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39
Unidade 3 – Relações Jurídicas e a Responsabilidade no âmbito ambiental
3.1 Introdução
Caro acadêmico!
A terceira unidade de nosso e-book tem como foco o estudo das relações jurídicas e a
responsabilidade em matéria ambiental, ou seja, nossas leituras serão delineadas para
compreender quem são os atores que compõem uma relação jurídica e a partir de uma
determinada ação quais são as incidências de responsabilidade podem ocorrer sobre este
ator (pessoa física ou jurídica).
Estudar a responsabilidade civil em matéria ambiental é fundamental porque ela
representa um instrumento jurídico essencial para prevenir e reparar danos causados ao
meio ambiente, garantindo a proteção dos recursos naturais e a qualidade de vida das
presentes e futuras gerações.
Bons estudos!
Pré-requisitos para melhor compreensão deste conteúdo
As relações entre as pessoas, individualmente ou em grupos, e entre esses grupos,
geram vínculos que estão previstos nas normas jurídicas. O casamento, por exemplo, é uma
relação jurídica da qual decorrem inúmeros direitos e obrigações que interessam ao Direito,
como a propriedade, a honra e a vida.
Em sua futura atuação profissional como gestor ambiental, você ou a empresa em que
trabalhar farão parte de diversas relações jurídicas. Isso ocorre, por exemplo, ao contratar
profissionais para compor uma equipe de licenciamento ambiental, emitir pareceres,
desenvolver projetos de gestão ambiental para outra empresa, entre outras situações que
envolvem relações com funcionários, fornecedores e parceiros.
Conforme Gusmão (2018, p. 250), a relação jurídica é “o vínculo que une uma ou mais
pessoas, decorrente de um fato ou de um ato previsto em norma jurídica, que produz
40
efeitos jurídicos” ou, de forma mais simples, “vínculo jurídico estabelecido entre pessoas,
em que uma delas pode exigir de outra determinada obrigação”.
Nesse sentido, de acordo com Nader (2019, p. 282):
A relação jurídica faz parte do elenco dos conceitos jurídicos fundamentais e
constitui um ponto de convergência de vários componentes do Direito. A sua
compreensão é elemento-chave para o conhecimento da Teoria Geral do Direito.
Nela se entrelaçam fatos sociais e normas jurídicas. É no quadro amplo das
relações jurídicas que se apresentam os sujeitos do direito e se projetam direitos
subjetivos e deveres jurídicos.
Existem várias espécies de relação jurídica. Para o nosso estudo, é interessante
conhecer as relações jurídicas de direito público e de direito privado.
As relações jurídicas de direito privado decorrem de normas desse ramo do Direito
(seja por força de lei ou contrato) e se baseiam nos princípios da liberdade e da autonomia
privada. Um exemplo ocorre quando uma empresa contrata outra para executar um projeto
de gestão ambiental, com o objetivo de implantar boas práticas de educação ambiental e
obter certificações. Nesse caso, duas pessoas jurídicas celebram um contrato estipulando
suas obrigações, valores, prazos e as consequências em caso de descumprimento ou
rescisão contratual.
Por outro lado, nas relações jurídicas de direito público, há o envolvimento do Estado
com particulares, além da participação dos próprios cidadãos na esfera pública da
sociedade. Nessas relações, o interesse público prevalece sobre o interesse privado. Um
exemplo disso ocorre quando o Estado decide contratar uma empresa para produzir e
entregar copos de papel biodegradável e sustentável para a Semana do Meio Ambiente.
Nesse caso, a Administração Pública estabelece as regras por meio de um edital, realiza os
procedimentos de licitação e, assim, formaliza a contratação, configurando uma relação
jurídica entre um ente público e um ente privado.
Agora que compreendemos as relações jurídicas, vamos avançar na leitura de nossos
estudos.
Indicação sobre o tempo de leitura
Separe um tempo de 60 minutos para ler esta Unidade de forma direta, mas procure
um tempo maior para apreender com mais sucesso o conteúdo e aprimorar seu
41
aprendizado. O estudo regular estimula o senso de percepção, a autonomia e a capacidade
de resolução de problemas.
Meta da aula
A meta desta unidade é que você compreenda o conceito de relações jurídicas e sua
ligação com a responsabilidade civil em matéria ambiental.
Objetivos da unidade
Para esta unidade, temos os seguintes objetivos:
1. Conhecer o conceito de relações jurídicas e os seus tipos.
2. Identificar os elementos de responsabilidade civil em matéria ambiental.
3. Verificar as formas reparação de responsabilidade civil.
3.2 Responsabilidade civil em matéria ambiental
A infração ambiental pode ter repercussão nas esferas penal, civil e administrativa.
Quando constatada a existência de uma infração ambiental, inicia-se uma série de
procedimentos tanto no âmbito administrativo quanto no jurídico (penal ou cível), sem que
haja, em princípio, uma ligação direta entre os feitos.
O meio ambiente é um patrimônio de todos. Ao falarmos em responsabilidade civil
decorrente de infração ambiental, não estamos tratando apenas de aspectos meramente
econômicos, mas também das consequências sobre um direito difuso ou coletivo.
Segundo o artigo 225, §3º, da Constituição Federal de 1988, os poluidores, sejam
pessoas físicas ou jurídicas, estão sujeitos a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados. Como já estudamos, esse
dispositivo constitucional determina que tais sanções podem ser aplicadas
cumulativamente, pois possuem naturezas distintas.
Elementos para a responsabilização civil ambiental:
● Dano
● Poluidor
● Nexo de causalidade (ligando os dois elementos anteriores)
42
Fica claro, então, que a responsabilidade civil em matéria ambiental é objetiva,
baseada na teoria do risco. Vamos conhecer cada um dos elementos da responsabilidade
civil, bem como o tipo de responsabilidade e a teoria do risco.
a) Dano ambiental
O conceito de dano ambiental é amplo, permitindo diversas interpretações. Por isso,
os operadores do Direito costumam utilizar a definição de degradação ambiental prevista no
artigo 3º, inciso II, da Lei nº 6.938/81, para se referirem ao dano ambiental.
Considerando que o dano é uma lesão a um bem jurídico, podemos dizer que existe
dano ambiental sempre que houver lesão ao equilíbrio ecológico, ou seja, ao bem jurídico
ambiental, resultante da afetação adversa dos seus componentes.
Essa lesão pode gerar um desequilíbrio no ecossistema, seja social ou natural, mas
sempre relacionada à degradação do equilíbrio ecológico, que é o bem jurídico protegido
pelo Direito Ambiental. Ao adotar essa concepção, compreendemos que os danos ao meio
ambiente são autônomos e distintos dos danos pessoais sofridos por indivíduos. Entretanto,
o mesmo fato que causa uma lesão ao meio ambiente e aos seus componentes pode
também gerar danos individuais, cuja reparação beneficiará apenas pessoas determinadas.
O dano ambiental pode ser coletivo, individual e até moral. Vejamos cada um deles:
● Dano ambiental coletivo
O dano ambiental coletivo afeta os interesses de um número indeterminado de
pessoas. Um exemplo clássico é a poluição atmosférica, que prejudica potencialmente um
grande número de indivíduos.
Devido ao caráter coletivo dos interesses lesados, a tutela desses direitos pode ocorrer
por meio de ação civil pública ou de outros instrumentos processuais adequados, como o
mandado de segurança coletivo, buscando garantir tanto a reparação do dano ambiental
coletivo quanto a prevenção da sua ocorrência (MILARÉ, 2009).
● Dano ambiental individual
Ocorre dano ambiental individual quando, além da coletividade, é possível identificar
indivíduos específicos prejudicados em seu patrimônio particular. Esse tipo de dano também
é chamado de dano ricochete ou dano reflexo.
43
Essa modalidade de dano ambiental ocorre quando um impacto negativo ao meio
ambiente afeta, de maneira reflexa, os interesses patrimoniais ou extrapatrimoniais de
terceiros.
A seguir, veremosum exemplo prático de dano ambiental.
Um proprietário de uma fazenda despeja resíduos químicos em um rio que atravessa a
propriedade de seu vizinho, causando poluição da água e prejuízos à criação de peixes deste
último. Nesse caso, configura-se uma relação jurídica privada em matéria ambiental, pois:
● Partes envolvidas: dois particulares (proprietários de terras).
● Natureza da relação: o fazendeiro que causou o dano pode ser responsabilizado
civilmente com base no artigo 927 do Código Civil e na Lei da Política Nacional do
Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981).
● Consequências jurídicas: o vizinho prejudicado pode ingressar com uma ação
indenizatória para reparação do dano material e moral, além de exigir a recuperação
ambiental da área afetada.
Esse é um exemplo típico de relação jurídica de direito privado na esfera ambiental,
pois envolve particulares e direitos subjetivos, ainda que regidos por princípios do direito
ambiental.
Ainda temos o dano moral ambiental, que, segundo Oliveira (2007), tem como
pressuposto básico a ofensa à saúde e à qualidade de vida da sociedade. Trata-se de uma
questão controvertida, devido ao caráter personalíssimo do sentimento humano. No
entanto, é juridicamente possível conceber uma indenização coletiva por dano moral, desde
que seja comprovado que a degradação ambiental atingiu coletivamente o bem-estar de
uma comunidade.
b) Poluidor
Segundo o art. 3º, IV, da Lei n. 6.938/81:
Art. 3º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: (...)
IV — poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado,
responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação
ambiental; (...).
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O legislador adotou um conceito amplo de poluidor, incluindo pessoas físicas e
jurídicas, tanto de direito público quanto privado, e ainda aqueles responsáveis direta ou
indiretamente pela degradação ambiental.
A grande vantagem desse conceito abrangente é garantir, sempre que possível, que
haja alguém apto a reparar os danos ambientais causados. Afinal, em muitos casos, o
responsável pode não ter os recursos necessários para cobrir integralmente os prejuízos
gerados, especialmente quando o impacto ambiental é significativo.
c) Nexo de Causalidade
A relação entre a causa e o seu efeito é denominada nexo causal. Esse vínculo é essencial
para a caracterização do dano, pois sem efeito não há causa, e vice-versa.
O nexo causal estabelece a conexão entre um ato e suas consequências. Ou seja, a
existência de um dano ambiental só pode ser atribuída a um agente poluidor se houver um
nexo direto entre sua conduta e o prejuízo causado.
3.2.1. Teoria do Risco Integral
Agora que conhecemos os elementos que compõem a responsabilidade civil, passamos
ao estudo da teoria do risco integral.
A doutrina dominante entende que, na aplicação dessa teoria, não se considera a
intenção do agente nem eventuais causas excludentes de responsabilidade. Não se discute
se a atividade desenvolvida era lícita ou se havia dolo.
Pela teoria do risco integral, verificado o dano ambiental, surge automaticamente o
dever de reparação, independentemente de culpa. O empreendedor responde pelos
prejuízos causados e pode, quando aplicável, exercer o direito de regresso contra o
verdadeiro responsável, em caso de dano causado por terceiros.
Segundo Milaré (2009), a responsabilidade civil objetiva se baseia em um princípio de
equidade, que remonta ao Direito Romano: "aquele que lucra com uma atividade deve
assumir os riscos e as desvantagens dela resultantes". O agente, portanto, suporta todos os
riscos de sua atividade, evitando a prática inadmissível de socializar o prejuízo e privatizar o
lucro.
45
ATENÇÃO!
No caso de dano ambiental, aplica-se a responsabilidade civil objetiva, sob a modalidade
do risco integral, que não admite qualquer excludente de responsabilidade.
3.2.2 Formas de reparação na responsabilidade civil ambiental
As duas principais formas de reparação do dano ambiental são:
a) Restauração natural (retorno ao status quo ante);
b) Compensação pecuniária (indenização em dinheiro).
Segundo Milaré (2009, p. 873), a adequação da restauração natural deve ser aferida
pela “recuperação da capacidade funcional ecológica e da possibilidade de aproveitamento
humano do bem natural, conforme determinado pelo sistema jurídico”. Isso pressupõe a
restauração do equilíbrio dinâmico do ecossistema afetado.
Apenas quando a restauração natural não é tecnicamente viável, admite-se a
indenização em dinheiro. Como afirma Milaré (2009, p. 874): “A reparação econômica é,
portanto, uma forma indireta de sanar a lesão”.
Seja qual for a forma de reparação adotada, o objetivo é impor um custo ao poluidor,
garantindo dois efeitos fundamentais: Compensar economicamente os danos sofridos pela
vítima (indivíduo ou sociedade); Desestimular condutas similares por parte do poluidor ou
de terceiros.
A efetividade desses objetivos depende da certeza da punição (inevitabilidade) e da
rapidez na ação reparatória (tempestividade). Entretanto, a reparação financeira isolada não
é suficiente. O ideal é restaurar a área degradada, buscando devolvê-la ao estado anterior ao
dano. O conceito de "bem de uso comum", presente no artigo 225, caput, da Constituição
Federal de 1988, impõe a prevalência da reparação in natura sobre a indenização em
dinheiro.
Além disso, a reparação in natura é essencial para a educação ambiental do poluidor.
Apenas ressarcir financeiramente o dano não traz a mesma conscientização e prevenção de
futuras infrações. Portanto, a indenização pecuniária é exceção no sistema de
responsabilidade civil ambiental, sendo aplicada somente quando a recuperação do
ambiente não for possível total ou parcialmente.
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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu que a prioridade da reparação in
natura é um princípio essencial da responsabilidade civil ambiental. Vejamos:
“(...) 4. Qualquer que seja a qualificação jurídica do degradador, público ou privado,
no Direito brasileiro a responsabilidade civil pelo dano ambiental é de natureza
objetiva, solidária e ilimitada, sendo regida pelos princípios do poluidor-pagador,
da reparação in integrum, da prioridade da reparação in natura, e do favor debilis,
este último a legitimar uma série de técnicas de facilitação do acesso à Justiça,
entre as quais se inclui a inversão do ônus da prova em favor da vítima ambiental.
(...)” (STJ, 2ª Turma, REsp 1.071.741/SP, rel. Min. Herman Benjamin, DJ
16-12-2010).
“DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO AMBIENTAL.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA PELA EMISSÃO DE FLÚOR NA ATMOSFERA. TEORIA
DO RISCO INTEGRAL. POSSIBILIDADE DE OCORRER DANOS INDIVIDUAIS E À
COLETIVIDADE. NEXO DE CAUSALIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. DANO MORAL IN RE
IPSA. 1. (...). 2. É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos danos
ambientais, incide a teoria do risco integral, advindo daí o caráter objetivo da
responsabilidade, com expressa previsão constitucional (art. 225, § 3º, da CF) e
legal (art. 14, § 1º, da Lei n. 6.938/1981), sendo, por conseguinte, descabida a
alegação de excludentes de responsabilidade, bastando, para tanto, a ocorrência
de resultado prejudicial ao homem e ao ambiente advindo de uma ação ou
omissão do responsável. 3. A premissa firmada pela Corte de origem, de existência
de relação de causa e efeito entre a emissão do flúor na atmosfera e o resultado
danoso na produção rural dos recorridos, é inafastável sem o reexame da matéria
fática, procedimento vedado em recurso especial. Aplicação da Súmula 7/STJ. 4. É
jurisprudência pacífica desta Corte o entendimento de que um mesmo dano
ambiental pode atingir tanto a esfera moral individual como a esfera coletiva,
acarretando a responsabilização do poluidor em ambas, até porque a reparação
ambiental deve ser feita da forma mais completa possível. 5. (...). 7. Recurso
especial a que se nega provimento” (REsp 1.175.907/MG, rel. Min. Luis Felipe
Salomão, 4ª Turma, julgado em 19-8-2014, DJe 25-9-2014).(grifo nosso).
3.3 Atividade com resposta comentada
1. (CESPE/2008 — STJ — Analista Judiciário) Julgue o item a seguir:
Como se presume a culpa da empresa que polui, ela deve indenizar ou reparar os
danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade, salvo se provar
que agiu de forma diligente e cautelosa.
a) ( ) certo
b) ( ) errado
Resposta: “errado”. Para a responsabilidade civil ambiental, não se aplica a presunção
de culpa, mas, sim, a responsabilidade objetiva. Por tal razão, é indiferente ter agido ou não
47
de forma diligente e cautelosa o poluidor. Basta, para que surja o dever de indenizar, que,
havendo o dano ambiental, possa este ser imputado (nexo causal) a um poluidor.
2. (MPE-MS/2011 — Promotor de Justiça) Acerca da responsabilidade civil ambiental
na legislação brasileira, pode-se afirmar:
a) É subjetiva, nos mesmos moldes da responsabilidade civil, ou seja, é imprescindível a
investigação e a discussão da culpa, embora não seja necessária a prova do nexo causal, vale
dizer, da relação de causa e efeito entre a atividade do agente e o dano dela advindo.
b) É considerada como de natureza objetiva, em razão de previsão constitucional e do
regime adotado na Lei n. 6.931/81, que afastou a investigação e a discussão da culpa,
embora não tenha prescindido do nexo causal, vale dizer, da relação de causa e efeito entre
a atividade do agente e o dano dela advindo.
c) Na apuração da responsabilidade do poluidor, o Ministério Público ou qualquer
legitimado, autor da ação civil pública, além da aplicação da teoria do risco integral quanto à
culpa, ainda tem a vantagem da inversão do ônus da prova, como acontece na seara da
defesa do consumidor.
d) O poluidor não será responsabilizado civilmente caso o evento danoso tenha sido causado
por motivo de força maior (da natureza) ou caso fortuito (obra do acaso), sendo estas
circunstâncias uma das exceções na aplicação da teoria do risco integral.
e) É mista, ora assumindo características objetivas, ora demonstrando subjetividade,
cabendo ao Juiz, na análise do caso concreto, decidir a prevalência de uma das duas e a justa
indenização.
Resposta: “b”. De acordo com o art. 225, § 3º, da CF e com o art. 14, § 1º, da Lei n. 6.938/81,
que expressamente dispensa a prova da culpa para a responsabilidade civil ambiental.
48
3.4 Exemplos práticos
Uma indústria química despeja resíduos tóxicos em um rio, causando contaminação
da água utilizada pela população local para consumo e irrigação agrícola. Como
consequência, ocorrem danos ambientais e sociais, incluindo a morte de peixes, prejuízos
aos pescadores, contaminação do solo e riscos à saúde pública.
Aplicação da Responsabilidade Civil Ambiental
1. Responsabilidade Objetiva:
De acordo com o artigo 14, §1º, da Lei nº 6.938/1981 (Política Nacional do Meio
Ambiente), a responsabilidade civil ambiental é objetiva, ou seja, independe da
existência de culpa. Basta a comprovação do dano e do nexo causal entre a
atividade da empresa e o prejuízo ambiental.
2. Obrigações da Indústria:
Reparação do dano ambiental, restaurando o ecossistema afetado (princípio do
poluidor-pagador).
Indenização às comunidades afetadas, incluindo pescadores e agricultores
prejudicados.
Multas e sanções administrativas impostas pelos órgãos ambientais, como o
IBAMA.
3. Decisão Judicial:
Caso a empresa não tome medidas voluntárias de reparação, o Ministério Público
pode ingressar com uma Ação Civil Pública, exigindo a compensação pelos danos
ambientais e sociais.
Esse é um caso típico de responsabilidade civil ambiental, onde o poluidor responde
independentemente de culpa, garantindo a proteção do meio ambiente e dos direitos da
coletividade.
3.5 Sugestões de leituras ou links complementares
O texto sobre Responsabilidade Civil e Sustentabilidade: normatividade em prol do
Meio Ambiente é uma ótima oportunidade de leitura com foco em analisar o caráter
indissociável da responsabilidade civil e da sustentabilidade a partir dos novos paradigmas
de ressarcimento, tecendo críticas ao sistema clássico de compensação, insuficiente para a
49
promoção da justiça ambiental Disponível em:
https://www.scielo.br/j/seq/a/ZV8PZ7GdpQVV7VwhWWk8YpK/
Outro artigo de destaque é sobre A transformação ecológica do Direito de danos e a
imprescritibilidade do dano ambiental na jurisprudência brasileira, tendo como foco a
consideração do princípio in dubio pro natura1 pelas tribunais superiores que tem viabilizado
propor que, no domínio da reparação dos danos ambientais, as particularidades de seus
efeitos oportuniza uma interpretação das normas que favoreça a proteção da natureza, em
conjunto com a necessidade de se oferecer maior proteção às vítimas. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/seq/a/43RVFTHNhs9wxLykRvfHNsy/
3.6 Dicas dos conceitos da unidade
A relação jurídica é um vínculo que une pessoas entre si ou pessoas e coisas. Este
vínculo nasce de uma norma jurídica que impõe direitos e deveres a cada um dos
participantes.
A infração ambiental pode ter repercussão na esfera penal, civil e administrativa.
A obrigação de reparação civil do dano subsiste independentemente da
responsabilidade administrativa e penal, conforme preconiza o art. 225, § 3º, da
Constituição Federal de 1988.
A responsabilidade civil ambiental é, em regra, objetiva.
3.7 Chamada para a próxima unidade
Prezado acadêmico,
Chegamos ao final da leitura da terceira unidade estudando sobre o conceito das
relações jurídicas, elementos da responsabilidade civil e suas formas de reparação.
Para a próxima unidade, continuaremos nos estudos da responsabilidade, porém
com o foco na responsabilidade administrativa e penal.
Bons estudos!
1 Expressão em latim que significa: Na dúvida em favor da natureza.

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