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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO AULA 2 Prof.ª Genoveva Ribas Claro 2 CONVERSA INICIAL Anteriormente, você conheceu teorias que embasam a prática pedagógica com auxílio da Psicologia da Educação. Nesta abordagem, conversaremos sobre uma teoria de suma importância para a educação, mesmo essa teoria não tendo sido elaborada para as concepções educacionais. Já ouviu a expressão Freud explica? Pois bem, provavelmente sim, não é mesmo? Freud explicou muita coisa, falou sobre religião, vida cotidiana, tratamento psíquico, desenvolvimento sexual, personalidade, dentre tantos outros temas. Com essas pistas, você já sabe sobre qual a teoria iremos estudar, não é mesmo? Se você disse psicanálise, acertou. A psicanálise foi a teoria desenvolvida por Freud para tratar os distúrbios neuróticos de seus pacientes. Aqui surge outra indagação, qual o motivo dessa teoria ser importante para a educação? Essa última pergunta iremos responder ao longo desta abordagem. A psicanálise trabalha com inúmeras metáforas e linguagens figuradas, o que às vezes pode causar um certo estranhamento para quem inicia os estudos psicanalíticos. Para subsidiar recursos que deixem as metáforas e a linguagem simbólica mais acessível, se faz de suma importância que tenhamos acesso ao que chamamos de dicionário de psicanálise; existem inúmeros para serem consultados, inclusive, em próprios sites de buscas, existem dicionários gratuitos que podemos baixar e utilizar em nossos estudos. A psicanálise é uma corrente ou ainda uma matriz do pensamento em psicologia, o que faz com que suas articulações sejam realizadas em diferentes âmbitos, como exemplo, na saúde, na educação, na instituição, na psicopatologia, dentre outras áreas. A psicanálise surge inicialmente em um contexto puramente clínico, contudo, com a sociedade em transformação, conseguimos articulá-la com o que chamamos de temas contemporâneos, isso é, com a adolescência, com o autismo, com o TDAH, com relações étnico-raciais, dentre tantos outros campos de grande importância para o estudo da Psicologia da Educação. A psicanálise, aqui, não tem o intuito de ser utilizada como instrumento clínico, mas, sim, como aporte teórico e técnico de observações das dinâmicas 3 dos estudantes em sala de aula e como se inter-relacionam, bem como o entendimento de suas possíveis dificuldades de aprendizagem. TEMA 1 – FREUD, PSICANÁLISE E CONCEITUAÇÃO Créditos: Yuri Turkov/Shutterstock. “Freud explica!”. “Nossa, você cometeu um ato falho, nossa, sua piada tem um tom de maldade”. Muito provavelmente, você já falou ou ouviu algumas dessas expressões. Todas elas possuem e são oriundas de contextos psicanalíticos, logo, aqui começamos a discorrer sobre o seu fundador, Sigmund Freud, uma cabeça ativamente pensante, que influenciou e influencia até a contemporaneidade a sociedade. Sigmund Freud foi um médico austríaco, nascido em 06 de maio de 1856 na Morávia e falecido em 1939 em Londres. Casou-se com Martha Bernays (1886–1939). Foi um brilhante aluno, com grandes ambições. Foi também pai de vários filhos, inclusive uma delas, Anna Freud, seguiu os passos do pai e se tornou uma brilhante psicanalista, pedagoga de formação, trabalhava sobretudo com crianças. Freud e sua família são de origem judaica, sobretudo, em virtude disso, sofriam perseguições; muitos de seus livros foram censurados e queimados no período do nazismo. Zimerman (2007) comenta que Freud teve dificuldades financeiras na época da faculdade, precisou recorrer a bolsas de estudos para conseguir terminar seu curso. Mais tarde, se especializou em psiquiatria e estagiou em diferentes laboratórios. A psiquiatria da época de Freud é totalmente diferente da época atual, era uma psiquiatria com enfoque biológico, isto é, não considerava as causas das origens dos adoecimentos mentais sob um olhar psicológico, e sim com um 4 enfoque de um paradigma biomédico, isto é, as doenças mentais, na concepção da época, eram de origem biológica, portanto, os tratamentos eram realizados com banhos quentes, eletrochoque, ervas medicinais dentre outros recursos (Zimerman, 2007). Freud, que sempre foi muito curioso e se questionava acerca do adoecimento psíquico, ouviu falar de um médico que trabalhava com sugestão da consciência, isto é, a hipnose. Esse profissional se chamava Charcot, e Freud foi estagiar com ele no Hospital da Salpêtrière – Paris, no ano de 1885. O interessante é que o que aguçou a curiosidade de Freud a querer se aprofundar na hipnose foram os relatos recebidos de Breuer, que estava empregando um método chamado talking cure, ou cura pela fala, que se baseava na hipnose de Charcot. Freud publicou seu livro juntamente com Breuer sobre muitos casos clínicos atendidos por ele. A obra chamava-se Estudos Sobre a Histeria, a obra inicial e antecessora à psicanálise. Leitura complementar FREUD, Sigmund, 1856-1939. Obras completas, volume 2: estudos sobre a histeria (1893-1895) em coautoria com Josef Breuer. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. Em continuidade, Freud, em seu estágio no hospital de Paris, percebeu que o método da hipnose, isto é, da sugestão da consciência, não surtia muito efeito, o que fez com que questionasse muito esse método. Esses questionamentos aumentaram tendo em vista que Freud percebia uma melhora mais significativa, quando suas pacientes falavam livremente após o fim da sessão. Essas percepções de Freud fizeram com que ele abandonasse a hipnose e desse o pontapé inicial na psicanálise, criando o que ele chama de associação livre de ideias. Essa técnica busca fazer com que o paciente fale e associe livremente suas ideias, sem que tenha interrupções. A primeira paciente de Freud, Ana O, que foi atendida em parceria com Breuer, fez com que Freud entendesse que não deveria interromper seus pacientes enquanto falavam, isso ficou evidente pela fala de sua paciente Emmy Von N que disse a ele: “Fique quieto! Não diga nada! Não me toque!”. Essa paciente foi a divisora de águas acerca do surgimento da psicanálise, publicando diversos livros após diversos casos atendidos. Mas então, o que seria a Psicanálise? De acordo com Zimerman (2017, p. 31), a 5 psicanálise é: “um procedimento de investigação dos processos mentais, um método de tratamento e uma disciplina científica”. Ainda encontramos como definição: Termo criado por Freud em 1896 para nomear um método particular de psicoterapia (ou tratamento pela fala) proveniente do processo catártico (catarse) de Josef Breuer e pautado na exploração do inconsciente, com a ajuda da associação livre, por parte do paciente, e da interpretação, por parte do psicanalista. (Roudinesco; Plon, 1998, p. 603) Ainda podemos encontrar: Modalidade de tratamento que se restringe aos referenciais e fundamentos da ciência psicanalítica tal como ela foi legada por Freud, isto é, o terapeuta trabalha essencialmente com a noção dos princípios e leis que regem o inconsciente dinâmico, e a prática clínica conserva uma obediência aos requisitos psicanalíticos básicos, tais como a instituição e a manutenção de um setting adequado, uma atenção prioritária na existência de um campo analítico, com as respectivas resistências, transferências, contratransferência, além de uma continuada atividade interpretativa. (Zimerman, 2017, p. 71) A psicanálise, portanto, é um método interpretativo, uma disciplina científica que pode ser utilizada como método de pesquisa, e ainda um tratamento pensado dentro do contexto da interpretação de ideias e associações do próprio paciente. Outro ponto que é interessante mencionarmos é que a psicanálise utiliza como materiais únicos o divã e a fala do paciente. TEMA 2 – INCONSCIENTE, CONSCIENTE E PRÉ-CONSCIENTE Figura 1 – Metáfora do iceberg Crédito: Wasteresley Lima.6 Freud deu um nome muito interessante para uma de suas principais teorias, isto é, a Teoria Topográfica. A palavra topografia é oriunda de lugar, isto é, a teoria de Freud buscava apresentar a mente humana dividida em instâncias psíquicas. Essas instâncias são chamadas de inconsciente, pré-consciente e consciente; outro nome dado à teoria é Primeira Tópica Freudiana, ou ainda, Aparelho Psíquico. A primeira estrutura é o consciente; como o nome já diz, significa estar consciente. Essa instância não possui função de registro, mas sim de receber informações do mundo interno e também do externo. Por exemplo, neste exato segundo você está lendo este material, logo, está consciente que está realizando a leitura, neste sentido, “a maior parte das funções perceptivo-cognitivas- motoras do ego – como as de percepção, pensamento, juízo crítico, evocação, antecipação, atividade motora, etc., processam-se no sistema consciente” (Zimerman, 2007, p. 82). A segunda instância, conforme apresentado pela imagem, é o pré- consciente, fica entre a consciência e o inconsciente e funciona sobretudo como uma barreira. O pré-consciente funciona como um pequeno arquivo de registros facilmente acessado. Por exemplo, você se lembra do que almoçou hoje? Pois bem, só é possível realizar essa lembrança pois você possui o pré-consciente. Vale ainda mencionar que o pré-consciente é responsável por dizer o que vai para a consciência ou não, ou o que é recalcado da consciência para o inconsciente. Neste sentido, o sistema pré-consciente: Foi concebido como estando articulado com o consciente e, tal como surge no Projeto..., onde ele aparece esboçado com o nome de “barreira de contato”, funciona como uma espécie de peneira que seleciona aquilo que pode, ou não, passar para o Consciente. Ademais, o pré-consciente também funciona como um pequeno arquivo dos registros, de modo que a ele cabe sediar a fundamental função de conter as “representações-palavra” (Zimerman, 2007, p. 82) Na visão de Nasio (1999, p. 25-26): O recalcamento é um adensamento de energia, uma chapa energética que impede a passagem dos conteúdos inconscientes para o pré- consciente. Ora, essa barreira não é infalível: alguns conteúdos inconscientes e recalcados vão adiante, irrompem abruptamente na consciência, sob forma disfarçada, e surpreendem o sujeito, incapaz de identificar sua origem inconsciente. Eles aparecem na consciência, portanto, mas permanecem incompreensíveis para o sujeito, que os vive frequentemente sob angústia. 7 A última instância da teoria, denominada inconsciente, é a parte mais arcaica do aparelho psíquico. Nele estão os medos, os anseios, os conteúdos traumáticos recalcados da consciência. Zimerman (2007, p. 83) comenta que “o inconsciente também consiste num depósito de repressões secundárias, as quais chegaram a emergir sob forma disfarçada no consciente (como nos sonhos ou sintomas) e voltam a ser reprimidas para o Inconsciente.”. Alguns conteúdos podem fugir para a consciência, e costumam se manifestar em formato de sonhos, chistes e atos falhos. O inconsciente possui algumas perspectivas, conforme apresentado no esquema a seguir. Fonte: Ribas Claro com base em Nasio, 1999. O inconsciente descritivo, conforme o nome já diz, como explicamos descritivamente o inconsciente, ou ainda, quando observamos alguma manifestação dele. O inconsciente sistêmico é definido como um sistema de relações e inter-relações, de maneira complexa. O inconsciente dinâmico, como o nome diz, está relacionado à luta entre as pulsões, por exemplo, e também à perspectiva de que o inconsciente não é estático, ele muda e se transforma, é atemporal. O inconsciente econômico diz respeito à energia empregada para situações. Por fim, o inconsciente ético tem significado partindo da perspectiva da satisfação do desejo e a questão de nunca atingir a satisfação plena (Nasio, 1999). A teoria topográfica de Freud vem trazer a perspectiva do funcionamento da mente humana e as formas de manifestações de cada uma das instâncias, traumas, fraturas e questões mal elaboradas, em determinados momentos 8 podem ser recalcadas pelo inconsciente e em determinados momentos podem se materializar em forma de sintomas. TEMA 3 – ID, EGO E SUPEREGO Créditos: Crystal Eye Media/Shutterstock. 9 Freud, após desenvolver a teoria topográfica, que dividia a mente humana em três instâncias, percebeu que ainda faltava algo, e esse algo iria ao encontro da personalidade do sujeito. Para tanto, criou o que ele denominou de Teoria Estrutura, ou Segunda Tópica, comumente conhecida também como Teoria da Personalidade. Mais uma vez, Freud dividiu a teoria em três estruturas, sendo elas o Id, o Ego e o Superego, sendo que cada uma dessas estruturas são regidas pelo que Freud denominou de princípios. A primeira estrutura, ID, também é conhecida como uma das partes mais arcaicas do aparelho psíquico por ser uma instância inconsciente. O princípio regido pelo ID é o princípio do prazer, desconhece regras e normas sociais, sempre está em busca de sua satisfação, neste sentido: O id foi concebido como um conjunto de conteúdos de natureza pulsional e de ordem inconsciente, constituindo o polo psicobiológico da personalidade. É considerado a reserva inconsciente dos desejos e impulsos de origem genética […]. Do ponto de vista “funcional”, o id é regido pelo princípio do prazer, ou seja, procura a resposta direta e imediata a um estímulo instintivo, sem considerar as circunstâncias da realidade. Assim, o id tem a função de descarregar as tensões biológicas, regido pelo “princípio do prazer”. (Lima, 2010, p. 281) A segunda instância criada por Freud é o Ego, atua como um mediador entre o Id e o Superego, regido pelo princípio da realidade. Imagine uma balança que precisa sempre estar equilibrada, pois bem, este é o Ego. Lima (2010, p. 281) comenta que: [O ego] se desenvolve a partir da diferenciação das capacidades psíquicas em contato com a realidade exterior. Sua atividade é, em parte, consciente (percepção e processos intelectuais) e, em parte, pré-consciente e também inconsciente. É regido pelo princípio da realidade, que é o fator que se incumbe do ajustamento ao ambiente e da solução dos conflitos entre o organismo e a realidade. O ego lida com a estimulação que vem tanto da própria mente como do mundo exterior. Desempenha a função de obter controle sobre as exigências das pulsões, decidindo se elas devem ou não ser satisfeitas, adiando essa satisfação para ocasiões e circunstâncias mais favoráveis ou reprimindo parcial ou inteiramente as excitações pulsionais. Assim, o ego atua como mediador entre o id e o mundo exterior, tendo que lidar também com o superego, com as memórias de todo tipo e com as necessidades físicas do corpo. A última estrutura é chamada de Superego, atua como um juiz, censurando as ações do Id e do Ego. Ele não tolera frustrações, sobretudo em virtude do seu princípio que se configura pelo princípio do dever. Herman (2015, p. 54) comenta que o superego: 10 Nada mais é do que uma parte bastante diferenciada do ego. Tão diferenciada que seus interesses separam-se daqueles do ego e podem se lhes contrapor frontalmente. O superego é uma espécie de censor das funções do ego, estimula o que se deve processar, proíbe o resto. Para realizar essa tarefa ingrata − ingrata para o ego −, ele se baseia nas normas morais que se fixam a partir dos primeiros anos de vida. Há uma pequena discussão, entre os psicanalistas, para saber quando exatamente se forma o superego: para Freud e para os freudianos, ele é uma espécie de legado da resolução do complexo de Édipo, coisa lá dos três ou quatro anos de idade. A teoria estrutural de Freud, para a Psicologia da Educação, se configura primordialmente com o entendimento das nossas ações, ou seja, das ações dos estudantes,das suas atitudes, de seu funcionamento e de suas percepções, em nosso caso, na sala de aula. Leitura complementar SILVA, Gustavo Thayllon França. Desenvolvimento humano nas diferentes faixas geracionais. 1 ED. Intersaberes, Curitiba, 2022. TEMA 4 – TEORIA DO DESENVOLVIMENTO NA PERSPECTIVA PSICANALÍTICA Antes de prosseguirmos com a teoria psicanalítica, que tal assistirmos um documentário que versa sobre a história da Psicanálise? Dica de vídeo Assista ao documentário chamado A invenção da Psicanálise para complementar o entendimento dos conteúdos desta abordagem. Disponível em: . Acesso em: 5 fez. 2025. Agora que assistimos ao documentário, vamos discorrer sobre outra teoria desenvolvida por Freud, chamada de Teoria do Desenvolvimento Psicossexual. Freud chocou toda a sociedade de Viena, afirmando que a criança possuía uma sexualidade, e é comum que negligenciemos esses assuntos, tendo em vista que geralmente confundimos a sexualidade infantil com aquela que aparece na puberdade (Freud, 1901-1905). Freud, 1901-1905) traz esse assunto no seu livro Os Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, no qual ele menciona ainda que em nossa infância sempre existem marcas importantes e que tais marcas podem trazer elementos psicológicos positivos e ou ainda negativos; nos negativos, podemos denominá- los de traumas. 11 A sexualidade da criança não acontece no intercurso sexual, ou no coito, mas sim por meio da gratificação que acontece em cada um dos estágios, ou seja, a fonte da libido perpassa por diversas áreas do corpo, e essa energia e gratificação vai se modificando de área conforme a criança vai sendo gratificada corretamente e novas aprendizagens vão acontecendo. Roudinesco e Plon (1999, p. 471) definem libido da seguinte forma: Termo latino (libido = desejo*), inicialmente utilizado por Moriz Benedikt* e, mais tarde, pelos fundadores da sexologia* (Albert Moll* e Richard von Krafft-ebing*), para designar uma energia própria do instinto sexual, ou libido sexualis. Sigmund Freud* retomou o termo numa acepção inteiramente distinta, para designar a manifestação da pulsão* sexual na vida psíquica e, por extensão, a sexualidade* humana em geral e a infantil em particular, entendida como causalidade psíquica (neurose*), disposição polimorfa (perversão*), amor-próprio (narcisismo*) e sublimação* Feist (2015, p. 27) afirma que: Freud (1917/1963) dividiu o período infantil em três fases, de acordo com qual das três zonas erógenas primá- rias cujo desenvolvimento é o mais relevante. A fase oral começa primeiro e é seguida, em ordem, pela fase anal e pela fase fálica. Os três períodos infantis se sobrepõem uns aos outros, e cada um continua após o início dos estágios posteriores. Essas fases, conforme apresentado por Freud, possuem ainda outras divisões. Mas vamos à primeira, sendo a fase oral, a zona erógena. Esta concentra-se na boca, ou seja, por meio da sucção a criança busca se satisfazer, por meio da alimentação. Náscio (1999) comenta que a satisfação é para além do sugar e da alimentação, mas sim envolve “pôr em movimento os lábios, a língua e o palato, numa alternância ritmada.” (p. 61). Uma lembrança importante é que a fase oral vai do nascimento a mais ou menos 18 meses de idade. A fase anal inicia-se após a fase oral. Nesse caso, a zona erógena é o ânus. Inicia-se nesta fase o controle dos esfíncteres. Nesse sentido, Feist (2015, p. 28) comenta que: Durante o período anal inicial, as crianças encontram satisfação destruindo ou perdendo objetos. Nessa época, a natureza destrutiva do impulso sádico é mais forte do que a erótica, e as crianças, com frequência, se comportam agressivamente em relação a seus pais por frustrá-las com o treinamento esfincteriano. Então, quando entram no período anal final, elas, por vezes, assumem um interesse amistoso em relação a suas fezes, um interesse que provém do prazer erótico de defecar. Com frequência, apresentam suas fezes aos pais como um presente valioso. 12 Outra fase denomina-se fase fálica, que se inicia por volta dos quatro anos. Nesse momento têm início as curiosidades infantis, é a fase das descobertas e dos porquês, inicia-se também o entendimento anatômico do sexo masculino e feminino. Zimerman (2007) afirma que: Permitirá verificar que a maioria delas se refere às origens das diferenças entre pares opostos, como masculino-feminino; seio-pênis; grande-pequeno etc., e que a constatação progressiva dessas diferenças provoca um acréscimo de angústia, que encontra alívio numa explicação adequada por parte do educador; caso contrário, obrigará a criança a construir as mais estapafúrdias teorias. (p. 94) Neste ínterim, temos o que chamamos de período de latência, no qual não existem agora as zonas erógenas, a energia libidinal fica estagnada. A concentração nesse período, que se inicia aos seis anos, é a curiosidade das crianças pelo processo de socialização. Esse período vai ao encontro do início da escolarização, portanto, muitos estímulos são ofertados neste período. Por fim, temos a fase genital, iniciada pela puberdade e pela adolescência, a procura por grupos de referência, relacionamentos amorosos, aceitação no mundo dos adultos. TEMA 5 – PSICANÁLISE, EDUCAÇÃO E CONCEITOS FUNDAMENTAIS Dica de vídeo Antes de iniciarmos nossas discussões neste tópico, convido você a assistir ao vídeo abaixo. Psicologia da educação – Psicanálise e educação. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. O que é a Psicologia da educação e quais as contribuições da Psicanálise? Essa questão é de suma importância para finalizarmos este conteúdo, não é mesmo? A Psicologia da Educação é uma área de pesquisa e prática que busca subsidiar melhorias contínuas no trabalho pedagógico da escola. Enquanto a psicanálise é uma disciplina científica, um método que busca entender a relação inconsciente dos sujeitos e suas manifestações na vida cotidiana. Primeiramente, a psicanálise pode ser utilizada como instrumento teórico e técnico para observação e intervenção nas dificuldades de aprendizagem. Partindo do arcabouço psicanalítico, podemos entender a origem dessas 13 dificuldades, isto é, se é uma origem inconsciente causada por um trauma ou ainda uma origem social. A psicanálise na escola serve como ponto de partida para uma escuta daquele estudante, que é singular, mas que, ao mesmo tempo, é plural em uma massa, por exemplo. Outra questão que é interessante discutirmos é o processo de transferência e contratransferência. Mesmo sabendo que Freud desenvolveu a psicanálise para tratamento dos distúrbios neuróticos, ele desenvolveu a transferência como o vínculo que acontece em paciente e analista; em nosso contexto, temos o vínculo entre aluno e professor. Temos dois tipos de transferência, a positiva e a negativa. A primeira é aquele vínculo positivo entre o aluno e o professor, onde acontece um processo de ensino e aprendizagem fluido e assertivo, acontece a colaboração e a confiança. A transferência negativa é aquela em que não existe um vínculo positivo, como exemplo, aquele estudante que não tem uma relação de confiança com o professor. Outros aspectos importantes que merecem atenção sob a perspectiva da Psicanálise é que a sala de aula se manifesta como um grupo que possui estudantes de mesma faixa etária, mas com criações, culturas, religiões diferentes, mas que possuem como objetivo único a aprendizagem. Zimerman (2008, p. 109) apresenta algumas características dos grupos: Espírito de grupo: no livro Experiências em grupos, Bion destacou uma série de características que legitimam o “espírito” que unifica e determina a dinâmica do campo grupal. Destacar as seguintes oito características: um objetivo comum de todos os componentes; o reconhecimentodos limites do grupo e das posições e funções do grupo em relação a outros grupos; a capacidade para absorver e per- der membros; a liberdade e o valor em relação aos subgrupos que se formam; a valorização das individualidades dentro do grupo; a capacidade para enfrentar o descontentamento interno; a tradição do grupo como possível oposição ao surgimento de ideias novas deste grupo; o líder e o grupo comungando uma mesma “fé” Mentalidade grupal: alude ao fato de que um grupo adquire uma unanimidade de pensamento e de objetivo, a qual transcende aos indivíduos e se institui como uma entidade à parte. Cultura do grupo: resulta do conflito de uma oposição entre as necessidades da “mentalidade grupal” e as de cada indivíduo em particular. Valência: é um termo, extraído da química (o número de combinações que um átomo estabelece com outros átomos), que designa a aptidão de cada indivíduo combinar-se com os demais, em função dos fatores inconscientes de cada um. Bion alertava para o fato de que “sempre teria que haver algumas valências disponíveis para ligar-se a algo que ainda não aconteceu”. 14 Cooperação: designa a combinação entre duas ou mais pessoas que interagem sob a égide da razão; logo, é própria do funciona- mento do que Bion denomina como “grupo de trabalho”. Existem outras inúmeras características que podemos observar no contexto grupal e na aprendizagem. O que vale aqui é mencionar que a psicanálise é uma teoria e uma técnica fértil de trabalho com uma interface na educação. Precisamos entender que somos psicodinâmicos, nós mudamos, e que essas mudanças trazem novos desejos. NA PRÁTICA A psicanálise, como diz Freud, é em essência a cura pelo amor. Partindo desta premissa, como prática desta abordagem, convido você a assistir uma série de vídeos que trabalham os conceitos fundamentais em Psicanálise, e na sequência, deixaremos o comando e o enunciado da atividade. • Vídeo 01. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 02. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 03. Disponível em: Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 04. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 05. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 06. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 07. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. 15 • Vídeo 08. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 09. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 10. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 11. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. • Vídeo 12. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. Partindo dos vídeos assistidos, elenque um conceito de cada abordagem e transcreva para as linhas abaixo, lembrando que você precisará ampliar o conceito elaborado com textos e artigos, ou seja, ampliando as pesquisas em bases de dados confiáveis. • Conceito 1__________________________________________ • Conceito 2__________________________________________ • Conceito 3__________________________________________ • Conceito 4__________________________________________ • Conceito 5__________________________________________ • Conceito 6__________________________________________ • Conceito 7__________________________________________ • Conceito 8__________________________________________ • Conceito 9__________________________________________ • Conceito 10_________________________________________ • Conceito 11_________________________________________ • Conceito 12 ________________________________________ FINALIZANDO 16 Como diz Freud, é importante recordarmos os conteúdos para podermos elaborar uma situação em nosso contexto. Por isso, faça uma análise sintética dos tópicos que foram tratados nesta abordagem. 17 REFERÊNCIAS BOCK, A. M. B. et al. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 15. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. FEIST, J. et al. Teorias da personalidade. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015. HERRMANN, F. O que é psicanálise: para iniciantes ou não. 14. ed. São Paulo: Blucher, 2015. LIMA, A. P. de. O modelo estrutural de Freud e o cérebro: uma proposta de integração entre a psicanálise e a neurofisiologia. Revista de Psiquiatria Clínica, São Paulo, v. 37, n. 6, p. 270-277, 2010. NASIO, J.-D. O prazer de ler Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999. ROUDINESCO, E.; PLON, M. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. SILVA, G. T. F. Desenvolvimento humano nas diferentes faixas geracionais. 1. ed. Intersaberes, Curitiba, 2022. ZIMERMAN, D. E. Fundamentos psicanalíticos [recurso eletrônico]: teoria, técnica e clínica: uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 2007.