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Nutrologia Clínica Sumário Conceitos Básicos da Nutrição de Cães e Gatos 2 Exames laboratoriais 2 Tabelas nutricionais 2 Necessidade energética 2 Equações preditivas 2 Equações preditivas – repouso 3 Como acompanhar o crescimento do filhote? 3 Noções sobre nutrientes 4 Lisina 4 Ômega 3 e 6 4 Proteína 4 Zinco 5 Vitamina A 6 Água 6 Como calcular a ingestão hídrica? 7 Como estimular a ingestão hídrica 7 E para animais doentes? 7 Resumo 7 Nutrição Clínica de Cães e Gatos 8 Jejum 8 Barreira intestinal 8 Paciente convalescente 8 Quando intervir? 8 Como intervir? 9 Complicações 10 Cálculo de necessidade energética 10 Considerações 10 Nutrição do trato gastrointestinal 10 Megaesôfago 10 Doença inflamatória intestinal 11 Linfagiectasia 12 Colite 13 Pancreatite 14 Nutrição do paciente diabético 15 Fisiopatogenia 15 Diabetes mellitus 15 Nutrição do paciente com doença renal crônica 16 Urolitíase 17 Formação 17 Diagnóstico 17 09/09/2025 Vivian Pedrinelli Conceitos Básicos da Nutrição de Cães e Gatos Exames laboratoriais · Hemograma · Bioquímicos · Função renal (creatinina, ureia) · Função hepática (ALT, FA, GGT – gatos) · Proteína total e albumina · Triglicérides e colesterol · Glicemia · Exames de urina · Relação proteína / creatinina Tabelas nutricionais · Compilação de dados para estabelecer necessidades nutricionais de cães e gatos · Mais utilizadas: · AAFCO · FEDIAF · NRC · Serve para animais saudáveis Necessidade energética Equações preditivas · Precisa do peso corporal · Consideração alométrica · Reduzir interferência de variação de peso entre raças · Quanto maior o cão, menor será a proporção Equações preditivas – repouso · Necessidade energética de repouso · 70kcal x PC0,75 · Cães e Gatos · Em situações específicas · Inicialmente em animais adultos internado Como acompanhar o crescimento do filhote? · Cuidado! · Crescimento ótimo, não máximo · Excesso de energia obesidade e problemas muscoesqueléticas · Crescimento abaixo do esperado = incomum · Mais comum alimentos convencionais Noções sobre nutrientes Lisina · Para animais em crescimento, há um limite máximo de lisina (suspeita-se que ela tem um antagonista com outros aminoácidos, por isso não pode dar em excesso) · Estudo sugeriu antagonismo entre arginina e lisina em cães filhotes · Quantidade ata de lisina levou a sinais de deficiência de arginina (êmese e aumento de amônia plasmática) Ômega 3 e 6 · Membrana celular · Evita perda de água · Manutenção da barreira · Qualidade de pelagem · Ácido linoleico · Ácido alfa-linolênico · Deficiência de ácidos graxos essenciais · Descamação de pele · Hipertrofia de glândulas sebáceas · Fragilidade dos capilares venosos · Edema cutâneo · Hiperqueratose · Exsudação interdigital · Otite externa Proteína · Pelos e pele = 30% de necessidade proteína · Pelos são aproximadamente 90% de proteína (cistina e metionina 50 a 60% de pele) · Começa a ver problemas na pele, antes de ver em outros locais · Metionina, cistina, cisteína crescimento piloso e síntese de queratina · Deficiência proteica · Queratinização proteica · Pelos quebradiços · Ressecamento · Perda de brilho · Descamação · Se tem perda dos pigmentos (tirosina/fenilalanina ou eumelanina), deixa de ser preto e fica amarelo ou marrom · Síndrome da pelagem vermelha · Deficiência de tirosina e / ou fenilanina Zinco · Crescimento de pelo · Barreira da pele · Cicatrização de feridas (cofator de RNA e DNA polimerase) · Dermatoses relacionadas ao zinco – tipo I · Malamute do alaska e husky siberiano · Má absorção de zinco · Defeito genética na absorção intestinal ou metabolismo · Suplementação para a vida inteira Vitamina A · Queratinização · Crescimento do pelo · Gato não transforma os carotenos em retinol · Retinol ativo é de origem animal, os cães conseguem converter, mas os gatos não · Vitamina A é lipossolúvel Água · “Nutriente” essencial e muitas vezes esquecido · Geralmente oferecido a vontade · Depende da atividade e do local de habitat, e também da condição fisiológica · Funções da água · Componente importante de tecido e fluídos · Termorregulação · Ingestão de alimentos · Excreção via urina e fezes · Qual a necessidade? · Filhotes: cães 100ml/kg/dia – gatos: 80ml/kg/dia · Adultos: cães 70ml/kg/dia – gatos: 50ml/kg/dia · Cães e gaots: 1ml/1kcal · 95 x PC 0,75 para cães · 100 x PC 0,67 para gatos Como calcular a ingestão hídrica? · Cálculo de ingestão · Ingestão voluntária · Medir quanto coloca e quanto sobre ao fim do dia · Ingestão pelo alimento · Calcular a partir do que é ingerido · Umidade (rótulo) e quantidade Como estimular a ingestão hídrica · Troca da alimentação*** · Disponibilizar mais bebedouros · Limpos e troca diária de água · Distante de alimentos e leiteira (gatos) · Bebedouros largos e não muito fundos (gatos) · Uso de fontes – principalmente felinos · “Suco” = água com algo que animal gosta (frutas, caldo de carne, patê) E para animais doentes? · Não temos informações suficientes · Base – necessidade diária inicial · Acompanhar hidratação · Aumentar se necessário Resumo · Necessidades dependem de diversos fatores · Fase de vida, status fisiológico, estilo de vida, doenças... · Importante entender e saber utilizar os guias de recomendação · Não é só copiar números, é preciso interpretar · Necessidade nutricional é a base para: · Avaliar rótulos · Formulação – rações e alimentos caseiros · Nutrição clínica 23/09/2025 Professora Cecília Nutrição Clínica de Cães e Gatos · Nutrição do paciente convalescente · Motivo da internação (inapetência) Jejum · Jejum simples: não prolongado (recomendado de 12h quando faz o exame laboratorial) · Nesse jejum tem uma resposta adaptativa · Balanço metabólico dinâmico · Jejum prolongado: anorexia · 1º fase inicial: hipometabólica (consumo do glicogênio nas primeias 24hrs, entra a lipólise na quebra dos ácidos graxos) curta duração · 2º fase prolongada: hipermetabólica · Estresse fisiológico · Caquexia · Redução da taxa de metabolismo · Redução das funções vitais · Perda da musculatura esquelética Barreira intestinal · Não imunológica (mecânica) · Saliva, acidez gástrica, sais biliares e peristaltismo · Microbiota intestinal · Células epiteliais · Imunológica · Tecido lipoide · Macrófagos · Nutrição do intestino · Sinais tróficos · Aumento do fluxo sanguíneo intestinal · Liberação de enzimas digestivas Paciente convalescente · Tratamento: · Tratamento da doença primária · Minimizar desenvolvimento de subnutrição / desnutrição · Corrigir necessidades nutricionais Quando intervir? · Histórico: · Redução alimentar > 5 dias · Ingestão alimentar 10% do peso corporal · Filhotes: >5% do peso corporal · Exame clínico · Escore de condição corporal e escore de massa muscular · Avaliar presença de caquexia e emaciação (aporte nutricional é maior) · Ulceras de decúbito · Alterações de cicatrização · Exames laboratoriais · Anemia · Leucopenia · Linfopenia Como intervir? · Consumo voluntário · Tubo nasoesofágico / nasogástrico · Tubo esofágico · Nutrição enteral tudo que entra na boca para nutrir · Sempre é a primeira escolha · Manutenção da saúde do trato gastrointestinal · Melhora da função da barreira intestinal · Reduz risco de transmissão · Consumo voluntário · Nutrição parenteral acessos para a nutrição do paciente Tubo nasoesofágico / nasogástrico · Tempo de duração: até 7 dias · Tipo de alimento: líquido · Vantagem: baixo custo · Desvantagem: trauma facial · Vômito e regurgitação · Alterações em larínge, farínge, esôfago Tubo esofágico · Tempo de duração: semanas a meses · Tipo de alimento: úmidos e pastosos · Vantagem: alteração em mandíbula, maxila, nasofaríngea · Desvantagens: anestesia · Infecção · Manejo Tubo gástrico · Tempo de duração: semanas a meses – permanência mínima de 10 a 14 dias · Tipo de alimento: úmidos a pastosos (alimentos mais densos) · Vantagem: alteração esofágica · Desvantagem:anestesia / endoscopia · Infecção · Manejo Tubo Jejunostomia · Tempo de duração: internação – permanência mínima de 10 a 14 dias · Tipo de alimento: dieta líquida (infusão contínua) · Vantagem: evita passagem de alimento, pele, estômago e pâncreas · Desvantagem: anestesia / endoscopia · Infecção · Manejo Complicações · Reduzir risco de obstrução · Evitar formação de “grumos” no preparo do alimento · Fornecimento lento e gradual · Lavagem com 10 a 15ml de água após o uso do tubo · Reduzir o risco de excesso de alimento: · Cálculo de NEM · Aumento gradual de quantidade diária fornecida · Auxiliar tolerância do paciente (náusea) · Reduzir o risco de pneumonia aspirativa · Raio x simples · Síndrome de realimentação · Pode ocorrer em cães e gatos desnutritivos · Perda >10% do peso corporal em pouco tempo Cálculo de necessidade energética · Necessidade energética em repouso (NER) · Cão: NER (kcal/dia) = 70 x (PC) 0,75 · Gato: NER (kcal/dia) = 100 x (PC) 0,67 Considerações · Suporte nutricional · A retirada do suporte nutricional só deverá ser realizado quando o paciente consumir involuntariamente 75% da NER sem dificuldades aparentes · Mandamentos: · Se o intestino funciona use-o · Se não funciona, descubra o motivo e faça-o funcionar A nutrição de forma correta tem a capacidade de melhorar a qualidade e sobrevida dos nossos pacientes Não se deve esperar que o animal melhora para que o apetite retorne e este volte a se alimentar Nutrição do trato gastrointestinal Megaesôfago · Comum em pastor alemão · Dilatação difusa, focal ou generalizada do esôfago caracterizada pela redução ou ausência da motilidade esofágica · Etiologia / patofisiologia · Congênita · Idiopático · Falha na inervação do nervo vagal aferente em resposta ao estímulo mecânico · Adquirido · Idiopático (+ comum) · Doença neuromuscular (miastenia, lúpus eritematoso) · Acúmulo de alimento, água e saliva (não chega por completo no estômago e esse alimento parado começa a fermentar) · Fermentação do alimento · Sinais clínicos · Regurgitação · Perda de peso · Polifagia ou disfagia · Desidratação · Disfunção respiratória · Fraqueza · Tratamento nutrucional · Objetivo: estímulo para entrada do alimento no estômago · Manejo: · Alimento bipedal · Durante e após a ingestão (20 a 30 minutos) · Habituar paciente · Difícil nos apetites seletivos · Ideal: · Várias refeições ao dia (mínimo 4) · Intervalo entre refeições · Evitar exercícios após as refeições · Perfil da dieta · Consistência liquida (gravidade, fluidez) · Alimento “grosseiro”: maior estímulo peristáltico · Tentativa e erro!!! · Gordura: maior energia em menor volume · Retardo no esvaziamento gástrico · Refluxo? Regurgitação? Risco de aspiração? · Baixa fibra: redução do tempo do esvaziamento gástrico ·Conclusão: · Ganho de peso · Avaliação da cobalamina Lipidose hepática felina · Enfermidade característica pelo acúmulo excessivo de triglicérides no hepatócito, resultando em colestase · Epidemiologia · Acomete felinos de qualquer idade, sexo ou raça · Obesos ou sobrepeso · Histórico de anorexia prolongada seguida de um evento estressante, levando a perda de peso acentuada · Diminuição de 20% do peso e acometimento de 50% dos hepatócitos · Etiologia · Idiopática: