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Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Dennis Daniel Miranda Silva A Força da Tradição* a persistência do Antigo Regime historiográfico na obra de Marc Bloch Resende - RJ 2017 Dennis Daniel Miranda Silva - 16116090281 GOMES, Tiago de Melo. A força da tradição: a persistência do Antigo Regime historiográfico na obra de Marc Bloch. In: Varia Historia, Belo Horizonte, vol.22, n.36, 2006. 1. Tema: O texto gira em torno da permanência de traços da historiografia do século XIX na obra de Marc Bloch em destaque para o livro A sociedade feudal de 1939, sendo ele um dos fundadores da escola de Annales. 2. Tese central: O autor da destaque a várias passagens dos livros de Marc Bloch, com ênfase ao livro Sociedade Feudal, podendo assim ser facilmente comparado aos textos dos historiadores tradicionais que a própria Escolas de Annales criticava e se motivava a romper com os traços dessas historiografias. 3. Lógica interna: A lógica interna gira em torno de 3 pontos: 1: Discussão sobre Annales. 2: A comparação entre Marc Bloch com a historiografia antiga. 3: A conclusão do autor e o resultado sobre a comparação. O autor de início apresenta os questionamentos que as Escola de Annales vem recendo nesses últimos anos. Em seguida no texto “Da Unidade Essencial dos Povos Romanos e Germânicos e de Sua Comum Evolução” o autor destaca a postura de Bloch ao usar termos evolucionistas, separando entra os europeus usando o pronome (nós) e os invasores (eles) ligando a imagem dos invasores como bárbaros. Já no que tange os muçulmanos é falado sobre o ponto de vista militar ao contar histórias de invasões. Marc Bloch se transforma rapidamente nos historiadores que tanto critica em sua escola. Em suas considerações finais o autor conclui seu pensamento falando que apesar de todo elemento que se compara com a antiga historiografia não é possível negar o carácter inovador da obra. Mostrando que Bloch é muito divergente da imagem construída historicamente dos fundadores de Annales e que a obra do autor de 1929 não marca como o fim da historiografia anterior e nem como começo de novas técnicas. 4. Interlocução: Os principais interlocutores são: Arno Mayer: esse autor não escreveu sobre o mesmo tema, mas a respeito da permanência de traços do Antigo Regime até 1914. Jacques Revel, Braudel e Le Goff: estes autores concebem a fundação da escola dos Annales como uma ruptura com a historiografia anterior e o reinício do estudo da História. 5. Trechos de destaque Aqui você deverá indicar até 5 trechos que ilustrem o argumento do autor. 1: Este artigo se foca na obra de Marc Bloch, em especial em seu livro tido como mais importante, A Sociedade Feudal (1939), argumentando que mesmo no trabalho de um dos mais importantes do século XX ainda é possível encontrar elementos associados a uma historiografia mais tradicional. 2:“Há inclusive autores simpáticos ao grupo que têm observado a incoerência presente no fato de a escola contar sua própria história de modo nacionalista, linear e heroico, nos mesmos termos em que a historiografia anterior era por eles criticada. 3:”(….)Enfim, romanos e germânicos, em sua história paralela (“A evolução comum há de ter suscitado ideias e tendências idênticas em nossas nações”),24 unidos pelas ideias, sentimentos e sobretudo em uma religião comum, deram origem à Europa. A semelhança com o argumento de Marc Bloch é notável. Para ambos os autores a Europa é fruto da fusão das heranças romana e germânica, grupos que se viram obrigados a buscar a defesa comum perante a ameaça externa (“Formada alguns séculos antes, no escaldante cadinho das invasões germânicas, a nova civilização ocidental, por seu lado, aparecia como uma cidadela sitiada, ou melhor, mais do que semi-invadida”). 4:Ou seja: ao contar a história das invasões, Marc Bloch subitamente se transforma em um historiador muito próximo a seus tão criticados predecessores, com sua ênfase na história militar e sua visão estereotipada dos não-europeus. 5:Nota-se então que nas páginas percorridas Marc Bloch mostrou uma clara dívida para com a historiografia do século XIX, incluindo alguns elementos muito criticados pelo grupo de historiadores que reivindicou ardorosamente a herança do fundador dos Annales. Evolucionismo, visão da História como progresso, eurocentrismo, ênfase nas explicações a partir de fatores militares, idealismo, nacionalismo, exaltação de “grandes homens”: isso implica numa negação do caráter inovador de Bloch? Evidente que não. O estudo aqui realizado não pretende fazer justiça ao conjunto da obra de tal autor, e nem ao menos é significativo do que é de fato o livro A Sociedade Feudal, síntese de aspectos econômicos, sociais e mentais da Europa Ocidental na Idade Média. Este artigo tirou a grande maioria das referências dos primeiros três capítulos do livro, que possui um total de trinta e três, perfazendo tais capítulos, na edição consultada, 56 páginas, de um total de 467. No entanto, se tais passagens não se mostram representativas do todo da obra de Marc Bloch, servem como importante alerta. 1929 não marca o fim definitivo de toda a historiografia anterior, nem o nascimento de padrões inteiramente novos a partir do zero.