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PÁGINA 53 movimentos sociais, no final da década de 1970, contra hospitais psiquiátricos que ofertavam um serviço desumanizado aos internos. Em se tratando de pio- neirismo, temos o Centro Psiquiátrico Pedro II, hoje intitulado Instituto Municipal Nise da Silveira, localizado na cidade do Rio de Janeiro, na qual a denúncia de três médicos residentes e posterior demissão suscitou a primeira greve no se- tor público do país desde o fatídico início da ditadura militar. (OLIVEIRA, PADI- LHA & OLIVEIRA, 2011). É, portanto, neste contexto social complexo que se dá o início de uma luta para reformar os modos de cuidado em saúde mental. PÁGINA 54 SAIBA MAIS REFLITA Considerações finais Vimos, nesta unidade, que a experiência empregada por Franco Basaglia em Trieste se tornou modelo de cuidado em saúde mental e atenção psicossocial. Percebe-se que é importante que as pessoas em sofrimento psíquico sejam acompanhadas no convívio de seus familiares e amigos, pois isso é terapêutico por si só, e não viola os direitos inerentes à pessoa humana. No Brasil, as denúncias de violações acometidas nos manicômios ocorreram quase que subterraneamente, tendo em vista o contexto político da ditadura mi- litar. Mesmo assim, os militantes desta temática não mediram esforços para lu- tar pela garantia de tratamento humanizado aos pacientes psiquiátricos. Neste época, pessoas que conseguiram escapar dos hospitais, buscavam, de alguma forma, relatar os traumas vivenciados nestes ambientes de dominação. O excesso de medicamentos psiquiátricos, sobretudo os antipsicóticos, ocasio- nam diversos efeitos adversos e, dentre eles, destaca-se o embotamento afeti- vo. Ou seja, ao ser submetida a uma terapêutica predominantemente medica- mentosa, os pacientes passam a não conseguir sentir suas emoções. Frase para reflexão em sala: “Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mun- do tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas” (Nise da Silveira). “Ao invés de colocar parênteses no doente como o saber da psiquiatria rea- lizava, a proposta é colocar a doença entre parênteses, e se deparar com o sujeito”. (Franco Basaglia).