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Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 8 1 MECANISMOS DE DEFESA DAS VIAS AÉREAS - O aparelho respiratório conta com mecanismos de defesa mecânicos e imunológicos (inata e adquirida); - Em condições fisiológicas, a árvore brônquica após a carina da traqueia é isenta de germes, diferente das vias aéreas superiores, onde vivem microrganismos; - Para manter as condições de troca gasosa normais, as vias aéreas superiores devem fazer a filtração, aquecimento e umidificação do ar inspirado, evitando ao máximo a entrada de partículas estranhas; BARREIRA MECÂNICA - A estrutura das vias aéreas e sua segmentação progressiva, a filtração aerodinâmica e o transporte mucociliar são os principais mecanismos de defesa mecânicos; - É o primeiro mecanismo de defesa, e junto com o sistema imunológico, atua protegendo os pulmões contra infecções; - Inicia-se nas narinas, que impedem a passagem de microrganismo por meio das vibrissas e do turbilhonamento aéreo, seguido do fechamento da glote. Quando este mecanismo não detém o agente infeccioso, outros meios vão atuar, como a filtração e o transporte mucociliar; - Também existem mecanismos responsáveis pela expulsão dos microrganismos do trato respiratório, como os atos voluntários de fungar e assoar, e o reflexo de espirrar. Além disso, a tosse (reflexo de instalação explosiva que atua na limpeza das vias aéreas inferiores), propulsiona secreções e outros materiais estranhos até a orofaringe; ESTRUTURA E SEGMENTAÇÃO DAS VIAS AÉREAS - Ao longo do seu trajeto, a árvore brônquica diversas segmentações progressivas, sendo um sistema inicial de defesa devido reter o material particulado inalado; - As variações do comprimento brônquico durante a inspiração e a expiração também auxiliam na propulsão das secreções em direção ao hilo pulmonar; - Nos bronquíolos, existem as células de clara, que produzem o surfactante dos bronquíolos e inativam xenobióticos (substâncias químicas estranhas ao corpo humano), por meio de reações de oxidação; FILTRAÇÃO AERODINÂMICA - Envolve a deposição de partículas na camada mucosa das vias aéreas e está relacionada com a dimensão dessas partículas; - Cerca 90% das partículas de 5μ a 10μ de diâmetro ficam retidas em algum ponto da traqueia ou brônquios de grande calibre, enquanto as de 0,5μ a 5μ* podem escapar à filtração e chegar aos espaços aéreos, ou deixar as vias aéreas pela expiração; *Como as bactérias têm, em maioria, essas dimensões, assim explica que elas atinjam os alvéolos; TRANSPORTE MUCOCILIAR - O aparelho mucociliar é um revestimento mucoso que recobre as vias aéreas em acoplamento mecânico com as células ciliadas, que também faz a propulsão do muco em direção à orofaringe; - Existem cerca de 200 cílios em cada célula, com maior concentração na traqueia e brônquios pré-segmentares. Cada cílio pode ter 1300 batimentos/minuto, promovendo o deslocamento ascendente de partículas; OBS: ~90% do material depositado sobre a mucosa do trato respiratório inferior pode ser eliminada em uma hora; - Devido a processos irritativos da árvore respiratória causados por infecções repetidas, o perfil celular do epitélio e das glândulas altera, mudando a composição do muco (↑ da viscosidade, pois as células estão sob tal ambiente, secretando mucopolissacarídeos ácidos e sulfatados, que alteram as propriedades físico-químicas do muco); - Assim, torna-se mais difícil a eliminação do muco, resultando na sua retenção no trato respiratório, e na dos microrganismos inalados, ↑ a susceptibilidade às infecções; DEFESA IMUNOLÓGICA - A defesa imunológica do aparelho respiratório é composta por um sistema de imunidade inata (faz a defesa inicial) e de imunidade adaptativa/adquirida (resposta mais sustentada e forte); - A imunidade inata atua de forma imediata ao longo das vias aéreas, dificultando a chegada de germes às porções mais profundas do pulmão, além de retardar ao máximo a instalação de uma reação inflamatória que pode ser danosa; - Já a imunidade adaptativa envolve respostas mediadas por linfócitos, que podem deter o agente infeccioso, mas também pode levar a efeitos ruins; OBS: assim, ambas as imunidades são necessárias para sobreviver, mas podem causar lesão; IMUNIDADE INATA - Esse sistema reage contra microrganismo, e responde da mesma maneira a sucessivas infecções (ou seja, não há memória imunológica); Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 8 2 - Os principais componentes são: células fagocíticas (neutrófilos e macrófagos), células NK e células dendríticas; - Os receptores Toll-like (TLRs), família de receptores de proteínas de superfície celular presentes em diferentes tipos de células, ligam-se aos PAMPs (padrões moleculares associados a patógenos). Essas ligações ativam vias de transdução intracelulares, que ativam a produção de moléculas de inflamação e defesa; - Diferentes patógenos expressam diferentes PAMPs, como: RNA de dupla hélice nos vírus em replicação, sequências CpG de DNA não metiladas em bactérias, lipopolissacarídeos em bactérias gram-negativas, e ácidos teicoicos em bactérias gram-positivas; - Os TLRs ativados desencadeiam a expressão de citocinas, como interferons, interleucinas (IL-2, IL-6, IL-8, IL-12, IL-16) e TNF-alfa; Macrófagos alveolares - Os macrófagos alveolares residem nos ductos alveolares e nos alvéolos, sendo as células mais importantes (do ponto de vista numérico), presentes no compartimento alveolar; - São a primeira linha de defesa, e fazem a fagocitose de partículas estranhas inaladas. Após a fagocitose, passam a produzir EROs e aumentam sua atividade enzimática nos lisossomos; - Após isso, o material retirado do ambiente alveolar por estas células (50% dele em 24h) é levado ao bronquíolo terminal, seguindo para frente pelo transporte mucociliar; OBS: estima-se que a ação da fagocitose alveolar decresce a partir da presença de 10 partículas por célula. Assim, quando essa via está sobrecarregada, outras mais lentas começam a agir, onde macrófagos localizados no interstício, no tecido linfático ou nos vasos sanguíneos atuam com fagócitos ou APCs; OBS2: as células fagocíticas do pulmão têm suas atividades facilitadas pelas opsoninas, fibronectinas e surfactante; Células NK - Estão no interstício pulmonar. Essas células contêm grânulos de conteúdo enzimático em seus citoplasmas, como: perforinas e serinas esterases, que produzem orifícios e poros nas células-alvo; e liberam IL-4, IL-5, IL-13, IFN-gama e TNF-alfa; Células dendríticas - Também são a primeira linha de defesa, sendo encontradas no interstício do pulmão. Essas células são APC, ou seja, processam e apresentam os antígenos aos linfócitos T; OBS: os neutrófilos não são células residentes dos alvéolos, mas podem ser rapidamente recrutados a partir da circulação, em caso de agressão; IMUNIDADE ADAPTATIVA - A proteção contra microrganismos que evoluíram para resistir a imunidade inata depende das respostas imunológicas adquiridas; - Tem alta capacidade de distinguir patógenos e moléculas, por isso também é chamada de imunidade específica; - O sistema imunológico adquirido induz as células efetoras para a eliminação dos microrganismos, e as células de memória para a proteção do indivíduo de infecções subsequentes; - Existem dois tipos de respostas adaptativas: imunidade celular e imunidade humoral; Imunidade celular - Mediada pelos linfócitos T; - Atua na eliminação de patógenos intracelulares (como vírus e bactérias), pois estão protegidos da ação dos anticorpos; - A imunidade celular promove a destruição dos microrganismos localizados em fagócitos ou a destruição de células infectadas; o Linfócitos T CD 4 (auxiliares): ajudam os macrófagos a eliminar os micróbios fagocitados e os linfócitos B a produzir anticorpos; o Linfócitos T CD 8 (citotóxicos):destroem as células que contêm patógenos intracelulares; Imunidade humoral - A defesa imunológica do sistema respiratória inicia nas vias aéreas superiores: o muco contém alta concentração de IgA*, conferindo proteção a vírus e, provavelmente, dificultando a aderência bacteriana na mucosa; *Nas áreas submucosas, os plasmócitos secretam IgA, que migra para a superfície submucosa das células epiteliais, onde se liga ao receptor de superfície poli-Ig. Ele auxilia na pinocitose de IgA pela célula epitelial, com seguinte exocitose dessa imunoglobulina no lúmen das vias aéreas; - IgG e IgA estão em menor quantidade nas vias aéreas inferiores, sendo auxiliadas pelas opsonização não imunológica dos pneumócitos tipo II, facilitando a fagocitose por macrófagos e neutrófilos; - A imunidade humoral é a principal resposta protetora contra bactérias extracelulares. Os mecanismos efetores dos anticorpos para combater as infecções são: Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 8 3 o Neutralização de suas toxinas (mediada por IgG e IgA); o Opsonização (subclasses de IgG); o Ativação da via clássica do complemento (IgM e IgG); ESTRESSE OXIDATIVO DO PULMÃO - O pulmão está sujeito a um grande estresse oxidativo, pois ele está exposto às mais altas concentrações de O2; - Um componente típico na maioria das infecções pulmonares é a ativação dos fagócitos com a consequente geração de radicais oxidantes, produtos tóxicos derivados do metabolismo do oxigênio. A exposição prolongada a eles pode alterar as defesas antimicrobianas e afetar a função dos macrófagos alveolares; - Os radicais oxidantes são formados por enzimas (oxirredutases), que estão em grânulos lisossômicos dos vacúolos fagocíticos; O poder microbicida é maior nos neutrófilos, pois possuem peroxidases (mieloperoxidases) que tem mecanismos oxirredutores destrutivos ampliados em comparação a NADPH-oxirredutase, dos macrófagos; - Em resposta ao estímulo fagocítico, neutrófilos, monócitos e macrófagos realizam a “explosão respiratória” (↑ consumo de O2, geração de NADPH e produção de metabólicos reduzidos do O2; GRANULOMA - O granuloma é o recurso defensivo final, ou seja, quando os mecanismos de defesa são insuficientes para eliminar o agente agressor (ex:. bacilo tuberculoso: Mycobacterium tuberculosis); - O granuloma surge para cercar o processo inflamatório em andamento, e nos estágios finais, pode evoluir para um processo fibrótico (pode ser visto como sequelas da tuberculose pulmonar); MUCO - É um revestimento mucoso que recobre as vias aéreas e se acopla mecanicamente às células ciliadas do epitélio respiratório, muco mantendo a umidade. Fica sobre a camada de líquido periciliar; - O “tapete” de muco se renova a cada 20-30 minutos; - Controle: o Simpático: ↓ secreção de muco; o Parassimpático: ↑ secreção de muco; - Composição: H2O, íons (Na+, K+, Cl-, etc.), glicoproteínas (mucina), proteínas (albumina, etc.), fatores solúveis* (lisozimas, lactoferrina, defensinas, etc.) lipídios, restos celulares, células inflamatórias, imunoglobulinas (sendo a IgA e IgG 50% do total de proteínas do muco nasal), etc. Outras substâncias, como citocinas, interferons, leucotrienos, substância P, bradicinina, também o compõe; - *A presença desses fatores solúveis no muco é um essencial mecanismo de defesa do sistema respiratório, destacando-se: o Lisozima: glicoproteína produzida pelas células serosas das glândulas submucosas e células caliciformes. Tem função bacteriolítica para certas bactérias gram+, pois faz a hidrólise dos peptideoglicanos da parede celular, e papel no transporte mucociliar da mucosa nasal, pois acelera os batimentos ciliares; o Lactoferrina: glicoproteína produzida pelas células serosas das glândulas submucosas. Inibe o crescimento de fungos e bactérias, neutralizando os componentes ferro-dependentes da membrana celular e formando poros. Pode interagir com células NK, ↑ perforinas e gramzimas; OBS: em condições patológicas, existe uma grande modificação na composição do muco, afetando de forma direta e indireta a função mucociliar devido a alterações nas propriedades viscoelásticas do muco respiratório; SECREÇÃO - É secretado pelas células caliciformes do revestimento epitelial respiratório e pelas glândulas submucosas; o Células serosas (glândulas submucosas): secretam as proteínas de defesa do muco, como a lisozima e a lactoferrina, além do fluido que o forma a partir de H2O e íons; o Células ciliadas: também secretam compostos de defesa e glicoproteínas; o Células de clara: secretam diversos componentes do muco, além do surfactante e das antiproteases; o Células caliciformes: secretam a porção mais viscosa do muco; - A secreção do muco é de característica bifásica: o Fase GEL (viscosa) – camada mais espessa, de alta viscosidade, sobrenadante da SOL, onde se depositam as partículas insolúveis; o Fase SOL (aquosa)– camada menos espessa, de baixa viscosidade e contato direto com a superfície celular, sendo predominantemente periciliar e aquosa; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 8 4 FATORES QUE INTERFEREM - Umidade, temperatura, pH, viscoelasticidade, processos infecciosos, inflamatórios e metaplásicos, genética, consumo de álcool, drogas e/ou cigarro de modo crônico, descongestionantes nasais tópicos, radicais fenolados, podendo levar à retenção frequente da secreção (provoca tosse e infecção repetitiva); - Ar frio: ↓ velocidade dos batimentos ciliares nas vias aéreas, prejudicando a remoção de partículas sólidas; - Fumaça do cigarro: ↓ os batimentos ciliares, que reflete na maior frequência de doenças respiratórias entre os fumantes e seus familiares; LÍQUIDO PERICILIAR - É uma camada salina de água e eletrólitos onde os cílios estão inseridos, logo abaixo da camada de muco, que permite que os cílios empurrem o muco para a faringe; - É importante para o movimento mucociliar funcional; - É formado a partir do transporte iônico ativo realizado pelas células epiteliais colunares pseudoestratificadas que revestem as vias aéreas. Os principais íons envolvidos são Cl- e Na+; - O movimento de soluto do LEC para o lúmen cria um gradiente osmótico, fazendo a água seguir os íons em direção à via aérea; SISTEMA MUCOCILIAR - Dentre as células que compõe o epitélio respiratório, as células colunares ciliadas estão cobertas por uma fina camada de muco, produzido pelas células caliciformes. Ambas formam o sistema mucociliar, que é eficaz na remoção de partículas inaláveis de 0,5 mmgrandes quantidades, sendo chamados tecidos linfoides associados aos brônquios/à mucosa nasal (BALT/NALT), que também incluem os linfonodos brônquicos; - Nas VAS, na nasofaringe e orofaringe, os MALT estão nos espaços intratonsilares – tonsilas faríngeas (adenoides), tubárias, palatinas (amígdalas) e linguais; MUCOLÍTICOS - ↓ a viscosidade das secreções por ação direta sobre o muco; - Atuam sobre os constituintes bioquímicos do muco, fluidificando a hipersecreção viscosa e, assim, facilitando sua expulsão. Ex: acetilcisteína, ambroxol, bromexina e alfadornase; - A acetilcisteína modifica as características físico-químicas das secreções. Sua ação mucolítica ocorre por meio dos grupos sulfidrilas (-SH) livres que atuam na mucoproteína, quebrando as ligações bissulfeto, diminuindo a viscosidade do muco; - Ambroxol corrige a produção das secreções traquobrônquicas, ↓ viscosidade e ↑ síntese de surfactante; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 8 5 EXPECTORANTES - Estimulam os mecanismos de expulsão do muco (podendo induzir a tosse); - ↑ produção das secreções respiratórias, que ↓ a viscosidade do muco (assim aumentando a fluidez). Isso ajuda na passagem das secreções pelas vias respiratórias. Ex: iodeto de potássio e guaifenesina; - A guaifenesina tem mecanismo de ação por ação reflexa: irritação dos receptores aferentes do nervo vago na mucosa gástrica → ↑ secreção do muco → ↓ viscosidade do muco; - Também induz a destruição de material fibrinóide em exsudatos inflamatórios; OBS: não devem ser utilizados em associação com antitussígenos, pois esses inibem a tosse; TOSSE - A tosse é um reflexo de defesa da via aérea em condições fisiológicas, sendo controlada pelo tronco encefálico e córtex cerebral; - Esse reflexo promove a eliminação de secreções das vias aéreas, proteção contra aspiração de corpos estranhos, e é o método defensivo mais efetivo do sistema respiratório quando há disfunção ciliar; - Sem esse reflexo, ocorre o acúmulo de secreções nas vias aéreas, predispondo o paciente a infecções. Por outro lado, a persistência desse sintoma afeta a qualidade de vida e pode ser danoso para as mucosas respiratórias; - A classificação da tosse pode ser quanto: o Tempo: aguda (até 3 semanas); subaguda (3-8 semanas); crônica (mais de 8 semanas); o Presença ou não de expectoração: seca e produtiva (com expectoração); - O reflexo da tosse é composto por três fases: 1. Inspiratória: o indivíduo faz uma inspiração rápida e profunda; 2. Compressão: a glote se fecha e ocorre ↑ da pressão intrapleural pela contração de músculos expiratórios; 3. Expiratória: abertura da glote, levando a um fluxo intenso de ar (expele as secreções contidas no trato respiratório e gera o som característico); FISIOPATOLOGIA 1. O reflexo da tosse inicia pela irritação dos receptores presentes na faringe, traqueia, carina, pontos de ramificação das grandes vias e porção distal das pequenas vias; 2. Esses receptores são ativados por estímulos químicos (ácido, calor e compostos semelhantes à capsaicina), presentes nas fibras C; e mecânicos (mecanorreceptores), presentes no estômago, pericárdio, pleura, diafragma, faringe, seios paranasais, tímpanos e meato acústico externo, ativados pelo tato e distensão; OBS: não há receptores nos alvéolos e no parênquima pulmonar, por isso um indivíduo poderá ter uma pneumonia alveolar com consolidação extensa sem tosse; 3. Os impulsos desses receptores atingem difusamente o centro da tosse na medula por meio do nervo vago; 4. Desse local, o estímulo para o centro da tosse (na porção superior do tronco encefálico e na ponte), que é controlado por centros corticais superiores e gera eferências* para a musculatura respiratória por meio do nervo vago, nervos frênicos e nervos motores espinhais; 5. Essas vias eferentes transmitem os impulsos à laringe e à árvore traqueobrônquica, causando o aparecimento da tosse; *A via eferente é composta, também, por fibras sensoriais vagais, localizadas no epitélio ciliado das VAS e ramos cardíacos e esofágicos a partir do diafragma; RECEPTORES ✓ Estímulos químicos - O reflexo da tosse é iniciado pela ativação dos canais iônicos nociceptivos ao longo das fibras-C: o Receptor de potencial transitório do tipo vanilóide 1 (TRPV1); o Receptor de potencial transitório anquirina 1 (TRPA1); - As aferências são mediadas por fibras-C, cujos corpos celulares estão no gânglio superior do nervo vago; TRPV1 - O TRPV1 está presente nos neurônios de fibra-C, no músculo liso, no epitélio respiratório e na membrana plasmática dos neurônios sensoriais que inervam as vias aéreas superiores e inferiores; - Pode ser ativado por diversos ligantes químicos endógenos e exógenos, compostos vanilóides como a capsaicina, metabolitos do ácido araquidônico endógeno, pH baixo e temperaturas > 43 °C; - Os receptores TRPV1 são superexpressados em pacientes com tosse crônica; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 8 6 TRPA1 - Detecta a temperatura fria e vários irritantes, como o fumo do cigarro; - Também estão presentes no epitélio e no músculo liso das vias aéreas; OBS: ambos TRPV1 e TRPA1 não são mecanorreceptores, sendo as fibras-C insensíveis a estímulos mecânicos, sendo ativados pela bradicinina e capsaicina; ✓ Mecanorreceptores - São receptores mielinizados com velocidade de condução de 4 a 18 m/s. Os corpos celulares das fibras aferentes no gânglio inferior do nervo vago: o Receptores de adaptação rápida (RARs); o Receptores de estiramento de adaptação lenta (SARs); RARs - São fibras nervosas mielinizadas (tipo Aδ) presentes nas vias aéreas intrapulmonares; - São ativados por mudanças de pH, osmolaridade e estímulos mecânicos, como broncoespasmo, edema e secreção de muco; - Os RARs são mediadores primários que regulam a duração e a magnitude da fase inspiratória e expiratória da tosse, pois quando foram inibidos por diminuição de temperatura, o reflexo da tosse foi abolido, mesmo com as fibras-C preservadas; SARs - Tanto o RARs quanto o SARs são ativados pela insuflação pulmonar sustentada, mas sobretudo o SARs; - Os SARs são muito sensíveis a estímulos mecânicos exercidos sobre o pulmão na ventilação. Eles são mais ativos nas VAS, já que existe uma maior área de superfície para despolarização; ANTITUSSÍGENOS - Os antitussígenos são fármacos que reduzem o reflexo da tosse, independente de secreção (por isso são mais usados para tratar tosse seca). Podem ser de ação central e ação periférica: Ação central: atuam deprimindo o centro da tosse no bulbo, deprimindo-o. Ex: clobutinol e dextrometorfano; - O dextrometorfano é um antitussígeno não-narcótico que ↑ o limiar central da tosse (os estímulos se tornam mais toleráveis); - Antitussígenos narcóticos (morfina e codeína) agem nos receptores opioides no núcleo do trato solitário, também podendo atuar em receptores não opioides no SNC, fazendo supressão da tosse. A codeína é um dos antitussígenos mais eficazes, porém causa efeitos colaterais (náuseas, constipação, sedação) e pode gerar dependência. Ela atua como um agonista dos receptores opióides, os quais são acoplados à proteína G (RAG’s), ligando-se a Receptores μ nos nervos sensoriais dos brônquios. Dessa forma, diminui as secreções nos bronquíolos, espessa o escarro e inibe a atividade ciliar; e eleva o limiar no centro da tosse. Ação periférica: agem na ↓ da sensibilidade das fibras-C amielinizadas – componentes da aferência sensorial vagal (NC X). O mecanismo de ação consiste no bloqueio específico de um canal iônico de Na+ dependente de voltagem, antagonizando os receptores TRPV1 e TRPA1. Ex: dropopizina*e vevodropropizina; *A dropopizina é um antitussígeno de ação miorrelaxante, ↓ a excitabilidade dos receptores traqueobrônquicos;OBS: o benzonatato anestesia os receptores de estiramento nas vias respiratórias, diminuindo a tosse; ESPIRRO - Os espirros (ou esternutações) são um ato reflexo de proteção, cujo objetivo é “limpar” as VAS, sobretudo as cavidades nasais e a nasofaringe; 1. Inicialmente, nesses locais, receptores sensíveis ao estímulo mecânico (pressão) e químico são estimulados por partículas irritativas (ex: poeira, pólen, ácaro, vírus, bactérias, fumaça, etc.) ao epitélio respiratório; 2. A via aferente do reflexo do espirro é pelo nervo trigêmeo (NC V), incluindo os ramos oftálmico e maxilar; 3. Os sinais aferentes vão para o bulbo, no núcleo do trato solitário, o núcleo ambíguo, os núcleos respiratórios dorsal e ventral e os núcleos motores de alguns NC; - Inspiração inicial (profunda e forçada) → oclusão da glote pelo fechamento da epiglote e das pregas vocais → expiração forçada e explosiva devido à abertura da epiglote e das cordas vocais → depressão da úvula e a contração do tórax, abdome e diafragma causam a passagem rápida de grandes quantidades de ar pela nasofaringe e cavidades nasais; AGENTES INFECCIOSOS VIAS AÉREAS SUPERIORES - As infecções das vias aéreas superiores são as mais comuns, sendo causadas por: Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 8 7 o Vírus (maioria): influenza do tipo A e B, parainfluenza, vírus sinciciais respiratórios (VSF)*, metapneumovírus humano, adenovírus e rinovírus; o Bactérias: Streptococcus pyogenes, Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis, bacilos gram-negativos, Bordetella pertussis (coqueluche); *Os VSR provocam infecção aguda das vias respiratórias, que pode afetar os brônquios e os pulmões. Causa bronquiolite aguda e pneumonia, especialmente em bebês prematuros Rinite - Inflamação da mucosa na cavidade nasal, e pode ser infecciosa ou alérgica. Quando ocorre de forma recorrente, pode resultar na rinite crônica e evoluir para sinusite. É caracterizada por edema da mucosa, vermelhidão, secreção de muco, infiltração leucocitária, obstrução nasal, rinorreia; o Infecciosa: os agentes mais comuns são os adenovírus, os ecovírus e os rinovírus; o Alérgica: inicia com uma reação de hipersensibilidade mediada por IgE, a partir de contato com um alérgeno; Sinusite - Infecção das VAS que acomete as mucosas dos seios paranasais, sendo o agente mais comum a forma não encapsulada da bactéria Haemophilus influenzae, que também pode causar otite média e broncopneumonia; - Causa um edema inflamatório da mucosa, que leva à drenagem insuficiente de muco dos seios da face. Entre os sintomas, ocorre febre, tosse, coriza, inapetência e mialgias. Na sinusite aguda, pode ter dor de cabeça na área dos seios das faces; Resfriado - Comumente causado pelo rinovírus, e o principal foco é a garganta e o nariz, provocando irritação e prurido; OBS: entre outras infecções que esses vírus e bactérias podem causar, estão a faringite, amigdalite, epiglotite, laringite; VIAS AÉREAS INFERIORES - Entre as infecções das VAI, as principais são: bronquite aguda, bronquiolite e pneumonia; Bronquite aguda: os vírus envolvidos são o adenovírus, influenza, coronavírus, e o rinovírus; a bactéria é Mycoplasma pneumoniae; Bronquiolite: vírus sincicial respiratório, rinovírus, adenovírus, influenza e parainfluenza; PNEUMONIA - É a infecção dos tecidos pulmonares e alvéolos, causada principalmente por bactérias, mas também por vírus e fungos; - Nessa doença, os alvéolos ficam cheios de secreção purulenta (exsudato), impedindo a troca gasosa. Os sintomas são tosse produtiva, febre, calafrios, dispneia, dor no peito quando respira fundo, dor nas costas, êmese, inapetência; - Pode ser classificada: o Pneumonia adquirida na comunidade (PAC): contraída fora do ambiente hospitalar; o Pneumonia adquirida em hospital (PAH): 15% das infecções adquiridas em hospital; - As principais bactérias são: Streptococcus pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis e Staphylococcus aureu; - Já os principais vírus são: Parainfluenza, Coronavírus, Vírus Respiratórios Sinciciais, Influenza e Adenovírus; Streptococcus pneumoniae - Também conhecido por pneumococo, faz parte da microbiota endógena do ser humano e causa as infecções pneumocócicas (sendo o agente mais comum da pneumonia aguda); - Gram-positiva, extracelular e não produtora de toxinas. Os padrões anatômicos e radiológicos têm maior acometimento dos lobos médios e inferiores; Haemophilus influenzae - Gram-negativa; cocobacilar; - As formas encapsuladas e não encapsuladas são importantes formam de pneumonias adquiridas em comunidade; - Esse agente acomete, em geral, pacientes com bronquite crônica, e pode seguir infecções virais, visto que a destruição do epitélio respiratório favorece a aderência de bactérias; Staphylococcus aureus - Gram-positivas; cocos em “cacho de uva”; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 8 8 - Causa a pneumonia estafilocócica, que apresenta focos de hemorragia no parênquima pulmonar e múltiplos abcessos, sendo associado a diversas complicações; - Em geral, é precedida de quadro viral agudo do tipo influenza, que favorece a instalação de uma infecção oportunista; TUBERCULOSE - A tuberculose é uma doença infecciosa, progressiva e transmissível que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos (como rins, meninges e ossos); - É causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch; - Contaminação: ocorre quase exclusivamente por inalação de partículas em suspensão (núcleos de gotículas) que contêm o M. tuberculosis. A disseminação ocorre principalmente por meio de tosse, canto e outras manobras respiratórias; Fisiopatologia 1. Os bacilos que alcançam o alvéolo são ingeridos por macrófagos, mas alguns podem sobreviver. Nesse momento, a infecção está presente, mas não há sintomas da doença; 2. Os tubérculos bacilares se multiplicam no interior dos macrófagos (pois impedem a formação do fagolisossoma), que gera uma resposta quimiotática para outras células de defesa. Essas células formam uma parede ao redor dos bacilos, um tubérculo inicial; 3. A maioria dos macrófagos não conseguem destruir os bacilos, mas liberam citocinas e enzimas que causam lesão pulmonar inflamatória; 4. Após algumas semanas, os sintomas aparecem à medida que macrófagos morre, liberando bacilos do tubérculo e formando um centro caseoso. Os bacilos aeróbicos não crescem muito bem nesse local, mas podem permanecer dormentes (TB latente) até uma reativação da doença; 5. A doença progride conforme o centro caseoso aumenta em um processo chamado liquefação, formando uma cavidade tuberculosa cheia de ar, onde os bacilos aeróbicos se multiplicam fora dos macrófagos; 6. A liquefação continua até o tubérculo se romper, disseminando os bacilos para os bronquíolos e para os sistemas circulatório e linfático; ANTIBIÓTICOS Β-LACTÂMICOS - Bacteriolíticos; têm como mecanismo de ação destruição da parede celular da bactéria, pois tem a habilidade de interferir na síntese de peptideoglicanos (componente da parede celular bacteriana). Ex: penicilinas (benzilpenicilina e amoxicilina), cefalosporinas (cefalexina), carbapenens e monobactans; - As proteínas ligadoras de penicilina mantém os “blocos” de peptideoglicanos unidos. Esses antibióticos agem inativando essas proteínas, desestabilizando a parede celular, fazendo líquido extracelular entrar na bactéria; MACROLÍDEOS - Bacteriostáticos; têm como mecanismo de ação a inibição da síntese proteica por meio da ligação em receptores localizados na porção 50S dos ribossomos. Assim, impedem que os aminoácidos trazidos pelo RNAt se liguem à cadeia polipeptídica em formação. Ex: eritromicina,claritromicina e azitromicina; QUINOLONAS - Bactericidas; têm como mecanismo de ação a inibição de uma enzima essencial à replicação do DNA bacteriano, a DNA-girase (DNA-tropoisomerase II), que torna o DNA compacto e biologicamente ativo. Logo, quando inibida, o DNA passa a ocupar grande espaço no interior da bactéria e suas extremidades livres determinam síntese descontrolada de mRNA e, assim, de proteínas. Ex: ciprofloxacina, levofloxacina, gatifloxacina, moxifloxacina e gemifloxacina; EXAME FÍSICO – SÍND. CONSOLIDATIVAS - As síndromes consolidativas são caracterizadas pela presença de exsudato, infiltrado leucocitário e mediadores inflamatórios nos espaços alveolares, além de edema de suas paredes, evoluindo para fibrose e, logo, consolidação do parênquima pulmonar; - Alguns exemplos são pneumonia e tuberculose; o Inspeção estática: sem alterações; o Inspeção dinâmica: ↓ amplitude respiratória; ↑ FR; pode haver tiragens; o Palpação: ↓ amplitude respiratória; ↑ FRT; o Percussão: som submaciço; o Ausculta: murmúrio vesicular diminuído; ruídos adventícios: estertores de finas bolhas (crepitantes), sibilos, roncos, e pode haver sopro tubário em casos graves; Laíse Weis ;) Problema 5 – Módulo 8 9 ACHADOS RADIOLÓGICOS Síndrome consolidativa: lesão hipotransparente, predominantemente heterogênea, sem alterações dos espaços intercostais e indiferente às estruturas do mediastino. Obs: pode haver broncograma aéreo; Sinal do broncograma aéreo: é o fenômeno dos brônquios cheios de ar se tornarem visíveis no pela opacificação (ex. preenchimento por secreções) dos alvéolos circundantes. É característico das síndromes consolidativas, mas podem aparecer no edema pulmonar, neoplasias, hemorragia pulmonar, etc; Atelectasia: lesão hipotransparente, predominantemente homogênea, com diminuição dos espaços intercostais e desvio das estruturas do mediastino (traqueia e silhueta cardíaca) para o mesmo lado da lesão (retrátil);