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PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO Vida adulta e envelhecimento Aula 1:Plano de ensino *O que é ser ADULTO? Um norte... Tornando-se adulto - Indivíduo que está no período da vida na transição entre a adolescência e a velhice. Ciclos de vida. Vamos pensar o desenvolvimento como processo de TRANSFORMAÇÃO e que vai estar relacionado a um complexo conjunto de fatores. Algumas características nessa transição... - Mudança no vínculo com os pais - Adaptação ao novo corpo - Escolha profissional - Construção de um Sistema de valores - Mais autonomia - Gerenciamento da vida aumenta - Senso de responsabilidade - Definição da sexualidade - Estabilidade dos afetos - Desenvolvimento de relações interpessoais de qualidade. O ADULTO ONTEM E HOJE: ALGUMAS CONCEPÇÕES - No ILUMINISMO – ser consciente de si, dos seus pensamentos, suas decisões e seus atos. - Primazia do intelecto. -Adulto padrão. - Após a segunda guerra e estudos de teóricos importantes, alteração da concepção de adulto. - Anos 60/70: modernidade, avanços de tecnologias, sociedade de consumo, individualismo, adulto em pespectiva, flexível, otimista. - Adulto inacabado. - Década de 90: consciência da instabilidade, nas variadas esferas da vida. - Visão mais pessimista do adulto. - Adulto problema. - Pressões sociais por um modelo de adulto marcado pela estabilidade, seja ela familiar, profissional ou financeira... - Mudanças nos arranjos familiares, trabalho dos dois membros do casal, pressão laboral e redução de horários. Na contemporaneidade... O Adulto como SUJEITO Indivíduo livre, produtor e com SUBJETIVIDADE, portanto, não há unicidade, experiência individual, privada e universal. Adulto híbrido “Um processo de constituição do adulto pode envolver um constante fazer-se e refazer-se e, consequentemente, não corresponder necessariamente a algum tipo imperativo de adulto padrão”. Contextualizando o novo adulto... ●Sociedade de consumo e midiática ●Resistência em amadurecer ●Supervalorização do “ser jovem”. ●Lógica capitalista: cultura dos prazeres - efemeridade das coisas - no limits - nada de sofrer. ●Adultescência. ●Negação geracional. - Se o Século XX foi marcado por evoluções interessantes, também nos fez sentir um incremento dos sentimentos de insegurança. O amplo leque de possibilidades de comunicação, acesso ilimitado a novas tecnologias também parece sugerir uma certa fluidez e inconsistência das mesmas e talvez das próprias relações interpessoais que afetam também o novo adulto PROPOSIÇÕES TEÓRICAS... ERIK ERIKSON : A personalidade se desenvolve de forma saudável através do crescimento fisiológico, do amadurecimento mental e do aumento da responsabilidade social. Todo este processo é chamado por ele de “Desenvolvimento Psicossocial”. ERIKSON E O DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL Cada fase é marcada por uma crise entre uma vertente positiva e uma negativa, essencialmente sendo a predominar a vertente positiva. Isto é praticamente um tipo de treinamento psicológico permanente, porque do modo que cada fase vai ser superada vai depender no futuro a capacidade do indivíduo de resolver os conflitos diários. Dentro da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial, Erikson dizia que o desenvolvimento pessoal depende da interação entre o sujeito e o meio que o rodeia. O meio para ele tinha um papel fundamental na construção da subjetividade e identidade de cada pessoa. Propôs períodos com aspectos distintos durante todo o ciclo vital. O adulto em torno dos 20 aos 65 anos, entrando a partir daí no envelhecimento. 19 a 40 anos – adulto jovem 40 a 65 anos – adulto ADULTO JOVEM: 19 A 40 ANOS Uma vez estabelecida a identidade, a pessoa aproxima-se de outras conforme os valores, gostos e interesses que em conjunto formam essa mesma identidade que vem se assentando. ADULTO JOVEM: 19 A 40 ANOS INTIMIDADE X ISOLAMENTO - Intimidade como a capacidade do indivíduo de identificar-se e ligar-se a outras pessoas, sem receio de prejudicar sua personalidade. - Relações mais íntimas, reciprocidade, amizades, relações sexuais, amor, casamento, sacrifícios, compromissos. - Possibilidade de associação com intimidade, parceria e colaboração. Podemos agora falar na associação de um ego ao outro. Para que essa associação seja positiva, é preciso que a pessoa tenha construído, ao longo dos ciclos anteriores, um ego forte e autônomo o suficiente para aceitar o convívio com outro ego sem se sentir ameaçado. ISOLAMENTO Temor de perder-se em sua identidade, personalidade, de forma potente e prejudicial. A dificuldade em forjar relações íntimas podem empurrar a pessoa para o isolamento. Se o ego não é suficientemente seguro, a pessoa irá preferir o isolamento à união, pois terá medo de compromissos, numa atitude de “preservar” seu ego frágil. Atenção... É O EXAGERO na recusa por um longo tempo a assumir qualquer tipo de associação e compromisso, é que pode-se dizer que é um desfecho negativo para sua crise. ELITISMO... Erikson alerta que quando há formação de grupos exclusivos que são uma forma de narcisismo comunal. Um ego estável é minimamente flexível e consegue se relacionar com um conjunto variável de personalidades diferentes. Quando se forma um grupo fechado, onde se limita muito o tipo de ego com o qual se relaciona, poderemos falar em elitismo. ADULTO INTERMEDIÁRIO: 40 A 65 ANOS GENERATIVIDADE X ESTAGNAÇÃO GENERATIVIDADE: Preocupação com tudo o que pode ser gerado, desde filhos até ideias e produtos. Ele se dedica à geração e ao cuidado com o que gerou, o que é muito visível na transmissão dos valores sociais de pais para filho. Esta é a fase em que o ser humano sente que sua personalidade foi enriquecida – e não modificada – com tais ensinamentos. Generatividade - existe uma necessidade inerente ao homem de transmitir, de ensinar, de produzir. É uma forma de fazer-se sobreviver, de fazer valer todo o esforço de sua vida, de saber que tem um pouco de si nos outros. Isso impede a absorção do ser em si mesmo e também eleva a transmissão de uma cultura. O papel de cuidado ao outro, seja por parentalidade ou trabalho, como tarefa do desenvolvimento sociedade, onde possa contribuir, transmitir experiências, conhecimentos... Proatividade e necessidade intrínseca de ser agregador a pessoas e/ou sociedade. Tempo de maior atividade. As formas de expressar a generatividade também se ampliam, de forma que as principais aquisições desta fase, como dar e receber, criar e manter, podem ser vividas em diversos planos relacionais, não somente na composição de uma nova família. ESTAGNAÇÃO Se os projetos frustram ou sua autoavaliação não é satisfatória, há um estagnação e pode chegar a autossabotagem. Não consegue sentir-se útil, nem transmitir algo significativo a alguém/projetos de seu entorno. *A VIDA ADULTA INTERMEDIÁRIA Proposições teóricas... A personalidade se desenvolve de forma saudável através do crescimento fisiológico, do amadurecimento mental e do aumento da responsabilidade social. Todo este processo é chamado por ele de “Desenvolvimento Psicossocial”. O ADULTO NA PSICANÁLISE... É um sujeito cujo INCOSCIENTE nos conecta toda a vida com o infantil, os outros ciclos, com avanços e recuos. Vislumbra o ser adulto com conflitivas que perseveram, mas que se refere a alguém capaz de responsabilizar-se. Vai se separando do infantil e dos pais da infância e passa a ser um sujeito membro de uma comunidade, entre outros papéis. O amadurecimento – linha que segue desde a dependência absoluta do inicio da vida (mãe suficientemente boa) a uma independencia relativa na vida adulta. (Winnicott) Muito importante: as integrações, atendimento ás necessidades, conquistas, frustrações... ... o homem não é determinado na concepção ou nascimento... É lançado ao mundo, num vir a ser. O AMBIENTE – deve possibilitar condições adequadas para o amadurecimento. Promovendocompreender que... Como processo, o luto terá fases e oscilações singulares. Entorpecimento, protestos, stress e busca pelo ente durante os dias, desespero, depressão, e aos poucos irá elaborando o luto. ESTÁGIOS DO LUTO Negação e isolamento – O primeiro estágio está presente em quase todos os casos. Mesmo quando alguém tem um parente com uma doença em estágio terminal e “se prepara” para perdê- lo, ele pode não aceitar a realidade quando o parente se vai. Quem recebe a notícia de uma doença terminal também pode passar por um período de negação da realidade por conta do medo e do choque da notícia. A negação é um mecanismo de defesa cujo objetivo é proteger as pessoas da dimensão de uma realidade desagradável. Por um lado, ele as ajudam a processá-la vagarosamente para que, no momento certo, eles consigam aceitar o que está acontecendo ou já aconteceu. Por outro, ele pode prolongar o sofrimento por tempo indeterminado. Raiva - A raiva é a consequência mais comum da negação. Quando já não é possível negar o fato, as pessoas se revoltam. Passam a ver a vida como injusta e encontrar razões para se ressentir de outros indivíduos, médicos, psicólogos e si mesmo. Essa emoção intensa pode ser expressa de maneiras pouco saudáveis, como por meio da destruição de objetos, rechaço e brigas com pessoas próximas, comportamentos autodestrutivos (beber em excesso, dirigir embriagado, gastar muito dinheiro com coisas desnecessárias), entre outros. Barganha - Este estágio é caracterizado por uma chama de esperança que leva o indivíduo enlutado a negociar uma cura milagrosa, seja com uma entidade superior ou com médicos. Ele faz promessas caso o ente querido ou ele próprio seja curado. Nesta fase, pode ter dificuldade para entender a gravidade da situação. Depressão - Quando a pessoa de luto chega no estágio da depressão, ela já aceitou a realidade, mas tem dificuldade para gerenciar a tristeza e o medo que acompanham a notícia. Este mecanismo de defesa age como uma forma de prepará-la para aceitar a vida após a perda ou a complexidade da patologia. É fundamental, sempre que possível que o psicólogo seja consultado nesta fase da depressão e parentes e amigos estejam presentes para conversar e ouvir os desabafos da pessoa em luto. O humor depressivo oriundo do luto pode evoluir para um transtorno depressivo crônico. A recuperação, neste contexto, pode ser mais longa e desafiadora. Aceitação - A última fase do luto é a aceitação. Todas as pessoas passam por ela, independentemente da situação. É neste momento que aceitam, sem raiva e ressentimento, o fato. Com os sentimentos, medos e aflições já externalizados nas outras fases, conseguem mudar o foco para sentimentos, pensamentos e atitudes mais positivas. Indivíduos enlutados conseguem dar continuidade às suas vidas, ainda que um passo de cada vez, visando o futuro em vez de lamentações e arrependimentos. O seu relacionamento com a saudade também melhora. Não se apaga o amor e o carinho por alguém que foi marcante, mas auxilia a transformar a memória em algo positivo para que a vida siga em frente de forma saudável, restabelecendo o equilíbrio emocional. ►O processo natural do luto não é linear, como muitas vezes acreditamos, ele é permeado por altos e baixos, idas e vindas, em um movimento pendular. E As manifestações do luto podem ser cíclicas. São dois modos de enfrentamento que oscilam ao longo da vida, ora estamos em contato com as dimensões da perda e suas dores, rememorando lembranças, sentindo a ausência do ente querido em datas significativas, por exemplo; ora voltamos para a restauração, lidando com as mudanças na vida sem a pessoa falecida. O luto pode se tornar patológico – Dor emocional intensa. Um luto crônico com duração excessiva, nunca chega a um equilíbrio satisfatório; ou um luto ausente ou retardado, que não permite elaboração o luto severo, em que adoece gravemente em várias dimensões. Acolher e estimular a expressar os sentimentos, identificar os recursos de enfrentamento da perda e assim ir legitimando o luto. No caso de um terapeuta este auxilia também a prevenir conflitos familiares que podem surgir nesse momento de abalo. A partir do diálogo e do acolhimento, observar as necessidades que a pessoa vai apresentando e auxiliar no intuito de achar as melhores maneiras de lidar com isso. Não minimizar o ocorrido. Respeitar o silêncio ou o choro. Fortalecer o contato com pessoas significativas construindo uma rede de apoio. Estabeleça novas rotinas, no seu tempo. Cuide da saúde física, mental e espiritual. Buscar suporte profissional. ***************************************************************************mas reconhecendo que há tempos intrapsíquicos diferentes. Winnicott afirma que “todos os fenômenos humanos, sejam eles sadios ou não, sempre mantêm relação com o crescimento e amadurecimento’. A maturidade como SAÚDE, um processo de ir e vir (independência relativa). A maturidade envolve um processo de crescimento emocional e psíquico. Traz interrogantes: não querer ser como os pais e temor a perde-los, sejam como forem. Dar conta de si, sem mais contar com os pais para apagarem os incêndios. Lidar com o não saber, a impotência, enfrentando o não saber, as dúvidas, o ir e voltar que pontua toda a existência. Em uma perspectiva psicodinâmica, buscar compreender as experiências infantis para comprender a personalidade do adulto. Adulto compreendido aproximadamente dos 20 aos 65 anos ● MEIA-IDADE (vida adulta intermediária) Dos 40 aos 65 – auge do desenvolvimento adulto, auge do trabalho e colheita de frutos, realizações e de experiências diversas. ● Maturidade propriamente dita. A MEIA-IDADE... 40 a 65 anos aproximadamente. ► Com os avanços na área da saúde, e o aumento da expectativa de vida. ► Pode ser demarcada não só por uma idade mas também pelo contexto. ► Pode ser de maior plenitude e realização como de frustrações e percepções da finitude, do declínio no “arco” ► Maior liberdade e independência. ► Maior capacidade de integração de idéias, novos conhecimentos, emoções, com as experiências vividas. Mas também insegurança sobre a sobrevivência, aposentadoria, a exigência de “parecer jovem”. ►Estudantes de meia-idade tem suas próprias motivações, metas, tarefas e prioridades de desenvolvimento e experiências. ►O desenvolvimento cognitivo pode ocorrer por toda a vida, de algum modo, mas também pode ser perdido. ►Crise da meia idade: demonstrada por sentimentos depressivos em ambos os sexos. - Ansiedade pelos projetos que ainda não puderam ser feitos. - Climatério e suas características. - Limites e mudanças físicas e aumento de preocupações com os outros do entorno. - Geração sanduiche: cuidados se ampliam com os mais novos e com os mais velhos. (É referência) - Reexames são comuns... Das escolhas profissionais, de como tem equilibrado trabalho e família, o que foi possível até ali... - Reexame do casamento, de possibilidade de separar-se, divorciar, casar com outra pessoa. - Limitações, enfermidades, perdas de pessoas próximas mais idosos. - Pensamentos acerca do próprio envelhecimento e morte. * A VIDA ADULTA NA PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL “O homem e a sociedade são dimensões de uma mesma realidade...” A perspectiva histórico-cultural... O homem é um ser social, político e histórico, que vai se constituindo e constituindo a sociedade da qual faz parte. Vai construindo também o seu mundo psíquico, amparado nas possibilidades e limites, ligado a essa sociedade em que se insere, modifica e transforma. O desenvolvimento é situado em contextos... As mudanças ocorridas com os sujeitos se dão em um processo dialético. O psiquismo humano se desenvolve por meio das interações do indivíduo com o mundo, mediado por objetos construídos por sujeitos humanos, numa apropriação da realidade... VYGOTSKY: ●O desenvolvimento tem nas relações sociais sua mola propulsora. ●É um movimento não linear e de luta, em contradição entre forças primitivas e forças culturais. E que gradualmente vai se apropriando. ●É na relação dialética com o mundo material, com a cultura, que se situam ou não as condições necessárias a um bom desenvolvimento. ●Há funções que dominam mais em cada faixa etária e que serão propícias ao desenvolvimento, mas não são uniformes e contínuos. ●Inicialmente as funções são básicas e elementares.(mais biológica). Reflexos, comportamentos sem controle... ●O biológico é o ponto de partida para o desenvolvimento mas vai se entrelaçar dialeticamente no decurso da vida. Desenv. pela interação entre 4 planos: Filogênese - adaptação progressiva na evolução biológica desde os primórdios. Ontogênese – fase da vida em que a pessoa se encontra, com certa similaridade entre todos desse período Sociogênese – condições culturais, sociais, históricas, raízes das funções psíquicas superiores. Microgênese- experiências singulares de cada um, emerge um psiquismo individual, no cruzamento de fatores biológicos, históricos e culturais, sendo crucial na questão da afetividade e da personalidade. O desenvolvimento da linguagem implica no desenvolvimento do pensamento. Inicialmente numa comunicação emocional com os cuidadores primários. O cérebro é um sistema aberto porém mutável. A linguagem possui 2 funções básicas: Intercâmbio Social e Pensamento Generalizante. Intercâmbio social – gestos, olhares, expressões, sons. Ex: bebê. Pensamento generalizante – ao falar, o pensamento acompanha e generaliza a palavra, remetendo a uma representação e ou imagem. Ex: girafa Por mais que um indivíduo tenha biologicamente potencial de se desenvolver, se ele não interagir com os outros, não se desenvolverá como poderia. 2 elementos mediadores: os instrumentos e os signos. Exemplo: Filme: O enigma de Kasper hauser. No contato com o mundo, o humano se relaciona, apropria-se da experiência humana, transforma e desenvolve as funções psíquicas superiores (linguagem, memória, criatividade...). Origem sócio-cultural. PROCESSOS PSICOLÓGICOS SUPERIORES: São as produções humanas construídas nas relações sociais, através de instrumentos de trabalho e dos símbolos criados pelo ser humano e que o constitui como ser cultural. Ex: a linguagem, números, escrita, desenhos, simbolismos diversos, todos os signos convencionais. A aprendizagem sempre é mediada pelo outro e, na vida adulta, é também necessário entender como esse se apropriaram dos instrumentos produzidos culturalmente e como internalizaram ao logo de sua evolução biológica e cultural. (ZDP). Todo ser humano significa as suas experiências de formas diferentes, tornando-o um sujeito único. Na vida adulta o sujeito é um ser mais complexo. Por ser um ser histórico, é inacabado... Então tem possibilidades de aprender independente de idades fixas. O pensamento e a linguagem se originam independentemente, fundindo-se mais tarde em uma linguagem interna e que constituirá o pensamento maduro No adulto o meio principal pelo qual ele se desenvolve e na atividade do trabalho. Potencializa e adquire aptidões, usa conhecimentos adquiridos, o saber-fazer aparece mais, objetivações manuais e intelectuais que já tem se aliam a outras e ao criarem outras coisas vão se transformando também. Vygotsky diz que o humano é ativo no seu desenvolvimento. Vygotsky propôs que um objeto de trabalho não é apenas um objeto, é também uma ideia potencializadora de conhecimento. E cada adulto tem suas reflexões sobre si, o mundo material, os outros e todo esse arcabouço de experiências vividas vai propiciar novos momentos de aprendizagem. A VIDA ADULTA INTERMEDIÁRIA NA PERSPECTIVA PSICODINÂMICA Ainda considerando a perspectiva histórico cultural MUDANÇAS EVOLUTIVAS NESSE PERÍODO INTERMEDIÁRIO: Aceitação do envelhecimento do corpo. Alterações físicas que mostram a idade. Sentimentos e pensamentos sobre isso. Aceitação da limitação do tempo e da morte pessoal. Doenças que surgem, alterações hormonais. Manutenção da intimidade ou reexame. Relacionamento com os filhos: deixar ir, atingir igualdade, agregar novos membros. Manutenção da intimidade ou reexame. Relacionamento com os filhos: deixar ir, atingir igualdade, agregar novos membros. Relação com os pais idosos: inversão de papéis, morte e individuação. Relação de poder: trabalho e papel de instrutor e cuidador. Sensação de “agora é a última oportunidade, adiar será tarde demais“ São as experiências muito frustrantes que pode levar a sintomas e a uma crise psicológica na meia idade. As movimentações criadoras do adultomaduro podem mostrar-se diferentes. Todo ser humano significa as suas experiências de formas diferentes, tornando-o um sujeito único. Na vida adulta o sujeito é um ser mais complexo. Maior liberdade e independência. Maior capacidade de integração de idéias, novos conhecimentos, emoções, com as experiências vividas. Mas também insegurança sobre a sobrevivência, aposentadoria, a exigência de “parecer jovem”. Estudantes de meia-idade tem suas próprias motivações, metas, tarefas e prioridades de desenvolvimento e experiências. O desenvolvimento cognitivo pode ocorrer por toda a vida, de algum modo, mas também pode ser perdido. SOBRE O ESTRESSE.... Até certo ponto o estresse é normal durante a vida adulta. MAS... Quanto mais conflituosas as mudanças que ocorrem na vida do sujeito maior a probabilidade de desenvolver quadro de estresse. Inclusive mudanças positivas. Alguns possíveis estressores: - Morte de pessoa próxima - Divórcio/separação/recasamento - Doenças - Situação financeira -Aposentadoria - Saída de filho ou filha de casa - Outras responsabilidades/insatisfações - Demissões Fatores que pesam... Se ficou estabelecida uma boa identidade, com defesas mais maduras. Se a autoestima não tornou-se muito vulnerável perante as experiências nas etapas anteriores. Grau de confiança na própria capacidade de lida com a realidade, com descrença em seu potencial (pode preferir a estagnação e ou acomodação do que gera conflito para mudar). A realidade da limitação do tempo e da consciência sobre a própria finitude pode trazer crise, mas também a uma maior apreciação do valor dos relacionamentos, reavaliação de objetivos, reordenamento de prioridades. O sentimento de segurança no relacionamento conjugal fará toda a diferença. Vai se tornar o tio, o sogro, avô... Marido de outra pessoa. Já nos relacionamentos que iniciam nesse período os ajustes serão maiores ainda, com preocupações e pressões das famílias, a construção da intimidade com maturidade e os cuidados com os dependentes. Conforme os conflitos em relação a si e sua sexualidade, sua vitalidade, seu valor, pode desenvolver depressão, inveja dos mais novos que estão conforme queria estar,... Decálogo da meia-idade: ♦ Avaliar e manter a saúde física com a prevenção de doenças degenerativas. ♦ Independência econômica ♦ Ter seu próprio espaço físico ou moradia ♦ Manter e fortalecer laços de amizade e afetos com os familiares. ♦ Manter ou viver um novo relacionamento íntimo. ♦ Ter um vínculo com alguma atividade na comunidade ♦ Vivenciar lazer, projetos, passeios... ♦ Praticar alguma atividade física dentro de suas possibilidades. ♦ Realizar algum trabalho, ou o mesmo de modo diferente. CONTEXTUALIZANDO O ENVELHECIMENTO... O olhar e as relações estabelecidas com a velhice foram se delimitando pelas condições de existência, pela cultura, pelas políticas, pelas concepções de mundo, de homem, de homem produtivo. Composta por papéis e imagens antagônicos, de sabedoria, de acréscimo de conhecimentos, de perdas, conquistas, degradações, improdutividade. Alguns exemplos através do tempo... Primitivos: até ser funcional e forte. Na idade média foi o auge da busca pelo elixir da juventude Sociedade moderna, a partir do sec XIX os idosos foram sendo favorecidos pelo êxodo rural, revolução industrial, descobertas científicas, avanços. Em algumas culturas as pessoas mais velhas tem um status positivo, sendo valorizados pela sabedoria e experiências adquiridos pela vida mais longa. Exemplo: idosos indígenas, idosos japoneses. Em alguns países da África os idosos têm ainda um papel de prestígio na medida em que são responsáveis pela salvaguarda dos valores tradicionais, como "guardiões da herança coletiva“. Fim do séc. XIX e Século XX - conotação diferente, mas ainda como enfermidade. Vai se organizando estudos mais científicos sobre fases e faixas etárias com características, transições e cuidados necessários em cada uma. Brasil – Sentimentos ambivalentes. Proposta do termo terceira idade (1970 com criação de universidades para esse público), para pessoas de mais idade, sem demarcação de uma. E retirando um sentido pejorativo que acompanha a palavra velho. A velhice ao se tornar uma questão pública e de intervenções do estado passa a ser tentada com uma homogeneização da sua representação: pessoas idosas. Universalizam-se direitos como a aposentadoria – mas como inatividade remunerada ( e vinculada a invalidez, impossibilidade de produzir, inércia ). Mais atualmente é que essas concepções vem sendo desfeitas e o aposentado vem sendo pensado como categoria política, detentor de direitos, privilégios sociais legítimos Concepção geral de que por muito tempo ao vivenciar ser idoso é de ser um período envolto por uma série de estigmas sociais, concepções negativas trazidas pela sociedade, subjetivadas pelo olhar do outro, de ocultação do valor do idoso, colocados em um âmbito de incapacidade, declínio, perda da funcionalidade No imaginário social mistificou-se a juventude, de maneira que ela é considerada ideal, e portanto, a ser reproduzido nas outras fases (adulta e velhice). Como se estes próprios períodos não pudessem ter essas e outras próprias características positivas e constitutivas dessas fases. “Como você não aparenta a idade” Vivências e interrogantes... Contradições entre cultuamento à juventude e a estética ideal de juventude e a realidade de limites do corpo e dos espaços sociais. Apagamento gradual dos saberes e relevância. Essas constatações se ampliam para o psíquico, trazendo sentimentos e interrogando sobre o papel social, econômico e cultural do idoso. O processo de envelhecimento é um momento de luto e elaboração de perdas à procura de novas formas possíveis de satisfação. É um processo totalmente subjetivo e singular, marcado pela inquietude que problematiza o encontro, dentro de cada um, da realidade externa com a realidade psíquica. O CORPO supervalorizado é apreendido através de códigos culturais. Em uma cultura do espetáculo, consumista, presta-se mais atenção ao ASPECTO dos sujeitos do que em seus outros atributos. Fator que traz inquietação ao idoso, fazendo crescer o mercado de busca por embelezamento e tentativas de evitar as marcas do envelhecimento. O corpo do idoso passa a ser considerado imperfeito para os padrões de beleza e felicidade. “Como você está bonito, com o corpo em ‘dia’.” Além da vigilância constante ao corpo podem ser potencializadas a transmissão de responsabilização ao idoso pela própria saúde de um modo geral, como se dependesse apenas dele, excluindo outras dimensões intervenientes (exemplo: socioeconômica). A entrada na velhice é marcada por modificações subjetivas (sentimentos de inadaptação, incapacidade de produzir algo, falta de interesse pela vida etc) ou, prioritariamente, pela sinalização dada pelo outro (infantilização, desprezo, desrespeito, incompreensão etc). O OUTRO parece exercer um papel fundamental nesse processo, na medida em que é a sua reação que vai influenciar no limite entre juventude e velhice. As mudanças do corpo que apontam para o envelhecimento como aparecimento de cabelos brancos, rugas, e mudanças que se dão no trato social como oferecimento de assento para idosos em transporte público podem ser sentidas como uma violência pelo sujeito por desalojá-lo do lugar que acreditava pertencer. A aposentadoria também. É ao buscar compreender as representações sociais da velhice que se pode compreender o peso do envelhecimento para o sujeito, a criação do sujeito nos significados sobre envelhecimento e o peso da pressão social que encerra os idosos em um grupo de referência negativa. Fazer face às mudanças iniciadas pelo envelhecimento numa sociedade que não valoriza o idoso, constitui-se num duplo esforço. Fase do espelho negativo - o reflexo de si que vê no espelhoe no olhar do outro não é mais imbuído de esperança e sim de declínio físico, desvalorização social e proximidade da morte O velho do espelho é outro, não é a representação conhecida por ele como seu próprio rosto; a representação conhecida de sua face ficou perdida, e em alguns casos, como na demência, para sempre. Corpos de crianças, adolescentes e adultos são olhados, admirados e tocados; já o corpo do idoso é ignorado e só tocado se manipulado para higiene ou quando doente. O idoso tem tanta vontade de sentir contato físico quanto jovens e adultos e continua expressando afetos e sua sexualidade até o fim da vida porém, para o social, o corpo envelhecido não teria mais interesse como objeto de investimento. Mas quando começa a velhice? Em torno dos 65 anos, mas não é um dado cronológico, mas sim tangenciado por um significado do processo de envelhecimento. Diversas formas de envelhecer – biopsíquica, social, econômica... Cada sujeito inaugura seu tempo de sentir-se nesse período do desenvolvimento. O envelhecimento humano como um processo biológico é natural e universal. O homem, como os outros animais, passa por um contínuo processo de desenvolvimento que o leva necessariamente à velhice e à morte. O envelhecimento como um processo, como um conjunto de transformações ocorridas ao longo da humanidade e do homem situado em um determinado tempo e lugar. E como os demais períodos, esse também é uma construção social. Estima-se que até 2050 serão mais de 1,2 bilhão de idosos no mundo. Até a década de 40 eram muito até os 50 a 60 anos. A expectativa de longevidade e a esperança de vida vem aumentando. Entre homens e mulheres. Assim, o grande desafio do séc. XXI é conhecer melhor sobre as necessidades dessa etapa da vida humana, e propiciar condições de vida de qualidade, psicológicas, sociais, culturais, políticas, econômicas... Saber sobre os limites, mas também melhor conhecer sobre as potencialidades, interesses, a saúde de um modo global. Os profissionais ao estudar essa fase do desenvolvimento vão ampliar o entendimento sobre elaboração de planos, políticas e ações voltadas a uma melhor proteção, cuidado e elaboração de novas alternativas de vida que favoreçam ao idoso. Um fator visível perante quaisquer sentimentos relacionados à velhice é a medicalização, colocada como o principal recurso para resolver as tristezas e frustrações do idoso. Pouco ou nada é ofertado de espaços de acolhimento das questões subjetivas (e também objetivas) das experiências de vida do idoso. Perspectivas teóricas sobre o ENVELHECIMENTO Na psicanálise só existe um sujeito, o sujeito do inconsciente, e este não envelhece... Viver mais, sim, mas com qualidade: é o que almeja a maioria das pessoas que compreendem o envelhecimento como um processo e vislumbram a velhice como um fato. A manutenção da autonomia está intimamente ligada à qualidade de vida e que uma forma de se procurar quantificar esta variável pode ser pelo grau de autonomia com que o indivíduo desempenha as funções cotidianas que o torna independente dentro do seu contexto socioeconômico cultural. PERSPECTIVA PSICANALÍTICA: Salienta-se a importância da libidinalização do corpo pela palavra. O corpo visto como um laço feito de três fitas: corpo biológico com o qual se nasce, imagens que o formam como corpo próprio e as palavras que o nomeiam. Marcas da palavra do outro no corpo. Os discursos e tratamentos dados à velhice em cada época e cultura têm efeitos sobre o corpo. Hoje em dia, cultuamos a juventude e a atividade, e assim procuramos esconder as marcas da passagem do tempo. Psicologia e novos olhares sobre a velhice: A Psicologia teve papel preponderante ao incluir a velhice no processo de desenvolvimento como uma fase para além de perdas, declínios e incapacidades, pontuando ser também de ganhos e conquistas, desejos e necessidade e condições diversas. Passam a ser considerados sujeitos da terceira idade que tem necessidades psicológicas, hábitos culturais, lazer, condições de vida e com demandas diferentes para suas vidas. A velhice é difícil de ser definida, pois é um processo que envolve a maneira como o idoso se vê e se percebe e a maneira como é visto e percebido pelos outros. Essa inter-relação de olhares e visões é que vai constituir para cada um o conceito de velhice. Dessa maneira, a velhice se apresenta de maneira múltipla e diversificada. Não existe "a velhice", mas velhices. O envelhecimento, como a adolescência, é um processo que traz desestabilização para a identidade. O Eu tem que continuar a dar conta da força pulsional além de defesas que se estruturaram no Eu ao longo da vida para lidar com angústias e traumas. Envelhecer, dependendo da história do sujeito, pode colocar esta capacidade de coesão do Eu à prova pois não se trata apenas de aceitar as perdas, mas mobilizar recursos criativos para que o Eu possa se apropriar destas mudanças que chegam. Segundo Freud, cada um envelhece de seu próprio modo. Considerar a singularidade de cada velhice é fundamental para se conceber que o idoso aproveitará o seu futuro de forma única para, a partir do inconsciente, tratar o real. Com o avanço do conhecimento científico, hoje em dia é possível diferenciar- se o envelhecimento normal (senescência) das possíveis doenças associadas (senilidade), diferenciação que constitui um importante critério para o diagnóstico e o tratamento adequado de doenças no idoso. O corpo, que para o adulto pode ser sentido como fonte de prazer e instrumento que propicia a circulação, a ação e os relacionamentos, pode tornar-se fonte de limite, sofrimento e frustração no sentido em que certos movimentos, antes relativamente simples, tornam-se mais difíceis ou mesmo impossíveis. Rapidamente fica clara a dicotomia entre um psiquismo desejante e um corpo que não serve mais como meio de satisfação de desejo. Este processo requer um reposicionamento subjetivo importante que só pode ser feito se mudanças intrapsíquicas profundas acontecerem e encontrarem respaldo no olhar do outro. Há um aumento em larga escala do interesse da Ciência pela velhice e os meios de detê-la. Entre o horror e a decrepitude, o real dá vazão a um cenário imperativo da eterna juventude em vistas de uma produtividade compulsória alicerçada e alimentada pelo sistema capitalista maciço de compra e venda, geração e acúmulo de bens, competição predatória, império da beleza padronizada, controle dos corpos, e a desvalorização do saber dos mais velhos e de sua historicidade em detrimento das novidades do mercado O século XX marcou os grandes avanços da ciência do envelhecimento a partir do estudo sistemático da geriatria e da gerontologia. O termo gerontologia foi cunhado em 1903 para designar um emergente campo que objetivava sistematizar estudos sobre o processo de envelhecimento, tratando-se de uma abordagem multi e interdisciplinar, dada a complexidade do fenômeno e a sua exigência de um olhar multidimensional. A idade funcional possui estreita relação com a idade biológica e pode ser definida como grau de conservação do nível de capacidade adaptativa em comparação com a idade cronológica. E a idade social relaciona-se com a “capacidade de adequação de um indivíduo ao desempenho de papéis e comportamentos esperados para as pessoas de sua idade, em um dado momento da história de cada sociedade” (Netto, 2013, p. 71). A psicanálise permite uma escuta, um espaço onde o idoso fala, não é falado, em que será convocado e implicado na construção da sua singularidade. E por outro lado, há um dado de realidade, ou seja, o tempo. Para a gerontologia, o envelhecimento refere-se aos processos de transformação do organismo que resulta em diminuição gradual da possibilidade de sobrevivência, diz Lopes (2007). O conceito em questão não fala de sujeitos idosos, mas do processo como tal, e este engloba a concepção de velhice. Velhice que pode ser entendida comoetapa final do ciclo de vida. Sob a ótica do discurso social ou cultural, a velhice é falada de diferentes maneiras. Partindo da psicologia do desenvolvimento, há um ciclo a ser trilhado em que a velhice e decadência são pontos de chegada. Do ponto de vista social, os discursos de melhor idade, velhice saudável, entre outros, parecem buscar forma de amenizar ou camuflar a dura realidade corporal e trabalham com uma lógica generalista que desconsidera os arranjos singulares de cada sujeito frente à sua velhice. A psicanálise aponta para a singularidade do sujeito. E mais: para o sujeito que fala e que ao falar produz significados para sua história. O sujeito é convocado, via retificação subjetiva, a se perguntar sobre a sua participação na sua própria história, em suas ações e em última análise, em seu desejo. O desenvolvimento do ser humano sempre será influenciado pelas experiências anteriores de fases anteriores. O envelhecimento é o encontro estranho de um corpo que se fragiliza com uma instância que não se envelhece, o inconsciente. Um desencontro, na verdade. Um desencontro que provoca um desajuste, que desperta sentimentos e emoções que até então não eram sentidas ou não percebidas. “...é preciso passar a história a limpo”. SUBLIMAÇÃO A função do aparelho psíquico é manter a continuidade do ambiente interno via fluxo de trocas com o meio externo. Embora a sexualidade não seja mais o elo mobilizador como no passado, o idoso terá que buscar vias sublimatórias mesmo que o eu esteja marcado pela fragilidade. A construção de um sentido é das poucas se não a única fonte de movimentação Frente ao desamparo, ao chegar em uma idade mais avançada, cada sujeito busca criar, via sublimação, uma forma única de existência e um jeito próprio de habitar seu mundo interior. E ao sujeito idoso que deseja trabalhar as angústias que a vida apresenta é preciso de uma escuta de qualidade. A longevidade e saúde vai perpassar pela elaboração de perdas e lutos, através da canalização da energia libidinal para outros objetos. Uma das tarefas fundamentais da pessoa idosa é manter os vínculos afetivos, pois assim permite que o aparelho psíquico continue em atividade ou, em outras palavras, que ele continue gerando fluxos de investimentos. Portanto, é possível, e desejável, preservar-se a juventude psíquica, o que ocorre se o ego mantiver sua capacidade de investir em algum objeto externo, que antes era o trabalho, mas que pode ser substituído. Exemplo: realizar atividades na comunidade, fazer um trabalho voluntário, dedicar-se a aprender e desenvolver uma nova habilidade, conhecer lugares diferentes, adquirir novos conhecimentos... A convivência em ambiente social com apoios consistentes é muito importante, para subsidiaUm dos apontamentos para que a pessoa tenha um envelhecimento mais sereno, para além da concepção saúde-doença, é a aposta e investimento em projetos de curta duração e/ou resposta mais imediata, tais como a descoberta de um novo hobby; passeios e visitas a familiares e amigos; a aposta em um novo amor, se possível for – levando em consideração as contingências que lhes são postas – para o bom aproveitamento do seu “pouco tempo”, fazendo com que este seja de fato vivido de forma intensa, leve e prazerosa.r a superação de conflitos e na formulação de outras fontes de bem estar.. Perspectivas Teóricas sobre o Envelhecimento: ERIKSON SOBRE A VELHICE... A teoria de Erikson é considerada de transição porque, embora decorra do paradigma de ciclos de vida, substitui a ideia de linearidade dos processos de crescimento, culminância e contração por uma concepção dialética do desenvolvimento que mais tarde seria adotada pelo paradigma de desenvolvimento ao longo da vida. O resultado, fase após fase, é o aparecimento e a integração de novas qualidades do ego. Para Erikson, a tensão gerada pelas crises psicossociais do desenvolvimento é um desafio que impulsiona o crescimento. Desenvolvimento ocorre em oito etapas: cada etapa = dicotomia: sucessão de fases críticas Opção entre o progresso e a regressão. Para Erikson, o envelhecer traz o grande desafio de encontrar significado na rotina do dia a dia, fortalecendo a capacidade do ser humano de se adaptar a situações novas, enfrentar os desafios próprios desta fase (envelhecimento e morte) e, em última análise, gerando a integridade do ego. Cada fase caracterizada por uma crise, ou, como Erikson postulou anos depois, por um balanço dinâmico entre um componente sintônico e um distônico. Tal como formulado pelo autor, o elemento sintônico implica uma tendência à harmonia e à busca pelo equilíbrio interno. Contrariamente, o distônico tenderá à desarmonia e ao desarranjo. Cada etapa do desenvolvimento seria marcada por uma dinâmica entre dois opostos e seu equilíbrio levaria à aquisição de uma virtude ou força psicossocial. A resolução da crise não significa que o elemento sintônico prevaleceu sobre o distônico, mas que ambos foram experimentados de tal forma que ocorreu predomínio das qualidades positivas e a força psicossocial correspondente foi alcançado O indivíduo sempre tem a possibilidade de retomar posteriormente uma crise não resolvida satisfatoriamente e alcançar a virtude dela resultante5. É uma perspectiva que, diferentemente de outras perspectivas desenvolvimentais, concebe que o ego continua a se desenvolver por toda a vida Postula-se que a consolidação da identidade é um processo que envolve tanto o indivíduo quanto a cultura. Enfrentar as perdas decorrentes da velhice com possibilidade de encarar a morte com serenidade exigirá do idoso, de acordo com essa teoria, revisão de sua vida e aceitação de falhas do passado. O OITAVO ESTÁGIO: A oitava fase da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial é chamada Integridade do ego versus Desespero (ou Desesperança). Nela, a chamada crise de identidade acontece com base na avaliação que o indivíduo faz a partir de tudo que ele viveu e conquistou durante sua vida. É uma espécie de avaliação final. Os desafios enfrentados durante o processo de envelhecimento são resolver os conflitos do passado e investir no presente. O desenvolvimento parece gerar a necessidade de uma consideração retrospectiva da vida e um novo equilíbrio perante as mudanças relacionadas à velhice. A percepção do idoso acerca do quanto se engajou e conquistou em sua trajetória existencial e acerca dos arrependimentos de oportunidades perdidas contribuirá para o quanto experimentará o desespero. Se o indivíduo olhar para trás e desfrutar do sentimento de dever cumprido, se conseguir lidar bem com as vitórias e derrotas vividas, terá o sentimento de Integridade do ego, que é a aceitação do passado. Mas se ao olhar para trás o indivíduo sentir frustrações e arrependimentos, ele estará vivenciando o desespero, ficará desgostoso e amargurado, colocando em evidência seus arrependimentos. Desejos não satisfeitos, fixações e conflitos ressurgem ameaçando o indivíduo, que se vê, assim, uma presa da ansiedade. Em contrapartida, há a sensação de que esta fase é a oportunidade última para resolução dos problemas outrora não esclarecidos. Este momento da vida do adulto solicita uma reformulação de suas atitudes referentes a si, haja vista que pode ressoar na sua personalidade. Com efeito, Erikson afirma que “a personalidade continua a sofrer modificações na vida adulta”. O OITAVO ESTÁGIO - A VELHICE - apresenta como conflito a integridade e a desesperança, quando o ser humano passa a refletir sobre sua vida. Nesse estágio, sobressai-se a ‘sabedoria’, que remete ao saber acumulado ao longo dos anos, a capacidade de julgamento maduro e justo, e a compreensão abrangente dos significados, e a forma de ver, olhar e lembrar as experiências vividas. A INTEGRIDADE... Capacidade de aceitar os limites da vida, isto é, o que a vida tem dado ou não; o ganho de um sentido de pertencer a uma história mais ampla. Este crescimento permiteao indivíduo ser capaz de aceitar seu ciclo vital e daqueles que se tornaram significantes ao longo desse mesmo ciclo. A integridade ocorre quando há aceitação da própria vida, como algo que tinha que ser e não permitia alternativas. Integridade também vem como fruto das sete etapas anteriores e o indivíduo revê experiências anteriores. No balanço da vida e aceitação tende a conseguir ver as pessoas como são, com seus defeitos e virtudes (amor maduro, sem as fantasias da juventude). Sentimento de responsabilidade pelos próprios atos. Sabedoria. A Integridade do idoso e a confiança infantil: próximos (“as crianças sadias não temerão a vida se seus antepassados tiveram integridade bastante para não temer a morte”). Haverá necessidade de reelaboração de aquisições anteriores e maior investimento emocional nas relações com pessoas e com o mundo no presente para que a "integridade do ego" seja experimentada e a "sabedoria", alcançada. O elemento sintônico "generatividade", no oitavo estágio, tem a função de auxiliar o idoso a sentir- se vivo e encontrar satisfação na velhice. A falta ou carência desse envolvimento vital gera sintomas psicopatológicos no indivíduo que envelhece, aumentando a força do elemento distônico do "desespero" e a contínua sensação de "estagnação". A participação na vida dos filhos e dos netos, juntamente com a oportunidade de poder ensinar algo para as próximas gerações, tem o potencial de produzir e aumentar o engajamento vital do idoso. Também, atividades cotidianas como cuidar da casa, do jardim ou da horta, participar de atividades da comunidade, fazer pequenos reparos na casa, além da manutenção de atividades laborativas podem contribuir para o aumento desse envolvimento vital necessário para enfrentar o fim da vida. A integridade é também um sentido de coerência e inteireza, como uma capacidade potencial do ser humano de manter os acontecimentos e sentimentos presentes e passados interligados. A consciência de possuir sabedoria desenvolve-se a partir dos encontros tanto com a integridade quanto com o desespero, à medida que o indivíduo é confrontado com preocupações fundamentais. Na integridade, a pessoa não receia encarar todo o caminho seu percorrido, levando-o a compreender o percurso das pessoas que acompanharam o seu ciclo de vida, “livre do desejo de que eles fossem diferentes, e uma aceitação do fato de que a vida de cada um é de sua própria responsabilidade”, sendo que o possuidor da integridade defende a dignidade do seu próprio estilo de vida contra todas as ameaças físicas e econômicas. O DESESPERO... O fracasso no trabalho de construção da integridade, sucede o desespero. Assim, o desespero manifesta o fato de o indivíduo sentir que o tempo é demasiado curto para voltar a recomeçar a sua vida com o objetivo de encontrar rumos alternativos para a integridade. A angústia nessa fase pode ser intensa podendo chegar a um desequilíbrio emocional. Nesta fase pode ocorrer a perda de outras pessoas importantes, da autoestima, haver uma restrição que limita qualquer tipo de desejo, enfermidades físicas e mudanças de atitudes da família e da sociedade. Assim, durante esse processo, conflitos anteriores poderão ressurgir e o desespero diante da finitude da vida possivelmente aparecerá. O desespero ocorre quando a busca pela integridade fracassa trazendo a sensação de que o tempo é curto para experimentar novos caminhos a fim de alcançar a integridade. O indivíduo se torna aborrecido com o mundo externo e muitas vezes desdenhoso com outras pessoas e instituições. A resolução bem sucedida dessa crise levaria a sensação de ter vivido bem, caso contrário, o sujeito sente por não ter outra chance de viver novamente. Peso maior do elemento distônico do conflito: desespero. Vida do ancião reduzida ao cotidiano, uma vez que suas capacidades sensoriais estão reduzidas. A força psicossocial da "sabedoria", decorrente de uma razoável resolução da crise da oitava etapa corresponde à capacidade em equilibrar a coerência e a plenitude pessoais com o desespero perante a finitude e a proximidade da morte, além de aceitar falhas e omissões do passado. O autor pontua sobre a possibilidade de uma generatividade maior, que traz a ideia de um cuidado e preocupação que vão além dos dedicados aos filhos e netos. Engloba uma preocupação maior (grand) com o futuro da humanidade, do mundo e com a vida, de modo geral. GEROTRANSCENDÊNCIA Se os idosos avançados chegarem a um acordo com os elementos distônicos da vida, chegarão a gerotranscendência: passagem de uma perspectiva racional e materialista da vida para uma mais cósmica e transcendente possibilitando satisfação e paz de espírito. Retraimento e reflexão. A velhice, na visão eriksoniana, engloba a expectativa do fim da vida e uma busca pela integração das virtudes conquistadas durante o desenvolvimento - "esperança", "força de vontade", "propósito", "competência", "fidelidade", "amor" e "cuidado" - de forma a cultivar um senso abrangente de "sabedoria". O idoso é, então, desafiado a "se inspirar em seu próprio ciclo vital e consolidar o senso de "sabedoria" a fim de viver o restante da vida. A nona etapa- Em torno dos 85 anos- Nesse período, apesar de todos os esforços do indivíduo em manter a força vital e o controle sobre a própria vida, o corpo continua a perder, gradativamente, sua autonomia. O elemento distônico "Desespero", que é constituinte da etapa anterior, está ainda mais presente na nona etapa por causa da imprevisibilidade e das perdas nas habilidades físicas, cognitivas, entre outras possibilidades de perdas. Na chamada gerotranscendência, há o envolvimento em uma nova compreensão das questões existenciais fundamentais, e que podem ser separadas em 3 níveis: Dimensão cósmica da vida - em que ocorrem mudanças nas definições de tempo e espaço, aumento na sensação de conexão com as gerações anteriores, nova compreensão sobre a vida e a morte, aceitação da dimensão misteriosa da vida e regozijo com uma gama de eventos e experiências. Mudança em alguns aspectos do self: Na gerotranscendência há a busca pelo autoconhecimento e autenticidade, diminuição do egocentrismo, diminuição da obsessão pelo corpo, aumento do altruísmo, redescoberta da criança interior e "integridade do ego" com a totalidade da vida Mudanças nos relacionamentos sociais e individuais do idoso: Nessa etapa, a pessoa tende a se tornar mais seletiva e menos interessada em relacionamentos superficiais, demonstrando aumento na necessidade de ficar só. Conjuntamente, surge uma nova concepção do próprio self, que gera uma compreensão reconfortante do que foi e é a vida e da dificuldade em definir, de forma absoluta, o que é certo e errado. Consequentemente, o idoso passa a evitar julgamentos e o oferecimento de conselhos. Nesse período, pelo fato de que a independência e o controle são contestados pelo tempo, a autoestima e a segurança adquiridas durante toda a vida podem se enfraquecer. Muitas vezes as forças psicossociais adquiridas ao longo do desenvolvimento, como a "esperança" e a "confiança", não são mais suportes fortes como eram anteriormente. Não nomeou essa nona etapa com distinção - necessidade de voltar-se para si e refletir sobre a vida - e a necessidade do apoio e auxílio do ambiente social do idoso - para definir a crise desenvolvimental da última etapa de vida. A PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL E O ENVELHECIMENTO “O homem e a sociedade são dimensões de uma mesma realidade”. A PERSPECTIVA HISTÓRICO-CULTURAL VYGOTSKY Vygotsky propôs que um objeto de trabalho não é apenas um objeto, é também uma ideia potencializadora de conhecimento. E cada adulto tem suas reflexões sobre si, o mundo material, os outros e todo esse arcabouço de experiências vividas vai propiciar novos momentos de aprendizagem. É importante destacar que, nessa perspectiva, os períodos de desenvolvimento são marcados por atividadesprincipais ou dominantes, sendo que essas podem ser entendidas como a maneira como o indivíduo vai se relacionar com a realidade, ou seja, aquela atividade que vai guiar o desenvolvimento naquele mom ento. A perspectiva histórico-cultural rompe com a ideia de marcha natural e universal comum outras teorias do desenvolvimento humano, já que enfatiza as condições históricas e concretas, bem como as múltiplas formas de apropriação de tais condições que influenciam o ciclo de vida do homem O ENVELHECIMENTO... Em uma perspectiva histórico cultural, pode-se pensar a velhice ou o envelhecimento humano, não como categoria universal, mas como fenômenos construídos histórica e socialmente no transcorrer da evolução da humanidade. Desse modo entende-se que o envelhecimento constitui-se em categoria elaborada diferentemente e simbolicamente por cada pessoa em desenvolvimento e em cada momento histórico diferente. Para essa perspectiva teórica, a periodização do desenvolvimento humano se dá por estágios que são caracterizados por uma atividade principal ou dominante. A atividade dominante não é exatamente aquela em que o indivíduo se ocupa por mais tempo naquele determinado período É importante entender que apesar de uma atividade específica ser considerada principal ou dominante em determinado período, no próximo período ela não deixa de existir, mas aos poucos vai dando lugar a outras atividades. A APOSENTADORIA... Na atualidade, a imagem da velhice está diretamente associada à aposentadoria, ou seja, à saída do homem do mercado de trabalho em função de sua idade. Enquanto fenômeno social, a aposentadoria modifica consideravelmente a vida do indivíduo, uma vez que modifica as relações que este estabelece com os demais, sobretudo, porque o homem perde a identidade profissional, que foi construída desde o início da vida adulta. O sujeito, ao se aposentar, depara-se com um processo de alienação que faz com que ele se sinta numa suposta inutilidade para a sociedade, já que é próprio do sistema capitalista sobrevalorizar a produção em detrimento do humano. É importante destacar que a aposentadoria nem sempre é assimilada de forma negativa, pois também pode ser entendida como uma possibilidade de o homem reorganizar sua vida. Observa- se que o momento da aposentadoria é envolto por uma série de situações críticas que, interligadas entre si, interferem diretamente na maneira como o homem irá vivenciar a velhice. A maneira como o idoso se relaciona com o trabalho depende de suas condições materiais, ou seja, o idoso volta-se ao trabalho ora para se ocupar, e, com isso, manter boas condições de saúde física e mental, ora pra aumentar a renda familiar, tendo em vista que os valores pagos pelas aposentadorias não são suficientes ou porque os gastos para manutenção da saúde são mais altos durante a velhice. E também por realização pessoal. Duas situações importantes em relação ao idoso aposentado. De um lado, temos um segmento de idosos que se aposentam com situações econômicas mais favoráveis, sendo esses aposentados considerados um mercado consumidor em potencial, O idoso pobre financeiramente - a maioria da população de idosos fica à mercê de minguada remuneração e/ou de escassos benefícios sociais. A situação desses idosos tende a piorar, haja vista que, pelas questões de saúde, muitas vezes, os idosos gastam boa parte da renda para comprar medicamentos. Esses são mais vulneráveis. Os idosos narram um passado de perdas, carências e privações, em que o aspecto socioeconômico se sobrepõe, repercutindo negativamente no campo da saúde, da educação, do trabalho e, consequentemente, da sobrevivência. Esses são os mais vulneráveis. Os idosos vivem mais mas não têm acompanhado todas essas mudanças e sentem dificuldade de se inserir nesse novo contexto. Na Idade Média, a expectativa de vida era 35 anos; somente a partir do século XIX que o homem, em decorrência das mudanças de suas condições sociais, mais recursos de saúde, vem progressivamente vivendo mais. A família, representada na fala de idosos, ainda que em constante transformação, representa uma instituição bastante importante. As palavras que utilizam nas referências sobre a família, em vários momentos perpassam pela questão da afetividade, cuidados de uma pessoa com a outra e vínculos essenciais para que o ser humano possa de fato humanizar-se. Bosi (1994), a moral acentua e cobra o respeito ao velho, entretanto quer convencê-lo a ceder seu lugar aos mais jovens, afastá-lo delicadamente, mas firmemente dos postos de direção. Os conselhos dos mais velhos passam a ser menosprezados e o velho deve se resignar a um papel passivo. A maioria dos adultos acaba privando o idoso da liberdade de escolha, insistindo na sua dependência. Alguns tomam conta de suas vidas, os obrigando a mudar da casa onde vivem, administrando o seu dinheiro ou aposentadoria, e, muitas vezes, os submetem à internação em instituição asilar/hospitalar. A maioria dos adultos acaba privando o idoso da liberdade de escolha, insistindo na sua dependência. Alguns tomam conta de suas vidas, os obrigando a mudar da casa onde vivem, administrando o seu dinheiro ou aposentadoria, e, muitas vezes, os submetem à internação em instituição asilar/hospitalar. Simultaneamente às mudanças na família e na sociedade, a evolução ontogenética do humano também oferece uma gama de significações para serem pensadas à luz de teorias que possam dar conta de uma melhor compreensão da realidade social. No Brasil, assim como na maioria dos países em desenvolvimento o número de idosos tem aumentado significativamente e a questão do cuidado com essa população tem movimentado pesquisadores em busca de dados científicos visando à organização de políticas públicas mais humanas de atendimento. Na maioria das grandes cidades brasileiras, a questão da institucionalização do idoso é preocupante, principalmente pelas mudanças ocorridas no seio da família, nos papéis exercidos pela mulher e na tradição do cuidado dos mais velhos pelos mais jovens. Ao saírem de casa para o trabalho em busca da sobrevivência, filhos e possíveis cuidadores, acabam por não darem conta de oferecer infraestrutura necessária para que o idoso possa ser cuidado pela própria família, recorrendo na maioria das vezes à institucionalização. A PSICOLOGIA: Posicionar-se a não naturalizar, não banalizar os sentimentos dos idosos em relação a essa falta de produtividade que marca o homem na sociedade capitalista. É necessário compreender que neste momento histórico a sociedade precisa buscar alternativas de valorização dessa faixa etária, na qual se refletem as relações de produção, contribuindo para que seja instigado no desenvolvimento de suas funções cognitivas que, nesta fase, conforme propõe Tolstij (1989), muitas vezes acabam sendo prejudicadas. Uma visão positiva da velhice pode ser construída e vivenciada dentro de uma perspectiva pautada na qualidade de vida e bem-estar. A família e a sociedade devem desenvolver subsídios capazes de incentivar uma mudança de paradigma quanto à velhice. Para que desta maneira, advenha à possibilidade de uma atitude positiva do idoso perante a mesma, assim sendo, mudanças a respeito de uma visão negativa da velhice poderá ser ressignificada positivamente. Em vista disso, o idoso poderá se apropriar da ideia de desfrutar da vida com saúde e em . quando a atividade é significativa, os idosos não se importam se lhes toma todo o tempo do dia. Compreendemos que o contraponto entre o declínio das competências físicas e o avanço para a autotranscendência é o que constitui a grande e produtiva contradição do envelhecer. Isso talvez seja, justamente, a abertura que alça o ser humano ao ápice do seu desenvolvimento individual: a sabedoria. Nessa transição temporal, marcada por sofrimentos e superações e, sobretudo, por inumeráveis e presumíveis aprendizagens, os idosos, enquanto perdem competências físicas e experiênciasde prazer correlatas, alcançam o topo de sua trajetória desenvolvimental. Estar no topo significa, por conseguinte, vislumbrar a vida como uma grande história, da qual é possível derivar ensinamentos compartilháveis, que por outros podem ser reconhecidos ou não como sabedoria. O ENVELHECIMENTO AVANÇADO E A MORTE “Reconhecer a própria finitude e a do outro pode levar a pessoa a perceber o real valor da vida e como é possível trazer mais qualidade a ela e às relações...”. É ao buscar compreender as representações sociais da velhice que se pode compreender o peso do envelhecimento para o sujeito, a criação do sujeito nos significados sobre envelhecimento e o peso da pressão social que encerra os idosos em um grupo de referência negativa. Fazer face às mudanças iniciadas pelo envelhecimento numa sociedade que não valoriza o idoso, constitui-se num duplo esforço. Viver mais sim, mas com qualidade: é o que almeja a maioria das pessoas que compreendem o envelhecimento como um processo e vislumbram a velhice como um fato. A manutenção da autonomia está intimamente ligada à qualidade de vida e que uma forma de se procurar quantificar esta variável pode ser pelo grau de autonomia com que o indivíduo desempenha as funções cotidianas que o torna independente dentro do seu contexto socioeconômico cultural. Psicologia e novos olhares sobre a velhice: A Psicologia teve papel preponderante ao incluir a velhice no processo de desenvolvimento como uma fase para além de perdas, declínios e incapacidades, pontuando ser também de ganhos e conquistas, desejos e necessidade e condições diversas. Passam a ser considerados sujeitos da terceira idade que tem necessidades psicológicas, hábitos culturais, lazer, condições de vida e com demandas diferentes para suas vidas. O envelhecimento, como a adolescência, é um processo que traz desestabilização para a identidade. O Eu tem que continuar a dar conta da força pulsional além de defesas que se estruturaram no Eu ao longo da vida para lidar com angústias e traumas. Envelhecer, dependendo da historia do sujeito, pode colocar esta capacidade de coesão do Eu à prova pois não se trata apenas de aceitar as perdas, mas mobilizar recursos criativos para que o Eu possa se apropriar destas mudanças que chegam. Para a gerontologia, o envelhecimento refere-se aos processos de transformação do organismo que resulta em diminuição gradual da possibilidade de sobrevivência. O conceito em questão não fala de sujeitos idosos, mas do processo como tal, e este engloba a concepção de velhice. Velhice que pode ser entendida como etapa final do ciclo de vida. A psicanálise aponta para a singularidade do sujeito. E mais: para o sujeito que fala e que ao falar produz significados para sua história. O sujeito é convocado, via retificação subjetiva, a se perguntar sobre a sua participação na sua própria história, em suas ações e em última análise, em seu desejo. O desenvolvimento do ser humano sempre será influenciado pelas experiências anteriores de fases anteriores. SOBRE A MORTE... A morte é um acontecimento que faz parte do desenvolvimento e está presente no cotidiano de todos, porém está inserida em um contexto sócio histórico de negação. Vários são os motivos para tal negação através dos novos conhecimentos e técnicas adquiridos, a medicina busca ludibriar a morte, sendo considerado um fato natural somente na velhice A possibilidade da própria morte gera desconforto e impotência, acionando mecanismos protetores como a esquiva, a negação e a racionalização. De acordo com Eizirik (2013), existe dificuldade em discutir o que representa a morte e como as pessoas a encaram, por trazer um significado implícito: o de refletir sobre a própria finitude e como será o seu morrer. O modo como a nossa finitude foi e é encarada pelo homem ao longo do tempo também foi modificando. Há estudos que relatam que na Antiguidade, a morte era tratada com certo romantismo, embora os mortos fossem temidos e se procurava mantê-los afastados. Vivia-se a morte domada, uma cerimônia pública, organizada, encarada e vista como um acontecimento normal para todos. Idade Média, o homem convivia de forma mais harmoniosa com a morte, sem grandes temores e era permitido que as crianças participassem dos seus rituais. Aos poucos passa de uma fase espontânea, de rituais, manifestações dramáticas, de um acontecimento social e público, para um assunto interdito, reprimido. Com o passar do século XVIII, o homem começa a interpretar de maneira diferente o significado da morte. Ela deixa de ter uma imagem fantasiosa e passa a ser vista como a perda do outro. Torna- se algo mais intenso e de grande sofrimento, enfrentada como algo cruel, que tira o homem do seio da sua família. É nesse momento que passam a cultivar costumes como cemitérios, assim como, celebrações em honra ao falecido. A morte de si mesmo passa a ser menos temida, dando lugar ao medo da perda do outro. A morte e o morrer fazem parte do desenvolvimento humano e da própria existência, porém ainda são temas temidos por alguns e negados por outros, provavelmente por fazerem parte de um processo desconhecido. Do ponto de vista psicológico é possível negar a própria morte e acreditar na imortalidade, mas isso é temporário. No inconsciente, o indivíduo não aceita sua própria finitude, o que o faz pensar que viverá para todo o sempre. Nos tempos modernos, a morte passou a ser negada e a ser vista como representação de frustração e interrupção nos projetos de vida. O ser humano se diferencia por ser o único a ter consciência sobre sua finitude. Mas essa consciência vai interroga-lo durante toda a existência. A COMPREENSÃO SOBRE A MORTE... As crianças - possuem inabilidade para compreender a morte como sendo irreversível. A morte de um pai/mãe se caracteriza como uma das experiências de maior impacto sobre a criança, podendo desencadear quadros psicopatológicos na idade adulta. Vários estudos já evidenciaram a associação entre trauma na infância, tais como a perda de vínculos afetivos devido à morte de pais ou de irmãos, e depressão na vida adulta. Os adolescentes - possuem dificuldade para pensar na possibilidade de perder pessoas próximas, chegando a não perceber sua morte como possível, provavelmente pelos seus sentimentos de imortalidade e onipotência. Se encontra no auge da vida, buscando seu lugar no mundo e consolidando sua identidade, não sobrando espaço para pensar em sua finitude. Porém, o fato dos adolescentes não pensarem muito sobre o assunto não impede que percebam as características essenciais da morte, estando somente afastados emocionalmente dela. A reação depende em grande parte da proximidade com a pessoa e as circunstâncias da morte. Além disso, acreditamos que existam reações que podem estar presentes em qualquer tipo de morte (esperada ou não), tais como: tristeza e dor. Na vida adulta, há um significado social, pois a morte de uma pessoa acarreta a mudança de papéis e relações na família. Sempre que uma pessoa idosa a falecer, todos os integrantes da família se movimentam uma etapa acima no sistema de gerações, além de aproximar o adulto de sua própria morte. No adulto mais jovem, existe evitação ou temor acerca do tema, que se sentem mais apegados ou dependentes de sua família. Além disso, constatou-se que a morte de alguém próximo poderia dificultar o processo de individuação que os adultos jovens vivenciam. Tal dado evidencia o impacto que a morte tem sobre o ser humano. A morte para o jovem adulto é percebida como um viver interrompido, uma vida suprimida. A finitude como uma realidade que se apresenta desde o nascimento, suscita diversas fantasias inconscientes bem como suas respectivas defesas, dentre elas, se destaca a de caráter persecutório, isto é, a manifestação do medo e raiva, inconscientes. Desde o temor e evitação do tema diante da ocorrência de morte até o fortalecimento advindo dasituação, é notável o processo gradativo de assimilação da situação e a possibilidade de convivência com as perdas durante o desenvolvimento humano. Tal acontecimento é gerador de diferentes reações. O MEDO - é a resposta psicológica mais comum diante da morte e que atinge todas as pessoas, apresentando-se de diversas formas e dimensões. Tem-se medo dela por se desconhecer como e quando será o encontro com ela e o que ela irá representar. O IDOSO E A MORTE... Na terceira idade, etapa do ciclo vital na qual há um número maior de perdas, é comum que muitos idosos pensem mais sobre sua finitude. A perda de amigos e familiares, perda da sua ocupação, de parte de sua força física, redução do aparelho sensório e, em alguns casos, perda do funcionamento cerebral são comuns nesta idade, trazendo os mais variados sentimentos e vivências. Na velhice as pessoas tendem a pensar e falar mais sobre o assunto se comparadas a pessoas de qualquer outra faixa etária. Porém, tal fato não quer dizer que a temam menos do que pessoas de outras idades. Apesar da diversidade de reações diante da morte , independentemente da idade do indivíduo, essas reações tendem a ter aspectos em comum, tais como a tristeza e o sofrimento. As reações variam, apesar da morte figurar como uma certeza, sendo que tal forma de encarar o assunto parece estar alicerçada em crenças e valores espirituais, que trazem para o idoso a confiança de uma vida após a morte. Sendo assim, é notável a importância de alguns aspectos, tais como a espiritualidade para uma vivência menos temerosa acerca da morte. Acreditar que existe uma continuidade e uma passagem para outra vida se apresenta como um mecanismo de defesa para lidar com o terror e desespero frente ao desconhecido. Eizirik et al. (2013) destacam que recriar um mundo desaparecido pode ser uma forma de refazer antigos laços e negar o fato biológico da cessação da vida, pois é mais aceitável criar de modo imaginário uma nova realidade. Por outro lado, a dimensão espiritual faz parte da cultura e da constituição do ser, e oferece uma esperança diante do desconhecido. O contato com a morte do outro pode ser dilacerante, no entanto, mobiliza emoções adormecidas. É um choque de realidade. Uma perspectiva de futuro que ultrapassa a vida dos fenômenos terrestres, vai se constituindo e trazendo a esperança de um reencontro. Embora a espiritualidade desempenhe um papel relevante na elaboração do luto, ela pode se mostrar insuficiente, sendo necessários outros suportes subjetivos. Os fatores relacionados à capacidade psíquica do enlutado em elaborar perdas parecem ser mais determinantes que a religiosidade. Quanto mais tarde a morte ocorrer no ciclo de vida, menor será o estresse associado aos familiares e pessoas próximas, pois a morte numa idade avançada é encarada como algo mais natural. Porém mesmo que a morte de um idoso seja vista como parte integrante do ciclo de vida, isso não irá acontecer sem nenhum grau de estresse. Sem duvida, um fato como a morte, seja ela em qualquer fase do desenvolvimento humano, é vivenciado com tristeza. Os níveis de negação, evitação, estresse e temor podem contribuir para o distanciamento do assunto, bem como os avanços médicos, os fatores culturais e os lutos vivenciados ao longo do desenvolvimento. Todas essas variáveis parecem estar envolvidas no modo como se encara este assunto. Com o tempo todos acabam morrendo. No entanto a vida prevalece, pois a pessoa fica viva através do outro (filhos, produções, feitos, pelas recordações do que com ela foi vivido). Outra forma de considerar esse ponto é o desejo de continuidade, a aceitação da finitude biológica, terrestre, mas que a psique, a alma sobreviva. A morte também é vista como aquela que propõe um novo olhar, mais amplo sobre a realidade interna e externa além de promover transformações significativas na vida da pessoa. O morrer pode estar relacionado a todos os momentos de perdas, rupturas e frustrações ao longo da vida, principalmente no que tange aos sentimentos de desesperança e desvalia em viver. Vê-se que a dificuldade de lidar com as perdas simbólicas também é evidente, no entanto, depende da capacidade psíquica de representação de cada sujeito. Além disso, mostra-se latente a questão narcísica, pois o término pressupõe a perda da condição de ser amado. O rompimento de vínculos e a angústia da separação incita processos de mudança que necessitam de recursos psíquicos singulares. O sofrimento decorrente de perdas, encerramentos, do fim, é intrínseco ao ser humano. “Somos todos imortais em nosso inconsciente”. A MORTE E O LUTO O luto é um processo natural instalado para a elaboração da perda, que pode ser superado após algum tempo e, por mais que tenha um caráter patológico, não é considerada doença, sendo assim, interferências tornam-se prejudiciais. É um processo lento e doloroso, que tem como características uma tristeza profunda, afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre o objeto perdido, a perda de interesse no mundo externo e a incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto de amor (FREUD, 1915). O luto é um processo natural que acontece sempre que perdemos algo ou alguém significativo em nossas vidas. Tem um caráter subjetivo, pois cada pessoa vivencia de uma maneira, em seu tempo particular. É permeado pelo contexto social, cultural, pelos valores, crenças e tradições familiares. Aspectos da personalidade, experiências anteriores de perdas e suas circunstâncias também são relevantes nesse processo, assim como a forma como se deu a perda (se a pessoa falecida estava sozinha, em casa ou no hospital, se foi um acidente), e o tipo de morte (repentina, doença crônica, suicídio). e respeitadas. A qualidade da relação que a pessoa enlutada tinha com a pessoa falecida é outro elemento muito importante na compreensão do luto. São muitas as variáveis e suas combinações, transformando o processo de luto em algo muito singular, no qual as diferenças pessoais precisam ser consideradas e respeitadas. Reações emocionais e fisiológicas O luto desperta inúmeras reações e afeta a pessoa enlutada de forma global. Muitos afetos são experimentados, muitas vezes de formas contraditórias, o amor e a raiva, a culpa e o alívio, a tristeza e a serenidade. O corpo também é palco desse processo, náuseas, tonturas, dores de cabeça, pernas bambas, dificuldade de concentração, são expressões legítimas dessa experiência. EFEITOS EM TODAS AS DIMENSÕES: Dimensão emocional: Sensações e sentimentos como choque, negação, entorpecimento, apatia, ansiedade, raiva, culpa, medo, desamparo, desespero, solidão, alívio... são normais. Dimensão física: sensações como, dores físicas, falta de ar, nó na garganta, distúrbios do sono, alimentares, boca seca, entre outros. É comum também observarmos queixas físicas semelhantes às vividas pelo ente perdido. Dimensão intelectual: na cognição: Sentir-se confuso, desorganizado, déficit de memória e atenção prejudicada são reações normais e até esperadas. Comportamento: Restrição ou excesso de sono, apetite ou interesse sexual, abuso de álcool, fumo, drogas ou medicamentos, comportamento “aéreo” ou querer isolar-se socialmente. Dimensão espiritual: perda da fé, questionamento de valores, descrença ou raiva de Deus, sonhos, dor espiritual. Para alguns, a espiritualidade é importante fonte de estratégias de enfrentamento nesse momento de crise. Dimensão social: perda da identidade, isolamento, falta de interesse em interações, perda da habilidade de se relacionar socialmente. A morte de uma pessoa amada é considerada uma das experiências mais difíceis de serem superadas, tanto individualmente quanto pelo núcleo familiar. A dor gerada pelo rompimento de um vínculo afetivo produz inevitavelmente a necessidade de reorganização em uma nova realidade a ser experimentada sem a pessoa que morreu. É necessário