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Hora extra e adicionais Apresentação A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que a duração normal do trabalho do empregado não deve exceder oito horas diárias, a não ser que outro limite seja expressamente fixado. A norma também dispõe sobre o trabalho em ambiente que danifique a saúde e exponha o empregado a algum perigo. Assim, se o empregador exigir que a duração do trabalho do empregado seja superior a oito horas diárias, é obrigatório pagar horas extraordinárias. Igualmente, o trabalho feito em ambientes insalubres e/ou perigosos obriga o empregador a pagar adicionais ao empregado, devido às circunstâncias em que o trabalho é executado. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender quando o empregador deve ser compelido a pagar horas extras e como se dá esse cálculo. Além disso, vai identificar as circunstâncias que caracterizam o trabalho insalubre e perigoso, entendendo como calcular os adicionais que devem ser pagos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Enumerar as situações em que o empregador deve pagar hora extra.• Calcular os adicionais por insalubridade, inclusive sobre hora extra regular e noturna, e respectivos impactos sobre DSR, férias e 13o salário. • Identificar circunstâncias que caracterizem periculosidade e os respectivos impactos sobre hora extra regular e noturna, DSR, férias e 13o salário. • Infográfico A Constituição Federal prevê que a remuneração do trabalho noturno seja superior à do trabalho diurno. Desse modo, é devido um adicional para os trabalhadores que exercem suas funções no período noturno. Essa remuneração a mais tem reflexo nas horas extras, férias, 13o salário, entre outras verbas. Neste Infográfico, compreenda o que é o adicional noturno, qual horário é considerado noturno, quanto deve ser pago a mais para os trabalhadores que laboram nesse período, além dos reflexos desse adicional nas outras verbas. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/45ceb914-98eb-4bbd-b588-6ca202be3851/b62b44c3-2a5a-445b-a88b-f6e0f0bb25e2.jpg Conteúdo do Livro Na contratação de um empregado, dentre outras coisas, é fixada sua jornada de trabalho. A CLT dispõe que a duração diária dessa jornada não pode ultrapassar oito horas e, caso ultrapasse, o empregador deve pagar horas extras para o empregado. A principal diferença entre as horas extras e as normais está no valor da sua remuneração, pois as horas extras devem ser pagas com no mínimo 50% a mais do valor da hora normal. Além da remuneração das horas extraordinárias, a CLT dispõe também que os empregados que trabalham em horário noturno recebam um adicional denominado adicional noturno. Da mesma forma, quem trabalha em atividades que prejudiquem a saúde ou ofereçam risco à vida tem direito, respectivamente, ao adicional de insalubridade ou de periculosidade. No capítulo Hora extra e adicionais, da obra Contabilidade da folha de pagamento, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, aprenda a calcular: o valor das horas extras; a diferença de cálculo das horas extras cumpridas em horário diurno e noturno; o reflexo da prática de horas nas férias e no 13o salário. Entenda também o que é adicional noturno, de insalubridade e de periculosidade, além do cálculo de cada um e seu reflexo nas horas extras, férias e 13o salário. Por fim, veja alguns benefícios trabalhistas não previstos em lei, mas que os empregadores pagam por força da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria profissional. Boa leitura. CONTABILIDADE DA FOLHA DE PAGAMENTO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Enumerar as situações que o empregador deve realizar o pagamento de hora extra. > Calcular os adicionais por insalubridade, inclusive sobre hora extra regular e noturna, e respectivos impactos sobre DSR, férias e 13° salário. > Identificar circunstâncias que caracterizam periculosidade e os respectivos impactos sobre hora extra regular e noturna, DSR, férias e 13° salário. Introdução Características e situações que ocorrem durante a vigência do contrato do trabalho geram para o empregador a obrigação de pagar valores além do salário-base. Assim, no período em que ocorrerem tais eventos, o empregado receberá o salário-base mais os adicionais correspondentes. Uma das situações é o labor além da duração normal do trabalho, que é de oito horas, chamado de hora extraordinária ou simplesmente hora extra. A hora extra é paga com valor superior ao valor da hora normal de trabalho. Como característica própria da atividade desempenhada pelo empregado e que enseja o pagamento de adicionais, destacamos os adicionais de insalubridade e de periculosidade. São dois adicionais que decorrem do ambiente e dos produtos manipulados pelo empregado durante a execução das suas tarefas. Ambos devem constar na folha de pagamento daqueles que são afetados pelas condições descritas em lei, como insalubres e/ou perigosas. Hora extra e adicionais Cleonice Witt Neste capítulo, você vai entender quando ocorrem as horas extraordinárias e as situações que obrigam o pagamento dos adicionais de insalubridade e de periculosidade. Além disso, aprenderá a realizar o cálculo das horas extras e dos adicionais de insalubridade e periculosidade. Hora extra A duração normal do trabalho não deve exceder as oito horas diárias, desde que não seja fixado expressamente outro limite (BRASIL, [2020]); assim, em caso de exceder esse limite o empregado passa a labutar em regime de hora extra. Depreende-se, então, que hora extra é toda aquela que ultrapassa a jornada normal de trabalho, em que o expediente se estende além do horário normal do seu término. Constatamos, portanto, que a legislação permite a realização de horas extras. A fim de proteger a saúde do empregado em decorrência do cansaço, no entanto, fixou-se que a duração diária do trabalho poderá ser estendida, sob a forma de horas extras, mas em número não excedente a duas horas. Essas horas trabalhadas além da jornada normal, ou seja, as horas extras realizadas, devem ser remuneradas com um adicional no mínimo 50% superior ao valor da hora normal de trabalho. Cinquenta por cento representa o per- centual mínimo, sendo comum as convenções coletivas de trabalho fixarem outros percentuais, mais benéficos para o empregado. Quando a convenção coletiva da categoria fixa outro percentual, deve- -se aplicá-lo; escolhe-se sempre o percentual mais benéfico ao empregado, salientando que esse percentual não poderá ser inferior ao estabelecido no art. 7º XVI, da Constituição Federal. Ressaltamos que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece tratamento diferenciado, no que tange à realização de horas extras, aos menores de 18 anos e para algumas categorias específicas, como bancários, telefonistas, entre outras. A CLT traz as particularidades na realização de horas extras pelos bancários no art. 225, para os telefonistas no art. 227 § 1º, e para menores de 18 anos, nos arts. 413 e 414 (BRASIL, [2020]). Como exceção à regra, existem empregados que não têm direito ao re- cebimento de horas extras, em função das atividades que exercem. Nessa categoria se enquadram aqueles que exercem atividade externa, onde não há fixação de horário de trabalho, sendo que esta condição deve ser anotada na CTPS e no registro do empregado; os gerentes, por exemplo, que são aqueles Hora extra e adicionais2 que exercem cargos de gestão, sendo também equiparados os diretores e chefes de departamento ou filial e os empregados em regime de teletrabalho. No caso dos gerentes e equiparados, a CLT estabelece que é devida uma gratificação de função não inferior a 40% do valor do salário-base. Acordo de compensação O acordo de compensação de horas consiste em um pacto realizado entre empregador e empregado com o intuito de distribuir as horas trabalhadas a mais,em um ou mais dias, por dia/hora de folga da própria semana ou ainda de períodos. Sendo assim, há uma compensação das horas trabalhadas a mais, por dia ou horas de folga, sendo que essa troca pode ser anual ou semanal. A compensação de horas anual é o que conhecemos por banco de horas, que permite compensar as horas trabalhadas a mais, em um ou mais dias, por folga em outro período. Desta forma não é necessário que a compensação ocorra na própria semana/mês em que houve o aumento da jornada diária, mas sim que aconteça dentro do período de vigência do banco de horas, que não pode ser superior a 12 meses. Lembramos que, para a utilização do banco de horas, é necessário que exista sua previsão em acordo ou convenção coletiva da categoria. Já a compensação de horas semanal foi prevista para repor as horas de trabalho do sábado, ou seja, o empregado trabalha a mais durante a semana e folga no sábado. O usual é o acréscimo de 48 minutos na jornada diária de segunda à sexta-feira, o que totaliza as 4 horas, que normalmente são trabalhadas nos sábados. É comum também o acréscimo de 1 hora diária no trabalho de segunda à quinta-feira, como forma de compensação do sábado. Salientamos que, caso ocorra feriado durante a semana, o acréscimo de tempo na jornada diária será maior, pois no dia do feriado não será realizado o trabalho extraordinário. Da mesma forma, se ocorrer feriado no sábado na- quela semana, a jornada de trabalho não deve ser estendida, porque o sábado não precisa ser compensado. Neste caso, se ocorrer acréscimo na jornada, ela deverá ser remunerada como hora extra, porque não será compensada, visto se tratar de feriado no sábado da mesma semana. Enfatizamos também que, mesmo no caso de compensação, deve ser respeitado o limite máximo de trabalho de 2 horas além da duração normal do trabalho. Remuneração da hora extra e seus reflexos Quando a hora extra é compensada, seja sob a forma de compensação anual seja semanal, ela não é paga como hora extraordinária, e sim como hora normal de Hora extra e adicionais 3 trabalho. Mas na ocasião em que a hora extra é realizada sem a previsão de com- pensação, ela deve ser remunerada com um adicional de pelo mens 50% do valor da hora normal de trabalho. A prática de horas extras reflete nos valores a pagar de Descanso Semanal Remunerado (DSR), adicionais, férias, 13º salário e outros. O cálculo da hora extra inicia encontrando-se o valor da hora normal de trabalho, e isso depende do salário-base do empregado. Outra questão importante é verificar o número de horas mensais para o qual o empregado foi contratado — 220, 200, 180 horas, etc. O valor da hora normal é encontrado dividindo-se o valor do salário base pelo número de horas mensais que o empregado foi contratado. Ao valor encontrado é somado o adicional de hora extra, que é o percentual a ser acrescido sobre o valor normal, que, segundo a legislação, é de 50%. Por último, multiplica-se o valor de uma hora extra pelo número de horas labu- tadas após a jornada normal de trabalho. A remuneração a título de horas extras tem reflexo no valor pago a título de DSR. Desse modo, deve-se calcular o reflexo das horas extras no DSR. Para esse cálculo se deve encontrar o valor total das horas extras, dividir pelo número de dias úteis no mês (incluso o sábado) e multiplicar pelo número de domingos e feriados daquele mês. O valor total a pagar a título de horas extras é a soma- tória do valor total das horas extras com o valor das horas extras sobre o DSR. Antônia foi contratada pela empresa DUAL LTDA para exercer a função de secretária, com jornada de 220 horas mensais e salário-base de R$ 2.200,00 por mês. Durante o mês de setembro/X1, Antônia realizou 25 horas extras, e a empresa paga o percentual legal como adicional por essas horas. São 26 dias úteis e 4 domingos. O cálculo dessas horas extraordinárias é realizado assim: R$ 2.200,00/220h = R$ 10,00/hora normal de trabalho R$ 10,00/h + 50% = R$ 15,00/hora extra R$ 15,00/he × 25 h = R$ 375,00 Cálculo das horas extras sobre o DSR: (R$ 375,00/26) × 4 = R$ 57,69 Valor total a pagar a título de horas extras: R$ 375,00 + R$ 57,69 = R$ 432,69. Adicional noturno Para os trabalhadores urbanos, considera-se trabalho noturno aquele rea- lizado no horário compreendido entre as 22 horas de um dia e as 5 horas do dia seguinte, sendo que uma hora de trabalho noturno é computada como sendo de 52 minutos e 30 segundos. Já nas atividades rurais, foi fixado como Hora extra e adicionais4 noturno o horário das 21 horas de um dia até as 5 horas do outro, quando o trabalho for na lavoura, e das 20 horas até as 4 horas da manhã, quando o serviço executado for na pecuária. Além da hora de trabalho noturno ter duração menor, é devido um adicional de 20% sobre o valor da hora diurna, isto quer dizer que, o em- pregado que trabalha nesse horário labuta menos tempo e recebe um valor adicional. Essas condições mais vantajosas são devidas às características do trabalho noturno, visto que é um período propício para o descanso, então demanda mais esforço por parte do empregado para cumprir a sua jornada de trabalho. Affonso é empregado da empresa CACUPÉ LTDA e exerce a função de vigia noturno, com jornada de 220 horas mensais e salário-base de R$ 3.000,00 por mês. O horário de trabalho de Affonso é das 22 horas até as 5 horas da manhã. Observe o cálculo do adicional noturno referente ao mês de setembro/X1, sendo que nesse mês não consta o registro da realização de horas extras. Salário R$ 3.000,00 Adicional noturno R$ 600,00 (que corresponde a 20% de R$ 3.000,00) Total bruto: R$ 3.600,00. Pode ocorrer que o empregado normalmente não trabalhe em horário noturno, porém ao realizar horas extras a sua jornada adentre o horário das 22 horas. Nessa situação o empregado, no valor das horas extras, faz jus ao adicional noturno mais o adicional sobre as horas extras. Vítor é empregado da empresa SEMSAL LTDA e exerce a função de analista de sistemas, com jornada de 220 horas mensais e salário- -base de R$ 3.300,00 por mês. Durante o mês de setembro/X1, ele realizou 40 horas extras em horário noturno. A empresa paga o percentual legal como adicional por essas horas e de adicional noturno. São 26 dias úteis e 4 domingos. O cálculo dessas horas extraordinárias é realizado assim: R$ 3.300,00/220h = R$ 15,00/hora normal de trabalho R$ 15,00 + 20% (adicional noturno) = R$ 18,00/hora noturna R$ 18,00/hora noturna + 50% = R$ 27,00/hora extra noturna R$ 27,00/hora extra noturna × 40 h = R$ 1.080,00 Cálculo das horas extras noturnas sobre o DSR: (R$ 1.080,00/26) × 4 = R$ 166,15 Valor total a pagar a título de horas extras noturnas: R$ 1.080,00 + R$ 166,15 = R$ 1.246,15. Hora extra e adicionais 5 Adicional de insalubridade Atividades insalubres são aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, expõem os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância que são fixados, levando em consideração a natureza e a intensidade do agente e o tempo de exposição aos seus efeitos (BRASIL, [2020]). Essas atividades constam num quadro, aprovado pela Secretaria do Traba- lho, denominado Quadro das Atividades e Operações Insalubres, e este órgão adotará normas que estabelecem os critérios para caracterizar a insalubri- dade, os limites de tolerância aos agentes nocivos, os meios de proteção e o tempo máximo de exposição do empregado a esses agentes (BRASIL, [2020]). Atualmente, é a Norma Regulamentadora (NR) nº 15 que estabelece quais são as atividades e operações consideradas insalubres, prevendo o pagamento do adicional de insalubridade quando o empregado estiver exposto a agentes químicos, físicos ou biológicos. Como exemplos de agentes químicos, temos: chumbo, cromo, carvão, fósforo, mercúrio e outros. Já como agentes físicos, podemos citar frio, calor, ruídos excessivos, etc. E em relação aos agentes biológicos, referem-se aos trabalhos e operações em contato permanente compaciente, animais ou com material infecto-contagiante em ambiente hospitalar, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde humana, saúde animal, assim como o contato com exumação de corpos, entre outras atividades dessa natureza. Quando o empregado desempenha as suas atividades estando em contato com um ou mais desses agentes e essa exposição é acima dos limites de tolerância fixados pela Secretaria do Trabalho, ele faz jus ao recebimento do adicional de insalubridade. O percentual a ser pago varia em função da classificação do grau de nocividade para saúde, sendo grau mínimo (10%), médio (20%) e máximo (40%), sobre o valor do salário mínimo. Leia a NR nº 15 - Atividades e operações insalubres e saiba quais as atividades que se classificam em grau mínimo, médio e máximo. Salientamos que há uma discussão judicial em torno da base de cálculo do adicional de insalubridade, onde uma corrente defende ser a remuneração, e outra, o salário mínimo. Por ora, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) indicam a utilização do salário mínimo como base Hora extra e adicionais6 de cálculo do adicional de insalubridade, até que a questão seja resolvida através de uma alteração na lei. Lembramos que, no cálculo desse adicional, há repercussão em horas extras, férias e 13º salário; assim, quando o empregado realizar horas extras, receber suas férias e o 13º salário, o valor a receber será acrescido desse adicional. Exemplo João Pedro trabalha na empresa CRISTALINA LTDA e exerce uma função que está enquadrada como insalubre, pela NR 15, em grau médio. O seu salário é de R$ 1.500,00. O cálculo do adicional de insalubridade é assim efetuado: � Salário mínimo vigente nesta data: R$ 1.045,00 � 20% de R$ 1.045,00 = R$ 209,00 � Adicional de insalubridade = R$ 209,00 No mês de setembro/X1, João Pedro realizou 20 horas extras. O cálculo dessas horas extras fica assim (26 dias úteis e 4 domingos no mês): � Base de cálculo das horas extras = salário + adicional de insalubridade � Base de cálculo das horas extras = R$ 1.500,00 + 209,00 � Base de cálculo das horas extras = R$ 1.709,00 R$ 1.709,00/220h = R$ 7,77/h R$ 7,77/h + 50% = R$ 11,65/he R$ 11,65/he × 20 = R$ 233,00 Cálculo das horas extras sobre o DSR: (R$ 233,00/26) × 4 = R$ 35,84 Valor total a pagar a título de horas extras: R$ 233,00 + R$ 35,84 = R$ 268,84 No mês de outubro X1, João Pedro realizou 10 horas extras, porém elas ocorreram em horário noturno. Neste mês foram 26 dias úteis e 4 domingos. Nesse caso o cálculo dessas horas extras fica assim: � Base de cálculo das horas extras = salário + adicional de insalubridade � Base de cálculo das horas extras = R$ 1.500,00 + 209,00 Hora extra e adicionais 7 � Base de cálculo das horas extras = R$ 1.709,00 R$ 1.709,00/220h = R$ 7,77/h R$ 7,77/h + 20% (adicional noturno) = R$ 9,32/hora noturna R$ 9,32/hn + 50% = R$ 13,98/he noturna R$ 13,98/he × 10 = R$ 139,80 valor das 10 horas extras noturnas Cálculo das horas extras sobre o DSR: (R$ 139,80/26) × 4 = R$ 21,50 Valor total a pagar a título de horas extras: R$ 139,80 + R$ 21,50 = R$ 161,30 No momento do cálculo do montante a pagar de férias, a base de cálculo será o salário base acrescido do adicional de insalubridade e da média das horas extras realizadas no período aquisitivo daquele empregado. Assim também ocorre com o 13º salário, porém o período para formar a média é de janeiro a dezembro. Maria faz parte do quadro de empregados da empresa NOVEL & CIA LTDA desde 01/10/X0, e exerce uma função que está enquadrada como insalubre, pela NR 15, em grau máximo. O seu salário-base é de R$ 1.800,00. No mês de dezembro/X1, Maria recebeu o 13º salário e em janeiro/X2 usufruiu de suas férias. O cálculo do 13º salário foi efetuado assim: R$ 1.800,00 + 40% do salário mínimo vigente (adicional de insalubridade) + Média de horas extras realizadas no período de janeiro/X1 a dezembro/X1 = total a receber O cálculo das férias foi realizado assim: R$ 1.800,00 + 40% do salário mínimo vigente (adicional de insalubridade) + Média de horas extras realizadas no período de janeiro/X1 a dezembro/X1 + 33,33% (1/3 constitucional) = total a receber Salientamos que o empregador deve fornecer Equipamento de Proteção Individual (EPI) aos empregados expostos a agentes nocivos à saúde. Se esses equipamentos neutralizarem ou diminuírem a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância aceitáveis, conforme a NR 15, não será de- vido o adicional de insalubridade. Também cessará o direito do empregado ao adicional de insalubridade com a eliminação dos agentes que causam risco à sua saúde. Hora extra e adicionais8 Adicional de periculosidade De acordo com a CLT (BRASIL, [2020]), são consideradas atividades perigosas aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, provoquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a inflamáveis, explosivos, energia elétrica, roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial, e as atividades de trabalhador em motocicleta. Deste modo, os empregados que ficam expostos a esses tipos de riscos e atividades fazem jus ao adicional de periculosidade na proporção de 30% sobre o salário base. Salientamos que quando o empregado trabalha em condição insalubre e perigosa ao mesmo tempo, ele deverá optar pelo recebimento de um dos adicionais, não sendo possível acumular ambos. Normalmente a opção se dá pelo adicional de periculosidade, cujo valor, na maioria das vezes, é maior, porque sua base de cálculo é o salário-base, enquanto a do adicional de insalubridade é o salário mínimo. Essa situação só ocorre quando o salário-base é superior ao salário mínimo. O adicional de periculosidade também integra a base de cálculo para o pagamento das horas extras, das férias, do 13º salário entre outras verbas. Exemplo de cálculo para adicional de periculosidade Felipe exerce funções em condições perigosas na empresa MODESTA LTDA, tendo direito ao adicional de periculosidade, e seu salário-base é de R$ 2.000,00. Neste mês foram 26 dias úteis e 4 domingos. O valor do adicional de periculosidade de Felipe é de R$ 600,00 (30% de R$ 2.000,00). Em maio/X1 Felipe realizou 15 horas extras. Nesse caso o cálculo fica assim: � Base de cálculo das horas extras = salário + adicional de periculosidade � Base de cálculo das horas extras = R$ 2.000,00 + 600,00 � Base de cálculo das horas extras = R$ 2.600,00 R$ 2.600,00/220h = R$ 11,82/h R$ 11,82/h + 50% = R$ 17,73/he R$ 17,73/he × 15 = R$ 265,95 Cálculo das horas extras sobre o DSR: (R$ 265,95/26) × 4 = R$ 40,91 Hora extra e adicionais 9 Valor total a pagar a título de horas extras: R$ 265,95 + R$ 40,91 = R$ 306,86 No mês de junho/X1, Felipe realizou 20 horas extras, porém elas ocorreram em horário noturno. Neste mês foram 26 dias úteis e 4 domingos. Nesse caso o cálculo dessas horas extras fica assim: � Base de cálculo das horas extras = salário + adicional de periculosidade � Base de cálculo das horas extras = R$ 2.000,00 + 600,00 � Base de cálculo das horas extras = R$ 2.600,00 R$ 2.600,00/220h = R$ 11,82/h R$ 11,82/h + 20% (adicional noturno) = R$ 14,18/hora noturna R$ 14,18/hn + 50% = R$ 21,27/he noturna R$ 21,27/he × 20 = R$ 425,40 valores das 20 horas extras noturnas Cálculo das horas extras sobre o DSR: (R$ 425,40/26) × 4 = R$ 65,44 Valor total a pagar a título de horas extras: R$ 425,40 + R$ 65,44 = R$ 490,84 Exemplo de cálculo de férias e 13º salário Felipe exerce funções em condições perigosas na empresa MODESTA LTDA, tendo direito ao adicional de periculosidade, e seu salário-base é de R$ 2.000,00. O valor do adicional de periculosidade de Felipe é de R$ 600,00 (30% de R$ 2.000,00). Calculando-se o 13º salário: R$ 2.000,00 + 30% = R$ 2.600,00 O cálculo das férias foi realizado assim: R$ 2.000,00 +30% = R$ 2.600,00 + R$ 866,67 (33,33% que se refere a 1/3 constitucional) = R$ 3.466,67 Hora extra e adicionais10 Ressaltamos que a eliminação do risco à integridade física do empregado cessará o seu direito ao recebimento do adicional de periculosidade. Benefícios previstos em convenção coletiva Nos termos da CLT, Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho (BRASIL, [2020]). A CCT pode prever benefícios que não estejam previstos em lei aos empregados de determinada categoria profissional. Por exemplo: adi- cional por tempo de serviço, auxílio-creche, auxílio-alimentação, entre outros. Os sujeitos legitimados para negociar as CCTs são os sindicatos, assim, sendo a CCT um instrumento normativo em nível de categoria, ela abrange todas as empresas representadas pelo sindicato patro- nal e os empregados pelo sindicato dos trabalhadores (JORGE NETO; CAVALCANTE, 2017). Para o adicional por tempo de serviço, normalmente é estipulado um percentual para cada ano de trabalho; por exemplo, 1% por ano a título de anuênio, como é chamado esse adicional. Há casos que esse adicional é pago de 3 em 3 anos, chamado de triênio, na proporção de 3% cada vez que o empregado completa 3 anos – e assim sucessivamente, 6, 9, 12 anos - de trabalho na mesma empresa. A base de cálculo desse adicional é o salário-base. O auxílio-creche é um benefício pago mensalmente para as empregadas e empregados que possuam filhos até determinada idade — que é estipu- lada na CCT —, para custeio de creche, ou seja, um local para deixar o filho ou filha enquanto trabalha. O valor é fixado na própria CCT e o benefício é concedido normalmente às mulheres, mas existem empresas que estendem aos homens. Para saber se os empregados de determinada empresa têm esse direito, deve-se consultar a CCT da categoria. Já o auxílio-alimentação consiste no pagamento de um valor como forma de contribuir com o sustento do empregado, colaborando assim com os gastos com alimentação. Evidenciamos que o valor desse auxílio é fixado na CCT e abrange todas as empresas que pertencem a determinada categoria profissional. Hora extra e adicionais 11 Referências BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm. Acesso em: 10 nov. 2020. JORGE NETO, F. F; CAVALCANTE, J. Q. P. Manual de direito do trabalho. 4. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Atlas, 2017. Leitura recomendada BRASIL. Ministério da Economia. Norma Regulamentadora No. 15 (NR-15). [2019]. Dispo- nível em: https://sit.trabalho.gov.br/portal/index.php/ctpp-nrs/nr-15?view=default. Acesso em: 10 nov. 2020. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Hora extra e adicionais12 Dica do Professor Se o empregado for exposto a riscos no ambiente de trabalho, ele tem direito ao adicional de periculosidade. Mas nem todas as atividades oferecem riscos à vida do trabalhador. Assim, a Norma Regulamentadora 16 (NR-16) elenca as atividades passíveis de apresentar riscos, e quem as exerce deve receber esse adicional. Na Dica do Professor, veja exemplos de profissões expostas a risco de morte, entendendo que é responsabilidade do empregador contratar um profissional habilitado para emitir um laudo do local, atestando (ou não) seus riscos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/6201a18cb65c5e7acb172629fb2ac680 Saiba mais Para ampliar seu conhecimento no assunto, veja a seguir as sugestões do professor: Como encontrar a convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho Veja no vídeo a seguir como consultar as convenções coletivas de trabalho (CCTs) de diversas categorias profissionais. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Desvendando os segredos do adicional de periculosidade Neste vídeo, aprofunde seu conhecimento sobre o adicional de periculosidade, com cenas reais que geram a obrigação de pagá-lo, assim como conceitos importantes sobre o tema. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Como calcular o valor da hora extra – Excel para departamento pessoal Veja, no vídeo a seguir, como calcular o valor das horas extras no Excel. Assim você não precisa mais utilizar a calculadora. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/ST1zSD_Iy5c https://www.youtube.com/embed/gmxuqAIYKkg https://www.youtube.com/embed/mktJskWWc5U