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DIREITO ADMINISTRATIVO INTERVENÇÃO DO ESTADO E DA PROPRIEDADE E NO DOMÍNIO ECONÔMICO DIREITO ADMINISTRATIVO INTERVENÇÃO DO ESTADO E DA PROPRIEDADE E NO DOMÍNIO ECONÔMICO Livro Eletrônico 2 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Domínio Público e Intervenção do Estado na Propriedade e o Domínio Econômico ..... 3 1. Conceito .......................................................................................................................................................... 3 2. Classificação dos Bens Públicos ......................................................................................................... 3 3. Características dos Bens Públicos ..................................................................................................... 7 3.1. Alienação dos Bens Públicos ............................................................................................................. 7 3.2. Uso dos Bens Públicos ........................................................................................................................9 4. Utilização de Bens Públicos pelos Particulares ......................................................................... 11 4.1. Autorização de Uso ............................................................................................................................... 11 4.2. Permissão de Uso ................................................................................................................................ 12 4.3. Concessão de Uso ................................................................................................................................ 13 4.4. Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia – MP n. 2.220/2001 ..................... 13 5. Terras Devolutas ...................................................................................................................................... 14 6. O Tombamento ........................................................................................................................................ 22 7. Servidão Administrativa .......................................................................................................................27 8. Requisição Administrativa .................................................................................................................. 28 9. Ocupação Temporária .......................................................................................................................... 29 10. Desapropriação ..................................................................................................................................... 29 11. Outros Institutos Relevantes ............................................................................................................ 45 Questões de Concurso ..............................................................................................................................50 Gabarito............................................................................................................................................................58 Gabarito Comentado .................................................................................................................................. 59 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO DOMÍNIO PÚBLICO E INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE E O DOMÍNIO ECONÔMICO 1. ConCeito São considerados bens públicos os bens destinados ao uso direto do Poder Público bem como os bens destinados à utilização direta ou indireta da coletividade. Os bens públicos são os de titularidade dos entes com personalidade jurídica de direito público, como Autarquias, Agências Executivas, Agências Reguladoras e Fundações Públicas. Anoto que órgãos não podem ser proprietários de bens públicos, como Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Ministério Público. Os bens de pessoas da Administração Indireta com natureza privada (empresas públicas, sociedades de economia mista) não são bens públicos, sendo privados, com exceção das Florestas Públicas (Lei n. 11.284/2006) que podem existir em área de propriedades dos entes da Administração Indireta. Todos os bens podem ser apropriados pelo Estado. Trata-se da teoria do domínio eminente que informa a existência de um poder político que permite ao Estado submeter à sua vontade todos os bens situados em seu território. Segundo a disciplina legal dos bem públicos constante do Código Civil, art. 98, são públi- cos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. 2. ClassifiCação dos Bens PúBliCos Os autores classificam os bens públicos a partir de três critérios: • quanto à titularidade; • quanto à disponibilidade; • quanto à destinação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 4 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Quanto à Titularidade Os bens públicos classificam-se, quanto à pessoa que detém sua titularidade, em Federais, Estaduais e Municipais. a) Bens da União A Constituição Federal de 1988 faz um rol, não taxativo, dos bens públicos que pertencem à União e aos estados-membros. Trata-se mais de uma distribuição básica do que propriamen- te de uma relação dos bens de cada uma das entidades federativas. São bens que possuem características especiais e que, por isso mesmo, precisam ser tratados de forma igualmente especial. Os bens da União estão relacionados no art. 20 da Constituição. Quanto à titularidade, são bens da União, além dos que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos: • as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e constru- ções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei; • os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que ba- nhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a territó- rio estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; • as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Muni- cípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal; • os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; • o mar territorial; • os terrenos de marinha e seus acrescidos; • os potenciais de energia hidráulica; • os recursos minerais, inclusive os do subsolo; • as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; • as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 5 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVOIn: NEGRÃO, Theotonio. Código de Processo Civil e legislação processual em vigor. São Paulo: Saraiva, 41ª edição, 2009, p. 1425/1426) 31 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, 2013, 39ª ed., p. 651. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 27 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO 7. servidão administrativa Servidão administrativa é o direito real público que autoriza o uso da propriedade para exe- cução de obras e serviços de interesse coletivo. O Código Civil disciplina a servidão civil da seguinte forma: Art. 1.378. A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante, e grava o prédio serviente, que pertence a diverso dono, e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários, ou por testamento, e subsequente registro no Cartório de Registro de Imóveis. Conforme a doutrina32, as servidões civis, Constituem-se voluntariamente. Não podemos falar em servidões impostas por lei, porque aí es- tamos adentrando no território dos direitos de vizinhança. Servidão é resultante da vontade, seja bilateral, seja manifestação de última vontade. Porém, a servidão administrativa não se confunde com a servidão disciplinada no direito civil. A servidão civil é direito real de um prédio sobre outro para uma finalidade privada. A ser- vidão administrativa é um ônus real que o poder público impõe sobre uma propriedade com a finalidade de serventia pública. A diferença entre a servidão do direito civil e a servidão do direito público é que a res domi- nans é um serviço público33, razão pela qual resta afastada a disciplina do direito civil que pre- vê a instituição consensual da servidão visando a uma utilidade particular em favor de um dos proprietários. A servidão administrativa pode incidir em bens públicos34. Segundo a doutrina35: Servidão administrativa é o direito real que assujeita um bem a suportar uma utilidade pública, por força da qual ficam afetados parcialmente os poderes do proprietário quanto ao seu usou gozo... são exemplos de servidão administrativa: a passagem de fios elétricos sobre imóveis particulares, a passagem de aquedutos ou o trânsito sobre bens privados etc. O fundamento legal das servidões administrativas é o art. 40 Decreto-lei n. 3.365/1941 que estabelece que o expropriante poderá constituir servidões, mediante indenização na forma 32 VIANA, Marco Aurélio S. In: TEIXEIRA, Sálvio de Figueiredo. Comentários ao Novo Código Civil, volume XVI: dos direitos reais. Rio de Janeiro: Forense, 2007, p. 634 33 Cf. DI PIETRO, Maia Sylvia Zanella. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 22ª edição, 2009, p.148/149. 34 Cf. DI PIETRO, Maia Sylvia Zanella. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 22ª edição, 2009, p. 149 35 MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, 27ª edição, 2010, p. 907. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 28 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO desta lei. Também existe previsão de servidão administrativa nos arts. 117 a 138 do Código de Águas. Pode se constituir de duas formas: • amigável, mediante escritura pública a ser lavrada no Registro de Imóveis; • judicial, mediante ação de igual procedimento ao da desapropriação. A servidão tem o caráter de ser, em regra, permanente. Em regra, não existe indenização a ser paga, salvo se houver prejuízo ao proprietário. Cabe ao proprietário comprovar a existência de prejuízo. 8. reqUisição administrativa A requisição administrativa tem seu fundamento constitucional no art. 5º, XXV: “no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano”. Também, é prevista no art. 1.228, § 3º, do Código Civil: o proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente. Ela se formaliza mediante decreto governamental. Havendo danos aos proprietários, será necessário pagamento de indenização que será a posteriori. Tem como pressuposto o perigo público iminente, ou seja, situação que coloque em risco a coletividade. Trata-se de uma restrição temporária. Se o perigo público iminente exigir que o bem fique por longo período sujeito ao interesse público, será necessária a desapropriação, mediante pagamento da justa e prévia indenização em dinheiro. 9. oCUPação temPorária Ocupação provisória é a utilização transitória de imóveis de particulares, para a execução de obras públicas ou atividades públicas. Tem fundamento no art. 36 do Decreto-lei n. 3.365/1941. Se houver prejuízo, deverá ser paga a indenização. É um ato auto executório da administração. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 29 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO 10. desaProPriação Desapropriação é o procedimento de transferência da propriedade de terceiro para o Estado, por razões de interesse social ou utilidade pública, normalmente mediante o paga- mento de indenização. O procedimento da desapropriação se desdobra em duas fases: • administrativa; • judicial. Fases da Desapropriação A fase administrativa se inicia com a declaração de utilidade pública ou interesse social, mediante decreto. Trata-se da indicação do imóvel a ser desapropriado e do fim a ser dado ao imóvel. Os efeitos da declaração de utilidade pública ou interesse social são: • direito de penetração no imóvel; • início do prazo de caducidade do decreto; • indicação do estado em que se encontra o bem para fixação do valor da indenização – art. 26, § 1º. Se não for efetivada a desapropriação, pode ocorrer a caducidade, na forma do Decreto- -lei n. 3.365/1941 e art. 3º da Lei n. 4.132/1962. A fase executória pode ser dar das seguintes formas: • desapropriação amigável, mediante acordo entre expropriante e proprietário; • desapropriação judicial. O fundamento constitucional da desapropriação é o art. 5º, XXIV. Os fundamentos legais são: • lei geral das desapropriações: Decreto-lei n. 3.365/1941; • desapropriação por interesse social: Lei n. 4.132/1962. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 30 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO A competência para legislar sobre desapropriações: União (art. 22, II, da CF). Tem compe- tência para emitir a declaração de utilidade pública a União, Estados, Distrito Federal, Municí- pios, Territórios, DNIT (art. 82, IX, da Lei n. 10.233/2001), ANEEL (art. 10 da Lei n. 9.074/1995). A competência executória, conforme art. 3º do Decreto-lei n. 3.365/1941 (na redação dada pela Medida Provisória n. 700/2015), é conferida: • aos concessionários,inclusive aqueles contratados nos termos da Lei n. 11.079, de 30 de dezembro de 2004, permissionários, autorizatários e arrendatários; • às entidades públicas; • às entidades que exerçam funções delegadas do Poder Público; e • ao contratado pelo Poder Público para fins de execução de obras e serviços de engenha- ria sob os regimes de empreitada por preço global, empreitada integral e contratação integrada. Além da desapropriação por necessidade, utilidade pública e interesse social, temos desa- propriações especiais previstas no ordenamento jurídico nacional: • desapropriação urbanística sancionatória: art. 182, § 4º, III, da CF e Lei n. 10.257/2001, art. 8º; • desapropriação rural para reforma agrária: art. 184 da CF e Lei n. 8.626/1993 e Lei Com- plementar n. 76/1993; • desapropriação confiscatória: art. 243 da CF e Lei n. 8.257/1991. A desapropriação por interesse social pode ser proposta pelo Estado; porém, a desapro- priação para reforma agrária, somente pode ser ajuizada pela União, em razão do art. 184 da Constituição Federal. Pode ser objeto da desapropriação qualquer bem, móvel ou imóvel – art. 2º do Decreto-lei 3.365/41, exceto os seguintes bens não desapropriáveis: • propriedade produtiva (art. 185, II, CF); • moeda corrente (dinheiro); • direitos da personalidade (honra, liberdade, cidadania). Bens tombados, mesmo públi- cos, podem ser desapropriados, não incidindo a disciplina do art. 2º do Decreto-lei n. 3.365/1941. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 31 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Os Estados não podem desapropriar bens fora de seu território; da mesma forma, municí- pios não podem desapropriar fora de seus territórios, sob pena de vulneração da autonomia dos demais entes federativos. Os bens públicos podem ser desapropriados na forma do art. 2º § 2º e 2º-A do Decreto-lei n. 3.365/1941, conforme redação dada pela Medida Provisória n. 700/2015. Será exigida au- torização legislativa para a desapropriação dos bens de domínio dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal pela União e dos bens de domínio dos Municípios pelos Estados. A auto- rização legislativa será dispensada quando a desapropriação for realizada mediante acordo entre os entes federativos, no qual serão fixadas as respectivas responsabilidades financeiras quanto ao pagamento das indenizações correspondentes. Bens de pessoas jurídicas da administração pública indireta da União podem ser expropria- dos, se houver autorização do Presidente da República; bens de pessoas jurídicas da adminis- tração pública indireta dos Estados podem ser expropriados pela União; bens de pessoas jurí- dicas da administração pública indireta dos Municípios podem ser expropriados pelo Estado e pela União. Sobre desapropriação, vale a pena a leitura do Decreto-lei n. 3.365/1941 (o qual trata da desapropriação por necessidade pública e utilidade pública) e a Lei n. 4.132/1962, a qual trata da desapropriação por interesse social. Seguem, abaixo, os respectivos textos legais: Lei n. 4.132, de 10 de setembro de 1962 – Define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe sobre sua aplicação. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sancio- no a seguinte lei: Art. 1º A desapropriação por interesse social será decretada para promover a justa distri- buição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem-estar social, na forma do art. 147 da Constituição Federal. Art. 2º Considera-se de interesse social: I – o aproveitamento de todo bem improdutivo ou explorado sem correspondência com as necessidades de habitação, trabalho e consumo dos centros de população a que deve ou possa suprir por seu destino econômico; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 32 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO II – a instalação ou a intensificação das culturas nas áreas em cuja exploração não se obe- deça a plano de zoneamento agrícola, VETADO; III – o estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e tra- balho agrícola: IV – a manutenção de posseiros em terrenos urbanos onde, com a tolerância expressa ou tácita do proprietário, tenham construído sua habilitação, formando núcleos residenciais de mais de 10 (dez) famílias; V – a construção de casas populares; VI – as terras e águas suscetíveis de valorização extraordinária, pela conclusão de obras e serviços públicos, notadamente de saneamento, portos, transporte, eletrificação armazena- mento de água e irrigação, no caso em que não sejam ditas áreas socialmente aproveitadas; VII – a proteção do solo e a preservação de cursos e mananciais de água e de reservas florestais. VIII – a utilização de áreas, locais ou bens que, por suas características, sejam apropriados ao desenvolvimento de atividades turísticas. (Incluído pela Lei n. 6.513, de 20.12.1977) § 1º O disposto no item I deste artigo só se aplicará nos casos de bens retirados de pro- dução ou tratando-se de imóveis rurais cuja produção, por ineficientemente explorados, seja inferior à média da região, atendidas as condições naturais do seu solo e sua situação em relação aos mercados. § 2º As necessidades de habitação, trabalho e consumo serão apuradas anualmente se- gundo a conjuntura e condições econômicas locais, cabendo o seu estudo e verificação às autoridades encarregadas de velar pelo bem-estar e pelo abastecimento das respectivas po- pulações. Art. 3º O expropriante tem o prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da desapropria- ção por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado. Parágrafo único. VETADO. Art. 4º Os bens desapropriados serão objeto de venda ou locação, a quem estiver em con- dições de dar-lhes a destinação social prevista. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 33 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 5º No que esta lei for omissa aplicam-se as normas legais que regulam a desapro- priação por unidade pública, inclusive no tocante ao processo e à justa indenização devida ao proprietário. Art. 6º Revogam-se as disposições em contrário. DECRETO-LEI N. 3.365, DE 21 DE JUNHO DE 1941 – Dispõe sobre desapropriações por utilidade pública. O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, decreta: DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º A desapropriação por utilidade pública regular-se-á por esta lei, em todo o território nacional. Art. 2º Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropria- dos pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. § 1º A desapropriação do espaço aéreo ou do subsolo só se tornará necessária, quando de sua utilização resultar prejuízo patrimonial do proprietário do solo. § 2º Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas,em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa. § 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e empresas cujo funcio- namento dependa de autorização do Governo Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do Presidente da República. (Incluído pelo Decreto-lei n. 856, de 1969) Art. 3º Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de caráter público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover desapropriações me- diante autorização expressa, constante de lei ou contrato. Art. 4º A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em qualquer caso, a declaração de utilidade pública deverá compre- endê-las, mencionando-se quais as indispensáveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 34 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Parágrafo único. Quando a desapropriação destinar-se à urbanização ou à reurbanização realizada mediante concessão ou parceria público-privada, o edital de licitação poderá prever que a receita decorrente da revenda ou utilização imobiliária integre projeto associado por con- ta e risco do concessionário, garantido ao poder concedente no mínimo o ressarcimento dos desembolsos com indenizações, quando estas ficarem sob sua responsabilidade. (Incluído pela Lei n. 12.873, de 2013) Art. 5º Consideram-se casos de utilidade pública: a) a segurança nacional; b) a defesa do Estado; c) o socorro público em caso de calamidade; d) a salubridade pública; e) a criação e melhoramento de centros de população, seu abastecimento regular de meios de subsistência; f) o aproveitamento industrial das minas e das jazidas minerais, das águas e da energia hidráulica; g) a assistência pública, as obras de higiene e decoração, casas de saúde, clínicas, esta- ções de clima e fontes medicinais; h) a exploração ou a conservação dos serviços públicos; i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a execução de planos de urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a construção ou ampliação de distritos industriais; (Redação dada pela Lei n. 9.785, de 1999) j) o funcionamento dos meios de transporte coletivo; k) a preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos, isolados ou inte- grados em conjuntos urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a manter-lhes e realçar-lhes os aspectos mais valiosos ou característicos e, ainda, a proteção de paisagens e locais particularmente dotados pela natureza; l) a preservação e a conservação adequada de arquivos, documentos e outros bens moveis de valor histórico ou artístico; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 35 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO m) a construção de edifícios públicos, monumentos comemorativos e cemitérios; n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de pouso para aeronaves; o) a reedição ou divulgação de obra ou invento de natureza científica, artística ou literária; p) os demais casos previstos por leis especiais. § 1º A construção ou ampliação de distritos industriais, de que trata a alínea i do caput deste artigo, inclui o loteamento das áreas necessárias à instalação de indústrias e atividades correlatas, bem como a revenda ou locação dos respectivos lotes a empresas previamente qualificadas. (Incluído pela Lei n. 6.602, de 1978) § 2º A efetivação da desapropriação para fins de criação ou ampliação de distritos indus- triais depende de aprovação, prévia e expressa, pelo Poder Público competente, do respectivo projeto de implantação. (Incluído pela Lei n. 6.602, de 1978) § 3º Ao imóvel desapropriado para implantação de parcelamento popular, destinado às classes de menor renda, não se dará outra utilização nem haverá retrocessão. (Incluído pela Lei n. 9.785, de 1999) Art. 6º A declaração de utilidade pública far-se-á por decreto do Presidente da República, Governador, Interventor ou Prefeito. Art. 7º Declarada a utilidade pública, ficam as autoridades administrativas autorizadas a penetrar nos prédios compreendidos na declaração, podendo recorrer, em caso de oposição, ao auxílio de força policial. Àquele que for molestado por excesso ou abuso de poder, cabe indenização por perdas e danos, sem prejuízo da ação penal. Art. 8º O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação. Art. 9º Ao Poder Judiciário é vedado, no processo de desapropriação, decidir se se verifi- cam ou não os casos de utilidade pública. Art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do respectivo decreto e findos os quais este caducará. (Vide Decreto-lei n. 9.282, de 1946) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 36 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Neste caso, somente decorrido um ano, poderá ser o mesmo bem objeto de nova declaração. Parágrafo único. Extingue-se em cinco anos o direito de propor ação que vise a indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público. (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183- 56, de 2001) Art. 10-A. O poder público deverá notificar o proprietário e apresentar-lhe oferta de indeni- zação. (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) § 1º A notificação de que trata o caput deste artigo conterá: (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) I – cópia do ato de declaração de utilidade pública; (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) II – planta ou descrição dos bens e suas confrontações; (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) III – valor da oferta; (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) IV – informação de que o prazo para aceitar ou rejeitar a oferta é de 15 (quinze) dias e de que o silêncio será considerado rejeição; (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) V – (VETADO). (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) § 2º Aceita a oferta e realizado o pagamento, será lavrado acordo, o qual será título hábil para a transcrição no registro de imóveis. (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) § 3º Rejeitada a oferta, ou transcorrido o prazo sem manifestação, o poder público proce- derá na forma dos arts. 11 e seguintes deste Decreto-Lei. (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) Art. 10-B. Feita a opção pela mediação ou pela via arbitral, o particular indicará um dos órgãos ou instituições especializados em mediação ou arbitragem previamente cadastrados pelo órgão responsável pela desapropriação. (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) § 1º A mediação seguirá as normas da Lei n. 13.140, de 26de junho de 2015, e, subsidia- riamente, os regulamentos do órgão ou instituição responsável. (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) § 2º Poderá ser eleita câmara de mediação criada pelo poder público, nos termos do art. 32 da Lei n. 13.140, de 26 de junho de 2015. (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) § 3º (VETADO). (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 37 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO § 4º A arbitragem seguirá as normas da Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996, e, subsi- diariamente, os regulamentos do órgão ou instituição responsável. (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) § 5º (VETADO). (Incluído pela Lei n. 13.867, de 2019) DO PROCESSO JUDICIAL Art. 11. A ação, quando a União for autora, será proposta no Distrito Federal ou no foro da Capital do Estado onde for domiciliado o réu, perante o juízo privativo, se houver; sendo outro o autor, no foro da situação dos bens. Art. 12. Somente os juízes que tiverem garantia de vitaliciedade, inamovibilidade e irreduti- bilidade de vencimentos poderão conhecer dos processos de desapropriação. Art. 13. A petição inicial, além dos requisitos previstos no Código de Processo Civil, conterá a oferta do preço e será instruída com um exemplar do contrato, ou do jornal oficial que houver publicado o decreto de desapropriação, ou cópia autenticada dos mesmos, e a planta ou des- crição dos bens e suas confrontações. Parágrafo único. Sendo o valor da causa igual ou inferior a dois contos de réis (2:000$0), dispensam-se os autos suplementares. Art. 14. Ao despachar a inicial, o juiz designará um perito de sua livre escolha, sempre que possível, técnico, para proceder à avaliação dos bens. Parágrafo único. O autor e o réu poderão indicar assistente técnico do perito. Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de conformidade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imiti-lo provisoriamente na posse dos bens; Parágrafo único. (Revogado pela Lei n. 2.786, de 1956) § 1º A imissão provisória poderá ser feita, independente da citação do réu, mediante o de- pósito: (Incluído pela Lei n. 2.786, de 1956) a) do preço oferecido, se este for superior a 20 (vinte) vezes o valor locativo, caso o imóvel esteja sujeito ao imposto predial; (Incluída pela Lei n. 2.786, de 1956) b) da quantia correspondente a 20 (vinte) vezes o valor locativo, estando o imóvel sujeito ao imposto predial e sendo menor o preço oferecido; (Incluída pela Lei n. 2.786, de 1956) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 38 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO c) do valor cadastral do imóvel, para fins de lançamento do imposto territorial, urbano ou rural, caso o referido valor tenha sido atualizado no ano fiscal imediatamente anterior; (Incluída pela Lei n. 2.786, de 1956) d) não tendo havido a atualização a que se refere o inciso c, o juiz fixará independente de avaliação, a importância do depósito, tendo em vista a época em que houver sido fixado origi- nalmente o valor cadastral e a valorização ou desvalorização posterior do imóvel. (Incluída pela Lei n. 2.786, de 1956) § 2º A alegação de urgência, que não poderá ser renovada, obrigará o expropriante a re- querer a imissão provisória dentro do prazo improrrogável de 120 (cento e vinte) dias. (Incluído pela Lei n. 2.786, de 1956) § 3º Excedido o prazo fixado no parágrafo anterior não será concedida a imissão provisó- ria. (Incluído pela Lei n. 2.786, de 1956) § 4º A imissão provisória na posse será registrada no registro de imóveis competente. (In- cluído pela Lei n. 11.977, de 2009) Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou uti- lidade pública e interesse social, inclusive para fins de reforma agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem, fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos. (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) § 1º Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a compensar a perda de renda com- provadamente sofrida pelo proprietário. (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) (Vide ADIN n. 2.332-2) § 2º Não serão devidos juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência na exploração iguais a zero. (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) (Vide ADIN n. 2.332-2) § 3º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de indeni- zação por apossamento administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações que visem a indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público, em especial aqueles destinados à proteção ambiental, incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença. (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 39 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO § 4º Nas ações referidas no § 3º, não será o Poder Público onerado por juros compensa- tórios relativos a período anterior à aquisição da propriedade ou posse titulada pelo autor da ação. (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) (Vide ADIN n. 2.332-2) Art. 15-B. Nas ações a que se refere o art. 15-A, os juros moratórios destinam-se a recom- por a perda decorrente do atraso no efetivo pagamento da indenização fixada na decisão final de mérito, e somente serão devidos à razão de até seis por cento ao ano, a partir de 1º de janei- ro do exercício seguinte àquele em que o pagamento deveria ser feito, nos termos do art. 100 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) Art. 16. A citação far-se-á por mandado na pessoa do proprietário dos bens; a do marido dispensa a dá mulher; a de um sócio, ou administrador, a dos demais, quando o bem perten- cer a sociedade; a do administrador da coisa no caso de condomínio, exceto o de edifício de apartamento constituindo cada um propriedade autônoma, a dos demais condôminos e a do inventariante, e, se não houver, a do cônjuge, herdeiro, ou legatário, detentor da herança, a dos demais interessados, quando o bem pertencer a espólio. Parágrafo único. Quando não encontrar o citando, mas ciente de que se encontra no terri- tório da jurisdição do juiz, o oficial portador do mandado marcará desde logo hora certa para a citação, ao fim de 48 horas, independentemente de nova diligência ou despacho. Art. 17. Quando a ação não for proposta no foro do domicílio ou da residência do réu, a ci- tação far-se-á por precatória, se ó mesmo estiver em lugar certo, fora do território da jurisdição do juiz. Art. 18. A citação far-se-á por edital se o citando não for conhecido, ou estiver em lugar ig- norado, incerto ou inacessível, ou, ainda, no estrangeiro, o que dois oficiais do juízo certificarão.Art. 19. Feita a citação, a causa seguirá com o rito ordinário. Art. 20. A contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou impugnação do preço; qualquer outra questão deverá ser decidida por ação direta. Art. 21. A instância não se interrompe. No caso de falecimento do réu, ou perda de sua capacidade civil, o juiz, logo que disso tenha conhecimento, nomeará curador à lide, até que se lhe habilite o interessado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 40 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Parágrafo único. Os atos praticados da data do falecimento ou perda da capacidade à investidura do curador à lide poderão ser ratificados ou impugnados por ele, ou pelo represen- tante do espólio, ou do incapaz. Art. 22. Havendo concordância sobre o preço, o juiz o homologará por sentença no despa- cho saneador. Art. 23. Findo o prazo para a contestação e não havendo concordância expressa quanto ao preço, o perito apresentará o laudo em cartório até cinco dias, pelo menos, antes da audiência de instrução e julgamento. § 1º O perito poderá requisitar das autoridades públicas os esclarecimentos ou documen- tos que se tornarem necessários à elaboração do laudo, e deverá indicar nele, entre outras circunstâncias atendíveis para a fixação da indenização, as enumeradas no art. 27. Ser-lhe-ão abonadas, como custas, as despesas com certidões e, a arbítrio do juiz, as de outros documentos que juntar ao laudo. § 2º Antes de proferido o despacho saneador, poderá o perito solicitar prazo especial para apresentação do laudo. Art. 24. Na audiência de instrução e julgamento proceder-se-á na conformidade do Código de Processo Civil. Encerrado o debate, o juiz proferirá sentença fixando o preço da indenização. Parágrafo único. Se não se julgar habilitado a decidir, o juiz designará desde logo outra au- diência que se realizará dentro de 10 dias a fim de publicar a sentença. Art. 25. O principal e os acessórios serão computados em parcelas autônomas. Parágrafo único. O juiz poderá arbitrar quantia módica para desmonte e transporte de ma- quinismos instalados e em funcionamento. Art. 26. No valor da indenização, que será contemporâneo da avaliação, não se incluirão os direitos de terceiros contra o expropriado. (Redação dada pela Lei n. 2.786, de 1956) § 1º Serão atendidas as benfeitorias necessárias feitas após a desapropriação; as úteis, quando feitas com autorização do expropriante. (Renumerado do Parágrafo Único pela Lei n. 4.686, de 1965) § 2º Decorrido prazo superior a um ano a partir da avaliação, o Juiz ou Tribunal, antes da decisão final, determinará a correção monetária do valor apurado, conforme índice que será fi- xado, trimestralmente, pela Secretaria de Planejamento da Presidência da República. (Redação dada pela Lei n. 6.306, de 1978) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 41 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 27. O juiz indicará na sentença os fatos que motivaram o seu convencimento e deverá atender, especialmente, à estimação dos bens para efeitos fiscais; ao preço de aquisição e interesse que deles aufere o proprietário; à sua situação, estado de conservação e segurança; ao valor venal dos da mesma espécie, nos últimos cinco anos, e à valorização ou depreciação de área remanescente, pertencente ao réu. § 1º A sentença que fixar o valor da indenização quando este for superior ao preço ofereci- do condenará o desapropriante a pagar honorários do advogado, que serão fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença, observado o disposto no § 4º do art. 20 do Código de Processo Civil, não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais). (Redação dada Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) (Vide ADIN n. 2.332-2) § 2º A transmissão da propriedade, decorrente de desapropriação amigável ou judicial, não ficará sujeita ao imposto de lucro imobiliário. (Incluído pela Lei n. 2.786, de 1956) § 3º O disposto no § 1º deste artigo se aplica: (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) I – ao procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo de desapro- priação de imóvel rural, por interesse social, para fins de reforma agrária; (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) II – às ações de indenização por apossamento administrativo ou desapropriação indireta. (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) § 4º O valor a que se refere o § 1º será atualizado, a partir de maio de 2000, no dia 1º de janeiro de cada ano, com base na variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA do respectivo período. (Incluído pela Medida Provisória n. 2.183-56, de 2001) Art. 28. Da sentença que fixar o preço da indenização caberá apelação com efeito simples- mente devolutivo, quando interposta pelo expropriado, e com ambos os efeitos, quando o for pelo expropriante. § 1º A sentença que condenar a Fazenda Pública em quantia superior ao dobro da ofereci- da fica sujeita ao duplo grau de jurisdição. (Redação dada pela Lei n. 6.071, de 1974) § 2º Nas causas de valor igual ou inferior a dois contos de réis (2:000$0), observar-se-á o disposto no art. 839 do Código de Processo Civil. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 42 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 29. Efetuado o pagamento ou a consignação, expedir-se-á, em favor do expropriante, mandado de imissão de posse, valendo a sentença como título hábil para a transcrição no re- gistro de imóveis. Art. 30. As custas serão pagas pelo autor se o réu aceitar o preço oferecido; em caso con- trário, pelo vencido, ou em proporção, na forma da lei. DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 31. Ficam sub-rogados no preço quaisquer ônus ou direitos que recaiam sobre o bem expropriado. Art. 32. O pagamento do preço será prévio e em dinheiro. (Redação dada pela Lei n. 2.786, de 1956) § 1º As dívidas fiscais serão deduzidas dos valores depositados, quando inscritas e ajuiza- das. (Incluído pela Lei n. 11.977, de 2009) § 2º Incluem-se na disposição prevista no § 1º as multas decorrentes de inadimplemento e de obrigações fiscais. (Incluído pela Lei n. 11.977, de 2009) § 3º A discussão acerca dos valores inscritos ou executados será realizada em ação pró- pria. (Incluído pela Lei n. 11.977, de 2009) Art. 33. O depósito do preço fixado por sentença, à disposição do juiz da causa, é conside- rado pagamento prévio da indenização. § 1º O depósito far-se-á no Banco do Brasil ou, onde este não tiver agência, em estabeleci- mento bancário acreditado, a critério do juiz. (Renumerado do Parágrafo Único pela Lei n. 2.786, de 1956) § 2º O desapropriado, ainda que discorde do preço oferecido, do arbitrado ou do fixado pela sentença, poderá levantar até 80% (oitenta por cento) do depósito feito para o fim previsto neste e no art. 15, observado o processo estabelecido no art. 34. (Incluído pela Lei n. 2.786, de 1956) Art. 34. O levantamento do preço será deferidomediante prova de propriedade, de quitação de dívidas fiscais que recaiam sobre o bem expropriado, e publicação de editais, com o prazo de 10 dias, para conhecimento de terceiros. Parágrafo único. Se o juiz verificar que há dúvida fundada sobre o domínio, o preço ficará em depósito, ressalvada aos interessados a ação própria para disputá-lo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 43 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 34-A. Se houver concordância, reduzida a termo, do expropriado, a decisão conces- siva da imissão provisória na posse implicará a aquisição da propriedade pelo exproprian- te com o consequente registro da propriedade na matrícula do imóvel. (Incluído pela Lei n. 13.465, de 2017) § 1º A concordância escrita do expropriado não implica renúncia ao seu direito de ques- tionar o preço ofertado em juízo. (Incluído pela Lei n. 13.465, de 2017) § 2º Na hipótese deste artigo, o expropriado poderá levantar 100% (cem por cento) do depósito de que trata o art. 33 deste Decreto-Lei. (Incluído pela Lei n. 13.465, de 2017) § 3º Do valor a ser levantado pelo expropriado devem ser deduzidos os valores dispostos nos §§ 1º e 2º do art. 32 deste Decreto-Lei, bem como, a critério do juiz, aqueles tidos como necessários para o custeio das despesas processuais. (Incluído pela Lei n. 13.465, de 2017) Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos. Art. 36. É permitida a ocupação temporária, que será indenizada, afinal, por ação própria, de terrenos não edificados, vizinhos às obras e necessários à sua realização. O expropriante prestará caução, quando exigida. Art. 37. Aquele cujo bem for prejudicado extraordinariamente em sua destinação eco- nômica pela desapropriação de áreas contíguas terá direito a reclamar perdas e danos do expropriante. Art. 38. O réu responderá perante terceiros, e por ação própria, pela omissão ou sonega- ção de quaisquer informações que possam interessar à marcha do processo ou ao recebi- mento da indenização. Art. 39. A ação de desapropriação pode ser proposta durante as férias forenses, e não se interrompe pela superveniência destas. Art. 40. O expropriante poderá constituir servidões, mediante indenização na forma des- ta lei. (Vide Decreto n. 35.851, de 1954) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 44 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 41. As disposições desta lei aplicam-se aos processos de desapropriação em curso, não se permitindo depois de sua vigência outros termos e atos além dos por ela admitidos, nem o seu processamento por forma diversa da que por ela é regulada. Art. 42. No que esta lei for omissa aplica-se o Código de Processo Civil. Art. 43. Esta lei entrará em vigor 10 dias depois de publicada, no Distrito Federal, e 30 dias nos Estados e Território do Acre, revogadas as disposições em contrário. 11. oUtros institUtos relevantes Desapropriação Indireta A desapropriação indireta é o “despojamento da propriedade privada pela Adminis- tração, com ânimo definitivo, sem os pressupostos exigíveis para a efetivação de uma desapropriação”. Trata-se de um esbulho possessório cometido pela Administração, contrário à Constituição que exige o pagamento de justa e prévia indenização,36 atentando, também, contra a exigência de devido processo legal para a retirada de bens do administrado37 e que fere o princípio da igualdade, por implicar no agravamento patrimonial de uma única pessoa no interesse da cole- tividade ou da Administração.38 36 “A nosso entender, a chamada desapropriação indireta, além de configurar um esbulho possessório, vulnera frontalmente a Constituição Federal, que condiciona a desapropriação ao pagamento da prévia e justa inde- nização”. (BEZNOS, Clóvis. Aspectos jurídicos da indenização na desapropriação. Belo Horizonte: Fórum, 2006, p. 57). 37 “Além disso, outro preceito constitucional vê-se atingido às escâncaras, que se amolda com a previsão referida no inciso XXIV do artigo 5º, contida no inciso LIV do mesmo artigo, que assegura a todos o devido processo legal em hipótese de privação da liberdade ou dos bens”. (BEZNOS, Clóvis. Aspectos jurídicos da indenização na desapropriação. Belo Horizonte: Fórum, 2006). 38 “Finalmente também é vulnerado o princípio constitucional da igualdade, pela imposição de sacrifício de direito especialmente a alguém pela ação administrativa de construção de obra pública, fruível pela coletividade, ou pela própria Administração, sem nenhuma compensação” (BEZNOS, Clóvis. Aspectos jurídicos da indenização na desapropriação. Belo Horizonte: Fórum, 2006, p. 57). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 45 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Em regra, terminada a obra pública em terreno alheio, não cabe a retomada do imóvel39; so- mente se ainda é possível a reversão do esbulho se mostra possível a reivindicação do bem.40 Caso não seja reversível, cabe ao esbulhado pleitear a indenização pelas perdas e danos e a responsabilização do agente público responsável pelo ilícito, implicando a conduta dolosa em improbidade administrativa.41 Não somente a ocupação de um imóvel configura desapropriação indireta. Qualquer ato estatal que implique total esvaziamento do conteúdo econômico da propriedade é também uma desapropriação indireta. Abaixo discorreremos sobre o caso mais debatido, qual seja, as limitações decorrentes da legislação ambiental; contudo, não se trata da única hipótese. Sem- pre que um ato estatal ocasionar a perda da funcionalidade do bem no seu aproveitamento econômico, ocorre a desapropriação indireta. A propriedade sem qualquer destinação útil não serve de nada. Sempre que o núcleo essencial do direito de propriedade for atingido, haverá a desapropriação indireta. Assim, conforme lição da doutrina42, “a desapropriação indireta resta configurada tanto pelo apossamento ilegal quanto pelo esvaziamento do conteúdo econômico da propriedade por ação do Estado”. 39 “Ementa: REINTEGRAÇÃO DE POSSE Ocupação de área para construção de escola pública estadual ao lado de conjunto habitacional construído pela Autarquia-autora Obra concluída há muitos anos, em prol do interesse público – Extinção do processo por impossibilidade jurídica do pedido Decisão extra-petita Não configuração Matéria de ordem pública Sentença mantida Recurso não provido”. (TJSP, proc. 9171421-37.2002.8.26.0000 Apelação Relator: Peiretti de Godoy Comarca: São Paulo Órgão julgador: 13ª Câmara de Direito Público Data do julgamento: 14/09/2011Data de registro: 15/09/2011). 40 “É claro que se o esbulho for reversível, caberá a ação reivindicatória do bem, com eventual condenação em perdas e danos, que se traduzem normalmente nos lucros cessantes, pela privação da propriedade, quando assim efetivamente ocorrer”. (BEZNOS, Clóvis. Aspectosjurídicos da indenização na desapropriação. Belo Hori- zonte: Fórum, 2006, p. 59). 41 “(...) haverá o fato consistente no esbulho de ser objeto de apuração, com a responsabilização dos servidores que, por culpa ou dolo, tenham sido responsáveis pelo apossamento administrativo, com prática de patente ilícito...ao que tange a conduta dolosa, nesse sentido, pode ser a mesma enquadrada em improbidade admi- nistrativa, conforme a previsão do artigo 11, inciso I, da Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992, pois configura a prática de ato “diverso daquele previsto na regra de competência”, porque evidente o desvio de poder nessa circunstância”. (BEZNOS, Clóvis. Aspectos jurídicos da indenização na desapropriação. Belo Horizonte: Fórum, 2006, p. 61). 42 MUKAI, Sylvio Toshiro. Aspectos jurídicos da desapropriação indireta. IN: GUERRA, Alexandre; BENACCHIO, Mar- celo (coordenadores). Direito Imobiliário Brasileiro. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 867/874. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 46 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Retrocessão Estabelece o art. 519 do Código Civil que se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado o direito de preferência, pelo preço atual da coisa. O decreto de utilidade pública informa o fim a que é destinada a coisa expropriada. Qual- quer mudança de destinação configura a denominada tredestinação. Nem toda tredestinação é vedada pelo ordenamento jurídico. Ocorre a tredestinação lícita quando o imóvel é utilizado para outra finalidade pública. Já a tredestinação ilícita ocorre quando o imóvel é utilizado para finalidade não pública. Confisco É a perda da propriedade privada para o Estado em razão de uma punição, nunca há paga- mento de indenização. Intervenção Estatal no Domínio Econômico Por fim, há que se ressaltar a intervenção estatal no domínio econômico, de modo a regular o mercado e reprimir o abuso do poder econômico. O tema é tratado no art. 173 da Constituição Federal, o qual estabelece, que, ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. O referido dispositivo ainda destaca que a lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade eco- nômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: • sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade; • a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direi- tos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 47 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO • licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princí- pios da administração pública; • a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e fiscal, com a parti- cipação de acionistas minoritários; • os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos administradores. Por fim, o art. 173, § 4º, estabelece que a lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. Sobre o tema, merece destaque a Lei n. 8.137, de 27 de dezembro de 1990, a qual define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, e dá outras providências. Trata-se de norma que prevê como crime contra a ordem econômica a conduta de abusar do poder econômico, dominando o mercado ou eliminando, total ou parcialmente, a concorrên- cia mediante qualquer forma de ajuste ou acordo de empresas. Por se tratar de tema afeto ao direito penal, deixamos de apresentar maiores detalhes so- bre a referida lei. Também merece destaque, o Código de defesa do consumidor, o qual prevê uma série de sanções àqueles que causem danos ao consumidor ou prejudiquem as relações de consumo. Do mesmo modo, por se tratar de tema afeto ao direito consumerista, deixamos de apresentar maiores detalhes sobre a referida lei. Restrições em relação às empresas públicas e sociedades de economia mista: As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado, sendo certo que a lei regulamentará as relações da empresa pública com o Estado e a sociedade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 48 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO QUESTÕES DE CONCURSO qUestão 1 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX – PRIMEIRA FASE/2019) Vir- gílio é proprietário de um imóvel cuja fachada foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histó- rico e Artístico Nacional – IPHAN, autarquia federal, após o devido processo administrativo, diante de seu relevante valor histórico e cultural. O logradouro em que o imóvel está localizado foi assolado por fortes chuvas, que comprome- teram a estrutura da edificação, a qual passou a apresentar riscos de desabamento. Em razão disso, Virgílio notificou o Poder Público e comprovou não ter condições financeiras para arcar com os custos da respectiva obra de recuperação. Certo de que a comunicação foi recebida pela autoridade competente, que atestou a efetiva necessidade da realização de obras emergenciais, Virgílio procurou você, como advogado(a), para, mediante orientação jurídica adequada, evitar a imposição de sanção pelo Poder Público. Sobre a hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a orientação correta. a) Virgílio poderá demolir o imóvel. b) A autoridade competente deve mandar executar a recuperação da fachada tombada, às expensas da União. c) Somente Virgílio é obrigado a arcar com os custos de recuperação do imóvel. d) As obras necessárias deverão ser realizadas por Virgílio, independentemente de autorização especial da autoridade competente. qUestão 2 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX – PRIMEIRA FASE/2019) O poder público, com fundamento na Lei n. 8.987/1995, pretende conceder à iniciativa pri- vada uma rodovia que liga dois grandes centros urbanos. O edital, publicado em maio de 2018, previu a duplicação das pistas e a obrigação de o futuro concessionário desapropriar os terrenos necessários à ampliação. Por se tratar de projeto antigo, o poder concedente já havia declarado, em janeiro de 2011, a utilidade pública das áreas a serem desapropriadas no âmbito do futuro contrato de concessão. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 49de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Com base na hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. a) O ônus das desapropriações necessárias à duplicação da rodovia não pode ser do futuro concessionário, mas sim do poder concedente. b) O poder concedente e o concessionário só poderão adentrar os terrenos necessários à am- pliação da rodovia após a conclusão do processo de desapropriação. c) O decreto que reconheceu a utilidade pública dos terrenos caducou, sendo necessária a expedição de nova declaração. d) A declaração de utilidade pública pode ser emitida tanto pelo poder concedente quanto pelo concessionário. qUestão 3 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XXVIII – PRIMEIRA FASE/2019) Determinado Município fez publicar decreto de desapropriação por utilidade pública de de- terminada área, com o objetivo de construir um hospital, o que incluiu o imóvel de Ana. A proprietária aceitou o valor oferecido pelo ente federativo, de modo que a desapropriação se consumou na via administrativa. Após o início das obras, foi constatada a necessidade, de maior urgência, da instalação de uma creche na mesma localidade, de modo que o Município alterou a destinação a ser conferida à edificação que estava sendo erigida. Ana se arrependeu do acordo firmado com o poder público. Diante dessa situação hipotética, na qualidade de advogado(a) de Ana, assinale a afirmativa correta. a) Ana deverá ajuizar ação de retrocessão do imóvel, considerando que o Município não possui competência para atuar na educação infantil, de modo que não poderia alterar a destinação do bem expropriado para esta finalidade. b) Cabe a Ana buscar a anulação do acordo firmado com o Município, que deveria ter ajuizado a indispensável ação de desapropriação para consumar tal modalidade de intervenção do es- tado na propriedade. c) O ordenamento jurídico não autoriza que Ana impugne a desapropriação amigável acordada com o Município, porque a nova destinação conferida ao imóvel atende ao interesse público, a caracterizar a chamada tredestinação lícita. d) Ana deverá ajuizar ação indenizatória em face do ente federativo, com base na desapropria- ção indireta, considerando que o Município não pode conferir finalidade diversa da constante no decreto expropriatório. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 50 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO qUestão 4 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XXV – PRIMEIRA FASE/2018) Em novembro de 2014, Josué decidiu gozar um período sabático e passou, a partir de então, quatro anos viajando pelo mundo. Ao retornar ao Brasil, foi surpreendido pelo fato de que um terreno de sua propriedade havia sido invadido, em setembro de 2015, pelo Município Beta, que nele construiu uma estação de tratamento de água e esgoto. Em razão disso, Josué procurou você para, na qualidade de advogado(a), traçar a orientação jurídica adequada, em consonância com o ordenamento vigente. a) Deve ser ajuizada uma ação possessória, diante do esbulho cometido pelo Poder Público municipal. b) Não cabe qualquer providência em Juízo, considerando que a pretensão de Josué está prescrita. c) Impõe-se que Josué aguarde que o bem venha a ser destinado pelo Município a uma finalidade alheia ao interesse público, para que, somente então, possa pleitear uma indenização em Juízo. d) É pertinente o ajuizamento de uma ação indenizatória, com base na desapropriação indireta, diante da incorporação do bem ao patrimônio público pela afetação. qUestão 5 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XXIII – PRIMEIRA FASE/2017) O Estado “X” pretende fazer uma reforma administrativa para cortar gastos. Com esse intuito, espera concentrar diversas secretarias estaduais em um mesmo prédio, mas não dispõe de um imóvel com a área necessária. Após várias reuniões com a equipe de governo, o governa- dor decidiu desapropriar, por utilidade pública, um enorme terreno de propriedade da União para construir o edifício desejado. Sobre a questão apresentada, assinale a afirmativa correta. a) A União pode desapropriar imóveis dos Estados, atendidos os requisitos previstos em lei, mas os Estados não podem desapropriar imóveis da União. b) Para que haja a desapropriação pelo Estado “X”, é imprescindível que este ente federado demonstre, em ação judicial, estar presente o interesse público. c) A desapropriação é possível, mas deve ser precedida de autorização legislativa dada pela Assembleia Legislativa. d) A desapropriação é possível, mas deve ser precedida de autorização legislativa dada pelo Congresso Nacional. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 51 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO qUestão 6 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XXII – PRIMEIRA FASE/2017) O Município Beta foi assolado por chuvas que provocaram o desabamento de várias encos- tas, que abalaram a estrutura de diversos imóveis, os quais ameaçam ruir, especialmente se não houver imediata limpeza dos terrenos comprometidos. Diante do iminente perigo públi- co a residências e à vida de pessoas, o Poder Público deve, prontamente, utilizar maquiná- rio, que não consta de seu patrimônio, para realizar as medidas de contenção pertinentes. Assinale a opção que indica a adequada modalidade de intervenção na propriedade privada para a utilização do maquinário necessário. a) Requisição administrativa. b) Tombamento. c) Desapropriação. d) Servidão administrativa. qUestão 7 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XX – PRIMEIRA FASE/2016) O Estado Beta pretende estabelecer ligação viária entre dois municípios contíguos em seu território. Para tanto, mostra-se necessária a desapropriação, por utilidade pública, de bem de propriedade de um dos municípios beneficiários da obra. Quanto à competência do Estado Beta para desapropriar bem público, assinale a afirmativa correta. a) O Estado Beta não tem competência para desapropriar, por utilidade pública, bem municipal. b) O Estado Beta não tem competência para desapropriar bens públicos. c) O Estado Beta poderá desapropriar sem qualquer providência preliminar. d) O Estado Beta poderá desapropriar mediante a respectiva autorização legislativa. qUestão 8 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XVII – PRIMEIRA FASE/2015) O Município W, durante a construção de avenida importante, ligando a região residencial ao centro comercial da cidade, verifica a necessidade de ampliação da área a ser construída, me- diante a incorporação de terrenos contíguos à área já desapropriada, a fim de permitir o pros- seguimento das obras. Assim, expede novo decreto de desapropriação, declarando a utilidade pública dos imóveis indicados, adjacentes ao plano da pista. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 52 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Diante deste caso, assinale a opção correta. a) É válida a desapropriação, pelo Município W, de imóveis a serem demolidospara a constru- ção da obra pública, mas não a dos terrenos contíguos à obra. b) Não é válida a desapropriação, durante a realização da obra, pelo Município W, de novos imóveis, qualquer que seja a finalidade. c) É válida, no curso da obra, a desapropriação, pelo Município W, de novos imóveis em área contígua necessária ao desenvolvimento da obra. d) Em relação às áreas contíguas à obra, a única forma de intervenção estatal da qual pode se valer o Município W é a ocupação temporária. qUestão 9 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XIII – PRIMEIRA FASE/2014) Acerca da desapropriação, assinale a afirmativa correta. a) Na desapropriação por interesse social, o expropriante tem o prazo de cinco anos, contados da edição do decreto, para iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado. b) Na desapropriação por interesse social, em regra, não se exige o requisito da indenização prévia, justa e em dinheiro. c) O município pode desapropriar um imóvel por interesse social, mediante indenização prévia, justa e em dinheiro. d) A desapropriação para fins de reforma agrária da propriedade que não esteja cumprindo a sua função social não será indenizada. qUestão 10 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XII – PRIMEIRA FASE/2013) O Município de Barra Alta realizou a desapropriação de grande parcela do imóvel de Manoel Silva e deixou uma parcela inaproveitável para o proprietário. No caso descrito, o proprietário obterá êxito se pleitear a) a reintegração de posse de todo o imóvel em função da má-fé do Município. b) o direito de extensão da desapropriação em relação à área inaproveitável. c) a anulação da desapropriação em relação à parcela do imóvel suficiente para tornar a área restante economicamente aproveitável. d) a anulação integral da desapropriação, pois a mesma foi ilegal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 53 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO qUestão 11 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – X – PRIMEIRA FASE/2013) A fim de permitir o escoamento da produção até uma refinaria, uma empresa pública federal, que ex- plora a prospecção de petróleo em um campo terrestre, inicia a construção de um oleoduto. O único caminho possível para essa construção atravessa a propriedade rural de Josenildo que, em razão do oleoduto, teve que diminuir o espaço de plantio de mamão e, com isso, viu sua renda mensal cair pela metade. Assinale a afirmativa que indica a instrução correta que um advogado deve passar a Josenildo. a) Não há óbice à constituição da servidão administrativa no caso, mas cabe indenização pe- los danos decorrentes dessa forma de intervenção na propriedade. b) A servidão administrativa é ilegal e Josenildo pode desconstituí-la, pois o instituto só tem aplicação em relação aos bens públicos. c) A servidão administrativa é ilegal, pois o nosso ordenamento veda a intervenção do Estado sobre propriedades produtivas. d) Não há óbice à constituição da servidão administrativa e não há de se falar em qualquer indenização. qUestão 12 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – VIII – PRIMEIRA FASE/2012) A União, após regular licitação, realiza concessão de determinado serviço público a uma sociedade privada. Entretanto, para a efetiva prestação do serviço, é necessário realizar algumas desapropriações. A respeito desse caso concreto, assinale a afirmativa correta. a) A sociedade concessionária poderá promover desapropriações mediante autorização ex- pressa, constante de lei ou contrato. b) As desapropriações necessárias somente poderão ser realizadas pela União, já que a con- cessionária é pessoa jurídica de direito privado. c) O ingresso de autoridades administrativas nos bens desapropriados, declarada a utilidade pública, somente será lícito após a obtenção de autorização judicial. d) Os bens pertencentes ao(s) Município(s) inserido(s) na área de prestação do serviço não poderão ser desapropriados, mesmo que haja autorização legislativa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 54 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO qUestão 13 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – IX – PRIMEIRA FASE/2012) A desapropriação é um procedimento administrativo que possui duas fases: a primeira, denominada declaratória e a segunda, denominada executória. Quanto à fase declaratória, assinale a afirmativa correta. a) Acarreta a aquisição da propriedade pela Administração, gerando o dever de justa indeniza- ção ao expropriado. b) Importa no início do prazo para a ocorrência da caducidade do ato declaratório e gera, para a Administração, o direito de penetrar no bem objeto da desapropriação. c) Implica a geração de efeitos, com o titular mantendo o direito de propriedade plena, não tendo a Administração direitos ou deveres. d) Gera o direito à imissão provisória na posse e o impedimento à desistência da desapropriação. qUestão 14 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – VII – PRIMEIRA FASE/2012) A empresa pública federal X, que atua no setor de pesquisas petroquímicas, necessita ampliar sua estrutura, para a construção de dois galpões industriais. Para tanto, decide incorporar terrenos contíguos a sua atual unidade de processamento, mediante regular processo de desapropriação. A própria empresa pública declara aqueles terrenos como de utilidade pública e inicia as trata- tivas com os proprietários dos terrenos – que, entretanto, não aceitam o preço oferecido por aquela entidade. Nesse caso, a) se o expropriante alegar urgência e depositar a quantia arbitrada de conformidade com a lei, terá direito a imitir-se provisoriamente na posse dos terrenos. b) a desapropriação não poderá consumar-se, tendo em vista que não houve concordância dos titulares dos terrenos. c) a desapropriação demandará a propositura de uma ação judicial e, por não haver concordân- cia dos proprietários, a contestação poderá versar sobre qualquer matéria. d) os proprietários poderão opor-se à desapropriação, ao fundamento de que a empresa públi- ca não é competente para declarar um bem como de utilidade pública. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 55 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO GABARITO 1. b 2. c 3. c 4. d 5. a 6. a 7. d 8. c 9. c 10. b 11. a 12. a 13. b 14. d O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 56 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO GABARITO COMENTADO qUestão 1 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX – PRIMEIRA FASE/2019) Virgí- lio é proprietário de um imóvel cuja fachada foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, autarquia federal, após o devido processo administrativo, diante de seu relevante valor histórico e cultural.O logradouro em que o imóvel está localizado foi assolado por fortes chuvas, que comprome- teram a estrutura da edificação, a qual passou a apresentar riscos de desabamento. Em razão disso, Virgílio notificou o Poder Público e comprovou não ter condições financeiras para arcar com os custos da respectiva obra de recuperação. Certo de que a comunicação foi recebida pela autoridade competente, que atestou a efetiva necessidade da realização de obras emergenciais, Virgílio procurou você, como advogado(a), para, mediante orientação jurídica adequada, evitar a imposição de sanção pelo Poder Público. Sobre a hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a orientação correta. a) Virgílio poderá demolir o imóvel. b) A autoridade competente deve mandar executar a recuperação da fachada tombada, às expensas da União. c) Somente Virgílio é obrigado a arcar com os custos de recuperação do imóvel. d) As obras necessárias deverão ser realizadas por Virgílio, independentemente de autorização especial da autoridade competente. Letra b. Decreto-lei n. 25/1937, art. 19. O proprietário de coisa tombada, que NÃO DISPUSER DE RECURSOS para proceder às obras de conservação e reparação que a mesma requerer, LEVARÁ AO CONHE- CIMENTO do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a necessidade das mencionadas obras, SOB PENA DE MULTA correspondente ao dobro da importância em que for avaliado o dano sofrido pela mesma coisa. § 1º Recebida a comunicação, e consideradas necessárias as obras, o diretor do Serviço do Patri- mônio Histórico e Artístico Nacional MANDARÁ EXECUTÁ-LAS, A EXPENSAS DA UNIÃO, devendo as mesmas ser iniciadas DENTRO DO PRAZO DE 6 MESES, OU PROVIDENCIARÁ para que seja feita a DESAPROPRIAÇÃO da coisa. a) Errada. Segundo o artigo 17 do referido decreto-lei: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 57 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser repara- das, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cinquenta por cento do dano causado. b) Certa. c) Errada. Conforme expressa previsão no artigo 19 do DL n. 25/1937, caso o proprietário da coisa tombada não prover de recursos para que se proceda às obras necessárias a conserva- ção e reparação do bem tombado, e uma vez comunicado ao serviço do patrimônio histórico e artístico nacional, que, por intermédio de seu diretor irá manifestar-se sobre a necessidade da obra, este ordenará a execução, às expensas da União. d) Errada. As obras necessárias não deverão ser realizadas por Virgílio, mas sim, poderão, des- de que previamente autorizada pela autoridade competente. qUestão 2 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX – PRIMEIRA FASE/2019) O poder público, com fundamento na Lei n. 8.987/1995, pretende conceder à iniciativa privada uma rodovia que liga dois grandes centros urbanos. O edital, publicado em maio de 2018, pre- viu a duplicação das pistas e a obrigação de o futuro concessionário desapropriar os terrenos necessários à ampliação. Por se tratar de projeto antigo, o poder concedente já havia decla- rado, em janeiro de 2011, a utilidade pública das áreas a serem desapropriadas no âmbito do futuro contrato de concessão. Com base na hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. a) O ônus das desapropriações necessárias à duplicação da rodovia não pode ser do futuro concessionário, mas sim do poder concedente. b) O poder concedente e o concessionário só poderão adentrar os terrenos necessários à am- pliação da rodovia após a conclusão do processo de desapropriação. c) O decreto que reconheceu a utilidade pública dos terrenos caducou, sendo necessária a expedição de nova declaração. d) A declaração de utilidade pública pode ser emitida tanto pelo poder concedente quanto pelo concessionário. Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 58 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Decreto-lei n. 3.365/1941, art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se judicialmente, dentro de 5 anos, contados da data da expedição do respectivo decreto e findos os quais este caducará. (Vide Decreto-lei n. 9.282/46). Neste caso, somente decorrido 1 ano, poderá ser o mesmo bem objeto de nova declaração. Parágrafo único. Extingue-se em 5 anos o direito de propor ação que vise a indenização por restri- ções decorrentes de atos do Poder Público. Complementando: Lei n. 8.987/1995, art. 18. O edital de licitação será elaborado pelo poder concedente, observados, no que couber, os critérios e as normas gerais da legislação própria sobre licitações e contratos e conterá, especialmente: XII – a expressa indicação do responsável pelo ônus das desapropriações necessárias à execução do serviço ou da obra pública, ou para a instituição de servidão adm.; Decreto-lei n. 3.365/1941, art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de conformidade com o art. 685 do CPC, o juiz mandará imiti-lo provisoriamente na posse dos bens; Decreto-lei n. 3.365/1941, art. 6º A declaração de utilidade pública far-se-á por decreto do PR, Go- vernador, Interventor ou Prefeito. Lei n. 8.987/1995, art. 29. Incumbe ao poder concedente: VIII – declarar de utilidade pública os bens necessários à execução do serviço ou obra pública, pro- movendo as desapropriações, diretamente ou mediante outorga de poderes à concessionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas indenizações cabíveis; qUestão 3 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XXVIII – PRIMEIRA FASE/2019) Determinado Município fez publicar decreto de desapropriação por utilidade pública de de- terminada área, com o objetivo de construir um hospital, o que incluiu o imóvel de Ana. A proprietária aceitou o valor oferecido pelo ente federativo, de modo que a desapropriação se consumou na via administrativa. Após o início das obras, foi constatada a necessidade, de maior urgência, da instalação de uma creche na mesma localidade, de modo que o Município alterou a destinação a ser conferida à edificação que estava sendo erigida. Ana se arrependeu do acordo firmado com o poder público. Diante dessa situação hipotética, na qualidade de advogado(a) de Ana, assinale a afirmativa correta. a) Ana deverá ajuizar ação de retrocessão do imóvel, considerando que o Município não possui competência para atuar na educação infantil, de modo que não poderia alterar a destinação do bem expropriado para esta finalidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 59 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO b) Cabe a Ana buscar a anulação do acordo firmado com o Município, que deveria ter ajuizado a indispensável ação de desapropriação para consumar tal modalidade de intervenção do es- tado na propriedade. c) O ordenamento jurídico não autoriza que Ana impugne a desapropriação amigável acordada com o Município, porque aEsse dispositivo constitucional levou em consideração alguns critérios: • segurança nacional; • proteção à economia nacional; • o interesse público nacional. São bens dos Estados, conforme dispõe o art. 26 da Constituição Federal: • as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; • as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aque- las sob domínio da União, Municípios ou terceiros; • as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; • as terras devolutas não compreendidas entre as da União. O rol estampado nesse artigo não é taxativo. Existem outros bens públicos que são da titulari- dade dos estados. b) Bens municipais São bens dos municípios as ruas, praças, jardins públicos, logradouros públicos, conforme dispõe a Lei n. 6.766/1979. Adota-se um critério de exclusão: São considerados bens dos municípios aqueles bens públicos que se encontrem dentro do território municipal e não estejam incluídos entre os bens da União ou dos estados. Quanto à Destinação a) Bens de uso comum do povo Os bens de uso comum do povo destinam-se à utilização por toda a coletividade, indistinta- mente. O que mais caracteriza os bens de uso comum do povo é o fato de estarem destinados ao uso geral da população. São exemplos de bens de uso comum do povo: mares, estradas, ruas e praças etc. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 6 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Tais bens se destinam ao uso geral da coletividade. Não existe a propriedade pelo ente público, existe a administração do bem. O critério é a destinação pública. b) Bens de uso especial ou do patrimônio reservado Os bens de uso especial são bens utilizados pela Administração Pública para suas fina- lidades, ou seja, estão afetados a uma finalidade pública. Podem ser de qualquer pessoa de direito público. Também se enquadram nessa categoria os bens utilizados pelos particulares em virtude de delegação, bem como os bens dos concessionários de serviços públicos que serão revertidos ao patrimônio do poder concedente. Por fim, os bens das empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos, por estarem afetados a uma utilidade pública, também são bens públicos de uso especial. De acordo com a definição posta no art. 99, inciso II, do Código Civil, tem-se que: Art. 99. São bens públicos: (...) II – os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias. Os bens de uso especial caracterizam-se por ter, como principal destinação, a utilização pelos órgãos públicos e entidades administrativas, para a execução dos serviços administra- tivos e serviços públicos em geral. Os bens dominicais constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. Abrangem todos os demais bens públicos que não são de uso do povo e nem de uso especial, ou seja, os bens de propriedade dos entes públicos sem uma destinação pública. Segundo o parágrafo único do art. 99 do CC, também são bens públicos os dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. Segundo Mazza (2020) os bens dominicais, também chamados de bens do patrimônio público disponível ou bens do patrimônio fiscal, “são todos aqueles sem utilidade específica, podendo ser utilizados em qualquer fim ou, mesmo, alienados pela Administração, se assim o desejar”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 7 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO 3. CaraCterístiCas dos Bens PúBliCos Os bens públicos são impenhoráveis. O fundamento da impenhorabilidade dos bens públi- cos é o art. 100 da Constituição Federal. A execução contra a Fazenda Pública não se faz da mesma forma que se processa perante os credores comuns, devendo seguir a disciplina cons- tante do art. 910 do Código de Processo Civil. A finalidade da impenhorabilidade é proteger o patrimônio público, e, consequentemente, o princípio da continuidade dos serviços públicos. Decorre a impenhorabilidade a não onerabilidade, ou seja, não é possível que o bem público seja dado em garantia de dívidas. A imprescritibilidade é uma característica dos bens públicos. Os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião, conforme disciplina dos artigos 183, § 3º, e 191 da CF e art. 102 do Código Civil. Assim, entendo que padece do vício de inconstitucionalidade o art. 60 da Lei n. 11.977/2009 que previu a conversão da legitimação de posse em propriedade em bens públicos. 3.1. alienação dos Bens PúBliCos Os bens públicos não são inalienáveis. Os bens públicos são alienáveis, porém, mediante requisitos especiais, em razão do interesse público que representam. Conforme previsão do art. 100 do Código Civil, os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são ina- lienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. Para a alienação de um bem público, primeiramente, faz-se necessária à sua desafetação. Os bens públicos, quando aplicados a uma finalidade pública, estão afetados. A desafetação é a cessação do uso do bem público em uma finalidade pública. Em razão da desafetação, o bem passa da categoria de bem público de uso comum ou de uso especial para a categoria de bem dominical. A afetação e desafetação é um fato administrativo, ou seja, ocorre sem a necessidade de um ato formal declarando o ocorrido e pode se dar mediante um ato formal, proveniente do Chefe do Poder Executivo ou mediante um fato administrativo, ou seja, o fim do uso do bem para a finalidade pública a que se destinava, como, por exemplo, o fechamento de um estabelecimento de ensino que foi transferido a outro imóvel. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 8 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Decorre do acima exposto que os bens de uso comum do povo e de uso especial são inalienáveis. Se houver desafetação, podem ser alienados, mediante autorização legal. To- dos os bens dominicais podem ser alienados mediante autorização legislativa, salvo a pre- visão do art. 225 § 5º da Constituição Federal. A atual disciplina legislativa da alienação dos bens públicos é prevista dos artigos 17 a 19 da Lei n. 8.666/1993. Alienação é toda a transferência da propriedade a terceiros. A Lei n. 8.666/1993 estabelece regras gerais sobre a alienação de bens públicos, na forma do art. 22 XXVII da Constituição Federal, competindo aos Estados e Municípios estabelecerem as regras específicas. A ADIN 927-3 declarou a inconstitucionalidade do art. 17 I “b” e “c” e 17 II “b” em relação a Estados e Municípios. Em regra, a alienação de um bem público exige autorização legislativa, demonstração de interesse públiconova destinação conferida ao imóvel atende ao interesse público, a caracterizar a chamada tredestinação lícita. d) Ana deverá ajuizar ação indenizatória em face do ente federativo, com base na desapropria- ção indireta, considerando que o Município não pode conferir finalidade diversa da constante no decreto expropriatório. Letra c. TREDESTINAÇÃO A tredestinação é a ocorrência do desvio de finalidade por parte do Poder Público, que deixa de satisfazer o interesse público subjacente à desapropriação realizada. A tredestinação se divide em duas espécies: • Tredestinação lícita: o poder público não satisfaz o interesse público previsto no decre- to expropriatório, mas sim outro interesse público; • Tredestinação ilícita: em vez que atender o interesse público, o expropriante utiliza o bem desapropriado para satisfazer interesses privados. Conforme já decidiu o STJ, apenas a tredestinação ilícita enseja o direito de retrocessão do expropriado, pois, na tredestinação lícita, o Poder Público concede destinação pública ao bem, ainda que diversa da inicialmente programada (Resp. 968.414/SP). qUestão 4 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XXV – PRIMEIRA FASE/2018) Em novembro de 2014, Josué decidiu gozar um período sabático e passou, a partir de então, quatro anos viajando pelo mundo. Ao retornar ao Brasil, foi surpreendido pelo fato de que um terreno de sua propriedade havia sido invadido, em setembro de 2015, pelo Município Beta, que nele construiu uma estação de tratamento de água e esgoto. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 60 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Em razão disso, Josué procurou você para, na qualidade de advogado(a), traçar a orientação jurídica adequada, em consonância com o ordenamento vigente. a) Deve ser ajuizada uma ação possessória, diante do esbulho cometido pelo Poder Público municipal. b) Não cabe qualquer providência em Juízo, considerando que a pretensão de Josué está prescrita. c) Impõe-se que Josué aguarde que o bem venha a ser destinado pelo Município a uma finali- dade alheia ao interesse público, para que, somente então, possa pleitear uma indenização em Juízo. d) É pertinente o ajuizamento de uma ação indenizatória, com base na desapropriação indireta, diante da incorporação do bem ao patrimônio público pela afetação. Letra d. DL n. 3.365/1941 de acordo com o art. 35 Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. Qualquer ação, julga- da procedente, resolver-se-á em perdas e danos. qUestão 5 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XXIII – PRIMEIRA FASE/2017) O Estado “X” pretende fazer uma reforma administrativa para cortar gastos. Com esse intuito, es- pera concentrar diversas secretarias estaduais em um mesmo prédio, mas não dispõe de um imóvel com a área necessária. Após várias reuniões com a equipe de governo, o governador decidiu desapropriar, por utilidade pública, um enorme terreno de propriedade da União para construir o edifício desejado. Sobre a questão apresentada, assinale a afirmativa correta. a) A União pode desapropriar imóveis dos Estados, atendidos os requisitos previstos em lei, mas os Estados não podem desapropriar imóveis da União. b) Para que haja a desapropriação pelo Estado “X”, é imprescindível que este ente federado demonstre, em ação judicial, estar presente o interesse público. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 61 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO c) A desapropriação é possível, mas deve ser precedida de autorização legislativa dada pela Assembleia Legislativa. d) A desapropriação é possível, mas deve ser precedida de autorização legislativa dada pelo Congresso Nacional. Letra a. DECRETO-LEI N. 3.365, DE 21 DE JUNHO DE 1941. Dispõe sobre desapropriações por utilidade pública. Art. 2º, § 2º Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa. Ou seja, ente maior (ou mais abrangente) desapropria menor, mediante autorização legislati- va, o contrário não acontece, mesmo ante autorização. Lembrando que a autorização também é necessária para doação, dação e permuta de bens públicos, e também para venda bem pú- blico imóvel. qUestão 6 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XXII – PRIMEIRA FASE/2017) O Município Beta foi assolado por chuvas que provocaram o desabamento de várias encostas, que abalaram a estrutura de diversos imóveis, os quais ameaçam ruir, especialmente se não houver imediata limpeza dos terrenos comprometidos. Diante do iminente perigo público a residências e à vida de pessoas, o Poder Público deve, prontamente, utilizar maquinário, que não consta de seu patrimônio, para realizar as medidas de contenção pertinentes. Assinale a opção que indica a adequada modalidade de intervenção na propriedade privada para a utiliza- ção do maquinário necessário. a) Requisição administrativa. b) Tombamento. c) Desapropriação. d) Servidão administrativa. Letra a. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 62 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Requisição Administrativa trata-se do uso temporário de bens particulares moveis ou imóveis, ou até mesmo determinado serviço particular por parte da administração pública em decorrên- cia de iminente perigo público, é dizer uma necessidade de urgência, assegurado ao proprietá- rio indenização ulterior se houver dano. Decorre do art. 5º, XXV, da CF. Sobre as demais alternativas: b) Errada. Tombamento (Decreto-lei n. 25/1937). O termo vem de tombar, que significa regis- trar. Recai sobre bens móveis ou imóveis; públicos ou privados. O fundamento é o benefício do interesse coletivo. Há Indenização? Em regra, não! Mas se o Estado instituir uma obrigação de fazer, haverá indenização. c) Errada. Desapropriação. Procedimento, pelo qual o Estado, compulsoriamente, retira de al- guém um bem, por necessidade ou utilidade pública ou interesse social. REGRA – mediante prévia e justa indenização, paga em dinheiro. Pagamento feito com títulos da dívida pública: art. 182, parágrafo 4º, III, CF/1988 ou da dívida agrária (art. 184). d) Errada. Servidão administrativa. O Estado vai utilizar o bem para prestar um serviço públi- co. É um direito real (a servidão é perpétua, enquanto durar a vontade do Estado) sobre coisa alheia. Ex.: usar terreno para a passagem de tubulação de gás. qUestão 7 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XX – PRIMEIRA FASE/2016) O Estado Beta pretende estabelecer ligação viária entre dois municípios contíguos em seu ter- ritório. Para tanto, mostra-se necessária a desapropriação, por utilidade pública, de bem de propriedade de um dos municípios beneficiários da obra. Quanto à competência do Estado Beta para desapropriar bem público, assinale a afirmativa correta.a) O Estado Beta não tem competência para desapropriar, por utilidade pública, bem municipal. b) O Estado Beta não tem competência para desapropriar bens públicos. c) O Estado Beta poderá desapropriar sem qualquer providência preliminar. d) O Estado Beta poderá desapropriar mediante a respectiva autorização legislativa. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 63 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO O art. 2º, § 2º, do Decreto-Lei n. 3.365/41 prevê expressamente a possibilidade de as entidades federativas geograficamente maiores desapropriarem bens pertencentes às menores: Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropria- dos pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa. qUestão 8 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XVII – PRIMEIRA FASE/2015) O Município W, durante a construção de avenida importante, ligando a região residencial ao centro comercial da cidade, verifica a necessidade de ampliação da área a ser construída, me- diante a incorporação de terrenos contíguos à área já desapropriada, a fim de permitir o pros- seguimento das obras. Assim, expede novo decreto de desapropriação, declarando a utilidade pública dos imóveis indicados, adjacentes ao plano da pista. Diante deste caso, assinale a opção correta. a) É válida a desapropriação, pelo Município W, de imóveis a serem demolidos para a constru- ção da obra pública, mas não a dos terrenos contíguos à obra. b) Não é válida a desapropriação, durante a realização da obra, pelo Município W, de novos imóveis, qualquer que seja a finalidade. c) É válida, no curso da obra, a desapropriação, pelo Município W, de novos imóveis em área contígua necessária ao desenvolvimento da obra. d) Em relação às áreas contíguas à obra, a única forma de intervenção estatal da qual pode se valer o Município W é a ocupação temporária. Letra c. DECRETO-LEI N. 3.365, DE 21 DE JUNHO DE 1941. Art. 2º Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios. Art. 4º A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em qualquer caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionan- do-se quais as indispensáveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 64 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO qUestão 9 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XIII – PRIMEIRA FASE/2014) Acerca da desapropriação, assinale a afirmativa correta. a) Na desapropriação por interesse social, o expropriante tem o prazo de cinco anos, contados da edição do decreto, para iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado. b) Na desapropriação por interesse social, em regra, não se exige o requisito da indenização prévia, justa e em dinheiro. c) O município pode desapropriar um imóvel por interesse social, mediante indenização prévia, justa e em dinheiro. d) A desapropriação para fins de reforma agrária da propriedade que não esteja cumprindo a sua função social não será indenizada. Letra c. Sobre as demais questões: a) Errada. No interesse social o prazo de caducidade do decreto é de 2 anos (art. 3º da Lei n. 4.132/1962). b); d) Erradas. Art. 5º, XXIV, CF/1988 – A Lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante JUSTA E PRÉVIA indenização em DINHEIRO, ressalvados os casos previstos nesta constituição O art. 182, parágrafo 4º, III. qUestão 10 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – XII – PRIMEIRA FASE/2013) O Município de Barra Alta realizou a desapropriação de grande parcela do imóvel de Ma- noel Silva e deixou uma parcela inaproveitável para o proprietário. No caso descrito, o proprietário obterá êxito se pleitear a) a reintegração de posse de todo o imóvel em função da má-fé do Município. b) o direito de extensão da desapropriação em relação à área inaproveitável. c) a anulação da desapropriação em relação à parcela do imóvel suficiente para tornar a área restante economicamente aproveitável. d) a anulação integral da desapropriação, pois a mesma foi ilegal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 65 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Letra b. O direito de extensão na desapropriação deve ser utilizado quando a área, não desapropriada pelo Estado, for de total inutilidade, ou seja, sem qualquer serventia ao particular e desprovida de valor econômica numa eventual alienação somente daquela porção territorial. qUestão 11 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – X – PRIMEIRA FASE/2013) A fim de permitir o escoamento da produção até uma refinaria, uma empresa pública federal, que ex- plora a prospecção de petróleo em um campo terrestre, inicia a construção de um oleoduto. O único caminho possível para essa construção atravessa a propriedade rural de Josenildo que, em razão do oleoduto, teve que diminuir o espaço de plantio de mamão e, com isso, viu sua renda mensal cair pela metade. Assinale a afirmativa que indica a instrução correta que um advogado deve passar a Josenildo. a) Não há óbice à constituição da servidão administrativa no caso, mas cabe indenização pe- los danos decorrentes dessa forma de intervenção na propriedade. b) A servidão administrativa é ilegal e Josenildo pode desconstituí-la, pois o instituto só tem aplicação em relação aos bens públicos. c) A servidão administrativa é ilegal, pois o nosso ordenamento veda a intervenção do Estado sobre propriedades produtivas. d) Não há óbice à constituição da servidão administrativa e não há de se falar em qualquer indenização. Letra a. Servidão Administrativa: direito REAL, imposto pela Administração Pública (ou delegados) algumas restrições ao uso e gozo de determinada propriedade imóvel (particular), para as- segurar um fim público específico (no exemplo citado, a construção do oleoduto), mediante INDENIZAÇÃO dos prejuízos efetivamente causados ao proprietário. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 66 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO qUestão 12 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – VIII – PRIMEIRA FASE/2012) A União, após regular licitação, realiza concessão de determinado serviço público a uma sociedade privada. Entretanto, para a efetiva prestação do serviço, é necessário realizar algumas desapropriações. A respeito desse caso concreto, assinale a afirmativacorreta. a) A sociedade concessionária poderá promover desapropriações mediante autorização ex- pressa, constante de lei ou contrato. b) As desapropriações necessárias somente poderão ser realizadas pela União, já que a con- cessionária é pessoa jurídica de direito privado. c) O ingresso de autoridades administrativas nos bens desapropriados, declarada a utilidade pública, somente será lícito após a obtenção de autorização judicial. d) Os bens pertencentes ao(s) Município(s) inserido(s) na área de prestação do serviço não poderão ser desapropriados, mesmo que haja autorização legislativa. Letra a. ART. 3º DO DECRETO-LEI N. 3365/1941: Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de caráter público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover desapropriações mediante autorização ex- pressa, constante de lei ou contrato. qUestão 13 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – IX – PRIMEIRA FASE/2012) A desapropriação é um procedimento administrativo que possui duas fases: a primeira, denominada declaratória e a segunda, denominada executória. Quanto à fase declaratória, assinale a afirmativa correta. a) Acarreta a aquisição da propriedade pela Administração, gerando o dever de justa indeniza- ção ao expropriado. b) Importa no início do prazo para a ocorrência da caducidade do ato declaratório e gera, para a Administração, o direito de penetrar no bem objeto da desapropriação. c) Implica a geração de efeitos, com o titular mantendo o direito de propriedade plena, não tendo a Administração direitos ou deveres. d) Gera o direito à imissão provisória na posse e o impedimento à desistência da desapropriação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 67 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Letra b. a) Errada. Após a fase declaratória, em que é afirmada a intenção de desapropriar o bem, por utilidade pública ou interesse social, o Poder Público passa a agir efetivamente para ultimar a desapropriação, para completar a transferência do bem para o expropriante e assegurar ao expropriado a devida indenização. Essa é a fase executória da desapropriação. b) Certa. A fase declaratória é iniciada com a expedição do decreto expropriatório ou a pu- blicação da lei expropriatória. Como regra, a desapropriação instaura-se com a expedição do decreto expropriatório pelo Presidente da República, Governador, Interventor ou Prefeito (art. 6º do Decreto-Lei n. 3.365/1941). Entretanto, excepcionalmente, o Poder Legislativo poderá to- mar a iniciativa da desapropriação por meio da promulgação de lei específica, cumprindo, nes- te caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação. O decreto expropriatório é ato privativo dos Chefes do Executivo tendo natureza discricionária. A expedição do decreto produz os seguintes efeitos: (...) e) inicia o prazo de caducidade, que será de cinco anos, con- tados da expedição do decreto, para as desapropriações por necessidade ou utilidade pública, e de dois anos, também contados da expedição do decreto, nas hipóteses de interesse social; f) preenchido o requisito legal de comprovada urgência, autoriza a imissão provisória na posse (art. 15 do Decreto-Lei n. 3.365/1941).43 c) Errada. Implica a geração de efeitos, mas o titular não mantém pleno direito de propriedade e, gera sim, direitos (ex.: permissão para que as autoridades competentes possam penetrar no prédio objeto da declaração, sendo possível o recurso à força policial no caso de desistência do proprietário) ou deveres (ex.: no caso de utilidade pública, o decreto expropriatório tem que ser levado a efeito no prazo de cinco anos, contado da data da expedição do decreto, sob pena de ocorrer a caducidade) para a Administração. d) Errada. Em regra, a posse do expropriante sobre o bem expropriado somente ocorre quando tiver sido ultimado o processo de desapropriação, com a transferência jurídica do bem, após o pagamento da devida indenização. Porém, desde que haja declaração de urgência e depósito prévio, é possível a imissão provisória na posse, isto é, que o expropriante passe a ter a posse 43 Sobre o tema, veja-se: Manual de Direito Administrativo – Alexandre Mazza – 2ª ed. Editora Saraiva, pág.574/575. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 68 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO provisória do bem antes da finalização da ação de desapropriação (art. 15 do Decreto-Lei n. 3.365/41). (...) Caso não subsistam os motivos que provocaram a iniciativa do processo expro- priatório, pode o Poder Público desistir da desapropriação, inclusive no curso da ação judicial. O expropriado não pode opor-se à desistência, mas terá direito à indenização por todos os prejuízos causados pelo expropriante.44 qUestão 14 (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO – VII – PRIMEIRA FASE/2012) A empresa pública federal X, que atua no setor de pesquisas petroquímicas, necessita ampliar sua estrutura, para a construção de dois galpões industriais. Para tanto, decide incorporar ter- renos contíguos a sua atual unidade de processamento, mediante regular processo de desa- propriação. A própria empresa pública declara aqueles terrenos como de utilidade pública e inicia as trata- tivas com os proprietários dos terrenos – que, entretanto, não aceitam o preço oferecido por aquela entidade. Nesse caso, a) se o expropriante alegar urgência e depositar a quantia arbitrada de conformidade com a lei, terá direito a imitir-se provisoriamente na posse dos terrenos. b) a desapropriação não poderá consumar-se, tendo em vista que não houve concordância dos titulares dos terrenos. c) a desapropriação demandará a propositura de uma ação judicial e, por não haver concordân- cia dos proprietários, a contestação poderá versar sobre qualquer matéria. d) os proprietários poderão opor-se à desapropriação, ao fundamento de que a empresa públi- ca não é competente para declarar um bem como de utilidade pública. Letra d. 44 Sobre o tema, veja-se: Direito Administrativo Descomplicado – Marcelo Alexandrino & Vicente Paulo – 17ª ed. Editora Método O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 69 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO a) Errada. De acordo com a previsão estabelecida no Dec. n. 3.365/1941, em seu artigo 15, que regula a matéria, a decisão acerca do pedido de imissão provisória na posse pertence ao Judiciário e não à Administração. b) Errada. Se o decreto expropriatório apresentar razões de interesse público, a desapropriação poderá se consumar, desde que preenchidos os requisitos previstos na lei, independente da concordância do expropriado e ainda que ele não tenha feito rigorosamente nada de errado. c) Errada. De acordo com a previsão estabelecida nos artigos 9º e 20, do Dec. n. 3.365/1941, a contestação, em uma ação desapropriação, só poderá versar sobre a impugnação do valor apresentado a título de indenização ou vícios de natureza processual. d) Certa. A legitimidade para a propositura de ações de desapropriaçãopertence tão somente às pessoas jurídicas de direito público, na forma do artigo 2º do Decreto n. 365/1941, não sen- do o caso da empresa pública, conforme consta no enunciado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 70 de 72www.grancursosonline.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 71 de 72www.grancursosonline.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.motivado, avaliação prévia e licitação. Esta é dispensada apenas nos casos previstos no art. 17, I e alíneas, quais sejam, dação em pagamento, doação, permuta, investidura (arts. 17, § 3º, e 23, II, “a”, da Lei n. 8.666/1993) e venda a outro órgão da admi- nistração. A doação de bem público não se reveste da liberalidade que o contrato tem quando se dá perante particulares.1 Na doação de bem público, a liberalidade é funcionalizada em razão do interesse público decorrente da alienação. Somente se torna justificável a doação de um bem público quando não existir outra forma de satisfazer o interesse público. A doação deve ser subsidiária, devendo a Administração dar preferência por outras formas de cessão de uso que não impliquem em transferência de titularidade. Apenas justifica a doação de um bem público a existência de manifesto interesse público resultante da transferência gratuita da propriedade que ultrapasse, inclusive, a vantagem patrimonial que seria obtida mediante a alienação onero- sa do referido bem e aplicação do valor obtido em outras finalidades públicas. A Administração não pode fazer doações puras. Somente é permitida a doação modal, com cláusula de reversão em caso de descumprimento da finalidade pública dada ao bem doado. 1 Um estudo mais aprofundado sobre doação de bem público pode ser feito no artigo de minha autoria intitu- lado “doação de bens imóveis pela Administração Pública, constante da Revista dos Tribunais, volume 945, 2014, p. 17-35. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 9 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO O descumprimento do encargo de interesse público que justificou a doação não ocasiona a reversão automática da propriedade doada à Administração Pública doadora. Esta deve, no prazo máximo de 10 anos da ciência inequívoca do descumprimento do encargo, promover a reversão do bem, por meio de escritura pública de reversão ou ação judicial. É possível a doa- ção de um bem público a um particular ou pessoa jurídica de direito privado. Contudo, referida doação deve respeitar os princípios que regem a Administração Pública, em especial, os da impessoalidade e moralidade. A natureza da doação pode afastar a necessidade de licitação para escolha do donatário do bem público. Entretanto, sempre que houver possibilidade de competição, ou houver mais um interessado em receber o bem doado em razão da vantagem que pode advir da doação, bem como se esta ocasionar escassez de mercado que interfere na atividade de outros par- ticulares, necessária a licitação. Se, no caso concreto, existir alguma circunstância ou fato que resulte em prejuízo à Administração decorrente da abertura de procedimento licitatório ou qualquer outro interesse público relevante justificado, pode ser feita a doação direta, sempre devendo a Administração agir de forma impessoal. 3.2. Uso dos Bens PúBliCos Em regra, os bens devem ser usados pela pessoa jurídica de direito público ao qual perten- ce o bem. Particulares podem utilizar bens públicos; entretanto, deve haver interesse público demonstrado que justifique esse uso. O uso normal do bem público não altera a vocação nor- mal do bem (ex.: cadeiras e mesas de restaurante em calçada). O uso anormal do bem público altera a vocação natural do bem (fechamento de uma rua para realização de uma feira livre). O uso privativo de bem público consiste na outorga para uma pessoa utilizar um bem públi- co de forma exclusiva, por prazo temporário. Em regra, o uso privativo do bem público deve ser remunerado. Não se pode aceitar um uso privativo de bem público por entidade particular, sem que ocorra a necessária contrapartida pelo proveito econômico obtido. É a aplicação do princípio da igualdade nos ônus e benefícios O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 10 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO decorrentes da ação do Estado. Se este beneficia alguém com um bem de sua propriedade, deve haver um pagamento que irá reverter em prol de todos.2 Também cumpre ressaltar que nos casos de outorga de uso de imóvel público, a licitação é necessária quando há possibilidade de competição, como forma de evitar favoritismos por parte da Administração, conforme lição de Carvalho Filho,3 quanto à exigência de licitação, deve-se entender-se necessária sempre que for possível e houver mais de um interessado na utilização do bem, evitando-se favorecimentos ou preterições ilegítimas. A Lei n. 8.666/1993, em seu art. 2º, estabelece que as obras, serviços, inclusive de publi- cidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação, ressalva- das as hipóteses previstas nesta Lei. A contratação direta somente é possível nas hipóteses de dispensa e inexigibilidade de licitação.4 Sempre que o uso do bem trouxer vantagens eco- nômicas para a Administração ou para o particular, não se trata de ato administrativo e sim de ato negocial que deve ser realizado por meio de um procedimento prévio de seleção objetivo do interessado, sob pena de ofensa ao princípio da impessoalidade: Nos casos em que a Administração pode obter receita (ou, mesmo, vantagens indiretas – como a economia de recursos para a conservação do bem ou a respectiva implementação de benefícios), conjugada com a viabilidade de competição entre os interessados, instala-se o dever de promover a licitação para o uso do bem público...não mais se estará diante da clássica autorização unilateral via ato administrativo, mas, sim, de contrato administrativo a ser celebrado entre a Administração e o concessionário/permissionário (ou, quando muito, de ato administrativo negocial) 5. 4. Utilização de Bens PúBliCos Pelos PartiCUlares 2 “Há a hipótese em que a remuneração se destina a promover a redistribuição da riqueza. Assim se passa especial- mente nos casos em que a fruição do bem público pelo particular se traduzirá numa atividade apta a gerar rique- zas. Em vez de propiciar a um sujeito determinado a acumulação a riqueza envolvida, estabelece-se a cobrança de uma remuneração que se orienta a promover a redistribuição dos benefícios a toda a comunidade”. (JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte: Fórum, 2012, 8ª edição, 2012, p. 1067/1068) 3 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009, 22ª edição, p. 1108 4 (...) a dispensa pressupõe uma licitação “exigível”. É inexigível a licitação quando a disputa for inviável. Havendo viabilidade de disputa é obrigatória a licitação, excetuados os casos de “dispensa” imposta por lei. (JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. São Paulo: Dialética, 15ª edição, 2012, p. 333). 5 MOREIRA, Egon Bockmann; GUIMARÃES, Fernando Vernalha. Licitação Pública: A Lei Geral de Licitação – LGL e o Regime Diferenciado de Contratação – RDC. São Paulo: Malheiros, 2012, p. 67. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 11 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de AlmeidaCoutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO 4.1. aUtorização de Uso A autorização de uso6 é ato pelo qual a Administração permite, de modo precário, que par- ticular utilize bem público, para seu próprio interesse. O caráter precário do uso informa que a Administração pode, a qualquer momento, reaver o imóvel do particular, não cabendo a este qualquer direito a continuar usando o bem público ou indenização pela restituição. O ato é discricionário porque a autorizada administrativa pode decidir sobre a conveniência e oportunidade de autorizar o uso do bem público, bem como acerca do momento que deve cessar o uso. É um ato unilateral, ou seja, não tem natureza contratual. Não depende de lei, devendo ser decidido pelo Administrador Público. Por fim, não depende, em regra, de licitação porque se destina a um uso temporário e de curto prazo, não cabendo, em regra, competitivida- de; entretanto, se no caso concreto, houver mais de um interessado em receber o bem público em autorização de uso, deve haver licitação. O instituto acima não se confunde com a autorização de uso urbanística, prevista na Me- dida Provisória m. 2.220/2001 – art. 9º. Segundo este dispositivo legal, aquele que possuía imóvel público em 30/06/2001, de até 250m², para uso comercial, poderá ser dada autorização de uso; não é passível de revogação. Assim, referida autorização de uso tem natureza estável e perene. 4.2. Permissão de Uso Permissão de uso7 é o ato pelo qual a Administração consente que certa pessoa utilize privativamente bem público, atendendo a interesse público e privado. Difere da autorização de uso em razão da existência de uma finalidade pública. Trata-se, também, tal como a autoriza- ção de uso, de medida unilateral e precária. É um ato intuito personae, ou seja, é realizado em 6 “Autorização de uso é o ato administrativo unilateral e discricionário, pelo qual a Administração consente, a título precário, que o particular se utilize de bem público com exclusividade. A utilização não é conferida com vistas à finalidade pública, mas no interesse privado do utente. Aliás, essa é uma das características que distin- gue a autorização da permissão e da concessão” (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 22ª edição, 2009, p. 690/691). 7 “Permissão de uso é o ato administrativo unilateral, discricionário e precário, gratuito ou oneroso, pelo qual a Administração Pública faculta a utilização privativa de bem público, para fins de interesse público” (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 22ª edição, 2009, p. 691). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 12 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO razão das qualidades do permitente, razão pela qual não é possível a transferência da permis- são de uso. Em regra, não há prazo; se houver prazo, haverá natureza contratual e será uma concessão de uso. A licitação pode ser necessária, se houver mais de um eventual interessado no uso do bem público. Um critério que deve servir de distinção entre a autorização e a permissão de uso de bem público deve ser o grau de transitoriedade entre ambas e o fato de que, quanto menos transitó- ria for a utilização de um bem público, maior deve ser a compatibilidade entre a fruição privati- va e o interesse público. Nesse sentido é a lição da doutrina:8 Não se afigura cabível estabelecer distinção entre autorização de uso e permissão de uso fundada no interesse particular. É problemático afirmar que a autorização não é aplicável nos casos em que o bem público se destina a satisfazer o interesse do autorizado e que a permissão é instrumento de produção do interesse coletivo. Em todos os casos, o particular busca realizar um interesse predo- minantemente não estatal, ainda que a atuação por ele pretendida deva ser compatível com o bem comum...o ponto nodal da diferença reside na natureza transitória ou não da utilização pretendida pelo particular. Quanto menos transitória for a utilização pretendida, tanto maior deverá ser o grau de compatibilidade entre a fruição privativa e as necessidades coletivas. Anoto que a permissão de uso deve ter a natureza precária, ou seja, não deve ter prazo. Se for inserido prazo na permissão, esta não mais se caracterizará como precária. A inserção de prazo na permissão gera ao particular o direito de indenização no caso de revogação. A per- missão de uso com prazo, denominada permissão qualificada, tem natureza contratual e, em regra, necessita de autorização legislativa prévia, conforme lição da doutrina:9 A permissão de uso, quando dada precariamente (como é de sua natureza), ou seja, sem prazo estabelecido, não cria obrigações para a Administração Pública, que concede a permissão e a reti- ra discricionariamente, independentemente do consentimento do permissionário, segundo razões exclusivamente de interesse público. Nesses casos, a permissão não tem natureza contratual e, portanto, não está sujeita a licitação (a não ser em hipóteses em que outras leis específicas a exijam expressamente). No entanto, existem verdadeiras concessões de uso que são disfarçadas sob a denominação de permissão de uso, tendo a natureza contratual; isto ocorre especialmente quando ela é concedida com prazo estabelecido, gerando par o particular direito a indenização em caso de revogação da permissão antes do prazo estabelecido. 8 JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte: Fórum, 2012, 8ª edição, 2012, p. 1071/1072. 9 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Temas polêmicos sobre licitações e contratos. São Paulo: Malheiros, 3ª edição, 1998, p. 40/41 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 13 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO 4.3. ConCessão de Uso Concessão de uso é contrato mediante o qual se consente o uso privativo de bem público, por prazo certo e determinado. Trata-se de ato de natureza contratual, adequado em casos onde seja exigido um gasto do concessionário que vai amortizar seu investimento com o uso por tempo mais longo. Como se trata de um contrato administrativo, aplicam-se as denomina- das cláusulas exorbitantes. Difere da locação e comodato que são contratos de direito privado. Em regra, pressupõe prévia licitação. Concessão de direito real de uso é um direito real resolúvel, previsto no art. 7 do Decre- to-lei n. 271/1967 (com a redação dada pela Lei n. 11.481/2007). O uso determinado para a regularização fundiária de interesse social, aproveitamento sustentável de margens de rios, preservação de comunidades tradicionais e outros motivos de justificado interesse público. Há a possibilidade de sucessão, inter vivos ou mortis causa. Necessária a licitação. 4.4. ConCessão de Uso esPeCial Para fins de moradia – mP n. 2.220/2001 A concessão de uso especial para fins de moradia foi prevista pela MP 2.220/2001. O fun- damento desta é o direito à moradia, previsto no art. 6º da CF. Os requisitos são: • posse por cinco anos até 30/06/2001; • imóvel de até 250 m²; • uso para fins de moradia; • o possuidor não ser proprietário de imóvel urbano ou rural. Trata-se de um direito real (art. 1.225, XI, do Código Civil). Deve ser formalizado mediante termo administrativo ou sentença judiciária. É um ato administrativovinculado, visto que se trata de um direito subjetivo do ocupante que preencha os requisitos previstos na MP. Pode a Administração transferir o ocupante para outro imóvel. Em relação aos bens dos Estados e dos Municípios, entendo que a MP 2.220 incidiu em ofensa ao princípio da autonomia dos entes federativos,10 apesar do entendimento do Tribunal 10 “Só que a imposição de tal medida a todos os entes da Federação, sem levar em conta a viabilidade operacional diante do elevado ônus sobre o patrimônio público, fere frontalmente a autonomia estadual e municipal. O ente mais atingido é, evidentemente, o Município, que para oferecer outro local para os ocupantes das áreas men- O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 14 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO de Justiça do Estado de São Paulo ser pela constitucionalidade da MP n. 2.220/2001 em rela- ção aos Estados e Municípios.11 5. terras devolUtas São devolutas as terras que “nunca tiveram dono ou o tiveram e já não o tem”:12 Todas as terras brasileiras, à época do descobrimento, foram adquiridas pela Coroa Por- tuguesa, em razão do denominado Direito de Conquista. Mesmo antes de 1500, boa parte das terras que hoje compõem o nosso território, eram consideradas de propriedade de Portugal devido ao Tratado de Tordesilhas. Terras foram concedidas aos particulares pelo regime de sesmarias. Caso o beneficiário não as ocupasse, cultivasse e demarcasse, caía em comisso, sendo devolvidos os bens à Co- roa. As terras brasileiras somente podiam ser adquiridas originariamente por meio de sesma- rias e qualquer outra forma de aquisição era contrária ao Direito. Ruy Cirne Lima13 ensina que “dispondo as leis do reino que as terras do Brasil deviam ser adquiridas unicamente por con- cessões de sesmarias, bem é de ver que todo modo diverso de aquisição lhes seria contrário”. cionadas nos arts. 4º e 5º terá que dispor de elevados recursos públicos, provavelmente não disponíveis hoje, diante da grave crise financeira que o país atravessa, em todos os níveis de governo. A situação é tanto mais grave quando se verifica que a concessão de uso foi prevista como direito dos ocupantes de áreas públicas, o que lhes permitirá o acesso ao Poder Judiciário em caso de inviabilidade de atendimento de seus pedidos na via administrativa”. (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Concessão de uso especial para fins de moradia, in Adil- son Dallari e Sérgio Ferraz (orgs.) Estatuto da Cidade. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 158/161) 11 Arguição de inconstitucionalidade – medida provisória n. 2.220/2001 – Concessão de Uso Especial para Fins de Moradia (CUEM) – Alegada vulneração do art. 24, I, da Constituição Federal – Inocorrência – Contornos de verdadeira política pública de abrangência nacional – dever do Estado-Juiz de interpretá-lo conforme a Cons- tituição, a prestigiar a correta narrativa da norma fundante, decorrente, in casu, de histórica reivindicação dos movimentos pela reforma urbana – situação fundiária do País e, em especial, do Estado de São Paulo que desautoriza desregulamentação da matéria – perigo de repetição do que se observa no caso do direito de greve, na medida em que inexistiria, de forma inequívoca, interesse em disciplinar assunto que toca aspectos patrimoniais de enorme relevo de Estados e Municípios – Risco, ademais, de ver vulnerado direito social funda- mental na medida em que a CUEM representa uma das poucas hipóteses legais de regularização fundiária de interesse social em imóveis públicos urbanos – precedentes doutrinários – arguição de inconstitucionalidade rejeitada. (TJ/SP – 0041454-43.2012.8.26.0000, Arguição de Inconstitucionalidade / Locação / Permissão / Concessão / Autorização / Cessão de Uso, Relator(a): Renato Nalini Comarca: São Paulo Órgão julgador: Órgão Especial Data do julgamento: 30/01/2013 Data de registro: 22/03/2013). 12 PONTES DE MIRANDA. Comentários à Constituição de 1967 com e Emenda n. 1 de 1969 – tomo I. São Paulo: RT, 1969, p. 529. 13 LIMA, Ruy Cirne. Terras Devolutas – História, Doutrina, Legislação. Porto Alegre: Globo, 1935, p. 51. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 15 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO A maioria dos beneficiários das sesmarias, em razão da grande dificuldade14 em cumprir os requisitos destas, caiu em comisso15. Conforme notícia a doutrina16, “ao longo dos oito- centos era fato que as sesmarias estavam majoritariamente em comisso, pois os sesmeiros não haviam cumprido a determinação legal de medir e demarcar sua terra”. Sobre o assunto, o Ministro Aliomar Baleeiro, em voto no RE 51.290⁄GO (relator Min. Evandro Lins e Silva, j. 24.9.1968, p. 24.09.1968), nos ensina: As terras do Brasil foram objeto de conquista e posse, por Pedro Álvares Cabral para o Rei de Portugal. Ela passou a ser uma fazenda do Rei, ficando no domínio real até a Inde- pendência, quando foi transferida para o Patrimônio Nacional, lá permanecendo até o tempo do Império, até que o art. 64 da Constituição de 1891 a distribuiu aos Estados em cujos limites se encontrava. Então, os Estados, como sucessores da nação brasileira, e a nação brasileira, como sucessora do patrimônio pessoal do Rei de Portugal, não necessi- tam trazer nenhum título. O título é a posse histórica, o fato daquela conquista da terra. A terra, no Brasil, originariamente era pública. O Rei desmembrou pedaços, áreas enormes, as chamadas sesmarias, e doou-as. Houve esse processo até quase a Independência. Depois da Independência, estabeleceu-se que não poderiam ser mais objeto de doações ou concessões. Deveriam ser vendidas. Ora, o Rei de Portugal não dava terras. Ele fazia uma espécie de concessão aos sesmeiros, para sua efetiva utilização econômica. O que queria era fundar um império. Queria que o sujeito trouxesse dinheiro, homens, ferramen- tas, animais, lavrasse a terra, valorizasse-a, com o que o rei receberia seus impostos, tanto que reservava certos direitos regaleanos. Basta o fato de não terem cumprido suas 14 “As sesmarias eram concedidas debaixo das condições de medição, confirmação e verificação de cultivo, sendo esta última uma condição essencialíssima, segundo o alvará de 5 de janeiro de 1785. Só isso já está indicando a inobservância do regime sesmeiro, dada a carência de topógrafos e a inexistência de vias regulares de penetração no interior sertanejo” (JUNQUEIRA, Messias. O Instituto das Terras Devolutas. São Paulo: Lael, 1976, p. 35). 15 “Ora, observam todos os escritores e estudiosos do assunto, que na concessão das Sesmarias, no Brasil, as exigências eram realmente excessivas e de tal modo onerosas, que não raro, os titulares preferiam abandonar por completo a concessão. Com esse abandono, as terras eram invadidas por posseiros sem título algum. Os sesmeiros, mesmo, preferiam deixar a Sesmaria a eles titulada, para ir lavrar terras alheias, a salvo das obriga- ções com o Governo”. (LACERDA, Linhares de. Tratado das Terras do Brasil. Rio de Janeiro: Alba, 1960, p. 118). 16 MOTTA, Márcia Maria Menendes. Sesmarias e o mito da primeira ocupação. In: Justiça & História, vol. 4, n. 7. 2004, p. 63 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição,sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 16 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO obrigações – como, geralmente, não cumpriam – para com a Coroa portuguesa, para que caíssem em comisso, por diferentes maneiras. Em 1822 as sesmarias foram estas extintas. Conforme lição de Ruy Cirne Lima, “desta sorte, portanto, a Resolução de 17 de julho de 1822, pondo termo ao regime das sesmarias no Brasil, sancionava apenas um fato consumado: a instituição das sesmarias já havia rolado fora de órbita de nossa evolução social17”. Assim, o instituto das sesmarias fracassou18 no Brasil, gerando os latifúndios improduti- vos, a concentração de terras e o atraso no desenvolvimento do Brasil. Entretanto, o fim dos regimes das sesmarias significou o caos fundiário no Brasil. Não hou- ve uma disciplina que substituísse o instituto e a ocupação de terras ficou sem uma disciplina legal durante o período de 1822 a 1850. Esse é o relato de Paulo Garcia que nos noticiou que “assim, de 1822 a 1850, vivemos um regime quase caótico, imperando, então, o princípio que reconhecia valor à posse, ou ocupação19”. Após o fim das sesmarias, houve a multiplicação de posseiros, sem qualquer título sobre as terras que ocupavam. Tal fato exigiu a disciplina do modo como se adquiria o domínio, bem como critérios de distinção entre terras públicas e privadas, o que se deu com a Lei de Terras (Lei n. 601⁄1850). Esta tinha o objetivo de retomar os imóveis improdutivos e disponibilizá-los para quem quisesse ocupá-los, iniciando-se, assim, a colonização do Brasil, com o fim da es- cravidão. Conforme nos noticia Messias Junqueira, “a finalidade da elaboração da lei 601 foi obter terras em que se fizesse a colonização por pessoas livres, de vez que, a esse tempo já havia cessado o tráfico legal de escravos... 20” Segundo a Lei de Terras: 17 LIMA, Ruy Cirne. Terras Devolutas – História, Doutrina, Legislação. Porto Alegre: Globo, 1935, p. 44 18 “Nestas primeiras décadas do séc. XIX, eram as sesmarias identificadas com o atraso na agricultura e no desenvolvimento econômico em geral. Os discursos de José Bonifácio de Andrade e Silva expressam com niti- dez essa concepção, quando afirma que a legislação das sesmarias não atendia aos interesses de expansão da agricultura, a qual exigia novos instrumentos legais”. (VARELA, Laura Beck. Das Sesmarias à Propriedade Moderna: Um Estudo de História do Direito Brasileiro. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 112.) 19 GARCIA, Paulo. Terras Devolutas. Belo Horizonte: Oscar Nicolai, 1958, p. 23. 20 JUNQUEIRA, Messias. O Instituto das Terras Devolutas. São Paulo: Lael, 1976, p. 78 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 17 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 3º São terras devolutas: § 1º As que não se acharem aplicadas a algum uso público nacional, provincial, ou municipal. § 2º As que não se acharem no domínio particular por qualquer título legítimo, nem forem havidas por sesmarias e outras concessões do Governo Geral ou Provincial, não incursas em comisso por falta do cumprimento das condições de medição, confirmação e cultura. § 3º As que não se acharem dadas por sesmarias, ou outras concessões do Governo, que, apesar de incursas em comisso, forem revalidadas por esta Lei. § 4º As que não se acharem ocupadas por posses, que, apesar de não se fundarem em título legal, forem legitimadas por esta Lei. A definição do que sejam terras devolutas decorre da exclusão das destinadas a um fim es- pecífico pelo Poder Público, bem como aquelas sob legítimo domínio particular. Segundo lição de Pontes de Miranda21, “devoluta é a terra que, devolvida ao Estado, esse não exerce sobre ela o direito de propriedade, ou pela destinação ao uso comum, ou especial, ou pelo conferimento de poder de uso ou posse a alguém...os bens do Estado, se não recebem destino, nem exerce o Estado os direitos que tem, ficam devolutos”. As terras dadas em sesmarias e caídas em comisso eram de domínio do Império, ressal- vada a possibilidade de revalidação, desde que cumpridos os requisitos da Lei (basicamente, efetiva ocupação, moradia e cultura). Também, houve a legitimação das posses dos imóveis onde havia ocupação, moradia e cultivo. Terras Devolutas e o STF Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, tem-se que:e RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ALÇADA. REGIMENTO INTERNO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ART. 308, VIII. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 5. USUCAPIÃO. TERRAS DEVOLU- TAS. INSUBSISTENTE A INVOCAÇÃO DE OFENSA AO ART. 5 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PARA SUPERAR O ÓBICE REGIMENTAL DA ALÇADA. DISPONDO ESSE DISPOSITIVO QUE AS TERRAS DEVOLUTAS NÃO COMPREENDIDAS NO ARTIGO ANTERIOR INCLUEM-SE ENTRE OS BENS DO ESTADO, COM ELE NÃO ATRITA A DECISÃO QUE ATRIBUI AO ESTADO O ÔNUS DE PROVAR SEREM, OU NÃO, DEVOLUTAS AS TERRAS, POIS NEM A FALTA DE 21 PONTES DE MIRANDA. Comentários à Constituição de 1967 com e Emenda n. 1 de 1969 – tomo I. São Paulo: RT, 1969, p. 529. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 18 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO TRANSCRIÇÃO NO REGISTRO GERAVA ESSA PRESUNÇÃO A SEU FAVOR. – RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO. Assim, nem toda terra que não é de particular é devoluta. Para ser considerada devoluta, deve haver a prova dos fatos que ensejam a devolutividade da área, mediante estudos da cadeia dominial. Nesse sentido é o alerta de Pontes de Miranda22: A concepção de que ao Príncipe toca o que, no território, não pertence a outrem, particular ou enti- dade de direito público, é concepção superada. As terras ou são dos particulares, ou do Estado, ou nullius. Nem todas as terras que deixaram de ser de pessoas físicas ou jurídicas se devolvem ao Estado. Ao Estado vão o que foi abandonado, no sentido preciso do sistema jurídico. Ao Estado foi o que, segundo as legislações anteriores ao Código Civil, ao Estado se devolvia. A expressão “devo- lutas”, acompanhando “terras”, a esse fato se refere. E, hoje, prevalece o entendimento de que o Estado tem que comprovar o caráter devoluto das terras sem registro em nome de particulares, conforme decisão abaixo do Superior Tri- bunal de Justiça23: CIVIL. USUCAPIÃO. ALEGAÇÃO, PELO ESTADO, DE QUE O IMÓVEL CONSTITUI TERRA DEVOLUTA. A ausência de transcrição no Ofício Imobiliário não induz a presunção de que o imóvel se inclui no rol das terras devolutas; o Estado deve provar essa alegação. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial não conhecido. Anoto que a presunção de titularidade pública de imóveis foi elidida paulatinamente pela legislação. Desde a Lei n. 601/1850 foram editadas disposições legais que cuidaram de pre- servar o patrimônio privado: Art. 1º Ficam proibidas as aquisições de terras devolutas por outro titulo que não seja o de compra. 22 PONTES DE MIRANDA. Comentários à Constituição de 1967 com e Emenda n. 1 de 1969 – tomo I. São Paulo: RT, 1969, p. 529. 23 STJ – REsp 113.255/MT, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/04/2000, DJ 08/05/2000, p. 89. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 19 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO .......................... Art. 3º São terras devolutas: § 1º As que não se acharem aplicadas a algum uso publico nacional, provincial, ou municipal. § 2º As que não se acharem no domínio particular por qualquer titulo legítimo, nem forem havidas por sesmarias e outras concessões do Governo Geral ou Provincial, não incursas em comisso por falta do cumprimento das condições de medição, confirmação e cultura. § 3º As que não se acharem dadas por sesmarias, ou outras concessões do Governo, que, apesar de incursas em comisso, forem revalidadas por esta Lei. § 4º As que não se acharem ocupadas por posses, que, apesar de não se fundarem em titulo legal, forem legitimadas por esta Lei. Art. 4º Serão revalidadas as sesmarias, ou outras concessões do Governo Geral ou Provincial, que se acharem cultivadas, ou com princípios de cultura, e morada habitual do respectivo sesmeiro ou concessionário, ou do quem os represente, embora não tenha sido cumprida qualquer das outras condições, com que foram concedidas. Art. 5º Serão legitimadas as posses mansas e pacificas, adquiridas por ocupação primaria, ou havi- das do primeiro ocupante, que se acharem cultivadas, ou com principio de cultura, e morada, habitu- al do respectivo posseiro, ou de quem o represente, guardadas as regras seguintes: A Lei Imperial reconheceu as posses e a propriedade para aqueles que atendessem os procedimentos para tal. Também estabeleceu o procedimento para “extremar o domínio públi- co do particular”, de modo administrativo (art.10). Assim, somente podem ser consideradas devolutas aquelas áreas que não atendam as determinações da Lei Imperial. Posteriormente, as terras devolutas foram transferidas para os Estados pela Constituição Republicana, razão pela qual o Estado de São Paulo cuidou de apurar as terras devolutas que lhe cabia. Foi promulgada a Lei a n. 323, de 22.6.1895. Após, surgiu a Lei n. 545, de 2.8.1898 que modificou a primeira, ampliando os casos já previstos naquela de reconhecimento da inte- gração da propriedade no domínio privado. Assim, em seu art. 2º, estabeleceu: Art. 2º. Ficam legitimadas em virtude desta lei, independentemente de processo de legitimação: § 1º. As terras que estiverem na posse particular por título de domínio obtido 20 anos antes desta lei, ou por decisão judicial proferida desde a mesma data. Se o título de aquisição for instrumento particular, não se reputará datado senão do tempo em que a seu respeito se houver verificado algum fato de fé irrecusável, nos termos de direito. § 2º As terras que antes desta lei estavam na posse particular, com morada habitual e cultura efe- tiva, pelo prazo não interrompido de 30 anos, compreendidas as sesmarias ainda não revalidadas... O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 20 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Foi estabelecido no art. 10 que os títulos de aquisição das terras mencionadas no art. 2º deveriam ser transcritos no Registro Público e no art. 15 determinou que: Na discriminação das terras ter-se-ão em vista os títulos de domínio particular e os que estiverem transcritos, na forma dos arts. 9º e 10 das posses revalidadas e legitimadas em virtude desta lei. Posteriormente, a Lei estadual n. 655, de 23.8.1899 que também buscou legitimar posses de particulares. O Decreto n. 734, de 5/1/2000, excluiu do conceito de terras devolutas as que se achavam no domínio privado por qualquer título até a dará da Lei n. 601/1950, o que repre- sentou importante providência para a pacificação do domínio privado no Estado. Por fim, referi- do decreto regularizou aquisições anteriores a 02/08/1878, bem como reconheceu a aquisição por posse pelo prazo de 30 anos como apta à aquisição da propriedade, sem processo de legitimação: Art. 9º Fica legitimado em sua posse, independentemente de processo de legitimação: § 1º. O possuidor de terras que tiver título de domínio obtido até o dia 2.8.1878: a) consideram-se legítimos todos os títulos hábeis em Direito para transferir domínio; b) se o título de aquisição for instrumento particular, não se reputará datado senão do tempo em que a seu respeito se tiver verificado algum fato de fé irrecusável, nos termos de direito. § 2º O possuidor que estiver na posse das terras por decisão judicial proferida até o referido dia 2.8.1878. § 3º. O que por si ou por seu antecessor tiver morada habitual e cultura efetiva nas terras pelo prazo continuado de 30 anos, contado de 2.8.1878, ainda mesmo que as terras constituam objeto de ses- marias ou concessões não revalidadas ou partes delas. Art. 10. As posses de que trata o artigo antecedente ficam “ipso jure” legitimadas, independente- mente de processo de legitimação, e o possuidor será reputado pleno proprietária das terras para todos os efeitos de direito. Assim, para fins de apuração da devolutividade de uma área, não basta a mera comprova- ção de que o título de propriedade não se originou de uma sesmaria. O título que teve origem em transações privadas reconhecidos pela legislação estadual são válidos. A mera inexistên- cia de título formalmente válido não é prova de devolutividade. Para comprovar a natureza de devoluta de determinado imóvel é necessário o estudo da cadeia dominial para que seja comprovado o não enquadramento nas disposições legais acima mencionadas que conside- raram válidas transações privadas, bem como reconheceram direitos decorrentes da posse e aproveitamento de terras por possuidores. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 21 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO • Afetação x desafetação Quando se diz que um bem público foi afetado, significa que foi dada uma destinação es- pecífica a ele. Por outro lado, quando dissemos que houve a desafetação do bem significa dizer que foi retirada a destinação que ele tinha. Trata-se de um conceito importante pois somente os bens desafetados podem ser objeto de alienação. • Regime jurídico As características atribuídas aos bens públicos constituem o que se convencionou chamar de regime jurídico dos bens públicos. São características do regime jurídico dos bens públicos: a inalienabilidade, a imprescriti- bilidade e a impenhorabilidade. • Inalienabilidade: por esta característica, os bens públicos em regra não podem ser alie- nados. Excepcionalmente se pode cogitar da sua alienação desde que preenchidos al- guns requisitos: caracterização de interesse público; abertura de licitação na modalida- de de concorrência pública ou de leilão; realização de uma pesquisa prévia de preços; desafetação e autorização legislativa em se tratando de bens imóveis. • Imprescritibilidade: por esta característica os bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião, de acordo com a previsão estabelecida nos artigos 183, § 3º, e 191, pa- rágrafo único, da Constituição Federal. • Impenhorabilidade: por esta característica bens públicos não podem ser objeto de pe- nhora em razão das regras previstas no artigo 100 da CF para a execução em face da Fazenda Pública. Conforme mencionado, várias são as formas de intervençãoestatal na propriedade, a sa- ber: desapropriação, requisição, servidão administrativa, ocupação, tombamento. Tendo como foco sua aprovação na OAB, passamos a tecer alguns comentários sobre as principais características de cada uma destas formas de intervenção: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 22 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Servidão Administrativa Ocupação Temporária Requisição Administrativa Limitações Administrativas Tombamento Desapropriação Intervenção Restritiva Intervenção Supressiva 6. o tomBamento A Constituição Federal estabelece em seu art. 23 que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sí- tios arqueológicos, bem como impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico e cultural. O tombamento é o instrumento para a proteção dos bens protegidos pelo dispositivo cons- titucional acima. No âmbito da União, a norma que rege o tombamento é o vetusto Decreto-lei n. 25, de 30 de novembro de 1937. O tombamento, de início, é provisório, decretado no início do processo administrativo, per- durando enquanto este não for concluído, com a função de, cautelarmente, impedir qualquer alteração do bem. Após o término do processo administrativo, o tombamento provisório pode ser convertido em tombamento definitivo, havendo o registro do ato administrativo perante o registro de imóveis. O processo administrativo do tombamento pode ser iniciado pela provocação do proprie- tário, quando então o tombamento é classificado em voluntário. Quando iniciado por iniciativa da própria administração ou por provocação de terceiro, não proprietário, é chamado de tom- bamento de ofício. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 23 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Dúvidas surgem acerca da natureza jurídica do tombamento. Celso Antônio Bandeira de Mello24 diferencia a servidão do tombamento da seguinte forma: Distingue-se os institutos do tombamento e da servidão em que: a) a servidão é um direito real sobre coisa alheia ao passo que o tombamento também pode afetar um bem próprio e ser satisfeito mes- mo quando o bem de terceiro é expropriado sem que com isto se extingam os gravames inerentes ao tombamento, não vigorando o princípio nemini res sua servir; b) a servidão não impõe ao titular do bem tombado o dever de agir, pois não lhe exige um facere, mas tão-só um pati, ao passo que o tombamento constitui o titular do bem tombado no dever de conservá-lo em bom estado, no que se incluem todas as realizações de reformas para tanto necessárias; c) demais disto, as servidões só oneram bens imóveis e o tombamento tanto pode se referir a bens imóveis quanto a bens móveis, como quadros, estatuetas, joias e outros objetos de interesse cultural. Conforme acima foi exposto, somente se pode falar em expropriação do direito de proprie- dade se ocorrer a violação do núcleo essencial do bem, que se caracteriza pelo impedimento da utilização funcional do bem. Um bem tombado permanece no domínio do proprietário que, em regra, pode utilizá-lo de acordo com a vocação normal do bem (se for um imóvel urbano, poderá utilizá-lo para sua moradia; se for a sede de um imóvel rural, no restante, da proprieda- de, poderá usá-lo para as atividades agrícolas ou pecuárias). Não há, assim, a atingimento do núcleo essencial do bem. Dessa forma, o tombamento é uma limitação, conformação ao direi- to de propriedade, motivado por razões de ordem pública, como o interesse histórico, cultural ou ambiental do bem. Há uma divergência da doutrina acerca da necessidade de indenizar o proprietário do bem tombado. Os que defendem a indenização se fundam na suposta perda de valor econômico do bem, bem como na redução do poder de usar, gozar e dispor. Flávio de Queiroz B. Cavalcanti25 defende a indenização ao proprietário do bem tombado mediante os seguintes argumentos: O tombamento, na maior parte das vezes, acarreta uma diminuição no valor econômico da coisa e uma redução das faculdades inerentes à propriedade. O poder de usar, gozar e dispor, é reduzido pela necessidade de preservação da coisa, impedindo-se, por conseguinte, sua altera de acordo com o desejo de seu proprietário, e por via de consequência, reduzindo-lhe o valor econômico. Em prol da coletividade, o titular sofre restrições no seu direito de propriedade e uma diminuição no seu patrimônio. 24 MELLO, Celso Antônio Bandeira. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, 2010, 27ª edição, p. 912 25 CAVALCANTI, Flávio de Queiroz B. Tombamento e dever de indenizar. Revista dos Tribunais, vol. 709/1994, p. 34 – 41, Nov / 1994. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 24 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Baseada a regra de indenização pelo poder público no fracionamento dos ônus e cômodos, não vejo como escapar à conclusão de que necessário se faz o repartimento dos prejuízos sofridos. Há quem entenda que, se o tombamento atingir somente um imóvel, haveria o dever de in- denizar. Já, caso o tombamento fosse geral, não haveria direito à indenização, visto que todos suportariam as mesmas limitações. Nesse sentido, Paulo Affonso Leme Machado: Uma propriedade situada em uma quadra em que os outros imóveis têm aproximadas características históricas ou arquitetônicas insere-se, naturalmente, no mesmo corpo de prescrições. Assim, se todos os bens dessa quadra ou das quadras vizinhas forem sujeitos aos mesmos gravames de conservação, inedificabilidade, preempção para a venda, com pequenas diferenças sobre futuras modificações, nada há de discriminatório. Assim, a propriedade imóvel, no caso, não está sendo sujeita a gravames e ônus de maneira desigual a outras situadas em igual situação. Nesse caso, ocorre a possível generalidade da limitação (ainda que não absolutamente geral, pois poderia haver zonas diferentes numa mesma cidade) e nada há a indenizar pelo Poder Público...diferente é a situação quando uma propriedade é escolhida solitariamente para ser conservada. Muitas vezes, pretende-se que ela fique como testemunha de uma determinada época ou padrão cultural. Diante dos ônus da conservação de propriedades semelhantes e vizinhas, opta-se pela conservação de um só ou de poucos bens em relação ao conjunto existente. Ora, de imediato, é de se constatar que a limitação não está sendo geral no mesmo espaço geográfico26. Entretanto, o critério sobre a generalidade ou individualidade do tombamento como critério de separação entre os que devem ou não receber a indenização é passível de crítica27. O imóvel é tombado individualmente, mesmo que os demais que o cercam também sejam. O tomba- mento de uma área implica no tombamento individual de cada imóvel, conforme lição de José dos Santos Carvalho Filho: Mesmo quando o tombamentoabrange uma determinada área, um bairro o até uma cidade, os imó- veis tombados são apenas aqueles inseridos no local mencionado pelo ato. Dizer-se que todos os imóveis de uma rua estão tombados significa que cada um deles, especificamente, sofre a restrição.28 26 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Tombamento. Doutrinas Essenciais de Direito Ambiental, vol. 3, p. 233 – 277, mar. 2011. 27 “Não tem sentido considerar-se indenizável o tombamento individualizado de um bem e não indenizável aquele que atingir toda uma categoria de bens próximos um dos outros, que sofreriam uma “carga geral” imposta a todas as pro- priedades. O tombamento deve ser entendido como geral não por atingir, no seu ato de imposição, um ou mais bens, mas por inserir a coisa numa classe de bens legalmente prevista e potencialmente protegida. Assim, ainda que o tom- bamento aparentemente condicione coisa individualizada a um uso ou desfrute diferenciado das demais situadas em determinado espaço, esta restrição é compatível com a imposta à categoria de bens que a coisa tombada e sua vizinhança fazem parte, a universalidade que é o Patrimônio Cultural Brasileiro”. (RODRIGUES, José Eduardo Ramos. Tombamento e patrimônio cultural. Doutrinas Essenciais de Direito Ambiental, vol. 3, p. 143-166, Mar. 2011) 28 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 27ª edição, 2014, p. 818. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 25 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO Conforme acima exposto, em regra, não deve haver a indenização ao proprietário do bem tombado. Este continua na propriedade do particular. O tombamento, em regra, não impõe obri- gações positivas ao proprietário, apenas impedindo a alteração física do bem, com a finalidade de preservar o patrimônio histórico e cultural do País. Ademais, o dever de indenizar o proprietário pode inviabilizar a proteção ao patrimônio histórico e cultural do Brasil, levando à destruição do patrimônio cultural, em prejuízo da coleti- vidade, com vistas ao atendimento do interesse individual de proprietário do imóvel, conforme o magistério de José Eduardo Ramos Rodrigues:29 Entendemos que continuar a discussão sobre se o tombamento é indenizável ou não escapa à realidade fática, em especial a de nosso País. Segundo a Constituição de 1988, cumpre ao Poder Público defender o Patrimônio Cultural Brasileiro, sendo um de seus meios mais eficazes o tom- bamento, exatamente por não representar ônus excessivo ao Erário público. Se entendermos que cada vez que um bem cultural for tombado, haverá indenização ou desapropriação indireta, estare- mos objetivamente impedindo a preservação do patrimônio cultural e o cumprimento dos desígnios constitucionais. Nosso País é pobre e continuará a sê-lo por longo tempo. Nem por isso os brasileiros constituem-se num povo inferior sem direito de fruição de seu patrimônio cultural, transmissível às futuras gera- ções, como qualquer país civilizado do mundo. Até porque uma das formas de superação do subde- senvolvimento mais eficazes, implica na valorização por um povo de seus bens culturais, através do qual consegue afirmar-se realmente como nação. A indenização ou expropriação de bens culturais por nossos débeis cofres públicos afasta para sempre qualquer possibilidade de preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. Mesmo que obtenha verbas suficientes para indenização, o que já é bastante improvável num país endividado externa e internamente como o Brasil, sobrará algum dinheiro para a restauração e manutenção dos bens? É óbvio que não! Admitir indenização pura e simples do tombamento num país pobre é condenar o seu patrimônio cultural à destruição total. A questão da indenizabilidade do tombamento deve ser objeto de análise no caso concre- to. Poderá haver casos em que o tombamento pode ocasionar um prejuízo real ao proprietário, impedindo-o de continuar a exercer atividades que antes realizava e que lhe eram lucrativas. Outros casos de tombamento, entretanto, podem não limitar o real uso da propriedade que era realizado; não havendo a interrupção de qualquer atividade lucrativa do proprietário, não há o que indenizar. Não é admissível indenizar o que nunca existiu por mera presunção de que seria possível existir. Não é lógico e nem razoável indenizar o seu potencial de aproveitamento eco- 29 RODRIGUES, José Eduardo Ramos. Tombamento e patrimônio cultural. Doutrinas Essenciais de Direito Ambien- tal, vol. 3, p. 143-166, Mar. 2011 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 26 de 72www.grancursosonline.com.br Nilton Carlos de Almeida Coutinho Intervenção do Estado e da Propriedade e no Domínio Econômico DIREITO ADMINISTRATIVO nômico que nunca foi, de fato, utilizado pelo proprietário e que dependeria de circunstâncias imprevistas e imprevisíveis. Por exemplo, é totalmente injusto pagar pela perda do potencial de construção de um imóvel no qual o proprietário nunca sequer requereu licença de construir porque, em tese, seria possível derrubar o imóvel de valor histórico para construir um edifício no local, fato que dependeria de acontecimentos aleatórios que nunca poderiam acontecer, como o interesse do mercado em fazer um empreendimento no local30. Assim, deve o proprie- tário fazer prova do prejuízo causado pelo tombamento para que possa pleitear indenização, conforme voto do Ministro Arnaldo Esteves Limam O tombamento, por significar uma restrição administrativa que apenas obriga o proprietário a man- ter o bem tombado dentro de suas características para a proteção do patrimônio cultural, não gera qualquer dever indenizatório para o Poder Público, e isso porque nenhum prejuízo patrimonial é cau- sado ao dono do bem. Somente se o proprietário comprovar que o ato de tombamento lhe causou prejuízo, o que não é a regra, é que fará jus à indenização. (...) Ressalva-se apenas a hipótese em que, sob a denominação de tombamento, o Estado realmente interdita o uso do bem pelo proprie- tário. Nesse caso é até impróprio falar-se em tombamento; o certo será considerar-se hipótese de servidão administrativa ou de desapropriação, conforme o caso, passando o proprietário então a ter direito à indenização pelos prejuízos causados pelo uso, ou pela própria perda da propriedade, no todo ou em parte. No mesmo sentido é a lição de Hely Lopes Meirelles31 o qual nos ensina que “o tombamen- to, em princípio, não obriga a indenização, salvo se as condições impostas para a conservação do bem acarretam despesas extraordinárias para o proprietário, ou resultam na interdição de uso do mesmo bem, ou prejudicam sua normal utilização”. E, mesmo se provado o prejuízo, da indenização deverá ser subtraído o valor do potencial construtivo alienável do imóvel, previsto no art. 35 do Estatuto da Cidade. 30 “A fixação do preço justo não pode embasar-se em mera hipótese de aproveitamento do imóvel, jamais cogi- tada pelos expropriados antes do procedimento expropriatório. Vale dizer, não se pode levar em conta a possi- bilidade de implantação de loteamento em um imóvel que, antes da intervenção do Poder Público, sempre foi utilizado para a atividade agropecuária. O interesse auferido pelo proprietário do imóvel expropriado, mencio- nado no art. 27 do Dec. Lei n. 3.365/41, refere-se às eventuais atividades praticadas no momento da declara- ção de utilidade pública”. (STJ – 1ª T., REsp 986.471, Min. Denise Arruda, j. 13.5.08, DJU 30.6.08.