais, com respostas do corpo todo. A exploração serve para se descobrir e ganhar conhecimento do mundo. O desenvolvimento do indivíduo, para Wallon, se processa em um movimento dialético. Wallon apresenta os seguintes estágios de desenvolvimento psicomotor: Estágio Impulsivo · Caracteriza a criança recém-nascida. · Movimentos e reflexos são descargas de energia muscular. · Ações carregam carga afetiva (bem-estar/mal-estar). · Motricidade visceral, precisa e automática (ex.: sucção). · Reações viscerais, controladas pelo cérebro, liberam espasmos. · Necessidades orgânicas (fome/sede) geram ações e reações. Estágio Tônico-Emocional (início aos 6 meses) · Movimentos com objetivo surgem. · O movimento se torna uma forma de comunicação psíquica. · A criança usa o corpo e gestos como expressões mentais. · Relações afetivas se desenvolvem através de respostas do adulto a ações e gestos. · Emoções se relacionam à tonicidade, influenciando comunicação e adaptação. Estágio Sensório-Motor (12 a 24 meses) · A criança ganha maior controle corporal e situacional. · Correlação entre experiências motoras e sensoriais se intensifica. · Exploração motora, visual e emocional amplia capacidades do sujeito. · Gestos começam a materializar a evolução individual. Estágio Projetivo (2 a 3 anos) · Capacidade de organização gestual e simbólica se desenvolve. · A criança imita modelos sociais e constrói imagens mentais. · Exploração de objetos torna-se tátil e cinestésica. · Uso do simbólico e da palavra como forma de simbolismo. · Desenvolvimento psíquico e motor entrelaçam-se com a personalidade. Estágio Personalístico (3 a 4 anos) · Construção do eu; transição do ato motor ao ato mental. · A criança busca atenção através de estratégias como manhas e manipulações. · Ambiente facilita a construção do eu e processos pessoais. · A criança começa a modelar seu eu, buscando reconhecimento e oposição. Estágio Categorial (6 a 11 anos) · Diferenciação entre eu e não-eu; maior controle e disciplina. · Inibição motora e concentração aumentam. · Influência social e imitação de hábitos culturais tornam-se importantes. · Desenvolvimento de pensamento pré-categorial (6 a 9 anos) e categorial (9 a 11 anos). · Pensamento sincrético: oposições simples (ex.: preto/branco). · Pensamento categorial: categorização e integração de procedimentos psicomotores. Estágio da Puberdade e Adolescência (a partir dos 12 anos) · Marcado por crise e transição da infância para a adolescência. · Mudanças somáticas, biológicas, psicológicas e sociais. · Crescimento corporal afeta a imagem corporal e o humor. · Formação de grupos de interesse é crucial para a cidadania e identidade. TEMA 4 – CONTRIBUIÇÕES PARA A EDUCAÇÃO Vejamos os aspetos de grande influência da teoria walloriana: • A concepção psicogenética dialética do desenvolvimento estuda o ser humano em sua integralidade; compreende o corpo e mente como um todo indivisível, na percepção das relações que se estabelece em sua individualidade e no contexto social. • O processo de ensino-aprendizagem em um contexto que envolve a afetividade, a cognição, fatores biológicos e socioculturais, que influenciam os processos individuais. • A escola engloba a valorização da relação entre professores e alunos, fundamental para o desenvolvimento da pessoa. • Os temas de pesquisa e o estudo da psicologia e da educação despertam um olhar atento para a relação da aprendizagem com a afetividade. • Uma visão política e democrática da educação, com maior valorização de cultura, justiça e dignidade. Em primeiro lugar, vem o sujeito, destacando se a importância de conteúdos escolares, e só depois o profissional. Isso reforça a necessidade de construir conceitos de base crítica no indivíduo, antes de profissionalizar para servir à indústria. • Valorização das relações que se estabelecem na escola, como entidade fortalecedora da construção do sujeito. • Estudo dos domínios funcionais da criança: afetividade, ato motor, conhecimento e pessoa. Esses indicadores apontam para a construção dos processos de ensino e aprendizagem, e ocorrem de maneira simultânea. TEMA 5 – A ESCOLA E A AFETIVIDADE Qual é a escola ideal para Wallon? É aquela que valoriza a pessoa por completo, que entende que as fases de desenvolvimento são fundamentais para o processo de aprendizagem, que valoriza o contexto em que cada um está inserido, com seus interesses e habilidades, favorecendo as relações, pois elas são impulsionadoras do desejo de aprender. Dessa forma, a escola precisa fornecer espaço e tempo para que cada etapa sejavivenciada pela criança, com respeito às relações que se estabelecem entre o motor e o afetivo. construção da inteligência se dá pelas relações que se estabelece com a motricidade e o próprio lugar no mundo, no espaço com outras pessoas. Quando a escola se preocupa em impulsionar conteúdos, em grande quantidade, para a reprodução do saber, deixa de lado os elementos que compõem a pessoa. Vemos aqui o sentido de aprender, as capacidades para compreender, a criação de estratégias, e demais fontes que impulsionam a aprendizagem. Texto 6 Estudo sobre Abraham Maslow e Carl Roger. TEMA 1 – PSICOLOGIA HUMANISTA Psicologia humanista: Tais estudos foram baseados no fato de que cada indivíduo deve ser consciente de seu processo, seja na terapia, seja na escola, isto é, o processo é centrado no indivíduo. Inicialmente, seus estudos eram voltados para o atendimento terapêutico. Só depois as ideias foram levadas ao fazer escolar, visto que a escola é um espaço social e de aprendizagem, sendo base fértil ao desenvolvimento humano. Figura 1 – Hierarquia de necessidades de Maslow Três conceitos foram apresentados, os quais contribuíram com a psicologia: 1. congruência: transparecer o que sente, não mentir para si nem para os outros; 2. empatia: sentir o que o outro quer falar, compreendendo seus sentimentos; 3. aceitação incondicional: aceitar o outro da forma como ele se coloca, com defeitos, medos e angústias. TEMA 2 – CONCEITO: APRENDIZAGEM NA ABORDAGEM HUMANISTA Conceito: A aprendizagem na abordagem humanista perpetua como protagonista o próprio sujeito como responsável por seu processo de aprender. O professor/facilitador compartilha as responsabilidades do processo de aprender. Ele encoraja os alunos a explorar recursos diferenciados, produzindo seu próprio programa de aprendizagem. Destacam-se dois tipos de aprendizagem: 1. instrumental: é aquela que resulta de algo que é ensinado, em que se aprende algo. Por exemplo: aprender a ler, escrever, desenhar etc., baseia-se no fazer, no conhecer, no explorar. 2. interna ou de ser: conecta a educação ou a aprendizagem como situação de ajuda. As condições da instituição escolar no campo social possibilitam o entrosamento dos significantes internos de cada pessoa. Nessa concepção, afirma-se que a aprendizagem se dá pelo contato, e é por isso que o professor é um facilitador da aprendizagem, porque deve estar acessível aos alunos. Não se deve ter uma única metodologia para facilitar o aprendizado, mas é necessário despertar o interesse dos alunos em aprender. TEMA 3 – VISÃO DE HOMEM E DE MUNDO NA ABORDAGEM HUMANISTA Conceito: Na abordagem humanista todos devem ser respeitados independentemente da hierarquia. Em uma visão holística, ecológica, organísmica e sistêmica da pessoa, todos são capazes de se autorregular, e por isso devem ter consciência de si, de suas responsabilidades, desejos, ambivalências e, principalmente, de seu aprendizado. Na visão de homem é destacado que precisa do outro, não vive sozinho, porém só ele é capaz de modificar suas ações e consequências. Isso se dá a partir do desejo que coloca nas ações Na visão humanista de mundo todos devem ser respeitados. Não deve haver divisão de classes ou de capacidades, mas cooperação entre as pessoas, que devem ajudar umas às outras em vez de competir. TEMA 4 – ENSINO E APRENDIZAGEM CENTRADOS NA PESSOA Conceito: A visão de si é elevada no compromisso com o aprender, com a educação centrada na pessoa. O protagonismo estabelece as responsabilidades para se alcançar os objetivos definidos com o educador/professor. A principal meta é o percurso contínuo da aprendizagem significativa. Visão: É fundamental o olhar para o aluno e para o professor como pessoas que possuem sentimentos, necessidades, anseios e medos, os quais precisam ser superados e/ou organizados. A visão holística une a cognição e o sentimento, que ficam atrelados pela empatia, pela construção e pelo desenvolvimento de conteúdos e aprendizagens. Postura do professor: a postura do professor deve ser empática, ele deve acolher o aluno, ter estima, dividir seus sentimentos de medo, expectativa, exploração de novas possibilidades de aprender e novos materiais, de maneira a consolidar o aprender de maneira autêntica, real, verdadeira. Benefícios e dificuldades: Essa estratégia envolve autenticidade, confiança e aceitação incondicionais. Sobre as dificuldades, se destacam medo/angústia de mudança; questionamentos sobre como realizar provas e trabalhar de maneira individualizada; limitações de tempo e recursos. Em se tratando de formação de professores, em um destino de facilitadores do aprender, destacam-se o compromisso com a exploração da criatividade dos alunos e a liberdade de expressão e o respeito. TEMA 5 – CONTRIBUIÇÕES PARA A ESCOLA Alguns princípios de aprendizagem são destacados na abordagem humanista: • todos os seres humanos possuem potencialidades para aprender. Vai depender, muitas vezes, das estratégias utilizadas para que ocorra o aprimoramento dos conceitos básicos e das estruturas necessárias; • a aprendizagem deve ser significativa e, nesse sentido, o aluno relaciona os conteúdos com seus próprios objetivos; • a aprendizagem envolve modificação interna, na própria organização de cada pessoa, em que se amplia a percepção se si. Toda modificação tende a ser ameaçadora e a suscitar reações; • a aprendizagem ameaça o próprio indivíduo, mas é percebida e assimilada; assim, as ameaças externas se reduzem significativamente; • o indivíduo que está bem consigo mesmo sofre uma fraca ameaça, experiencia as situações mais suavemente e a aprendizagem se eleva com qualidade; • se aprende fazendo, e isso potencializa a significação da aprendizagem; • o aprender é favorecido quando a aprendizagem se torna parte da responsabilidade do aluno. A consciência por seu próprio processo amplia e dignifica suas capacidades; • a aprendizagem envolve tanto a pessoa que aprende quanto a que ensina, mas, quando ela é autoiniciada, ou seja, quando a própria pessoa assume o seu processo, incluindo seus sentimentos e sua inteligência, essa aprendizagem se torna mais profunda e duradoura; • a independência, a criatividade e a autoconfiança, quando o olhar está para dentro de si, usa como base a autocrítica e a autoapreciação. A avaliação feita pelos outros fica em segundo plano; • o aprender social é mais útil, e o processo de aprendizagem deve estar ligado ao social, pois abre-se a experiência e a apropriação dentro de si, como um processo de mudança. Texto 7 TEMA 1 – FREUD, PSICANÁLISE E CONCEITUAÇÃO Freud – Psicanalista. Concepções da época: A psiquiatria da época de Freud é totalmente diferente da época atual, era uma psiquiatria com enfoque biológico, isto é, não consideravam as causas das origens dos adoecimentos mentais sob um olhar psicológico, mas sim com um enfoque de um paradigma biomédico, isto é, as doenças mentais, na concepção da época, eram de origem biológica, portanto, os tratamentos eram realizados com banhos quentes, longos sonos, eletrochoque, ervas medicinais, dentre outros recursos. Questionamento de Freud: Freud se aprofundou na hipnose, em um método chamado talking cure, ou cura pela fala, que se baseava na hipnose de Charcot. .Em continuidade, Freud, em seu estágio no hospital de Paris, percebeu que o método da hipnose, isto é, da sugestão da consciência, não surtia muito efeito, o que fez com que questionasse muito este método. Esses questionamentos aumentaram tendo em vista que Freud percebia uma melhora mais significativa quando suas pacientes falavam livremente após o fim da sessão. Abandonou a hipnose e iniciou na psicanálise: criando o que ele chama de associação livre de ideias. Essa técnica busca fazer com que o paciente fale e associe livremente suas ideias, sem que tenha interrupções. Mas então, o que seria a Psicanálise? De acordo com Zimerman (2017, p. 31), a psicanálise é “um procedimento de investigação dos processos mentais, um método de tratamento e uma disciplina científica”. A psicanálise, portanto, é um métodointerpretativo, uma disciplina científica que pode ser utilizada como método de pesquisa e, ainda, um tratamento pensado dentro do contexto da interpretação de ideias e associações do próprio paciente. TEMA 2 – INCONSCIENTE, CONSCIENTE E PRÉ-CONSCIENTE Teoria topográfica: A palavra topografia é oriunda de lugar, isto é, a teoria de Freud buscava apresentar a mente humana dividida em instâncias psíquicas. Estas instâncias são chamadas de inconsciente, pré-consciente e consciente. 1.Consciente: é estar consciente, esta instância não possui função de registro, mas sim de receber informações do mundo interno e do externo. 2.Pré-consciente: fica entre a consciência e o inconsciente e funciona sobretudo como uma barreira. O pré-consciente funciona como um pequeno arquivo de registros que é facilmente acessado, por exemplo, você lembra o que almoçou. O pré-consciente é responsável por dizer o que vai para a consciência ou não. 3. Inconsciente: o inconsciente, é a parte mais arcaica do aparelho psíquico, nele estão os medos, os anseios, os conteúdos traumáticos que foram recalcados da consciência. 3.1 Inconsciente descritivo: é a forma como explicamos descritivamente o inconsciente, ou ainda, quando observamos alguma manifestação dele. 3.2 O inconsciente sistêmico: é definido como um sistema de relações e interrelações de maneira complexa. 3.3 O inconsciente dinâmico: como o nome diz, relaciona-se à luta entre as pulsões, por exemplo, e, também, à perspectiva de que o inconsciente não é estático, ele muda e se transforma, ele é atemporal. 3.4 O inconsciente econômico: diz respeito à energia empregada para situações, por fim, 3.5 o inconsciente ético tem significado partindo da perspectiva da satisfação do desejo e a questão de nunca atingir a satisfação plena TEMA 3 – ID, EGO E SUPEREGO O ID, o ego e o superego, cada uma destas estruturas são regidas pelo que Freud denominou de princípios: 1.ID: também conhecida como uma das partes mais arcaicas do aparelho psíquico por ser uma instância inconsciente, o princípio regido pelo ID é o princípio do prazer, desconhece regras e normas sociais, sempre está em busca de sua satisfação, neste sentido, 2.Ego: atua como um mediador entre o ID e o superego, regido pelo princípio da realidade. Imagine uma balança que precisa sempre estar equilibrada, pois bem, este é o ego. 3. Superego: atua como um juiz, censurando as ações do ID e do ego, ele não tolera frustrações, sobretudo em virtude do seu princípio, que se configura pelo princípio do dever. TEMA 4 – TEORIA DO DESENVOLVIMENTO NA PERSPECTIVA PSICANALÍTICA Teoria do desenvolvimento psicossexual. Freud traz este assunto no seu livro Os três ensaios sobre a teoria da sexualidade: A sexualidade da criança não acontece no intercurso sexual, ou no coito, mas sim por meio da gratificação que acontece em cada um dos estágios, ou seja, a fonte da libido, perpassa por diversas áreas do corpo, e essa energia e gratificação vai se modificando de área conforme a criança vai sendo gratificada corretamente e novas aprendizagens vão acontecendo. Fases da sexualidade: 1.Fase Oral (nascimento aos 18 meses): a zona erógena concentra se na boca, ou seja, por meio da sucção a criança busca se satisfazer, isto é, pela alimentação (pôr em movimento os lábios, a língua e o palato, numa alternância ritmada). 2. Fase anal (18 meses aos 4 anos): a fase anal inicia-se após a fase oral, a zona erógena é o ânus, e inicia se nesta fase o controle dos esfíncteres. Durante o período anal inicial, as crianças encontram satisfação destruindo ou perdendo objetos. Nessa época, a natureza destrutiva do impulso sádico é mais forte do que a erótica, e as crianças, com frequência, se comportam agressivamente em relação a seus pais por frustrá-las com o treinamento esfincteriano. Então, quando entram no período anal final, elas, por vezes, assumem um interesse amistoso em relação a suas fezes, um interesse que provém do prazer erótico de defecar. Com frequência, apresentam suas fezes aos pais como um presente valioso. 3. Fase fálica (4 a 6 anos): a fálica, que se inicia por volta dos quatro anos, inicia-se neste momento as curiosidades infantis, é a fase das descobertas e dos porquês, inicia-se também o entendimento anatômico do sexo masculino e feminino (permitirá verificar que a maioria delas se refere às origens das diferenças entre pares opostos, como masculino-feminino; seio-pênis; grande-pequeno). 4. Período de latência (6 anos): o período de latência, em que não existem agora as zonas erógenas, a energia libidinal fica estagnada, a concentração neste período, que se inicia aos seis anos, é a curiosidade das crianças pelo processo de socialização, este período vai ao encontro do início da escolarização, portanto, muitos estímulos são ofertados neste período. 5. Fase Genital (puberdade e adolescência): iniciada pela puberdade e pela adolescência, a procura por grupos de referência, relacionamentos amorosos, aceitação no mundo dos adultos. TEMA 5 – PSICANÁLISE, EDUCAÇÃO E CONCEITOS FUNDAMENTAIS O que é a psicologia da educação e quais as contribuições da Psicanálise? A psicologia da educação é uma área de pesquisa e prática, que busca subsidiar melhorias contínuas no trabalho pedagógico da escola. Enquanto a psicanálise é uma disciplina científica, um método que busca entender a relação inconsciente dos sujeitos e suas manifestações na vida cotidiana. Uso da psicanálise: a psicanálise pode ser utilizada como instrumento teórico e técnico para observação e intervenção nas dificuldades de aprendizagem. Partindo do arcabouço psicanalítico podemos entender a origem destas dificuldades, isto é, se é uma origem inconsciente causada por um trauma ou, ainda, uma origem social. Uso na escola: A psicanálise na escola serve como ponto de partida para uma escuta daquele estudante que é singular, mas que ao mesmo tempo é plural em uma massa, por exemplo. Processo de transferência e contratransferência: Tipos de transferência: Temos dois tipos de transferência, a positiva e a negativa, a primeira é aquele vínculo positivo entre o aluno e o professor, em que acontece um processo de ensino e aprendizagem fluido e assertivo, acontece a colaboração e a confiança. A transferência negativa é aquela em que não existe um vínculo positivo, como exemplo, aquele estudante que não tem uma relação de confiança com o professor. Contexto grupal: Outro aspecto importante que merece atenção sob a perspectiva da psicanálise é que a sala de aula se manifesta como um grupo que possui estudantes de mesma faixa etária, mas com criações, culturas, religiões diferentes, e que possuem como objetivo único a aprendizagem. Texto 8 Neste conteúdo, vamos conversar sobre Rogers, autor humanista preocupado com os aspectos afetivos e relacionais da aprendizagem. Também vamos dialogar sobre David Ausubel, cognitivista, que enfatiza aspectos relacionados com a aquisição, organização e consolidação do conhecimento. TEMA 1 – TEORIA COGNITIVISTA: DAVID AUSUBEL Conceito: De acordo com Ausubel, Novak e Hanesian (1980, p. 59), a estrutura cognitiva é o principal fator que influencia a aprendizagem. A aprendizagem é “o conjunto de ideias presentes num indivíduo, bem como as suas propriedades organizacionais, num assunto específico, num determinado momento”. Assim, ao dispor de uma estrutura cognitiva organizada, a pessoa verá facilitada a aprendizagem de um assunto novo. Contexto histórico: Na época, a escola propunha uma aprendizagem mecânica, baseada na memorização, sem reflexão sobre a realidade do aluno e sem considerar a sua história de vida. A aprendizagem era classificatória, com conteúdos que não tinham relação com as atividades práticas do dia a dia. Ausubel desenvolveu a teoria da aprendizagem significativa: a aprendizagem é significativa quando ocorre uma interação entre conhecimentos prévios e conhecimentos novos. A aprendizagem significativa implica que os novos conteúdos aprendidos pelo aluno serão organizados, formando uma hierarquia de conceitos que se relacionam com o conhecimentopreviamente interiorizado pelos alunos. Como se aplica aos alunos: Toda informação nova deve se ancorar nos conhecimentos já presentes na estrutura cognitiva do aluno. Ou seja, é imprescindível tomar conhecimento do que o aluno já sabe sobre um assunto e fundamentar os novos conhecimentos a partir deles. Bagagens: Esse processo cria uma “bagagem” de conhecimentos, que vão sendo internalizados, relacionando-se entre si e criando significados. Essa “bagagem” ancora-se em conceitos e ideias relevantes preexistentes, como se fossem “ancoradouros”, o que Ausubel chama de subsunçores, o ponto central de sua teoria. Estrutura da aprendizagem significativa: O termo subsunçor pode ser entendido como o ponto cognitivo do aluno que dará sentido a um novo conhecimento. Portanto, em aprendizagem significativa, os conceitos fazem parte da estrutura cognitiva, sendo organizados de forma hierárquica, conectados e ancorados. A partir disso, podemos formar alunos críticos e pensadores. Para garantir a aprendizagem significativa, são necessárias duas condições: • Disposição do aluno para aprender (psicologicamente motivado). • Material didático potencialmente significativo para o aluno. Papel do professor: O professor tem o papel de questionar, despertar a curiosidade e levar o aluno a refletir a partir de seus conhecimentos prévios, como propunha Piaget. O professor não deve dar respostas prontas e acabadas. 1.1 Estrutura mecânica: A aprendizagem mecânica (Ausubel; Novak; Hanesian, 1980) representa uma incorporação não substantiva de novas informações. Ela ocorre por meio do repasse de informações. Esse modelo de ensino está relacionado às metodologias mais tradicionais, que defendem que o professor é o único detentor do conhecimento – por isso, não pode ser contrariado e não traz significação ao aprendiz. TEMA 2 – COMO TORNAR UMA AULA SIGNIFICATIVA PARA O ALUNO Na visão de Ausubel, os professores devem elaborar uma aula estruturada para que o aluno seja capaz de formar significado sobre o que está aprendendo. A estratégia facilitadora deve relacionar o que aluno está aprendendo na escola com o seu dia a dia, estabelecendo uma ponte entre o conhecimento científico e o mundo em que ele vive. Estratégias de aprendizagem significativa: • Comece a aula contextualizando o novo conteúdo: o cérebro aprende melhor do todo para as partes, ou seja, é preciso que os alunos entendam primeiro a ideia geral. • Conversar sobre as experiências dos alunos relacionadas ao assunto novo os ajuda a criar sentido sobre o tema: Formar sentido quer dizer relacionar o novo com alguma coisa que já sabemos, que já faz parte da nossa experiência. É transformar sentido em significado. Significado é o conceito socialmente aceito e cientificamente comprovado. • Apresente o conceito na prática: algumas crianças e adolescentes compreendem o significado apenas com aa aplicação do conceito na prática. • Diversifique os exemplos: apresente no mínimo três situações diferentes. • Apresente aos alunos desafios próximos de sua realidade; TEMA 3 – MODELO DE MAPEAMENTO CONCEITUAL Moreira e Buckweitz (1993, p, 45) explicam que os “mapas conceituais são diagramas hierarquizados que procuram refletir a organização conceitual de uma disciplina ou parte de uma disciplina". A Psicologia Cognitiva (PS) avalia os processos de ensino-aprendizagem e as estruturas de cognição dos aprendentes na assimilação de novos conceitos e proposições e na assimilação de novas ideias e informações, a partir de pontos de ancoragem para a construção do conhecimento científico. O mapa conceitual ajuda a estudar um conteúdo; apresentar um conteúdo; fazer síntese de texto; organizar o conteúdo programático de uma disciplina; e avaliar a aprendizagem. Mapas conceituais são diagramas que indicam a relação entre conceitos. TEMA 4 – HUMANISMO DE CARL ROGERS Carl Rogers (1902-1987) formulou uma psicologia voltada para o desenvolvimento da pessoa, com base em conceitos como método não diretivo, estima positiva incondicional, autoatualização e congruência. Rogers foi importante para a psicologia. A teoria humanista enfatiza as relações interpessoais na construção da personalidade do sujeito, com foco no ensino centrado no aluno, em suas perspectivas de composição e coordenação pessoal da realidade, bem como em sua habilidade de operar como ser integrado. A terapia de Rogers pode ser definida como não-diretiva e centrada no cliente (palavra que Rogers preferia à paciente), porque cabe a ele a responsabilidade pela condução e pelo sucesso do tratamento. Terapeuta – Professor: Para Rogers, o terapeuta apenas facilita o processo. Em seu ideal de ensino, o papel do professor se assemelha ao do terapeuta, e o do aluno ao do cliente. Isso quer dizer que a tarefa do professor é facilitar o aprendizado, que o aluno desenvolve do seu jeito. 4.1 Aprendizagem significativa e ensino centrado no aprendiz A aprendizagem significativa considera os sentimentos, as atitudes e os comportamentos nas relações com as pessoas e nas relações com o professor, enfatizando a necessidade de adotar uma postura verdadeira. Método não diretivo de Rogers: no método não diretivo, o professor deixa de ser o centro do processo de ensino-aprendizagem para se tornar um facilitador, dinâmica em que o aluno, consequentemente, passa a ter mais autonomia. Dessa forma, o estudante precisa ser compreendido pelo professor como sujeito de sua própria aprendizagem. Cabe ao professor incentivar e ajudar o aprendiz a desenvolver autonomia, autoconhecimento e autopercepção, articulando saberes por meio de aulas interativas, com a finalidade de desencadear as aprendizagens. TEMA 5 – MÉTODO NÃO DIRETIVO DE ROGERS: APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA Método não estruturante de processo de aprendizagem, pelo qual o professor não interfere diretamente no campo cognitivo e afetivo do aluno. Rogers explica que a própria pessoa é responsável pela sua cura, opondo-se à psicanálise freudiana, segundo a qual o ser humano é fortemente comandado pelo inconsciente. Rogers entendia que as experiências infantis e os processos de aprendizagem poderiam ajudar ou prejudicar a formação e a autotransformação da personalidade de cada sujeito. Ainda assim, defendia a ideia de que a personalidade é moldada pelo presente e pela maneira como o percebemos conscientemente. Neste viés, o pré-requisito para o desenvolvimento de uma personalidade saudável é a estima positiva incondicional na infância. Durante esse período, a mãe deve demonstrar o seu amor e aceitação pela criança, pouco importando o comportamento que a criança apresente. A criança que recebe essa estima positiva da mãe desenvolve uma espécie de autoestima, chamada por Rogers de autoatualização, entendida como o nível mais alto de saúde psicológica, que é alcançado por meio de um processo conhecido como funcionamento pleno. 1. Organizadores prévios 2. Diferenciação progressiva 3. Reconciliação integrativa ( 3 ) Refere-se ao fato de tornar claras as semelhanças e diferenças entre as ideias apresentadas aos alunos em aula. (2 ) É parte do todo, mas amplo, para depois compreender aspectos diferenciados do conteúdo/objeto do conhecimento. (1 ) Refere-se aos conceitos que precedem o conteúdo a ser aprendido/ensinado, fornecendo uma ideia previa ao aluno image6.png image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png