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TEXTO COMPLEMENTAR 
 
Disciplina: Administração Estratégica 
Professor: Luiz Carlos Felix 
 
 
Administração estratégica: o que é e a importância da missão 
 
São vários os desafios que se apresentam para quem tem uma ideia e quer 
transformá-la em negócio. Ou então, para gestores de uma empresa que buscam 
apresentar soluções para seus clientes e resultados para os stakeholders. 
Para vários desses desafios, a administração estratégica é a resposta. 
Como navegar em um ambiente de negócios volátil? Os recursos que tenho serão 
suficientes para expandir e aumentar o faturamento? 
Devo investir em capacitação, estrutura ou então colocar todas as fichas no 
setor de P&D? 
Essas perguntas são vitais para saber em que direção a sua empresa está indo e 
respondê-las necessita um método, uma visão abrangente. 
Neste texto nós iremos explicar mais sobre o conceito de administração 
estratégica, quais são as suas etapas e como aplicá-la em sua empresa, seja ela 
de pequeno porte ou então uma grande companhia. 
O importante aqui é ter olhar direcionado para o futuro e a concepção de que 
dá, sim, para planejar o longo prazo, por mais distante que ele esteja, e por mais 
instável que seja o mercado no qual a sua empresa se insere. 
E o principal: fazer tudo isso tendo a missão de sua empresa como bússola. 
 
O que é Administração Estratégica? 
 
Como o nome indica, é a junção da estratégia, do planejamento, com a gestão de 
uma empresa. 
A ideia de administração estratégica é totalmente ligada ao longo prazo. 
Um gestor que usa desse conceito visa dar um norte para a empresa, conseguindo 
estabelecer um foco e plano de ação que toda a hierarquia pode seguir, desde o 
líder até os seus colaboradores indiretos. 
Uma empresa sem ideia de administração estratégica pode até ter algum sucesso, 
mas estará muito mais exposta a riscos, não calculados, que surgem na 
caminhada, como problemas com recursos, capital humano ou o avanço de 
concorrentes. 
Ou seja, mudanças no ambiente de negócios. 
O campo da administração estratégica é um queridinho de pesquisadores da área 
de administração e gestão, tendo muito material disponível para ser analisado e 
estudado. 
Entre algumas das obras que iremos citar neste texto, é curioso notar como a 
administração estratégica foi vital para diferenciar empresas que fizeram sucesso 
e as companhias que não conseguiram ser bem-sucedidas. 
Ou, então, saber o que fez uma companhia conseguir se reinventar enquanto 
outras ficaram pelo caminho com as mudanças ocorridas em seus meios. 
 
 
 
Mas a estratégia pode mudar, certo? Claro. Uma empresa que fica batendo na 
mesma tecla e seguindo um plano, mesmo que ele esteja claramente errado, não 
pratica administração estratégica e sim suicídio comercial. 
O gestor que criar o planejamento estratégico de sua empresa tem que sempre 
estar ciente das mudanças que estão acontecendo e, amparado por dados e as 
mais diversas ferramentas, notar se sua empresa está seguindo pelo caminho 
certo. 
Quando se fala em administração estratégica, não estamos tratando de um roteiro 
de seis meses ou atitudes que precisam ser tomadas para hoje. É algo mais 
amplo. 
Tudo ficará mais claro no próximo tópico. 
 
A Importância do Planejamento Estratégico em uma Empresa 
 
Um dos best sellers da literatura corporativa é “Built To Last”, escrito pelos 
americanos Jim Collins e Jerry I. Porras e lançado em 1994. 
Dez anos depois do lançamento, ele tinha vendido mais de 3,5 milhões de cópias 
e sido traduzido para 16 idiomas. 
O livro é fruto de uma análise de centenas de empresas e a tentativa de descobrir 
o que unia as marcas de sucesso prolongado e se existia uma explicação razoável 
para isso. 
Os autores criaram uma série de definições e no fim separaram 18 companhias, 
– 3M, Motorola, Disney, Procter & Gamble, entre outras – que para eles se 
encaixavam no conceito de “visionárias”. 
Essas empresas teriam sucesso duradouro mesmo com todas as mudanças que 
seus produtos, mercados e a sociedade em geral passavam. 
Só que uma pergunta óbvia surgiu: por que essas empresas conseguiram esse 
feito e seus concorrentes, alguns deles também gigantes em seus ramos, não se 
encaixaram nos parâmetros? 
Os autores chegaram à conclusão que as 18 empresas selecionadas tinham uma 
série de princípios, uma visão de como a máquina deveria operar e o que deveria 
entregar para os consumidores. 
E isso sempre dava rumo para suas ações. 
E como os colaboradores também tinham esses princípios em mente, existia uma 
sinergia. 
Então mesmo se a tecnologia trouxesse inovações e grandes viradas, o CEO 
mudasse ou o planejamento para o semestre fosse diferente do normal, quem 
trabalhava naquela empresa podia sempre se guiar pelos princípios básicos 
estabelecidos muito antes. 
Isso é administração estratégica em alto nível. 
 
“É mais importante do que nunca saber se definir, no sentido de responder à 
pergunta ‘o que você pretende solucionar’ em vez de ‘o que você produz’, porque 
o que você produz ficará obsoleto mais rápido do que em qualquer outro momento 
na história”, 
Essa declaração é de Jim Collins, em um artigo para a revista Inc. no ano de 1997. 
Você quer conhecer o que uma empresa tem como visão de futuro? Leia a sua 
missão. Abaixo traremos algumas missões de companhias gigantes e líderes de 
suas áreas. 
Antes, vamos à formulação do planejamento estratégico. 
 
 
 
A Formulação do Planejamento Estratégico 
 
Aqui usaremos o conhecimento de Michael E. Porter e seu clássico artigo “As 
cinco forças competitivas que moldam a estratégia”. Vamos nos debruçar sobre 
essas forças: 
– Análise do ambiente externo nos meios político, econômico, social, 
tecnológico, legal e ambiental. 
– Análise da indústria e o campo em que sua empresa se insere. Qual é o 
comportamento das empresas concorrentes? Há ameaças de novos players? Há 
a possibilidade da substituição do produto por outro? 
– A análise do poder de barganha dos consumidores: eles têm muito poder 
(muitas escolhas; podem optar da melhor forma que preferir) ou pouco poder 
(poucas escolhas; mesmo que estejam infelizes, precisam comprar seu produto). 
– Análise do poder de barganha dos fornecedores: eles têm muito poder 
(poucas escolhas para você adquirir a matéria-prima) ou pouco poder (muitos 
fornecedores brigando pela sua escolha). 
– Análise do ambiente interno: quais são nossas forças e fraquezas como 
organização? Temos capital humano capacitado? Nossos processos são ágeis? 
Como é nossa estrutura tecnológica? Temos as máquinas mais modernas e uma 
produção conectada com o que há de mais novo? 
Caso você esteja encarregado da formulação da gestão estratégica de sua 
empresa, seja ela uma PME ou então de grande porte, é fundamental responder 
às perguntas acima para saber a quais riscos ela pode estar exposta e quais são 
seus pontos fortes. 
 
A Análise SWOT 
 
A origem da análise SWOT é fruto de discussões até hoje, sendo o americano 
Albert S. Humphrey, citado ou como o pai do conceito ou então quem a usou com 
maior destaque, enquanto trabalhava no Stanford Research Institute. 
Em português, o SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats) se 
transforma em FOFA (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças). 
A intenção com essa análise é olhar bem para seu negócio e identificar de forma 
interna – Forças e Fraquezas – e também o mundo externo – Oportunidades e 
Ameaças – e saber onde sua ideia de negócio se encaixa e se é viável. 
Independente se sua escolha for mais pelo modelo de Michael E. Porter ou então 
a análise SWOT, o importante é que você dê um passo atrás e analise o 
ambiente em que sua empresa está inserida. 
 
Missão de Empresas Conhecidas 
 
Microsoft: nossa missão é capacitar todas as pessoas e todas as organizações 
no planeta para que elas realizem mais. 
Google: organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e 
útil. 
Grupo Globo: criar, produzir e distribuir conteúdos de qualidade, que informem, 
divirtam, contribuam para a educação e permitamaos indivíduos e comunidades 
construir relações que tornem a vida melhor. 
P&G: Fornecemos produtos de marca, qualidade e serviço superiores, que 
melhoram a vida de nossos consumidores hoje e no futuro (…) 
 
 
Mercedes-Benz: Trabalhamos para nos manter como a fornecedora número 1 de 
uma linha completa de veículos comerciais de alta qualidade e de serviços 
relacionados que excedam as expectativas do cliente. Buscamos continuamente 
aperfeiçoar nosso negócio de automóveis, fornecendo veículos de alta 
performance e confiabilidade. 
 
Administração Estratégica em Empresas Grandes 
 
Quando falamos em grandes empresas, pensamos em diversos departamentos, 
muitos recursos e uma hierarquia definida. 
Ter tudo isso e não ter um rumo preestabelecido é como estar a bordo de um 
Titanic. 
A administração estratégica é fundamental para conectar todas as pontas de um 
negócio. 
E um gestor precisa pensar em como otimizar as relações, envolver os 
colaboradores – algo que inclui motivação, investimento em educação continuada, 
feedbacks – e também saber como funciona o mercado, concorrência, 
fornecedores, e, claro, o público-alvo. 
Como deu para perceber, esse gestor precisa, acima de tudo, conhecer a sua 
empresa. 
E, a partir desse conhecimento, ter a visão crítica para assim diagnosticar de 
forma realista o que ela pode oferecer no futuro. E o que ela fez no passado para 
atingir o seu status atual, e que deve continuar. 
Um case importante é o da KFC (Kentucky Fried Chicken). A gigante do fast 
food quis enveredar por outros caminhos, remodelando sua marca no fim dos anos 
80 e 90. 
Só que nesse processo, esqueceu de sua história, escondendo do público um 
elemento que era de fácil reconhecimento: o fundador e símbolo da marca, 
Colonel Sanders. 
Essa estratégia não deu certo, fazendo a marca perder sua identidade e até 
carisma. A agência de publicidade Wieden & Kennedy (W+K) fez questão de 
trazer Sanders de volta ao holofote recentemente, criando diversas campanhas 
com atores interpretando o empresário. 
Os prêmios de publicidade vieram, assim como o crescimento mundial e a volta 
da credibilidade nos Estados Unidos, onde a imagem estava em baixa por 
décadas. 
A mudança da KFC não foi apenas de imagem, mas também em sua cultura, 
deixando de abrir lojas e até sucumbindo a boatos sobre a qualidade de seu 
frango. Tudo isso foi erodindo a confiança conquistada com os clientes. 
Aqui entramos um pouco em marketing, porém há uma grande lição de 
administração estratégica: uma empresa grande, ao pensar em crescimento e 
futuro, não pode esquecer de sua missão, valores e história. 
Afinal, ela teve sucesso e cresceu por alguma razão. 
 
Administração Estratégica Em PMEs 
 
O desafio de implantar a administração estratégica em pequenas e médias 
empresas (PMEs) é ainda maior. A razão para afirmar isso é que, pelo seu 
tamanho, essas empresas estão mais expostas a mudanças no ambiente externo. 
 
 
Por exemplo, mudanças tecnológicas podem deixar uma pequena empresa para 
trás por causa do investimento necessário para comprar o maquinário ou software, 
ou então a impossibilidade de investir em capacitação de um profissional. 
Porém, assim como pode ser mais difícil se adaptar por causa do tamanho, há 
verdade no inverso. 
Por ser uma empresa pequena, onde o poder de decisão está concentrado em 
poucos e a estrutura não é grande, é mais fácil redirecionar os negócios e estar 
constantemente se reinventando. 
Portanto, ao pensar em administração estratégica em uma PME, a palavra 
versatilidade tem que estar sempre em mente. 
Estar bem preparado para mudanças e saber se adequar a novas realidades pode 
fazer sua companhia estar sempre posicionada para o que há de mais novo e as 
exigências do mercado. 
 
Conclusão 
A administração estratégica é fundamental para o sucesso duradouro de uma 
empresa, seja ela de grande porte ou uma PME. 
Com suas etapas bem definidas – análise ambiental, concepção da estratégia, 
implementação – o profissional que estiver encarregado da gestão estratégica 
precisa ter acima de tudo visão de futuro. 
E não é fácil ter o necessário para fazer uma análise detalhada das mudanças 
que podem acontecer na sua área, a substituição de produtos, o surgimento de 
novos players. 
 
 
Adaptado de: Fonte: https://fia.com.br/blog/administracao-estrategica/ 
Autoria do texto: Miguel Amado

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