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Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
1 
 
 
SABE – Sistema Aberto de Educação 
 
Av. Cel. José Alves, 256 - Vila Pinto 
Varginha - MG - 37010-540 
Tele: (35) 3219-5204 - Fax - (35) 3219-5223 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Instituição Credenciada pelo MEC – Portaria 4.385/05 
 
Centro Universitário do Sul de Minas - UNIS/MG 
Unidade de Gestão da Educação a Distância – GEaD 
 
Mantida pela 
Fundação de Ensino e Pesquisa do Sul de Minas - FEPESMIG 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Varginha/MG
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
2 
 
 
Todos os direitos desta edição reservados ao Sistema Aberto de Educação – SABE. 
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou parte do mesmo, sob 
qualquer meio, sem autorização expressa do SABE. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Revisão pelo Novo Acordo Ortográfico 
Da Língua Portuguesa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
658.8 
S586A SILVA, Marcelo Ribeiro. 
Guia de Estudo – Administração 
Mercadológica I. Marcelo Ribeiro Silva. 
Varginha: GEaD-UNIS/MG, 2009. 
121p. 
 
1. Comunicação. 2. Mercadologia. 3. Mix 
de Mercado. I. Título. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
3 
REITOR 
Prof. Ms. Stefano Barra Gazzola 
 
 
GESTOR 
Prof. Ms. Tomás Dias Sant’ Ana 
 
 
Supervisor Técnico 
Prof. Ms. Wanderson Gomes de Souza 
 
 
Coord. do Núcleo de Recursos Tecnológicos 
Profª. Simone de Paula Teodoro Moreira 
 
 
Coord. do Núcleo de Desenvolvimento Pedagógico 
Profª. Vera Lúcia Oliveira Pereira 
 
 
Coord. do Núcleo de Comunicação Relacionamento 
Prof. Ms. Renato de Brito 
 
 
Coord. do Núcleo de Comunicação Relacionamento 
Prof. Ms. Renato de Brito 
 
 
Revisão ortográfica / gramatical 
Profª. Ms. Silvana Prado 
 
 
Design/diagramação 
Prof. César dos Santos Pereira 
 
 
Equipe de Tecnologia Educacional 
Prof. Celso Augusto dos Santos Gomes 
Profª. Débora Cristina Francisco Barbosa 
Jacqueline Aparecida da Silva 
 
 
Autor 
MARCELO RIBEIRO SILVA 
Graduado em Administração pela FACECA - Faculdade Cenecista de Varginha - no ano de 2000. 
Especialista em Marketing e Gestão Estratégica de Negócios pela FACECA no ano de 2003. Mestre 
em Administração pela CNEC – Campanha Nacional de Escolas da Comunidade - no ano de 2006. 
Ministra aulas de Planejamento Estratégico na FACECA e coordena curso MBA Gestão Empresarial. 
Na UNINCOR - Universidade Vale do Rio Verde - ministra aulas de Administração Mercadológica, 
Gestão de Negócios e Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais. Já atuou em grandes 
multinacionais como Philips do Brasil, Kerry Do Brasil e Cooper Standard Automotive. 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
4 
TABELA DE ÍCONES 
 
 
 
REALIZE. Determina a existência de atividade a ser realizada. 
Este ícone indica que há um exercício, uma tarefa ou uma prática para 
ser realizada. Fique atento a ele. 
 
PESQUISE. Indica a exigência de pesquisa a ser realizada na busca 
por mais informação. 
 
PENSE. Indica que você deve refletir sobre o assunto abordado para 
responder a um questionamento. 
 
CONCLUSÃO. Todas as conclusões sejam de ideias, partes ou 
unidades do curso virão precedidas desse ícone. 
 
IMPORTANTE. Aponta uma observação significativa. Pode ser 
encarado como um sinal de alerta que o orienta para prestar atenção à 
informação indicada. 
 
HIPERLINK. Indica um link (ligação), seja ele para outra página do 
módulo impresso ou endereço de Internet. 
 
EXEMPLO. Esse ícone será usado sempre que houver necessidade de 
exemplificar um caso, uma situação ou conceito que está sendo 
descrito ou estudado. 
 
SUGESTÃO DE LEITURA. Indica textos de referência utilizados no 
curso e também faz sugestões para leitura complementar. 
 
APLICAÇÃO PROFISSIONAL. Indica uma aplicação prática de uso 
profissional ligada ao que está sendo estudado. 
 
CHECKLIST ou PROCEDIMENTO. Indica um conjunto de ações para 
fins de verificação de uma rotina ou um procedimento (passo a passo) 
para a realização de uma tarefa. 
 
SAIBA MAIS. Apresenta informações adicionais sobre o tema 
abordado de forma a possibilitar a obtenção de novas informações ao 
que já foi referenciado. 
 
REVENDO. Indica a necessidade de reverA distribuição envolve toda a atividade que visa conduzir 
fisicamente o produto do fabricante até o consumidor final. É necessário criar e 
utilizar os canais de distribuição que definem o caminho que o produto irá percorrer 
até o seu destino final. 
 
“Os consumidores, hoje, conseguem comprar uma variedade maior de mercadorias 
a partir da sua própria casa, em vez de tirar o carro da garagem, enfrentar trânsito, 
dificuldades com estacionamento e filas nas lojas” (Kotler, 2000). As pessoas se 
veem com menos tempo disponível e mais facilidade em adquirir esses bens de 
consumo. As compras feitas em lojas “têm crescido apenas 2% ao ano, ao passo 
que alguns canais voltados para compras em casa estão crescendo em um índice 
de dois dígitos”. (Kotler, 2000). 
 
A escolha da praça e/ou região de atuação de um produto muitas vezes é 
determinante para o sucesso de vendas. De nada adianta definir corretamente um 
produto se o mesmo não é exposto de forma adequada. 
 
• Estratégias de Promoção 
 
Trata-se do elemento do composto de Marketing responsável pela comunicação, 
também denominado composto promocional, onde se misturam e se confundem as 
ferramentas de divulgação do produto. 
 
 
 
 
 
 
 
“A propaganda é a ferramenta mais poderosa para promover a 
conscientização das pessoas sobre uma empresa, um produto, um 
serviço ou uma ideia” (Kotler, 2000). 
 
A propaganda é considerada o maior estímulo para criar a demanda de um produto 
através dos meios de comunicação. Essa estratégia é muito utilizada, pois coloca o 
objeto a ser promovido, em todos os lugares, chegando às casas através da 
televisão, rádio, Internet ou nas ruas através de outdoor, painéis e outros. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
36 
 
 
 
 
 
“Os anúncios trabalham mais a mente das pessoas que com seu 
comportamento - esse é o território da promoção de vendas” (Kotler, 
2000). 
 
• A promoção de vendas 
 
Consiste num conjunto diversificado de ferramentas de incentivo de curto prazo que 
visa estimular a comercialização de um produto ou serviço. É o elo de comunicação 
entre vendedores e compradores. Trata-se de uma estratégia que estimula os 
consumidores a testarem produtos até então desconhecidos por eles passando a 
atrair novos clientes, antes fiéis a uma marca concorrente. Comparada com a 
propaganda, a promoção de vendas tem uma grande vantagem que é a provocação 
de uma reação mais imediata. 
 
Para manter-se no mercado em condições favoráveis de concorrência é importante 
também intensificar o trabalho de relações públicas dentro de uma empresa, afinal 
“Relações Públicas envolve uma variedade de programas destinados a promover a 
imagem da empresa ou seus produtos” (Kotler, 1998). É responsável pela fixação da 
imagem institucional e para melhorar o relacionamento com os diversos públicos-
alvos. 
 
Os departamentos de Relações Públicas precisam alimentar com informações 
precisas e atraentes uma rede de comunicação. Esses profissionais necessitam 
comunicar-se com seu público interno e os seus diferentes públicos externos para 
deixá-los informados do que está acontecendo na organização. 
 
 
 
 
 
 
 “Alguns especialistas afirmam que a probabilidade de os 
consumidores serem mais influenciados pelo texto editorial é cinco 
vezes maior do que pela propaganda” (Kotler, 1998). 
 
 
Os 4P´s, além de todas as outras características pertinentes a cada um deles, 
devem ser considerados não de forma isolada, mas complementando-se para 
obterem resultados cada vez mais satisfatórios. 
 
É necessário que haja uma integração de suas comunicações de marketing para se 
obter um resultado positivo e muito mais eficiência no que se pretende comunicar. 
Quando isso não acontece, pode-se dizer que não existe comunicação integrada de 
Marketing. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mix de Marketing / Composto Mercadológico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
38 
3. SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE MARKETING - SIM 
 
 
Para que o planejamento de Marketing seja bem executado, é necessário que tenha 
uma base sólida, ou seja, que tenha todas as informações a respeito dos desejos e 
necessidades dos consumidores, ações dos concorrentes, evolução do mercado, 
dos recursos disponíveis da empresa, da evolução das vendas e lucros da empresa, 
entre outros. 
 
Só conseguiremos escolher a alternativa mais conveniente se avaliarmos 
corretamente os riscos e consequências de tantas alternativas que iremos obter a 
partir do máximo de informações que pudermos obter. Podemos ter informações de 
qualidade, mas não é o suficiente, temos que saber usá-la e interpretá-la 
corretamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 “Um Sistema de Informação de Marketing consiste de pessoas, 
equipamentos e procedimentos para coletar, selecionar, analisar, 
avaliar e distribuir informações de Marketing que sejam necessárias, 
oportunas e precisas para os tomadores de decisões em Marketing.” 
(Kotler, 1998:111) 
 
 
Então, o que Kotler quis dizer foi que são coletados dados de vendedores, do 
financeiro, de pesquisas de mercado, das máquinas destinadas a gerar informações 
diversas no menor tempo possível para o tomador de decisões saber separar as 
úteis das inúteis conseguindo melhores desempenhos para a empresa. 
 
A necessidade e o uso de um Sistema de Informação de Marketing estão crescendo 
muito devido, principalmente, à concorrência não do preço e sim da qualidade e 
serviços, da mudança de necessidade para desejo do consumidor e para as 
informações não se perderem pela empresa. Então, depois de vários estudos, este 
sistema chegou a uma subdivisão: 
 
• Sistema de Registros Internos 
• Sistema de Inteligência de Marketing 
• Sistema de Pesquisa de Marketing 
• Sistema de Apoio de Decisão de Marketing 
 
3.1 Sistema de Registros Internos 
 
É o sistema de informação mais básico, são informações recebidas de pedidos, 
vendas, pagamentos, recebimentos, estoque, etc. Onde sua maior importância é 
entre o pedido e a entrega, ou seja, se o cliente recebeu o que foi pedido, com 
agilidade e preço compatível com o concorrente. Os clientes optam pelas empresas 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
39 
que podem entregar a mercadoria o mais rápido possível. Tem casos que os 
vendedores emitem o pedido imediatamente para poder sair na frente do 
concorrente. 
 
Essas informações devem chegar às mãos dos administradores com a máxima 
agilidade para dar tempo da tomada de decisões, pelo contrário se tornarão 
informações inúteis que só irão atrapalhar ao invés de ajudar. Para se evitar esses 
problemas, o SIM deve ser a junção do que os administradores pensam que 
necessitam, o que eles realmente necessitam e o que é economicamente viável. 
 
Como exemplo, temos a Wal-Mart que tem um sistema totalmente computadorizado 
controlando o nível de estoque, quando ele cai em alguma loja, o computador avisa 
ao fornecedor que já emite a nota e despacha direto para a loja. 
 
Com a evolução da tecnologia, os vendedores trabalham com laptops, que ajudam 
no fechamento de um negócio podendo consultar do próprio cliente os preços 
atualizados, descontos e prazo de entrega. Além disso, transmitem o envio de 
relatórios diários para a empresa possibilitando o feedback imediato. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Entreviste o gerente comercial ou gerente geral da empresa em que 
você atua profissionalmente ou, caso não esteja ainda inserido no 
mercado de trabalho, escolha um empresa que lhe dê abertura e 
pergunte ao gerente como a empresa faz uso de seu Sistema de 
Informação Interno para agir estrategicamente no mercado atuante. 
 
Elabore no mínimo cinco questões antes da entrevista. Tente absorver 
o máximo de informações possíveis e faça um resumo daquilo que 
você achou importante. 
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Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
40 
3.2 Sistemas de Inteligência de Marketing 
 
É a maneira com que os executivos das empresas se informam sobre as 
modificações do ambiente de Marketing. São os dados que estão acontecendo, 
ações que não param de acontecer e eles precisam estar sempre informados. 
 
 
 
 
 
Os administradores costumam se informar através de livros, revistas, 
jornais, conversando com fornecedores, distribuidores, etc.; mas não 
podem ser conversas informais porque as informações terminam se 
extraviando. 
 
Seus agentes de inteligência mais importante são os vendedores porque estão na 
linha de frente buscando novos desenvolvimentos quando sabem transmitir as 
informações importantes, pois podem terminar deixando de informar a seus gerentes 
dados fundamentais para a empresa por serem muito ocupados e não verem 
importância nisto. 
 
As empresas também podem motivar seus distribuidores para lhe mandarem cópias 
das notas de cada cliente para a empresa saber o perfil e preferências de seus 
clientes. Muitas vezes elas contratam empresas que vão às lojas disfarçados de 
clientes para fazer um levantamento do motivo da alta ou queda das vendas, se 
seus funcionários estão aptos à função. Daí emitem relatórios para cada gerente de 
seus desempenhos, geralmente os melhores resultados estão nas lojas que vendem 
mais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
41 
4. PESQUISA DE MARKETING 
 
 
É o planejamento, a coleta, a análise e a apresentação de dados que é feita através 
da necessidade que o executivo tem de desvendar problemas e oportunidades 
relacionados com o mercado. 
 
Enquanto as grandes empresas têm seu próprio departamento de pesquisa de 
Marketing, as pequenas empresas podem fazer pesquisa de maneira criativa e 
viável como contratar estudantes universitários ou até mesmo com visita aos 
concorrentes feita pelo proprietário. 
 
A pesquisa de Marketing será eficaz se os procedimentos adotados forem 
rigorosamente cumpridos etapa por etapa, são eles: 
 
4.1 Definição do público-alvo e do objetivo geral da pesquisa 
 
O que é e como fazer? 
 
 Tem como propósito identificação do público-alvo para quem a pesquisa deverá ser 
aplicada e definir seus objetivos para estabelecer o que você pretende alcançar. 
Já a definição dos objetivos é um processo no qual se estabelece o que se pretende 
alcançar com a realização da pesquisa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A pesquisa deve partir de uma real necessidade de informação, 
de uma situação onde há dúvidas a serem respondidas. Nada 
melhor para medir o grau de satisfação do cliente do que a 
pesquisa de mercado - demonstra uma preocupação com a 
qualidade do serviço e serve para manter a fidelidade do cliente. 
 
 
Clientes Potenciais 
 
Objetivo Principal: Conhecer os clientes e suas preferências de maneira a adotar 
ações eficazes para atraí-los até seu estabelecimento. Eles garantem a compra, a 
satisfação e fidelidade. 
 
Objetivos Secundários 
 
Identificar os clientes que frequentam seu estabelecimento: 
 
⇒ Sexo ; Idade 
⇒ Estado Civil 
⇒ Local em que reside 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
42 
⇒ Renda; Profissão 
⇒ Identificar os Hábitos de Consumo 
⇒ Produtos Consumidos 
⇒ Frequência das Compras 
⇒ Interesses por lançamentos 
⇒ Volume das compras 
⇒ Identificar Variáveis que Motivam a Compra 
⇒ Produtos (variedade, qualidade, disponibilidade); 
⇒ Preços (preços, formas de pagamento, descontos); 
⇒ Estrutura (limpeza, prateleiras, iluminação, sinalização, disposição dos 
produtos, fachada, vitrine); 
⇒ Formas de divulgação (mídia utilizada, frequência). 
 
• Definição da Coleta de Dados 
 
Dados Secundários 
A pesquisa de dados secundários diz respeito à coleta de dados já existentes em 
diversas fontes, como sites na internet, jornais, revistas, associações de classe, 
entre outras. Pode ser dividida em: pesquisa de dados secundários internos e 
pesquisa de dados secundários externos. 
 
Dados Secundários Interno 
Uma pesquisa possui importantes informações que, se reunidas, relacionadas e bem 
utilizadas podem virar instrumentos para tomada de decisões. Um bom exemplo de 
uma pesquisa com dados secundários interno é a extração de informações do 
próprio sistema de gestão da empresa. 
 
Dados Secundários Externo 
São dados que podem ser encontrados em diversas fontes externos. Estes dados 
estão prontos, tabulados e podem ser de extrema utilidade para o administrador: 
 
 
 
 
 
 
 
Site do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
43 
Vantagens e Limitações dos Dados Secundários Externos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É preferível o acesso a dados secundários como primeira opção, 
pois podem ser obtidos mais rapidamente e a um custo menor do 
que pela coleta de dados primários. 
 
 
4.2 Pesquisa Qualitativa 
 
A pesquisa do tipo qualitativa é caracterizada pela observação do comportamento do 
consumidor em relação a determinado tipo de produto ou serviço que a empresa 
oferece. O administrador de marketing terá que ter a capacidade de mensurar 
aspectos subjetivos do consumidor e não objetivos. 
 
Não existe como mensurar com precisão os resultados das pesquisas qualitativas. 
Mas elas dão uma ideia daquilo que o administrador pretende estrategicamente ao 
oferecer produtos e serviços no mercado. 
 
Algumas pesquisas qualitativas usualmente utilizadas em marketing são: 
 
• Grupos de Discussão; 
• Cliente Oculto; 
• Teste Clínico; 
• Observação; 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
44 
Grupos de Discussão: 
 
Formam-se grupos de 8 a 10 pessoas que passam cerca de uma hora e meia 
discutindo detalhadamente determinados assuntos. Essa discussão é feita com a 
presença de um mediador que coordena as atividades de grupo. O objetivo é 
compreender o que as pessoas têm a dizer e por quê. 
 
Esse tipo de pesquisa geralmente é usado para analisar o uso do produto, hábitos 
de compra, experiências com garantia e com novos produtos. 
 
Cliente Oculto 
 
Usado para coletar dados sobre a sua empresa e a de seus concorrentes, 
permitindo uma análise comparativa com o objetivo de propor ações de melhoria 
para o seu negócio. 
No cliente oculto, o entrevistador que se faz passar pelo cliente dispõe e um 
formulário de orientação com os tópicos que ele terá que avaliar. 
 
Teste Clínico 
 
Trata-se de uma entrevista com o consumidor após ele ter experimentado ou 
degustado um produto ou serviço. Os testes podem ser realizados dentro da própria 
loja ou em locais específicos (feiras, por exemplo). 
 
O objetivo é testar características do produto ou serviço, a partir de uma avaliação 
da reação imediata do consumidor. Esse tipo de pesquisa é muito utilizada em 
lançamento de produtos. 
 
Observação 
 
A técnica de observação possibilita o levantamento de aspectos importantes, 
principalmente àqueles relacionados ao comportamento do público. É uma pesquisa 
realizada em pontos de vendas e serve para verificar a relação cliente-vendedor. 
O objetivo é para medir o tempo de duração da venda, para ouvir perguntas e 
reclamações dos clientes e descobrir quem influenciao processo de compra. 
 
4.3 Pesquisa Quantitativa 
 
A pesquisa quantitativa é um método de pesquisa que trabalha com indicadores 
numéricos e segue critérios estatísticos. 
 
Definição do Meio de Aplicação de Pesquisa 
 
O meio de aplicação de uma pesquisa corresponde à forma pela qual se vai aplicar 
um questionário. Existem diversas maneiras de aplicação: 
• Entrevistas Pessoais; Correspondência; Telefone; E-mail; 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
45 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Entrevistas Pessoais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Correspondência 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
46 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Telefone 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
E-mail 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
47 
Definição da Amostra 
 
A amostra significa um extrato de uma população. Ficaria muito dispendioso às 
empresas realizarem censos. O censo consiste em entrevistar 100% de um público-
alvo, enquanto a amostra ou amostragem é caracterizada pela extração de uma 
parcela pequena, mas relevante dessa população. 
 
Tabela Determinante do Tamanho da Amostra 
 
A tabela a seguir indica três níveis de erro amostral: 3%; 5% e 10%. Cada um deles 
está subdividido em split diferentes. O split na tabela de amostragem demonstra o 
nível de variação das respostas na pesquisa, isto é, o grau de homogeneidade da 
população. (50/50 = Heterogêneo), 80/20 = Homogêneo). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela do Erro Amostral 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Instrumento de Pesquisa 
 
São Formulários utilizados na sua aplicação com o objetivo de ajudá-lo a levantar 
informações válidas e úteis: 
 
1. Questionário; 
2. Roteiro de Avaliação; 
3. Formulário de Avaliação 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
48 
• Questionário 
 
Utilizado em pesquisas quantitativas é um documento que traz de forma estruturada, 
um conjunto de perguntas claras e objetivas a serem feitas ao entrevistado. 
 
Determinação das Informações 
 
O mais importante é determinar quais as informações serão necessárias para sua 
pesquisa, ou seja, os objetivos da pesquisa. 
 
Atributos a um bom questionário de Pesquisa 
 
• Mais perguntas fechadas que abertas; 
• Toma menor tempo possível do entrevistado; 
• Atende aos objetivos da pesquisa. 
 
Tempo de Entrevista 
 
O tempo de entrevista não deve passar de hipótese alguma a 10 minutos. Um bom 
questionário de pesquisa é aquele que toma em média 05 minutos do entrevistado. 
 
Redação das Perguntas e das Alternativas de Respostas 
 
• Precisa ser clara, simples e objetiva; 
• Perguntas curtas de fácil entendimento; 
• Forneça instruções para os entrevistados; 
• Selecione perguntas que evitem distorções; 
• Tome cuidado com respostas óbvias e induzidas a partir de questões 
abrangentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“O Sr. Faz compras em lojas como a nossa?” 
 
Considere as habilidades dos entrevistados em responder as 
perguntas: 
 
“Quantos filmes o Sr. Alugou nos últimos 12 meses” 
 
Nesse caso, limite perguntas a um passado próximo: “Que quantidade 
de filmes o Sr. Aluga por mês?” 
 
 
 
• Evite termos técnicos e palavras em outros idiomas; 
• Não obrigue o entrevistado a fazer cálculos; 
• Comece o questionário com perguntas que capte o entrevistado; 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
49 
• Em caso de perguntas embaraçosas, faça-as na terceira pessoa: “O Sr. 
Acredita que os idosos estão mais conscientes da importância de se fazer 
exames de próstata?” 
• É sempre melhor perguntar o que o entrevistado faz do que o que ele pensa. 
Se você pretende, por exemplo, montar uma empresa de roupas esportivas, é 
necessário descobrir se os entrevistados praticam algum esporte (ação) e não 
se gostam de esporte (pois podem gostar e não terem o hábito de praticar). 
• Insira estímulos: quando o interesse do entrevistado estiver diminuído, pode-
se utilizar: “Só restam apenas algumas questões para terminar”. 
• Faça perguntas mais gerais no início e criteriosas no meio do questionário; 
• Deixe para o final as perguntas que possam causar constrangimento no 
entrevistado. Algumas perguntas embaraçosas, como idade, podem ser 
minimizadas a partir de uma tabela de graduação (menor que 21; de 21 a 30; 
de 31 a 40; de 41 a 50; de 51 a 60; acima de 60). 
• Utilize no seu questionário de pesquisas a região domiciliar de cada 
entrevistado. 
• Observe a sequência lógica das questões, facilitando a resposta do 
entrevistado; 
 
Avaliação do Questionário 
 
Nessa fase, os seguintes itens devem ser levados em consideração: 
 
• Se as perguntas são necessárias para cumprir os objetivos da pesquisa; 
• O questionário é longo demais; 
• Se há espaço suficiente para as respostas nas perguntas abertas; 
• Cuide do visual do questionário; 
• Avalie o tempo médio que o entrevistado irá gastar respondendo; 
• Utilize uma escala de valores do tipo Likert; 
• Faça um “Pré-teste”; 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pesquisando o Concorrente 
 
Conforme modelo de questionário a seguir, estabeleça uma 
pesquisa de marketing, tentando descobrir o grau de satisfação 
de clientes em um determinado supermercado. 
 
Procure este estabelecimento varejista próximo à sua residência 
e, agindo como um “Cliente Oculto”, analise os vários aspectos, 
conforme os passos do questionário abaixo. 
 
Depois faça a tabulação do questionário, conforme aquilo que 
você visualizou. 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
50 
 
Formulário de Avaliação da Concorrência (Cliente Oculto) 
 
Público-Alvo: Concorrentes 
Pesquisa: Qualitativa 
Meio / Técnica de Aplicação: Cliente Oculto – Visita a concorrentes 
Tamanho da Amostra: 04 concorrentes 
 
Informações Necessárias (Objetivos Secundários): 
 
• Identificar os principais concorrentes; 
• Analisar seus produtos e serviços; 
• Analisar seus processos de produção (prestação de serviços); 
• Analisar suas ações de divulgação; 
• Analisar seu pessoal de vendas (atendimento); 
• Analisar sua estrutura. 
 
Nome do supermercado: ___________________________________________________ 
Data da pesquisa: ______________ Endereço: ____________________________ 
 
Horário que entrou na loja: ______________ Horário que saiu da loja: __________ 
 
Atendimento: (seção de frios: queijo, presunto, azeitonas etc.) 
Tempo em que o atendente permaneceu com o cliente oculto: ______Minutos 
 
1 2 3 4 Cumprimentou o cliente com sorriso 
1 2 3 4 Se prontificou em ajudá-lo 
1 2 3 4 Fez no mínimo uma pergunta adicional para ajudar o cliente 
1 2 3 4 Mostrou ao cliente alternativas de produtos (substitutos) 
1 2 3 4 Mostrou ao cliente produtos adicionais 
1 2 3 4 Foi cortês até o fim 
1 2 3 4 Tinha boa aparência 
 
Comentários: 
____________________________________________________________________________________ 
 
Atendimento: (seção de carnes: bovinos, aves, suínos etc.) 
Tempo em que o atendente permaneceu com o cliente oculto: ______Minutos 
 
1 2 3 4 Cumprimentou o cliente com sorriso 
1 2 3 4 Se prontificou em ajudá-lo 
1 2 3 4 Fez no mínimo uma pergunta adicional para ajudar o cliente 
1 2 3 4 Mostrou ao cliente alternativas de produtos (substitutos) 
1 2 3 4 Mostrou ao cliente produtos adicionais 
1 2 3 4 Foi cortês até o fim 
1 2 3 4 Tinha boa aparência 
 
Comentários: 
____________________________________________________________________________________ 
 
Atendimento: (padaria) 
Tempo em que o atendente permaneceu na fila: ______Minutos 
 
1 2 3 4 Cumprimentou o cliente com sorriso 
1 2 3 4 Se prontificou em ajudá-lo 
1 2 3 4 Fez no mínimo uma pergunta adicional para ajudar o cliente 
1 2 3 4 Mostrou ao cliente alternativas de produtos (substitutos) 
1 2 3 4 Mostrou ao cliente produtos adicionais 
1 2 3 4 Foi cortês até o fim 
1 2 3 4 Tinha boa aparência 
 
Comentários: ______________________________________________________________________________Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
51 
Atendimento: (caixa) 
Tempo em que o atendente permaneceu na fila: ______Minutos 
 
1 2 3 4 Cumprimentou o cliente com sorriso 
1 2 3 4 Havia quem colocasse os produtos nas sacolas 
1 2 3 4 Fez no mínimo uma pergunta adicional para ajudar o cliente 
1 2 3 4 Foi cortês até o fim 
1 2 3 4 Tinha boa aparência 
1 2 3 4 Espera na fila 
 
Comentários: 
____________________________________________________________________________________ 
 
Produtos e Serviços 
 
1 2 3 4 Variedade de produtos (muitas marcas, diversidade de produtos) 
1 2 3 4 Qualidade dos produtos (as principais marcas estão presentes) 
1 2 3 4 Possui estacionamento próprio / fácil para estacionar 
1 2 3 4 Oferece caixa-eletrônico de banco (ex. Bradesco, BB, Itaú) 
1 2 3 4 Possui banheiros e bebedouros 
1 2 3 4 Oferece caixas-rápidos para pouco volume de compra 
1 2 3 4 Oferece serviços especiais para gestantes, idosos e crianças. 
 
Serviços adicionais (banheiro, bebedouro, financeiras, bancos, caixas rápidos etc) 
 
Comentários: 
____________________________________________________________________________________ 
 
Preço 
 
1 2 3 4 Trabalham com cartões de crédito e débito 
1 2 3 4 Trabalham com cheques 
1 2 3 4 Preço competitivo 
1 2 3 4 Existência de promoções e descontos 
1 2 3 4 Divide as compras em parcelas 
1 2 3 4 Oferece cartão de crédito institucional 
 
Comentários: 
____________________________________________________________________________________ 
 
Praça 
 
1 2 3 4 O supermercado dispõe de boa apresentação (interna e externa) 
1 2 3 4 Apresentação dos produtos (organização, corredores largos, etc) 
1 2 3 4 Os carrinhos de compras são novos, confortáveis e em abundância 
1 2 3 4 Possui fachada atrativa 
1 2 3 4 Possui boa iluminação 
1 2 3 4 Possui boa localização 
1 2 3 4 Faz entregas 
 
Comentários: 
____________________________________________________________________________________ 
 
Promoção 
 
1 2 3 4 Degustação 
1 2 3 4 Jornal de promoções 
1 2 3 4 Promove campanhas de divulgação 
1 2 3 4 Utiliza a mídia para divulgação 
1 2 3 4 As promotoras de vendas são cordiais 
 
Comentários: _______________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
52 
5. SEGMENTAÇÃO E POSICIONAMENTO 
 
 
5.1 Dividir para conquistar 
 
O Ford T foi o primeiro automóvel produzido em série, tendo sido construído, 
durante 19 anos (de 1908 a 1927), cerca de 15 milhões de unidades que permitiram 
motorizar os Estados Unidos. 
 
Na época, as pessoas enfrentavam dificuldades com todos os meios de transporte 
disponíveis – manter um cavalo, o custo de uma carroça, os altos preços dos trens, 
navios e, principalmente, aviões. 
 
Por isso, a possibilidade de comprar um carro, que por cerca de US$ 3.000 abria as 
portas para o deslocamento e transporte fácil e barato em um raio de algumas 
centenas de quilômetros, era maravilhosa. 
 
A única opção disponível e acessível ao bolso popular era o modelo que vimos, e 
somente na cor preta. Quem quisesse outro modelo deveria encomendá-lo em uma 
oficina especializada, que o faria sob medida e entregaria após alguns meses, desde 
que pagasse algo em torno de pelo menos US$ 500.000. 
 
Mas as pessoas aprendem, acostumam-se às novidades, e a opinião sobre aquilo 
que elas consideravam ótimo em um primeiro momento muda com o passar do 
tempo, a experiência do dia-a-dia e as novas expectativas. E esses mesmos 
consumidores já estavam achando problemas e defeitos, desejando mais opções 
que permitissem novos usos e que atendessem a novas necessidades que estavam 
sendo estimuladas. 
 
O Ford T já não era mais visto como a “solução de todos os problemas” e, então, 
outros modelos foram surgindo no mundo para sanar os desejos e as necessidades 
dos consumidores. 
 
Esse exemplo que citamos utilizando o segmento automobilístico também pode ser 
levado aos outros segmentos comerciais. 
 
Até o começo da década de 1990 essa realidade era sentida fortemente na 
economia brasileira, centrada em uma oferta limitada de produtos e serviços. As 
grandes indústrias ofereciam opções engessadas, baseadas nas suas próprias 
percepções de necessidades, e os consumidores não tinham o poder de escolha. 
 
Mas a abertura econômica ocorrida principalmente no início do governo Collor 
obrigou as empresas aqui instaladas a começar a se preocupar com conceitos de 
segmentação, posicionamento, manutenção e clientes. Quando o mercado aprende 
a consumir de forma mais sofisticada, ele tende a fragmentar-se, surgindo 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
53 
oportunidades para os que souberem atender melhor às necessidades específicas 
desses novos segmentos. 
 
5.2 A nova regra era: mudar ou morrer. 
 
Conhecer o comportamento de seu público-alvo e traçar estratégias para saber 
quem são e onde estão os seus potenciais clientes passam a ser preocupações 
constantes de toda e qualquer empresa com o objetivo de sobreviver e crescer no 
mercado. 
 
Portanto, segmentar não é meramente uma questão de escolha e, sim, condição 
básica para se manter vivo no mercado nesta configuração tão competitiva do 
ambiente. Devemos seguir o novo mandamento estratégico – “Dividir para 
conquistar”. Ao focarmos em um grupo específico de pessoas semelhantes, nos 
tornamos especialistas nelas e em suas necessidades, focando nossos esforços e 
recursos com maior eficiência, e aos poucos nos tornamos aqueles que melhor os 
conhecem. 
 
O nível de competição acirrada obriga as empresas não somente a identificar seus 
possíveis clientes, como também saber onde se encontram geograficamente, 
conhecer seus hábitos e costumes, já que a questão mais desafiadora do momento 
atual passa a ser saber atrair aqueles que no futuro permitirão uma frequência de 
compra ideal dentro do seu estabelecimento. 
 
Segmentar um mercado é identificar aquelas pessoas que mantêm a sua marca viva 
e o seu negócio funcionando. E um dos maiores objetivos da segmentação de 
mercado é prover informações para que o administrador de marketing possa 
administrar o marketing mix de seu negócio eficazmente. 
 
Comprar um automóvel na década de 80 no Brasil significava escolher um modelo 
da GM, FORD, VW ou da FIAT. Hoje os consumidores têm a sua disposição, 
automóveis da CHRYSLER, TOYOTA, HONDA, NISSAN, MITSUBISHI, RENAULT, 
PEUGEOT, BMW, MERCEDES, HIUNDAI, KIA, VOLVO e AUDI, entre várias outras 
marcas. Existiam cerca de 140 modelos de veículos motorizados no começo dos 
anos 70, no mundo. Hoje encontramos mais de 260. 
 
Verifica-se uma crescente concorrência, até mesmo em um mercado tão rarefeito 
quanto àquele das Ferraris esportivas de 300 mil dólares. Você pode optar por uma 
LAMBORGHINI, pelo novo BENTLEY, pelo ASTON MARTIN ou pela nova 
MERCEDES série E. Mas será que um determinado consumidor considera 
equivalentes uma Ferrari e um Bentley, por exemplo? 
 
E a variedade de pneus para esses carros aumentou ainda mais. Antigamente se 
escolhia entre pneus GOODYEAR, FIRESTONE, GENERAL ou SEARS. Hoje, além 
desses, você também pode optar pelos pneus BRIGESTONE, CORDEVAN, 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
54 
MICHELIN, COOPER, DAYTON, KELLY, BUNLOP, MULT-MILE, PIRELLI, 
ARMSTRONG, SENTRY e UNIROYAL, entre outras marcas. 
 
A grande diferença é que aquele que costumava ser um mercado nacional, com as 
empresas locais concorrendo pelos negócios, converteu-se em um mercado global, 
onde todos competem, em toda parte, pelos negócios de todo o mundo. Ser 
diferente significa oferecer um pacote de alto valor percebido pelo seu público-alvo 
específico. Os seus clientes só vão comprar de você e não dos seus concorrentes 
se você conseguir fazê-los enxergar esse valor nos seus produtos. 
 
Essa diferença pode estar na embalagem do produto, na forma como ele é 
divulgado, nas alternativas de consumo, no valor da sua marca ou na combinação 
desses e outros fatores. Segmentar o mercado é identificaronde estão as pessoas 
que tenham hábitos e costumes similares que possam ser atendidos pelos seus 
produtos e serviços. Segmentar o mercado não basta, é preciso posicionar o seu 
produto, a sua marca, para que o seu público segmentado capte a mensagem e se 
identifique com o propósito do seu negócio. 
 
Posicionar é mostrar para o cliente o que é o produto, qual o seu benefício e quais 
suas vantagens em comparação aos concorrentes para que ele seja convencido e 
crie uma imagem favorável. Posicionar é criar a imagem comparativa desejada junto 
ao consumidor. Segmentar e posicionar são duas atividades estratégicas de 
marketing que estabelecem a base para o resto do processo. 
 
Selecionamos o segmento mais atrativo e o convencemos de que somos a melhor 
opção para ele. Assim, sempre que ele precisar de um produto que satisfaça a uma 
necessidade específica, ele vai se lembrar de nós como a melhor alternativa, o que 
torna mais provável que ele decida comprar de nós. 
 
5.3 Por Que Segmentar o Mercado 
 
Uma das histórias mais antigas e comumente contadas sobre a necessidade de 
segmentação de mercado envolve o início da indústria automobilística, já 
mencionada anteriormente. Focalizando as necessidades de produção em massa, 
Henry Ford desenvolveu o modelo T como um carro destinado a satisfazer a todos. 
Ford disse: “Eles podem tê-lo em qualquer cor, desde que seja preto”. 
 
Mais tarde, ao contrário dele, Sloan Jr., da General Motors, fez os engenheiros 
criarem vários modelos, cada um projetado para satisfazer às necessidades e 
gostos de um grupo diferente de clientes. Essa estratégia ajudou a GM a se tornar a 
maior empresa do mundo. Na década de 1920, a GM ultrapassou a Ford em 
participação de mercado e esta nunca mais recuperou a liderança. 
 
Como Sloan Jr, os administradores de marketing devem reconhecer que um único 
produto de marketing raramente é adequado para atender às necessidades e 
desejos de todo o mercado. Servir apenas a uma parte do mercado é muito mais 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
55 
eficaz, já que permite à empresa especializar-se em atender a essa determinada 
parcela da população com maior competência. 
 
Diferentes percepções levarão a diferentes decisões na escolha e consumo, em 
conjunto com outras variáveis como poder aquisitivo, cultura etc. É por isso, então, 
que existem diversas empresas no mercado que vendem produtos para parcelas da 
população com gostos e poder de compra muito diferentes, necessitando de 
diferentes estratégias para atingi-las. 
 
A seguir, as estratégias utilizadas por algumas empresas do ramo de móveis, que 
atendem a populações diferentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Casas Bahia 
 
Lojas como essas são conhecidas por serem grandes varejistas de 
móveis populares. As estratégias de marketing usadas são claramente 
direcionadas a atingir um público com uma alta sensibilidade a preços 
e orçamento limitado. O composto de preço, dentro do marketing mix, 
é administrado com o objetivo direto de facilitar o acesso deste 
segmento de mercado aos produtos vendidos. A comunicação maciça 
em rede nacional de TV tem o objetivo de atingir o maior número de 
lares possíveis para que seu diferencial seja conhecido e aceito. 
 
 
Site: http://www.casasbahia.com.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Shopping D&D 
 
Este shopping abriga um conjunto de lojas de móveis e outros 
produtos voltados para segmentos bem opostos. A estratégia de 
marketing de comunicação massiva não faz sentido para esse público, 
disposto a pagar muito mais por diferenciação e sofisticação. Sua 
comunicação, mensagens e mídias são mais sofisticadas e focadas. 
 
 
Site: http://www.dedshopping.com.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
56 
 
 
 
 
 
 
 
 
Artefacto 
 
Lojas como essas comercializam móveis feitos por designers. 
Exclusividade, ao contrário de preço, é o que mais pesa. A 
propaganda de massa em rede nacional de TV seria um desperdício, 
pois o seu público é bastante específico e em quantidade bem menor. 
Uma estratégia de mala direta e a participação em exposições de 
decoração, bem como o patrocínio de eventos com a participação de 
famosos arquitetos, são estratégias que devem surtir mais efeito e 
podem ser mensuradas pela loja. 
 
Site: http://www.artefacto.com.br 
 
 
Esses são alguns exemplos de segmentação de mercado. Na verdade estamos 
falando do segmento-alvo que a empresa deseja atingir, e para isso deve estudar os 
seus hábitos, gostos, classe social etc. e desenvolver estratégias de marketing 
direcionadas para isso. 
 
5.4 Como segmentar o mercado 
 
Para segmentar o mercado, a primeira coisa é ter em mente, com precisão, o 
objetivo do seu negócio, suas características e os benefícios do seu produto ou 
serviço para seus potenciais clientes. 
 
Vamos partir de um exemplo prático para entender melhor este tópico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagine que você tenha tido uma ideia inovadora e decidiu abrir o seu 
próprio negócio: montar um lava - rápido que atende em domicílio. 
Para começar, você contrata duas pessoas, compra uma máquina 
wap, começa a oferecer os seus serviços a quem possa interessar e 
também faz um anúncio nas páginas dos classificados dos principais 
jornais da região. 
 
Passado algum tempo, você percebe que os negócios não vão indo 
muito bem, apesar da ideia ter sido bem aceita pelas pessoas que 
utilizaram o seu serviço. Avaliando melhor a situação, você percebe 
que a concorrência é o seu maior problema. Postos de gasolina, lava - 
rápidos convencionais de bairro e até pessoas que fazem um “bico” 
nos finais de semana, além da objeção dos condôminos que não 
utilizam seus serviços e ficam descontentes em ver a sua empresa 
gastar água do seu edifício para lavar carros de alguns poucos. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
57 
Qual seria então, a saída para o seu negócio seguir em frente com 
sucesso? 
A saída estratégica para aumentar sua competitividade é a 
segmentação do mercado, identificando os de maior potencial, e a 
especialização em um nicho ou segmento. Vamos ver a seguir como 
isso pode ser feito. 
 
Vamos imaginar, por exemplo, que o seu lava - rápido só irá funcionar 
em domicílio corporativo. Isso mesmo: você oferecerá conveniência e 
praticidade a funcionários de empresas que não têm tempo de sair do 
escritório para lavar seu carro e não gostariam de gastar tempo com 
isso nos finais de semana. Agora você descobriu um segmento de 
mercado a ser explorado. 
 
O próximo passo é selecionar quais empresas você vai prospectar. 
Parece simples responder a essa pergunta, mas ela exige um 
conhecimento prévio dos seus recursos e da sua localização, entre 
outros fatores. Se você está situado em uma cidade como São Paulo, 
é fundamental escolher um local para instalar sua empresa que seja 
perto de médias e grandes empresas que possuam estacionamento. 
Problemas como trânsito e custo de transferência de maquinário para 
as empresas clientes devem ser levados em consideração. Uma ideia 
interessante é substituir a água por produtos químicos como ceras 
especiais, que eliminam a necessidade de se usar água. Este sistema 
já está sendo utilizado em grandes centros comerciais e shopping 
centers. 
 
O importante na segmentação de mercado é que você avalie o 
tamanho de seu negócio e prospecte empresas que você tenha 
capacidade de atender. Nesse estudo que fizemos sobre o lava-
rápido domiciliar, é pouco provável que vendedores sejam seus 
clientes nestas empresas, pois passam pouquíssimo tempo na sede. 
O seu nicho deve ser funcionários internos que passam todo o tempo 
na empresa. 
 
Para segmentar o mercado de uma maneira eficaz, o ideal seria fazer 
um levantamento, por exemplo, de quantas empresas com mais de 50 
e menos de 200 funcionários existem num raio de cinco quilômetros 
da sua sede. Depois, selecionar quantas dessas empresas possuem 
estacionamento para os veículos dos funcionários. Estas seriam as 
primeiras empresasa serem prospectadas. 
 
Passado algum tempo, você aprenderá mais sobre seus clientes e 
terá condições de mensurar quais empresas trazem mais 
rentabilidade e até elaborar um plano de incentivos visando maximizar 
o seu relacionamento com seus principais clientes. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
58 
5.5 Tipos de segmentação 
 
Agora que já discutimos por que e como segmentar um mercado, vamos ver os tipos 
de segmentação mais comumente utilizados pelas empresas. 
 
Existem dois processos básicos para se escolher as variáveis de segmentação mais 
adequada a cada mercado: 
 
Métodos estatísticos: agrupam clientes a partir de indicadores estatísticos, como 
variância e correlação; 
 
 
Utilização da experiência e do conhecimento de profissionais da área: o 
administrador se apoia em seu conhecimento de mercado, nas tendências atuais de 
compras, nas pesquisas de marketing e no bom senso. 
 
As inúmeras maneiras de segmentar mercados de consumo variam da idade dos 
consumidores às suas atitudes e comportamento de compra. 
 
Para avaliar as possibilidades, é útil agrupar as bases de segmentação em 
categorias amplas como as que veremos a seguir. Mas antes disso, conheça as 
ações de segmentação que a empresa Bauducco implantou. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Bauducco, tradicional fabricante de panetones de Natal e 
colombas de Páscoa, para driblar a alta sazonalidade de seus 
produtos, passou a oferecer itens para o café da manhã e para o 
mercado infantil, como bolos, biscoitos e torradas. Assim, ela usa o 
equipamento e as competências em panificação que já possui para 
atender a esses novos segmentos. 
 
No Nordeste, a empresa passou a explorar as festas regionais com 
comidas típicas, como pé-de-moleque, durante as festas juninas em 
cidades como Campina Grande, na Paraíba. 
 
 
 
Veja tipos de segmentação a seguir: 
 
Segmentação demográfica 
 
Trata-se da maneira mais comum de segmentar mercados e visa dividi-lo com base 
em características da população como sexo, idade, raça ou etnia, nível de renda, 
ocupação, nível de instrução e tamanho e composição de família. 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
59 
 
 
 
 
 
 
 
 
Revista Exame VIP 
 
O sucesso de segmentação da revista Exame VIP, “o melhor para o 
homem”, pode ser comprovado pelos dados a seguir: dos 
assinantes, 87% são homens, 70% têm mais de 31 anos, 73% têm 
curso superior, 64% pertencem à classe A e têm em média três 
cartões de crédito, gastando só com eles, mais de 1.000 reais por 
mês. Sua proposta é, olhando o mundo do ponto de vista masculino, 
gerar entretenimento de alto nível para homens que cultivam o verbo 
consumir. Assim, suas reportagens cobrem temas como novidades 
relacionadas aos prazeres do homem (viagem, consumo cultural, 
carros, charutos e bebidas), mulheres em ensaios bastante 
sensuais, saúde, moda e atitude. 
 
 
Na segmentação demográfica existem subdivisões importantes e bastante utilizadas 
pelas empresas. Vamos conhecê-las. 
 
Segmentação por idade 
 
Esse tipo de segmentação é bastante utilizada pelas empresas, uma vez que as 
necessidades e os gostos das pessoas mudam conforme elas envelhecem. 
 
Conforme a pessoa passa por estágios de vida, como casamento, filhos pequenos, 
filhos grandes, casal idoso sem filhos, separações, mortes etc., seu padrão de 
consumo se altera para atender a necessidades específicas destes momentos. Por 
exemplo: a Semp Toshiba, líder em vendas de televisores, em conjunto com sua 
agência de propaganda, Talent, mergulhou no mundo das tribos de adolescentes e 
emergiu com a ideia de uma campanha publicitária centrada não exatamente nos 
atributos do equipamento, mas na linguagem capaz de unir a juventude: a música. 
 
Sintonizados com essa tendência, os comerciais de TV, inspirados em videoclipes, 
são coerentes com um dos mandamentos da juventude no que diz respeito à 
propaganda: em vez de slogans vendedores ou mensagens informativas, há música, 
uma sucessão de danças e imagens divertidas. O resultado: em um ano (2003) em 
que as vendas no mercado de som caíram 4%, a Semp Toshiba cresceu quase 
15%. 
 
Como acontece em outras formas de segmentação, os profissionais de marketing 
que se dirigem a determinados segmentos de idade precisam ter cuidado para não 
ser vítimas de estereotipo. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
60 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GM 
 
De acordo com um levantamento entre consumidores acima de 50 
anos, a maioria deles está em boa forma física, tem pontos de vista 
positivos e está aberta a novas experiências. A GM descobriu que o 
chamado consumidor maduro não quer ser identificado estritamente 
por idade, mas aprecia carros com certas características de conforto 
e segurança, como controles grandes e fáceis de ler e um sistema 
para melhorar a visão noturna. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Segmentação por raça ou etnia 
 
O administrador de marketing pode achar lucrativo segmentar o mercado de acordo 
com a raça ou grupo étnico, dependendo do tipo de produto ou serviço que trabalha. 
 
Esse tipo de segmentação evita o pressuposto – frequentemente incorreto – de que 
os gostos, valores e necessidades da etnia ou raça dominante definem todo o 
mercado. Porém, é preciso ter o cuidado de assegurar-se de que seus esforços 
sejam autênticos e acurados. 
 
 
 
 
 
Um exemplo de sucesso que podemos citar é o da revista Raça, 
que vem obtendo crescente aceitação entre o público feminino 
negro. 
 
 
Segmentação por sexo 
 
Esse tipo de segmentação é apropriada quando um produto pode agradar mais a um 
sexo do que ao outro ou quando os membros de cada sexo podem responder de 
modo diferente aos aspectos de um composto de marketing (diferentes produtos, 
preços, pontos de venda ou promoções). 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
61 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por exemplo: hotéis cinco estrelas de cidades como São Paulo 
e Rio de Janeiro reservam um andar inteiro para executivos em 
negócios na cidade. 
 
Dependendo do sexo, determinadas amenidades são 
encontradas nos quartos e nas dependências do andar. Você 
poderia imaginar que hóspedes de hotéis como estes estariam 
preocupados com facilidades de conexão via modem e forte 
segurança, mas se forem do sexo feminino, quartos com 
secadores de cabelo sofisticados, artigos de perfumaria, um 
ferro de passar e um aparelho de step são diferenciais. 
 
 
 
Segmentação por renda, instrução e ocupação 
 
A segmentação por nível de renda ajuda o administrador de marketing a determinar 
quais consumidores mais provavelmente responderão a uma determinada 
combinação de preços, estilo e qualidade. 
 
A renda é um fator importante de segmentação, já que a pessoa tende a consumir 
de acordo com seu poder aquisitivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Credicard faz isso oferecendo seu cartão de crédito via mala 
direta a estudantes universitários. Dessa forma, a empresa visa 
atingir um segmento que, teoricamente, alcançará ganhos 
maiores durante a vida do que a população em geral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As segmentações por nível de instrução ou por ocupação são outras maneiras de 
explorar os vários mercados. 
 
De modo geral, o grau de instrução está associado ao nível de informação que a 
pessoa tem e sua propensão à leitura. 
 
A ocupação da pessoa direciona seu interesse para temas relevantes à sua área de 
atuação. É comum, por exemplo, o profissional assinar uma revista da sua área. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
62 
Para a segmentação demográfica e suas ramificações, existem diversas empresas 
especializadas no mercado que vendem os chamados mailings, que são bancos de 
dados com diversos tipos de informações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A DataListas (http://datalistas.abril.com.br), uma empresa do 
Grupo Abril que possui atualmente um banco de dados com mais de 
30 milhões de nomes, composto pelos assinantes de revistas, 
compradores do Grupo Abril e consumidores de empresas 
parceiras.Os mailings estão disponíveis para locação e podem ser 
usados para mala direta (etiquetas e arquivos digitais), telemarketing 
e e-mail marketing. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A quantidade de informações existentes nesses bancos de dados é enorme. O 
administrador de marketing pode cruzar informações sobre renda, local de moradia, 
faixa etária e assim por diante para suprir suas necessidades específicas de 
segmentação. Porém, é essencial gerenciar tais informações de maneira a agregar 
valor à sua estratégia e integrá-la ao plano e aos objetivos não só da área de 
marketing, mas da empresa como um todo. 
 
Segmentação geográfica 
 
Para usar a segmentação geográfica, o administrador de marketing deve dividir o 
mercado total em grupos, de acordo com a localização ou com outros critérios 
geográficos, como densidade populacional ou clima. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fedders – Ar condicionado 
 
Para quem atende a mercados globais, diferenças entre países 
podem tornar útil a segmentação por país. Na China, por exemplo, 
condicionadores de ar simbolizam tanto luxo que os compradores 
chineses querem os modelos mais sofisticados. Para servir o 
mercado chinês, a Fedders – fabricante de condicionadores de ar – 
desenvolveu um novo modelo, elegante, leve e eficiente em termos 
de energia, e ofereceu recursos mais sofisticados, como o controle 
remoto. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
63 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tendo como foco o território nacional, os profissionais de marketing no Brasil podem 
usar nossa divisão tradicional em regiões: sul, sudeste, centro-oeste, norte e 
nordeste; ou a divisão em um único estado ou área metropolitana; ou ainda, para ser 
mais específico, pode-se segmentar o mercado com base em bairros. 
 
A segmentação geográfica pode ser baseada em estatísticas que reflitam mudanças 
na população. Por exemplo, um administrador de marketing pode descobrir quais 
estados, regiões do país ou nações do mundo têm o mais rápido crescimento 
populacional. Além disso, pode-se comparar os desejos e necessidades de vários 
segmentos geográficos a fim de procurar diferenças e semelhanças que podem 
ajudar no lançamento de um novo produto ou serviço. 
 
Segmentação psicográfica 
 
Trata-se de um tipo de segmentação de mercado que envolve a medição dos estilos 
de vida dos consumidores, ou seja, a maneira como as pessoas conduzem sua vida, 
incluindo suas atividades, interesses e opiniões. 
 
Pesquisas de comportamento de consumo nos últimos 50 anos sugerem que a 
segmentação com base em variáveis demográficas e geográficas representa de 
forma parcial o processo de escolha e consumo. Quando usamos variáveis de 
segmentação diretamente ligadas ao processo em si, os segmentos resultantes 
tendem a apresentar maior associação com o comportamento final de compra. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
64 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Pepsico, proprietária das marcas de salgadinhos Elma Chips e 
Frito-Lay no Brasil conduziu uma pesquisa que identificou duas 
amplas categorias psicográficas de consumidores de petiscos, que ela 
chamou de Conscientes e Indulgentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os Conscientes eram com maior frequência mulheres, com grande probabilidade de 
fazer exercícios, ler revistas de saúde e boa forma, estar preocupadas com a 
nutrição e ler os rótulos dos produtos. A batata frita de teor de gordura reduzido é 
orientada para esse grupo. A batata frita tradicional, por sua vez, está voltada para 
os Indulgentes, que são, em sua maioria, homens no final da adolescência e adultos 
jovens, que adoram comer petiscos, não se preocupam com o que comem e não 
querem sacrificar o sabor por uma redução na gordura. 
 
Segmentação baseada em pensamentos e sentimentos 
 
Os profissionais de marketing podem segmentar um mercado de acordo com o que 
os consumidores pensam e sentem sobre um produto, marca e seu valor. Para 
alguns produtos, as atitudes dos compradores para com a categoria do produto ou 
compra são importantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como alguns consumidores odeiam discutir sobre o preço de carros 
usados, os revendedores podem responder a isso se apresentando 
como confiáveis ou estabelecendo contatos em que o preço do carro 
é definido previamente. Já outros consumidores gostam de negociar 
preços e acham que podem conseguir mais vantagens, se puderem 
discutir diretamente, de forma até ardorosa, com o vendedor. 
 
Os consumidores também podem diferir quanto aos benefícios que estão 
procurando em uma compra. Certas pessoas querem preço baixo acima de tudo, ao 
passo que outras podem enfatizar a conveniência ou qualidade do produto. Alguns 
consumidores percebem maior valor em produtos sofisticados, enquanto outros 
apenas querem saber se o produto funciona bem. 
 
A segmentação com base em quais benefícios dos produtos os clientes desejam é 
chamada segmentação por benefícios. Muitas variedades de pastas de dente são 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
65 
promovidas com base nos benefícios que os consumidores querem, que incluem 
preço baixo, sabor agradável, dentes mais brancos, prevenção de cáries, remoção 
do amarelado do cigarro, sensualidade ou hálito refrescante. 
 
Para usar essa segmentação, os administradores de marketing precisam saber 
quais benefícios diferentes segmentos procuram obter com a compra de 
determinados produtos, e a maneira primária de coletar esses dados é por meio de 
pesquisa. 
 
Segmentação baseada no comportamento de compra 
 
O mercado pode ser segmentado de acordo com os diversos comportamentos de 
compra dos consumidores, como preferência por cores, modelos, marcas etc. Por 
exemplo: uma pesquisa encontrou relações entre hábitos de compra de 
consumidores e preferências de cor. Eles categorizavam o comportamento dos 
compradores como prudente, impulsivo, pessimista, tradicional e confiante. 
 
O grupo impulsivo, por exemplo, tende a comprar sem nenhuma lista prévia e a 
fazer algumas “compras-surpresa”. Os membros desse grupo, que geralmente têm 
instrução universitária, gostam de preto, cinza e azul marinho. Alguém que vende 
um produto destinado a ser comprado por impulso pode agradar aos consumidores 
impulsivos descritos acima usando uma embalagem impressa em tons pretos e 
acinzentados. 
 
Ainda falando sobre a segmentação baseada no comportamento de compra dos 
consumidores, é importante comentar que ela geralmente centra-se em alguma 
combinação de frequência de uso, situação de lealdade e situação de usuário. 
 
Frequência de uso 
 
Em muitas situações, os consumidores com maior probabilidade de comprar um 
produto são aqueles que compraram o mesmo produto ou outro semelhante no 
passado. Portanto, o administrador de marketing pode segmentar os mercados com 
base na frequência de uso do produto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As companhias aéreas que dividem seus clientes em grupos, de 
acordo com a frequência de vôos. Na TAM existem os grupos branco, 
azul e vermelho. Os clientes de cor vermelho são os usuários mais 
frequentes, e que por isso possuem várias regalias como check-in 
antecipado, sala vip nos aeroportos, prioridade de embarque etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
66 
Denominamos de Heavy Users aqueles consumidores que utilizam o produto com 
alta frequência, enquanto que os consumidores eventuais recebem o nome de Light 
Users. Esse padrão é conhecido como regra 80/20, ou seja, a ideia de que 80% das 
vendas de uma empresa são feitas para 20% de seus clientes. Para cada um deles, 
teremos uma estratégia de marketing mais adequada. 
 
Situação de lealdade 
 
Trata-se da coerência que os clientes mantêm ao comprar a mesma marca de um 
determinado produto ou ao demonstrar comprometimento em relação a ela. Alguns 
compradores sempre compram a mesma marca de sabão em pó, enquanto outros 
verificam os preços e compram a mais barata. O primeiro grupo seria considerado 
altamente leal à marca, enquanto os últimospodem não ter nenhuma lealdade à 
marca. 
 
Usuários leais são importantes e valiosos para a empresa, já que eles conhecem 
melhor as características do produto, defendem seus atributos e benefícios junto a 
outros consumidores, consomem com maior frequência e em volume médio maior o 
produto. Já os usuários não leais geralmente são muito sensíveis a preço e são 
atraídos por descontos, promoções e cupons. 
 
Situação de usuário 
 
Os administradores de marketing podem categorizar os consumidores de acordo 
com sua situação de usuário, ou seja, se eles usaram o produto no passado, se o 
utilizam atualmente, se têm probabilidade de usá-lo no futuro ou se não usam o 
produto. 
 
Em muitas situações, um composto de marketing diferente pode ser necessário para 
cada uma dessas categorias. Pode ser mais lucrativo servir clientes existentes do 
que clientes potenciais, mas servir apenas aos clientes existentes limita o potencial 
de crescimento. Se não for muito provável que os clientes existentes venham a 
comprar mais do que já compram, uma estratégia de crescimento pode exigir o 
desenvolvimento de compostos de marketing para agradar a usuários potenciais, 
conquistar clientes de concorrentes ou reconquistar ex-usuários. Um slogan como 
“Você dirigiu um Ford recentemente?”, por exemplo, tenta atrair ex-usuários. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pesquise na internet, revistas, jornais, livros de marketing ou no 
próprio mercado, exemplos reais de produtos segmentados, 
justificando-se, conforme a seguir, exemplo de segmentação 
(justificada): 
 
Segmentação demográfica 
Segmentação por idade 
Segmentação por raça ou etnia 
Segmentação por sexo 
Segmentação por renda, instrução e ocupação 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
67 
Segmentação geográfica 
Segmentação psicográfica 
Segmentação baseada em pensamentos e sentimentos 
Segmentação baseada no comportamento de compra 
 
 
5.6 Posicionamento 
 
Ao selecionar um produto no meio de tantos outros você deve usar algum critério 
para isso. De onde veio esse critério? Provavelmente você já recebeu alguma 
informação sobre essas diferentes marcas, pensou sobre como cada uma delas 
oferece um tipo de benefício diferente e chegou à conclusão de quais são melhores 
ou não para as situações em que você deseja adquiri-lo. Isso resultou na criação de 
uma percepção favorável do produto em relação aos concorrentes na sua mente. 
Esse processo de criação da imagem favorável na mente do consumidor é o 
posicionamento. 
 
Trata-se de uma questão de preferência, de gosto, de valor percebido no produto, 
que se consolidou por meio de uma imagem, uma predisposição, uma “boa-vontade” 
em relação à marca na sua mente. 
 
Os clientes, em geral, buscam informações e criam uma imagem sobre as diferentes 
opções que encontrou. Cabe à empresa, portanto, atuar por meio de sua estratégia 
de posicionamento, utilizando-se das ferramentas do composto de marketing para 
que sua imagem seja lembrada e desejada pelo mercado. 
 
Os clientes guardam traços de imagens de algumas das principais opções que ele 
encontrou. As principais marcas são lembradas e atualizadas quando ele obtém 
alguma informação relevante. As demais marcas são aos poucos esquecidas. 
 
Portanto, se a sua marca não é a top of mind, ou seja, a primeira nem mesmo a 
segunda ou terceira a ser lembrada, muito provavelmente ela não será lembrada na 
hora em que o cliente toma suas decisões de compra, fazendo com que o seu 
produto permaneça na prateleira. 
 
Toda empresa que deseja ter sucesso em seu mercado deve brigar para estar entre 
as primeiras marcas que seus consumidores lembram ou então não terá um futuro 
muito bom. É preciso associar na mente do consumidor a marca com algum 
benefício ou necessidade que ele tem, no momento em que ele está considerando 
se compra ou não, para que a compra venha a se efetivar. 
 
A Mercedes, por exemplo, posiciona os seus carros como objeto de desejo e não 
meramente como um produto que irá sanar a necessidade de locomoção do usuário. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
68 
Uma propaganda veiculada na revista Exame Vip em 1994 deixava claras as 
intenções da montadora a respeito do seu posicionamento. Um slogan de página 
dupla dizia: “Dentro deste carro você não verá o mundo com outros olhos, mas com 
certeza o mundo o enxergará com outros olhos”. 
 
Um outro exemplo que podemos citar são as canetas Montblanc. Elas não são 
compradas simplesmente para satisfazer as necessidades de escrita dos clientes, 
mas vistas como pequenas jóias. 
 
Portanto, a administração do seu composto de marketing, que engloba desde a 
distribuição, venda, comunicação e precificação do produto, deve levar em conta o 
segmento de mercado-alvo bem como a imagem do produto perante sua clientela. 
 
Há vários tipos de posicionamento de marketing: 
 
• Posicionamento por concorrentes 
• Posicionamento por atributos 
• Posicionamento pelo uso ou aplicação 
• Posicionamento por usuários 
• Posicionamento por classe de produto 
 
Concorrentes 
 
A maioria das estratégias de posicionamento inclui o posicionamento de um produto 
em comparação com marcas dos concorrentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O SBT usou este tipo de posicionamento quando se comparou à 
Rede Globo dizendo: “Liderança absoluta no segundo lugar”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atributos 
 
O administrador de marketing pode posicionar um produto com base nos seus 
atributos, como suas características. Uma farmácia 24 horas, por exemplo, poderia 
anunciar a conveniência como seu principal atributo. A rede de supermercados 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
69 
Carrefour poderia se diferenciar na entrega de compras em domicílio criando a 
entrega expressa para até 50 itens. 
 
Uso ou aplicação 
 
Um produto pode ser posicionado para uso específico. A Mastercard se posicionou 
como a administradora de cartões de crédito mais útil para transações do dia-a-dia, 
ou seja, um modo de organizar as finanças e pagar despesas rotineiras. Foi 
desenvolvido um sistema de computador que lida com pequenas compras 
rapidamente sem necessidade de assinatura e oferece aos supermercados 
descontos nos terminais do cartão de crédito, ajuda com o marketing e um programa 
para ligar contas Mastercard a um programa de compradores assíduos. 
 
Usuários 
 
Pode-se decidir posicionar produtos como destinados ao uso por um determinado 
grupo. Foi o que ocorreu com os carros populares no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As montadoras perceberam, aos poucos, que esses carros não 
serviam apenas aos que tinham pouco dinheiro, mas também aos 
que queriam comprar o segundo ou terceiro carro da família e que, 
portanto, têm dinheiro e apreciam o conforto. Assim passaram a 
oferecer uma série de opcionais que os aproximaram de automóveis 
de categorias superiores – hoje, cerca de 70% dos populares saem 
de fábrica com algum opcional. 
 
 
Classe de produto 
 
Um produto pode ser posicionado em relação a outras classes de produtos. 
 
 
 
 
 
O sabonete Dove, por exemplo, foi posicionado como uma mistura 
de sabonete e hidratante, em vez de mero sabonete. 
 
5.7 Como selecionar uma estratégia de posicionamento 
 
Para que o posicionamento tenha sucesso, os clientes potenciais precisam conhecer 
o produto e as necessidades ou desejos que eles pretendem suprir. Isso será 
possível por meio de canais de comunicação que deem suporte à estratégia de 
posicionamento e pela definição de um preço que combine com a posição do 
produto e com o valor atribuído pelo mercado-alvo. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
70 
Para selecionar uma estratégia de posicionamento, o administrador de marketing 
deve considerar a participação de mercado do produto e como ele pode criar mais 
valor do que os concorrentes. O produto é o líder de mercado ou vem atrás? Talvez 
o produto seja tão inovador (ou protegido por uma patente) que haja pouca ou 
nenhuma concorrência. Essa informaçãoinfluencia o tipo de estratégia de 
posicionamento com maior probabilidade de sucesso. 
 
Um produto que é líder de mercado geralmente não se posicionará diretamente 
contra concorrentes menores. Já para produtos sem grandes participações no 
mercado pode ser útil usar o marketing de nicho (estratégia de concentrar-se num 
único mercado e adaptar o composto de marketing a ele). 
 
Ao procurar distinguir a sua empresa e seus produtos e serviços, os administradores 
de marketing voltados para o valor devem preocupar-se além da imagem que criam. 
Os compradores de hoje, altamente informados e com cada vez mais opções de 
compra, não são facilmente enganados por mensagens de marketing que 
simplesmente alardeiam afirmações como fabricação personalizada ou preocupação 
com o meio-ambiente. 
 
Em vez disso, as empresas que obtém sucesso posicionam-se com base em valor e 
confiabilidade. 
 
 
 
 
 
Empresas como Toyota, Carrefour e Brastemp concentram-se em 
agregar valor aos seus mercados-alvo priorizando os seus 
diferenciais em termos de produtos e serviços. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
71 
6. PRODUTO 
 
 
6.1 O que é um produto? 
 
Um produto é algo que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer uma 
necessidade ou desejo. Os produtos comercializados incluem bens físicos, serviços, 
experiências, pessoas, lugares, títulos patrimoniais, organizações, informações e 
ideias. 
 
Todos esses tipos de produtos são oferecidos ao mercado para satisfazer a uma 
necessidade ou desejo do ser humano. Toda vez que uma pessoa passa por um 
estado de carência, sede, por exemplo, sente uma necessidade que se manifesta 
por meio de diferentes tipos de desejos (água, refrigerante, cerveja, etc.) e, para 
satisfazê-los, estará disposto a fazer um esforço, que tem custos financeiros, de 
tempo, físicos, sociais etc. Vamos ver, então, o significado de cada tipo de produto 
que pode ser utilizado para satisfazer desejos e necessidades: 
 
Bem físico 
1. 
O bem físico é o produto tangível que pode ser apalpado, cheirado, apertado etc. É 
uma solução para uma necessidade ou desejo específico, e a pessoa só compra 
porque ele tem uma finalidade. 
 
 
 
 
 
O martelo é a solução para pregar um quadro na parede. 
 
 
 
Bem não físico 
 
O serviço é o produto em que a pessoa não leva nada físico com ela. São os bens 
intangíveis, que não podem ser vistos antes de serem adquiridos. 
 
 
 
 
Numa aula a pessoa não leva nada físico, mas obtém algo 
intangível, no caso, a aprendizagem. 
Serviço 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
72 
Experiência 
 
Uma experiência também é um produto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ter a oportunidade, como hobbista de gastronomia, de conviver com 
um chef famoso, durante um fim de semana e, com esta 
convivência, aprender receitas e dicas, trocar ideias com esse ídolo 
e sentir-se um pouco como ele. 
 
Pessoa 
 
Entre pessoas e personalidades temos o marketing pessoal, ou seja, o 
desenvolvimento da imagem de um funcionário, artista, cantor, escritor, consultor 
etc., que se oferece como resposta a necessidades de mercado. 
 
Lugar 
 
Um lugar também pode ser um produto. Uma cidade, região, Estado ou país que 
deseje atrair turismo. 
 
 
 
 
 
Na virada do milênio diversas cidades se oferecem como o lugar 
ideal para passar o reveillon – Paris, Londres, Nova Iorque, Rio de 
Janeiro etc. 
 
 
Título patrimonial 
 
Um produto também pode ser um título patrimonial, que é um direito de propriedade 
de bens imóveis e financeiros, como ações. 
 
Organização 
 
As organizações desenvolvem problemas para manter uma boa imagem corporativa 
e reconhecimento público de sua responsabilidade social. 
 
Informação 
 
Informações também podem ser produzidas e comercializadas como produtos, 
principalmente nessa nova era em que a sua oferta e uso são tão grandes. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
73 
Ideia 
 
A ideia representa uma proposta ou conceito a ser defendido. Um exemplo é o das 
ONGs (Organizações Não Governamentais), que têm como base uma ideia de fundo 
social – combate do desemprego, proteção da Mata Atlântica, assistência veterinária 
para cães de rua – e buscam outras pessoas que tenham essa ideia em comum 
para solicitar trabalho e contribuições voluntárias. 
 
 
 
 
 
 
 
Identifique através de pesquisas em livros de marketing sobre o Ciclo 
de Vida dos Produtos. Faça um relatório e entregue ao professor. 
_________________________________________________________ 
_________________________________________________________ 
 
 
6.2 Níveis de produto 
 
Agora que já sabemos o que é um produto e também conhecemos seus diversos 
tipos, vamos discutir sobre os seus níveis. 
 
Ao planejar sua oferta ao mercado, o profissional de marketing precisa pensar em 
cinco níveis de produto. Cada um agrega mais valor para o cliente e, juntos, 
constituem uma hierarquia de valor. 
 
Benefício Central 
 
Constitui o benefício ou serviço fundamental que realmente está sendo comprado. 
 
Produto Básico 
 
Representa a transformação do benefício em um pacote tangível, que entrega o 
benefício. 
 
Produto Esperado 
 
São condições e atributos que normalmente os clientes esperam receber quando 
compram o produto. 
 
Produto Ampliado 
 
Corresponde a uma série adicional de ofertas que tornam o produto ainda mais 
atrativo, agregando mais valor e excedendo as expectativas. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
74 
Produto Potencial 
 
Inclui todos os aumentos e modificações possíveis de se realizar sobre o produto. É 
o nível maior de agregação de valor, em que as empresas podem buscar novas 
alternativas que possam encantar o cliente, além de satisfazê-lo. 
 
Vamos ver um exemplo prático de níveis de produto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagine um hotel e os serviços que ele pode prestar aos seus 
clientes. 
 
Benefício central: seria o nível fundamental e o benefício central: um 
quarto para descansar e pernoitar. 
 
 
 
 
 
 
 
Produto básico: o profissional de marketing deve transformar o 
benefício central em produto básico. Assim, o quarto de hotel inclui 
cama, banheiro, toalhas, escrivaninha, penteadeira e armário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Produto esperado: nesse nível o profissional de marketing prepara o 
produto esperado: cama arrumada, toalhas limpas, lâmpadas que 
funcionem, relativo grau de tranquilidade etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Produto ampliado: tudo o que excede as expectativas do cliente: um 
aparelho de TV com controle remoto, flores frescas, registro rápido, 
check-out expresso, boas refeições, serviço de quarto etc. 
 
 
 
 
 
 
Produto potencial: inclui ações que procuram novas maneiras de 
satisfazer o cliente e se diferenciar: suítes especiais com uma série 
de quartos, doces sobre o travesseiro, bandeja de frutas, aparelho 
de vídeo com fitas opcionais etc. 
 
Esses cinco níveis de produto são o referencial do administrador para aumentar a 
oferta de valor agregado a seus clientes. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
75 
Com o nível de competição que encontramos hoje no mercado, cada vez mais a 
disputa ocorre por meio de ações ligadas aos dois últimos níveis (produto ampliado 
e produto potencial). 
 
Encontra-se, por exemplo, churrascarias que vão buscar seus clientes de van nos 
hotéis; lojas de confecções que mandam um alfaiate e costureiras à casa ou ao 
escritório do cliente para preparar seus ternos; pet shops que oferecem cursos de 
nutrição animal; empresas de eventos que organizam todos os detalhes de um 
casamento; supermercados que oferecem cursos de culinária e muito mais. 
 
A luta pelo consumidor nunca para e vence aquele que consegue oferecer maior 
valor, sem onerar tanto seus custos. 
 
O profissional de marketing deve se perguntar se os clientes pagarão o suficiente 
para cobrir os custos extras, considerando que os benefícios extras logo se tornarão 
benefícios esperados e outrosdeverão ser criados e, além disso, alguns 
concorrentes podem oferecer uma versão mais simples a um preço mais baixo. 
 
6.3 Classificações de produto 
 
As empresas têm classificado tradicionalmente os produtos em termos de 
características, já que cada tipo de produto tem uma estratégia apropriada de mix 
marketing. 
 
Uma das classificações diz respeito à durabilidade e tangibilidade dos produtos, que 
podem ser distribuídos em três grupos: bens não-duráveis, bens duráveis e serviços. 
 
Bens não-duráveis: são produtos tangíveis que normalmente são consumidos 
rapidamente ou usados poucas vezes. Geralmente são produtos baratos, que o 
cliente compra com frequência. 
 
Bens duráveis: são bens tangíveis que normalmente são usados por períodos mais 
longos e de preço mais alto. O risco da compra é maior, já que o cliente pode gastar 
muito dinheiro por um produto que não dura tanto quanto ele esperava ou que não 
faz tão bem quanto ele gostaria. Geralmente são produtos mais complexos e, 
portanto, o cliente precisa encontrar, assimilar e avaliar muita informação para 
resolver suas dúvidas antes de decidir pela compra. 
 
Serviços: possui características próprias que os tornam um grupo à parte. O serviço 
é qualquer ato ou desempenho que uma parte pode oferecer a outra e que não 
resulta em propriedade. São intangíveis, porque não podemos tocá-los, só sabemos 
o que realmente recebemos depois que aconteceu sua execução. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
76 
 
 
 
 
 
 
 
Quando contratamos os serviços de um pintor, só vamos saber se 
foi bom depois que ele pintou a casa ou, quando compramos um 
pacote de viagem em uma agência de turismo, só poderemos saber 
se o serviço foi bom depois que voltamos. 
 
 
São inseparáveis, já que não podemos separar sua produção do seu consumo. Não 
podemos estocar cortes de cabelo, por exemplo, para serem consumidos 
posteriormente, conforme a necessidade. Em consequência, a capacidade de 
atendimento da demanda é mais limitada. 
 
Ao contrário do fabricante de ovos de Páscoa, que pode produzir e estocar seus 
produtos bem antes da Páscoa, um hotel, que vende o serviço de hotelaria, a cada 
dia pode oferecer apenas o número máximo de quartos de que dispõe. 
 
Agora que você já sabe como é feita a classificação dos produtos segundo sua 
durabilidade e tangibilidade, vamos ver como deve ser a estratégia de marketing 
para cada uma delas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para os bens não-duráveis, a estratégia é tornar os produtos 
disponíveis em muitos locais, ter uma pequena margem de lucro no 
varejo, anunciar maciçamente para induzir à experimentação e ganhar 
a preferência do consumidor. 
 
O preço dos produtos deve ser acessível para que, com a repetição 
das compras, a empresa ganhe volume e gere um lucro alto. 
 
 
 
 
 
 
 
Para os bens duráveis a estratégia é usar a venda pessoal, trabalhar 
com uma margem de lucro mais alta e fornecer garantias de troca, 
manutenção, assistência técnica etc. por parte do fabricante. 
O cliente deve obter muitas informações sobre o produto para resolver 
suas dúvidas antes de decidir a compra. Além disso, deve-se mostrar 
uma boa relação custo x benefício. 
 
 
 
 
 
 
Já para os serviços a estratégia é usar um controle de qualidade mais 
apurado, credibilidade de Fornecedor e adaptabilidade. Além disso, 
existe um treinamento contínuo e padronizado para todos os 
funcionários. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
77 
6.4 Mix de produtos 
 
Um mix de produtos, também chamado de sortimento de produtos, é o conjunto de 
todos os produtos e itens que um vendedor põe à venda. 
 
Por exemplo: o mix de produtos da Kodak consiste em duas fortes linhas de 
produtos – produtos de informação e produtos de imagem. Já a Michelin possui três 
linhas de produtos – pneus, mapas e serviços de classificação de restaurantes. 
 
A Parmalat apresentou crescimento muito rápido, tornando-se uma das maiores 
empresas alimentícias do Brasil em pouco mais de uma década. Apesar de hoje 
(2009) a marca ter se fragmentado depois de uma grave crise financeira, sua história 
no Brasil é muito interessante. 
 
Depois de construir uma imagem forte na linha de leites com as campanhas dos 
“Mamíferos”, ela estendeu sua marca para outras categorias. 
 
Veja sua lista de produtos: 
 
 
 
 
O mix de produtos de uma empresa possui quatro características: abrangência, 
extensão, profundidade e consistência. 
 
Abrangência: refere-se à quantidade de diferentes linhas de produto que a empresa 
oferece. 
 
Extensão: refere-se ao número total de itens do mix. 
 
Profundidade: refere-se à quantidade de opções que são oferecidas em cada linha 
de produto. 
Consistência: refere-se à proximidade com que as várias linhas de produtos estão 
ligadas quanto ao uso final, às exigências de produção, aos canais de distribuição 
ou a algum outro critério. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
78 
6.5 O que é marca? 
 
Segundo Philip Kotler, marca é um nome, termo, sinal, símbolo ou desenho, ou uma 
combinação deles, que pretende identificar os bens ou serviços de um ofertante e 
diferenciá-lo dos concorrentes. 
 
Ela é, portanto, a identificação de um produto. 
 
A marca cumpre funções muito importantes tanto para o consumidor como para o 
fabricante. Ela resume uma série de informações que o consumidor gastou tempo e 
esforço para obter, e permite que ele volte e compre de novo aquilo que gostou, 
gerando a fidelização. 
 
Para o fabricante, a marca permite que seus clientes reconheçam todo o esforço que 
ele faz para melhor atendê-lo e permite ainda, aos canais intermediários, identificar 
quais fabricantes são mais atrativos para seus clientes, permitindo oferecê-los com 
maior frequência. 
 
Uma marca é essencialmente uma promessa da empresa de fornecer uma série 
específica de atributos, benefícios e serviços uniformes aos compradores. E é aí que 
entra a essência do trabalho de marketing: criar, manter, proteger e melhorar uma 
marca. 
 
 
 
 
 
A marca do produto é tudo. 
 
Mesmo quando você ainda não conhece um produto, você já possui alguma 
informação que recebeu da mídia – anúncios em rádio, TV, revistas – de amigos, da 
família etc. Você também pode ler a embalagem e descobrir muita coisa útil. 
 
Mas quando os produtos não possuem nenhuma marca você não tem como 
identificar aquele que um amigo recomendou. Não tem como obter qualquer 
informação do fabricante. Não consegue saber nem mesmo o que está dentro de 
cada embalagem. 
 
E mesmo que você consiga, com o tempo, encontrar aquele produto que mais 
gostou, numa próxima vez, terá que começar novamente do zero. Não tem nenhuma 
referência para voltar ao supermercado e encontrar o produto de novo, além do 
fabricante não ter como passar nenhuma informação nova para você. Segundo 
Kotler, uma marca pode trazer até seis níveis de significado: 
 
Atributos: uma marca traz à mente certos atributos. Por exemplo: a Mercedes 
sugere automóveis caros, bem construídos, duráveis e de alto prestígio. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
79 
Benefícios: os atributos devem ser traduzidos em benefícios funcionais e 
emocionais. Por exemplo: o atributo “durável” poderia traduzir o benefício funcional 
“não terei de comprar outro carro por muitos anos”; já o atributo “caro” poderia 
traduzir o benefício emocional “o carro me faz sentir admirado”. 
 
Valores: a marca também diz algo sobre os valores da empresa. Por exemplo: a 
Mercedes simboliza alto desempenho, segurança e prestígio. 
 
Cultura: a marca pode representar certa cultura. Por exemplo: a Mercedes 
representa a cultura germânica – organizada, eficiente, preocupada com a 
qualidade. 
 
Personalidade: a marca pode projetar certa personalidade. Por exemplo: a 
Mercedes pode sugerir um chefe decidido (pessoa), um leão poderoso (animal) ou 
um palácio austero (objeto). 
 
Usuário: a marca sugere o tipo de consumidor que compra ou usa o produto.conceitos estudados 
anteriormente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
5 
SUMÁRIO 
 
 
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 7 
1.1 Evolução Histórica do Conceito de Marketing ............................................ 10 
1.2 Cenário Histórico ........................................................................................ 11 
1.3 A Chegada ao Brasil................................................................................... 13 
1.4 Abordagem de Definição e Conceitos de Marketing................................... 14 
1.5 O Alvo do Marketing (escopo) .................................................................... 15 
1.6 Estágios da Atividade de Marketing ........................................................... 17 
1.7 Orientação da Empresa para o Mercado.................................................... 18 
2. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE MARKETING...................................... 21 
2.1 Análise de SWOT....................................................................................... 23 
2.2 Fatores Críticos de Sucesso....................................................................... 27 
2.3 Composto de Marketing ............................................................................. 32 
3. SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE MARKETING - SIM..................................... 38 
3.1 Sistema de Registros Internos.................................................................... 38 
3.2 Sistemas de Inteligência de Marketing ....................................................... 40 
4. PESQUISA DE MARKETING ........................................................................... 41 
4.1 Definição do público-alvo e do objetivo geral da pesquisa ......................... 41 
4.2 Pesquisa Qualitativa................................................................................... 43 
4.3 Pesquisa Quantitativa................................................................................. 44 
5. SEGMENTAÇÃO E POSICIONAMENTO ......................................................... 52 
5.1 Dividir para conquistar................................................................................ 52 
5.2 A nova regra era: mudar ou morrer. ........................................................... 53 
5.3 Por Que Segmentar o Mercado.................................................................. 54 
5.4 Como segmentar o mercado ...................................................................... 56 
5.5 Tipos de segmentação ............................................................................... 58 
5.6 Posicionamento.......................................................................................... 67 
5.7 Como selecionar uma estratégia de posicionamento................................. 69 
6. PRODUTO......................................................................................................... 71 
6.1 O que é um produto?.................................................................................. 71 
6.2 Níveis de produto ....................................................................................... 73 
6.3 Classificações de produto .......................................................................... 75 
6.4 Mix de produtos.......................................................................................... 77 
6.5 O que é marca?.......................................................................................... 78 
6.6 Patrimônio de marca .................................................................................. 79 
6.7 Decisões de marca..................................................................................... 81 
6.8 Embalagem e rotulagem ............................................................................ 83 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
6 
7. PREÇOS ........................................................................................................... 86 
7.1 Influências Incontroláveis nos preços......................................................... 86 
8. Precificação e o Ciclo de Vida do Produto.................................................... 87 
8.1 Introdução .................................................................................................. 87 
8.2 Crescimento ............................................................................................... 88 
8.3 Maturidade.................................................................................................. 88 
8.4 Declínio ...................................................................................................... 88 
9. PRAÇA E DISTRIBUIÇÃO................................................................................ 90 
9.1 Mas o que é distribuição?........................................................................... 90 
9.2 Etapas do processo de distribuição............................................................ 91 
9.3 Tipos de distribuição................................................................................... 92 
10. PROMOÇÃO E COMUNICAÇÃO................................................................ 100 
10.1 Comunicação integrada de marketing ...................................................... 100 
10.2 O processo de comunicação .................................................................... 102 
10.3 Elementos do composto de comunicação ................................................ 105 
11. O MARKETING NO BRASIL E SUAS PERSPECTIVAS ............................ 115 
11.1 Perfis do Consumidor Brasileiro ............................................................... 115 
11.2 O Marketing e o Século XXI ..................................................................... 116 
12. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................... 119 
REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 121 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
7 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
Antes de entrar no nosso assunto, que é Administração Mercadológica, ou 
Administração de Marketing ou simplesmente Marketing, gostaria que você fizesse 
uma pequena atividade, muito simples, colocando no espaço logo abaixo a sua 
definição de Marketing. Por favor, faça isso antes de começar a ler o Guia e antes 
de pesquisar na internet ou em livros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para mim Marketing é: 
_________________________________________________________ 
_________________________________________________________ 
_________________________________________________________ 
_________________________________________________________ 
 
 
O estudante de Administração pode e deve ter uma série de indagações para serem 
feitas sobre a disciplina de Administração Mercadológica. Muitos alunos e, até 
mesmo alguns profissionais já experientes, acreditam que Marketing seja algo 
relacionado com propaganda, publicidade e vendas. 
 
É comum ouvir nos meios de comunicação sobre o “tal” Marketing das grandes 
empresas, o Marketing Eleitoral, o Marketing Público, o Marketing Televisivo, etc. 
Antes mesmo de se começar a estudar a disciplina, parece que o aluno já entende e 
sabe tudo sobre ela. 
 
Mas o Marketing vai além de tudo que se comentou anteriormente. Ele nasce da 
necessidade das empresas desenvolverem constantemente novidades ao seu 
público-alvo, sempre ávido por inovações, por promoções, por preços diferenciados. 
 
Entre as disciplinas do curso de Administração, a Administração Mercadológica será 
uma espécie de “rejunte” ou junção de todas as outras matérias verificadas durante 
o curso. Aqui, o aluno terá a oportunidade de visualizar como funciona a dinâmica da 
Gestão Organizacional, desde a necessidade de criação de novos produtos e 
serviços, a constante manutençãoPor 
exemplo: poderíamos esperar ver um alto executivo de 55 anos usando uma 
Mercedes, não uma auxiliar de 20 anos. 
 
Os significados mais permanentes de uma marca são seus valores, cultura e 
personalidade, pois são eles que definem a essência da marca. Todos os seis 
aspectos são muito importantes. A diferença é que valores, cultura e personalidade 
são aspectos mais abstratos, que levam mais tempo para se construir, e que estão 
ligados à imagem da marca. 
 
Essência neste caso está no sentido de formar a “alma” do produto. Atributos, 
benefícios e usuários são igualmente importantes, mas estão ligados aos aspectos 
específicos do produto e de quem os usa. Não podemos falar, como na questão, que 
os três são mais importantes que os outros, mas que têm aspectos, dimensões 
diferentes. Cabe, portanto, ao administrador, tratar a marca não apenas como um 
nome, mas sim desenvolver profundas associações positivas em relação a ela. 
 
 
 
 
 
Pesquise sobre a Hierarquia das Necessidades Humanas - proposta 
por Maslow - e sua correlação com as marcas. 
 
 
6.6 Patrimônio de marca 
 
Criar uma marca, divulgar suas características, fornecer informações, tirar dúvidas e 
oferecer argumentos de que ela é melhor que a do concorrente, tudo isso leva 
tempo e dinheiro. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
80 
O que diferencia uma marca nova, que está entrando no mercado, de uma marca 
tradicional, de sucesso e já estabelecida, é o resultado de todos os recursos que 
foram investidos ao longo do tempo pela marca estabelecida para que ela atingisse 
a posição de sucesso que desfruta hoje. O valor desta posição atual é denominado 
Patrimônio de Marca (em inglês, Brand Equity). 
 
Um diretor da Coca-Cola, certa vez, disse que a coisa de maior valor que a empresa 
possuía era a sua marca. Ele dizia que não se preocuparia se, da noite para o dia, 
alguém explodisse todas as fábricas do refrigerante no mundo, pois bastaria abrir as 
portas na manhã seguinte que haveria uma fila de clientes esperando os novos lotes 
que fossem produzidos e outra fila de investidores, com dinheiro na mão, 
oferecendo-se para ajudar na reconstrução. Seria um dos investimentos mais 
rentáveis e seguros que alguém poderia fazer, e haveria uma grande disputa para 
ser um dos escolhidos. 
 
Se, por outro lado, um acidente infeliz minasse a credibilidade da marca, pouco 
valeria as máquinas e instalações da fábrica, e a empresa teria muitas dificuldades 
em sobreviver. 
 
É essa “boa vontade” de clientes e simpatizantes em relação à marca que tem 
realmente valor para a empresa. 
 
David Aaker propôs um teste para avaliarmos o patrimônio de marca e o seu grau de 
fidelidade: quanto maior a porcentagem de clientes que se enquadram nos grupos 4 
e 5, maior a fidelidade e o patrimônio de marca. 
 
1) Os clientes trocam de marca, principalmente por razões de preço, 
2) Os clientes estão satisfeitos e não pensam em mudar de marca; 
3) Os clientes estão satisfeitos e pensam nos problemas que terão que enfrentar 
se tiverem que mudar de marca; 
4) Os clientes valorizam a marca e a consideram parte de sua vida; 
5) Os clientes são devotados à marca; 
 
Um alto patrimônio de marca fornece uma série de vantagens competitivas: 
 
• A empresa terá os custos de marketing reduzidos devido à conscientização e 
à fidelidade do consumidor em relação à marca; 
 
• A empresa terá mais poder de negociação com os distribuidores e varejistas 
porque os consumidores esperam que eles tenham a marca; 
• A empresa pode cobrar um preço maior do que o de seus concorrentes 
porque a marca tem maior qualidade percebida; 
 
• A empresa pode lançar extensões de linha mais facilmente porque o nome da 
marca possui alta credibilidade; 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
81 
 
 
 
A marca oferece à empresa certa defesa contra a concorrência por 
preço. 
 
Para que a marca mantenha o seu valor, é preciso investimento contínuo em 
pesquisa e desenvolvimento, publicidade habilidosa e excelente atendimento ao 
varejista e ao consumidor. 
 
6.7 Decisões de marca 
Pela sua importância, as decisões estratégicas de marca devem receber atenção 
especial. 
 
A primeira decisão é a de ter ou não uma marca, o que no passado já foi comum. 
Hoje, mesmo os produtos mais simples como sal, frutas, café etc. possuem alguma 
marca. 
 
Os distribuidores e varejistas querem nomes de marca porque elas facilitam a 
comercialização dos produtos, além de manter a produção em certos níveis de 
qualidade, fortalecendo as preferências do comprador, e ajudam a identificar os 
fornecedores. Já os consumidores querem nomes de marcas para ajudá-los a 
identificar diferenças de qualidade e comprar com mais eficiência. 
 
Por isso, pelas vantagens que a marca traz para consumidor e produtor, hoje são 
raros os casos de produtos sem marca. 
 
A segunda decisão a ser tomada é a de patrocínio de marca. O patrocinador deve 
ser a empresa, um canal intermediário ou deve-se criar uma marca para cada linha 
de produto. 
 
Ao se adotar uma marca da empresa para todas as linhas, uma marca corporativa, 
ela identifica todos os seus produtos. A grande vantagem é que, ao se criar uma 
marca de sucesso, pode-se lançar novos produtos com maior rapidez, maior 
aceitação, menores investimentos e riscos, já que o cliente conhece e aprecia a 
marca e está disposto a dar credibilidade aos novos lançamentos. 
 
O Patrimônio de marca, construído com a primeira linha de produto, é alavancado 
para o novo lançamento. A grande dificuldade a ser enfrentada é o risco de 
acontecer um problema sério com um produto de uma linha, que pode se espalhar 
por outros, mesmo que não tenham associação direta. 
 
 
 
 
 
 
 
Um problema de qualidade no leite Parmalat pode ter 
consequências sérias para o molho de tomate Parmalat. O mesmo 
problema pode ocorrer se for utilizada a marca de um canal 
intermediário. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
82 
No outro extremo, ao criarmos uma marca para cada produto ou linha de produto, 
evitamos que problemas de uma linha possam contaminar outra. Podemos construir 
a nova imagem de marca com base nos atributos mais adequados ao seu mercado-
alvo, focando melhor o esforço de marketing. Mas o patrimônio de marca terá que 
ser construído do zero, o que provavelmente custará mais e levará mais tempo. 
 
A Grand Metropolitan, por exemplo, é uma grande multinacional praticamente 
desconhecida, que tem como estratégia trabalhar apenas suas marcas individuais, 
como vodca Smirnoff, fast food Burger King, sorvetes Häagen-Dazs, tequilla Jose 
Cuervos e bitter Cinzano. Quando o bitter Cinzano apresentou desempenho inferior 
ao desejado, a marca foi vendida, sem que a imagem das demais marcas fossem 
afetadas. 
 
Podemos ainda utilizar uma estratégia híbrida, que é a de lançar o produto com uma 
marca corporativa em conjunto com uma marca específica de linha. Assim, a marca 
corporativa endossa a qualidade como um todo, enquanto a marca de linha ajuda a 
dar individualidade ao produto. 
 
É o caso, por exemplo, dos biscoitos São Luiz – “qualidade Nestlé” que busca 
destacar a qualidade em uma linha de produtos panificados, de uma empresa 
reconhecida pela sua qualidade em chocolate e leite. 
 
 
 
 
 
No estabelecimento do nome de marca, pode-se ter quatro 
estratégias básicas: 
 
Nomes individuais: as linhas de produtos são lançadas com nomes independentes 
para que não haja interação entre eles. É o caso, por exemplo, dos relógios Pulsar, 
de preços mais populares, que não afetam a marca tradicional Seiko, da mesma 
empresa. 
 
Nomes de família abrangentes: toda a linha compartilha uma marca comum, como 
as sopas Knorr. Isso permite que novos tipos de sopa lançados pela empresa já 
desfrutem de um certo conhecimento no mercado. 
 
Nomes de família separados: são desenvolvidos nomes específicos para cada 
linha de produto, de acordo com suas características ou de seus públicos-alvos. AEmbraco, por exemplo, possui a marca Cônsul para refrigeradores em mercados 
mais populares, a marca Brastemp está posicionada para os mercados de qualidade 
com preço justo e a marca Whirpool para os refrigeradores premium. 
 
Nome comercial da empresa combinado com diferentes nomes de produtos: 
trata-se da associação do nome da empresa a um nome de marca para cada 
produto, pela qual o nome da empresa legitima o novo produto e o nome individual o 
identifica. É o caso, por exemplo, da Kellogg’s, que possui o seu nome nos produtos: 
Kellogg’s Rice Krispies, Kellogg’s Corn Flakes. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
83 
Quanto ao nome de um produto, algumas dicas são importantes: 
 
• O nome pode estar relacionado a uma pessoa, a uma localidade, à qualidade 
ou a um estilo de vida, ou então inventar um nome artificial. 
 
• Ele deve sugerir algo a respeito dos seus benefícios ou sugerir suas 
qualidades como ação ou cor; deve ser fácil de pronunciar, de reconhecer e 
de lembrar (nomes curtos ajudam); deve ser inconfundível e não deve 
apresentar significados negativos em outros países e línguas. 
 
Para concluir as decisões de marca, basta estabelecer sua estratégia. Para isso, a 
empresa pode trabalhar com cinco opções básicas: 
 
Extensão de linha: é o uso da mesma marca em novas versões (tamanhos, 
sabores) do mesmo produto básico. A linha Clight, por exemplo, está lançando 
novos sucos com sabores manga e pêssego com fibras. 
 
Extensão de marca: é o uso da mesma marca para produtos diferentes, como por 
exemplo, o uso da marca de chuteiras Adidas para a nova linha de desodorantes 
Adidas. 
 
Multimarca: é o uso de novos nomes de marcas na mesma categoria de produtos, 
como no caso da Procter & Gamble, que possui nove marcas diferentes de sabão 
em pó. 
Nova marca: é o uso de uma nova marca em uma nova categoria de produto. A 
empresa Reckitt Benckiser, por exemplo, optou pela marca Bom Ar para 
purificadores de ar e Veja Multi-uso para líquidos para limpeza, além de outras 
marcas, como Veja, Lysol, Poliflor, Rodasol, Harpic e Passe Bem. 
 
Marcas combinadas: trazem duas ou mais marcas conhecidas, quando uma 
reforça e recomenda a outra. É o caso, por exemplo, das lava-louças Brastemp, que 
já vêm com o sabão em pó para lava-louça da marca Sun, ou do sorvete McDonald’s 
que usa o Chocolate Nestlé. 
 
6.8 Embalagem e rotulagem 
 
A maioria dos produtos deve ser embalada e rotulada. 
 
Para muitas empresas, a embalagem e a rotulagem são elementos da estratégia do 
produto e, portanto, merecem todo cuidado. Muitas embalagens são mundialmente 
famosas, como a garrafa de Coca-Cola, e vários profissionais de marketing 
consideram a embalagem como o 5º P, juntamente com o produto, preço, praça e 
promoção. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
84 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pode-se definir a embalagem como o conjunto de atividades 
relativas ao projeto e desenvolvimento do recipiente ou envoltório de 
um produto. 
 
Ela pode ser composta por: 
 
Embalagem primária, onde é armazenado o produto em si, como o 
frasco de um perfume ou a garrafa de um vinho; 
 
Embalagem secundária, que é uma proteção da embalagem 
primária, como a caixa de papel onde é colocada a garrafa do vinho 
ou do whisky; 
 
Embalagem de remessa, que acondiciona um lote para transporte, 
como a caixa de papelão onde colocamos meia dúzia de caixas de 
vinho. 
 
 
A embalagem passou a ser uma poderosa ferramenta de marketing. Embalagens 
bem desenhadas podem criar valores de conveniência e promocionais, além de ser 
um fator de influência à decisão de compra. 
 
Desenvolver uma embalagem requer muitas decisões. 
 
A primeira tarefa é definir a função da embalagem do produto, ou seja, o que ela é e 
faz para o produto em questão. Para isso, devem ser tomadas decisões sobre 
elementos adicionais – tamanho, forma, materiais, cores, texto e localização da 
marca. Além disso, deve ser considerado o uso de mecanismos que garantam a 
não-violação do produto. 
 
Os diversos elementos da embalagem devem também estar harmonizados com as 
decisões sobre determinação de preço, propaganda e outros fatores de marketing. 
 
Após ser projetada, a embalagem deve ser testada. Podem ser utilizados testes de 
engenharia (para verificar a resistência), visuais (para testar a visibilidade do texto e 
das cores), testes de distribuidores (para verificar a atratividade e manuseio) e testes 
de consumidor (para assegurar a sua aceitação). 
 
O rótulo é o projeto gráfico que compõe a embalagem. Pode ser simples, como uma 
etiqueta colada ou um produto visual elaborado. Em muitas categorias, ele contém 
informações importantes sobre o produto, sendo em alguns casos, como alimentos 
ou remédios por exemplo, regulamentado por leis específicas. Os cigarros também 
são uma categoria especial e suas embalagens devem conter advertências 
estabelecidas pelo Ministério da Saúde. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
85 
Eles podem desempenhar diversas funções: 
 
• Identificar o produto ou a marca; 
• Classificar o produto; 
• Descrever o produto (quem o fez e como usá-lo); 
• Promover o produto (ilustrações atraentes). 
 
 
 
 
 
É importante também que os rótulos sejam sempre renovados, uma 
vez que eles acabam ficando desatualizados com o passar do 
tempo. 
 
 
Enfim, essas são as últimas estratégias de marketing que devem ser tomadas em 
relação ao produto. Todas elas devem ser bem analisadas para que o produto possa 
chegar ao mercado pronto para ser comercializado e fazer sucesso entre os 
consumidores. 
 
 
 
 
 
 
Pesquise na internet a correlação das cores e suas influências 
na determinação da rotulagem das embalagens. Cada cor 
explicação de utilização de cor deverá vir seguida de dois 
exemplos práticos. 
 
 
 
 
 
 
Entre no site do INPI – Instituto Nacional de Propriedade 
Intelectual e pesquise sobre o processo de registro de marca. 
Desenhe fluxograma e descreva todas as fases. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
86 
7. PREÇOS 
 
 
Muitas decisões de compras são feitas com base nos preços dos produtos. A 
maioria dos consumidores possui desejos e necessidades ilimitadas, porém recursos 
limitados. A alocação destes recursos de forma eficiente otimizará a satisfação dos 
indivíduos de uma sociedade. O comprador, portanto, de forma geral, somente 
comprará algum produto ou serviço se o preço justificar o nível de satisfação que 
poderá derivar de sua compra. 
 
Uma boa determinação de preços poderá levar uma empresa ao desenvolvimento e 
lucratividade, ao passo que uma má determinação poderá levar uma empresa até 
mesmo à falência. 
 
Os preços estão sujeitos a lei da oferta e da procura. Quando os produtos são 
desejados e escassos, os preços tendem a subir para proporcionar um equilíbrio 
entre produção e consumo; se a oferta, porém, é maior que a procura, os preços 
tendem a diminuir para chegar ao equilíbrio desejado. 
 
Podemos perceber que ocorre uma relação inversa entre preço e quantidade: 
Quanto maior o preço, menor a quantidade. 
 
Os produtos agrícolas estão mais sujeitos à lei da oferta e procura. Em princípio, 
quando alguma safra é ruim, diminuindo o fornecimento do produto comercializado, 
os preços aumentam e quando a safra é boa, consequentemente aumentando o 
fornecimento, os preços diminuem. 
 
7.1 Influências Incontroláveis nos preços 
 
Monopólios: Onde existe apenas uma empresa fabricando produtos, como no caso 
da exploração e venda de petróleo no Brasil. As decisões de alteração do preço do 
petróleo-bruto e derivados caberá apenas à Petrobrás. 
 
Oligopólios: Onde existem poucas empresas fabricando produtos, como no caso de 
fabricação de pneus: Pirelli, Goodyear, Firestone, Michelin. As decisões de alteração 
de preços, geralmente são combinadas entre os representantes das principais 
empresas do setor. 
 
Oligopsônio: Situação de um mercado em que a concorrência é imperfeita do ladoda demanda, devido à presença de um número muito limitado de compradores. 
 
Monopsônio: é o monopólio às avessas, ou seja, a concentração do poder de 
compra por apenas um ente, em detrimento de seus fornecedores ou vendedores. 
Perpassa, em suma, como o mercado em que há vários vendedores e só um 
comprador, que detém o monopólio de compra. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
87 
8. PRECIFICAÇÃO E O CICLO DE VIDA DO PRODUTO 
 
 
8.1 Introdução 
 
Produtos no estágio introdutório normalmente não sofrem muita concorrência; por 
isso permitem maior liberdade para maior determinação de preços. Algumas 
empresas usam estratégia de desnatação para introdução de novos produtos. Com 
essa estratégia, os preços são estabelecidos em patamares mais altos visando 
atingir determinada classe social, para que sejam reduzidos posteriormente, a fim de 
atingir maior fatia de mercado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Evidentemente, os volumes de vendas são mínimos, pois 
presumidos uma nova tecnologia, (breakthrough) imaginamos que a 
concorrência ainda seja praticamente inexistente. Os preços são 
voltados para recuperar parte dos investimentos realizados e 
tendem a ser máximos, em relação aos demais estágios do próprio 
produto, acima de tudo é muito mais apropriado, 
mercadologicamente, um processo de paulatina redução de preços, 
à medida que o mercado cresce, em vez de acréscimos de valores, 
normalmente vistos como exploração, pelos consumidores. 
 
 
 
No entanto, a empresa poderá optar por uma estratégia de penetração. Nesse 
caso o preço é determinado em níveis mais baixo com vistas à venda em grande 
quantidade, atingindo maior número de consumidores. 
 
Exemplo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Universal Pictures lançou no dia 05/04/2006, por R$ 89,90 o DVD 
do “King Kong”. Hoje, o mesmo produto é encontrado por R$ 49,90 
na mesma distribuidora. Lançamento de remédios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
88 
8.2 Crescimento 
 
Vencida a etapa introdutória, fato que normalmente não ocorre, pois a maior parte 
dos produtos lançados, não consegue ultrapassá-la, atinge-se o estágio de 
crescimento. O volume de vendas cresce, assim com as receitas. Evidentemente o 
fato de este produto ser até então vitorioso, em termos volumétricos, desperta a 
atenção de concorrentes, que tenderão a desenvolver similares, frequentemente, 
lançados a preços inferiores, gerando um movimento contínuo de redução real de 
preços no setor. Provavelmente, em algum nível deste estágio o produto já atingiu 
seu payback, considerados todos os investimentos e as despesas iniciais e 
posteriores, necessárias ao seu desenvolvimento e crescimento. Este nível 
dependerá fortemente das margens de contribuição totais auferidas. 
 
 
 
 
 
 
Aparelhos de TV (LCD, plasma); lâmpadas fluorescentes; carros 
flex. 
 
 
 
O que ocorreu com a Motorola. Até 1999, a empresa havia perdido 50% do mercado 
de aparelhos telefônicos celulares, caindo de 80% para 30% do marketing share. O 
fato mais marcante para esta queda vertiginosa foi a migração do mercado 
consumidor da tecnologia analógica para a digital, sem que a empresa tivesse 
preparada 
 
8.3 Maturidade 
 
Suponha, agora, que seu produto seja um vencedor e tenha atingido a fase máxima, 
de Maturidade. Como se vê, os volumes são os maiores; provavelmente, num 
segundo segmento industrial, o número de ofertantes tenha diminuído, pois não 
conseguiram ultrapassar a fase de crescimento. 
 
 
 
 
 
Exemplo: Algumas cervejas tradicionais. 
 
 
8.4 Declínio 
 
É evidente que o movimento declinante de vendas é acompanhado por redução 
acentuada nos preços do produto. Estamos retratando as características básicas de 
um negócio em Declínio. O administrador tem que se preocupar em fazer caixa para 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
89 
alavancar produtos que demandam investimentos, ou nos lançamentos, 
notadamente aqueles em fase de introdução ou crescimento. Quando temos 
produtos em fase declinante, devemos, sempre que possível, procurar alternativas 
para sua preservação ou reposicionamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Gazeta Mercantil publicou uma matéria com o título: “Empresas de 
pagers se revigoram com a segurança de automóveis”, em que 
mostra a migração da antiga finalidade do aparelho para uma nova 
associada à questão de segurança automotiva. 
 
Lâmpadas com filamento de tungstênio para as fluorescentes; gás 
CFC; Caixas d’água de amianto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
90 
9. PRAÇA E DISTRIBUIÇÃO 
 
 
Entre as variáveis de marketing, a distribuição vem assumindo um papel cada vez 
mais importante na dinâmica de mercado. 
 
 
9.1 Mas o que é distribuição? 
 
É tudo o que pode ser utilizado para tornar o produto o serviço disponível ao cliente. 
É importante definir aqui que cliente não é apenas o consumidor final que compra o 
produto, mas também as empresas produtoras, os fornecedores e parceiros e ainda 
os revendedores (empresas de distribuição). 
 
É na rápida mudança do sistema de distribuição, verificada a partir do final da 
Segunda Guerra Mundial, que residem as causas do crescente conflito entre 
indústria e distribuição. Por certo, tal conflito teve, e ainda tem, repercussões sobre o 
consumidor final. 
 
As empresas industriais, na verdade, ressentem-se da perda de poder de 
negociação para as empresas de distribuição que, devido ao fato de possuírem um 
sistema administrativo mais complexo e sofisticado e maior acesso ao mercado, 
aumentaram a concentração das redes de lojas. 
 
Para compreender o cenário da distribuição moderna, deve-se examinar suas fases 
evolutivas. E mais: é necessário, sobretudo, descobrir as tendências do atual 
sistema a fim de se estabelecer as orientações estratégicas e o desenvolvimento 
das estruturas organizacionais a serem implantadas pelos administradores de 
marketing. 
 
Para estudar o sistema de distribuição, é preciso primeiramente analisar três 
personagens principais envolvidos: 
 
Produtor 
 
É a pessoa que se preocupa em criar produtos de acordo com as exigências e as 
necessidades do consumidor e fazer com que eles estejam disponíveis no maior 
número possível de pontos de venda. 
 
Distribuidor 
 
É a pessoa que se organiza para oferecer ao consumidor uma variedade de 
produtos coerentes tanto com a política da empresa quanto com o público-alvo 
escolhido. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
91 
Consumidor 
 
É a pessoa que, em função de exigências específicas, prefere comprar somente em 
determinados pontos de venda e consumir apenas certos tipos de produto. 
 
 
Esses três personagens evidenciam a importância da distribuição que, tornando o 
produto disponível para a compra, constitui o elo entre a empresa e o consumidor, 
no qual o papel do administrador de marketing é facilitar a relação entre eles. 
 
9.2 Etapas do processo de distribuição. 
 
1ª etapa – Nesta etapa se prevê a transferência do produto do fabricando até o 
distribuidor. É fundamental que sejam consideradas as exigências do distribuidor 
para manter um bom nível do serviço e, além disso, alguns fatores como a contínua 
disponibilidade do produto, a racionalidade das unidades de embalagem e a 
pontualidade na entrega merecem atenção redobrada. 
 
É imprescindível também que o administrador de marketing saiba diferenciar os 
diversos tipos de distribuição, uma vez que estes apresentam políticas comerciais e 
estruturas organizacionais específicas e, por consequência, possuem exigências 
diversificadas de serviço. 
 
2ª etapa – Nesta etapa realiza-se a transferência do produto da distribuição para o 
consumidor final. Isso pode acontecer diretamente, caso em que se adota a 
expressão canal curto ou distribuição direta, ou por meio de outras passagens, que 
envolvem a presença de papéis comerciais intermediários (atacadista) e de 
estruturas organizacionais(centros de distribuição) – caracteriza–se aí o chamado 
canal longo ou distribuição indireta. 
 
O quadro geral da distribuição mudou radicalmente nos últimos anos. 
 
Antigamente, os canais utilizados para transferir mercadorias do fabricante para o 
consumidor eram basicamente construídos por estabelecimentos atacadistas e 
revendedores, o que difere da situação atual. 
 
Hoje temos canais diversificados em termos de: 
 
• Dimensões (com o advento dos supermercados e hipermercados); 
 
• Estrutura organizacional (cooperativas uniões voluntárias, grupos de compra); 
 
• Modalidades de venda (pegue & pague, atacadistas, varejistas, distribuidores 
de grande porte). 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
92 
Além disso, pode acontecer de muitas das empresas de distribuição operarem 
simultaneamente em mais de um canal, aumentando ainda mais a complexidade 
das relações com as empresas produtoras, que precisam diversificar suas condições 
de oferta e de serviço. 
 
A evolução do sistema de distribuição deu-se principalmente por dois motivos: 
 
• Pela saturação dos mercados, ou seja, a mudança da orientação do produto 
para o mercado visando às contínuas exigências dos consumidores; 
 
• Pela mudança radical no comportamento de compra do consumidor que, pela 
grande oferta de produtos, amadureceu e passou a ter padrões de compra 
mais sofisticados e difíceis de interpretar. 
 
9.3 Tipos de distribuição 
 
A política e o sistema de distribuição visam sempre o longo prazo. O sistema em si 
tem de ser visto pelo administrador de marketing como um compromisso de longo 
prazo, ou seja, nenhuma empresa muda periodicamente a maneira de distribuir seus 
produtos e serviços. 
 
Portanto, antes de operacionalizá-los há que se analisar e decidir sobre os seguintes 
pontos: 
 
 
• Quais são os objetivos de penetração e ocupação de mercados pretendidos? 
• Já foram priorizados e selecionados os segmentos de mercados desejados? 
• Qual o nível de risco que se tem em mente? 
• Será preferível ter poucos clientes que representem parcela importante do 
faturamento ou, ao contrário, será dada preferência a um maior número de 
clientes, não permitindo que nenhum deles venha a significar mais do que 
uma percentagem definida do faturamento previsto (em um mês, por 
exemplo)? 
• Qual o posicionamento desejado para nossa marca ou produto? 
• Como compatibilizar posicionamento com os canais de distribuição? 
 
Analisadas e respondidas as perguntas, a empresa precisa agora decidir o tipo de 
distribuição que irá utilizar, de acordo com suas necessidades específicas. 
 
A distribuição direta é o processo de comercialização que ocorre sem a participação 
de outra pessoa jurídica (para comprar e revender). Pode ser realizada por meio da 
venda pessoal (por exemplo: um fabricante de bens industriais vende seus 
produtos diretamente aos seus clientes, valendo-se de seus vendedores) ou por 
meio do marketing direto, de telefonemas (telemarketing), de reembolso postal, de 
catálogos ou da Internet. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
93 
Como exemplo podemos citar a Avon, que atende seu mercado por meio de sua 
equipe de venda direta, que distribui seus catálogos e recolhem os pedidos dos 
clientes. 
 
A distribuição indireta caracteriza-se por utilizar, no fluxo dos produtos, as figuras do 
atacado e/ou varejo. 
 
Ela pode ser de três tipos: 
 
Intensiva – quando o objetivo da empresa é colocar seus produtos em todo e 
qualquer ponto de venda que queira comercializá-lo. 
 
Seletiva – quando se leva em conta a imagem do produto, ou seja, a imagem do 
ponto de venda deve ser compatível com a que se pretende fixar para o produto. 
 
Exclusiva – quando a empresa quer preservar ao máximo possível a imagem do 
produto, colocando-o apenas em locais diferenciados e exclusivos. 
 
 
 
 
 
 
Pode-se citar uma loja de cosméticos de um shopping center, que 
revende produtos de marcas diversas aos seus clientes ou aqueles 
que revendem apenas produtos importados. 
 
 
 
Vale ressaltar que em cada tipo de distribuição o administrador de marketing 
desempenhará uma função diferente. Por exemplo, na distribuição intensiva ele 
deve ter o controle de todo o processo, pois o mais importante é disponibilizar o 
produto em todos os pontos de venda evitando casos de desabastecimento. 
 
Já na distribuição seletiva é preciso se certificar que o ponto de venda poderá 
oferecer alguns serviços e facilidades que o produto requer como: crédito, 
assistência técnica, qualidade dos vendedores, layout racionalizado, estacionamento 
etc. 
 
Na distribuição exclusiva o revendedor precisa ter as características compatíveis 
com o que se espera de um atendimento condizente com o perfil do cliente final, já 
que esses produtos vendem mais a identificação com a sua marca do que o produto 
em si. 
 
Resumindo, o administrador de marketing deve considerar o mercado-alvo a ser 
conquistado, os hábitos e desejos do seu público, bem como os atributos do seu 
produto antes de escolher o tipo ideal de distribuição. 
Ao analisar as alternativas de distribuição, o administrador de marketing deve 
considerar uma série de variáveis: 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
94 
Disponibilidade de recursos: em tese, quanto maior for essa disponibilidade, maior a 
possibilidade de fazer uso da distribuição direta (em princípio é a mais agressiva e 
rentável). 
 
Potencial do mercado: quanto maior esse potencial, mais indicada é a distribuição 
direta (o faturamento elevado gerará recursos para cobrir os custos dessa 
distribuição). 
 
Concentração geográfica dos clientes: neste caso a distribuição direta é indicada 
pelos mesmos motivos apresentados quanto ao potencial de mercado. 
 
Necessidade de estoque: quanto maior for a necessidade de estocagem, mais 
recomendável será a distribuição indireta. Dessa maneira, transferimos para os 
intermediários, parte do custo desse estoque e melhoramos a qualidade da logística 
envolvida (maior rapidez no escoamento dos estoques). 
 
Complexidade do produto ou serviço: quanto mais complexo o produto, mais 
recomendável será a distribuição direta. É o caso dos bens industriais, por exemplo. 
 
Grau de mudança tecnológica ou mudança de estilo: em geral, há diferentes 
segmentos de mercado que, por disporem de recursos limitados ou por usarem 
determinado produto com pouca frequência ou pouca intensidade, adquirem bens 
que já não são os mais modernos. Segmentos pouco exigentes com relação à moda 
farão o mesmo. Por isso, as categorias de produtos com essas características 
(frequentes mudanças tecnológicas e/ou estilo) costumam merecer uma distribuição 
indireta. 
 
Para o fabricante, será mais fácil administrar sua produção e seus estoques, 
explorando simultaneamente diferentes segmentos de mercado. 
 
Perecibilidade: muitos podem imaginar que os bens perecíveis devem ser 
distribuídos diretamente. Não é bem assim. Uma vez que precisam ser distribuídos 
rapidamente, é necessária a utilização de todos os intermediários possíveis. 
Portanto, os bens perecíveis são, via de regra, distribuídos indiretamente. 
 
Falamos até agora de produtos comuns, que podem ser classificados em uma 
categoria para a tomada de decisão sobre o tipo de distribuição a ser utilizada. 
Porém, existem alguns produtos e serviços que requerem especificidade na sua 
distribuição. Vamos conhecer alguns exemplos desses produtos e saber como deve 
ser sua adequada distribuição. 
 
Canais para bens organizacionais: o número de compradores de bens 
organizacionais é muito menor do que no caso dos bens de consumo. Além disso, 
os compradores organizacionais estão mais concentrados geograficamente e com 
frequência compram quantidades relativamente grandes. Muitos bens 
organizacionais, como sistemas de computador ou equipamentos médicos 
sofisticados, precisam de muitos serviços antes e depois da venda. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICAI 
95 
 
O canal mais comum para eles é o canal direto do fabricante para os compradores 
organizacionais. Esse sistema é mais eficiente quando os compradores são grandes 
e bem definidos, a venda requer extensas negociações, o preço unitário é alto e o 
produto exige serviços de suporte. A equipe de vendas tecnicamente treinada do 
fabricante pode ser mais bem equipada para explicar produtos complexos e 
sofisticados. Os compradores organizacionais podem desejar essa experiência e 
não se mostrar dispostos a comprar de representantes de vendas independentes. 
 
Canais para serviços: como são em sua maioria produzidos e consumidos ao 
mesmo tempo, os serviços geralmente são distribuídos diretamente. Assim, para ter 
uma declaração de Imposto de Renda preparada por um contador ou comprar 
seguros da Marítima, os clientes contatam o fornecedor que presta esses serviços 
ou são contatados por ele. 
 
Do mesmo modo, proprietários de gatos que queiram castrar ou vacinar seus 
bichinhos vão diretamente ao veterinário, enquanto gerentes comerciais que 
precisem de copeiras e garçons para um coquetel tratam diretamente com uma 
agência de eventos. Quando as empresas de serviços usam intermediários, 
geralmente usam agentes. Agentes de viagens, por exemplo, atuam em nome de 
seus clientes para comprar passagens aéreas e fazer reservas em hotéis. 
 
Canais de distribuição múltiplos: para atingir diversos mercados, os fabricantes 
podem usar vários canais de distribuição para um único produto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hering, tradicional fabricante de camisetas, vende seus produtos por 
meio de várias lojas (como lojas de departamento, de bairro e 
atacadistas). Ela também utiliza canais diretos como lojas próprias em 
shoppings e o Hering Virtual Store na Internet. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um fabricante também poderia usar um tipo de canal de marketing para servir 
consumidores e outro para servir compradores organizacionais. Em alguns casos, 
as empresas usam múltiplos canais para adequar-se a uma estratégia de várias 
marcas. Com certo nome de marca, o produto é distribuído por um canal e, com 
outra marca, é distribuído por outro canal. Por exemplo: o empresário italiano 
Giorgio Armani possui em São Paulo duas marcas distintas – a Empório Armani e a 
Giorgio Armani – vendidas em lojas separadas, com conceitos diferentes, para um 
público de elevado poder aquisitivo, porém com objetivos e conceitos de moda 
diferentes. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
96 
 
Canais reversos: tradicionalmente, os canais de distribuição movem produtos do 
fabricante para o consumidor final. Às vezes, porém, os bens se movem na direção 
oposta. O canal de distribuição que vai do usuário final para o fabricante é chamado 
de canal reverso. Por exemplo: a Latasa atua na reciclagem da lata de alumínio por 
meio de mais de 20 pontos de troca no Brasil, onde cada latinha vale um centavo em 
vales-compra, e por meio do Programa Escola, que as troca por equipamentos para 
as escolas. 
 
Como comprador organizacional, o McDonald’s participa de canais reversos para 
materiais reciclados, empenhando-se, por exemplo, em comprar um valor de pelo 
menos 100 milhões de dólares, em todo o mundo, de produtos reciclados por ano, 
para construir, operar e equipar seus restaurantes. Muitas lojas são construídas de 
blocos de concreto isolados, feitos com filme reciclado ou telhas fabricadas com 
caixas de computador. 
 
A administração do canal de distribuição deve ser feita com eficiência, 
independentemente se a empresa possua o seu próprio canal ou utilize os serviços 
de terceiros. 
 
O objetivo principal da equipe envolvida em todo esse processo, bem como de todos 
da empresa, deve ser sempre o de criar valor para os seus clientes, desenvolvendo 
relações de longo prazo e, para isso, a distribuição dos produtos tem um papel 
fundamental, já que canais certos levam os produtos aos locais onde eles 
efetivamente serão comprados, enquanto canais errados podem fazer com que os 
clientes nunca sequer encontrem os produtos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Pepsi, por exemplo, aprendeu essa lição da maneira mais difícil 
no Brasil. Ansiosa para abocanhar uma parcela significativa do 
mercado em crescimento na América do Sul, ela escolheu 
apressadamente um parceiro para distribuição com um histórico 
complicado: um antigo engarrafador da Coca-Cola, que foi indiciado 
certa vez por acusações referentes à fixação de preços. 
 
 
A gigantesca franquia chamada BAESA (Buenos Aires Embotelladora S.A.), lançou 
um plano excessivamente ambicioso para o Brasil, que envolvia a compra de 700 
caminhões. Em contrapartida, os concorrentes, incluindo a líder de mercado Coca-
Cola, moveram-se mais lentamente, construindo lealdade de marca e fazendo 
acordos com cervejarias para que seus caminhões de cerveja alocassem espaço 
para refrigerantes. Resultado: as vendas da Pepsi despencaram, o empreendimento 
perdeu dinheiro e a BAESA saiu do negócio. 
 
A empresa aprendeu a lição, é claro. Hoje está forte novamente no mercado, 
acompanhando os passos do seu principal concorrente, a Cola-Cola, e lançando 
produtos novos sempre que possível. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
97 
 
Portanto, a lição que fica é que muitos fatores influenciam a seleção de canais de 
distribuição apropriados. Esses fatores podem ser analisados e avaliados ao se 
estabelecer um canal pela primeira vez e, depois, monitorado para se detectar 
mudanças que possam levar à necessidade de novos canais, mas sempre tomando 
cuidados para que erros não sejam cometidos, uma vez que mudar de canal pode 
ser muito caro e difícil posteriormente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estudo de Caso C&A 
 
Na sala de um apartamento residencial 
na região central de São Paulo, Ramón 
empurra sua caixa de brinquedos por 
entre máquinas industriais, bancadas, 
ferramentas e montes de roupas que 
esperam para ser costuradas. Outras 12 pessoas ocupam o espaço. 
Com a fiação elétrica exposta, o risco de incêndio é permanente. As 
janelas estão lacradas. O barulho das máquinas pode denunciar a 
oficina clandestina e trazer a polícia. Faz um calor infernal, o ar está 
pesado no ambiente sem ventilação. 
 
Sentada há mais de 16 horas diante da máquina de costura, a mãe 
de Ramón tem pressa. Maria Diaz costura uma peça de roupa atrás 
da outra, intensamente. Ela tem uma agenda para cumprir. Só pára 
quando precisa comer ou ir ao banheiro. A mãe do pequeno Ramón 
é uma mulher exausta. 
 
Desde que chegou ao Brasil, em 2003, trabalha do amanhecer até 
tarde da noite. Não tem carteira assinada, equipamento de proteção, 
assistência médica. Ela não existe nos registros de imigração. 
Oficialmente, o governo brasileiro não sabe de sua presença. 
Tampouco sua saída da Bolívia, em 2003, foi registrada pelo governo 
daquele país. Maria foi trazida para São Paulo por intermediários 
conhecidos como "coiotes", que ganham dinheiro contrabandeando 
gente de um país para outro. Em São Paulo, pelo menos 100 mil 
bolivianos estão nessa situação. 
 
Maria Diaz faz parte de um grupo de dezenas de milhares de 
imigrantes que vivem em São Paulo anonimamente, sob o risco da 
extradição, vítimas do preconceito e sem nenhum tipo de garantia 
social ou trabalhista. Ela não pode se dar ao luxo de expor sua 
imagem. 
 
Os imigrantes são explorados por uma indústria bilionária e 
transnacional. Na ponta dessa cadeia produtiva clandestina e 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
98 
precária está uma das mais tradicionais e conhecidas redes de lojas 
do mundo: o grupo C&A. As lojas C&A vendem roupas costuradas 
por pessoas forçadas a atuar à margem da lei, gente que não tem 
respeitados sequer os direitos fundamentais da pessoa humana. 
 
A C&A sabe do problema há pelo menos um ano. Mesmo assim, 
continua se beneficiando, por intermédio de dezenas de malharias, 
de uma mão-de-obra extremamente precarizada. O importante é que 
as roupas cheguem ao consumidor de formarápida e barata. Os 
imigrantes? Nem existem oficialmente. Não podem sequer reclamar, 
pois do contrário serão presos e podem até ser deportados. 
 
Tempos modernos. 
 
Com vendas que chegaram, em 2005, a 5,2 bilhões de euros na 
Europa, a C&A registrou, segundo apuração da agência Bloomberg, 
um lucro de mais de 500 milhões de euros. Reportagem do jornal 
Valor Econômico, de São Paulo, mostra que as lojas da empresa no 
Brasil estão entre as mais rentáveis operações da C&A em todo o 
mundo, "se não forem as maiores". 
 
Fundada na Holanda em 1841, a rede chegou ao Brasil em 1976 e 
tem 113 unidades no país. De acordo com pesquisa do banco Credit 
Suisse feita em março, os preços da C&A costumam ser, em média, 
entre 10% e 15% mais baixos do que os da Renner, uma de suas 
principais concorrentes. Os preços desta, por sua vez, são 50% a 
60% mais baratos do que os da Zara, empresa espanhola que 
também atua no Brasil. 
 
Qual o segredo da C&A? Uma de suas principais armas é o preço. A 
empresa adota uma estratégia que alia preços baixos a um 
marketing de alto impacto. Não mede custos para divulgar a marca. 
Entre suas garotas-propaganda está uma das modelos mais caras 
mundo, a brasileira Gisele Bündchen. 
 
O pequeno Ramón, que empurra sua caixa de brinquedos na oficina 
caótica e abafada, não tem a mínima ideia do que sua mãe faz 
durante mais de 16 horas por dia à frente daquele monstro 
barulhento. Sua própria vida tem sido um tanto confusa. Aos cinco 
anos de idade, veio para o Brasil em um ônibus lotado de imigrantes 
irregulares que deixaram para trás, no interior da Bolívia, a fome, a 
miséria e o desemprego. Chegaram a São Paulo cheio de dívidas 
com seus contratantes, em busca de trabalho e de uma vida melhor. 
Por isso, para fugir da fome, sua mãe consome o tempo na máquina 
onde costura roupas para a C&A. Todo tipo de roupa: blusas, 
casacos, calças. Ganha R$ 0,20 por cada peça costurada. Por isso 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
99 
ela tem pressa. Precisa trabalhar muito para apurar algum dinheiro e 
atender à intensa demanda de seus contratantes. 
 
Afinal, a C&A está entre as lojas que mais vendem roupas no país. O 
processo funciona da seguinte maneira: a C&A precisa costurar suas 
roupas. Para isso, contrata malharias legalmente instaladas em São 
Paulo. Estas malharias, por sua vez, repassam o trabalho para 
oficinas clandestinas. Com isso, as roupas vendidas pela C&A 
entram num círculo vicioso de trabalho precário e ilegalidade. 
 
Reportagem de Marques Casara no jornal Brasil de Fato expõe 
condições de trabalhadores em malharias clandestinas de São 
Paulo. Do jornal Brasil de Fato, 23/6/2006. 
 
Questionamentos: 
 
1) Você sabia que a cidade de São Paulo abriga milhares de 
estrangeiros provenientes de países como Bolívia, Peru, 
China e Coréia do Norte? 
2) E que estes estrangeiros trabalham em regime de semi-
escravidão e moram dentro dos galpões de manufatura? 
3) Muitos dos produtos consumidos por nós são na verdade 
feitos em locais sem a mínima infra-estrutura, higiene e 
segurança. 
4) Os índices de acidentes são os mais altos e ocorrem até 
mortes sem que ninguém, além dos chefes e gerentes, 
tomem conhecimento. 
5) E que tudo isso é reflexo de uma sociedade imediatista, 
capitalista e globalizada. 
6) Qual a sua opinião sobre essa reportagem? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
100 
10. PROMOÇÃO E COMUNICAÇÃO 
 
 
10.1 Comunicação integrada de marketing 
 
O marketing moderno exige mais do que desenvolver um bom produto a um preço 
atraente e torná-lo acessível. As empresas precisam também se comunicar com as 
atuais e potenciais partes interessadas e com o público em geral. 
 
Toda empresa tem, inevitavelmente, que assumir o papel de comunicadora e 
promotora, sabendo exatamente o que dizer, para quem dizer e com que frequência 
fazê-lo. 
 
As ações de comunicação estão voltadas à persuasão por meio da transmissão de 
uma mensagem ao cliente, na qual o esforço é mostrar o produto como a satisfação 
de uma necessidade implícita ou explícita. 
 
Uma comunicação integrada resulta do conhecimento de que os objetivos de 
comunicação de marketing só poderão ser eficazmente atingidos se todos os 
elementos estiverem integrados e coordenados, criando uma posição, mensagem ou 
imagem únicas, diferenciadas e consistentes na mente do consumidor-alvo. 
 
Os objetivos das ações integradas de comunicação são: 
 
• Fixar o produto na mente do consumidor. 
• Criar uma imagem única e consistente sobre o produto. 
• Construir uma imagem de marca diferenciada e sustentável na mente do 
consumidor. 
• Oferecer informações e incentivos para o consumidor adquirir o produto ou 
serviço da empresa. 
• Gerar atitude favorável dos diversos segmentos de público que interagem 
com a empresa. 
 
Além de ter como objetivo principal colocar o produto dentro da mente do 
consumidor, em geral os administradores de marketing utilizam a comunicação para 
tentar aumentar vendas e lucros ou alcançar outras metas. 
 
Ao fazer isso, eles informam, persuadem e lembram os consumidores para que 
comprem seus produtos e serviços. Para aumentar as vendas, eles comunicam as 
vantagens superiores de seus produtos, seus custos mais baixos ou certa 
combinação entre benefícios e custos desejados pelos consumidores, fazendo com 
que eles os desejem e os comprem. 
 
Além disso, ações específicas de comunicação podem fazer com que os clientes 
comprem mais produtos da empresa, quando são enfatizados novos usos para eles. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
101 
Por exemplo, as sopas Maggi vendem mais quando os consumidores percebem, por 
meio de receitas impressas na embalagem, que podem usá-la também como base 
para risotos, bolinhos, carnes e outros pratos. 
 
A Skol, fabricante de bebidas tem utilizado uma propaganda bastante criativa para 
comunicar o seu produto. Ela consiste em comparar o seu produto ao do seu 
concorrente, criando uma situação que vai se desenvolvendo com o passar do 
tempo, em que as pessoas que consomem o seu produto são colocadas numa 
posição mais “vantajosa” em relação àquelas que consomem o produto da 
concorrência, os quais vão ficando “quadradas” com o tempo e se divertindo com 
situações antigas e ultrapassadas. 
 
É uma estratégia interessante e marcante, que visa transmitir que o produto da Skol 
deixa as pessoas mais felizes, modernas e divertidas. Mais que um benefício 
objetivo, como ser nutritiva, matar a sede ou conter vitaminas, a empresa deseja 
posicionar seu produto como parte e símbolo de um estilo de vida. Ela deseja criar, 
na mente do consumidor, a associação entre o produto e um jeito de ser, 
identificando o consumo do produto com o dia-a-dia de pessoas com esse perfil. 
 
Ela explora uma característica de seu público-alvo, que busca essa posição na 
sociedade, e esse reconhecimento – lembre da Hierarquia de Maslow, a busca de 
reconhecimento social – como pessoas com esse perfil: modernas, felizes e que 
sabem se divertir. Cria-se na mente do consumidor esta associação – se a pessoa 
está consumindo esta marca, ela é uma daquelas que têm esse perfil. 
 
Ações que visam agregar valor ao produto estão sendo cada vez mais utilizadas 
pelas empresas. Propagandas cada vez mais criativas possuem o objetivo de 
persuadir os consumidores, fazendo-os enxergar outros atrativos nos seus produtos 
além daqueles que eles já conhecem. 
 
 
 
 
 
 
 
Não basta para as empresas hoje em dia apenas mostrar que o seu 
refrigerante “mata” a sede, é preciso associá-lo a outros atrativos 
como poder de conquista, garantia de satisfação e diversão, entre 
outros. 
 
 
 
O administrador pode ainda aumentar as vendas e lucros promovendo custos mais 
baixos para os clientes. Isso é comumente feito por meio de preços mais baixos por 
um tempo limitado. 
 
As Lojas Americanas, por exemplo, ocasionalmente anunciam “queima” de CDs por 
preços bem abaixo do mercado.Além dela, podemos citar lojas que fazem ofertas 
sazonais quando trocam suas coleções de roupas ou supermercados e 
distribuidores que vendem ovos de Páscoa e panetones depois das respectivas 
datas festivas. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
102 
 
As organizações que não visam lucros também utilizam a comunicação para atingir 
suas metas. A Comunidade Solidária (um programa de ação social coordenado pelo 
governo em parceria com a sociedade), por exemplo, utiliza anúncios para atrair 
voluntários, enquanto que as Casas André Luiz (organização social ligada ao 
movimento espírita) os utilizam para pedir donativos. 
 
A comunicação também é empregada pelo administrador de marketing para atingir 
metas estratégicas específicas. Veja a tabela que mostra isso. 
 
 
 
 
10.2 O processo de comunicação 
 
Estamos falando sem parar em comunicação, mas ainda não temos uma definição 
para ela. Então, vamos lá! Comunicação é... 
 
• A transmissão de uma mensagem de um emissor para um receptor, de modo 
que ambos a entendam da mesma maneira. 
• Uma linguagem comum utilizada entre duas pessoas de forma que elas 
possam se entender. 
• Uma forma de contato. 
 
Dessa forma, um anúncio impresso, um cupom promocional, um spot de rádio, um 
comercial de televisão ou qualquer outra forma de comunicação de marketing devem 
transmitir claramente o significado pretendido. 
 
Vamos ver agora como se dá o processo de comunicação. Existem dois 
personagens principais nesse processo: fonte emissor e receptor. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
103 
 
A fonte emissora determina qual informação será comunicada e depois codifica a 
mensagem em símbolos apropriados, tais como palavras ou imagens. O receptor 
recebe a informação da fonte emissora e decodifica a mensagem interpretando seu 
significado. 
 
 
O esquema seria o seguinte: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A comunicação envolve um processo. A fonte emissora (uma empresa ou um 
indivíduo, por exemplo) determina qual informação será comunicada e codifica a 
mensagem em símbolos apropriados, tais como palavras ou imagens. Por meio de 
um meio de comunicação – televisão, rádio, palavras escritas, imagens fotográficas, 
discurso ao vivo ou sons musicais – ela transmite a mensagem ao receptor (pessoa 
ou grupo para quem a mensagem é destinada). Em seguida, o receptor decodifica a 
mensagem interpretando seu significado. Se o receptor não decodifica ou não 
consegue decodificar corretamente a mensagem para entender o que a fonte 
pretendia, então existe um ruído no sistema de comunicação. 
 
 
É aí que entra o papel do administrador de marketing. 
 
Ele assume o desafio de fazer com que a mensagem seja compreendida, utilizando 
a linguagem para que a codificação e a decodificação ocorram de forma adequada e 
o meio mais adequado para atingir o público-alvo, minimizando as chances de 
ruídos acontecerem e impedirem que seus objetivos sejam alcançados. 
 
O fornecimento de um feedback é a forma que o receptor usa para mostrar à fonte 
emissora se ele entendeu ou não a mensagem transmitida, reiniciando o processo 
de comunicação no qual, agora, o receptor torna-se a fonte emissora e vice-versa. 
 
Podemos dizer que um feedback positivo do receptor é a compra do produto, a 
aceitação da imagem da empresa ou a solicitação de informações adicionais. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
104 
 
 
 
 
Um bom exemplo que se pode citar refere-se à divulgação de um 
filme. 
 
Quando a Universal Pictures estava prestes a lançar o filme 
Independence Day, teve que se comunicar com frequentadores de 
cinemas para fazê-los comprar ingressos. Ela apresentou trailers do 
filme anunciando-o como a próxima atração nas telas dos cinemas, 
enviou atores para programas de entrevistas na televisão, conseguiu 
que sinopses do filme fossem publicadas em jornais e revistas e, para 
completar, veiculou comerciais na televisão. 
 
Dada a mídia que utilizou para transmitir suas mensagens, a Universal 
alcançou seu público-alvo. Os cinéfilos receberam a mensagem em 
alto e bom som e fizeram do filme um enorme sucesso de bilheteria. 
 
Em suma, uma fonte (Universal Pictures) codificou mensagens 
(palavras, imagens, música, ação) sobre seu empolgante produto (o 
filme), transmitiu-as por várias mídias (telas dos cinemas, televisão, 
jornais), que foram decodificadas (recebidas e entendidas) pelos 
receptores (frequentadores de cinema), os quais, em troca, 
forneceram um feedback positivo (compra de ingressos para o filme). 
 
 
 
O administrador de marketing, naturalmente, deseja que os receptores de 
mensagens respondam comprando os produtos ou marcas oferecidas. 
 
No entanto, para se obter esse resultado, a comunicação precisa, primeiro, 
influenciar os clientes de diversas maneiras. 
 
Uma forma de analisar os esforços de comunicação é vê-los como influenciadores 
da atenção, do interesse, do desejo e da ação dos clientes. 
 
Trata-se do modelo AIDA. Veremos como funciona a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
105 
É necessário criar uma comunicação que rompa a desordem gerada por todas as 
outras mensagens, de forma que o público-alvo preste atenção a ela. É mais 
provável, portanto, que as mensagens sejam consideradas quando forem distintas e 
relevantes para a audiência. Dessa forma, os profissionais de marketing que 
segmentam corretamente seu público-alvo e se concentram no valor para ele estão 
em melhor posição para criar mensagens que prendam sua atenção. Toda 
comunicação deve despertar a Atenção para que o processo se inicie. 
Em seguida, a comunicação visa gerar Interesse na empresa e em seus produtos e 
marcas. Em geral, isso significa informar os receptores da mensagem sobre como a 
empresa ou seus produtos podem propiciar valor para eles. 
 
Um modo básico para se fazer isso é concentrar-se nos benefícios e não apenas 
nas características. Se as informações sobre benefícios forem apresentadas com 
sucesso, os receptores podem desenvolver o Desejo pelos produtos descritos. 
 
 
A última fase do modelo AIDA – a Ação (particularmente a compra) – é a que mais 
diretamente afeta a empresa e a mais difícil de ser atingida. Os compradores 
potenciais podem resistir a comprar mesmo se concordarem que estarão melhor 
com o produto ou serviço. 
 
Por isso, a comunicação de marketing frequentemente inclui incentivos para 
estimular uma compra mediante a redução do custo percebido. Os cupons, por 
exemplo, reduzem custos monetários, enquanto que o café gratuito em um banco 
agrega valor quando torna mais agradável ir até lá. Quer os clientes comprem ou 
não, eles já fornecem um feedback relativo ao sucesso da comunicação e da 
estratégia geral de marketing. 
 
10.3 Elementos do composto de comunicação 
 
O composto de comunicação combina vários elementos para criar a estratégia geral 
da comunicação de marketing. São eles: 
 
• Propaganda 
• Publicidade 
• Promoção de vendas 
• Mrchandising 
• Relações Públicas 
• Marketing direto 
• Assessoria de Imprensa 
• Venda pessoal 
 
Cada empresa vai escolher que elemento ou elementos vai utilizar, de acordo com o 
objetivo de comunicação que possui. Além disso, algumas estratégias podem ser 
mais efetivas junto a determinado público-alvo enquanto outras não. Por isso, 
algumas análises devem ser feitas antes da escolha do elemento certo. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
106 
 
Vamos conhecer a seguir cada um deles. 
 
Propaganda 
 
A propaganda é um dos principais meios de comunicação. 
 
É a comunicação impessoal de uma mensagem dirigida ao público-alvo do produto, 
paga por um patrocinador identificado e veiculada em meios de comunicação de 
massa ou dirigidos, como a televisão, rádios, jornais, revistas, outdoors ou a 
Internet, entre outros, que visa criar imagem e estimular a aquisição do produto. 
 
A propaganda integra o composto de comunicação de marketing e objetivacriar no 
público-alvo a imagem para a marca com base no posicionamento desta. 
Como exemplos desse meio de comunicação podemos citar: anúncios impressos e 
eletrônicos, embalagens externas, encartes, filmes, cartazes, outdoors, painéis, 
material audiovisual, símbolos e logotipos, fitas de vídeo, banners, etc. 
 
A propaganda possui diversos objetivos: 
 
• Lembrança da marca: que percentual do público-alvo cita a marca 
espontaneamente quando mencionada a categoria do produto; 
 
• Recall ou recordação da propaganda: que percentual do público-alvo se 
lembra do conteúdo da propaganda (imagens, textos, músicas); 
 
• Exposição à propaganda: que percentual do público-alvo foi exposto ao 
anúncio pelo menos uma vez; 
 
• Frequência média de exposição: por quantas vezes, em média, o público-
alvo ficou exposto à propaganda; 
 
• Preferência de marca: que percentual do público-alvo declara preferência 
pela marca após a exposição à propaganda. 
 
A lembrança e o impacto do anúncio são influenciados por vários fatores, como a 
relevância da mensagem para o público-alvo; a criatividade e a qualidade da 
execução do anúncio; o conteúdo editorial do programa de TV ou rádio; a 
credibilidade do veículo, locutor ou apresentador do programa. 
 
Mas de que vale uma ótima propaganda se ela não aumentar as vendas do produto? 
Como a empresa vai pagar os altos custos de uma propaganda na televisão, por 
exemplo, se ela não gerar lucratividade? 
 
A propaganda precisa mostrar resultados, apresentar números significativos, mostrar 
que o investimento feito em todo o seu desenvolvimento valeu a pena. Foi-se o 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
107 
tempo em que o administrador de marketing de grandes empresas contratava 
agências em função dos prêmios por elas conquistados. 
 
Criatividade, combinada com novas formas de conquistar o coração e a mente dos 
consumidores e, principalmente, a medição do retorno, são a base da nova 
estratégia de comunicação atual. 
 
Em geral, uma propaganda bem sucedida apresenta as seguintes características: 
 
• Chama a atenção. 
• É single-minded, isto é, tem uma única ideia central. 
• É crível, ou seja, possível de acreditar. 
• É relevante: o consumidor deve achar a mensagem importante. 
• É única e diferenciada. 
• É envolvente. 
• É percebida como entretenimento. 
• Gera emoção e o desejo de comprar o produto. 
• Cria uma personalidade diferenciada para a marca. 
• Pode ser repetida ao longo do tempo, até quase a saturação. 
• Apresenta com clareza os benefícios do produto. 
• Dá justificativas críveis para que os benefícios sejam realmente alcançados. 
• Diferencia o produto em relação à concorrência. 
 
Publicidade 
 
A Publicidade é a divulgação de informações sobre as atividades da empresa e seus 
produtos por intermédio da imprensa para o público-alvo sem custo adicional. 
 
Ela pode se manifestar em uma diversidade de formas, sendo que as mais comuns 
são reportagens da imprensa sobre novos produtos ou sucessos e fracassos de 
empresas. Outros tipos de cobertura da mídia incluem resenhas sobre, por exemplo, 
um restaurante, hotel, equipes esportivas ou um novo CD de música. 
 
Para obter cobertura da mídia, o administrador de marketing pode utilizar 
comunicados à imprensa (press-releases), entrevistas coletivas e outros eventos 
destinados a chamar atenção. Essa informação deve buscar oferecer conteúdo 
jornalístico para que essas mídias se interessem em divulgá-las. 
 
Embora seja “propaganda gratuita”, a publicidade tem seu lado negativo. 
 
O administrador de marketing dispõe de pouco ou nenhum controle sobre o que é 
dito e sobre o público que recebe a informação. Uma vez que normalmente não 
participam do processo de edição de uma reportagem, entrevista coletiva ou 
resenha, certos comentários podem ser retirados de contexto, gerando confusão, 
mal-entendidos ou uma visão incorreta sobre a empresa e seus produtos. Além 
disso, é difícil controlar o ruído e a cobertura normalmente tem vida curta. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
108 
Promoção de vendas 
 
A promoção de vendas pode ser caracterizada pelo oferecimento de um benefício 
extra por um tempo determinado, isto é, a ação de marketing é feita dentro e fora da 
mídia e aplicada durante um período predeterminado e limitado no âmbito do 
consumidor, do varejista ou do atacadista, a fim de tornar seu valor mais atrativo, 
estimular a experiência com um produto e aumentar a demanda ou a 
disponibilidade. 
 
Uma amostra grátis de um novo xampu, por exemplo, incentiva os consumidores à 
experimentação, já que reduz o risco de perda do valor pago caso tivesse que 
comprá-lo para experimentar. As promoções de vendas podem ser dirigidas tanto 
para intermediários como para os usuários finais e são utilizadas quando o 
administrador de marketing deseja rápidos aumentos nas vendas. 
 
A promoção de vendas costuma ocorrer paralelamente a outros instrumentos de 
comunicação como, por exemplo, em conjunto com a propaganda. 
 
Os principais tipos de promoção e os mais utilizados são: 
 
• Amostras grátis 
• Cupons de desconto 
• Ofertas especiais 
• Brindes 
• Concursos 
• Sorteios 
• Promoções para o canal de vendas 
 
Amostras grátis 
 
O objetivo desta promoção é oferecer amostras grátis dos produtos a fim de romper 
a inércia do consumidor e estimular a experimentação. A amostragem é bastante 
eficaz quando a experiência de uso é bastante positiva para o consumidor e, em 
especial, quando supera as suas expectativas. 
 
Cupons de desconto 
 
É um dos tipos mais comuns de promoção. Por oferecer uma redução no preço 
(benefício extra, isto é, menos dinheiro pelo mesmo pacote de valor), os cupons são 
particularmente eficazes para gerar vendas entre clientes sensíveis a preços. 
 
Algumas empresas eliminam o uso dos cupons e praticam preços com descontos 
em determinadas épocas do ano, principalmente quando as vendas andam baixas e 
precisam de um empurrão extra. Uma vantagem do cupom é que somente aqueles 
que realmente dão valor a eles é que se dão ao trabalho de usá-los e, portanto, 
atingem diretamente seu alvo. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
109 
Ofertas especiais 
 
São incentivos para que os consumidores comprem os produtos ou façam compras 
em uma determinada loja ou ponto de venda. Ofertas do tipo “pague três e leve 
quatro” visam aumentar as vendas por impulso ou aumentar o tráfego nas lojas. São 
também utilizadas para encorajar a compra de determinados produtos em 
determinadas lojas, principalmente quando o giro está baixo e há excesso de 
estoque. 
 
Brindes 
 
Trata-se de uma promoção em que na compra do produto se oferece um outro 
produto grátis ou a um baixo preço. Os brindes devem ser atraentes para o público-
alvo do produto, mas não devem custar mais do que o valor unitário do produto por 
questões de imagem e de custo. Por exemplo: “na compra de um xampu, ganhe 
uma escova de cabelo grátis”. 
 
Concursos 
 
Trata-se de uma modalidade que estimula a concorrência entre os participantes, 
como previsões, cálculos, testes de inteligência ou competição de qualquer 
natureza, por meio de frases, desenhos, histórias, textos, poesias etc. 
 
São regulados por legislação específica e podem ser interessantes porque geram 
envolvimento do cliente e exploram habilidades específicas, se o tema for bem 
escolhido. O cliente deve receber como prêmio um produto ligado a seu interesse 
para que tenha valor agregado. Um exemplo foi o concurso promovido pelo Portal do 
Folclore: “O tema de referência é o Folclore Brasileiro. Envie uma lenda, mito, conto, 
simpatia, brincadeira, imagens (fotos), e concorra a fitas VHS, CD-Rom’s, livros etc“. 
 
Sorteios 
 
Nesse tipo de promoção o consumidor envia um comprovante de compra ou uma 
carta para a empresa, participa de um sorteio e a apuração dos contemplados é feita 
com base no resultado da Loteria Federal, limitado a uma extração por semana e 
100 mil númerospor série. 
 
Também é uma atividade regulada por legislação específica. O Shopping Cidade de 
Belo Horizonte, por exemplo, sorteou um Fiat Stilo e três Fiat Palio, distribuídos pelo 
sorteio da promoção “Natal Premiado a Toda Velocidade”. A possibilidade de ganhar 
o carro no sorteio, mesmo que seja pequena, funciona como um poderoso atrativo 
para os clientes. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
110 
Promoções para o canal de vendas 
 
As promoções para os canais de vendas são dirigidas aos intermediários a fim de 
aumentar a demanda do canal ou reforçar a imagem dos produtos ou empresas. 
Entre elas, podemos citar: 
 
• Bonificação em produto: oferece produtos grátis em troca de metas de 
vendas atingidas para esses produtos. 
• Desconto no preço de compra: reduz o preço de venda do produto ao canal 
para que sua margem sobre a venda aumente. 
• Desconto no preço de venda ao consumidor: objetiva aumentar o giro e as 
vendas do produto reduzindo o preço final ao consumidor. 
• Prêmios: oferece prêmios em produtos ou dinheiro para os vendedores do 
canal visando incentivar as vendas. 
• Serviços adicionais: oferece ao canal serviços sem custo, como expositores 
para o produto, reposição do produto nas prateleiras, controle de estoque etc. 
 
Merchandising 
 
A comunicação no ponto de venda ou merchandising é o conjunto dos instrumentos 
de comunicação, promoção, demonstração e exposição do produto no ponto de 
venda, visando estimular a compra imediata pelo consumidor. Engloba as seguintes 
atividades: 
 
• Exposição do produto: displays, stands, prateleiras, pilhas de produtos etc. 
• Comunicação: folhetos, cartazes, pôsteres, banners etc. 
• Promoção: demonstradores, degustadores, sorteios e distribuição de brindes. 
 
O merchandising é muito utilizado para diversas categorias de produtos porque a 
decisão do consumidor é tomada, muitas vezes, no ponto de venda, por impulso, a 
partir dos estímulos recebidos, como é o caso dos produtos alimentícios, por 
exemplo. 
 
Quando o consumidor não possui uma posição definida sobre diferentes marcas e 
os produtos são de baixo envolvimento, apresentando baixo risco na compra, o 
consumidor pode tomar sua decisão no próprio momento da compra e qualquer 
comunicação persuasiva mais eficiente pode direcionar sua escolha para seu 
produto. 
 
Relações públicas 
 
As relações públicas englobam o conjunto de atividades de comunicação com outros 
meios e públicos direta ou indiretamente interessados nas atividades da empresa, os 
chamados stakeholders, como órgãos públicos, representantes de governos, 
legisladores, ativistas políticos, organismos de representação social, líderes de 
opinião, artistas e a comunidade em geral, visando criar imagem e atitude favoráveis 
à marca do produto e às atividades da empresa. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
111 
As atividades de relações públicas são cada vez mais importantes à medida que a 
sociedade se mostra mais participativa, organizada, alerta e exigente. 
 
Os instrumentos de ação de relações públicas englobam a distribuição de 
informação sobre as iniciativas da empresa por meio de catálogos, livros, sites, 
palestras, congressos; a realização ou patrocínio de eventos de interesse das 
comunidades, como atividades culturais, sociais e esportivas; a participação por 
meio de representantes da empresa em eventos organizados por governos e órgãos 
de representação social, como universidades, escolas, ONGs, sindicatos, clubes e 
associações. 
 
Marketing direto 
 
É o conjunto de atividades de comunicação impessoal e direta, sem intermediários, 
entre a empresa e o cliente, por correio, fax, telefone, Internet e outros meios diretos 
de comunicação visando obter uma resposta imediata do cliente e, por fim, a venda 
do produto. 
 
Antigamente eram utilizadas listas de clientes (mailing-lists) e catálogos enviados 
pelo correio solicitando uma resposta direta do cliente, resultando, em geral, na 
venda por telefone. Atualmente, o telemarketing, as televendas, a Internet e o call 
center (centrais de atendimento telefônico) são os meios mais comuns de execução 
do marketing direto, e ferramentas como database marketing ou datamining 
proporcionam maior eficácia para o marketing direto. 
 
Database marketing é a aplicação da tecnologia de sistemas de gerenciamento de 
banco de dados para implementar mais eficazmente as estratégias e programas de 
marketing direto, marketing de fidelização ou de relacionamento, visando criar uma 
ligação duradoura com os clientes atuais e os potenciais. 
 
Datamining é o trabalho de análise e busca de tendências e informações relevantes 
dentro da grande massa de dados armazenada no banco. 
 
Assessoria de imprensa 
 
A assessoria de imprensa é o trabalho de criar um relacionamento com os 
representantes dos meios de comunicação, que são formadores de opinião, visando 
promover uma atitude favorável à marca do produto e à empresa. 
 
São desenvolvidos press-releases, textos e materiais com linguagem específica de 
cada mídia, buscando gerar publicidade para a empresa. 
 
Os assessores de imprensa podem gerar notícias por meio da divulgação de 
entrevistas exclusivas ou coletivas e o papel desses assessores se torna cada vez 
mais relevante à medida que a sociedade se democratiza e exige maior 
transparência dos meios de comunicação, dos governos e das empresas. Nesse 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
112 
contexto, a imprensa tem se tornado mais ativa, investigativa e analítica, ampliando 
sua influência sobre o público e exercendo o papel do formador de opinião. 
 
Venda pessoal 
 
É a venda que envolve interação pessoal com o cliente, seja ela face-a-face, por 
meio de telefone (telemarketing), fax ou computador. 
 
Ela garante feedback imediato para o administrador de marketing, permitindo que a 
comunicação seja ajustada para satisfazer às necessidades da situação. Dessa 
forma, se um cliente não entende como funciona um determinado dispositivo de um 
aparelho, um vendedor pode demonstrar seu funcionamento de imediato. 
 
O administrador de marketing deve saber que todo bom vendedor tem que ter em 
mente que os produtos que negocia têm um determinado tempo de vida útil, sendo 
necessário, portanto, constantes revisões e adequações. 
 
Além disso, é importante também que ele perceba que o consumidor busca um 
produto por diferentes níveis de necessidade, que podem ser atendidas pela 
empresa de diferentes formas, desde um benefício mais básico até um mais 
ampliado, como vimos no módulo anterior. Por exemplo: se uma pessoa busca um 
curso de administração de empresas, a empresa, no caso a faculdade, pode lhe 
oferecer o produto básico (conhecimento) ou algo mais ampliado e potencial, como 
aulas pela Internet. 
 
Um produto contém a solução para um determinado problema (uma necessidade ou 
desejo). Dessa forma, o profissional de vendas deve desempenhar diversas funções 
e atividades que visem avaliar e quantificar as oportunidades de mercado relativas 
ao seu público-alvo, a fim de executar um plano de ação para a conquista de 
resultados favoráveis à sua empresa de forma mais fácil e apurada. 
Algumas características são imprescindíveis no bom profissional de vendas: 
 
Saber ouvir e entender o cliente: O profissional de vendas não deve interromper o 
cliente ou querer monopolizar a conversa. Se ele não parar para prestar atenção e 
não demonstrar interesse pelo que o cliente está falando, além de não conseguir 
entendê-lo pode prejudicar o relacionamento entre as partes. E o mais importante, 
mesmo fazendo o papel de ouvinte, o vendedor pode tranquilamente direcionar a 
conversa por meio de perguntas que possam servir para compreender os pontos de 
vista e preocupações do cliente. 
 
Capacidade de reconhecer as necessidades do cliente: É a característica mais 
importante do profissional de vendas. Há uma regra em vendas que diz: “o cliente 
pode interromper o vendedor quantasvezes quiser, mas o vendedor não pode 
interrompê-lo em hipótese alguma”. 
 
Flexibilidade e adaptabilidade: Em vendas, dificilmente um dia será igual ao outro. 
As pessoas são diferentes, possuem expectativas e desejos diferentes; os produtos 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
113 
sofrem alterações, evoluem, modernizam-se. É preciso entender e atualizar-se sobre 
o produto, o mercado e as necessidades dos clientes, por mais rápido que mudem. 
Na atual sociedade de consumo não há mais espaço para a rigidez de pensamento 
e de propósitos. 
 
Pró-atividade: Indivíduos reativos são aqueles que reagem às situações, não se 
antecipando a elas e, portanto, não se preparando. Os pró-ativos preparam-se 
antes, planejando suas ações para quando o fato ocorrer. Um profissional de vendas 
pode decidir estudar espanhol, por exemplo, mesmo sem necessitar no momento, 
por perceber que a empresa está cada vez mais próxima de um parceiro latino-
americano. Em vendas, assim como nas outras áreas, os profissionais desejados 
não são mais aqueles que só sabem acatar ordens, que fazem somente o que está 
no contrato, na descrição do cargo. O que se quer são pessoas que busquem 
posturas mais críticas e participativas; profissionais que sejam capazes de opinar e 
dar sugestões. 
 
O administrador de marketing tem a responsabilidade de tomar decisões 
estratégicas de comunicação que terão impacto significativo sobre os resultados do 
produto e da empresa no mercado. 
 
As atividades de comunicação, por sua natureza, têm alta visibilidade e requerem 
um trabalho de planejamento detalhado e de implementação minuciosa, de modo 
que se obtenha maior eficácia e satisfação de todos os acionistas, fornecedores e 
colaboradores da empresa, bem como de seus clientes. 
 
Ao tomar decisões de comunicação, o administrador de marketing deve levar em 
consideração três aspectos. Um programa de monitoramento contínuo das ações da 
concorrência, como vimos no sistema de inteligência de marketing, deve ser 
implementado, de modo a evitar surpresas que podem comprometer seriamente os 
resultados da empresa. 
 
Estágio do ciclo de vida do produto: Cada ciclo de vida do produto requer atividades 
de comunicação de marketing distintas: 
 
1) fase de introdução, quando é necessário romper a inércia do público, tornar o 
produto rapidamente conhecido, construir imagem e acelerar experimentação, a 
comunicação é um fator fundamental, exigindo investimentos significativos em 
propaganda. 
 
2) fase de crescimento as necessidades são as mesmas, porém a concorrência 
passa a representar uma barreira aos objetivos da empresa, tornando-se 
necessárias ações de propaganda, relações públicas e assessoria de imprensa, bem 
como ações preventivas e defensivas nos canais de vendas, especialmente na 
construção de relacionamento de cooperação com os representantes desses canais. 
 
3) fase de maturidade, em que cada concorrente tem uma posição de mercado 
estabelecida, as atividades de promoção de vendas e de relações públicas tornam-
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
114 
se mais importantes, com caráter defensivo e preventivo em relação às possíveis 
ações da concorrência. 
 
4) fase de declínio, quando as receitas são decrescentes devido à obsolescência 
do produto, os investimentos em comunicação são ineficazes e onerosos. No 
entanto, nesta fase é comum esforços de promoção de vendas, no intuito de 
prolongar a vida útil do produto. 
 
Características do público-alvo: As atividades de comunicação de marketing devem 
ser planejadas de acordo com o perfil do público-alvo e suas respostas aos 
estímulos, como grau de exposição à mídia, envolvimento com o produto, grau de 
preferência e fidelidade ao produto, motivações, interesse e estilo de vida, sua 
abertura a questões de natureza social e política, sua reação a estímulos 
promocionais e ações dirigidas de vendas. 
 
Os diversos segmentos de público reagem de modo diferente aos mesmos 
estímulos de comunicação e promoção. Para antecipar essas reações, o 
administrador de marketing pode utilizar pesquisas de modo a minimizar os riscos de 
erros. 
 
Características da concorrência: A concorrência também é fator relevante a ser 
considerado no planejamento das atividades de comunicação de marketing. Deve 
ser considerada a capacidade de reação da concorrência a todas as ações de 
comunicação. A reação da concorrência irá, certamente, interferir no comportamento 
do consumidor e nos resultados almejados. 
 
Um programa de monitoramento contínuo das ações da concorrência, como vimos 
no sistema de inteligência de marketing, deve ser implementado, de modo a evitar 
surpresas que podem comprometer seriamente os resultados da empresa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
115 
11. O MARKETING NO BRASIL E SUAS PERSPECTIVAS 
 
 
Introduzido no Brasil durante a década de 50, o conceito de Marketing vem se 
desenvolvendo conforme as novas tendências do mercado de consumo e de 
comunicação de massa. Ao longo da segunda metade do século XX, diversos 
fatores contribuíram para a formação da índole do brasileiro como consumidor. Tais 
fatores englobam acontecimentos econômicos e sociais que influenciaram na 
relação do Brasil com o mundo globalizado. Seguindo as diferentes tendências de 
comportamento do consumidor brasileiro, no decorrer das décadas de 1950 até a 
atualidade, podem-se definir alguns perfis básicos indicados por Raimar Richers em 
seu livro “Marketing: uma visão brasileira” (2000). 
 
11.1 Perfis do Consumidor Brasileiro 
 
O Consumidor “Despretensioso” (1950-1960) – Após a 2ª Guerra Mundial, como 
todas as nações do mundo, o Brasil enfrentava a escassez de bens e uma grande 
expectativa de ofertas em grande quantidade. O consumidor era ingênuo, 
despreparado, inexperiente e “despretensioso”. Aceitava qualquer produto que fosse 
fabricado nos Estados Unidos e não tinha critérios de comparação mesmo com os 
produtos nacionais para distinguir entre o bom e o ruim. Aproveitando-se desta 
ingenuidade e falta de experiência do consumidor, as empresas faturaram bastante 
na época. 
 
O Consumidor “Ávido” (1960-1970) – Juscelino Kubitscheck utilizou-se de 
investimentos de fora do país para dar impulso ao Brasil. Escolheu duas indústrias 
de base, a automobilística e a de construção naval e captou o dinheiro estrangeiro 
prometendo proteção alfandegária e incentivos. Nos estágios iniciais do 
protecionismo houve vantagens para o país como o desenvolvimento do parque 
industrial. 
 
O acirramento da concorrência fez surgir uma maior preocupação com o 
consumidor. Apareceram marcas e grandes empresas empenhadas em oferecer 
produtos de qualidade. O varejo começou a evoluir com os primeiros shoppings, 
lojas especializadas e supermercados. O consumidor estava “ávido” para comprar e 
estava dando mais importância às marcas e aos preços oferecidos pelo mercado. 
 
O Consumidor “Judicioso” (1970-1980) – Apesar do crescimento inicial, as medidas 
de Juscelino deixaram dois problemas para o país, a inflação e o paternalismo do 
Estado. Os consumidores aprenderam a lidar com o seu dinheiro e começaram a 
fazer orçamentos familiares, listas de compras e a disciplinar os seus gastos. Foi 
nesta época que começou a se usar o cartão de crédito. Na hora compra, o 
consumidor precisava ser conquistado pelo vendedor, publicidade, financiamentos, 
ofertas, promoções. A mulher, mais emancipada, conseguiu participar cada vez mais 
das decisões de compra. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
116 
Consumidor “Aflito” (1980-1990) – Na chamada “década perdida”, o país estava 
sofrendo com a inflação e uma grande queda no consumo geral. Em 1986, surgiu o 
Plano Cruzado, que sobreviveu apenas 120 dias. As empresas adotaram medidas 
drásticas como a Souza Cruz que, na época, detinha 80% do mercado de cigarros, e 
anunciou que, pela primeira vez, estaria suspendendo os gastos com publicidade.das marcas para saber como lidar com as regras 
do jogo empresarial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
8 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagine a seguinte situação: 
 
Você é um empreendedor, dono de uma padaria e verifica a necessidade 
de desenvolver algum produto inovador para seus clientes. Sua clientela 
até que é fiel - composta principalmente por donas-de-casa e empregadas 
domésticas, além de senhoras mais idosas e também crianças. 
 
Para isso, você fará inicialmente uma pesquisa bastante ampla para tentar 
identificar algumas necessidades de seus clientes, algumas oportunidades 
e ameaças dos concorrentes e também pontos fortes e fracos de seu 
estabelecimento. 
 
Depois de tabular os dados de sua pesquisa, é momento de tomar algumas 
decisões em relação ao resultado obtido. Essas decisões podem ser 
exatamente a criação de um determinado produto inovador ou a criação de 
um novo serviço diferenciado. 
 
Você terá que envolver todos os seus padeiros e pedir para que cada um 
desenvolva, por exemplo, pelo menos cinco produtos (tipos de pães, doces, 
confeitaria, salgados) que estejam de acordo com a necessidade de 
mercado que foi verificada através da pesquisa. 
 
Depois de determinar o produto(s) ou serviço(s) inovador(es), é hora de 
determinar um preço para a obtenção de lucratividade, não se esquecendo 
que você terá que incluir no preço do produto todos os custos, como mão-
de-obra, energia elétrica, impostos, taxas, desenvolvimento do produto, 
pesquisas etc. 
 
O próximo passo é verificar como o produto será exposto na prateleira da 
padaria ou em quais padarias receberão a novidade, caso estejamos 
falando de uma rede de lojas. Também é necessário analisar toda a cadeia 
logística de aquisição de matéria-prima, fornecedores e distribuidores. 
 
Até agora, você já conhece seu público-alvo, sabe o que ele deseja, já tem 
o produto certo, o preço justo, já sabe também onde e de que maneira será 
exposto nos displays da(s) padaria(s). Falta apenas uma divulgação sobre 
a novidade, pois seu público-alvo não tem que adivinhar que seu 
estabelecimento está oferecendo algo novo. É mais fácil que o próprio 
estabelecimento diga isso a ele da forma mais cativante possível. 
 
Mas o papel do Marketing ainda não termina aqui. Você terá que 
acompanhar o resultado de suas vendas, onde houve falhas para procurar 
eliminá-las, onde houve sucesso para focar ainda mais nesses acertos, 
considerar a “pós-venda” e atingir a plena satisfação de sua clientela, 
gerando a fidelização. 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
9 
Conforme o exemplo anterior, realmente chega-se a conclusão de que a amplitude 
do Marketing é grande. Não é difícil, pode proporcionar muito prazer e satisfação a 
quem o executa, mas o Gestor de Marketing ou Gerente Comercial, ou 
simplesmente Administrador, deve gostar de desafios, deve ser comprometido com a 
empresa, deve se arriscar, ser inovador, ser curioso, deve respeitar o mercado em 
que atua, identificar suas regras implícitas, identificar bem a concorrência, os 
fornecedores, clientes e principalmente conhecer seu produto. Trabalhar com ética é 
pré-requisito para uma boa administração mercadológica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Depois deste exemplo prático sobre a amplitude do Marketing, 
estabeleça uma segunda definição pessoal sobre ele. Compare a 
primeira definição com a segunda e dê um parecer sobre o que 
você encontrou. Este exercício será a nossa primeira atividade 
avaliativa. 
 
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Dessa forma, ao contrário do que muitos imaginam, o Marketing não é um 
departamento isolado de uma empresa. Suas atividades devem compor todos os 
aspectos da corporação, associando-se a outras organizações através da 
necessidade de imprimir valor aos clientes. Sendo uma filosofia que orienta, 
portanto, toda a instituição, a atividade do Marketing exige um entendimento 
abrangente da realidade e do contexto nos quais está inserido o consumidor ou o 
público-alvo final do produto a ser vendido. 
 
O Marketing está ao nosso redor em todos os momentos de nossas vidas e compete 
a nós entendermos os seus mecanismos de funcionamento, deste a sua teoria até a 
sua prática. Para tanto, faz-se necessário o estudo e a análise dos fundamentos e 
conceitos desta ciência que surgiu junto com as primeiras relações de troca 
realizadas pelo homem pré-histórico e vem se aperfeiçoado e se lapidando no 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
10 
decorrer do tempo. Unindo o conhecimento teórico com as experiências práticas, o 
Marketing deve estar atento às mudanças dos ambientes nos quais atua, sendo 
sempre atual em seus princípios e ações. 
 
Apesar de ser uma atividade tão dinâmica, é necessário o estudo inicial dos 
fundamentos e das definições que o Marketing apresenta. Para tanto, deve-se 
percorrer estas teorias e manter em perspectiva a constante atualização de dados 
através das pesquisas, dos casos e das diferentes ferramentas que o Marketing faz 
surgir a cada dia. Por este caráter de atualidade, a ciência do Marketing obriga seus 
profissionais a serem eternos estudantes. 
 
1.1 Evolução Histórica do Conceito de Marketing 
 
A ciência do Marketing foi consolidada no século XX, relacionando-se a partir de 
então, com as demais ciências sociais e humanas. Antes disso, porém, percorreu 
um longo caminho que tem início ainda na era do homem primitivo, quando existiam 
as relações de simples troca. Esta foi a primeira forma de comercialização: a troca 
dos excedentes. Foi quando o homem atribuiu juízo de valor aos artigos, 
conseguindo identificar e explorar as necessidades e carências humanas e 
desenvolvendo o sentimento de posse. “A essência da atividade do Marketing está 
na troca”, cita Marcos Bechara (2002). 
 
Para sua sobrevivência e evolução, o homem encontra duas formas de 
relacionamento: a apropriação e a troca. Por ser de caráter destruidor e violento, a 
apropriação, através de guerras e conflitos, não parece ser a melhor escolha. Já a 
troca é pacífica, caracterizada pela busca de satisfação das partes envolvidas no 
processo e baseia-se nas necessidades do homem. 
 
 
 
 
 
 
“O Marketing evidencia-se como a mais inteligente forma de 
relacionamento humano, que é servir ao próximo. E, atravessamos a 
história da humanidade fazendo “isso”, ou melhor, “tentando fazer.” 
(Bechara, 2002) 
 
Para percorrer a história da evolução do Marketing, deve-SE citar o caso da cidade 
de Edo, onde em meados do século XVII, por volta de 1650, o primeiro membro da 
família Mitsui, um comerciante da cidade, construiu uma grande loja para vender 
produtos elaborados para sua clientela. Esta foi, provavelmente, a primeira loja de 
departamentos da história. A estratégia era desenvolver novos produtos de acordo 
com as necessidades do consumidor, o reembolso para compras que não 
agradassem ao cliente, um variado estoque e o estímulo às indústrias que ajudavam 
neste processo. Com o tempo, a cidade de Edo virou Tóquio e as ideias do 
comerciante japonês deram início a uma inovadora maneira de ganhar dinheiro, 
atendendo a clientesO 
consumidor estava “aflito” com a falta de mercadorias, com os preços crescentes e 
com o salário que se desvalorizava a cada dia do mês. 
 
O Consumidor “Revoltado” (1990-1993) – O Plano Collor congelou a poupança e 
bloqueou todas as moedas estrangeiras. A população estava com medo do futuro no 
emprego, em casa e na própria sociedade. Foi quando surgiu o consumidor 
“revoltado”. Através de manifestações populares, os políticos foram pressionados a 
pedir o impeachment do presidente. Com a saída de Collor, assumiu a presidência o 
seu vice, Itamar Franco. Mas foi o ministro das Finanças, Fernando Henrique 
Cardoso que introduziu o Plano Real, em 1992. Com a nova moeda, surgiu maior 
confiança no país e acalmou o espírito inquieto do consumidor. 
 
O Consumidor “Ponderado” (1993-2000) – O consumidor no final do século XX havia 
se tornado mais cauteloso, prevenido, comparativo e cético. Ele procura a 
estabilidade e se comporta de forma bem mais racional. Informa-se dos preços 
antes de comprar, faz pesquisas e procura estabelecimentos conhecidos por já 
saber da qualidade dos produtos que irá encontrar. O consumidor espera qualidade 
de serviços prestados na hora da compra e sabe se manifestar publicamente se algo 
não o agrada ou prejudica. 
 
A partir destes perfis, observamos o quanto a ciência do Marketing precisou se 
adaptar e moldar no decorrer das décadas, no Brasil, para conquistar os 
consumidores e atingi-los na divulgação e venda de produtos e serviços. De forma 
geral, o consumidor brasileiro é compulsivo. Ele adora comprar, pois o bem 
adquirido é símbolo de status. E para essas compras, não importa se não há 
dinheiro. Existem o cartão de crédito, o financiamento e até a inadimplência 
intencional. Mesmo com o comportamento mais controlado na hora dos gastos, o 
consumidor ainda é provocado pelo “diabinho” da compra desenfreada, como diz 
Raimar Richers. “O diabinho é instigado pela força da comunicação, mormente a TV, 
que nos oferece diariamente novos produtos e novos anseios” (Richers, 2000:129). 
 
11.2 O Marketing e o Século XXI 
 
Já no início do século XXI, o Brasil e mundo vivem novas realidades sociais, 
culturais e tecnológicas que oferecem uma gama imensa de alternativas de 
comunicação e promoção. Neste cenário, “a finalidade do Marketing é criar 
oportunidades de lucros para as empresas e oferecer ideias sempre melhores que 
ampliem a vantagem competitiva da empresa no mercado”, comenta Lídia Rebouças 
jornalista e mestre em Antropologia Social pela USP. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
117 
O consumidor é uma entidade cada vez mais difícil de satisfazer-se por causa da 
grande multiplicidade de ofertas que existem no mercado. Os concorrentes estão 
cada vez mais equiparados e os diferenciais na hora da escolha para a compra 
seguem novos caminhos sugeridos por valores agregados como a atitude do 
vendedor, a postura do fornecedor, a empatia com o cliente, a cultura empresarial 
entre outros. 
 
Nesta era de novas sugestões e de bombardeio de informações e ideias, o 
consumidor depara-se com inúmeras novidades como, por exemplo, a Internet, um 
canal eletrônico que elimina intermediários na hora das escolhas e das compras. 
Uma empresa para existir não precisa nem ocupar espaço, ela pode ser virtual. De 
acordo com Kotler (1999: 249), “atualmente há mais de cem milhões de pessoas em 
todo o mundo que podem se conectar à Internet”. Mensagens são enviadas e 
recebidas simultaneamente, os conceitos de tempo e espaço foram totalmente 
alterados a partir da revolução digital. O mundo vive a era da economia da 
informação, conforme cita Kotler (1999). Diante de todas essas novidades que estão 
invadindo a vida dos consumidores em todo o mundo. 
 
“Os profissionais de marketing terão que repensar as bases dos processos pelos 
quais identificam, comunicam e fornecem valor para o cliente. Necessitarão melhorar 
suas habilidades de gerenciamento de clientes e aliados individuais e envolver seus 
clientes no ato de co-projetar seus produtos desejados” (Kotler 1999: 250). 
 
Este momento é oportuno para exploração dos mercados consumidores através 
desta abertura de fronteiras virtualmente ilimitadas de negociação pelos meios 
eletrônicos. É a vez do chamado e-commerce, o comércio eletrônico. Entre as 
vantagens que podem ser citadas para este tipo de negócio estão: ampliação da 
cobertura geográfica dos mercados; maior rapidez nos contatos entre vendedores e 
compradores; segmentação dos clientes de acordo com os seus perfis; fidelização 
dos clientes mais assíduos através de promoções exclusivas, descontos, 
atendimento personalizado; transferência do poder de decisão para o comprador; 
atendimento de desejos e necessidades específicas de clientes especiais; 
eliminação de intermediários, entre outras facilidades. 
 
No que diz respeito aos problemas do e-commerce, deve-se citar as dificuldades de 
logística. Este é o ponto fraco deste tipo de comércio, pois é difícil entregar rápido e 
com baixos custos. Mas mesmo tal problemática já está sendo contornada. Algumas 
empresas, como diz Raimar Richers (2000), estão optando pela terceirização das 
entregas como a Submarino.com que vende uma grande variedade de produtos e 
garante a entrega em um dia, graças a um contrato com uma firma especializada 
para fazer este trabalho de logística. Segundo números apresentados por Richers 
(2000), em 1998, a Internet atingiu um valor de vendas estimado em U$ 80 bilhões 
no mundo e as perspectivas são de crescimento constante. 
 
No Brasil, segundo pesquisa do Ibope citada pelo escritor, o número de usuários 
cresceu 150% em apenas dois anos, ou seja, de 1,8 a 4,5 milhões no período de 
março de 1998 a fevereiro de 2000. São números que também não param de 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
118 
crescer a cada dia. Para aproveitar as vantagens da Internet e o crescente número 
de consumidores em potencial neste novo espaço virtual, o Marketing pode seguir 
um sistema interativo oferecido por autores americanos e que é explicado por 
Raimar Richers (2000: 397-398): 
 
Atrair: não basta estar presente na Internet e esperar a visita do usuário. É preciso 
chamar a atenção por meio da mídia convencional. 
 
Cativar: é importante despertar no consumidor o interesse e a vontade de realizar 
uma interação ou até uma negociação. Para tanto, a criatividade no formato e no 
conteúdo dos sites é fundamental. 
 
Reter: a comunicação on-line deve ser atraente, variada e frequentemente 
inovadora para manter a atenção do consumidor. E-mails personalizados 
comunicando novidades e convidando a visita do usuário são boas ferramentas 
nesta etapa. 
 
Aprender: é fundamental que ambos os lados da comunicação se conheçam 
melhor. Uma empresa deve saber as características de seus clientes atuais e 
potenciais. Isso será possível através de troca de e-mails e conversas na rede. 
 
Interagir: a partir do conhecimento mútuo, faz-se possível a interação. Aí o 
Marketing Digital será bem aproveitado. “A empresa deve criar valores de ordem 
personalizada para o consumidor e, assim, satisfazer os desejos dele. Aproveitar-se 
da rede para poder atingir esse objetivo, na base um-por-um, é o principal 
paradigma do Marketing do futuro”, conclui Richers (2000: 398). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
119 
12. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
 
No decorrer da história, observamos que o conceito de Marketing surgiu juntamente 
com as primeiras relações de troca realizadas pelo homem pré-histórico. A partir daí, 
o que hoje é considerada uma ciência social evoluiu para o que atualmente 
conhecemos como Marketing. Perante inúmeras definições desta atividade, 
observamos uma de Philip Kotler (1999): "Marketing é a arte de descobrir 
necessidades, explorá-las e lucrar com elas". Neste conceito, percebemos fatores 
fundamentais para o entendimento do Marketing e de sua prática eficiente. A 
importância vital de conheceras necessidades e desejos do consumidor, a 
inteligência e o respaldo teórico para saber explorar tais necessidades e desejos e, 
enfim atingir o objetivo do lucro com esta atividade. 
 
O Marketing está presente em cada momento de nossas vidas e encontra-se 
envolvido nos mais variados aspectos do dia-a-dia como bens, serviços, 
experiências, eventos, pessoas, lugares, propriedades, organizações, informação e 
ideias. A atual proposta do Marketing é uma abordagem sistêmica que integra todas 
as atividades que envolvem trocas, e sua aplicação depende de uma análise, 
planejamento, implantação e controle, visando às trocas desejadas, que é a 
satisfação das necessidades do cliente e o retorno que é o lucro para a empresa. 
 
Atualmente, embora atrair novos clientes continue sendo uma importante tarefa do 
Marketing, a ênfase maior concentra-se no chamado Marketing de Relacionamento. 
Este se empenha em criar, manter e aprimorar fortes relacionamentos com os 
clientes e outros interessados. As empresas estão percebendo que perder um 
cliente significa mais do que perder uma única venda: significa perder toda a 
corrente de compras que o cliente faria ao longo de uma vida inteira de consumo. 
Não é de se levar em conta que 65% dos negócios de uma empresa vem de clientes 
já existentes e não de novos, de acordo com a American Management Association, 
citada por Sérgio Almeida (2001). 
 
Será através do Marketing que as organizações conseguirão conquistar e fidelizar 
seus clientes, precisando, para isso, utilizar-se de algumas ferramentas importantes. 
Embora muitas outras variáveis estejam envolvidas no processo, a tomada de 
decisões em Marketing tem como suporte o composto mercadológico definido pelo 
professor Jerome McCarthy (1996) que “é o conjunto de ferramentas que a empresa 
usa para atingir seus objetivos de marketing no mercado-alvo” e consiste em quatro 
estratégias básicas: Produto, Preço, Praça (Distribuição) e Promoção, os chamados 
4 P´s. 
 
Para seguir o caminho da fidelização, é importante possuir informações de qualidade 
e saber usá-las e interpretá-las corretamente. Baseados em tais interpretações para 
avaliação de riscos e consequências e com o suporte do composto mercadológico, 
os profissionais de Marketing estão sempre se utilizando do planejamento 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
120 
estratégico a fim de minimizar as indecisões e rejeição dos clientes, maximizar esse 
relacionamento e, desta maneira, conseguir a sua fidelização. 
 
Planejamento embasado em informação de qualidade e respaldo teórico aliado à 
experiência prática. Parece ser esta uma fórmula básica para garantir o sucesso da 
atividade do Marketing. Neste início de século XXI, mais do que nunca, o mundo 
enfrenta mudanças e avanços tecnológicos que trazem novidades maiores a cada 
dia. 
 
Entre as perspectivas de futuro para o Marketing abre-se um grande campo de 
atuação que possibilita atingir milhões de consumidores simultaneamente. É o 
advento da Internet que traz para a rotina do consumidor moderno a realidade do e-
commerce, os negócios e transações comerciais através da Web. Com todos os 
recursos que a Internet oferece, o Marketing Digital abre caminho para conquistar e 
cativar os consumidores que neste ambiente virtual, porém de negociações e lucros 
absolutamente reais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
121 
REFERÊNCIAS 
 
 
 
ALMEIDA, Sérgio. Ah! Eu não acredito: como cativar o cliente através de um 
fantástico atendimento. Salvador: Casa da Qualidade, 2001. 
 
CERTO, Samuel C. Administração Estratégica: planejamento e implantação da 
estratégia. São Paulo: Makron Books, 1993. 
 
COBRA, Marcos. Marketing Essencial: conceitos, estratégias e controle. São Paulo: 
Atlas, 1986. 
 
LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Marketing: conceitos, exercícios, casos. São Paulo: 
Atlas, 2000. 
 
KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. 9. ed. São Paulo: 
Prentice Hall, 2003. 
 
KOTLER, Philip. Administração de Marketing: a edição do novo milênio. 10. ed. São 
Paulo: Prentice Hall, 2000. 
 
______________. Administração de Marketing – Análise, Planejamento, 
Implementação e Controle. São Paulo: Atlas, 1998. 
 
______________. Marketing para o Século XXI: como criar, conquistar e dominar 
mercados. São Paulo: Futura, 2000. 
 
O PODER DO MARKETING. Org. Manville Avalon. São Paulo: Editora Martin Claret, 
1998. 
 
RICHERS, Raimar. Marketing: uma visão brasileira. São Paulo: Negócio Editora, 
2000. 
 
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2003. 
 
www.breno.adm.br Apostila: Planejamento Estratégico de Marketing I. (acesso em 
26/01/2004) 
 
http://fauze.com.br/artigo14.htm (acesso em 26/01/04) 
 
www.fauze.com.br. Uma contribuição ao estudo do processo de planejamento 
empresarial: Uma proposta de modelo para planejamento de Marketing. (acesso em 
27/01/2004).fidelizados. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
11 
As origens no Marketing remontam, portanto, ao Japão do século XVII, porém o 
termo só irá aparecer no início do século XX, por volta de 1910. A palavra foi criada 
pelo professor Ralph Starr Butler, da Universidade de Wisconsin, Estados Unidos, 
na qual ministrava cursos de “Métodos de Marketing”, ao observar que as vendas 
eram apenas parte do processo de comercialização. Foi nesta época que surgiram 
as primeiras instituições que reuniam os profissionais do setor. 
 
 
1.2 Cenário Histórico 
 
1ª Revolução Industrial: Por volta de 1760 na Inglaterra e de 1770, nos Estados 
Unidos, ocorre à transição do artesanato para o processo fabril. A produção em série 
e a revolução da máquina invadem o mercado e os produtos mais procurados, 
consequentemente, são o minério de ferro e o carvão de pedra. 
 
2ª Revolução Industrial: Neste período histórico, por volta de 1860, ocorre o 
surgimento do aço e a substituição da energia a vapor pela energia elétrica e a 
produzida pelo petróleo. 
A sociedade de consumo floresceu nos Estados Unidos, a partir do final do século 
XIX, gerada em um mercado com uma produção em larga escala, possível a partir 
das inovações tecnológicas, e com uma distribuição em massa propiciada pelas 
estradas de ferro. 
 
1ª Guerra Mundial: Entre 1914 e 1918, a Primeira Grande Guerra afetou o equilíbrio 
econômico mundial. Os Estados Unidos, antes um país devedor, passou a ser um 
credor por fornecer produtos que a Europa arrasada pela guerra não conseguia 
produzir. O foco no produto apareceu especialmente nas recessões dos anos 1920 e 
1921 e com a chegada do ano de 1929, quando os Estados Unidos viveu a Grande 
Depressão. Segundo dados apresentados por Adriano Silva (1998: 9), em 1932, a 
GE e a GM operaram com menos de 25% de sua capacidade de produção. Durante 
os anos 20, a renda nacional americana não evoluiu e, durante os anos 30, 
despencou. Sobre o mercado da época, Silva (1998:15) comenta que “as 
companhias já cobriam todo o território nacional com suas estruturas de distribuição 
e praticavam margens muito estreitas que não permitiam uma guerra de preços. A 
saída foi competir com produtos melhores, oferecendo ganhos em qualidade para 
atrair os dólares escassos dos consumidores”. 
 
Como a produção excedia o consumo, empresários, comerciantes, vendedores e 
industriais foram obrigados a procurar novos clientes e novos mercados de atuação. 
O produto precisava acompanhar as necessidades do consumidor, oferecendo 
diferenciais como qualidade, além de melhor preço. Foi então que floresceu a 
ciência do Marketing, a partir da necessidade de sobrevivência de todo um mercado 
produtor e consumidor. Era a hora de ir buscar o consumidor onde ele estivesse. 
 
Como apenas produzir não era suficiente, fazia-se necessário aperfeiçoar as 
técnicas de distribuição, tornando-a mais eficiente e criativa para atingir o público a 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
12 
que se destinava o produto. Observou-se então o aumento da concorrência entre 
produtores e produtos. Em 1930, no distrito de Jamaica, em Hong Island, em Nova 
York, surgiu o primeiro supermercado do mundo. Iniciava-se uma nova era no 
mundo dos negócios preocupada com a satisfação do varejo. Era a passagem do 
mercado passivo para o mercado ativo. Também ocorreu, neste ano, nos Estados 
Unidos, o surgimento da televisão, que viria a ser o veículo de maior penetração na 
mídia nas décadas seguintes. 
 
A Era do Marketing propriamente dita teve início, nos Estados Unidos, a partir de 
1950, quando os empresários perceberam que as vendas não eram mais tão 
constantes e “o mais importante era a conquista e a manutenção de negócios a 
longo prazo, mantendo relações permanentes com a clientela”, explica Alexandre 
Luzzi Las Casas (2001:21). Foi quando o consumidor começou a ser mais 
valorizado. Os produtos passaram a ser vendidos a partir dos desejos e das 
necessidades do cliente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Coca-Cola Versus Pepsi-Cola: 
 
Como exemplo desta importância do consumidor, Las Casas (2000), 
cita o caso da Coca-Cola, quando decidiu mudar a fórmula do seu 
refrigerante, por volta de 1981. A mudança aconteceu em grande 
sigilo. Os executivos não comentavam o assunto nem mesmo em 
suas casas e papéis e anotações eram destruídas. A Coca-Cola 
afirmou, na época, que havia descoberto uma nova versão da 
fórmula para obter a coca dietética. 
 
Os executivos da Coca-Cola insistiram em não atribuir a mudança do 
sabor mais doce à Pepsi, mas aos resultados de pesquisas que 
indicavam preferência maior pelo novo sabor, de 55% contra 45%. 
Porém, com a mudança, os consumidores se reuniram para protestar 
e para pedir o retorno à fórmula original. 
 
A Pepsi, a principal concorrente no segmento, aproveitou a 
oportunidade e fez sua campanha em cima do fato. A Coca-Cola foi 
obrigada a recuar, voltando ao sabor clássico do refrigerante. Os 
custos da mudança foram elevados, mas a forte orientação para o 
consumidor fez a Coca-Cola manter a liderança no mercado de 
refrigerantes do tipo Cola. 
 
Pode-se verificar, com este exemplo e com a evolução histórica do 
conceito de Marketing, que houve uma inversão no sentido da 
comercialização, se compararmos com a forma de comercialização 
antiga. “O que caracteriza uma empresa moderna voltada para o 
Marketing é exatamente esta orientação ao mercado como ponto de 
partida”, afirma Las Casas (2000: 23). 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
13 
No resto do mundo, fora dos Estados Unidos, o Marketing foi 
difundido de forma um pouco mais lenta. Na Europa, só começou a 
ser aceito depois de 1950, quando a maioria dos empresários 
europeus compreendeu que o “mercado” são as pessoas e que os 
lugares só têm importância pela quantidade de pessoas, clientes ou 
consumidores que possuem. 
 
 
1.3 A Chegada ao Brasil 
 
O Marketing desembarcou no Brasil em 1950, fazendo parte dos organogramas das 
empresas multinacionais que começavam a aportar no país, trazendo esta nova 
filosofia de administração de empresas. Foi nesta época que surgiu, em São Paulo, 
o primeiro supermercado do país, marcando o início da sofisticação do varejo no 
Brasil. Também neste período, chegou a televisão. Tais fatos representam marcos 
na história da evolução do Marketing no Brasil, a partir dos quais, houve o 
desenvolvimento desta ciência no país. 
O termo Marketing começou a ser empregado no Brasil a partir de uma missão 
americana, chefiada pelo professor Karl A. Boedecker, que começou a organizar os 
primeiros cursos de administração na recém-criada Escola de Administração de 
Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em 1954. 
 
Para consolidar a sua atuação no mercado brasileiro, surge em São Paulo, na 
década de 1970, a primeira escola de Marketing do país. O que tornou possível a 
existência do Marketing na sociedade brasileira foi a livre concorrência e a 
estabilização da economia. A primeira faculdade de Marketing no Brasil é 
reconhecida pela portaria 246, de 11 de fevereiro de 1994, do Ministério da 
Educação e do Desporto (CFE), através da iniciativa do Executivo de FURNAS, 
Davino Pontual junto à Faculdade da Cidade - RJ. 
 
Como afirma Marcos Bechara (2002), nos 100 anos de estudos sobre o Marketing, 
foram escritos em todo o mundo, mais de 300 mil livros conhecidos sobre o assunto. 
Em todo o Brasil, Bechara estima que existam aproximadamente 2000 profissionais 
graduados em Marketing e aproximadamente 1500 em formação. E, 
aproximadamente 10 faculdades de Marketing (Graduação em Marketing “puro” – 
sem estar vinculado ou como especialização de outra ciência). 
 
O Marketing é considerado hoje uma ciência, já que o que caracteriza uma ciência é 
a formação de um corpo teórico de conhecimento que foi comprovadamente 
exercida com sucesso. 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
14 
 
 
1.4 Abordagem de Definiçãoe Conceitos de Marketing 
 
A compreensão do Marketing será facilitada com algumas definições citadas a 
seguir dentre as mais conhecidas. Por ser muito rico em conceitos, ele será 
apresentado de acordo com as diferentes fontes nas quais é citado. “Marketing: 
criando desejos, satisfazendo necessidades” (Anônimo); “Atender a necessidade de 
maneira lucrativa”, segundo Kotler (2000: 24) em seu Administração de Marketing; 
pelo mesmo autor, no livro Marketing para o século XXI: "Marketing é a arte de 
descobrir necessidades, explorá-las e lucrar com elas" (Kotler, 1999). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Definição oficial do conceito de Marketing, utilizado em 
concursos públicos e pelas avaliações do MEC (Ministério da 
Educação): 
 
Marketing: Processo social por meio do qual pessoas e grupos de 
pessoas obtém aquilo de que necessitam e o que desejam com a 
criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com 
outros” (Kotler, 2000). 
 
Administração de Marketing: “Processo de planejar e executar a 
concepção, a determinação de preço (pricing), a promoção e a 
distribuição de ideias, bens e serviços para criar trocas que satisfaçam 
metas individuais e organizacionais” (Kotler, 2000). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pesquise em sua cidade ou região, um exemplo prático onde duas 
empresas tenham praticado uma concorrência semelhante ao que 
aconteceu com o caso Coca-Cola versus Pepsi-Cola. 
 
Responda aos seguintes questionamentos: 
 
1) De que maneira essa concorrência foi importante para o 
desenvolvimento de sua região? 
2) Atualmente elas ainda são concorrentes? 
3) Qual delas domina o mercado hoje? 
4) A que fator ou fatores estratégicos você define a 
preponderância do competidor vencedor? 
5) Por que o segundo competidor não conseguiu se 
preponderar? 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
15 
 
Uma simples tradução nos diria: market = mercado e ing = ação verbal, o que 
podemos concluir que o Marketing é o mercado em ação global, ou seja, pessoas 
em ação comprando e vendendo no mercado. Também pode ser definido como 
filosofia, atitude, postura do próximo milênio. Outra definição de Kotler (2000: 51) 
“Conhecer melhor seus clientes (atuais, potenciais, etc.) de maneira que você possa 
atender melhor a seus desejos e a suas necessidades”, ainda Kotler (2000: 29) se 
referindo ao Marketing Social “proporcionar um padrão de vida superior”. 
 
Assim Marketing e suas técnicas mercadológicas adquiriram tal abrangência no 
mundo moderno que são utilizados, em qualquer sistema econômico social, tanto 
por empresa comerciais como por instituições sem fins lucrativos. Pode ser aplicado 
em campanhas diferentes como as de vacinação de crianças, realizadas pelo 
governo com o objetivo de promover uma ação social e agora as eleitorais para 
“vender” ao eleitor uma imagem de alguém que poderá representá-lo no governo. 
 
1.5 O Alvo do Marketing (escopo) 
 
O Marketing está envolvido em bens, serviços, experiências, eventos, pessoas, 
lugares, propriedades, organizações, informação e ideias que serão descritos a 
seguir. 
 
Bens: os bens palpáveis constituem a grande parte do esforço de produção e 
Marketing. Estes bens principalmente os em desenvolvimento são responsáveis pela 
sustentação do país. Estes podem ser exemplificados aço, algodão, frango, etc. 
Serviços: os serviços estão crescendo muito com a evolução mundial. Nos EUA há 
certa de 70% para serviços contra 30% para produtos. Podemos citar como 
exemplos as companhias aéreas, hotéis, locadoras, barbeiros, esteticistas, 
contadores, advogados, consultores, médicos, etc. O mix dos produtos e serviços 
também é comum no mercado. Uma visita a um fast food é exemplo deste mix. 
 
Experiências: são fatos relevantes passados por um indivíduo. A escalada no monte 
Everest ou a visita ao Walt Disney são exemplos de experiências. 
Eventos: geralmente são empresas de Marketing que realizam tais eventos. Tais 
como feiras de negócios e eventos esportivos. No planejamento destes e na 
elaboração dos detalhes está o sucesso dos eventos. 
 
Pessoas: antes quando alguém tinha intenção de ser famoso contrataria um agente 
de imprensa para veicular propaganda, hoje contrata um agente ou gerente pessoal 
onde este fará o seu Marketing ou lobby com as pessoas ligadas à fama desejada. 
Os jogadores de futebol são exemplos onde cada um tem um agente ou empresário. 
Estes contratam equipe de Marketing para melhorar seu visual. 
 
Um dos exemplos mais marcantes foi a contratação do publicitário Duda Mendonça 
para administrar toda a campanha eleitoral do então candidato à Presidência da 
República, Luís Inácio Lula da Silva. Além de vários aspectos ligados à publicidade e 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
16 
propaganda de toda a campanha, o visual do atual Presidente foi todo remodelado, 
pois não estava conseguindo agradar a uma boa parcela dos eleitores. 
 
 
 
 
 
Tom Peters diz que todas as pessoas têm que construir sua marca, 
seu nome e sobrenome. Também denominado Marketing Pessoal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Presidente Lula – Antes do Marketing Pessoal e Depois do Marketing 
Pessoal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lugares: os lugares sempre estão competindo com outros. Pernambuco está 
sempre disputando os turistas com outros estados no Nordeste. Por trás destas 
competições há uma equipe correndo para atrair pessoas para os lugares. 
 
Propriedades: são direitos de propriedade ou de posse, propriedades intangíveis, 
utilizadas para compra e venda destes, neste ponto entra o Marketing. As 
imobiliárias ou instituições financeiras são exemplos de empresas que trabalham 
com as propriedades. 
 
Organizações: instituições, empresas, universidades e afins fazem trabalhos de 
Marketing a fim de melhorar sua imagem junto ao seu público. 
Informações: escolas, CD-ROM, revistas vendem informações e têm que atrair um 
público. A função do Marketing é levar estas informações até seus consumidores a 
fim de induzi-los a comprar estas informações. 
 
Ideias: “Toda oferta de marketing traz em sua essência uma ideia básica”. Algumas 
empresas dizem que não vendem produtos para seus clientes, vendem ideias, 
sonhos. Um fabricante de batom não vende simplesmente batom a suas clientes, 
vendem a ideia de deixá-las atraente. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
17 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exponha exemplos práticos para cada tipo de escopo de marketing 
citado anteriormente. Os exemplos deverão ser reais e não genéricos. 
Consulte a internet, livros de administração, artigos, revistas e o 
material disponibilizado na midiateca. 
 
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1.6 Estágiosda Atividade de Marketing 
 
Marketing Empreendedor: é definido pela maioria dos indivíduos que possui visão 
mais aguçada sobre oportunidades futuras. Eles têm mecanismos que farão com 
que seu produto/serviço seja um sucesso futuro. Além da visão de mercado, tem 
também maneiras de como farão para chegar até lá. 
 
Marketing Profissionalizado: este estágio se dá quando empresas de pequeno e 
médio porte crescem mostrando a necessidade de se ter um Marketing mais 
agressivo, mais profissional, como campanhas, investimentos e anúncios em TV. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
18 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tintas Renner, que se modernizou ampliando o seu parque de 
produção e hoje, devido seu sucesso, está investindo em Marketing 
profissional, com campanhas publicitárias em TV, outbus, outdoor e 
rádio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Marketing Burocrático: este é o estágio mais forte do Marketing profissionalizado. Os 
profissionais de marketing (erroneamente e pejorativamente denominados 
“marketeiros”) mergulham em números, planilhas e dados estatísticos em busca de 
dados minuciosos de como aumentar as vendas ou como passar as mensagens 
para os clientes. Estes não têm a mesma energia do Marketing Empreendedor. O 
necessário nestes casos é somar a análise detalhada dos fatos com visitas aos 
clientes, com trabalho de campo. Desta maneira há condições de agregar valor aos 
clientes. 
 
1.7 Orientação da Empresa para o Mercado 
 
Orientação de Produção: é comandada por empresas que fabricam produtos de 
baixo custo e de fácil acesso. Este evento vem acontecendo bastante no Brasil, 
marcado pelas empresas de pequeno porte, normalmente familiares, que fabricam 
produtos industrializados de baixo valor agregado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplos são alguns refrigerantes, tintas, artigos de plásticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orientação para o Produto: esta orientação está voltada para a qualidade e 
desempenho. Estes produtos requerem mais tecnologia e geralmente são fabricados 
por empresas de maior porte, onde há controle de qualidade, centro de pesquisa e 
tecnologia. Os consumidores compram pelo produto e não pelo preço. Trata-se de 
um nicho diferente da orientação de produtos. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
19 
O detalhe desta orientação é produzir algo em que o consumidor esteja disposto a 
pagar pelo valor (valor percebido). Melhor ainda é produzir algo que atenda ou 
supere as expectativas dos clientes. Os fabricantes de tintas estavam produzindo 
esmalte sintético, utilizado para pintar madeira e ferro, com o quesito qualidade, 
rendimento, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tintas Iquine: Produziu um produto com o quesito “secagem rápida”, 
um esmalte que realmente atende às necessidades dos 
profissionais que querem seu serviço pronto. Apesar de custar mais 
caro, o sucesso foi total - campeã de vendas na região Nordeste. 
 
 
. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orientação para Vendas: a orientação para vendas é definida pelo mercado inerte 
onde as empresas têm que partir para as vendas com esforços agressivos de venda 
e promoção. As vendas de seguros pessoais, residenciais, jazidas fúnebres, títulos 
de capitalização são exemplos em que às empresas têm que persuadir o potencial 
comprador. 
 
Os partidos políticos também praticam esta orientação quando induzem os eleitores 
a se filiarem em seus partidos políticos. Estes não tinham nos planos efetuar a 
compra/associação, mas devido ao trabalho de convencimento acaba fechando 
negócio. 
Empresas também praticam orientação para vendas quando vendem aquilo que 
fabrica ao invés de fabricar aquilo que o mercado quer. Empresas em que tem a 
capacidade de produção grande pressionam os vendedores e representantes para 
colocarem seus produtos no mercado. Isto tem seu risco, pois se o representante 
não conseguir vender sua mercadoria ou não gostar do seu produto causará certo 
desconforto e risco para os fabricantes. 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
20 
 
 
 
 
 
 
Purificadores de água. Os representantes e vendedores são treinados 
para venda e persuasão. O Brasil tem uma forte cultura para a 
utilização de filtros de barro. O trabalho dessas empresas 
especializadas em purificadores de água é convencer a população 
sobre o perigo da ingestão de bactérias e protozoários. 
 
 
 
. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orientação para Marketing: a orientação para o Marketing pressupõe que as 
empresas devem ser mais efetivas que os demais na invenção, entrega e 
comunicação para o cliente de seus valores de mercados alvos selecionados. Esta 
orientação tem quatro pilares: 
• Mercado-alvo 
• Necessidade dos clientes 
• Marketing integrado 
• Lucratividade. 
 
Comparação Entre Orientação para Venda x Orientação para o Marketing 
 
Orientação para Vendas: 
Pto Partida: Fábrica 
Foco:Produto 
Meios: Vendas e promoção 
Fins: Lucros por meio de volumes de vendas 
 
Orientação para Marketing: 
Pto Partida: Mercado alvo 
Foco: Necessidade dos clientes 
Meios: Marketing integrado 
Fins: Lucros por meio de satisfação dos clientes 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
21 
2. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE MARKETING 
 
 
O principal propósito do planejamento estratégico é ajudar uma empresa a 
selecionar e organizar seus negócios, de forma a manter sua “boa saúde”, mesmo 
que eventos inesperados afetem de maneira adversa qualquer um de seus negócios 
ou especificamente alguma linha de seus produtos e serviços. 
 
Para o marketing, a “boa saúde” é representada por uma presença de destaque no 
mercado, com uma imagem valorizada aos olhos de seus clientes e fornecedores, 
com linhas de produtos e serviços de grande aceitação e de valor percebido e que 
permitam à empresa a construção de boas margens e rentabilidade. 
 
Corporativo: é responsável pelo projeto de um plano estratégico corporativo para 
orientar toda a empresa. Nesse nível, tomam-se decisões quanto à quantidade de 
recursos a alocar para cada divisão, assim como sobre que negócios iniciar ou 
eliminar. 
 
Divisão: cada uma é constituída por uma ou mais unidades de negócios 
especializadas em produtos ou serviços similares ou focadas no mesmo setor 
econômico, estabelece um plano cobrindo a alocação dos recursos para cada 
unidade de negócio dentro da divisão. 
 
Unidade de negócios: a unidade de negócios é uma unidade organizacional com 
estratégia, orçamento e responsáveis definidos. Cada unidade desenvolve um plano 
estratégico para levá-la a um futuro lucrativo. 
 
Produto: cada nível de produto (linha de produtos, marca) dentro de uma unidade de 
negócios desenvolve um plano de marketing para atingir seu objetivo no mercado de 
seu produto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unilever: 
 
 
 
Corporativo: Os chamados “Quartéis Generais” da empresa estão 
localizados em Rotterdam (Holanda) e Londres (Inglaterra). Nestes 
dois escritórios centrais, são tomadas todas as medidas estratégicas 
para todas as divisões da Unilever. 
 
Divisão: Neste caso a empresa possui duas divisões bem distintas, 
que são compostas pela Divisão Home and Personal Care (Higiene e 
Limpeza) e Unilever Best Foods (alimentação, incluindo sorvetes e 
alimentos congelados). 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
22 
Unidade de negócios: No caso da Unilever, suas unidades de negócios 
estão representadas nos seguintes continentes: África, Américas, Ásia 
Pacific, Europe, Middle East. 
 
Produto: são as marcas que a empresa coloca à disposição para seus 
clientes e consumidores: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No âmbito corporativo, existem quatro atividades de planejamento: 
 
• Definição da missão corporativa 
• Estabelecimento das unidades estratégicas de negócios (UENs) 
• Alocação de recursos a cada UEN 
• Planejamento de novos negócios ou desinvestimento de velhos negócios 
 
O que faz essa empresa? O que ela produz? Quem é o seu cliente? O que tem valor 
para o seu cliente? Como será ofuturo dessa empresa? 
 
Responder a todas essas perguntas não é uma tarefa fácil. Elas estão relacionadas 
com a missão corporativa da empresa e devem ser feitas não apenas uma única 
vez, mas sim continuamente, e de forma séria e cuidadosa. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
23 
 
 
 
 
 
 
Uma empresa deve redefinir sua missão sempre que tiver perdido a 
credibilidade ou não mais definir um curso ótimo para a empresa. 
Um negócio precisa ser visto como um processo de satisfação do 
cliente e não como um processo de fabricação de produtos, uma vez 
que esses são transitórios, mas as necessidades básicas e os 
grupos de clientes são eternos. 
 
 
 
2.1 Análise de SWOT 
 
Depois de responder às perguntas que envolvem a missão corporativa, é preciso 
partir para uma outra análise: a situação da empresa. 
 
A avaliação global das forças, das fraquezas, das oportunidades e das ameaças da 
empresa é denominada análise SWOT. 
 
SWOT - Formada pelas iniciais do original em inglês: 
 
Strengths Forças AMBIENTE INTERNO 
Weaknesses Fraquezas AMBIENTE INTERNO 
Opportunities Oportunidades AMBIENTE 
EXTERNO 
Threats Ameaças AMBIENTE EXTERNO 
 
Ambiente Externo 
 
É caracterizado pelas forças macro ambientais e pelas forças micro ambientais. Uma 
unidade de negócio tem que monitorar importantes forças macro ambientais e 
significativas forças micro ambientais que afetam sua capacidade de obter lucros, 
estabelecendo um sistema de inteligência de mercado para acompanhar tendências 
e importantes desenvolvimentos, e identificando as oportunidades e ameaças a ela 
associadas. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
24 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ambiente Externo não pode ser controlado pelo Administrador. Pode 
ser caracterizado: 
 
Pelas forças macro ambientais: Econômico-demográficas, 
tecnológicas, político-legais e sócio-culturais. 
Pelas forças micro: Clientes, concorrentes, distribuidores e 
fornecedores, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ambiente Interno pode ser controlado pelo Administrado. Pode ser 
caracterizado: 
 
Departamentos internos, vendas, recursos financeiros, recursos 
humanos, produção, P&D, treinamento dos empregados, qualidade 
dos produtos e serviços oferecidos, etc. 
 
 
 
 
 
Oportunidades podem ser classificadas de acordo com sua lucratividade e com sua 
probabilidade de sucesso. Isso depende de suas forças de negócios não apenas 
corresponderem aos requisitos-chave de sucesso para operar em um mercado alvo, 
mas também de excederem as de seus concorrentes. 
 
Alguns desenvolvimentos no ambiente externo representam ameaças. Uma ameaça 
ambiental é um desafio imposto por uma tendência ou desenvolvimento 
desfavorável que levaria, na ausência de uma ação de marketing defensiva, à 
deterioração das vendas ou lucros. 
 
Ameaças podem ser classificadas de acordo com sua gravidade e com a 
probabilidade de sua ocorrência e, para lidar com elas, a empresa precisa preparar 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
25 
planos de contingência que detalhem as mudanças que pode fazer antes ou durante 
a ameaça. 
 
Identificadas essas ameaças e oportunidades, a empresa pode caracterizar a 
atratividade global do negócio. Quatro lições podem ser aprendidas: 
 
Um negócio ideal apresenta muitas grandes oportunidades e poucas ameaças 
importantes. 
 
Um negócio especulativo tem tanto grandes oportunidades como ameaças 
importantes. 
 
Um negócio maduro apresenta poucas oportunidades importantes e poucas 
ameaças. 
 
Um negócio problemático apresenta poucas oportunidades importantes e muitas 
ameaças. 
 
A análise setorial pode servir para identificar as oportunidades e ameaças que 
desafiam a empresa. Elas têm origem em duas áreas principais: nos clientes da 
empresa (atuais e potenciais) e nos concorrentes (atuais e potenciais). 
 
Os mercados, em sua maioria, estão segmentados e são constituídos de clientes 
heterogêneos com as mesmas demandas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jovens e idosos usando Viagra por motivos diferentes, ou de 
clientes com características iguais, mas com necessidades e 
desejos diferentes. 
 
. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Essa análise setorial pode resultar em enfoques das necessidades dos clientes e 
ajudar a definir melhor os mercados-alvo específicos. 
 
Depois de fazer a análise setorial, o próximo passo para avaliar as alternativas 
disponíveis é pesquisar as oportunidades exploradas e não exploradas no mercado, 
examinando as ameaças que a empresa pode ter que enfrentar. 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
26 
Essas ameaças têm duas origens: 
 
Na alteração do mercado que a empresa não percebe ou é incapaz de acompanhar; 
Na atividade da concorrência para alterar o equilíbrio de poder dentro do mercado. 
 
Para entender isso melhor, é preciso distinguir setor de mercado. 
 
Setores são conjuntos de empresas com tecnologia e produtos em comum. 
Por exemplo: produtos da linha branca (empresas que fazem geladeiras, máquina 
de lavar, fogão etc.) abrangem um setor. 
 
Mercados são clientes ligados por necessidades similares. 
Por exemplo: produtos de lavanderia (amaciante, sabão em pó etc.) abrangem um 
mercado. 
 
Um grupo estratégico compõe-se de empresas dentro de um setor que seguem uma 
estratégia igual ou semelhante, focadas em clientes similares ou grupos de clientes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Cola-Cola e a Pepsi formam um grupo estratégico no setor de 
refrigerantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A identificação de grupos estratégicos é fundamental para a análise setorial, uma 
vez que, assim como os setores podem ascender e cair apesar das condições do 
ambiente geral, os grupos estratégicos, com suas competências distintas, também 
podem desafiar as flutuações gerais dentro de um setor. 
 
Entender a dinâmica desses grupos pode facilitar o entendimento da 
competitividade. Por exemplo: a Coca-Cola e a Pepsi competem na base de gasto 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
27 
em propaganda massiva em imagem e embalagem para posicionarem-se uma 
contra a outra. 
 
Porém, estes grupos também compartilham pressões competitivas. A ameaça de 
substitutos pode transformar-se em tema de unificação para os grupos estratégicos. 
Por exemplo: no setor de computadores, os fornecedores de produtos como a Dell 
Computers, estão enfrentando uma concorrência intensa de equipamentos muito 
baratos na categoria de micros, laptops e palmtops. 
 
 
 
 
 
 
Após ter feito uma análise criteriosa da SWOT, a empresa deve 
definir os fatores-chave para o seu sucesso, algumas vezes 
chamados de Fatores Críticos Para o Sucesso (FCS), em seu 
mercado específico. 
 
2.2 Fatores Críticos de Sucesso 
 
Esses fatores são aqueles considerados cruciais ou vitais para conduzir o negócio e 
são identificados por meio da análise comparativa entre os vencedores e os 
perdedores, ou entre os líderes e as demais empresas que compõem o setor. 
 
Por exemplo: no ramo de comércio de alimentos, os FCSs estão concentrados nos 
relacionamentos criados entre o fabricante e o varejista. Já no mercado de 
commodities, os FCSs freqüentemente se localizam na eficiência dos processos de 
produção, que permite que os custos sejam mantidos baixos, pois o preço é 
considerado a única maneira de diferenciar o produto. 
 
 
 
 
 
Cada empresa deve estabelecer seus Fatores Críticos de Sucesso. 
Seu perfeito estabelecimento é resultado de uma boa análise de 
SWOT. 
 
 
A determinação dos FCSs (Fatores críticos para o sucesso) corresponde à 
elaboração de uma política para assegurar sua vantagem competitiva no mercado. 
Essa vantagem pode ser criada de três formas: 
 
Liderança de custos: Estratégia que consiste na obtenção de uma estrutura de custo 
significativamente menor do que o dos concorrentes, ao mesmo tempo em que 
mantém no mercado os produtos que estão próximos àqueles oferecidos pela 
concorrência, podendo obter retornos acima da média. 
 
Paraque esta estratégia dê resultados, é preciso fazer uma elaboração agressiva de 
economias de escala eficazes, buscar reduções de custo por meio de resultados de 
experiência, fazer um controle rígido de custos diretos e indiretos e minimizar os 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
28 
custos de P&D (Pesquisa & Desenvolvimento), serviços, força de venda, 
propaganda etc. 
 
Esta estratégia ajusta-se muito bem ao mercado de commodities, em que existe 
pouca ou nenhuma diferenciação entre os produtos físicos oferecidos. Entretanto, 
quando os produtos são muito diferenciados, esta estratégia tem a desvantagem 
principal de não criar uma razão que desperte o desejo do cliente de comprar seus 
produtos. 
 
O risco dessa estratégia está no fato de poder tornar-se impraticável se for imitada 
pela concorrência, ou ainda quando existir um alto grau de diferenciação entre os 
produtos e/ou serviços concorrentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rede Varejista Wal-Mart 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Diferenciação: Esta estratégia consiste na criação de algo que pareça ser único no 
mercado. Para isso, os pontos fortes e as aptidões da empresa devem ser usados 
para diferenciar seus produtos e/ou serviços dos oferecidos pela concorrência, 
segundo alguns critérios valorizados pelo consumidor. 
 
Essa diferenciação pode ser feita pelo design do produto, pelo estilo, características, 
preço ou imagem, e faz com que o consumidor tenha um motivo para comprar da 
empresa e não do concorrente. 
 
O risco dessa estratégia concentra-se na vulnerabilidade, ou seja, se a diferenciação 
não for baseada em ativos distintos de marketing, é possível que seja imitada pelos 
concorrentes. Para diminuir esse risco, a empresa deve elaborar suas estratégias 
baseadas na aptidão ou no ativo de marketing que só ela possui e que não podem 
ser copiados, além de fazer um constante acompanhamento do cliente e da 
concorrência. 
 
Um outro risco que se pode apontar nessa estratégia é que o custo da diferenciação 
pode sobrepor o valor percebido pelos consumidores. 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
I-Pod da Apple. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atuação em nichos (mercados extremamente especializados ou muito 
segmentados): Esta estratégia consiste na concentração das atividades em um ou 
mais segmentos selecionados de mercado. Dessa forma, a empresa acaba 
conhecendo intimamente esses segmentos e busca, posteriormente, a liderança em 
custos ou a diferenciação dentro dele. 
 
Qualquer que seja o plano de marketing ou a estratégia a ser seguido, o ideal é que 
sejam desenvolvidos por equipes, com contribuições e aprovações de cada função 
importante e com a posterior monitoria dos resultados e tomada de ações corretivas, 
se necessário. Isso tem sido feito por empresas modernas e surtido bons resultados. 
 
As metas, ou seja, os objetivos que são específicos em termos de magnitude e 
prazo, devem ser mensuráveis para facilitar o planejamento, a implementação e o 
controle pela gerência, já que a maioria das unidades de negócio persegue um mix 
de objetivos que inclui lucratividade, crescimento de vendas, aumento de 
participação no mercado, contenção de riscos, inovação e reputação. 
 
 
 
 
 
Beal Flyer – Especializada em cordas para alpinistas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
30 
 
 
 
 
 
 
 
 
Caso América Limp 
 
Altamiro é geral de Recursos Humanos da AMÉRICA LIMP, 
especializada na fabricação e comércio de materiais de limpeza e 
higiene, cujo público-alvo é formado por empresas industriais e 
comerciais bem como as prestadoras de serviços. 
 
O campo geográfico da AMÉRICA LIMP é composto por cinco 
cidades-pólo, com média de duzentos mil habitantes cada uma, 
vinte cidades com até oitenta mil habitantes e um conjunto de 
municípios menores, totalizando três milhões e meio de habitantes. 
 
Nos últimos meses, a empresa contraiu uma dívida significativa 
devido ao alto investimento em ativos fixos - aquisição de máquinas, 
veículos, modernização do processo produtivo e obtenção de um 
galpão, pois o anterior era alugado e gerava um custo fixo anual de 
quase R$50.000,00. 
 
A empresa é formada por trezentos operários que atuam na linha de 
produção e se revezam em três turnos distintos – Turno A, Turno B 
e Turno C. Essa mão-de-obra é caracterizada por pessoas com 
baixa qualificação profissional, alta rotatividade, pois os 
trabalhadores são pouco motivados por receberem um salário 10% 
abaixo da média da região. Na primeira oportunidade de melhoria, 
eles trocam a AMÉRICA LIMP por outra empresa mais atraente, 
muitas vezes as concorrentes. 
 
É comum a empresa trabalhar com horas extras. O maquinário, 
apesar de novo, está constantemente tendo problemas, fato esse 
que atrasa demasiadamente a produção. Além disso, os operários, 
por receberem um salário baixo, postergam as metas diárias de 
produção e, para não atrasar os pedidos dos clientes, o encarregado 
se vê na obrigado a pagar horas extras de trabalho, que 
incrementam uma despesa de R$0,30 por litro de desinfetante, por 
exemplo. 
 
O setor administrativo da AMÉRICA LIMP é caracterizado por 
empregados melhor qualificados - três auxiliares com ensino médio, 
cinco analistas com formação superior, três estagiários de 
administração, dois estagiários de engenharia química e três 
gerentes com pós-graduação, entre eles, Altamiro. O salário dessa 
turma é alto se comparado com o praticado no mercado. O 
estagiário de administração que consegue uma vaga na empresa, 
está com o futuro garantido, pelo menos enquanto estiver 
estudando, pois terá, além da bolsa auxílio de R$800,00 mensais, 
suas mensalidades custeadas em 100% pela empresa, até o 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
31 
término do curso. 
 
O mercado de atuação da AMÉRICA LIMP possui dois concorrentes 
extremamente significativos. O concorrente “X” domina o market 
share na região, com uma participação de 35%. A AMÉRCIA LIMP 
vem em segundo lugar com uma participação de 25%, logo em 
seguida o concorrente “Y”, com uma participação de 20% e os 
demais concorrentes somados, com uma participação total de 20%. 
 
Os maiores clientes da AMÉRICA LIMP são as escolas, 
universidades particulares e algumas empresas comerciais, mas o 
grande filé desse mercado são as empresas industriais, clínicas, 
hospitais e prefeituras, cujo fornecedor principal tem sido o 
concorrente “X”. 
 
Nos últimos anos, o concorrente ”Y”, vem ameaçando a posição de 
vice-liderança da AMÉRICA LIMP, já que ele conseguiu fechar um 
contrato de fornecimento de materiais de limpeza para três 
prefeituras de cidades com porte de oitenta mil habitantes e uma 
prefeitura de cidade com porte de duzentos mil habitantes. 
 
Enquanto isso a AMÉRICA LIMP não conseguiu se expandir no 
semestre passado, muito embora tivesse aumentado a sua 
capacidade de produção e a qualidade dos produtos, devido aos 
investimentos em imobilizado, o crescimento do mercado não 
alterou as vendas da empresa, em alguns meses, até caiu. 
 
O setor comercial da AMÉRICA LIMP é composto por cinco 
representantes comerciais autônomos. Cada um deles tem sua 
base em cada uma das cidades-pólo. Há anos a empresa não 
investe em merchandising. Os brindes são sempre os mesmos - a 
famosa camiseta verde limão com o logotipo da empresa impresso 
em silk screen, as canetas esferográficas e, na época de Natal e 
começo de ano novo, os manjados calendários de mesa. 
 
O contexto onde a empresa está inserida também é complicado. A 
força sindical na região é forte, volta e meia os empregados estão 
ameaçando paralisar a produção devido aos baixos salários pagos 
pela AMÉRICA LIMP. A questão da proteção do meio ambiente 
também tem sido outro entrave. Embora a empresa tenha investido 
na modernização de maquinário, pouco se fez em relação ao 
controle de afluentes despejados sem tratamento algum num rio 
próximo à empresa. 
 
Semestre passado,a comunidade local ameaçou invadir a empresa 
devido ao forte cheiro resultante dos dejetos lançados 
indiscriminadamente no rio. Foi multada em milhares de reais e 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
32 
manteve a produção paralisada por 15 dias, até conseguir uma 
liminar na justiça para recomeçar o processo produtivo. 
 
Os clientes se mantêm razoavelmente fiéis, mas clamam por 
novidades nos produtos, coisa que há anos não acontece. Os 
representantes são profissionais regulares, fazem um trabalho 
eficiente, apesar dos percalços. Não receberam um treinamento no 
início da representação, mas estão satisfeitos com a AMÉRICA 
LIMP, que costuma dar uma boa comissão e algumas premiações, 
como viagens ao HOPI HARI, aparelhos de MP3 para veículos etc. 
Eles se consideram numa situação cômoda, pois a empresa nunca 
lhes cobrou muita coisa, nem mesmo o registro no CORE ou na 
Prefeitura Municipal de suas cidades, fato esse que poderá gerar 
uma dívida trabalhista muito alta num futuro ainda incerto. 
 
A diretoria, sediada em São Paulo, está preocupada com a situação 
da empresa. A AMÉRCA LIMP é apenas uma dentre as várias 
empresas do grupo e, por pressão dos investidores, decidiram dar 
um ultimato aos gestores da empresa, inclusive a Altamiro: irão 
fechar a empresa caso a situação não se reverta em lucratividade 
em médio prazo. 
Altamiro agora tem que conviver com a ameaça de perder seu 
emprego, ver seu prestígio profissional ir por água abaixo e ainda 
presenciar a demissão de centenas de pais e mães de família que 
dependem do pouco que ganham para sobreviver. Ele mal dorme a 
noite, precisa encontrar uma saída. 
 
Exercícios: 
 
Através de uma reflexão utilizando-se como ferramenta diagnóstica 
a Matriz de S.W.O.T., defina: 
 
Tomadas de decisões em cada âmbito do planejamento: 
(OPERACIONAL; TÁTICO E ESTRATÉGICO) - imagine que estas 
tomadas de decisões deverão salvar a empresa do fechamento. 
Determine os principais fatores críticos de sucesso para e empresa 
e explique cada um. 
 
 
2.3 Composto de Marketing 
 
Kotler (2000) define Marketing como "a arte e a ciência da escolha de mercados-alvo 
e da captação, manutenção e fidelização de clientes por meio da criação, da entrega 
e da comunicação de um valor superior para o cliente”. Após essa definição fica 
claro que o centro das atividades de Marketing é o consumidor, e é para ele que 
 
 
 
 
 
Guia de Estudo – ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA I 
33 
toda organização direciona suas estratégias para atender da maneira mais 
satisfatória as necessidades e desejos do seu público-alvo. 
 
Tais necessidades e desejos são satisfeitos mediante a aquisição de produtos e 
serviços, onde a compra pode ser estimulada por uma necessidade fisiológica 
(alimentação, abrigo, frio, etc) ou psicológica (status, segurança, diversão, etc). 
Muitas vezes a aquisição desses produtos é feita de forma tão emocional que se 
paga muito mais pelos atributos subjetivos do que mesmo pelo seu valor real. 
 
“Já foi o tempo em que as pessoas compravam sapatos para manter os pés secos e 
aquecidos. Elas compram sapatos em função do modo como eles as fazem sentir-se 
masculinas, femininas, vigorosas, diferentes, sofisticadas, jovens, na moda. Comprar 
sapatos tornou-se uma experiência emocional. Agora o nosso negócio é vender 
emoção, em vez de sapatos”.(Rooney, 1998) 
 
É através do Marketing que essas organizações conseguirão conquistar e fidelizar 
seus clientes, precisando para isso utilizar-se de algumas ferramentas essenciais. 
Embora muitas outras variáveis estejam envolvidas, a tomada de decisões em 
Marketing tem como suporte o composto mercadológico que, segundo o professor 
Jerome McCarthy (1996), “é o conjunto de ferramentas que a empresa usa para 
atingir seus objetivos de marketing no mercado-alvo” e consiste em quatro 
estratégias básicas, os 4 P’s. São eles: Produto, Preço, Praça (Distribuição) e 
Promoção. 
 
Sendo que para cada uma dessas estratégias - Produto, Preço, Praça e Promoção - 
existem muitas outras características que devem ser consideradas na elaboração de 
um planejamento de marketing. 
 
Esses 4P’s foram definidos sob o ponto de vista do vendedor, e não do consumidor. 
“Um comprador, ao avaliar um produto ou serviço, pode não vê-lo da mesma 
maneira que o vendedor” (Kotler, 2000); e o ideal é que eles sejam descritos do 
ponto de vista do público consumidor, que são chamados os 4C’s. Para cada P 
existe um C correspondente. 
 
4 P’s 4 C’s 
 Produto Valor Para O Cliente 
 Preço Custo Menor 
 Praça Conveniência 
 Promoção Comunicação 
 
• Estratégias de Produto 
 
As pessoas não pensam somente em um produto, serviço ou ideia, e sim na 
satisfação que ele oferece. O valor de um produto está na capacidade que ele tem 
de ajudar a satisfazer as necessidades do usuário. 
 
 
 
 
 
 
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“A base de qualquer negócio é um produto ou serviço. Uma empresa 
tem por objetivo oferecer algo de maneira diferente e melhor, para 
que o mercado-alvo venha a preferi-lo e até mesmo a pagar mais alto 
por ele” (Kotler, 2000). 
 
 
Criar valor ou agregar valor ao produto fará com que os clientes reconheçam que o 
preço pedido pelo produto é justo, apesar de mais alto do que os valores praticados 
pelos concorrentes. Lançar um produto é saber enfrentar a competição de seus 
concorrentes e muitas vezes sair na frente; mas é acima de tudo o lançamento ou 
aperfeiçoamento de um produto que poderá atender as necessidades do 
consumidor. 
 
Para criar um produto é preciso fazer algumas considerações que são essenciais 
para a sua permanência no mercado como, por exemplo, definir suas características 
físicas - variedade de produtos, qualidade, design, embalagem, tamanhos, etc - 
baseadas nas necessidades e expectativas do público que se pretende atingir. 
 
 
 
 
 
 
 
“Em geral, os profissionais de Marketing compreendem que o 
desafio está em criar uma diferenciação relevante e singular. Além 
disso, eles podem acrescentar uma diferenciação psicológica, tal 
como prestígio, superioridade ou segurança” (Kotler, 2000). 
 
 
Para Kotler (1998), “logo que o conceito central do produto é escolhido, defini-se o 
caráter do espaço em que o produto novo tem de ser posicionado, é o que ele 
chama de posicionamento de produto”. Para estabelecer o posicionamento de um 
produto é necessário que se construa um nome (marca) na mente dos 
consumidores, valorizando as suas vantagens frente aos concorrentes. 
 
• Estratégias de Preço 
 
Preço é o valor pago pela posse de um bem ou serviço. A determinação do preço 
recebe diversas influências externas. Uma das áreas mais difíceis para decisão de 
Marketing é a estratégia de preço, que trata de métodos de estabelecimento de 
preços lucrativos e justificáveis. Dentro do composto mercadológico “o preço difere 
dos outros três elementos no sentido em que gera receita; os demais geram custos” 
(Kotler, 2000). 
 
O valor a ser definido deverá ser aquele que dê lucro para: promover a 
sobrevivência da empresa para continuar proporcionando a satisfação do 
consumidor, lançando os produtos que irão dar mais lucro ao cliente, investir na 
formação da equipe de vendas e Marketing para melhor distribuir os produtos, 
 
 
 
 
 
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investir em assistência técnica para apoiar os clientes e os produtos, além de investir 
em propaganda. 
 
Quando um produto é lançado e ele é exclusivo no mercado podemos trabalhar com 
um valor mais alto, tal como quando estamos falando de um produto de consumo 
restrito a classe AA, por exemplo. Nestes casos o que pesa na venda não é o preço, 
mas sim a satisfação de ser exclusivo, é o chamado juízo de valor. 
 
• Estratégias de Praça (Distribuição) 
 
Os profissionais de Marketing desenvolvem estratégias de distribuição para 
assegurar que seus produtos estejam disponíveis nas quantidades apropriadas nos 
lugares e momentos certos.

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