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Articulação Temporomandibular

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frouxo, vascularizado e inervado, que define os limites 
anatômicos de uma articulação. Também proporciona a retenção do 
líquido sinovial para nutrir e lubrificar os tecidos intra-capsulares. A 
resistência e limitação dos movimentos são proporcionadas pelos 
ligamentos. 
Na ATM, a cápsula se insere superiormente ao redor da borda da superfície 
articular do temporal e inferiormente ao colo do côndilo. Posteriormente 
está ligada à zona bilaminar. Anteriormente a cápsula se funde com o 
disco articular recebendo fibras do músculo pterigóideo lateral. 
 
A cápsula funde-se ao disco articular em sua periferia dividindo a 
articulação em dois compartimentos: o compartimento sinovial superior, e 
o compartimento sinovial inferior. O compartimento sinovial superior é 
maior, estendendo-se mais anteriormente que o inferior e é delimitado 
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ANATOMIA DE CABEÇA E PESCOÇO 
ANATOMIA DA ATM 
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superiormente pelo osso temporal e inferiormente pela superfície superior 
do disco articular. O compartimento sinovial inferior é reforçado pelos 
ligamentos discais, sendo delimitado superiormente pela superfície inferior 
do disco articular e inferiormente pelo côndilo mandibular. 
 
A face interna da cápsula, voltada para as cavidades articulares, é 
revestida pela membrana sinovial. 
 
É inervada e possui receptores sensitivos, por isso influencia a atividade 
muscular durante a mastigação e posicionamento da mandíbula. 
 
 
7 MEMBRANA E LÍQUIDO SINOVIAL 
 
A membrana sinovial reveste internamente a cápsula articular e só não 
está presente nas superfícies articulares funcionais (atritantes). A cartilagem 
e disco articular também não são recobertos pela membrana sinovial. 
Vilosidades ocorrem nos limites anterior e posterior da articulação para 
acomodar o movimento do disco. 
 
A membrana sinovial apresenta duas camadas: a mais superficial é celular 
e de revestimento. A camada mais profunda é rica em capilares. 
 
A função da membrana sinovial é secretar o líquido sinovial (sinóvia) que 
nutre as superfícies articulares não vascularizadas, além de remover corpos 
estranhos presentes no interior da articulação. Uma outra função do líquido 
sinovial é lubrificar a articulação. Com esse objetivo, dois mecanismos são 
empregados: o primeiro ocorre na função reduzindo o atrito durante a 
movimentação das superfícies articulares. Um outro mecanismo de 
lubrificação descrito é o de "saturação". Quando as superfícies articulares 
são sujeitas a forças de compressão, o líquido retido no interior da 
cartilagem é eliminado, lubrificando as superfícies. Quando da presença 
de forças compressivas prolongadas, o mecanismo de saturação pode ser 
esgotado não proporcionando mais a lubrificação adequada. Essa 
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condição ocorre principalmente nos casos de apertamento dentário 
durante o sono. 
O ácido hialurônico é a glicosaminoglicana predominante no líquido 
sinovial, proporcionando a viscosidade necessária para a lubrificação da 
articulação. A olho nu, o líquido sinovial tem a consistência de clara de 
ovo. 
 
8 LIGAMENTOS 
 
Os ligamentos são estruturas de tecido conjuntivo denso, não distensíveis, 
que atuam na limitação dos movimentos mandibulares. 
Os ligamentos da ATM podem ser classificados em intra-capsulares e extra-
capsulares. Os ligamentos discais são exemplos de ligamentos intra-
capsulares. Outra maneira de se classificar os ligamentos da ATM é em 
principal e acessório. 
8.1 Ligamento principal 
O ligamento têmporo-mandibular é o ligamento principal da ATM. 
Localiza-se na parte lateral da cápsula articular, como um reforço nesta 
região, sendo considerado algumas vezes como um espessamento da 
mesma. Pode ser dividido em duas partes: uma oblíqua e outra horizontal. 
O ligamento oblíquo une o tubérculo articular e o processo zigomático à 
borda posterior do colo do côndilo, limitando o grau de rotação do 
mesmo. Após aproximadamente 28mm de rotação mandibular, este 
ligamento fica tenso, e a mandíbula é impedida de continuar a rotacionar 
sem que ocorra um deslocamento para anterior (translação), evitando 
assim a compressão de estruturas nobres do pescoço. 
O ligamento horizontal liga-se anteriormente também no tubérculo 
articular e processo zigomático e posteriormente na superfície lateral do 
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côndilo. Esse ligamento limita o deslocamento posterior do côndilo, 
evitando assim a compressão da zona retrodiscal altamente vascularizada 
e inervada. A resistência desse ligamento pode ser demonstrada 
efetivamente nos casos de trauma na região mentual. Nessas 
circunstâncias ocorre a fratura no colo do côndilo evitando que o mesmo 
invada fossa craniana média, lesando o lóbulo temporal do cérebro. 
8.2 Ligamentos acessórios 
Ligamento Esfenomandibular: eleva-se a partir da espinha do osso 
esfenóide e se insere na língula da mandíbula. É passivo durante os 
movimentos da mandíbula mantendo a mesma intensidade de tensão 
durante a abertura e fechamento da boca. 
Ligamento Estilomandibular: estende-se a partir do processo estilóide para 
o ângulo medial, cobrindo a superfície exterior do processo e do ligamento 
estilóide. É frouxo quando as arcadas estão fechadas ou quando a 
mandíbula está sob repouso. O ligamento torna-se tenso somente na 
postura protrusiva forçada. 
 
9 IRRIGAÇÃO ARTERIAL 
 
O suprimento arterial da porção posterior da ATM é realizado pela artéria 
temporal superficial e pela artéria maxilar. Anteriormente, as artérias 
temporal profunda, massetérica e pterigóidea proporcionam a irrigação 
da ATM. 
 
 
10 INERVAÇÃO 
 
A inervação da ATM deriva do nervo mandibular. A metade posterior da 
ATM é inervada pelo nervo aurículo-temporal. A metade anterior é 
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inervada pelos nervos massetérico (porção lateral) e temporal profundo 
posterior (porção medial). 
 
A maioria das terminações nervosas são livres e não encapsuladas e as 
encapsuladas possuem os corpúsculos de Vater-Pacini, órgãos tendinosos 
de Golgi e terminações de Ruffini. Apresenta uma alta especialização 
sensitiva, e os receptores vão servir como fontes de impulsos para guiar a 
função muscular (mastigatória) e o sentido de localização da mandíbula. 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
1. DuBRUL, E. L. Anatomia Oral de Sicher e DuBrul. 8. ed. São Paulo: Artes 
Médicas, 1991. 
2. GOSS, Charles Mayo. Gray Anatomia. 29. ed. Rio de Janeiro: 
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4. McMINN, R. M. H.; HUTCHINGS, R. T.; LOGAN, B. M. Atlas colorido de 
Anatomia da cabeça e do pescoço. 2 ed. Artes Médicas, 1998. 
5. NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 2ª ed. Porto Alegre: Artes 
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