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literatura na ed inf 2016

Monografia sobre Literatura na Educação Infantil. Estudo bibliográfico da influência da literatura no desenvolvimento infantil: breve histórico da literatura infantil e contos de fadas, conceitos de linguagem e leitura, importância de ouvir histórias, contato precoce com livros e estratégias para hábito de leitura.

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO SUL DE MINAS – UNIS/MG 
PEDAGOGIA 
ANA PAULA PAIVA CASEMIRO ALVES ROSSONI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LITERATURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Varginha 
2016 
 
 
 
ANA PAULA PAIVA CASEMIRO ALVES ROSSONI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LITERATURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
 
Monografia apresentada ao Centro Universitário 
do Sul de Minas-UNIS/MG, como parte 
integrante dos requisitos para a obtenção do grau 
de Licenciada no Curso de Licenciatura em 
Pedagogia. Orientador: Profª. Mª Luciane 
Madeira Motta Tavares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Varginha 
2016 
 
 
 
 
 
 
ANA PAULA PAIVA CASEMIRO ALVES ROSSONI 
 
LITERATURA NA EDUCAÇÃO INFANTL 
 
Monografia apresentada ao curso de Pedagogia 
do Centro Universitário do Sul de Minas- 
UNIS/MG, como pré requisito para obtenção do 
grau de Licenciatura, pela Banca Examinadora 
composta pelos membros: 
 
 
 
 
Aprovado em / / 
 
 
 __________________________________________________________ 
Profª Ma Luciane Madeira Motta Tavares 
 
 
 ___________________________________________________________ 
Prof. 
 
 
 
___________________________________________________________ 
Prof. 
 
 
OBS: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico esta monografia aos meus filhos 
Maria Paula e Paulo Emílio que me dão 
forças para continuar a sonhar e acreditar 
em um futuro melhor para nós três. 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agradeço a Deus pela força e saúde para 
assim ter conquistado meus objetivos. 
Á minha família pelo apoio e 
participação nessa luta. 
Aos professores, pela competência e 
dedicação com seus alunos. 
E aos meus companheiros de curso, por 
termos juntos superados todos os 
obstáculos e conseguirmos a conquista 
dessa importante graduação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“A tarefa de aprendizado da criança é 
precisamente a de tomar decisões acerca 
de mover-se por conta própria, no tempo 
devido, e em direção as áreas da vida 
que ela mesma seleciona.” 
 
Bruno Bettelheim 
 
 
 
RESUMO 
 
As lendas, fábulas e contos de fada continuam a encantar crianças e adultos e a 
resgatar o pouco da magia que ficou em suas lembranças dos tempos em que seus pais 
se sentavam com eles para contar as histórias mais fantásticas de belas princesas e de 
reinos distantes. Ao se ler um conto de fadas, certamente esta se recuperando partes de 
uma infância que se perdeu num tempo em que usavam a linguagem dos sonhos para 
conversar com fadas e enfrentar gigantes. Através das histórias experimentamos estados 
afetivos diferentes daqueles que a vida real proporciona. A presença da Literatura 
infantil na escola e no lar representa um estímulo forte à aprendizagem da leitura. 
Adquirindo o gosto pela leitura a criança passará a escrever melhor e terá um repertório 
amplo de informações e poderá produzir um livrinho de histórias, ilustrados e contados 
por todas as crianças da sala. O presente trabalho possui como objetivo geral a 
influência da literatura no desenvolvimento infantil. Através de um estudo bibliográfico 
este trabalho se desenvolveu fazendo um breve histórico da literatura infantil e dos 
contos de fadas e seu devido valor para o desenvolvimento do imaginário. Apesar da 
grande importância que a literatura exerce na vida da criança, seja no desenvolvimento 
emocional ou na capacidade de expressar melhor suas idéias, geralmente, elas não 
gostam de ler e fazem-no por obrigação. O presente estudo traz um breve histórico da 
literatura infantil, apresenta conceitos de linguagem e leitura, enfoca a importância de 
ouvir histórias e do contato da criança desde cedo com o livro e finalmente esboça 
algumas estratégias para desenvolver o hábito de ler. 
 
Palavras Chave: Contos de fadas; Literatura infantil; Leitura; Criança; Cognitivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
The legends, fables and fairy tales continue to enchant children and adults and to 
rescue some of the magic that was in their memories of their fathers were sitting 
with them to tell the most fantastic stories of beautiful princesses and distant 
realms. When reading a fairy tale, certainly we are retrieving parts of a 
childhood that was lost at a time when they used the language of dreams to talk 
to fairies and giants face. Through stories experienced affective states other than 
those that real life gives us. The presence of Children's literature in school and at 
home is a strong stimulus to learning to read. Acquiring a taste for reading the 
child will write better and have an extensive repertoire of information and can 
produce a book of stories illustrated and numbered by all the children's room. 
This work aims to influence the general literature on child development. Through 
a bibliographic this work was developed with a brief history of children's 
literature and fairy tales and their proper value for the development of the 
imagination. Despite the great importance that literature has on the child's life 
is in emotional development or the ability to better express their ideas, usually 
they do not like to read and do it out of obligation. This study provides a brief 
history of children's literature, introduces concepts of language and reading, 
focuses on the importance of listening to stories and contact the child early in the 
book and finally outlines some strategies to develop the habit of reading. 
 
Keywords: Fairy tales, Children's Literature, Reading; Child, Cognitive. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1 INTRODUÇÂO ................................................................................................... 09 
 
2 A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NAS ESCOLAS ....................................... 11 
2.1 O livro e o Desenvolvimento Cognitivo................................................................12 
 
3. O QUE É LITERATURA INFANTIL ............................................................. 15 
3.1. Como trabalhá-la ................................................................................................... 17 
3.2 A Construção da Criança Leitora ......................................................................... 19 
3.3 Autores e Livros Preferidos das Crianças e Professores ...................................... 21 
 
4 CONSCIÊNCIA DE MUNDO E AS HISTÓRIAS INFANTIS ... 23 
4.1 A Aprendizagem, o Lúdico e o Imaginário ......................................................... 24 
 
 5 OS BENEFÍCIOS DA LITERATURA INFANTIL NO ENSINO 
FUNDAMENTAL.....................................................................................................27 
5.1 Cenário Brasileiro e a Literatura...............................................................................28 
 
6 CONCLUSÃO..... ....................................................................................................... 33 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................... ................................. 35 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Este trabalho demonstra a importância que o ato de ler provoca na vida do 
educando, principalmente na escola, através da Literatura Infantil, nas séries iniciais, 
bem como o aperfeiçoamento e conhecimento da Língua Portuguesa e aquisição de sua 
linguagem e a extrema relevância desta prática como algo cotidiano e habitual. 
Um dos motivos principais para o desenvolvimento desta temática consiste no 
fato de se averiguar as potencialidades e capacidades que a literatura infantilpode 
promover no desenvolvimento integral da criança. 
 O mesmo foi fundamentado em apontamentos de teóricos especializados no 
assunto, tratando-se de uma pesquisa bibliográfica, que permite um estudo mais amplo 
sobre o tema, seguindo o manual de normas para apresentação de trabalhos científicos. 
A pesquisa bibliográfica segundo Marconi e Lakatos (1999. p. 19) é a busca de 
uma problematização de um projeto de pesquisa que se realiza a partir de referências 
publicadas analisando e discutindo as contribuições culturais e científicas. Ela constitui 
uma excelente técnica para fornecer ao pesquisador a bagagem teórica, de conhecimento 
e o treinamento científico que habilitam a produção de trabalhos originais e pertinentes. 
Em um primeiro momento será abordada uma visão ampla sobre a concepção da 
leitura, a importância do professor compreender que o aluno deve estar preparado para 
conhecer, o quanto antes, esse universo de transformações que a leitura promove. Para 
Abramovich (1997, p. 10), “a leitura é um jeito de compreender o mundo e esse contato 
deve iniciar na mais tenra idade, para criar o hábito da leitura desde pequeno”. 
No entanto, é significativo o educador entender o que é leitura e como aplicá-la 
com seus alunos. Faz se necessário, também o conhecimento do professor sobre o que é 
literatura infantil. Saber de sua origem, suas modalidades, as transformações que vem 
sofrendo com o passar do tempo. Com isso ele poderá ajudar as crianças no processo 
educativo. 
Como trabalhá-la também é um tópico que se deve considerar, a maneira de 
como colocá-la em prática, contribuir para despertar um maior interesse por parte de 
quem ouve, principalmente dos leitores infantis. 
À escola é atribuído o dever de desenvolver a capacidade de ler e de escrever nas 
crianças. O que acontece, na maioria das vezes, é que o gosto pela leitura não é 
desenvolvido tornando-se enfadonha obrigação e não uma divertida aventura a abertura 
de um livro. A falta de incentivo, por parte dos professores e também dos pais pode 
 
 
atrapalhar a formação de sujeitos responsáveis e questionadores. Uma possível origem 
para o atual status do livro como “chato e monótono” se comparado às infinitas 
possibilidades eletrônicas e motivacionais dos brinquedos modernos, talvez esteja na 
formação acadêmica dos nossos professores e na má adequação necessária do tipo de 
livro ao leitor. Os livros introdutórios precisam ser sedutores, com cores, desenhos e 
formas, com palavras simples e diretas para que o entendimento seja imediato. 
A importância deste estudo está baseada na melhor formação da base 
comunicacional do indivíduo através da aquisição dos recursos oferecidos pela literatura 
infantil. Pelo aprendizado motivador da leitura, consegue-se indivíduos protagonistas, 
mais críticos e capazes da verificação de suas necessidades. O nascimento de mais 
indivíduos flexíveis, coerentes e éticos pode ajudar e muito em um mundo cheio de 
diferenças a serem tratadas. Para tanto o trabalho irá verificar a contribuição da 
literatura infantil no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança além de 
provar que a literatura infantil ensina valores (caráter didático), ajuda a enfrentar a 
realidade social, promove uma nova noção de realidade e propicia a adoção de bons 
hábitos e costumes. 
Através da revisão bibliográfica, justifica-se a escolha do tema e sua importância 
no desenvolvimento do recurso lingüístico (oral e escrita) da criança e que são vários os 
recursos da literatura infantil, a partir dos quais a criança pode conhecer um grande 
prazer: o de ler. 
Em um dos capítulos, será demonstrado os livros e autores de preferência tanto 
do professores quanto dos alunos. Existe um leque bem grande de opções a disposição, 
como será exposto. Trabalhar obras literárias da preferência deles é enriquecedor, pois 
estimula um clima favorável, troca de emoções entre ambos num ambiente tranquilo e 
agradável. 
Fechando a divisão do trabalho em capítulos, os benefícios da literatura infantil 
para o ensino fundamental. Estes benefícios são muitos, pois a leitura parece contribuir 
para isto, além de ajudar no desenvolvimento da escrita e da fala, favorece a 
interpretação de textos, leva a interação entre as pessoas, à reflexão e a comunicação 
dentre outros. 
 
 
 
 
 
 
2 A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NAS ESCOLAS 
 
Tudo o que se ensina está diretamente ligado á leitura e depende dela para se 
manter e desenvolver. 
A exploração da leitura através da Literatura Infantil deve ser uma prática 
constante na vida do aluno. A importância desta ação continuada provoca maior 
autonomia no domínio da leitura e da escrita, ou seja, da própria linguagem. A leitura 
enriquece também o seu vocabulário e expande a imaginação e a criatividade da criança. 
(SOARES, 2008) 
O contato com a Literatura Infantil deve ser iniciado bem cedo e estimulado por 
toda a vida. Os alunos que possuem o acesso a livros, revistas, jornais, Internet, terão 
uma predisposição maior para o gosto da leitura. Esta motivação ativada em casa pelos 
pais ou responsáveis, facilitará o seu prazer pela leitura. O ato da leitura abre novas 
portas de aprendizagens e promove um crescimento ou amadurecimento na construção 
de seu processo de formação do seu ensino e aprendizagem. (SOARES, 2008) 
A leitura é a extensão da escola na vida das pessoas. A maioria do que se deve 
aprender na vida terá de ser conseguido através da mesma. 
 A atividade fundamental desenvolvida pela escola para a formação dos 
alunos é a leitura. Na concepção de Yunes (1989, p. 30): 
 
À medida que a escola é a instituição mais sistemática no país, o professor 
assume uma função extremamente importante na promoção da leitura. O 
momento histórico cultural é propício para campanhas nesse setor, pois já 
ficou patente que o indivíduo só pode melhorar sua qualidade de vida se lhe 
forem oferecidas oportunidades de ampliação de seu universo cultural. 
 
 O papel da escola é o de ensinar os alunos a ler e entender não só as palavras, as 
histórias em prosa e verso, mas também os textos exclusivos de cada disciplina, 
avaliações de cada área e as orientações de como fazer algo. A leitura não pode ficar 
restrita a um texto informativo ou a alguns livros. 
 Às vezes, uma simples leitura basta para que a criança tenha percepção da 
realidade que a rodeia, no entanto, toda leitura precisa ser discutida, comentada e acima 
de tudo interpretada e passará a ter significado e sentido para ela, principalmente se vier 
acompanhada de forma clara, com objetivos e de forma prazerosa. 
 
 
 Outro fator importante é ter em mente o que diz Freire (1989, p. 11): “que a 
leitura de mundo precede a leitura da palavra.” Por isso, o contato da criança com a 
leitura oral se faz necessária para o desenvolvimento da linguagem. 
 Deste modo, a leitura contribuirá para reflexões a cerca do mundo, e como 
ressalta Yunes (1989, p. 34) na citação de Freire, “que um livro deve levar a uma 
leitura/interpretação da vida que ajude o indivíduo na transformação de si mesmo e do 
mundo.” 
 Para a prática da leitura, os educadores devem ter em mente que a criança sofre 
constantes mudanças e que apesar de pouca idade é um ser pensante e crítico, além de 
considerar as expectativas que traz consigo. 
 Na procura de um melhor caminho de mundo, este pequeno leitor verá só na 
leitura uma forma de comprovação de que ele é o sujeito de sua própria história. Assim 
a escola é um espaço importante para a criança recuperar uma história vivida ou 
imaginada. 
Estatisticamente é comprovada a importância do ato de leitura nos anos iniciais 
para a construção de uma base sólida à vida estudantil. A leitura desperta o interesse a 
conhecimentos de obras literárias ou textos que sempre estarão presentes na educação 
da criança, abrindo novos horizontes de compreensão e visão do mundo e das coisas que 
a rodeiam.(SOARES, 2008) 
 
2.1 O Livro e o Desenvolvimento Cognitivo 
 
O livro é a parte material, palpável, do conhecimento, através dele as ideias são 
perpetuadas e disseminadas. Segundo Zilberman, se não existisse o meio concreto – 
livro – o entendimento das coisas "perder-se-ia no tempo, pois seus outros elementos – 
as imagens que emanam da fantasia de um sujeito; as narrações em que se transformam 
as falas de pessoas e grupos – mostram-se por demais transitórios e efêmeros" (2001, p. 
113). Através da Literatura pode-se caminhar no tempo dentro de uma logicidade de 
causa e consequência, o que situa e identifica o sujeito. 
 Piaget fala que os seres evoluem seu cognitivo através do equilíbrio 
progressivo, assim, a cada informação adquirida o indivíduo precisa digerir e incorporar 
o que julga consistente, acontecendo a evolução a partir dessa integração. Diz ainda 
Piaget (1967), que o desenvolvimento consiste de constantes passagens de um estado de 
equilíbrio para um estado de desequilíbrio, resultando num equilíbrio superior. A 
 
 
interação e a adaptação da criança com seu ambiente poderá ser tanto melhor quanto 
mais ela se lançar às diferentes interações que os livros podem proporcionar. A 
literatura ensina e ao mesmo tempo forma o sujeito. Quatro grandes estágios de 
interação são sugeridos por Piaget , quando se diz de desenvolvimento intelectual 
infantil, apesar das idades não serem tão rígidas assim, pois variam de acordo com o 
arcabouço vivido pela criança, são eles: 
- sensório-motor ou pré-verbal (0 - 2 anos) onde o bebê situado no real precisa 
elaborar formas de receber informações através dos sentidos e assimilá-las para que 
sirvam de base para suas próximas fases de relacionamento com o mundo da linguagem 
e da cognição; 
- pré-operacional ou simbólica (2 - 7 anos) que é a fase em que já se pode 
representar através de símbolos coletivos, a linguagem é mais abrangente, objetos e 
situações são discriminadas e nasce o pensamento pré-concebido, algumas articulações 
internalizadas são possíveis através de imagens mentais e da aplicação delas aos 
sistemas de linguagem; 
-operacional concreto (7 - 11anos), já nesta fase a articulação de pensamentos é 
operacionalizada, fica muito bem definido e classificado o que vai sendo adquirido 
como conhecimento. Há uma ordenação inclusive temporal e causal. Mantêm-se ainda a 
fixação nas experiências concretas, sendo mais raras as de lógica. É nesse momento que 
acontece o contato com a reversibilidade das coisas; a criança percebe que ela pode 
também fazer as operações pelo caminho inverso o que torna rica a possibilidade de 
inserção e fixação da leitura neste momento; 
-operacional formal (a partir dos 11 - 12 anos). Na adolescência são realizadas 
as operações não só pelo concreto, mas também pelo que é provável ou hipotético, 
desenvolvendo a cognição a partir da própria reflexão. Acontece uma maior 
independência do pensamento e o mundo real perde para as possibilidades lógicas. 
Falando mais um pouco de Piaget, FERRACIOLI (1999, p.181) coloca que: 
 
Para ele, a inteligência é relacionada com a aquisição de conhecimento à 
medida que sua função é estruturar as interações sujeito-objeto. Assim, para 
Piaget, todo pensamento se origina na ação, e para se conhecer a gênese das 
operações intelectuais é imprescindível a observação da experiência do 
sujeito com o objeto. 
 
 
Não há como negar o acréscimo do lastro de conhecimento pessoal quando a 
experiência se dá com o objeto denominado livro. O conhecimento acumulado recebido 
 
 
pela experiência social também tem grande valor, mas a criança só irá assimilar, tanto 
da literatura como da experiência, até onde seu patamar de conexões, conseguir 
alcançar. Piaget (1982, p. 157) diz ainda: "a adaptação é o equilíbrio entre a 
assimilação da experiência às estruturas dedutivas e a acomodação dessas estruturas aos 
dados da experiência". A literatura acontece para as pessoas de acordo com a faixa de 
conhecimento que elas têm e proporciona tantos outros desdobramentos de sua 
linguagem à medida em que se constrói como comunicador a partir delas. 
Pode-se dizer também que a Literatura tenha uma atuação psicológica, já que 
preenche muitas lacunas emocionais e sociais a partir da construção dos sujeitos. O que 
se inicia como simples decodificação de gráficos e sons pode futuramente alterar todo 
um inconsciente. Bettelheim (2002, p.185), relata que a leitura de uma estória para a 
criança deverá ser realizada com todo um envolvimento emocional na estória e na 
criança, com empatia pelo que a estória pode significar a ela. As histórias oferecem 
oportunidades riquíssimas de contato com o imaginário, com o mundo pessoal, com 
fantasias íntimas, oportunizando o auto conhecimento, o desenvolvimento de 
criatividade e a motivação para o aprender. O contato com o mundo externo também é 
favorecido, pois a partir dos livros os pequenos entram em contato com os mais 
variados desfechos de vida e tornam-se mais amadurecidos para lançar uma crítica ou 
para se comportar em determinada situação. 
Vários níveis de conhecimento são explorados com o livro: o das sensações que 
é tocado pela aparência externa do livro, seu toque, suas cores, seu cheiro; o emotivo 
gerado pelas emoções e estímulos acordados pela história; e o cognitivo racional 
caracterizado pela intelecção que produz conhecimento. 
Mensurar quantos livros uma criança irá ler não é o interessante, nem qual tipo 
de leitura deve ser. O importante é gerar na criança satisfação e conhecimento ao abrir 
as páginas de um livro, é instigá-la a querer descobrir o que vem depois naquela 
história; é fazê-la raciocinar com cumplicidade em situações novas a serem vividas. Isto 
sim transforma a aquisição natural de cognição em prazer, e traz sempre um gosto de 
“quero mais”. 
 
 
 
 
 
 
 
3 O QUE É LITERATURA INFANTIL 
 
 
Por volta do século V a.C, no oriente, com as narrativas orais dos povos hindus, 
nasce a literatura infantil. Estas narrativas foram levadas para o ocidente, mais 
especificadamente para Europa, onde foram resgatadas, através de obras de Perrault 
como: Chapeuzinho Vermelho, A Gata Borralheira, Branca de Neve e outras. 
A literatura conceitua-se, de forma generalizada, por palavras impressas que 
organizadas sistematicamente geram o depositário da expressão humana: o livro. Antes 
desta forma de linguagem existiam outras manifestações de registro como pinturas 
rupestres ou comunicação simbólica, mas foi o advento do livro que garantiu a 
transmissão da cultura e de várias áreas do desenvolvimento humano. Segundo 
DANNA (2007, p.08): 
 
Foi a escrita que otimizou a transmissão da cultura, pois a lei, a religião, o 
comércio, a poesia, a filosofia e a história são atividades que dependem de 
um certo grau de permanência. Assim, a escrita promoveu uma maior 
organização da pólis, ao contribuir para as formas de controle administrativo 
e político através do registro das experiências do homem, bem como de seus 
conhecimentos e sentimentos. Isso permitiu a superação dos limites da 
memória e a reflexão posterior sobre os acontecimentos. 
 
 
É preciso entender a importância literária sem que a palavra, antecessora desta 
seja descartada, pois a partir da oralidade o homem começa, mesmo sem ler e escrever, 
a dar asas à imaginação, à dança, ao canto, ao conto e a tantas outras formas de 
expressão cultural. Pelo conceito de Candido (1995. P.22), a literatura é “como uma 
forma de arte, que objetiva uma transposição da realidade para o simbólico, por meio da 
estilização formal, que promove um tipo arbitrário de ordem para as coisas.” 
O que é Literatura infantil afinal? Para classificar uma obra em “infantil”, limites 
muito sutis são tocados, inicialmente porque muito do que se é lido hoje pelas crianças, 
era, antigamente história contada para adultos. Outro fator delicado é a delimitaçãodo 
interesse infantil de cada época, bem como a rotulação da capacidade de uma criança na 
hora de enquadrá-la neste ou naquele tipo de leitura. Machado (1999, p.70) fala da não 
especificidade da literatura infantil, dizendo que o adjetivo “infantil” não restringe seu 
significado referindo-se aquilo que só pode ser lido por crianças, mas sim o amplia 
referindo-se à literatura que também pode ser lida por crianças.” E ainda o Estatuto da 
Criança e do Adolescente, promulgado pela Lei 8069/90 o Art. 58 fala que “no processo 
 
 
educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do 
contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade de criação 
e o acesso às fontes de cultura”. 
Mas foi no século XIX que contos foram recriados com a produção dos Irmãos 
Grimm. Tanto Perrault como os Grimm fixaram-se nas narrativas orais, eternizando-as. 
 A revolução Burguesa e o processo da industrialização foram fatores 
importantes para uma mudança estrutural na família moderna. 
Estudos sociais apontam que até final do século XVI as crianças eram 
consideradas miniaturas de adultos e se vestiam e se comportavam como tal. Os 
meninos copiavam os hábitos dos pais e as meninas repetiam as maneiras das mães. No 
século XVII as crianças começaram a ser consideradas como seres específicos e que 
deveriam se comportar de acordo com sua idade e não mais copiar os adultos, pois 
tinham o físico, mente e sentimentos um pouco diferentes ou voltados para o seu mundo 
infantil. 
Estes fatores foram responsáveis pela clara mudança na concepção de preparar 
os jovens para o mundo capitalista e torná-los adultos de sucesso. Daí a importância da 
educação de ter cuidados com o material cultural à sua disposição, principalmente o 
livro literário. 
 O primeiro autor de literatura infantil foi um dinamarquês chamado H. C. 
Andersen, que surgiu no ano de 1835. 
 Através dos tempos, a literatura infantil foi ganhando o seu espaço e valor. Mas 
no pós-modernismo, enfrenta a invasão da tecnologia eletrônica de massa e individual. 
Com um mercado saturado de informações e transformações do homem em seu modo 
de viver, agir e de pensar. 
 Assim de acordo com Coelho (2000, p. 11): 
 
O domínio da leitura pelo indivíduo é um fenômeno que ultrapassa de muitos 
a mera alfabetização. Ou melhor, a alfabetização deixou de ser vista como 
uma simples aquisição de habilidade mecânica (que se desenvolve ao nível 
superficial do texto), para ser entendida como possibilidade de penetração no 
mundo da cultura atual, em acelerado processo de transformações estruturais. 
 
 
Fica evidente o quanto é importante o conhecimento da literatura, em particular 
da literatura infantil no processo educativo, para melhor satisfazer a essas mudanças. 
A renovação literária infantil brasileira começou com Lobato na década de 20, 
houve uma reforma na forma tanto textual quanto na temática. 
 
 
Aconteceu uma troca de recursos tradicionais pelos problemas cotidianas de 
vivência do leitor infantil. Com isso, esta revisão pôde contribuir e ajudar no processo 
educativo, promovendo a comunicação através da leitura. Essa nova atitude transforma 
toda uma tradição literária, a mensagem do narrador que antes era representado para o 
adulto passa para uma posição secundária, tornando importante as ações e falas dos 
personagens infantis. 
Dos anos 70/80 segundo Coelho (2000, p. 15): “as experiências, debates e 
propostas para reformas educacionais vêm-se multiplicando de maneira significativa, 
principalmente no âmbito da língua e da literatura. E com especial cunho polêmico na 
área da literatura infantil.” Nos tempos atuais a literatura infantil pode ser decisiva na 
formação da criança em relação ao seu mundo e a si mesma, pois tem também como 
uma tarefa fundamental servir de agente de formação numa sociedade em 
transformação. 
A escola é atualmente um espaço importante para atender a essas novas 
necessidades do indivíduo em relação a valorização de si mesmo, e uma das maneiras 
de se conseguir isto é através da literatura infantil. 
Outras características completam a definição da literatura infantil impondo sua 
fisionomia, uma delas é a representação através dos livros em que o adulto quer que a 
criança veja o mundo da mesma forma que ele vê. A outra é a visão dada dos recursos 
da narrativa fantástica, onde ela extravasa as fronteiras do realismo. 
Atualmente “novos caminhos” surgem em relação a literatura infantil, ganhando 
o reconhecimento de sua plenitude a cada dia. Os novos caminhos serão contemplados 
no capítulo seguinte. 
 
3.1 Como Trabalhá-la 
 
 Atualmente, a escola está tomando consciência sobre a importância da leitura e 
até de uma metodologia adequada. 
 Para Yunes (1989, p. 34), a democratização das leituras em nosso país ainda 
depende dos seguintes fatores: 
 
a) Da denominação das altas taxas de analfabetismo; 
b) De uma escolarização ampla da população, o que nos coloca perante os 
problemas relativos ao ensino da leitura (alfabetização) e de literatura; 
c) Da popularização da literatura, o que remete à questão relativa ao best-
seller nacional e à produção de uma literatura de alcance popular; 
 
 
d) De uma rede atuante de bibliotecas públicas e infantis; 
e) De uma adequação da escola à realidade do aluno, à medida que não está 
cumprindo suas tarefas básicas com competência e evasão escolar; 
f) De uma melhoria da qualidade de vida da população, para que a família 
retome a sua função de educadora e incentive as crianças para a leitura; 
g) De um sistema eficaz de distribuição de livros por todo o país. 
 
A literatura infantil fornece ao professor uma vasta maneira de se trabalhar. Por 
isso ela é um instrumento muito rico para a alfabetização. O educador que sabe dessa 
importância utiliza esse recurso desde a interpretação até a escrita correta. 
 O primeiro passo é escolher a história, os tipos de gravura, de tamanho para 
cada faixa etária. Para crianças muito pequenas, deve-se estar atentos para mais figuras 
e pouco texto. Se forem maiores, livros com menos figuras e mais textos. Além disto, o 
texto deve estar de acordo com o interesse e gosto do pequeno leitor. 
 A leitura deve ser interpretativa, deixando a mensagem atingir o ouvinte de uma 
maneira clara e emotiva. Quando se faz a leitura individual em silêncio, esta pode ser 
acompanhada ao som de uma música clássica e suave. A música também pode ser 
utilizada para enriquecer uma leitura na hora de contá-la. 
 Através da literatura infantil o professor ou qualquer pessoa pode e deve 
trabalhar as artes como: teatro, desenho, dobraduras, fantoches, músicas e outros. 
 No estudo da Língua Portuguesa a interpretação, leitura, gramática textual, 
ortografia e produção de texto. 
A leitura de bons livros ajuda também na comunicação, dá oportunidades ao 
leitor de se comunicar com ele mesmo e com as pessoas ao seu redor. 
 Esse ato de comunicação permite exercer uma avaliação mais consciente da 
posições do educador nas diferentes situações comunicativas do cotidiano. 
No caso da leitura e produção de textos, a reflexão sobre esses elementos torna o 
trabalho do professor mais eficaz. Na leitura é importante saber que o papel de quem lê 
é de receptor e quem escreve é o emissor, por isso, a importância de ensinar que se deve 
ter em mente um objetivo a que se refere a mensagem. 
Na escrita, quem produz um texto é o emissor, este deve levar em conta as 
características sociais e psicológicas do receptor, para haver um interesse pela 
mensagem. 
Tudo isso dependerá da capacidade do professor de adequar o texto as 
expectativas de quem vai ler e as finalidades a que ele pretenda alcançar, portanto o 
professor poderá usar o livro como um ótimo recurso em sua prática pedagógica. 
 
 
As produção de textos, utilizando um livro sobre contos de fadas, contribui para 
o desenvolvimentooral e a escrita em português. 
Para se trabalhar matemática existem, ótimos livros que ajudam no 
desenvolvimento de noções de matemática como números, ordenação, sequência 
numérica e outros. E assim existem várias opções literárias infantis que ajudam no 
trabalho destas e de outras disciplinas. 
Outros critérios podem ser adotados pelos educadores infantis na intenção de 
formar novos leitores, como por exemplo: a criação do cantinho da leitura, um espaço 
adequado a acolhedor para as crianças permanecerem no momento da leitura. A 
utilização de projetos como sacola da leitura, onde o educador confecciona uma sacola e 
coloca um livro diferente cada semana para criança levá-lo para casa, ler com seus 
familiares e contar como foi esse momento em classe. A troca de livros que se tem em 
casa entre as crianças, torna essa prática interessante. Caberá ao professor procurar a 
melhor opção para sua turma e usar a sua criatividade, possibilitando aos seus alunos 
um espaço de crescimento cognitivo, físico e emocional. 
 
3.2 A Construção da Criança Leitora 
 
A educação de uma criança está ligada aos hábitos que ela desenvolveu na vida. 
E são estes mesmos hábitos que nos inclinam para nossas escolhas de atitudes. Tudo 
aquilo ao que está habituado o ser humano passa a ser uma resposta reativa, que acaba 
governando quem se é, daí a grande necessidade de formar sujeitos habituados a leitura 
e materiais mais seletivos a fim de aperfeiçoar-se também os conteúdos sociais. O 
“adestramento dos hábitos infantis” é de suma importância para a realização e felicidade 
dos futuros indivíduos. 
Quando se deseja aperfeiçoar, construir uma criança leitora, necessita-se partir 
de funções já desenvolvidas por ela, para outras, não tão familiares. O aprendizado, não 
ocorre de forma linear; a ampliação do conhecimento a partir de pequenos acréscimos 
diários, podem significar um “bum” de desenvolvimento. Segundo Vygotsky (1994, 
p.37) “ao dar um passo em frente no campo da aprendizagem, a criança dá dois no 
campo do desenvolvimento; e por isso aprendizagem e desenvolvimento não são 
coincidentes.” Outro fator a ser considerado é que a aprendizagem e o desenvolvimento 
começam muito antes da escola, e que quando a criança é inserida na escola ela já 
possui seu manancial de experiências e expectativas. 
 
 
 Pais, desde o nascimento de seus filhos deveriam ater-se na introdução deles no 
mundo literário, é claro que na primeira infância, como o toque é fundamental texturas 
deveriam ser apresentadas a elas – o que é também uma forma de leitura, músicas 
deveriam ser exploradas, cores e gravuras maravilham nesta fase. Mais tarde, como 
aparelho motor mais desenvolvido, atividades lúdicas para a leitura das capacidades 
individuais e do ambiente são aconselháveis, e tudo isso acontece anteriormente ao 
período escolar e pode contribuir significantemente para a boa aquisição da linguagem. 
Móbiles e movimento também compõem esta fase que corresponde a não estaticidade. 
Um pouco mais adiante o livro chega no seu momento de estréia na vida dos pequenos, 
e nada como o capricho na afetividade, na oralidade, na musicalidade e na gestualidade 
para que o encontro do livro e da criança possa desde o primeiro instante ser um caso de 
amor. 
 Se necessário for uma preparação anterior à narrativa a ser lida, como 
apresentação prévia de um tema, cartazes, jogos ou cantigas, que seja feita, assim o 
entendimento será mais completo o que gerará na criança um abastecimento de 
conexões e correspondências, e por consequência segurança e satisfação. O necessário é 
que o pré-leitor vivencie práticas educativas abrangentes e abastadas de sentido e 
significados para que ele transforme-se num leitor capaz. 
 Não se confunda, pois, o atributo pedagógico de um livro com o atributo 
formador que emancipa e liberta o ser humano. Na compreensão de Zilberman 
(1999:19): 
 
A leitura, mesmo sendo uma prática solitária, permite ao indivíduo penetrar o 
âmbito da alteridade, expandindo suas experiências. Com ela, o leitor acaba 
socializando experiências. A leitura estimula o diálogo e aí se revela a função 
formadora e verdadeiramente educativa da literatura e da leitura. 
 
A escola vem discutindo sua intervenção na formação da criança leitora, a fim 
de estimulá-la para que mais conhecimento possa ser produzido a partir de novas 
informações. Mas não é suficiente a discussão, a organização escolar e pedagógica 
precisa ser ampliada a fim de equipar professores confiantes na hora da concretização 
desta tarefa. O professor preparado e carregado com um arsenal nobre de educação será 
capaz de contagiar seus alunos e de se realizar como educador. 
 
 
 
3.3 Autores e livros preferidos das crianças e professores 
 
Neste capítulo vão estar relacionadas algumas obras e autores de preferência dos 
professores e crianças. 
A literatura infantil é muito abrangente, os livros aqui relacionados não dizem 
respeito diretamente ao ensino, mas predomina neles com maior intensidade a finalidade 
educativa, somada ao dirigismo ideológico os quais variam as intenções dos setores que 
a literatura utiliza para definir conceitos e posições que lhes interessam em particular. 
O professor deverá desenvolver seu trabalho com o objetivo de possibilitar à 
criança abrir horizontes, criar, recriar, refletir e avaliar sua leitura. 
Para os pequenos leitores que estão na fase de ampliação do mundo, existem 
coleções de livros que atendem ao interesse e curiosidade dessa faixa etária. 
Podemos destacar em particular “A Coleção Gato e Rato” de Mary França, 
1978. Com textos breves, desenvolvidos por ilustrações dinâmicas e bem-humoradas e 
os mais diversos animais e elementos da vida. Quanto ao aspecto verbal, brinca de 
maneira inteligente com os fonemas e significados. 
Aos leitores iniciantes, 6/7 anos, início da alfabetização e da descoberta da 
linguagem escrita, podemos destacar “Lúcia-já-vou-indo”, de Maria H Penteado, 199. 
Uma história pitoresca, cujo motivo central é a natureza e a vagareza de uma lesma. 
Com desenhos que entre em diálogo com o texto, fornece elementos importantes para 
serem explorados com a criança. Ela é aproveitada pelos professores para se trabalhar a 
solidariedade e a alegria. 
Aos eleitores em processo, 8/9 anos, fase da interação com os textos, os mesmo 
se diversificam através dos interesses dos leitores que estão amadurecendo. Para eles o 
livro “Sem pé nem Cabeça”, de Pedro Bandeira, dá uma lição de vida numa narrativa 
verbal e visual que fala de um menino de uma imaginação criativa e um enorme desejo 
de expressar os seus sentimentos através de seus desenhos, para a concretização de seus 
sonhos de auto-realização. Esse texto passa uma linda mensagem de que ninguém existe 
em plenitude sem ser contemplado pelo outro. 
Aos 10/11 anos, as histórias de outras terras, aventuras, viagens, explorações 
grandes invenções e alguns mitos e lendas. Os meninos manifestam especial interesse 
por ciências, A criança se sente atraída por leituras mais longas e numerosas, devido ao 
eu nível de desenvolvimento linguístico e geral. Os meninos preferem as aventuras 
sensacionais, ao passo que as meninas apreciam enredos mais românticos. 
 
 
Dos 12/13 anos, a criança entra na pré-adolescência, caracterizada por um 
sentimento de exaltado idealismo e patriotismo. Apreciam enredos repletos de atos de 
bravura, heróis que superam os mais terríveis obstáculos com espírito inquebrantável. 
 Existem muitos autores que conseguiram atingir as expectativas das crianças e 
educadores. Dentre esse universo destacamos: Ana Maria Machado, Monteiro Lobato, 
Vinícius de Moraes, Irmãos Grimm, Charles Perrault, Bartolomeu Campos Queirós, 
Ruth Rocha, Ziraldo, Sérgio Caparelli, João Carlos Marinho, Lúcia Machado de 
Alemida e outros. 
Coelho (200, p.212), “suspendemos aqui os exemplos, pois parecem-nos 
suficientes para darem umaideia da natureza da nova literatura – interpretada como 
“objeto novo”, como uma nova linguagem, resultante da fusão verbal visual, tão 
sedutora para os pequenos aprendizes (e para os grandes também!). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 CONSCIÊNCIA DE MUNDO E AS HISTÓRIAS INFANTIS 
 
A Literatura é um recurso capaz de expandir, desenvolver e enriquecer a 
experiência de mundo de cada um. Ela não só reflete a cultura e os costumes, mas 
também ideologias diversas tomando para si a responsabilidade de iniciar as pessoas no 
fantástico mundo da leitura. Até a bem pouco tempo a Literatura era confundida com 
brinquedo ou algo menos importante, mas o fato é que ela gera consciência e aumento 
da capacidade de visão do ambiente que cerca a pessoa. 
Bem recentemente, as histórias infantis vêm ganhando uma função maior, a de 
formadora de opinião social e cultural. 
É através de uma história que se pode descobrir outros lugares, outros 
tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica. É 
ficar sabendo história, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. 
sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de 
aula (ABRAMOVICH, 1997, p.17). 
 
Um recurso bastante importante, utilizado nos livros infantis, é a introdução do 
“maravilhoso”, que é tudo aquilo que não se entende como lógico. Através dele, da 
simbologia e dos eternos dilemas que ele sugere, o inconsciente das crianças é 
trabalhado, ajudando-as a resolver os problemas da fase infantil da vida, contribuindo 
para o amadurecimento emocional e para uma conduta mais equilibrada. 
O aprendizado infantil poderia ganhar muito com obras, independente do 
gênero, se estas tivessem como tema questões da atualidade, problemas humanos e 
universais. Aproximar as crianças da realidade só pode contribuir para uma sociedade 
mais consciente e organizada. 
A introdução da literatura na vida de uma pessoa deve ter uma estreita ligação 
com o prazer, com o aconchego e com o acréscimo trazido pelo livro, seja ele voltado 
ao lazer ou ao aprendizado. Aguiar (1999:243) afirma, que o pecado original da 
literatura infantil foi ter nascido comprometida com a educação em detrimento da arte, 
fator que até hoje vem acarretando o afastamento da leitura. Enquanto arte, a criança 
recria o mundo narrado através de sua imaginação e holograficamente vai também 
construindo o seu mundo, inserindo nele mais personalidade e mais compreensão do 
real. Para que a criança possa aproveitar tudo o que a Literatura pode trazer, é 
necessário que a escolha da obra a ser lida seja adequada às expectativas do pequeno 
leitor, tanto na formatação quanto no gênero a ser lido. O encontro da criança como que 
ela irá ler só tem a acrescentar enquanto estímulo para futuras leituras. O assunto, o 
 
 
tema, a moral, a capacidade de compreensão, a preferência estilística e até mesmo a 
formatação e o lay out da mídia a ser lida são fatores a serem enquadrados às diversas 
realidades infantis na hora da introdução do “era uma vez “na vida do novo ouvinte. 
 Diversas são as possibilidades de Literatura Infantil, mas a escolha de 
qual delas a criança irá ler não importa num primeiro momento, o importante é 
introduzir o hábito da leitura e tudo o que ele traz. A partir de muito cedo pode-se então 
introduzir o público infantil numa organização social e a leitura traz naturalmente isso: a 
validação de crenças e costumes instituídos e a conexão com o que eu posso ser e 
contribuir. 
 
4.1 A Aprendizagem, o Lúdico e o Imaginário 
 
A escola, principalmente em suas primeiras séries precisa resgatar o interesse 
pela leitura. Uma vez resgatada a leitura contribui para toda a vida do indivíduo, na 
medida em que pode tornar-se um hábito. Chega de livro para ser interpretado ou 
cobrado em prova, esta relação só obstrui o fantástico caminho do desenvolvimento 
proporcionado pela Literatura. 
São inúmeras as possibilidades de enriquecimento de uma história, quando esta 
está sob responsabilidade de um profissional competente. Desde cedo, os mais variados 
recursos deveriam ser acrescidos, o contato com todos os gêneros narrativos deveria ser 
feito, para que a sala de aula transforme-se num espaço mágico de cores, sons, ritmos, 
pensamentos e experiências ativas capazes de milhares desencadeamentos futuros. 
A atividade lúdica trabalha assim, com a integralidade do ser humano, 
abordando de forma não convencional e interdisciplinar através de brincadeiras e jogos. 
Essencial para percepção infantil, o lúdico quer através do trabalho concreto, da 
manipulação e montagem abastecer a criança em sua sede pela novidade e pela 
interação com os amigos. Segundo DOHME (2003, p.113): 
 
As atividades lúdicas podem colocar o aluno em diversas situações, onde ele 
pesquisa e experimenta, fazendo com que ele conheça suas habilidades e 
limitações, que exercite o diálogo, liderança seja solicitada ao exercício de 
valores éticos e muitos outros desafios que permitirão vivências capazes de 
construir conhecimentos e atitudes. 
 
 
 O aprendizado através do lúdico é uma grande brincadeira e possibilita, pela 
experimentação, a auto descoberta, o conhecimento de limites e habilidades próprios 
 
 
desenvolvendo a auto confiança. Brincar torna a criança mais autônoma e trabalha seus 
aspectos físicos, emocionais e intelectuais. Fantasias, fantoches, músicas, cenários, 
dobraduras, são só alguns dos recursos disponíveis para o incremento da aventura a ser 
iniciada com um bom livro. Esta experiência, tão prazerosa, gera na criança a sensação 
de que o imaginário e o real se fundiram, o que torna mais emocionante o desenrolar da 
trama. 
 A aprendizagem também é alterada quando recursos lúdico-criativos são 
utilizados, pois a criança concentra-se muito mais no conteúdo explorando não só seu 
auditivo, mas também o seu visual e o seu toque. O termo lúdico, já descrito, fala de 
divertimentos, mas o cerne de sua significação é relativa à plenitude do homem. 
 É preciso que as crianças encontrem prazer nos textos, nas suas lembranças, na 
apropriação daquele momento vivido em casa ou na sala de aula como seu momento de 
vida. Trabalhar o lúdico é muito mais que trabalhar conhecimento, é trabalhar a 
competência cognitiva da criança e envolve inteligência, consciência, imaginação, 
criatividade, estratégias, pensamentos, reflexões, soluções, relações e fantasias. 
 Em detrimento da brincadeira e da ludicidade, as escolas atualmente estão mais 
voltadas à alfabetização desde muito cedo. A criatividade e ludicidade da literatura foi 
deixada de lado, quando seria mais importante do que o próprio conteúdo de símbolos 
impressos. A livre escolha do pensamento, da imaginação tem sido mais e mais 
cerceada pelo planejamento pedagógico e pela imposição do ritmo e das exigências do 
mundo adulto. G. Durand (1983. p. 54), entende que: 
 
[...] a função da imaginação nas histórias e nas vidas humanas é motivada não 
pelas coisas em si, mas pela maneira de carregá-las de sentido, segundo o 
qual ela seria a coisa do mundo mais universalmente partilhada. Por isso, a 
função fantástica acompanha os empreendimentos mais concretos, 
modulando a ação estética e social. O imaginário não é, portanto, mera 
fantasia de romântico, um mundo que paira acima do mundo. Ele é a própria 
experiência de vida. 
 
 
 Como parte substancial da experiência de vida, a imaginação interfere 
crucialmente na vida criativa de uma pessoa. Ou você copia ou você cria e criar é 
utilizar-se do imaginário para produzir algo real. Sendo assim a imaginação tem base e 
resultado na realidade e se não fosse por ela nada seria renovado ou descoberto. A 
Literatura participa de tudo isso como gatilho do imaginário, o que também se aproxima 
de uma brincadeira. Brincar é fundamental e faz com que as crianças reproduzam e 
descobremalternativas para suas vidas; apropriando-se de suas realidades as crianças 
 
 
ficam mais inseridas socialmente. Ensina Vygotsky (1998) que “definir a brincadeira 
simplesmente como uma atividade prazerosa é reducionista e falso, pois existem outras 
inúmeras atividades que dão à criança tanto prazer ou até mais que o brincar.” 
 Numa escala de desenvolvimento imaginativo infantil tem-se inicialmente o 
bebê que quer resolver suas vontades rapidamente, e assim o faz porque dependem de 
sua própria ação. Mais tarde as vontades das crianças não são de resolução tão imediata 
e cabe à criança imaginar para sanar toda forma de desejo. Alguns desejos infantis 
precisam ser sanados com a ajuda de um terceiro até que ela possa realizá-los sozinha. 
Nesse quadro insere-se as leituras feitas por adultos e que relacionam a criança com seu 
objeto de desejo e sua significância. Analisando com cuidado percebe-se que ao 
“entrar” na história a criança já está brincando, vivenciando uma realidade diferente e 
adquirindo novos conhecimentos e novos redimensionamentos do seu espaço. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 OS BENEFÍCIOS DA LITERATURA INFANTIL NO ENSINO 
FUNDAMENTAL 
 
A literatura infantil não é simplesmente um instrumento de trabalho. Ela é uma 
prática socializadora, uma prática de prazer, encantamento, emoções, reflexão e 
legitimação. 
 Os livros infantis contribuem para o desenvolvimento da criança. Os livros com 
imagens desenvolvem o reconhecimento de objetos ou seres familiares da criança em 
seu cotidiano real e comum, facilitando assim, a compreensão do texto. Esse tipo de 
livro, utilizado com as crianças pequenas que ainda não decodificam as letras, tende a 
serem maiores do que o normal, com formatos especiais e pouco texto escrito. De 
acordo com a evolução da leitura das crianças, as ilustrações vão-se reduzindo e o texto 
aumentando, até tomarem formatos padrões. 
 Os benefícios, segundo Coelho, da nova literatura infantil no que se refere aos 
valores psicológicos pedagógicos, estético e emocional são: 
 
 Estimula o olhar como agente principal na estruturação do mundo 
interior da criança, em relação ao mundo exterior que ela está 
descobrindo. 
 Estimula a atenção visual e o desenvolvimento da capacidade de 
percepção. 
 Facilita a comunicação entre a criança e a situação proposta pela 
narrativa, pois lhe permite a percepção imediata e global do que vê. 
 Concretiza relações abstratas que, só através da palavra, a mente infantil 
teria dificuldade em perceber; e contribui para o desenvolvimento da 
capacidade da criança para a seleção, organização, abstração e síntese 
dos elementos que compõe o todo. 
 Pela força com que toca a sensibilidade da criança, permite que se fazem, 
de maneira significativa e durável as sensações ou impressões que a 
leitura deve transmitir. Se elaborada com arte ou inteligência, a imagem 
aprofunda o poder mágico da palavra literária e facilita a criança o 
convívio familiar com os universos que os livros lhe desvendam. 
 Estimula e enriquece imaginação infantil e ativa a potencialidade 
criadora – natural em todo ser humano e que, muitas vezes, permanece 
latente durante toda existência por falta de estímulo. (COELHO, 200, p. 
197) 
 
 
 Mas precisa-se perguntar, apesar de toso os benefícios que a leitura oferece e 
também da dedicação dos educadores, por que a leitura é tão pouco explorada pelas 
crianças e jovens? 
 Se buscar os culpados, encontra-se vários como: governo, meios de 
comunicação, familiares e até mesmo educadores, que pensam saber o que agrada aos 
 
 
pequenos não possibilitando a escolha; assim, levam as crianças os mesmo livros, as 
mesmas histórias e ainda mais, na maioria das vezes, abordando o mesmo enfoque. 
 O livro através do seu texto contribui para que a criança concretize uma relação 
abstrata, além de despertar a sensibilidade do pequeno leitor levando-o a um 
enriquecimento da própria imaginação. 
 Ele contribui ainda para ajudar a criança na necessidade de satisfação estética e 
de ser bem aceita, de amar e ser amada, de progredir, de conhecer, de mudar pela 
observação de personagens envolvidas em situações problemáticas. 
 Conforme diz Cunha: 
 
A ideia do que a literatura vai fazer a criança ou ao jovem leva-nos a obriga-
los a ler, como lhes impomos a colher de remédio, injeção, a escova de dente, 
a escola. Assim, é comum o menino sentir-se coagido, tendo de ler uma obra 
que não lhe diz nada, tendo de submeter-se à uma avaliação, e sendo punido 
se não cumprir as regras do jogo que ele não definiu, nem entendeu... É a 
tortura sutil e sem marcas “observáveis a olho nu”, de que não damos conta. 
(CUNHA, 2003, P. 51) 
 
Ao se ter consciência de todos, os benefícios que a literatura infantil traz, deixa-
se de impor a criança, a leitura como se fosse um remédio ruim. Para isso tem que 
participar da escolha do livro e do autor. O educador deve fazê-lo perceber que o ato de 
ler só traz benefícios para ele, e o educador deve perceber que quando o livro é bem 
explorado ele é um ótimo recurso no trabalho pedagógico. 
 
5.1 Cenário Brasileiro e a Leitura 
 Muito mais do que decodificar, ler é dar significância a algo lido. Partindo de 
conhecimentos prévios é possível se lançar no mundo das deduções e das confirmações 
de experiências próprias. É eficaz a leitura que produz aprendizagem; que produz o 
acionamento de milhares de relações cognitivas mentais gerando o desenvolvimento. 
 No Brasil, a escola, principalmente sendo na maioria pública, tem função social, 
em primeira instância. Ali convivem crianças das mais variadas idades, com níveis 
sócio-econômicos, costumes e visões diversas. Nas salas de aula as diferenças aparecem 
estampadas e o saber literário não foge à essa regra. Desafiador talvez seja o melhor 
atributo para a formação de leitores, em uma sala de aula completamente desnivelada, 
no que diz respeito às capacidades cognitivas ali encontradas. A diferença, a princípio 
desestimulante pode se tornar grande estoque de possibilidades de conhecimento. 
 
 
 Selecionar leituras para público tão diverso não parece fácil, transformá-los em 
leitores ao invés de ledores também não. O professor investido nesta tarefa precisa ser 
tão plural quanto a realidade de sua turma. Aqui também a variedade de material 
impresso – de gibi a enciclopédia – é necessário, mas a preparação do professor precisa 
ser ampla para que possa mediar e ressignificar e o conteúdo lido à realidade de cada 
aluno. Visões diferentes serão enriquecedoras e um diálogo permanente se faz 
necessário a fim de que as exclusões sejam sanadas e que a qualidade do que está sendo 
lido, caso seja ruim, possa ser elevado. 
 A realidade brasileira não é boa se consultar-se as estastística escolares quanto 
ao prazer de ler. Por longa data imposições de leituras foram frequentes o que fez com 
que as crianças e jovens tenham preguiça da leitura. Numa sociedade onde tudo vem 
pronto para que seja engolido, pensar, acrescentar e fazer pedagogia parece ser 
impossível. 
Aplicar uma educação qualificada envolve a convivência com perguntas a serem 
sanadas, problemas a serem resolvidos e caminhos a serem construídos. Quando uma 
nova proposta educacional nasce ela parece ser uma promessa melhor e encanta por 
algum tempo criando expectativas. Com a modernidade veio também a superação de 
tudo o que já existe, só que o avanço tecnológico não acompanha a realidade de pobreza 
e falta de recursos pessoais com os quais convivemos. 
Na educação acontece uma corrida frenética atrás do que é novo, como se fosse 
melhor e esquece-se que o que é velho tem a garantia de uma experiência acumulada. 
Soluções novas para a melhor formação dos profissionais de educação e para a 
disseminação da leitura são necessárias, mas baseadas em garantia pública da condição 
de sua concretização e desenvolvimento,resguardando a cidadania e a democracia. 
 São agudos os problemas a serem enfrentados pela educação brasileira, 
problemas que vão desde remuneração insuficiente dos professores, até a pobreza 
extrema dos alunos. A educação deveria ser implementada, em cada região, de acordo 
com suas características; as pessoas deveriam poder opinar nesta mudança e adequação. 
Só que assim não poderia existir uma política educacional única como existe. A 
uniformidade numa diversidade regional imensa acaba limitando os resultados 
educacionais. Construir esta unidade é o desafio brasileiro da educação, na medida em 
que esta deve preservar fatores sociais e culturais. 
 As crianças brasileiras bailam entre tantas limitações para que consigam a 
produção do conhecimento e autonomia, fatores que vão gerar espírito crítico e 
 
 
cooperação. Um dos fatores limitantes é, sem dúvida, a formação, o respeito e a devida 
valorização dos professores deste país e talvez seja este o ponto de partida reestrutural 
da cultura no Brasil. 
Se observar o cenário comunicacional, as pessoas são submetidas a incontáveis 
estímulos linguísticos, fruto do avanço tecnológico da disseminação das notícias. 
Apesar dos níveis de consumo de obras impressas pelas pessoas ser baixo, a taxa de 
propagação de informações gerais por meios eletrônicos é absurda o que faz 
concorrência frente a narrativa literária. Os vídeo-games, a televisão, o computador e 
tantas outras mídias da modernidade são um desvio desleal à pratica literária, na medida 
em que sua acessibilidade é maior e mais barata na realidade nacional. Nesse contexto 
de capitalismo a indústria de livro passa a publicar obras mais específicas e e outras 
tantas de qualidade duvidável, o que faz girar a uma situação de literatura precária e 
banalizada. Hoje livros são lidos porque vão ser cobrados em provas de concursos ou 
vestibulares muito mais do que para acréscimo ou prazer pessoal. Segundo ALBINO 
(2009, p. 04): 
 
Nesse sentido, a escola assume um papel relevante nessa discussão, 
tornando-se uma instituição com desempenhos contraditórios. Num primeiro 
momento, trata-se de um local onde se aprende a ler e a escrever, conhece-se 
a literatura e desenvolve-se o gosto pela leitura. Por outro lado, define-se 
também como um ambiente caracterizado pelas carências no campo do 
ensino, sendo marcada pela deficiência dos métodos empregados que incluem 
a baixa freqüência de exercícios de leitura, a falta de critérios na seleção e a 
má qualidade do material manipulado, somados ao baixo nível de linguagem, 
ao mero desinteresse pela leitura e à escassez de repertório por parte dos 
alunos. 
 
 
O livro destinado ao público infanto-juvenil deve ter a cara dele, deve identificar 
quem lê com o que está escrito, caso não ocorra fica invalidada a possibilidade de 
aquisição de conhecimento através da leitura. É importante que o horizonte de quem lê 
seja expandido a cada obra a fim de que o aluno possa se aventurar a outras inúmeras 
investidas no livro. A emancipação proporcionada pelo livro torna-se fator essencial na 
escolha de uma boa obra. O professor, mais uma vez, é peça chave. Cabe ao profissional 
da educação enquadrar os interesses do aluno títulos construtivos. Mas, esse professor 
preparado e conhecedor de literatura infelizmente não é alvo do plano educacional 
brasileiro. 
Quando há satisfação e correspondência de informações e emoções, a criança 
acrescenta subsídios para dar asas a sua imaginação. As manifestações orais cercam 
 
 
todas as pessoas desde a antiguidade. Lendas, mitos, poesia e festas populares já 
ocupavam o prazer proporcionado pelo livro. A herança étnica ritualística deixada por 
nossos antepassados através das histórias sempre foi uma forma prazerosa de garantir a 
transmissão de valores e cultura. A esse patrimônio cultural todas as crianças tem direito 
e o professor deveria fazer a mesma roda ritualística e perpetuar o universo mágico. 
Abramovich (1994, p.20) chama atenção para o fato de que: 
 
Ao ouvir uma história a criança dá seu primeiro passo rumo a sua formação 
psicológica. Necessita ouvir muitas histórias para despertar seu imaginário, 
bem como para buscar respostas a tantas perguntas descobrindo o mundo 
imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e 
atravessamos. Sua identificação com os tantos personagens, com a maneira 
como estes resolvem seus conflitos e assim esclarecer melhor as próprias 
dificuldades ou encontrar um caminho para a solução delas.(...) É ouvindo 
histórias que as crianças sentem emoções importantes como a tristeza, a 
raiva, a irritação, o bem estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a 
tranqüilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo o que as 
narrativas provocam em quem as ouve, assim, sentem e enxergam com os 
olhos do imaginário. 
 
 
A estratégia de selecionar os conteúdos dos livros, antecipar, interferir e checar o 
entendimento, pode ser bastante útil no trabalho pedagógico dentro da sala de aula, mas 
o imprescindível é que o livro esteja sempre presente. Quanto mais os alunos entrarem 
em contato com a pluralidade literária, mais seletivos se tornarão e mais seus 
conhecimentos, até mesmo na escrita, serão ampliados. Ao apresentar o livro para os 
alunos, inicialmente seus aspectos externos deveriam ser considerados, como forma, 
cor, espessura, tipo de papel, tamanho. Antes de entrar na história, também o autor e o 
ilustrador, a editora deveriam ser objetos de discussão. O enredo pode ser trabalhado de 
diversas formas, pelos mais variados instrumentos de educação, até mesmo a supressão 
do final de um livro é interessante, a fim de especular o desfecho imaginativo de cada 
um. 
Então, a cada fase o professor e os pais precisam estimular novas técnicas e 
novos temas para a sistematização da leitura das crianças. Se assim for a leitura se 
tornará naturalmente um hábito bom e um bom hábito. Os adultos, mais 
especificamente, os professores precisam quebrar a idéia de que a leitura é algo chato e 
monótono. 
Geralmente, o primeiro tropeço de alguém que se entusiasma a ler algo é a falta 
de objetivo de concluir tal tarefa. São muitos os casos de alunos que fazem extensas 
leituras e cópias sem saber exatamente porque fizeram aquilo. Uma abordagem mais 
 
 
esclarecedora, uma orientação quanto ao acréscimo realizado com determinada 
literatura, faria mais proveitosa esta iniciativa. Também é problemática a utilização da 
literatura, material inerente à didatização, ser somente utilizada como objeto de 
catequização e moralização de crianças mal educadas. Magalhães (1987, p,41) observa 
que a utilização do texto como forma de transmitir lições de moral está na origem da 
literatura infantil. Os horizontes pessoais precisam ser trocados e as leituras 
compartilhadas dentro de um respeito mútuo entre pessoas, linguagens e obras. 
 A literatura tem muito a ensinar a escola, e o professor precisa desenvolver a 
percepção da expectativa literária dos alunos a fim de saná-las. E preciso conhecer a 
pluralidade sócio-cultural-linguística existente numa sala de aula a fim de que mesmo o 
mais rico conteúdo lido seja entendido por todos. , Lajolo (2005, p.119) traz uma 
proposta de educação do gosto, “que não é somente função da escola, mas que a ela 
compete a tarefa de iniciar seus alunos nos protocolos, nos critérios e nos valores de 
leitura”. Assim é dever das famílias, da escola e das instituições culturais o acesso a 
literaturas e textos mais bem escritos, a bons autores e boas veiculações. Só assim 
poderemos elevar o nível do futuro leitor e de suas capacidades. 
Sim, é preciso que os alunos tenham vontade de ler, mas também de escrever. 
Quando uma criança escreve, ela registra e constrói materialmente, lendo o que 
escreveu, visualiza quem ela é, aonde que chegar, aumenta sua capacidade linguística e 
sobe mais um degrau na formaçãode sua identidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 CONCLUSÃO 
A literatura infantil se diferencia das demais atividades pedagógicas, por 
oferecer múltiplas oportunidades de atendimento a uma clientela tão especial como as 
crianças. 
 Num mundo tão diversificado em termos de informações, essa prática encontra o 
seu espaço garantido, pois nenhuma outra atividade consegue trabalhar a criança em 
todos os seus aspectos como: a criatividade, imaginação, valores entre outros. 
A criança que aprende a ler alicerçado pelo estímulo do entusiasmo aprende 
mais rápido e se interessa por uma gama maior de temas. Quanto mais ele lê, mais ele 
entende, mais se torna capaz e mais auto estima adquire. Pode-se então dizer que a 
motivação é a mola mestra do processo de aprendizagem que acontece a partir da 
leitura, mas poucos são os responsáveis pelas crianças que enveredam pela senda do 
desenvolvimento e gosto da leitura dos seus filhos. O co-responsável por tudo isso é o 
professor, que pode desempenhar também sua contribuição ao ensinar e fazer seus 
alunos gostarem de ler. Em relação ao professor a literatura contribui para enriquecer 
sua prática pedagógica. 
O livro não pode ser descartado, nem posto de lado. São muitas as tentações 
tecnológicas que nos induzem a pensar que o livro é uma coisa do passado; mas só 
quem pode acompanhar o desenvolvimento de uma criança regado a literatura pode 
falar dos benefícios gerais que as histórias podem trazer. Não existe nada que substitua 
o prazer de uma boa trama literária, o encantamento e a auto-reflexão proporcionada 
pelo livro. 
 Aqui se pretendeu mostrar a literatura infantil tal qual ela é, sem ter a pretensão 
de fechar o tema em todos os seus aspectos, Fica o alerta a todos educadores sobre a 
importância da literatura no cotidiano do educando e que sua prática venha de encontro 
às necessidades culturais do leitor. 
Este texto científico vislumbrou a importância do hábito de leitura, na família e 
na escola, principalmente na Educação Infantil, através da Literatura Infantil como 
agente enriquecedor e formador de leitores e escritores, aprimorando a leitura que a 
criança tem do seu próprio mundo. Os autores pesquisados concordam com a relevância 
da temática e a importância desta conscientização entre professores, alunos, sociedade e 
governo, no intuito de incentivar a criar hábitos de leitura. 
 
 
 
 
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