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Olá! Essa pequena apostila foi gerada, em PDF, a partir do material da disciplina Trabalho e Educação II, que se encontra no Portal de Materiais – Política Nacional de formação Profissional e Tecnológica, no curso de Educação a Distância na EPT. O objetivo dessa apostila é facilitar seu estudo, caso esteja off-line e não consiga acessar o portal através do link: https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-2/index.html O link acima também se encontra no ambiente virtual de aprendizagem, no tópico “Material Básico”. Caro estudante, Seja bem-vindo à Unidade Temática Trabalho e Educação II. Esta Unidade Temática abordará o princípio pedagógico do trabalho, as potencialidades e as possibilidades de efetivação da escola unitária, da omnilateralidade e da politecnia. Sobre o ensino integrado, abordará as definições, os obstáculos, as tensões e os avanços teóricos e práticos. Falará, ainda, sobre a práxis transformadora, as perspectivas e as oportunidades emancipatórias frente ao panorama atual do mundo do trabalho, implicações, protagonismos e contribuições da prática docente, da gestão e da EaD. https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-2/index.html CAPÍTULO 1 Horizonte: o trabalho como princípio educativo e a Escola Unitária – de onde viemos e para onde vamos? Iniciaremos o percurso pelo capítulo I, que trata do seguinte questionamento: o trabalho como princípio educativo e a Escola Unitária: de onde viemos e para onde vamos? O capítulo propõe discutir o trabalho como princípio educativo e sua aplicabilidade na Educação Profissional e Tecnológica (EPT), considerando os conceitos de escola unitária, a perspectiva omnilateral da formação humana, a politecnia e a sua efetivação. O trabalho como princípio educativo (primeiro conceito discutido nesta unidade temática) versa sobre o trabalho como categoria central para a compreensão do processo da formação humana e, portanto, da educação na perspectiva histórico-dialética. A esse respeito, Manacorda (2019) se reporta à teoria gramsciana e à sua afirmação de que “o trabalho se constitui como princípio sobre o qual o processo eminentemente educativo se desenvolve” (p. 12). O segundo conceito discutido é o de escola unitária, conceito sistematizado por Gramsci, uma referência fundamental para se pensar um modelo educativo superador da dualidade educacional, ao propor a unidade entre a educação fundada nas humanidades e a educação técnico-científica, articulação capaz de propiciar o desenvolvimento ampliado das capacidades humanas e contribuir para o alcance de uma formação omnilateral. No Brasil, historicamente – com o predomínio do conservadorismo das classes dominantes – a formação intelectual (científica e literária) é reservada a essas classes; em contraposição, à classe trabalhadora se reserva o limite da educação elementar e do preparo para as atividades práticas e profissionalizantes. Dualismo educacional é o nome que se dá a essa antinomia, uma assimetria reforçadora das desigualdades sociais. A partir da década de 1990, o debate entre educadores progressistas sobre esse tema se aprofundou, acompanhado da crítica ao modelo neoliberal pelo qual a educação deve “servir” ao mercado e funcionar à sua semelhança. Do embate entre os pólos contrários, têm-se as alterações em políticas, ora em favor de avanços democráticos, ora em proveito dos retrocessos. E é nessa oscilação (entre o “de onde viemos”) que a EPT tem conseguido operar aproximações significativas à formação integral (o para “onde vamos”). Relembrando a importância do contexto social A sociedade capitalista é constituída por relações sociais desiguais, compostas por classes sociais antagônicas representadas na vida das pessoas e dos sujeitos sociais, tanto no âmbito estrutural quanto no simbólico. A sua continuidade depende de mecanismos de reprodução e manutenção dessas relações. Assim, o capitalismo só pode persistir se a polarização, caracterizada por aqueles que detêm os meios de produção e pelos que não os detêm, estiver assegurada. Costuma-se perceber essa assimetria entre as classes como algo natural (capitalista x trabalhador; riqueza x pobreza; exclusão x inclusão), no entanto, trata-se de uma construção social. Título: A Pirâmide do sistema capitalista Fonte: Prosa (2024a). Ao naturalizar, considerar banal e corriqueira a assimetria entre as classes, deixa-se de reconhecer que esta assimetria é uma construção social com um objetivo claro: manter os privilégios de uma das categorias em oposição. Saviani (2007, p.152) revela que “[...] trabalho e educação são atividades especificamente humanas [...]”, já que o que diferencia o ser humano dos demais animais é o fato de que agimos sobre a natureza e não somente nos adaptamos a ela: nós a transformamos, por meio do trabalho, em função de nossas necessidades. O ato humano de transformar “pelo trabalho” se torna mais complexo com o aperfeiçoamento dos instrumentos de produção, das técnicas, dos conhecimentos e do próprio ser humano. Atente-se às palavras e expressões destacadas nos parágrafos acima, pois se trata de conceitos fundamentais da Educação Profissional e Tecnológica, com base no materialismo histórico-dialético desenvolvido por Karl Marx e Friedrich Engels em meados do século XIX. O que vem a ser o trabalho como princípio educativo? Partimos da noção de trabalho de Karl Marx, o qual o entendia como a transformação da natureza pelo ser humano e, consequentemente, dele próprio, sendo o resultado de diversas mediações no contexto das relações sociais desenvolvidas ao longo da história. Ou seja, o trabalho [...] é uma condição da existência humana independentemente de qual seja a forma de sociedade; é uma necessidade natural eterna que medeia o metabolismo entre o homem e natureza e, portanto, a própria vida humana. (Marx, 2013, p. 102). Por conta dessa compreensão, surgiu a noção do trabalho como princípio educativo, integrante de propostas educacionais comprometidas com o desenvolvimento pleno e integral das capacidades humanas. Logo, se dotadas dessa formação integral, as pessoas podem ter melhores condições de alcançar sua emancipação e autonomia para produzir a sua realidade material e social, entende-se que elas também poderão ser capazes de compreender a realidade em que vivem na sua totalidade e a complexidade das inúmeras determinações das condições materiais da existência humana ao longo da história. Sem dúvida, pessoas plenamente desenvolvidas em todas as suas capacidades são imprescindíveis para uma vida social do bem-viver. Estamos, então, falando de uma educação comprometida com a transformação social, aquela que considera a formação crítica dos sujeitos, que leva em conta seus interesses e que pode contribuir para a construção de visões de mundo e de realidades mais promissoras para a vida humana e para a sobrevivência do próprio planeta. Entendemos, porém, que a transformação da realidade social existente implica, necessariamente, a compreensão de cada um quanto às contradições em meio às quais vivemos. Para tanto, a educação precisa estar dotada de compromisso social e político com essas mudanças, pois elas não são automáticas ou espontâneas. Um aspecto crucial desse processo é, então, o desenvolvimento do pensamento reflexivo, crítico e criativo dos estudantes. Como podemos fazer isso? Certamente, por meio de conceitos e de práticas também comprometidas com a problematização e com a mudança da realidade, o que supõe lançar mão de referenciais científicos, políticos, culturais e sociais. Título: O pensamento reflexivo, crítico e criativo dos estudantes Fonte: Prosa (2024b). Ciavatta e Ramos (2011) esclarecem que a concepção de educação pautada no trabalho como princípio educativo não implica ser necessariamente profissionalizante,mas requer que ela integre as dimensões do trabalho, da ciência e da cultura. Mas, veja: quando se aborda o Ensino Médio do sistema educacional brasileiro, o que nós verificamos? Você possivelmente concordará que há predominância de jovens e adultos da classe trabalhadora sem oportunidades de ter uma educação básica bem alicerçada para enfrentar a vida na atual sociedade complexa, que lhes possibilite dar continuidade aos seus estudos e realizar seus objetivos profissionais. O fato é que os jovens e os adultos da classe trabalhadora têm sido colocados à margem de políticas educacionais públicas de qualidade e de continuidade dos seus estudos. Isso porque, por conta da estrutura social classista que se reproduz na configuração dualista da educação, os conhecimentos e as riquezas materiais produzidos socialmente não são distribuídos de forma igualitária. Ao contrário, são controlados e apossados pela classe que detém os meios de produção, enquanto aos trabalhadores resta o conhecimento manual, técnico-operacional e parcial do processo produtivo. Título: As diferentes condições de estudos Fonte: Prosa (2024c). O conceito de escola unitária e a sua contribuição à aplicabilidade do trabalho como princípio educativo na EPT A superação dessa dualidade estrutural da educação é proposta pela perspectiva gramsciana de escola unitária, por meio da qual se buscaria formar trabalhadores intelectuais, assim entendidos pela sua capacidade de compreender criticamente a realidade concreta existente e nela atuarem propositalmente, seja nas lutas sociais de sua classe ou na lida da vida cotidiana. A concepção de escola unitária se refere àquela que promove a educação para o trabalho manual, técnico e operacional, bem como para o trabalho intelectual (Nosella, 2015). Ou seja, que garanta a todos o direito de acesso aos conceitos científicos, tecnológicos e históricos implicados na produção social, tendo como desafio assegurar aos sujeitos “[...] o acesso aos conhecimentos e à cultura construídos pela humanidade, de modo a propiciar a realização de escolhas e a construção de caminhos para a produção da vida” (Ramos, 2008, p. 2). Como mencionado acima, isso implica uma educação básica e profissional que integre o trabalho, a ciência e a cultura. A partir do que vimos até aqui, é possível perceber que a educação profissional e tecnológica no Brasil – a educação das classes populares – esteve e está historicamente pautada por políticas liberais e neoliberais que reiteram a dualidade estrutural. Ou seja, que reforçam a divisão existente entre a educação técnica e precarizada para a classe trabalhadora e a educação propedêutica e superior para a classe hegemônica. Gramsci traz a perspectiva da contra-hegemonia ou da construção de uma nova hegemonia. Ele vê a escola unitária como uma instância necessária à garantia do percurso de formação voltada à emancipação humana. Ele também a vê como uma possibilidade de formar criticamente intelectuais orgânicos da classe trabalhadora, um instrumento importante para a superação da hegemonia burguesa e para a construção de um novo projeto de sociedade. ` Gramsci traz a perspectiva da contra-hegemonia ou da construção de uma nova hegemonia. Ele vê a escola unitária como uma instância necessária à garantia do percurso de formação voltada à emancipação humana. Ele também a vê como uma possibilidade de formar criticamente intelectuais orgânicos da classe trabalhadora, um instrumento importante para a superação da hegemonia burguesa e para a construção de um novo projeto de sociedade. A perspectiva omnilateral da formação humana A perspectiva omnilateral concerne a uma concepção direta e profundamente contraposta à ideia de formação unilateral, danificadora e empobrecedora do ser humano, resultante dos processos de segmentação, exclusão e alienação humana. Essa formação se torna mais agudamente nefasta à medida que a apropriação privada dos bens produzidos socialmente avança sucessivamente em contraste com o aumento da riqueza produzida pela humanidade. Historicamente, o desenvolvimento unilateral do trabalhador no capitalismo o acompanha desde o período da manufatura, quando, contraditoriamente, o trabalhador coletivo e a força coletiva, responsáveis pela geração do valor extra apropriado pelo sistema capitalista, emergiu. Com a maquinaria, o proletário passou a ser sujeitado à imposição da especialização estreita e à execução de operações simples e repetitivas, levando-o à corrosão da sua capacidade criativa e à limitação das suas habilidades físicas. Para ilustrar o que acabamos de ver, consideremos o filme Tempos Modernos (1936), de Charles Chaplin. Trata-se de um longa que retrata de forma cômica uma realidade exploradora e degradante de trabalho. O trabalhador é reduzido ao apêndice da máquina, condenado ao trabalho repetitivo, parcial e empobrecido. Transferiram-se, através da mecanização, as habilidades e os saberes do trabalhador para a máquina. Segundo Marx, “não só os trabalhos parciais específicos são distribuídos entre os diversos indivíduos, como o próprio indivíduo é dividido e transformado no motor automático de um trabalho parcial” (2013, p. 540). Entretanto, Marx visualiza que das fissuras do capitalismo brotam contradições, dando passagem ao “indivíduo dividido” para o “indivíduo integralmente desenvolvido”. Esse acesso pode ser facilitado pelas escolas politécnicas e agronômicas, ao associarem o trabalho com a educação e ao integrarem os conhecimentos voltados ao trabalho produtivo com a educação integral e corporal. Título: Apropriação dos conhecimentos Fonte: Prosa (2024d). Assim, na concepção de Marx, a classe trabalhadora pode construir uma educação tecnológica articuladora dos domínios teórico e prático das bases tecnológicas e epistemológicas do processo produtivo. Essa seria uma conjunção relevante para a condução consciente da luta social e política relativa ao controle da produção e dos conhecimentos que lhe dão suporte. Com base no que foi exposto, a educação com compromisso político implica necessariamente a compreensão das contradições próprias dessa realidade e a capacidade de nelas intervir, tendo em vista a promoção da transformação da realidade social. A politecnia e sua efetivação na EPT A história da EPT no Brasil evidencia, através de discursos, legislações, programas e planos implementados, as disputas por hegemonia que ora são de cunho liberal, ora neoliberal, ora progressista. Quando essa modalidade educacional surgiu no país, preponderaram finalidades assistencialistas e de contenção social. Contudo, com o crescimento e a diversificação das atividades econômicas, ela passou a ser regulada pelas forças do mercado, ampliando seu caráter de educação instrumental, tecnicista e dual. Podemos inferir, pois, que o alcance de uma educação profissional e tecnológica crítica e emancipatória requer a superação do discurso e das práticas pedagógicas hegemônicas e o deslocamento da centralidade no mercado de trabalho para a primordialidade do mundo do trabalho. Esse deslocamento é fundamental à formação de trabalhadores críticos, socialmente ativos e emancipados. Nesse sentido, você conseguiria reconhecer os indicadores do discurso hegemônico dificultadores da sua superação? E, também, as noções que fundamentam esse discurso transformando-as em objeto de reflexão? Conseguiria esclarecer outros enunciados e práticas capazes de abrir caminho para estratégias contra-hegemônicas, em favor da EPT emancipatória? Seria capaz de desnudar a discursividade hegemônica e como ela escamoteia a realidade na forma de senso comum? Como desvendar as formas dominantes de impor a obediência e da exploração do trabalho assalariado? Em seus processos formativos, a EPT deve ampliar a visão de mundo dos estudantes por meio dereflexões e práticas fundamentadas pelas “[...] tensões no campo das ideias, inspirando e orientando a ação política de toda a classe trabalhadora” (Barros; Silva, 2021, p.128). Valores, crenças, impressões, sentimentos e concepções remetem a diferentes percepções do mundo do trabalho e das diferentes dimensões que o comportam, dentre elas a lógica mercantil que preside a compra e venda da força de trabalho com todas as suas contradições. O que está em questão, aqui, é a necessidade de desenvolvimento da EPT capaz de pôr em prática uma educação omnilateral, tecnológica ou politécnica formadora de sujeitos autônomos e protagonistas da cidadania ativa. Dotada da perspectiva do trabalho como princípio educativo e da formação dos sujeitos por meio do desenvolvimento do pensamento reflexivo mais complexo e crítico, a EPT se impõe à condução da interpretação das contradições da realidade com vistas à sua superação e à formação de sujeitos não mais reféns do discurso hegemônico como única e última possibilidade. Para começo de conversa, seria necessário que as propostas pedagógicas partissem dos saberes e das experiências já adquiridos pelos estudantes e das suas experiências de práticas laborais. Um passo além seria dado pela saturação de saberes sobre o uso e as finalidades dos instrumentos de trabalho, fazendo- os interagir com os conhecimentos científicos e tecnológicos. Tudo isso considerando aspectos de ordem cultural, ética e política para que os estudantes se vejam concretamente como sujeitos ativos. Aqui entra a proposta da educação politécnica como alternativa para a superação da dualidade estrutural e fragmentadora da educação profissional e tecnológica; portanto, da “[...] dicotomia entre trabalho manual e trabalho intelectual, entre instrução profissional e instrução geral” (Saviani, 1989, p. 13). A educação politécnica, conforme explica Saviani (1989), entende o trabalho como unidade indissociável, não sendo possível a separação entre elementos manuais e intelectuais nele envolvidos. Essa dissociação somente seria permitida como produto histórico-social a ser superado; portanto, não absoluta, mas relativa. Desse modo, a educação não poderia ser dividida entre geral e específica, já que a formação ampla do trabalhador precisa ter em vista sua capacidade de apropriação da técnica como ciência e cultura. Saviani (1989, p. 17) recorda que a politecnia está vinculada ao “[...] domínio dos fundamentos científicos das diferentes técnicas que caracterizam o processo de trabalho produtivo moderno”. Nesses termos, Supõe-se que, dominando esses fundamentos, esses princípios, o trabalhador está em condições de desenvolver as diferentes modalidades de trabalho, com a compreensão do seu caráter, da sua essência. Não se trata de um trabalhador que é adestrado para executar com perfeição determinada tarefa, e que se encaixe no mercado de trabalho para desenvolver aquele tipo de habilidade. Ele terá um desenvolvimento multilateral, um desenvolvimento que abarca todos os ângulos da prática produtiva moderna, na medida em que ele domina aqueles princípios, aqueles fundamentos, que estão na base da organização da produção moderna. (Saviani, 1989, p. 17) Título: A complexidade do trabalho técnico envolvendo diferentes saberes Fonte: Prosa (2024e). A politecnia é um conceito realmente muito interessante e relevante, por sua própria natureza, no âmbito da EPT. Você pode aprofundar seu entendimento desse conceito e seus impactos através da leitura do artigo O choque teórico da politecnia, do professor Dermeval Saviani (2003). Para onde vamos? Por fim, para onde nos levam o trabalho como princípio educativo, a escola unitária, a formação politécnica e omnilateral? O que foi apresentado até aqui nos permite pensar que a concepção da EPT dotada de perspectivas teóricas e práticas contra-hegemônicas passa, fundamentalmente, pela realização do princípio educativo do trabalho, dos fundamentos da escola unitária, da formação omnilateral e da politecnia. https://www.scielo.br/j/tes/a/zLgxpxrzCX5GYtgFpr7VbhG/?format=pdf&lang=pt Esses conceitos expressos na concepção de ser humano e do processo de emancipação humana, desenvolvidos densamente por Marx, Engels, Gramsci e outros formuladores da Pedagogia do Trabalho, encontram maior viabilidade de concretização na modalidade do Ensino Médio Integrado. O Brasil passou por uma transformação em relação à EPT ao ser promulgada a Lei nº 11.892 em 29 de dezembro de 2008, que criou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs), ao mesmo tempo em que oficializou e regulamentou a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT). A expansão da rede federal carrega, em tese, a intenção de restabelecer a integração da formação profissional à educação básica embasada nos referenciais acima discutidos e de contribuir com a construção social de um projeto de desenvolvimento científico e tecnológico para o país, que se apresente como estratégico para alcançar sua soberania. Logo, faz-se necessário “[...] derrubar as barreiras entre o ensino técnico e o científico, articulando trabalho, ciência e cultura na perspectiva da emancipação humana” (Pacheco; Caldas; Sobrinho, 2010, p. 15), lembrando que nesse projeto educacional, Sua orientação pedagógica deve recusar o conhecimento exclusivamente enciclopédico, assentando-se no pensamento analítico, buscando uma formação profissional mais abrangente e flexível, com menos ênfase na formação para ofícios e mais na compreensão do mundo do trabalho e uma participação qualitativamente superior nele. (Pacheco; Caldas; Sobrinho, 2010, p. 15) O avanço gradativo de cursos com currículos centrados no trabalho e nas práticas pedagógicas com perspectiva integral, de formação profissional com abordagem orgânica, de unidade entre teoria e prática e, em especial, de desenvolvimento de um pensamento crítico com vistas à transformação social, tem sido alvo de disputas que culminaram na promulgação da Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, de cunho neoliberal. Vinculada a essa lei, encontra-se a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e, em ambas, observa-se a ampliação da influência de instituições privadas sobre a educação pública, reiterando a orientação didático-pedagógica neoliberal com base no desenvolvimento de habilidades e competências e na noção de empregabilidade. CAPÍTULO 2 Caminho em construção: o ensino integrado e a efetivação do trabalho como princípio educativo na EPT Caro estudante, Seja bem-vindo à continuidade da Unidade Temática Trabalho e Educação II. O Capítulo 2 tratará do seguinte questionamento: o ensino integrado e a efetivação do trabalho como princípio educativo na EPT: onde estamos? (caminho em construção). A possibilidade de oferecer uma Educação Profissional e Tecnológica avessa à dualidade estrutural da educação brasileira surgiu com a Lei Federal nº 11.892 de dezembro de 2008, que criou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) e regulamentou a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (RFEPCT). Isso representou uma exortação ao desafio da superação das barreiras existentes entre o ensino técnico- profissional e o propedêutico por meio da integração curricular, bem como da articulação entre trabalho, cultura, ciência e tecnologia e de projetos político-pedagógicos orientados pela perspectiva da emancipação humana. Em outras palavras, trata-se de uma Educação Profissional e Tecnológica focada na formação omnilateral e comprometida com a conexão entre pesquisa, ensino e extensão. Em vista disso, surgiram, nos últimos tempos, novos regulamentos educacionais de cunho neoliberal que têm levado à desarticulação da proposta de ensino integrado, à formação precarizada pela redução de disciplinas fundamentaispara a formação humana e à redução da EPT a um rudimentar itinerário formativo, aligeirado e fragmentado, com o intuito de atender às demandas do mercado de trabalho. Desta forma, ao indagarmos “onde estamos?”, é necessário admitir – considerando a realidade concreta das conquistas na oferta do ensino integrado e reconhecendo existência de avanços na compreensão da importância do princípio educativo do trabalho – que ainda precisamos avançar na materialização da proposta deste ensino integrado, dando continuidade aos movimentos de resistência, pois o que temos é um caminho em construção. Você sabe o que é o ensino integrado? Agora, vamos aprofundar o que é ensino integrado. Frigotto e Araújo assinalam que, para além da educação profissional de nível médio, o ensino integrado [...] é uma proposição pedagógica que se compromete com a utopia de uma formação inteira, que não se satisfaz com a socialização de fragmentos da cultura sistematizada e que compreende como direito de todos o acesso a um processo formativo, inclusive escolar, que promova o desenvolvimento de suas amplas faculdades físicas e intelectuais. (Frigotto e Araújo, 2018, p. 50) De forma a complementar, Ciavatta (2010) afirma que integrar vai “[...] no sentido de completude, de compreensão das partes no seu todo ou da unidade no diverso, de tratar a educação [...] nas múltiplas mediações históricas que concretizam os processos educativos” (p.84). A formação integral pressupõe o desenvolvimento integrado dos sujeitos mediante uma proposta de ensino que preconiza a ampliação cognitiva, a partir da correlação das diversas dimensões estruturantes da vida: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Título: As correlações entre as estruturas de vida do indivíduo Fonte: Prosa (2024e). A importância dessa perspectiva está na superação da fragmentação que, historicamente, foi imposta ao ser humano pela divisão social do trabalho, pela cisão da sociedade de classes e todas as contradições promovidas pelo modo de produção capitalista. Retomamos, aqui, a visão dual ou fragmentada apresentada no capítulo I, que é a expressão da totalidade social segmentada desde o Brasil Colônia e que resulta das relações materiais, sociais e culturais de produção. Vamos iniciar essa reflexão, questão que surge ainda no Império. Segundo Salm (1986, p. 74), o problema que assalta o pensamento conservador é: “o que fazer com os pobres? E a resposta sempre foi: ensinar um ofício”. A receita educacional remete, hoje, à proposta de profissionalização sob a perspectiva economicista da educação e da pedagogia tecnicista, atualizada à medida que se alteram as demandas de formação da força de trabalho feitas pelo sistema produtivo e na sociedade de classes brasileira. Ou seja, isso quer dizer que a preparação para o trabalho é reduzida ao aspecto puramente operacional, simplificado e esvaziado dos conhecimentos de ordem reflexiva e emancipatória. É, em síntese, a formação da classe trabalhadora subordinada aos interesses da classe dos proprietários dos meios de produção, voltada ao trabalho manual, ao praticismo, ao trabalho simples. Para compreender melhor a perspectiva economicista da educação, retornamos no tempo. É a partir da década de 1940, com as leis orgânicas (Reforma Capanema) criadas para organizar a educação nacional, que o dualismo da educação (segundo a orientação de classe) se afirma com seu caráter estrutural. Além disso, os ensinos profissionais são concebidos como subsistemas e à parte do ensino com caráter propedêutico, ou seja, preparatório à continuidade dos estudos. Das leis orgânicas do ensino decorre, então, a seguinte segmentação: de um lado, uma vertente dirigida à formação propedêutica das elites dirigentes e à continuidade dos seus estudos nas universidades; de outro, o ensino profissional, destinado aos segmentos sociais populares e menos favorecido Título: Formação propedêutica das elites X ensino profissional Fonte: Prosa (2024g). A Reforma Capanema se perpetuou por 20 anos e contribuiu para consolidar o dualismo na educação em consonância com a estrutura social brasileira. Em 1961, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 4.024 de 20 de dezembro de 1961. Ela contemplou a educação como um “dever e direito de todos” (Art. 2) e a equivalência dos cursos de nível médio (Art. 51). No entanto, o que predominou foi a omissão em face da realidade educacional e social desigual, traduzida também pela falta de escolas, professores e materiais. A obrigatoriedade de oferta de educação básica levou à institucionalização (pelo menos formal) do princípio da igualdade de oportunidades. Disseminou-se, também, a expectativa de mobilidade e ascensão social das camadas médias e populares pela via da educação; entretanto, a submissão aos padrões discricionários de seleção escolar as induziu a assumir a culpa pela sua própria falta de êxito. Além disso, as aspirações de conquistar um título acadêmico se esbarram na necessidade de trabalhar para o sustento próprio ou da família, levando os setores populares a buscarem cursos de nível médio profissionalizantes, “[...] na maioria, ministrados à noite e menos exigentes quanto ao ginásio e ao colégio” (Freitag, 1984, p.67). O setor privado, acolhido favoravelmente pela Lei nº 4024 de 20 de dezembro de 1961 e motivado a explorar a educação como negócio, apoderou-se dos cursos profissionalizantes que exigiam pouco investimento de infraestrutura, como também da contratação de professores não habilitados e pouco qualificados. Por conta das demandas do público-alvo (trabalhadores), ansioso por ascender ao ensino universitário, e das brechas oferecidas pela Lei nº 4024 de 20 de dezembro de 1961, os cursos profissionalizantes, que deveriam fornecer qualificações médias para o mercado de trabalho, foram gradativamente se aproximando da formação propedêutica. Assim, o setor produtivo denuncia a inadequação do ensino profissionalizante médio, o qual, por sua vez, passa a exigir a responsabilidade das empresas pela qualificação no próprio ambiente de trabalho. Esse https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722-publicacaooriginal-1-pl.html#:~:text=Fixa%20as%20Diretrizes%20e%20Bases%20da%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20Nacional.&text=a%20condena%C3%A7%C3%A3o%20a%20qualquer%20tratamento,de%20classe%20ou%20de%20ra%C3%A7a impasse leva à reivindicação de maior participação do sistema educacional na capacitação profissional, tanto para contribuir com o aumento da produtividade econômica quanto para assumir os custos da qualificação da força de trabalho. A partir de 1964, sob as rédeas do regime militar, o governo brasileiro passou a ajustar o sistema educacional de maneira que fossem cumpridas, da forma mais conveniente ao capital, as funções de reprodução e manutenção das relações de produção dominantes. A educação, sob a égide da Teoria do Capital Humano, que postula a educação principalmente como fator de desenvolvimento econômico, em uma perspectiva economicista que passou a identificar a educação como um ativo produtor de lucro social e individual. Com tais fundamentos economicistas, o Estado brasileiro passou a bancar os gastos realizados com a qualificação dos trabalhadores e, consequentemente, a atender às reivindicações dos setores privados nacional e multinacional. O que significa submeter o sistema educacional à perspectiva economicista da educação? A concepção de que a educação só é investimento quando prepara os indivíduos para o trabalho abstrai sua mediação da cultura, das humanidades, dos saberes universais. Os investimentos estatais, sob essa égide, são hierarquizados e voltados exclusivamente à profissionalização para atender às demandas do mercado de trabalho e promover o alargamento do exércitode reserva. Segundo Machado (1989, p. 63), o período compreendido entre 1964 e 1985 visou a modernização do país por meio de um movimento de complementaridade entre o avanço e o aprofundamento da (re)produção da acumulação capitalista e a participação, de maneira subordinada, na divisão internacional do trabalho com base no princípio da interdependência. Instituída a Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971, foram estabelecidas novas diretrizes e bases da educação, tendo como foco a profissionalização compulsória no 2º grau (atualmente, ensino médio) e a preparação para o trabalho no 1º grau (o vigente ensino fundamental 2). Essa alteração coloca em evidência o papel político do profissional técnico nas estruturas da empresa, graças à sua função de intermediação entre os gestores e os trabalhadores. Contudo, restou como possibilidade o não “alinhamento” com os interesses patronais. Os cursos profissionalizantes, sob a responsabilidade das escolas convencionais, depararam-se com as dificuldades materiais representadas pela falta de equipamentos e de professores qualificados para atuarem nas disciplinas técnicas. Logo, o que se obtém é a frágil formação que não atende às exigências do mercado de trabalho, bem como não inibe a busca pelo ensino universitário. Observa-se, assim, um https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-5692-11-agosto-1971-357752-publicacaooriginal-1-pl.html legado de desqualificação de uma política que visou a profissionalização massiva, mas com o “caráter genérico do ensino academicista” (Frigotto, 1989, p. 182). A crise do capitalismo entre os anos de 1970 a 1990 provocou a emergência das mudanças tecnológicas nas estruturas produtivas, com impactos significativos na realidade mundial do trabalho. No Brasil, o neoliberalismo e sua proposta de Estado mínimo obrigaram o deslocamento das expectativas relacionadas à formação do trabalhador, do qual se passou a exigir capacidades múltiplas e versáteis. Essa lógica ficou evidenciada nas conquistas das forças conservadoras no que diz respeito ao projeto de Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Do embate ali travado, surgiu um projeto com muitas limitações comparativamente à proposta original, que previa o reforço da escola pública, laica e unitária. Como apontou Frigotto (2003), o conhecimento e a educação foram reduzidos a simples fatores de produção. Nessa esteira, o Presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2003) promove a regulamentação do disposto sobre a educação profissional na Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, mediante a instituição do Decreto Presidencial nº 2.208, de 17 de abril de 1997. Com este dispositivo legal, a educação profissional se separa do ensino médio propedêutico sob a justificativa de que a sua organização teria especificidades e diferenças daquela modalidade de ensino. No entanto, foi esse cenário que trouxe à discussão uma educação progressista, baseada nos conceitos de escola unitária, de Gramsci, e de educação politécnica, de Marx. Já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003 a 2011), o Decreto nº 2.208, de de 17 de abril de 1997, é revogado mediante a emissão do Decreto Presidencial nº 5.154, de 23 de julho de 2004. Esse novo decreto estabelece a oferta da educação profissional de forma articulada com o ensino médio, com vistas à inclusão da população que está à margem dos processos de escolarização e da perspectiva da inserção no mundo do trabalho. Por fim, a Lei nº 11.892, de 28 de dezembro de 2008, institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Essa Lei fortalece a EPT ao viabilizar a finalidade de sua democratização e a garantia do acesso, da permanência e do êxito acadêmico de trabalhadores, por meio da proposta de ensino integrado e da articulação entre ensino, ciência e tecnologia com vínculo ao mundo do trabalho. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm Título: Linha do tempo: da LDB até a instituição da rede federal Fonte: Prosa (2024n). Mas, afinal, o que é o ensino integrado? Em uma posição contrária à formação aligeirada e superficial, com vistas à superação do dualismo estrutural da educação brasileira, temos a formação integrada, que visa restabelecer as relações entre o saber e o fazer com base na totalidade dos elementos de produção da vida em sociedade. Como já abordado no início do capítulo, a noção de integração na formação humana expressa a articulação das dimensões sociais do trabalho, da ciência e da cultura. A concepção de integração curricular orienta, assim, a complementaridade entre a educação geral e a educação profissional. A dualidade educacional, que impõe a cisão entre a formação propedêutica destinada à continuidade dos estudos e a formação técnica operacional, traz impressa a desigualdade social produzida pelo modo de produção capitalista. O sistema de ensino revela seu caráter classista ao reproduzir a divisão social do trabalho, configurada na sociedade e nascida na esfera da produção social. O privilégio de uma minoria dirigente e detentora dos meios de produção representa a espoliação de uma maioria submetida à subalternidade dessa elite. Título: O caráter classista no sistema de ensino Fonte: Prosa (2024o). Para Gramsci, a relação entre escola e trabalho e, por conseguinte, entre a formação geral e formação profissional deve estar em interação e atender aos interesses da classe trabalhadora, como preconiza seu conceito de escola unitária. Trata-se de estabelecer uma formação integral/omnilateral da qual emerge o conceito marxiano de politecnia. A observação de Marx a respeito do necessário desenvolvimento das dimensões intelectual, física e tecnológica (formação integral do ser humano ou formação omnilateral) resulta como antídoto à violência submetida às crianças e jovens nas fábricas capitalistas. Ao defender a formação humana integral (educação do corpo, educação intelectual e educação tecnológica), segundo Moura, Lima e Silva (2015), Marx lança luz para uma formação elevada. O objetivo estratégico é a superação da sociedade burguesa, colocar a educação a serviço do homem sabendo que, para a efetivação plena da formação integral, é preciso que [...] os trabalhadores voltem a ter o domínio sobre o conteúdo do próprio trabalho e, dessa forma, tenham melhores condições para enfrentar a contradição entre capital e trabalho, visando à superação do modo de produção capitalista, pela via do aprofundamento de suas contradições internas. (Moura, Lima e Silva, 2015, p. 1062) A complexidade que envolve a temática “O ensino integrado e a efetivação do trabalho como princípio educativo na EPT” é, justamente, a compreensão da necessidade de apreensão histórica da construção da relação entre trabalho e educação e, também, de como a sociedade constrói a divisão entre trabalho intelectual e trabalho operacional. Ao longo da história, a educação brasileira apresenta, portanto, tensões e controvérsias – agravadas com o surgimento do capitalismo neoliberal. As transformações sociais almejadas, de modo a superar inúmeros fatores que promovem a intensificação da divisão do trabalho e as decorrentes desigualdades entre as classes, passam necessariamente pelo enfrentamento das contradições entre capital e trabalho e pela efetivação do papel do ensino integrado como possibilidade de superação e de construção de uma nova realidade. Partimos da determinação de que, para que o processo de “travessia” se efetive, é necessário haver a conciliação entre as ideias e as bases materiais em um movimento dialético entre infraestrutura e superestrutura. Título: Movimento dialético entre infraestrutura e superestrutura no marxismo Fonte:Prosa (2024p). O ensino integrado como articulador da teoria e da prática na formação do trabalhador: experimentações e potencialidades Este capítulo partiu da seguinte questão: “O ensino integrado e a efetivação do trabalho como princípio educativo na EPT: onde estamos?”. Buscamos trazer o cenário que compreende a EPT no Brasil em sua historicidade, densamente movida pelas condições sociais de construção da relação trabalho e educação. Foram apresentadas reflexões sobre a importância do ensino integrado e do trabalho como princípio educativo, bem como seus avanços teóricos e as tensões que circunscrevem a formação da classe trabalhadora. Cabe, também, recuperar as experiências exitosas e as potencialidades do ensino integrado. Ao indagar “onde estamos?”, não há dúvida em reconhecer que o princípio educativo da categoria do trabalho (proposto no ensino integrado) está em curso e buscando avançar nos espaços de contradição do sistema capitalista. Alguns movimentos são trazidos como avanços e retrocessos por Moura, Lima e Silva (2015), apesar de todas as resistências traduzidas em legislações, como: Título: Avanços e retrocessos por Moura, Lima e Silva (2015) Elaboração: Prosa (2024q). Além disso, podemos lembrar o problema do não aproveitamento dos quadros docentes estaduais da educação profissional e a formação com base na pedagogia das competências, com a intenção de atender rapidamente as demandas do mercado. Por outro lado, dentre as experiências oriundas dos movimentos sociais, os autores destacam a realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Há, ainda, os projetos educacionais com centralidade no ensino integrado articulado por projetos sociais contra-hegemônicos dos trabalhadores. Nesse caso, o enfrentamento vai além da adoção de uma política educacional, pois a luta pela terra é conceitual, pedagógica, política e ideológica. O processo de formação humana unitário e integrado tem a preocupação com a transformação social ao adotar uma pedagogia que valorize a luta e o movimento social. Segundo Moura, Lima e Silva (2015, p. 1077): [...] na análise dos elementos norteadores da proposta educacional do MST, evidencia-se a centralidade do trabalho na produção da realidade material e intelectual, na produção do conhecimento e da cultura, aproximando-se tanto das proposições de Marx e Engels, no que se trata da concepção de politecnia, quanto da perspectiva gramsciana do princípio educativo do trabalho e da escola unitária. (Moura, Lima e Silva, 2015, p. 1077) CAPÍTULO 3 Práxis transformadora na EPT (avançar na caminhada) Caro estudante, Seja bem-vindo novamente à Unidade Temática Trabalho e Educação II. Concluiremos seu percurso com o Capítulo III, que trata do seguinte tema: Práxis transformadora na EPT (avançar na caminhada). Avançar na caminhada compreende incluir – no repertório do trajeto feito até aqui – a possibilidade de reconhecer a formação de trabalhadores no conjunto de práticas contra-hegemônicas implicadas na relação teoria-prática e vinculadas ao mundo do trabalho e das instituições de educação. Com base na filosofia da práxis, no trabalho como princípio educativo, na pedagogia histórico-crítica e na politecnia, a formação para a docência, a gestão e a educação a distância na EPT exige enfrentamento às adversidades impostas pela realidade hegemônica. Com tais sustentações, almeja-se alcançar uma formação docente capaz de proporcionar ao trabalhador o verdadeiro sentido da educação emancipadora. O que é trabalho? A centralidade da categoria trabalho na teoria marxista resume a compreensão da atividade humana em geral. Especificamente no trabalho, encontra-se um princípio do processo educativo, como vimos no capítulo anterior. Compreende-se, então, que há uma educação inerente ao trabalho, uma contribuição fundamental de Karl Marx à formação humana. Ao longo da história, o trabalho vem expressando a relação entre o ser humano e a natureza, constituindo- se como atividade vital humana, como espaço de formação do próprio homem no desenvolvimento de ações orientadas a fins. O processo civilizador vem se materializando por diferentes formas e concepções de organização do trabalho, considerando os diversos períodos históricos do desenvolvimento das sociedades. Para a compreensão de cada forma e concepção de organização do trabalho nos diferentes ciclos históricos, é necessário ir ao cerne do processo sociocultural que os constitui. Como exemplo, destacamos, no Brasil, o trabalho escravo nos períodos Colonial e Imperial, o trabalho livre – assalariado ou não – e as mudanças nos processos de trabalho em atendimento aos interesses do capital já no período Republicano. Ao longo do tempo, a atividade de trabalho (e o seu correlato processo de formação humana) vem evidenciando mudanças na capacidade do homem de executar operações cada vez mais complexas, seja a nível individual ou coletivo. A organização da produção e do trabalho expressa determinada racionalização das atividades humanas, tendo por finalidade aumentar a produtividade social e o máximo proveito da elevação das forças produtivas. A divisão social do trabalho como parte do conjunto das forças produtivas é estabelecida pelas relações de produção, cujo desenvolvimento ocorre em função das necessidades, em que algumas são solucionadas e outras ampliadas em um movimento contínuo de busca de respostas aos carecimentos humanos. Ou seja, temos, então, a dinâmica da produção da vida material. A divisão social do trabalho, além de ser uma forma de organização social, é também expressão da existência de diferentes configurações de propriedade privada, em conformidade com momentos históricos da sociedade. No capitalismo, a propriedade privada se estabelece pela separação entre os meios utilizados para o trabalho, de um lado, e o próprio trabalho, de outro. Ou seja, tal separação ocorre entre os proprietários dos meios de produção (capitalistas) e os que detêm a força de trabalho (capacidade de produzir riqueza material), a qual é submetida à venda sob forma de mercadoria. Considerando a transitoriedade do capitalismo no seu devir histórico, a condição do trabalho alienado se apresenta como negatividade da manifestação humana em razão das condições de subsunção dos indivíduos aos ditames da divisão social do trabalho. O trabalho, conforme demonstrou Marx, revela-se como uma contraposição entre seu aspecto de afirmação (por ser criador) e seu aspecto de negação das potencialidades do ser humano. Frente ao capital, é trabalho alienado, mas também atividade vital humana. Como trabalho alienado, ele expressa a negação de toda a manifestação e processo de formação humana. Como atividade vital humana, ele revela a humanização da natureza e, ontologicamente, do próprio homem, pois, ao agir sobre, ela produz conscientemente suas próprias condições de vida humana e se desenvolve omnilateralmente. E o que é o trabalho alienado em Marx? A divisão social do trabalho estabelece a divisão da sociedade em classes sociais e, por sua vez, divide os trabalhadores em manuais e intelectuais, ambos com sua unilateralidade e dependência ao detentor dos meios de produção. Assim, o trabalho de livre manifestação da vida e gerador de prazer, sob as condições da propriedade privada capitalista, torna-se alienação: o produto gerado torna-se externo e estranho ao trabalhador (por conta da organização parcelada do processo de produção), pois surge fora do seu domínio e controle e é submetido a um mercado regido por leis, que também estão fora do alcance daquele que o produziu. A exteriorização do trabalhador em seu produto tem o significado não somente de que seu trabalho se torna um objeto, uma existência externa, mas, bem além disso [que se torna uma existência] que existe fora dele, independentedele e estranha a ele, tornando-se uma potência autônoma diante dele, que a vida que ele concedeu ao objeto se lhe defronta hostil e estranha. (Marx, 2010 [1844], p. 81) Essa definição mais geral do processo de alienação, segundo Marx, também se estende a todos os indivíduos no que tange à sua essência humana, às suas relações interpessoais e ao seu potencial criativo. Título: Processo de alienação do trabalhador Fonte: Marx (1976 [1844]). Elaboração: Prosa (2024r). Por outro lado, se o produto não pertence ao trabalhador, ele se destina a outro homem que não o trabalhador. Se a atividade laboral é um sacrifício para o trabalhador, ela deve ser fonte de satisfação de outro homem, o capitalista, que, para o trabalhador, é tão hostil e estranho quanto o próprio produto. Vejamos abaixo os tipos de alienação em Marx (1976 [1844]): Título: Tipos de alienação Fonte: Marx (1976 [1844]). Elaboração: Prosa (2024s). Os processos que envolvem o trabalho alienado são estabelecidos pela economia política como condições naturais e imutáveis da sociedade. Segundo Marx, sob a análise de Musto (2023, p. 18): Longe de ser uma condição constante da objetivação, da produção do trabalhador, o trabalho alienado é, para Marx, pelo contrário, a expressão da socialidade do trabalho dentro dos limites da ordem atual, da divisão do trabalho que considera o homem "um aparelho, uma ferramenta (...) e o transforma em um aborto espiritual e físico". (Tradução nossa). (Musto, 2023, p. 18) Marx, contudo, acreditava que as bases para uma sociedade mais avançada estão postas no capitalismo e que a humanidade pode prosseguir, então, no caminho do desenvolvimento social – mas por meio de um novo modo de produção, constituído por uma "associação de homens livres que trabalham com meios de produção coletivos e que, conscientemente, despendem suas forças de trabalho individuais como uma única força social de trabalho” (Marx, 2013, p. 214). De acordo com os escritos de Marx em Manuscritos Econômico-Filosóficos e depois n’O capital – Livro III, citado em Musto (2014, p. 90): [...] de fato, o reino da liberdade começa somente quando cessa o trabalho determinado pela necessidade e pela finalidade externa; se encontra portanto, por sua natureza, além da esfera da verdadeira e própria produção material. Como o selvagem deve lutar com a natureza para satisfazer as suas necessidades, para conservar e para reproduzir a sua vida, assim deve fazer também o homem civil, deve fazê-lo em todas as formas da sociedade e sob todos os possíveis modos de produção. Na medida em que ele se desenvolve, o reino das necessidades naturais se expande, porque se expandem as suas necessidades, mas ao mesmo tempo se expandem as forças produtivas que satisfazem estas necessidades. A liberdade neste campo somente pode consistir nisto: que o homem socializado, isto é, os produtores associados, regulam racionalmente este seu intercâmbio orgânico com a natureza, conduzindo-o sob seu controle comum, ao contrário de serem por ele dominados como uma força cega; que eles executam a sua tarefa com o menor emprego possível de energia e nas condições mais adequadas à sua natureza humana e mais dignas dela. (Marx, 1965, p. 933) Em conclusão, Musto (2014, p. 90) propõe a atualização da proposição marxiana sobre uma nova sociedade: Esta produção de caráter social, juntamente com os progressos tecnológicos e científicos e a consequente redução da jornada de trabalho, cria as possibilidades para o nascimento de uma nova formação social, na qual o trabalho coercitivo e alienado, imposto pelo capital e subsumido pelas suas leis, é progressivamente substituído por uma atividade criativa e consciente, não imposta pela necessidade; e na qual as relações sociais tomam o lugar da troca indiferente e acidental em função das mercadorias e do dinheiro. Não é mais o reino da liberdade do capital, mas aquele da autêntica liberdade humana do indivíduo social. (Musto, 2014, p. 90) Como práxis social, cuja importância é crucial para o desenvolvimento humano e social, a educação precisa estar atenta e acompanhar esse processo de potencialidades transformadoras. O trabalho é elemento imprescindível à formação humana, e suas virtualidades emancipatórias se fortalecem com o concurso da educação politécnica, no qual se conjugam a formação intelectual e física e as dimensões teórico-práticas do conhecimento e da atividade humana. É nesse sentido que se recorre à referência da categoria práxis para discorrer, a seguir, sobre o que se entende do lugar da EPT efetivamente comprometida com a superação da alienação humana e com a transformação social. O que é práxis? Ao longo da história, através do capitalismo, a complexidade das operações de trabalho avançou para solucionar as necessidades humanas, mas isso foi fundamentado na valorização do trabalho intelectual em detrimento do trabalho físico. Dessa forma, o trabalho passou a ser referido com base em conceitos abstratos de natureza reflexiva (como valores, moral e ética), com expressivas consequências para a hierarquização entre os saberes teórico e prático. Essa oposição entre teoria e prática é produto do declínio da categoria práxis. Isto é, conforme Vázquez (2011), a práxis não é um produto da relação entre teoria e prática, mas sim teoria e prática como produto da ação dialética. Assim, a teoria, por mais que tenha tomado por base o próprio conhecimento teórico, sempre é decorrência de uma concepção prática do mundo, ou seja, de uma práxis. Enquanto a atividade prática pressupõe uma ação efetiva sobre o mundo, que tem como resultado uma transformação real deste, a atividade teórica apenas transforma a nossa consciência dos fatos, nossas ideias sobre as coisas, mas não as próprias coisas. Nesse sentido, cabe falar de uma oposição teoria e prática. (Vásquez, 2011, p. 241) Essa oposição é apenas em termos de finalidade, pois são ocupações diferentes e cada uma possui atribuições próprias. O processo de superação da sociedade dividida, unilateral, do desenvolvimento rompido das individualidades e da humanidade inteira, virá da classe social excluída dos bens materiais e intelectuais. Ao libertar-se da alienação, além dos trabalhadores, a classe dominante também será liberta da ociosidade que a aliena. Na “emancipação do operário está implícita a emancipação humana geral” (Manacorda, 2017, p. 87). Contudo, para que esse movimento de libertação aconteça, uma das condições é o cuidado com a omnilateralidade no desenvolvimento humano, para o qual é de fundamental importância a reunificação das estruturas da ciência com as estruturas da produção. Para tanto, concorre a educação tecnológica, teórico-prática. Ou seja, A concepção de homem real não apenas como teórico, mas, sim, como ser prático (ou mais exatamente, teórico-prático) que desenvolve a sua atividade material transformadora como um ser histórico-social. Por conseguinte, a verdadeira caracterização do marxismo tem que ser feita a partir do reconhecimento do lugar central que nele ocupa a categoria de práxis. [...] Partindo dessa concepção de Marx, entendemos a práxis como atividade material humana transformadora do mundo e do próprio homem. Essa atividade real, objetiva, é, ao mesmo tempo, ideal, subjetiva e consciente. Por isso, insistimos na unidade entre teoria e prática, unidade que também implica certa distinção e relativa autonomia. A práxis não tem para nós um âmbito tão amplo que possa, inclusive, englobar a atividade teórica em si, nem tão limitado que se reduza a uma atividade apenas material. (Vázquez, 2011, p. 398, grifo nosso) A categoria práxis é contrária à noção de experiência relacionada ao pragmatismo. Como tal, a práxis deve ser necessariamente “apreendida como o princípio filosófico e epistemológico estruturante da formação, do que decorreo trabalho como princípio educativo” (Ramos, 2013, p. 195). Como podemos observar, o caráter educativo está presente nas formulações marxistas amplas, mas, aqui, nos deteremos nos conceitos de trabalho e práxis e na projeção de um novo homem (re)envolto no processo de humanização. A formação pretendida é a emancipação como indivíduo social, omnilateral, fruto da associação do trabalho concreto e do ensino em uma escola essencialmente tecnológica. Não há como desconsiderar que há diversas formas de existir/ser da classe trabalhadora. Por conseguinte, a classe dos trabalhadores, resultante da divisão social do trabalho, constitui-se permeada por diferentes conhecimentos especializados de acordo com as práticas profissionais específicas ou saberes profissionais. Segundo Sousa Jr. (2009), a educação de base marxista tem os seguintes elementos como pilares: o trabalho, a escola e a práxis político-educativa. Estes atuam em contraposição à realidade alienada/estranhada que preconiza a formação unilateral e a sociabilidade condicionada ao movimento de acumulação do capital. Com isso – e acima de tudo –, pensar a educação na perspectiva de Marx é considerar a importância da práxis político-educativa, com base na perspectiva marxiana de educação e seu caráter educativo das enunciações sobre trabalho, alienação, práxis e transformação social, cuja finalidade é a emancipação social da classe trabalhadora. Com vistas à emancipação humana (que é possível por meio da ação política abrangente e das práticas político-educativas), a união entre trabalho e educação surge como mediação pedagógica e expressão da função social da escola, articulada como práxis política-educativa em diversos locais do cotidiano e no tempo livre dos trabalhadores, sejam eles família, comunidade, moradia, sindicato etc. Parte-se do fundamento do “trabalho como princípio educativo”, considerando proporcionar aos sujeitos educandos o acesso aos conhecimentos oriundos do processo histórico de produção científica, tecnológica e cultural. O propósito de transformação das condições de vida e ampliação das capacidades, sentidos e potencialidades humanas passa indubitavelmente pela apreensão desse movimento, que é compreendido pela produção material, pelas relações sociais nele envolvidas e pelas condições de exploração do trabalho humano – imprescindível à superação da alienação e à construção de uma nova sociedade. A politecnia e a pedagogia histórico-crítica vão na mesma direção: a formação humana que, sob a perspectiva de Gramsci e da filosofia da práxis, voltam-se à emancipação dos trabalhadores e à consequente transformação da sociedade. A pedagogia histórico-crítica (Saviani, 2005) comporta a síntese da filosofia da práxis, uma vez que tem como fundamento a categoria modo de produção e a orientação voltada aos interesses da classe dominada. Sob o princípio do trabalho, visa a educação omnilateral e politécnica na perspectiva integrada. No Brasil, a educação profissional integrada enfrenta diversos desafios, refletindo as limitações econômicas, sociais e culturais do país. Propõe-se que a EPT integrada ao ensino médio propedêutico, por meio da articulação entre trabalho, ciência, tecnologia e cultura, seja essencial para superar as contradições decorrentes da estrutura dual do ensino. Como se manifesta o ensino na forma integrada? O ensino integrado, fundamentado em princípios de formação humana integral, desempenha um papel crucial ao sustentar a disputa dos trabalhadores no plano político e possibilitar a construção de uma nova perspectiva educacional voltada para o desenvolvimento social. Essa abordagem, que vai além da mera transmissão de conhecimento técnico, busca promover uma formação crítica e de cidadania ativa e crítica, essencial para a transformação social. Assim, a educação se torna uma ferramenta fundamental para impulsionar mudanças profundas na sociedade. Iniciativas práticas no âmbito da docência, da gestão e da EaD Incluímos, abaixo, algumas experiências de pesquisa desenvolvidas no âmbito do Programa de Pós- graduação Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica em Rede Nacional (ProfEPT), acompanhadas dos resumos e dos links de acesso aos produtos educacionais. Eles abrangem práticas de ensino, de gestão e de EaD no ensino médio integrado. Educação Profissional e Tecnológica e mulheres na gestão: uma perspectiva histórica do IF Goiano campus Urutaí Este Produto Educacional é fruto da dissertação “A participação das mulheres na gestão do Instituto Federal Goiano Campus Urutaí: uma perspectiva histórica (1953-2019)”. Trata-se de um documentário de aproximadamente 20 minutos que apresenta um breve histórico da EPT, tendo como foco as mulheres que atuaram na gestão da instituição pesquisada. http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/585811 Experiências do IF Goiano na implantação do currículo integrado Roda de conversa promovida para fins de elaboração de um Produto Educacional, com a participação de professores/coordenadores dos cursos técnicos integrados do IF Goiano narrando suas experiências com a implantação do currículo integrado, realizada durante a 2ª Semana de Planejamento Pedagógico do IFG - Campus Itumbiara. http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/554379 Curso de criação de HQs utilizando tecnologias digitais Com a utilização de tecnologias digitais, este é um Produto Educacional desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT), do campus Ceres do IF Goiano. Destinado a estudantes dos cursos técnicos integrados ao ensino médio (Agropecuária, Informática para Internet e Meio Ambiente), foi ofertado na modalidade remota, utilizando-se como principal ferramenta o AVA – Moodle. Distribuído em quatro módulos e com enfoque na elaboração de HQs a partir das ferramentas digitais Make Beliefs Comix, Storyboard That, Pixton e Comica, totalizou trinta horas. Apresenta-se, neste encarte, o recorte do planejamento do curso, ou seja: justificativa, objetivos, matriz curricular, ementa, metodologia, recursos, avaliação e referências. Buscou-se, deste modo, promover práticas pedagógicas que estimulassem a formação crítica e significativa dos estudantes numa perspectiva omnilateral. http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/739787 Microbiologia Integrada: volume I (caderno do estudante) http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/741180 Microbiologia Integrada: volume I (caderno do professor) http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/741174 http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/585811 http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/554379 http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/739787 http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/741180 http://educapes.capes.gov.br/handle/capes/741174 O Produto Educacional “Microbiologia Integrada: Volume 1” é fruto do projeto de pesquisa intitulado “A experimentação no ensino de Microbiologia: uma proposta crítico-dialética aplicada ao contexto do Ensino Médio Integrado”, desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT. A referida pesquisa foi motivada pela necessidade de desenvolver propostas pedagógicas para o ensino de Microbiologia no contexto do ensino médio integrado. Observaram-se dificuldades relatadas por professores e estudantes da Rede e constatou-se a carência de obras destinadas ao ensino de Microbiologia na formação profissional integrada ao ensino médio. Assim, procurou-se desenvolver um material didático que atendesse às principais necessidades de estudantes e professores, fornecendo opções para o desenvolvimento de práticas educativas no ensino de Microbiologia alinhadas aos princípios da formação humana integral. O material é dividido em dois cadernos: um destinado aos estudantes; outro, aos professores. No caderno do professor, você encontrará orientações importantes para a aplicação do produtoeducacional em sala de aula, conhecendo as bases teóricas que fundamentaram sua construção, os ícones envolvidos na sua organização e algumas sugestões para explorar o conteúdo do caderno dos estudantes. O capítulo 3 tratou sobre a Práxis transformadora na EPT com base na ideia de que o conjunto de tópicos propusesse uma caminhada. O intuito, em síntese, da formação voltada à docência, à gestão ou à EaD na EPT é a de proporcionar ao trabalhador o verdadeiro sentido da educação emancipadora. Nessa direção, a formação que, por fim conduziria à autonomia dos homens, precisa levar em conta as condições a que se encontram subordinadas a produção e a reprodução da vida humana em sociedade e na relação com a natureza. (Adorno, 1995, p. 19) Por sua vez, a caminhada que traça o trajeto à formação emancipatória dos trabalhadores não se encerra no processo educacional. Porém, este é o espaço dotado da capacidade de promover o entendimento sobre a realidade social e a necessidade de libertar os trabalhadores das adversidades por meio da mobilização social. Convido você a acessar a Biblioteca Virtual desta Unidade Temática, onde encontrará diversos artigos relevantes para aprofundar suas reflexões e auxiliar em seus projetos futuros. https://sgmdnute.sites.ufsc.br/setec-materiais/trabalho-educacao-2/biblioteca.html