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Apostila - Fala, linguagem e comunicacao no TEA

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INICIAR
FALA, LINGUAGEM E
COMUNICAÇÃO NO TEA
01
UNIDADE
DESENVOLVIMENTO DE LINGUAGEM
PROFª. FLÁVIA AMÉLIA DO NASCIMENTO BARROZO
LIVRO 
DIGITAL 
INTERATIVO
FICHA LIVRO
Componente Curricular: Fala, linguagem e comunicação no TEA
Autora: Profª. Flávia Amélia do Nascimento Barrozo
Unidade 1: Desenvolvimento de Linguagem
Ementa: Desenvolvimento de linguagem. Aquisição de linguagem
e os marcos esperados de acordo com a idade. Identificação dos
transtornos da comunicação. Quais são e como se manifestam os
transtornos da comunicação existentes e quais são as semelhanças
e diferenças em relação ao TEA. Promoção do desenvolvimento da
comunicação no âmbito escolar. Estratégias facilitadoras nos
transtornos de comunicação. Promoção de uma melhor
comunicação entre o aluno e a escola e vice-versa, envolvendo
também outras pessoas que compõem a escola, apresentando
práticas que podem facilitar a aprendizagem e o ensino do aluno
com TEA.
FICHA CATALOGRÁFICA
Presidente:
Renato Casagrande
Vice-presidente:
Ronaldo Casagrande
Diretora Executiva:
Josemary Morastoni
Coordenadora de EaD:
Isabelle Christine Moletta
Designer Instrucional:
Fabiane Maria Picheth
Revisora:
Simony Forchezatto Silva
Projeto Gráfico:
Fabiano Nichetti
Diagramação:
Fabiano Nichetti
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
1. AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM
2. HABILIDADES FONOLÓGICAS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
5
7
18
19
CLIQUE 
NOS TÍTULOS
PARA IR ATÉ A PÁGINA
4
3. PROCESSAMENTO ANALÍTICO DE LINGUAGEM 8
4. PROCESSADOR GESTALT DE LINGUAGEM 14
APRESENTAÇÃO
Olá, caros estudantes! 
 
Sejam bem-vindos ao componente curricular “Transtornos da
Comunicação”. Nosso principal objetivo nesta Unidade é o
aprofundamento no desenvolvimento natural da aquisição de
linguagem, abordando os principais marcos de fala e linguagem
esperados para cada idade, proporcionando uma base sólida para
as próximas Unidades. 
Nesta Unidade, também iremos entender o que devemos esperar
em cada idade, pois, assim, podemos identificar alterações
(quando houver) como um simples atraso ou um diagnóstico
importante. Além disso, iremos ver que o desenvolvimento de
linguagem percorre uma trajetória comum nas crianças, embora
haja influências sociais e culturais. Por isso, é possível apontar
características típicas da comunicação infantil, bem como
identificar sinais que indiquem transtornos da comunicação,
influenciando um prognóstico precoce. 
Espero que vocês, educadores, possam ampliar seus
conhecimentos a partir deste componente curricular e quebrar
barreiras em suas práticas. O objetivo é que todos saiam desta
disciplina mais confiantes e aptos para trabalhar por uma
verdadeira inclusão. 
Bons estudos! 
SUMÁRIO
4Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
01
SUMÁRIO
A linguagem é uma faculdade humana, com função simbólica,
influenciada pelo processo de desenvolvimento do
conhecimento, partindo da capacidade de representação.
Embora a linguagem seja elaborada socialmente e estruturada
cognitivamente, ela é previamente existente. Além disso, o
desenvolvimento da linguagem está associado a um processo
maturacional, e está sob o controle genético, sendo esse
desenvolvimento sensível aos inputs ambientais e influenciado
pelo desenvolvimento de outras funções, como atenção,
memória, audição, cognição (BRITTO; BRITTO, 2017). 
Para uma compreensão eficaz do que é linguagem, é importante
entender a definição de três componentes: fala, linguagem e
comunicação: 
 Linguagem é o sistema simbólico usado para representar os
significados em uma cultura, abrangendo os níveis linguísticos
que serão descritos a seguir. Já a fala é o canal que viabiliza a
expressão da linguagem e corresponde ao ato motor desta. Em
outras palavras, linguagem significa “trocar informações (receber
e transmitir) de forma efetiva”, enquanto a fala se refere,
basicamente, à “maneira de articular os sons na palavra” (PRATES;
MARTINS, 2011). Por fim, a comunicação é o meio pelo qual o
indivíduo recebe e expressa a linguagem, sendo este um
elemento essencial para a socialização e a integração na
comunidade (RUBEN, 2000). 
Durante o desenvolvimento da linguagem, há atividades
linguísticas complexas que abrangem diferentes níveis do sistema
linguístico e se entrelaçam, sendo muito importante conhecer
suas especificidades e inter-relações para propor ações de
desenvolvimento na área (figura 1). 
AQUISIÇÃO DE LINGUAGEM 
5Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
6
NÍVEIS LINGUÍSTICOS
Fonético-
fonilógico
Morfossintático
Semântico-
lexical
Semântico-
pragmático
Figura 1 – Níveis Linguísticos. 
Fonte: elaborada pelo autor.
Tanto a fonética quanto a fonologia estudam os sons da língua,
porém em situações diferentes. Assim, enquanto a fonética diz
respeito à forma como os sons são concretamente produzidos
pelos falantes, envolvendo articulação, dentre outras produções
motoras, a fonologia se trata da organização mental dos sons
(CRISTÓFARO, 1999). 
Tradicionalmente, a morfologia faz uma análise abaixo do nível da
palavra, e a sintaxe analisa a um nível acima das palavras.
Entretanto, os níveis se entrelaçam frequentemente, por isso o
termo morfossintaxe é aplicado (LOPES, 1999). 
A pragmática compreende a linguagem nas interações sociais,
sendo o uso social da língua, englobando conceitos como: relação
dialógica, pistas verbais e não verbais, não explícitas, tomada de
turno, noções de tópicos, dentre outros marcadores de discurso
(MOUSINHO; CORREA, 2016). 
Já a semântica está relacionada ao estudo do significado. Assim, a
semântica lexical trata do nível da palavra, como o vocabulário é
estruturado e como se dá o reconhecimento e o acesso aos itens
lexicais; e, quando falamos de semântico-pragmático,
consideramos o processo de significação no contexto em que está
sendo utilizado. 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
7
Mais do que falar espontaneamente, em um determinado
momento, é necessário que tenhamos consciência sobre a
linguagem, o que chamamos de metalinguagem. Por isso, há
habilidades metalinguísticas altamente relacionadas à
aprendizagem, especialmente as habilidades fonológicas . 
HABILIDADES FONOLÓGICAS 02
HABILIDADES FONOLÓGICAS
Consciência
Fonológica
Memória de
Trabalho Fonológico
Nomeação
Automatizada
Rápida
Figura 2 – Habilidades Fonológicas. 
Fonte: elaborada pelo autor.
A consciência da existência de algumas unidades, a qual
possibilita a reflexão explícita sobre os sons da língua e a
manipulação destes, é chamada de “consciência fonológica”. 
Segundo Savage, Lavers e Pillay, 
 
Alves, conceitua a nomeação automatizada rápida, 
A memória de trabalho fornece o armazenamento breve
que ampara a nossa capacidade de pensamento complexo.
É um mecanismo dinâmico, que envolve a capacidade de
armazenar informação em curtos períodos, enquanto outras
atividades com mais demanda cognitiva são exigidas
paralelamente (SAVAGE, LAVERS, PILLAY, 2007, p. 186). 
A Nomeação Automatizada Rápida (Rapid Automatized
Naming – RAN) é a habilidade de identificar e reconhecer
determinado item pela ativação e concomitante articulação
do seu nome, armazenado no léxico mental (ALVES et al.,
2016, p. 76). 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
8
O processamento auditivo também é um fator importante a ser
considerado, pois os sons precisam ser detectados e
interpretados. Escolares com dificuldades nesse processamento
apresentam dificuldades em analisar propriedades acústicas da
fala, em reconhecer e discriminar determinados sons, gerando
dificuldade no seu aprendizado (MOUSINHO; ALVES, 2017). 
Fr
ee
p
ik
Figura 3 – Criança com as letras. 
PROCESSAMENTO
ANALÍTICO DE LINGUAGEM 03
De acordo com Ribas (2023), a linguagem, como uma habilidade
específica do ser humano, é adquirida pelas crianças de forma
gradual e paulatinamente durante os primeiros anos de vida. A
primeira forma de comunicação dos bebês é o choro. Assim,
quando os bebês não choram ou demoram a chorar, podemos
perceber a sinalização de intercorrências pré e perinatais,os quais
são fatores de risco para o desenvolvimento infantil, incluindo o de
linguagem (HAGE; PINHEIRO, 2023). 
O choro é o primeiro recurso de comunicação dos bebês com
menos de 3 meses, e, após essa idade, os bebês começam a
balbuciar mais. (HAY, 2024). Ao completar 2 meses de vida, é
possível observar a produção de vogais e algumas consoantes. Até
os 5 meses, esses sons são repetitivos (/aaaa/, /pppp/), e, entre os 6
e 8 meses, os bebês começam a produzir balbucios canônicos,
sílabas bem formadas e variadas (/bada/, /padama/), além de
imitar sons produzidos pelo cuidador (COPLAN, 1994;
FRANKENBURG et al., 2018). Essas produções ganham a 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
9
entonação da língua materna por volta dos 9 meses e dá a
sensação de que a criança está falando, mas em uma sequência
de sons que não têm significado para quem ouve, o que
chamamos de “jargão”. 
O balbucio é um precursor essencial do desenvolvimento de fala.
Por isso, bebês silenciosos devem ser vistos com risco de
dificuldades no desenvolvimento da fala e precisam ser
acompanhados (HAGE; PINHEIRO, 2023). 
Além do balbucio, outro marco importante antes do
aparecimento das primeiras palavras é a comunicação
intencional, que é a manifestação deliberada de uma mensagem
a uma outra pessoa, seja por meio de gestos, olhares, vocalizações
ou fala. Somente a partir do 8º/9º mês de vida, é que os bebês, de
fato, demonstram reconhecer o outro como alguém com quem
podem compartilhar seus desejos. Os primeiros atos
comunicativos intencionais dos bebês são os pedidos, na
sequência ou concomitantemente, aparecem as ações para
chamar a atenção para si e, aos 12 meses, os bebês compartilham
seu foco de atenção com o outro (HAGE; PEREIRA; ZORZI, 2004). A
ausência destes comportamentos é um sinalizador de alterações
na reciprocidade social e comunicação não verbal. 
Entre o 12º e o 18º mês de vida, o vocabulário elementar infantil se
inicia. As primeiras palavras que surgem são presas ao contexto
(produzidas em contextos limitados: “mama” – pedindo
mamadeira), ou têm caráter sociopragmático (“oi”, “tchau”), ou são
expressões que indicam estados emocionais. Entre o 18º e o 24º
mês, a criança começa a utilizar a palavra de forma referencial,
sendo este o resultado de uma capacidade simbólica em que a
criança descobre que as palavras podem ser usadas para nomear
coisas. As primeiras 50 palavras adquiridas pela criança são
substantivos, verbos e adjetivos, referentes mais concretamente
observáveis no contexto. Quando as crianças ultrapassam as
primeiras 50 palavras, é comum a ocorrência da “explosão do
vocabulário”, ou “boom do vocabulário”, em que o número de
palavras passa de gradual para abrupto em curto tempo (HAGE;
PINHEIRO, 2023). 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
10
O rápido desenvolvimento das habilidades de linguagem na primeira
infância coincide com a progressão similarmente acelerada da
maturação do cérebro (PUJOL, 2006). 
Segundo Hage e Pinheiro (2023), o baixo repertório lexical pode ser
decorrente da exposição inadequada ao entorno linguístico, por otites de
repetição, por estímulo parental pouco comunicativo ou falta de
exposição à língua, mas também pode ser o primeiro sinal de transtorno
persistente relacionado ao processo de linguagem. Portanto, uma criança
de 2 anos que não fala ou tem um repertório restrito de palavras pode
estar na condição de atraso de linguagem, devendo ser encaminhada
para avaliação fonoaudiológica. 
Entre o 20º e o 22º mês de idade, tem-se o início da morfossintaxe,
quando se observa a combinação de duas palavras que se apresentam
na forma de unidades com duas sílabas, e, geralmente, são simplificações
de palavras, como /nene mimi/ (o neném quer dormir). E como
característica geral, tem-se o “estilo telegráfico”, pela ausência de palavras
com função gramatical, tais como artigos, preposições e flexões de
gênero (HAGE; PINHEIRO, 2023). 
Com relação à aquisição dos fonemas, no segundo ano de vida, a criança
já demonstra domínio de vogais e diversas consoantes, tais como as
oclusivas (/p/, /t/, /k/, /b/, /d/, /g/), as nasais (/m/, /n/, /ɲ/) e as fricativas
labiodentais (/f/, /v/) e linguoalveolares (/s/, /z/), mas isso não significa que
ela os utilize corretamente na cadeia da palavra. Neste período, os
padrões de fala são menos complexos e levam à inteligibilidade de fala
por pessoas que não convivem diariamente com a criança, o que não
representa uma alteração (HAGE; PINHEIRO, 2023). 
Do ponto de vista pragmático, a partir dos 8 meses de vida, as crianças já
apresentam comunicação funcional com intenção. No segundo ano,
entre 12 e 24 meses, as crianças manifestam interesse, pedem, interagem,
compartilham a atenção com os interlocutores, inicialmente sem
oralidade, e, depois, aos poucos, as intenções comunicativas da
linguagem vão sendo expressadas de forma verbal (HAGE; PINHEIRO,
2023). 
Entre 30 e 36 meses, começam a surgir as primeiras frases coordenadas,
junto com os verbos auxiliares “ser” e “estar”, pronomes de primeira,
segunda e terceira pessoa e artigos definidos (HAGE; PINHEIRO, 2017).
Com 3 anos de idade, a expectativa é de que a criança produza trechos de
histórias com 4 ou 5 frases, inicie uma conversação infantil e cante 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
11
músicas. Com essa idade, ela consegue utilizar o “quem”, o “qual”
e o “onde”, conjugação de várias orações, “e” e “ai”, “mas” e “por
que”, frases negativas, interrogativas e relativas (GONÇALVES et al
., 2021). Crianças com alteração de linguagem dificilmente
escaparão de manifestações na esfera sintática (HAGE; PINHEIRO,
2023). 
Aos 3 anos, a inteligibilidade de fala também evolui bastante,
tanto que as crianças são compreendidas por estranhos, mesmo
que ainda haja substituições e omissões de determinados
fonemas. Além disso, até os 3 anos e 5 meses, as crianças “típicas”
têm 95% de domínio dos fonemas plosivos (/p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/),
nasais (/m/, /n/, /ɲ/), fricativos, labiodentais, alveolares (/f/, /v/, /s/, /z/)
e líquida lateral (/l/), e o fonema líquido não lateral (/R/) é produzido
com a mesma porcentagem até 3 anos e 11 meses. A partir dos 3
anos, as crianças usam a linguagem para relatar experiências,
contar histórias, explicar e expressar sentimentos (HAGE;
PINHEIRO, 2017). 
É importante salientar que, antes dos 3 anos, a criança aprende
novas palavras a partir de fontes diretas, por meio da interação
social. Já as crianças acima de 3 anos podem aprender novas
palavras de fontes indiretas, como televisão ou leitura de livros
feita por um adulto. Por isso, o uso de telas antes dos 24 meses de
idade não é recomendado. Por volta dos 3 anos de idade, o
vocabulário da criança é constituído aproximadamente por 1.200
palavras (GROLLA; SILVA, 2014). 
Entre 3 e 4 anos, do aspecto pragmático, espera-se que a criança
compreenda uma mensagem transmitida e envie uma
mensagem com certo grau de clareza. Ela apresenta maior
ocorrência de turnos verbais, simples e coerentes, isto é, faz trocas
de turnos dentro de um contexto lógico. Com uma comunicação
plurifuncional, ou seja, fazendo o uso de várias funções
comunicativas, como por exemplo, fazer nomeação espontânea
de pessoas, objetos, ações, fazer comentários, dar informações
espontâneas, entre outros. (HAGE et al., 2007). Até os 4 anos, todas
as simplificações fonológicas que abarcam fonemas líquidos (/l/, /
ʎ/, / ɾ /, /R/) desaparecem, e, ao entrar no Primeiro Ano do Ensino
Fundamental, espera-se que as crianças tenham seu sistema
fonológico organizado, incluindo a produção de grupos
consonantais e consoantes finais (HAGE; PINHEIRO, 2023). 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
IDADE MÉDIA DE AQUISIÇÃO FONOLÓGICA 
Período  Plosivas  Nasais  Fricativas  Líquidas 
Antes dos 3:0
– 3:5 
/p,b,t,d,k,g/  /m,n, ɲ/  /f,v,s,z/  - 
3:6 – 3:11      /ʃ, ʒ/  /R/ 
4:0 – 4:5        /ʎ/ 
4:6 – 4:11        /l,ɾ/ 
12
Entre 42 e 54 meses, as diversas estruturas gramaticais são
complementadas,de acordo com a utilização do emprego do
sistema pronominal, pronomes possessivos e verbos auxiliares. As
diversas modalidades do discurso, ou seja, afirmação, negação e
interrogação, tornam-se cada vez mais complexas, e, em torno
dos 5 anos, a criança alcança o domínio do sistema gramatical
básico da língua (HAGE; PINHEIRO, 2017). 
Entre 4 e 5 anos, há um aumento importante do vocabulário,
chegando próximo de 2 mil itens, e isso ocorre em função da
aquisição de preposições e outros tipos de palavras gramaticais, o
que permite a ocorrência de sentenças com mais de uma oração,
bem como a produção de orações relativas, coordenadas e
subordinadas (GROLLA; SILVA, 2014). 
Com relação às habilidades pragmáticas, na faixa de 4 a 5 anos, as
crianças ocupam uma parte maior no espaço comunicativo, não
se limitando a responder perguntas. O meio de comunicação
predominante é o verbal, sendo que as funções comunicativas
mais utilizadas são o comentário e o pedido de informação
(CERVONE; FERNANDES, 2005). 
As habilidades do processamento fonológico são muito citadas
como qualidades preditoras para a aquisição de leitura e escrita. E,
como já mencionadas, essas habilidades consistem na
consciência fonológica (ou habilidades metafonológicas), na
memória de trabalho fonológica e no acesso ao léxico mental
(nomeação automatizada rápida). 
Tabela 1 – Idade média de aquisição fonológica. 
Fonte: Ceron e Keske-Soares (2017). 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
13
O desenvolvimento da consciência fonológica parece estar
relacionado ao próprio desenvolvimento simbólico da criança, no
sentido de dar atenção ao aspecto sonoro das palavras em
detrimento do aspecto semântico (FERREIRO; TEBEROSKY, 1986). 
Em crianças de 5 e 6 anos, é esperada uma consciência fonológica
que identifica sons em palavras, mas com lacunas na consciência
fonêmica, pois, esta requer experiências específicas, além da mera
exposição aos conceitos de rima e aliteração. Ao término do
Primeiro Ano do Ensino Fundamental, as crianças já são capazes
de combinar e segmentar sons em palavras faladas (O’CONNOR
et al., 1993). 
A influência do meio no qual a criança está inserida tem efeito na
tarefa de aquisição de palavras, e inúmeras variáveis caracterizam
o desenvolvimento lexical, tornando, assim, difícil apresentar
marcos evolutivos do desenvolvimento semântico. Além disso,
sabe-se que as aquisições semânticas da linguagem dependem
do grau de compreensão do sujeito (nível de experiência e da
organização interna do mundo que o rodeia). 
Diante disso, até os 6 anos, espera-se que a criança apresente
estruturas sintáticas mais complexas, e, praticamente, finalize o
desenvolvimento morfossintático. A partir dessa idade, é possível
observar o aperfeiçoamento das regras gramaticais (GOMES et al.,
2021). De acordo com Befi-Lopes e Gândara (2002), por volta do
Quinto Ano, o vocabulário da criança é numericamente
semelhante ao de um adulto. 
Segundo Hage, Pereira e Zorzi (2004), com relação aos aspectos
pragmáticos, a criança de 5/6 anos possui recursos linguísticos
para as diversas funções da linguagem e que vão se tornando
mais sofisticados; a narrativa também se mantém organizada a
nível temporal dos fatos, e, após os 6 anos, a criança narra com
detalhes histórias conhecidas e relatos pessoais, demonstrando
habilidade para usar a linguagem, considerando o contexto e o
interlocutor. 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
14
PROCESSADOR GESTALT DE
LINGUAGEM 04
Até aqui, estudamos o desenvolvimento analítico de linguagem, o
qual é caracterizado pela progressão única, previsível e linear,
medida por uma variedade de fatores, números de palavras,
formação de frase, ordem de aquisição de elementos gramaticais,
entre outros. Porém, atualmente, sabe-se que nem todas as
crianças caminham pela linguagem da mesma forma. Existem
crianças que vão processar a linguagem de outra maneira, é o que
chamamos de “Processadores Gestalt de Linguagem”. Peters
(1983) se refere a um estilo de aquisição de linguagem que
começa com pedaços maiores de linguagem, em oposição ao
estilo tradicional de aquisição de linguagem, conhecido como
“Processamento Analítico de Linguagem”, que começa com
palavras isoladas. 
Neste sentido, devemos considerar crianças que iniciam sua
comunicação por meio de frases completas, ecolalias, em vez
começar por uma palavra isolada. Essas crianças que estão no
estágio de desenvolvimento de unidade única parecem perceber
cada unidade como um todo não analisado, ou seja, elas não
estão cientes de que um gestalt (uma frase, uma ecolalia) pode
ser composto por palavras individuais combinadas. 
Peters (1983) verificou algumas semelhanças entre os dois
processos de aquisição da linguagem, reconhecendo que, em
ambos os processos, as crianças começam com “unidades” únicas
e significativas. A primeira unidade no processo analítico é uma
única palavra, e a primeira unidade no processo gestalt é um
“bloco de palavras”. No estágio de desenvolvimento da linguagem
de duas unidades no processo analítico, duas palavras únicas são
combinadas (início da formação de frases), enquanto, no processo 
SAIBA +
Acesse o artigo sobre Distúrbios de Fala e da Linguagem na Infância 
https://ftp.medicina.ufmg.br/ped/Arquivos/2013/disturbiofalaeimagem8p
eriodo_21_08_2013.pdf 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
https://ftp.medicina.ufmg.br/ped/Arquivos/2013/disturbiofalaeimagem8periodo_21_08_2013.pdf
https://ftp.medicina.ufmg.br/ped/Arquivos/2013/disturbiofalaeimagem8periodo_21_08_2013.pdf
SUMÁRIO
15
gestalt, gestalts inteiros da linguagem são segmentados ou
“mitigados” em partes menores. Com o tempo, ambos os estilos
de aquisição de linguagem avançam em direção a uma
gramática flexível e autogerada nos estágios posteriores (PETERS,
1983; PRIZANT, 1983). 
Figura 4 – Crianças brincando. 
Fr
ee
p
ik
Figura 5 – Criança brincando na areia. 
Fr
ee
p
ik
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
Processador Gestalt  Processador Analítico 
Gestalts  Palavra 
Gestalt mitigado  Duas palavras 
Palavras isoladas e
combinadas 
Frases 
Sentenças autogeradas e
linguagem criativa 
Sentenças 
16
 Blanc (2023) elencou 6 estágios pelo qual as crianças
processadoras de linguagem gestalt perpassam. São eles: 
 
Estágio 1: uso comunicativo de gestalts de linguagem (frases
completas ricas em entonação, ecolalias tardias, blocos de
falas ininteligíveis); 
Estágio 2: mitigação em pedaços; combinações; 
Estágio 3: isolamento de palavras e geração de frases de duas
palavras; 
Estágio 4: geração de frases mais complexas; 
Estágio 5: frases originais com gramáticas mais complexas; 
Estágio 6: frases autogeradas usando um sistema gramatical
completo. 
Para facilitar o entendimento desse novo conceito, pense que é
como se os processadores gestalt de linguagem fizessem o
caminho inverso ao analítico, começando a comunicação por
meio da reprodução de muitas palavras e, ao passar pelos
estágios, aproxima-se da mesma linguagem que o processador
analítico se encontra, na produção de frases autogeradas e
complexas. 
Para esclarecer a diferença entre os dois processos de linguagem,
verifique a tabela 2. 
Tabela 2 – Processador Gestalt x Processador Analítico. 
Fonte: elaborada pelo autor. 
 É importante o professor ficar atento a como a comunicação do
aluno se inicia, se com palavras isoladas ou com blocos de
palavras, e, apesar de ambos fazerem parte do desenvolvimento 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
17
natural de linguagem, existem formas diferentes de estimular
cada tipo, as quais serão tratadas com mais detalhes na Unidade 3
desta disciplina. 
Também é preciso que o professor verifique que a criança
consegue se comunicar independentemente da forma como ela
processa a linguagem, e nós, como mediadores de sua
comunicação, devemos nos atentar ao processo e validar
qualquer forma de comunicação. 
SAIBA +
companhe nestas páginas, publicações interessantes na língua inglesa
que tratam da comunicaçãoe linguagem: 
https://www.meaningfulspeech.com/research-and-resources 
https://communicationdevelopmentcenter.com/ 
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
https://www.meaningfulspeech.com/research-and-resources
https://communicationdevelopmentcenter.com/
SUMÁRIO
18
Em síntese, vimos como acontece o desenvolvimento de fala e
linguagem dentro dos níveis linguísticos, e observamos como
cada etapa do caminho percorrido pela criança é importante para
um bom desempenho linguístico. Também, compreendemos
que há duas formas de se processar a linguagem em um
processo natural. 
Este conhecimento é de extrema importância para um professor,
pois é uma figura com quem as crianças têm contato
diariamente. Logo, conhecer os marcos do desenvolvimento da
linguagem é fundamental para a identificação de alterações.
Além disso, todo profissional da educação deve entender o
quanto as sintomatologias se afastam do desenvolvimento típico,
e, a partir disso, têm autonomia para fazer encaminhamentos
adequados e contribuir para o início de intervenções precoce e/ou
preventivas. 
Neste sentido é que encaminharemos nossos estudos para
entendermos mais a fundo os transtornos que afetam a
comunicação. 
Sigamos juntos na continuidade dos nossos estudos! 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Fala, linguagem e comunicação no TEA - UA1
SUMÁRIO
19
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