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01Aula Concepções de desenvolvimento e aprendizagem Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • compreender como se dá o desenvolvimento da aprendizagem nas diferentes abordagens do ensino; • identificar qual das abordagens se relaciona melhor com os modelo de inclusão; • definir parâmetros para uma aprendizagem que seja realmente inclusiva. As correntes de pensamentos ao longo da história vêm sendo discutidas acerca do processo de aprendizagem do ser humano. Veremos, a seguir, um breve resumo das três principais correntes que determinaram os caminhos seguidos pela educação. Precisamos nos lembrar de que tais teorias dependem da visão de mundo existente em uma determinada situação histórica. É de suma importância que o professor domine as concepções e reconheça qual delas se aplica na educação inclusiva. Qual das abordagens descritas a seguir demonstra maior afinidade com a ideologia da educação inclusiva e por quê? Para tentarmos responder a estas questões e entendermos melhor como o ser humano se desenvolve e aprende, estudaremos as concepções inatista, ambientalista e interacionista da psicologia, descritas por Maria da Graça Mizukami. Bons estudos! 6Educação Especial e Escola Inclusiva 1 - Concepção inatista 2 - Concepção ambientalista ou empirista 3 - Concepção interacionista 1 - Concepção inatista As origens dessa abordagem perpassam pelas teorias religiosas, genéticas e pela teoria da evolução de Darwin. A concepção inatista considera que os eventos que ocorrem após o nascimento do ser humano não são essenciais e/ou importantes para o desenvolvimento, ou seja, a personalidade, seus valores, hábitos e crenças, sua forma de pensar, suas reações emocionais e mesmo sua conduta, já estariam basicamente prontas, sofrendo pouca diferenciação qualitativa e quase nenhuma transformação ao longo da existência. Assim, o papel do ambiente (educação e ensino) é tentar interferir o mínimo no processo do desenvolvimento espontâneo da pessoa. Acredita-se então, seguindo essa abordagem, que o homem já nasce praticamente pronto, podendo apenas aprimorar um pouco aquilo que ele é, conforme o ditado: Para refletir Pau que nasce torto morre torto! Nessa visão podemos pensar então nas aptidões, na prontidão e no coeficiente de inteligência. 2 - Concepção ambientalista ou empirista Já na concepção ambientalista, acredita-se que o ambiente exerce um enorme poder sobre o desenvolvimento humano. Nesse momento, o homem se torna um ser extremamente plástico, que desenvolve suas características em função das condições presentes no meio em que se encontra. Essa posição deriva do modelo empírico que considera a experiência sensorial como fonte do conhecimento. Um dos autores precursores dessa abordagem foi Skinner, que tentou explicar os comportamentos observáveis do sujeito e postulou que o papel do ambiente é muito mais importante do que a maturação biológica. Nesse sentido, considera o indivíduo extremamente reativo à ação do meio. (S / estímulo gera uma R/ resposta) O behaviorismo, nome dado à abordagem na qual um dos precursores foi Skinner, considera que a atenção de uma Seções de estudo pessoa é resultado das aprendizagens que realizou ao longo da sua vida, em contato com estímulos que reforçaram ou puniram seus comportamentos anteriores, chamados de reforçamento positivo ou negativo, que, por sua vez, dão ênfase em propiciar novas aprendizagens, por meio da manipulação dos estímulos que antecedem e sucedem o comportamento. Esta abordagem se apresenta por diferentes nomes: Comportamentalismo, Behaviorismo e Ambientalista. Seus autores consideram que a aprendizagem é igual ao desenvolvimento, entendido como acúmulo de respostas aprendidas. O desenvolvimento ocorre simultaneamente à aprendizagem. Para Skinner, o fator mais importante nesse modelo pedagógico de condicionamento não são os estímulos que antecedem às respostas e sim os que as reforçam, por isso a grande preocupação em, sempre que o aluno acertar uma resposta, haver o reforço deste acerto (Barros, 2010). Essa abordagem traz a valorização do papel do professor, enquanto os seres humanos são passíveis em frente ao meio. 3 - Concepção interacionista A concepção interacionista parte do princípio de que os indivíduos (crianças) procuram de forma ativa compreender aquilo que vivenciam e explicar aquilo que lhes é estranho, construindo hipóteses que lhes pareçam razoáveis. Isso se dá por meio da construção do conhecimento que parte da interação com o meio, em que fatores internos e externos se inter-relacionam. FIGURA 1 - FLORESCER Disponível em: http://sitededicas.uol.com.br/cliparts.htm. Acesso em: 25 maio 2023. O organismo e o meio exercem ação recíproca, influenciando-se e acarretando mudanças sobre o indivíduo e é nessa interação com o mundo físico e social que as características e peculiaridades desse mundo vão sendo conhecidas. Nesse processo, experiências anteriores servem de base para novas construções. É por meio da interação com outras pessoas, adultos e crianças, que se constrói o modo de agir, de pensar, de sentir e sua visão de mundo. Dois grandes teóricos fazem parte desta concepção: Piaget e Vygotsky. 7 FIGURA 2 - PIAGET E VIGOTSKY Disponível em: http://www.pedagogiaespirita.org/escola_virtual/pedagogia/ vygotsky/piaget_vygotsky2.jpg. Acesso em: 25 maio 2023. 3.1 - Interacionista cognitivista Jean Piaget investigou como se forma o conhecimento e a maneira pela qual as crianças constroem as noções fundamentais de conhecimento lógico e considerou as respostas infantis como uma lógica pronta. Assim, o indivíduo procura manter um estado de equilíbrio ou de adaptação com o seu meio, de forma a superar perturbações nessa relação. O autor desenvolveu conceitos que veremos a seguir. Conceito Passaremos agora, para alguns conceitos descritos pela autora Clara Regina Raappaport em Psicologia do desenvolvimento. • Equilibração Majorante: processo dinâmico e constante do organismo buscar um novo e superior estado de equilíbrio; • o desenvolvimento cognitivo se dá por meio de constantes desequilíbrios e equilibrações; • qualquer aparecimento de uma nova possibilidade orgânica no indivíduo ou mudança de alguma característica do meio ambiente provoca a ruptura do estado de repouso: harmonia entre organismo e meio = causa desequilíbrio; • dois mecanismos estão associados para o alcance de um novo estado de equilíbrio; • Assimilação: ações destinadas a atribuir significações, a partir da sua experiência anterior; • Acomodação: restabelecer um equilíbrio superior com o meio. Existe uma transformação para se ajustar às demandas impostas pelo ambiente; • outro conceito é a Imitação: copiar as ações de um modelo, ajustando seus esquemas, conjunto de ações, aos da pessoa imitada. Piaget descreveu, ainda, as etapas do desenvolvimento cognitivo. Vejam, a seguir. FIGURA 3 - ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO Disponível em: http://projects.coe.uga.edu/epltt/images/b/b8/Piaget_1.jpg. Acesso em: 25 maio 2023. 8Educação Especial e Escola Inclusiva • sensório-motor: etapa que acontece até 2 anos de idade, na qual ocorrem as percepções sensoriais; esquemas motores; esquemas práticos. Nesse momento, a criança já possui uma conduta inteligente, mas considera-se que ela ainda não possui pensamento, pois não dispõe da capacidade de representar eventos, evocar o passado ou referir-se ao futuro, está no aqui e agora, conhece de forma pré-lógica. Nessa fase, os esquemas iniciais dão origem a esquemas conceituais, modos internalizados de agir para conhecer, que pressupõem pensamento. A partir da construção de esquemas pela transformação da sua atividade sobre o meio, a criança vai construindo e organizando noções de afetividade, inteligência e de socialização, ocorrendo assim a construção da noção do eu ou autoconhecimento. Começa, então, a diferenciar os objetos, a realidade já se caracteriza comoestável e ocorre a permanência dos objetos. Nesse sentido, as concepções de espaço, tempo, causalidade começam a ser construídas, caracterizando o aparecimento da função simbólica que é a capacidade de representar eventos futuros, libertando-se do aqui e agora; • pré-operatória: etapa, aproximadamente, até os 7 anos. Neste momento, dá-se o aparecimento da linguagem oral e dos esquemas representativos ou simbólicos, já considera a ideia preexistente de algo, toma um objeto ou situação por outra, “como se fosse (...)”. Substituem objetos, ações, situações e pessoas por símbolos, pensamento sustentado por conceitos. O pensamento nessa fase é rígido e está centrado em si mesma, denominado como egocentrismo. A criança tem ainda comportamentos no sentido de dar vida às coisas, como é o exemplo do Animismo: alma às coisas. Ou ainda, o antropomorfismo: forma humana aos objetos. A criança nessa fase pratica a transdedução: do particular para o particular, apresenta dificuldade para elaborar leis, princípios e normas gerais, pois ela dependente da percepção imediata, não apresenta noção de conservação, de reversibilidade, não é capaz de perceber que é possível retornar, mentalmente, ao ponto de partida; • operatório: fase a partir dos 7 anos, que se caracteriza por um pensamento lógico e objetivo, as ações internalizadas se tornam reversíveis, o pensamento passa a ser menos egocêntrico. Assim, o mundo real e o fantástico não mais se misturam em sua percepção; portanto, a criança passa a ter noção de conservação, mais raciocínio e menos percepção, sem tanta abstração, pode agora ordenar, seriar e classificar; • operatório-formal: é a fase que envolve a pré- adolescência. A partir dos 13 anos, o pensamento está livre das limitações da realidade concreta, o indivíduo aqui pode trabalhar com a realidade possível, utilizar hipóteses, possibilidades, pois passa a ter o raciocínio hipotético dedutivo. A maturação biológica é um princípio em sua teoria, pois atribui-se a ela o fato de crianças apresentarem sempre determinadas características psicológicas em uma mesma faixa de idade, sendo assim, um modelo universal, ou seja, todas as crianças apresentam nessas idades, as mesmas fases, qualquer que seja o lugar que nasceram ou foram criadas. Essa abordagem observa que o contexto que coloca desafios às crianças é potencialmente mais estimulante para o desenvolvimento cognitivo. Conceito Veremos, a seguir, a definição de dois conceitos importantes para o entendimento desse processo: • desenvolvimento cognitivo: processo espontâneo que se apoia predominantemente no biológico; • aprendizagem: processo mais restrito, causado por situações específicas e subordinação tanto a equilibração quanto a maturação. Portanto, para Piaget o desenvolvimento antecede a aprendizagem: (desenvolvimento antecede aprendizagem) Curiosidade A implantação da abordagem construtivista nas escolas deu-se na década de 80. Neste contexto, o objetivo do professor seria o de favorecer a descoberta individual, e não mais de determinar a velocidade e a forma de construção do conhecimento para o estudante (Barros, 2010). Paralelamente ao desenvolvimento do Construtivismo-Interacionista de Piaget, sistemas computacionais como a inteligência artificial e o sistema de acesso a informação não linear (hipertextos) surgiram, permitindo formas diversas de buscar informações e construir conhecimentos mais adaptáveis às características cognitivas dos alunos. Caros(as) alunos(as), até aqui revisitamos os conceitos de Piaget, agora passaremos para a teoria sócio-histórica de Vygotski, também considerada interacionista. 3.2 - Interacinista sócio-histórica Nesta corrente, os organismos são considerados ativos. Possui um pensamento que é construído paulatinamente em um ambiente que é histórico e, em essência social, esse processo dá continuidade na interação entre as mutáveis condições sociais e a base biológica do comportamento humano, partindo de estruturas orgânicas elementares (maturação) e formando-se novas e mais complexas funções mentais, a depender da natureza das experiências sociais. 9 FIGURA 4 - CIRANDA Disponível em: http://3.bp.blogspot.com. Acesso em: 25 maio 2023. A fala desempenha um papel importante na formação e organização do pensamento complexo e abstrato individual. Ex.: a mãe diz que a faca corta. Isso resulta na percepção e no conhecimento da criança. Existe, ainda, o processo de internalização - processo ativo. A criança apropria-se do social de uma forma particular – crítico e transformador, através da sua interiorização (o papel estruturante do sujeito). Ao internalizar instruções, as crianças modificam suas funções psicológicas: percepção, atenção, memória e resolução de problemas, assim como as formas historicamente determinadas e socialmente organizadas de operar com informação, as quais influenciam o conhecimento individual, a consciência de si e do mundo. Nesse sentido, a construção do real, ou seja, a apropriação da experiência social, parte do social, da interação com os outros. A palavra dá forma ao pensamento, criando novas modalidades de atenção, memória e imaginação e a linguagem sistematiza a experiência direta da criança e serve para orientar seu comportamento. O pensamento e a linguagem estão interligados nesse processo. O pensamento verbal se dá por meio de estruturas de linguagem dominadas pelas crianças, que passam a contribuir para as estruturas básicas de sua forma de pensar. O autor considera que os fatores biológicos preponderam sobre os sociais apenas no início da vida. A formação do pensamento é acentuada pela vida social e pela constante comunicação que se estabelece entre crianças e adultos, a qual permite a assimilação da experiência de muitas gerações. Essa característica propicia um ambiente de trocas contínuas, o que é refletido em sala de aula, na qual se destacam elementos e negligenciam-se outros, os alunos podem então reestruturar sua percepção. Nessa abordagem, a aprendizagem e o desenvolvimento são entendidos como fenômenos distintos e interdependentes e a inteligência como habilidade para aprender. Conceito Vygotsky desenvolveu alguns conceitos. Faremos uma análise desses conceitos de acordo com Palangana (2003). Zona de desenvolvimento proximal - trata-se da distância entre: nível de desenvolvimento atual, que é a capacidade de solução de problemas, sem ajuda e o nível de desenvolvimento potencial que é a solução de problemas sob a orientação ou em colaboração com as crianças mais experientes. A Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), conceito central na teoria de Vygotsky, é uma ferramenta poderosa para entender e promover a inclusão de alunos com deficiência no ambiente escolar. A ZDP refere-se ao espaço entre o que um aluno pode realizar de forma independente e o que pode alcançar com o apoio de um mediador, como professores ou colegas. Aplicar esse conceito na educação inclusiva permite que os educadores não apenas identifiquem e desenvolvam as potencialidades dos alunos, mas também personalizem o ensino, ofereçam suporte adequado, promovam a colaboração e ajustem continuamente as estratégias pedagógicas para atender às necessidades individuais. FIGURA 5 - CAIXA DE FÓSFORO Disponível em: http://crz-crazy.zip.net/images/fosforo.jpg. Acesso em: 25 maio 2023. Exemplo da caixa de fósforo: ao pegarmos uma caixinha de fósforo, temos ali apenas palitos, mas se colocamos nossa atuação riscando os palitos na caixinha, podemos produzir luz, fogo. Este é um exemplo de zona desenvolvimento próximal: a distância entre o palito apagado e o palito produzindo luz ou fogo com a mediação do humano. Assim acontece com as pessoas, muitas vezes precisam de um auxílio para que consigam apresentar o potencial de forma satisfatória. FIGURA 6 - FÓSFORO Disponível em: http://diocesedeuruacu.com.br/blogparoquiasantoantoniode paduamararosa/wp-content/uploads/2010/03/Fosforo.jpg.Acesso em: 25 maio 2023. Em termos de práticas pedagógicas, Vygotsky diz que não se deve separar os alunos mais desenvolvidos, dos menos desenvolvidos, deve-se ao contrário, levar os primeiros a ensinar os segundos e reforçarem mutuamente o aprendizado, como já o fazia Pestallozzi em Yverdun. 10Educação Especial e Escola Inclusiva Saber mais Essa abordagem mostra que a aprendizagem precede o desenvolvimento intelectual, pois, através do conceito de zona de desenvolvimento potencial ou proximal, é possível que a criança possa compreender funções de desenvolvimento que estão a caminho de se completar. Diante disso, as qualidades das trocas que se dão no plano verbal entre professores e alunos irão influenciar decisivamente na forma como as crianças tornam mais complexo o seu pensamento e processam novas informações. O processo de desenvolvimento nada mais é do que a apropriação ativa do conhecimento disponível no mundo por meio da sociedade em que a criança nasceu. FIGURA 7 - MENINO E O MUNDO Disponível em: http://crz-crazy.zip.net/images/fosforo.jpg. Acesso em: 25 maio 2023. Nesse contexto, fica mais claro entender como se dá o processo de conhecimento dos indivíduos. No âmbito da educação, a abordagem considerada mais relevante é a interacionista, com os autores Piaget e Vygotski. Lembrando que os dois autores são interacionistas, pois consideram que o homem e o meio interagem entre si. Contudo, a maior contribuição da teoria de Piaget, segundo Barbosa (2007), está nos conceitos de equilibração e reequilibração das estruturas cognitivas. No entanto, é insistente nos cursos superiores a visão reducionista, que privilegia somente as questões iniciais de sua obra. Após termos revisado as mais importantes abordagens do desenvolvimento e da aprendizagem, passaremos agora para o entendimento do termo educação. Para isso, é preciso considerar o processo de ensino-aprendizagem, processo que viabiliza o modo como os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento. A educação está presente em todas as manifestações culturais e sociais, nos mais variados espaços de convívio social. Logo, a educação coincide com os conceitos de socialização e endoculturação. Endoculturação: é o processo permanente de aprendizado de uma cultura que começa com assimilação de valores e experiências a partir do nascimento de um indivíduo e que se completa com a morte. Processo de aprendizagem e educação de uma cultura, desde a infância até a idade adulta. Não há uma forma única nem um único modelo de educação. A escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor. O ensino escolar não é a única prática e o professor não é o seu único praticante (Brandão,1999). FIGURA 8 - INTERAÇÃO Disponível em: http://3.bp.blogspot.com. Acesso em: 25 maio 2023. Seguindo o mesmo autor, educar é evoluir com a cultura, costumes, crenças de cada pessoa, aprendidos com os mais velhos ou mais experientes, ou seja, a educação perpassa pelas relações do cotidiano, no contato com outras pessoas e a natureza, tornando a observação e a repetição de comportamentos e ensinamentos observáveis parte do aprender. A esse respeito, o surgimento dos processos pedagógicos trata-se da divisão e legitimação das partes do conhecimento comunitário. É quando a educação deixa de ser livre e comunitária e passa a ser escolar, com leis de ensino e sistemas pedagógicos. Junto a esse processo, vemos todo o interesse político e econômico que se projetam sobre a educação. Segundo Barbosa (1997), o processo de aprendizagem da criança é visto como pluricausal, abrangente, que compreende várias partes estruturais: afetivos, cognitivos, motores, sociais, econômicos, políticos etc. O importante, no entanto, é perceber o aluno em todas as suas particularidades e singularidades, lembrando que esse processo não é linear e contínuo, pois não tem uma única direção, mas, como já foi dito, é multifacetado, apresentando paradas, saltos e transformações bruscas. Agora pessoal, para relembrarmos e complementarmos o que foi abordado, sugiro a leitura do quadro elaborado por Santos (2005): 11 Abordagens Abordagem tradicional Abordagem comportamentalista Abordagem humanista Abordagem cognitivista Abordagem sociocultural A escola Lugar ideal para a realização da educação. Organizada com funções claramente definidas. Normas disciplinares rígidas. Preparar os indivíduos para a sociedade. Uma agência educacional. Modelo empresarial aplicado à escola. Divisão entre planejamento (quem planeja) e execução (quem executa). No limite, a sociedade poderia existir sem escola. Uso da teleducação. Ensino a Distância. Escola proclamada para todos. “Democrática”. Afrouxamento das normas disciplinares. Deve oferecer condições ao desenvolvimento e autonomia do aluno. Dá condições para que o aluno possa aprender por si próprio. Oferece liberdade de ação real e material. Reconhece a prioridade psicológica da Inteligência sobre a aprendizagem. Promove um ambiente desafiador favorável à motivação intrínseca do aluno. Deve ser organizada e estar funcionando bem, para proporcionar os meio para que a educação se processe em seus múltiplos aspectos. O aluno É um ser “passivo” que deve assimilar os conteúdos transmitidos pelo professor. Deve dominar o conteúdo cultural universal transmitido pela escola. Elemento para quem o material é preparado. O aluno eficiente e produtivo é o que lida “cientificamente” com os problemas da realidade. Um ser “ativo”. Centro do processo de ensino e aprendizagem. Aluno criativo que “aprendeu a aprender”. Aluno Participativo. Papel essencialmente “ativo” de observar, experimentar, comparar, relacionar, analisar, justapor, compor, encaixar, levantar hipóteses, argumentar, etc. Uma pessoa concreta, objetiva, que determina e é determinada pelo social, político, econômico, individual (pela história). Deve ser capaz de operar conscientemente mudanças na realidade. O professor É o transmissor do conteúdo aos alunos. Predomina como autoridade. É o educador que seleciona, organiza e aplica um conjunto de meios que garantem a eficiência e eficácia do ensino. É o facilitador da aprendizagem. Cria situações desafiadoras e desequilibradas, pela orientação. Estabelece condições de reciprocidade e cooperação ao mesmo tempo moral e racional. É o educador que direciona e conduz o processo de ensino e aprendizagem. A relação entre professor e aluno deve ser horizontal, ambos se posicionando como sujeitos do ato de conhecimento. Ensino e aprendizagem Os objetivos educacionais obedecem à sequência lógica dos conteúdos. Os conteúdos são baseados em documentos legais a partir da cultura universal acumulada. Predominam aulas expositivas, com exercícios de fixação, leituras-cópia. Os objetivos educacionais são operacionalizados e categorizados a partir de classificações: gerais (educacionais) e específicas (instrucionais). Ênfase nos meios: recursos audiovisuais, instrução programada, tecnologias de ensino, ensino individualizado (módulos instrucionais), “máquinas de ensinar”, computadores, softwares. Os comportamentos desejados serão instalados e mantidos nos alunos por condicionantes e reforçadores. Os objetivos educacionais obedecem ao desenvolvimento psicológico do aluno. Os conteúdos programáticos são selecionados a partir dos interesses dos alunos. “Não diretividade”. A avaliação valoriza aspectos afetivos “atitudes” com ênfase na autoavaliação. Desenvolve a inteligência, considerando o sujeito inserido numa situação social. A inteligência constrói-se a partir da troca do organismo com o meio, pelas ações do indivíduo. Baseado no ensaio e no erro, na pesquisa, na investigação, na solução de problemas, facilitandoo “aprender a pensar”. Ênfase nos trabalhos em equipe e jogos. Os objetivos educacionais são definidos a partir das necessidades concretas do contexto histórico-social no qual se encontram os sujeitos. Busca uma consciência crítica. O diálogo e os grupos de discussão são fundamentais para o aprendizado. Os temas devem ser extraídos da prática de vida dos educandos. 12Educação Especial e Escola Inclusiva Recanto das Letras. Disponível em: http://www. recantodasletras.com.br/artigos/2168229. Acesso em: 25 maio 2023. Abordagens do Processo Ensino-Aprendizagem e o Professor. Disponível em: http://www.angelfire.com/ak2/ jamalves/Abordagem.html. Acesso em: 25 maio 2023. Vale a pena acessar SANTOS, R,V. dos. Abordagens do processo de ensino e aprendizagem. Integração. Ano XI, n. 40, p. 19-31, maio, 2005. Disponível em: ftp://ftp.usjt.br/pub/revint/19_40. pdf. Acesso em: 25 maio 2023. BARROS, S. Os recursos computacionais e suas possibilidades de aplicação no ensino segundo as abordagens de ensino-aprendizagem. Diposnível em: http://homes.dcc.ufba.br/~frieda/ mat061/as.htm. Acesso em: 25 maio 2023. Vale a pena ler Vale a pena Considerações importantes contidas na BNCC A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) adota uma perspectiva de desenvolvimento integral, que considera o aluno em suas dimensões intelectual, emocional, social, cultural e física. A educação deve promover o desenvolvimento pleno do indivíduo, respeitando suas características individuais e contextos socioculturais. O documento articula dez competências gerais, que englobam desde o conhecimento acadêmico até habilidades socioemocionais, como empatia, cooperação e responsabilidade. Essas competências são fundamentais para o desenvolvimento integral do aluno. A BNCC enfatiza a inclusão e o respeito à diversidade. O documento orienta para a construção de práticas pedagógicas que atendam às necessidades de todos os estudantes, com foco especial em grupos historicamente marginalizados, como pessoas com deficiência, negros, indígenas e LGBTQIA+. A inclusão na BNCC não é apenas física, mas também pedagógica e cultural, garantindo que todos tenham acesso às mesmas oportunidades de aprendizagem. Incentiva ainda práticas que colocam o aluno como protagonista do seu processo de aprendizagem, promovendo sua autonomia, criatividade e capacidade de resolver problemas. Isso se alinha à visão de desenvolvimento que valoriza a capacidade dos alunos de se tornarem agentes de transformação em suas comunidades. Então, chegamos ao final da primeira aula. Espera-se que agora tenha ficado mais claro o entendimento de vocês sobre os aspectos do desenvolvimento e aprendizagem. O que é importante ser lembrado é o conceito de zona de desenvolvimento proximal, o qual se coloca importância sobre o potencial de desenvolvimento que a criança tem a atingir. Este será um conceito bastante relacionado com a teoria da inclusão. Vamos então, recordar: Retomando a aula 1 - Concepção inatista Nesta seção, vimos que a concepção inatista considera a prontidão do indivíduo, sofrendo pouca diferenciação qualitativa e quase nenhuma transformação ao longo da existência. Neste caso, o ser se apresenta mais passivo ao processo de aprendizado e o papel do ambiente (educação e ensino) é tentar interferir o mínimo no processo do desenvolvimento espontâneo da pessoa. 2 - Concepção ambientalista ou empirista Nesta seção, estudamos que concepção ambientalista (ou empirista) o ambiente exerce um enorme poder sobre o desenvolvimento humano. Nesse sentido, o ser humano desenvolve suas características em função das condições presentes no meio em que se encontra. Essa posição deriva do modelo empírico que considera a experiência sensorial como fonte do conhecimento. Desse ponto de vista, considera o indivíduo extremamente reativo à ação do meio. 3 - Concepção interacionista Nesta seção, foram apresentadas duas abordagens: concepção interacionista cognitiva e concepção interacionista sócio-histórica. Na primeira, o indivíduo procura manter um estado de equilíbrio ou de adaptação com o seu meio. A maturação biológica é importante nesta teoria, pois atribui-se a ela o fato de crianças apresentarem sempre determinadas características psicológicas em uma mesma faixa de idade. Na segunda teoria, os fatores biológicos preponderam sobre os sociais apenas no início da vida. A formação do pensamento é acentuada pela vida social e pela constante comunicação que se estabelece entre crianças e adultos, a qual permite a assimilação da experiência de muitas gerações. Na abordagem interacionista, o educador atua como facilitador do desenvolvimento, criando ambientes de aprendizagem que incentivem a interação social e o desenvolvimento cognitivo. Dessa maneira, a abordagem interacionista é de fato a mais alinhada com a ideologia da educação inclusiva porque considera que o desenvolvimento e a aprendizagem resultam da interação contínua entre fatores internos (como a biologia e a maturação) e externos (como o ambiente social e cultural). Essa perspectiva reconhece que as características de um indivíduo são moldadas tanto pela hereditariedade quanto pelas experiências e interações sociais. 13 O Sorriso de Monalisa - 2003, Drama/Romance. Vale a pena assistir Minhas anotações