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ESTABILIDADE E GARANTIAS DE EMPREGO Prof. Marcos Dias de Castro Juiz do Trabalho do TRT/1ª Região @papotrabalhistaoficial ESTABILIDADE 1 – Conceito. Estabilidade x Garantia de Emprego 2 – Classificação 3 – Modalidades 3.1 – Estabilidade Decenal 3.2 – Dirigente Sindical 3.3 – Representantes no CCFGTS 3.4 – Dirigentes de Cooperativas 3.5 – Servidores Públicos Civis 3.6 – Representantes no CNPS 3.7 – Representante na CCP 3.8 – Acidente de Trabalho 3.9 - Gestante 3.10 – Membro da CIPA 3.11 – Período pré-eleitoral ACEPÇÃO JURÍDICA O instituto da estabilidade é tratado como o direito do empregado de manter seu emprego, ainda que seja em oposição ao desejo do empregador, salvo previsão legal. A estabilidade jurídica respalda-se no princípio da causalidade da dispensa, impedindo, portanto, a dispensa que se dê de forma arbitrária ou abusiva. Caracteriza-se, aqui, a estabilidade no emprego. ESTABILIDADE É a vantagem jurídica de caráter permanente deferida ao empregado em virtude de uma circunstância tipificada de caráter geral, de modo a assegurar a manutenção indefinida no tempo do vínculo empregatício. GARANTIA DE EMPREGO É a vantagem jurídica de caráter transitório deferida ao empregado em virtude de uma circunstância contratual ou pessoal obreira de caráter especial, de modo a assegurar a manutenção do vínculo empregatício por um lapso temporal definido, independente da vontade do empregador; (também chamadas de estabilidades temporárias ou provisórias) ESTABILIDADE Caráter PERMANENTE FUNDAMENTO de CARÁTER GERAL MANUTENÇÃO INDEFINIDA GARANTIA DE EMPREGO caráter TRANSITÓRIO FUNDAMENTO de CARÁTER CONTRATUAL ou PESSOAL ESPECÍFICA; MANUTENÇÃO POR LAPSO TEMPORAL DEFINIDO Não é a posição majoritária na doutrina: SÉRGIO PINTO MARTINS: “A expressão garantia de emprego constitui gênero, do qual a estabilidade no emprego é uma das espécies. Refere-se a todas as técnicas destinadas à obtenção de empregos pelos trabalhadores, manutenção dos empregos já obtidos, busca de outro, se eventualmente perdido o primeiro, etc. É conceito relacionado com políticas de emprego, incluindo, além de aspectos jurídicos, outros de natureza econômica, demográfica e social. (...) A estabilidade jurídica é mera espécie do gênero garantia de emprego, significando a impossibilidade de dispensa do empregado, ressalvadas as hipóteses expressamente previstas pelas fontes formais do direito”. 2. CLASSIFICAÇÃO: ESTABILIDADE pode ser: DEFINITIVA Adquire para sempre, como no caso da estabilidade decenal ou do servidor público; ou PROVISÓRIA Gestante, cipeiro, acidente de trabalho; tem sua duração razoável no tempo CLASSIFICAÇÃO: ESTABILIDADE pode ser (Luciano Martinez, pág. 1307): BÁSICA Conhecido como garantia de emprego em sentido estrito, sendo mero entrave imposto ao desligmento. ou ESPECIAL Conhecida como estabilidade, verdadeiro obstáculo imposto ao desligamento (impede o despedimento); LEGAL ou CONVENCIONAL Conforme decorra a estabilidade de criação por lei, por contrato individual do trabalho ou por convenções ou acordos coletivos. OJ 64., SDI-2 TST MANDADO DE SEGURANÇA. REINTEGRAÇÃO LIMINARMENTE CONCEDIDA (inserida em 20.09.2000) Não fere direito líquido e certo a concessão de tutela antecipada para reintegração de empregado protegido por estabilidade provisória decorrente de lei ou norma coletiva. ABSOLUTA ou RELATIVA; PRÓPRIA ou IMPRÓPRIA Na estabilidade absoluta a permanência do trabalhador no emprego é assegurada, havendo a resolução do contrato de trabalho, salvo se o obreiro cometer falta grave (Ex. estabilidades decenal e a decorrente do acidente de trabalho são absolutas). No que se refere à estabilidade provisória, que decorre da universalização do princípio da condenação da despedida arbitrária, há uma maior flexibilidade, podendo o empregador despedir seu funcionário para atender aos interesses de sua empresa, seja por redução de custos ou por qualquer fato socialmente justificador. (como no caso da estabilidade do cipeiro) GENÉRICA É aquela que alcança a globalidade dos trabalhadores, salvo as exceções dispostas na lei ou estabelecidas por regime de relações trabalhistas (é o caso dos servidores públicos, tendo em vista que os mesmos possuem regime próprio de proteção). ESPECÍFICA Já a estabilidade específica se refere somente a determinados trabalhadores, por estes se encontrarem em uma situação especial. 3. MODALIDADES DE ESTABILIDADES 3.1. ESTABILIDADE DECENAL Artigo 492 da CLT: “O empregado que contar com mais de 10 (dez) anos de serviço na mesma empresa não poderá ser despedido senão por motivo de falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovadas”. Tratava-se de Estabilidade absoluta e definitiva (foi extinta pelo Regime obrigatório do FGTS a partir da CR/1988). Empregado estável para ser desligado da empresa precisava de Inquérito Judicial. 3. MODALIDADES DE ESTABILIDADES 3.1. ESTABILIDADE DECENAL Constituição de 1988 (art. 7º, III): FGTS como direito extensível a todos. Naquela época, haviam dois tipos de empregados: a) Aqueles sujeitos ao regime do FGTS (inclusive por opção anterior à CR de 1988); b) Aqueles sujeitos em situação híbrida, mas que com a CR de 1988 foram obrigados a migrar para o FGTS. (com direito à indenização do artigo 478 da CLT – relativa ao período anterior à CR/1988; e com direito à multa de 40% para o período posterior à CR/1988). A própria CLT previa exceções para tal estabilidade: 1ª exceção: Empregados exercentes de cargo de confiança Artigo 499 da CLT: “Não haverá estabilidade no exercício dos cargos de diretoria, gerência ou outros de confiança imediata do empregador, ressalvado o cômputo do tempo de serviço para todos os efeitos legais”. 2ª exceção: Trabalhadores de escritórios ou consultórios profissionais liberais Artigo 507 da CLT: “As disposições do Capítulo VII do presente título não serão aplicáveis aos empregados em consultórios ou escritórios de profissionais liberais”. DISPENSA OBSTATIVA: Artigo 499, §3º da CLT: “”A despedida que se verificar com o fim de obstar ao empregado a aquisição de estabilidade sujeitará o empregador a pagamento em dobro da indenização prescrita nos arts. 477 e 478”. Súmula 26: “Presume-se obstativa à estabilidade a despedida, sem justo motivo, do empregado que alcançar nove anos de serviço na empresa”. (Cancelada) Artigo 129 do CCB: “Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento” FIM DA ESTABILIDADE COM A CONSTITUIÇÃO DE 1988 Possibilidade de estabilidades contratuais? Súmula 98, II do TST: “A estabilidade contratual ou a derivada de regulamento da empresa são compatíveis com o regime do FGTS. Diversamente ocorre com a estabilidade legal (decenal, art. 492 da CLT), que é renunciada com a opção pelo FGTS”. CONSEQUÊNCIAS DA DISPENSA INJUSTA DO EMPREGADO PORTADOR DE ESTABILIDADE DECENAL: Artigo 495 da CLT: “Reconhecida a inexistência de falta grave praticada pelo empregador obrigado a readmiti-lo no serviço e a pagar-lhe os salários a que teria direito no período da suspensão”. Artigo 496 da CLT: “Quando a reintegração do empregado estável for desaconselhável, dado o grau de incompatibilidade resultante do dissídio, especialmente quando for o empregador pessoa física, o tribunal do trabalho poderá converter aquela obrigação em indenização devida nos termos do artigo seguinte”. CONSEQUÊNCIAS DA DISPENSA INJUSTA DO EMPREGADO PORTADOR DE ESTABILIDADE DECENAL: Súmula 396 do TST. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. PEDIDO DE REINTEGRAÇÃO. CONCESSÃO DO SALÁRIO RELATIVO AO PERÍODO DE ESTABILIDADE JÁ EXAURIDO. INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO “EXTRA PETITA. [...] II — Não há nulidade por julgamento “extra petita” da decisão que deferir salárioquando o pedido for de reintegração, dados os termos do art. 496 da CLT. OBS: CASOS DE FORÇA MAIOR ou FECHAMENTO DO ESTABELECIMENTO/FILIAL ou AGÊNCIA Artigo 497 da CLT: “Extinguindo-se a empresa, sem a ocorrência de motivo de força maior, ao empregado estável despedido é garantida a indenização por rescisão do contrato por prazo indeterminado, pago em dobro”. Artigo 498 da CLT: “Em caso de fechamento do estabelecimento, filial ou agência, ou supressão necessária de atividade, sem ocorrência de motivo de força maior, é assegurado aos empregados estáveis, que ali exerçam suas funções, direito à indenização, na forma do artigo anterior”. Súmula 28 do TST: “INDENIZAÇÃO. No caso de se converter a reintegração em indenização dobrada, o direito aos salários é assegurado até a data da primeira decisão que determinou essa conversão”. Súmula 173 do TST: “SALÁRIO. EMPRESA. CESSAÇÃO DE ATIVIDADES. Extinto, automaticamente, o vínculo empregatício com a cessação das atividades da empresa, os salários só são devidos até a data da extinção” . Pedido de Demissão: Requisito Formal Artigo 500 da CLT: “O pedido de demissão do empregado estável só será válido quando feito com assistência do respectivo Sindicato e, se não o houver, perante autoridade local competente do Ministério do Trabalho e Previdência Social ou da Justiça do Trabalho”. Existe necessariamente uma hierarquia entre os entes? Primeiro Sindicato, depois o Ministério do Trabalho ou a Justiça do Trabalho? 3.2 – DIRIGENTE SINDICAL Art. 8º, VIII, da CF: “É vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei”. Artigo 543 da CLT: “O empregado eleito para cargo de administração sindical ou representação profissional, inclusive junto a órgão de deliberação coletiva, não poderá ser impedido do exercício de suas funções, nem transferido para lugar ou mister que lhe dificulte ou torne impossível o desempenho das suas atribuições sindicais”. Artigo 543, parágrafo 3o da CLT: “Fica vedada a dispensa do empregado sindicalizado ou associado, a partir do momento do registro de sua candidatura a cargo de direção ou representação de entidade sindical ou de associação profissional, até 1 (um) ano após o final do seu mandato, caso seja eleito, inclusive como suplente, salvo se cometer falta grave devidamente apurada nos termos desta Consolidação”. I - ALCANCE DA PROTEÇÃO INAMOVIBILIDADE = não pode ser transferido para lugar ou mister que lhe dificulte ou torne impossível o desempenho de suas atribuições sindicais (artigo 543, CLT); Garantia de exercício de suas funções (artigo 543, CLT); Direito de licenciar-se sem remuneração para o desempenho de suas funções (§2º, artigo 543 da CLT). PN 83, SDC TST: licença não remunerada parcial: “DIRIGENTES SINDICAIS. FREQUENCIA LIVRE. Assegura-se a frequência livre dos dirigentes sindicais para participarem de assembleias e reuniões sindicais devidamente convocadas e comprovadas, sem ônus para o empregador”. OBS 1: PERDA DO MANDATO NA TRANSFERÊNCIA: §1º do artigo 543 da CLT: “O empregado perderá o mandato se a transferência for por ele solicitada ou voluntariamente aceita”. Transferência que resulte em mudança de base territorial representada pelo Sindicato. Depende da concordância do empregado: ato bilateral. Renúncia indireta da garantia constitucional OBS 2: NÃO CONCLUSÃO DO MANDATO LUCIANO MARTINEZ: “Observe-se, também, que a estabilidade somente se estenderá por mais um ano se o dirigente sindical concluir o seu mandato. Se este não for concluído (se o dirigente sindical for destituído ou se ele pedir para sair da direção do sindicato antes do final do mandato), não haverá falar na garantia de extensão da estabilidade por mais um ano, uma vez que, conforme claramente inserto no texto de lei, essa extensão somente será a ele autorizada “após o final do mandato”. Parece razoável, entretanto, excluir do âmbito da exigência de conclusão do mandato para fruição da estabilidade residual, aqueles que, por caso fortuito ou força maior devidamente comprovados, ficaram impossibilitados de cumprir a sua missão no cargo de direção ou representação sindicais”. (Curso de Direito do Trabalho, página 1323) OBS 2: NÃO CONCLUSÃO DO MANDATO (VISÃO CONTRÁRIA) ESTABILIDADE. DIRIGENTE SINDICAL. PEDIDO DE DESLIGAMENTO DO CARGO PARA O QUAL FOI ELEITO. RENÚNCIA TÁCITA À GARANTIA DE EMPREGO. IMPOSSIBILIDADE. REINTEGRAÇÃO DEVIDA. A defesa dos interesses coletivos da categoria profissional, por se contrapor aos interesses do empregador, por vezes gera animosidade entre as partes, atraindo para o dirigente sindical uma reputação negativa perante seu empregador. Por essa razão é que a Norma Constitucional, ao determinar a manutenção do trabalhador no emprego até um ano após o término do seu mandato, visa também a evitar que o empregado dirigente sindical, em razão das atitudes adotadas no exercício do seu mister, venha, depois de cumprido o seu mandato, a sofrer represálias por parte do seu empregador. Não fosse assim, ao término desse mandato, o empregador, em retaliação às atitudes do dirigente sindical em favor da categoria, contrárias ao interesse patronal, poderia dispensá-lo imediatamente. Logo, a renúncia à garantia de emprego deve ser expressa, sempre. (...) (TST, RR 0021471-12.2017.5.04.0561, 3ª Turma, Relator Ministro José Roberto Freire Pimenta, julgado em 15/06/2022) OBS 2: NÃO CONCLUSÃO DO MANDATO Ainda que o trabalhador, por ato voluntário, abdique, expressamente, do cargo para o qual fora eleito e se desligue da diretoria do sindicato respectivo, deixando de exercer o mister para o qual fora escolhido, não mais desempenhando as atividades de representação da categoria. Como referido, a finalidade da norma constitucional de garantia de emprego ao dirigente sindical se volta não somente à proteção do exercício da representação na defesa dos interesses coletivos da categoria, mas também à proteção do próprio empregado, após o exercício do mandato, contra condutas punitivas de cunho retaliativo. Desse modo, a renúncia do empregado ao cargo de dirigente sindical não implica renúncia à garantia de emprego, a qual necessita, sempre, ser expressa e indubitável, o que não ocorreu no caso dos autos. Nesse contexto, conclui-se que o entendimento da Corte regional , de que a renúncia expressa e voluntaria da empregada ao cargo de dirigente sindical configurou renúncia tácita ao direito à estabilidade provisória, violou o disposto no artigo 8º, inciso VIII, da Constituição Federal. Recurso de revista conhecido e provido. (TST, RR 0021471-12.2017.5.04.0561, 3ª Turma, Relator Ministro José Roberto Freire Pimenta, julgado em 15/06/2022) II - REGISTRO e COMUNICAÇÃO (da eleição e da posse): OBRIGATORIEDADE Parágrafo 5o do artigo 543 da CLT: “Para os fins deste artigo, a entidade sindical comunicará por escrito à empresa dentro de 24 horas, o dia e a hora do registro da candidatura do seu empregado, e, em igual prazo, sua eleição e posse, fornecendo, outrossim, a este comprovante no mesmo sentido. O Ministério do Trabalho fará no mesmo prazo a comunicação no caso da designação referida no final do parágrafo 4o”. E se houver a comunicação, sem observância do prazo de 24 horas? E se a empresa tiver ciência por outros meios ? Ainda haverá estabilidade se ficar comprovado que o empregador teve ciência da eleição ou da posse por outros meios, como divulgação na mídia, por exemplo. Mesmo fora do prazo de 24 horas. Súmula nº 369 do TST DIRIGENTE SINDICAL. ESTABILIDADE PROVISÓRIA I - É assegurada a estabilidade provisória ao empregado dirigente sindical, ainda que a comunicação do registro da candidatura ou da eleição e da posse seja realizada fora do prazo previsto no art. 543, § 5º, da CLT, desde que a ciência ao empregador, por qualquer meio, ocorra na vigência do contrato de trabalho. Se ocorrer no curso do AVISOPRÉVIO: NÃO HÁ ESTABILIDADE Súmula 369, V do c. TST: “O registro da candidatura do empregado a cargo de dirigente sindical durante o período do aviso prévio, ainda que indenizado, não lhe assegura a estabilidade, visto que inaplicável a regra do parágrafo 3o do artigo 543 da CLT”. ARNALDO SÜSSEKIND: a inscrição do empregado após o recebimento do aviso prévio da sua despedida não encontra respaldo no art. 543 da CLT, considerando-se que estaria sendo ferido, nessa hipótese, o exercício de direito potestativo do empregador. III - AMPLITUDE DA PROTEÇÃO Artigo 522 da CLT: “A administração do sindicato será exercida por uma diretoria constituída no máximo de sete e no mínimo de três membros e de um Conselho Fiscal composto de três membros, eleitos esses órgãos pela Assembleia Geral ”. Limites: 3 a 7 diretores e 3 membros do Conselho Fiscal (e suplentes); FEDERAÇÕES E CONFEDERAÇÕES: O art. 538 da CLT dispõe, verbis: "A administração das federações e confederações será exercida pelos seguintes órgãos: Diretoria; Conselho de Representantes; Conselho Fiscal. § 1º A diretoria será constituída no mínimo de 3 (três) membros e de 3 (três) membros se comporá o Conselho Fiscal, os quais serão eleitos pelo Conselho de Representantes com mandato por 3 (três) anos. (...) § 4º O Conselho de Representantes será formado pelas delegações dos sindicatos ou das federações filiadas, constituída cada delegação de 2 (dois) membros, com mandato por 3 (três) anos, cabendo um voto a cada delegação". Persiste tal limitação? 1a CORRENTE: NÃO HÁ QUALQUER LIMITAÇÃO Com o advento da CF/88, contudo, o referido artigo perdeu seu fundamento jurídico de validade, tendo em vista a liberdade sindical outorgada pela Lei Maior. Assim, caberia ao estatuto dispor como quisesse quanto à composição administrativa do sindicato. MAURÍCIO GODINHO DELGADO: Defende que a liberdade de escolha em questão não pode ser restringida, pois, do contrário, ferir-se-ia o preceito constitucionalmente previsto da liberdade sindical. Neste sentido, aqueles sindicatos que representam categorias formadas por um expressivo número de elementos ou que alcançam uma extensa base territorial teriam sua atuação prejudicada em razão da aludida restrição. 2a CORRENTE: LIMITAÇÃO DO ARTIGO 522 DA CLT Súmula 369, II da CLT: “II - O art. 522 da CLT foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Fica limitada, assim, a estabilidade a que alude o art. 543, § 3.º, da CLT a sete dirigentes sindicais e igual número de suplentes”. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. ABUSO DE DIREITO: A liberdade de escolha não é ilimitada, uma vez que o sindicato poderia atribuir, com essa prática, a estabilidade provisória no emprego a um contingente significativo de trabalhadores, fazendo com que o empregador tenha de se sujeitar ao arbítrio da entidade sindical. Configurar-se-ia, portanto, o abuso de direito por parte do sindicato, tendo em vista a utilização anormal de um direito conferido. ADPF 276 (15/05/2020) ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL. ART. 522 DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO. INC. II DA SÚMULA N. 369 DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO. DEFINIÇÃO DE NÚMERO MÁXIMO DE DIRIGENTES SINDICATOS COM ESTABILIDADE NO EMPREGO. RECEPÇÃO DO ART. 522 DA CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL. AUSÊNCIA DE ESVAZIAMENTO DO NÚCLEO DA LIBERDADE SINDICAL PELA NORMA LEGAL E PELO ENUNCIADO. ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL IMPROCEDENTE. 1. A liberdade sindical tem previsão constitucional, mas não se dota de caráter absoluto. A previsão legal de número máximo de dirigentes sindicais dotados de estabilidade de emprego não esvazia aquela liberdade, que se preserva para cumprir a finalidade de autonomia da entidade sindical, não para criar situações de estabilidade genérica e ilimitada sem se conciliar com a razoabilidade e a finalidade da norma constitucional garantidora do direito. 2. Recepção da norma legal acolhida em precedentes do Supremo Tribunal Federal. Súmula que expressa o que a jurisprudência deste Supremo Tribunal não contraria a Constituição da República. 3. Arguição de descumprimento de preceito fundamental improcedente OBS 1: Membro de Conselho Fiscal? OJ 365 da SDI-1 do c. TST: “ESTABILIDADE PROVISÓRIA. MEMBRO DE CONSELHO FISCAL DE SINDICATO. INEXISTÊNCIA. Membro de conselho fiscal de sindicato não tem direito à estabilidade prevista nos arts. 543, §3º da CLT e 8º, VIII da CF\1988, porquanto não representa ou atua na defesa de direitos da categoria respectiva, tendo sua competência limitada à fiscalização da gestão financeira do sindicato (art. 522, §2º, da CLT)”. OBS 2: MEMBROS NOMEADOS ou INDICADOS x MEMBROS ELEITOS: Ficam fora dos limites dessa proteção ao emprego, os delegados sindicais não eleitos ou os administradores eleitos pela direção executiva do sindicato. OJ 369, SDI-1, TST: “ESTABILIDADE PROVISÓRIA. DELEGADO SINDICAL. INAPLICÁVEL. O delegado sindical não é beneficiário da estabilidade provisória prevista no art. 8º, VIII, da CF\1988, a qual é dirigida, exclusivamente, àqueles que exerçam ou ocupem cargos de direção nos sindicatos, submetidos a processo eletivo”. Artigo 523 da CLT: “Os delegados sindicais destinados à direção das delegacias ou seções instituídas na forma estabelecida no §2º do artigo 517 serão designados pela diretoria dentre os associados radicados no território da correspondente delegacia”. OBS 3: Sindicato sem registro? Jurisprudência tem admitido Argumentos: Artigo 8o da CR afastou a intervenção estatal para fins de criação, surgimento e validade de entidade sindical, exigindo apenas a base territorial municipal; STF não considera o registro no órgão essencial para o reconhecimento da estabilidade sindical; CR e CLT protegem o trabalhador a partir do registro de sua candidatura à direção do sindicato, proteção mais necessária ainda quando o sindicato se encontra em fase de formação. OBS 4: Limitação quanto ao mandato? Mandato: 3 anos – Artigo 515, “b” e Artigo 538, parágrafo 1o da CLT Artigo 515 da CLT: “as associações profissionais deverão satisfazer os seguintes requisitos para serem reconhecidas como sindicatos: b) duração de três anos para o mandato da diretoria;” Artigo 538, parágrafo 1º da CLT: “A Diretoria será constituída no mínimo de 3 (três) membros e de 3 (três) membros se comporá o Conselho Fiscal, os quais serão eleitos pelo Conselho de Representantes com mandato de 3 (três) anos”. Caso o Estatuto tenha previsto outro prazo? Prazo de 4 ou 5 anos de mandato para a Direção? OBS 4: Limitação quanto ao mandato? 1ª POSIÇÃO: NÃO HÁ LIMITAÇÃO DE MANDATO, MAS SIM DA ESTABILIDADE Sindicato pode prever mandato superior a 3 anos (autonomia sindical). Mas a estabilidade estaria restrita aos 3 anos previstos no artigo 515, “b” da CLT OBS 4: Limitação quanto ao mandato? 2ª POSIÇÃO: NÃO HÁ LIMITAÇÃO (AUTONOMIA SINDICAL) EDUARDO GABRIEL SAAD: "Somos de entendimento de que a letra ‘b’ do artigo em comento não foi recepcionada pela Constituição, visto que ela garantiu a liberdade das entidades sindicais se organizarem conforme as deliberações tomadas em assembleia. Se ela deliberar por um prazo maior ou menor, é esta deliberação que deverá ser respeitada por todos. Esse é, também, o entendimento do Ministério do Trabalho e Emprego" ( in CLT Comentada. São Paulo: LTr, 2021, p. 888). MAURICIO GODINHO DELGADO: "O que parece óbvio é que há dispositivos celetistas claramente não recepcionados pela nova Constituição, por traduzirem inquestionáveis intervenção e interferência administrativa do Estado na organização das entidades sindicais. É o que se passa, por exemplo, com os diversos preceitos da CLT que regulam o reconhecimento e investidura sindicais, com seus ritos e atos próprios (art. 515 e seguintes, CLT)“. ( in Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTr, 2020, pp. 1631/1632). OBS 4: Limitação quanto ao mandato? 2ª POSIÇÃO: NÃO HÁ LIMITAÇÃO (AUTONOMIA SINDICAL) ROT-28-94.2019.5.21.0000, Subseção II Especializadaem Dissídios Individuais, Relator Ministro Luiz Jose Dezena da Silva, DEJT 31/03/2023 RR-11778-88.2015.5.15.0004, 1.ª Turma , Relator Ministro Hugo Carlos Scheuermann, DEJT 22/11/2021 RR-10020-27.2013.5.05.0003, 2.ª Turma, Redatora Ministra Delaíde Miranda Arantes, DEJT 25/08/2017 Ag-ED-RR-10540-56.2015.5.03.0137, 5.ª Turma, Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 01/09/2023 RR-67500-26.2007.5.20.0012, 7.ª Turma, Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 18/12/2015 OBS 5: Dirigente de entidade patronal Posição do STF: “Intepretação restritiva do inciso VIII do art. 8º da CF. Impossibilidade. Inexistência de norma legal ou constitucional que estabeleça distinção entre o dirigente sindical patronal e o dos trabalhadores. Não perde a condição de empregado o trabalhador que, malgrado ocupe cargo de confiança na empresa empregadora, exerça mandato sindical como representante da categoria econômica. Representante sindical patronal. Dispensa no curso do mandato. Indenização e consectários legais devidos desde a data da despedida até um ano após o final domandato”. (STF, RE 217.355, Relator Ministro Maurício Correa, 2ª Turma, DJ de 02-02- 2001). Doutrina trabalhista majoritária: Não se aplica ao dirigente do sindicato da categoria econômica (pois não representa a categoria profissional a qual pertence o empregado), o que foge à intepretação teleológica do instituto. Posição de autores como Arnaldo Sussekind, Amauri Mascaro, Evaristo de Moraes Filho, Arion Romita, Martins Catharino. OBS 6: Empregado eleito para categoria diversa da empresa em que trabalha? 1a CORRENTE: Interpretação Restritiva AMAURI MASCARO: “(...) que a estabilidade conferida aos representantes dos trabalhadores está diretamente relacionada com os atos que contra ele possam praticar o empregador, em determinada relação de emprego, com características de bilateralidade, o que pressupõe a sua compreensão de modo concreto e não genérico e inespecífico”. OTÁVIO BUENO MAGANO: “que o dirigente sindical só goza da estabilidade provisória de que trata o parágrafo 3o do art. 543 da CLT, se for dirigente do sindicato representativo da categoria profissional dos empregados da empresa em que trabalhe, ou então, se for representante da categoria diferenciada”. (Manual de Direito do Trabalho, página 102). ARNALDO SUSSEKIND: “(...) a simples leitura do art. 543, já transcrito, revela claramente que a norma visa a proteger o trabalhador como empregado, contra atos do seu empregador que lhe possam impedir ou dificultar o exercício de seus direitos sindicais. Óbvio, portanto, que essa garantia não se estende ao empregado, em determinada empresa, se ele for eleito dirigente sindical em outra categoria, seja de trabalhadores, de agentes autônomos ou de empregadores”. (Instituições de Direito do Trabalho, página 613). ALICE MONTEIRO DE BARROS: “Se a função exercida pelo empregado na empresa não corresponde à da categoria profissional do sindicato para o qual foi eleito, inexistindo o nexo causal entre a sua categoria e o seu emprego, torna-se inviável conceder-lhe a estabilidade provisória a que alude o artigo 543 da CLT”. (Curso de Direito do Trabalho, página 930). 2a CORRENTE: INTERPRETAÇÃO AMPLIATIVA IMUNIDADE SINDICAL = destinada à proteção do trabalhador e da entidade sindical. Interpretação deve ser ampliativa porque se coaduna com os princípios do direito do trabalho. “(...) porque a imunidade sindical antes de proteger o trabalhador visa à própria entidade e mesmo o movimento sindical, pondo-os a salvo do arbítrio do empregador, entendemos que o dirigente sindical, ainda que de entidade alheia a seu relacionamento com o empregador, está protegido por aquele benefício. Qualquer que seja a profissão exercida no contrato de emprego, o exercício de função sindical está sempre protegido pela impunidade que decorre de seu mandato, ainda que esta diga respeito a outro enquadramento profissional”. (TST RR 5.119/86, Rel. Min. BARATA SILVA, DJU 07.08.1987, p. 15.576)” OBS 7: Categoria diferenciada? Súmula 369, III c. TST: “III - O empregado de categoria diferenciada eleito dirigente sindical só goza de estabilidade se exercer na empresa atividade pertinente à categoria profissional do sindicato para o qual foi eleito dirigente”. OBS 8: Representante dos Empregados nas empresas? Art. 510-D. da CLT O mandato dos membros da comissão de representantes dos empregados será de um ano. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) §1o O membro que houver exercido a função de representante dos empregados na comissão não poderá ser candidato nos dois períodos subsequentes. §2o O mandato de membro de comissão de representantes dos empregados não implica suspensão ou interrupção do contrato de trabalho, devendo o empregado permanecer no exercício de suas funções. §3o Desde o registro da candidatura até um ano após o fim do mandato, o membro da comissão de representantes dos empregados não poderá sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar emmotivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. §4o Os documentos referentes ao processo eleitoral devem ser emitidos em duas vias, as quais permanecerão sob a guarda dos empregados e da empresa pelo prazo de cinco anos, à disposição para consulta de qualquer trabalhador interessado, do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 Necessidade de propositura de inquérito judicial SÚMULA 379 do c. TST: “DIRIGENTE SINDICAL. DESPEDIDA. FALTA GRAVE. INQUÉRITO JUDICIAL. NECESSIDADE. O dirigente sindical somente poderá ser dispensado por falta grave mediante a apuração em inquérito judicial, inteligência dos arts. 494 e 543, §3º da CLT”. Súmula 197 do Eg. STF: “O empregado com representação sindical só pode ser despedido mediante inquérito em que se apure falta grave”. OBS: Diferença entre a estabilidade do dirigente sindical e do representante em comissão de fábrica! EXTINÇÃO DA EMPRESA OU ESTABELECIMENTO NA BASE TERRITORIAL Súmula 369, IV do c. TST: “Havendo extinção da atividade empresarial no âmbito da base territorial do sindicato, não há razão para subsistir a estabilidade”. “ESTABILIDADE SINDICAL – EXTINÇÃO DO ESTABELECIMENTO. A intenção do legislador, tanto o constituinte, como o ordinário, ao criar a garantia de emprego para o dirigente sindical, não foi garantir ao empregado um benefício pessoal, com a manutenção de seu emprego e salários, mas assegurar o livre exercício de seu mandato sindical, sem pressões ou ameaças. Assim, inexistindo qualquer arbitrariedade por parte da empresa no ato de dispensa do empregado detentor de mandato sindical, quando ocorre a extinção de um de seus estabelecimentos, não há que se falar em pagamento das verbas salariais até o término da garantia de emprego”. (TST – RR 422.964/98.2 – 2ª T. – Rel. Ministro Aloysio Corrêa da Veiga – DJU 10.08.2001). OBS: Não subsiste a estabilidade, mas persiste ou não a indenização? 1ª posição: Maurício Godinho Delgado = por analogia aos artigos 497 e 398 da CLT, deve o empregador pagar salários até o fim da estabilidade; 2ª posição: Sérgio Pinto Martins = não há qualquer tipo de estabilidade, e portanto, não há que se falar em indenização substitutiva; 3.3. MEMBROS REPRESENTANTES DOS TRABALHADORES NO CCFGTS Estabilidade legal, absoluta e provisória; Artigo 3o, parágrafo 7o da Lei 8.213/91: 3 membros; Artigo 3o, parágrafo 9o da Lei 8.036/90. Necessidade de inquérito judicial para dispensa por falta grave (justa causa). Mandato: 2 anos, com 1 recondução; Extensão da Estabilidade: Da nomeação até 1 ano após o término do MANDATO. Indicação: Centrais Sindicais; Possibilidade de aplicação analógica do artigo 500 da CLT (embora a lei não seja expressa neste sentido). Artigo 3º, §9º da Lei 8036 de 1990: “9º - Aos membros do Conselho Curador, enquanto representantes dos trabalhadores, efetivos e suplentes, é assegurada a estabilidade no emprego, da nomeação até um ano apóso término do mandato de representação, somente podendo ser demitidos ano após o término do mandato de representação, somente podendo ser demitidos por motivo de falta grave, regularmente comprovada através de processo sindical”. 3.4. DIRETORES DE COOPERATIVA Artigo 55 da Lei 5764/71: 1 ano após o fim do mandato; Estabilidade absoluta e provisória, assegurada aos DIRETORES ELEITOS DAS COOPERATIVAS criadas pelos empregados. Mandato: máximo de 4 anos (artigo 21, inciso V e artigo 47) Limitação: Aplica-se analogicamente o artigo 522 da CLT? 1ª posição: Inaplicabilidade (eis que o artigo 55 da Lei 5764 de 1971 não faz qualquer limitação no número de diretores) 2ª posição: Aplicabilidade (como o artigo 55 faz expressa remissão ao artigo 543 da CLT + princípios da razoabilidade e do não abuso do direito). Suplente: NÃO TEM ESTABILIDADE OJ 253 da SDI-1 do c. TST: “Estabilidade provisória. Cooperativa. Lei 5764/1971. Conselho Fiscal. Suplente. Não assegurada. O art. 55 da Lei 5.764/1971 assegura a garantia de emprego apenas aos empregados eleitos diretores de Cooperativas, não abrangendo os membros suplentes”. Membros do Conselho Fiscal: SEM ESTABILIDADE “Estabilidade provisória. Membro do Conselho Fiscal. Cooperativa. Empregado eleito membro do Conselho Fiscal de sociedade cooperativa não tem direito à estabilidade provisória assegurada aos dirigentes sindicais, por aplicação do art. 55 da Lei 5.764/1971”. (TST – RR 2757/09, Revista do TST, página 517) Diante da expressa analogia ao artigo 543 da CLT: 1 – Dirigente de Cooperativa só pode ser dispensado por falta grave e mediante inquérito (art. 543, §3º da CLT e Súmula 379 do TST). Problema: Competência? Justiça do Trabalho? 2 – Necessidade de comunicação ao empregador no prazo de 24 horas do registro da candidatura (artigo 543, §5º da CLT e S. 369 do TST) Questão da Aderência (entre o objeto social da cooperativa e atividades desenvolvidas pelo empregador): 1ª Posição: não há estabilidade (é preciso contraposição entre os interesses do empregador e o objeto social do empregador). Posição dominante no TST RRAg-10701-21.2016.5.03.0076, 8ª Turma, Relatora Ministra Delaide Alves Miranda Arantes, DEJT 18/12/2023 (Cooperativa Habitacional dos Bancários) ROT-102778-30.2022.5.01.0000, Subseção II Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro Luiz Jose Dezena da Silva, DEJT 20/09/2024 (Comércio Varejista de animais vivos e de artigos e alimentos para animais de estimação x bancário) Ag-RRAg-1000672-22.2021.5.02.0083, 5ª Turma, Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, DEJT 26/08/2024 (Cooperativa de Consumo x Bancário) RR 0000248-56.2022.5.17.0014, 8ª Turma, Relator Ministro José Pedro de Camargo, DEJT 06/11/2024 (Cooperativa de Aquisição de Material de Construção x Bancário) Questão da Aderência (entre o objeto social da cooperativa e atividades desenvolvidas pelo empregador): 2ª Posição: há estabilidade pois não cabe interpretação restritiva O único requisito é que seja uma Cooperativa criada pelos empregados da empresa. DISPENSA IMOTIVADA. EMPREGADO EXERCENTE DE CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA DE CONSUMO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. A garantia concedida ao empregado eleito diretor de cooperativa criada pelos próprios empregados tem por escopo resguardar o emprego do dirigente, a fim de permitir a livre persecução dos fins sociais da cooperativa, sem qualquer pressão por parte da empresa ou de seus prepostos. Ressalta-se, no entanto, que o artigo 55 da Lei nº 5.741/71 não comporta interpretação restritiva, não havendo, portanto, necessidade de relacionar a atividade do empregador com a finalidade social da cooperativa para o reconhecimento da garantia provisória de emprego do diretor de cooperativa eleito. (TRT 1, Processo ROT 01000750-92.2023.5.01.0020, Relatora Alba Valéria Guedes Fernandes da Silva, DEJT 02/10/2024) 3.5. SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS Estabilidade absoluta e definitiva (a exemplo da Estabilidade do Artigo 41 da CR). Artigo 19 do ADCT: Servidores já exercendo cargo público 5 anos antes da promulgação da CR, que institui o Regime Jurídico Único; (com exceção dos exercentes de cargo em comissão, de livre nomeação e exoneração, §2º do mesmo artigo) Contrato Público de Trabalho (Administração Direta): RJU foi extinto pela ADI 2135 que validou a Reforma Administrativa de 1998 – EC 19/1998). Administração Direta, Autárquica e Fundacional: Súmula 390, TST: “Estabilidade. Art. 41 da CF/1988. Celetista. Administração direta, autárquica ou fundacional. Aplicabilidade. Empregado de empresa pública e sociedade de economia mista. Inaplicável. I – O servidor público celetista da administração direta, autárquica ou fundacional é beneficiário da estabilidade prevista no art. 41 da CF/1988. II – Ao empregado de empresa pública ou de sociedade de economia mista, ainda que admitido mediante aprovação em concurso público, não é garantida a estabilidade prevista no art. 41 da CF/1988”. Administração Direta, Autárquica e Fundacional: Orientação Jurisprudencial 364 da SDI-1 do TST. ESTABILIDADE. ART. 19 DO ADCT. SERVIDOR PÚBLICO DE FUNDAÇÃO REGIDO PELA CLT. Fundação instituída por lei e que recebe dotação ou subvenção do Poder Público para realizar atividades de interesse do Estado, ainda que tenha personalidade jurídica de direito privado, ostenta natureza de fundação pública. Assim, seus servidores regidos pela CLT são beneficiários da estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT. Sociedades de Economia Mista e Empresa Pública: OJ 247 da SDI-1 do c. TST: I – A despedida de empregados de empresa pública e de sociedade de economia mista, mesmo admitidos por concurso público, independe de ato motivado para sua validade; II – A validade do ato de despedida do empregado da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) está condicionada à motivação, por gozar a empresa do mesmo tratamento destinado à Fazenda Pública em relação à imunidade tributária e à execução por precatório, além das prerrogativas de foro, prazos e custas processuais. Administração Indireta: RE 688.267 => dispensa motivada Tese: As empresas públicas e as sociedades de economia mista, sejam elas prestadoras de serviço público ou exploradoras de atividade econômica, ainda que em regime concorrencial, têm o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados concursados, não se exigindo processo administrativo. Tal motivação deve consistir em fundamento razoável, não se exigindo, porém, que se enquadre nas hipóteses de justa causa da legislação trabalhista. 3.6. REPRESENTANTES DOS EMPREGADOS NO CONSELHO PREVIDENCIÁRIO Estabilidade absoluta e provisória Artigo 3o, parágrafo 7o da Lei 8.213/1991: “Aos membros do CNPS, enquanto representantes dos trabalhadores em atividade, titulares e suplentes, é assegurada a estabilidade no emprego, da nomeação até um ano após o término do mandato de representação, somente podendo ser demitidos por motivo de falta grave, regularmente comprovada através de processo judicial”. Prazo: Da nomeação até 1 ano após o mandato; Contrato de Trabalho: Durante o mandato fica SUSPENSO, porque se trata de múnus público de caráter civil (ENCARGO PÚBLICO CIVIL) = Artigo 472 da CLT. Exceção: Falta Grave, que deve ser comprovada por meio de inquérito judicial. (ALICE MONTEIRO DE BARROS, página 938). 3.7. ESTABILIDADE DOS MEMBROS DA CCP Estabilidade absoluta e provisória. Só podem ser dispensados por FALTA GRAVE. Estabilidade alcança TITULARES E SUPLENTES. Artigo 625-B, parágrafo 1o da CLT: “É vedada a dispensa dos representantes dos empregados membros da Comissão de Conciliação Prévia, titulares e suplentes, até um ano após o final do mandato, salvo se cometerem falta, nos termos da lei”. Artigo 625-B, III da CLT: “III – o mandato dos seus membros, titulares e suplentes, é de um ano permitida uma recondução”. Finalidade: Garantir a livre atuação na conciliação dos conflitos individuais do trabalho dos membros representantes dosempregados, uma vez que estão a salvo das pressões do poder econômico. MANDATO: 1 ano, permitida 1 recondução. Termo final: 1 ano após o término do mandato; Termo a quo? 1) ELEIÇÃO (CORRENTE MAJORITÁRIA) SÉRGIO PINTO MARTINS: A partir da eleição do representante dos empregados; 2 – REGISTRO (Por analogia ao parágrafo 3o do artigo 543 da CLT) ALICE MONTEIRO DE BARROS: ’’Embora a lei seja omissa, entendemos que o início da estabilidade deverá coincidir com o registro da candidatura (aplicação analógica do art. 543, parágrafo 3o da CLT), pois a se admitir a garantia de emprego apenas a partir da eleição, poderá ser dispensado o candidato dos empregados que não desfrute da simpatia do empregador, inviabilizando a independência que deverá existir no desempenho dessas funções, com a discriminação do candidato cuja linha de pensamento não coincida com a dos interesses empresariais”. (página 938). Por analogia também ao artigo 10, I, “a” do ADCT (membros da CIPA): MARCELLO RIBEIRO SILVA: “(...) temos que deverá ser considerada a data do registro da candidatura do trabalhador ao cargo de conciliador, por analogia ao disposto no art. 8º, VIII, da Carta Magna e art. 10, I, a, do ADCT da Constituição Federal, referentemente a estabilidade dos dirigentes sindicais e dos cipeiros”. (Breves Comentários à Lei 9958/2000, Revista Sinthesis). OBS: Durante o mandato: hipótese de INTERRUPÇÃO do CONTRATO DE TRABALHO §2º do art. 625-B (período de afastamento dos representantes dos empregados, quando convocados para atuarem como conciliadores, serão computados como tempo de serviço efetivo. Assim, farão jus à remuneração normal na empresa, bem como à contagem regular do tempo de serviço despendido nas Comissões de Conciliação Prévia). 3.8. ACIDENTE DE TRABALHO Artigo 118 da Lei 8213/1991: “O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de 12 (doze) meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente”. Estabilidade Absoluta e Provisória CABIMENTO Artigo 19 da Lei 8.213/91 define Acidente de Trabalho como sendo: “[...] o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho”. Artigo 20 da Lei 8.213/91: “Consideram-se acidente de trabalho, nos termos do artigo anterior, as seguintes entidades mórbidas: I – doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social; II – doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I”. REQUISITOS Súmula 378, II do c. TST: “São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego”. REQUISITOS Tema 125 de IRR (RR 0020465-17.2022.5.04.0521) Para fins de garantia provisória de emprego prevista no artigo 118 da Lei nº 8.213/1991, não é necessário o afastamento por período superior a 15 (quinze) dias ou a percepção de auxílio-doença acidentário, desde que reconhecido, após a cessação do contrato de trabalho, o nexo causal ou concausal entre a doença ocupacional e as atividades desempenhadas no curso da relação de emprego. ESTABILIDADE NO CURSO DO AVISO PRÉVIO Súmula 371 do c. TST: “AVISO PRÉVIO INDENIZADO. EFEITOS. SUPERVENIÊNCIA DE AUXÍLIO-DOENÇA NO CURSO DESTE. A projeção do contrato de trabalho para o futuro, pela concessão do aviso prévio indenizado, tem efeitos limitados às vantagens econômicas obtidas no período de pré-aviso, ou seja, salários, reflexos e verbas rescisórias. No caso de concessão de auxílio-doença no curso do aviso prévio, todavia, só se concretizam os efeitos da dispensa depois de expirado o benefício previdenciário”. ESTABILIDADE NO CONTRATO A PRAZO DETERMINADO Súmula 378 do TST. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. ACIDENTE DO TRABALHO. ART. 118 DA LEI N. 8.213/1991. CONSTITUCIONALIDADE. PRESSUPOSTOS. III — O empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego, decorrente de acidente de trabalho, prevista no art. 118 da Lei n. 8.213/1991 3.9 - ESTABILIDADE DA GESTANTE Estabilidade relativa e provisória. Artigo 10, inciso II, “b” do ADCT: “da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto”. PRAZO: Confirmação da gravidez até 5 meses após o parto; ESTABILIDADE DA GESTANTE OBS: Necessária a ciência do empregador? Súmula 244, I do c. TST: “I – O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade”. RE 629053 (com repercussão geral): “A incidência da estabilidade prevista no artigo 10, inciso II, alínea ‘b’, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), somente exige a anterioridade da gravidez à dispensa sem justa causa”. Pedido de reintegração após o prazo configura abuso de direito? Súmula 244, II do c. TST: “II – A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração se esta se der durante o período de estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos salários e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade”. Pedido de reintegração após o prazo configura abuso de direito? OJ 399, SDI-1 do TST: “ESTABILIDADE PROVISÓRIA. AÇÃO TRABALHISTA AJUIZADA APÓS O TÉRMINO DO PERÍODO DE GARANTIA NO EMPREGO. ABUSO DO EXERCÍCIO DO DIREITO DE AÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. INDENIZAÇÃODEVIDA.(DEJT divulgado em 02, 03 e 04.08.2010) O ajuizamento de ação trabalhista após decorrido o período de garantia de emprego não configura abuso do exercício do direito de ação, pois este está submetido apenas ao prazo prescricional inscrito no art. 7º, XXIX, da CF/1988, sendo devida a indenização desde a dispensa até a data do término do período estabilitário”. OBS: Contrato de Experiência (contrato a prazo determinado): HÁ ESTABILIDADE Súmula 244, inciso III do TST: III – A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissãomediante contrato por tempo determinado. IAC 5639-31.2013.5.12.0051 => TST entendeu em Tese Jurídica Vinculante que não se aplica ao contrato temporário (Lei 6.019/74) OBS 2: No curso do Aviso Prévio indenizado ou trabalhado HÁ ESTABILIDADE CLT, Art. 391-A. A confirmação do estado de gravidez advindo no curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se ao empregado adotante ao qual tenha sido concedida guarda provisória para fins de adoção. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 OBS 3: Exame demissional para constatar a gravidez? CLT, Art. 373-A. Ressalvadas as disposições legais destinadas a corrigir as distorções que afetam o acesso da mulher ao mercado de trabalho e certas especificidades estabelecidas nos acordos trabalhistas, é vedado: IV - exigir atestado ou exame, de qualquer natureza, para comprovação de esterilidade ou gravidez, na admissão ou permanência no emprego; LUCIANO MARTINEZ: “Note-se que o mencionado dispositivo veda a exigênciado exame unicamente diante das situações que dizem respeito ao acesso ou à permanência no emprego. Nada obstaculiza, portanto, o exame para a constatação de óbices ao desligamento, desde que a empregada, é óbvio, admita a sua realização”. (Curso de Direito do Trabalho, página 1329) POSSIBILIDADE DE PEDIDO DE DEMISSÃO? 1a corrente: SIM Sendo a estabilidade relativa, há esta possibilidade; Até o dirigente sindical (que goza de estabilidade absoluta) pode fazê-lo, desde que seguindo as formalidades do artigo 500 da CLT. 2a corrente: NÃO OJ 30 da SDC: “ESTABILIDADE DA GESTANTE – RENÚNCIA OU TRANSAÇÃO DE DIREITOS CONSTITUCIONAIS – IMPOSSIBILIDADE – Nos termos do art. 10, II, a, do ADCT, a proteção à maternidade foi erigida à hierarquia constitucional, pois retirou do âmbito do direito potestativo do empregador a possibilidade de despedir arbitrariamente a empregada em estado gravídico. Portanto, a teor do art. 9º da CLT, torna-se nula de pleno direito a cláusula que estabelece a possibilidade de renúncia ou transação, pela gestante, das garantias referentes à manutenção do emprego e salário". JORGE PINHEIRO CASTELO: o que "está sendo diretamente protegido não é o direito individual patrimonial da empregada gestante, mas, direito não patrimonial individual e difuso: a) direito da personalidade da empregada pertinente à função procriadora da mulher trabalhadora; b) direito difuso não patrimonial da sociedade relacionado com a garantia das futuras gerações".(in Tutela antecipada de obrigação de fazer no Processo do Trabalho – a difícil caminhada em direção à modernidade e à efetividade. In revista LTr 63-08/1025 25). ESTABILIDADE DA GESTANTE Tema 55 de IRR (Processo 0000427-27.2024.5.12.0024) A validade do pedido de demissão da empregada gestante, detentora da garantia provisória de emprego prevista no artigo 10, inciso II, alínea "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), está condicionada à assistência do sindicato profissional ou da autoridade local competente, nos termos do artigo 500 da CLT. 3.10 – MEMBRO DA CIPA Constituição: Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a que se refere o art. 7º, I, da Constituição: II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: a) do empregado eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato; CLT, artigo 165: Os titulares da representação dos empregados nas CIPA (s) não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. Parágrafo único - Ocorrendo a despedida, caberá ao empregador, em caso de reclamação à Justiça do Trabalho, comprovar a existência de qualquer dos motivos mencionados neste artigo, sob pena de ser condenado a reintegrar o empregado. OBS: Suplentes: ALICE MONTEIRO DE BARROS: “(...) não há mais razão legal para excluí-los desse direito, porquanto o art. 10, II, “a”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias não estabeleceu distinção entre titular e suplente, estendendo a garantia aos representantes dos empregados eleitos para “cargo de direção”, e este, invocando-se o artigo 543 da CLT, por analogia, é aquele cujo exercício dependa da eleição”. (página 931). Súmula 676 do STF: “A garantia da estabilidade provisória prevista no artigo 10, II, “a” do ADCT, também se aplica ao suplente do cargo de direção de Comissões internas de prevenção de acidentes (CIPA)”. Súmula 339 do TST: “I – O suplente da CIPA goza da garantia de emprego prevista no artigo 10, II, “a” do ADCT a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 ”. OBS: Não há necessidade de inquérito judicial Artigo 165 da CLT + Artigo 10, II, “a” da CR. Artigo 165 da CLT: “Os titulares da representação dos empregados nas CIPAS não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro”. Estabilidade é relativa: Extinção do estabelecimento não gera sequer direito à indenização: Súmula 339, inciso II do TST: “A estabilidade provisória do cipeiro não constitui vantagem pessoal, mas garantia para as atividades dos membros da CIPA, que somente tem razão de ser quando em atividade a empresa. Extinto o estabelecimento, não se verifica a despedida arbitrária, sendo impossível a reintegração e indevida a indenização do período estabilitário”. Representantes dos empregadores: Tem estabilidade? ALICE MONTEIRO DE BARROS: “Já o empregado, membro da CIPA, representante do empregador e por ele indicado, não se estende a garantia em exame, a qual cinge-se ao empregado eleito pelos colegas, como se infere do artigo 10, II, “a” do Ato das Disposições Transitórias”. (página 932). Artigo 10, II, “a” da CR: ESTABILIDADE PARA O EMPREGADO ELEITO. Representante do empregador é indicado, não eleito. 3.11 – PERÍODO PRÉ-ELEITORAL Art. 73, V, da Lei n. 9.504/97: proibição de “nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos, sob pena de nulidade de pleno direito”. OBS: Só para empregados públicos (celetistas) da Administração Direta e Indireta OJ 51 da SDI-1 do TST: “LEGISLAÇÃO ELEITORAL. EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. Aos empregados das empresas públicas e das sociedades de economia mista regidos pela CLT aplicam-se as vedações dispostas no artigo 15 da Lei 7.773 de 08.06.1989”. (Artigo 15 da Lei, também veda demissão de empregados da Administração Direta e Indireta) OBS 2: Há quem defenda que tal estabilidade só se aplica à circunscrição do pleito (Art. 86 do Código Eleitoral => presidente (todo país); governador e deputados estaduais (Estado) e prefeito/vereadores (Município) ESTABILIDADE E GARANTIAS DE EMPREGO Prof. Marcos Dias de Castro Juiz do Trabalho do TRT/1ª Região @papotrabalhistaoficial