Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>ANÁLISE DE POLÍTICA</p><p>EXTERNA</p><p>AULA 5</p><p>Profª Bruna Leal Barcellos</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta aula, você será apresentado a um dos métodos mais populares na</p><p>política externa: o método comparativo. Por meio da compreensão de como a</p><p>política externa comparada pode ser executada, assim como de suas</p><p>ferramentas, você conseguirá compreender como diferentes estudos podem</p><p>ser elaborados com base nessa ótica.</p><p>Abordagens ligadas ao process tracing, por exemplo, também serão</p><p>analisadas com o intuito de apresentar a vasta disponibilidade de abordagens e</p><p>prismas existentes dentro da política comparada.</p><p>TEMA 1 – POLÍTICA EXTERNA COMPARADA: SURGIMENTO</p><p>O surgimento da área de política externa comparada na década de 1960</p><p>teve grande impulso por parte de James Rousseau e sua crítica aos modelos</p><p>de análise que até então eram aplicadas. A política externa comparada surgiria</p><p>como sendo uma forma de realizar análises de comparação com</p><p>características multiníveis com possível aplicabilidade empírica (Nanci;</p><p>Pinheiro, 2019, p. 112).</p><p>Com base nesse modelo de análise, seria possível compreender o</p><p>comportamento entre Estados, regimes, economias e outros setores.</p><p>Auxiliando nas análises que buscavam maior especificidade em sua pesquisa.</p><p>De forma geral, a política comparada surgiria com o intuito de responder à</p><p>questão: “quem faz o que com quem, como” (Hudson, 2005 citado por Mintz;</p><p>DeRouen, 2010, p. 9).</p><p>Pensar em comparar pode parecer uma tarefa difícil quando pensamos o</p><p>mundo ainda no período pós-Primeira Guerra Mundial e durante a Guerra Fria.</p><p>Assim, compreende-se como esse modelo se fortaleceu com as mudanças do</p><p>cenário internacional que trouxeram uma dinâmica maior entre os Estados. Os</p><p>Organismos Internacionais facilitaram ainda mais esse modelo de análise, já</p><p>que se tratam de espaços de discussões em que países com aspectos em</p><p>comum, ou não, se reúnem para discutir assuntos de comum interesse.</p><p>O avanço do campo da política comparada também se fortaleceu na</p><p>insatisfação dos pesquisadores sobre os métodos até então disponíveis. A</p><p>3</p><p>ausência de teorias e métodos que se encaixassem nas novas dinâmicas</p><p>auxiliou na popularização da política externa comparada como uma alternativa.</p><p>Cabe citar a definição de Franco sobre o que é política externa</p><p>comparada como forma de sumarizar esse método:</p><p>[...] comparar são processos inerentes à consciência e à vida</p><p>humana. [...] Mas, para fazer comparações, além da dificuldade de</p><p>entender as diferentes línguas e seus complexos significados, há o</p><p>problema do conhecimento e da interpretação de sua história e de</p><p>sua cultura. (Franco, 2000, p. 198)</p><p>Compreendemos pela citação de Franco que comparar é natural, no</p><p>entanto, tem seus obstáculos. Seriam esses os obstáculos que o pesquisador</p><p>teria que superar a fim de executar sua análise.</p><p>TEMA 2 – O PAPEL DO MODELO DE ANÁLISE COMPARADA</p><p>Sartori (1997, citado por Nanci; Pinheiro, 2019, p. 118) estabelece que</p><p>“comparar é controlar”, sendo que esse controle poderia se dividir de quatro</p><p>formas: método experimental; método estatístico; método histórico e o método</p><p>comparativo. Tanto o método experimental quanto o estatístico executam sua</p><p>análise com base no esforço de identificar uma correlação entre dois casos. No</p><p>entanto, enquanto o método experimental trabalha sobre a dinâmica, na qual</p><p>se selecionam dois grupos, sendo somente um exposto a determinados</p><p>estímulos, o método estatístico soma a sua análise às questões matemáticas e</p><p>foco nos dados empíricos na busca de relações entre as variáveis (Pasquarelli,</p><p>2014, p. 17).</p><p>Para Lijphart (1971), o método comparativo, então, se trataria do mais</p><p>adequado no auxílio do avanço da capacidade de reflexão dos cientistas</p><p>políticos, já que esses se colocariam em uma posição intermediária entre os</p><p>dois objetos analisados.</p><p>A justificativa para a comparação pode ser encontrada em diversos</p><p>elementos da pesquisa e da dinâmica internacional. Lipset (1994, citado por</p><p>Nanci; Pinheiro, 2019, p. 154), por exemplo, trata sobre como conhecer</p><p>somente o próprio país de origem, pode ser compreendido como conhecer país</p><p>algum. A comparação serviria não somente como ferramenta de auxílio para</p><p>essa problemática, mas também se apresentaria como um método adequado</p><p>para as análises de políticas públicas.</p><p>4</p><p>O método comparativo pode ser utilizado como uma forma de melhoria</p><p>nos aspectos de descrição e sintetização do pesquisador sobre sua análise. Há</p><p>também características estruturalistas nesse método, sendo que o mesmo leva</p><p>em consideração “particularidades e diferenças que muitas vezes são</p><p>explicativas dos fenômenos que condicionam a gestão pública” (Pliscoff; Monje,</p><p>2003, p. 5).</p><p>Para Nanci e Pinheiro (2019, p. 119), o modelo de análise comparada</p><p>cria caminho para a observação de diferenças e comparações de sistemas,</p><p>auxiliando na criação de uma visão mais ampla sobre os processos</p><p>semelhantes da política externa. O método comparativo então contribuiria para</p><p>a produção de conhecimento ao ser uma ferramenta de auxílio na análise de</p><p>futuras decisões a serem tomadas.</p><p>Não obstante, assim como tratado nas abordagens apresentadas</p><p>anteriores, todos os métodos acabam demonstrando algum ponto fraco com o</p><p>tempo que é percebido pelos pesquisadores. No caso da política externa</p><p>comparada, Lijphart (1971, p. 685-687) estabelece dois pontos centrais como</p><p>sendo necessários de melhora: o alto número de variáveis e a pequena</p><p>quantidade de casos.</p><p>Para a solução do segundo problema, deve se considerar a</p><p>possibilidade de adicionar mais casos na análise comparada. Nesse caso, o</p><p>pesquisador teria de prestar atenção em utilizar somente casos que podem ser</p><p>analisados um a luz do outro, sem decidir por dois casos totalmente contrários</p><p>e sem semelhanças visíveis. Em relação às variáveis, em caso de não ser</p><p>possível avançar no número de casos comparados, deve-se considerar a</p><p>possibilidade de combinar mais variáveis para o auxílio da pesquisa.</p><p>TEMA 3 – O MÉTODO QUANTITATIVO E QUALITATIVO NA ANÁLISE</p><p>COMPARADA</p><p>O método comparativo de política externa não faz uso restrito de</p><p>somente uma técnica, podendo ser aplicado tanto uma abordagem qualitativa,</p><p>quanto quantitativa. No caso do uso do método quantitativo, observa sua</p><p>aplicabilidade no caso de pesquisas que utilizem um número maior de casos,</p><p>utilizando-se de experimentos. Esse método auxiliaria na compreensão de</p><p>quais são os efeitos de determinadas causas. Já o método qualitativo teria foco</p><p>na compreensão de quais causas geram determinados efeitos, utilizando uma</p><p>5</p><p>ferramenta de análise que permite encontrar quais as relações casuais que</p><p>produziriam resultados semelhantes.</p><p>A maior dicotomia entre ambas as perspectivas estaria na construção de</p><p>suas perguntas. Enquanto a perspectiva qualitativa cria primeiro as perguntas</p><p>para depois construir suas explicações, ela também sofre da problemática de</p><p>se limitar aos casos já pré-definidos. Enquanto isso, os modelos estatísticos –</p><p>pela perspectiva quantitativa – podem incluir novos casos depois do início da</p><p>pesquisa (Braga, 2016, p. 155).</p><p>Betarelli e Ferreira (2018, p. 28-29) defendem o uso da ferramenta</p><p>qualitativa na pesquisa comparada de políticas. Pela visão dos autores, o</p><p>método comparativo qualitativo seria uma forma de auxílio na eliminação de</p><p>possíveis dúvidas, incertezas e desconfianças que podem existir nesse modelo</p><p>de pesquisa. O método qualitativo contribuiria em diversos pontos:</p><p>a) permitiria que modelos casuais alternativos fossem testados;</p><p>b) permitiria a alteração de variáveis sem comprometer a transparência e</p><p>aspectos pluralistas da pesquisa;</p><p>c) permitiria um modelo de política quase experimental ao possibilitar o</p><p>pesquisador de verificar em quais condições a política é ou não efetiva;</p><p>d) permite que a análise comparativa use um número menor de casos,</p><p>sendo</p><p>transregional, transetorial, intra e entre entidades, grupos ou</p><p>blocos, intrapaíses ou intraregiões.</p><p>O método comparativo e sua escolha de ferramenta qualitativa ou</p><p>quantitativa também deve considerar as variáveis. No caso, temos as variáveis</p><p>independentes e dependentes. As varáveis independentes são aquelas que de</p><p>alguma forma influenciam outras variáveis, enquanto as variáveis dependentes</p><p>são as que sofrem influência.</p><p>Nas pesquisas quantitativas, as variáveis independentes seriam as mais</p><p>proeminentes, já que o método utilizaria dessa variável para a seleção de</p><p>casos. Sendo o método qualitativo holístico, é orientado por casos e utiliza a</p><p>identificação de semelhanças entre diferentes objetos para explicar resultados</p><p>específicos.</p><p>Entra então a questão de seleção de casos. King, Keohane e Verba</p><p>(1994 citado por Nanci; Pinheiro, 2019, p. 123) sugerem duas formas pelas</p><p>quais a seleção pode ser executada. Na primeira, a seleção seria de forma</p><p>aleatória evitando que ocorram favoritismos na seleção. Já no segundo</p><p>6</p><p>método, o de seleção intencional, normalmente utilizada em estudos com</p><p>menor número de casos, acaba aumentando o risco de favoritismo na</p><p>pesquisa. Nesse segundo método com menor número de casos, é possível</p><p>utilizar o método elaborado por Alexander George e Andrew Bennet (citado por</p><p>Nanci; Pinheiro, 2019, p. 125) de comparação estruturada, na qual seria</p><p>executada uma compilação sistemática de dados como auxílio.</p><p>Um outro método que também pode fazer uso tanto da ferramenta</p><p>qualitativa quanto quantitativa é o método de process tracing que será</p><p>aprofundado no próximo tema.</p><p>TEMA 4 – PROCESS TRACING</p><p>Apresentado por Payne em 1976 como uma das possíveis técnicas para</p><p>análise do processo de decisão, o process tracing, de acordo com a definição</p><p>de Bennet (2010, p. 119), estaria correlacionado com o que o autor chama de</p><p>diagnóstico de evidência de um caso. Esse diagnóstico seria uma forma de</p><p>corroborar uma hipótese pré-elaborado pelo pesquisador.</p><p>Alguns autores adicionam grande importância ao método de process</p><p>tracing, como é o caso de Collier (2011, p. 823), observando-o como</p><p>ferramenta fundamental para o processo de análise qualitativa. Vennesson</p><p>(2008) também faz o mesmo, mas correlacionando a importância desse</p><p>método com os casos empíricos, já que, segundo o autor, o process tracing</p><p>conseguiria auxiliar o pesquisador na compreensão das “preferências e</p><p>percepções dos atores”.</p><p>O process tracing pode ser observado, de forma resumida, como um</p><p>método de auxílio no processo de compreensão de uma linha histórica, como</p><p>um evento, decisão ou cenário. Podendo ser observado como um exame</p><p>sistemático, faria o “diagnóstico” das evidências as analisando sob a ótica da</p><p>hipótese do autor (Collier, 2011; Bennet, 2010).</p><p>Para o processo de análise dos eventos históricos de determinado</p><p>objeto, o process tracing pode recorrer a uma variedade de fontes, sendo elas</p><p>documentos, entrevistas, surveys, entre outros formatos. No entanto, essa</p><p>vastidão de fontes de informação também pode representar um ponto negativo</p><p>do método de process tracing, já que requere muito tempo do pesquisador.</p><p>O process tracing, para a sua aplicação, pode apresentar duas visões,</p><p>cada uma observando a técnica sobre uma ótica diferente. Uma das visões</p><p>7</p><p>seria a positivista, na qual o process tracing serviria como forma de estabelecer</p><p>e avaliar a conexão entre dois fatores. O processo positivista tem o caráter de</p><p>representar o que foi identificado pelo autor, sem necessariamente se</p><p>aprofundar além disso.</p><p>Já na perspectiva interpretativa, observa-se um cenário diferente, no</p><p>qual o pesquisador não só observa de qual forma a conexão ocorre, mas</p><p>também em qual contexto ela se faz. Seria analisado não somente o que</p><p>acontece, mas de que forma acontece (Vennesson, 2008, p. 232).</p><p>Muitas vezes, o process tracing acaba sendo confundido com o ato de</p><p>“contar uma história”, pelo seu aspecto de analisar a linha temporal de</p><p>determinado objeto. As diferenças existentes entre o process tracing e a</p><p>narração de uma história estariam amparadas em três pontos. Como primeiro,</p><p>observa-se que o process tracing tem um foco de análise menor, não</p><p>ultrapassando os “limites” que seu objeto de análise apresenta. Em segundo, o</p><p>process tracing não somente reproduz os eventos que marcaram o processo</p><p>histórico de um determinado objeto, mas também executa uma explicação com</p><p>base em uma análise, tendo também base em uma estrutura teórica. Por</p><p>último, executa uma explicação narrativa que guiaria o pesquisador a um</p><p>resultado específico (Vennesson, 2008, p. 232).</p><p>De forma resumida, o process tracing pode ser visto como uma maneira</p><p>de ler o processo de tomada de decisão de um ator, assim como pode ser</p><p>utilizado na compreensão de como uma realidade chegou a determinado ponto,</p><p>entre outras aplicações.</p><p>Digamos que o pesquisador deseja compreender o porquê da escolha</p><p>de um governo pela adoção de mais políticas de infraestrutura para creches. A</p><p>hipótese inicial do autor pode ser a de que a política busca atender o aumento</p><p>na demanda em diversas regiões. No entanto, o process tracing pode</p><p>demonstrar outros fatores envolvidos nessa decisão. Podemos utilizar o caso</p><p>do Japão e suas políticas para o aumento de vagas em creches. Ao</p><p>analisarmos os documentos conectados a essa decisão desde o ano de 2013,</p><p>veremos um discurso relacionado a busca governamental por maior inserção</p><p>de mulheres no mercado de trabalho.</p><p>Ao notar essa problemática, o governo avalia diferentes variáveis que</p><p>afetam a participação feminina nesse mercado, sendo uma dessas variáveis a</p><p>de que: mulheres com filhos pequenos têm que ficar em casa para oferecer os</p><p>8</p><p>cuidados necessários, sem tempo para voltar ao trabalho, e quando o fazem,</p><p>acabam assumindo cargos informais com menores regimes de trabalho. No</p><p>entanto, interpretar o discurso de necessidade de mais mulheres fazendo parte</p><p>do mercado de trabalho levará o pesquisar a uma análise mais profunda a</p><p>situação dos empregos no Japão, e sua análise terá de voltar para a década de</p><p>1980, início da bolha que ocasionaria a década perdida em 1990 e o avanço na</p><p>ocupação de cargos informais.</p><p>O trabalho do process tracing é justamente o de traçar todos esses</p><p>fatores, além de outros que estão envolvidos na problemática. Para isso, pode</p><p>utilizar tanto uma ferramenta qualitativa quanto quantitativa, assim como pode</p><p>combinar ambas as ferramentas em casos em que a análise quantitativa gera</p><p>uma análise qualitativa, e vice-versa.</p><p>Como tratado anteriormente, o process tracing também envolve diversas</p><p>fontes em sua análise. No exemplo apresentado, documentos oficiais, falas de</p><p>líderes políticos e análises históricas por meio de pesquisas de outros autores</p><p>serviriam como fontes de informação. Em outros casos, o próprio pesquisador,</p><p>caso seja oportuno, pode executar entrevistas com atores diretamente ligados</p><p>ao fenômeno analisado.</p><p>De certa forma, o process tracing acaba sendo presente em grande</p><p>parte das análises, mesmo que inconscientemente. Devido a possibilidade de</p><p>junção com outros métodos e teorias, o process tracing nem sempre terá o</p><p>papel central em uma pesquisa. Quando fazemos uma análise histórica,</p><p>estamos também fazendo um traçamento do processo para descobrir como o</p><p>objeto analisado chegou no momento em que se encontra.</p><p>Dessa forma, podemos observar no process tracing um método de útil</p><p>aplicação para as análises de política externa, pois, por meio deles</p><p>conseguimos ter uma visão completa da linha do tempo em que a estrutura</p><p>doméstica afeta a internacional, por exemplo.</p><p>TEMA 5 – DIFERENTES VARIÁVEIS NOS ESTUDOS COMPARATIVOS DA</p><p>APE</p><p>Nesse tópico focaremos nas variáveis apresentadas por Adriole,</p><p>Wilkenfeld e Hopple no seu artigo de 1975. Os autores dividem as variáveis</p><p>entre independentes, intervenientes e dependentes.</p><p>9</p><p>Começando</p><p>pelas variáveis independentes, a primeira variável</p><p>apontada pelos autores é o componente psicológico. Dentro dessa variável</p><p>seriam considerados os aspectos de valores, crenças, atitudes e cognitivos dos</p><p>atores. Essa variável não difere muito do que havíamos debatido sobre as</p><p>análises cognitivas nas aulas anteriores. Nela, as percepções que o decisor</p><p>tem sobre o ambiente inserido são significantes, assim como de que forma eles</p><p>observam e definem os ambientes internos e externos.</p><p>Como segunda variável temos o componente político, dessa vez</p><p>considerando os aspectos políticos do Estado à luz da estrutura política, indo</p><p>desde relações do executivo com o legislativo e se expandindo para outros</p><p>grupos de interesse.</p><p>Como próxima variável, há o componente social. Nesse ponto, não são</p><p>analisadas as variáveis políticas, mas sim as que se relacionam com o nível</p><p>social. Dentro dessa variável podem estar inclusos fatores econômicos,</p><p>situações de conflito ou estabilidade, entre outros.</p><p>Como próxima variável, o componente entre Estados refere-se a um</p><p>cenário externo e não interno, como as variáveis anteriormente vistas.</p><p>Podemos notar a presença de acordos entre Estados e organizações. Já o</p><p>componente global, o último tratado pelos autores, trata dos fatores</p><p>internacionais que de alguma forma executariam influência sobre a política</p><p>externa do Estado (Andriole; Wilkenfeld; Hopple, 1975, p. 184-188).</p><p>Partindo para as variáveis intervenientes, Andriole, Wilkenfeld e</p><p>Hopple defendem as diferenças existentes entre os Estados, sendo</p><p>relacionadas as dimensões em que estão envolvidos. Essas dimensões</p><p>também acabariam modificando as relações entre a política externa e o</p><p>comportamento estatal. Nesse ponto, os autores elaboram alguns fatores</p><p>responsáveis pela modificação de comportamento dos Estados. O primeiro</p><p>deles seria visto como a própria estrutura governamental; em segundo lugar,</p><p>teríamos a estrutura econômica da sociedade e por último, a capacidade militar</p><p>(Andriole; Wilkenfeld; Hopple, 1975, p. 188-191).</p><p>Como variáveis dependentes, os autores estabelecem cinco dimensões</p><p>que podem ser utilizadas no processo de compreensão da política externa, são</p><p>elas: espacial, relacional, situacional, substancial e comportamental. Os</p><p>autores alertam que o campo de variáveis dependentes nos processos de</p><p>política externa não apresentou grande avanço, mas as dimensões propostas</p><p>10</p><p>por ele podem auxiliar o pesquisador a identificar essas variáveis em sua</p><p>pesquisa (Andriole; Wilkenfeld; Hopple, 1975, p. 192-193).</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Faça uma leitura do artigo de Bernal-Meza (1999), acessando o link a</p><p>seguir. Disponível em: . Acesso em: 17 abr. 2020.</p><p>Em seguida, observe o processo de aplicação da metodologia de</p><p>análise comparada com base no conteúdo dessa aula. Após ler esse artigo,</p><p>tente responder:</p><p> Ainda seria possível utilizar Brasil e Argentina como objetos de uma</p><p>análise comparada?</p><p> Existiria alguma área específica em que esses países poderiam ser</p><p>comparados?</p><p> Qual método você utilizaria para essa comparação?</p><p>FINALIZANDO</p><p>Durante essa aula, você teve acesso a alguns conceitos básicos da</p><p>política externa comparada. Sendo essa uma das formas mais populares de</p><p>execução da APE, a política externa comparada surgiu em meio as novas</p><p>dinâmicas do campo internacional e a globalização.</p><p>A importância do modelo de pesquisa comparativa se mostra como uma</p><p>forma de permitir o pesquisador observar como determinados eventos</p><p>chegaram naquele Estado. Utilizando dois ou mais casos para comparação, o</p><p>evento analisado pode ser mais aprofundado e até mesmo auxiliar na</p><p>identificação de possíveis tendências futuras.</p><p>Para esse último caso, um dos métodos que podem vir a ser úteis e que</p><p>faze parte da análise comparativa é o process tracing. Com a proposta de</p><p>mostrar como se deu a linha temporal de um evento e auxiliar na comprovação</p><p>de uma hipótese, ou simplesmente na descoberta de uma resposta, o process</p><p>tracing é uma ferramenta flexível e com vários mecanismos para a pesquisa.</p><p>11</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDRIOLE, S. J.; WILKENFELD, J.; HOPPLE, Gerald W. A Framework for the</p><p>Comparative Analysis of Foreign Policy Behavior. International Studies</p><p>Quarterly, v. 19, n. 2, p. 160-198, 1975.</p><p>BENNET, A. Process Tracing and Causal Inference. In: BRADY, H.; COLLIER,</p><p>D. Rethinking Social Inquiry. 2. ed. Lanham: Rowman and Littlefield, 2010.</p><p>BETARELLI, A. A. Jr.; FERREIRA, S. F. Introdução à análise qualitativa</p><p>comparativa e aos conjuntos Fuzzy (fsQCA). Enap, Brasília, 2018. Disponível</p><p>em:</p><p>. Acesso em: 17 abr. 2020.</p><p>BRAGA, P. B. A. Pesquisa qualitativa em debate: entre especificidades e</p><p>“novas” concepções nos estudos comparativos. Teoria e Cultura, p. 150, 173,</p><p>2016.</p><p>COLLIER, D. Understanding Process Tracing. Political Science and Politics,</p><p>v. 44, n. 4, p. 823-830, 2011. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 17 abr. 2020.</p><p>FRANCO, M. C. Quando nós somos o outro: Questões teórico-metodológicas</p><p>sobre os estudos comparados. Educação e Sociedade, n. 72, 2000.</p><p>Disponível em: . Acesso em: 17</p><p>abr. 2020.</p><p>LIJPHART, A. Comparative Politics and the Comparative Method. The</p><p>American Political Science Review, v. 65, n. 3, p. 682-693, 1971. Disponível</p><p>em: . Acesso em: 17 abr. 2020.</p><p>MINTZ, A.; DEROUEN, K. Jr. Understanding Foreign Policy Decision</p><p>Making. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.</p><p>NANCI, F.; PINHEIRO, L. Análise de Política Externa: o que estudar e por</p><p>quê? 2019.</p><p>12</p><p>PASQUARELLI, B. V. L. Política Comparada: Tradições, métodos e estudos de</p><p>caso. Revista de discentes de Ciência Política da UFSCAR, v. 2, n. 2, 2014.</p><p>PLISCOFF, C. V.; MONJE, P. R.; Método comparado: un aporte a la</p><p>investigación en gestión pública. VIII Congresso internacional del CLAD</p><p>sobre la reforma del Estado y de la Administración Pública, Panamá, p. 26-</p><p>31, 2003.</p><p>VENNESSON, P. Case studies and process tracing: theories and practices. In:</p><p>PORTA, D. D.; KEATING, M. Approaches and Methodologies in the social</p><p>sciences: A pluralist Perspective. Cambridge: Cambridge University Press,</p><p>2008.</p>

Mais conteúdos dessa disciplina