Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

01Aula
Concepções de desenvolvimento
e aprendizagem
Objetivos de aprendizagem
Ao término desta aula, vocês serão capazes de: 
• compreender como se dá o desenvolvimento da aprendizagem nas diferentes abordagens do ensino;
• identificar qual das abordagens se relaciona melhor com os modelo de inclusão;
• definir parâmetros para uma aprendizagem que seja realmente inclusiva.
As correntes de pensamentos ao longo da história vêm sendo discutidas acerca do 
processo de aprendizagem do ser humano. 
Veremos, a seguir, um breve resumo das três principais correntes que determinaram os 
caminhos seguidos pela educação. Precisamos nos lembrar de que tais teorias dependem da 
visão de mundo existente em uma determinada situação histórica. É de suma importância que 
o professor domine as concepções e reconheça qual delas se aplica na educação inclusiva.
Qual das abordagens descritas a seguir demonstra maior afinidade com a ideologia da 
educação inclusiva e por quê?
Para tentarmos responder a estas questões e entendermos melhor como o ser humano 
se desenvolve e aprende, estudaremos as concepções inatista, ambientalista e interacionista da 
psicologia, descritas por Maria da Graça Mizukami.
Bons estudos!
6Educação Especial e Escola Inclusiva
1 - Concepção inatista
2 - Concepção ambientalista ou empirista
3 - Concepção interacionista
1 - Concepção inatista
As origens dessa abordagem perpassam pelas teorias religiosas, 
genéticas e pela teoria da evolução de Darwin.
A concepção inatista considera que os eventos que 
ocorrem após o nascimento do ser humano não são 
essenciais e/ou importantes para o desenvolvimento, ou seja, 
a personalidade, seus valores, hábitos e crenças, sua forma 
de pensar, suas reações emocionais e mesmo sua conduta, já 
estariam basicamente prontas, sofrendo pouca diferenciação 
qualitativa e quase nenhuma transformação ao longo da 
existência. Assim, o papel do ambiente (educação e ensino) 
é tentar interferir o mínimo no processo do desenvolvimento 
espontâneo da pessoa. 
Acredita-se então, seguindo essa abordagem, que o 
homem já nasce praticamente pronto, podendo apenas 
aprimorar um pouco aquilo que ele é, conforme o ditado:
Para refletir
Pau que nasce torto morre torto!
Nessa visão podemos pensar então nas aptidões, na prontidão e no 
coeficiente de inteligência.
2 - Concepção ambientalista ou 
empirista
Já na concepção ambientalista, acredita-se que o 
ambiente exerce um enorme poder sobre o desenvolvimento 
humano. Nesse momento, o homem se torna um ser 
extremamente plástico, que desenvolve suas características em 
função das condições presentes no meio em que se encontra. 
Essa posição deriva do modelo empírico que considera a 
experiência sensorial como fonte do conhecimento. 
Um dos autores precursores dessa abordagem foi 
Skinner, que tentou explicar os comportamentos observáveis 
do sujeito e postulou que o papel do ambiente é muito mais 
importante do que a maturação biológica. Nesse sentido, 
considera o indivíduo extremamente reativo à ação do meio.
(S / estímulo gera uma R/ resposta)
O behaviorismo, nome dado à abordagem na qual um 
dos precursores foi Skinner, considera que a atenção de uma 
Seções de estudo
pessoa é resultado das aprendizagens que realizou ao longo 
da sua vida, em contato com estímulos que reforçaram ou 
puniram seus comportamentos anteriores, chamados de 
reforçamento positivo ou negativo, que, por sua vez, dão 
ênfase em propiciar novas aprendizagens, por meio da 
manipulação dos estímulos que antecedem e sucedem o 
comportamento.
Esta abordagem se apresenta por diferentes nomes: 
Comportamentalismo, Behaviorismo e Ambientalista.
Seus autores consideram que a aprendizagem é igual 
ao desenvolvimento, entendido como acúmulo de respostas 
aprendidas. O desenvolvimento ocorre simultaneamente à 
aprendizagem. 
Para Skinner, o fator mais importante nesse modelo 
pedagógico de condicionamento não são os estímulos que 
antecedem às respostas e sim os que as reforçam, por isso 
a grande preocupação em, sempre que o aluno acertar uma 
resposta, haver o reforço deste acerto (Barros, 2010).
Essa abordagem traz a valorização do papel do professor, 
enquanto os seres humanos são passíveis em frente ao meio.
3 - Concepção interacionista
A concepção interacionista parte do princípio de que os 
indivíduos (crianças) procuram de forma ativa compreender 
aquilo que vivenciam e explicar aquilo que lhes é estranho, 
construindo hipóteses que lhes pareçam razoáveis. Isso se 
dá por meio da construção do conhecimento que parte da 
interação com o meio, em que fatores internos e externos se 
inter-relacionam. 
FIGURA 1 - FLORESCER
Disponível em: http://sitededicas.uol.com.br/cliparts.htm. 
Acesso em: 25 maio 2023.
O organismo e o meio exercem ação recíproca, 
influenciando-se e acarretando mudanças sobre o indivíduo 
e é nessa interação com o mundo físico e social que as 
características e peculiaridades desse mundo vão sendo 
conhecidas. Nesse processo, experiências anteriores servem 
de base para novas construções. É por meio da interação com 
outras pessoas, adultos e crianças, que se constrói o modo de 
agir, de pensar, de sentir e sua visão de mundo.
Dois grandes teóricos fazem parte desta concepção: 
Piaget e Vygotsky.
7
FIGURA 2 - PIAGET E VIGOTSKY
Disponível em: http://www.pedagogiaespirita.org/escola_virtual/pedagogia/
vygotsky/piaget_vygotsky2.jpg. Acesso em: 25 maio 2023.
3.1 - Interacionista cognitivista
Jean Piaget investigou como se forma o conhecimento 
e a maneira pela qual as crianças constroem as noções 
fundamentais de conhecimento lógico e considerou as 
respostas infantis como uma lógica pronta. Assim, o indivíduo 
procura manter um estado de equilíbrio ou de adaptação com 
o seu meio, de forma a superar perturbações nessa relação. O 
autor desenvolveu conceitos que veremos a seguir.
Conceito
Passaremos agora, para alguns conceitos descritos pela autora Clara 
Regina Raappaport em Psicologia do desenvolvimento.
• Equilibração Majorante: processo dinâmico e constante do 
organismo buscar um novo e superior estado de equilíbrio;
• o desenvolvimento cognitivo se dá por meio de constantes 
desequilíbrios e equilibrações;
• qualquer aparecimento de uma nova possibilidade orgânica no 
indivíduo ou mudança de alguma característica do meio ambiente 
provoca a ruptura do estado de repouso: harmonia entre 
organismo e meio = causa desequilíbrio;
• dois mecanismos estão associados para o alcance de um novo 
estado de equilíbrio;
• Assimilação: ações destinadas a atribuir significações, a partir da 
sua experiência anterior;
• Acomodação: restabelecer um equilíbrio superior com o meio. 
Existe uma transformação para se ajustar às demandas impostas 
pelo ambiente;
• outro conceito é a Imitação: copiar as ações de um modelo, 
ajustando seus esquemas, conjunto de ações, aos da pessoa 
imitada.
Piaget descreveu, ainda, as etapas do desenvolvimento cognitivo. Vejam, 
a seguir.
FIGURA 3 - ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO
Disponível em: http://projects.coe.uga.edu/epltt/images/b/b8/Piaget_1.jpg. Acesso em: 25 maio 2023.
8Educação Especial e Escola Inclusiva
• sensório-motor: etapa que acontece até 2 
anos de idade, na qual ocorrem as percepções 
sensoriais; esquemas motores; esquemas práticos. 
Nesse momento, a criança já possui uma conduta 
inteligente, mas considera-se que ela ainda não 
possui pensamento, pois não dispõe da capacidade 
de representar eventos, evocar o passado ou 
referir-se ao futuro, está no aqui e agora, conhece 
de forma pré-lógica. Nessa fase, os esquemas 
iniciais dão origem a esquemas conceituais, 
modos internalizados de agir para conhecer, que 
pressupõem pensamento. A partir da construção de 
esquemas pela transformação da sua atividade sobre 
o meio, a criança vai construindo e organizando 
noções de afetividade, inteligência e de socialização, 
ocorrendo assim a construção da noção do eu ou 
autoconhecimento. Começa, então, a diferenciar os 
objetos, a realidade já se caracteriza comoestável e 
ocorre a permanência dos objetos. Nesse sentido, as 
concepções de espaço, tempo, causalidade começam 
a ser construídas, caracterizando o aparecimento da 
função simbólica que é a capacidade de representar 
eventos futuros, libertando-se do aqui e agora;
• pré-operatória: etapa, aproximadamente, até os 
7 anos. Neste momento, dá-se o aparecimento da 
linguagem oral e dos esquemas representativos ou 
simbólicos, já considera a ideia preexistente de algo, 
toma um objeto ou situação por outra, “como se 
fosse (...)”. Substituem objetos, ações, situações 
e pessoas por símbolos, pensamento sustentado 
por conceitos. O pensamento nessa fase é rígido 
e está centrado em si mesma, denominado como 
egocentrismo. A criança tem ainda comportamentos 
no sentido de dar vida às coisas, como é o exemplo 
do Animismo: alma às coisas. Ou ainda, o 
antropomorfismo: forma humana aos objetos.
A criança nessa fase pratica a transdedução: do 
particular para o particular, apresenta dificuldade 
para elaborar leis, princípios e normas gerais, pois 
ela dependente da percepção imediata, não apresenta 
noção de conservação, de reversibilidade, não 
é capaz de perceber que é possível retornar, 
mentalmente, ao ponto de partida;
• operatório: fase a partir dos 7 anos, que se 
caracteriza por um pensamento lógico e objetivo, 
as ações internalizadas se tornam reversíveis, o 
pensamento passa a ser menos egocêntrico. Assim, 
o mundo real e o fantástico não mais se misturam 
em sua percepção; portanto, a criança passa a ter 
noção de conservação, mais raciocínio e menos 
percepção, sem tanta abstração, pode agora ordenar, 
seriar e classificar;
• operatório-formal: é a fase que envolve a pré-
adolescência. A partir dos 13 anos, o pensamento 
está livre das limitações da realidade concreta, o 
indivíduo aqui pode trabalhar com a realidade 
possível, utilizar hipóteses, possibilidades, pois 
passa a ter o raciocínio hipotético dedutivo.
A maturação biológica é um princípio em sua teoria, 
pois atribui-se a ela o fato de crianças apresentarem sempre 
determinadas características psicológicas em uma mesma 
faixa de idade, sendo assim, um modelo universal, ou seja, 
todas as crianças apresentam nessas idades, as mesmas fases, 
qualquer que seja o lugar que nasceram ou foram criadas. 
Essa abordagem observa que o contexto que coloca 
desafios às crianças é potencialmente mais estimulante para o 
desenvolvimento cognitivo.
Conceito
Veremos, a seguir, a definição de dois conceitos importantes para o 
entendimento desse processo:
• desenvolvimento cognitivo: processo espontâneo que se 
apoia predominantemente no biológico;
• aprendizagem: processo mais restrito, causado por situações 
específicas e subordinação tanto a equilibração quanto a 
maturação.
Portanto, para Piaget o desenvolvimento antecede a aprendizagem:
(desenvolvimento antecede aprendizagem)
Curiosidade
A implantação da abordagem construtivista nas escolas deu-se na década 
de 80. Neste contexto, o objetivo do professor seria o de favorecer a 
descoberta individual, e não mais de determinar a velocidade e a forma 
de construção do conhecimento para o estudante (Barros, 2010).
Paralelamente ao desenvolvimento do Construtivismo-Interacionista de 
Piaget, sistemas computacionais como a inteligência artificial e o sistema 
de acesso a informação não linear (hipertextos) surgiram, permitindo 
formas diversas de buscar informações e construir conhecimentos mais 
adaptáveis às características cognitivas dos alunos.
Caros(as) alunos(as), até aqui revisitamos os conceitos 
de Piaget, agora passaremos para a teoria sócio-histórica de 
Vygotski, também considerada interacionista.
3.2 - Interacinista sócio-histórica
Nesta corrente, os organismos são considerados ativos. 
Possui um pensamento que é construído paulatinamente 
em um ambiente que é histórico e, em essência social, esse 
processo dá continuidade na interação entre as mutáveis 
condições sociais e a base biológica do comportamento 
humano, partindo de estruturas orgânicas elementares 
(maturação) e formando-se novas e mais complexas funções 
mentais, a depender da natureza das experiências sociais.
9
FIGURA 4 - CIRANDA
Disponível em: http://3.bp.blogspot.com. Acesso em: 25 maio 2023.
A fala desempenha um papel importante na formação e 
organização do pensamento complexo e abstrato individual. 
Ex.: a mãe diz que a faca corta. Isso resulta na percepção e 
no conhecimento da criança. Existe, ainda, o processo de 
internalização - processo ativo. A criança apropria-se do social 
de uma forma particular – crítico e transformador, através 
da sua interiorização (o papel estruturante do sujeito). Ao 
internalizar instruções, as crianças modificam suas funções 
psicológicas: percepção, atenção, memória e resolução 
de problemas, assim como as formas historicamente 
determinadas e socialmente organizadas de operar com 
informação, as quais influenciam o conhecimento individual, 
a consciência de si e do mundo.
Nesse sentido, a construção do real, ou seja, a apropriação 
da experiência social, parte do social, da interação com os 
outros. A palavra dá forma ao pensamento, criando novas 
modalidades de atenção, memória e imaginação e a linguagem 
sistematiza a experiência direta da criança e serve para orientar 
seu comportamento. 
O pensamento e a linguagem estão interligados nesse 
processo. O pensamento verbal se dá por meio de estruturas 
de linguagem dominadas pelas crianças, que passam a 
contribuir para as estruturas básicas de sua forma de pensar. 
O autor considera que os fatores biológicos 
preponderam sobre os sociais apenas no início da vida. 
A formação do pensamento é acentuada pela vida social e 
pela constante comunicação que se estabelece entre crianças 
e adultos, a qual permite a assimilação da experiência de 
muitas gerações. Essa característica propicia um ambiente de 
trocas contínuas, o que é refletido em sala de aula, na qual 
se destacam elementos e negligenciam-se outros, os alunos 
podem então reestruturar sua percepção.
Nessa abordagem, a aprendizagem e o desenvolvimento 
são entendidos como fenômenos distintos e interdependentes 
e a inteligência como habilidade para aprender.
Conceito
Vygotsky desenvolveu alguns conceitos. Faremos uma análise desses 
conceitos de acordo com Palangana (2003).
Zona de desenvolvimento proximal - trata-se da distância entre: nível de 
desenvolvimento atual, que é a capacidade de solução de problemas, 
sem ajuda e o nível de desenvolvimento potencial que é a solução de 
problemas sob a orientação ou em colaboração com as crianças mais 
experientes.
A Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), conceito central na teoria 
de Vygotsky, é uma ferramenta poderosa para entender e promover a 
inclusão de alunos com deficiência no ambiente escolar. A ZDP refere-se 
ao espaço entre o que um aluno pode realizar de forma independente 
e o que pode alcançar com o apoio de um mediador, como professores 
ou colegas. Aplicar esse conceito na educação inclusiva permite que os 
educadores não apenas identifiquem e desenvolvam as potencialidades 
dos alunos, mas também personalizem o ensino, ofereçam suporte 
adequado, promovam a colaboração e ajustem continuamente as 
estratégias pedagógicas para atender às necessidades individuais.
FIGURA 5 - CAIXA DE FÓSFORO
Disponível em: http://crz-crazy.zip.net/images/fosforo.jpg. 
Acesso em: 25 maio 2023.
Exemplo da caixa de fósforo: ao pegarmos uma 
caixinha de fósforo, temos ali apenas palitos, mas se 
colocamos nossa atuação riscando os palitos na caixinha, 
podemos produzir luz, fogo. Este é um exemplo de zona 
desenvolvimento próximal: a distância entre o palito apagado 
e o palito produzindo luz ou fogo com a mediação do humano. 
Assim acontece com as pessoas, muitas vezes precisam de um 
auxílio para que consigam apresentar o potencial de forma 
satisfatória.
FIGURA 6 - FÓSFORO
Disponível em: http://diocesedeuruacu.com.br/blogparoquiasantoantoniode 
paduamararosa/wp-content/uploads/2010/03/Fosforo.jpg.Acesso em: 25 maio 2023.
Em termos de práticas pedagógicas, Vygotsky diz 
que não se deve separar os alunos mais desenvolvidos, 
dos menos desenvolvidos, deve-se ao contrário, levar os 
primeiros a ensinar os segundos e reforçarem mutuamente o 
aprendizado, como já o fazia Pestallozzi em Yverdun.
10Educação Especial e Escola Inclusiva
Saber mais
Essa abordagem mostra que a aprendizagem precede o desenvolvimento 
intelectual, pois, através do conceito de zona de desenvolvimento 
potencial ou proximal, é possível que a criança possa compreender 
funções de desenvolvimento que estão a caminho de se completar.
Diante disso, as qualidades das trocas que se dão no 
plano verbal entre professores e alunos irão influenciar 
decisivamente na forma como as crianças tornam mais 
complexo o seu pensamento e processam novas informações.
O processo de desenvolvimento nada mais é do que a 
apropriação ativa do conhecimento disponível no mundo por 
meio da sociedade em que a criança nasceu.
FIGURA 7 - MENINO E O MUNDO
Disponível em: http://crz-crazy.zip.net/images/fosforo.jpg. 
Acesso em: 25 maio 2023.
Nesse contexto, fica mais claro entender como se dá 
o processo de conhecimento dos indivíduos. No âmbito 
da educação, a abordagem considerada mais relevante é a 
interacionista, com os autores Piaget e Vygotski.
Lembrando que os dois autores são interacionistas, pois consideram 
que o homem e o meio interagem entre si.
Contudo, a maior contribuição da teoria de Piaget, 
segundo Barbosa (2007), está nos conceitos de equilibração 
e reequilibração das estruturas cognitivas. No entanto, é 
insistente nos cursos superiores a visão reducionista, que 
privilegia somente as questões iniciais de sua obra.
Após termos revisado as mais importantes abordagens 
do desenvolvimento e da aprendizagem, passaremos agora 
para o entendimento do termo educação. Para isso, é 
preciso considerar o processo de ensino-aprendizagem, 
processo que viabiliza o modo como os seres adquirem 
novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam 
o comportamento. 
A educação está presente em todas as manifestações 
culturais e sociais, nos mais variados espaços de convívio 
social. Logo, a educação coincide com os conceitos de 
socialização e endoculturação. 
Endoculturação: é o processo permanente de aprendizado de 
uma cultura que começa com assimilação de valores e experiências a 
partir do nascimento de um indivíduo e que se completa com a morte. 
Processo de aprendizagem e educação de uma cultura, desde a infância 
até a idade adulta.
Não há uma forma única nem um único modelo de 
educação. A escola não é o único lugar onde ela acontece e 
talvez nem seja o melhor. O ensino escolar não é a única prática 
e o professor não é o seu único praticante (Brandão,1999).
FIGURA 8 - INTERAÇÃO
Disponível em: http://3.bp.blogspot.com. Acesso em: 25 maio 2023.
Seguindo o mesmo autor, educar é evoluir com a 
cultura, costumes, crenças de cada pessoa, aprendidos com 
os mais velhos ou mais experientes, ou seja, a educação 
perpassa pelas relações do cotidiano, no contato com outras 
pessoas e a natureza, tornando a observação e a repetição 
de comportamentos e ensinamentos observáveis parte 
do aprender. A esse respeito, o surgimento dos processos 
pedagógicos trata-se da divisão e legitimação das partes do 
conhecimento comunitário. É quando a educação deixa de ser 
livre e comunitária e passa a ser escolar, com leis de ensino 
e sistemas pedagógicos. Junto a esse processo, vemos todo 
o interesse político e econômico que se projetam sobre a 
educação.
 Segundo Barbosa (1997), o processo de aprendizagem 
da criança é visto como pluricausal, abrangente, que 
compreende várias partes estruturais: afetivos, cognitivos, 
motores, sociais, econômicos, políticos etc. O importante, no 
entanto, é perceber o aluno em todas as suas particularidades 
e singularidades, lembrando que esse processo não é linear 
e contínuo, pois não tem uma única direção, mas, como já 
foi dito, é multifacetado, apresentando paradas, saltos e 
transformações bruscas.
 Agora pessoal, para relembrarmos e complementarmos 
o que foi abordado, sugiro a leitura do quadro elaborado por 
Santos (2005):
11
Abordagens Abordagem 
tradicional
Abordagem 
comportamentalista
Abordagem 
humanista
Abordagem 
cognitivista
Abordagem 
sociocultural
A escola
Lugar ideal para 
a realização 
da educação. 
Organizada com 
funções claramente 
definidas. Normas 
disciplinares 
rígidas. Preparar os 
indivíduos para a 
sociedade.
Uma agência educacional. 
Modelo empresarial 
aplicado à escola. Divisão 
entre planejamento 
(quem planeja) e 
execução (quem 
executa). No limite, a 
sociedade poderia existir 
sem escola. Uso da 
teleducação. Ensino a 
Distância.
Escola proclamada para 
todos. “Democrática”. 
Afrouxamento das 
normas disciplinares. 
Deve oferecer 
condições ao 
desenvolvimento e 
autonomia do aluno.
Dá condições para que 
o aluno possa aprender 
por si próprio. Oferece 
liberdade de ação real 
e material. Reconhece 
a prioridade psicológica 
da Inteligência sobre a 
aprendizagem. Promove 
um ambiente desafiador 
favorável à motivação 
intrínseca do aluno.
Deve ser organizada 
e estar funcionando 
bem, para 
proporcionar os meio 
para que a educação 
se processe em seus 
múltiplos aspectos.
O aluno
É um ser “passivo” 
que deve assimilar 
os conteúdos 
transmitidos pelo 
professor. Deve 
dominar o conteúdo 
cultural universal 
transmitido pela 
escola.
Elemento para quem o 
material é preparado. 
O aluno eficiente e 
produtivo é o que lida 
“cientificamente” com os 
problemas da realidade.
Um ser “ativo”. Centro 
do processo de ensino 
e aprendizagem. Aluno 
criativo que “aprendeu 
a aprender”. Aluno 
Participativo.
Papel essencialmente 
“ativo” de observar, 
experimentar, comparar, 
relacionar, analisar, 
justapor, compor, 
encaixar, levantar 
hipóteses, argumentar, 
etc.
Uma pessoa 
concreta, objetiva, 
que determina 
e é determinada 
pelo social, político, 
econômico, individual 
(pela história). Deve 
ser capaz de operar 
conscientemente 
mudanças na 
realidade.
O professor
É o transmissor do 
conteúdo aos alunos. 
Predomina como 
autoridade.
É o educador que 
seleciona, organiza e 
aplica um conjunto de 
meios que garantem a 
eficiência e eficácia do 
ensino.
É o facilitador da 
aprendizagem.
Cria situações 
desafiadoras e 
desequilibradas, 
pela orientação. 
Estabelece condições 
de reciprocidade e 
cooperação ao mesmo 
tempo moral e racional.
É o educador que 
direciona e conduz o 
processo de ensino 
e aprendizagem. 
A relação entre 
professor e 
aluno deve ser 
horizontal, ambos se 
posicionando como 
sujeitos do ato de 
conhecimento.
Ensino e 
aprendizagem
Os objetivos 
educacionais 
obedecem à 
sequência lógica 
dos conteúdos. 
Os conteúdos 
são baseados em 
documentos legais 
a partir da cultura 
universal acumulada. 
Predominam aulas 
expositivas, com 
exercícios de fixação, 
leituras-cópia.
Os objetivos educacionais 
são operacionalizados 
e categorizados a 
partir de classificações: 
gerais (educacionais) e 
específicas (instrucionais). 
Ênfase nos meios: 
recursos audiovisuais, 
instrução programada, 
tecnologias de ensino, 
ensino individualizado 
(módulos instrucionais), 
“máquinas de ensinar”, 
computadores, softwares. 
Os comportamentos 
desejados serão 
instalados e mantidos 
nos alunos por 
condicionantes e 
reforçadores.
Os objetivos 
educacionais obedecem 
ao desenvolvimento 
psicológico do 
aluno. Os conteúdos 
programáticos são 
selecionados a 
partir dos interesses 
dos alunos. “Não 
diretividade”. A 
avaliação valoriza 
aspectos afetivos 
“atitudes” com ênfase 
na autoavaliação.
Desenvolve a inteligência, 
considerando o sujeito 
inserido numa situação 
social. A inteligência 
constrói-se a partir da 
troca do organismo com 
o meio, pelas ações do 
indivíduo. Baseado no 
ensaio e no erro, na 
pesquisa, na investigação, 
na solução de problemas, 
facilitandoo “aprender 
a pensar”. Ênfase nos 
trabalhos em equipe e 
jogos.
Os objetivos 
educacionais são 
definidos a partir 
das necessidades 
concretas do contexto 
histórico-social no 
qual se encontram 
os sujeitos. Busca 
uma consciência 
crítica. O diálogo e os 
grupos de discussão 
são fundamentais 
para o aprendizado. 
Os temas devem 
ser extraídos da 
prática de vida dos 
educandos.
12Educação Especial e Escola Inclusiva
Recanto das Letras. Disponível em: http://www.
recantodasletras.com.br/artigos/2168229. Acesso em: 25 
maio 2023.
Abordagens do Processo Ensino-Aprendizagem e o 
Professor. Disponível em: http://www.angelfire.com/ak2/
jamalves/Abordagem.html. Acesso em: 25 maio 2023.
Vale a pena acessar
SANTOS, R,V. dos. Abordagens do processo de ensino 
e aprendizagem. Integração. Ano XI, n. 40, p. 19-31, maio, 
2005. Disponível em: ftp://ftp.usjt.br/pub/revint/19_40.
pdf. Acesso em: 25 maio 2023.
BARROS, S. Os recursos computacionais e suas possibilidades 
de aplicação no ensino segundo as abordagens de ensino-aprendizagem. 
Diposnível em: http://homes.dcc.ufba.br/~frieda/
mat061/as.htm. Acesso em: 25 maio 2023.
Vale a pena ler
Vale a pena
Considerações importantes contidas na BNCC
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) adota uma 
perspectiva de desenvolvimento integral, que considera o aluno 
em suas dimensões intelectual, emocional, social, cultural e 
física. A educação deve promover o desenvolvimento pleno 
do indivíduo, respeitando suas características individuais 
e contextos socioculturais. O documento articula dez 
competências gerais, que englobam desde o conhecimento 
acadêmico até habilidades socioemocionais, como empatia, 
cooperação e responsabilidade. Essas competências são 
fundamentais para o desenvolvimento integral do aluno. 
A BNCC enfatiza a inclusão e o respeito à diversidade. O 
documento orienta para a construção de práticas pedagógicas 
que atendam às necessidades de todos os estudantes, com 
foco especial em grupos historicamente marginalizados, 
como pessoas com deficiência, negros, indígenas e 
LGBTQIA+. A inclusão na BNCC não é apenas física, mas 
também pedagógica e cultural, garantindo que todos tenham 
acesso às mesmas oportunidades de aprendizagem. Incentiva 
ainda práticas que colocam o aluno como protagonista do 
seu processo de aprendizagem, promovendo sua autonomia, 
criatividade e capacidade de resolver problemas. Isso se alinha 
à visão de desenvolvimento que valoriza a capacidade dos 
alunos de se tornarem agentes de transformação em suas 
comunidades.
Então, chegamos ao final da primeira aula. Espera-se 
que agora tenha ficado mais claro o entendimento 
de vocês sobre os aspectos do desenvolvimento e 
aprendizagem. O que é importante ser lembrado 
é o conceito de zona de desenvolvimento proximal, o qual se coloca 
importância sobre o potencial de desenvolvimento que a criança tem 
a atingir. Este será um conceito bastante relacionado com a teoria da 
inclusão. Vamos então, recordar:
Retomando a aula
1 - Concepção inatista
Nesta seção, vimos que a concepção inatista considera 
a prontidão do indivíduo, sofrendo pouca diferenciação 
qualitativa e quase nenhuma transformação ao longo da 
existência. Neste caso, o ser se apresenta mais passivo ao 
processo de aprendizado e o papel do ambiente (educação 
e ensino) é tentar interferir o mínimo no processo do 
desenvolvimento espontâneo da pessoa. 
 2 - Concepção ambientalista ou empirista
Nesta seção, estudamos que concepção ambientalista 
(ou empirista) o ambiente exerce um enorme poder sobre 
o desenvolvimento humano. Nesse sentido, o ser humano 
desenvolve suas características em função das condições 
presentes no meio em que se encontra. Essa posição 
deriva do modelo empírico que considera a experiência 
sensorial como fonte do conhecimento. Desse ponto de 
vista, considera o indivíduo extremamente reativo à ação do 
meio. 
3 - Concepção interacionista
Nesta seção, foram apresentadas duas abordagens: 
concepção interacionista cognitiva e concepção interacionista 
sócio-histórica. Na primeira, o indivíduo procura manter 
um estado de equilíbrio ou de adaptação com o seu meio. A 
maturação biológica é importante nesta teoria, pois atribui-se 
a ela o fato de crianças apresentarem sempre determinadas 
características psicológicas em uma mesma faixa de idade. 
Na segunda teoria, os fatores biológicos preponderam 
sobre os sociais apenas no início da vida. A formação do 
pensamento é acentuada pela vida social e pela constante 
comunicação que se estabelece entre crianças e adultos, a qual 
permite a assimilação da experiência de muitas gerações.
Na abordagem interacionista, o educador atua 
como facilitador do desenvolvimento, criando ambientes 
de aprendizagem que incentivem a interação social e o 
desenvolvimento cognitivo. Dessa maneira, a abordagem 
interacionista é de fato a mais alinhada com a ideologia da 
educação inclusiva porque considera que o desenvolvimento 
e a aprendizagem resultam da interação contínua entre fatores 
internos (como a biologia e a maturação) e externos (como 
o ambiente social e cultural). Essa perspectiva reconhece 
que as características de um indivíduo são moldadas tanto 
pela hereditariedade quanto pelas experiências e interações 
sociais.
13
O Sorriso de Monalisa - 2003, Drama/Romance.
Vale a pena assistir
Minhas anotações

Mais conteúdos dessa disciplina