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Andrea Dórea Psicologia do Desenvolvimento Interface com outras disciplinas O desenvolvimento humano envolve o estudo de variáveis afetivas, cognitivas, sociais e biológicas em todo ciclo da vida. Desta forma faz interface com diversas áreas do conhecimento como: a biologia, antropologia, sociologia, educação, medicina entre outras. Histórico Tradicionalmente o estudo do desenvolvimento humano focou o estudo da criança e do adolescente. Preocupação com os cuidados e com a educação das crianças. Próprio conceito de infância como um período particular do desenvolvimento (Cole & Cole, 2004). A delimitação conceitual do campo da Psicologia do Desenvolvimento Consenso de que a psicologia do desenvolvimento humano deve focar o desenvolvimento dos indivíduos ao longo de todo o ciclo vital. A noção de desenvolvimento está atrelada a um contínuo de evolução. Essa evolução nem sempre é linear Interface com diferentes áreas da psicologia Ampliando o escopo de estudo do desenvolvimento humano, a psicologia do desenvolvimento acaba por fazer interface também com outras áreas da psicologia: psicologia social, psicologia da saúde, psicologia da educação, psicologia cognitiva. A delimitação conceitual do campo da Psicologia do Desenvolvimento Necessidade de se delimitar esse campo de atuação O que é específico da psicologia do desenvolvimento humano? A especificidade da psicologia do desenvolvimento humano está em estudar as variáveis externas e internas aos indivíduos que levam à mudanças no comportamento Definição Psicologia do Desenvolvimento O estudo, através de metodologia específica e levando em consideração o contexto sócio-histórico, das múltiplas variáveis, sejam elas cognitivas, afetivas, biológicas ou sociais, internas ou externas ao indivíduo que afetam o desenvolvimento humano ao longo da vida. Variáveis internas Aquelas ligadas à maturação orgânica do indivíduo, às bases genéticas do desenvolvimento. Recentemente, os processos inatos que promovem o desenvolvimento humano voltaram a ser discutidos por teóricos do desenvolvimento humano (Cole & Cole, 2004). Variáveis externas Aquelas ligadas à influência do ambiente no desenvolvimento. Abordagens sistêmicas importância de se entender as diversas interações que ocorrem nos múltiplos contextos em que o desenvolvimento se dá. As mudanças no desenvolvimento são adaptativas, sistemáticas e organizadas É preciso entender como as condições internas e externas ao indivíduo afetam e promovem essas mudanças. O que muda? Como muda? Quando muda? Estas são perguntas freqüentes nas pesquisas sobre o desenvolvimento, e são freqüentemente abordadas de forma distintas pelas diferentes abordagens teóricas que descrevem o desenvolvimento humano. Diferentes Perspectivas do Desenvolvimento Humano Ambientalista (Skinner e Watson) As crianças nasceriam como tábulas rasas, aprendendo tudo do ambiente por processos de imitação ou reforço. Inatista (Chomsky) As crianças já nasceriam com tudo que precisam na sua estrutura biológica para se desenvolver. Nada é aprendido no ambiente, e sim apenas disparado por este. Diferentes Perspectivas do Desenvolvimento Humano Construcionista (Piaget) O desenvolvimento é construído a partir de uma interação entre o desenvolvimento biológico e as aquisições da criança com o meio. Socio-interacionista (Vygotsky) O desenvolvimento humano se dá em relação nas trocas entre parceiros sociais, através de processos de interação e mediação. Diferentes Perspectivas do Desenvolvimento Humano Evolucionista (Fodor) O desenvolvimento humano se daria como produto de uma interação de mecanismos genéticos e ecológicos, envolvendo experiências únicas de cada indivíduo desde antes do nascimento. Psicanalítica (Freud, Klein, Winnicott) Tal perspectiva procura entender o desenvolvimento humano a partir de motivações conscientes e inconscientes da criança, focando seus conflitos internos durante a infância e pelo resto do ciclo vital. Perspectivas atuais e futuras Novos desafios e paradigmas: Elaboração de programas de intervenção na prevenção e promoção de saúde. Cada vez mais o desenvolvimento é estudado ao longo do ciclo vital. Isto traz importantes mudanças para o desenvolvimento científico na psicologia do desenvolvimento. Perspectivas atuais e futuras O caráter multidisciplinar exigindo uma linguagem que facilite a comunicação entre profissionais de diferentes áreas de atuação. As metodologias de estudo tradicionais também têm sido postas em questão: importância de se considerar os diversos contextos que não só afetam, mas também são afetados pelo desenvolvimento do indivíduo. A análise do contexto histórico em que os indivíduos se desenvolvem também tem sido cada vez mais incorporada na produção de conhecimento nesta área. Objetivos da Psicologia do Desenvolvimento Humano O que está em questão é o desenvolvimento harmônico do indivíduo. Descrição e conceituação das diferentes tarefas, conquistas e dificuldades que são inerentes ao crescimento em cada um dos estágios da vida A ênfase recai sobre os estágios iniciais, pois é nesse período que estão sendo constituídos os alicerces da personalidade e da saúde psíquica. Objetivos da Psicologia do Desenvolvimento Humano “Precisamos chegar a uma teoria do amadurecimento normal para podermos ser capazes de compreender as doenças e as várias imaturidades, uma vez que não nos damos por satisfeitos a menos que possamos prevení-las e curá-las” (Winnicott 1983c/1965vc, p.65). Através da identificação dos fatores que afetam o desenvolvimento humano podemos pensar sobre trabalhos de intervenção mais eficazes Perspectiva Construcionista Jean Piaget (1896-1980) foi um dos investigadores mais influentes do séc. 20 na área da psicologia do desenvolvimento. Piaget foi o primeiro a responder a uma pergunta fundamental: como o conhecimento de uma criança muda com a idade? Hipótese de que o funcionamento cognitivo se desenvolve em estágios. Perspectiva Construcionista O movimento de um estágio cognitivo para outro não é simplesmente uma questão de amadurecimento, mas o resultado de uma interação complexa entre variáveis internas e ambientais. Cada uma dessas variáveis, é necessária mas não suficiente para produzir movimento de um estágio cognitivo para o seguinte. Perspectiva Construcionista Piaget sugeriu que existe um plano inato para desenvolvimento cognitivo, mas que ele depende de fatores ambientais para sua total expressão. Diferenças individuais no ritmo com que as crianças passam pelos estágios de desenvolvimento cognitivo podem ser o resultado de diferenças inatas ou de fatores ambientais. Perspectiva Construcionista Fatores ambientais Transmissão social: é simplesmente a informação que a criança obtém de outras pessoas: pais, professores. Experiência: as próprias oportunidades da criança de influenciar o mundo e de observar o resultado de suas ações. Através da experimentação e modificação de ações, as crianças com freqüência estimulam seu próprio desenvolvimento cognitivo. Perspectiva Construcionista Como biólogo, Piaget estava interessado em como é que um organismo se adapta ao seu ambiente - inteligência Crianças como sujeitos ativos da sua aprendizagem. Piaget acreditava que o que distingue o ser humano dos outros animais é a sua capacidade de ter um pensamento simbólico e abstrato. Esquemas Conceito piagetiano essencial Ações básicas de conhecer, incluindo ações físicas, (esquemas sensório-motores, como olhar ou estender o braço) e ações mentais (tais como classificar, comparar e inverter). Esquemas Todo bebê começa a vida com um pequeno repertório de esquemas sensoriais ou motores simples, tais como olhar, provar, tocar, ouvir e agarrar. Mais tarde, a criança também desenvolve esquemas mentais, tais como categorizar ou comparar um objeto aoutro. No decorrer do desenvolvimento, a criança gradualmente adquire esquemas mentais extremamente complexos, tais como análise dedutiva ou raciocínio esquemático. Todos os seres humanos continuam a adquirir novos esquemas, tanto físicos como mentais, durante roda a vida. Esquemas Esquemas cognitivos do adulto são derivados dos esquemas sensório-motores da criança. Esquemas como fichas de um arquivo. Diante de um estímulo, a criança tenta "encaixar" o estímulo em um esquema disponível. Estruturas intelectuais que organizam os eventos como eles são percebidos pelo organismo e classificados em grupos, de acordo com características comuns. Esquemas Estruturas mentais, ou cognitivas, pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio. Emerge da integração de unidades mais simples e primitivas em um todo mais amplo, mais organizado e mais complexo. Esquemas não são fixos, mas mudam continuamente ou tornam-se mais refinados. Adaptação A adaptação é a essência do funcionamento intelectual, assim como a essência do funcionamento biológico. É uma das tendências básicas inerentes a todas as espécies. A adaptação acontece através da organização O organismo discrimina entre a miríade de estímulos e sensações com os quais é bombardeado e as organiza em alguma forma de estrutura. Adaptação Processo através dos quais os esquemas mudam. O processo mental de adaptação trabalha para mudar esquemas que não se ajustam aos desafios oferecidos por nossos ambientes. Esse processo de adaptação é então realizado sob duas operações, a assimilação e aacomodação. Assimilação É o processo cognitivo pelo qual uma pessoa integra (classifica) um novo dado perceptual, motor ou conceitual às estruturas cognitivas prévias (esquemas). Quando a criança tem novas experiências ela tenta adaptar esses novos estímulos às estruturas cognitivas que já possui. ... uma integração à estruturas prévias, que podem permanecer invariáveis ou são mais ou menos modificadas por esta própria integração, mas sem descontinuidade com o estado precedente, isto é, sem serem destruídas, mas simplesmente acomodando-se à nova situação. (PIAGET, 1996, p. 13) Isto significa que a criança tenta continuamente adaptar os novos estímulos aos esquemas que ela possui até aquele momento. Assimilação Ex: uma criança que está aprendendo a reconhecer animais, e até o momento, o único animal que ela conhece é o cachorro. Quando apresentada à um outro animal, como um cavalo, ela a terá também como cachorro. Ocorre, neste caso, um processo de assimilação, ou seja a similaridade entre o cavalo e o cachorro faz com que um cavalo passe por um cachorro em função da proximidades dos estímulos e da pouca variedade e qualidade dos esquemas acumulados pela criança até o momento. A diferenciação do cavalo para o cachorro deverá ocorrer por um processo chamado de acomodação. Acomodação Quando corrigida, definindo que se trata de um cavalo, e não mais de um cachorro, a criança, então, acomodará aquele estímulo a uma nova estrutura cognitiva, criando assim um novo esquema. Esta criança tem agora, um esquema para o conceito de cachorro e outro para o conceito de cavalo. “Chamaremos acomodação toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores (meio) ao quais se aplicam”. PIAGET (p. 18, 1996) . Assimilação e Acomodação A acomodação acontece quando a criança não consegue assimilar um novo estímulo, ou seja, não existe uma estrutura cognitiva que assimile a nova informação em função das particularidades desse novo estímulo. Solução: criar um novo esquema ou modificar um esquema existente. A acomodação explica o desenvolvimento (uma mudança qualitativa), e a assimilação explica o crescimento (uma mudança quantitativa). PIAGET (1996) deixa claro que da mesma forma como não há assimilação sem acomodações (anteriores ou atuais), também não existem acomodações sem assimilação. Equilibração É o processo de por em equilíbrio assimilação e acomodação. É uma reestruturação periódica de esquemas para criar um equilíbrio entre assimilação e acomodação. O bebê começa com uma repertório de esquemas muito limitado, as primeiras estruturas que a criança cria simplesmente não serão adequadas. Essas inadequações forçam a criança a fazer mudanças periódicas (equilibração) maiores nos esquemas internos. Ex: mapa rodoviário Pontos de Equilibração 3 pontos de equilibração significativos na infância, cada um introduzindo um novo estágio de desenvolvimento. O primeiro ocorre dos 18 aos 24 meses, quando a criança muda da dominância de esquemas sensoriais e motores simples para o uso dos primeiros símbolos. O segundo ponto de equilibração normalmente ocorre entre as idades de 5 e 7 anos, quando a criança acrescenta um novo conjunto de esquemas operativos - operações. Estas são ações mentais muito mais abstratas e gerais, como adição ou subtração mental O terceiro ponto de equilibração ocorre na adolescência, quando a criança entende como “operar sobre” idéias, eventos ou objetos. Estágios de desenvolvimento Os 3 pontos de equilibração prduzem 4 estágios de desenvolvimento: Estágio sensório-motor (0 a 2 anos): o bebê usa seus esquemas sensoriais e motores para influenciar o mundo em torno dele. Estágio pré-operacional (2 a 6 anos): as crianças adquirem esquemas simbólicos, como linguagem e fantasia, que elas usam para pensar e se comunicar. Estágio de operações concretas (6 a 12 anos): crianças começam a pensar de forma lógica. Estágio de operações formais: os adolescentes aprendem a pensar de forma lógica sobre idéias abstratas e situações hipotéticas. Período Sensório-motor O bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio Construção das noções de objeto, espaço, causalidade e tempo. O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento. Exemplos: O bebê pega o que está em sua mão; "mama" o que é posto em sua boca; "vê" o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo a boca. Período Sensório-motor Diferenciação entre o seu eu e o mundo exterior. Por volta de 1 ano, admite que um objeto continue a existir mesmo quando ela não o perceba. O bebê ainda não é capaz de manipular essas primeiras imagens mentais ou memórias, nem usa símbolos para representar objetos ou eventos. É a nova capacidade de manipular símbolos internos, tais como palavras ou imagens, que marca o inicio do estágio seguinte, o estágio pré-operacional Período Pré-operacional Aparecimento da linguagem, que irá acarretar modificações nos aspectos intelectual, afetivo e social da criança. Interação e comunicação Com a palavra, há possibilidade de exteriorização da vida interior e, portanto, a possibilidade de corrigir ações futuras. A criança já antecipa o que vai fazer. Como decorrência do aparecimento da linguagem, o desenvolvimento do pensamento se acelera. Período Pré-operacional No início do período, a criança exclui toda a objetividade do pensamento a criança transforma o real em função dos seus desejos e fantasias (jogo simbólico); No final do período, passa a procurar a razão causal e finalista de tudo (é a fase dos “porquês”). Pensamento mais adaptado ao outro e ao real. Período Pré-operacional É nesta fase que surge, na criança, a capacidade de substituir um objeto ou acontecimento por uma representação função simbólica. A criança deste estágio: É egocêntrica, centrada em si mesma. Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos "por quês"). Já pode agir por simulação, "como se". Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos. PERÍODO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS Início da construção lógica, isto é, a capacidade da criança de estabelecer relações que permitam a coordenação de pontos de vista diferentes. Operaçõesmentais: a criança consegue realizar uma ação física ou mental dirigida para um fim (objetivo) e revertê-la para o seu início. Ex: Num jogo de quebra-cabeça ela consegue, na metade do jogo, descobrir um erro, desmanchar uma parte e recomeçar de onde corrigiu. A criança consegue exercer suas habilidades e capacidades a partir de objetos reais, concretos. A capacidade de reflexão que se inicia, isto é, pensar antes de agir, considerar os vários pontos de vista, recuperar o passado e antecipar o futuro, se exerce a partir de situações presentes ou passadas, vivenciadas pela criança. PERÍODO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS A criança nesse estágio consegue: estabelecer relações de causa e efeito e de meio e fim; seqüenciar idéias ou eventos; trabalhar com idéias sob dois pontos de vista, formar o conceito de número (correspondência com o objeto concreto). noção de conservação da substância, peso e volume do objeto noção de reversibilidade PERÍODO DAS OPERAÇÕES FORMAIS Passagem do pensamento concreto para o pensamento formal, abstrato, isto é, o adolescente realiza as operações no plano das idéias, sem necessitar de manipulação ou referências concretas. É capaz de lidar com conceitos como liberdade, justiça etc. O adolescente domina, progressivamente, a capacidade de abstrair e generalizar, cria teorias sobre o mundo, principalmente sobre aspectos que gostaria de reformular. Idealismo ingênuo As operações formais fornecem ao sujeito o poder de destacar e libertar o pensamento do real Permite que cada um construa, a seu modo, reflexões e teorias e possibilita a livre atividade da reflexão O pensamento hipotético-dedutivo pode levar os adolescentes a utilizarem esse raciocínio para conceber um mundo ideal e para comparar o mundo real com ele. O mundo real com freqüência não alcança o ideal, então o adolescente busca mudar o mundo real. Egocentrismo intelectual Egocentrismo se manifesta pela crença na onipotência da reflexão. É como se o mundo devesse submeter-se ao seu ponto de vista e não este à realidade. O egocentrismo reaparece, quando o adolescente se considera o instrumento de modificação do mundo, sob o seu ponto de vista. Acha que pode resolver os problemas do mundo. Aos 14-15 anos, o equilíbrio é alcançado à medida que o adolescente compreende que o papel da reflexão não é contradizer, mas sim, adiantar-se e interpretar a experiência. Escolha de brinquedos e jogos Até os 2 anos: jogos de exercício em que a conduta lúdica é destinada exclusivamente para a obtenção de prazer. 2 a 8 anos: brinquedos e jogos simbólicos, em que a criança desenvolve a capacidade de representar uma realidade que não está presente no seu campo perceptivo. A partir dos 8 anos: brinquedos e jogos de regras, que são uma imitação das atividades dos adultos e que pertencem ao domínio do código social. Teoria sócio-histórico-cultural Lev Vygotsky desenvolveu a teoria socio-cultural do desenvolvimento cognitivo. A sua teoria tem raízes na teoria marxista do materialismo dialéctico, ou seja, que as mudanças históricas na sociedade e a vida material produzem mudanças na natureza humana. Analisou a participação do sujeito nas atividades sociais → Ele propôs que o desenvolvimento não precede a socialização. Ao invés, as estruturas sociais e as relações sociais levam ao desenvolvimento das funções mentais. Teoria sócio-histórico-cultural Vygostsky sublinhou as influências socioculturais no desenvolvimento cognitivo da criança: O desenvolvimento não pode ser separado do contexto social A cultura afeta a forma como pensamos e o que pensamos O conhecimento depende da experiência social A criança desenvolve representações mentais do mundo através da cultura e da linguagem. Os adultos têm um importante papel no desenvolvimento através da orientação que dão e por ensinarem – instrução. Teoria sócio-histórico-cultural As crianças, desde o nascimento, estão em constante interação com os adultos, que ativamente procuram incorporá-las a suas relações e a sua cultura. É através da mediação dos adultos que os processos psicológicos mais complexos tomam forma. Inicialmente, esses processos são interpsíquicos (partilhados entre pessoas), isto é, só podem funcionar durante a interação das crianças com os adultos. À medida que a criança cresce, os processos acabam por ser executados dentro das próprias crianças — intrapsíquicos. É através desta interiorização dos meios de operação das informações, que a natureza social das pessoas torna-se igualmente sua natureza psicológica. Teoria sócio-histórico-cultural O desenvolvimento está alicerçado sobre o plano das interações. O sujeito faz sua uma ação que tem, inicialmente, um significado partilhado: a criança que deseja um objeto inacessível apresenta movimentos de alcançá-lo, e esses movimentos são interpretados pelo adulto como “desejo de obtê-lo”, que então lhe dá o objeto. Os movimentos da criança afetam o adulto e não o objeto diretamente A interpretação do movimento pelo adulto permite que a criança transforme o movimento de agarrar em gesto de apontar. O gesto é criado na interação, e a criança passa a ter controle de uma forma de sinal, a partir das relações sociais. Teoria sócio-histórico-cultural As funções psicológicas emergem e se consolidam no plano da ação entre pessoas e tornam-se internalizadas, isto é, transformam-se para constituir o funcionamento interno. Relações sociais como constitutivas das funções psicológicas do homem. Funções psicológicas complexas seriam reconstruções internar de operações externas e tem como base a linguagem. O plano interno, para Vigotski, não preexiste, mas é constituído pelo processo de internalização, fundado nas ações, nas interações sociais e na linguagem. VIGOTSKI E PIAGET Piaget apresenta uma tendência construtivista, com ênfase no papel estruturante do sujeito: maturação, experiências físicas, transmissões sociais e culturais e equilibração são fatores desenvolvidos na teoria de Piaget. Vigotski, por outro lado, enfatiza o aspecto interacionista, pois considera que é no plano intersubjetivo, isto é, na troca entre as pessoas, que têm origem as funções mentais superiores. A teoria de Piaget apresenta também a dimensão interacionista, mas sua ênfase é colocada na interação do sujeito com o objeto físico. Referências Biaggio, A. (1978). Psicologia do Desenvolvimento. Petrópolis:Vozes. Cole, M., & Cole, S. (2004). O Desenvolvimento da criança e do adolescente. (M. Lopes, Trad.). Porto Alegre: Artmed Dessen, M. A., & Costa Júnior, A. L.(2006). A ciência do desenvolvimento humano: desafios para pesquisa e para os programas de pós-graduação. In D. Colinvaux, L. B. Leite & D. Dell’Aglio (Orgs.), Psicologia do Desenvolvimento: reflexões e práticas atuais (pp. 133-158). São Paulo: Casa do Psicólogo. Mota, M.E. Psicologia do Desenvolvimento: uma perspectiva histórica. In Temas em Psicologia, 2005, v.13. Seidl de Moura, M. & Moncorvo, M. (2006). A Psicologia do Desenvolvimento no Brasil: tendências e perspectivas. Em D. Colinvaux, L. Leite & D. DellÁglio (Orgs.). Psicologia do Desenvolvimento: reflexões e práticas atuais (pp.115-132). São Paulo: Casa do Psicólogo. Winnicott, D.W. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artmed, 1983c.