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Jornada de Trabalho, Férias e Adicionais
A jornada de trabalho padrão no Brasil é de 8 horas diárias e 44 horas semanais, salvo exceções previstas em lei ou acordo/convenção coletiva. Para algumas categorias, como bancários, a jornada pode ser reduzida. O controle da jornada, especialmente para empresas com mais de 20 empregados, é feito por meio de registros manuais, mecânicos ou eletrônicos de ponto.
As férias são um direito irrenunciável do trabalhador, que após cada período de 12 meses de vigência do contrato de trabalho (período aquisitivo) faz jus a 30 dias de descanso remunerado. Esse período pode ser fracionado em até três, desde que um dos períodos não seja inferior a 14 dias corridos e os demais não sejam inferiores a 5 dias corridos cada um. O empregado recebe o salário normal mais um adicional de 1/3 (terço constitucional) sobre o valor das férias.
Além do terço constitucional de férias, existem outros adicionais previstos na legislação, como:
· Adicional Noturno: devido aos trabalhadores que exercem atividades entre as 22h de um dia e as 5h do dia seguinte, com acréscimo mínimo de 20% sobre a hora diurna.
· Adicional de Insalubridade: concedido a empregados que trabalham expostos a agentes nocivos à saúde acima dos limites de tolerância, em graus mínimo (10%), médio (20%) ou máximo (40%) sobre o salário-mínimo.
· Adicional de Periculosidade: pago a trabalhadores que exercem atividades ou operações perigosas, que impliquem em contato permanente com inflamáveis, explosivos, energia elétrica ou roubos/violência física em atividades de segurança pessoal ou patrimonial. Corresponde a 30% sobre o salário base.
Horas Extras e Banco de Horas
As horas extras são aquelas trabalhadas além da jornada normal. A Constituição Federal estabelece que a remuneração da hora extra deve ser, no mínimo, 50% superior à da hora normal em dias úteis e 100% em domingos e feriados. O limite de horas extras é de 2 horas diárias, salvo exceções.
O banco de horas é um sistema que permite compensar as horas extras trabalhadas com folgas ou redução da jornada em outro dia, em vez de pagá-las com o adicional. Esse sistema deve ser instituído por acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. O prazo máximo para a compensação é de 6 meses para acordo individual e de até 1 ano para acordo ou convenção coletiva. Se as horas não forem compensadas no prazo, devem ser pagas como horas extras.
Súmulas e Orientações Jurisprudenciais do TST
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) possui entendimentos consolidados em súmulas e orientações jurisprudenciais (OJs) que servem para uniformizar a interpretação da legislação trabalhista. Dentre elas, destacam-se:
· Súmula 291 do TST: Trata da supressão das horas extras habituais. Se as horas extras forem pagas habitualmente por pelo menos um ano e depois forem suprimidas (deixam de ser pagas), o empregado tem direito a uma indenização equivalente ao valor de um mês das horas suprimidas para cada ano ou fração igual ou superior a seis meses de prestação de serviços acima da jornada normal.
· Súmula 213 do TST: Dispõe sobre a necessidade de compensação de jornada em atividade insalubre. Exige licença prévia da autoridade competente em matéria de higiene e segurança do trabalho para validar o acordo de compensação de jornada em atividade insalubre.
· Súmula 256 do TST: Estabelece que o mero trabalho em condições de periculosidade não gera direito ao adicional, sendo necessário o contato permanente com o agente perigoso. (É importante notar que esta súmula foi cancelada, e a matéria está atualmente disciplinada na CLT e na Súmula 364 do TST, que trata do adicional de periculosidade).
· Súmula 60 do TST: Regula o adicional noturno, determinando que o trabalho noturno habitual gera direito ao adicional noturno mesmo em prorrogação da jornada diurna. Além disso, a redução da hora noturna (de 52 minutos e 30 segundos) deve ser considerada para o cálculo.
· Súmula 140 do TST: Aborda a questão do adicional de periculosidade, fixando que, ainda que o contato com o agente perigoso seja intermitente, o adicional de periculosidade é devido. (Esta súmula foi revisada e incorporada em parte à Súmula 364 do TST).
· Orientação Jurisprudencial (OJ) 395 da SDI-1 do TST: Dispõe que o pagamento de horas extras habituais não descaracteriza o banco de horas, desde que o número de horas extras não seja excessivo a ponto de tornar o sistema de compensação inviável ou prejudicial ao empregado.
Súmula 60 do TST: Adicional Noturno
A Súmula 60 do TST trata de dois pontos cruciais sobre o adicional noturno:
· Integração ao salário: Se o adicional noturno for pago de forma habitual (ou seja, regularmente, com frequência), ele passa a integrar o salário do empregado para todos os efeitos. Isso significa que ele deve ser considerado no cálculo de outras verbas, como férias, 13º salário, aviso prévio e FGTS.
· Prorrogação da jornada noturna: Se o empregado cumpre toda a jornada no período noturno (das 22h às 5h) e essa jornada se estende para além das 5h da manhã (no período diurno), as horas prorrogadas também devem ser pagas com o adicional noturno. Isso reconhece que o desgaste do trabalho noturno continua mesmo após o fim do período legalmente considerado noturno.
Súmula 140 do TST: Adicional Noturno para Vigias
A Súmula 140 do TST é bem específica e simples:
· Ela assegura ao vigia que trabalha no período noturno o direito ao respectivo adicional noturno. Ou seja, não há dúvida de que a categoria de vigia, quando submetida ao trabalho noturno, tem direito a esse adicional, seguindo as regras da CLT e da própria Súmula 60.
Orientação Jurisprudencial (OJ) 395 da SDI-1 do TST: Turno Ininterrupto de Revezamento e Hora Noturna Reduzida
A OJ 395 da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do TST aborda a relação entre os turnos ininterruptos de revezamento e a hora noturna reduzida:
· Essa OJ estabelece que o fato de um trabalhador estar em regime de turnos ininterruptos de revezamento não elimina o direito à hora noturna reduzida. A hora noturna, para fins de cálculo de jornada e pagamento do adicional noturno, é de 52 minutos e 30 segundos (em vez de 60 minutos), conforme o Art. 73, § 1º, da CLT. A OJ 395 afirma que não há incompatibilidade entre as normas que tratam dos turnos de revezamento e o direito à hora noturna reduzida, reforçando que essa redução deve ser aplicada.

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