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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Genoveva Ribas Claro 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Anteriormente, você conheceu teorias que embasam a prática pedagógica 
com auxílio da Psicologia da Educação. Nesta abordagem, conversaremos 
sobre uma teoria de suma importância para a educação, mesmo essa teoria não 
tendo sido elaborada para as concepções educacionais. 
Já ouviu a expressão Freud explica? Pois bem, provavelmente sim, não é 
mesmo? Freud explicou muita coisa, falou sobre religião, vida cotidiana, 
tratamento psíquico, desenvolvimento sexual, personalidade, dentre tantos 
outros temas. 
Com essas pistas, você já sabe sobre qual a teoria iremos estudar, não é 
mesmo? Se você disse psicanálise, acertou. A psicanálise foi a teoria 
desenvolvida por Freud para tratar os distúrbios neuróticos de seus pacientes. 
Aqui surge outra indagação, qual o motivo dessa teoria ser importante para a 
educação? 
Essa última pergunta iremos responder ao longo desta abordagem. A 
psicanálise trabalha com inúmeras metáforas e linguagens figuradas, o que às 
vezes pode causar um certo estranhamento para quem inicia os estudos 
psicanalíticos. 
Para subsidiar recursos que deixem as metáforas e a linguagem simbólica 
mais acessível, se faz de suma importância que tenhamos acesso ao que 
chamamos de dicionário de psicanálise; existem inúmeros para serem 
consultados, inclusive, em próprios sites de buscas, existem dicionários gratuitos 
que podemos baixar e utilizar em nossos estudos. 
A psicanálise é uma corrente ou ainda uma matriz do pensamento em 
psicologia, o que faz com que suas articulações sejam realizadas em diferentes 
âmbitos, como exemplo, na saúde, na educação, na instituição, na 
psicopatologia, dentre outras áreas. 
A psicanálise surge inicialmente em um contexto puramente clínico, 
contudo, com a sociedade em transformação, conseguimos articulá-la com o que 
chamamos de temas contemporâneos, isso é, com a adolescência, com o 
autismo, com o TDAH, com relações étnico-raciais, dentre tantos outros campos 
de grande importância para o estudo da Psicologia da Educação. 
A psicanálise, aqui, não tem o intuito de ser utilizada como instrumento 
clínico, mas, sim, como aporte teórico e técnico de observações das dinâmicas 
 
 
3 
dos estudantes em sala de aula e como se inter-relacionam, bem como o 
entendimento de suas possíveis dificuldades de aprendizagem. 
TEMA 1 – FREUD, PSICANÁLISE E CONCEITUAÇÃO 
 
Créditos: Yuri Turkov/Shutterstock. 
“Freud explica!”. “Nossa, você cometeu um ato falho, nossa, sua piada 
tem um tom de maldade”. Muito provavelmente, você já falou ou ouviu algumas 
dessas expressões. Todas elas possuem e são oriundas de contextos 
psicanalíticos, logo, aqui começamos a discorrer sobre o seu fundador, Sigmund 
Freud, uma cabeça ativamente pensante, que influenciou e influencia até a 
contemporaneidade a sociedade. 
Sigmund Freud foi um médico austríaco, nascido em 06 de maio de 1856 
na Morávia e falecido em 1939 em Londres. Casou-se com Martha Bernays 
(1886–1939). Foi um brilhante aluno, com grandes ambições. Foi também pai de 
vários filhos, inclusive uma delas, Anna Freud, seguiu os passos do pai e se 
tornou uma brilhante psicanalista, pedagoga de formação, trabalhava sobretudo 
com crianças. 
Freud e sua família são de origem judaica, sobretudo, em virtude disso, 
sofriam perseguições; muitos de seus livros foram censurados e queimados no 
período do nazismo. Zimerman (2007) comenta que Freud teve dificuldades 
financeiras na época da faculdade, precisou recorrer a bolsas de estudos para 
conseguir terminar seu curso. Mais tarde, se especializou em psiquiatria e 
estagiou em diferentes laboratórios. 
A psiquiatria da época de Freud é totalmente diferente da época atual, era 
uma psiquiatria com enfoque biológico, isto é, não considerava as causas das 
origens dos adoecimentos mentais sob um olhar psicológico, e sim com um 
 
 
4 
enfoque de um paradigma biomédico, isto é, as doenças mentais, na concepção 
da época, eram de origem biológica, portanto, os tratamentos eram realizados 
com banhos quentes, eletrochoque, ervas medicinais dentre outros recursos 
(Zimerman, 2007). 
Freud, que sempre foi muito curioso e se questionava acerca do 
adoecimento psíquico, ouviu falar de um médico que trabalhava com sugestão 
da consciência, isto é, a hipnose. Esse profissional se chamava Charcot, e Freud 
foi estagiar com ele no Hospital da Salpêtrière – Paris, no ano de 1885. 
O interessante é que o que aguçou a curiosidade de Freud a querer se 
aprofundar na hipnose foram os relatos recebidos de Breuer, que estava 
empregando um método chamado talking cure, ou cura pela fala, que se baseava 
na hipnose de Charcot. Freud publicou seu livro juntamente com Breuer sobre 
muitos casos clínicos atendidos por ele. A obra chamava-se Estudos Sobre a 
Histeria, a obra inicial e antecessora à psicanálise. 
Leitura complementar 
FREUD, Sigmund, 1856-1939. Obras completas, volume 2: estudos 
sobre a histeria (1893-1895) em coautoria com Josef Breuer. 1. ed. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2016. 
Em continuidade, Freud, em seu estágio no hospital de Paris, percebeu 
que o método da hipnose, isto é, da sugestão da consciência, não surtia muito 
efeito, o que fez com que questionasse muito esse método. Esses 
questionamentos aumentaram tendo em vista que Freud percebia uma melhora 
mais significativa, quando suas pacientes falavam livremente após o fim da 
sessão. Essas percepções de Freud fizeram com que ele abandonasse a 
hipnose e desse o pontapé inicial na psicanálise, criando o que ele chama de 
associação livre de ideias. Essa técnica busca fazer com que o paciente fale e 
associe livremente suas ideias, sem que tenha interrupções. 
A primeira paciente de Freud, Ana O, que foi atendida em parceria com 
Breuer, fez com que Freud entendesse que não deveria interromper seus 
pacientes enquanto falavam, isso ficou evidente pela fala de sua paciente Emmy 
Von N que disse a ele: “Fique quieto! Não diga nada! Não me toque!”. 
Essa paciente foi a divisora de águas acerca do surgimento da 
psicanálise, publicando diversos livros após diversos casos atendidos. Mas 
então, o que seria a Psicanálise? De acordo com Zimerman (2017, p. 31), a 
 
 
5 
psicanálise é: “um procedimento de investigação dos processos mentais, um 
método de tratamento e uma disciplina científica”. Ainda encontramos como 
definição: 
Termo criado por Freud em 1896 para nomear um método particular 
de psicoterapia (ou tratamento pela fala) proveniente do processo 
catártico (catarse) de Josef Breuer e pautado na exploração do 
inconsciente, com a ajuda da associação livre, por parte do paciente, e 
da interpretação, por parte do psicanalista. (Roudinesco; Plon, 1998, p. 
603) 
Ainda podemos encontrar: 
Modalidade de tratamento que se restringe aos referenciais e 
fundamentos da ciência psicanalítica tal como ela foi legada por Freud, 
isto é, o terapeuta trabalha essencialmente com a noção dos princípios 
e leis que regem o inconsciente dinâmico, e a prática clínica conserva 
uma obediência aos requisitos psicanalíticos básicos, tais como a 
instituição e a manutenção de um setting adequado, uma atenção 
prioritária na existência de um campo analítico, com as respectivas 
resistências, transferências, contratransferência, além de uma 
continuada atividade interpretativa. (Zimerman, 2017, p. 71) 
A psicanálise, portanto, é um método interpretativo, uma disciplina 
científica que pode ser utilizada como método de pesquisa, e ainda um 
tratamento pensado dentro do contexto da interpretação de ideias e associações 
do próprio paciente. Outro ponto que é interessante mencionarmos é que a 
psicanálise utiliza como materiais únicos o divã e a fala do paciente. 
TEMA 2 – INCONSCIENTE, CONSCIENTE E PRÉ-CONSCIENTE 
Figura 1 – Metáfora do iceberg 
 
Crédito: Wasteresley Lima.6 
Freud deu um nome muito interessante para uma de suas principais 
teorias, isto é, a Teoria Topográfica. A palavra topografia é oriunda de lugar, isto 
é, a teoria de Freud buscava apresentar a mente humana dividida em instâncias 
psíquicas. Essas instâncias são chamadas de inconsciente, pré-consciente e 
consciente; outro nome dado à teoria é Primeira Tópica Freudiana, ou ainda, 
Aparelho Psíquico. 
A primeira estrutura é o consciente; como o nome já diz, significa estar 
consciente. Essa instância não possui função de registro, mas sim de receber 
informações do mundo interno e também do externo. Por exemplo, neste exato 
segundo você está lendo este material, logo, está consciente que está realizando 
a leitura, neste sentido, “a maior parte das funções perceptivo-cognitivas-
motoras do ego – como as de percepção, pensamento, juízo crítico, evocação, 
antecipação, atividade motora, etc., processam-se no sistema consciente” 
(Zimerman, 2007, p. 82). 
A segunda instância, conforme apresentado pela imagem, é o pré-
consciente, fica entre a consciência e o inconsciente e funciona sobretudo como 
uma barreira. O pré-consciente funciona como um pequeno arquivo de registros 
facilmente acessado. Por exemplo, você se lembra do que almoçou hoje? Pois 
bem, só é possível realizar essa lembrança pois você possui o pré-consciente. 
Vale ainda mencionar que o pré-consciente é responsável por dizer o que 
vai para a consciência ou não, ou o que é recalcado da consciência para o 
inconsciente. Neste sentido, o sistema pré-consciente: 
Foi concebido como estando articulado com o consciente e, tal como 
surge no Projeto..., onde ele aparece esboçado com o nome de 
“barreira de contato”, funciona como uma espécie de peneira que 
seleciona aquilo que pode, ou não, passar para o Consciente. 
Ademais, o pré-consciente também funciona como um pequeno 
arquivo dos registros, de modo que a ele cabe sediar a fundamental 
função de conter as “representações-palavra” (Zimerman, 2007, p. 82) 
Na visão de Nasio (1999, p. 25-26): 
O recalcamento é um adensamento de energia, uma chapa energética 
que impede a passagem dos conteúdos inconscientes para o pré-
consciente. Ora, essa barreira não é infalível: alguns conteúdos 
inconscientes e recalcados vão adiante, irrompem abruptamente na 
consciência, sob forma disfarçada, e surpreendem o sujeito, incapaz 
de identificar sua origem inconsciente. Eles aparecem na consciência, 
portanto, mas permanecem incompreensíveis para o sujeito, que os 
vive frequentemente sob angústia. 
 
 
7 
A última instância da teoria, denominada inconsciente, é a parte mais 
arcaica do aparelho psíquico. Nele estão os medos, os anseios, os conteúdos 
traumáticos recalcados da consciência. Zimerman (2007, p. 83) comenta que “o 
inconsciente também consiste num depósito de repressões secundárias, as 
quais chegaram a emergir sob forma disfarçada no consciente (como nos sonhos 
ou sintomas) e voltam a ser reprimidas para o Inconsciente.”. 
Alguns conteúdos podem fugir para a consciência, e costumam se 
manifestar em formato de sonhos, chistes e atos falhos. O inconsciente possui 
algumas perspectivas, conforme apresentado no esquema a seguir. 
 
Fonte: Ribas Claro com base em Nasio, 1999. 
O inconsciente descritivo, conforme o nome já diz, como explicamos 
descritivamente o inconsciente, ou ainda, quando observamos alguma 
manifestação dele. O inconsciente sistêmico é definido como um sistema de 
relações e inter-relações, de maneira complexa. O inconsciente dinâmico, como 
o nome diz, está relacionado à luta entre as pulsões, por exemplo, e também à 
perspectiva de que o inconsciente não é estático, ele muda e se transforma, é 
atemporal. O inconsciente econômico diz respeito à energia empregada para 
situações. Por fim, o inconsciente ético tem significado partindo da perspectiva 
da satisfação do desejo e a questão de nunca atingir a satisfação plena (Nasio, 
1999). 
A teoria topográfica de Freud vem trazer a perspectiva do funcionamento 
da mente humana e as formas de manifestações de cada uma das instâncias, 
traumas, fraturas e questões mal elaboradas, em determinados momentos 
 
 
8 
podem ser recalcadas pelo inconsciente e em determinados momentos podem 
se materializar em forma de sintomas. 
TEMA 3 – ID, EGO E SUPEREGO 
 
Créditos: Crystal Eye Media/Shutterstock. 
 
 
9 
Freud, após desenvolver a teoria topográfica, que dividia a mente humana 
em três instâncias, percebeu que ainda faltava algo, e esse algo iria ao encontro 
da personalidade do sujeito. Para tanto, criou o que ele denominou de Teoria 
Estrutura, ou Segunda Tópica, comumente conhecida também como Teoria da 
Personalidade. 
Mais uma vez, Freud dividiu a teoria em três estruturas, sendo elas o Id, 
o Ego e o Superego, sendo que cada uma dessas estruturas são regidas pelo 
que Freud denominou de princípios. 
A primeira estrutura, ID, também é conhecida como uma das partes mais 
arcaicas do aparelho psíquico por ser uma instância inconsciente. O princípio 
regido pelo ID é o princípio do prazer, desconhece regras e normas sociais, 
sempre está em busca de sua satisfação, neste sentido: 
O id foi concebido como um conjunto de conteúdos de natureza 
pulsional e de ordem inconsciente, constituindo o polo psicobiológico 
da personalidade. É considerado a reserva inconsciente dos desejos e 
impulsos de origem genética […]. Do ponto de vista “funcional”, o id é 
regido pelo princípio do prazer, ou seja, procura a resposta direta e 
imediata a um estímulo instintivo, sem considerar as circunstâncias da 
realidade. Assim, o id tem a função de descarregar as tensões 
biológicas, regido pelo “princípio do prazer”. (Lima, 2010, p. 281) 
A segunda instância criada por Freud é o Ego, atua como um mediador 
entre o Id e o Superego, regido pelo princípio da realidade. Imagine uma balança 
que precisa sempre estar equilibrada, pois bem, este é o Ego. Lima (2010, p. 
281) comenta que: 
[O ego] se desenvolve a partir da diferenciação das capacidades 
psíquicas em contato com a realidade exterior. Sua atividade é, em 
parte, consciente (percepção e processos intelectuais) e, em parte, 
pré-consciente e também inconsciente. É regido pelo princípio da 
realidade, que é o fator que se incumbe do ajustamento ao ambiente e 
da solução dos conflitos entre o organismo e a realidade. O ego lida 
com a estimulação que vem tanto da própria mente como do mundo 
exterior. Desempenha a função de obter controle sobre as exigências 
das pulsões, decidindo se elas devem ou não ser satisfeitas, adiando 
essa satisfação para ocasiões e circunstâncias mais favoráveis ou 
reprimindo parcial ou inteiramente as excitações pulsionais. Assim, o 
ego atua como mediador entre o id e o mundo exterior, tendo que lidar 
também com o superego, com as memórias de todo tipo e com as 
necessidades físicas do corpo. 
A última estrutura é chamada de Superego, atua como um juiz, 
censurando as ações do Id e do Ego. Ele não tolera frustrações, sobretudo em 
virtude do seu princípio que se configura pelo princípio do dever. Herman (2015, 
p. 54) comenta que o superego: 
 
 
10 
Nada mais é do que uma parte bastante diferenciada do ego. Tão 
diferenciada que seus interesses separam-se daqueles do ego e 
podem se lhes contrapor frontalmente. O superego é uma espécie de 
censor das funções do ego, estimula o que se deve processar, proíbe 
o resto. Para realizar essa tarefa ingrata − ingrata para o ego −, ele se 
baseia nas normas morais que se fixam a partir dos primeiros anos de 
vida. Há uma pequena discussão, entre os psicanalistas, para saber 
quando exatamente se forma o superego: para Freud e para os 
freudianos, ele é uma espécie de legado da resolução do complexo de 
Édipo, coisa lá dos três ou quatro anos de idade. 
A teoria estrutural de Freud, para a Psicologia da Educação, se configura 
primordialmente com o entendimento das nossas ações, ou seja, das ações dos 
estudantes,das suas atitudes, de seu funcionamento e de suas percepções, em 
nosso caso, na sala de aula. 
Leitura complementar 
SILVA, Gustavo Thayllon França. Desenvolvimento humano nas 
diferentes faixas geracionais. 1 ED. Intersaberes, Curitiba, 2022. 
TEMA 4 – TEORIA DO DESENVOLVIMENTO NA PERSPECTIVA 
PSICANALÍTICA 
Antes de prosseguirmos com a teoria psicanalítica, que tal assistirmos um 
documentário que versa sobre a história da Psicanálise? 
Dica de vídeo 
Assista ao documentário chamado A invenção da Psicanálise para 
complementar o entendimento dos conteúdos desta abordagem. Disponível em: 
. Acesso em: 5 fez. 2025. 
Agora que assistimos ao documentário, vamos discorrer sobre outra teoria 
desenvolvida por Freud, chamada de Teoria do Desenvolvimento Psicossexual. 
Freud chocou toda a sociedade de Viena, afirmando que a criança possuía uma 
sexualidade, e é comum que negligenciemos esses assuntos, tendo em vista 
que geralmente confundimos a sexualidade infantil com aquela que aparece na 
puberdade (Freud, 1901-1905). 
Freud, 1901-1905) traz esse assunto no seu livro Os Três Ensaios Sobre 
a Teoria da Sexualidade, no qual ele menciona ainda que em nossa infância 
sempre existem marcas importantes e que tais marcas podem trazer elementos 
psicológicos positivos e ou ainda negativos; nos negativos, podemos denominá-
los de traumas. 
 
 
11 
 A sexualidade da criança não acontece no intercurso sexual, ou no coito, 
mas sim por meio da gratificação que acontece em cada um dos estágios, ou 
seja, a fonte da libido perpassa por diversas áreas do corpo, e essa energia e 
gratificação vai se modificando de área conforme a criança vai sendo gratificada 
corretamente e novas aprendizagens vão acontecendo. Roudinesco e Plon 
(1999, p. 471) definem libido da seguinte forma: 
Termo latino (libido = desejo*), inicialmente utilizado por Moriz 
Benedikt* e, mais tarde, pelos fundadores da sexologia* (Albert Moll* e 
Richard von Krafft-ebing*), para designar uma energia própria do 
instinto sexual, ou libido sexualis. Sigmund Freud* retomou o termo 
numa acepção inteiramente distinta, para designar a manifestação da 
pulsão* sexual na vida psíquica e, por extensão, a sexualidade* 
humana em geral e a infantil em particular, entendida como 
causalidade psíquica (neurose*), disposição polimorfa (perversão*), 
amor-próprio (narcisismo*) e sublimação* 
Feist (2015, p. 27) afirma que: 
Freud (1917/1963) dividiu o período infantil em três fases, de acordo 
com qual das três zonas erógenas primá- rias cujo desenvolvimento é 
o mais relevante. A fase oral começa primeiro e é seguida, em ordem, 
pela fase anal e pela fase fálica. Os três períodos infantis se 
sobrepõem uns aos outros, e cada um continua após o início dos 
estágios posteriores. 
Essas fases, conforme apresentado por Freud, possuem ainda outras 
divisões. Mas vamos à primeira, sendo a fase oral, a zona erógena. Esta 
concentra-se na boca, ou seja, por meio da sucção a criança busca se satisfazer, 
por meio da alimentação. Náscio (1999) comenta que a satisfação é para além 
do sugar e da alimentação, mas sim envolve “pôr em movimento os lábios, a 
língua e o palato, numa alternância ritmada.” (p. 61). Uma lembrança importante 
é que a fase oral vai do nascimento a mais ou menos 18 meses de idade. 
A fase anal inicia-se após a fase oral. Nesse caso, a zona erógena é o 
ânus. Inicia-se nesta fase o controle dos esfíncteres. Nesse sentido, Feist (2015, 
p. 28) comenta que: 
Durante o período anal inicial, as crianças encontram satisfação 
destruindo ou perdendo objetos. Nessa época, a natureza destrutiva 
do impulso sádico é mais forte do que a erótica, e as crianças, com 
frequência, se comportam agressivamente em relação a seus pais por 
frustrá-las com o treinamento esfincteriano. Então, quando entram no 
período anal final, elas, por vezes, assumem um interesse amistoso 
em relação a suas fezes, um interesse que provém do prazer erótico 
de defecar. Com frequência, apresentam suas fezes aos pais como um 
presente valioso. 
 
 
12 
Outra fase denomina-se fase fálica, que se inicia por volta dos quatro 
anos. Nesse momento têm início as curiosidades infantis, é a fase das 
descobertas e dos porquês, inicia-se também o entendimento anatômico do sexo 
masculino e feminino. Zimerman (2007) afirma que: 
Permitirá verificar que a maioria delas se refere às origens das 
diferenças entre pares opostos, como masculino-feminino; seio-pênis; 
grande-pequeno etc., e que a constatação progressiva dessas 
diferenças provoca um acréscimo de angústia, que encontra alívio 
numa explicação adequada por parte do educador; caso contrário, 
obrigará a criança a construir as mais estapafúrdias teorias. (p. 94) 
Neste ínterim, temos o que chamamos de período de latência, no qual não 
existem agora as zonas erógenas, a energia libidinal fica estagnada. A 
concentração nesse período, que se inicia aos seis anos, é a curiosidade das 
crianças pelo processo de socialização. Esse período vai ao encontro do início 
da escolarização, portanto, muitos estímulos são ofertados neste período. Por 
fim, temos a fase genital, iniciada pela puberdade e pela adolescência, a procura 
por grupos de referência, relacionamentos amorosos, aceitação no mundo dos 
adultos. 
TEMA 5 – PSICANÁLISE, EDUCAÇÃO E CONCEITOS FUNDAMENTAIS 
Dica de vídeo 
Antes de iniciarmos nossas discussões neste tópico, convido você a 
assistir ao vídeo abaixo. Psicologia da educação – Psicanálise e educação. 
Disponível em: . Acesso em: 
5 fev. 2025. 
O que é a Psicologia da educação e quais as contribuições da 
Psicanálise? Essa questão é de suma importância para finalizarmos este 
conteúdo, não é mesmo? A Psicologia da Educação é uma área de pesquisa e 
prática que busca subsidiar melhorias contínuas no trabalho pedagógico da 
escola. Enquanto a psicanálise é uma disciplina científica, um método que busca 
entender a relação inconsciente dos sujeitos e suas manifestações na vida 
cotidiana. 
Primeiramente, a psicanálise pode ser utilizada como instrumento teórico 
e técnico para observação e intervenção nas dificuldades de aprendizagem. 
Partindo do arcabouço psicanalítico, podemos entender a origem dessas 
 
 
13 
dificuldades, isto é, se é uma origem inconsciente causada por um trauma ou 
ainda uma origem social. 
A psicanálise na escola serve como ponto de partida para uma escuta 
daquele estudante, que é singular, mas que, ao mesmo tempo, é plural em uma 
massa, por exemplo. 
Outra questão que é interessante discutirmos é o processo de 
transferência e contratransferência. Mesmo sabendo que Freud desenvolveu a 
psicanálise para tratamento dos distúrbios neuróticos, ele desenvolveu a 
transferência como o vínculo que acontece em paciente e analista; em nosso 
contexto, temos o vínculo entre aluno e professor. 
Temos dois tipos de transferência, a positiva e a negativa. A primeira é 
aquele vínculo positivo entre o aluno e o professor, onde acontece um processo 
de ensino e aprendizagem fluido e assertivo, acontece a colaboração e a 
confiança. A transferência negativa é aquela em que não existe um vínculo 
positivo, como exemplo, aquele estudante que não tem uma relação de 
confiança com o professor. 
Outros aspectos importantes que merecem atenção sob a perspectiva da 
Psicanálise é que a sala de aula se manifesta como um grupo que possui 
estudantes de mesma faixa etária, mas com criações, culturas, religiões 
diferentes, mas que possuem como objetivo único a aprendizagem. Zimerman 
(2008, p. 109) apresenta algumas características dos grupos: 
Espírito de grupo: no livro Experiências em grupos, Bion destacou uma 
série de características que legitimam o “espírito” que unifica e 
determina a dinâmica do campo grupal. Destacar as seguintes oito 
características: um objetivo comum de todos os componentes; o 
reconhecimentodos limites do grupo e das posições e funções do 
grupo em relação a outros grupos; a capacidade para absorver e per- 
der membros; a liberdade e o valor em relação aos subgrupos que se 
formam; a valorização das individualidades dentro do grupo; a 
capacidade para enfrentar o descontentamento interno; a tradição do 
grupo como possível oposição ao surgimento de ideias novas deste 
grupo; o líder e o grupo comungando uma mesma “fé” 
Mentalidade grupal: alude ao fato de que um grupo adquire uma 
unanimidade de pensamento e de objetivo, a qual transcende aos 
indivíduos e se institui como uma entidade à parte. 
Cultura do grupo: resulta do conflito de uma oposição entre as 
necessidades da “mentalidade grupal” e as de cada indivíduo em 
particular. 
Valência: é um termo, extraído da química (o número de combinações 
que um átomo estabelece com outros átomos), que designa a aptidão 
de cada indivíduo combinar-se com os demais, em função dos fatores 
inconscientes de cada um. Bion alertava para o fato de que “sempre 
teria que haver algumas valências disponíveis para ligar-se a algo que 
ainda não aconteceu”. 
 
 
14 
Cooperação: designa a combinação entre duas ou mais pessoas que 
interagem sob a égide da razão; logo, é própria do funciona- mento do 
que Bion denomina como “grupo de trabalho”. 
Existem outras inúmeras características que podemos observar no 
contexto grupal e na aprendizagem. O que vale aqui é mencionar que a 
psicanálise é uma teoria e uma técnica fértil de trabalho com uma interface na 
educação. Precisamos entender que somos psicodinâmicos, nós mudamos, e 
que essas mudanças trazem novos desejos. 
NA PRÁTICA 
A psicanálise, como diz Freud, é em essência a cura pelo amor. Partindo 
desta premissa, como prática desta abordagem, convido você a assistir uma 
série de vídeos que trabalham os conceitos fundamentais em Psicanálise, e na 
sequência, deixaremos o comando e o enunciado da atividade. 
• Vídeo 01. Disponível em: 
. Acesso em: 
5 fev. 2025. 
• Vídeo 02. Disponível em: 
. Acesso em: 5 
fev. 2025. 
• Vídeo 03. Disponível em: 
 Acesso em: 5 fev. 
2025. 
• Vídeo 04. Disponível em: 
. Acesso em: 5 fev. 
2025. 
• Vídeo 05. Disponível em: . Acesso em: 5 fev. 2025. 
• Vídeo 06. Disponível em: 
. Acesso em: 5 fev. 
2025. 
• Vídeo 07. Disponível em: 
. Acesso 
em: 5 fev. 2025. 
 
 
15 
• Vídeo 08. Disponível em: 
. Acesso em: 5 fev. 
2025. 
• Vídeo 09. Disponível em: 
. Acesso em: 5 
fev. 2025. 
• Vídeo 10. Disponível em: 
. Acesso em: 5 fev. 
2025. 
• Vídeo 11. Disponível em: 
. Acesso em: 5 fev. 
2025. 
• Vídeo 12. Disponível em: 
. Acesso em: 5 
fev. 2025. 
Partindo dos vídeos assistidos, elenque um conceito de cada abordagem 
e transcreva para as linhas abaixo, lembrando que você precisará ampliar o 
conceito elaborado com textos e artigos, ou seja, ampliando as pesquisas em 
bases de dados confiáveis. 
• Conceito 1__________________________________________ 
• Conceito 2__________________________________________ 
• Conceito 3__________________________________________ 
• Conceito 4__________________________________________ 
• Conceito 5__________________________________________ 
• Conceito 6__________________________________________ 
• Conceito 7__________________________________________ 
• Conceito 8__________________________________________ 
• Conceito 9__________________________________________ 
• Conceito 10_________________________________________ 
• Conceito 11_________________________________________ 
• Conceito 12 ________________________________________ 
FINALIZANDO 
 
 
16 
Como diz Freud, é importante recordarmos os conteúdos para podermos 
elaborar uma situação em nosso contexto. Por isso, faça uma análise sintética 
dos tópicos que foram tratados nesta abordagem. 
 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
BOCK, A. M. B. et al. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 15. 
ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. 
FEIST, J. et al. Teorias da personalidade. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015. 
HERRMANN, F. O que é psicanálise: para iniciantes ou não. 14. ed. São Paulo: 
Blucher, 2015. 
LIMA, A. P. de. O modelo estrutural de Freud e o cérebro: uma proposta de 
integração entre a psicanálise e a neurofisiologia. Revista de Psiquiatria 
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