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INTRODUÇÃO O envelhecimento cognitivo é um processo heterogêneo, gradual e contínuo que apresenta diferentes variações, desde a senescência, o envelhecimento normal, até as síndromes demenciais.1 Nesse continuum, merece ainda destaque o comprometimento cognitivo leve (CCL).2 No envelhecimento normal, algumas funções cognitivas são afetadas, como a memória episódica, a memória de trabalho e a velocidade de processamento.1,2 O CCL é uma condição clínica identificada como um dos estágios iniciais da demência; entretanto, cabe ressaltar que nem todas as pessoas com CCL desenvolverão demência.3 As pessoas diagnosticadas com CCL apresentam alterações cognitivas em maior medida do que seria esperado para a sua faixa etária e são geralmente independentes para desempenhar as atividades de vida diária.4 A demência, condição na qual o declínio cognitivo é mais significativo, é uma síndrome progressiva causada por uma série de doenças que afetam as funções cognitivas, o comportamento e a capacidade da pessoa de realizar atividades cotidianas.5 A demência acomete principalmente pessoas idosas, embora estimativas apontem que 2 a 10% dos casos comecem antes dos 65 anos. Após essa idade, a prevalência dobra a cada incremento de 5 anos.6 A demência é uma das principais causas de dependência e incapacidade entre os idosos.7 No mundo, o número de pessoas com demência deverá triplicar de 50 milhões para 154 milhões até 2050.7 Entre os diversos tipos de demência, a doença de Alzheimer (DA) é a mais comum (60 a 70% dos casos), seguida por demência vascular, demência por corpos de Lewy e demência frontotemporal.5 Considerando o declínio cognitivo na demência e o impacto dessa condição de saúde na vida da pessoa idosa, de seus familiares e da comunidade, será priorizada a intervenção do terapeuta ocupacional entre idosos com demência. INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA OCUPACIONAL COM A PESSOA IDOSA COM DEMÊNCIA O processo de intervenção terapêutica ocupacional inicia-se com a avaliação, cujos resultados subsidiarão o raciocínio clínico para o estabelecimento do plano de intervenção/reabilitação. Avaliação A avaliação é um processo contínuo, e consiste em identificar o que a pessoa quer, precisa e pode realizar.8 O terapeuta ocupacional avalia o perfil ocupacional da pessoa idosa e, na sequência, mensura o seu desempenho ocupacional, ou seja, a capacidade de realizar uma ocupação específica. Para a elaboração do perfil ocupacional, o terapeuta ocupacional identifica a demanda de atendimento da pessoa idosa, sua história ocupacional, seus valores, interesses, necessidades e o contexto de vida. A mensuração do desempenho envolve a seleção e a utilização de instrumentos padronizados que fornecem dados objetivos.8 Os tipos e as finalidades dos instrumentos diferem segundo as necessidades multifacetadas de cada pessoa. Cabe ainda destacar que, na avaliação do desempenho ocupacional, é fundamental a mensuração das consequências funcionais do déficit cognitivo. Assim, na avaliação de pessoas idosas com demência, é imprescindível avaliar a cognição9 e o comportamento,10 uma vez que interferem diretamente no desempenho ocupacional.11 A avaliação da cognição apresenta distintos níveis de complexidade, podendo variar do exame cognitivo breve à avaliação neuropsicológica;9 além disso, envolve diferentes profissionais como neurologistas, neuropsicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Os instrumentos para triagem cognitiva são diversificados e, entre eles, destaca-se o Miniexame do Estado Mental (MEEM).12 O MEEM avalia funções cognitivas como a orientação (temporal e espacial), memória, atenção, cálculo, praxia e linguagem. O instrumento é de fácil aplicação e amplamente utilizado na clínica e na pesquisa por diferentes profissionais.13 O terapeuta ocupacional, considerando que o funcionamento cognitivo pode ser amplamente compreendido e facilitado no contexto do desempenho ocupacional,14 avalia a cognição sob diferentes perspectivas, incluindo medidas cognitivas específicas e avaliações baseadas no desempenho da pessoa idosa. Na avaliação de funções cognitivas específicas como memória, atenção e orientação, os terapeutas ocupacionais utilizam testes padronizados, como a Avaliação Cognitiva Dinâmica de Terapia Ocupacional Loewenstein-Geriátrica (LOTCA-G). Essa avaliação visa traçar um perfil cognitivo detalhado de idosos com déficits neurológicos. Ela é constituída de 24 subtestes divididos em oito domínios cognitivos: orientação, consciência, percepção visual, percepção espacial, práxis, construção visuomotora, operações mentais e memória. A LOTCA-G™ é sensível aos níveis da demência, diferenciando demência leve de moderada.15 Os distúrbios de comportamento geralmente são avaliados por meio de entrevistas estruturadas e instrumentos padronizados, entre os quais destaca-se o Inventário Neuropsiquiátrico (do inglês, Neuropsychiatric inventory – NPI).10,16 O NPI avalia os seguintes sintomas: delírios, alucinações, disforia, ansiedade, agitação/agressividade, euforia, desinibição, irritabilidade/labilidade, • • apatia e atividade motora aberrante. O instrumento é aplicado por meio de entrevista com o cuidador familiar.16 Na mensuração do desempenho ocupacional, o terapeuta ocupacional avalia como a pessoa realiza, ou não, as atividades identificadas em diversas categorias de ocupações, como atividades de vida diária (AVD), atividades instrumentais de vida diária (AIVD), gestão da saúde, repouso e sono, educação, trabalho, brincar, lazer e participação social.8 Considerando os vários instrumentos disponíveis para avaliação do desempenho de pessoas idosas com déficits cognitivos e demência, o terapeuta ocupacional deve escolher o mais adequado à finalidade e ao momento do processo de avaliação. O profissional deve considerar se o protocolo foi adaptado culturalmente para a população brasileira e priorizar a qualidade do instrumento, com foco nas suas propriedades psicométricas, ou seja, a validade e a confiabilidade.13 A experiência clínica e o conhecimento do avaliador em relação ao protocolo devem balizar a sua seleção.11,17 O Quadro 77.1 apresenta alguns desses instrumentos para avaliação do desempenho. Activities of Daily Living Questionnaire (ADLQ) – versão brasileira O questionário é dividido em seis seções: autocuidado (vestir-se, banhar-se, fazer necessidades fisiológicas e manifestar preocupação com aparência pessoal); interação (locomover-se pela vizinhança, ter compreensão e conversar); atividade intelectiva (ler e escrever); organização e planejamento (viajar, lidar com finanças e telefonar); participação social (grupos, dinheiro, compras); alimentação (comer e tomar remédios).18,19 A forma de aplicação se dá por meio de entrevista com o cuidador Direct Assessment of Functional Status (DAFS-R) – DAFS-BR A versão brasileira, DAFS-BR, contém seis domínios: 1 – orientação temporal (dizer hora e data); 2 – comunicação (usar telefone e preparar carta para postar); 3 – dinheiro (identificar e contar a moeda corrente, calcular troco, preencher cheque e calcular saldo); 4 – compras (recordar produtos espontaneamente ou por reconhecimento e selecionar itens de lista escrita); 5 – • • vestir e higienizar-se (escovar os dentes, lavar as mãos e vestir- se); 6 – alimentação (usar garfo, faca, colher, servir água e beber no copo).20 A aplicação é por meio da observação direta do desempenho da pessoa21 Escala de Avaliação de Incapacidade em Demência (do inglês, Disability Assessment for Dementia – DAD) A DAD é composta de 40 itens, que incluem AVD (vestir-se, higiene pessoal, controle esfincteriano e alimentação), AIVD (preparar pequenas refeições, realizar trabalhos domésticos, cuidados com finanças e correspondências, sair, ingerir remédios e permanecer em casa de maneira segura) e atividades de lazer (realização efetiva e interesse mostrado por elas). A escala é aplicada por meio de entrevista com o cuidador.22,23 Escala Bayer de Atividades da Vida Diária (do inglês, Bayer Activities of Daily Living Scale– B-ADL) A B-ADL é composta de 25 itens, e os dois primeiros avaliam a capacidade da pessoa em lidar com atividades diárias e cuidar de si mesmo. Os itens de 3 a 20 avaliam AIVD (ingerir medicamento, cuidar da higiene, lembrar-se de compromissos, concentrar-se na leitura, descrever o que viu ou ouviu, participar de conversa, usar telefone, repassar recado, sair para caminhar sem se perder, fazer compras, preparar comida, contar dinheiro, lidar com as contas, ensinar um caminho, usar eletrodoméstico, orientar-se em lugar não familiar, usar meio de transporte) e a participação em atividades de lazer. Os cinco itens finais avaliam funções cognitivas necessárias para a realização de AVD, como continuar a atividade depois de interrupção, realizar duas tarefas ao mesmo tempo, lidar com situações não familiares, realizar as atividades em segurança mesmo sob pressão.24–26 A forma de aplicação da B-ADL é por meio de entrevista com o cuidador Quadro 77.1 Instrumentos de avaliação do desempenho adaptados para a população brasileira. Instrumento Finalidade Activities of Daily Living Avaliar o desempenho em AVD e AIVD, • Questionnaire (ADLQ) quantificando as habilidades funcionais de pessoas com déficits cognitivos, como demências Direct Assessment of Functional Status (DAFS-BR) Avaliar o desempenho em AVD e AIVD, fornecendo dados sobre a magnitude do prejuízo em cada domínio funcional Escala de Avaliação de Incapacidade em Demência (do inglês, Disability Assessment for Dementia – DAD) Quantificar habilidades funcionais em atividades de vida diária, AVD, AIVD e de lazer, bem como qualificar as dimensões cognitivas da incapacidade em relação às funções executivas, identificando áreas problemáticas: iniciação, planejamento, organização e desempenho efetivo Escala Bayer de Atividades da Vida Diária (do inglês, Bayer Activities of Daily Living Scale – B-ADL) Avaliar os déficits funcionais em pessoas com demência leve a moderada, descrevendo o desempenho em AVD, AIVD e atividades de lazer Informant Questionnaire on Cognitive Decline in the Elderly (IQCODE) Detectar declínio cognitivo Questionário de Atividades Funcionais (do inglês, Functional Activities Questionnaire – FAQ) Avaliar o desempenho em AIVD, sendo potencialmente útil para discriminar pessoas com comprometimento cognitivo daqueles não comprometidos Performance Test of Activities of Daily Living (PADL) Avaliar o autocuidado na clínica psiquiátrica Questionário do Informante para Detecção do Declínio Cognitivo em Idosos (do inglês, Informant Questionnaire on Cognitive Decline in the Elderly – IQCODE) O questionário é composto por 26 itens que abordam situações variadas nas quais a pessoa necessita utilizar a memória ou o raciocínio.27,28 O IQCODE compara o desempenho atual da pessoa com o desempenho de 10 anos anteriores e utiliza o relato de um informante • • Questionário de Atividades Funcionais (do inglês, Functional Activities Questionnaire – FAQ) O FAQ avalia 10 AIVD e habilidades cognitivas, a saber: controlar as necessidades financeiras; lidar com negócios ou documentos; realizar compra sozinho; ter algum passatempo; esquentar água para fazer café e desligar o fogão; preparar uma refeição completa; prestar atenção, entender e comentar novelas, jornais ou revistas; acompanhar os eventos atuais; lembrar-se de compromissos e medicações; sair do bairro, dirigir, andar, pegar ou trocar de ônibus, trem ou avião. A entrevista com informante é a forma de aplicação mais utilizada29,30 Performance Test of Activities of Daily Living (PADL) O PADL é um instrumento que avalia 15 atividades que envolvem AVD e AIVD como: encher um copo de água e beber, fazer um telefonema, fazer barba e aplicar maquiagem, informar as horas olhando um relógio, acender e apagar a luz, entre outras. A aplicação do instrumento é por meio da observação real do desempenho da pessoa, em ambiente de consultório.31,32 Por fim, é necessário destacar que o terapeuta ocupacional precisará rever o processo de avaliação ao longo do curso da demência, uma vez que o desempenho ocupacional, a cognição e o comportamento da pessoa idosa serão continuamente modificados. A pessoa poderá interromper a realização das atividades cotidianas e demandará, gradativamente, maior assistência da família para a realização dessas atividades.33 Considerando que a perda progressiva da capacidade para realizar as atividades diárias é uma característica essencial para o diagnóstico de demência,17 a avaliação do desempenho auxiliará na detecção precoce da doença. Processo de intervenção O programa de intervenção com idosos com demência deve priorizar uma abordagem multidimensional com enfoque no desempenho das atividades diárias,4 nas funções cognitivas e nos distúrbios comportamentais, uma vez que as alterações no desempenho são uma representação global de déficits específicos em áreas cognitivas, por exemplo, os problemas de planejamento e de comportamento, como a falta de iniciativa e de motivação para realizar uma atividade. Ressalta-se também a necessidade de abordar a educação e o suporte ao cuidador, bem como a adaptação do ambiente onde a pessoa idosa vive. Cabe destacar que a abordagem multidimensional pode ser utilizada junto a idosos com diferentes tipos de demência. O terapeuta ocupacional, considerando o estadiamento e o curso clínico da doença, deve eleger o tipo de intervenção mais adequado para cada pessoa idosa. Desempenho ocupacional O terapeuta ocupacional implementará intervenções focadas nas atividades, com ênfase nas habilidades remanescentes e nas limitações, visando manter o idoso engajado e independente, pelo maior tempo possível, nas AVD. A intervenção focada na atividade inclui diferentes abordagens. Padilha34 apresenta evidências da efetividade da modificação de demanda da atividade por meio do sequenciamento das etapas, do fornecimento de pistas e da utilização de estratégia compensatória. O sequenciamento da atividade envolve o fornecimento, separadamente, de informação sobre cada tarefa a ser realizada. O tempo de realização da atividade sequenciada deve ser estendido. A comunicação entre o terapeuta ocupacional e o idoso deve ser eficaz, com o terapeuta incentivando o idoso por meio de observações e instruções claras e curtas. A pessoa idosa deve ser estimulada a participar ativamente da realização das atividades diárias, tomando-se como base seus interesses anteriores ao início da demência e suas habilidades funcionais e cognitivas.34 Os idosos com demência leve a moderada demandam mais auxílio nas AIVD e no lazer, e com a evolução do quadro, as AVD passarão a demandar modificações.35 O fornecimento de pistas multissensoriais, verbais, visuais e gestuais contribui para orientar o idoso e melhorar o seu desempenho em atividades cotidianas. As pistas podem ser neutras (hoje está frio) ou diretivas (por favor, calce o sapato no pé esquerdo). As pistas verbais podem ser acompanhadas pelas gestuais, por exemplo, apontar para um item necessário à realização da atividade ou demonstrar um movimento, e devem ser seguidas por um reforço positivo (bom, você está conseguindo). O fornecimento de pistas, de acordo com o nível cognitivo do idoso durante a realização da atividade, é uma das maneiras mais eficazes de modificar a demanda da atividade.34 A estratégia de compensação emprega novas formas de realizar a atividade diária visando minimizar os efeitos do comprometimento cognitivo.36 A compensação inclui a utilização de auxílios externos durante a realização das AVD e a estruturação da rotina. Os auxílios podem ser eletrônicos, por exemplo, os dispositivos digitais de voz, ou não eletrônicos, como cadernos de notas e listas. Assis et al.37 desenvolveram um dispositivo para orientação do idoso com demência em suas atividades diárias, denominado Estruturador de Rotina. O estruturador é programado com as tarefas a serem realizadas no dia, semana ou mês, e o horário de cada uma delas é agendado. Um alarme sonoro e luminoso desperta nos horários programadose o dispositivo exibe, na tela, a tarefa a ser realizada. As informações como data, hora e atividade são apresentadas por escrito em um display de fácil visualização. A estruturação da rotina melhora o desempenho nas AVD e AIVD e, sempre que possível, deve-se envolver o idoso visando conhecer a sua maneira de desempenhar determinada atividade, ou seja, o horário, a frequência e o local de realização.35 A utilização de estratégia de compensação com o idoso com demência que vive na comunidade é efetiva e resulta em aumento da funcionalidade.38 A modificação de demanda da atividade, amplamente utilizada pelos terapeutas ocupacionais, pode melhorar a participação do idoso nas diferentes atividades diárias.35 Estimulação cognitiva: terapias de intervenção cognitiva As terapias de intervenção cognitiva,39 reabilitação, treino e estimulação possibilitam a estabilização ou a melhora do desempenho cognitivo40 e funcional41 de idosos com demência leve ou moderada. Essas terapias estimulam funções cerebrais complexas como atenção, memória, flexibilidade, raciocínio e pensamento abstrato, e podem aumentar o uso das capacidades cognitivas e funcionais remanescentes do idoso. A reabilitação e o treino cognitivo objetivam ajudar as pessoas com demência em estágio inicial a aproveitar ao máximo a memória e o funcionamento cognitivo, apesar das dificuldades enfrentadas. A reabilitação cognitiva visa identificar e lidar com as necessidades e os objetivos individuais a partir de estratégias para a aquisição de novas informações ou de métodos compensatórios, como a utilização de auxílios de memória.42 A ênfase da reabilitação cognitiva está na melhora do desempenho do idoso no dia a dia.43 A abordagem é implementada no contexto real, uma vez que não há pressuposto implícito de que mudanças instituídas em um cenário são generalizadas para outros. As metas para intervenção são selecionadas de maneira colaborativa, envolvendo o idoso, a família e/ou o cuidador, e as intervenções são normalmente individuais.42 Pesquisas sugerem que a reabilitação cognitiva pode apresentar resultados efetivos para o idoso no estágio inicial da demência.39,41,44 O treino cognitivo centra-se na prática guiada de um conjunto de tarefas relacionadas a funções cognitivas específicas, como a memória, a atenção e a resolução de problemas. O treino envolve atividades com variados níveis de dificuldade, de acordo com as habilidades da pessoa,43 e podem ser realizadas atividades utilizando lápis e papel ou, também, computadorizadas,14 como o treinamento baseado em software.45 A estimulação cognitiva visa ao aprimoramento geral do funcionamento cognitivo e social das pessoas, por meio de uma gama de atividades e discussões.43,46 A estimulação é centrada na pessoa e encoraja a pessoa a emitir opiniões e contribuir com questionamentos.46 As sessões, com duração variada, incluem atividades para o aprimoramento da memória, a estimulação sensorial e a orientação para a realidade (OR).45 As atividades para estimulação da memória são diversificadas e incluem, por exemplo: 1 – jogos de palavras – associação de opostos, rimas, preenchimento de espaços em branco, término de um provérbio conhecido, caça- palavras; 2 – bingo adaptado – números simples, cores, formas, figuras de alimentos; 3 – jogos de mesa adaptados – dominó, dados, palavra cruzada (tabuleiro). Os jogos de palavras e de mesa podem ser propostos na versão de lápis e papel ou computadorizada. Outras atividades também utilizadas são fotografia, música e leitura. As atividades para aprimoramento da memória que utilizam experiências e habilidades passadas, considerando o perfil ocupacional da pessoa idosa, permitem maior envolvimento e respostas mais significativas. Já a estimulação sensorial47 é uma abordagem mais orientada para idosos com demência moderada a avançada, que utiliza atividades com música, aroma, toque, movimento e luzes, visando à estimulação de audição, visão, tato, olfato, paladar e cinestésica.48 Essas atividades, quando utilizadas de maneira associada, resultam em uma abordagem denominada estimulação multissensorial. A terapia Snoezelen48 é uma modalidade de estimulação multissensorial que combina o relaxamento e a exploração de estímulos sensoriais, objetivando criar uma experiência não verbal agradável. Essa terapia é realizada em uma sala projetada com equipamentos especializados para estimulação dos sentidos. As intervenções com música e aromas (óleos de lavanda e melissa) e a estimulação multissensorial são mais efetivas, enquanto o toque e o movimento, apesar dos resultados promissores apresentados, ainda demandam investigações. Cabe destacar que a estimulação sensorial apresenta como benefício a curto prazo a diminuição da agitação.48,49 A OR é uma abordagem psicossocial que tem como propósito proporcionar ao idoso com distúrbios cognitivos maior compreensão do seu entorno, por meio da apresentação repetitiva de informações relativas ao tempo, ao lugar e à pessoa. Existem dois tipos de OR: 24 horas e formal. A OR 24 horas envolve a reorientação repetitiva contínua utilizando pistas verbais e visuais, tais como quadros ou placas brancas com a data, o tempo e a temperatura, e a OR formal implica a realização de um programa com número fixo de sessões, em um período de tempo predeterminado.50 A OR possibilita ao idoso desenvolver melhor senso de controle e aumentar a autoestima. Para idosos com demência, a OR grupal apresenta benefícios nos domínios cognitivos e comportamentais. Ressalta-se que o programa de OR deve ser realizado a longo prazo visando sustentar, por maiores períodos, as melhoras alcançadas.51 Há evidências de que intervenções com estimulação cognitiva beneficiem a função cognitiva,40 o desempenho funcional,39 o bem- estar, a comunicação, a interação social43 e os distúrbios de comportamento.46 Abordagem dos distúrbios comportamentais A abordagem não farmacológica é indicada como primeiro enfoque de tratamento dos distúrbios comportamentais.52 Nesse sentido, a utilização de atividade significativa para o idoso apresenta resultados promissores. Gitlin et al.53 propõem o Programa de Atividade Adaptada (do inglês, Tailored Activity Program – TAP) para reduzir os distúrbios de comportamento, identificando capacidades preservadas, papéis, interesses e atividades anteriores desenvolvidas pelo idoso. A intervenção propõe atividade segundo a capacidade de desempenho da pessoa, diminuindo as exigências ambientais para facilitar a participação. O TAP é realizado pelo terapeuta ocupacional a partir de seis visitas domiciliares de 90 minutos e dois contatos telefônicos de 15 minutos durante 4 meses. Três atividades são desenvolvidas pelo idoso com base na avaliação da sua capacidade cognitiva, dos seus interesses anteriores e da sua profissão. O terapeuta prescreve as atividades especificando o objetivo e as capacidades envolvidas; o cuidador da pessoa idosa escolhe uma atividade para implementar inicialmente e recebe orientações sobre técnicas de redução de estresse. Posteriormente, as outras duas atividades passam a ser realizadas pelo idoso. O cuidador é instruído em relação às estratégias para simplificar o ambiente, por exemplo, remover objetos desnecessários; adaptar a atividade tendo em vista posteriores declínios de função; aumentar a participação do idoso com base em seus interesses e no monitoramento da frustração; e desenvolver uma comunicação efetiva por meio de observações encorajadoras.53 O TAP, segundo Gitlin et al.,53 apresenta efeitos positivos e reduz amplamente os sintomas comportamentais, com destaque para a diminuição da frequência de questionamento repetitivo. Em relação ao cuidador, o TAP diminui a sobrecarga medida pelo tempo gasto com o cuidado do idoso. Esses resultados podem ser explicados pela característica da atividade de preencher um vazio na rotina do idoso com demência, manter os seus papéis e permitir que ele se expresse de maneira positiva. O senso de pertencimento e de continuidade, possibilitado pela realizaçãode atividades adaptadas, é fundamental para a manutenção da qualidade de vida em todo processo de intervenção. Por meio da introdução simplificada de atividade, que capitaliza as capacidades preservadas e os papéis sociais ao longo da vida, por exemplo, a preparação de refeições simples por uma dona de casa, a frustração pode ser minimizada e pode proporcionar um envolvimento positivo. A simplificação da atividade e do ambiente no qual ela ocorre pode reduzir o estresse psicológico e a agitação do idoso.53 Novelli et al.54 adaptaram culturalmente o TAP para a população brasileira e, por isso, passou a ser denominado Programa Personalizado de Atividades (TAP-BR). Educação e suporte ao cuidador Com a progressão da doença, o idoso demandará à família, cada vez mais, assistência física para realização das AVD e AIVD.33 Por outro lado, o estresse e a sobrecarga do cuidador também aumentarão. Desse modo, o terapeuta precisa encontrar o equilíbrio ideal entre passar orientações, educar o cuidador sobre os sintomas da demência e ouvir atentamente as necessidades e as dificuldades encontradas por ele no cotidiano.55 Alguns programas estruturados, como TAP53 e Terapia Ocupacional com Base Comunitária,38 envolvem o cuidador em todas as etapas da intervenção, e sua participação está diretamente relacionada com o sucesso dos programas de manejo da demência. Independentemente da abordagem escolhida, é essencial que o terapeuta trabalhe de modo muito próximo ao cuidador familiar, que é o seu maior aliado e responsável pelo gerenciamento de todos os aspectos da intervenção no dia a dia. Muitas vezes, em uma única visita domiciliar, o terapeuta avalia e planeja quais são as intervenções práticas (adaptação do ambiente, mudança na rotina, entre outras) mais urgentes para aumentar a participação do idoso com demência nas tarefas cotidianas ou para reduzir os distúrbios de comportamento. Na maioria das vezes, entretanto, o cuidador não está pronto para aderir ao processo terapêutico, mesmo que tenha contratado o terapeuta ou solicitado ajuda. Apesar de parecer um paradoxo, é um processo comum e requer uma abordagem estratégica do terapeuta, a fim de determinar o momento mais adequado para inserir certas mudanças na rotina ou no ambiente. Outro aspecto crucial é não propor tarefas e mudanças excessivas para o cuidador implementar, evitando, assim, o julgamento precipitado. Muitos cuidadores preferem uma rotina em que o idoso tenha pouca participação nas tarefas da casa, pois assim elas são realizadas rapidamente pelo cuidador e de maneira correta. Em muitas circunstâncias, o terapeuta precisa desenvolver um processo educativo com foco nos sintomas e nos déficits associados à demência para que o cuidador possa avaliar a situação com uma nova perspectiva. A maioria das famílias recebe informações básicas sobre a demência no momento do diagnóstico, mas, em geral, as perguntas e as dúvidas se tornam óbvias algumas semanas/meses depois, quando o atendimento pela equipe médica é habitualmente reduzido. O contato com a equipe multidisciplinar, incluindo o terapeuta ocupacional, ocorre com mais frequência após o diagnóstico; é essencial que o terapeuta aproveite essa oportunidade para trabalhar com o cuidador e promover a educação sobre o processo demencial. O terapeuta ocupacional também precisa abordar as dificuldades emocionais do cuidador. Em casos mais graves, a recomendação para a psicoterapia pode ser necessária. É importante ressaltar que cuidadores de pessoas com demência geralmente passam por um luto antecipatório prolongado,56,57 no qual sintomas depressivos são muito comuns, mas não se referem a uma depressão clínica per se. Alguns centros internacionais têm desenvolvido programas estruturados de intervenção com cuidadores e conduzido estudos científicos para verificar sua eficácia.53,58 O estudo de Mioshi et al.58 destaca que a parte central do programa é instrumentalizar os cuidadores familiares para que utilizem técnicas destinadas a problemas modificáveis, como as de resolução de problemas e as de busca de apoio social e familiar; e não modificáveis, como as técnicas de aceitação. McKinnon et al.59 apontam como ponto crítico do programa destinado a cuidadores o ensino de técnicas transferíveis e que podem ser reutilizadas mesmo quando a demência avança e os problemas são outros. O estudo-piloto do programa demonstrou que os familiares cuidadores conseguem aplicar as técnicas em situações novas, garantindo a extensão dos benefícios do programa após o seu término. Adaptação do ambiente A adaptação do ambiente residencial é fundamental para promover e facilitar a participação nas atividades diárias. É muito importante, no entanto, utilizar uma abordagem progressiva para incluir os familiares no processo e criar mecanismos a fim de que as adaptações sejam realmente úteis e utilizadas. O terapeuta ocupacional poderá detectar adaptações necessárias bem rapidamente, mas deve ter uma abordagem planejada para promover a participação ativa da família, possibilitando que as decisões sejam tomadas em conjunto: paciente, família, terapeuta. Ressalta-se que as adaptações iniciais devem priorizar a segurança do idoso no ambiente. A utilização de uma escala validada para o ambiente residencial facilitará o raciocínio clínico e também permitirá uma abordagem bem organizada. Quando a pessoa idosa perde mais habilidades no decorrer da demência, as avaliações anteriores também podem ser úteis nas discussões com os familiares para, por exemplo, mostrar 1 2 3 4 5 de maneira concreta quais foram as mudanças iniciais no ambiente e quais delas são necessárias no momento atual. CONSIDERAÇÕES FINAIS A demência e outras condições de saúde relacionadas com as alterações da cognição, como CCL, afetam a saúde e o dia a dia das pessoas idosas, de suas famílias e da comunidade. O entendimento do estadiamento e do curso clínico da doença é fundamental para auxiliar no planejamento das intervenções e no estabelecimento de metas realistas. O terapeuta ocupacional deve priorizar uma abordagem multidimensional do idoso, instrumentalizar o cuidador para utilizar estratégias transferíveis durante o curso da demência e planejar as adaptações do ambiente em uma perspectiva a longo prazo. Por fim, cabe ressaltar que, embora a maioria das pessoas idosas com demência apresente doença de Alzheimer, existem diversos tipos de demência com progressão clínica variada. Assim, é fundamental que o terapeuta ocupacional aprofunde seus conhecimentos em relação aos tipos de demência para que a intervenção e o aconselhamento sejam adequados ao idoso e à sua família. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Blazer DG, Yaffe K, Karlawish J. Cognitive aging. A report from the Institute of Medicine. JAMA. 2015;313(21):2121-2. Apolinário D, Vernaglia IFG. Estilo de vida ativo e cognição na velhice. In: Freitas EV, Py L. Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016. Tifratene K et al. Progression of mild cognitive impairment to dementia due to AD in clinical settings. Neurology. 2015;85(4):331-8. Patomella A-H et al. Technology use to improve everyday occupations in older persons with mild dementia or mild cognitive impairment: A scoping review. 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