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Conteudista: Prof.ª M.ª Caroline Marcos Ramos Machado Revisão Textual: Prof. Me. Luciano Vieira Francisco Objetivo da Unidade: Compreender a Pedagogia ampliada pela Antroposofia. 📄 Material Teórico 📄 Material Complementar 📄 Referências A Educação Antroposófica Introdução Levando-se em conta que o naturólogo é um profissional de saúde com uma abordagem integrativa, e percebendo que a atuação do mesmo transcende o papel de terapêutica e de cuidar, o naturólogo também é um educador em saúde para os seus interagentes, e com um papel de educador-social, onde atualmente, por exemplo, contamos com naturólogos atuando como professores na formação de outros naturólogos como é o caso desta Unidade. Nesse cenário, cabe ao futuro naturólogo alcançar o conhecimento de compreender a Pedagogia ampliada pela Antroposofia, a fim de tecer as relações entre a educação e o processo de desenvolvimento humano propostos pela Pedagogia antroposófica. Ciente dos conceitos relacionados à compreensão do ser humano segundo a Antroposofia, nesta oportunidade aprenderemos sobre a educação na abordagem antroposófica, que é conceituada por Pedagogia Waldorf e podendo também ser entendida como educação antroposófica. Os conceitos da Pedagogia Waldorf se baseiam na visão ampliada do ser humano proposta pela Antroposofia, tendo a concepção do desenvolvimento do ser humano que leva em consideração o seu aspecto físico, anímico (psicoemocional) e espiritual, preconizados pela filosofia de Rudolf Steiner. A Antroposofia aborda o desenvolvimento da vida e do ser humano, em que o ciclo vida-morte passa pelo desenvolvimento da criança, sendo estimulado de acordo com as características de cada um e da sua faixa etária, buscando-se uma perfeita integração do corpo, da alma e do 1 / 3 📄 Material Teórico espírito, ou seja, entre o pensar, sentir e querer, percebidos através dos conceitos de trimembração e quadrimembração do ser humano. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE A Pedagogia Waldorf Há uma frase popularmente atribuída ao filósofo criador da Antroposofia, Rudolf Steiner, que diz: “Em realidade, na escola não devemos aprender para saber, mas devemos aprender para sempre podermos aprender com a vida”. A Escola Waldorf: Origem A origem da educação antroposófica se deu com um evento que aconteceu em 1919, em que o filósofo, cientista e artista Rudolf Steiner foi convidado para palestrar aos trabalhadores de uma fábrica de cigarros em Stuttgart, na Alemanha. Esses trabalhadores ficaram animados com as ideias apresentadas por Steiner, solicitando que ele fundasse e dirigisse uma escola para seus filhos, sendo essa proposta incentivada por Emil Site Federação das Escolas Waldorf do Brasil (FEWB) https://www.fewb.org.br/ Molt, que era o dono da fábrica de cigarros Waldorf, quem passou a financiar o projeto. Para se dedicar a esse projeto, Steiner estabeleceu quatro condições para que o projeto da escola fosse realizado: a primeira condição imposta por Steiner seria a de que a escola fosse aberta a qualquer criança, sem distinção; a segunda condição foi que a escola se propusesse coeducacional; ademais, deveria ter um currículo unificado de 12 anos e, por último, a instituição deveria ser mantida e administrada pelos seus professores. Foi em 7 de setembro de 1919 que Emil Molt concordou com a proposta e fundou-se a Die Freie Waldorfshule – Escola Waldorf Livre. A instituição da Escola Waldorf previa um modelo de ensino que tivesse o mínimo de interferência governamental e que não tivesse interesses lucrativos. Até atualmente o modelo de educação conhecido como Pedagogia Waldorf está inserido em escolas espalhadas por todo o mundo. A Pedagogia Waldorf se baseia em preceitos da Antroposofia, sendo um modelo de educação que concebe o desenvolvimento do ser humano em todos os seus aspectos, ou seja, físico, anímico (psicoemocional) e espiritual. O modelo de educação da Escola Waldorf previa o desenvolvimento da criança por meio de estímulos que respeitem as características individuais de cada educando e de sua faixa etária, estando essa proposta alinhada à visão do ser humano multidimensional proposta pela Antroposofia, dado que através da Educação busca-se a integração perfeita do corpo, da alma e do espírito, ou seja, entre o pensar, sentir e querer. O modelo pedagógico da Escola Waldorf abarca o ensino teórico alinhado sempre a atividades práticas, dando prioridade às atividades corpóreas (ação), artísticas e artesanais, que são estimuladas de acordo com as idades dos estudantes. O desenvolvimento cognitivo relacionado às atividades do pensar partem sempre da estimulação da imaginação, do lúdico e da aprendizagem acerca dos contos, das lendas e dos mitos, até atingir-se a aprendizagem do pensamento abstrato, de conceitos teóricos e rigorosamente formal – isso acontece mais ou menos na época de Ensino Médio. Um dos marcos diferenciais da Pedagogia Waldorf em relação aos outros modelos de ensino é a aprendizagem a partir do estímulo da criatividade, ao desenvolvimento do ser por meio dessa não exigência de atividades que necessitam de um pensar abstrato muito cedo. Vídeo Mitos e Verdades da escola Waldorf Mitos e Verdades da escola WALDORFMitos e Verdades da escola WALDORF https://www.youtube.com/watch?v=pgcGEbl98lU Como Funciona a Pedagogia Waldorf A Educação antroposófica, chamada também de Pedagogia Waldorf, é fundamentada pela visão de Steiner, sendo um sistema de ensino que percebe o ser humano trimembrado em corpo, alma e espírito; desta forma, possui três escalas do processo de aprendizagem, envolvendo os movimentos, sentimentos e pensamentos – nesta ordem (LANZ, 1997). O modelo de Educação antroposófica pressupõe que o desenvolvimento da vontade e o balanceamento das emoções devem surgir antes da atividade do pensar. A Educação antroposófica é um modelo de ensino para o desenvolvimento de habilidades sociais integradas com ciência e arte, filosofia e espiritualidade, atuando na formação integral de seres humanizados que vivam em harmonia e respeito consigo, com a sociedade e com o meio ambiente, em detrimento a um processo de ensino focado apenas no registro intelectual de conceitos e regras (LANZ, 1997). Existe uma frase que é atribuída a Rudolf Steiner (apud ABI-SÂMARA, 2016, p. 109): “A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas”. O estudo da Pedagogia Waldorf está intimamente relacionado à Antroposofia, esta que é percebida como um conjunto de afirmações teóricas e conceitos baseados no estudo das dimensões espirituais do ser humano. A Antroposofia procura entender a natureza do Universo e do homem através da visão científica e ampliada, levando em consideração a liberdade espiritual de cada um (LANZ, 1997). O modelo de Educação convencional pode ser compreendido como algo mecanicista, uma reprodução de conceitos e teorias, indo na contramão do que prevê a Pedagogia Waldorf. O modelo convencional abarca uma educação segmentada em áreas específicas do conhecimento, deixando de lado uma visão mais integrativa do ser (LANZ, 1997). Nos dias atuais, percebemos cada vez mais o modelo de ensino segmentado, em que o desenvolvimento está mais específico em determinadas áreas do conhecimento, não se percebendo um pensamento global e ampliado do ser. Assim, os indivíduos formados pelo ensino convencional tornam-se vulneráveis, seja em habilidade técnicas ou no desenvolvimento de atitudes e valores (LANZ, 1997). Em contrapartida, o modelo de Pedagogia Waldorf sugere uma educação focada no desenvolvimento do ser humano, levando em consideração as individualidades e qualidades na esfera do desenvolvimento tanto intelectual quanto moral e social, sendo esse modelo de ensino despontado como uma alternativa que prevê a formação integral do ser (LANZ, 1997). Partindo desses pontos, a Pedagogia Waldorftem como centro de sua proposta a relação aluno- professor, tratando-se de uma relação humana e inter-humana, respeitando cada pessoa envolvida e o contexto, bem como a natureza física e espiritual do processo pedagógico (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). A Pedagogia Waldorf é um modelo que acolhe e respeita todas as religiões. A construção da relação entre professor e aluno inicia-se no Jardim de Infância (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). De início, o modelo da Pedagogia Waldorf não contemplava o Jardim de Infância, porém, para atender às necessidades do mundo moderno foi desenvolvido e institucionalizado o Jardim de Infância no modelo antroposófico (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). As salas de aula em um jardim de infância Waldorf contemplam alunos de todas as idades no período que seria de 3 a 7 anos, de modo que as crianças maiores são responsáveis pelas menores, devendo haver a presença de dois profissionais trabalhando com diferentes crianças, o que implica um ambiente que reproduz o sistema familiar, priorizando-se o brincar em um espaço confortável e fraterno; assim, no Jardim de Infância são propostas atividades que estimulam a aprendizagem baseada na imitação (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Segundo Lanz (1997), esse modelo de Jardim de Infância é uma preparação para o desenvolvimento tão normal e sadio quanto possível das crianças no primeiro septênio – aquelas com menos de 7 anos de idade. O Jardim de Infância no modelo da Pedagogia Waldorf preza a educação social, desenvolvendo habilidades de convivência entre as crianças enquanto há aplicação de conteúdo específico de alfabetização (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). É no Jardim de Infância que as crianças são estimuladas a uma experiência harmoniosa do ambiente escolar. As atividades são conduzidas de forma rítmica e coletiva, promovendo a tomada de decisão da criança, sem ordens ou imposições, ou seja, ocorre em favorecimento de um trabalho pedagógico harmonioso (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). A Pedagogia Waldorf é contra um ensino rígido e “engessado”, porém, algumas práticas pedagógicas são comuns nesse modelo de escola (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Dessa forma, quando está no Jardim de Infância, a criança tem o modelo de ensino com atividades que contemplam o brincar de maneira livre e dirigida, além de pintura, colagem, modelagem, envolvimento em situações de interações humanas como, por exemplo, preparar o lanche, sendo este coletivo, e isso passa por uma cozinha em sala, de modo que as crianças arrumam a mesa, lavam, guardam as louças, cuidam da escola e regam as plantas. Tais práticas acontecem de maneira natural e sem constrangimento entre as crianças (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O professor Waldorf não abordava como ordens as atividades a serem desenvolvidas, mas sugeria como essas práticas seriam conduzidas, fazendo com que cada aluno manifestasse o seu desejo de executar alguma atividade. O espaço físico da escola Waldorf também era diferenciado, no nível do Jardim de Infância, em que cada sala deveria ter um pátio com alguns obstáculos, tais como pequenos morros, árvores, balanços, gangorras, entre outros (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O plano de aula do jardim Waldorf era organizado ritmicamente, sempre que possível contemplando períodos de atividades comuns, intercalados com jogos e ocupações em que a criança brinca por si (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). As atividades do brincar em grupos ou isoladas não eram formas de se ocupar a carga horária, mas sim propostas elaboradas a fim de estimular o desenvolvimento das crianças. Nesse nível eram importantes atividades materiais de natureza fluida e que se moldassem com facilidade, de modo que os materiais correspondessem às forças de fluidez etéricas na criança, a fim de que se sentissem atraídas por materiais que pudessem estar em constante movimento (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O estímulo à imaginação era despertado nesse nível com brinquedos simples, de matéria bruta, tais como tocos de madeira e bonecas de tecido ou sucata, sem rosto e confeccionadas pelos pais e pela comunidade (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). As crianças utilizavam tocos de madeira para construir os brinquedos que quisessem, por exemplo, carrinhos, cidades, fazendas, entre outros; e com as bonecas sem faces poderiam imprimir sentimentos e emoções como alegria, tristeza, raiva etc., conforme a imaginação que desejassem expressar (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Figura 1 – Boneca de pano Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: Foto enquadrada de uma boneca feita em tecido, sem rosto, tendo o fundo branco, com uma pequena coroa de flores coloridas envolvendo a sua cabeça. Fim da descrição. O Jardim de Infância Waldorf previa atividades como a hora do conto de fada. A introdução aos contos populares trazia um conteúdo sábio, através da imaginação, a fim de se experimentar verdades e realidades de natureza espiritual da humanidade e dos seres (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Os contos de fada de conhecimento comum, tais como A Branca de Neve e os sete anões, Chapeuzinho Vermelho, Os três porquinhos, Rapunzel, Cinderela, entre outros, eram, em sua maior parte, de autoria dos Irmãos Grimm, os quais escreveram histórias que retratam valores humanos e fraternos, e que por intermédio da constante repetição se tornaram as histórias que as crianças gostam e absorvem os conteúdos em suas almas (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Por meio da prática da contação de contos já é sentida a primeira forma de ensino da história no modelo Waldorf, ultrapassando a mera repetição das pesquisas arqueológicas (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O professor contador de história tem a tarefa de trazer a máxima perspectiva da realidade, impactando tanto nos aspectos positivos e de alegria, quanto de crueldade e infelicidade, para a construção dos valores e comportamentos no desenvolvimento e na aprendizagem de cada criança (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). A construção do Jardim de Infância Waldorf é uma solução para a atual necessidade de se atender às situações das famílias. O principal objetivo e foco de atenção da Pedagogia Waldorf é o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. É nesse período que os indivíduos formam as suas personalidades, de modo que a Pedagogia Waldorf contempla a formação cultural e cognitiva dos estudantes (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). No modelo da Pedagogia Waldorf, o Ensino Fundamental é composto de 8 anos e o Ensino Médio, de 4 anos (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). No ensino Waldorf, a meta da Educação não é as matérias, mas sim a classe, de modo que no período do Ensino Fundamental a turma teria apenas um professor, o qual a conduziria ao longo desses 8 anos, então chamado de professor de classe. Caberia a esse docente ser responsável pelas matérias tradicionais – Linguagem, Aritmética, Geografia, História, Física etc. – e com outras disciplinas que sentisse afinidade, enquanto todas as demais matérias seriam ministradas por diferentes professores; assim, o conjunto desses docentes formaria um grupo à parte, cujo trabalho deveria estar em sintonia (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Na escola Waldorf, todas as tomadas de decisão eram direcionadas para e em favor da turma, sempre discutidas entre a própria turma e o professor. Nessa interação, o professor de classe se tornava um integrante do grupo de alunos, incentivando o contato com os pais (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O mencionado contato era estabelecido com visitas e conversas com a família, possibilitando ao professor planejar o trabalho de acordo com as necessidades de cada aluno, gerando impactos positivos também para a família e vida em sociedade (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O professor estaria munido de informações que o ajudariam a desenvolver o trabalho pedagógico que atende aos anseios da família, ajudando-a corrigir, amenizar, reforçar, compensar e sublimar contextos do dia a dia sem grande envolvimento emocional (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Nessa posição, o professor seria tomado comoum modelo querido e estimado por seus alunos, os quais passariam a ter uma cosmovisão das disciplinas, com a marca pessoal do professor. Os 8 anos em que o professor acompanharia a turma do Ensino Fundamental seriam estimulados ao desenvolvimento interior, a partir do momento em que o seu o ensino caísse na rotina, de modo que a sua sala de aula perderia o sentido (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Durante o período do Ensino Médio a Pedagogia Waldorf sofreria algumas mudanças, principalmente quanto à divisão das áreas do conhecimento, afinidades ou pretensões profissionais dos alunos, mudanças essas que aconteceriam de acordo com as diversas legislações educacionais; porém, esse não era o intuito do modelo Waldorf de ensino (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O modelo de Educação Básica na Pedagogia Waldorf era de 12 anos, excetuando o nível do Jardim de Infância (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Essa Pedagogia previa a Educação plena do ser, integrando formação pessoal – e não profissional –, devendo ser ministrada até os 18 anos de idade, em detrimento de etnia, credo e condição social, desde que o indivíduo possua todas as aptidões mínimas necessárias para estar em uma escola. Na Pedagogia Waldorf, as crianças com necessidades especiais frequentariam um instituto próprio para as suas necessidades (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Os professores eram o “núcleo vivo” da Escola Waldorf, já que ficavam responsáveis por cada turma ao longo dos 8 anos de Ensino Fundamental; o professor de classe ministrava todas as disciplinas que tinha afinidade (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). A Escola Waldorf contemplava diferentes disciplinas, tais como conhecimento de Linguagem e Expressão, Língua Estrangeira, História, Geografia, Matemática e Geometria, ou seja, matérias científicas. O currículo também contemplava atividades como jardinagem, desenho de forma, religião, saídas de campo, eventos, entre outras ações. O professor construía conhecimento acerca do desenvolvimento do ser por meio das atividades do dia a dia na escola (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O professor Waldorf tinha o seu trabalho de forma autônoma, sendo escolhido por meio de sua personalidade, das habilidades pedagógicas, sem a necessidade de uma formação específica (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). A atuação do professor Waldorf deveria estar alinhada aos fundamentos da escola, sem destoar das bases Waldorf e da Antroposofia. Quando o profissional não estivesse alinhado à filosofia antroposófica, deveria, pelo menos, aceitá-la e agir de forma clara e concisa com os princípios da Pedagogia Waldorf (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Na Pedagogia Waldorf, o professor deveria estar carregado de um profundo conhecimento do ser humano, sem discriminação dos alunos (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). A prática pedagógica e as interações humanas deveriam ter como base o amor, integrar a perspectiva espiritual da Antroposofia e estimular as habilidades artísticas, não com foco na estética, mas como impulso criativo, favorecendo a imaginação, fantasia e verdadeira obra de arte da essência de cada aluno (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O modelo de ensino Waldorf prevê a educação humana não focada na transmissão de conteúdos teóricos, mas sim em uma proposta de se ensinar a aprender. Tomemos como exemplo a aprendizagem da Geografia pela ótica de Waldorf, de modo que esse conhecimento seria desenvolvido a partir do estudo de fotos e imagens de uma determinada região e época para que os alunos pudessem refletir e questionar, propondo-se uma aprendizagem em um contexto cultural – e não informacional (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). A proposta de ensino Waldorf por meio da figura do professor de classe, aquele que acompanha a turma na jornada ao longo dos 8 anos do Ensino Fundamental e é responsável pelas disciplinas da época e as que ele tem afinidade, acaba por construir um forte vínculo e tende a conhecer profundamente as habilidades de cada aluno, sendo capaz de avaliar a aprendizagem sem o uso de instrumentos tradicionais para avaliação – como as provas, por exemplo (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O modelo de avaliação Waldorf é diferenciado, não havendo um padrão de avaliação, ou um sistema de provas em um calendário periódico com perspectiva quantitativa (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O mais comum na experiência Waldorf era a construção de um relatório anual que demonstrasse o desenvolvimento cognitivo, social e moral de cada aluno, ao final de cada período letivo – evidenciando-se a evolução de cada aluno em relação a si e as suas capacidades em detrimento da comparação à turma ou a critérios e padrões externos (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O aluno Waldorf só teria acesso às suas “notas” quando saísse do ensino Waldorf e ingressasse em uma escola que exigisse esses conceitos. Na Pedagogia Waldorf, o aluno só repetiria de ano com o alinhamento entre a família, os professores que conduzissem esse aluno e o médico escolar, este que era uma figura presente e essencial nesse modelo pedagógico – isto é, se constatado o retardo da aprendizagem (intelectual, psíquico e/ou físico), mas sem constituir caso patológico grave (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Nesse cenário, o propósito da repetição era que o aluno alcançasse os conhecimentos de forma harmônica – e não mecanizada – das matérias que não tivessem sido aprendidas, incrementando-se o seu desenvolvimento social e humano junto aos demais colegas (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Assim, as notas só seriam necessárias quando houvesse a transição do ensino Waldorf para o sistema tradicional de ensino; antes disso, o aluno Waldorf não possuiria contato com avaliações quantitativas da sua aprendizagem (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O currículo da Pedagogia Waldorf poderia variar em cada lugar em que essa educação fosse aplicada, estando sempre adaptado às legislações vigentes. Dessa forma, seria oferecido o conteúdo mínimo exigido por lei, sendo acrescido de conteúdo complementar que favorecesse o desenvolvimento integral de cada aluno (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Na Pedagogia Waldorf, as disciplinas de linguagem contemplam a fala, leitura e escrita, as quais são aprendidas nos 2 primeiros anos do Ensino Fundamental, enquanto o estudo da Gramática acontece nos anos seguintes, dado que essa aprendizagem se dá de forma diferenciada, com contação de histórias, contos e outros meios (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Os conhecimentos de História e Geografia são inseridos a partir do quinto ano, com a apresentação de imagens, associação a lendas e mitos, e posteriormente atendimento ao conhecimento científico ao nível do Ensino Médio (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O ensino da Língua Estrangeira acontece no final do primeiro septênio, ao que seria o terceiro ano do Ensino Fundamental, dado que essa aprendizagem acontece através da imitação, afinal, uma prática Waldorf é o professor conduzir, no dia a dia da sala de aula, as conversas no idioma ensinado, sem que ocorra tradução, a fim de que através da repetição os alunos alcancem a aprendizagem (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Ao longo dos demais anos de ensino, a aprendizagem da Língua Estrangeira se dá sempre introduzindo aspectos do dia e da cultura, juntamente com um aprofundamento da teoria e Gramática (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). A aprendizagem da Matemática e Geometria, no modelo Waldorf, acontece de maneira dinâmica e vivencial desde os primeiros níveis do Ensino Fundamental, de forma a experimentar os resultados na prática e a partir desse ponto, seguir para o entendimento mais abstrato das Ciências Exatas, sempre alinhado à vivência de cada aluno (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Na proposta da Pedagogia Waldorf, o ensino das disciplinas científicas acontece partindo-se do contexto real para os conhecimentos abstratos. Assim, o conhecimento das Ciências Naturais, tais como Zoologia, Botânica, Mineralogia, Química e Física, ultrapassa o conhecimento científico e cultural, sendo ampliado à cosmovisão dos reinos da naturezae de acordo com a Antroposofia (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Na Pedagogia Waldorf, o ensino das Artes remete ao campo do sentimento e da ação do aluno (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Nessa disciplina o aluno é incentivado a criar, com as próprias mãos e outras partes do corpo, resultando em uma obra a partir da sua fantasia, usando, à vontade, a dedicação, coordenação psicomotora e o senso do belo. Essas matérias possuem alto valor pedagógico e terapêutico quando aplicadas com regularidade (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Na Pedagogia Waldorf, o valor das Artes acontece a partir da profunda experiência com o abstrato e impulso à criatividade dos alunos, trazendo para a realidade o conhecimento abstrato através de seu sentir e querer (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Outra disciplina importante no currículo Waldorf é um conhecimento que estimula o desenvolvimento integral de cada aluno, despertando-o ao cuidado com a natureza, por meio do cultivo de plantas, criando consciência da origem dos alimentos que lhe são servidos a cada refeição (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Os trabalhos com os desenhos de formas atuam sobre o corpo etérico, medindo as formas redondas e angulares, podendo-se atender ao ensino, inclusive, com ação terapêutica, ativando as funções favoráveis à vida despertada pelo corpo etérico, equilibrando a personalidade de cada aluno, conduzindo-o a uma vida harmoniosa (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). No currículo Waldorf existe o ensino religioso, o qual é ministrado sem nenhuma sequência dogmática. Nessa disciplina são discutidos, de início, os textos do Novo Testamento e posteriormente do Velho Testamento que aparecerem na Bíblia. Além disso, ocorrem palestras com representantes de diferentes religiões, sem que exista um estudo sistemático de alguma, nem do estudo da Antroposofia (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). No modelo Waldorf, a religião dogmática deve acontecer em casa, no núcleo familiar, de modo que sempre respeitando-se as diversas crenças na Escola Waldorf aprende-se os princípios cristãos que compõem as interações humanas (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). O currículo Waldorf contempla atividades de integração, tais como festas, apresentações e saídas de campo, sendo situações de aprendizagem em que os alunos apresentam os seus conhecimentos por meio de peças e simulações, promovendo-se real contato com os conteúdos aprendidos em sala, ou inserção para novos conteúdos de aprendizagem (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Na Pedagogia Waldorf é importante a apresentação de versos, cantos e poesia no calendário de festas, sendo esses os trabalhos que contemplam os conteúdos aprendidos; dessa forma, impulsionam a socialização do aluno, tornando-o ativo no dia a dia da escola, enquanto para o professor torna-se uma oportunidade de avaliar o rendimento desse aluno (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Podemos perceber que no modelo da Pedagogia Waldorf preconiza-se a formação do aluno, enquanto a Educação convencional prevê a informação do estudante, sendo um trabalho diferenciado que estimula a formação humana integral do educando. Quando conclui o Ensino Médio, o aluno Waldorf é inserido na Educação convencional de Nível Superior. Diante disso, no Ensino Médio a Pedagogia Waldorf já possui modificações estruturais para que os alunos não estejam despreparados para a faculdade e o mercado de trabalho – mas esse não é o objetivo principal. O foco da Pedagogia Waldorf, fundamentada pela Antroposofia, é a formação do ser trimembrado e capaz de sempre evoluir (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Vídeo Como foi Estudar Numa Escola Waldorf? A comunidade escolar é fundamental no modelo de Educação Waldorf, sendo formada pelos pais, professores e demais profissionais que fazem parte do ambiente escolar, afinal, aqueles que dirigem a escola, assim como a família são fundamentais na Educação dos educandos (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Assim, na Pedagogia Waldorf a família deve se conscientizar que é parceira da escola, esta que não pode dar conta, sozinha, da Educação que a criança precisa. O aluno Waldorf é percebido como um ser em evolução, sendo a aprendizagem avaliada a partir das melhorias em relação à sua própria aprendizagem, sem concorrência aos demais colegas e sem obedecer a um sistema pré-estabelecido de atividades e notas quantitativas (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Na Escola Waldorf, o professor pode ser percebido como a “alma” dessa escola, com a responsabilidade de conduzir os educandos para a evolução como seres humanos, com os seus valores morais e culturais, atendendo aos conhecimentos científicos que os alunos precisam (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). COMO FOI ESTUDAR NUMA ESCOLA WALDORF? | Cortes do PlugCOMO FOI ESTUDAR NUMA ESCOLA WALDORF? | Cortes do Plug…… https://www.youtube.com/watch?v=bSpCISTrMhY A partir desse entendimento, o que se espera da Pedagogia Waldorf é a formação integral de cada criança, enquanto ser humano e espiritual – e não somente atender à aprendizagem de conteúdos teóricos que comumente estão dissociados do dia a dia (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Não é porque esses alunos não estão inseridos em uma dinâmica rigorosa de conteúdos que serão menos capazes que os estudantes do ensino regular, pois o foco da Educação antroposófica é o ensinar a aprender e o aprender a aprender. Isso é o conceito principal da Pedagogia Waldorf, de modo que a aprendizagem dos conteúdos passa a ser uma consequência da construção de um ser humano em evolução com equilíbrio (BACHEGA, 2010; LANZ, 1997). Figura 2 – Pedagogia Waldorf e os seus conceitos principais Fonte: Adaptada de Freepik #ParaTodosVerem: ilustração colorida vista de cima, composta por 8 pessoas de gêneros, perfis e aparência variadas, de mãos dadas formando um círculo viradas com o rosto para o centro. No centro está escrito Pedagogia Waldorf em cinza. Pelo lado de fora do circulo estão rodeando próximo a cada elemento do circulo os conceitos principais da Pedagogia Waldorf, em preto: Criada em 1919 pelo filósofo Rudolf Steiner. Desenvolvimento físico, intelectual, espiritual e artistíco dos alunos. Tem como base a ciência espiritual Antroposofia. Objetivo é desenvolver indivíduos livres e integrados, com responsabilidade moral e social. Cada ser humano tem características próprias e individuais. Respeita a capacidade de compreensão de cada aluno. Existem mais de 1800 jardins de infância Waldorf no Mundo. Pedagogia Waldorf e Salutogênese A relação entre a Pedagogia Waldorf e a salutogênese se dá a partir da associação entre o conceito de senso de coerência – Sense Of Coherence (SOC) –, o qual possui três características: inteligibilidade, manuseabilidade e significância, que aparecem em conformidade com as três atividades principais do método pedagógico Waldorf, pensar, querer e sentir. Em Síntese A Pedagogia Waldorf é um modelo de educação criado por Rudolf Steiner em 1919, baseado na Antroposofia e que prioriza o desenvolvimento físico, intelectual, espiritual e artístico dos alunos. O objetivo é formar pessoas livres e integradas, com responsabilidade moral e social, respeitando-se as características individuais e o potencial de entendimento de cada aluno. Atualmente existem mais de 1.800 jardins de infância Waldorf espalhados pelo mundo. Inteligibilidade – compreensibilidade –, pensar; Manuseabilidade – fazer, habilidade –, querer; Ambos são conceitos com propostas que visam impulsionar o desenvolvimento integral, ajudar o indivíduo a formar uma visão de mundo, com entendimento e reconhecimento de suas habilidades, mantendo e promovendo a saúde. O professor Waldorf propôs atividades em sala de aula de acordo com o método e evitando estímulos estressores e “gatilhos” de doenças, criando um espaço saudável e que promove a saúde dos alunos. A Pedagogia Waldorf prevê que tudo aquilo que vivemos na infância não fazemos apenas para o momento, mas reflete em toda a vida. Em um mundo moderno, com o ser humano altamente estressado e exposto a diferentes“gatilhos” estressores, tóxicos e emocionais, a salutogênese aparece como um caminho necessário e adequado, um modelo de saúde que vê o potencial de resiliência do ser humano que, quando aplicado em áreas como a Educação, propõe a aprendizagem de condutas adequadas à promoção da saúde. A Pedagogia Waldorf aparece como um método que prepara os professores para além do conteúdo, voltando-se ao desenvolvimento humano, à aprendizagem alinhada à criatividade, experiência de atividades do dia a dia, com proximidade do contexto de vida, respeitando as idades e o ritmo de cada criança, sem distinções, com exercícios do pensar, sentir e querer, desenvolvendo o senso de coerência dos alunos para que estejam preparados diante de situações estressoras. Assim, a proposta pedagógica Waldorf, que conduz atividades docentes com ações integrativas, parece alinhada ao conceito de salutogênese abordado pela Antroposofia. Significância – faz sentido, significado –, sentir. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Pedagogia Waldorf Canal Saps – Secretaria de Atenção Primária à Saúde. 2 / 3 📄 Material Complementar Pedagogia WaldorfPedagogia Waldorf https://www.youtube.com/watch?v=KL5hajLTqbI Waldorf: Ensino e Aprendizagem Para Além dos Muros da Escola O Ensino Médio Waldorf Waldorf: ensino e aprendizagem para além dos muros da escolaWaldorf: ensino e aprendizagem para além dos muros da escola https://www.youtube.com/watch?v=shIelJdBSKQ Leitura Pedagogia Waldorf Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE O Ensino Médio WaldorfO Ensino Médio Waldorf https://antigo.sab.org.br/pedag-wal/pedag.htm https://www.youtube.com/watch?v=IP9Ivd9oTUQ ABI-SÂMARA, J. A ABORDAGEM HUMANISTA NA PEDAGOGIA. Revista Resgates, p. 107, 2016. BACHEGA, C. A. Pedagogia Waldorf, um olhar diferente à Educação. Anais do Sciencult, v. 1, n. 1, 2010. GARCIA, E. Pedagogia Waldorf e salutogênese: o ensino como fonte de saúde. Utopía y Praxis Latinoamericana: Revista Internacional de Filosofía Iberoamericana y Teoría Social, n. 79, p. 97- 110, 2017. LANZ, R. Noções básicas de Antroposofia. 4. ed. São Paulo: Antroposófica, 1997. LANZ, R. A Pedagogia Waldorf: caminho para um ensino mais humano. 6. ed. São Paulo: Antroposófica, 1998. 3 / 3 📄 Referências