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AULA 1 – ASPECTOS INTRODUTÓRIOS DA CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA
TEMA 1 – CONCEITO, OBJETIVO E ABRANGÊNCIA
O governo utiliza de procedimentos e controles que permitem o acompanhamento do recolhimento dos tributos por parte das pessoas físicas e jurídicas. As empresas, por sua vez, utilizam de controles para verificar se a arrecadação dos tributos está sendo realizada de forma correta e eficiente. Esses controles são realizados pela contabilidade tributária.
Contabilidade Tributária: é o ramo da contabilidade que tem por objetivo aplicar na prática conceitos, princípios e normas básicas da contabilidade e da legislação tributária, de forma simultânea e adequada. 
· Importância do Direito: o direito trata das normas obrigatórias que disciplinam as relações dos homens em sociedade, inclusive da tributação sobre renda e ganho.
Por sua vez, a contabilidade aborda a orientação, controle e registro dos atos e fatos de uma organização em termos de controle patrimonial e geração de informações úteis e relevantes para a tomada de decisão.
Por isso, o contador deve dominar os aspectos teóricos da contabilidade, como princípios e postulados, e também observar a legislação tributária para que consiga gerar informações úteis para os diferentes usuários das informações contábeis e atender as necessidades do Fisco.
TEMA 2 – CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA X CONTABILIDADE FINANCEIRA
Podemos dizer que o resultado (lucro ou prejuízo) de uma empresa é carregado de elementos subjetivos, mas que são amparados por técnicas contábeis que embasam o julgamento dos contadores. 
A contabilidade tributária realiza o controle dos cálculos e desembolsos com tributos e esses controles devem ser objetivos, para que haja o mesmo tratamento entre organizações semelhantes.
Durante muitos anos, a contabilidade no Brasil foi influenciada principalmente pela abordagem fiscal, o que comprometeu a representação fiel da realidade das organizações. A elevada inflação contribuiu para que a legislação tributária prevalecesse sobre as práticas contábeis que buscavam precisão. 
Um exemplo disso é o tratamento da depreciação: um veículo usado nas atividades administrativas pode ser totalmente depreciado em cinco anos para fins fiscais, mesmo que sua utilização real ocorra em um período diferente, como quatro anos. Essa discrepância resultou em uma contabilidade financeira que não refletia a realidade da empresa, levando à necessidade de tratamentos específicos para atender as exigências fiscais.
Com a Lei n. 11.638/2007, que passou a ser obrigatória a partir de 2010, buscou-se uma contabilidade que atendesse às necessidades de todos os usuários, não apenas às exigências tributárias. A Receita Federal implementou o Regime Tributário de Transição (RTT), que exigiu que as empresas mantivessem duas contabilidades: uma para a legislação societária e outra para a fiscal.
A aprovação da Lei n. 12.973/2014 trouxe avanços significativos, eliminando o RTT e permitindo que as empresas adotassem novos tratamentos contábeis de forma voluntária e, depois, obrigatória. Com isso, as diferenças entre a contabilidade financeira e as regras fiscais passaram a ser geridas por controles auxiliares, como o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), evitando a necessidade de duas escriturações separadas. É crucial que futuros contadores compreendam que a contabilidade tributária envolve procedimentos específicos para alinhar as práticas contábeis às exigências fiscais.
TEMA 3 – MÉTODO DE CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA
Fabretti (2017): A contabilidade tributária abrange o planejamento tributário adequado, o planejamento contábil que controla o patrimônio e o resultado da organização e o controle das despesas indedutíveis e das receitas não tributáveis, temporárias ou definitivas, para o cálculo dos tributos.
O planejamento tributário consiste em observar as demais empresas semelhantes que realizem planejamento tributário e buscar meios seguros para conseguir efetuar a redução efetiva e viável dos tributos incidentes sobre aquela organização. Ou seja, se refere a ao controle e fidedignidade dos registros contábeis.
Funções da contabilidade:
a) Registrar os fatos administrativos (memória);
b) Demonstrar e controlar as mutações patrimoniais (controle);
c) Servir como elemento de prova em juízo ou tribunal (documento);
d) Fornecer elementos para que os acionistas ou sócios possam examinar as contas da diretoria e aprová-las ou não (direção);
e) Demonstrar ao Fisco o cumprimento da legislação tributária (fiscal);
f) Fornecer os dados para a tomada de decisões etc. (gestão);
g) A legislação tributária tem, constantemente, criado obrigações acessórias (escrituração, preenchimento de formulários, prestação de informações ao Fisco etc.), com multas elevadas, cujo correto cumprimento tem um alto custo administrativo;
h) Apresentar o valor justo dos ativos e passivos da entidade, bem como sua capacidade de geração de benefícios econômicos futuros, no momento da apresentação das demonstrações contábeis da empresa, respectivamente as limitações para determinação desse valor.
Referente ao controle, este é essencial para que o cálculo de tributos como o IRPJ e a CSLL possa ser realizado de maneira correta. Ocorre que, a depender do regime tributário, que são as diferentes formas pelas quais uma organização pode ser tributada, há a necessidade de controlar os diferentes tipos de receitas e as despesas e verificar se as receitas compõem a parte do resultado da empresa que será tributada e se as despesas podem ser utilizadas para deduzir uma parte do lucro e assim minimizar a carga tributária incidente sobre a organização.
TEMA 4 – TRIBUTOS: CONCEITOS E ESPÉCIES
 O CTN, além de apresentar conceitos essenciais para a área tributária, ainda disciplina a lógica de funcionamento do STN. 
Art. 3º CTN: Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (Brasil, 1966, grifos nossos).
· Pecuniária compulsória: obrigatório realizar o pagamento, em moeda ou outra forma que represente a moeda.
· Não constitua sanção de ato ilícito: não representam multas ou punições a ações ilegais, ou seja, necessita de fato gerador, que pode estar relacionada à renda, ao consumo ou ao patrimônio da entidade.
· Instituída em lei: os representantes da população devem aprovar uma lei para que o tributo seja instituído.
· Atividade administrativa plenamente vinculada: é necessário haver uma condição estabelecida em lei para que surja a necessidade de recolhimento do tributo por parte do sujeito passivo, que é o responsável pelo pagamento desse tributo (contribuinte).
Ainda na CTN: “os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria”
· IMPOSTOS: são aqueles devidos independentemente de qualquer contrapartida do Estado para o contribuinte. Nesse sentido, o Estado pode utilizar os valores arrecadados com impostos para atividades fins sem vincular o montante arrecadado com impostos a uma contraprestação específica. (IPI,IRPJ, IRPF, IPVA)
· TAXAS: têm como fato gerador o exercício regulador do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. É possível identificar quando o serviço está sendo utilizado pelo contribuinte. (taxas de lixo, emissão de documentos, registro de comércio, água e esgoto, licenciamento para funcionamento e alvará municipal.)
· CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA: é instituída para faze face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. (Pavimentação de ruas)
Ainda existem tributos classificados como contribuições sociais, econômicas e especiais, que são competência da União e estão vinculados à manutenção de serviços específicos; e os empréstimos compulsórios, que também são de competênciada União e podem ser instituídos em caso de guerra externa ou em sua iminência, de calamidade pública que exija auxílio federal, em situações em que o Estado não possua recursos orçamentários disponíveis ou em situações em que o governo deverá interferir de maneira temporária no poder aquisitivo dos contribuintes.
Assim, nota-se que os tributos possuem características distintas entre si e podem ser divididos em:
1. Vinculados: possuem destinação específica para sua utilização.
2. Não vinculados: não possuem destinação específica e sua alocação dependerá da estrutura orçamentária do ente da federação.
Os tributos podem ser classificados também entre aqueles incidentes sobre renda, patrimônio, consumo ou encargos sociais.
TEMA 5 – TRIBUTOS DIRETOS E TRIBUTOS INDIRETOS
Os tributos podem também ser classificados em diretos e indiretos. Para compreender essa diferenciação, é necessário compreender os dois tipos de contribuintes existentes:
· Contribuintes de direito: aquele responsável por pagar o tributo, visto que está definido em lei que ele será responsável por realizar o recolhimento do valor de determinado tributo.
· Contribuinte de fato: aquele que realmente arca com o valor dos tributos, pois recai sobre ele o ônus do valor a se recolhido, seja de forma direta, seja indireta.
Exemplo: ICMS é recolhido pelas empresas que são responsáveis por pagar a guia do imposto para o governo e desempenha o papel de contribuinte de direito. Mas o contribuinte de fato, ou seja, aquele que realmente arca com esse imposto é o consumidor final, visto que o valor do ICMS é repassado para o consumidor final embutido no preço dos produtos e serviços adquiridos.
Então podemos dize que tributos diretos, são aqueles que afetam diretamente o patrimônio da pessoa, sem intermédio de outra parte na arrecadação, ou seja, em uma só pessoa se reúnem as condições de contribuinte de fato e de direito. O IRPJ, o IRPF e o IPVA são exemplos de tributos diretos, pois incidem sobre a renda ou bens da pessoa e essa mesma pessoa que deverá realizar o pagamento desses impostos ao ente da federação, nesses casos ao governo federal, quando se trata do IRPJ e do IRPF; e ao governo estadual, quando falamos de IPVA.
Já os tributos indiretos são aqueles que o contribuinte de direito apenas recolhe o valor exigido na apuração e que são arcados pelo consumidor final. O valor desses tributos é repassado em cada fase de comercialização para o comprador seguinte até chegar ao consumidor final, que é que realmente arcará com esse montante. Vamos analisar o exemplo a seguir:
Com base na Figura 1, é possível notar que, em cada fase de comercialização do produto, há a tributação incidente sobre o valor que é agregado à mercadoria e o valor desse tributo é repassado à fase seguinte embutido no preço. Assim, ao final da cadeia, ou seja, até chegar ao consumidor final, o fornecedor da Alpha terá recolhido ao Fisco R$ 120; a Alpha, R$ 60; a Beta, R$ 120; a Ômega, R$ 180, totalizando R$ 480 de tributos recolhidos e esse valor está embutido no preço da mercadoria adquirida pelo consumidor final, que é quem arcará realmente com esse custo.
Portanto, nota-se que, nessa modalidade, pode haver a possibilidade de compensação de créditos de tributos oriundos de operações anteriores, mas isso depende do tributo, do tipo de operação e do regime tributário no qual a organização está enquadrada. Como alguns exemplos de tributos indiretos temos o IPI, o ICMS, o PIS e a Cofins.
AULA 2 – REGIMES DE TRIBUTAÇÃO
TEMA 1 – TRIBUTOS DIRETOS
A mesma pessoa representa o contribuinte de fato e de direito. Logo, tanto recolhimento quanto o ônus monetário é suportado pelo mesmo contribuinte, pois o valor não será repassado a terceiros embutindo o valor dos tributos no preço das mercadorias ou de serviços.
TEMA 2 – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
O imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) tem como fato gerador a aquisição de renda e proventos de qualquer natureza e é disciplinado por legislação específica. 
· RENDA: derivada do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos.
· PROVENTOS: são os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda.
PRINCÍPIOS IMPOSTO DE RENDA:
O fato gerador do IRPJ não ocorre em cada operação, mas sim no encerramento civil do período de operação, que poderá ser trimestral ou anual. A base de cálculo do imposto de renda é o lucro.
Cada regime de tributação define a base de cálculo, após isso as tratativas para o cálculo do valor a ser recolhido são semelhantes.
A alíquota do IRPJ segue o princípio da progressividade, que determina que as empresas com maior lucro deverão ter uma carga tributária efetiva maior do que aquelas com menor lucro. Essa progressividade é alcançada pelo fato de que no IRPJ existe a alíquota básica de 15% e um adicional de 10% sobre a parcela do lucro tributável que exceder a R$ 240.00,00 por ano (R$20.000,00 /mês | R$60.000,00 trimestre).
Essa cobrança de 10% afeta diretamente a alíquota efetiva do imposto, ou seja, o percentual de imposto efetivamente recolhido em relação ao lucro da empresa. Assim, empresas que têm maiores lucros pagam mais tributos e empresas com menores lucros recolhem menos tributos.
Alíquotas efetivas – A alíquota efetiva significa o quanto efetivamente a empresa deverá desembolsar com o valor de imposto em relação ao seu lucro líquido ajustado. Logo, consiste na divisão do total de IRPJ pelo montante do lucro líquido ajustado.
METADE DO VALOR RECOLHIDO VIA IMPOSTO DE RENDA PELO GOVERNO FEDERAL É DISTRIBUÍDO AOS ESTADOS E MUNICÍPIOS
TEMA 3 – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) foi instituída pela Lei n. 7.689 de 15 de dezembro de 1988 (Brasil, 1988b), promulgada, portanto, após a Lei n. 5.172 de 1966, que instituiu o CTN e devido a isso não é detalhada em nosso código tributário.
Pelo fato de a CSLL ser uma contribuição social instituída para financiar a seguridade social pode-se afirmar que o seu fato gerador é o lucro conforme disposto no art. 194 da Constituição Federal de 1988.
Alíquotas:
· 15%: seguradoras, instituições financeiras e equiparadas a cooperativas de créditos.
· 9%: demais pessoas jurídicas
Diferente do IRPJ, quando o governo arrecada a CSLL não se tem a necessidade de repartir esses valores com os estados e os municípios, pois a repartição abrange somente os impostos.
Enquanto para o IRPJ utilizamos a nomenclatura de Lucro Líquido Ajustado para a CSLL, o termo empregado é Base de Cálculo da CSLL Antes da Compensação de Bases Negativas. No IRPJ a nomenclatura Prejuízo Fiscal é substituída por Base Negativa da CSLL e o Lucro Real do IRPJ é denominado de Base de Cálculo da CSLL.
CSLL possui alíquota única, não sendo necessário realizar o cálculo de adicional ou demais tratativas especiais.
TEMA 4 – REGIMES DE TRIBUTAÇÃO
Os regimes de tributação se referem às diferentes formas que uma empresa pode ser tributada. É definido no primeiro recolhimento de IRPJ do ano, sendo identificado pelo código informado na guia de recolhimento do IRPJ. O Regime de Tributação escolhido pela empresa será válido para os tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. É possível mudar o regime apenas no próximo período, com raras exceções.
4.1 LUCRO PRESUMIDO
· Utiliza APENAS AS RECEITAS da empresa para apuração do resultado tributável por IRPJ e CSLL. 
· TRIMESTRAL (março, junho, setembro e dezembro). 
· Calculados a partir de um lucro estimado encontrado pela aplicação de percentuais definidos em lei.
Basicamente o lucro presumido abandona a ideia de lucro sendo o resultado das receitas subtraída dos custos e despesas, pois nesse regime o lucro tributável é definido de forma 9 estimada, a partir de alíquotas de lucro estimado, ou seja, presume-se qual seria o lucro da empresa de acordo com o tipo de receita que ela obtém.
As alíquotas de presunção utilizadas para estimar o lucro da organização são apresentadas na Tabela:
Após aplicar os percentuais definidos em lei sobre cada receita obtida no trimestre, a empresadeverá utilizar as alíquotas de IRPJ e CSLL vistas no tópico anterior sobre a base encontrada.
Cabe destacar que o imposto de renda retido na fonte, por exemplo o incidente sobre receitas financeiras, cobrado sobre as receitas que compõe a base do lucro presumido poderá ser deduzido do pagamento.
Algumas receitas e valores não compõem a base de cálculo do lucro presumido, tais como:
1. Receitas de participações em empresas controladas e coligadas avaliadas pelo MEP – Método de Equivalência Patrimonial; 
2. Receita de dividendos de investimentos avaliados pelo custo de aquisição; 
3. Reversões de provisões operacional quando não representarem ingressos de novos recursos; 
4. IPI, quando registrado como receita de vendas; 
5. ICMS ST, quando registrado como receitas; 
6. Descontos incondicionais, vendas canceladas e devoluções
Veja que no exemplo do posto H2O primeiramente foi necessário identificar cada tipo de receita, aplicar as alíquotas estimadas de cada tributo (IRPJ e CSLL), para posteriormente calcular efetivamente o valor do tributo. Cabe destacar que se a aplicação financeira tivesse sofrido retenção na fonte, ou seja, se o banco já tivesse descontado o valor de imposto de renda esse valor poderia ser deduzido do valor de IRPJ a recolher no período.
· O Lucro Presumido não representa uma forma de tributação obrigatória; 
· Receita total ano-calendário anterior não poderá ser superior a R$78 milhões (ou proporcional ao número de meses, quando inferior.)
· Instituições financeiras e equiparadas devem obrigatoriamente ser enquadradas no lucro real.
· As empresas que tiveram lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior não poderão ser enquadradas nesse regime de tributação.
· Que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam benefícios fiscais relativos à isenção ou redução de impostos
· Pode ser regime de caixa ou competência.
4.2 LUCRO REAL 
O regime de tributação lucro real segue a lógica de calcular o valor do lucro tributável a partir da dedução dos custos e despesas das receitas. Porém, a tributação sobre o lucro não segue necessariamente o princípio da confrontação entre receitas e despesas, pois a legislação fiscal tem uma forma específica de tributar o lucro.
Assim, é necessário transformar o resultado contábil (lucro ou prejuízo) em um resultado fiscal e esse procedimento é realizado a partir da utilização de ajustes de adição e exclusão. Tais ajustes são realizados no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR).
A primeira linha se refere ao resultado contábil apresentado na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e que segue o regime de competência. Nas adições são incluídas as despesas que reduzem o lucro da empresa, mas que fiscalmente não são aceitas para redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ainda são adicionadas as receitas não registradas na contabilidade, mas que são exigidas pelo Fisco.
· ADIÇÕES: são despesas que não são normais ou usuais às atividades de empresa e que também não são custos. As despesas operacionais são aquelas que não são computadas como custos, são necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. Portanto, aquelas despesas que não se encaixam nesse conceito, possivelmente serão adicionadas a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
· EXCLUSÕES: são registrados os valores reconhecidos como receita pela empresa, mas que a legislação fiscal não exige sua tributação. Além das despesas aceitas pelo Fisco e não contabilizadas pela contabilidade.
Percebam que o objetivo desses ajustes de adições e exclusões é de anular o efeito da conta ajustada na DRE da empresa para que o resultado fiscal seja alcançado. Portanto, uma adição no LALUR representa a anulação de um valor que diminuiu o lucro da empresa na DRE, tendo seu efeito anulado.
· RESULTADO LÍQUIDO AJUSTADO: é o resultado fiscal obtido após os ajustes de adição e exclusão do resultado contábil. Se esse valor for negativo, não terá valor de IRPJ e CSLL a ser recolhido e o prejuízo poderá ser compensado em períodos futuros. Se positivo, a empresa deverá verificar se possui prejuízos fiscais a compensar. Veja o exemplo a seguir:
Perceba que o Resultado Antes dos Tributos na DRE monta o valor de R$ 51.500. Contudo, as despesas com multas de trânsito não podem deduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois não são despesas usuais empregadas na atividade da empresa. Portanto, se na DRE o valor das multas diminuiu o lucro contábil da empresa, pois caso não houvesse tal despesa o lucro seria de R$ 53.500 ao invés de R$ 51.500, então no LALUR essa despesa deve ser adicionada ao lucro para que o seu efeito na DRE seja anulado
Logo, após as adições e exclusões, e levando em conta que essa empresa não possui prejuízos fiscais anteriores, o Resultado Tributável será de R$ 28.500 e sobre esse valor serão calculados o IRPJ e a CSLL a serem recolhidos. Assim, o IRPJ será de R$ 4.275 (R$ 28.500 x 15%), visto que não houve base para cobrança do adicional, e a CSLL de R$ 2.565 (R$ 28.500 x 9%).
Perceba que o LALUR serve para operacionalizar o cálculo dos tributos e após encontrado tais valores, esses montantes são deduzidos do resultado contábil. Então, não tem necessidade de haver duas contabilidades, pois o LALUR faz os ajustes necessários para calcular os valores dos tributos.
4.2.1 Prejuízos Fiscais
Com Resultado Líquido Ajustado positivo, o Fisco permite que prejuízos fiscais de períodos anteriores sejam compensados em até 30% do valor do RLA do período corrente. O objetivo da compensação é que a empresa consiga diminuir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL com prejuízos fiscais de períodos anteriores e assim pague menos tributos.
EXEMPLO: Vamos analisar agora o exemplo exposto na Tabela 5, em que são apresentados os dados da empresa Vírus da Grife, que atua no ramo de vestuário e realizará o cálculo do IRPJ e da CSLL referente ao primeiro trimestre 16 do ano 20x2. Sabe-se que a Vírus da Grife possui R$ 50.000 de prejuízo fiscal de períodos anteriores, R$ 100.000 de lucro antes do IRPJ e da CSLL, despesas com multas no valor de R$ 1.000, despesas com brindes no valor de R$ 3.000 e resultado positivo com equivalência patrimonial no valor de R$ 10.000.
Houve a possibilidade de compensação em até 30% dos R$ 94.000, ou seja, R$ 28.200 (R$ 94.000 x 30%). Encontrada a base de cálculo é hora de calcular:
· IRPJ: 9.870 (R$ 65.800 * 15%) + R$ 580 ((R$ 65.800 – R$ 60.000) * 10%), ou seja, R$ 10.450
· CSLL: R$ 5.922 (R$ 65.800 x 9%)
Assim, percebe-se que o resultado contábil após os tributos é de R$ 83.628 e o controle fiscal é utilizado apenas para fins tributários. Ressalta-se também que o LALUR é composto pelas partes A e B, na parte A empresa realiza a apuração do lucro fiscal, partindo do resultado obtido na escrituração contábil e na parte B são registrados os saldos das operações que podem interferir a base fiscal de posteriores
4.2.2 Cálculo de IRPJ e CSLL por valores estimados
No lucro real também existe a opção de realizar o recolhimento do IRPJ e da CSLL por meio de bases estimadas calculadas mensalmente. Nessa modalidade o IRPJ e a CSLL são recolhidas mensalmente de forma antecipada e ao final do ano é realizada a apuração definitiva dos tributos.
Basicamente, esse tipo de cálculo segue a estrutura do lucro presumido, em que são aplicados percentuais específicos e estimados sobre cada tipo de receita; após isso é apurado o IRPJ e a CSLL. No final do período a empresa tem a obrigatoriedade de realizar o levantamento do LALUR, a fim de identificar a diferença do valor a ser recolhido.
Conforme já citado, obrigatoriamente no final do ano a empresa deverá realizar o levantamento do lucro contábil, ajustar para a base de cálculo fiscal, a partir disso calcular o valor do IRPJ e da CSLL e verificar se o valor já recolhido por meio das estimativas mensais excede o valor a recolher com base no LALUR ou se há alguma diferença a ser recolhida. A Tabela 8 apresenta o cálculo do LALUR para o ano de 20x1 da Churrasick Park.
A partir do resultado tributável é calculado o valorde IRPJ, sendo de R$ 54.000 (R$ 360.000 x 15%), mais adicional de R$ 12.000 ((R$ 360.000 – R$ 240.000) x 10%), totalizando R$ 66.000 de IRPJ e R$ 32.400 de CSLL (R$ 360.000 x 9%). Como a Churrasick Park recolheu R$ 14.400 de IRPJ e R$ 12.960 de CSLL por meio de estimativas mensais, então deverá recolher somente a diferença em relação ao valor obtido por meio do cálculo obtido a partir do resultado fiscal. Então, o valor da diferença a ser recolhido será de R$ 51.600 de IRPJ (R$ 66.000 – R$ 14.400) e R$ 19.440 (R$ 32.400 – 12.960). O valor da diferença é chamado de cota de ajuste e deverá ser paga até o último dia útil do mês de janeiro para que não tenha nenhum acréscimo. A cota de ajuste também pode ser paga até março com cobrança de 1% de juros, mais a SELIC do mês de fevereiro; ou se for pago em fevereiro será cobrado somente 1% de juros.
4.3 LUCRO ARBITRADO
Usado pelo Fisco para tributar as empresas quando as demonstrações e apurações contábeis e fiscais são desqualificadas, ou seja, consideradas inválidas e com informações inseguras para utilização no cálculo de tributos.
Hipóteses:
1. ausência de escrituração contábil ou fiscal, na forma da lei
2. indícios de fraude
3. não apresentação dos livros fiscais ou contábeis, bem como documentos dessas escriturações
4. opção indevida pelo regime de tributação do lucro presumido 
5. livros fiscais e contábeis em desacordo com as norams vigentes
Quando o Fisco decide arbitrar o lucro de uma empresa, então é utilizada a mesma lógica do lucro presumido no cálculo dos tributos. Quando a Receita Bruta for conhecida o Fisco realiza um acréscimo de 20% nas alíquotas para estimativa da base de cálculo do IRPJ e para as instituições financeiras esse acréscimo é de 45%. Por exemplo, se a alíquota estimada para as receitas de comercialização é 8%, no lucro arbitrado essa alíquota passa a ser 9,6%.
Contudo, nos casos em que a Receita Bruta não é conhecida então uma das oito opções a seguir poderá ser utilizada:
1. 1,5 do lucro real referente ao último período em que a pessoa jurídica possuía a escrituração, sendo atualizada monetariamente; 2. 0,04 da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente existentes no último balanço conhecido; 3. 0,07 do valor do capital, atualizado monetariamente; 4. 0,05 do valor do patrimônio líquido constante no último balanço e atualizado monetariamente; 5. 0,4 do valor das compras de mercadorias realizadas no mês; 6. 0,4 da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos funcionários e das compras de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem; 7. 0,8 da soma dos valores devidos no mês aos empregados; ou 8. 0,9 do valor mensal do aluguel devido.
Para as opções 5 e 6 o ajuste a valor presente é desconsiderado. Além disso, dos itens 2 ao 4 os valores deverão ser multiplicados pelo número de meses do período de apuração. Já dos itens 5 ao 8, o lucro arbitrado será o valor resultante da soma dos valores apurados para cada mês do período de apuração, conforme art. 608 do RIR 9.580/2018.
TEMA 5 – CONTABILIZAÇÃO DOS TRIBUTOS SOBRE O LUCRO
A contabilização da tributação sobre o lucro deverá ser efetuada de dois modos, a depender da forma de tributação da empresa. O recolhimento do IRPJ e da CSLL trimestralmente é denominado de recolhimento definitivo e o lançamento é realizado diretamente na conta do resultado em contrapartida a uma conta do passivo.
A seguir são detalhados os lançamentos a serem realizados pelo posto de combustível H2O apresentada na explicação do cálculo da tributação do lucro presumido:
Quando o posto de combustível H2O realizar o pagamento dos tributos os seguintes lançamentos devem ser realizados:
Quando se trata da apuração anual por estimativas mensais, os valores recolhidos mensalmente são lançados em contas do ativo e somente quando é realizado o cálculo dos tributos via LALUR que os montantes são lançados nas contas de resultados.
Referente a apuração da Churrasick Park todo mês o seguinte lançamento deverá ser realizado:
Quando ocorrer a apuração dos tributos ao final do ano, então os valores das contas do ativo serão zeradas e a diferença será lançada nas contas do passivo em contrapartida às contas de resultados que serão movimentadas:
AULA 3 – TRIBUTOS INDIRETOS
TEMA 1 – TRIBUTOS INDIRETOS
Cada etapa da comercialização do produto, mercadoria, ou serviço há o repasse do valor dos tributos para o consumidor da etapa seguinte da cadeia de consumo. Esse repasse é denominado repercussão. Neste tipo de tributo o contribuinte de fato e o contribuinte de direito são pessoas distintas.
Apesar da indústria, do distribuidor e do comerciante recolherem a parcela de tributos referentes à sua atividade, quem realmente arca com os desembolsos tributários é o consumidor final. Logo, ele é o contribuinte de fato, enquanto os demais componentes da cadeia de produção-circulação-consumo representam o contribuinte de direito que é aquele que realiza o recolhimento dos tributos para o Fisco.
TEMA 2 – IMPOSTO SOBRE PRODUTO INDUSTRIALIZADO (IPI)
O IPI incide sobre a circulação econômica de produtos e deve ser recolhido na etapa de produção ou importação de produtos e mercadorias. Não está sujeito ao princípio da anterioridade e pode ter suas alíquotas modificadas durante o ano corrente (observando prazo de 90 dias), pois é utilizado pelo Estado para interferir no domínio econômico de acordo com as estratégias do governo.
Outro ponto a ser destacado é que o IPI observa a capacidade contributiva do contribuinte na definição de suas alíquotas. A tributação do IPI obedece a essencialidade do produto, no qual as alíquotas maiores incidem sobre aqueles produtos menos essenciais e as alíquotas menores sobre os produtos mais essenciais, (0 a 300%) conforme art. 153 da Constituição Federal.
· O estabelecimento industrial ou equiparado é o responsável por cobrar o IPI e repassá-lo para a União.
· Será embutido no valor do produto e quem arcará de fato com seu ônus será o consumidor final.
· Se não realizar o recolhimento do mesmo deverá arcar com as sanções legais cabíveis.
· O IPI quando incidir sobre alguma operação deverá ser destacado em nota fiscal e recolhido a União
· É calculado “por fora”, pois não está agregado ao valor do produto.
FATO GERADOR:
1. desembaraço aduaneiro (importação);
2. saída de estabelecimentos industriais ou equiparados;
3. arrematação (leilão).
CONCEITO: O conceito de industrialização aplicado ao IPI indica que esse processo pode ser caracterizado como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação, a finalidade, ou aperfeiçoe o produto original para consumo, ou seja, beneficiamento, montagem, transformação, acondicionamento e renovação são formas de industrialização.
BASE DE CÁLCULO: é o valor da operação que deixa o estabelecimento industrial ou a ele equiparado. 
Cabe destacar que após a decisão do Supremo Tribunal Federal- STF no RE nº 567.935/SC e da Resolução Nº 1, 8 de março de 2017 os descontos incondicionais passaram a ser são deduzidos da base de cálculo do IPI, sendo que o IPI integra a base de cálculo de ICMS quando a indústria ou equiparado realiza a venda direta ao consumidor final, e nas vendas para revenda, não se inclui na base do ICMS o valor do IPI (Pêgas, 2017).
Quando um estabelecimento industrial ou equiparado, adquire um produto com IPI destacado, pode creditar do valor pago de imposto na aquisição para deduzir o valor de IPI incidente na comercialização. Já para os estabelecimentos que não são indústrias ou equiparados à indústria, não há essa possibilidade.
TEMA 3 – IMPOSTOS SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS (ICMS)
CF detalha que os estados e o Distrito Federal podem instituir o imposto sobre operações referentes à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. 
A partir da atribuição realizada pela Constituição Federal de 1988, foi instituídaa Lei Complementar n. 87 de 13 de setembro de 1996 (Lei Kandir) que detalhou as tratativas a serem realizadas em relação ao ICMS.
Nem todos os serviços ou movimentações de mercadorias exigem o recolhimento de ICMS, sendo necessário consultar a Lei Kandir e o regulamento de ICMS de cada estado para verificar a incidência. Além disso, nem todos os serviços são tributados pelo ICMS; os serviços listados na Lei Complementar n. 116/2003 são de competência municipal e do Distrito Federal e podem ser tributados pelo ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza).
· Não compõe o custo de estoque, pois pode ser recuperado.
· Base de cáculo: compreende o valor da operação, ou seja, a soma do valor das mercadorias, do frete e seguro cobrado, sendo subtraído valores obtidos por meio de descontos incondicionais.
· Alíquotas variam conforme o estado de origem e/ou destino da operação e pela essencialidade dos produtos comercializados ou dos serviços prestados.
Ressalta-se que em operações ocorridas entre contribuintes do ICMS, que são aquelas empresas cadastradas junto a Secretaria da Fazendo dos estados e/ou Distrito Federal, e com produtos destinados a comercialização e industrialização não é somado o valor do IPI na base de cálculo do ICMS.
Já a alíquota de ICMS aplicável em operações estaduais, ou seja, quando a origem da operação e o destino da operação ocorrem no mesmo estado devese verificar a alíquota interna de cada UF. Essas alíquotas variam entre 17% e 20%.
Destaca-se que essas são alíquotas gerais que podem variar de acordo com as especificidades dos produtos e das regras de cada UF.
Vamos analisar um exemplo de como funciona a apuração do ICMS. Suponha que a empresa Meu Sapato Favorito, localizada no estado de São Paulo, adquire de um fornecedor localizado no estado do Mato Grosso mercadorias para revenda pelo valor de R$ 100.000 no mês de janeiro. Essas mesmas mercadorias foram comercializadas para vários clientes do estado de São Paulo pelo valor de R$ 150.000. Assim, a Meu Sapato Favorito possui em janeiro R$ 12.000 de ICMS a recuperar (R$ 100.000 x 12%) e de ICMS sobre vendas o valor de R$ 27.000 (R$ 150.000 x 18%), portanto o valor de ICMS a ser recolhido para o governo estadual será de R$ 15.000 (R$ 27.000 de ICMS sobre vendas – R$ 12.000 de ICMS a recuperar).
TEMA 4 – IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA (ISSQN)
O ISSQN é um imposto de competência dos municípios e do Distrito Federal, sendo que a Lei Complementar n° 116/2003 estabelece que a alíquota máxima do ISSQN será de 5%, não sendo estabelecida alíquota mínima. Contudo, a Emenda Constitucional EC 37/02 define que a alíquota mínima do ISSQN é de 2%.
O fato gerador são as prestações de serviços constantes na lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116. Cabe ressaltar que os serviços de transporte interestaduais e intermunicipais, além dos serviços de comunicações que são objetos de tributação do ICMS não fazem parte da lista de serviços que podem ser tributados por ISSQN.
O momento da incidência do imposto se dá quando ocorre seu fato gerador. A regra a ser adotada na aplicação do ISS é a de que este imposto é devido no momento da prestação do serviço, ou melhor, quando se fornece o trabalho. Certos elementos, como a data de celebração do contrato ou a data do pagamento do preço do serviço, são irrelevantes para caracterizar o momento do nascimento da obrigação tributária. (Pêgas, 2017, p. 266)
Pêgas (2017) ainda cita que a base de cálculo do imposto é o valor do serviço sem qualquer dedução e o prestador de serviço, pessoa física ou jurídica, com ou sem estabelecimento fixo, é o contribuinte legal desse imposto.
Ainda em relação ao contribuinte do ISSQN a Lei n. 116/2003 criou a figura do contribuinte responsável que a critério do município pode ser o responsável por realizar a retenção do ISSQN descontando o valor desse 10 imposto do montante a ser repassado ao prestador de serviço.
SEM FIGURA DO CONTRIBUINTE: Assim, se um técnico presta um serviço no valor de R$ 15.000 em um município onde não exista a figura do contribuinte responsável, sobre este valor haverá a retenção na fonte, ou seja, o desconto do valor a ser pago ao técnico referente ao IR, CSLL, PIS e COFINS, portanto o técnico receberá o valor de R$ 14.077,50, pois há o desconto de 922,50 (R$ 15.000 x 6,15%) referentes a retenção na fonte. Contudo, a base de cálculo de ISS continuará sendo sobre o valor do serviço que é de R$ 15.000, suponha que a alíquota de ISSQN seja de 3%, então o valor de ISSQ será de R$ 450 (R$ 15.000 x 3%)
COM FIGURA DO CONTRBUINTE: Porém, se esse mesmo técnico prestar um serviço no valor de R$ 15.000 em um município onde exista a figura do contribuinte responsável, sobre este valor haverá a retenção na fonte, ou seja, o desconto do valor de 922,50 (R$ 15.000 x 6,15%) a ser pago ao técnico referente ao IR, CSLL, PIS e COFINS, mais o desconto do ISSQN de R$ 450 (R$ 15.000 x 3%), portanto o técnico receberá o valor de R$ 13.627,50 (R$ 15.000 – R$ 922,50 – R$ 450).
Cabe destacar que conforme o art. 9º do Decreto n. 406 de 1968 a base de cálculo do imposto é o preço do serviço, contudo o parágrafo 1º cita que quando se tratar de prestação de serviços sob a forma de trabalho pessoal do próprio contribuinte, o imposto será calculado, por meio de alíquotas fixas ou variáveis, em função da natureza do serviço ou de outros fatores pertinentes.
Quando a alíquota pode ser fixa? – (i) exercem serviços de natureza profissional, não tendo caráter empresarial; (ii) prestam somente um tipo de serviço dos permitidos em lei; (iii) não possuam pessoa jurídica como sócio; (iv) possuem habilitação específica para os serviços prestados; e (v) os equipamentos, instrumentos e maquinário, são necessários à realização da atividade fim e usados exclusivamente pelo profissional habilitado na execução do serviço.
TEMA 5 – CONTABILIZAÇÃO DOS TRIBUTOS INDIRETOS
EXEMPLO 1 – INCIDÊNCIA DE IPI E ICMS NA MESMA OPERAÇÃO
A indústria automotiva AssombraSOM, localizada no estado do Rio de Janeiro adquiriu insumos para serem utilizados na montagem de kits de sons automotivos de um fornecedor localizado no estado do Ceará em que o valor dos insumos foi de R$ 10.000 pagos à vista, sendo tributado a 10% de IPI e 12% de ICMS. Na aquisição das mercadorias os seguintes lançamentos serão realizados:
Nota-se que o valor do IPI foi calculado sobre os R$ 10.000 e como se trata de um tributo calculado por fora, seu valor é somado ao total da nota fiscal totalizado R$ 11.000, em que R$ 10.000 se refere ao valor dos produtos e R$ 1.000 do valor do IPI.
VENDA PRODUTO FINAL
A AssombraSOM realizou a montagem dos referidos kits e efetou a venda para uma empresa do varejo situada no Rio de Janeiro pelo valor de R$ 30.000, sendo recebidos à vista e tributados a 10% de IPI e 20% de ICMS. Pela revenda dos produtos os seguintes lançamentos serão realizados:
Perceba que a AssombraSOM possui R$1.000 de IPI a recuperar e R$ 1.200 de ICMS a recuperar, enquanto os valores a recolher são R$ 3.000 de IPI e R$ 6.000 de ICMS.
Assim, o saldo da conta de IPI a Recolher será de R$ 2.000 (R$ 3.000 IPI a Recolher – R$ 1.000 IPI a Recuperar) e da conta de ICMS a Recolher será de R$ 4.800 (R$ 6.000 de ICMS a Recolher – R$ 1.200 de ICMS a Recuperar).
EXEMPLO 2 – ISSQN SEM FIGURA DO CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL
Em se tratando do ISSQN vamos analisar o exemplo tratado no tópico 4.3 referente ao técnico prestador de serviços em um município onde não existe a figura do contribuinte responsável.
Note que no lançamento de reconhecimento da receita e da entrada de recursos, também são reconhecidos os tributos retidos no ativo para serem compensados com os valores registrados nas contas de resultado e no passivo. As contas de tributos a recolher do passivo serão zeradas com as contas de tributos retidos no ativo, visto que os valores dos tributos que deveriam ser recolhidos pela prestação do serviço já foram retidos pelo tomador e descontado do valor pago ao prestador do serviço técnico. A única conta detributos que terá valor a ser pago será a de ISSQN a Recolher, visto que nesse caso o ISSQN não foi retido. Assim, os seguintes lançamentos devem ser realizados:
Nota-se que após os lançamentos de zeramento, as contas do passivo e ativo tem seus saldos anulados e somente é desembolsado valores para pagamento do ISSQN incidente no mês, visto que os demais tributos foram retidos pelo tomador do serviço, descontado do valor recebido pela empresa e recolhido ao Fisco.
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