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Processos Cognitivos 
e Aprendizagem
Unidade 1
Processos e problemas de aprendizagem
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria
CLÁUDIA M. C. DIAS
AUTORIA
Cláudia M. C. Dias
Sou formada em Pedagogia e Doutora em Ciências da Educação 
pela Universidade de Alicante. Possuo experiência como psicopedagoga 
e docente a mais de 29 anos. Sou apaixonada pelo que faço e adoro 
transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas 
profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu 
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Linguagem e cognição ............................................................................ 10
Uma breve história da psicologia cognitiva ............................................................... 10
Conceito de cognição ............................................................................................. 12
A psicologia cognitiva ............................................................................................... 12
Processamento cognitivo e os sistemas de informação .................................. 14
Modelos de processamento da informação: a memória .................................. 15
Linguagem e a fundamentação teórica sobre o desenvolvimento 
cognitivo................................................................................................................................................. 18
Processo de aprendizagem sob o foco cognitivo .........................22
A educação como perspectiva cognitiva ......................................................................22
Como se define a perspectiva cognitiva ....................................................24
Pressupostos básicos da perspectiva cognitiva ...................................25
Educação, ciência cognitiva e aprendizagem ..........................................................25
Problemas de aprendizagem - avaliação e intervenção ............27
Dificuldades ou problemas de aprendizagem ..........................................................27
Definição de problemas de aprendizagem ............................................. 30
Definição de dificuldades de aprendizagem ........................................... 31
Avaliação ...............................................................................................................................................34
Intervenção ........................................................................................................................................ 36
Aspectos psicossociais e cognitivos ...................................................39
O conhecimento .............................................................................................................................. 40
O conhecimento declarativo ...............................................................................42
Conhecimento procedimental ............................................................................43
Conhecimento condicional ...................................................................................45
A teoria dos esquemas ........................................................................................... 46
Pensamento ...................................................................................................................................... 48
Interação social ............................................................................................................................... 49
7
UNIDADE
01
Processos Cognitivos e Aprendizagem
8
INTRODUÇÃO
Você sabia que a Psicologia se definiu como ciência empírica no 
final do século XIX e, também, que muitos dos psicólogos nesse período 
eram psicólogos cognitivos? Isso mesmo, muitos psicólogos no final do 
século XIX foram considerados psicólogos cognitivos porque queriam 
estudar os processos mentais. Enquanto Wundt realizava estudos 
sobre a consciência, Freud buscava estratégias para compreender o 
inconsciente. Nessa época, o método mais utilizado era a introspecção 
ou a auto-observação. William James (1842-1910) determinou a 
psicologia como “A Ciência da Vida Mental” (GAGNÉ, 1985, p.40). Assim, 
a psicologia era vista como o estudo das experiências mentais. Por 
exemplo: o pensamento, os sentimentos, as sensações e tudo que 
envolvia a mente humana. Depois disso, a psicologia mergulha em um 
período de afirmação como ciência positivista e concentra seus estudos 
sobre a conduta humana, utilizando o método empírico. Entendeu? Ao 
longo desta unidade letiva você vai mergulhar nesse universo!
Processos Cognitivos e Aprendizagem
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar 
você para lograr os seguintes objetivos de aprendizagem até o término 
desta etapa de estudos:
1. Explicar os processos de linguagem e cognição no contexto 
histórico.
2. Aplicar os conhecimentos sobre a psicologia cognitiva e o 
processo de aprendizagem.
3. Identificar os problemas de aprendizagem, avaliação e intervenção 
no contexto profissional.
4. Identificar os aspectos do pensamento humano na dinâmica 
educacional. 
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho!
Processos Cognitivos e Aprendizagem
10
Linguagem e cognição 
OBJETIVO:
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz de 
entender como a psicologia cognitiva influenciou os estudos 
sobre o pensamento e a linguagem. Isso será fundamental 
para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para 
desenvolver essa competência? Então vamos lá. 
Uma breve história da psicologia cognitiva 
Primeiro, para estudar os processos cognitivos, uma de nossas 
intenções é trazer a você uma revisão do contexto histórico da psicologia 
cognitiva. Isso porque, antes de tudo, reconhecemos que a psicologia 
como ciência empírica, coloca seus primeiros tijolos a partir dos estudos 
de William James (1842 – 1910). Esse autor e cientista tornou-se o mais 
influente da história da psicologia com sua famosa obra Princípios da 
Psicologia (1890).
Verificamos que, nesse mesmo período, Wilhelm M. Wundt (1832-
1920) desenvolveu o primeiro laboratório de psicologia experimental que 
priorizava o estudo dos elementos da consciência. Por outro lado, Freud 
(1856-1939), dedicou-se a compreender como funcionava o inconsciente. 
John B. Watson (1878 – 1958), contrário às ideias de William James, 
defendeu que a psicologia é a ciência que deve estudar o comportamento 
humano. Watson, afirmou que a psicologia e, por meio dela os psicólogos, 
devem se ocupar emque estabelecemos com 
os outros? Interagimos socialmente com facilidade? Aprendemos com 
estas interações? Até que ponto posso aprender e ensinar uma tarefa para 
um companheiro de classe? Chegamos ao ponto em que o pensamento 
humano e suas interações sociocognitivas passam a ser o foco de atenção 
de investigadores de diversas áreas do conhecimento. 
Assim, o social e cognitivo passam a representar um movimento 
teórico com raízes nas ideias de Piaget e Vygotsky que fundamentam o 
desenvolvimento cognitivo relacionando as interações do indivíduo com 
o ambiente. Piaget descreve a construção do conhecimento por meio 
de estágios de desenvolvimento cognitivo, que se dariam na relação do 
indivíduo, suas condições orgânicas em cada fase do desenvolvimento e 
no ambiente. 
Vygotsky, embora interacionista como Piaget, coloca em sua 
pesquisa uma ênfase na importância dos aspectos sociais para a 
compreensão do desenvolvimento cognitivo na relação sócio histórica. Em 
outras palavras, o homem é um ser social que em uma relação dialética 
com o meio constrói sua condição humana e modifica historicamente 
a humanidade (ontogênese). Na teoria sócio histórica, as relações 
interpessoais denominadas intersubjetividade são a base para a formação 
da subjetividade, como por exemplo, os aspectos cognitivos. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
50
Analisando um pouco dos pressupostos teóricos de Piaget, 
que considera a criança como ser ativo e responsável pelo seu 
desenvolvimento, selecionando e interagindo com os estímulos do meio, 
o indivíduo passa a ser o maior protagonista na relação indivíduo-meio. 
O indivíduo busca e controla seus estímulos com o meio para construir 
seu conhecimento. Piaget completa sua ideia alertando que esta busca 
de estímulos está organizada por estruturas cognitivas que direcionam o 
sujeito em suas escolhas. Libâneo (2004) comenta que 
o suporte teórico de partida é o princípio vygotskiano 
de que a aprendizagem é uma articulação de processos 
externos e internos, visando à internalização de signos 
culturais pelo indivíduo, o que gera uma qualidade 
autorreguladora às ações e ao comportamento dos 
indivíduos. Esta formulação realça a atividade sócio 
histórica e coletiva dos indivíduos na formação das funções 
mentais superiores. Portanto, o caráter de mediação 
cultural do processo do conhecimento é, ao mesmo 
tempo, a atividade individual de aprendizagem pela qual 
o indivíduo se apropria da experiência sociocultural como 
ser ativo. (LIBÀNEO, 2004, p. 6)
Por isso, devemos considerar que a relação de aprendizagem com 
o indivíduo deverá proporcionar condições de ensino-aprendizagem que 
fomentem capacidades e habilidades do pensar a partir das condições 
internas do sujeito, relacionando-as com o contexto sociocultural. 
EXPLICANDO MELHOR:
Biólogo de formação, Piaget considera que “não é possível 
compreender o desenvolvimento psicológico sem 
considerar suas bases orgânicas” (PIAGET, 1971).
Esta frase de Piaget não indica um retorno a programas inatistas 
que tratam de explicar o desenvolvimento cognitivo levando a variáveis 
biológicas e sim, que buscam a existência de uma continuidade entre 
mecanismos biológicos básicos e desenvolvimento cognitivo. Assim, o 
desenvolvimento da inteligência é um caso particular do desenvolvimento 
biológico geral e seu funcionamento é uma forma especial da atividade 
biológica. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
51
RESUMINDO:
E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Nesse capítulo você deve 
ter aprendido a importância dos estudos sobre os aspectos 
psicossociais e cognitivos. Primeiro, analisamos que o 
conhecimento representa as informações mentalmente, 
seguindo as formas de: proposições, reproduções e 
imagens. Segundo, o conhecimento declarativo nos traz a 
ideia de proposições. Uma proposição é a unidade básica de 
informação e consiste em uma ideia. Quando identificamos 
o conceito de algo e sabemos o que é, nos referimos 
ao conhecimento declarativo. Terceiro, o conhecimento 
procedimental é aquele que executa ou realiza uma tarefa 
sobre uma determinada informação ou o saber fazer algo. 
Quarto, o conhecimento condicional responde ao raciocínio 
sobre determinado objeto ou ideia. Responde para que 
serve ou qual a utilidade de algo. Quinto, a teoria dos 
esquemas está representada por estruturas mentais que 
organizam o conhecimento. Sexto, atualmente existem 
inúmeras investigações sobre o ato de pensar humano 
com o objetivo de investigar e melhorar as condições de 
aprendizagem para a vida. Por último, verificamos que a 
interação com o meio é um dos fatores que influenciam o 
conhecimento humano. A partir disso, foram promovidas 
investigações situadas na psicologia cognitiva.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
52
REFERÊNCIAS
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Processos Cognitivos e Aprendizagem
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VIGOTSKY, L. V. A formação social da mente: o desenvolvimento 
dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Processos Cognitivos e Aprendizagemdemonstrar cientificamente os dados que foram 
investigados de modo objetivo por se tratar de uma ciência da conduta 
(GAGNÉ, 1985, p. 40). 
Você poderá comprovar que as ideias sobre a conduta humana 
ganharam respaldo e força com um grupo de psicólogos americanos e que 
como perspectiva teórica predominou o pensamento do século XX. Essa 
perspectiva teórica encontra sua fundamentação no associacionismo, 
corrente da psicologia que surgiu a partir do século XIX, com a proposta 
de compreender determinados fenômenos psíquicos pela forma como se 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
11
associam para a formação da consciência ou do comportamento. Seguindo 
as diretrizes do Associacionismo e para compreensão do comportamento 
humano, pesquisadores como I. Pavlov, desenvolveram pesquisas que 
foram denominadas condutismo. Essa é uma perspectiva teórica que está 
baseada na conduta ou comportamento humano que pode ser estudado 
por meio da observação. Na perspectiva do condutismo J. B. Watson 
(1878 – 1958) desenvolveu vários estudos empíricos sobre a conduta e 
a aprendizagem humana, partindo de critérios de associação entre um 
estímulo e uma resposta. 
No século XX, durante a Segunda Guerra Mundial, alguns psicólogos 
americanos realizaram estudos sobre a conduta complexa entre os pilotos 
de aviões os quais resultaram em teorias sobre as estruturas e processos 
mentais (GAGNÉ, 1985, p. 41). Enquanto isso, renasciam na Alemanha, Grã-
Bretanha, França e Canadá outras perspectivas centradas no cognitivismo 
(MANDLER, 2002 apud BRUNING et al. p. 2). 
A psicologia cognitiva encontra caminhos e cresce timidamente, 
mas as ideias condutistas permanecem, justificando práticas no contexto 
educacional até os dias atuais. Paralelamente, você irá perceber que a 
insatisfação de muitos pesquisadores cresceu no mesmo ritmo, porque 
muitos não conseguiam estabelecer explicações coerentes sobre o 
pensamento e a memória humana a partir das teorias condutistas-
associacionistas. 
VOCÊ SABIA?
Com base no processo de condicionamento descrito 
por Iván Pávlov (1849-1936) em que ele demonstra 
que mesmo as reações orgânicas, como os reflexos, 
podem ser controladas pelo ambiente por meio da 
associação estímulo-resposta, Watson utilizou um bebê 
como experimento dessa teoria, para demonstrar como 
os estímulos reforçavam questões de aprendizagem. 
Recomendamos o vídeo: John Watson - Teoria do 
Behaviorismo. Clique aqui.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
12
Conceito de cognição 
Em 1967, o termo “cognição” foi definido por Ulric Neisser da 
seguinte maneira:
Cognição representa um conjunto de processos mediante 
os quais a entrada (input) sensorial se transforma, resume, 
elabora, armazena, recupera e utiliza (BEST, 2001, p. 5). 
O autor, Ulric Neisser publicou em 1967 um dos livros clássicos 
em psicologia, denominado Psicologia cognitiva. Nesse sentido, o input 
sensorial e os processos cognitivos se relacionam com algo que está 
fora de nosso organismo e, por isso, os sentidos são os responsáveis 
por introduzir novas energias em nosso sistema nervoso e cognitivo. 
Essa energia pode ser reelaborada e transformada. Beck e Alford (2000) 
consideram que a cognição é “a função que envolve deduções sobre 
nossas experiências e sobre a ocorrência e o controle de eventos futuros” 
(BECK e ALFORD, 2000 apud BAHLS e NAVOLAR, 2004, p. 4). 
Fialho (2007) nos indica que o
fenômeno da cognição pode ser explicado como sendo, 
primeiro, uma função biológica, filogenético. Segundo, 
como um processo pedagógico, ontogenético e por 
último, por uma episteme. (FIALHO, 2007, p. 21)
A psicologia cognitiva
Com o descontentamento de muitos psicólogos com a falta de 
explicação sobre as bases teóricas do pensamento humano, outros 
profissionais, de áreas distintas da psicologia, se veem interessados 
nas propostas metodológicas para estudar o processo mental e 
suas manifestações. O binômio estímulo-resposta já não se mostra 
interessante para explicar as condições específicas da mente humana. 
As teorias condutistas não explicavam claramente o processamento 
e desenvolvimento da linguagem e contrariavam as expectativas e 
investigações de linguistas da época. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
13
Em meio a isso, a psicologia cognitiva volta com força ao cenário 
científico, oferecendo investigações em temas como: a atenção, o 
reconhecimento de padrões sensoriais, a memória, a linguagem, o 
raciocínio, a resolução de problemas, a classificação, os conceitos 
e a categorização das ideias na mente humana. Observe na figura o 
organograma que destaca uma lista crescente de autores.
Figura 1: Psicólogos que estudaram a psicologia cognitiva
Fonte: Elaborada pela Autora (2021).
Nesta figura, destacamos alguns pesquisadores que no final da 
década de cinquenta contribuíram com trabalhos e estudos sobre uma 
renovação da psicologia cognitiva e seus fundamentos. 
Atualmente, no que conhecemos por psicologia cognitiva 
contemporânea, existem duas teorias sobre o processo de cognição, são 
elas: o processamento da informação e a teoria conexionista. Vejamos o 
que nos indicam. O primeiro é baseado na teoria do processamento da 
informação e tem suas raízes no surgimento da máquina de cálculo, o que 
seria o mesmo que indicar que a mente funciona como um computador. 
Exemplo: Para buscar um dado retomamos as informações 
armazenadas em nossa memória. 
A teoria conexionista está dedicada a desenvolver modelos 
computacionais, que têm seu início na teoria da informação, mas que se 
relaciona diretamente aos processos neurológicos. De modo geral, ambos 
estariam conectados com aspectos do funcionamento computacional. 
Agora, você irá compreender a diferença entre essas duas teorias 
defendidas por diversos autores. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
14
Processamento cognitivo e os sistemas de 
informação 
O telefone, a televisão e os computadores são alguns dos exemplos 
de sistema de informação que sofrem transformações ao longo do 
tempo. Analogamente, esses sistemas foram utilizados metaforicamente 
para explicar os processos da cognição humana, especialmente os 
computadores. Os psicólogos cognitivos utilizavam como exemplo 
os sistemas informáticos para explicar como funcionava o processo 
de informação humana, sua complexidade e para compreender o 
processo de aprendizagem do ser humano. Por isso, considera-se que 
a ciência cognitiva é uma área de estudos interdisciplinares que se inter-
relacionam com a psicologia cognitiva, ciência da computação, sistemas 
de informação, inteligência artificial, neurociências e linguística, entre 
outras (LIMA, 2003 apud NEVES, 2006). 
Gagné (1985), determina que:
a comparação das partes do sistema de processamento 
do computador tem funções similares à do sistema de 
processamento da informação do ser humano. Os seres 
humanos, assim como os computadores, realizam um 
trabalho em uma unidade central de armazenamento. 
Logo depois de tratar as informações, os seres humanos 
armazenam em uma memória a largo prazo e os 
computadores em um disco rígido. (GAGNÉ, 1985, p.49)
Alguns profissionais estão de acordo com esta analogia e outros 
são contrários a esta comparação. Assim, diante de inúmeras discussões 
Massaro e Cowan (1993) e Palmer e Kimchi (1986) definiram uma linha 
de princípios sobre o processamento da informação com relação ao 
processo cognitivo. Veja no quadro as cinco qualidades ou princípios e 
seu significado (MASSARO e COWAN, 1993; PALMER e KIMCHI, 1986 apud 
BEST, 2001, p. 27).
Processos Cognitivos e Aprendizagem
15
Quadro 1: Relação entre processamento da informação e processos cognitivos
Fonte: Adaptado de BEST (2001, p. 27).
Modelos de processamento da informação: 
a memória 
Você sabia que tudo começou com o estudo científico da memória? 
Isso mesmo. A memória passou a ser objeto de estudo a partir do 
trabalho de Hermann Ebbinghaus (1850-1909),o primeiro investigador 
experimental. Ebbinghaus estava interessado no espaço da memória e 
demonstrou que sujeitos entre 18 e 20 anos conseguiam recordar mais 
dados que os sujeitos de 8 a 10 anos e comprovou que o sentido tinha 
um papel importante para recordar um dado, determinando que as 
palavras sem sentido tinham pouca influência no espaço da memória. 
Binet também estudou as relações da memória com uma lista de palavras 
curtas e sem sentido (NEUFELD at al., 2010).
Como objeto de estudo, as pesquisas sobre a memória perpassam 
por duas linhas centrais: a memória operativa e a memória a largo prazo. 
Para o que se define como modelo de processamento da Informação, 
verificaremos como se desenvolve a memória durante o processo de 
aprendizagem. Assim, para aprender alguma coisa ou um determinado 
conteúdo, nossa mente recebe a informação, organiza em série e atua de 
modo sequencial. Assim, poderíamos concluir que para processar uma 
informação, nossos processos cognitivos trabalham em uma sequência 
organizada e seriada, como por exemplo: 1, 2, 3, 4, 5, 6 etc. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
16
Figura 2: O Modelo Modal 
Memória a 
largo prazo
Conhecimento 
declarativo. 
Conhecimento 
procedimental. 
Conhecimento 
condicional.
Memória 
sensorial
Memória a 
curto prazo
PRÁTICA
Recuperação
Reconstrução
Codificação
Elaboração
Fonte: Adaptado de Bruning et al. (2012, p.18). 
Na figura 2 temos uma nova revisão do modelo. Observamos como 
os componentes que processam a informação no ser humano aparecem 
divididos e são distintos uns dos outros. De acordo com essa teoria, o 
primeiro componente é o sistema sensorial de onde se cria o código 
cognitivo. Aqui, é onde detectamos os aspectos de nosso ambiente, o 
entorno que nos rodeia e a partir disso, selecionamos e organizamos 
um processo de entrada e saída de informações para armazená-las na 
memória a curto prazo (MCP) e/ou na memória a largo prazo (MLP).
Após a recepção e seleção da informação, nosso primeiro bloco 
de armazenamento se denomina memória a curto prazo. Aqui, o tempo 
de retenção das informações é relativamente curto e sua capacidade é 
limitada. Atualmente, muitos acreditam na diferença entre memória a curto 
prazo e memória operativa (MO) ou de trabalho, pois alguns estudiosos 
defendem que, na memória a curto prazo, enfatizamos a duração de uma 
determinada informação. Dessa forma, a memória operativa se refere à 
funcionalidade da informação de modo consciente. 
Exemplo: Quando resolvemos mentalmente uma adição 33 + 24, 
o primeiro e mais habitual é somar as unidades e guardar o resultado 
na memória operativa para continuar a soma das dezenas até obter 
o resultado. Outro exemplo: Pense no que você deseja fazer nesse fim 
de semana. Percebeu alguma coisa? Pois bem, as imagens que foram 
produzidas em sua mente (quando pensou no fim de semana) são o 
retrato das ações que deseja colocar em prática. Estas imagens estão 
guardadas na memória operativa. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
17
Além disso, a memória operativa pode ser codificada e, por isso, 
pode ser armazenada na memória a largo prazo (MLP). Aqui, existe uma 
integração entre os conhecimentos anteriores e os novos conhecimentos. 
A informação pode ser elaborada, alterada, transformada, recuperada e 
reconstruída. A principal caraterística da memória a largo prazo é guardar 
informações durante toda a nossa vida para utilizá-las posteriormente.
O modelo modal, anteriormente postulado por Atkinson e Shiffrin 
(1968) e posteriormente revisado por Baddeley e Hitch (1974), demostra 
que o processamento sensorial está interligado com a memória a curto 
prazo, largo prazo e com os processos meta-cognitivos que interferem 
diretamente no processo de cognição. Além disso, a memória a curto 
prazo passa a diferenciar-se da memória operativa e, na memória a 
largo prazo (MLP), ficam as informações declarativas e procedimentais, 
tais como as destrezas e atividades que possibilitam o movimento e a 
linguagem.
Baddeley (1986) propõe uma estrutura da memória de trabalho 
que compreende um sistema geral denominado executivo central e dois 
subsistemas: o bucle fonoarticulatório e a agenda viso-espacial. 
IMPORTANTE:
A memória de trabalho ou operativa é uma espécie de 
processamento consciente dos códigos cognitivos, em 
que os objetivos podem ser modificados e a memória 
permanente está encarregada de armazenar informações 
para usá-las posteriormente ao longo de toda a vida.
 A teoria de processamento da informação contemporânea refere-
se especificamente à memória sensorial e à memória a curto prazo e seus 
principais pressupostos são (BRUNING et al., 2012): 
1. Os sistemas de memória estão funcionalmente separados: todos 
os estudos cognitivos do processamento da informação definem 
dois ou mais sistemas de memória globais e que realizam funções 
específicas. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
18
2. A atenção é limitada: A capacidade para realizar um esforço mental 
está limitada de várias maneiras.
3. Os processos cognitivos são automáticos e controlados: Um 
processo cognitivo eficiente é o resultado do uso adequado dos 
recursos. 
4. O significado é construído: O processo da informação é muito mais 
amplo que traduzir e representar estímulos. 
Linguagem e a fundamentação teórica 
sobre o desenvolvimento cognitivo
As alterações na linguagem, basicamente na língua oral, 
despertaram interesse em muitos pesquisadores e cientistas no 
mundo. No último século, psicológicos, médicos, filósofos e linguistas 
se ocuparam com investigações de transtornos causados pela área de 
linguagem. Destacamos no quadro 2 alguns dos nomes mais relevantes 
que nos servem como base de estudos e que fundamentaram pesquisas 
sobre as alterações da língua oral. 
Quadro 2: Autores relevantes e pesquisas sobre alterações da língua oral 
Fonte: Adaptado de Aguilera (2003, p. 3).
Processos Cognitivos e Aprendizagem
19
A medicina e a neurologia contribuíram para o desenvolvimento 
das pesquisas indicadas no quadro acima. Logo, surgiram alguns críticos 
que afirmavam que o cérebro humano possuía mais atributos do que se 
imagina e que não se podia caracterizar as funções cerebrais de modo 
fracionado e independente. 
Veremos que, simultaneamente, foram desenvolvidos estudos 
sobre as alterações da linguagem escrita, fundamentalmente no que diz 
respeito aos problemas apresentados sobre a leitura de texto. Aguilera 
(2003), indica alguns autores que estudaram o fenômeno das alterações 
na linguagem oral. Observe o quadro 3. 
Quadro 3: Autores relevantes que pesquisaram sobre as alterações da linguagem
Fonte: Adaptado de Aguilera (2003, p. 4).
Processos Cognitivos e Aprendizagem
20
As pesquisas no campo da medicina seguem e ganham novos 
adeptos e novas considerações acerca das alterações e implicações 
perceptivo-motoras que envolvem o campo da linguagem. Com o 
florescimento das investigações nesta área e com a chegada de Hitler ao 
poder, muitos pesquisadores interrompem seus trabalhos para continuar 
suas pesquisas nos Estados Unidos. 
Nesta fase, os pesquisadores direcionam o centro de estudo para 
as pessoas que não são deficientes e aqueles que aparentemente não 
sofreram nenhuma lesão cerebral. Concomitantemente, as investigações 
sobre o desenvolvimento cognitivo e a revolução na psicologia cognitiva 
contribuem de uma maneira ou de outra para que novas pesquisas 
sobre a linguagem sejam realizadas a partir de um enfoque psicológico 
e educativo.
RESUMINDO:
E então? Você viu como a história da Psicologia Cognitiva 
proporcionou diferenças na compreensão dos processos 
de aprendizagem. Interessante! Gostou da história que 
contamos? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Primeiro, você observou 
que a psicologia cognitiva se estabeleceu como o estudo 
científicodos processos mentais e que a psicologia 
experimental, iniciada em 1879, passa a ser de orientação 
cognitiva. Segundo, o condutismo acaba se convertendo 
na perspectiva de confiança principal da linha de pesquisa 
entre os psicólogos americanos. A psicologia condutista 
se transforma em uma tendência para o mundo a partir 
de inúmeros estudos de psicólogos americanos que são 
referências até a atualidade. É bom saber que, a partir do 
fim da Segunda Guerra Mundial, o interesse pela psicologia 
cognitiva começa a ter um grande impulso entre outros 
investigadores que estavam insatisfeitos com a perspectiva 
condutista. Segundo, as ciências da informação começaram 
a se expandir e são utilizadas como analogias para entender 
os processos cognitivos.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
21
RESUMINDO:
Terceiro, o processamento da informação é uma metáfora 
defendida por muitos psicólogos que descrevem os 
fenômenos psicológicos para o processamento cognitivo 
da informação pelos seres humanos. A memória é vista 
como um dos elementos básicos para o processamento da 
informação pelo ser humano. Quarto, foi possível entender 
os conceitos básicos da psicologia cognitiva e a influência 
dos modelos de processamento da informação. Por último, 
verificamos que as pesquisas sobre linguagem marcaram a 
evolução sobre o processo de desenvolvimento cognitivo e 
que foram impulsionadas por várias áreas do conhecimento.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
22
Processo de aprendizagem sob o foco 
cognitivo
OBJETIVO:
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz de 
compreender as contribuições da psicologia cognitiva 
para o processo de ensino e aprendizagem e como o 
processo cognitivo contribui para entendermos a aquisição 
da aprendizagem pelo indivíduo. E então? Motivado para 
desenvolver essa competência? Então vamos lá.
A partir dos anos sessenta, vive-se uma grande revolução no âmbito 
acadêmico em que os pressupostos teóricos sobre o sentido e significado 
da ciência sofrem alterações em distintas áreas do conhecimento, tais 
como a filosofia, a pedagogia, a psicologia, entre outros. Nesse ponto, 
a educação é alvo de um processo de inovação no que diz respeito aos 
estudos cognitivos. Vejamos o porquê. 
A educação como perspectiva cognitiva
Você já imaginou um mundo com novas perspectivas? Observe 
que, com a revolução dos paradigmas científicos, sobretudo na psicologia 
cognitiva, a educação passa a ser alvo de inúmeras investigações, 
principalmente no que diz respeito às teorias e aos processos de 
aprendizagem. Perceberá que a diversidade de perspectivas científicas 
altera consideravelmente as formas de pensar o processo educativo e 
suas relações com a atividade cognitiva do ser humano.
Nesse período, identificamos especialistas de áreas distintas, 
contribuindo com pesquisas sobre o processo cognitivo, em especial 
aqueles cuja formação estivesse relacionada com as áreas de medicina, 
biologia e psicologia. Piaget (1896 -1980) foi um epistemólogo que 
contribuiu com seus estudos sobre a infância, seu desenvolvimento e as 
habilidades da inteligência e aprendizagem. O psicólogo Lev Vygotsky 
(1896 -1934) contribuiu com suas investigações no campo da psicologia 
histórico-social, sendo considerado um precursor da neuropsicologia 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
23
soviética, com uma proposta de não reduzir os processos psíquicos a 
funções fisiológicas, mas como processos constituídos nas interações 
sociais. Henri Wallon (1879 – 1962) traz à luz seus estudos sobre educação, 
psicologia e filosofia, principalmente sobre o contexto e origem do 
pensamento e do desenvolvimento da afetividade na criança. As obras e 
contribuições de Wallon são ricas em fontes de estudo sobre a psicologia 
genética e a neuropsicologia, compreendendo a psicogenética como o 
estudo da origem (gênese) dos processos psíquicos e não reduzidos à 
condição de determinismo genético. 
Por outro lado, devemos ter claro que o objeto de preocupação 
da maioria de pesquisas no campo educacional estava direcionado pela 
concepção estática e unilateral do contexto do aprender. Não obstante, 
houve uma grande produção científica que estabelecia relações entre os 
processos de informação e a área educacional para identificar como o ser 
humano transformava, recuperava e armazenava a informação recebida e 
o conhecimento que havia sido gerado. 
Assim, foi dada maior ênfase aos estudos sobre o conhecimento, 
a informação e a comunicação. Nesse século, paradoxalmente, 
a supervalorização dos meios de informação e comunicação se 
transformaram em um grande desafio para nosso conhecimento. Observe 
a figura abaixo e imagine como será nosso futuro daqui a alguns anos com 
os avanços da tecnologia. Descobriremos algo novo sobre o funcionamento 
de nosso pensamento? Como será o processo de aprendizagem?
Figura 3: Avanços da tecnologia
Fonte: Pixabay
Processos Cognitivos e Aprendizagem
24
REFLITA:
A proposta, para este século, é ampliar o que já se sabe 
sobre a aprendizagem tendo como foco a psicologia 
cognitiva. O século XXI será a oportunidade de produzir 
conhecimento que transforme o que hoje conhecemos 
sobre como se aprende ou como se ensina. Para isso, 
voltamos a uma velha questão: a educação é importante? 
Para quem a educação realmente importa? Reflita sobre 
essas questões e descobrirá que as instituições educativas 
são muito importantes para a sociedade do conhecimento 
e, por sua vez, admitirá que todos reconhecerão sua 
importância. Agora sabemos que o urgente e necessário 
é indicar um caminho entre a educação do passado e os 
saberes do futuro.
O contexto político marca as transformações no campo da educação, 
da sociedade e da política para a perspectiva cognitiva. Campbell e outros 
(1964) determinam o sentimento de impotência social e política. Dentro 
desse cenário, o modelo tradicional de educação, os processos clássicos 
de aprendizagem estariam com os dias contados, mesmo reconhecendo 
que em educação, as unidades temporais são mais extensas em sua 
eficácia e realização social.
Como se define a perspectiva cognitiva
A perspectiva cognitiva pode ser entendida como o momento 
em que vários cientistas e estudiosos buscaram compreender novas 
possibilidades de entender o conhecimento e o saber humano. 
A perspectiva cognitiva passa a ter maior validade a partir da 
Segunda Guerra Mundial com uma diversidade de áreas de estudos como: 
cibernética, inteligência artificial, ciências da computação, psicologia 
cognitiva, entre outros. Podemos considerar que, nos anos sessenta, estes 
exemplos representam uma transformação científica e uma revolução na 
perspectiva das ciências cognitivas caracterizando um movimento. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
25
Pressupostos básicos da perspectiva cognitiva
Seoane e Rodriguez (1995) nos indicam quais foram as propostas 
em que se desenvolveram as metas da perspectiva cognitiva, vejamos: 
1. O sujeito ativo: o sujeito psicológico deve ser ativo, complexo no 
seu processamento e em suas estratégias de comportamento. 
Além disso, deve ser criativo e gerar planos orientados ao futuro.
2. Novos métodos: Aqui, deve-se negar o rigor metodológico do 
empirismo positivista, característica original da perspectiva 
cognitiva. Devemos admitir uma multiplicidade de métodos de 
investigação.
3. Mente como informação: Surge um novo conceito de mente, esse 
novo conceito está relacionado ao sistema de processamento da 
informação (SEOANE e RODRIGUEZ, 1995, p. 55). 
Concluindo, a definição dos pressupostos de uma perspectiva 
cognitiva foram: o sujeito ativo, os novos métodos de pesquisa e o 
conceito de mente relacionado ao sistema de informação. 
Educação, ciência cognitiva e 
aprendizagem 
Mayer (1992) resume em três metáforas a aprendizagem e seus 
protagonistas: 
1. Aprendizagem como aquisição de respostas: Esta foi a concepção 
dominante no século XX, tanto em psicologia comona prática 
educacional. Define o sujeito como um ser passivo e objeto da 
aprendizagem. A aprendizagem é mecânica e está determinada 
por recompensas. O professor deve valorizar as condutas do aluno 
em detrimento das atividades. Além disso, deve esperar respostas 
específicas a estímulos específicos.
2. Aprendizagem como aquisição do conhecimento: Essa concepção 
tem uma grande orientação cognitiva. A aprendizagem acontece a 
partir da relação do sujeito com o seu conhecimento. Aqui, o aluno 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
26
aprende como um processador de informação e o professor ensina 
como um distribuidor de informação. De acordo com Mayer (1992), 
o currículo é a ferramenta básica da instrução. O conhecimento é 
avaliado a partir da quantidade de conhecimentos adquiridos.
3. Aprendizagem como construção do conhecimento: A partir desse 
enfoque, a aprendizagem passa a ter sentido para o sujeito que 
aprende. O professor se transforma em um participante ativo 
do processo e, junto ao aluno, promove a aprendizagem e a 
construção de conhecimentos em um ambiente de cognição 
adequado para a dinâmica didática. 
 De modo geral, identificamos que essas definições de 
aprendizagem estão relacionadas aos modelos de processamento de 
informação. Não obstante, vivemos em constante transformação social. 
Por isso, entendemos que a educação é um elemento essencial para a 
promoção e formação do indivíduo. 
RESUMINDO:
 E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que as revoluções no âmbito acadêmico contribuíram para 
o desenvolvimento das teorias cognitivas. A educação, 
como uma das áreas de interesse da psicologia cognitiva 
passa a ter destaque no ambiente acadêmico e a produção 
científica se multiplica, principalmente no que diz respeito 
ao processo cognitivo. Alguns pesquisadores, sobretudo da 
área de psicologia e medicina, se destacam no contexto 
internacional e nos servem de referência até os dias atuais, 
como: Vygotsky, Wallon, entre outros. Assim, a preocupação 
de estudar a perspectiva cognitiva sob o foco educacional 
ganhou adeptos no mundo inteiro. É importante destacar 
as influências sociais presentes nessa época. Por último, 
revisamos o pensamento de Mayer (1992) sobre o contexto 
de aprendizagem.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
27
Problemas de aprendizagem - avaliação 
e intervenção
OBJETIVO:
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz 
de analisar os seguintes conceitos: problemas de 
aprendizagem, dificuldades de aprendizagem, avaliação 
e intervenção. Além disso, irá verificar a importância do 
processo de avaliação e intervenção no âmbito profissional. 
E então? Motivado para desenvolver essa competência? 
Então vamos lá.
Dificuldades ou problemas de 
aprendizagem
A sociedade atual exige um maior nível de competitividade, de 
preparação profissional e de desenvolvimento pessoal para enfrentar os 
desafios que o século XXI apresenta. Ao contrário, se um determinado 
indivíduo manifesta um desenvolvimento insatisfatório, principalmente 
na idade escolar ou desenvolve dificuldades e problemas no percurso 
de aprendizagem, resultará em um processo de ensino e aprendizagem 
mais difícil, assim como sua integração social. O que você pode fazer para 
reverter esse quadro? Como enfrentar as queixas das famílias sobre o 
baixo rendimento escolar de seus filhos? Que tipo de prática educacional 
é adequada para desenvolver o potencial desses alunos?
As experiências desenvolvidas na prática com crianças e 
adolescentes a partir do enfoque neuropsicológico estão resultando 
atrativas e, ao mesmo tempo, efetivas. Além disso, aportam novos 
conhecimentos profissionais para situações passadas. 
Se você observar as pesquisas nas últimas décadas sobre boas 
práticas educativas e as dificuldades de aprendizagem, poderá verificar 
como o enfoque sobre as dificuldades ou problemas de aprendizagem 
eram percebidos por diversos autores. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
28
A experiência de mais ou menos vinte e cinco anos na atenção 
psicológica de crianças com problemas de aprendizagem escolar 
motivados pela falta de concentração (alto índice de distração), problemas 
na leitura, na escrita, instabilidade emocional, impulsividade e exaltação 
na conduta, na maioria das vezes, é determinada por compromissos 
neurológicos que começam desde a imaturidade neurológica até a 
lesão cerebral. Esse compromisso cerebral aparente nos problemas de 
aprendizagem, muitas vezes é percebido pelos pais e professores das 
crianças que padecem, mas preferem silenciar-se ou ignorar o problema. 
Se observamos esta perspectiva conceitual, verificamos que o 
conceito de problemas de aprendizagem se modificou com as pesquisas 
mais recentes. Por isso, a neurologia e a neurociência aplicadas à 
educação, contribuem com novos conhecimentos para a compreensão 
dos processos de aprendizagem e seus problemas ou dificuldades, 
proporcionando instrumentos para uma avaliação mais criteriosa. Desse 
modo, podemos conhecer melhor os pontos frágeis e fortes de cada 
aluno e aplicar programas de intervenção capazes de enriquecer o 
desenvolvimento do aluno em contextos escolares e sociais. 
Revisando a literatura acerca do tema, verificamos que alguns 
autores apontam diferenças entre os termos: problemas de aprendizagem 
e dificuldades de aprendizagem. Para esclarecer esse ponto, indicaremos 
o que se entende por aprendizagem e a partir disso, a influência que cada 
termo exerce sobre o contexto de aprender, principalmente na escola.
Sabemos que as concepções de aprendizagem surgem com o 
legado das investigações empíricas, definindo que todo conhecimento 
provém da experiência. Partindo dessa premissa da psicologia como 
ciência do comportamento observável, passa a relacionar aprendizagem 
e condicionamento. Com o desenvolvimento de novas perspectivas 
de aprendizagem, surgem as ideias defendidas pelo fundamento 
epistemológico de tipo racionalista, destacando que todo conhecimento 
é anterior à experiência, resultado das estruturas mentais dos sujeitos 
(GIUSTA, 2013). 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
29
Assim, entender estas posturas sobre as concepções de 
aprendizagem nos servirá como fio condutor para determinar o que 
entendemos sobre aprendizagem. Nesse caminho, iremos ao encontro 
dos pesquisadores Jean Piaget e Wallon que estudaram a gênese do 
processo e evolução psicológica da criança. No entanto, Pain (1989) 
descreve que o processo de aprendizagem se inscreve na dinâmica de 
transmissão da cultura, que constitui a definição mais amplia da palavra 
educação, com quatro funções independentes (PAIN, 1989, p. 11): 
a. Função mantenedora da educação: ao reproduzir em cada 
indivíduo o conjunto de normas que regem a ação possível, a 
educação garante a continuidade da espécie humana.
b. Função socializadora da educação: a utilização de utensílios, da 
linguagem e do habitat, transforma o indivíduo em sujeito e para 
isso a educação ensina as modalidades dessas ações que se 
percebe no aprendizado e construção das normas sociais.
c. Função repressora da educação: permite conservar e reproduzir 
os valores e poder de cada classe ou grupo social.
d. Função transformadora da educação: possibilita a tomada de 
consciência para uma educação com e para a liberdade. 
Quadro 4: Conceitos de aprendizagem
Fonte: Adaptado de La Rosa (2001). 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
30
No quadro apresentamos alguns dos conceitos sobre o que se 
entende por “aprendizagem”. Analisando cada conceito, você identificará 
sua proximidade ou não da teoria de modelos do processamento da 
informação. A memória é um dos fatores que determina o processo de 
aprendizagem na vida e na escola. Por isso, muitos estudiosos defendem 
a memóriacomo um dos requisitos básicos para a aprendizagem 
dos conhecimentos no âmbito escolar. Também, inúmeras pesquisas 
justificam que um déficit nas estruturas que organizam o processamento 
das informações pode acarretar problemas de aprendizagem simples e 
complexos. 
Definição de problemas de aprendizagem
Você sabia que a definição de problemas de aprendizagem está 
relacionada ao desenvolvimento e história da psicologia escolar? Isso 
mesmo, a trajetória da psicologia escolar no Brasil acompanhou as grandes 
transformações do século XIX e as propostas de psicólogos americanos e 
europeus. Nessa época, a psicologia se ocupava de tratar os problemas e 
deficiências das pessoas e suas dificuldades para aprender em contextos 
sociais normais. Por isso, surgiram várias pesquisas e o Brasil foi um dos 
países preocupados em estudar os problemas de aprendizagem em seus 
laboratórios de aprendizagem. 
Os termos, problemas de aprendizagem e dificuldades de 
aprendizagem sempre estiveram relacionados com a história e o 
desenvolvimento da psicologia geral e da psicologia escolar no Brasil e 
no mundo. De modo geral, um problema de aprendizagem pode estar 
associado a uma patologia aparente nos processos cognitivos, que 
impedem ou dificultam a aprendizagem, para que esta por sua vez, possa 
ser identificada, investigada e decifrada. Segundo Pain (1989), a expressão 
problemas de aprendizagem pode ser definida da seguinte maneira:
O problema de aprendizagem é considerado como 
um sintoma no sentido de que o não-aprender não 
configura um quadro permanente, mas ingressa em uma 
constelação peculiar de comportamento, nos quais se 
destaca como sinal de descompensação (PAZ, 1971 apud 
PAIN, 1989, p. 28).
Processos Cognitivos e Aprendizagem
31
No entanto, se revisarmos a literatura sobre o tema descobriremos 
que em alguns casos, um problema de aprendizagem se relaciona 
muitas vezes ao ambiente clínico enquanto a expressão dificuldades 
de aprendizagem passa por um viés educacional, mas ambas têm a 
finalidade de explicar uma atividade cognitiva. Atualmente, concebemos 
a expressão dificuldades de aprendizagem em sentido amplo, mas sem 
perder de vista as contribuições que são aportadas por outros profissionais. 
Por isso, pesquisamos sobre as duas perspectivas, considerando os 
diversos fatores que devem ser analisados ao considerar esse fenômeno 
como escola, família, comunidade, práticas pedagógicas, entre outros.
Definição de dificuldades de aprendizagem
O conceito de dificuldades de aprendizagem surge com 
a preocupação e estudos de profissionais da área de medicina, 
principalmente neurólogos. Para realizar suas pesquisas, os cientistas 
estudavam indivíduos que padeciam de alguma deficiência, em sua 
maioria aqueles que não possuíam a capacidade de falar, ler, movimentar-
se, entre outros. Por isso, é fundamental entender o percurso histórico da 
expressão “dificuldades de aprendizagem” e a evolução desse conceito 
até os dias atuais.
Assim, antes de definir as dificuldades de aprendizagem levaremos 
em conta as definições universalmente aceitas na história da medicina e 
psicologia e que fazem as seguintes referências: 
 • Alteração ou retraso no desenvolvimento: aparecem mais tarde 
as funções cognitivas que auxiliam o processo de aprendizagem. 
 • Transtornos: desordem em um ou mais processos psicológicos 
básicos, envolvidos na compreensão da linguagem oral ou escrita 
que pode manifestar-se na falta de habilidade para ouvir, falar, ler, 
escrever, pensar e operar com o cálculo. 
É interessante diferenciar entre alguns termos que se utilizam 
indistintamente para expressar déficits ou dificuldades de aprendizagem 
e transtornos do desenvolvimento, como são os seguintes: deficiência, 
dificuldades de aprendizagem, transtorno de desenvolvimento e invalidez. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
32
Seguindo os critérios da Organização Mundial da Saúde, a partir 
do ano de 1983 uma deficiência está caracterizada pela anormalidade 
de uma estrutura ou função fisiológica, psicológica ou anatômica. A partir 
desse momento, visualizamos uma acentuada distinção entre essas 
terminologias: deficiência, problemas e dificuldades de aprendizagem. 
Assim mesmo, alguns tipos de deficiências são: intelectuais, da 
audição, musculoesqueléticas, desfigurador, de linguagem, da visão, 
viscerais, generalizadas ou múltiplas. 
Como se configura a deficiência? A deficiência é a ausência 
da capacidade de realizar uma atividade na forma que se considera 
normal para o ser humano. Consideram-se deficiências: da conduta, da 
comunicação, do cuidado pessoal, do movimento, entre outros. 
Então, podemos dizer que a expressão dificuldades de 
aprendizagem ganha espaço entre pesquisadores de distintas áreas das 
ciências e, a partir disso, surge também a necessidade de unificar o que 
se entende por essa expressão. Observamos o desenvolvimento histórico 
para definir essa expressão até os dias atuais. 
Veja que a primeira definição formal foi proposta em uma conferência 
da Association for Children with Learning Disabilities (ACLD) organizada por 
essa associação de pais e educadores de indivíduos com dificuldades de 
aprendizagem no âmbito escolar. Essa definição foi proposta por Samuel 
A. Kirk em 1962, onde esclarecia que: 
Uma dificuldade de aprendizagem se refere a uma 
alteração ou retraso no desenvolvimento em um ou 
mais dos processos de linguagem como falar, soletrar, 
escrever ou aritmética que se produz por uma disfunção 
cerebral, transtorno emocional ou de conduta e não 
por um retraso mental de privação sensorial ou fatores 
culturais ou instrucionais. (KIRK, 1962, p.263 apud 
AGUILERA, 2003, p. 44)
H. Mycklebust (1963) apud Aguilera (2003), faz referência aos 
aspetos neuropsicológicos para definir as dificuldades de aprendizagem 
e destaca que:
Processos Cognitivos e Aprendizagem
33
Utilizasse o termo Transtorno Neuropsicológico da 
Aprendizagem para referir-se às deficiências na 
aprendizagem em qualquer idade, causadas por 
diferenciações no Sistema Nervoso Central e que não 
se devem à deficiência mental, alteração sensorial ou 
causas psicogênicas. A etiologia pode ser enfermidade ou 
acidente ou fatores evolutivos. (AGUILERA, 2003, p.45) 
Devemos caminhar no sentido de superar as concepções 
que culpabilizam e/ou patologizam os alunos 
isoladamente pelo seu fracasso sem considerar o contexto 
social, político e econômico no qual estão inseridos, 
passando a olhar com mais atenção para seu cotidiano e 
para as interações que esse sujeito estabelece com seus 
pares. Tendo em vista esses objetivos, a promoção da 
resiliência no ambiente escolar constitui-se em um meio 
para a superação das adversidades que surgem a partir 
dos erros cometidos pelos estudantes visando o sucesso 
na escolarização. (JESUS, T. D. S., 2015) 
Por outro lado, há um grupo heterogêneo de transtornos devidos 
à disfunções no Sistema Nervoso Central, seja de forma identificável 
ou induzida. Numerosos estudos e publicações analisam a origem e o 
desenvolvimento histórico das dificuldades de aprendizagem. Observe no 
quadro 5 a síntese sobre o desenvolvimento histórico das dificuldades de 
aprendizagem. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
34
Quadro 5 – Desenvolvimento histórico das dificuldades de aprendizagem
Fonte: Elaborado pelo autor - Adaptado de Vidal et al. (2001, p. 15).
Avaliação
A avalição é um dos temas mais controversos em um processo 
de ensino e aprendizagem. Isto posto, convido você a analisar algumas 
questões sobre o processo de avaliação e buscar respostas de apoio que 
colaborem com nossas necessidades profissionais. 
Pois bem, a avaliação deverá garantir um conjunto de dados da 
situação-problema. Logo, criar condições que favoreçam uma análise 
profunda dos dados e de suas variáveis para, a partir daí, estudar as 
alternativas e oportunidades de aprendizagem. 
Processos Cognitivose Aprendizagem
35
Alchiere e Cruz (2003) apud Facci et al. (2014) esclarecem 
que o desenvolvimento da Psicologia enquanto ciência deveu-se à 
sistematização dos processos psíquicos básicos e ao uso experimental 
de formas de medidas psicológicas que tinham como finalidade verificar 
os estágios de desenvolvimento e aprendizagem humana (ALCHIERE e 
CRUZ, 2003 apud FACCI et al., 2014). 
Para que o processo de avaliação seja efetivo, devemos garantir: 
 Figura 4 – Processo de avaliação
Identificar o problema 
ou dificuldade
Ferramenta de 
avaliação
Avaliação
Estratégia
Investigação
Fonte: Elaborado pelo Autor (2021).
O Conselho Federal de Psicologia define a avaliação no contexto da 
psicologia como um processo técnico e científico realizado com pessoas 
ou grupos de pessoas que, de acordo com cada área do conhecimento, 
requer metodologias específicas. Sugere que a avaliação é dinâmica e se 
constitui fonte de informações de caráter explicativo sobre os fenômenos 
psicológicos, com a finalidade de subsidiar os trabalhos nos diferentes 
campos de atuação do psicólogo. Entre eles, saúde, educação, trabalho 
e outros setores em que se fizer necessária. Conclui-se que, a avaliação 
é um estudo que requer um planejamento prévio e cuidadoso, de acordo 
com a demanda e os fins aos quais se destina. Além disso, a Resolução 
CFP nº 07/2003 destaca que 
os resultados das avaliações devem considerar e analisar 
os condicionantes históricos e sociais e seus efeitos 
no psiquismo, com a finalidade de servirem como 
instrumentos para atuar não somente sobre o indivíduo, 
mas na modificação desses condicionantes que operam 
desde a formulação da demanda até a conclusão do 
processo de avaliação psicológica. (CONSELHO FEDERAL 
DE PSICOLOGIA, 2007, p. 8)
Processos Cognitivos e Aprendizagem
36
Sobre a avaliação em uma perspectiva interacionista do 
desenvolvimento cognitivo, em situações de dificuldades de aprendizagem 
é importante a consideração dos fatores socioculturais, didáticos, familiares, 
individuais e comunitários. Entre as diferentes formas de avaliação 
existentes, podemos exemplificar a avaliação assistida proposta pela teoria 
sócio histórica de Vygotsky que consiste em definir o que o indivíduo já 
sabe (desenvolvimento real) do que potencialmente pode aprender 
(desenvolvimento proximal) e tanto a avaliação como a intervenção 
acontecem nesse “espaço” entre o desenvolvimento real e o potencial, 
denominado zona de desenvolvimento proximal (LINHARES, 1996).
Intervenção 
Quando detectamos um caso potencial de problema ou dificuldade 
de aprendizagem, aparecem muitas entre os profissionais, a família e 
o sujeito (adulto ou criança) e todo o contexto educacional, familiar e 
comunitário. 
Por outro lado, entre o grupo de profissionais existe a necessidade 
de compreender o problema a partir de uma perspectiva profissional 
científica, que é produzida por resultados de um processo de avaliação 
que foi motivado anteriormente. Assim, a intervenção interfere na dinâmica 
da avaliação, considerando os fatores e as causas de um problema no 
campo específico das dificuldades de aprendizagem. Esses fatores 
podem ser: orgânicos, sociais, psicopedagógicos, culturais e ambientais. 
Então, o que significa Intervenção? Bem, se analisamos nossa 
realidade social e política encontraremos um sentido pejorativo, negativo 
e, às vezes, repressivo da palavra. 
Aguilera e Rodrigues (2003) ressaltam como relevantes os três 
grandes momentos que dão origem aos modelos de intervenção 
relacionados às dificuldades de aprendizagem. No quadro abaixo 
apresentamos esses períodos que marcam historicamente os modelos 
de intervenção na prática de nossos profissionais. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
37
Quadro 6. Etapas que marcam a história dos modelos intervenção
Fonte: Adaptado de Aguilera (2003)
Gondim, Bastos e Peixoto (2010), observaram, a partir de uma pesquisa 
realizada sobre o trabalho dos psicólogos brasileiros: “indícios apontam que 
o modelo de intervenção individual está sendo substituído por outro modelo, 
mais fortemente focado na intervenção social” (GONDIN, BASTOS e PEIXOTO, 
2010, p. 192 apud LOPES e NASCIMENTO, 2015). Isso, mesmo que as 
atividades em clínica e de avaliação psicológica continuem como principais 
áreas de atuação da psicologia em nosso país. A psicologia da educação, 
campo consolidado e extremamente vasto em pesquisas, publicações e 
propostas de intervenção no Brasil, tem uma discussão ampla e expressiva 
sobre avaliação e intervenção em processos de aprendizagem. Estamos de 
acordo com o questionamento de Facci et al. (2014):
Se compreendemos as dificuldades escolares como 
expressão de um conjunto de relações que se estabelecem 
no processo de escolarização, constituídas por dimensões 
pedagógicas, institucionais, políticas, culturais e sociais, 
como construir métodos de avaliação que contemplem 
a complexidade do fenômeno estudado? Assim, as 
autoras concluem que, o foco do trabalho do psicólogo, 
do psicanalista ou do psicopedagogo está na criança 
e na forma como estes pensam ou compreendem a 
aprendizagem e a intervenção deve ser feita a partir dela e/
ou de sua família. É sobre ela que recai o acompanhamento 
tanto clínico quanto cognitivo. (FACCI et al., 2014, p. 389) 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
38
Dessa forma, a avaliação e a intervenção são processos que se 
complementam, onde os profissionais devem buscar caminhos que 
respeitem o sujeito e seu contexto histórico e social. Assim, entender a 
intervenção como um processo contínuo e de constante aprendizado é 
um avanço na prática do profissional. 
SAIBA MAIS:
Quer se aprofundar nesse tema? Recomendamos o 
acesso ao artigo: “A pesquisa intervenção em psicologia 
da educação e clínica: pesquisa e prática psicológica”. 
Clique aqui.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que apresentamos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Primeiro, foi necessário 
definir um marco conceitual das expressões “problemas 
de aprendizagem” e “dificuldades de aprendizagem”. 
Partindo dessa premissa, compreendemos o que significa 
aprendizagem e como essa compreensão pode contribuir 
com os objetivos e necessidades do campo profissional 
em que se pretende atuar. A partir disso, foi proposta uma 
revisão da literatura sobre os conceitos de problemas e 
dificuldades de aprendizagem em uma visão histórica, que 
contribuiu, de modo geral, para o que hoje conhecemos 
como psicologia cognitiva. Segundo, nos referimos ao 
conceito de avaliação, dentro de um marco global na 
área de psicologia para compreender esse processo 
e sua representatividade no contexto da intervenção 
psicológica e educacional. Isso porque consideramos 
como competência fundamental a formação de qualquer 
profissional dessa área. Terceiro, reconhecemos o conceito 
de intervenção como uma continuidade ao processo de 
avaliação defendido por muitos autores.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
39
Aspectos psicossociais e cognitivos
OBJETIVO:
Ao término do estudo deste capítulo você será capaz de 
entender como os estudos dos aspectos psicossociais 
e cognitivos influenciam os processos de ensino-
aprendizagem. Isso será fundamental para conceber a ideia 
sobre o pensamento humano e as influências que esse 
exerce sobre o contexto social. Vamos lá!
Os estudos sobre aspectos cognitivos e aprendizagem se 
dividem entre os que trabalham uma ênfase maior no interacionismo e 
a abordagem do processamento da informação. Como as pesquisas de 
maior importância, cabe destacar:
Teoria Psicogenética de Piaget: 
Para Piaget (1983), a cognição humana é uma forma de 
adaptação biológica na qual o conhecimento é construído 
aos poucos a partir do desenvolvimento das estruturas 
cognitivas que se organizam de acordo com os estágios de 
desenvolvimento da inteligência.Assim, desenvolvimento 
cognitivo está ligado aos processos de assimilação e 
acomodação que promovem o equilíbrio que varia de 
acordo com a idade. (FLAVELL et al., 2000) 
Teoria Sócio histórica de Vygotsky: 
Para Vygotsky (1998), o conhecimento é construído 
durante as interações entre os indivíduos em sociedade, 
desencadeando o aprendizado. Assim, o processo 
de mediação se estabelece quando duas ou mais 
pessoas cooperam em uma atividade, possibilitando 
uma reelaboração. Nesse sentido, os adultos, que 
proporcionam modelos de comportamento, organizam e 
estruturam a participação das crianças em atividades. São 
denominados incentivadores cognitivos na participação 
orientada. Entretanto, as crianças não são passivas, 
assimilam o conhecimento e o reelaboram viabilizando 
novas atitudes e gerando, sucessivamente, novos 
comportamentos. (FLAVELL et al., 2000)
Processos Cognitivos e Aprendizagem
40
A abordagem do processamento das informações compreende que 
nosso cérebro está em pleno desenvolvimento desde que nascemos. A 
adaptação e o processo de desenvolvimento cerebral envolvem processos 
cognitivos básicos, que nos permitem avançar cultural e socialmente 
para compartilhar eventos com outros seres humanos, promovendo sua 
integração ao meio ambiente. 
Lembre-se que a cognição equivale à capacidade do ser humano 
para processar a informação a partir da percepção, da experiência e do 
indivíduo. Para que isso aconteça, será necessário colocar em prática 
outros processos como a atenção, a memória, a aprendizagem, o 
pensamento, entre outros. Baseando-nos nas teorias de processamento 
da informação, a percepção seria a base para que outros processos 
cognitivos tais como a linguagem, o pensamento e a inteligência, que são 
considerados complexos, se desenvolvam. 
O conhecimento
O que é o conhecimento? Como o conhecimento pode configurar 
nossa percepção sobre o mundo? Sendo assim, foi possível analisar 
como se fundamenta o processamento da informação pelo ser humano. 
Você irá estudar as relações que se estabelecem entre o conhecimento 
(conteúdos), o pensamento (processos cognitivos) e a interação social. 
Entender estas relações pode influenciar na maneira de compreender 
o funcionamento da mente humana. Vejamos primeiro o papel do 
conhecimento nas atividades do ser humano. 
Você se lembra do espaço de armazenamento de um disco rígido? 
Observe a figura. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
41
Figura 5: Imagem de um disco rígido, memória ou de 
seus componentes que completam um computador
Fonte: Pixabay 
Observe a imagem e relacione-a com a memória operativa de um 
computador. Distinguiremos um fator muito importante com respeito 
à memória humana: Qual é o espaço necessário para armazenar 
conteúdos? Podemos armazenar conteúdos sem considerar o espaço 
que necessitamos? Entenda que o espaço que ocupa uma memória de 
computador não é o mesmo espaço que ocupa a memória operativa 
do ser humano. Por isso, em um computador e em outros dispositivos 
temos a opção de aumentar e diminuir a zona (superfície) para armazenar 
conteúdo. Agora, veja que interessante. O ser humano registra os 
conteúdos de forma diferente para economizar esse espaço físico de 
armazenamento. Considera-se que nossa memória operativa trabalha 
com um espaço reduzido e limitado e, por isso, nosso conhecimento é 
dividido em conhecimento geral e específico. 
O conhecimento geral está relacionado ao domínio do vocabulário e 
às habilidades de processamento da informação implicados na realização 
de uma tarefa. Exemplo:
1. Reconheço uma informação.
2. Interpreto esta informação.
3. Apresento esta informação ao mundo de distintas maneiras. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
42
Logo, o conhecimento específico se refere a um tema determinado 
que o ser humano deve dominar sobre uma tarefa específica da ciência e 
a realidade que nos rodeia. Exemplo:
1. Qual é o tipo de tarefa e em que consiste?
2. Como se forma ou qual é a estrutura dessa tarefa?
3. Essa tarefa traz consequências para a vida do indivíduo ou do 
grupo?
Por ser um tema que chama muito a nossa atenção, vamos ampliar 
nossas considerações sobre o conhecimento específico. Pinto (2001) nos 
indica que:
as investigações realizadas no âmbito da psicologia 
cognitiva nas áreas de aprendizagem e memória humanas 
têm implicações importantes no nível escolar. Esclarece 
o autor que, nesse contexto, a aprendizagem não é 
independente dos outros processos mentais de atenção, 
percepção, memória e raciocínio, sendo o conhecimento 
de que somos portadores do resultado da mediação mais 
ou menos coordenada dos vários processos cognitivos. 
(PINTO, 2001, p. 1) 
O conhecimento declarativo
O tipo de conhecimento declarativo é aquele que identifica um 
determinado objeto, por exemplo: um carro. Esse conhecimento se 
representa por meio de proposições. 
“Proposições” representam uma unidade básica de uma 
informação no sistema de processamento de informação. 
Corresponde a uma ideia (GAGNÉ, 1985). 
Em outras palavras, essa ideia deve apresentar um significado 
linguístico que possa afirmar ou negar um conceito. Também, devemos 
observar que em uma proposição coexistem dois elementos: uma relação 
e um argumento. Beltrán (1995) explica que o conhecimento declarativo 
abarca ideias, generalizações e teorias que foram armazenadas ao 
longo da vida e está representado na memória em forma de redes de 
proposições (BELTRÁN et al. 1995). 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
43
Exemplo: Vejamos o exemplo de Alicia:
Alicia é uma aluna inteligente e atualmente está cursando o 3º ano 
da educação básica. Sua professora solicitou que relatasse para seus 
companheiros os nomes de todos os estados brasileiros e suas capitais. 
Como era de se esperar, Alicia recitou todos os nomes de Estados e 
capitais sem titubear. Esse é um exemplo de conhecimento declarativo, 
pois agrupa as informações por meio de dados anteriormente estudados. 
Assim, as ideias que se constituem como argumentos representam 
os nomes, os pronomes e também podem vir a ser verbos e adjetivos. 
A relação de uma proposição delimita a ideia e, por isso, identifica-se 
diretamente com os verbos, adjetivos e advérbios. 
Conhecimento procedimental
O conhecimento procedimental relaciona-se com o modo de fazer 
ou colocar uma ideia em prática, produzir. Como fazer ou executar uma 
tarefa? 
Exemplo: Como construir uma casa, uma resenha ou um trabalho 
de fim de curso. Veja na figura abaixo, como foi construída esta casa que 
hoje é o Museu “Casa dos Contos”. Você pode reconhecer o estilo de 
construção? O que pode dizer sobre o estilo arquitetônico?
Figura 6 – Museu Casa dos Contos
Fonte: Wikimedia Commons. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
44
Então, propomos as perguntas: Qual o estilo arquitetônico e o estilo 
de construção? Os questionamentos podem ser respondidos a partir de 
duas variáveis: primeira, se o meu conhecimento é declarativo ou estático, 
posso indicar a resposta se recordo as informações. Segunda, para essa, 
utilizo uma resposta mais criteriosa, com outros argumentos e mais 
pesquisada. Isso pode indicar que conheço outros procedimentos para a 
construção de uma casa, por exemplo. O conhecimento procedimental é 
dinâmico e pode transformar a informação. 
Exemplo: Alicia necessita realizar a seguinte multiplicação: Como 
ela realizará esta multiplicação? Para realizar essa operação, Alicia deverá 
transformar as informações iniciais em outras para conseguir o resultado 
que será 2.757.
Portanto, a regra para distinguir um conhecimento procedimental 
de outro é verificar se pode ser representado por uma produção ou 
relação de condição-ação. Observe o quadro abaixo que oferece alguns 
exemplos para diferenciar entre os tipos de conhecimento declarativo e 
procedimental.
Quadro 7: Perguntas para avaliar o conhecimento declarativo, 
o conhecimento procedimentalou ambos 
..............................................................................................................................................................................................................................
Conhecimento Declarativo
1. Verdadeiro ou falso? Neste Estado a idade legal para beber álcool 
é a partir dos 18 anos.
2. Moby Dick foi escrito por:.
a. Hawthorne.
b. Thoreau.
c. Melville.
d. Hemingway.
3. Escreva o conceito de círculo.
4. Descreva os fatos e acontecimentos que levaram à Primeira 
Guerra Mundial.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
45
Conhecimento Procedimental
5. Qual das figuras representa um triangulo?
Combinação de conhecimentos procedimental e declarativo
6. Escreva uma redação sobre o tema: A principal causa da Segunda 
Guerra Mundial. Seja convincente!
..............................................................................................................................................................................................................................
Fonte: Adaptado de GAGNÉ (1985, p. 95).
No quadro acima, você pode verificar o que é necessário para medir 
cada tipo de conhecimento. Pratique para identificar os conceitos que 
foram estudados. 
Gagné (1985) observa que a distinção entre o conhecimento 
procedimental e declarativo foi realizada pelo filósofo Ryle (1949) e é 
um aspecto fundamental da teoria de aprendizagem de Gagné (1977). A 
autora indica que esta distinção também aparece na teoria cognitiva de J. 
R. Anderson (1976) e esclarece que muitos psicólogos que realizam essa 
diferenciação destacam que estes conhecimentos são independentes uns 
dos outros e que outros psicólogos não encontram nenhuma diferença 
(GAGNÉ, 1985). 
O que você pensa a respeito? São diferentes? Um professor poderia 
notar essa diferença em sala de aula? De modo geral, os conhecimentos 
declarativos e procedimentais são muito importantes na dinâmica e vida 
escolar e por isso são temas de investigação da psicologia cognitiva. 
Conhecimento condicional
O conhecimento condicional, ou melhor, o raciocínio condicional, 
envolve duas palavras: uma delas é “se” e a outra “então”. Esse tipo de 
conhecimento postula o quando e o porquê devemos aprender sobre 
uma determinada ideia. A palavra “se” especifica uma ou mais condições 
para produzir e executar uma tarefa. De outro modo, a palavra “então” 
organiza estas ações de forma racional para que sejam executadas. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
46
Beltrán (1995) define o conhecimento condicional como essencial 
porque sinaliza o campo de aplicação do conhecimento, evitando 
conhecimentos estáticos e favorecendo a transformação de uma 
tarefa primária em uma nova tarefa. Em linhas gerais, esclarece que se 
ensinamos uma pessoa o que é um resumo (conhecimento declarativo), se 
ensinamos como produzir (conhecimento procedimental) e se ensinamos 
para que serve ou sua utilidade, estaríamos ensinando um conhecimento 
condicional, discriminando a razão desse comportamento (BELTRÁN, 
1995, p. 133).
Você irá reconhecer isto na prática quando ouvir falar de 
conhecimento específico no processo de aprendizagem ou compreensão 
de conceitos de modo significativo. 
SAIBA MAIS:
A casa dos contos, hoje Museu, está localizada na cidade 
de Ouro Preto em Minas Gerais e foi construída entre 1782 
a 1787. Seu projeto está atribuído a José Pereira Arouca e se 
classifica como um casarão. Esse casarão é um dos vários 
emblemas do turismo em Minas Gerias e foi construído 
para ser a residência de João Rodrigues de Macedo, 
cobrador de impostos da Capitania de Minas Gerais. Saiba 
mais e faça uma visita! Visite a página da Cidade de Ouro 
Preto. Clique aqui.
A teoria dos esquemas
Os esquemas, na teoria apresentada por pesquisadores cognitivos, 
definem-se como: estruturas mentais que utilizamos para representar e 
organizar o conhecimento. 
Bruning et al. (2012) explicam que antes da década de 70, o 
conceito de esquema era uma noção escura da psicologia experimental, 
aparecendo em uma perspectiva histórica na obra de Bartlett (1932) e 
nos trabalhos do filósofo do século XVIII, Inmanuel Kant, que se referia 
às “regras da imaginação”, mediante as interpretações da experiência 
(BRUNING et al., 2012, p. 52). 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
47
Vamos comprar uma casa? O que é necessário saber para comprar 
uma casa? Observe a figura abaixo. 
Figura 7 - O plano de uma casa
 
Fonte: Pixabay
A imagem representa o que lembramos quando desejamos 
comprar uma casa. Por exemplo, quais são as primeiras informações 
que devo saber sobre a casa? Quantos quartos tem? Quantos banheiros? 
Para entender, quando vamos realizar uma compra desta magnitude é 
prático listar uma série de itens ou desejos para efetivar a compra. No 
caso desse exemplo, a teoria dos esquemas pressupõe que existe uma 
representação mental ou conceito sobre a “casa dos nossos sonhos”. Por 
isso, toda a informação que organizamos está repleta de novos conteúdos 
que se relacionam entre si. 
Mesmo assim, a teoria do esquema, apesar de ser criticada por 
apresentar um caráter geral e impreciso sobre o conhecimento, continua 
sendo utilizada por muitos pesquisadores cognitivos que seguiram 
ampliando suas investigações e desenvolvendo conceitos, com base nos 
esquemas da percepção, da memória e da solução de problemas.
Processos Cognitivos e Aprendizagem
48
Pensamento 
Você pensa? Pare e pense. Pense rápido! O que está pensando 
agora? Qual é o modo que o ser humano utiliza para pensar? São tantas 
perguntas e tão poucas respostas. Talvez nenhuma. Mas o simples 
exercício de pensar sobre estas perguntas nos faz parar e revisar 
a literatura sobre os estudos e investigações sobre o pensamento. 
Biólogos, nutricionistas, psicólogos, pedagogos, médicos, neurólogos, 
neurocientistas, educadores das atividades físicas e você estão 
preocupados em descobrir os propósitos ou as bases do ato de pensar 
ou de codificar uma informação ou mensagem. 
Por isso, a maneira e as estratégias de pensamento se revitalizam 
em distintos campos de pesquisa no Brasil e no mundo. Por qual motivo 
e para qual finalidade devemos ensinar a pensar? Como profissionais, 
que necessidade possuímos de ensinar alguém a pensar? Encontramos 
algumas respostas: 
Os estudantes estariam bem equipados para competir 
efetivamente pelas opções educativas, postos de trabalho, 
reconhecimento social e gratificações no mundo social. 
Isso quer dizer que teriam mais possibilidades de sucesso 
na vida. (BELTRÁN, 1995, p. 144) 
Glaser (1984) apud Beltran (1995) esclarece que “um pensamento 
crítico ajuda o cidadão a formular julgamentos inteligentes em temas 
públicos contribuindo democraticamente a resolver problemas sociais” 
(GLASSER (1984) apud BELTRÁN, 1995, p. 144). 
Pois bem, como profissionais, das respostas encontradas e seguindo 
nosso campo ético de formação, verificamos que seria impossível 
negar a alguém nossa colaboração para aprender a pensar. Isso porque 
acreditamos que todos os indivíduos devem estar preparados para tomar 
sábias resoluções em suas vidas e poder compartilhar decisões em 
benefício de si mesmo e para viver em sociedade. 
Processos Cognitivos e Aprendizagem
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Acreditamos que os profissionais devam ampliar sua prática de 
ensino para que o indivíduo aprenda a pensar. Por outro lado, apontam 
Bereiter e Scardamalia,
se os professores se limitam a ser apenas transmissores 
de conhecimento, o resultado pode ser que os 
estudantes adquiram um conhecimento inerte, quer dizer, 
conhecimento inútil que não será utilizado porque não 
está representado na memória a longo prazo de um modo 
adequado que possa facilitar a recuperação ao não estar 
conectado com o resto de dados informativos na rede 
cognitiva do sujeito. (BERIETER E SCARDAMALIA, apud 
BELTRÁN, 1995, p. 147) 
Interação social 
O que você pode dizer sobre as relações

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