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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO SUL DE MINAS – UNIS/MG PEDAGOGIA ANA PAULA PAIVA CASEMIRO ALVES ROSSONI LITERATURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Varginha 2016 ANA PAULA PAIVA CASEMIRO ALVES ROSSONI LITERATURA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Monografia apresentada ao Centro Universitário do Sul de Minas-UNIS/MG, como parte integrante dos requisitos para a obtenção do grau de Licenciada no Curso de Licenciatura em Pedagogia. Orientador: Profª. Mª Luciane Madeira Motta Tavares. Varginha 2016 ANA PAULA PAIVA CASEMIRO ALVES ROSSONI LITERATURA NA EDUCAÇÃO INFANTL Monografia apresentada ao curso de Pedagogia do Centro Universitário do Sul de Minas- UNIS/MG, como pré requisito para obtenção do grau de Licenciatura, pela Banca Examinadora composta pelos membros: Aprovado em / / __________________________________________________________ Profª Ma Luciane Madeira Motta Tavares ___________________________________________________________ Prof. ___________________________________________________________ Prof. OBS: Dedico esta monografia aos meus filhos Maria Paula e Paulo Emílio que me dão forças para continuar a sonhar e acreditar em um futuro melhor para nós três. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela força e saúde para assim ter conquistado meus objetivos. Á minha família pelo apoio e participação nessa luta. Aos professores, pela competência e dedicação com seus alunos. E aos meus companheiros de curso, por termos juntos superados todos os obstáculos e conseguirmos a conquista dessa importante graduação. “A tarefa de aprendizado da criança é precisamente a de tomar decisões acerca de mover-se por conta própria, no tempo devido, e em direção as áreas da vida que ela mesma seleciona.” Bruno Bettelheim RESUMO As lendas, fábulas e contos de fada continuam a encantar crianças e adultos e a resgatar o pouco da magia que ficou em suas lembranças dos tempos em que seus pais se sentavam com eles para contar as histórias mais fantásticas de belas princesas e de reinos distantes. Ao se ler um conto de fadas, certamente esta se recuperando partes de uma infância que se perdeu num tempo em que usavam a linguagem dos sonhos para conversar com fadas e enfrentar gigantes. Através das histórias experimentamos estados afetivos diferentes daqueles que a vida real proporciona. A presença da Literatura infantil na escola e no lar representa um estímulo forte à aprendizagem da leitura. Adquirindo o gosto pela leitura a criança passará a escrever melhor e terá um repertório amplo de informações e poderá produzir um livrinho de histórias, ilustrados e contados por todas as crianças da sala. O presente trabalho possui como objetivo geral a influência da literatura no desenvolvimento infantil. Através de um estudo bibliográfico este trabalho se desenvolveu fazendo um breve histórico da literatura infantil e dos contos de fadas e seu devido valor para o desenvolvimento do imaginário. Apesar da grande importância que a literatura exerce na vida da criança, seja no desenvolvimento emocional ou na capacidade de expressar melhor suas idéias, geralmente, elas não gostam de ler e fazem-no por obrigação. O presente estudo traz um breve histórico da literatura infantil, apresenta conceitos de linguagem e leitura, enfoca a importância de ouvir histórias e do contato da criança desde cedo com o livro e finalmente esboça algumas estratégias para desenvolver o hábito de ler. Palavras Chave: Contos de fadas; Literatura infantil; Leitura; Criança; Cognitivo. ABSTRACT The legends, fables and fairy tales continue to enchant children and adults and to rescue some of the magic that was in their memories of their fathers were sitting with them to tell the most fantastic stories of beautiful princesses and distant realms. When reading a fairy tale, certainly we are retrieving parts of a childhood that was lost at a time when they used the language of dreams to talk to fairies and giants face. Through stories experienced affective states other than those that real life gives us. The presence of Children's literature in school and at home is a strong stimulus to learning to read. Acquiring a taste for reading the child will write better and have an extensive repertoire of information and can produce a book of stories illustrated and numbered by all the children's room. This work aims to influence the general literature on child development. Through a bibliographic this work was developed with a brief history of children's literature and fairy tales and their proper value for the development of the imagination. Despite the great importance that literature has on the child's life is in emotional development or the ability to better express their ideas, usually they do not like to read and do it out of obligation. This study provides a brief history of children's literature, introduces concepts of language and reading, focuses on the importance of listening to stories and contact the child early in the book and finally outlines some strategies to develop the habit of reading. Keywords: Fairy tales, Children's Literature, Reading; Child, Cognitive. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÂO ................................................................................................... 09 2 A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NAS ESCOLAS ....................................... 11 2.1 O livro e o Desenvolvimento Cognitivo................................................................12 3. O QUE É LITERATURA INFANTIL ............................................................. 15 3.1. Como trabalhá-la ................................................................................................... 17 3.2 A Construção da Criança Leitora ......................................................................... 19 3.3 Autores e Livros Preferidos das Crianças e Professores ...................................... 21 4 CONSCIÊNCIA DE MUNDO E AS HISTÓRIAS INFANTIS ... 23 4.1 A Aprendizagem, o Lúdico e o Imaginário ......................................................... 24 5 OS BENEFÍCIOS DA LITERATURA INFANTIL NO ENSINO FUNDAMENTAL.....................................................................................................27 5.1 Cenário Brasileiro e a Literatura...............................................................................28 6 CONCLUSÃO..... ....................................................................................................... 33 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................... ................................. 35 1 INTRODUÇÃO Este trabalho demonstra a importância que o ato de ler provoca na vida do educando, principalmente na escola, através da Literatura Infantil, nas séries iniciais, bem como o aperfeiçoamento e conhecimento da Língua Portuguesa e aquisição de sua linguagem e a extrema relevância desta prática como algo cotidiano e habitual. Um dos motivos principais para o desenvolvimento desta temática consiste no fato de se averiguar as potencialidades e capacidades que a literatura infantilpode promover no desenvolvimento integral da criança. O mesmo foi fundamentado em apontamentos de teóricos especializados no assunto, tratando-se de uma pesquisa bibliográfica, que permite um estudo mais amplo sobre o tema, seguindo o manual de normas para apresentação de trabalhos científicos. A pesquisa bibliográfica segundo Marconi e Lakatos (1999. p. 19) é a busca de uma problematização de um projeto de pesquisa que se realiza a partir de referências publicadas analisando e discutindo as contribuições culturais e científicas. Ela constitui uma excelente técnica para fornecer ao pesquisador a bagagem teórica, de conhecimento e o treinamento científico que habilitam a produção de trabalhos originais e pertinentes. Em um primeiro momento será abordada uma visão ampla sobre a concepção da leitura, a importância do professor compreender que o aluno deve estar preparado para conhecer, o quanto antes, esse universo de transformações que a leitura promove. Para Abramovich (1997, p. 10), “a leitura é um jeito de compreender o mundo e esse contato deve iniciar na mais tenra idade, para criar o hábito da leitura desde pequeno”. No entanto, é significativo o educador entender o que é leitura e como aplicá-la com seus alunos. Faz se necessário, também o conhecimento do professor sobre o que é literatura infantil. Saber de sua origem, suas modalidades, as transformações que vem sofrendo com o passar do tempo. Com isso ele poderá ajudar as crianças no processo educativo. Como trabalhá-la também é um tópico que se deve considerar, a maneira de como colocá-la em prática, contribuir para despertar um maior interesse por parte de quem ouve, principalmente dos leitores infantis. À escola é atribuído o dever de desenvolver a capacidade de ler e de escrever nas crianças. O que acontece, na maioria das vezes, é que o gosto pela leitura não é desenvolvido tornando-se enfadonha obrigação e não uma divertida aventura a abertura de um livro. A falta de incentivo, por parte dos professores e também dos pais pode atrapalhar a formação de sujeitos responsáveis e questionadores. Uma possível origem para o atual status do livro como “chato e monótono” se comparado às infinitas possibilidades eletrônicas e motivacionais dos brinquedos modernos, talvez esteja na formação acadêmica dos nossos professores e na má adequação necessária do tipo de livro ao leitor. Os livros introdutórios precisam ser sedutores, com cores, desenhos e formas, com palavras simples e diretas para que o entendimento seja imediato. A importância deste estudo está baseada na melhor formação da base comunicacional do indivíduo através da aquisição dos recursos oferecidos pela literatura infantil. Pelo aprendizado motivador da leitura, consegue-se indivíduos protagonistas, mais críticos e capazes da verificação de suas necessidades. O nascimento de mais indivíduos flexíveis, coerentes e éticos pode ajudar e muito em um mundo cheio de diferenças a serem tratadas. Para tanto o trabalho irá verificar a contribuição da literatura infantil no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança além de provar que a literatura infantil ensina valores (caráter didático), ajuda a enfrentar a realidade social, promove uma nova noção de realidade e propicia a adoção de bons hábitos e costumes. Através da revisão bibliográfica, justifica-se a escolha do tema e sua importância no desenvolvimento do recurso lingüístico (oral e escrita) da criança e que são vários os recursos da literatura infantil, a partir dos quais a criança pode conhecer um grande prazer: o de ler. Em um dos capítulos, será demonstrado os livros e autores de preferência tanto do professores quanto dos alunos. Existe um leque bem grande de opções a disposição, como será exposto. Trabalhar obras literárias da preferência deles é enriquecedor, pois estimula um clima favorável, troca de emoções entre ambos num ambiente tranquilo e agradável. Fechando a divisão do trabalho em capítulos, os benefícios da literatura infantil para o ensino fundamental. Estes benefícios são muitos, pois a leitura parece contribuir para isto, além de ajudar no desenvolvimento da escrita e da fala, favorece a interpretação de textos, leva a interação entre as pessoas, à reflexão e a comunicação dentre outros. 2 A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NAS ESCOLAS Tudo o que se ensina está diretamente ligado á leitura e depende dela para se manter e desenvolver. A exploração da leitura através da Literatura Infantil deve ser uma prática constante na vida do aluno. A importância desta ação continuada provoca maior autonomia no domínio da leitura e da escrita, ou seja, da própria linguagem. A leitura enriquece também o seu vocabulário e expande a imaginação e a criatividade da criança. (SOARES, 2008) O contato com a Literatura Infantil deve ser iniciado bem cedo e estimulado por toda a vida. Os alunos que possuem o acesso a livros, revistas, jornais, Internet, terão uma predisposição maior para o gosto da leitura. Esta motivação ativada em casa pelos pais ou responsáveis, facilitará o seu prazer pela leitura. O ato da leitura abre novas portas de aprendizagens e promove um crescimento ou amadurecimento na construção de seu processo de formação do seu ensino e aprendizagem. (SOARES, 2008) A leitura é a extensão da escola na vida das pessoas. A maioria do que se deve aprender na vida terá de ser conseguido através da mesma. A atividade fundamental desenvolvida pela escola para a formação dos alunos é a leitura. Na concepção de Yunes (1989, p. 30): À medida que a escola é a instituição mais sistemática no país, o professor assume uma função extremamente importante na promoção da leitura. O momento histórico cultural é propício para campanhas nesse setor, pois já ficou patente que o indivíduo só pode melhorar sua qualidade de vida se lhe forem oferecidas oportunidades de ampliação de seu universo cultural. O papel da escola é o de ensinar os alunos a ler e entender não só as palavras, as histórias em prosa e verso, mas também os textos exclusivos de cada disciplina, avaliações de cada área e as orientações de como fazer algo. A leitura não pode ficar restrita a um texto informativo ou a alguns livros. Às vezes, uma simples leitura basta para que a criança tenha percepção da realidade que a rodeia, no entanto, toda leitura precisa ser discutida, comentada e acima de tudo interpretada e passará a ter significado e sentido para ela, principalmente se vier acompanhada de forma clara, com objetivos e de forma prazerosa. Outro fator importante é ter em mente o que diz Freire (1989, p. 11): “que a leitura de mundo precede a leitura da palavra.” Por isso, o contato da criança com a leitura oral se faz necessária para o desenvolvimento da linguagem. Deste modo, a leitura contribuirá para reflexões a cerca do mundo, e como ressalta Yunes (1989, p. 34) na citação de Freire, “que um livro deve levar a uma leitura/interpretação da vida que ajude o indivíduo na transformação de si mesmo e do mundo.” Para a prática da leitura, os educadores devem ter em mente que a criança sofre constantes mudanças e que apesar de pouca idade é um ser pensante e crítico, além de considerar as expectativas que traz consigo. Na procura de um melhor caminho de mundo, este pequeno leitor verá só na leitura uma forma de comprovação de que ele é o sujeito de sua própria história. Assim a escola é um espaço importante para a criança recuperar uma história vivida ou imaginada. Estatisticamente é comprovada a importância do ato de leitura nos anos iniciais para a construção de uma base sólida à vida estudantil. A leitura desperta o interesse a conhecimentos de obras literárias ou textos que sempre estarão presentes na educação da criança, abrindo novos horizontes de compreensão e visão do mundo e das coisas que a rodeiam.(SOARES, 2008) 2.1 O Livro e o Desenvolvimento Cognitivo O livro é a parte material, palpável, do conhecimento, através dele as ideias são perpetuadas e disseminadas. Segundo Zilberman, se não existisse o meio concreto – livro – o entendimento das coisas "perder-se-ia no tempo, pois seus outros elementos – as imagens que emanam da fantasia de um sujeito; as narrações em que se transformam as falas de pessoas e grupos – mostram-se por demais transitórios e efêmeros" (2001, p. 113). Através da Literatura pode-se caminhar no tempo dentro de uma logicidade de causa e consequência, o que situa e identifica o sujeito. Piaget fala que os seres evoluem seu cognitivo através do equilíbrio progressivo, assim, a cada informação adquirida o indivíduo precisa digerir e incorporar o que julga consistente, acontecendo a evolução a partir dessa integração. Diz ainda Piaget (1967), que o desenvolvimento consiste de constantes passagens de um estado de equilíbrio para um estado de desequilíbrio, resultando num equilíbrio superior. A interação e a adaptação da criança com seu ambiente poderá ser tanto melhor quanto mais ela se lançar às diferentes interações que os livros podem proporcionar. A literatura ensina e ao mesmo tempo forma o sujeito. Quatro grandes estágios de interação são sugeridos por Piaget , quando se diz de desenvolvimento intelectual infantil, apesar das idades não serem tão rígidas assim, pois variam de acordo com o arcabouço vivido pela criança, são eles: - sensório-motor ou pré-verbal (0 - 2 anos) onde o bebê situado no real precisa elaborar formas de receber informações através dos sentidos e assimilá-las para que sirvam de base para suas próximas fases de relacionamento com o mundo da linguagem e da cognição; - pré-operacional ou simbólica (2 - 7 anos) que é a fase em que já se pode representar através de símbolos coletivos, a linguagem é mais abrangente, objetos e situações são discriminadas e nasce o pensamento pré-concebido, algumas articulações internalizadas são possíveis através de imagens mentais e da aplicação delas aos sistemas de linguagem; -operacional concreto (7 - 11anos), já nesta fase a articulação de pensamentos é operacionalizada, fica muito bem definido e classificado o que vai sendo adquirido como conhecimento. Há uma ordenação inclusive temporal e causal. Mantêm-se ainda a fixação nas experiências concretas, sendo mais raras as de lógica. É nesse momento que acontece o contato com a reversibilidade das coisas; a criança percebe que ela pode também fazer as operações pelo caminho inverso o que torna rica a possibilidade de inserção e fixação da leitura neste momento; -operacional formal (a partir dos 11 - 12 anos). Na adolescência são realizadas as operações não só pelo concreto, mas também pelo que é provável ou hipotético, desenvolvendo a cognição a partir da própria reflexão. Acontece uma maior independência do pensamento e o mundo real perde para as possibilidades lógicas. Falando mais um pouco de Piaget, FERRACIOLI (1999, p.181) coloca que: Para ele, a inteligência é relacionada com a aquisição de conhecimento à medida que sua função é estruturar as interações sujeito-objeto. Assim, para Piaget, todo pensamento se origina na ação, e para se conhecer a gênese das operações intelectuais é imprescindível a observação da experiência do sujeito com o objeto. Não há como negar o acréscimo do lastro de conhecimento pessoal quando a experiência se dá com o objeto denominado livro. O conhecimento acumulado recebido pela experiência social também tem grande valor, mas a criança só irá assimilar, tanto da literatura como da experiência, até onde seu patamar de conexões, conseguir alcançar. Piaget (1982, p. 157) diz ainda: "a adaptação é o equilíbrio entre a assimilação da experiência às estruturas dedutivas e a acomodação dessas estruturas aos dados da experiência". A literatura acontece para as pessoas de acordo com a faixa de conhecimento que elas têm e proporciona tantos outros desdobramentos de sua linguagem à medida em que se constrói como comunicador a partir delas. Pode-se dizer também que a Literatura tenha uma atuação psicológica, já que preenche muitas lacunas emocionais e sociais a partir da construção dos sujeitos. O que se inicia como simples decodificação de gráficos e sons pode futuramente alterar todo um inconsciente. Bettelheim (2002, p.185), relata que a leitura de uma estória para a criança deverá ser realizada com todo um envolvimento emocional na estória e na criança, com empatia pelo que a estória pode significar a ela. As histórias oferecem oportunidades riquíssimas de contato com o imaginário, com o mundo pessoal, com fantasias íntimas, oportunizando o auto conhecimento, o desenvolvimento de criatividade e a motivação para o aprender. O contato com o mundo externo também é favorecido, pois a partir dos livros os pequenos entram em contato com os mais variados desfechos de vida e tornam-se mais amadurecidos para lançar uma crítica ou para se comportar em determinada situação. Vários níveis de conhecimento são explorados com o livro: o das sensações que é tocado pela aparência externa do livro, seu toque, suas cores, seu cheiro; o emotivo gerado pelas emoções e estímulos acordados pela história; e o cognitivo racional caracterizado pela intelecção que produz conhecimento. Mensurar quantos livros uma criança irá ler não é o interessante, nem qual tipo de leitura deve ser. O importante é gerar na criança satisfação e conhecimento ao abrir as páginas de um livro, é instigá-la a querer descobrir o que vem depois naquela história; é fazê-la raciocinar com cumplicidade em situações novas a serem vividas. Isto sim transforma a aquisição natural de cognição em prazer, e traz sempre um gosto de “quero mais”. 3 O QUE É LITERATURA INFANTIL Por volta do século V a.C, no oriente, com as narrativas orais dos povos hindus, nasce a literatura infantil. Estas narrativas foram levadas para o ocidente, mais especificadamente para Europa, onde foram resgatadas, através de obras de Perrault como: Chapeuzinho Vermelho, A Gata Borralheira, Branca de Neve e outras. A literatura conceitua-se, de forma generalizada, por palavras impressas que organizadas sistematicamente geram o depositário da expressão humana: o livro. Antes desta forma de linguagem existiam outras manifestações de registro como pinturas rupestres ou comunicação simbólica, mas foi o advento do livro que garantiu a transmissão da cultura e de várias áreas do desenvolvimento humano. Segundo DANNA (2007, p.08): Foi a escrita que otimizou a transmissão da cultura, pois a lei, a religião, o comércio, a poesia, a filosofia e a história são atividades que dependem de um certo grau de permanência. Assim, a escrita promoveu uma maior organização da pólis, ao contribuir para as formas de controle administrativo e político através do registro das experiências do homem, bem como de seus conhecimentos e sentimentos. Isso permitiu a superação dos limites da memória e a reflexão posterior sobre os acontecimentos. É preciso entender a importância literária sem que a palavra, antecessora desta seja descartada, pois a partir da oralidade o homem começa, mesmo sem ler e escrever, a dar asas à imaginação, à dança, ao canto, ao conto e a tantas outras formas de expressão cultural. Pelo conceito de Candido (1995. P.22), a literatura é “como uma forma de arte, que objetiva uma transposição da realidade para o simbólico, por meio da estilização formal, que promove um tipo arbitrário de ordem para as coisas.” O que é Literatura infantil afinal? Para classificar uma obra em “infantil”, limites muito sutis são tocados, inicialmente porque muito do que se é lido hoje pelas crianças, era, antigamente história contada para adultos. Outro fator delicado é a delimitaçãodo interesse infantil de cada época, bem como a rotulação da capacidade de uma criança na hora de enquadrá-la neste ou naquele tipo de leitura. Machado (1999, p.70) fala da não especificidade da literatura infantil, dizendo que o adjetivo “infantil” não restringe seu significado referindo-se aquilo que só pode ser lido por crianças, mas sim o amplia referindo-se à literatura que também pode ser lida por crianças.” E ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente, promulgado pela Lei 8069/90 o Art. 58 fala que “no processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura”. Mas foi no século XIX que contos foram recriados com a produção dos Irmãos Grimm. Tanto Perrault como os Grimm fixaram-se nas narrativas orais, eternizando-as. A revolução Burguesa e o processo da industrialização foram fatores importantes para uma mudança estrutural na família moderna. Estudos sociais apontam que até final do século XVI as crianças eram consideradas miniaturas de adultos e se vestiam e se comportavam como tal. Os meninos copiavam os hábitos dos pais e as meninas repetiam as maneiras das mães. No século XVII as crianças começaram a ser consideradas como seres específicos e que deveriam se comportar de acordo com sua idade e não mais copiar os adultos, pois tinham o físico, mente e sentimentos um pouco diferentes ou voltados para o seu mundo infantil. Estes fatores foram responsáveis pela clara mudança na concepção de preparar os jovens para o mundo capitalista e torná-los adultos de sucesso. Daí a importância da educação de ter cuidados com o material cultural à sua disposição, principalmente o livro literário. O primeiro autor de literatura infantil foi um dinamarquês chamado H. C. Andersen, que surgiu no ano de 1835. Através dos tempos, a literatura infantil foi ganhando o seu espaço e valor. Mas no pós-modernismo, enfrenta a invasão da tecnologia eletrônica de massa e individual. Com um mercado saturado de informações e transformações do homem em seu modo de viver, agir e de pensar. Assim de acordo com Coelho (2000, p. 11): O domínio da leitura pelo indivíduo é um fenômeno que ultrapassa de muitos a mera alfabetização. Ou melhor, a alfabetização deixou de ser vista como uma simples aquisição de habilidade mecânica (que se desenvolve ao nível superficial do texto), para ser entendida como possibilidade de penetração no mundo da cultura atual, em acelerado processo de transformações estruturais. Fica evidente o quanto é importante o conhecimento da literatura, em particular da literatura infantil no processo educativo, para melhor satisfazer a essas mudanças. A renovação literária infantil brasileira começou com Lobato na década de 20, houve uma reforma na forma tanto textual quanto na temática. Aconteceu uma troca de recursos tradicionais pelos problemas cotidianas de vivência do leitor infantil. Com isso, esta revisão pôde contribuir e ajudar no processo educativo, promovendo a comunicação através da leitura. Essa nova atitude transforma toda uma tradição literária, a mensagem do narrador que antes era representado para o adulto passa para uma posição secundária, tornando importante as ações e falas dos personagens infantis. Dos anos 70/80 segundo Coelho (2000, p. 15): “as experiências, debates e propostas para reformas educacionais vêm-se multiplicando de maneira significativa, principalmente no âmbito da língua e da literatura. E com especial cunho polêmico na área da literatura infantil.” Nos tempos atuais a literatura infantil pode ser decisiva na formação da criança em relação ao seu mundo e a si mesma, pois tem também como uma tarefa fundamental servir de agente de formação numa sociedade em transformação. A escola é atualmente um espaço importante para atender a essas novas necessidades do indivíduo em relação a valorização de si mesmo, e uma das maneiras de se conseguir isto é através da literatura infantil. Outras características completam a definição da literatura infantil impondo sua fisionomia, uma delas é a representação através dos livros em que o adulto quer que a criança veja o mundo da mesma forma que ele vê. A outra é a visão dada dos recursos da narrativa fantástica, onde ela extravasa as fronteiras do realismo. Atualmente “novos caminhos” surgem em relação a literatura infantil, ganhando o reconhecimento de sua plenitude a cada dia. Os novos caminhos serão contemplados no capítulo seguinte. 3.1 Como Trabalhá-la Atualmente, a escola está tomando consciência sobre a importância da leitura e até de uma metodologia adequada. Para Yunes (1989, p. 34), a democratização das leituras em nosso país ainda depende dos seguintes fatores: a) Da denominação das altas taxas de analfabetismo; b) De uma escolarização ampla da população, o que nos coloca perante os problemas relativos ao ensino da leitura (alfabetização) e de literatura; c) Da popularização da literatura, o que remete à questão relativa ao best- seller nacional e à produção de uma literatura de alcance popular; d) De uma rede atuante de bibliotecas públicas e infantis; e) De uma adequação da escola à realidade do aluno, à medida que não está cumprindo suas tarefas básicas com competência e evasão escolar; f) De uma melhoria da qualidade de vida da população, para que a família retome a sua função de educadora e incentive as crianças para a leitura; g) De um sistema eficaz de distribuição de livros por todo o país. A literatura infantil fornece ao professor uma vasta maneira de se trabalhar. Por isso ela é um instrumento muito rico para a alfabetização. O educador que sabe dessa importância utiliza esse recurso desde a interpretação até a escrita correta. O primeiro passo é escolher a história, os tipos de gravura, de tamanho para cada faixa etária. Para crianças muito pequenas, deve-se estar atentos para mais figuras e pouco texto. Se forem maiores, livros com menos figuras e mais textos. Além disto, o texto deve estar de acordo com o interesse e gosto do pequeno leitor. A leitura deve ser interpretativa, deixando a mensagem atingir o ouvinte de uma maneira clara e emotiva. Quando se faz a leitura individual em silêncio, esta pode ser acompanhada ao som de uma música clássica e suave. A música também pode ser utilizada para enriquecer uma leitura na hora de contá-la. Através da literatura infantil o professor ou qualquer pessoa pode e deve trabalhar as artes como: teatro, desenho, dobraduras, fantoches, músicas e outros. No estudo da Língua Portuguesa a interpretação, leitura, gramática textual, ortografia e produção de texto. A leitura de bons livros ajuda também na comunicação, dá oportunidades ao leitor de se comunicar com ele mesmo e com as pessoas ao seu redor. Esse ato de comunicação permite exercer uma avaliação mais consciente da posições do educador nas diferentes situações comunicativas do cotidiano. No caso da leitura e produção de textos, a reflexão sobre esses elementos torna o trabalho do professor mais eficaz. Na leitura é importante saber que o papel de quem lê é de receptor e quem escreve é o emissor, por isso, a importância de ensinar que se deve ter em mente um objetivo a que se refere a mensagem. Na escrita, quem produz um texto é o emissor, este deve levar em conta as características sociais e psicológicas do receptor, para haver um interesse pela mensagem. Tudo isso dependerá da capacidade do professor de adequar o texto as expectativas de quem vai ler e as finalidades a que ele pretenda alcançar, portanto o professor poderá usar o livro como um ótimo recurso em sua prática pedagógica. As produção de textos, utilizando um livro sobre contos de fadas, contribui para o desenvolvimentooral e a escrita em português. Para se trabalhar matemática existem, ótimos livros que ajudam no desenvolvimento de noções de matemática como números, ordenação, sequência numérica e outros. E assim existem várias opções literárias infantis que ajudam no trabalho destas e de outras disciplinas. Outros critérios podem ser adotados pelos educadores infantis na intenção de formar novos leitores, como por exemplo: a criação do cantinho da leitura, um espaço adequado a acolhedor para as crianças permanecerem no momento da leitura. A utilização de projetos como sacola da leitura, onde o educador confecciona uma sacola e coloca um livro diferente cada semana para criança levá-lo para casa, ler com seus familiares e contar como foi esse momento em classe. A troca de livros que se tem em casa entre as crianças, torna essa prática interessante. Caberá ao professor procurar a melhor opção para sua turma e usar a sua criatividade, possibilitando aos seus alunos um espaço de crescimento cognitivo, físico e emocional. 3.2 A Construção da Criança Leitora A educação de uma criança está ligada aos hábitos que ela desenvolveu na vida. E são estes mesmos hábitos que nos inclinam para nossas escolhas de atitudes. Tudo aquilo ao que está habituado o ser humano passa a ser uma resposta reativa, que acaba governando quem se é, daí a grande necessidade de formar sujeitos habituados a leitura e materiais mais seletivos a fim de aperfeiçoar-se também os conteúdos sociais. O “adestramento dos hábitos infantis” é de suma importância para a realização e felicidade dos futuros indivíduos. Quando se deseja aperfeiçoar, construir uma criança leitora, necessita-se partir de funções já desenvolvidas por ela, para outras, não tão familiares. O aprendizado, não ocorre de forma linear; a ampliação do conhecimento a partir de pequenos acréscimos diários, podem significar um “bum” de desenvolvimento. Segundo Vygotsky (1994, p.37) “ao dar um passo em frente no campo da aprendizagem, a criança dá dois no campo do desenvolvimento; e por isso aprendizagem e desenvolvimento não são coincidentes.” Outro fator a ser considerado é que a aprendizagem e o desenvolvimento começam muito antes da escola, e que quando a criança é inserida na escola ela já possui seu manancial de experiências e expectativas. Pais, desde o nascimento de seus filhos deveriam ater-se na introdução deles no mundo literário, é claro que na primeira infância, como o toque é fundamental texturas deveriam ser apresentadas a elas – o que é também uma forma de leitura, músicas deveriam ser exploradas, cores e gravuras maravilham nesta fase. Mais tarde, como aparelho motor mais desenvolvido, atividades lúdicas para a leitura das capacidades individuais e do ambiente são aconselháveis, e tudo isso acontece anteriormente ao período escolar e pode contribuir significantemente para a boa aquisição da linguagem. Móbiles e movimento também compõem esta fase que corresponde a não estaticidade. Um pouco mais adiante o livro chega no seu momento de estréia na vida dos pequenos, e nada como o capricho na afetividade, na oralidade, na musicalidade e na gestualidade para que o encontro do livro e da criança possa desde o primeiro instante ser um caso de amor. Se necessário for uma preparação anterior à narrativa a ser lida, como apresentação prévia de um tema, cartazes, jogos ou cantigas, que seja feita, assim o entendimento será mais completo o que gerará na criança um abastecimento de conexões e correspondências, e por consequência segurança e satisfação. O necessário é que o pré-leitor vivencie práticas educativas abrangentes e abastadas de sentido e significados para que ele transforme-se num leitor capaz. Não se confunda, pois, o atributo pedagógico de um livro com o atributo formador que emancipa e liberta o ser humano. Na compreensão de Zilberman (1999:19): A leitura, mesmo sendo uma prática solitária, permite ao indivíduo penetrar o âmbito da alteridade, expandindo suas experiências. Com ela, o leitor acaba socializando experiências. A leitura estimula o diálogo e aí se revela a função formadora e verdadeiramente educativa da literatura e da leitura. A escola vem discutindo sua intervenção na formação da criança leitora, a fim de estimulá-la para que mais conhecimento possa ser produzido a partir de novas informações. Mas não é suficiente a discussão, a organização escolar e pedagógica precisa ser ampliada a fim de equipar professores confiantes na hora da concretização desta tarefa. O professor preparado e carregado com um arsenal nobre de educação será capaz de contagiar seus alunos e de se realizar como educador. 3.3 Autores e livros preferidos das crianças e professores Neste capítulo vão estar relacionadas algumas obras e autores de preferência dos professores e crianças. A literatura infantil é muito abrangente, os livros aqui relacionados não dizem respeito diretamente ao ensino, mas predomina neles com maior intensidade a finalidade educativa, somada ao dirigismo ideológico os quais variam as intenções dos setores que a literatura utiliza para definir conceitos e posições que lhes interessam em particular. O professor deverá desenvolver seu trabalho com o objetivo de possibilitar à criança abrir horizontes, criar, recriar, refletir e avaliar sua leitura. Para os pequenos leitores que estão na fase de ampliação do mundo, existem coleções de livros que atendem ao interesse e curiosidade dessa faixa etária. Podemos destacar em particular “A Coleção Gato e Rato” de Mary França, 1978. Com textos breves, desenvolvidos por ilustrações dinâmicas e bem-humoradas e os mais diversos animais e elementos da vida. Quanto ao aspecto verbal, brinca de maneira inteligente com os fonemas e significados. Aos leitores iniciantes, 6/7 anos, início da alfabetização e da descoberta da linguagem escrita, podemos destacar “Lúcia-já-vou-indo”, de Maria H Penteado, 199. Uma história pitoresca, cujo motivo central é a natureza e a vagareza de uma lesma. Com desenhos que entre em diálogo com o texto, fornece elementos importantes para serem explorados com a criança. Ela é aproveitada pelos professores para se trabalhar a solidariedade e a alegria. Aos eleitores em processo, 8/9 anos, fase da interação com os textos, os mesmo se diversificam através dos interesses dos leitores que estão amadurecendo. Para eles o livro “Sem pé nem Cabeça”, de Pedro Bandeira, dá uma lição de vida numa narrativa verbal e visual que fala de um menino de uma imaginação criativa e um enorme desejo de expressar os seus sentimentos através de seus desenhos, para a concretização de seus sonhos de auto-realização. Esse texto passa uma linda mensagem de que ninguém existe em plenitude sem ser contemplado pelo outro. Aos 10/11 anos, as histórias de outras terras, aventuras, viagens, explorações grandes invenções e alguns mitos e lendas. Os meninos manifestam especial interesse por ciências, A criança se sente atraída por leituras mais longas e numerosas, devido ao eu nível de desenvolvimento linguístico e geral. Os meninos preferem as aventuras sensacionais, ao passo que as meninas apreciam enredos mais românticos. Dos 12/13 anos, a criança entra na pré-adolescência, caracterizada por um sentimento de exaltado idealismo e patriotismo. Apreciam enredos repletos de atos de bravura, heróis que superam os mais terríveis obstáculos com espírito inquebrantável. Existem muitos autores que conseguiram atingir as expectativas das crianças e educadores. Dentre esse universo destacamos: Ana Maria Machado, Monteiro Lobato, Vinícius de Moraes, Irmãos Grimm, Charles Perrault, Bartolomeu Campos Queirós, Ruth Rocha, Ziraldo, Sérgio Caparelli, João Carlos Marinho, Lúcia Machado de Alemida e outros. Coelho (200, p.212), “suspendemos aqui os exemplos, pois parecem-nos suficientes para darem umaideia da natureza da nova literatura – interpretada como “objeto novo”, como uma nova linguagem, resultante da fusão verbal visual, tão sedutora para os pequenos aprendizes (e para os grandes também!). 4 CONSCIÊNCIA DE MUNDO E AS HISTÓRIAS INFANTIS A Literatura é um recurso capaz de expandir, desenvolver e enriquecer a experiência de mundo de cada um. Ela não só reflete a cultura e os costumes, mas também ideologias diversas tomando para si a responsabilidade de iniciar as pessoas no fantástico mundo da leitura. Até a bem pouco tempo a Literatura era confundida com brinquedo ou algo menos importante, mas o fato é que ela gera consciência e aumento da capacidade de visão do ambiente que cerca a pessoa. Bem recentemente, as histórias infantis vêm ganhando uma função maior, a de formadora de opinião social e cultural. É através de uma história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica. É ficar sabendo história, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula (ABRAMOVICH, 1997, p.17). Um recurso bastante importante, utilizado nos livros infantis, é a introdução do “maravilhoso”, que é tudo aquilo que não se entende como lógico. Através dele, da simbologia e dos eternos dilemas que ele sugere, o inconsciente das crianças é trabalhado, ajudando-as a resolver os problemas da fase infantil da vida, contribuindo para o amadurecimento emocional e para uma conduta mais equilibrada. O aprendizado infantil poderia ganhar muito com obras, independente do gênero, se estas tivessem como tema questões da atualidade, problemas humanos e universais. Aproximar as crianças da realidade só pode contribuir para uma sociedade mais consciente e organizada. A introdução da literatura na vida de uma pessoa deve ter uma estreita ligação com o prazer, com o aconchego e com o acréscimo trazido pelo livro, seja ele voltado ao lazer ou ao aprendizado. Aguiar (1999:243) afirma, que o pecado original da literatura infantil foi ter nascido comprometida com a educação em detrimento da arte, fator que até hoje vem acarretando o afastamento da leitura. Enquanto arte, a criança recria o mundo narrado através de sua imaginação e holograficamente vai também construindo o seu mundo, inserindo nele mais personalidade e mais compreensão do real. Para que a criança possa aproveitar tudo o que a Literatura pode trazer, é necessário que a escolha da obra a ser lida seja adequada às expectativas do pequeno leitor, tanto na formatação quanto no gênero a ser lido. O encontro da criança como que ela irá ler só tem a acrescentar enquanto estímulo para futuras leituras. O assunto, o tema, a moral, a capacidade de compreensão, a preferência estilística e até mesmo a formatação e o lay out da mídia a ser lida são fatores a serem enquadrados às diversas realidades infantis na hora da introdução do “era uma vez “na vida do novo ouvinte. Diversas são as possibilidades de Literatura Infantil, mas a escolha de qual delas a criança irá ler não importa num primeiro momento, o importante é introduzir o hábito da leitura e tudo o que ele traz. A partir de muito cedo pode-se então introduzir o público infantil numa organização social e a leitura traz naturalmente isso: a validação de crenças e costumes instituídos e a conexão com o que eu posso ser e contribuir. 4.1 A Aprendizagem, o Lúdico e o Imaginário A escola, principalmente em suas primeiras séries precisa resgatar o interesse pela leitura. Uma vez resgatada a leitura contribui para toda a vida do indivíduo, na medida em que pode tornar-se um hábito. Chega de livro para ser interpretado ou cobrado em prova, esta relação só obstrui o fantástico caminho do desenvolvimento proporcionado pela Literatura. São inúmeras as possibilidades de enriquecimento de uma história, quando esta está sob responsabilidade de um profissional competente. Desde cedo, os mais variados recursos deveriam ser acrescidos, o contato com todos os gêneros narrativos deveria ser feito, para que a sala de aula transforme-se num espaço mágico de cores, sons, ritmos, pensamentos e experiências ativas capazes de milhares desencadeamentos futuros. A atividade lúdica trabalha assim, com a integralidade do ser humano, abordando de forma não convencional e interdisciplinar através de brincadeiras e jogos. Essencial para percepção infantil, o lúdico quer através do trabalho concreto, da manipulação e montagem abastecer a criança em sua sede pela novidade e pela interação com os amigos. Segundo DOHME (2003, p.113): As atividades lúdicas podem colocar o aluno em diversas situações, onde ele pesquisa e experimenta, fazendo com que ele conheça suas habilidades e limitações, que exercite o diálogo, liderança seja solicitada ao exercício de valores éticos e muitos outros desafios que permitirão vivências capazes de construir conhecimentos e atitudes. O aprendizado através do lúdico é uma grande brincadeira e possibilita, pela experimentação, a auto descoberta, o conhecimento de limites e habilidades próprios desenvolvendo a auto confiança. Brincar torna a criança mais autônoma e trabalha seus aspectos físicos, emocionais e intelectuais. Fantasias, fantoches, músicas, cenários, dobraduras, são só alguns dos recursos disponíveis para o incremento da aventura a ser iniciada com um bom livro. Esta experiência, tão prazerosa, gera na criança a sensação de que o imaginário e o real se fundiram, o que torna mais emocionante o desenrolar da trama. A aprendizagem também é alterada quando recursos lúdico-criativos são utilizados, pois a criança concentra-se muito mais no conteúdo explorando não só seu auditivo, mas também o seu visual e o seu toque. O termo lúdico, já descrito, fala de divertimentos, mas o cerne de sua significação é relativa à plenitude do homem. É preciso que as crianças encontrem prazer nos textos, nas suas lembranças, na apropriação daquele momento vivido em casa ou na sala de aula como seu momento de vida. Trabalhar o lúdico é muito mais que trabalhar conhecimento, é trabalhar a competência cognitiva da criança e envolve inteligência, consciência, imaginação, criatividade, estratégias, pensamentos, reflexões, soluções, relações e fantasias. Em detrimento da brincadeira e da ludicidade, as escolas atualmente estão mais voltadas à alfabetização desde muito cedo. A criatividade e ludicidade da literatura foi deixada de lado, quando seria mais importante do que o próprio conteúdo de símbolos impressos. A livre escolha do pensamento, da imaginação tem sido mais e mais cerceada pelo planejamento pedagógico e pela imposição do ritmo e das exigências do mundo adulto. G. Durand (1983. p. 54), entende que: [...] a função da imaginação nas histórias e nas vidas humanas é motivada não pelas coisas em si, mas pela maneira de carregá-las de sentido, segundo o qual ela seria a coisa do mundo mais universalmente partilhada. Por isso, a função fantástica acompanha os empreendimentos mais concretos, modulando a ação estética e social. O imaginário não é, portanto, mera fantasia de romântico, um mundo que paira acima do mundo. Ele é a própria experiência de vida. Como parte substancial da experiência de vida, a imaginação interfere crucialmente na vida criativa de uma pessoa. Ou você copia ou você cria e criar é utilizar-se do imaginário para produzir algo real. Sendo assim a imaginação tem base e resultado na realidade e se não fosse por ela nada seria renovado ou descoberto. A Literatura participa de tudo isso como gatilho do imaginário, o que também se aproxima de uma brincadeira. Brincar é fundamental e faz com que as crianças reproduzam e descobremalternativas para suas vidas; apropriando-se de suas realidades as crianças ficam mais inseridas socialmente. Ensina Vygotsky (1998) que “definir a brincadeira simplesmente como uma atividade prazerosa é reducionista e falso, pois existem outras inúmeras atividades que dão à criança tanto prazer ou até mais que o brincar.” Numa escala de desenvolvimento imaginativo infantil tem-se inicialmente o bebê que quer resolver suas vontades rapidamente, e assim o faz porque dependem de sua própria ação. Mais tarde as vontades das crianças não são de resolução tão imediata e cabe à criança imaginar para sanar toda forma de desejo. Alguns desejos infantis precisam ser sanados com a ajuda de um terceiro até que ela possa realizá-los sozinha. Nesse quadro insere-se as leituras feitas por adultos e que relacionam a criança com seu objeto de desejo e sua significância. Analisando com cuidado percebe-se que ao “entrar” na história a criança já está brincando, vivenciando uma realidade diferente e adquirindo novos conhecimentos e novos redimensionamentos do seu espaço. 5 OS BENEFÍCIOS DA LITERATURA INFANTIL NO ENSINO FUNDAMENTAL A literatura infantil não é simplesmente um instrumento de trabalho. Ela é uma prática socializadora, uma prática de prazer, encantamento, emoções, reflexão e legitimação. Os livros infantis contribuem para o desenvolvimento da criança. Os livros com imagens desenvolvem o reconhecimento de objetos ou seres familiares da criança em seu cotidiano real e comum, facilitando assim, a compreensão do texto. Esse tipo de livro, utilizado com as crianças pequenas que ainda não decodificam as letras, tende a serem maiores do que o normal, com formatos especiais e pouco texto escrito. De acordo com a evolução da leitura das crianças, as ilustrações vão-se reduzindo e o texto aumentando, até tomarem formatos padrões. Os benefícios, segundo Coelho, da nova literatura infantil no que se refere aos valores psicológicos pedagógicos, estético e emocional são: Estimula o olhar como agente principal na estruturação do mundo interior da criança, em relação ao mundo exterior que ela está descobrindo. Estimula a atenção visual e o desenvolvimento da capacidade de percepção. Facilita a comunicação entre a criança e a situação proposta pela narrativa, pois lhe permite a percepção imediata e global do que vê. Concretiza relações abstratas que, só através da palavra, a mente infantil teria dificuldade em perceber; e contribui para o desenvolvimento da capacidade da criança para a seleção, organização, abstração e síntese dos elementos que compõe o todo. Pela força com que toca a sensibilidade da criança, permite que se fazem, de maneira significativa e durável as sensações ou impressões que a leitura deve transmitir. Se elaborada com arte ou inteligência, a imagem aprofunda o poder mágico da palavra literária e facilita a criança o convívio familiar com os universos que os livros lhe desvendam. Estimula e enriquece imaginação infantil e ativa a potencialidade criadora – natural em todo ser humano e que, muitas vezes, permanece latente durante toda existência por falta de estímulo. (COELHO, 200, p. 197) Mas precisa-se perguntar, apesar de toso os benefícios que a leitura oferece e também da dedicação dos educadores, por que a leitura é tão pouco explorada pelas crianças e jovens? Se buscar os culpados, encontra-se vários como: governo, meios de comunicação, familiares e até mesmo educadores, que pensam saber o que agrada aos pequenos não possibilitando a escolha; assim, levam as crianças os mesmo livros, as mesmas histórias e ainda mais, na maioria das vezes, abordando o mesmo enfoque. O livro através do seu texto contribui para que a criança concretize uma relação abstrata, além de despertar a sensibilidade do pequeno leitor levando-o a um enriquecimento da própria imaginação. Ele contribui ainda para ajudar a criança na necessidade de satisfação estética e de ser bem aceita, de amar e ser amada, de progredir, de conhecer, de mudar pela observação de personagens envolvidas em situações problemáticas. Conforme diz Cunha: A ideia do que a literatura vai fazer a criança ou ao jovem leva-nos a obriga- los a ler, como lhes impomos a colher de remédio, injeção, a escova de dente, a escola. Assim, é comum o menino sentir-se coagido, tendo de ler uma obra que não lhe diz nada, tendo de submeter-se à uma avaliação, e sendo punido se não cumprir as regras do jogo que ele não definiu, nem entendeu... É a tortura sutil e sem marcas “observáveis a olho nu”, de que não damos conta. (CUNHA, 2003, P. 51) Ao se ter consciência de todos, os benefícios que a literatura infantil traz, deixa- se de impor a criança, a leitura como se fosse um remédio ruim. Para isso tem que participar da escolha do livro e do autor. O educador deve fazê-lo perceber que o ato de ler só traz benefícios para ele, e o educador deve perceber que quando o livro é bem explorado ele é um ótimo recurso no trabalho pedagógico. 5.1 Cenário Brasileiro e a Leitura Muito mais do que decodificar, ler é dar significância a algo lido. Partindo de conhecimentos prévios é possível se lançar no mundo das deduções e das confirmações de experiências próprias. É eficaz a leitura que produz aprendizagem; que produz o acionamento de milhares de relações cognitivas mentais gerando o desenvolvimento. No Brasil, a escola, principalmente sendo na maioria pública, tem função social, em primeira instância. Ali convivem crianças das mais variadas idades, com níveis sócio-econômicos, costumes e visões diversas. Nas salas de aula as diferenças aparecem estampadas e o saber literário não foge à essa regra. Desafiador talvez seja o melhor atributo para a formação de leitores, em uma sala de aula completamente desnivelada, no que diz respeito às capacidades cognitivas ali encontradas. A diferença, a princípio desestimulante pode se tornar grande estoque de possibilidades de conhecimento. Selecionar leituras para público tão diverso não parece fácil, transformá-los em leitores ao invés de ledores também não. O professor investido nesta tarefa precisa ser tão plural quanto a realidade de sua turma. Aqui também a variedade de material impresso – de gibi a enciclopédia – é necessário, mas a preparação do professor precisa ser ampla para que possa mediar e ressignificar e o conteúdo lido à realidade de cada aluno. Visões diferentes serão enriquecedoras e um diálogo permanente se faz necessário a fim de que as exclusões sejam sanadas e que a qualidade do que está sendo lido, caso seja ruim, possa ser elevado. A realidade brasileira não é boa se consultar-se as estastística escolares quanto ao prazer de ler. Por longa data imposições de leituras foram frequentes o que fez com que as crianças e jovens tenham preguiça da leitura. Numa sociedade onde tudo vem pronto para que seja engolido, pensar, acrescentar e fazer pedagogia parece ser impossível. Aplicar uma educação qualificada envolve a convivência com perguntas a serem sanadas, problemas a serem resolvidos e caminhos a serem construídos. Quando uma nova proposta educacional nasce ela parece ser uma promessa melhor e encanta por algum tempo criando expectativas. Com a modernidade veio também a superação de tudo o que já existe, só que o avanço tecnológico não acompanha a realidade de pobreza e falta de recursos pessoais com os quais convivemos. Na educação acontece uma corrida frenética atrás do que é novo, como se fosse melhor e esquece-se que o que é velho tem a garantia de uma experiência acumulada. Soluções novas para a melhor formação dos profissionais de educação e para a disseminação da leitura são necessárias, mas baseadas em garantia pública da condição de sua concretização e desenvolvimento,resguardando a cidadania e a democracia. São agudos os problemas a serem enfrentados pela educação brasileira, problemas que vão desde remuneração insuficiente dos professores, até a pobreza extrema dos alunos. A educação deveria ser implementada, em cada região, de acordo com suas características; as pessoas deveriam poder opinar nesta mudança e adequação. Só que assim não poderia existir uma política educacional única como existe. A uniformidade numa diversidade regional imensa acaba limitando os resultados educacionais. Construir esta unidade é o desafio brasileiro da educação, na medida em que esta deve preservar fatores sociais e culturais. As crianças brasileiras bailam entre tantas limitações para que consigam a produção do conhecimento e autonomia, fatores que vão gerar espírito crítico e cooperação. Um dos fatores limitantes é, sem dúvida, a formação, o respeito e a devida valorização dos professores deste país e talvez seja este o ponto de partida reestrutural da cultura no Brasil. Se observar o cenário comunicacional, as pessoas são submetidas a incontáveis estímulos linguísticos, fruto do avanço tecnológico da disseminação das notícias. Apesar dos níveis de consumo de obras impressas pelas pessoas ser baixo, a taxa de propagação de informações gerais por meios eletrônicos é absurda o que faz concorrência frente a narrativa literária. Os vídeo-games, a televisão, o computador e tantas outras mídias da modernidade são um desvio desleal à pratica literária, na medida em que sua acessibilidade é maior e mais barata na realidade nacional. Nesse contexto de capitalismo a indústria de livro passa a publicar obras mais específicas e e outras tantas de qualidade duvidável, o que faz girar a uma situação de literatura precária e banalizada. Hoje livros são lidos porque vão ser cobrados em provas de concursos ou vestibulares muito mais do que para acréscimo ou prazer pessoal. Segundo ALBINO (2009, p. 04): Nesse sentido, a escola assume um papel relevante nessa discussão, tornando-se uma instituição com desempenhos contraditórios. Num primeiro momento, trata-se de um local onde se aprende a ler e a escrever, conhece-se a literatura e desenvolve-se o gosto pela leitura. Por outro lado, define-se também como um ambiente caracterizado pelas carências no campo do ensino, sendo marcada pela deficiência dos métodos empregados que incluem a baixa freqüência de exercícios de leitura, a falta de critérios na seleção e a má qualidade do material manipulado, somados ao baixo nível de linguagem, ao mero desinteresse pela leitura e à escassez de repertório por parte dos alunos. O livro destinado ao público infanto-juvenil deve ter a cara dele, deve identificar quem lê com o que está escrito, caso não ocorra fica invalidada a possibilidade de aquisição de conhecimento através da leitura. É importante que o horizonte de quem lê seja expandido a cada obra a fim de que o aluno possa se aventurar a outras inúmeras investidas no livro. A emancipação proporcionada pelo livro torna-se fator essencial na escolha de uma boa obra. O professor, mais uma vez, é peça chave. Cabe ao profissional da educação enquadrar os interesses do aluno títulos construtivos. Mas, esse professor preparado e conhecedor de literatura infelizmente não é alvo do plano educacional brasileiro. Quando há satisfação e correspondência de informações e emoções, a criança acrescenta subsídios para dar asas a sua imaginação. As manifestações orais cercam todas as pessoas desde a antiguidade. Lendas, mitos, poesia e festas populares já ocupavam o prazer proporcionado pelo livro. A herança étnica ritualística deixada por nossos antepassados através das histórias sempre foi uma forma prazerosa de garantir a transmissão de valores e cultura. A esse patrimônio cultural todas as crianças tem direito e o professor deveria fazer a mesma roda ritualística e perpetuar o universo mágico. Abramovich (1994, p.20) chama atenção para o fato de que: Ao ouvir uma história a criança dá seu primeiro passo rumo a sua formação psicológica. Necessita ouvir muitas histórias para despertar seu imaginário, bem como para buscar respostas a tantas perguntas descobrindo o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos. Sua identificação com os tantos personagens, com a maneira como estes resolvem seus conflitos e assim esclarecer melhor as próprias dificuldades ou encontrar um caminho para a solução delas.(...) É ouvindo histórias que as crianças sentem emoções importantes como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranqüilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve, assim, sentem e enxergam com os olhos do imaginário. A estratégia de selecionar os conteúdos dos livros, antecipar, interferir e checar o entendimento, pode ser bastante útil no trabalho pedagógico dentro da sala de aula, mas o imprescindível é que o livro esteja sempre presente. Quanto mais os alunos entrarem em contato com a pluralidade literária, mais seletivos se tornarão e mais seus conhecimentos, até mesmo na escrita, serão ampliados. Ao apresentar o livro para os alunos, inicialmente seus aspectos externos deveriam ser considerados, como forma, cor, espessura, tipo de papel, tamanho. Antes de entrar na história, também o autor e o ilustrador, a editora deveriam ser objetos de discussão. O enredo pode ser trabalhado de diversas formas, pelos mais variados instrumentos de educação, até mesmo a supressão do final de um livro é interessante, a fim de especular o desfecho imaginativo de cada um. Então, a cada fase o professor e os pais precisam estimular novas técnicas e novos temas para a sistematização da leitura das crianças. Se assim for a leitura se tornará naturalmente um hábito bom e um bom hábito. Os adultos, mais especificamente, os professores precisam quebrar a idéia de que a leitura é algo chato e monótono. Geralmente, o primeiro tropeço de alguém que se entusiasma a ler algo é a falta de objetivo de concluir tal tarefa. São muitos os casos de alunos que fazem extensas leituras e cópias sem saber exatamente porque fizeram aquilo. Uma abordagem mais esclarecedora, uma orientação quanto ao acréscimo realizado com determinada literatura, faria mais proveitosa esta iniciativa. Também é problemática a utilização da literatura, material inerente à didatização, ser somente utilizada como objeto de catequização e moralização de crianças mal educadas. Magalhães (1987, p,41) observa que a utilização do texto como forma de transmitir lições de moral está na origem da literatura infantil. Os horizontes pessoais precisam ser trocados e as leituras compartilhadas dentro de um respeito mútuo entre pessoas, linguagens e obras. A literatura tem muito a ensinar a escola, e o professor precisa desenvolver a percepção da expectativa literária dos alunos a fim de saná-las. E preciso conhecer a pluralidade sócio-cultural-linguística existente numa sala de aula a fim de que mesmo o mais rico conteúdo lido seja entendido por todos. , Lajolo (2005, p.119) traz uma proposta de educação do gosto, “que não é somente função da escola, mas que a ela compete a tarefa de iniciar seus alunos nos protocolos, nos critérios e nos valores de leitura”. Assim é dever das famílias, da escola e das instituições culturais o acesso a literaturas e textos mais bem escritos, a bons autores e boas veiculações. Só assim poderemos elevar o nível do futuro leitor e de suas capacidades. Sim, é preciso que os alunos tenham vontade de ler, mas também de escrever. Quando uma criança escreve, ela registra e constrói materialmente, lendo o que escreveu, visualiza quem ela é, aonde que chegar, aumenta sua capacidade linguística e sobe mais um degrau na formaçãode sua identidade. 6 CONCLUSÃO A literatura infantil se diferencia das demais atividades pedagógicas, por oferecer múltiplas oportunidades de atendimento a uma clientela tão especial como as crianças. Num mundo tão diversificado em termos de informações, essa prática encontra o seu espaço garantido, pois nenhuma outra atividade consegue trabalhar a criança em todos os seus aspectos como: a criatividade, imaginação, valores entre outros. A criança que aprende a ler alicerçado pelo estímulo do entusiasmo aprende mais rápido e se interessa por uma gama maior de temas. Quanto mais ele lê, mais ele entende, mais se torna capaz e mais auto estima adquire. Pode-se então dizer que a motivação é a mola mestra do processo de aprendizagem que acontece a partir da leitura, mas poucos são os responsáveis pelas crianças que enveredam pela senda do desenvolvimento e gosto da leitura dos seus filhos. O co-responsável por tudo isso é o professor, que pode desempenhar também sua contribuição ao ensinar e fazer seus alunos gostarem de ler. Em relação ao professor a literatura contribui para enriquecer sua prática pedagógica. O livro não pode ser descartado, nem posto de lado. São muitas as tentações tecnológicas que nos induzem a pensar que o livro é uma coisa do passado; mas só quem pode acompanhar o desenvolvimento de uma criança regado a literatura pode falar dos benefícios gerais que as histórias podem trazer. Não existe nada que substitua o prazer de uma boa trama literária, o encantamento e a auto-reflexão proporcionada pelo livro. Aqui se pretendeu mostrar a literatura infantil tal qual ela é, sem ter a pretensão de fechar o tema em todos os seus aspectos, Fica o alerta a todos educadores sobre a importância da literatura no cotidiano do educando e que sua prática venha de encontro às necessidades culturais do leitor. Este texto científico vislumbrou a importância do hábito de leitura, na família e na escola, principalmente na Educação Infantil, através da Literatura Infantil como agente enriquecedor e formador de leitores e escritores, aprimorando a leitura que a criança tem do seu próprio mundo. Os autores pesquisados concordam com a relevância da temática e a importância desta conscientização entre professores, alunos, sociedade e governo, no intuito de incentivar a criar hábitos de leitura. REFERÊNCIAS ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 4º Edição.São Paulo: Scipione, 1997, p. 10. AGUIAR, Vera Teixeira de (Coord). Era uma vez... na escola – formando educadores para formar leitores. 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