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Livro
 didático
digital
Unidade 04
Mariana Martins Garcia
Saúde Mental 
e Assistência 
Farmacêutica
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial 
ANDRÉA CÉSAR PEDROSA
Projeto Gráfico 
MANUELA CÉSAR ARRUDA
Autora 
MARIANA MARTINS GARCIA
Desenvolvedor 
CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS
MARIANA MARTINS GARCIA
Olá. Meu nome é Mariana Martins Garcia. Sou formada em 
Farmácia pela Universidade Federal do Paraná, mestre em Ciências 
Farmacêuticas pela mesma instituição. Já atuei em farmácia de 
dispensação, farmácia hospitalar, prática clínica e manipulação de 
nutrição parenteral e quimioterapia, além de ser palestrante e professora. 
Passei por empresas com a Droga Raia, Hospital da Policia Militar, 
Stiefel, CEQNEP, Equilibra. Atualmente sou professora conteudista para 
instituições como a São Braz e a própria Telesapiens. Sou apaixonada 
pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que 
estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora 
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou 
muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. 
Conte comigo!
A AUTORA
Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo 
projeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha 
de aprendizagem toda vez que:
ICONOGRAFIA
INTRODUÇÃO: 
para o início do desen-
volvimento de uma 
nova competência;
DEFINIÇÃO: 
houver necessidade 
de se apresentar 
um novo conceito;
NOTA: 
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE: 
as observações es-
critas tiveram que ser 
priorizadas para você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado 
ou detalhado;
VOCÊ SABIA? 
curiosidades e inda-
gações lúdicas sobre 
o tema em estudo, se 
forem necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamento 
do seu conhecimento;
REFLITA: 
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou 
discutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO: 
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma ativi-
dade de autoaprendi-
zagem for aplicada;
TESTANDO: 
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
CAPS - Centro de Atenção Psicossocial: Diretrizes e 
classificações....................................................................11
História do Centro de Atenção Psicossocial ......................11
O que é e como funciona o CAPS ....................................12
Entrada e permanência do paciente no CAPS ...................15
Diretrizes Centro de Atenção Psicossocial........................15
Classificações Centro de Atenção Psicossocial ...................16
 Características dos CAPS de modo geral...............16
 CAPS I....................................................................17
 CAPS II...................................................................18
 CAPS III.................................................................18
 CAPSi...................................................................19
 CAPSad.................................................................20
 Resumo das diferenças entre os CAPS.................21
O gerenciamento da CAPS.......................................23
Gestão da saúde.................................................................23
Situação de saúde para gestão............................................24
Planejamento na gestão do SUS.......................................25
 Plano de Saúde ou Plano de Trabalho....................26
Gestão em saúde mental..................................................27
Financiamento do SUS e repasse para o CAPS...........28
RAPS - Rede de Atenção Psicossocial.....................31
Redes de Atenção à Saúde (RAS) ..........................................31
Instituição da Rede de Atenção Psicossocial .........................33
Componentes da Rede de Atenção Psicossocial - RAPS...........33
 Atenção básica em saúde......................................33
 Atenção psicossocial especializada..........................34
 Atenção de urgência e emergência......................34
 Atenção residencial de caráter transitório...............35
 Atenção hospitalar...................................................35
 Estratégias de desinstitucionalização......................36
 Reabilitação psicossocial.......................................36
Ética e bioética na atenção psicossocial........................37
Conceitos: ética e bioética .............................................37
Princípio da não-maleficência...........................................39
Princípio da justiça ou equidade.....................................39
Princípio da autonomia ....................................................39
 Autonomia na saúde mental....................................39
 Autonomia e o Projeto Terapêutico Singular...........40
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica8
UNIDADE
04
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 9
Estamos na última unidade de estudos da disciplina de saúde 
mental e assistência farmacêutica. O que essa disciplina te acrescentou 
até aqui? Conseguiu aprofundar seus conhecimentos em saúde mental? 
Nessa unidade vamos começar aprofundando o conhecimento 
sobre os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ligando os conhecimentos 
que tivemos nas aulas anteriores com novos conteúdos, entendendo 
como a luta antimanicomial auxiliou na estruturação do CAPS para atuar 
com os serviços substitutivos e conhecendo cada modalidade de CAPS E 
sua estrutura física e equipe de profissionais 
Após entender mais sobre o CAPS, vamos conhecer sobre o seu 
gerenciamento, mas para isso, você vai conhecer como funciona a gestão 
de saúde e seu desenvolvimento pois a gestão do CAPS é baseada na 
forma de gestão estratégica do SUS, e complementar o conhecimento 
de gestão vamos entender como funciona o repasse financeiro no SUS 
e no CAPS.
Sabemos que o CAPS faz parte da Rede de Atenção Psicossocial, 
mas como funciona essa rede? Isso é o que vai descobrir nessa aula, 
entender que essa rede faz parte de uma rede maior chamada de Rede 
de Atenção à Saúde e vai conhecer os principais componentes do RAPS 
e de que forma são utilizados.
E, por fim, vamos mergulhar num assunto importante em todos os 
aspectos da saúde, mas principalmente no tratamento de transtorno metal: 
Ética e Bioética. Você já ouviu falar de ética e bioética? Provavelmente sim, 
mas você vai entender porque ela é importante na atenção psicossocial 
principalmente quando você conhecer os quatro princípios da bioética 
que são beneficência, não-maleficência, justiça e equidade e autonomia 
e entender que eles estão relacionados aos direitos humanos. Entendeu? 
Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo!
INTRODUÇÃO
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica10
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso propósito é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
1. Conhecer sobre o Centro de Atenção Psicossocial, suas diretrizes 
e classificações
2. Compreender como funciona o gerenciamento do Centro de 
Atenção Psicossocial
3. Conhecer sobre a Rede de Atenção Psicossocial
4. Compreender os conceitos de ética e bioética na atenção 
psicossocial.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho! 
OBJETIVOS
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 11
CAPS - Centro de Atenção Psicossocial: 
Diretrizes e classificações
INTRODUÇÃO
Nas aulas anteriores falamos em vários momentos sobre 
os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Nessa aula 
vamos entender o que é, quais as classificações existentes 
e assuas diretrizes. E então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então vamos lá. Avante!
História do Centro de Atenção Psicossocial 
Como já vimos em aulas passadas, a Reforma Psiquiátrica 
tem uma história singular. Com a luta pela desinstitucionalização do 
tratamento de transtornos mentais fez com que profissionais da saúde 
buscassem novas formas de atuar na saúde mental. A partir disso, surgiu 
o Projeto de Lei nº 3.657/89, que dispunha sobre a progressiva extinção 
das instituições manicomiais e sua substituição por outros dispositivos 
assistenciais, bem como sobre a regulamentação da internação 
psiquiátrica compulsória.
Durante a tramitação desse projeto de lei, alguns estados 
instituíram leis estaduais, baseadas nos princípios da luta antimanicomial 
e iniciaram o processo de substituição progressiva da assistência no 
hospital psiquiátrico por outros dispositivos ou serviços. Nesse período 
já surgem alguns CAPS, sendo o primeiro na cidade de São Paulo.
SAIBA MAIS
O primeiro CAPS instituído no Brasil, em 12 de março de 
1987, foi o Centro de Atenção Psicossocial Professor Luiz da 
Rocha Cerqueira, conhecido como CAPS Itapeva, em São 
Paulo. Já atendeu mais de 15 mil pacientes e é considerado 
até hoje como referência em saúde mental. Em 2017 
completou 30 anos e fez uma semana de atividades em 
comemoração. 
Para conhecer mais sobre esse CAPS acesse o link para 
leitura da reportagem na integra: http://bit.ly/2wgei9E
http://bit.ly/2wgei9E
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica12
DEFINIÇÃO
são pontos de atenção estratégicos da Rede de Atenção 
Psicossocial (RAPS): serviços de saúde de caráter aberto e 
comunitário constituído por equipe multiprofissional e que 
atua sobre a ótica interdisciplinar e realiza prioritariamente 
atendimento às pessoas com sofrimento ou transtorno 
mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes 
do uso de álcool e outras drogas, em sua área territorial, 
seja em situações de crise ou nos processos de reabilitação 
psicossocial e são substitutivos ao modelo asilar.
Após 12 anos, e algumas modificações, o projeto foi aprovado 
como Lei n 10.216, de 6 de abril de 2001 que dispõe sobre a proteção e 
os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona 
o modelo assistencial em saúde mental.
Um ano depois, a Portaria nº 336, de 19 de fevereiro de 2002 a qual 
estabelece os Centros de Atenção Psicossocial e descreve que poderão 
constituir-se nas modalidades de serviços: CAPS I, CAPS II e CAPS III, definidos 
por ordem crescente de porte/complexidade e abrangência populacional. 
Nesse momento, os CAPS começam a se estruturar e atuar na 
saúde mental com serviços substitutivos para o cuidado dos pacientes 
com transtornos mentais e, principalmente, atuando nos pacientes que 
passaram anos nas instituições e precisam de apoio para voltar a conviver 
na sociedade, ainda preconceituosa. (MS M. d., 2004; MS, 2015; BRASIL, 
Portaria n 336, de 19 de fevereiro de 2002, 2002; LEAL & ANTONI, 2013)
 
O que é e como funciona o CAPS 
O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é um serviço de saúde 
aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde (SUS). É um lugar de 
tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, 
neuroses graves e demais quadros. A permanência e a modalidade do 
serviço em que esse paciente vai ser atendido depende da severidade 
dos sintomas. Já vimos em outra aula, mas vale reforçar a definição 
sobre os CAPS:
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 13
O objetivo dos CAPS é oferecer atendimento à população, 
realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social dos 
pacientes a partir do exercício dos direitos civis e fortalecimento dos 
laços familiares e comunitários.
É um serviço de atendimento diário, no qual se gerencia os projetos 
terapêuticos singulares para promover melhora clínica e inserção social 
dos pacientes com ações intersetoriais que envolvem as várias áreas da 
vida do paciente como educação, trabalho, cultura e lazer.
Além disso, os CAPS são responsáveis pela organização da rede 
de serviços de saúde mental de seu território dando suporte à atenção 
básica sendo, na maioria das vezes, a porta de entrada da rede de 
assistência em saúde mental, bem como coordenando as atividades de 
supervisão de unidades hospitalares psiquiátricas.
Na estrutura de redes de atenção à saúde mental, que veremos 
mais adiante, o CAPS é considerado o centro de acesso, responsável 
pelo fluxo e contrafluxo do paciente. Com esse modelo, o paciente não 
sai do sistema de saúde e volta nos momentos de crise, na verdade ele 
permanece sendo acompanhado, direta ou indiretamente. Pois o ponto 
principal desse modelo é o acompanhamento do paciente, seja nos 
momentos de crise, seja nas suas atividades cotidianas. 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica14
Figura 1:CAPS como centro da Rede de Atenção Psicossocial
Fonte: Pedro Henrique Antunes da CostaTelmo Mota RonzaniFernando Antonio Basile 
Colugnati
Os CAPS devem ter um espaço próprio e preparado para atender 
à sua demanda fornecendo consultórios para as atividades individuais, 
salas para atividades em grupo, oficinas e espaço de convivência e 
ambiente externo para as mesmas atividades. Além disso, devem ter 
sanitários e refeitórios de acordo com o tempo de permanência dos 
pacientes previamente estabelecida no seu projeto terapêutico. (MS M. 
d., 2004; MS, 2015; BRASIL, Portaria n 336, de 19 de fevereiro de 2002, 
2002; LEAL & ANTONI, 2013)
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 15
Entrada e permanência do paciente no 
CAPS 
Os pacientes atendidos no CAPS são aqueles que apresentam 
transtornos mentais severos e/ou persistentes relacionados a alterações 
biológicas ou por substâncias psicoativas independente a faixa etária. 
Cada paciente sendo atendido no CAPS cuja modalidade se enquadre 
no perfil de seu transtorno.
Esse paciente pode procurar diretamente os serviços do CAPS ou 
ser encaminhado pelo Programa de Saúde da Família ou por qualquer 
outro serviço de saúde. A partir da sua entrada é elaborado o Plano 
Terapêutico Singular que é individual e de acordo com a necessidade 
do paciente articulando cuidado clínico e programas de reabilitação 
psicossocial. (MS M. d., 2004; MS, 2015; BRASIL, Portaria n 336, de 19 de 
fevereiro de 2002, 2002; LEAL & ANTONI, 2013)
Diretrizes Centro de Atenção Psicossocial 
Todas as atividades e serviços da saúde devem estar em 
consonância com as diretrizes e os princípios do SUS e na saúde mental 
não é diferente. Dessa forma, a organização de serviços é baseada nos 
princípios de universalidade, equidade e integralidade e as diretrizes 
de regionalização e hierarquização, regionalização e integralidade das 
ações, descentralização com garantia da continuidade da atenção nos 
vários níveis com equipes multiprofissionais para a prestação de serviços 
reforçando a participação social desde a formulação das políticas de 
saúde mental até o controle de sua execução. (MS M. d., 2004; MS, 
2015; BRASIL, Portaria n 336, de 19 de fevereiro de 2002, 2002; LEAL & 
ANTONI, 2013)
A Portaria/GM nº 336 - De 19 de fevereiro de 2002 define e 
estabelece diretrizes para o funcionamento dos Centros de Atenção 
Psicossocial estabelecendo que os Centros de Atenção Psicossocial 
poderão constituírem modalidades de acordo com porte, complexidade 
e abrangência populacional, como veremos a seguir.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica16
Classificações Centro de Atenção 
Psicossocial 
Considerando a complexidade da estrutura necessária conforme 
as atividades, os CAPS são classificados em CAPS I, CAPS II e CAPS 
III, de acordo com o porte, complexidade e abrangência populacional, 
mas com as mesmas funções de a atendimento à população. Existem 
mais duas modalidades, CAPSi e CAPSad, sendo o primeiro voltado para 
crianças e adolescentes e o segundo atua com pacientes com transtornos 
decorrentes do uso e dependênciade substâncias psicoativas, nesse 
caso independente da faixa etária. (RIBEIRO, 2018; BRASIL, Portaria n 
336, de 19 de fevereiro de 2002, 2002; MS M. d., 2004)
As características de cada modalidade estão descritas na Portaria/
GM nº 336, de 19 de fevereiro de 2002. Utilizando essa legislação como 
base, vamos entender as semelhanças e diferenças de cada um deles:
Características dos CAPS de modo geral
É um serviço de atenção psicossocial com capacidade de 
atendimento depende de sua estrutura do município como o número 
de habitantes, os quais devem se responsabilizar pela organização 
da rede de atenção em saúde mental no seu território em acordo da 
coordenação do gestor local.
Deve possuir profissionais capacitados para atuar como porta 
de entrada do paciente na rede assistencial do seu território e/ou do 
módulo assistencial, definido na Norma Operacional de Assistência à 
Saúde (NOAS), por determinação do gestor local.
Além disso deve coordenar as atividades de supervisão das 
unidades hospitalares psiquiátricas, além de supervisionar e capacitar 
as equipes da atenção básica, dos serviços e programas de saúde 
mental, bem como fazer e manter atualizado o cadastro dos pacientes 
que utilizam medicamentos essenciais para a área de saúde mental é 
responsabilidade do CAPS. 
As atividades prestadas ao paciente podem ser:
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 17
• Atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico, de 
orientação, entre outros);
• Atendimento em grupos (psicoterapia, grupo operativo, 
atividades de suporte social, entre outras);
• Atendimento em oficinas terapêuticas executadas por 
profissional de nível superior ou nível médio;
• Visitas domiciliares;
• Atendimento à família;
• Atividades comunitárias enfocando a integração do paciente na 
comunidade e sua inserção familiar e social;
• Disponibilizar refeições de acordo com o horário que o paciente 
é assistido, sendo uma para pacientes que participam por 4 horas e duas 
para os que ficam 8 horas.
CAPS I
Esse CAPS é instituído em municípios com população entre 
20.000 e 70.000 habitantes e o horário de funcionamento no período de 
08 às 18 horas, em 02 dois turnos, durante os cinco dias úteis da semana.
A equipe técnica para o atendimento de 20 pacientes por turno, 
com limite máximo 30 pacientes/dia deve ser composta por:
• 01 (um) médico com formação em saúde mental;
• 01 (um) enfermeiro;
• 03 (três) profissionais de nível superior entre as seguintes 
categorias profissionais: psicólogo, assistente social, terapeuta 
ocupacional, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto 
terapêutico;
• 04 (quatro) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de 
enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica18
CAPS II
Esse CAPS é instituído em municípios com população entre 
70.000 e 200.000 habitantes e o horário de funcionamento no período 
de 08 às 18 horas, em 02 dois turnos, durante os cinco dias úteis da 
semana podendo ter um terceiro turno funcionando até às 21:00 horas. 
A equipe técnica para o atendimento de 30 pacientes por turno, 
com limite máximo 45 pacientes/dia deve ser composta por:
• 01 (um) médico psiquiatra;
• 01 (um) enfermeiro com formação em saúde mental; 
• 04 (quatro) profissionais de nível superior entre as seguintes 
categorias profissionais: psicólogo, assistente social, enfermeiro, 
terapeuta ocupacional, pedagogo ou outro profissional necessário ao 
projeto terapêutico.
• 06 (seis) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de 
enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão.
CAPS III
Municípios com população acima de 200.000 deve ter essa 
modalidade de CAPS tendo um serviço ambulatorial de atenção contínua, 
durante 24 horas diariamente, incluindo feriados e finais de semana 
além de estar referenciado a um serviço de atendimento de urgência/
emergência geral de sua região, que fará o suporte de atenção médica.
 Devido a existência do terceiro turno, os pacientes que 
permanecerem no serviço durante 24 horas contínuas receberão 
quatro refeições diárias. Reforçando o modelo antimanicomial, a própria 
legislação descreve que a permanência de um mesmo paciente no 
acolhimento noturno fica limitada a sete dias corridos ou 10 dez dias 
intercalados em um período de 30 trinta dias.
A equipe técnica para o atendimento de 40 pacientes por turno, 
com limite máximo 60 pacientes/dia, em regime intensivo, deve ser 
composta por:
• 02 (dois) médicos psiquiatras;
• 01 (um) enfermeiro com formação em saúde mental.
• 05 (cinco) profissionais de nível superior entre as seguintes 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 19
categorias: psicólogo, assistente social, enfermeiro, terapeuta 
ocupacional, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto 
terapêutico;
• 08 (oito) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de 
enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão.
A equipe de acolhimento noturno, em plantões corridos de 12 
horas, deve ser composta por:
• 03 (três) técnicos/auxiliares de enfermagem, sob supervisão do 
enfermeiro do serviço;
• 01 (um) profissional de nível médio da área de apoio; 
Já para as 12 horas diurnas, nos sábados, domingos e feriados, a 
equipe deve ser composta por:
• 01 (um) profissional de nível superior dentre as seguintes 
categorias: médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social, terapeuta 
ocupacional, ou outro profissional de nível superior justificado pelo 
projeto terapêutico;
• 03 (três) técnicos/auxiliares técnicos de enfermagem, sob 
supervisão do enfermeiro do serviço
• 01 (um) profissional de nível médio da área de apoio.
CAPSi
O serviço de atenção psicossocial para atendimentos a crianças e 
adolescentes pode ser instituído em municípios com população de cerca 
de 200.000 habitantes, ou outros parâmetros populacionais e de acordo 
com critérios epidemiológicos, definido pelo gestor local. Devendo ter 
ambulatório de atenção diária destinado a crianças e adolescentes com 
transtornos mentais. O horário de funcionamento deve ser de 8:00 às 
18:00 horas, em dois turnos, durante os cinco dias úteis da semana, 
podendo comportar um terceiro turno que funcione até às 21:00 horas. 
Vale ressaltar que por se tratar de pacientes menores de idade 
deve existir ações inter-setoriais, principalmente com as áreas de 
assistência social, educação e justiça.
A equipe técnica para o atendimento de 15 crianças e/ou 
adolescentes por turno, com limite máximo 25 pacientes/dia, em regime 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica20
intensivo, deve ser composta por:
• 01 (um) médico psiquiatra, ou neurologista ou pediatra com 
formação em saúde mental;
• 01 (um) enfermeiro;
• 04 (quatro) profissionais de nível superior entre as seguintes 
categorias profissionais: psicólogo, assistente social, enfermeiro, 
terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, pedagogo ou outro profissional 
necessário ao projeto terapêutico;
• 05 (cinco) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de 
enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão.
CAPSad
Pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência 
de substâncias psicoativas são atendidos nesse CAPS, cuja capacidade 
operacional para atendimento em municípios com população superior a 
70.000, e o horário de funcionamento no período de 08 às 18 horas, em 
02 dois turnos, durante os cinco dias úteis da semana podendo ter um 
terceiro turno funcionando até às 21:00 horas. Devendo manter de dois 
a quatro leitos para desintoxicação e repouso.
A equipe técnica para o atendimento de 20 pacientes por turno, 
com limite máximo 30 pacientes/dia deve ser composta por:
• 01 (um) médico psiquiatra;
• 01 (um) enfermeiro com formação em saúde mental;
• 01 (um) médico clínico, responsável pela triagem, avaliação e 
acompanhamento das intercorrências clínicas;
• 04 (quatro)profissionais de nível superior entre as seguintes 
categorias profissionais: psicólogo, assistente social, enfermeiro, 
terapeuta ocupacional, pedagogo ou outro profissional necessário ao 
projeto terapêutico;
• 06 (seis) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de 
enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão. 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 21
Resumo das diferenças entre os CAPS
Para ficar mais fácil de entender as diferenças entre os CAPS veja 
aa figura 2 e a tabela 1, ambas resumem essas diferenças:
Figura 2: Diferenças entre os CAPS de acordo com as modalidades 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica22
Tabela 1: Diferenças de recursos humanos de acordo com a modalidade do CAPS
Fonte: o Autor
Modalidade Médico Enfermeiro Nível 
superior Nível médio
CAPS I
1 com 
formação 
em saúde 
mental
1 enfermeiro 3 
profissionais
4 
profissionais
CAPS II 1 psiquiatra
1 com 
formação 
em saúde 
mental
4 
profissionais
6 
profissionais
CAPS III* 2 psiquiatras
1 com 
formação 
em saúde 
mental
5 
profissionais
8 
profissionais
CAPSi
1 psiquiatra, 
ou 
neurologista 
ou pediatra 
com 
formação 
em saúde 
mental
1 enfermeiro 4 
profissionais
5 
profissionais
CAPSad** 1 psiquiatra
1 com 
formação 
em saúde 
mental
4 
profissionais
6 
profissionais
* Há diferenças nos turnos noturnos, finais de semana e feriados.
** 01 (um) médico clínico, responsável pela triagem, avaliação e 
acompanhamento das intercorrências clínicas
E então? Conseguiu entender o motivo da criação dos CAPS? É 
possível perceber que a luta antimanicomial auxiliou na estruturação 
do CAPS para atuar com os serviços substitutivos. Além disso, cada 
modalidade tem sua estrutura e profissionais de acordo com o perfil do 
paciente que será atendido e o perfil do território em que se encontra.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 23
O gerenciamento da CAPS
INTRODUÇÃO
Nesse tópico vamos conhecer o gerenciamento do CAPS, 
mas para isso, devemos entender primeiro como funciona 
a gestão de saúde e seu desenvolvimento, isso porquê, o 
gestor do CAPS, na maioria das vezes é o mesmo gestor do 
território no qual ele está instalado. Além disso, a forma de 
gestão do CAPS deve estar baseada na forma de gestão 
da saúde segundo a legislação vigente. Pronto para essa 
jornada de aprendizado? Então, vamos começar!
Gestão da saúde
Discutir sobre gestão sempre é um processo complexo 
principalmente quando o foco é avaliação de um serviço de saúde 
mental, pois os novos serviços, como o CAPS por exemplo, vieram 
para romper com o modelo anterior centrado na internação hospitalar 
focado no isolamento, exclusão e perda da autonomia. Nesse sentido 
a gestão deve atuar como uma politica de interlocução e avaliação 
com uma metodologia especifica que comtemple a pluralidade e a 
interdisciplinaridade entendendo a subjetividade o trabalho técnico e 
clínico do processo. 
Uma tarefa fundamental do gestor e da equipe gestora é 
conhecer a situação de saúde e os dados epidemiológicos do território 
sob sua responsabilidade para uma boa tomada de decisão em todos 
os aspectos de gestão, principalmente na organização dos serviços e 
definição dos protocolos e linhas de cuidado.
Conhecendo o perfil populacional do território, os principais 
problemas de saúde da população, os serviços existentes, a rede de 
apoio, a força de trabalho em saúde é possível elaborar a análise da 
situação de saúde.
Com esses dados é possível elaborar o Mapa da Saúde, 
preconizado pelo Decreto n. 7.508/2011, que é a “descrição geográfica 
da distribuição recursos humanos (entenda-se força de trabalho em 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica24
saúde) e das ações e serviços da saúde ofertados pelo SUS e pela 
iniciativa privada, considerando-se a capacidade instalara existente, 
os investimentos e o desempenho aferido a partir dos indicadores de 
saúde do sistema”. (BRASIL, Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011, 
2011; GIL, LUIZ, & GIL, 2016).
Situação de saúde para gestão
Na saúde território vai além do enfoque geográfico e administrativo, 
caracteriza-se por uma população relativamente específica que divide 
um mesmo espaço geográfico, social, cultural, econômico e político com 
problemas e necessidades de saúde determinados utilizando os mesmo 
equipamentos social como escolas, serviços de saúde, transporte, entre 
outros.
Com essa perspectiva o território tem como característica a 
extensão geográfica junto com perfil demográfico, epidemiológico, 
administrativo, tecnológico, político, social e cultural. Todas essas 
informações são importantes para o planejamento de ações de saúde. 
Com dados e informações de saúde do território em mãos, o gestor 
consegue elaborar os indicadores importantes para identificar, planejar 
e avaliar as ações e serviços desenvolvidos como os indicadores de 
efetividade após as ações já desenvolvidas, mas também os indicadores 
de mortalidade, de morbidade, demográficos, socioeconômicos e 
ambientais. Cada um deles alimentando e utilizando os sistemas de 
informação mais adequados. 
Para o planejamento em saúde é necessário conhecer a 
capacidade instalada, ou seja, conhecer a estrutura disponível no serviço 
para desenvolver as ações que se quer executar. Algumas informações 
precisam estar organizadas e disponíveis, entre elas estão:
• Número de Unidades Básicas de Saúde, por região do município.
• Número de equipes de Saúde da Família, por UBS e região.
• Série histórica de cobertura da Estratégia Saúde da Família.
• Número de equipes de Saúde Bucal, por UBS e região.
• Série histórica de cobertura da Saúde Bucal.
• Número de equipes de NASF, por UBS e região.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 25
• Distribuição da Força de Trabalho em Saúde, por região, vínculo, 
categoria, jornada de trabalho.
• Número de Centros de Apoio Psicossocial, por região.
• Número de Centros de Especialidades Odontológicas, por 
região.
• Número e distribuição de serviços de referência, por 
especialidades.
• Número de leitos de internação por mil habitantes.
• Número de leitos de internação existentes por tipo de prestador, 
segundo especialidade.
• Número de equipamentos existentes, em uso e disponíveis ao 
SUS, segundo grupo de equipamentos.
• Número de equipamentos de categorias selecionadas: 
existentes, em uso e disponíveis para o SUS.
• Estabelecimentos e tipo de prestador, segundo dados do CNES.
• Outros que sejam de interesse e necessários para a gestão do 
SUS.
IMPORTANTE
Perceba que até aqui estamos falando da gestão em saúde 
e entre as atividades do gestor está a gestão de ações e 
serviços da saúde mental e gerenciamento do CAPS. 
(BRASIL, Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011, 2011; 
GIL, LUIZ, & GIL, 2016)
Planejamento na gestão do SUS
Quando pensamos em planejamento nosso primeiro pensamento 
é elaboração de um plano, elaboração de normas e até quais recursos 
financeiros serão necessários. É claro que tudo que foi dito é necessário, 
porém, o processo de planejamento vai além. Focar nessa estrutura 
básica é utilizar o planejamento normativo no qual o gestor planeja, 
define as ações e a equipe operacional pões em prática. Nesse contexto, 
o gestor está em uma situação de comandar, mas nem sempre tem total 
conhecimento do dia-a-dia e da possibilidade de por em prática o que 
foi planejado.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica26
Por isso, para um bom planejamento em saúde usa-se o 
planejamento estratégico, no qual todos os atores envolvidos (gestor, 
equipe, usuários e sociedade) elaboram em conjunto os planos a serem 
traçados, com isso os objetivos e as ações estão mais embasados na 
realidade e, consequentemente, com maior chances de sucesso.
Com os dados e informações em mãos, é possível identificar a 
situação atual, principalmente os problemas e as necessidades do 
território, e, a partir disso, busca-se verificar qual a situação ideal, ouseja, onde se quer chegar. 
Sabendo onde estamos e onde queremos chegar, os atores 
envolvidos traçam metas e objetivos, quais as atividades devem ser 
desenvolvidas e quais indicadores de resultados podem ser utilizados, 
ou seja, elaboram o Plano de Saúde. (GIL, LUIZ, & GIL, 2016; BRASIL, 
Manual de planejamento no SUS, 2016)
Plano de Saúde ou Plano de Trabalho
Para ser efetivo o Plano de Saúde, ou Plano de Trabalho, deve ser 
construído com a participação e envolvimento do gestor, das equipes 
de saúde, dos conselhos de saúde e da população dos territórios. 
Retratando a situação real de saúde e qualificando o processo de tomada 
de decisão sempre baseados nos princípios e diretrizes do SUS. A forma 
de gestão de qualquer instituição está diretamente relacionada ao perfil 
do gestor e das influências das subjetividades na dinâmica gerencial. 
A forma de estabelecer vínculos e de se relacionar com os 
diversos atores envolvidos pode facilitar ou dificultar o processo de 
gestão. Esses gestores devem possibilitar condições técnicas, clínicas 
e políticas que garantam o direito ao tratamento, a organização de uma 
rede de atenção integral a saúde. No caso da saúde mental, esse gestor 
deve utilizar o CAPS como dispositivo estratégico capaz de funcionar 
com centros articuladores das instâncias dos cuidados básicos de saúde. 
(GIL, LUIZ, & GIL, 2016; BRASIL, Manual de planejamento no SUS, 2016)
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 27
Gestão em saúde mental
Como em outras áreas do SUS, a gestão da política de saúde 
mental é tarefa complexa, descentralizada, com diversos níveis de 
decisão e de controle social. 
A primeira legislação sobre a gestão dos CAPS foi a Portaria nº 224, 
de 29 de janeiro de 1992, que estabeleceu as normas para implantação 
destas instituições. Em 2002 ela foi revogada pela Portaria nº 336/GM, 
de 19 de fevereiro de 2002, a qual veio para regulamentar as diferentes 
modalidades. Sendo válida em todo o território nacional estabelece um 
padrão para a instituição dos CAPS, e garante a liberdade de atuação 
sob a coordenação de um gestor baseado nas políticas de saúde mental 
para a implantação do Plano de Trabalho ou Plano de ação. 
Para implantar as ações na área da saúde mental é preciso 
atentar-se para as realidades distintas, operacionalizando ações que 
visem a reinserção social e o convívio familiar.
 A saúde mental avançou de forma significativa sua concepção 
sobre os transtornos mentais necessitando de uma nova forma de 
gestão, o que gera grandes desafios na forma de planejar e gerir ações 
que levem a uma mudança nas práticas. 
A desarmonia entre os âmbitos técnico, político e administrativo 
influencia de forma negativa o campo da saúde mental. O âmbito técnico 
é sinalizado pela correlação do desenvolvimento tecno-cientifico das 
profissões e das tecnologias em saúde. O âmbito político envolve as 
mudanças jurídicas, ou seja, das legislações e da participação social, 
pois os movimentos sociais, influenciam as legislações propostas. 
Por fim, o âmbito administrativo está basicamente relacionado ao 
financiamento, o qual, cresceu com a implementação da Portaria n. 
399/GM de 2006 que regula e organiza o financiamento estratégico 
para realização dos custeios dos blocos de financiamento em saúde. Na 
saúde mental a Portaria n. 3.089 de 2011 descreve de forma especifica 
sobre o financiamento na saúde mental, mas a Portaria 3.588/2017 
gerou significativas mudanças na Política Nacional de Saúde Mental 
como veremos adiante.
Com o apoio do gestor municipal, existe um nível de autonomia 
administrativa e financeira nos CAPS, tanto para aquisição de bens e 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica28
serviços quanto para contratação de recursos humanos garantindo o 
melhor uso possível dos recursos sempre estruturados nas legislações 
vigentes como em relação a licitações e concursos públicos. 
(HEIDEMANN, 2019; HECK & al, 2008; BRASIL, Decreto nº 7.508, de 28 
de junho de 2011, 2011; GIL, LUIZ, & GIL, 2016)
Financiamento do SUS e repasse para o 
CAPS
O financiamento em saúde é baseado, inicialmente na Lei 8.142, 
a qual está relacionada a participação da comunidade na gestão 
do SUS e descreve sobre as transferências intergovernamentais de 
recursos financeiros na área da saúde. Tendo seu aspecto fundamental 
na alocação dos recursos do Fundo Nacional de Saúde, atividades 
relacionadas às ações em saúde, de forma regular e automática. Fica 
evidente na legislação a participação em financiamento e em ações 
de serviços de saúde das três esferas de governo, levando a essa 
característica tripartite de financiamento, sendo feita transferência 
fundo a fundo do Governo Federal para o Município, mas para que esse 
repasse aconteça o município deve se enquadrar nos critérios descritos 
no artigo 35 da Lei 8.080/90, o qual é alterado a Emenda Constitucional 
n. 29, de 13/9/2000. 
Essa Emenda definiu os percentuais mínimos a serem aplicados 
nas ações e serviços de saúde de 2000 até 2004, havendo um aumento 
real nos investimentos em saúde, porém, ela não define quais o que são 
consideradas ações e serviços de saúde, gerando alguns problemas de 
interpretação e investimento. Por causa dessa dificuldade, foi criada a 
Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012 que dispões sobre os 
investimentos de cada esfera de governo.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 29
SAIBA MAIS
Quando os Municípios entenderem ser vantajoso, podem 
estabelecer consórcios para a execução das suas ações 
em saúde, remanejando entre si os recursos. Dessa forma, 
Municípios pequenos podem complementar suas ações 
em saúde com o auxílio das cidades vizinhas e ajuda-las 
em suas ações.
A Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012 dispões 
sobre os valores mínimos a serem aplicados anualmente pelas esferas 
de governo em ações e serviços públicos de saúde, estabelecendo os 
critérios de rateio e transferência, normas de fiscalização, avaliação e 
controle das despesas com saúde. Além disso, ela define o que deve 
ser considerado gastos em saúde, fixando os percentuais mínimos pelas 
três esferas da seguinte forma:
• União aplicará o valor do ano anterior, acrescido da variação 
nominal do PIB (produto Interno Bruto) dos dois anos anteriores à Lei;
• Estados devem aplicar 12%;
• Municípios devem aplicar 15%.
Descreve também como esses recursos devem ser aplicados em 
as ações e serviços públicos de acesso universal, igualitário e gratuito e 
descreve o que não faz parte das ações e serviços de saúde.
Falamos que existe o repasse do governo, o qual era feito por meio 
de seis blocos de financiamento divididos em: atenção básica, atenção 
especializada, vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, produtos 
profiláticos e terapêuticos e alimentação e nutrição sem possibilidade 
de remanejá-los, regulamentado pela Portaria n. 399/GM de 2006. Por 
isso, em alguns casos, eles ficavam parados, sobrando recurso em um 
bloco e faltando em outro. Em 2017, a Portaria 3.992, de 28 de dezembro 
de 2017 foi regulamentada e o repasse é feito em duas categorias: 
custeio de ação e serviços públicos de saúde e o bloco de investimento. 
Essa nova forma de repasse permite mais eficiência além de controle 
e monitoramentos mais precisos, assim o gestor tem fácil acesso aos 
recursos e ao final deve prestar contas à União e mostrar que respeitou 
os compromissos assumidos no Plano de Saúde e orçamento federal.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica30
Até aqui, entendemos como funciona os repasses de 
financiamento no SUS, dessa forma ficará mais claro para entender os 
aspectos específicos no financiamento do CAPS. Importante entender 
que os recursos serão incorporados ao limite financeiro de média e alta 
complexidade dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
O repasse para os CAPS de acordo com sua modalidade é 
regulamentado pela PORTARIA Nº 3.089, DE 23 DE DEZEMBRODE 
2011. Na qual é descrito que o recurso financeiro fixo para os Centros de 
Atenção Psicossocial (CAPS) devidamente credenciados pelo Ministério 
da Saúde e cada modalidade com valores de acordo com a estrutura e 
atividades desenvolvidas, como já vimos nessa aula. 
Porém, em 2017, a PORTARIA Nº 3.588 não apenas interrompe o 
fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos como estava previsto 
na Lei 10.216/2001, como também amplia os valores pagos para a 
internação nessas instituições estimulando a criação de novas vagas 
psiquiátricas em hospitais gerais. Além disso, prevê um aumento de 
financiamento público para as comunidades terapêuticas privada, sendo 
na maioria de cunho religioso. 
REFLITA
Você deve estar se perguntando qual o problema de 
aumentar o financiamento para essas comunidades 
terapêuticas? O problema é que muitas dessas comunidades 
atendem apenas os pacientes que se convertem à religião 
proposta. Os que não aceitam a religião simplesmente não 
são atendidos o que vai de encontro ao princípio do SUS de 
integralidade, ou seja, todos tem direito a ser atendido. Além 
disso, as comunidades terapêuticas podem se assemelhar 
a internações manicomiais o que vai de encontro à Reforma 
Psiquiátrica.
Nesse tópico vimos sobre o gerenciamento no SUS, a importância 
dos dados coletados e como utiliza-los para desenvolver um 
planejamento estratégico elaborando as metas e objetivos bem como 
propor atividades para cumpri-los e indicadores para avaliação contínua 
dos resultados. Entendemos sobre o repasse financeiro no SUS e como 
acontece na saúde mental.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 31
RAPS - Rede de Atenção Psicossocial
INTRODUÇÃO
Nesse tópico vamos conhecer sobre a Rede de Atenção 
Psicossocial. Para isso, vamos primeiro falar sobre Rede 
de Atenção à Saúde, que é a estrutura do SUS desde 2011 
sendo responsável pela estruturação da RAPS. Por fim, 
vamos conhecer os componentes da RAPS como funcional 
e ser interligam para o fluxo e contrafluxo eficaz do paciente. 
E ai, preparado para aprofundar seus conhecimentos? 
Então vamos lá. Avante!
Redes de Atenção à Saúde (RAS) 
Para entender o RAPS é necessário conhecer a estrutura do SUS. 
Quando o nosso Sistema de Saúde foi criado sua estrutura de acesso aos 
diversos níveis do serviço de saúde era piramidal. Ou seja, há níveis de 
atenção, divididos em primário, secundário e terciário trabalhando com 
níveis de atenção focado na complexidade, principalmente tecnológica, 
acaba sendo fragmentado e seu foco está nas condições agudas ou 
agudização das condições crônicas.
DEFINIÇÃO
Segundo MENDES, 2001, condições de saúde são as 
circunstâncias na saúde das pessoas que se apresentam de 
forma mais ou menos persistente e que exigem respostas 
sociais reativas ou proativas, eventuais ou contínuas e 
fragmentadas ou integradas dos sistemas de atenção à 
saúde”. A condição de saúde pode ser: condições agudas e 
condições crônicas, sendo baseada no tempo de duração 
dessa situação do paciente . (MENDES, 2011)
Com a visão de se implantar um sistema de saúde mais integrado, 
as redes de atenção têm a finalidade de aproximar os níveis de diversas 
complexidades e substituir a organização piramidal fragmentada.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica32
O modelo de rede de atenção à saúde tem uma característica 
horizontal, tendo a unidade básica como centro, em geral é a porta de 
entrada do usuário, mas não exclusiva. Coordenando a rede e o cuidado 
central da comunidade, garantindo o acesso aos serviços de saúde 
e é responsável pelo cuidado do usuário do sistema durante todo o 
processo de tratamento e acompanhamento. 
Figura 3: Rede de Atenção à saúde.
Fonte: Autor
Cada ponto, com sua densidade tecnológica, mas não tem, 
necessariamente, uma ordem e nem grau de importância, sendo todos 
igualmente importantes para atender as necessidades do paciente. Essa 
estruturação horizontal fortalece e, em alguns casos, modifica as funções 
de cada área bem como seu perfil assistencial, e é isso que acontece 
na saúde mental com a estruturação da Rede de Atenção Psicossocial.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 33
Instituição da Rede de Atenção 
Psicossocial 
A RAPS foi instituída pela Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 
2011 cuja ementa descreve:
“Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com 
sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do 
uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de 
Saúde (SUS)”.
O artigo 2 º fala sobre as diretrizes que norteiam o funcionamento 
da RAPS sendo possível perceber que o respeito aos direitos humanos, a 
autonomia e a liberdade das pessoas, a garantia da equidade e combate 
a estigmas e preconceitos são os fundamentos base. 
Essa estrutura tem como objetivos gerais ampliar o acesso 
à atenção psicossocial da população em geral, dos pacientes com 
transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, 
álcool e outras drogas, bem como de suas famílias, além de garantir a 
articulação e a integração dos pontos de atenção. (BRASIL, PORTARIA 
Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017)
Componentes da Rede de Atenção 
Psicossocial - RAPS
A RAPS é constituída por sete componentes, também chamados de 
pontos de atenção, cada um deles compreende um conjunto de ações e 
serviços que têm o propósito de atender às diferentes necessidades dos 
usuários e seus familiares, nos mais diversos territórios. Vamos conhecer 
cada um deles. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 
2011, 2011; MEDEIROS, 2017)
Atenção básica em saúde
A Atenção Básica tem as Unidade Básicas de Saúde, Estratégia 
de Saúde da Família (ESF), equipe de consultório na rua e Núcleo de 
Apoio a Saúde da Família (NASF) como estruturas para suas atividades. 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica34
A Estratégia de Saúde da Família é um conjunto de ações 
voltadas à esfera individual e coletiva para promoção e proteção da 
saúde por meio de uma equipe multiprofissional. Na saúde mental a 
ESF é considerada um importante instrumento por ter suas atividades 
baseadas na Reforma Psiquiátrica e no SUS. Além disso, junto com 
a Unidade Básica de Saúde, são as principais portas de entrada do 
sistema de saúde sendo uma das parceiras para integração das ações e 
acompanhamento do paciente. 
O Núcleo de Apoio à Saúde da Família é a parte fundamental 
da atuação na saúde mental por ser responsável pelo apoio matricial 
das Unidades Básicas de Saúde e da equipe de Estratégia de Saúde da 
Família. 
A equipe de Consultório na Rua é um grupo multiprofissional que 
atua de forma itinerante ofertando ações e cuidados de saúde para a 
população em situação de rua. Lembrando que grande parte dessas 
pessoas sofrem com abuso de drogas e, muitas vezes, estão na rua 
por terem graves transtornos mentais ou adquirem devido as drogas. 
(BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; 
MEDEIROS, 2017; OLIVEIRA & al, 2017)
Atenção psicossocial especializada
Já falamos sobre os Centros de Atenção Psicossocial, nas suas 
diferentes modalidades, mas vale reforçar que esse é o componente 
especializado da Rede de Atenção Psicossocial. Constituído por uma 
equipe multiprofissional atuando no acompanhamento do paciente 
dentro e fora dos serviços de saúde utilizando o Plano Terapêutico 
Singular e servindo como apoio matricial para o componente da atenção 
básica. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 
2011; MEDEIROS, 2017)
Atenção de urgência e emergência
Como já vimos, os momentos de crise do paciente devem 
ser tratados o mais rápido possível, por isso o SAMU 192 (Serviço de 
Atendimento Móvel de Urgência) e a UPA 24 horas (Unidade de Pronto 
Atendimento) são os principais pontos de urgência e emergência.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 35
O SAMU é acionado por telefone (192) articulando e favorecendo 
o acesso a outros pontosde atenção como CAPS e UBS. Existem 
protocolos nacionais de intervenção para o SAMU para o atendimento 
de pessoas com sofrimento ou transtornos mentais e abuso de drogas 
utilizando com base a legislação brasileira e experiências nacionais e 
internacionais para elaboração desses protocolos. 
 O paciente pode chegar à UPA por conta própria, com um familiar 
ou pela ação do SAMU. Esse ponto de atenção faz a classificação de risco 
e a intervenção imediata quando necessário além de ser responsável 
por garantir a continuidade do cuidado do paciente de acordo com a 
necessidade. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 
2011, 2011; MEDEIROS, 2017)
Atenção residencial de caráter transitório
O componente de Atenção residencial de caráter transitório possui 
dois pontos de atenção, a Unidade de Acolhimento e os Serviços de 
Atenção em Regime Residencial. Ambos com pacientes encaminhados 
pelo CAPS que apresentam acentuada vulnerabilidade social e/ou 
familiar.
As Unidades de Acolhimento funcionam 24 horas oferecendo 
ambiente residencial e cuidado contínuo às pessoas com necessidades 
decorrentes de uso de álcool e outras drogas num período até de seis 
meses. 
No caso dos serviços de atenção em regime residencial o 
tempo pode ser de até nove meses quando o indivíduo necessita de 
afastamento de seus contextos.
Lembrando que esse ponto de atenção afasta do convívio social 
os pacientes que realmente necessitam buscando, nesse período, 
reestruturá-lo para a volta às suas atividades o mais rápido possível.
(BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; 
MEDEIROS, 2017)
Atenção hospitalar
Localizados dentro de hospitais gerais, esses pontos podem ser 
enfermaria especializada em Hospital Geral e serviço Hospitalar. Esses 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica36
hospitais dispões de leitos habilitados para oferecer suporte à saúde 
mental com intervenção curta ou curtíssima para o restabelecimento de 
condições clínicas e investigação de comorbidades sempre garantindo 
a continuidade do cuidado. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE 
DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017)
Estratégias de desinstitucionalização
Responsável pelo cuidado do paciente que ficou internado por 
longo período em instituição de saúde mental, os Serviços Residenciais 
Terapêuticos e o Programa de Volta pra Casa tem como objetivo a 
reinserção desses indivíduo ao convívio social atuando na promoção de 
autonomia e o exercício de cidadania a partir do apoio de profissionais e 
os outros pontos de atenção. 
O programa de Volta pra Casa provê um auxilio financeiro mensal 
para esse paciente egresso de internações de longa permanência como 
forma de indenização e início da inclusão social.
Outro programa importante é o programa de desinstitucionalização 
que atua junto aos profissionais dos hospitais psiquiátricos para construir, 
em conjunto, o processo de desinstitucionalização dos moradores. 
(BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; 
MEDEIROS, 2017)
Reabilitação psicossocial
A reabilitação Psicossocial é um conjunto de ações que busca a 
inclusão e o exercício de direitos de cidadania através de iniciativas de 
trabalho e geração de renda, empreendimento solidários e cooperativas 
sociais. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 
2011; MEDEIROS, 2017)
Vimos nesse tópico a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial e 
seus componentes, todos atuando em conjunto como pontos de atenção 
para acompanhar o paciente com transtornos mentais e necessidades 
decorrentes do abuso de álcool e outras drogas. Assim como a Rede 
de Atenção à Saúde é uma estrutura horizontal na qual o paciente faz 
o fluxo e contrafluxo entre esses pontos de atenção para garantir a 
universalidade, equidade e integralidade entro outros princípios do SUS.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 37
Ética e bioética na atenção psicossocial
INTRODUÇÃO
Você já ouviu falar de ética e bioética? Provavelmente sim, 
mas você consegue entender porque ela é importante 
na atenção psicossocial? Talvez seja difícil num primeiro 
momento, mas não se preocupe, nesse tópico vamos 
relembrar os conceitos de ética e bioética e como ela é 
aplicada na saúde mental.
Conceitos: ética e bioética 
Para falar sobre ética é necessário falar também sobre moral pois 
elas estão associadas ao comportamento humano ambas direcionando 
a conduta humana no convívio social.
A ética, do grego “éthos” significa caráter, no latim ela é traduzida 
como “mos”, por isso entendemos a ética como a “ciência da moral” 
ou ainda “filosofia da moral” sendo o conjunto de princípios morais que 
regem cada um ser humano em uma determinada época e sociedade.
Ética é um conjunto de regras comportamentais e de formas 
da vida pelas quais o ser humano procura promover o bem utilizando 
como base os seus conhecimentos sobre certo e errado, justo e injusto, 
positivo e negativo.
 Moral é o conjunto de regras baseadas na cultura, na educação, 
na tradição e no cotidiano. Perceba que a moral muda conforme a 
sociedade muda pois está vinculada ao modo de agir das pessoas, muito 
relacionada aos valores e convenções estabelecidas de forma coletiva 
para distinguir o bem do mal, atos de paz e violência.
Quando você assiste um filmes de época consegue perceber 
como a sociedade era diferente? Os padrões de comportamento, os 
conceitos de certo e errado, a postura das personagens. Filmes que 
mostram a protagonista como uma mulher autentica e buscando a luta 
por direitos, como escolher o próprio marido. Você consegue imaginar 
sendo obrigado a casar com alguém que não foi você que escolheu? 
Pois é, naquela época a “moral” e os “bons costumes” preconizavam 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica38
DEFINIÇÃO
O juramento de Hipócrates atualizado diz: A saúde do 
meu paciente será a minha primeira preocupação. Não 
permitirei que fatores de ordem religiosa, nacional, racial, 
política ou de caráter social se interponham entre os meus 
deveres e o meu paciente. Mostrarei o máximo respeito 
pela vida humana, desde o momento da sua concepção; 
nem mesmo coagido farei uso dos meus conhecimentos 
médicos para fins que sejam contrários à leis humanas. 
(ZUBIOLI, 2004)
que a escolha deveria ser feita pelos pais. Pensando na saúde, os testes 
eram feitos em animais, mas em seres humanos também. Por muito 
tempo pessoas serviam como cobaias sem o seu consentimento sendo 
considerado ético pois era para o bem da ciência. Tenho certeza que 
você está pensando agora, que bom que os tempos mudaram!]]
Bioética tem como origem o conceito de ética voltado à saúde. 
Esse termo surgiu a partir dos grandes avanços tecnológicos da biologia, 
da medicina e da saúde como um todo principalmente relacionado as 
descobertas e aplicações dessas tecnologias tanto durante estudos 
tanto na utilização no ser humano e sua intervenção sobre a vida e a 
natureza.
Para utilizarmos este princípio é necessário o desenvolvimento 
de competências profissionais para podermos identificar os risco e 
benefícios aos quais o paciente está exposto e decidir por determinadas 
atitudes, práticas e procedimentos.
 Infelizmente, é comum o profissional da saúde tende a utilizar 
esse princípio para agir de forma paternal, ou seja, decidir o que é 
melhor para ele sem necessariamente informa-lo e sem o seu o 
consentimento para os procedimentos a serem adotados. Reduzindo 
adultos a condição de crianças interferindo na liberdade de suas ações. 
Acontecendo principalmente em países que existem diferença sócio-
econômico-cultural acentuada, onde as pessoas tendem a ser mais 
submissas principalmente pela falta de conhecimento.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 39
Princípio da não-maleficência
Como o nome descreve, esse princípio tem como conceito não 
fazer o mal para o paciente, não causar danos nem o colocar em risco. 
O profissional deve ser comprometer a avaliar a situação e 
evitaros danos previsíveis não bastando apenas ter boas intenções de 
não prejudicar o paciente, mas verificar se suas atitudes e ações não 
oferecem riscos ou buscar sempre as de menor risco
Princípio da justiça ou equidade
Refere-se aos direitos e deveres de todos. Segundo a Constituição 
de 1988, todo cidadão tem direito à assistência de saúde. Os princípios 
do SUS universalidade, integralidade e equidade reforçam esse princípio 
da justiça. 
Princípio da autonomia 
Esse princípio preconiza que cada indivíduo tem liberdade 
de escolha, em relação ao tratamento, ou até mesmo de não quer 
intervenção. Não impede que o profissional atue mas dá ao ser humano a 
capacidade de refletir sobre as limitações e as possibilidades existentes. 
Mas para que esse princípio seja usado adequadamente pelo paciente, 
é necessário que os profissionais da saúde tenham capacidade de 
orientá-lo de forma imparcial par que, juntos possam atuar na condição 
de saúde do paciente. (KOERICH MS, 2005; BRAZ & SCHRAMM, 2011; 
COSTA, ANJOS, & ZAHER, 2007; ZUBIOLI, 2004)
Autonomia na saúde mental 
Dentre os princípios que vimos nessa aula, o princípio da autonomia 
tem relação direta com a saúde mental, pois a luta antimanicomial busca, 
entre outras coisas, a autonomia do paciente dentro da sociedade, mas 
também em relação ao seu tratamento.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica40
A pessoa autônoma tem liberdade de pensamento, livre de 
coações internas ou externas, para escolher entre as opções que lhe 
são apresentadas.
Para que o profissional consiga ver o paciente como autônomo, 
deve reconhecer as capacidades e as perspectivas pessoais, incluindo 
o direito de ele examinar e fazer escolhas, para tomas atitudes baseadas 
em suas convicções e valores pessoais. Pacientes com transtorno mental 
pode ter sua autonomia reduzida de forma transitória ou permanente, 
mas deve ser respeitada da mesma forma. (KOERICH MS, 2005; BRAZ & 
SCHRAMM, 2011; COSTA, ANJOS, & ZAHER, 2007; ZUBIOLI, 2004)
Autonomia e o Projeto Terapêutico Singular
O projeto terapêutico singular (PTS) como “um plano de ação 
compartilhado composto por um conjunto de intervenções que seguem 
uma intencionalidade de cuidado integral à pessoa”
Por ser construído pela equipe e pelo paciente, desafia a 
hierarquização e a supremacia médica e reafirma a capacidade de 
autonomia do indivíduo perante as decisões de sua própria existência.
O envolvimento do paciente nas decisões do seu processo de 
cuidado é uma das condições para a melhora e/ou cura de sua condição 
de saúde. Estando atrelado à competência do paciente para refletir e 
fazer escolhas e do respeito da equipe de saúde isso para materializar à 
autonomia do paciente.
No desenvolvimento do PTS deve ocorrer a capacitação do 
paciente para que ele tome a melhor decisão, baseado nas informações 
passadas pelos profissionais de forma imparcial sem direcionar sua 
decisão nem esconder informações relevantes. 
A participação do paciente na tomada de decisão é importante 
por dois motivos: em primeiro lugar para quebra do paradigma do 
paternalismo, visto no princípio da beneficência, em segundo lugar, se 
o médico toma as decisões de forma exclusiva, além da passividade, o 
paciente pode se opor ao tratamento adotado.
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 41
Vimos nesse tópico sobre ética, moral e bioética e suas definições 
e conhecemos os quatro princípios da bioética, beneficência, não-
maleficência, justiça e equidade e autonomia. Todo de forma direta 
ou indireta estão relacionados aos direitos humanos um dos pilares 
da Reforma Psiquiátrica. Por fim vimos que a ética e a autonomia do 
paciente direcionam a elaboração do Plano Terapêutico Singular do 
paciente. Chegamos ao final de nossa disciplina sobre saúde mental. 
O que achou? Um mundo completamente novo para você? Ou já fazia 
parte da sua vivência? Espero que independente do seu conhecimento 
prévio tenha aprendido mais sobre saúde mental e, principalmente, 
observado essa condição de saúde com um novo olhar. 
Saúde Mental e Assistência Farmacêutica42
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Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 45
Mariana Martins Garcia
Saúde Mental e 
Assistência Farmacêutica
	CAPS - Centro de Atenção Psicossocial: Diretrizes e classificações
	História do Centro de Atenção Psicossocial 
	O que é e como funciona o CAPS 
	Entrada e permanência do paciente no CAPS 
	Diretrizes Centro de Atenção Psicossocial 
	Classificações Centro de Atenção Psicossocial 
	Características dos CAPS de modo geral
	CAPS I
	CAPS II
	CAPS III
	CAPSi
	CAPSad
	Resumo das diferenças entre os CAPS
	O gerenciamento da CAPS
	Gestão da saúde
	Situação de saúde para gestão
	Planejamento na gestão do SUS
	Plano de Saúde ou Plano de Trabalho
	Gestão em saúde mental
	Financiamento do SUS e repasse para o CAPS
	RAPS - Rede de Atenção Psicossocial
	Redes de Atenção à Saúde (RAS) 
	Instituição da Rede de Atenção Psicossocial 
	Componentes da Rede de Atenção Psicossocial - RAPS
	Atenção básica em saúde
	Atenção psicossocial especializada
	Atenção de urgência e emergência
	Atenção residencial de caráter transitório
	Atenção hospitalar
	Estratégias de desinstitucionalização
	Reabilitação psicossocial
	Ética e bioética na atenção psicossocial
	Conceitos: ética e bioética 
	Princípio da não-maleficência
	Princípio da justiça ou equidade
	Princípio da autonomia 
	Autonomia na saúde mental 
	Autonomia e o Projeto Terapêutico Singular

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