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Livro didático digital Unidade 04 Mariana Martins Garcia Saúde Mental e Assistência Farmacêutica Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ANDRÉA CÉSAR PEDROSA Projeto Gráfico MANUELA CÉSAR ARRUDA Autora MARIANA MARTINS GARCIA Desenvolvedor CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS MARIANA MARTINS GARCIA Olá. Meu nome é Mariana Martins Garcia. Sou formada em Farmácia pela Universidade Federal do Paraná, mestre em Ciências Farmacêuticas pela mesma instituição. Já atuei em farmácia de dispensação, farmácia hospitalar, prática clínica e manipulação de nutrição parenteral e quimioterapia, além de ser palestrante e professora. Passei por empresas com a Droga Raia, Hospital da Policia Militar, Stiefel, CEQNEP, Equilibra. Atualmente sou professora conteudista para instituições como a São Braz e a própria Telesapiens. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! A AUTORA Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo projeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: ICONOGRAFIA INTRODUÇÃO: para o início do desen- volvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações es- critas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e inda- gações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma ativi- dade de autoaprendi- zagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO CAPS - Centro de Atenção Psicossocial: Diretrizes e classificações....................................................................11 História do Centro de Atenção Psicossocial ......................11 O que é e como funciona o CAPS ....................................12 Entrada e permanência do paciente no CAPS ...................15 Diretrizes Centro de Atenção Psicossocial........................15 Classificações Centro de Atenção Psicossocial ...................16 Características dos CAPS de modo geral...............16 CAPS I....................................................................17 CAPS II...................................................................18 CAPS III.................................................................18 CAPSi...................................................................19 CAPSad.................................................................20 Resumo das diferenças entre os CAPS.................21 O gerenciamento da CAPS.......................................23 Gestão da saúde.................................................................23 Situação de saúde para gestão............................................24 Planejamento na gestão do SUS.......................................25 Plano de Saúde ou Plano de Trabalho....................26 Gestão em saúde mental..................................................27 Financiamento do SUS e repasse para o CAPS...........28 RAPS - Rede de Atenção Psicossocial.....................31 Redes de Atenção à Saúde (RAS) ..........................................31 Instituição da Rede de Atenção Psicossocial .........................33 Componentes da Rede de Atenção Psicossocial - RAPS...........33 Atenção básica em saúde......................................33 Atenção psicossocial especializada..........................34 Atenção de urgência e emergência......................34 Atenção residencial de caráter transitório...............35 Atenção hospitalar...................................................35 Estratégias de desinstitucionalização......................36 Reabilitação psicossocial.......................................36 Ética e bioética na atenção psicossocial........................37 Conceitos: ética e bioética .............................................37 Princípio da não-maleficência...........................................39 Princípio da justiça ou equidade.....................................39 Princípio da autonomia ....................................................39 Autonomia na saúde mental....................................39 Autonomia e o Projeto Terapêutico Singular...........40 Saúde Mental e Assistência Farmacêutica8 UNIDADE 04 Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 9 Estamos na última unidade de estudos da disciplina de saúde mental e assistência farmacêutica. O que essa disciplina te acrescentou até aqui? Conseguiu aprofundar seus conhecimentos em saúde mental? Nessa unidade vamos começar aprofundando o conhecimento sobre os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ligando os conhecimentos que tivemos nas aulas anteriores com novos conteúdos, entendendo como a luta antimanicomial auxiliou na estruturação do CAPS para atuar com os serviços substitutivos e conhecendo cada modalidade de CAPS E sua estrutura física e equipe de profissionais Após entender mais sobre o CAPS, vamos conhecer sobre o seu gerenciamento, mas para isso, você vai conhecer como funciona a gestão de saúde e seu desenvolvimento pois a gestão do CAPS é baseada na forma de gestão estratégica do SUS, e complementar o conhecimento de gestão vamos entender como funciona o repasse financeiro no SUS e no CAPS. Sabemos que o CAPS faz parte da Rede de Atenção Psicossocial, mas como funciona essa rede? Isso é o que vai descobrir nessa aula, entender que essa rede faz parte de uma rede maior chamada de Rede de Atenção à Saúde e vai conhecer os principais componentes do RAPS e de que forma são utilizados. E, por fim, vamos mergulhar num assunto importante em todos os aspectos da saúde, mas principalmente no tratamento de transtorno metal: Ética e Bioética. Você já ouviu falar de ética e bioética? Provavelmente sim, mas você vai entender porque ela é importante na atenção psicossocial principalmente quando você conhecer os quatro princípios da bioética que são beneficência, não-maleficência, justiça e equidade e autonomia e entender que eles estão relacionados aos direitos humanos. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! INTRODUÇÃO Saúde Mental e Assistência Farmacêutica10 Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Conhecer sobre o Centro de Atenção Psicossocial, suas diretrizes e classificações 2. Compreender como funciona o gerenciamento do Centro de Atenção Psicossocial 3. Conhecer sobre a Rede de Atenção Psicossocial 4. Compreender os conceitos de ética e bioética na atenção psicossocial. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! OBJETIVOS Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 11 CAPS - Centro de Atenção Psicossocial: Diretrizes e classificações INTRODUÇÃO Nas aulas anteriores falamos em vários momentos sobre os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Nessa aula vamos entender o que é, quais as classificações existentes e assuas diretrizes. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! História do Centro de Atenção Psicossocial Como já vimos em aulas passadas, a Reforma Psiquiátrica tem uma história singular. Com a luta pela desinstitucionalização do tratamento de transtornos mentais fez com que profissionais da saúde buscassem novas formas de atuar na saúde mental. A partir disso, surgiu o Projeto de Lei nº 3.657/89, que dispunha sobre a progressiva extinção das instituições manicomiais e sua substituição por outros dispositivos assistenciais, bem como sobre a regulamentação da internação psiquiátrica compulsória. Durante a tramitação desse projeto de lei, alguns estados instituíram leis estaduais, baseadas nos princípios da luta antimanicomial e iniciaram o processo de substituição progressiva da assistência no hospital psiquiátrico por outros dispositivos ou serviços. Nesse período já surgem alguns CAPS, sendo o primeiro na cidade de São Paulo. SAIBA MAIS O primeiro CAPS instituído no Brasil, em 12 de março de 1987, foi o Centro de Atenção Psicossocial Professor Luiz da Rocha Cerqueira, conhecido como CAPS Itapeva, em São Paulo. Já atendeu mais de 15 mil pacientes e é considerado até hoje como referência em saúde mental. Em 2017 completou 30 anos e fez uma semana de atividades em comemoração. Para conhecer mais sobre esse CAPS acesse o link para leitura da reportagem na integra: http://bit.ly/2wgei9E http://bit.ly/2wgei9E Saúde Mental e Assistência Farmacêutica12 DEFINIÇÃO são pontos de atenção estratégicos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS): serviços de saúde de caráter aberto e comunitário constituído por equipe multiprofissional e que atua sobre a ótica interdisciplinar e realiza prioritariamente atendimento às pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, em sua área territorial, seja em situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial e são substitutivos ao modelo asilar. Após 12 anos, e algumas modificações, o projeto foi aprovado como Lei n 10.216, de 6 de abril de 2001 que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Um ano depois, a Portaria nº 336, de 19 de fevereiro de 2002 a qual estabelece os Centros de Atenção Psicossocial e descreve que poderão constituir-se nas modalidades de serviços: CAPS I, CAPS II e CAPS III, definidos por ordem crescente de porte/complexidade e abrangência populacional. Nesse momento, os CAPS começam a se estruturar e atuar na saúde mental com serviços substitutivos para o cuidado dos pacientes com transtornos mentais e, principalmente, atuando nos pacientes que passaram anos nas instituições e precisam de apoio para voltar a conviver na sociedade, ainda preconceituosa. (MS M. d., 2004; MS, 2015; BRASIL, Portaria n 336, de 19 de fevereiro de 2002, 2002; LEAL & ANTONI, 2013) O que é e como funciona o CAPS O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é um serviço de saúde aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde (SUS). É um lugar de tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, neuroses graves e demais quadros. A permanência e a modalidade do serviço em que esse paciente vai ser atendido depende da severidade dos sintomas. Já vimos em outra aula, mas vale reforçar a definição sobre os CAPS: Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 13 O objetivo dos CAPS é oferecer atendimento à população, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social dos pacientes a partir do exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. É um serviço de atendimento diário, no qual se gerencia os projetos terapêuticos singulares para promover melhora clínica e inserção social dos pacientes com ações intersetoriais que envolvem as várias áreas da vida do paciente como educação, trabalho, cultura e lazer. Além disso, os CAPS são responsáveis pela organização da rede de serviços de saúde mental de seu território dando suporte à atenção básica sendo, na maioria das vezes, a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental, bem como coordenando as atividades de supervisão de unidades hospitalares psiquiátricas. Na estrutura de redes de atenção à saúde mental, que veremos mais adiante, o CAPS é considerado o centro de acesso, responsável pelo fluxo e contrafluxo do paciente. Com esse modelo, o paciente não sai do sistema de saúde e volta nos momentos de crise, na verdade ele permanece sendo acompanhado, direta ou indiretamente. Pois o ponto principal desse modelo é o acompanhamento do paciente, seja nos momentos de crise, seja nas suas atividades cotidianas. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica14 Figura 1:CAPS como centro da Rede de Atenção Psicossocial Fonte: Pedro Henrique Antunes da CostaTelmo Mota RonzaniFernando Antonio Basile Colugnati Os CAPS devem ter um espaço próprio e preparado para atender à sua demanda fornecendo consultórios para as atividades individuais, salas para atividades em grupo, oficinas e espaço de convivência e ambiente externo para as mesmas atividades. Além disso, devem ter sanitários e refeitórios de acordo com o tempo de permanência dos pacientes previamente estabelecida no seu projeto terapêutico. (MS M. d., 2004; MS, 2015; BRASIL, Portaria n 336, de 19 de fevereiro de 2002, 2002; LEAL & ANTONI, 2013) Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 15 Entrada e permanência do paciente no CAPS Os pacientes atendidos no CAPS são aqueles que apresentam transtornos mentais severos e/ou persistentes relacionados a alterações biológicas ou por substâncias psicoativas independente a faixa etária. Cada paciente sendo atendido no CAPS cuja modalidade se enquadre no perfil de seu transtorno. Esse paciente pode procurar diretamente os serviços do CAPS ou ser encaminhado pelo Programa de Saúde da Família ou por qualquer outro serviço de saúde. A partir da sua entrada é elaborado o Plano Terapêutico Singular que é individual e de acordo com a necessidade do paciente articulando cuidado clínico e programas de reabilitação psicossocial. (MS M. d., 2004; MS, 2015; BRASIL, Portaria n 336, de 19 de fevereiro de 2002, 2002; LEAL & ANTONI, 2013) Diretrizes Centro de Atenção Psicossocial Todas as atividades e serviços da saúde devem estar em consonância com as diretrizes e os princípios do SUS e na saúde mental não é diferente. Dessa forma, a organização de serviços é baseada nos princípios de universalidade, equidade e integralidade e as diretrizes de regionalização e hierarquização, regionalização e integralidade das ações, descentralização com garantia da continuidade da atenção nos vários níveis com equipes multiprofissionais para a prestação de serviços reforçando a participação social desde a formulação das políticas de saúde mental até o controle de sua execução. (MS M. d., 2004; MS, 2015; BRASIL, Portaria n 336, de 19 de fevereiro de 2002, 2002; LEAL & ANTONI, 2013) A Portaria/GM nº 336 - De 19 de fevereiro de 2002 define e estabelece diretrizes para o funcionamento dos Centros de Atenção Psicossocial estabelecendo que os Centros de Atenção Psicossocial poderão constituírem modalidades de acordo com porte, complexidade e abrangência populacional, como veremos a seguir. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica16 Classificações Centro de Atenção Psicossocial Considerando a complexidade da estrutura necessária conforme as atividades, os CAPS são classificados em CAPS I, CAPS II e CAPS III, de acordo com o porte, complexidade e abrangência populacional, mas com as mesmas funções de a atendimento à população. Existem mais duas modalidades, CAPSi e CAPSad, sendo o primeiro voltado para crianças e adolescentes e o segundo atua com pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependênciade substâncias psicoativas, nesse caso independente da faixa etária. (RIBEIRO, 2018; BRASIL, Portaria n 336, de 19 de fevereiro de 2002, 2002; MS M. d., 2004) As características de cada modalidade estão descritas na Portaria/ GM nº 336, de 19 de fevereiro de 2002. Utilizando essa legislação como base, vamos entender as semelhanças e diferenças de cada um deles: Características dos CAPS de modo geral É um serviço de atenção psicossocial com capacidade de atendimento depende de sua estrutura do município como o número de habitantes, os quais devem se responsabilizar pela organização da rede de atenção em saúde mental no seu território em acordo da coordenação do gestor local. Deve possuir profissionais capacitados para atuar como porta de entrada do paciente na rede assistencial do seu território e/ou do módulo assistencial, definido na Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS), por determinação do gestor local. Além disso deve coordenar as atividades de supervisão das unidades hospitalares psiquiátricas, além de supervisionar e capacitar as equipes da atenção básica, dos serviços e programas de saúde mental, bem como fazer e manter atualizado o cadastro dos pacientes que utilizam medicamentos essenciais para a área de saúde mental é responsabilidade do CAPS. As atividades prestadas ao paciente podem ser: Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 17 • Atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico, de orientação, entre outros); • Atendimento em grupos (psicoterapia, grupo operativo, atividades de suporte social, entre outras); • Atendimento em oficinas terapêuticas executadas por profissional de nível superior ou nível médio; • Visitas domiciliares; • Atendimento à família; • Atividades comunitárias enfocando a integração do paciente na comunidade e sua inserção familiar e social; • Disponibilizar refeições de acordo com o horário que o paciente é assistido, sendo uma para pacientes que participam por 4 horas e duas para os que ficam 8 horas. CAPS I Esse CAPS é instituído em municípios com população entre 20.000 e 70.000 habitantes e o horário de funcionamento no período de 08 às 18 horas, em 02 dois turnos, durante os cinco dias úteis da semana. A equipe técnica para o atendimento de 20 pacientes por turno, com limite máximo 30 pacientes/dia deve ser composta por: • 01 (um) médico com formação em saúde mental; • 01 (um) enfermeiro; • 03 (três) profissionais de nível superior entre as seguintes categorias profissionais: psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto terapêutico; • 04 (quatro) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica18 CAPS II Esse CAPS é instituído em municípios com população entre 70.000 e 200.000 habitantes e o horário de funcionamento no período de 08 às 18 horas, em 02 dois turnos, durante os cinco dias úteis da semana podendo ter um terceiro turno funcionando até às 21:00 horas. A equipe técnica para o atendimento de 30 pacientes por turno, com limite máximo 45 pacientes/dia deve ser composta por: • 01 (um) médico psiquiatra; • 01 (um) enfermeiro com formação em saúde mental; • 04 (quatro) profissionais de nível superior entre as seguintes categorias profissionais: psicólogo, assistente social, enfermeiro, terapeuta ocupacional, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto terapêutico. • 06 (seis) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão. CAPS III Municípios com população acima de 200.000 deve ter essa modalidade de CAPS tendo um serviço ambulatorial de atenção contínua, durante 24 horas diariamente, incluindo feriados e finais de semana além de estar referenciado a um serviço de atendimento de urgência/ emergência geral de sua região, que fará o suporte de atenção médica. Devido a existência do terceiro turno, os pacientes que permanecerem no serviço durante 24 horas contínuas receberão quatro refeições diárias. Reforçando o modelo antimanicomial, a própria legislação descreve que a permanência de um mesmo paciente no acolhimento noturno fica limitada a sete dias corridos ou 10 dez dias intercalados em um período de 30 trinta dias. A equipe técnica para o atendimento de 40 pacientes por turno, com limite máximo 60 pacientes/dia, em regime intensivo, deve ser composta por: • 02 (dois) médicos psiquiatras; • 01 (um) enfermeiro com formação em saúde mental. • 05 (cinco) profissionais de nível superior entre as seguintes Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 19 categorias: psicólogo, assistente social, enfermeiro, terapeuta ocupacional, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto terapêutico; • 08 (oito) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão. A equipe de acolhimento noturno, em plantões corridos de 12 horas, deve ser composta por: • 03 (três) técnicos/auxiliares de enfermagem, sob supervisão do enfermeiro do serviço; • 01 (um) profissional de nível médio da área de apoio; Já para as 12 horas diurnas, nos sábados, domingos e feriados, a equipe deve ser composta por: • 01 (um) profissional de nível superior dentre as seguintes categorias: médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, ou outro profissional de nível superior justificado pelo projeto terapêutico; • 03 (três) técnicos/auxiliares técnicos de enfermagem, sob supervisão do enfermeiro do serviço • 01 (um) profissional de nível médio da área de apoio. CAPSi O serviço de atenção psicossocial para atendimentos a crianças e adolescentes pode ser instituído em municípios com população de cerca de 200.000 habitantes, ou outros parâmetros populacionais e de acordo com critérios epidemiológicos, definido pelo gestor local. Devendo ter ambulatório de atenção diária destinado a crianças e adolescentes com transtornos mentais. O horário de funcionamento deve ser de 8:00 às 18:00 horas, em dois turnos, durante os cinco dias úteis da semana, podendo comportar um terceiro turno que funcione até às 21:00 horas. Vale ressaltar que por se tratar de pacientes menores de idade deve existir ações inter-setoriais, principalmente com as áreas de assistência social, educação e justiça. A equipe técnica para o atendimento de 15 crianças e/ou adolescentes por turno, com limite máximo 25 pacientes/dia, em regime Saúde Mental e Assistência Farmacêutica20 intensivo, deve ser composta por: • 01 (um) médico psiquiatra, ou neurologista ou pediatra com formação em saúde mental; • 01 (um) enfermeiro; • 04 (quatro) profissionais de nível superior entre as seguintes categorias profissionais: psicólogo, assistente social, enfermeiro, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto terapêutico; • 05 (cinco) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão. CAPSad Pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas são atendidos nesse CAPS, cuja capacidade operacional para atendimento em municípios com população superior a 70.000, e o horário de funcionamento no período de 08 às 18 horas, em 02 dois turnos, durante os cinco dias úteis da semana podendo ter um terceiro turno funcionando até às 21:00 horas. Devendo manter de dois a quatro leitos para desintoxicação e repouso. A equipe técnica para o atendimento de 20 pacientes por turno, com limite máximo 30 pacientes/dia deve ser composta por: • 01 (um) médico psiquiatra; • 01 (um) enfermeiro com formação em saúde mental; • 01 (um) médico clínico, responsável pela triagem, avaliação e acompanhamento das intercorrências clínicas; • 04 (quatro)profissionais de nível superior entre as seguintes categorias profissionais: psicólogo, assistente social, enfermeiro, terapeuta ocupacional, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto terapêutico; • 06 (seis) profissionais de nível médio: técnico e/ou auxiliar de enfermagem, técnico administrativo, técnico educacional e artesão. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 21 Resumo das diferenças entre os CAPS Para ficar mais fácil de entender as diferenças entre os CAPS veja aa figura 2 e a tabela 1, ambas resumem essas diferenças: Figura 2: Diferenças entre os CAPS de acordo com as modalidades Saúde Mental e Assistência Farmacêutica22 Tabela 1: Diferenças de recursos humanos de acordo com a modalidade do CAPS Fonte: o Autor Modalidade Médico Enfermeiro Nível superior Nível médio CAPS I 1 com formação em saúde mental 1 enfermeiro 3 profissionais 4 profissionais CAPS II 1 psiquiatra 1 com formação em saúde mental 4 profissionais 6 profissionais CAPS III* 2 psiquiatras 1 com formação em saúde mental 5 profissionais 8 profissionais CAPSi 1 psiquiatra, ou neurologista ou pediatra com formação em saúde mental 1 enfermeiro 4 profissionais 5 profissionais CAPSad** 1 psiquiatra 1 com formação em saúde mental 4 profissionais 6 profissionais * Há diferenças nos turnos noturnos, finais de semana e feriados. ** 01 (um) médico clínico, responsável pela triagem, avaliação e acompanhamento das intercorrências clínicas E então? Conseguiu entender o motivo da criação dos CAPS? É possível perceber que a luta antimanicomial auxiliou na estruturação do CAPS para atuar com os serviços substitutivos. Além disso, cada modalidade tem sua estrutura e profissionais de acordo com o perfil do paciente que será atendido e o perfil do território em que se encontra. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 23 O gerenciamento da CAPS INTRODUÇÃO Nesse tópico vamos conhecer o gerenciamento do CAPS, mas para isso, devemos entender primeiro como funciona a gestão de saúde e seu desenvolvimento, isso porquê, o gestor do CAPS, na maioria das vezes é o mesmo gestor do território no qual ele está instalado. Além disso, a forma de gestão do CAPS deve estar baseada na forma de gestão da saúde segundo a legislação vigente. Pronto para essa jornada de aprendizado? Então, vamos começar! Gestão da saúde Discutir sobre gestão sempre é um processo complexo principalmente quando o foco é avaliação de um serviço de saúde mental, pois os novos serviços, como o CAPS por exemplo, vieram para romper com o modelo anterior centrado na internação hospitalar focado no isolamento, exclusão e perda da autonomia. Nesse sentido a gestão deve atuar como uma politica de interlocução e avaliação com uma metodologia especifica que comtemple a pluralidade e a interdisciplinaridade entendendo a subjetividade o trabalho técnico e clínico do processo. Uma tarefa fundamental do gestor e da equipe gestora é conhecer a situação de saúde e os dados epidemiológicos do território sob sua responsabilidade para uma boa tomada de decisão em todos os aspectos de gestão, principalmente na organização dos serviços e definição dos protocolos e linhas de cuidado. Conhecendo o perfil populacional do território, os principais problemas de saúde da população, os serviços existentes, a rede de apoio, a força de trabalho em saúde é possível elaborar a análise da situação de saúde. Com esses dados é possível elaborar o Mapa da Saúde, preconizado pelo Decreto n. 7.508/2011, que é a “descrição geográfica da distribuição recursos humanos (entenda-se força de trabalho em Saúde Mental e Assistência Farmacêutica24 saúde) e das ações e serviços da saúde ofertados pelo SUS e pela iniciativa privada, considerando-se a capacidade instalara existente, os investimentos e o desempenho aferido a partir dos indicadores de saúde do sistema”. (BRASIL, Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011, 2011; GIL, LUIZ, & GIL, 2016). Situação de saúde para gestão Na saúde território vai além do enfoque geográfico e administrativo, caracteriza-se por uma população relativamente específica que divide um mesmo espaço geográfico, social, cultural, econômico e político com problemas e necessidades de saúde determinados utilizando os mesmo equipamentos social como escolas, serviços de saúde, transporte, entre outros. Com essa perspectiva o território tem como característica a extensão geográfica junto com perfil demográfico, epidemiológico, administrativo, tecnológico, político, social e cultural. Todas essas informações são importantes para o planejamento de ações de saúde. Com dados e informações de saúde do território em mãos, o gestor consegue elaborar os indicadores importantes para identificar, planejar e avaliar as ações e serviços desenvolvidos como os indicadores de efetividade após as ações já desenvolvidas, mas também os indicadores de mortalidade, de morbidade, demográficos, socioeconômicos e ambientais. Cada um deles alimentando e utilizando os sistemas de informação mais adequados. Para o planejamento em saúde é necessário conhecer a capacidade instalada, ou seja, conhecer a estrutura disponível no serviço para desenvolver as ações que se quer executar. Algumas informações precisam estar organizadas e disponíveis, entre elas estão: • Número de Unidades Básicas de Saúde, por região do município. • Número de equipes de Saúde da Família, por UBS e região. • Série histórica de cobertura da Estratégia Saúde da Família. • Número de equipes de Saúde Bucal, por UBS e região. • Série histórica de cobertura da Saúde Bucal. • Número de equipes de NASF, por UBS e região. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 25 • Distribuição da Força de Trabalho em Saúde, por região, vínculo, categoria, jornada de trabalho. • Número de Centros de Apoio Psicossocial, por região. • Número de Centros de Especialidades Odontológicas, por região. • Número e distribuição de serviços de referência, por especialidades. • Número de leitos de internação por mil habitantes. • Número de leitos de internação existentes por tipo de prestador, segundo especialidade. • Número de equipamentos existentes, em uso e disponíveis ao SUS, segundo grupo de equipamentos. • Número de equipamentos de categorias selecionadas: existentes, em uso e disponíveis para o SUS. • Estabelecimentos e tipo de prestador, segundo dados do CNES. • Outros que sejam de interesse e necessários para a gestão do SUS. IMPORTANTE Perceba que até aqui estamos falando da gestão em saúde e entre as atividades do gestor está a gestão de ações e serviços da saúde mental e gerenciamento do CAPS. (BRASIL, Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011, 2011; GIL, LUIZ, & GIL, 2016) Planejamento na gestão do SUS Quando pensamos em planejamento nosso primeiro pensamento é elaboração de um plano, elaboração de normas e até quais recursos financeiros serão necessários. É claro que tudo que foi dito é necessário, porém, o processo de planejamento vai além. Focar nessa estrutura básica é utilizar o planejamento normativo no qual o gestor planeja, define as ações e a equipe operacional pões em prática. Nesse contexto, o gestor está em uma situação de comandar, mas nem sempre tem total conhecimento do dia-a-dia e da possibilidade de por em prática o que foi planejado. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica26 Por isso, para um bom planejamento em saúde usa-se o planejamento estratégico, no qual todos os atores envolvidos (gestor, equipe, usuários e sociedade) elaboram em conjunto os planos a serem traçados, com isso os objetivos e as ações estão mais embasados na realidade e, consequentemente, com maior chances de sucesso. Com os dados e informações em mãos, é possível identificar a situação atual, principalmente os problemas e as necessidades do território, e, a partir disso, busca-se verificar qual a situação ideal, ouseja, onde se quer chegar. Sabendo onde estamos e onde queremos chegar, os atores envolvidos traçam metas e objetivos, quais as atividades devem ser desenvolvidas e quais indicadores de resultados podem ser utilizados, ou seja, elaboram o Plano de Saúde. (GIL, LUIZ, & GIL, 2016; BRASIL, Manual de planejamento no SUS, 2016) Plano de Saúde ou Plano de Trabalho Para ser efetivo o Plano de Saúde, ou Plano de Trabalho, deve ser construído com a participação e envolvimento do gestor, das equipes de saúde, dos conselhos de saúde e da população dos territórios. Retratando a situação real de saúde e qualificando o processo de tomada de decisão sempre baseados nos princípios e diretrizes do SUS. A forma de gestão de qualquer instituição está diretamente relacionada ao perfil do gestor e das influências das subjetividades na dinâmica gerencial. A forma de estabelecer vínculos e de se relacionar com os diversos atores envolvidos pode facilitar ou dificultar o processo de gestão. Esses gestores devem possibilitar condições técnicas, clínicas e políticas que garantam o direito ao tratamento, a organização de uma rede de atenção integral a saúde. No caso da saúde mental, esse gestor deve utilizar o CAPS como dispositivo estratégico capaz de funcionar com centros articuladores das instâncias dos cuidados básicos de saúde. (GIL, LUIZ, & GIL, 2016; BRASIL, Manual de planejamento no SUS, 2016) Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 27 Gestão em saúde mental Como em outras áreas do SUS, a gestão da política de saúde mental é tarefa complexa, descentralizada, com diversos níveis de decisão e de controle social. A primeira legislação sobre a gestão dos CAPS foi a Portaria nº 224, de 29 de janeiro de 1992, que estabeleceu as normas para implantação destas instituições. Em 2002 ela foi revogada pela Portaria nº 336/GM, de 19 de fevereiro de 2002, a qual veio para regulamentar as diferentes modalidades. Sendo válida em todo o território nacional estabelece um padrão para a instituição dos CAPS, e garante a liberdade de atuação sob a coordenação de um gestor baseado nas políticas de saúde mental para a implantação do Plano de Trabalho ou Plano de ação. Para implantar as ações na área da saúde mental é preciso atentar-se para as realidades distintas, operacionalizando ações que visem a reinserção social e o convívio familiar. A saúde mental avançou de forma significativa sua concepção sobre os transtornos mentais necessitando de uma nova forma de gestão, o que gera grandes desafios na forma de planejar e gerir ações que levem a uma mudança nas práticas. A desarmonia entre os âmbitos técnico, político e administrativo influencia de forma negativa o campo da saúde mental. O âmbito técnico é sinalizado pela correlação do desenvolvimento tecno-cientifico das profissões e das tecnologias em saúde. O âmbito político envolve as mudanças jurídicas, ou seja, das legislações e da participação social, pois os movimentos sociais, influenciam as legislações propostas. Por fim, o âmbito administrativo está basicamente relacionado ao financiamento, o qual, cresceu com a implementação da Portaria n. 399/GM de 2006 que regula e organiza o financiamento estratégico para realização dos custeios dos blocos de financiamento em saúde. Na saúde mental a Portaria n. 3.089 de 2011 descreve de forma especifica sobre o financiamento na saúde mental, mas a Portaria 3.588/2017 gerou significativas mudanças na Política Nacional de Saúde Mental como veremos adiante. Com o apoio do gestor municipal, existe um nível de autonomia administrativa e financeira nos CAPS, tanto para aquisição de bens e Saúde Mental e Assistência Farmacêutica28 serviços quanto para contratação de recursos humanos garantindo o melhor uso possível dos recursos sempre estruturados nas legislações vigentes como em relação a licitações e concursos públicos. (HEIDEMANN, 2019; HECK & al, 2008; BRASIL, Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2011, 2011; GIL, LUIZ, & GIL, 2016) Financiamento do SUS e repasse para o CAPS O financiamento em saúde é baseado, inicialmente na Lei 8.142, a qual está relacionada a participação da comunidade na gestão do SUS e descreve sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde. Tendo seu aspecto fundamental na alocação dos recursos do Fundo Nacional de Saúde, atividades relacionadas às ações em saúde, de forma regular e automática. Fica evidente na legislação a participação em financiamento e em ações de serviços de saúde das três esferas de governo, levando a essa característica tripartite de financiamento, sendo feita transferência fundo a fundo do Governo Federal para o Município, mas para que esse repasse aconteça o município deve se enquadrar nos critérios descritos no artigo 35 da Lei 8.080/90, o qual é alterado a Emenda Constitucional n. 29, de 13/9/2000. Essa Emenda definiu os percentuais mínimos a serem aplicados nas ações e serviços de saúde de 2000 até 2004, havendo um aumento real nos investimentos em saúde, porém, ela não define quais o que são consideradas ações e serviços de saúde, gerando alguns problemas de interpretação e investimento. Por causa dessa dificuldade, foi criada a Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012 que dispões sobre os investimentos de cada esfera de governo. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 29 SAIBA MAIS Quando os Municípios entenderem ser vantajoso, podem estabelecer consórcios para a execução das suas ações em saúde, remanejando entre si os recursos. Dessa forma, Municípios pequenos podem complementar suas ações em saúde com o auxílio das cidades vizinhas e ajuda-las em suas ações. A Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012 dispões sobre os valores mínimos a serem aplicados anualmente pelas esferas de governo em ações e serviços públicos de saúde, estabelecendo os critérios de rateio e transferência, normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde. Além disso, ela define o que deve ser considerado gastos em saúde, fixando os percentuais mínimos pelas três esferas da seguinte forma: • União aplicará o valor do ano anterior, acrescido da variação nominal do PIB (produto Interno Bruto) dos dois anos anteriores à Lei; • Estados devem aplicar 12%; • Municípios devem aplicar 15%. Descreve também como esses recursos devem ser aplicados em as ações e serviços públicos de acesso universal, igualitário e gratuito e descreve o que não faz parte das ações e serviços de saúde. Falamos que existe o repasse do governo, o qual era feito por meio de seis blocos de financiamento divididos em: atenção básica, atenção especializada, vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, produtos profiláticos e terapêuticos e alimentação e nutrição sem possibilidade de remanejá-los, regulamentado pela Portaria n. 399/GM de 2006. Por isso, em alguns casos, eles ficavam parados, sobrando recurso em um bloco e faltando em outro. Em 2017, a Portaria 3.992, de 28 de dezembro de 2017 foi regulamentada e o repasse é feito em duas categorias: custeio de ação e serviços públicos de saúde e o bloco de investimento. Essa nova forma de repasse permite mais eficiência além de controle e monitoramentos mais precisos, assim o gestor tem fácil acesso aos recursos e ao final deve prestar contas à União e mostrar que respeitou os compromissos assumidos no Plano de Saúde e orçamento federal. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica30 Até aqui, entendemos como funciona os repasses de financiamento no SUS, dessa forma ficará mais claro para entender os aspectos específicos no financiamento do CAPS. Importante entender que os recursos serão incorporados ao limite financeiro de média e alta complexidade dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. O repasse para os CAPS de acordo com sua modalidade é regulamentado pela PORTARIA Nº 3.089, DE 23 DE DEZEMBRODE 2011. Na qual é descrito que o recurso financeiro fixo para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) devidamente credenciados pelo Ministério da Saúde e cada modalidade com valores de acordo com a estrutura e atividades desenvolvidas, como já vimos nessa aula. Porém, em 2017, a PORTARIA Nº 3.588 não apenas interrompe o fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos como estava previsto na Lei 10.216/2001, como também amplia os valores pagos para a internação nessas instituições estimulando a criação de novas vagas psiquiátricas em hospitais gerais. Além disso, prevê um aumento de financiamento público para as comunidades terapêuticas privada, sendo na maioria de cunho religioso. REFLITA Você deve estar se perguntando qual o problema de aumentar o financiamento para essas comunidades terapêuticas? O problema é que muitas dessas comunidades atendem apenas os pacientes que se convertem à religião proposta. Os que não aceitam a religião simplesmente não são atendidos o que vai de encontro ao princípio do SUS de integralidade, ou seja, todos tem direito a ser atendido. Além disso, as comunidades terapêuticas podem se assemelhar a internações manicomiais o que vai de encontro à Reforma Psiquiátrica. Nesse tópico vimos sobre o gerenciamento no SUS, a importância dos dados coletados e como utiliza-los para desenvolver um planejamento estratégico elaborando as metas e objetivos bem como propor atividades para cumpri-los e indicadores para avaliação contínua dos resultados. Entendemos sobre o repasse financeiro no SUS e como acontece na saúde mental. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 31 RAPS - Rede de Atenção Psicossocial INTRODUÇÃO Nesse tópico vamos conhecer sobre a Rede de Atenção Psicossocial. Para isso, vamos primeiro falar sobre Rede de Atenção à Saúde, que é a estrutura do SUS desde 2011 sendo responsável pela estruturação da RAPS. Por fim, vamos conhecer os componentes da RAPS como funcional e ser interligam para o fluxo e contrafluxo eficaz do paciente. E ai, preparado para aprofundar seus conhecimentos? Então vamos lá. Avante! Redes de Atenção à Saúde (RAS) Para entender o RAPS é necessário conhecer a estrutura do SUS. Quando o nosso Sistema de Saúde foi criado sua estrutura de acesso aos diversos níveis do serviço de saúde era piramidal. Ou seja, há níveis de atenção, divididos em primário, secundário e terciário trabalhando com níveis de atenção focado na complexidade, principalmente tecnológica, acaba sendo fragmentado e seu foco está nas condições agudas ou agudização das condições crônicas. DEFINIÇÃO Segundo MENDES, 2001, condições de saúde são as circunstâncias na saúde das pessoas que se apresentam de forma mais ou menos persistente e que exigem respostas sociais reativas ou proativas, eventuais ou contínuas e fragmentadas ou integradas dos sistemas de atenção à saúde”. A condição de saúde pode ser: condições agudas e condições crônicas, sendo baseada no tempo de duração dessa situação do paciente . (MENDES, 2011) Com a visão de se implantar um sistema de saúde mais integrado, as redes de atenção têm a finalidade de aproximar os níveis de diversas complexidades e substituir a organização piramidal fragmentada. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica32 O modelo de rede de atenção à saúde tem uma característica horizontal, tendo a unidade básica como centro, em geral é a porta de entrada do usuário, mas não exclusiva. Coordenando a rede e o cuidado central da comunidade, garantindo o acesso aos serviços de saúde e é responsável pelo cuidado do usuário do sistema durante todo o processo de tratamento e acompanhamento. Figura 3: Rede de Atenção à saúde. Fonte: Autor Cada ponto, com sua densidade tecnológica, mas não tem, necessariamente, uma ordem e nem grau de importância, sendo todos igualmente importantes para atender as necessidades do paciente. Essa estruturação horizontal fortalece e, em alguns casos, modifica as funções de cada área bem como seu perfil assistencial, e é isso que acontece na saúde mental com a estruturação da Rede de Atenção Psicossocial. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 33 Instituição da Rede de Atenção Psicossocial A RAPS foi instituída pela Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011 cuja ementa descreve: “Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)”. O artigo 2 º fala sobre as diretrizes que norteiam o funcionamento da RAPS sendo possível perceber que o respeito aos direitos humanos, a autonomia e a liberdade das pessoas, a garantia da equidade e combate a estigmas e preconceitos são os fundamentos base. Essa estrutura tem como objetivos gerais ampliar o acesso à atenção psicossocial da população em geral, dos pacientes com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, bem como de suas famílias, além de garantir a articulação e a integração dos pontos de atenção. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017) Componentes da Rede de Atenção Psicossocial - RAPS A RAPS é constituída por sete componentes, também chamados de pontos de atenção, cada um deles compreende um conjunto de ações e serviços que têm o propósito de atender às diferentes necessidades dos usuários e seus familiares, nos mais diversos territórios. Vamos conhecer cada um deles. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017) Atenção básica em saúde A Atenção Básica tem as Unidade Básicas de Saúde, Estratégia de Saúde da Família (ESF), equipe de consultório na rua e Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) como estruturas para suas atividades. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica34 A Estratégia de Saúde da Família é um conjunto de ações voltadas à esfera individual e coletiva para promoção e proteção da saúde por meio de uma equipe multiprofissional. Na saúde mental a ESF é considerada um importante instrumento por ter suas atividades baseadas na Reforma Psiquiátrica e no SUS. Além disso, junto com a Unidade Básica de Saúde, são as principais portas de entrada do sistema de saúde sendo uma das parceiras para integração das ações e acompanhamento do paciente. O Núcleo de Apoio à Saúde da Família é a parte fundamental da atuação na saúde mental por ser responsável pelo apoio matricial das Unidades Básicas de Saúde e da equipe de Estratégia de Saúde da Família. A equipe de Consultório na Rua é um grupo multiprofissional que atua de forma itinerante ofertando ações e cuidados de saúde para a população em situação de rua. Lembrando que grande parte dessas pessoas sofrem com abuso de drogas e, muitas vezes, estão na rua por terem graves transtornos mentais ou adquirem devido as drogas. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017; OLIVEIRA & al, 2017) Atenção psicossocial especializada Já falamos sobre os Centros de Atenção Psicossocial, nas suas diferentes modalidades, mas vale reforçar que esse é o componente especializado da Rede de Atenção Psicossocial. Constituído por uma equipe multiprofissional atuando no acompanhamento do paciente dentro e fora dos serviços de saúde utilizando o Plano Terapêutico Singular e servindo como apoio matricial para o componente da atenção básica. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017) Atenção de urgência e emergência Como já vimos, os momentos de crise do paciente devem ser tratados o mais rápido possível, por isso o SAMU 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a UPA 24 horas (Unidade de Pronto Atendimento) são os principais pontos de urgência e emergência. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 35 O SAMU é acionado por telefone (192) articulando e favorecendo o acesso a outros pontosde atenção como CAPS e UBS. Existem protocolos nacionais de intervenção para o SAMU para o atendimento de pessoas com sofrimento ou transtornos mentais e abuso de drogas utilizando com base a legislação brasileira e experiências nacionais e internacionais para elaboração desses protocolos. O paciente pode chegar à UPA por conta própria, com um familiar ou pela ação do SAMU. Esse ponto de atenção faz a classificação de risco e a intervenção imediata quando necessário além de ser responsável por garantir a continuidade do cuidado do paciente de acordo com a necessidade. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017) Atenção residencial de caráter transitório O componente de Atenção residencial de caráter transitório possui dois pontos de atenção, a Unidade de Acolhimento e os Serviços de Atenção em Regime Residencial. Ambos com pacientes encaminhados pelo CAPS que apresentam acentuada vulnerabilidade social e/ou familiar. As Unidades de Acolhimento funcionam 24 horas oferecendo ambiente residencial e cuidado contínuo às pessoas com necessidades decorrentes de uso de álcool e outras drogas num período até de seis meses. No caso dos serviços de atenção em regime residencial o tempo pode ser de até nove meses quando o indivíduo necessita de afastamento de seus contextos. Lembrando que esse ponto de atenção afasta do convívio social os pacientes que realmente necessitam buscando, nesse período, reestruturá-lo para a volta às suas atividades o mais rápido possível. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017) Atenção hospitalar Localizados dentro de hospitais gerais, esses pontos podem ser enfermaria especializada em Hospital Geral e serviço Hospitalar. Esses Saúde Mental e Assistência Farmacêutica36 hospitais dispões de leitos habilitados para oferecer suporte à saúde mental com intervenção curta ou curtíssima para o restabelecimento de condições clínicas e investigação de comorbidades sempre garantindo a continuidade do cuidado. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017) Estratégias de desinstitucionalização Responsável pelo cuidado do paciente que ficou internado por longo período em instituição de saúde mental, os Serviços Residenciais Terapêuticos e o Programa de Volta pra Casa tem como objetivo a reinserção desses indivíduo ao convívio social atuando na promoção de autonomia e o exercício de cidadania a partir do apoio de profissionais e os outros pontos de atenção. O programa de Volta pra Casa provê um auxilio financeiro mensal para esse paciente egresso de internações de longa permanência como forma de indenização e início da inclusão social. Outro programa importante é o programa de desinstitucionalização que atua junto aos profissionais dos hospitais psiquiátricos para construir, em conjunto, o processo de desinstitucionalização dos moradores. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017) Reabilitação psicossocial A reabilitação Psicossocial é um conjunto de ações que busca a inclusão e o exercício de direitos de cidadania através de iniciativas de trabalho e geração de renda, empreendimento solidários e cooperativas sociais. (BRASIL, PORTARIA Nº 3.088, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2011, 2011; MEDEIROS, 2017) Vimos nesse tópico a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial e seus componentes, todos atuando em conjunto como pontos de atenção para acompanhar o paciente com transtornos mentais e necessidades decorrentes do abuso de álcool e outras drogas. Assim como a Rede de Atenção à Saúde é uma estrutura horizontal na qual o paciente faz o fluxo e contrafluxo entre esses pontos de atenção para garantir a universalidade, equidade e integralidade entro outros princípios do SUS. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 37 Ética e bioética na atenção psicossocial INTRODUÇÃO Você já ouviu falar de ética e bioética? Provavelmente sim, mas você consegue entender porque ela é importante na atenção psicossocial? Talvez seja difícil num primeiro momento, mas não se preocupe, nesse tópico vamos relembrar os conceitos de ética e bioética e como ela é aplicada na saúde mental. Conceitos: ética e bioética Para falar sobre ética é necessário falar também sobre moral pois elas estão associadas ao comportamento humano ambas direcionando a conduta humana no convívio social. A ética, do grego “éthos” significa caráter, no latim ela é traduzida como “mos”, por isso entendemos a ética como a “ciência da moral” ou ainda “filosofia da moral” sendo o conjunto de princípios morais que regem cada um ser humano em uma determinada época e sociedade. Ética é um conjunto de regras comportamentais e de formas da vida pelas quais o ser humano procura promover o bem utilizando como base os seus conhecimentos sobre certo e errado, justo e injusto, positivo e negativo. Moral é o conjunto de regras baseadas na cultura, na educação, na tradição e no cotidiano. Perceba que a moral muda conforme a sociedade muda pois está vinculada ao modo de agir das pessoas, muito relacionada aos valores e convenções estabelecidas de forma coletiva para distinguir o bem do mal, atos de paz e violência. Quando você assiste um filmes de época consegue perceber como a sociedade era diferente? Os padrões de comportamento, os conceitos de certo e errado, a postura das personagens. Filmes que mostram a protagonista como uma mulher autentica e buscando a luta por direitos, como escolher o próprio marido. Você consegue imaginar sendo obrigado a casar com alguém que não foi você que escolheu? Pois é, naquela época a “moral” e os “bons costumes” preconizavam Saúde Mental e Assistência Farmacêutica38 DEFINIÇÃO O juramento de Hipócrates atualizado diz: A saúde do meu paciente será a minha primeira preocupação. Não permitirei que fatores de ordem religiosa, nacional, racial, política ou de caráter social se interponham entre os meus deveres e o meu paciente. Mostrarei o máximo respeito pela vida humana, desde o momento da sua concepção; nem mesmo coagido farei uso dos meus conhecimentos médicos para fins que sejam contrários à leis humanas. (ZUBIOLI, 2004) que a escolha deveria ser feita pelos pais. Pensando na saúde, os testes eram feitos em animais, mas em seres humanos também. Por muito tempo pessoas serviam como cobaias sem o seu consentimento sendo considerado ético pois era para o bem da ciência. Tenho certeza que você está pensando agora, que bom que os tempos mudaram!]] Bioética tem como origem o conceito de ética voltado à saúde. Esse termo surgiu a partir dos grandes avanços tecnológicos da biologia, da medicina e da saúde como um todo principalmente relacionado as descobertas e aplicações dessas tecnologias tanto durante estudos tanto na utilização no ser humano e sua intervenção sobre a vida e a natureza. Para utilizarmos este princípio é necessário o desenvolvimento de competências profissionais para podermos identificar os risco e benefícios aos quais o paciente está exposto e decidir por determinadas atitudes, práticas e procedimentos. Infelizmente, é comum o profissional da saúde tende a utilizar esse princípio para agir de forma paternal, ou seja, decidir o que é melhor para ele sem necessariamente informa-lo e sem o seu o consentimento para os procedimentos a serem adotados. Reduzindo adultos a condição de crianças interferindo na liberdade de suas ações. Acontecendo principalmente em países que existem diferença sócio- econômico-cultural acentuada, onde as pessoas tendem a ser mais submissas principalmente pela falta de conhecimento. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 39 Princípio da não-maleficência Como o nome descreve, esse princípio tem como conceito não fazer o mal para o paciente, não causar danos nem o colocar em risco. O profissional deve ser comprometer a avaliar a situação e evitaros danos previsíveis não bastando apenas ter boas intenções de não prejudicar o paciente, mas verificar se suas atitudes e ações não oferecem riscos ou buscar sempre as de menor risco Princípio da justiça ou equidade Refere-se aos direitos e deveres de todos. Segundo a Constituição de 1988, todo cidadão tem direito à assistência de saúde. Os princípios do SUS universalidade, integralidade e equidade reforçam esse princípio da justiça. Princípio da autonomia Esse princípio preconiza que cada indivíduo tem liberdade de escolha, em relação ao tratamento, ou até mesmo de não quer intervenção. Não impede que o profissional atue mas dá ao ser humano a capacidade de refletir sobre as limitações e as possibilidades existentes. Mas para que esse princípio seja usado adequadamente pelo paciente, é necessário que os profissionais da saúde tenham capacidade de orientá-lo de forma imparcial par que, juntos possam atuar na condição de saúde do paciente. (KOERICH MS, 2005; BRAZ & SCHRAMM, 2011; COSTA, ANJOS, & ZAHER, 2007; ZUBIOLI, 2004) Autonomia na saúde mental Dentre os princípios que vimos nessa aula, o princípio da autonomia tem relação direta com a saúde mental, pois a luta antimanicomial busca, entre outras coisas, a autonomia do paciente dentro da sociedade, mas também em relação ao seu tratamento. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica40 A pessoa autônoma tem liberdade de pensamento, livre de coações internas ou externas, para escolher entre as opções que lhe são apresentadas. Para que o profissional consiga ver o paciente como autônomo, deve reconhecer as capacidades e as perspectivas pessoais, incluindo o direito de ele examinar e fazer escolhas, para tomas atitudes baseadas em suas convicções e valores pessoais. Pacientes com transtorno mental pode ter sua autonomia reduzida de forma transitória ou permanente, mas deve ser respeitada da mesma forma. (KOERICH MS, 2005; BRAZ & SCHRAMM, 2011; COSTA, ANJOS, & ZAHER, 2007; ZUBIOLI, 2004) Autonomia e o Projeto Terapêutico Singular O projeto terapêutico singular (PTS) como “um plano de ação compartilhado composto por um conjunto de intervenções que seguem uma intencionalidade de cuidado integral à pessoa” Por ser construído pela equipe e pelo paciente, desafia a hierarquização e a supremacia médica e reafirma a capacidade de autonomia do indivíduo perante as decisões de sua própria existência. O envolvimento do paciente nas decisões do seu processo de cuidado é uma das condições para a melhora e/ou cura de sua condição de saúde. Estando atrelado à competência do paciente para refletir e fazer escolhas e do respeito da equipe de saúde isso para materializar à autonomia do paciente. No desenvolvimento do PTS deve ocorrer a capacitação do paciente para que ele tome a melhor decisão, baseado nas informações passadas pelos profissionais de forma imparcial sem direcionar sua decisão nem esconder informações relevantes. A participação do paciente na tomada de decisão é importante por dois motivos: em primeiro lugar para quebra do paradigma do paternalismo, visto no princípio da beneficência, em segundo lugar, se o médico toma as decisões de forma exclusiva, além da passividade, o paciente pode se opor ao tratamento adotado. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 41 Vimos nesse tópico sobre ética, moral e bioética e suas definições e conhecemos os quatro princípios da bioética, beneficência, não- maleficência, justiça e equidade e autonomia. Todo de forma direta ou indireta estão relacionados aos direitos humanos um dos pilares da Reforma Psiquiátrica. Por fim vimos que a ética e a autonomia do paciente direcionam a elaboração do Plano Terapêutico Singular do paciente. Chegamos ao final de nossa disciplina sobre saúde mental. O que achou? Um mundo completamente novo para você? Ou já fazia parte da sua vivência? Espero que independente do seu conhecimento prévio tenha aprendido mais sobre saúde mental e, principalmente, observado essa condição de saúde com um novo olhar. Saúde Mental e Assistência Farmacêutica42 BIBLIOGRAFIA BRASIL. (2002). Portaria n 336, de 19 de fevereiro de 2002. Acesso em 07 de 06 de 2019, disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/ prt0336_19_02_2002.html BRASIL. 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Saúde Mental e Assistência Farmacêutica 45 Mariana Martins Garcia Saúde Mental e Assistência Farmacêutica CAPS - Centro de Atenção Psicossocial: Diretrizes e classificações História do Centro de Atenção Psicossocial O que é e como funciona o CAPS Entrada e permanência do paciente no CAPS Diretrizes Centro de Atenção Psicossocial Classificações Centro de Atenção Psicossocial Características dos CAPS de modo geral CAPS I CAPS II CAPS III CAPSi CAPSad Resumo das diferenças entre os CAPS O gerenciamento da CAPS Gestão da saúde Situação de saúde para gestão Planejamento na gestão do SUS Plano de Saúde ou Plano de Trabalho Gestão em saúde mental Financiamento do SUS e repasse para o CAPS RAPS - Rede de Atenção Psicossocial Redes de Atenção à Saúde (RAS) Instituição da Rede de Atenção Psicossocial Componentes da Rede de Atenção Psicossocial - RAPS Atenção básica em saúde Atenção psicossocial especializada Atenção de urgência e emergência Atenção residencial de caráter transitório Atenção hospitalar Estratégias de desinstitucionalização Reabilitação psicossocial Ética e bioética na atenção psicossocial Conceitos: ética e bioética Princípio da não-maleficência Princípio da justiça ou equidade Princípio da autonomia Autonomia na saúde mental Autonomia e o Projeto Terapêutico Singular