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Higiene e Qualidade de Vida no Trabalho Apresentação Em um cenário produtivo marcado pela crescente competitividade e pelas exigências do mercado, o profissional permanece como elemento central no sistema que sustenta as demandas da sociedade. Diante desse contexto, muitas organizações têm reconhecido a importância de investir na valorização e capacitação de seus trabalhadores, a fim de promover melhorias na qualidade de vida e de adotar modelos de gestão mais humanizados, que busquem equilibrar desempenho e bem- estar, como afirma Galassi (2015). Quando a organização demonstra interesse genuíno pelo bem-estar dos colaboradores — inclusive em seus projetos de vida pessoal — fortalece-se a confiança, o engajamento e o comprometimento com os objetivos institucionais. Por isso, muitas empresas têm investido em rotinas mais equilibradas, ambientes saudáveis e condições justas de trabalho. Galassi (2015) explica que, em contrapartida, contextos marcados por pressão constante comprometem a produtividade e aumentam os riscos de adoecimento, o que reforça a importância de uma gestão atenta à saúde integral dos trabalhadores. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer os elementos essenciais para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e seguros e os principais fatores ligados à higiene e à segurança no trabalho. Você vai entender o que é a saúde ocupacional e quais são as doenças mais comuns relacionadas ao ambiente profissional. Além disso, você vai aprender como funcionam os programas de qualidade de vida no trabalho (QVT) e por que eles são importantes para o bem-estar dos colaboradores e para o bom clima organizacional. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer os fatores relacionados à higiene e segurança no trabalho.• Identificar o conceito de saúde ocupacional e as principais doenças relacionadas com o ambiente de trabalho. • Mostrar as principais particularidades de um programa de qualidade de vida no trabalho (QVT). • Infográfico Alves, Correia e Silva (2019) apontam que a qualidade de vida no trabalho (QVT) pode ser compreendida como um conjunto de condições organizacionais, práticas gerenciais e valores culturais que visam promover o bem-estar físico, psicológico e social dos trabalhadores no ambiente laboral. A QVT transcende a mera ausência de mal-estar ao constituir-se como um elemento estratégico para a promoção da saúde integral do trabalhador, a coesão organizacional e a sustentabilidade das relações laborais, como argumenta Galassi (2015). Historicamente, o debate sobre QVT não surgiu como uma resposta às condições degradantes enfrentadas por trabalhadores submetidos a tarefas repetitivas e exaustivas. Pelo contrário, seu surgimento esteve vinculado à busca por maior produtividade e lucratividade, por meio do investimento na saúde física e mental dos empregados. Com o tempo, essa perspectiva instrumental foi sendo ampliada e incorporando preocupações mais abrangentes com o bem-estar, a motivação e o desenvolvimento humano nas organizações. Galassi (2015) comenta que a QVT é objeto de reflexão e aplicação em diversos setores produtivos, tanto públicos quanto privados. Neste Infográfico, você vai conhecer o modelo de Walton, um dos referenciais mais utilizados para a aplicação da QVT em contextos organizacionais. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit/11974/11053_HUM_INF_V2-2025-07-01T11:11:28-03:00.png Conteúdo do Livro A higiene e a segurança do trabalho envolvem um conjunto de leis, normas e práticas que buscam proteger a saúde física e mental do trabalhador, ao prevenir riscos presentes nas atividades e no ambiente de trabalho. O objetivo é diminuir as perdas causadas por acidentes, tanto humanas quanto financeiras, além de garantir um ambiente produtivo mais seguro. Por meio de programas de prevenção, a segurança do trabalho contribui para a saúde e a qualidade de vida do trabalhador. Eggers e Goebel (2007) explicam que, em suma, trata-se de medidas que visam evitar acidentes e preservar a capacidade de trabalho, baseadas em estudos sobre prevenção e controle de riscos. Complementando essa abordagem, os programas de qualidade de vida no trabalho (QVT) assumem um papel estratégico ao identificar riscos físicos, químicos, biológicos e psicossociais e, a partir disso, propõem melhorias que envolvem aspectos gerenciais, tecnológicos e ambientais. Além de prevenir doenças como estresse, depressão, burnout e lesões físicas, essas iniciativas promovem hábitos saudáveis, fortalecem o clima organizacional e aumentam a produtividade. Dessa forma, a saúde ocupacional e a QVT se configuram como dimensões complementares e interdependentes, fundamentais para uma gestão que valoriza o bem-estar e a sustentabilidade nas relações de trabalho, expõe Galassi (2015). No capítulo Higiene e qualidade de vida no trabalho, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer os fundamentos da higiene e segurança no trabalho, com destaque para os fatores que impactam o bem-estar físico e mental dos colaboradores, além das principais doenças ocupacionais. Você também vai identificar os programas de qualidade de vida no trabalho (QVT), focados em melhorias para proteger a saúde do trabalhador e fortalecer a produtividade organizacional. Boa leitura. GESTÃO ESTRATÉGICA DE RH Luciano Oliveira de Oliveira Higiene e qualidade de vida no trabalho Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer os fatores relacionados à higiene e segurança no trabalho. � Identificar o conceito de saúde ocupacional e as principais doenças relacionadas com o ambiente de trabalho. � Mostrar as principais particularidades de um programa de qualidade de vida no trabalho (QVT). Introdução A saúde é o resultado não só dos nossos atos como também de nossos pensamentos. Mahatma Gandhi Atualmente, as organizações empresariais vivem um período de grande avanço das tecnologias e aumento da competitividade de mercado. Esses fatores são partes inerentes ao processo de evolução no mundo globalizado. As empresas precisam adaptar-se constantemente aos novos avanços, modernizando-se para acompanhar esse processo evolutivo. Essas mudanças no cenário competitivo provocam sobrecarga física e mental nos indivíduos trabalhadores nas organizações, e as exigências e tensões atingem, com frequência, todos os níveis organizacionais. Essa sobrecarga, somada ao ambiente onde o indivíduo está inserido, afeta diretamente sua saúde geral. Neste texto, você vai reconhecer os fatores que envolvem a higiene e segurança no trabalho, os principais conceitos de saúde e as doenças ocu- pacionais mais evidenciadas no mundo do trabalho. Vai entender, também, as particularidades do programa de qualidade de vida no trabalho (QVT). Higiene e segurança no trabalho Algumas pesquisas têm apontado que passamos a maior parte da vida dentro das organizações de trabalho. Sabemos que viver neste ambiente aumenta a probabilidade de desenvolver algum tipo de doença ocupacional ou, conforme a situação, sofrer algum incidente que atinja nossa integridade física. Você vai compreender, a partir da leitura deste texto, que o ambiente organizacional apresenta circunstâncias físicas/materiais, psicológicas e so- ciais. Ou seja, inserido neste ambiente, o indivíduo está suscetível a fatores que prejudicam sua integridade física e bem-estar, além de sua saúde mental e intelectual. Este é o contexto no qual você encontra o principal aspecto responsável por proporcionar situações de bem-estar físico e mental e, também, situações de vitalidade e segurança dos colaboradores. A essas condições dá-se o nome de higiene do trabalho. A higiene do trabalho, para sua eficiência e eficácia organizacional,depende de programas relacionados com o ambiente onde os colabora- dores estão inseridos na organização. Confira agora alguns exemplos de programas: � Ambiente estrutural – Oferecer iluminação adequada e ventilação constante para evitar odores e favorecer a circulação do ar; temperatura ambiente aceitável ao corpo humano, protetores auriculares para ame- nizar poluições sonoras e ruídos excessivos e proporcionar ambientes confortáveis e agradáveis. � Ambiente psicológico – Promover relacionamentos aprazíveis entre as pessoas, tornar as atividades agradáveis e motivadoras, oferecer gestão democrática e participativa, amenizar os fatores geradores de estresse e envolver as pessoas e suas emoções. � Ambiente ergonômico – Oferecer equipamentos e instrumentos apro- priados aos colaboradores, mesas e acomodações de acordo com a estatura das pessoas, favorecer a redução do esforço físico através de equipamentos adequados. � Ambiente saudável (saúde ocupacional) – Promover um ambiente agradável para as relações entre as pessoas, oferecer benefícios assis- tenciais médicos e hospitalares, conceder programas de QVT com o intuito de reduzir possíveis doenças ocupacionais e acidentes. Gestão estratégica de recursos humanos2 Tópicos relevantes em relação à segurança no trabalho Antes de você estudar sobre as áreas que envolvem a segurança do trabalho, precisa conhecer dois termos muito usados na esfera profissional de diversas organizações e que estão amparados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Esses dois termos são a periculosidade e a insalubridade. A periculosidade abrange aspectos laborais que podem causar lesões e até mesmo a morte do trabalhador (como explosivos, substâncias radioativas, etc.). Essa característica de trabalho confere um acréscimo de 30% sobre o salário do colaborador. A insalubridade é provocada por funções que podem causar prejuízos à saúde do colaborador (como substâncias químicas, poeiras tóxicas, etc.) e o adicional varia de acordo com o grau de insalubridade da função laboral de cada funcionário. O adicional pode ser de 10% (grau mínimo), 20% (grau médio) ou 40% (grau máximo). O percentual será aplicado sobre o salário-base do trabalhador. A segurança no trabalho tem como foco a precaução de acidentes que possam ocorrer nas dependências da organização e até mesmo fora dela. Ou seja, é uma estratégia praticada pelas empresas para evitar e antecipar-se, de alguma forma, aos riscos inerentes às suas atividades empresariais. Um programa adequado de segurança no trabalho requer alguns estágios, a saber: � utilização de softwares de indicadores de acidentes; � elaboração de relatórios de prevenções; � elaboração de normas e regras para a segurança ocupacional; � bonificações aos gestores que administrarem com eficácia as prevenções de acidentes. A gestão da segurança do trabalho percorre três áreas: a prevenção de acidentes, prevenção de incêndios e prevenção de furtos. Neste texto, você vai estudar apenas a prevenção de acidentes. Há dois tipos de acidentes de trabalho: � Acidente sem afastamento: o colaborador continua trabalhando depois do incidente e este não é relatado como acidente no trabalho. � Acidente com afastamento: o colaborador precisa se afastar do trabalho depois do incidente que vivenciou. Neste caso, o fato deve ser relatado e informado. 3Higiene e qualidade de vida no trabalho Cada organização tem a sua forma de gestão sobre os acidentes do trabalho. Algumas pesquisas apontam que controlar as causas dos acidentes por meio da prevenção é a melhor forma de amenizar problemas e até mesmo processos judiciais futuros. Algumas empresas buscam, inclusive, estudar os traços de personalidade das pessoas que estão mais propensas aos acidentes. O uso de relatórios de controle dos custos de acidentes também é mencionado como um processo importante na gestão. Para compreender melhor a definição e os aspectos que envolvem os acidentes de trabalho, acesse o link: TRABALHO SEGURO. O que é acidente de trabalho. [200-?]. Disponível em: . Acesso em: 08 dez. 2016. Saúde ocupacional e as principais doenças relacionadas com o ambiente de trabalho O desgaste emocional que um colaborador enfrenta, seja no ambiente social ou no profissional, torna-o vulnerável às doenças ocupacionais. Um dos principais problemas que figuram hoje nas empresas é o estresse no trabalho, considerado por muitos pesquisadores como a doença do século. Como você sabe, a dor é um sinal de que algo no corpo humano não está bem. Em uma empresa, sinais evidentes de que algo não está bem são con- flitos internos, falta de motivação, absenteísmo, rotatividade e consequente queda na produtividade. Da mesma forma que o corpo humano necessita da investigação do problema e de um tratamento, as empresas também precisam investigar a origem dos seus problemas e buscar meios para solucioná-los. Uma empresa que não cuida da saúde física e mental da sua equipe é uma empresa doente. Gestão estratégica de recursos humanos4 Saúde ocupacional Para você entender melhor a saúde ocupacional, deve compreender o meca- nismo da saúde para um ser humano de um modo geral. Os pesquisadores Silva e Marchi (1997) definiram saúde como “o resultado do gerenciamento adequado das áreas física, emocional, social, profissional, intelectual e espiritual” de um indivíduo. Os autores mencionam ainda que o ponto ideal da saúde de uma pessoa somente será atingido mediante o equilíbrio constante dessas dimensões. A Figura 1 proporciona a você uma melhor compreensão sobre o conceito de saúde. Figura 1. Exemplo de retornos não programados. Como visto, nossa saúde está em constante desequilíbrio! Qualquer dimen- são que sofrer alguma decepção provocará uma reação em cadeia nas demais. Principais doenças ocupacionais Muitas empresas enfrentam problemas ligados ao temperamento emocional dos indivíduos em todos os ambientes organizacionais, principalmente no nível estratégico. Problemas como estresse, depressão, mau relacionamento com o grupo, irritação, cansaço e síndrome de burnout são comuns neste universo. 5Higiene e qualidade de vida no trabalho A síndrome de burnout é uma espécie de esgotamento físico e mental, um distúrbio psíquico que afeta indivíduos profissionalmente ativos. O esforço constante objetivando a excelência no trabalho, as comparações com colegas e a busca pelo alto desempenho são fatores determinantes para o aparecimento da síndrome de burnout. Cabe à empresa identificar essas características no colaborador e trabalhá-las para que sejam positivas para o indivíduo e a organização. O trabalho é parte fundamental, vital na construção do ser humano. O exercício de alguma profissão é essencial na colocação de um indivíduo na sociedade em que está inserido. Perceba, no entanto, que ao mesmo tempo em que o trabalho é vital na vida, ele também é o grande responsável pelo desgaste mental e físico que o homem desenvolve com o passar do tempo. As circunstâncias que envolvem o trabalho estão divididas em ambiente físico (temperatura, pressão do ar, etc.), ambiente químico (vapor, poeira, gás, etc.), ambiente biológico (vírus, bactérias, fungos, etc.) e momentos de segurança e higiene. Veja, a seguir, as principais doenças ocupacionais que afetam os seres humanos em algum momento da vida laboral. � Estresse no trabalho – É considerado por muitos pesquisadores da área da saúde como a doença do século. O estresse promove uma sensação de desconforto mental e físico quando o indivíduo é colocado em alguma situação que exija esforço adicional em relação ao seu estado normal de vida. Ou seja, o estresse ocorre exatamente no momento que o organismo luta internamente para voltar ao nosso estado de equilíbrio. Pode ser dividido em eustress e distress. O eustress é um “estresse bom”, que impulsiona o trabalhador para atingir objetivos através doesforço. Já o distress é uma angústia, fazendo com que o indivíduo não perceba mais a alegria em trabalhar ou em ter desafios na vida profissional. � Síndrome de burnout – É considerada uma doença cujo ponto de partida é o estresse no trabalho. É uma depressão promovida pela vida laboral do indivíduo. Geralmente, ocorre em profissões que lidam diretamente com a morte, como médicos, bombeiros e policiais. � Doenças por repetição – Ocorrem quando o trabalhador desenvolve ati- vidades com repetições exageradas sem intervalos adequados de tempo. Podemos citar como exemplo a lesão por esforço repetitivo (LERS) e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). Gestão estratégica de recursos humanos6 � Doenças respiratórias – São relacionadas com o ambiente biológico. Exemplos: asma ocupacional, antracnose, bissinose e siderose. � Doenças de pele – São promovidas pelo excesso de exposição aos raios solares, além de outros fatores. Exemplos: dermatose ocupacional e câncer de pele. � Doenças auditivas – São doenças promovidas pelo ambiente físico. Exemplo: surdez. � Doenças de visão – Estão relacionadas com o ambiente físico, ou podem ser hereditárias. Exemplos: catarata e desgaste da visão. � Doenças psicossociais – São síndromes de cunho psicológico (salvo o estresse e a síndrome de burnout). Exemplos: depressão; ansiedade e síndrome do pânico, entre outras. No contexto atual, o avanço das novas tecnologias, a disputa constante pela vantagem competitiva entre as organizações e a busca exaustiva pela produtividade com custos reduzidos são pontos cruciais para a sobrevivência das empresas. Porém, são também fatores que provocam uma sobrecarga cada vez maior na vida dos trabalhadores. Assim, muitas vezes é inevitável o corpo humano ficar suscetível a doenças ocupacionais. Algumas estratégias têm sido empregadas pelas organizações para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores, mas você estudará sobre esse tema em outro capítulo. As profissões mais estressantes no ano de 2016 foram: trabalho (carreira), militar, bom- beiro, piloto de avião, policial, coordenador de eventos, executivo de relações públicas, executivo corporativo, apresentador de TV/rádio e repórter de jornal. Fonte: Pati (2016). Principais particularidades de um programa de qualidade de vida no trabalho (QVT) Com a leitura realizada até aqui, você compreendeu que uma empresa é formada por pessoas que, interligadas, formam uma sociedade organizacional. Nela, 7Higiene e qualidade de vida no trabalho cada indivíduo deve desempenhar suas funções, conforme suas habilidades profissionais. Para a maior eficiência no desempenho dessas habilidades, cada pessoa deve estar em perfeita harmonia com seu ambiente de trabalho, ou seja, a qualidade da vida laboral de um indivíduo contribuirá positivamente para sua saúde e para a produtividade da empresa. A qualidade de vida no trabalho (QVT) pode ser entendida como o conjunto de medidas que uma empresa adota, com o intuito de implantar melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais no ambiente de trabalho. Para a melhoria na QVT, a organização deve considerar alguns fatores, como riscos físicos, químicos e biológicos, além da carga de trabalho física- -mental, cognitiva e psíquica. Tais fatores podem influenciar de forma direta ou indireta na saúde do trabalhador e, por consequência, na produtividade da organização como um todo. A ideia central da QVT é identificar os pontos favoráveis e desfavoráveis de um ambiente de trabalho para as pessoas. Esses pontos são caracterizados pela cultura da empresa, pelo perfil individual de cada indivíduo que forma o ambiente organizacional social e pelos fatores internos e externos que compõem a organização. O homem tenta direcionar seus objetivos de forma a colaborar nos sistemas produtivos no ambiente empresarial, mas busca atingir também seus próprios objetivos de vida. Um dos objetivos da QVT é servir tanto as aspirações mais altas dos trabalhadores quanto suas necessidades mais básicas. Ela procura aproveitar as habilidades mais refinadas dos trabalhadores, proporcionando um ambiente que lhes dê coragem para desenvolver suas capacidades. A análise de todas essas considerações deve levar você a refletir a respeito dos muitos fatores que influenciam, positiva ou negativamente, o desempenho produtivo da organização. Tais fatores precisam ser muito bem analisados e avaliados. Assim, é possível a implementação de práticas que valorizem a dualidade homem-organização como elemento determinante da expansão da empresa com um todo. Gestão estratégica de recursos humanos8 Algumas pesquisas apontam que as empresas que direcionam ações para melhorar a QVT de seus colaboradores conseguem uma grande evolução da sua produtividade. Em resumo, a qualidade de vida dos trabalhadores deve apresentar os seguintes componentes: � entusiasmo com o trabalho efetuado; � perspectiva de um futuro na empresa; � condecoração pelos resultados obtidos; � percepção do salário; � benefícios recebidos; � convívio humano dentro do grupo organizacional; � clima psicossocial e físico de trabalho; � autonomia para tomar decisões e atuar; � sensação de pertencimento e participação. Programas de bem-estar Algumas organizações, a fim de evitar problemas futuros com a saúde de seus colaboradores, adotam programas de bem-estar para melhorar o modo de vida das pessoas. Um bom programa de bem-estar apresenta, em geral, três ingredientes: � Auxílio ao colaborador na identificação de riscos possíveis que afetam a saúde; � Promoção da educação dos colaboradores com relação aos riscos de saúde, como controle da pressão sanguínea, atenção com alimentação inadequada e estresse, entre outros cuidados; � Incentivo ao encorajamento do colaborador a alterar seu estilo de vida com atividades físicas, alimentação adequada, entre outros hábitos mais saudáveis. Você percebeu como as organizações precisam direcionar esforços contí- nuos com programas para melhorar a qualidade de vida de seus colaboradores? Promover a saúde e o bem-estar dos indivíduos que compõem a sociedade organizacional é um meio de proporcionar aumento significativo da produti- vidade da empresa e melhorar o clima organizacional como um todo. 9Higiene e qualidade de vida no trabalho Veja dicas sobre como melhorar a QVT acessando este link: MARQUES, J. R. QVT: qua- lidade de vida no trabalho. 10 maio 2015. Disponível em: . Acesso em: 08 dez. 2016. ARANTES, M. de A. C.; VIEIRA, M. J. F. Estresse: clínica psicanalítica. 2. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002. CARLOTTO, M. S. Síndrome de Burnout: um tipo de estresse ocupacional. Canoas, RS: Ulbra, 2001. CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organi- zações. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. DAVIS, K.; NEWSTROM, J. W. Comportamento humano no trabalho: uma abordagem psicológica. São Paulo: Pioneira Thomson Learnig, 2002. DU PONT. Principais doenças ocupacionais. 2016. Disponível em: . Acesso em: 24 nov. 2016. IVANCEVICH, J. M. Gestão de recursos humanos. 10. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011. LIMONGI-FRANÇA, A. C.; RODRIGUES, A. L. Stress e trabalho: uma abordagem psicos- somática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999. MUCHINSKY, P. M. Psicologia organizacional. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2004. PATI, C. As 10 profissões mais estressantes para 2016. Exame, São Paulo, 12 jan. 2016. Disponível em: . Acesso em: 24 nov. 2016. SIGNORINI, M. Qualidade de vida no trabalho: e as dimensões da satisfação, do saber e do sagrado no trabalho significativo. Riode Janeiro: Taba Cultural, 2000. SILVA, M. A. D.; MARCHI, R. Saúde e qualidade de vida no trabalho. São Paulo: Best Seller, 1997. Gestão estratégica de recursos humanos10 TELES, A. X. Psicologia organizacional: a psicologia na empresa e na vida em sociedade. São Paulo: Atlas, 1994. Leituras recomendadas BISPO, P. Saúde no trabalho: prevenir é melhor do que lamentar. 03 jun. 2013. Disponível em: . Acesso em: 25 nov. 2016. MARGIS, R. et al. Relação entre estressores, estresse e ansiedade. Revista Psiquiatria RS, Porto Alegre, v. 25, supl. 1, p. 65-74, abr. 2003. Disponível em: . Acesso em: 25 nov. 2016. 11Higiene e qualidade de vida no trabalho Audiodescrição do Capítulo do Livro: Clique aqui https://publica.sagah.com.br/publicador/objects/attachment/783731051/11053caplivro.docx?v=1634981778 Dica do Professor A higiene e a segurança no trabalho são essenciais para garantir um clima organizacional saudável, manter a competitividade e preservar a força de trabalho nas empresas. As organizações, pressionadas tanto por agentes externos, como governos, clientes e sindicatos, quanto por demandas internas dos próprios funcionários, buscam reduzir e eliminar acidentes laborais, que acarretam elevados custos financeiros e consequências negativas, como explicam Eggers e Goebel (2007). Nesse contexto, destaca-se também a importância da saúde mental no ambiente profissional. As principais fontes de estresse incluem o excesso de tarefas, a falta de planejamento e os conflitos de interesses e valores, o que configura um cenário complexo que ultrapassa essas questões iniciais. Outros estudos apontam ainda fatores como a sobrecarga ou insuficiência de trabalho, a pressão pela rapidez na execução das atividades, a fadiga causada por longas jornadas, as constantes mudanças no ambiente, a ausência de participação nas decisões e o apoio insuficiente da liderança, além da falta de clareza quanto aos objetivos do cargo. Sadir e Lipp (2009) esclarecem que somam-se a isso a necessidade de adaptação a novas tecnologias, a ambiguidade e conflitos de papeis, as dificuldades nas relações interpessoais e a responsabilidade excessiva sem preparo adequado, elementos que intensificam o estresse enfrentado pelos trabalhadores. Nesta Dica do Professor, você vai compreender os mecanismos que orientam as empresas na busca pela melhoria da qualidade de vida de seus colaboradores e conhecer a importância dessa prática para a preservação da saúde mental e física de todos os envolvidos na organização. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Audiodescrição da Dica do Professor: Clique aqui https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/0b37f2b6757580649136d99757d6cae9 https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//11053roteirodicadoprof-2025-02-12T12:43:19-03:00.docx Exercícios 1) A periculosidade e a insalubridade são conceitos previstos na legislação trabalhista brasileira, com implicações diretas na remuneração do trabalhador. Analise as afirmativas que tratam corretamente desses adicionais legais e marque V para verdadeiro e F para falso. ( ) A periculosidade envolve atividades com risco potencial de morte, como o manuseio de explosivos, e garante ao trabalhador um adicional de 30% sobre o salário-base. ( ) A insalubridade está associada à exposição a agentes que comprometem a saúde ao longo do tempo e o valor do adicional depende do grau de risco da função. ( ) O adicional de insalubridade pode atingir até 40% do salário-base, conforme a intensidade do risco envolvido na atividade exercida. ( ) O pagamento do adicional de periculosidade é proporcional ao tempo de exposição ao risco durante a jornada de trabalho. ( ) O adicional de insalubridade é determinado com base no salário mínimo vigente, independentemente do salário-base do trabalhador. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. A) V, V, V, F, F. B) V, F, F, V, F. C) F, F, F, F, V. D) V , V, V, V, F. E) V, F, V, F, V. As doenças ocupacionais resultam da interação entre as condições de trabalho e a exposição prolongada a fatores físicos, biológicos, organizacionais ou psicológicos. Com base na classificação das doenças relacionadas ao trabalho, marque V para verdadeiro e F para falso nas afirmativas a seguir . ( ) Lesões por esforço repetitivo (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) decorrem da execução contínua de movimentos sem pausas adequadas. 2) ( ) Doenças auditivas, como a surdez, são desencadeadas exclusivamente por fatores hereditários, não sendo caracterizadas como doenças ocupacionais. ( ) Dermatose ocupacional e câncer de pele são exemplos de doenças provocadas por exposição excessiva a fatores como radiação solar. ( ) Doenças psicossociais incluem síndromes como depressão, ansiedade e pânico, relacionadas ao ambiente de trabalho, excetuando-se o estresse e a síndrome de burnout. ( ) As doenças de visão sempre decorrem do ambiente de trabalho, como exposição à luz artificial intensa, sendo descartadas causas genéticas. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. A) V, F, V, V, F. B) V, V, V, V, F. C) V, F, V, F, V. D) V, F, F, F, V. E) V, V, F, V, V. 3) A qualidade de vida no trabalho (QVT) é um conceito que tem ganhado destaque nas organizações por reconhecer que o bem-estar do trabalhador está diretamente relacionado à sua produtividade e ao sucesso institucional. Nesse contexto, a QVT considera diversos fatores que impactam a saúde e o desempenho dos colaboradores. Com base nessa concepção, qual das alternativas representa corretamente um princípio fundamental da QVT? A) A QVT visa à adaptação do trabalhador às condições impostas pela organização, mesmo que envolvam riscos físicos inevitáveis. B) O foco da QVT está exclusivamente na saúde física do colaborador, pois os aspectos mentais e emocionais não interferem na produtividade. C) A QVT se limita à implementação de benefícios financeiros como estratégia para garantir o comprometimento dos trabalhadores. D) A QVT considera aspectos físicos, psíquicos, cognitivos e culturais que afetam o ambiente de trabalho e a vida dos colaboradores. E) A principal função da QVT é assegurar que os trabalhadores cumpram metas mais ambiciosas com menos recursos operacionais. 4) A compreensão da saúde humana, especialmente no contexto ocupacional, vai além da ausência de doenças: é definida como o gerenciamento equilibrado de múltiplas dimensões que interagem continuamente na vida de um indivíduo. Essa perspectiva integrada destaca a importância de cada aspecto para o bem-estar geral do trabalhador. Considerando essa abordagem multidimensional da saúde, assinale a alternativa que caracteriza de forma correta a dimensão social. A) A dimensão social reflete a capacidade do indivíduo de reconhecer e gerenciar suas próprias emoções, cultivando a resiliência e o bem-estar pessoal em diferentes contextos. B) A dimensão social aborda comportamentos saudáveis, atividades físicas regulares e a qualidade do sono e da alimentação para o equilíbrio corporal. C) A dimensão social diz respeito ao desenvolvimento do aprendizado, à busca por crescimento e atualização e ao compartilhamento do conhecimento. D) A dimensão social relaciona-se à conexão do indivíduo com suas crenças e valores, à fé e à esperança, que guiam suas escolhas e sua percepção de propósito na vida. E) A dimensão social abrange as relações do indivíduo com a família, a comunidade, o meio ambiente e a segurança no trabalho, incluindo aspectos como cidadania e lazer. 5) No cenário da saúde ocupacional, diversas condições laborais podem comprometer o bem- estar dos colaboradores. Considerandoo contexto das doenças ocupacionais, assinale a alternativa que descreve corretamente as doenças por repetição. A) As doenças por repetição são caracterizadas pela angústia e perda de satisfação no trabalho, resultantes de um estresse laboral repetido. B) As doenças por repetição ocorrem quando o trabalhador desenvolve atividades com execuções repetitivas excessivas, sem intervalos adequados, como LER e DORT. C) As doenças por repetição são uma sensação de desconforto físico e mental que surge quando o organismo tenta retornar ao seu estado de equilíbrio repetidamente. D) As doenças por repetição são causadas pela exposição repetida a ambientes insalubres que contêm agentes químicos nocivos à saúde. E) As doenças por repetição são decorrentes da exposição repetida a situações de risco iminente à vida, como o manuseio de explosivos. Na prática O estresse e a síndrome de burnout são fenômenos relacionados à saúde mental que têm ganhado destaque no ambiente de trabalho devido ao impacto significativo que exercem sobre o bem-estar dos colaboradores e a produtividade organizacional. Sadir e Lipp (2009) apontam que o estresse, quando crônico ou excessivo, surge como uma resposta a demandas que ultrapassam a capacidade do indivíduo de enfrentamento, manifestando-se por meio de sintomas físicos, emocionais e comportamentais, como ansiedade, irritabilidade, fadiga e dificuldade de concentração . Já o burnout, que pode ser entendido como um estágio avançado de esgotamento causado pelo estresse prolongado, caracteriza-se por três dimensões principais: exaustão emocional, despersonalização (distanciamento afetivo e ceticismo em relação ao trabalho) e redução da realização pessoal. Essa síndrome afeta especialmente profissionais que lidam com altas demandas emocionais e pressão constante, o que prejudica não apenas a saúde do trabalhador, mas também a qualidade do serviço prestado. A prevenção e o manejo dessas condições envolvem tanto ações individuais, como técnicas de manejo do estresse e busca por suporte psicológico, quanto intervenções organizacionais que promovam ambientes de trabalho mais saudáveis e equilibrados (Hespanhol, 2005). Neste Na Prática, você vai acompanhar o caso de uma profissional que desenvolveu a síndrome de burnout após enfrentar uma rotina exaustiva de trabalho. Você vai conhecer os sinais que ela vivenciou, os impactos em sua saúde e os caminhos que encontrou para retomar o equilíbrio, preservar sua saúde mental e reconstruir sua qualidade de vida profissional. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit/11974/11053_HUM_NAP_V2-2025-07-01T11:35:21-03:00.png Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Saúde sem colarinhos: desafios da saúde ocupacional no advento do pós-fordismo Este artigo convida você a refletir criticamente sobre as características do modelo pós-fordista, marcado pela flexibilização, pela intensificação do trabalho e pela instabilidade nas relações laborais. Com o avanço das tecnologias informáticas, esse modelo se reinventa e se expande, dando origem a fenômenos como as plataformas digitais e a uberização. Mais do que uma mudança econômica, esses processos impactam diretamente a saúde ocupacional, gerando novos riscos físicos, emocionais e sociais. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Síndrome de burnout A síndrome de burnout, ou esgotamento profissional, é um distúrbio psíquico sério, cada vez mais comum no cenário laboral. Neste vídeo, o médico Drauzio Varela conversa com a psicóloga Eymi Rocha e esclarece as causas, os sintomas e as formas de enfrentamento dessa síndrome. Esta é uma oportunidade para compreender os impactos do adoecimento mental no trabalho e repensar a importância do cuidado com a saúde emocional no cotidiano profissional. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Estratégias empresariais para redução do estresse no ambiente de trabalho https://www.scielo.br/j/rbso/a/Nj3C3FWmL6qpwqn3Q9xsvKL/?format=pdf&lang=pt https://www.youtube.com/embed/TuGbn-9jK1g?si=Km77ttLEQg8zH1qW Neste artigo, confira uma proposta à reflexão sobre os impactos das transformações no ambiente de trabalho na qualidade de vida dos colaboradores, com ênfase nos efeitos do estresse ocupacional. A partir de uma pesquisa bibliográfica, os autores desta pesquisa identificam os principais fatores que contribuem para o desgaste físico e emocional nas organizações, além de destacar como essas condições influenciam negativamente o engajamento profissional e a saúde dos trabalhadores. A leitura deste material é essencial para compreender os desafios contemporâneos enfrentados nas relações de trabalho e a importância de ambientes laborais mais saudáveis, sustentáveis e atentos às dimensões humanas. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/download/3790/5839/14946